Rita Nicolau Ausenda Machado José Marinho Falcão. Departamento de Epidemiologia

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1 Distribuição da Mortalidade e dos Internamentos Hospitalares por Doenças do Aparelho Circulatório em Portugal Continental: Agregação Geográfica e Determinantes Rita Nicolau Ausenda Machado José Marinho Falcão Departamento de Epidemiologia

2 Enquadramento A presente publicação foi desenvolvida no âmbito do projecto GeoFASES (Análise Geográfica de Factores Ambientais e Socio-Económicos em Saúde). Trabalho já publicado:

3 Enquadramento Fundamentaram o desenvolvimento desta publicação: o peso das doenças do aparelho circulatório na mortalidade ( 40%) e na morbilidade da população portuguesa; a escassez de estudos de âmbito nacional, que possibilitem conhecer a distribuição geográfica detalhada das doenças estudadas; o desconhecimento das áreas do território mais expostas e das mais protegidas, face a cada grupo de doenças; a necessidade de identificar factores que expliquem a desigual distribuição das doenças no território continental.

4 Objectivos Estudar a distribuição por concelhos das doenças do aparelho circulatório no Continente entre 2000 e 2004, para identificação de: factores explicativos da desigual distribuição por concelhos das taxas de mortalidade e das taxas de internamento por aquelas doenças, no período citado; grupos de concelhos (clusters) onde o risco de morte ou de internamento hospitalar por aquelas doenças se tenha diferenciado no território, com valores altos ou com valores baixos.

5 Metodologia Análise de 3 grupos de doenças do aparelho circulatório: total; doença isquémica do coração; doenças cerebrovasculares. Indicadores utilizados para estudar a mortalidade e o internamento hospitalar: taxas anuais médias, padronizadas pela idade (padronização pelo método directo, utilizando a população do Continente em 2001 como padrão); estas taxas foram estratificadas por sexo e calculadas por concelhos de residência dos indivíduos.

6 Metodologia Delimitação de zonas com elevados/baixos riscos de morte ou de internamento (clusters), correspondentes a cada grupo de doença e sexo. análise baseada em indicadores locais de associação espacial - índices LISA (Anselin,2005) e respectiva significância estatística. Anselin L. Exploring spatial data with GeoDa: A workbook. Spatial Analysis Laboratory. Department of Agricultural and Consumer Economics, University of Illinois, 2005.

7 Metodologia Identificação dos factores associados à desigual distribuição da mortalidade e dos internamentos hospitalares por concelhos (para cada grupo de doença e por sexo). - esta análise envolveu o ensaio de modelos clássicos de regressão linear múltipla e modelos espaciais auto-regressivos com variáveis auxiliares (Anselin et al.,2004). Anselin L, Syabri I, Kho Y. GeoDa: An introduction to spatial data analysis. Spatial Analysis Laboratory. Department of Agricultural and Consumer Economics, University of Illinois, 2004.

8 Metodologia Compilação e/ou produção de cerca de 50 indicadores (aspectos demográficos, socio-económicos, ambientais e comportamentos e estilos de vida das populações), que podem ter contribuído para diferenciar a mortalidade e o internamento hospitalar entre concelhos do Continente. - Análise de informação geográfica: sobreposição de temas, cálculo de distâncias, interpolação espacial, - Análise estatística: estatísticas descritivas, ACP- Análise em Componentes Principais,.

9 Indicadores Saúde Sócio-económicos Comportamentos e Estilos de vida Território e Ambientais Fontes Mortalidade Instituto Nacional de Estatística (INE)/ Direcção-geral de Saúde (DGS) Internamento hospitalar (Grupo de Diagnóstico Homogéneo,GDH) Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) Estatísticas da Saúde INE Hospitais públicos DGS Prevalência de doenças crónicas (Inquérito Nacional de Saúde, INS) - INSA/INE Censos INE Consumo de tabaco (INS) - INSA/INE Consumo de álcool (INS) - INSA/INE Índice de Massa Corporal (INS) - INSA/INE Actividade física (INS) - INSA/INE Uso do solo Agência Portuguesa do Ambiente (APA) Limites administrativos APA Unidades industriais European Pollutant Emission Register (EPER) Concessões mineiras Instituto Nacional de Engenharia e Tecnologia e Inovação, Laboratório São Mamede Infesta Emissões de poluentes atmosféricos APA Dados climáticos Instituto da Água

10 Resultados 1. Ilustração do tipo de resultados obtidos para a Doença Isquémica do Coração; 2. Síntese dos resultados, concordantes nos dois sexos, para cada um dos 3 grupos de doença estudados.

11 Sexo Masculino Mortalidade por Doença Isquémica do Coração concelhos das regiões de Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo concelhos das regiões Centro (litoral) e Norte Óbitos/10 5 hab. - + Sexo Feminino

12 Sexo Masculino concelhos das regiões de Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo Internamentos Hospitalares por Doença Isquémica do Coração Concelhos das regiões Norte e Centro Internamentos/10 5 hab. - + Sexo Feminino

13 Resultados Factores que contribuíram no período para a variação da Mortalidade e do Internamento hospitalar por Doença Isquémica do Coração, entre concelhos do Continente:

14 Sexo Masculino Mortalidade Internamentos hospitalares Sexo Feminino Homens fumadores com 15 anos (% padronizada pela idade) % (1987) % (1998/99)

15 Sexo Masculino Mortalidade Internamentos hospitalares poder de compra ( ) Sexo Feminino Taxa (%) de poder de compra concelhio ( ) % da superfície concelhia afecta a uso urbano e/ou industrial ( )

16 Mortalidade Internamentos hospitalares Sexo Masculino Privação humana associada à população idosa ( ) Sexo Feminino Privação humana associada à população idosa ( ) poder de compra ( ) Privação humana ( ) 1991 Taxa (%) de poder de compra concelhio ( ) % da superfície concelhia afecta a uso urbano e/ou industrial ( )

17 Sexo Masculino Sexo Feminino Mortalidade Privação humana associada à população idosa ( ) Privação na habitação ( ) Privação humana associada à população idosa ( ) Internamentos hospitalares poder de compra ( ) Taxa (%) de poder de compra 1991 concelhio ( ) % da superfície concelhia afecta a uso urbano e/ou industrial ( ) Privação humana ( )

18 Mortalidade Internamentos hospitalares Sexo Masculino Predominância de emprego nas actividades CAE 5-9 ( ) Sexo Feminino Privação humana associada à população idosa ( ) Privação humana associada à população idosa ( ) Privação na habitação ( ) Densidade de unidades industriais e poluição associada às emissões industriais ( ) poder de compra ( ) Taxa (%) de poder de compra concelhio ( ) % da superfície concelhia afecta a uso urbano e/ou industrial ( ) Privação humana ( )

19 Mortalidade Internamentos hospitalares Sexo Masculino Mortalidade por causas mal definidas ( ) Sexo Feminino Privação humana associada à população idosa ( ) Privação humana associada à população idosa ( ) Privação na habitação ( ) poder Taxa de de compra ( ) mortalidade Predominância de emprego masculina nas por actividades CAE 5-9 ( ) causas mal Densidade de unidades industriais definidas e poluição associada às emissões (TMP- taxa industriais ( ) Taxa (%) de poder de compra concelhio ( ) % da superfície concelhia afecta a uso urbano e/ou industrial ( ) Privação humana ( ) padronizada pela idade)

20 Sexo Masculino Mulheres com Hipertensão arterial ou com Diabetes (% padronizada pela idade) Sexo Feminino Mortalidade Privação humana associada à população idosa ( ) Mortalidade por causas mal definidas ( ) Prevalência de hipertensão arterial e diabetes ( ) Internamentos hospitalares poder de compra ( ) Predominância de emprego nas actividades CAE 5-9 ( ) Densidade de unidades industriais e poluição associada às emissões industriais ( ) Privação humana associada à população idosa ( ) Privação na habitação ( ) 1998/ /99 Taxa (%) de poder de compra concelhio ( ) % da superfície concelhia afecta a uso urbano e/ou industrial ( ) Privação humana ( )

21 Mortalidade Internamentos hospitalares Sexo Masculino Sexo Feminino Privação humana associada à população idosa ( ) Mortalidade por causas mal definidas ( ) Privação humana associada à população idosa ( ) Privação na habitação ( ) Prevalência de hipertensão arterial e diabetes ( ) Distância concelhia a hospitais públicos ( ) Predominância de emprego nas actividades CAE 5-9 ( ) Densidade de unidades industriais e poluição associada às emissões industriais ( ) Taxa (%) de poder de compra concelhio ( ) % da superfície concelhia afecta a uso urbano e/ou industrial ( ) Privação humana ( )

22 Zonas de elevado risco, concordantes nos dois sexos, por grupos de doença Mortalidade Internamentos hospitalares Aparelho Circulatório Total Região de Lisboa e Vale do Tejo Região de Lisboa e Vale do Tejo Isquémica do Coração Região de Lisboa e Vale do Tejo Distrito de Beja Região de Lisboa e Vale do Tejo Distrito de Portalegre Cerebrovasculares Região de Lisboa e Vale do Tejo Região Norte Departamento de Epidemiologia Região de Lisboa e Vale do Tejo Região Norte

23 Zonas de baixo risco, concordantes nos dois sexos, por grupos de doença Mortalidade Internamentos hospitalares Aparelho Circulatório Total Distrito de Bragança Distrito de Faro (oeste) Distrito de Viana do Castelo Distritos de Guarda e Viseu Distrito de Coimbra Isquémica do Coração Distritos de Vila Real, Braga e Porto Distritos de Leiria, Coimbra e Aveiro (litoral) Distritos de Guarda, Viseu, Vila Real e Porto Distritos de Castelo Branco, Coimbra e Leiria Cerebrovasculares Distrito de Portalegre Departamento de Epidemiologia Distritos de Castelo Branco, Coimbra e Leiria

24 Factores, concordantes nos dois sexos, que influenciaram a variação das doenças por concelhos Aparelho Circulatório Total Isquémica do Coração Cerebrovasculares Mortalidade Privação socio-económica ( ) Privação humana associada à população idosa ( ) - Internamentos hospitalares % da superfície concelhia afecta a uso urbano e/ou industrial ( ) Distância mínima concelhia a hospitais públicos ( ) Departamento de % da superfície concelhia afecta Epidemiologia a uso urbano e/ou industrial ( ) Distância mínima concelhia a hospitais públicos ( )

25 Conclusões Os resultados obtidos neste estudo podem ser úteis no planeamento de intervenções sobre as doenças do aparelho circulatório. O seu conteúdo viabiliza direccionar as intervenções para as regiões onde os riscos de morte, ou de internamento, por cada doença foram mais elevados, actuando sobre os factores identificados como determinantes da variação concelhia da doença.

26 Conclusões As localizações do território com menor risco de morte ou de internamento pelas doenças estudadas, podem eventualmente reflectir práticas diferenciadas no âmbito da prevenção primária, ou estilos de vida mais saudáveis das respectivas populações, o que justifica a realização de estudos mais aprofundados que clarifiquem o estatuto mais protegido de tais regiões.

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