MANUAL DE FORMULAÇÃO E AVALIAÇÃO DE PROJETOS SOCIAIS DIVISION DE DESARROLLO SOCIAL

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1 MANUAL DE FORMULAÇÃO E AVALIAÇÃO DE PROJETOS SOCIAIS DIVISION DE DESARROLLO SOCIAL CEPAL

2 ÍNDICE I. INTRODUÇÃO II. CONCEITOS BÁSICOS. Programas e Projetos Sociais. População-Objetivo. Formulação, Avaliação e Monitoramento. Metodologias de Avaliação. Impacto e Investimento. Ciclo do Projeto III. FORMULAÇÃO DE PROJETOS. Identificar o problema. Realizar o diagnóstico. Realizar o estudo de mercado. Estabelecer os objetivos de impacto. Selecionar as alternativas. Estabelecer os objetivos de produto. Selecionar os indicadores. Estabelecer as metas. Especificar as premissas. Construir as matrizes de alternativas IV. AVALIAÇÃO EX-ANTE. Calcular os custos de cada alternativa. Realizar a Análise de Impacto. Calcular a Relação Custo-Impacto

3 V. PROGRAMAÇÃO E AVALIAÇÃO EX-POST. Construir a matriz de programação. Realizar o plano de operações. Realizar a Avaliação Ex-post ANEXOS Anexo.- Anexo.- Anexo.- Anexo.- Anexo.- Anexo.- Anexo.- Anexo.- Anexo.- Árvore de Problemas Árvore de Objetivos Identificação de Áreas de Intervenção Técnicas de Projeção Matemática Financeira Fluxo de Custos Matriz de Planejamento Plano de Operação Elementos de Metodologia e Estatística BIBLIOGRAFIA

4 INTRODUÇÃO Este manual é um guia prático que visa a apoiar o trabalho técnico daqueles que estão diretamente relacionados com a formulação e a avaliação de projetos sociais. A metodologia possibilita que a partir de um problema específico se identifique a melhor alternativa para resolvê-lo. No primeiro capítulo se definem alguns conceitos fundamentais para a formulação e a avaliação de projetos. O segundo analisa os passos que se devem seguir para obter um projeto adequadamente formulado para ser avaliado. O terceiro resume os métodos e técnicas requeridas para a avaliação ex-ante. O quarto capítulo apresenta os elementos necessários para programar as atividades da alternativa selecionada e os métodos disponíveis para realizar as avaliações ex-post. Se incorpora um conjunto de anexos de apoio para o aprofundamento de alguns tópicos relevantes do manual.

5 I. CONCEITOS BÁSICOS. Programas e Projetos Sociais Um projeto social é a unidade mínima de alocação de recursos que, através de um conjunto integrado de atividades pretende transformar uma parcela da realidade, reduzindo ou eliminando um déficit, ou solucionando um problema. Os projetos devem cumprir as seguintes condições: Ter objetivos claramente definidos (se têm objetivos imprecisos não podem ser avaliados ). Identificar a população-objetivo à qual está destinada. Especificar a localização espacial dos beneficiários. Estabelecer uma data de início e outra de término. Os projetos sociais procuram, em geral, satisfazer necessidades de grupos que não possuem recursos para solventá-las autônomamente através do mercado. Um programa social é um conjunto de projetos que têm os mesmos objetivos. A política social é um conjunto de programas que visam aos mesmos objetivos. Nesta perspectiva, a política se traduz operacionalmente em programas e projetos que a concretizam mediante a alocação de recursos para a implementação destes. Na literatura tradicional se considera que os projetos são definidos pela existência de investimento fixo, isto é, porque se alocam recursos para a aquisição de bens de capital (terreno, construção, equipamento). Os programas, em forma alternativa, supõem a utilização de recursos somente para gastos (por exemplo, para pagar salários requeridos para a operação). E de acordo com este raciocínio, se considera que os programas não devem ser avaliados. No entanto, os projetos não se definem pela presença ou ausência de investimento fixo. Ainda quando este seja inexistente ou marginal, todo projeto pode e deve ser avaliado. Quadro.. - Relação entre Política, Programas e Projetos Sociais

6 POLÍTICA SOCIAL PROGRAMA PROGRAMA PROJETO PROJETO PROJETO PROJETO Exemplos: a) Política Investimento em capital humano mediante a capacitação de jovens de baixos recursos. Programa Projeto Programa Nacional de Capacitação Juvenil. Capacitação em manuseio de alimentos para jovens de escassos recursos. b) Política Satisfação das necessidades alimentício-nutricionais de setores populacionais que estão sob a linha de pobreza. Programas - Programa Nacional de Refeitórios Escolares. - Programa Nacional de Complementação Alimentar. - Programa Materno-Infantil. Projeto - Um refeitório escolar ( dentro do Programa Nacional de Refeitórios Escolares).. População-Objetivo

7 Cada projeto tem uma população-objetivo, espacialmente localizada, que deveria receber seus benefícios. É definida normalmente por pertencer a uma faixa etária (lactantes), por uma localização geográfica (zona rural), por uma carência específica (desnutridos), etc. Uma seqüência gráfica do processo de seleção da população-objetivo seria: Quadro..- População-Objetivo POPULAÇÃO DO MUNICÍPIO (População de referência) POPULAÇÃO AFETADA (por um problema específico) POPULAÇÃO NÃO AFETADA POPULAÇÃO OBJETIVO POPULAÇÃO POSTERGADA POPULAÇÃO NÃO AFETADA.. Focalização A focalização é um critério utilizado para a formulação de projetos que identifica, com a maior precisão possível, o conjunto dos potenciais beneficiários. Para isso, se requer conhecer detalhadamente as características do grupoobjetivo. Só assim será possível desenhar um projeto que se adeqüe às suas necessidades e características socioculturais. Focalizar, então implica estabelecer uma oferta de bens e/ou serviços orientada aos mais necessitados. Uma oferta homogênea para toda a população independentemente de suas diferenças costuma não ser adequada para aqueles que têm maiores carências devido à barreiras culturais, analfabetismo, falta de informação sobre os programas e projetos disponíveis, e que tiveram pouca participação na definição das políticas. Por que se deve focalizar? Porque: os recursos são limitados,

8 as necessidades insatisfeitas são crescentes deve-se procurar aumentar a eficácia dos projetos, e é importante incrementar o impacto produzido pelo projeto sobre a população-objetivo... Tipos de beneficiários Todos os projetos sociais são formulados em relação aos beneficiários diretos (população-objetivo definida). Contudo, também produzem impacto positivo em outras pessoas, identificadas como beneficiários indiretos. Existem dois tipos de beneficiários indiretos, os legítimos, que não se consideram expressamente como população-objetivo, mas cujo favorecimento concorda com o espírito do projeto. É o caso, por exemplo, das famílias dos alunos beneficiários dos programas de alimentação, que recebem o equivalente ao valor monetário da alimentação de seus filhos. Os beneficiários ilegítimos são favorecidos com o projeto apesar de estarem fora do espírito do mesmo. É o caso, por exemplo, dos membros das classes média e alta que têm acesso à subsídios orientados aos grupos carentes. Há projetos que incorporam benefícios públicos, recebidos não só pela população-objetivo, mas pela sociedade em conjunto. Assim, as campanhas de vacinação contra a varíola, afetam à crianças imunizadas, aos laboratórios; como fornecedores de vacinas, e à toda a população ao diminuir o risco de uma eventual epidemia, e conseqüentemente, os custos de enfrentá-la.... O papel dos beneficiários no projeto Para maximizar o impacto dos projetos, é fundamental contar com a participação dos beneficiários. A participação permite melhorar a consideração dos diversos elementos de tipo social, cultural e econômico dos beneficiários, com o que se aumenta a probabilidade de obter um maior impacto.

9 A população-objetivo conhece melhor que ninguém quais são suas reais necessidades insatisfeitas. Quando estas são definidas externamente, podem ser obtidos impactos menores aos esperados e/ou custos maiores que os necessários. Deve-se priorizar as relações horizontais entre os executantes e os beneficiários do projeto. A frustação dos beneficiários quanto à sua participação, pode limitar os logros do mesmo projeto. Buscando maximizar o impacto de um projeto, seus executantes têm a responsabilidade de fomentar a participação do beneficiários, além da de estimular e motivá-los a trabalhar juntos em prol de um objetivo em comum.. Formulação, avaliação e monitoramento A formulação é a etapa na qual se identifica o problema e se delineiam as alternativas de um projeto, ou seja, as opções técnicamente viáveis para sua solução. Estas alternativas surgem da teoria disponível e do conhecimento obtido das avaliações ex-post efetuadas anteriormente sobre projetos análogos. A avaliação é uma atividade que permite decidir sobre a conveniência de executar o projeto e escolher a alternativa ótima. Assim, formulação e avaliação são as duas faces de uma mesma moeda. Um projeto não pode ser formulado a menos que se saiba como será avaliado, porque só a partir da metodologia de avaliação é possível determinar qual é a informação que se deve coletar para sua formulação. A avaliação, então, serve de ponto de referência para a formulação do projeto, permitindo medir os custos e o impacto (ou os benefícios) dele, assim como as relações existentes entre ambos. Existem dois tipos de avaliação, em função do momento em que se realiza e do objetivo visado: a) Avaliação ex-ante, que se realiza antes do investimento e da operação. Ela permite estimar tanto os custos como o impacto (ou benefícios ) e assim tomar a decisão (qualitativa) de implementar ou não o projeto. A partir dela é possível priorizar diversos projetos e identificar a objetivos de impacto pretendidos. alternativa ótima para chegar aos b) Avaliação ex-post que é feita tanto na fase de operação como uma vez

10 terminado o projeto. Cumpre duas funções: uma qualitativa, que permite decidir se se deve ou não prosseguir com o projeto - quando se realiza durante a fase de operação -, ou definir conveniência de formular outros projetos similares - quando se realiza depois que o projeto está concluído -.outra, quantitativa, que surge em projetos que se encontram em implementação e possibilita decidir se é ou não necessário reprogramar. O monitoramento se relaciona diretamente com a gestão administrativa e consiste num exame contínuo ou periódico durante a etapa de operação do projeto. Realiza-se com vistas a controlar o cumprimento dos prazos das atividades programadas, assim como a provisão de insumos para determinar se foram recebidos a tempo, em quantidade, qualidade e preço previstos e se os produtos cumpriram com as especificações (em quantidades, qualidade e tempo) em função da programação prevista. Mesmo que avaliação e monitoramento possam realizar-se durante a fase de operação, o monitoramento se preocupa do cumprimento da programação proposta, enquanto a avaliação ex-post centra sua atenção na relação entre os resultados obtidos e os custos.. Metodologias de Avaliação As metodologias usadas para avaliar projetos buscam comparar os custos com os objetivos procurados (benefícios ou impacto). A forma em que se medem os custos é sempre muito semelhante; o que varia é a forma de medir os benefícios. Podem-se distinguir três metodologias de avaliação, cujas principais características se apresentam a seguir: a) Análise Custo-Benefício (ACB) : parte de um princípio muito simples que é o de comparar os custos com os benefícios econômicos do projeto. Se estes são maiores que os custos, existe uma primeira indicação de que o projeto deveria ser aprovado. É requisito básico da ACB que os custos e benefícios do projeto sejam expressos em unidades monetárias, portanto, é uma metodologia adequada para a análise de projetos produtivos, uma vez que nestes tanto os custos como os benefícios são de tipo econômico. No caso dos projetos sociais, os benefícios dificilmente podem ser expressos em unidades monetárias. Imputar valores a variáveis nutricionais, educacionais, de saúde, etc. implica, em definitiva, fixar um preço para a vida humana.

11 A ACB é utilizada quase que exclusivamente na etapa ex-ante, para tomar uma decisão a respeito da execução, rejeição ou postergação de um projeto. No entanto, para projetos sociais é igualmente relevante a avaliação ex-post já que permite determinar os custos incorridos e o impacto obtido e, em função das relações entre eles, manter a programação original, reprogramar ou cancelar o projeto. b) Análise do Custo Mínimo (ACM): compara os custos monetários (tanto em uma avaliação ex-ante como ex-post), com a possibilidade de alcançar eficientemente objetivos que não se podem expressar em dinheiro. A ACM deixa de lado a análise dos objetivos (benefícios), assumindo que eles derivam de uma decisão política (ex: um programa de segurança alimentar), e se dedica a assegurar que sejam alcançados com custos mínimos. Ou seja, se limita a garantir a eficiência, via minimização de custos, omitindo-se a respeito da eficácia (impacto) do projeto. c) Análise Custo-Impacto (ACI): compara como a ACM, os custos (monetários) com a possibilidade de alcançar eficientemente os objetivos do projeto. A ACI, contudo, não se restringe a avaliar a eficiência de um projeto, mas também avalia seu impacto, determinando em que medida o projeto alcançará ou alcançou seus objetivos, que mudanças produzirão ou produziram na população-objetivo e quais são seus efeitos secundários ou sua eficácia. A ACI se pode aplicar tanto na avaliação ex-ante como na ex-post. O quadro a seguir mostra as relações entre as diferentes metodologias de avaliação. Quadro. - Comparação entre ACB, ACM, ACI Termos de Comparação Impacto Estágio do projeto em que se aplica ACB ACM ACI Custos Custos e benefícios (expressos em unidaes monetárias ) Sobre a sociedade em conjunto (sem importar quem assume os custos e quem recebe os benefícios). Não se preocupa nem pela justiça nem pela eqüidade Sobre a sociedade em conjunto Custo do produto ou serviço em relação ao impacto produzido Sobre a população objetivo fixada segundo os objetivos do projeto Avaliação ex-ante Avaliação ex-ante Avaliações ex-ante e ex-post

12 Critérios de decisão Calcula-se a relação entre custos e benefícios monetários Calculam-se os custos. Os benefícios se assumem segundo a política social Calcula-se a relação entre os custos e o impacto produzido. Impacto e Investimento A magnitude do impacto obtido por um projeto não é necessariamente uma função linear do investimento. Aumentar o investimento de um projeto não implica aumentar na mesma proporção seu impacto. Por exemplo, mesmo que o investimento seja muito elevado, se um projeto de nutrição não entrega a quantidade de alimento necessária por beneficiário, levando em consideração a distribuição intrafamiliar dos bens alimentícios, poderia ter um impacto igual à zero. Se não se aumenta a quantidade de calorias e proteínas por porção/indivíduo, pode-se aumentar de modo ilimitado o investimento sem produzir nenhuma alteração no impacto. Gráfico.. - Custo Social da Irracionalidade Investimento Impacto Investimento Impacto Tempo O êxito de um projeto não é derivado da magnitude do investimento, mas do impacto que ele produz em função dos objetivos procurados.

13 . O Ciclo do Projeto No processo de um projeto com investimento em ativos fixos apresentam-se três "estados" básicos: préinvestimento (formulação), investimento e operação. No primeiro, pode-se distinguir a idéia do projeto, o estudo do perfil, a análise de pré-viabilidade e viabilidade; no segundo, as etapas de desenho e execução; o terceiro começa quando o projeto entrega os bens ou serviços que justificaram sua implementação. Cada uma destas etapas está associada a um conjunto de estudos que são necessários para conhecer e avaliar diversas características do projeto. À medida que se vão cumprindo estas etapas, se adquirem maiores informações, diminuindo o risco de implementar um projeto ruim, mas aumentam os custos da avaliação. Portanto, só se deve aprofundar os estudos quando o tamanho do projeto o justifique. Quanto maior seja o volume de recursos comprometidos, maiores e mais detalhados devem ser os estudos, antes de implementá-lo. Se o projeto for pequeno, pode-se passar diretamente do perfil à operação. Nos projetos que não requerem investimento fixo (como ocorre freqüentemente com os projetos sociais), não é preciso fazer estudos de pré-viabilidade nem análise de viabilidade. Um projeto de complementação alimentar seria um exemplo deste caso.

14 Gráfico. - Etapas do ciclo de um projeto com investimento P R É Espera IDÉIA Rejeita - V I A B I L I D A D E Espera Espera PERFIL PRÉ -VIABILIDADE VIABILIDADE Rejeita Rejeita Espera Rejeita V I A B I L I D A D E DESENHO EXECUÇÃO OPERAÇÃO

15 Gráfico. - Etapas do Ciclo de um projeto sem investimento F O R M U L A Ç Ã O Espera IDÉIA PERFIL Rejeita Espera Rejeita O P E R A Ç Ã O OPERAÇÃO No entanto, em alguns projetos sociais deve-se cumprir com todas as etapas do ciclo do projeto. É o caso da construção de hospitais onde o investimento fixo é de considerável magnitude. A seguir se desenvolve em forma breve cada uma das etapas do ciclo do projeto.... O estágio de pré-investimento (formulação) a) A idéia do projeto. A primeira fase é a criação da idéia do projeto. Nesta, já é preciso responder a um conjunto de perguntas que se aprofundarão nas fases posteriores. Os aspectos mais relevantes são:

16 Que necessidades serão atendidas e, em conseqüência, quais sãos os bens e/ou serviços que constituirão os produtos do projeto? A quem se direciona o projeto, isto é, qual é a população-objetivo do projeto? Quanto existe de recursos e em que condições? Onde estará localizado? Quando iniciar o projeto? Em alguns casos há condicionantes temporais que limitam a possibilidade de começar a operação do projeto. Que critérios serão utilizados para a determinação de preços, em relação aos usuários do projeto? Que alternativas são propostas para levá-lo a cabo? b) Etapa de Perfil. Com as informações disponíveis, nesta etapa se visualizam as alternativas básicas de implementação do projeto e se analisa sua viabilidade técnica, efetuando também uma primeira estimativa de custos e de impacto, mediante a comparação das alternativas "sem" projeto, "com" projeto e a resultante de otimizar a situação de base. Considerando o anteriormente dito, esta etapa supõe recolher um conjunto de informações que permita conhecer em forma preliminar os diversos aspectos do projeto, tais como: a oferta existente, a demanda insatisfeita, a localização espacial e seus motivos, os aspectos técnicos vinculados às opções consideradas, a magnitude do investimento requerido, os aspectos financeiros e a organização exigida para a execução e operação. Se a avaliação é positiva em nível de perfil, se pode optar por dar início à etapa subseqüente. Dependendo do tamanho do investimento, deve-se decidir entre continuar aprofundando o estudo de pré-viabilidade ou passar diretamente ao desenho e execução ou operação do projeto. Um resultado negativo implica abandonar a idéia, temporária (postergação) ou definitivamente. c) Análise de Pré-Viabilidade (aplicável a projetos com investimento em ativos fixos). Nesta fase se estudam com mais detalhe as alternativas propostas. Para isto, devemos considerar: I. O estudo de mercado, que inclui a demanda esperada para os bens que o projeto ofertará ou os serviços que prestará e a oferta existente para os mesmos.

17 II. A análise tecnológica centrada no estudo dos custos de investimento e de projeto. capital de giro implicados no III. A localização e a escala (tamanho), com todas as restrições e condicionantes que podem incidir sobre elas. IV. A determinação dos custos e receitas para toda a vida do projeto. V. Os requerimentos organizacionais e condicionantes legais que afetam o projeto. Deve-se considerar a existência de leis e regulamentos restritivos ou de fomento que o afetam direta ou indiretamente. VI. O momento ótimo para começar o projeto segundo os condicionamentos temporais existentes. Quando há investimento fixo (terreno, construção, equipamento), podem ocorrer três situações diferentes: ) que o investimento tenha uma vida útil ilimitada e os resultados sejam independentes do início da operação; ) a mesma situação anterior, mas com um investimento de vida útil limitada; ) que o investimento tenha uma vida útil limitada e os resultados sejam função do tempo e do momento de concretização do projeto. Os resultados obtidos nesta fase devem ser submetidos a una análise de sensibilidade, considerando os efeitos produzidos por mudanças nas variáveis relevantes do projeto. Para isso, se modificam certas variáveis, mantendo as demais constantes e se recalculam os fatores afetados. O informe permite decidir entre prosseguir com um estudo de viabilidade, realizar uma análise complementar, ou abandonar o projeto em forma temporária ou permanente. d) Análise de viabilidade (aplicável a projetos com investimento fixo) Na pré-viabilidade se identifica a melhor alternativa, que será desenvolvida detalhadamente na análise de viabilidade, otimizando a alocação de recursos até a operação do projeto, incluindo as obras civis (tamanho e localização), o programa de desembolsos e a organização requerida para a construção, pré- -operação e operação do projeto. Terminada esta análise o projeto está formulado, e corresponde tomar uma decisão com respeito à sua implantação. Na realidade, quando um projeto chega até esta fase, já está implicitamente aprovado; podendo quando muito, sofrer pequenas modificações ou adiamentos. Porisso, as etapas de elaboração do perfil e a pré-viabilidade são fundamentais para a eliminação dos projetos... O investimento

18 (aplicável a projetos que requerem investimento fixo) a) Desenho Marca o início do processo de investimento. Seu aspecto central é o desenvolvimento dos detalhes da execução, considerando todos os requisitos e especificações da arquitetura e engenharia que exige a natureza da obra. b) Execução É o processo de alocação dos insumos previstos para obter os produtos programados em cada uma das fases da obra, de acordo ao cronograma e ao caminho crítico determinados na viabilidade... Operação Em projetos que requerem investimento fixo, a operação começa depois que este se termina. Em projetos sem investimento fixo, se realiza uma vez finalizada a formulação em nível de perfil. Nesta etapa é necessário distinguir duas fases, a primeira a posta-em-marcha do projeto ( pré-operação) e a segunda, a plena operação do projeto... Passos a seguir na formulação e avaliação de projetos Há dezesseis passos fundamentais na formulação e avaliação de um projeto social, que são: FORMULAÇÃO: > IDENTIFICAR O PROBLEMA > REALIZAR O DIAGNÓSTICO > REALIZAR O ESTUDO DE MERCADO > ESTABELECER O(S) OBJETIVO(S) DE IMPACTO > SELECIONAR AS ALTERNATIVAS DO PROJETO > ESTABELECER OS OBJETIVOS DE PRODUTO > SELECIONAR OS INDICADORES > ESTABELECER AS METAS A ALCANÇAR > ESPECIFICAR AS PREMISSAS > ELABORAR AS MATRIZES DE ALTERNATIVAS

19 AVALIAÇÃO EX-ANTE:? > CALCULAR OS CUSTOS DE CADA ALTERNATIVA > REALIZAR A ANÁLISE DE IMPACTO DE CADA ALTERNATIVA > CALCULAR A RELAÇÃO CUSTO/IMPACTO PROGRAMAÇÃO E AVALIAÇÃO EX-POST > CONSTRUIR A MATRIZ DE PROGRAMAÇÃO > REALIZAR O PLANO DE OPERAÇÃO > REALIZAR A AVALIAÇÃO EX-POST II. FORMULAÇÃO DE PROJETOS. Identificar o problema A identificação do problema constitui, talvez, o exercício mais complexo da formulação, dada a quantidade de variáveis inter-relacionadas que afetam o contexto do mesmo. Sua definição clara e precisa é o primeiro requisito para alcançar o impacto buscado. Aqui são particularmente relevantes os conceitos de problema e necessidade, que determinam os objetivos do projeto e que permitem estabelecer ordenadamente os meios e alternativas para satisfazer tais necessidades. Para identificar o problema temos que recolher e analisar toda a informação disponível. Devem-se combinar os dados que permitam identificar a situação em que se encontra a população-objetivo nas áreas definidas como prioritárias dentro da política social com a percepção que tem essa população sobre suas próprias necessidades e a importância relativa dada a cada uma delas. Nesta fase corresponde efetuar uma detalhada observação da realidade e obter a maior quantidade possível de antecedentes. O ideal é dispor de um estudo de base da população, onde cada entrevistado associe uma pontuação segundo a importância que atribui a cada um dos problemas destacados pela mesma população. Um procedimento adequado é realizar um censo que inclua uma pergunta de qualificação de importância, no qual cada pessoa associe uma pontuação a cada problema tratado, em uma escala, por exemplo, de a pontos. Muito Pouco Imp Pouco Imp Imp Média Bem Imp Muito Imp

20 Problema Problema... Problema j Se não se dispõe de um estudo de base, é possível trabalhar com dados secundários, revisão bibliográfica, consultas a especialistas e informantes--chaves, etc. O processo de definição do problema deve permitir que se responda às seguintes perguntas: Existe um problema? Qual é o problema? Quais são os elementos essenciais do problema? Quem está(ão) afetado(s) pelo problema? Ou seja, qual é a população--objetivo? Qual é a magnitude atual do problema e suas conseqüências? Conta-se com toda a informação relevante acerca do problema para realizar um estudo acabado? Dispõe-se de uma visão clara e definida do meio geográfico, econômico e social do problema? Quais são as principais dificuldades para enfrentar o problema? Uma técnica que permite sistematizar de maneira ágil e ordenada a informação coletada é a Árvore de Problemas ( causas e efeitos ). Trata-se de uma técnica participativa que apoia o trabalho de gerar idéias criativas na busca do problema, suas causas e conseqüências. Ainda que seja um esquema simplificado, serve para identificar dificuldades e possibilita chegar a um consenso sobre as causas e efeitos dos mesmos. No Anexo se apresenta informação mais detalhada sobre a Árvore de Problemas. A partir da identificação do problema é possível determinar o objetivo geral. Consiste em colocar o problema em termos de ação positiva com o fim de contar com um guia na definição de objetivos mais específicos e na busca das possíveis alternativas de solução dos mesmos. Um exemplo disso seria: Problema: Alta incidência de mortalidade infantil na zona rural da Região Metropolitana. Objetivo Geral: Diminuir a mortalidade infantil da área rural da Região Metropolitana. Problema: Baixo rendimento escolar nas escolas públicas do país. Objetivo Geral: Aumentar o rendimento escolar dos alunos das escolas públicas do país.

21 Cabe ressaltar que ao definir cada alternativa do projeto, é preciso trabalhar mais profundamente na determinação dos objetivos específicos.. Realizar o diagnóstico O diagnóstico se realiza uma vez identificado o problema e o objetivo geral do projeto. Tem duas funções básicas: I. A descrição, que caracteriza o problema e sua incidência e distribuição na população-objetivo. A linha de base resume esta informação. Sem ela não é possível formular adequadamente o projeto e não será viável determinar seu impacto. Portanto, é preferível não realizar nenhum projeto enquanto não se dispõe da linha de base. II. A explicação apresenta a estrutura causal quantitativa das variáveis que determinam o problema. Isto permite estabelecer qual é a quantidade de produto ou serviço que se deve entregar para modificar em uma unidade as variáveis dependentes especificadas nos objetivos. Um projeto entrega produtos e/ou serviços, que devem produzir o impacto buscado. Se não está claro quais são os produtos e/ou serviços e suas quantidades, que permitem modificar situação-problema, resulta impossível formular adequadamente o projeto. As funções anteriormente expostas se complementam com a identificação dos grupos relevantes para o projeto e o papel que podem cumprir no mesmo. Corresponde identificar a todos os grupos de interessados (pessoas, entidades, etc.) que possam influenciar no problema, favorável ou desfavoràvelmente (que apóiem as ações de mudança que formam parte do projeto ou que estejam contra elas). Esta informação serve de orientação para conhecer o apoio ou rejeição que o projeto pode obter. Exemplo: Projeto: Melhoramento da educação primária da Região Austral. Grupos Relevantes: Ministério de Educação Prefeitura Professores Centro de Pais Estudantes Organizações de desenvolvimento educacional A quantidade de recursos e tempo utilizados para realizar o diagnóstico deve ser compatível com a escala do projeto. O diagnóstico não deve ser maior que o projeto, porque assim pode perder utilidade para solucionar o problema concreto que o originou... Realizar o estudo de mercado

22 Uma vez que foi estabelecido claramente o problema e se dispõe de um diagnóstico adequado, deve-se complementar com uma estimativa do tamanho da demanda... Estudo de Demanda Busca conhecer o tamanho da demanda existente para solução de um problema, tanto para a situação atual como para o lapso de tempo de duração do projeto. Responde à pergunta de quantos produtos e/ou serviços deve o projeto entregar para que, somados à oferta já existente, se satisfaça à demanda. Se as alternativas consideram a entrega de diversos produtos e/ou serviços, que podem incidir na demanda, tem-se que revisar estes antecedentes para formular adequadamente o projeto e, eventualmente, retificar o estudo de demanda. Deve-se especificar claramente as carências reais, assim como o custo total que tem a população-objetivo para satisfazer suas necessidades via mercado. É necessário considerar: - preço do produto ou serviço, - preço dos bens substitutos (ônibus x metrô), - preço dos bens complementares ( gasolina com passagem de ônibus), - nível e distribuição de renda da população-objetivo, - custo do tempo de espera, - custo do tempo de acesso, - custo do transporte necessário para acessar a comprar ou receber o produto ou serviço, - preferências dos consumidores (gostos e costumes). Este estudo deve abranger todo o horizonte do projeto, o que exige dimensionar a situação atual e estimar a futura. Não há métodos infalíveis para este tipo de estimativa. As alternativas geralmente utilizadas para realizar estas projeções se encontram apresentadas no Anexo. Na análise da demanda é fundamental a participação da comunidade. O contacto direto com os grupos afetados muitas vezes é essencial para interpretar e priorizar os problemas que enfrentam... Estudo da oferta Também se deve analisar a oferta de produtos e/ou serviços alternativos que podem satisfazer a demanda ao longo de toda a vida útil do projeto. O estudo da oferta deve:

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