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1 ELABORAÇÃO DE PROJETOS TÉCNICOS E PROJETOS DE PESQUISA 1 Jorge Megid Neto (FE-Unicamp) Introdução Para efeito de obtenção de financiamento junto a organismos públicos ou privados, podemos considerar duas categorias de projetos: Projetos Técnicos e Projetos de Pesquisa. Os Projetos Técnicos comumente estão associados à implantação ou melhoria de infra-estrutura escolar e didática: criação de laboratórios, salas-ambiente, bibliotecas, centros esportivos, entre outros, e ainda ampliação e/ou modernização desses espaços. Existem algumas linhas de financiamento para esse tipo de projeto na área de Educação. Entretanto, cada vez mais as agências solicitam a vinculação de um projeto técnico ao desenvolvimento de uma pesquisa educacional. Daí a importância de se averiguar, com mais particularidade, as características de uma pesquisa científica. Os Projetos de Pesquisa visam diretamente o planejamento, desenvolvimento, avaliação e divulgação de pesquisas de natureza científico-educacional no âmbito escolar. O aspecto fundamental para a configuração de uma pesquisa científica refere-se à identificação/concepção de um problema de investigação. Toda pesquisa busca solucionar, ao menos parcialmente, um problema bem delimitado, ou ainda elucidar suas causas e fatores intervenientes, caso a solução do problema não esteja ao alcance dos pesquisadores ou da comunidade escolar. A pesquisa assim entendida, corresponde a um estudo cuidadoso, sistemático e paciente em um determinado campo do conhecimento, visando a formulação ou estabelecimento de fatos ou princípios a respeito do problema ou assunto em questão (Charles, 1988, p. 2). Nesse contexto, não é possível confundir o termo pesquisa (científica) com simples coleta de dados ou enquete de opiniões, como se costuma associar às pesquisas bibliográficas escolares e às pesquisas eleitorais, por exemplo. Segundo Lüdke & André (1986), o ato de pesquisar subentende promover o confronto entre os dados, as evidências, as informações coletadas sobre determinado assunto e o conhecimento teórico acumulado a respeito dele (p.1). Consideramos que toda pesquisa deva circunscrever um problema central e a ele dar tratamento ao longo do trabalho. A necessidade de realização da pesquisa deve brotar da insatisfação do pesquisador frente a um determinado problema, que o questiona, instiga e desafia. Na tentativa de solucioná-lo, ou ao menos dar-lhe tratamento, o pesquisador debruça-se por completo na investigação. Desse modo, o assunto abordado no estudo, bem como o procedimento metodológico da pesquisa, devem visar ao tratamento de um determinado problema, claramente identificado pelo autor do trabalho. Severino (1984), ao discutir a questão do problema em trabalhos acadêmicos, salienta que 1 Texto elaborado em 1999 para um Curso de Extensão para Diretores de Escolas Técnicas do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza. Foi revisto e adaptado em setembro de 2001.

2 (...) a visão clara do tema do trabalho, do assunto a ser tratado, a partir de determinada perspectiva, deve completar-se com sua colocação em termos de problema. O raciocínio parte essencial de um trabalho não se desencadeia quando não se estabelece devidamente um problema. Em outras palavras, o tema deve ser problematizado. Toda argumentação, todo raciocínio desenvolvido num trabalho logicamente construído é uma demonstração que visa solucionar determinado problema. (p ) Assim, na descrição do problema envolvido pelo trabalho, espera-se encontrar, de forma explícita, a questão fundamental da investigação. E também a apresentação e discussão dos pólos de contradição de onde emerge a problemática do estudo. Conforme Severino (1984): Antes de se partir para a pesquisa propriamente dita, é preciso ter-se uma idéia bem clara do problema a se resolver. Trata-se de definir bem os vários aspectos da dificuldade, de mostrar o seu caráter de aparente contradição, esclarecendo devidamente os limites dentro dos quais se desenvolverão a pesquisa e o raciocínio demonstrativo." (p. 202) É preciso ressaltar que "solucionar" ou "resolver" um problema por intermédio de uma pesquisa científica, por exemplo, talvez seja muita pretensão, ou mesmo impossível, quando este se trata de um problema educacional. Em primeiro lugar, porque somente a prática educacional pode nos fornecer indicadores de que determinado problema está ou não sofrendo processo de solução. Em segundo, porque as raízes e causas desse problema podem ser tão diversas e múltiplas que sua solução por vezes não se encontra ao alcance de apenas um trabalho acadêmico, exigindo quase sempre transformações do próprio sistema educacional ou do sistema sócio-político-econômico. A solução pode estar circunscrita à atuação de órgãos governamentais, administrações públicas, leis, regimentos, verbas, formação de profissionais, situação sócioeconômica da população, aspectos culturais, históricos, políticos, entre outros fatores, inviabilizando a proposta de se "resolver" determinado problema tão somente através de uma pesquisa acadêmica. Nesse caso, é esperado que, pelo menos, o trabalho investigue as origens do problema, identifique suas causas, indique possíveis caminhos para sua superação. Enfim, que a pesquisa dê tratamento ao problema identificado. Muitos poderão argumentar que essa forma de conceber pesquisa científica e problema de pesquisa é marcadamente positivista, carregando com isso um certo menosprezo a essa linha de trabalho acadêmico e científico. Existe inclusive quem propugne que uma pesquisa acadêmica não pode ter em momento algum o endereçamento ao tratamento de um problema, devendo se constituir unicamente em uma descrição/apreensão da realidade e análise dos fenômenos que ali comparecem. Não compartilhamos de tal argumento. Acreditamos que, por mais que se queira mascarar ou desmitificar a questão do problema de pesquisa, existe sempre uma razão, um interesse um anseio mais forte,... uma questão (!) que impele desde o início o pesquisador a realizar sua investigação. Se ao longo do trabalho essa problemática vai se configurando mais especificamente como um problema de pesquisa, ou vai tomando outros rumos,

3 outros contextos, trazendo indagações, ou configurando novo(s) problema(s) de pesquisa, o lançar-se ao trabalho definirá com mais exatidão. Somos contrários, sim, à visão estreitamente rígida e, esta sim, mecanicista e indutivista, de que o pesquisador deva seguir rigidamente um programa de pesquisa previamente definido, com etapas fixas e imutáveis, sendo a primeira delas a concepção do problema de pesquisa. Agora, a consciência clara do quê e do porquê se deseja realizar o estudo, do objeto de pesquisa, da problemática relativa a esse objeto, conformada por uma compreensão ainda que parcial ou provisória do contexto e das contradições referentes à realidade em que o objeto de pesquisa está inserido nunca poderá ser descartada muito menos negada, sob pena de se realizar um empreendimento etéreo. Em suma, uma pesquisa científica deve: a) produzir conhecimentos. sobre determinado assunto ou área; b) solucionar problemas reais (imediatos ou não) concebidos por um indivíduo ou grupo; c) compreender o funcionamento da natureza/sociedade, do ambiente educacional escolar ou não-escolar; d) intervir nos processos educacionais, visando a melhoria dos mesmos. (Devemos sempre nos perguntar qual o significado que está sendo atribuído à melhoria educacional e a serviço de quem se coloca essa melhoria). Historicamente, a pesquisa era encarada tão-somente numa perspectiva empírico-indutiva, em que o papel do sujeito (pesquisador) é de mero observador neutro da realidade, sendo impregnado exclusivamente pelas emanações do objeto em estudo. A atividade do pesquisador resumia-se a extrair, de maneira sensorial e indutiva, o conhecimento que está posto no objeto (não-sujeito). Contrapondo-se a essa prevalência do objeto, entende-se contemporaneamente que o conhecimento é elaborado pela mente humana a partir de uma relação dialética sujeito-objeto. Ou seja, o conhecimento resultante da atividade científica (pesquisa) não está previamente situado no objeto, nem tampouco é formulado pelo sujeito a partir de reflexão exclusivamente teórica (racionalismo). O pesquisador ao se debruçar sobre determinada porção de realidade para estudo e investigação (objeto), já observa essa realidade de maneira não neutra, face a toda sua experiência de vida antecedente e a todo o cabedal de conhecimento que acumula. Ao mesmo tempo, a realidade observada interfere nessa percepção, modificando o sujeito incessantemente. Na relação articulada e concomitante sujeito-objeto, o conhecimento se assenta no entrelaçamento interativo e constitutivo de ambos, sem haver centração ou privilégio de um ou outro. Nas palavras de Lorenzato & Fiorentini (1999), a concepção de pesquisa recebeu várias contribuições positivas nas últimas décadas, com o reconhecimento de que: - o conhecimento está sempre comprometido com sua realidade histórica; - a pesquisa traz consigo, inevitavelmente, uma carga de valores; - é impossível separar-se o sujeito da pesquisa, o pesquisador e o objeto de estudo; - todo ato de pesquisa é um ato político; - fatos e dados não se revelam gratuita e diretamente aos olhos do pesquisador; - todo pesquisador possui seus princípios e pressuposições que o colocam longe da neutralidade científica; - na pesquisa social, os procedimentos subjetivos de coleta e análise de dados passaram a ser reconhecidos pela comunidade científica como válidos e consistentes, tanto no aspecto teórico quanto metodológico.

4 Estrutura e Etapas do Projeto Quais seriam as funções que um Projeto Técnico ou Projeto de Pesquisa poderiam cumprir? Por que é importante ou necessário constituir formalmente um projeto? Ora, de imediato pode-se argumentar que o Projeto é necessário para obter financiamento para o trabalho. A formulação de um projeto de qualidade é um dos principais requisitos solicitados pelas agências. (Outro requisito fundamental é a competência/vivência profissional e acadêmica do grupo executor do projeto, o currículo dos pesquisadores envolvidos). Mas não é só por esta razão, mesmo porque muitas e muitas pesquisas são realizadas sem apoio financeiro específicos de órgãos públicos ou privados. Procuremos discutir vários outros motivos. 1. O projeto organiza as idéias e formas de estruturação do trabalho segundo as percepções, interesses, anseios e competências dos membros envolvidos. 2. Ele constitui um dos elementos de ligação internas do grupo e de relacionamento do grupo com a comunidade (divulgação). 3. Ele fornece elementos para nortear a execução e avaliação do trabalho dentro de critérios estabelecidos pelo grupo, autonomamente ou não. 4. É, sobretudo, um guia de todo o trabalho, embora não necessariamente as etapas previstas tenham de ser cumpridas de modo rígido, linear e seqüencialmente; ou seja, é um guia de trabalho individual ou coletivo e não um cabresto para o grupo. Podemos comparar as funções e importância do Projeto à seguinte situação: imagine que você queira andar por determinados locais de uma cidade grande. Por exemplo, conhecer as praças públicas da cidade de São Paulo. Há diversas maneiras de se fazer isto, não é mesmo? Tais condições hão de depender de situações de contorno, por exemplo: quanto tempo você dispõe?; quanto dinheiro você tem para esse fim?; de que recursos dispõe?; conhecer unicamente as praças do ponto de vista físico é o seu único interesse, ou você deseja conversar com as pessoas ali presentes, conhecer seus hábitos, histórias de vida, etc.?; ou, ainda, você deseja também aprender a se movimentar autonomamente por São Paulo? Pense um pouco; pondere as inúmeras possibilidades; decida sobre os caminhos a seguir; estabeleça finalidades, prazos, material e recursos de apoio, etc. Enfim, discuta um plano de ação. Eis aí o seu projeto. E não espere que tudo transcorra como você planejou. Conforme for implementando o projeto, há necessidade freqüente de avaliações e replanejamento. É preciso constantemente refletir sobre cada passo dado, sobre cada resultado obtido. Refletir sobre a prática, replanejar, retomar o trabalho e assim sucessivamente. Imagine que você decida se deslocar pela cidade com auxílio de um mapa e de um roteiro turístico sobre a cidade e suas praças. Ora, eles ajudam muito, mas nunca serão suficientes. Ao longo do passeio, você deverá superar informações ali não contidas ou não previstas. Enfrentar situações do tipo: aquela rua está interrompida, e agora, qual desvio devo tomar? Ou então: a expansão de certa região da cidade foi tão rápida, que o mapa ficou desatualizado naquele setor; e agora, por onde seguir? Estas dificuldades podem ser superadas com a colaboração das pessoas que vivem na região ou por sucessivos processos de tentativa-e-erro. Se você cuidar de anotar os novos passos, os procedimentos usados para superar as dificuldades, o mapa da cidade e o guia turístico ficarão mais próximos do real. O conhecimento sobre a cidade ficará mais completo, mais fidedigno. Outras pessoas poderão também se beneficiar dessas mudanças, caso você registre essa caminhada e os novos conhecimentos e divulgue-os amplamente.

5 Ter ou conceber um problema, refletir sobre ele, formular possíveis soluções, estabelecer as mais plausíveis; delinear um projeto e implementá-lo; avaliar seus resultados e divulgar os novos conhecimentos alcançados. Eis a trajetória de uma pesquisa científica. Antes de iniciar a elaboração do Projeto (Técnico ou de Pesquisa), é preciso ter claro o tema ou assunto de estudo e a problemática geradora da necessidade de realizar o trabalho. Afinal, o que se deseja pesquisar? Por que se deseja empreender o trabalho? Quais as razões ou motivações que solicitam o Projeto? Após terem ficado mais ou menos claras estas questões, deve-se também pensar no como se pretende desenvolver o trabalho? Por fim, quais os possíveis resultados e contribuições que se espera alcançar? Qual a importância e relevância da pesquisa? Para que realizá-la? Desse modo, o que, por que, como e para que são quatro questões básicas que deverão nortear todo o processo de elaboração, execução, avaliação e divulgação do projeto. As etapas ou a estrutura do texto do projeto podem ser variadas. Variam com a área de pesquisa; com os autores no campo da metodologia científica; com as agências ou instituições acadêmicas; com as convicções e características peculiares de pesquisadores ou grupos de pesquisa. Toda via, em linhas gerais sempre contemplam as quatro questões ou quatro etapas citadas, embora as denominações possam variar. Por exemplo, Lorenzato & Fiorentini (1999) assumem as seguintes etapas: Tema; Justificativa; Bibliografia (ou revisão bibliográfica); Problema e objetivos da pesquisa; Procedimentos metodológicos; Resultados esperados; Cronograma. Severino (1986), por sua vez, admite o seguinte conjunto: Título; Tema e Problema; Hipóteses; Quadro Teórico; Procedimentos Metodológicos e Técnicos; Cronograma; Referências Bibliográficas Básicas. Agências como a FAPESP sugerem as seguintes partes: Resumo; Introdução e Justificativa, com síntese da bibliografia fundamental; Objetivos; Plano de Trabalho e Cronograma; Material e Métodos; Forma de Análise dos Resultados. Tendo por base os exemplos apresentados, bem como os inúmeros projetos que temos realizado ou observado, podemos destacar três partes principais de um projeto técnico ou projeto de pesquisa: Parte Inicial onde o autor ou autores apresentam o tema ou assunto escolhido para o estudo, as justificativas do trabalho, demonstrando sua importância, a necessidade de sua realização, que pode incluir uma breve revisão bibliográfica apontando a ausência de estudos relacionados com o tema escolhido e que contemplem possíveis soluções para o problema a ser investigado. Parte Intermediária onde se apresentam o problema e os objetivos da pesquisa de forma sucinta, uma vez que esses aspectos já devem ter sido abordados na parte anterior, bem como os procedimentos metodológicos do trabalho. Estes devem ser bem detalhados, compreendendo as etapas seqüenciais em que se pretende desenvolver o estudo, mesmo que sejam admitidas como iniciais e suscetíveis a mudanças no desenrolar do trabalho e decorrentes das constantes avaliações de sua execução. O problema, conforme mencionamos, explicita a questão central de investigação, desencadeadora do trabalho e norteadora das etapas a serem executadas, dos métodos e técnicas de pesquisa, etc. Os objetivos podem ser configurados sob a forma de Objetivo Geral e um conjunto de Objetivos Específicos (que ajudarão a configurar as etapas do trabalho), ou então podem ser delineados sem se explicitar a diferenciação entre objetivo geral e específico, apontando-se apenas os Objetivos do Trabalho. Nesse caso, é comum registrar o objetivo mais geral em primeiro lugar.

6 Os procedimentos metodológicos devem contemplar, além da descrição das etapas do trabalho, os sujeitos que serão envolvidos na pesquisa, o ambiente a ser investigado (escola, sala de aula, outros espaços), os instrumentos de coleta de dados (questionários, roteiros de entrevistas, diário de campo, bases de dados bibliográficos, etc.), o tipo de pesquisa e métodos/técnicas que se pretende/imagina utilizar (levantamento bibliográfico, observação, entrevistas, aplicação de questionários, simulação, contagens, etc.). Também devem ser previstos os materiais e recursos (físicos e humanos) necessários à realização do trabalho, além do orçamento de todo o projeto. Não há necessidade de se explicitar as hipóteses de trabalho, porém, elas devem estar implícitas na introdução e discussão teórica, bem como devem nortear a configuração das etapas do projeto e do modelo de pesquisa. Se possível, é conveniente indicar como se pretende organizar os dados (tabelas simples, tabelas de cruzamento de variáveis, listas de palavras ou frases, etc.), e também como se pretende analisá-los: análise de conteúdo; análise estatística; cruzamentos e comparações entre dados ou fontes (por exemplo, fala do professor, fala do aluno, registros do pesquisador, outros documentos), seguindo o método da triangulação de dados. Além disso, nesta parte deve-se destacar as categorias de análise a serem utilizadas para dar tratamento ao problema e para discutir as hipóteses levantadas. Geralmente, a fundamentação teórica do trabalho ajuda a estabelecer as categorias de análise, as quais estão entrelaçadas à questão e às hipóteses de investigação. Lorenzato & Fiorentini (1999) citam um exemplo bastante ilustrativo a esse respeito: (...) consideremos a seguinte pergunta de investigação: Quais as contribuições de um curso de especialização em educação Matemática em termos de mudanças de idéias e práticas do professor de Matemática?. Há várias formas de tentar responder a essa pergunta. Para verificar a mudança em termos de idéias, poderiam ser realizadas entrevistas semiestruturadas em três momentos diferentes: uma antes de iniciar o curso, outra na metade do curso e uma terceira após a conclusão do curso. Duas preocupações surgem para o investigador: Que perguntas deveriam ser formuladas nas entrevistas? De que forma as entrevistas poderiam ser analisadas? É aqui que podem entrar as categorias de análise. Podemos traduzir as idéias dos professores por crenças, concepções e representações acerca: do que é a matemática escolar (categoria 1); de como deve ser uma aula de matemática (categoria 2); de como os alunos aprendem Matemática (categoria 3); de como devem ser as atividades (tarefas) matemáticas em sala de aula (categoria 4); de como deve ser feita a avaliação da aprendizagem dos alunos (categoria 5); das finalidades do ensino da Matemática (categoria 6); etc. (p. 26, grifos dos autores). Na descrição dos procedimentos do projeto, deve-se explicitar, sempre que possível, a metodologia da pesquisa que se pretende realizar, bem como o tipo de gênero de trabalho científico em que se enquadra o projeto. Considerações a esse respeito, relativamente detalhadas para o contexto deste trabalho, são apresentadas no Anexo 1. Parte Final considerações finais destacando os resultados e as contribuições esperadas com o desenvolvimento do trabalho. Aqui se deve ressaltar a relevância e mérito do Projeto, especialmente no caso de solicitação de financiamento para o mesmo. Afinal, por que se deve investir no projeto? Qual sua importância para a

7 comunidade escolar, para a comunidade acadêmica e/ou científica? Por fim, deve-se incluir o cronograma do trabalho e a bibliografia. O Cronograma costuma-se apresentar na forma de tabela, enumerando as etapas do projeto e os respectivos meses de execução, conforme exemplo a seguir. Os prazos e etapas podem ser alterados no decorrer da execução do projeto, porém as alterações devem ser muito bem justificadas no relatório final. Exemplo de Cronograma de um Projeto de Pesquisa Atividade/Mês Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Maio Jun Jul Ago Levantamento Bibliográfico X X Seleção de Documentos X X Aquisição de Documentos X X X X X X Identificação de Descritores X X para Classificação Classificação de Documentos X X X X X Descrição de Características e X X X Tendências do Material Elaboração de Artigo X Criação do Acervo e do Banco X X X de Dados Relatório Final X No caso da Bibliografia, ela pode ser subdividida em: Referências Bibliográficas, correspondendo aos trabalhos efetivamente citados no texto do projeto, e Bibliografia propriamente dita, onde são registrados todos os trabalhos consultados para a elaboração do projeto, repetindo aqueles já citados nas referências e mencionando os trabalhos porventura identificados como de interesse para o projeto, porém não consultados no momento, e que muito provavelmente virão a ser utilizados durante a pesquisa. Muitos pesquisadores têm preferido apresentar unicamente a Bibliografia (tanto no projeto, quanto no relatório final), a qual já incorpora as referências bibliográficas. Vários periódicos científicos também sugerem tal prática.

8 Relatório Final O relatório final do projeto técnico ou de pesquisa pode conter as seguintes partes principais: Introdução; Desenvolvimento do Trabalho; Considerações Finais (ou Conclusões); Bibliografia; Anexos (se existirem). Além destas, deve-se incluir a Capa ou páginas de rosto do relatório, um Sumário (lista de títulos e subtítulos das várias partes do texto e correspondentes páginas) e um Resumo, onde se assinala o que foi pesquisado, como foi executado o trabalho e principais resultados obtidos. Na Introdução, apresenta-se o trabalho, situando o tema e a problemática da pesquisa, bem como as justificativas e importância do projeto realizado. Relata-se sucintamente os objetivos do trabalho, o problema mais específico de investigação e uma breve descrição dos procedimentos metodológicos. Caso o relatório seja muito extenso, subdividido em partes ou capítulos, faz-se uma rápida descrição de cada parte ou capítulo. Em Desenvolvimento do Trabalho, descreve-se minuciosamente etapa por etapa do projeto, iniciando pela revisão bibliográfica sobre o tema abordado (se existir, o que é bastante necessário). A seguir, o relato da pesquisa de campo ou da pesquisa teórica, apresentando dados, listas, tabelas, gráficos. documentos e informações obtidas. Prossegue-se com a análise dos dados e o detalhamento dos resultados alcançados. Em Considerações Finais, são retomadas sucintamente as conclusões porventura já apresentadas (quando da discussão dos resultados), estabelecendo-se uma síntese de todo o trabalho e sinalizando com a continuidade do trabalho, com novas investigações decorrentes de questões que ficaram em aberto ou que surgiram no decorrer do trabalho. Caso o relatório seja muito extenso, essa parte deve ser iniciada por uma sucinta retomada de todo o projeto (tema, problema e objetivo central, procedimentos metodológicos), de tal forma que, se for lida somente essa parte do relatório, é possível ter-se uma visão geral e suficiente de todo o trabalho. No Anexo 4, apresentamos informações mais detalhadas a respeito da forma de apresentação e redação de trabalhos científicos e acadêmicos (relatórios de projetos, monografias, trabalhos de conclusão de curso, dissertações e teses, etc.), extraídas de orientações do setor de Biblioteca da Faculdade de Educação da UNICAMP. Bibliografia BEST, J.W. Como investigar en educacion. 2. ed. Madrid : Ediciones Morata, p. BOGDAN, Robert C., BIKLEN, Sari K. Qualitative research for education: na introduction to theory and methods. Boston : Allyn and Bacon, BORG, Walter R., GALL, Meredith D. Educational research: an introduction. 5 ed. New York : Longman, p. ELLIOTT, John. Educational theory and the professional learning of teachers: an overview. Cambridge Journal of Education, v. 19, n. 1, LORENZATO, Sérgio, FIORENTINI, Dario. Iniciação à investigação em Educação Matemática. Campinas-SP : CEMPEM/FE-UNICAMP: COPEMA, p. (mimeo)

9 LÜDKE, Menga, ANDRÉ, Marli E.D.A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo : EPU, p. MEGID NETO, Jorge. Pesquisa em ensino de Física do 2 o grau no Brasil: concepção e tratamento de problemas em teses e dissertações. Campinas : Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, p. (Dissertação de mestrado). MEGID NETO, Jorge, PACHECO, Décio. Pesquisa sobre o ensino de Física do 2 o grau no Brasil: concepção e tratamento de problemas em teses e dissertações. In: NARDI, Roberto (org.). Pesquisa em ensino de Física. São Paulo : Escrituras, p. (Coleção Educação para a ciência). SANTOS, Gildenir C., SILVA, Arlete I.P. da. Normas para referências bibliográficas: conceitos básicos (NBR-6023/ABNT ). Campinas, : UNICAMP/FE, p. SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 13 ed. São Paulo : Cortez : Autores Associados, p.

10 TRANSPARÊNCIAS Projetos de Pesquisa : planejamento, desenvolvimento, avaliação e divulgação de pesquisas de natureza científica. Pesquisa busca solucionar, ao menos parcialmente, um problema bem delimitado, ou ainda elucidar suas causas e fatores intervenientes, caso a solução do problema não esteja ao alcance dos pesquisadores ou da comunidade. Pesquisa corresponde a um estudo cuidadoso, sistemático e paciente em um determinado campo do conhecimento, visando a formulação ou estabelecimento de fatos ou princípios a respeito do problema ou assunto em questão (Charles, 1988, p. 2).

11 Não é possível confundir o termo pesquisa (científica) com simples coleta de dados ou enquete de opiniões, como se costuma associar às pesquisas bibliográficas escolares e às pesquisas eleitorais, por exemplo. O ato de pesquisar subentende promover o confronto entre os dados, as evidências, as informações coletadas sobre determinado assunto e o conhecimento teórico acumulado a respeito dele (Lüdke & André, 1986).

12 O projeto organiza as idéias e formas de estruturação do trabalho segundo as percepções, interesses, anseios e competências dos membros envolvidos. Constitui um dos elementos de ligação internas do grupo e de relacionamento do grupo com a comunidade (divulgação). Fornece elementos para nortear a execução e avaliação do trabalho dentro de critérios estabelecidos pelo grupo, autonomamente ou não. É um guia de todo o trabalho, embora não necessariamente as etapas previstas tenham de ser cumpridas de modo rígido, linear e seqüencialmente; ou seja, é um guia de trabalho individual ou coletivo e não um cabresto para o grupo.

13 Ter ou conceber um problema, refletir sobre ele, formular possíveis soluções, estabelecer as mais plausíveis; delinear um projeto e implementá-lo; avaliar seus resultados e divulgar os novos conhecimentos alcançados. Eis a trajetória de uma pesquisa científica.

14 Exemplo de Cronograma de um Projeto de Pesquisa Atividade/Mês Levantamento Bibliográfico Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Maio Jun Jul Ago X X Seleção de Documentos X X Aquisição de Documentos X X X X X X Identificação de Descritores X X para Classificação Classificação de Documentos X X X X X Descrição de Características e Tendências do Material Elaboração de Artigo Criação do Acervo e do Banco de Dados Relatório Final X X X X X X X X

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