FONTES DE ADUBOS FOSFATADOS EM ARROZ DE TERRAS ALTAS.

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1 FONTES DE ADUBOS FOSFATADOS EM ARROZ DE TERRAS ALTAS. Carvalho, F. F. (1) ; Lange, A. (2) (1) Acadêmico do curso de Bacharelado em Agronomia, UNEMAT, Campus Universitário de Alta Floresta RESUMO O arroz de terras altas é usado tradicionalmente no estado, principalmente nas regiões norte, e o nutriente que mais limita a produção nestes solos é o fósforo, portanto os maiores gastos nesta região são com adubos fosfatados para elevar o teor de fósforo no solo a níveis adequados à planta como ocorre em varias regiões do país. No presente trabalho objetivou-se estudar a fonte de fósforo que propicie maior produtividade aliada à viabilidade econômica para o arroz de terras altas e verificar a influência do fósforo na morfologia e nos componentes de produção. O trabalho foi realizado na fazenda Lago Azul no município de Alta Floresta-MT, com solo classificado como Latossolo Vermelho-Amarelo. O experimento é constituído por cinco tratamentos e o delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado, com quatro repetições. Foram avaliados altura de planta, número de perfilho por metro linear, número de panículas por m 2, número de grãos por panícula, porcentagem de grãos cheios, massa de 100 grãos e produtividade, após a obtenção dos dados, submeteu-se as médias ao Teste de Tukey a 5%. A aplicação de P 2 O 5 no solo influencia significativamente a maioria dos componentes morfológicos. Sobre os componentes de característica dos grãos e produtividade, somente não houve influência na massa de 100 grãos. Todas as fontes de P testadas tiveram resultados semelhantes entre si, destacando-se o Superfosfato Simples e Superfosfato Triplo com maior produção de grãos. Palavras chaves: Fósforo, fontes de adubos fosfatados, Oryza sativa L., produtividade. INTRODUÇÃO No Brasil, o arroz é a terceira cultura em quantidade de grãos, perdendo apenas para o milho e a soja. Por esse motivo, tem-se uma preocupação em relação aos estudos sobre essa cultura. A adubação é um fator essencial para uma boa produtividade, onde as doses, épocas e fontes a serem aplicadas são essenciais para um bom rendimento da cultura, principalmente do fósforo que é de fundamental importância para o desenvolvimento da cultura. A cultura apresentou produção de ,9 milhões de toneladas (CONAB 2008), com um consumo médio que varia entre 74 a 76 kg/hab/ano, tomando-se por base o grão em casca. Atualmente, no país, cerca de um terço da produção de grãos de arroz origina-se de lavouras cultivadas em terras altas. Essas áreas, por sua vez, correspondem a dois terços da área total cultivada com o cereal, e tem o sistema de

2 sequeiro como principal modalidade. A quase totalidade do arroz produzido no ecossistema de terras altas é cultivada na região do Cerrado brasileiro. Os solos dessa região, em sua maioria, têm baixa capacidade de retenção de água, baixo teor de fósforo e alto teor de alumínio, sendo os três fatores que mais limitam a produção nesse ecossistema. Dentre os macronutrientes primários, o fósforo é o de maior exportação percentual no produto colhido e o mais pobre na maioria dos solos brasileiros, devido ao baixo teor natural e a alta capacidade de fixação de fosfato desses solos, o que resulta numa baixa disponibilidade desse elemento para as plantas, levando a utilização de grandes quantidades de adubos fosfatados. O sistema de terras altas utiliza desde baixas tecnologias, com produtividade inferior a kg ha -1, até a utilização de altas tecnologias com produtividade em torno de kg ha -1 ou mais. A maioria dos solos do Estado de Mato Grosso apresentam propriedades físicas desejáveis, como boa profundidade, estrutura estável, boa porosidade e permeabilidade. Por outro lado, as propriedades químicas apresentam alta acidez, baixas disponibilidade de nutrientes, baixa capacidade de troca catiônica e alta capacidade de adsorção aniônica (especialmente fosfato). Entre as características que mais limitam a produtividade está a baixa disponibilidade de nutrientes, em especial o fósforo (P), sendo necessárias altas quantidades de fertilizantes fosfatados para elevar seu teor a níveis satisfatórios (FAGERIA, 1984; BARBOSA FILHO, 1989). Segundo Malavolta (1976), aproximadamente 75% dos solos brasileiros têm teores baixos de P, e entre os macronutrientes, o P é e será o mais usado em adubação no Brasil. O arroz de terras altas é uma das atividades de suma importância na região Norte do Estado de Mato Grosso, atividade esta que em dois ou três cultivos decresce a produtividade significativamente, desestimulando produtores. No presente trabalho objetivou-se estudar a fonte de fósforo que propicie maior produtividade aliada à viabilidade econômica para o arroz de terras altas no município de Alta Floresta, verificando a influência do fósforo na morfologia e nos componentes de produção da cultura. MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi desenvolvido na fazenda Lago Azul apresentando altitude de 265 m, localizada no município de Alta Floresta-MT na safra 2007/2008. O clima da região, segundo a classificação de Köppen, é AWI, clima tropical chuvoso com nítida estação seca e com temperaturas entre 20º a 38ºC, tendo em média 26ºC. O município apresenta precipitação média anual é de mm com intensidade máxima nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro. A cultura anterior era pastagem com mais de 20 anos de exploração. A área experimental foi de 500 m 2. O solo apresentava as seguintes características na camada de 0-20cm: ph(h 2 O)=5,1; ph(cacl 2 )=4,2; P=0,7 mg dm -3 ; K=0,13 cmol c dm -3 ; Ca=0,6 cmol c dm -3 ; Mg=0,7 cmol c dm -3 ; Al=0,7 cmol c dm -3 ; H+Al=5,8 cmol c dm -3 ; M.O=25,0 g dm -3 ; Argila=500 g Kg -1 ; SB=1,43 cmol c dm -3 ; CTC=7,23 cmol c dm -3 ; V%=20 e Al Saturado=33%. Todos os tratos culturais, assim como as adubações foram realizados manualmente. O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado com cinco tratamentos (Controle, Superfosfato Triplo, Superfosfato Simples, Fosfato Natural Reativo de Arad e Farinha de Ossos), todos utilizados como fontes de P 2 O 5 na

3 correção e manutenção, com quatro repetições, as parcelas apresentavam dimensão 5x5 m, sendo que o experimento totalizou uma área de 500 m 2. A semeadura foi realizada manualmente no dia 28 de novembro A cultivar escolhida foi a CIRAD-141, semeada no espaçamento de 35 cm entre linhas e densidade de semeadura de aproximadamente 80 sementes/metro. A adubação corretiva de fósforo foi realizada com a de manutenção no sulco antes da semeadura com ¼ da dose total, ou seja, 50 kg.ha -1 de P 2 O 5, mais a manutenção com 70 kg ha -1 de P 2 O 5, totalizando 120 kg ha -1 de P 2 O 5, em diferentes quantidades referentes a cada tratamento de acordo com a concentração de P em cada uma das fontes utilizadas, ST=40%, SS=21%, FA=33% e FO=18%. A adubação corretiva e a de base foi realizada segundo recomendações de Souza et al., (2004), ou seja, para os demais nutrientes com as quantias de 20 kg ha -1 de N (uréia com 45% de N) e 70 kg ha -1 de K 2 O (cloreto de potássio com 60% de K 2 O). As adubações de cobertura foram realizadas próximas às linhas de semeadura, parceladas em duas vezes, a primeira com 30 dias após a emergência (DAE) e a segunda com 65 (DAE), cada uma delas foram aplicados 30 kg.ha-1 de N (uréia). A colheita foi realizada manualmente no dia 22 de março de A área útil de cada parcela é de 2,5x3,0 m, onde foram escolhidas dez plantas aleatoriamente, nas quais avaliou-se a altura de plantas, número de grãos e porcentagem de grãos cheios por panícula. Em seis metros lineares, dentro da área útil, foram contados e obtido a média do número de perfilhos por metro, e colheu-se também todas as panículas inteiras em 3 metros lineares para avaliar o número de panículas por m -2. Já para a produtividade foram colhidos e trilhados os grãos, referentes a cinco linhas de dois metros lineares dentro da área útil de cada parcela, e concomitantemente a produtividade, também foram pesadas oito amostras de 100 grãos, para determinar a massa de 100 grãos por parcela (130 g kg -1 base úmida). As médias das variáveis foram submetidas à análise de variância com Teste de Tukey a 5% de probabilidade. RESULTADOS E DISCUSSÃO Observa-se que, dentre as quatro fontes de P testadas não houve diferença estatística para a variável altura de plantas (Tabela 1). Comparando-se os tratamentos Fosfato de Arad (FA), Superfosfato Simples (SS) e Superfosfato Triplo (ST) ao Controle (C), mesmo com médias maiores, não tiveram ganhos estatisticamente superiores. A média da Farinha de Ossos (FO) foi superior estatisticamente ao Controle, no qual não houve nenhuma aplicação de P 2 O 5. Quanto ao número de perfilhos por metro linear o ST e a FO tiveram suas médias semelhantes e diferiram significativamente do controle. Para número de panículas em três metros lineares o único tratamento que obteve média superior ao controle foi o ST, já as outras fontes tiveram valores semelhantes, ou seja, não diferiram do tratamento C. O número de grãos por panícula foi influenciado pelas fontes de fósforo aplicadas. O SS e o Triplo não diferiram das outras fontes de P, mas diferiram significativamente quando comparados ao Controle. Enquanto que para porcentagem média de grãos cheios, os tratamentos com SS e FA foram superiores a média do tratamento com FO. E não houve influencia significativa das fontes de adubo fosfatado na massa de 100 grãos. Guimarães et al., (2002), comentam que a produção de arroz pode ser melhorada aumentando-se, o número de panículas por unidade de área, o número

4 de grãos por panícula, a porcentagem de grãos cheios e a massa dos grãos, os quais têm efeito direto na produtividade, até um limite. Tabela 1. Componentes de produção da cultivar CIRAD-141 as fontes de fósforo: Altura da planta (AP), número de perfilhos (NPE), número de panículas (NPA), número de grãos por panícula (NGP), porcentagem de grãos cheios (PC), massa de 100 grãos (M100g), produção de grãos (PG), em Alta Floresta MT, Fontes de P AP NPE NPA NGP PC M100g PG cm % g Kg ha -1 Controle 86,45b 84,25c 134,25b 70b 82,50ab 2,56a 3088c F.A. 90,05ab 94,75bc 146ab 90,75ab 87,50a 2,76a 3699bc F.O. 93,60a 113,25ab 152,75ab 101,50ab 77,75b 2,82a 4530abc S.S. 88,70ab 98,75bc 163ab 130,50a 90,25a 2,85a 5245ab S.T. 88,30ab 126a 186a 118a 83,75ab 2,87a 5876a Média geral 89,42 103,4 156,4 102,15 84,35 2, ,6 D.M.S (5%) 6,512 26,531 48,416 43,546 8,587 0, ,78 CV (%) 3,23 11,38 13,73 18,91 4,52 6,60 17,15 Obs.: Valores seguidos pelas mesmas letras não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey. Houve diferença significativa na produtividade do arroz com o uso de fosfatos solúveis. O SS e o ST apresentaram as maiores produtividades quando comparados ao tratamento C. Já os tratamentos com FA e FO não diferiram em produtividade quando comparados ao tratamento Controle. CONCLUSÃO Um dos fatores que está diretamente ligado a produção de grãos é o fósforo por gerar benefícios a algumas características da planta que aumentam sua produtividade e por ser alocado nos grãos em forma de energia. Entre as fontes de P a produção variou de 3088 a 5876 kg.ha -1, apresentando diferença significativa, onde destacou-se o SS e o ST com melhores produtividades. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS CONAB. Companhia Nacional de Abastecimento. Disponível em: Acesso em: 15 de novembro de BARBOSA FILHO, M. P. Adubação do arroz de sequeiro. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v. 14, n. 161, p.32-38, FAGERIA, N. K. Adubação e nutrição mineral da cultura do arroz. Rio de Janeiro: Campus; Goiânia: Embrapa-CNPAF, p. MALAVOLTA, E. Manual de química agrícola: nutrição de plantas e

5 fertilidade do solo. São Paulo: Agronômica Ceres, p. GUIMARÃES, C. M.; FAGERIA, N. K.; BARBOSA FILHO, M. P. Como a planta de arroz se desenvolve. Informações Agronômicas, Piracicaba, n.99, 2002.

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