JOELMA RIBEIRO BETETTO O USO DO VÍDEO COMO RECURSO PEDAGÓGICO: CONCEITOS, QUESTÕES E POSSIBILIDADES NO CONTEXTO ESCOLAR

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1 JOELMA RIBEIRO BETETTO O USO DO VÍDEO COMO RECURSO PEDAGÓGICO: CONCEITOS, QUESTÕES E POSSIBILIDADES NO CONTEXTO ESCOLAR Londrina 2011

2 JOELMA RIBEIRO BETETTO O USO DO VÍDEO COMO RECURSO PEDAGÓGICO: CONCEITOS, QUESTÕES E POSSIBILIDADES NO CONTEXTO ESCOLAR. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Disciplina do Curso de Pedagogia do Departamento de da Universidade Estadual de Londrina. Orientador: Profª. Dra. Adriana Regina de Jesus Santos. Londrina 2011

3 JOELMA RIBEIRO BETETTO O USO DO VÍDEO COMO RECURSO PEDAGÓGICO: CONCEITOS, QUESTÕES E POSSIBILIDADES NO CONTEXTO ESCOLAR Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Disciplina do Curso de Pedagogia do Departamento da Universidade Estadual de Londrina. Orientador: Profª. Dra. Adriana Regina de Jesus Santos. COMISSÃO EXAMINADORA Profª.Dra. Adriana Regina de Jesus Santos Universidade Estadual de Londrina Profªa. Dra. Diene Eire de Mello Bortolli de Oliveira Universidade Estadual de Londrina Profª. Mestre Camila Fernandes de Lima Universidade Estadual de Londrina Londrina_08 de Dezembro de 2011

4 Dedico este trabalho a toda minha família, em especial aos pilares que me sustentam, meus pais: José Betetto, que representa para mim força e segurança e Ana Ribeiro Betetto representando o colo e a proteção. Com carinho, a minha orientadora que esteve presente nos meus momentos de fraqueza e incerteza.

5 AGRADECIMENTOS A Deus, grande mestre e criador do dom da vida, por todos os momentos de provação, bençãos e proteção, fazendo permanecer em mim a fé e a esperança. A minha família, em especial a minha irmã Maria José, pelo carinho nos momentos difíceis. A todos os meus professores, que tive oportunidade de conhecer e que compartilharam sua sabedoria e seu conhecimento, contribuindo para minha formação. Em especial a minha admirável orientadora, professora Adriana Regina de Jesus, com quem pude contar e de quem tive valiosíssimos ensinamentos. Obrigada professora Adriana pela compreensão, direcionamento e atenção, e pela oportunidade de tornar possível a conclusão de mais uma etapa da minha formação acadêmica. À turma de 2000, pela companhia e amizade maravilhosa durante esses quatro anos em que estivemos juntos e que ficarão para sempre em meu coração. Enfim, a todas as pessoas que colaboraram direta ou indiretamente para que esse trabalho pudesse ser concluído com êxito.

6 Todo ano, toda escola, todo mês, toda classe, todo dia, todo aluno, tudo muda o tempo todo. E se não mudarmos também, se não acompanharmos as mudanças e nos inserirmos nelas, o mundo nos mudará assim mesmo e nos tornará ultrapassados e obsoletos. É nesse mundo sempre novo e diferente, onde os problemas já não podem ser apenas obstáculos a nos deterem, mas antes de tudo desafios a serem superados, em que ensinar passa a ser uma arte: a arte de estar sempre aprendendo. José Carlos Antonio

7 BETETO, Joelma Ribeiro. O uso do vídeo como recurso pedagógico: conceitos, questões e possibilidades no contexto escolar f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Pedagogia) Universidade Estadual de Londrina, Londrina RESUMO Dada a importância da atuação dos professores em relação ao uso do vídeo como ferramenta pedagógica, este trabalho tem como objetivo investigar a percepção que os professores, que atuam nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental de uma determinada Escola Municipal de Londrina, têm a respeito do vídeo como ferramenta pedagógica, bem como as questões que envolvem a sua utilização. Para o desenvolvimento deste estudo utilizou-se a abordagem qualitativa, tendo como parâmetro a pesquisa bibliográfica e de campo. O trabalho está dividido nos seguintes capítulos: no primeiro capítulo analisou-se o conceito de tecnologia, a formação de professores e a possibilidade do audiovisual no contexto da sala de aula; no segundo capítulo refletiu-se sobre as implicações do vídeo como recurso audiovisual no processo de ensino e aprendizagem. No que se refere ao terceiro capítulo discutiu-se os dados coletados por meio da pesquisa de campo, tendo como pretensão compreender o olhar que os professores têm em relação ao vídeo, enquanto recurso pedagógico. Ao término do trabalho constatou-se que os professores consideram relevante a utilização do vídeo no contexto da sala de aula. Sendo assim, é possível afirmar que o vídeo utilizado de maneira coerente e contextualizado pode influenciar de maneira significativa no aprendizado do aluno. Palavras-chave: Educação, Vídeo, Professor, Recurso Pedagógico, Tecnologia.

8 LISTA DE TABELAS Tabela 1 Porcentagem de rentenção Mnemônica Tabela 2 Porcetagem de dados retidos pelos estudantes Tabela 3 Retenção da informação Tabela 4 Dados dos sujeitos da pesquisa... 40

9 SUMÁRIO INTRODUÇÃO CAPÍTULO I EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA: ORIGEM E CONCEITOS REFLETINDO SOBRE A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DIANTE DOS RECURSOS TECNOLÓGICOS NO CONTEXTO ESCOLAR AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO: QUESTÕES E POSSIBILIDADES NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM CAPÍTULO II O VÍDEO COMO RECURSO AUDIOVISUAL: ALGUMAS POSSIBILIDADES REFLETINDO SOBRE O USO INADEQUADO DO VÍDEO EM SALA DE AULA REFLETINDO SOBRE O USO ADEQUADO DO VÍDEO EM SALA DE AULA CAPÍTULO III CAMINHOS METODOLÓGICOS PROCEDIMENTOS DA PESQUISA ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS APÊNDICES APÊNDICE A TERMO DE CONSENTIMENTO APÊNDICE B- QUESTIONÁRIO AOS PROFESSORES... 70

10 10 INTRODUÇÃO Diante desta sociedade contemporânea marcada pelas inovações tecnológicas, que provocam mudanças no comportamento dos sujeitos, faz-se necessário que a escola reflita sobre como devem ser utilizados os recursos tecnológicos, no processo de aprendizagem dos alunos. Para tanto, o presente trabalho, intitulado O uso do Vídeo como Recurso Pedagógico: Conceitos, Questões e Possibilidades no Contexto Escolar, é fruto de algumas indagações que fui construindo no decorrer da minha formação acadêmica, sobre a utilização do recurso tecnológico no contexto da sala de aula. Dessa maneira, esta pesquisa tem como foco de estudo investigar e desvendar o seguinte problema: Qual a percepção que os professores, que atuam nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental de uma determinada Escola Municipal de Londrina, têm a respeito do vídeo como uma ferramenta pedagógica. Dada a importância da atuação dos professores em relação ao uso do vídeo como ferramenta pedagógica, elencamos, neste trabalho, o seguinte objetivo: Delinear como está sendo utilizado o vídeo enquanto recurso pedagógico na escola. Pretende-se, por meio destes objetivos específicos, analisar a importância do trabalho do professor mediador na utilização do vídeo como ferramenta pedagógica no desenvolvimento e aprendizagem dos alunos, bem como, verificar as dificuldades que os professores encontram em trabalhar com o vídeo em sala de aula. Justifica-se a relevância deste estudo por entender que as tecnologias da informação e comunicação estão cada vez mais presentes no contexto social e, principalmente, no cotidiano da escola. Para tanto, é necessário resignificar a formação inicial e continuada dos professores, para que estes possam entender que os recursos tecnológicos podem ser uma significativa ferramenta no processo de ensino e aprendizagem. A metodologia utilizada no presente estudo teve como parâmetro a abordagem qualitativa, que parte do fundamento de que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, uma interdependência viva entre o sujeito e o objeto (CHIZZOTTI, 1998, p. 79). Na busca por aprofundar o tema de estudo fez-se necessário utilizar a pesquisa bibliográfica e pesquisa de campo, tendo como instrumento para a coleta das informações, um questionário com perguntas abertas

11 11 e fechadas que trazem os seguintes questionamentos: Os professores consideram a utilização do vídeo importante no processo ensino e aprendizagem? Os equipamentos TV e vídeo da escola sempre estão em condições de uso? Os alunos apresentam interesse em atividades relacionadas ao uso do vídeo? Os alunos desenvolvem uma leitura crítica e seletiva assistindo a um vídeo? Os professores utilizam o vídeo como recurso pedagógico em suas aulas?por quê? Como? Para quê? Quais as maiores dificuldades que os professores encontram em trabalhar com o vídeo em sala de aula? Os professores acreditam na utilização do vídeo como veículo de comunicação e formação? Por meio da utilização do vídeo, quais as contribuições positivas e negativas esse recurso pode proporcionar na formação dos alunos? Diante das questões levantadas anteriormente e percebendo a necessidade de compreendê-las no contexto do processo de ensino e aprendizagem, organizamos o trabalho monográfico através dos seguintes capítulos que serão apresentados abaixo: No primeiro capítulo analisou-se o conceito de tecnologia, refletindo sobre a formação dos professores diante dos recursos tecnológicos no contexto escolar. Apresentou-se também os recursos audiovisuais, como possibilidade de contribuir no processo de ensino e aprendizagem. Em relação ao segundo capítulo, identificou-se as implicações do vídeo, como um recurso audiovisual, no processo de ensino e aprendizagem. No que se refere ao último capítulo, são apresentados algumas considerações que melhor entrelaçou o referencial teórico, as análises efetivadas, apresentando possibilidades do uso do vídeo no contexto escolar.

12 12 CAPITULO I 1. EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA: ORIGEM E CONCEITOS O conceito de tecnologia é complexo, vem carregado de preconceitos e equívocos, com interpretações e significados que vão se transformando conforme a evolução social. O imaginário das pessoas cria situações em que artefatos tecnológicos adquirem vida própria com elevado nível de inteligência e se tornam salvadores do mundo ou ameaçam aniquilar toda a espécie de vida (ALMEIDA, p. 40). E esse imaginário das pessoas, que vem carregado de valores e significados, influencia e contribui transformando o termo tecnologia, que ora está associado a um elevado grau de evolução e ora está relacionado a uma ameaça para a continuidade da vida humana. Ainda enfatiza Almeida (2005 apud REIS, 1995, p. 40): Tecnologia é um conceito com múltiplos significados que variam conforme o contexto podendo ser visto como: artefato, cultura, atividade com determinado objetivo, processo de criação, conhecimento sobre uma técnica e seus respectivos processos. Muito ainda se deve discutir sobre sua importância e implicações em toda uma sociedade, uma vez que esse fenômeno ultrapassa as aplicações técnicas, pois tecnologia é tudo aquilo que o ser humano inventou e vem inventando para facilitar seu trabalho, ou seja, para uma maior comodidade. Souza e Bastos (2000) ressaltam que a tecnologia não nasce pronta e acabada. Ela segue o ritmo da história e é impulsionada pelas forças dos contextos, sócio-econômicos, que a transforma em alavanca do progresso técnico, de acordo com os imperativos do poder político econômico dominante. Os registros históricos evidenciam que a primeira abordagem do conceito techne é encontrada na Grécia, Heródoto a conceitua como um saber fazer de forma eficaz. Já para Aristóteles a tecnologia é um fazer com raciocínio. (SANCHO, 1998, p. 18). Portanto o termo tecnologia possui características que variam conforme o período histórico em que a sociedade está vivendo. Na Idade Média continua-se a utilizar o mesmo termo surgido na Grécia. Na Idade Moderna houve uma nova reflexão e visão sobre a

13 13 técnica, Francis Bacon descreve uma cidade que progride graças aos avanços técnicos. A enciclopédia Francesa incorpora técnica à ciência, isso abre um espaço de conhecimento da tecnologia usando métodos científicos, contribuindo na transformação de processos materiais. Por volta do ano 1950 o termo tecnologia já se definia como meio o qual a sociedade usa para mudar ou manipular seu ambiente. É o homem cada vez mais dependente de suas invenções para sobreviver, como consequência pode-se observar uma transformação acelerada em seus comportamentos. (SANCHO, 1998 p. 29). Sendo assim, pode-se verificar que a sociedade segue e usufrui essa comodidade gerada por suas invenções tecnológicas. Nesse sentido a tecnologia transformou-se em uma forma de vida e sua escolha torna o homem no que é ao mesmo tempo configurando seu futuro. Sancho (1998 p. 34) evidencia: A teoria crítica argumenta que a tecnologia não é uma coisa no sentido geral do termo, mas sim um processo ambivalente de desenvolvimento suspenso entre duas possibilidades. Esta ambivalência distingue-se da neutralidade pelo papel que atribui aos valores sociais no projeto e não somente no simples uso dos sistemas técnicos. A partir desta perspectiva, a tecnologia não é um destino, mas uma cena de luta. Assim Sancho chama a atenção para os paradoxos da tecnologia no cotidiano, quando os indivíduos de uma sociedade influenciada pela tecnologia da informação, a qual encontra facilidade nesses fluxos, deve-se atentar para a origem e credibilidade dessas informações. Levando em consideração que variedade de informações não é garantia que as pessoas irão ampliar seu grau de conhecimentos ou assumir uma postura crítica sobre certo assunto. Assim como se tem, cada vez mais, facilidade em relação à acessibilidade a uma grande quantidade de informação também se deve redobrar os cuidados sobre o grau de seguridade de suas fontes. É certo que quantidade não significa qualidade. Cabe a todos procurar conscientizarem-se dessa realidade e as implicações que essas tecnologias provocam na vida do indivíduo. Para Sancho (1998 p. 39). O nosso processo de compreensão e ação no mundo tem estado marcado, entre outros fatores, pela nossa experiência escolar. As tecnologias usadas no ensino escolar (instrumentais, simbólicas e organizadoras) modelam o desenvolvimento dos indivíduos e as suas formas de apreensão do mundo.

14 14 A autora (1998, p. 39) enfatiza as implicações relacionadas a educação escolar como tecnologia social. Ela aponta que a função da educação é transmitir conhecimentos, habilidades e técnicas que foram desenvolvidas durante anos, e também garantir a continuidade de atitudes e valores convenientes de serem preservados. E para que essas funções se realizem configura-se no que conhecemos como sistema escolar, que por sua vez sempre busca desenvolver diferentes tecnologias, métodos, artifícios, ferramentas, para atender as necessidades educacionais da população. Pensando em atender às diferentes necessidades educacionais fazse necessário o desenvolvimento de diferentes habilidades tecnológicas. O que os professores fazem a cada dia de sua vida profissional para enfrentar o problema de ter de ensinar a um grupo de estudantes determinados conteúdos, durante certo tempo, como o fim de alcançar determinadas metas, é conhecimento na ação, é tecnologia (SANCHO, 1998, p. 40). Com base nessa visão fica evidenciada que a utilização da tecnologia está intimamente relacionada às ações cotidianas da sala de aula. E a compreensão sobre essas ações ainda necessita superar desafios chegando, assim, ao entendimento sobre os problemas educacionais. Sancho (1998, p. 43) apresenta duas posturas extremas em relação ao conhecimento tecnológico no processo de ensino. O termo tecnofilia e tecnofobia são formas que muitos utilizam ocultando a problemática da educação escolar. Tecnófobos são aqueles que consideram uma ameaça a seus valores, o uso de qualquer tecnologia que eles não tenham usado desde pequenos, ou seja, não aceitam conhecer ou testar novas descobertas. Um exemplo de tecnofobia pode ser encontrado na postura de Sócrates, que dizia que com a utilização da escrita o homem deixaria de exercitar a memória. Com a generalização da imprensa a maioria das pessoas se mostrou contra a propagação dos livros, pois acreditava que eles seriam uma ameaça à autoridade. Essa crítica aconteceu também sobre o rádio, televisão, cinema computadores, entre outros. (SANCHO, 1998). O termo tecnofilia é empregado para aqueles que acreditam que as novidades tecnológicas têm a resposta para os problemas do ensino e

15 15 aprendizagem escolar. Considera, somente, tecnologia as máquinas e aparelhos e desconsidera o conhecimento prático teórico acumulado durante os anos de estudo. Essas duas posições embora sejam de extremos opostos têm muito em comum, pois ambas as perspectivas não reconhecem a natureza do problema que pretendem resolver por meio da sua atuação dificultando ainda mais responder os problemas de educação escolar. (SANCHO, 1998 p. 46). Como pode ser facilmente observado, os avanços e as novas descobertas no campo tecnológico se apresentam em ritmo cada vez mais acelerado. O que há pouco tempo se via falar soando como ficção, algo muito longe de acontecer, agora é muito real e comum. Esses avanços tecnológicos acelerados têm alterado o modo de entender e de perceber o mundo e muitas dessas mudanças são geradas pelo surgimento de novas tecnologias da informação e da comunicação Enquanto há um tempo as neves eram conhecidas nos países tropicais através de cartões, cartazes e descrições escritas, hoje ela é vista em tela de TV, nos monitores de vídeo e pode ser sentida através de equipamentos virtuais. Hoje, sem sair de casa é possível fazer todo o serviço bancário, consultar bibliotecas, comprar, vender, conversar com astronautas no espaço, ler jornal de outros estados. (MORAIS, 2000, p. 2). Todos esses avanços tecnológicos reforçam a necessidade de aprender a melhor forma de utilizá-los para que se possa contribuir enriquecendo o processo de ensino e aprendizagem. A tecnologia na educação necessita de estratégias, metodologias e atitudes com o objetivo de superação, pois uma aula mal estruturada mesmo com o uso do mais moderno recurso passa a não fazer sentido pedagógico para o aluno. Segundo Moran (2009). As tecnologias nos ajudam a encontrar o que está consolidado e a organizar o que está confuso, caótico, disperso. Por isso é tão importante dominar ferramentas de busca de informação e saber interpretar o que se escolhe, adaptá-lo ao contexto pessoal e regional e situar cada informação dentro do universo de referências pessoais. A proliferação das tecnologias digitais vem acentuando uma maior necessidade de um pensamento criativo, essa nova tecnologia causa um espírito empreendedor, inovador e uma maior produtividade capaz de beneficiar a sociedade (RESNICK, 2006).

16 16 Segundo Moran (2009). É possível criar usos múltiplos e diferenciados para as tecnologias. Nisso está o seu encantamento, o seu poder de sedução [...] Podemos fazer coisas diferentes com as mesmas tecnologias [...] cada tecnologia modifica algumas dimensões da nossa inter-relação com o mundo, da percepção da realidade da interação com o tempo e o espaço [...] Posso morar em um lugar isolado e estar sempre ligado aos grandes centros de pesquisa, as grandes bibliotecas, aos colegas de profissão, a inúmeros serviços. Posso fazer boa parte ao trabalho sem sair de casa [...]. A escola tem o desafio de trazer essas novas ferramentas tecnológicas articulando-as com conhecimentos escolares, mas para tanto, é necessário investir na formação de professores, isto é, prepará-los para compreender os desafios e possibilidades em relação à utilização dos recursos tecnológicos em sala de aula. 1.1 REFLETINDO SOBRE A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DIANTE DOS RECURSOS TECNOLÓGICOS NO CONTEXTO ESCOLAR A sociedade atual passa por constantes transformações e essas resultam em implicações na realidade cotidiana de toda uma população. Para Libâneo (1998, p.15) o mundo contemporâneo [...] está marcado pelos avanços na comunicação e na informação e por outras tantas transformações tecnológicas e científicas Sendo assim essas transformações, direta ou indiretamente, afetam o cotidiano de todos. Ainda segundo Libâneo (1998, p. 15) essas transformações provocam mudanças econômicas, sociais, políticas, culturais, afetando, também, as escolas e o exercício profissional da docência. Para serem enfrentados os desafios do avanço acelerado da ciência e da tecnologia, da mundialização da economia, da transformação dos processos de produção, do consumismo, do relativismo moral, é preciso um maciço investimento na educação escolar. (LIBÂNEO, 1998, p. 18). Para atender as necessidades dessa sociedade contemporânea busca-se e espera-se da educação transformação e inovações para formar um sujeito competente não apenas capaz de aplicar técnicas, mas criativo com um

17 17 entendimento do mundo e da sociedade em que vivemos. É nesse sentido, que Libâneo (1998, p. 26) evidencia. A escola precisa deixar de ser meramente uma agência transmissora de informação e transformar-se num lugar de análises críticas e produção da informação, onde o conhecimento possibilita a atribuição de significado à informação. Nessa escola os alunos aprendem a buscar a informação (nas aulas, no livro didático, na TV, no rádio, no jornal, nos vídeos, no computador etc.) e os elementos cognitivos para analisá-la criticamente de darem a ela um significado pessoal. Assim é esperado, que a escola atenda às necessidades dos alunos, que são frutos dessa atual sociedade. Para Libâneo (1998, p. 27) a escola precisa articular sua capacidade de receber e interpretar informação, a partir do aluno como sujeito do seu próprio conhecimento. Portanto para que aconteça, na escola, o desenvolvimento dessas habilidades capazes de atender às novas exigências educacionais faz-se necessária a existência de professores conscientes dessa realidade social. Esse professor deve ter a competência para saber agir em sala de aula, habilidades comunicativas, domínio da linguagem informacional e dos meios de informação, habilidade de articular as aulas com as mídias e multimídias (LIBÂNEO, 1998, p. 28). Relacionado a esse panorama está posto o desafio em proporcionar uma formação aos educadores, podendo assim, habilitá-los para explorar as potencialidades e limitações existentes nos diferentes recursos tecnológicos disponíveis no atual meio educacional. Segundo Souza e Bastos (2000, p. 11). A realidade que envolve a tecnologia demanda do cidadão postura crítica e consciente para transformá-la em algo interpretativo com significados para os tempos que atravessamos e para a história que construímos. Diante dessa realidade surge a necessidade de uma nova relação entre o professor e aluno. Segundo Bozetto (2003, p. 4) Cabe ao professor não mais o lugar de dono da verdade, mas o interlocutor privilegiado que incita, questiona e provoca reflexões. Ainda segundo Bozetto (2003, p. 4).

18 18 O professor deve estar aberto a aprender a aprender; aturar a partir de temas emergentes no contexto e de interesse dos alunos; promover o desenvolvimento de projetos cooperativos; assumir atitude de investigador do conhecimento e da aprendizagem do aluno; proporcionar a reflexão, a depuração e o pensar sobre o pensar; dominar recursos tecnológicos; identificar as potencialidades de aplicação destes recursos na pratica pedagógica; desenvolver um processo de reflexão na pratica e sobre a prática, reelaborando continuamente teorias que orientem sua atividade de mediação. Esse novo caminho deve levar o profissional a refletir e compreender a importância de seu papel com relação ao desenvolvimento e a aprendizagem dos alunos, uma vez que os equipamentos tecnológicos bem incorporados no projeto pedagógico, são ferramentas valiosas a seu favor para o processo ensino e aprendizagem. E dentre tantos recursos disponíveis, esses educadores devem aceitar como desafio a escolha ao que mais se ajusta a seu propósito. Neste entendimento Souza e Basto (2000, p. 38) evidencia: Os sujeitos competentes não são aqueles que sabem aplicar técnicas, mas que adquirem pelos contatos com os artefatos à capacidade de entender o mundo e a sociedade tecnológica em que vivemos [...] A tarefa do cidadão é questionar a técnica. É de reunir o conjunto de meios para atingir um fim razoável em benefício da sociedade. As questões do porque, como e para quem são sempre oportunas e necessárias. Faz-se necessário um profissional que diversifique suas aulas, ou seja, não pode dar aula da mesma forma para alunos diferentes. Essa forma possibilita um melhor resultado, uma vez que os alunos receberão diferentes estímulos para melhor aprender. Muitas vezes os professores apresentam-se desinteressados, inseguros e resistentes em aceitar e incorporar, no seu cotidiano, novas técnicas e recursos que podem auxiliar no processo ensino e aprendizagem. É sabido que os professores e especialistas de educação ligados ao setor escolar tendem a resistir à inovação tecnológica, e expressam dificuldades em assumir teórica e praticamente, disposição favorável a uma formação tecnológica. Há razões culturais, políticas, sociais para essa resistência, que geram atitudes difusas e ambivalentes. (LIBÂNEO, 1998, p. 67). Essa dificuldade pode ser atribuída à deficiência na sua formação profissional, ficando à margem, com um atraso no avanço educacional. Para Ferreira

19 19 (1998) pensar que a nova tecnologia, substituirá os professores é sintoma de uma doença no processo educacional. A escola deve se empenhar em envolver todos os profissionais e privilegiar discussões relacionadas às implicações dos artefatos tecnológicos nesse meio escolar. Essas ferramentas não resolvem problemas educacionais como também não substituem o papel do professor. Neste entendimento, Libâneo (1998, p. 67) afirma: As práticas docentes recebem o impacto das novas tecnologias da comunicação da informação [...] mas a relação docente o valor da aprendizagem está em introduzir os alunos nos significados da cultura e da ciência por meio de mediações cognitivas internacionais que supõe a relação docente. Desta forma é evidente que o papel do professor não é substituído por essas tecnologias. Na verdade, essas devem ser entendidas como um suporte a mais para serem utilizadas nas suas práticas de sala de aula, provocando nos educadores novas posturas profissionais mediante esse processo. Libâneo (1998 apud, VASQUÉZ GOMES, 1994, p. 68) enfatiza: Para superar a situação de resistência apresentadas pelos professores essas precisam ser trabalhadas na formação inicial e continuada de professores por meio de integração das novas tecnologias da comunicação e informação nos currículos, de desenvolvimento de habilidades cognitivas e operativas para uso das mídias e formação de atitudes favoráveis ao seu emprego e à inovação tecnológica em geral. Vários fatores devem ser levados em consideração quando se fala em mudança ou avanço na educação, pois isso envolve a participação de todo um sistema: aluno, professor, coordenação pedagógica, governo, etc. Segundo Moran (1995, p. 5). As mudanças na educação dependem de termos educadores maduros intelectuais e emocionalmente, pessoas curiosas, entusiasmadas, abertas, que saibam motivar e dialogar [...] depende de termos administradores, diretores e coordenadores mais abertos, que entendam todas as dimensões que estão envolvidas no processo pedagógico [...] depende dos alunos, pois alunos curiosos, motivados, facilitam enormemente o processo, estimulam as melhores qualidades do professor, tornando-se interlocutores lúcidos e parceiros de caminhada do professor - educador [...].

20 20 Com base nessa visão pode-se enfatizar que a mudança e avanços na educação podem ser facilitados uma vez que gestores educacionais, professores e alunos, enfim toda sociedade tenham consciência da realidade em que estão envolvidos, assumindo como desafio a reflexão e análise sobre todo o processo. É importante salientar que incorporar a produção da arte e da mídia na educação é oferecer potencial para tornar o aprendizado mais criativo, expressivo e diversificado, tornando a escola mais relevante para os alunos. (KELLNER; SHARE, 2008). Isso posto, para a escola incorporar produção da arte e da mídia no seu cotidiano, é necessário que os profissionais da educação tenham uma compreensão crítica das tecnologias da Informação e da Comunicação, bem como, percebam suas implicações e possibilidades no processo ensino e aprendizagem. 1.2 AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO: QUESTÕES E POSSIBILIDADES NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM As tecnologias da informação e comunicação são conceitos que se complementam, porém não são sinônimos. Etimologicamente, o termo informação advém do verbo informar, cunhado no século XV do latim informare, que significa dar a forma, formar. Durante a Renascença, informar era sinônimo de instruir. No século XX, seu significado foi expandindo, passando a significar tanto envio de mensagem, quando dar inteligibilidade a algo. Dito de outro modo, a informação pode ser enviada e recebida, mas, para ir além disso, é preciso que se estabeleça um contrato entre emissor e receptor que implica codificação e decodificação, assim como produção de significado e atribuição de sentido por parte de ambos. (NEVES-MAMEDE; DUARTE, 2008, p. 771). Nesse sentido faz-se necessário considerar o ambiente escolar para trabalhar com a questão da produção do significado e do sentido, a partir de uma realidade. Assim a escola, em meio às inovações tecnológicas da informação e comunicação, necessita refletir buscando desenvolver eficientes práticas pedagógicas educativas. Dessa forma, ampliando o entendimento sobre os conceitos, relacionada às palavras chave da educação, espera-se conhecer a relação existente entre o termo educação e comunicação.

21 21 Libâneo (1998, p.54), alega existir polêmica relacionada ao termo educação e comunicação. Mas ele parte do entendimento que educação e comunicação caminham juntas, porém não são as mesmas coisas Nas práticas educativas há processos comunicativos, intencionais visando alcançar objetivos de formação humana. Por outro lado toda comunicação é educativa. E pode despertar nas pessoas emoções e ao mesmo tempo troca de experiência. Nesse sentido o autor argumenta que: Os vínculos entre práticas educativas e processos comunicativos estreitaram-se consideravelmente no mundo contemporâneo, ao menos, por duas fortes razões: os avanços tecnológicos na comunicação e informática e as mudanças no sistema produtivo envolvendo novas qualificações e, portanto, novas exigências educacionais. (LIBÂNEO, 1998, p.55). Essas novas exigências educacionais exigem uma postura profissional que considere como pontos importantes o exercício da reflexão sobre sua prática de trabalho. Dessa forma, contribuindo com essa reflexão, Ferrés (1996, p. 9) acrescenta: Por intermédio dos meios de massa originados da nova tecnologia eletrônica, as imagens visuais bombardeiam as novas gerações com uma contingência sem precedentes. Os meios de comunicação de massa se converteram no ambiente onde crescem as novas gerações. É por meio deles que acessam a realidade. Nossa visão do mundo, da história e do homem está intimamente ligada à visão imposta pelos meios de comunicação. A escola, no entanto, parece não se dar conta disso. Os jovens abandonam as aulas sem o mínimo preparo para um uso racional desses meios. Isso posto vale a pena salientar o poder que os meios de comunicação de massa têm sobre todos nós, de modo que influencia no nosso modo de pensar e agir. Nesse sentido faz-se cada vez mais necessário o papel do professor para chamar a atenção em relação a estes aspectos. Não dá para negar que cada vez mais as antigas tecnologias são substituídas pelas novas tecnologias. E essa sociedade denominada moderna caracteriza-se pelo uso da imagem e do som. Segundo Ferrés (1996, p. 8) A imagem é hoje a forma superior de comunicação [...] e as invenções tecnológicas provocam mudanças culturais, as quais por sua vez, geram mudanças na estrutura

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