(I)MOBILIDADE URBANA: OS IMPACTOS SOFRIDOS PELOS MORADORES DE SÃO JOSÉ DE ITABORAÍ FRENTE Á PRECARIEDADE DO SERVIÇO DE TRANSPORTE PÚBLICO DO BAIRRO

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1 (I)MOBILIDADE URBANA: OS IMPACTOS SOFRIDOS PELOS MORADORES DE SÃO JOSÉ DE ITABORAÍ FRENTE Á PRECARIEDADE DO SERVIÇO DE TRANSPORTE PÚBLICO DO BAIRRO Isabelle Aguiar da Silva Graduanda em Geografia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Bolsista CETREINA Marcelo Wermelinger Lemes Professor Adjunto, Departamento de Geografia, Faculdades Integradas Simonsen. Andrelino de Oliveira Campos Professor Adjunto UERJ/FFP. INTRODUÇÃO Segundo CARLOS (2011) refletir as relações sociais é buscar analisá-la espacialmente como existência constitutiva da sociedade. Pois a mesma ao se constituir no espaço, possui sua própria dimensão histórica e especificidades em diferentes escalas. SANTOS (2009) mostra que uma sociedade só se torna concreta através do espaço que ela produz, o espaço sendo visto como fator social e não somente como um reflexo social. O mesmo deve ser analisado a partir de categorias, estruturas, funções e formas. Pois, a organização do espaço seria como diversos elementos criados pelo o homem, colocados sobre a superfície da Terra, interagindo entre si. Para compreender o que é o espaço urbano, devemos primeiramente defini-lo, segundo CORRÊA (2006), pois ele possui diferentes usos e são essas utilidades que definem a distribuição e articulações espaciais das cidades, Já que as relações sociais possuem uma 5055

2 espacialidade e tem como sua principal estrutura a sociedade de classes. A Geografia trabalha várias temáticas, e dentre elas a geografia dos transportes, que com seu estudo é possível caracterizar, analisar, discutir e planejar ações como a mobilidade e acessibilidade urbana, além de auxiliar no pensamento da reprodução do espaço urbano. A mobilidade urbana é entendida nesta pesquisa como a movimentação constantemente realizada pelo fluxo de pessoas e equipamentos de transporte no espaço urbano. Assim, a mobilidade urbana é um dos importantes elementos para a configuração da estrutura urbana, para a reprodução do espaço urbano e para as interações espaciais, temática que iremos tratar neste trabalho. Sendo um dos grandes problemas infraestruturais sofridos pelos moradores de São José, o transporte público é considerado ruim e ineficiente, com passagens caras e ônibus frequentemente lotados, veículos em condições ruins, além do grande tempo de espera nos pontos de ônibus. Os serviços concentraram-se nos bairros mais nobres e nos centros urbanos do município, consequentemente, o emprego também. O trabalhador precisa se deslocar grandes distâncias em trechos cada vez mais inchados para trabalhar ou utilizar serviços públicos e privados. De acordo com a Constituição Federal, o serviço deve ser administrado e mantido pelas prefeituras municipais, mas os investimentos devem ser realizados também pelos estados e pelo Governo Federal. É importante ressaltar que, quando se refere ao transporte público, não estamos falando somente dos meios de transporte utilizados, mas de questões referentes à mobilidade urbana e à infraestrutura existente para este transporte. Além do mais, é preciso que se compreenda que o transporte público não está isolado da lógica urbana, sobretudo das grandes metrópoles, que concentram a maior parte da população do país. Bairros menores e com uma maior quantidade de pessoas que trabalham distante de seus empregos necessitam de um transporte público massificado para evitar a ocorrência de ônibus lotados e insuficientes para atender à população. Assim está uma área pouco povoada, composta em sua maioridade por pessoas menos favorecidas, localizada distante do centro do município, enfrentando problemas com abastecimento de água, precariedade nos transportes públicos e abandono pelo poder público, sobretudo pela Prefeitura Municipal, despertou o interesse em reconhecer as ações do cotidiano dos moradores frente aos grandes problemas infraestruturais vivenciados 5056

3 pelos mesmos. Desta forma temos como primeiro objetivo analisar o uso do transporte público do bairro de São José que tem como única opção o transporte coletivo de ônibus, a qualidade do serviço e as práticas cotidianas ao entorno do uso do transporte público. Através de observações empíricas e entrevistas nas quais foram aplicados questionários junto aos moradores. Buscamos entender de que forma as ausências e carências na infraestrutura do bairro afeta a vida dos moradores. Para a elaboração da pesquisa foi necessário o cumprimento de algumas etapas. Primeiramente foram realizadas pesquisas bibliográficas sobre os assuntos referentes à área de estudo, assuntos como a história do município, dados sobre o bairro de São José e sobre o transporte de ônibus do recorte espacial da pesquisa. Num segundo momento a pesquisa foi direcionada para as questões que envolvem a falta de infraestrutura do bairro que por este motivo tornava-o juntamente com a sua população ainda mais invisibilizado e negligenciado pelo poder público, o que de fato ocorre como pode ser constatado nesta pesquisa. Após as primeiras etapas foram realizadas uma série de idas a campo a fim de observar empiricamente os objetos de estudo e também aplicar questionários junto aos moradores do bairro de São José, bem como, aos passageiros dos ônibus. Para de esta forma obter os dados socioeconômicos que após serem tabulados serviram como suporte para a elaboração dos textos, gráficos e mapas nos quais são apresentados os trajetos e os cotidianos percorridos e vividos pelos moradores, também possibilitando a caracterização socioeconômica dos moradores de São José. AS CARACTERÍSTICAS GEOGRÁFICAS DO BAIRRO DE SÃO JOSÉ DE ITABORAÍ Neste primeiro capítulo serão apresentadas as características e dados de localização do bairro de São José e um breve histórico sobre o contexto populacional do bairro. Breve histórico do Bairro de São José De acordo com (IBGE, 2011) São José pertencente ao 6 distrito do município de Itaboraí, Estado do Rio de Janeiro cujas coordenadas da sede municipal são L. S. e I. W. Cerca de 34 a NE da Cidade do Rio de Janeiro. É considerado um dos bairros 5057

4 mais importantes do município devido a abrigar o Parque Paleontológico de São José que conta com um grande acervo de artefatos que comprovam pré-história (Figura 1). Figura 1: Mapa e localização do bairro de São Jose e Itaboraí. É um bairro tipicamente rural e pacato com uma população pequena de cerca de habitantes com um comércio inferior a bairros limítrofes como Cabuçu e Largo da Ideia. O transporte no bairro é feito por apenas uma linha de ônibus e uma de transporte alternativo que liga ao centro. O bairro de São José é marcado por histórias e dentre elas se destaca a exploração do cimento na região que começou por volta do ano 1928 a área da Bacia Calcária de São José de Itaboraí, com ,50 m 2 passou a ser explorada como mina de calcário para a indústria cimenteira (Figura 2), também, por abrigar indícios de materiais animais de anos atrás. Segundo Maria da Conceição M. Coutinho Beltrão, as evidências de vida aí encontradas correspondem ao período que sucedeu ao da extinção dos dinossauros. Fósseis de um mamífero xenungulado, provavelmente o mais velho da América do Sul, com 5058

5 idade que alcança cerca de 65 milhões de anos, foram ai encontrados. De São José, a calcária era transportada através de vagões de trem para o bairro de Guaxindiba, em São Gonçalo - RJ, onde foi inaugurada a Primeira fábrica de cimentos no Brasil com a presença do então presidente da república do Brasil Getúlio Vargas. A seguir a foto da inauguração da fábrica de cimento e comemoração pelo primeiro cimento ensacado no Brasil. Figura 2: Imagem dos trabalhadores Bacia Calcária de São José de Itaboraí (FAPERJ). A Bacia de São José de Itaboraí é considerada patrimônio geológico por apresentar rochas calcárias ricas em fósseis de invertebrados e vertebrados, destacando-se os mamíferos do Paleoceno tardio, que se difundiram na Terra em torno de 57 Ma após os eventos de extinção do Cretáceo Superior. No intuito da geoconservação do patrimônio geológico foi criado em 1995 o Parque Paleontológico de São José de Itaboraí (Estado do Rio de Janeiro, Brasil) que, atualmente, passa por um processo de revitalização, incluindo a construção de um centro cultural para exposição científica. 5059

6 Em relação aos estudos científicos, um aspecto positivo da atividade mineradora foi evidenciar a grande importância daquele depósito calcário sob o ponto de vista paleontológico. As profundas e extensas escavações ali efetuadas revelaram a existência de rico depósito fossilífero do Paleógeno, com destaque para a fauna continental do Paleoceno tardio, de aproximadamente 57 milhões de anos, correspondente aos primeiros mamíferos que se irradiaram pela Terra após a extinção dos dinossauros há cerca de 65 milhões de anos. Essa característica única faz com que a bacia sedimentar seja conhecida como o "berço dos mamíferos" no Brasil (Bergqvist et al., 2006; Bergqvist et al., 2008). Após a escassez do calcário, antes explorado na bacia calcária de São José, a Prefeitura do município determinou a revitalização da área como Parque Paleontológico, por possuir em seu terreno muitos materiais fossiliferos, de grande importância cientifica. (Figura 4) 5060

7 Figura 4: Imagem da revitalização do Parque Paleontológico auxiliada pela FAPERJ BREVE HISTÓRICO DO CONTEXTO POPULACIONAL DO BAIRRO DE SÃO JOSÉ DE ITABORAÍ No século 20, entre as décadas de 1920 e 1980, atribuiu grande destaque, na economia do município, a produção de laranjas, quando o município ganhou a alcunha de "terra da laranja" por ser o segundo maior produtor nacional dessa fruta. Itaboraí que antes era um município rural, tem um processo de urbanização após inicio da construção do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (COMPERJ) em Neste momento o bairro de São José de Itaboraí passou a ser o bairro mais importante do município de Itaboraí pela economia ao entorno da exploração de calcário e, também, por ser um dos bairros que mais produzia laranjas no município de Itaboraí. A partir dessas atividades o processo de popularização do bairro foi iniciado. A priori, a população era composta pelos trabalhadores da cimenteira e produtores agrícolas. Durante o período de funcionamento da mineração, a região foi bastante próspera devido aos benefícios sociais e econômicos gerados pela exploradora. Todavia, com o fim da atividade mineradora, a região entrou em decadência social e econômica. (SANTOS, 2010) Depois da desativação da atividade de exploração do calcário na bacia de São José houve um esvaziamento demográfico e os trabalhadores da Companhia de Cimentos Mauá e os agentes de outras atividades subexistentes pela atividade de exploração, 5061

8 migraram para outros lugares. Com o vazio demográfico formado pela migração do bairro, o Prefeito Sérgio Soares loteou a área e doou alguns terrenos para pessoas próximas a ele. Atualmente, São José de Itaboraí tem em sua demografia marcas de um passado próspero e depois decadente, vivido pela exploração do calcário e frente à desativação da exploradora. Sua população é composta por pessoas menos favorecidas dentro da lógica capitalista, seus governantes negligenciam suas necessidades básicas e infraestruturais, não dão atenção devida ao bairro. Para (LEFEBVRE, 1973:p.5) a sociedade capitalista é uma totalidade não consumada e, por isso, aberta a inúmeras contradições. Em outros termos é um projeto histórico inacabado (GOTTDIENER, 2010 p.147) Conforme sua análise, o capitalismo deve ser concebido como uma totalidade aberta, como totalidade nunca sistematizada, nunca acabada; nunca perfeita, mas que, contudo, se vai consumando, se vai realizando. Apesar do descaso das autoridades, nas entrevistas é possível perceber a grande demanda de trabalhadores que saem todos os dias do bairro de São José de Itaboraí para fazer parte da morfologia dos grandes centros urbanos dos municípios de Itaboraí, São Gonçalo, Niterói, Maricá e Rio de Janeiro. SPOSITO (2005) reflete sobre a morfologia urbana onde os fluxos se estabelecem a partir de redes sociais e culturais. Um sujeito vai de uma cidade para outra e compõem a morfologia da cidade com relação a sua morfologia social. Ele traz a sua morfologia social para cidade. Segundo CARDOSO (2008) O espaço urbano transformado em força produtiva, subordinado à lógica da mercadoria, transformado ele mesmo em uma mercadoria, onde o valor de troca e as relações de consumo subordinam as formas e os conteúdos do valor de uso que são gerados pela dinâmica da vida cotidiana é um espaço passível de ser fragmentado, homogeneizado, hierarquizado, um espaço alienado e fonte de alienação.. Desta forma o sujeito trabalhador que sai de seu bairro, seu município para vender sua mão de obra e compor a morfologia da cidade em relação a sua morfologia social, não é valorizado frente ao sistema capitalista, as relações de trabalho, ao vínculo empregatício e as funções do trabalho. Também se integra a alienação da lógica capitalista pela subordinação de suas necessidades de subexistência. Apesar da presença de grande importância cientifica, as autoridades do município ainda não produziram nenhum tipo de programa realmente eficaz, que abarque a 5062

9 preservação do Parque Paleontológico e de sua população moradora, tendo em vista que a área do Parque conta com um quantitativo de mais de vinte famílias instaladas, pela própria prefeitura que cedeu o terreno para os mesmos há mais de dez anos. Figura 5: Imagem de dois mamíferos encontrados na bacia calcária de São José de Itaboraí AUSÊNCIAS E CARÊNCIAS DE TRANSPORTE COLETIVO NO BAIRRO DE SÃO JOSÉ DE ITABORAÍ O serviço de transporte coletivo no bairro de São José de Itaboraí é o objeto de estudo desta pesquisa devido aos grandes problemas infraestruturais do bairro. Os moradores reclamam da carência dos serviços oferecidos pela empresa Rio Ita que há mais de vinte anos controla individualmente (Monopólio) os trajetos municipais e intermunicipais do município de Itaboraí, assim como do bairro de São José de Itaboraí. Sem opção, os moradores locais são forçados a serem usuários dos meios de transporte oferecidos pela empresa. Lembrando que a mesma se utiliza de diferentes nomes fantasia para atuar no município Itaboraí, como Staneck, Delrey, Fagundes, Tanguá, Maravilha, Rio de Janeiro e Rio Minho. 5063

10 Figura 6: Pontos de parada da linha 700 (Alcântara x Curuzu). O atual nome fantasia utilizado no bairro de São José de Itaboraí é o nome Fagundes, compreendendo a linha 700 Curuzu, trajeto Alcântara-Curuzu e Curuzu-Alcântara. Para ROSA (2006) A desigualdade social e espacialidade periférica destas populações podem ser mitigadas por uma política de transporte público que promova a mobilidade destas pessoas, aumentando assim o acesso às atividades socioeconômicas, à infra-estrutura pública e a serviços essenciais disponíveis. Na Figura 6 é possível o reconhecimento espacial do trajeto percorrido pelo ônibus da linha 700- Alcântara x Curuzu. Apesar da grande distância percorrida pelos moradores do bairro supracitado, sendo assim usuários do ônibus da linha 700 Curuzu, até o destino final do trajeto que é o bairro de Alcântara no município de São Gonçalo, os moradores associam a precariedade do serviço prestado pela empresa Rio Ita á ausência de demanda suficiente de ônibus na região, demoras no ponto de espera e lotação excedida de pessoas no veiculo automotivo. Questionam, também, a qualidade do serviço e relacionam a falta de estrutura ao monopólio da Rio Ita em Itaboraí, assim como no bairro de São José de 5064

11 Itaboraí. Percepções local das condições de transporte do bairro de São José de Itaboraí Sobre a coleta de dados foram realizadas 40 entrevistas com os moradores do bairro de São José de Itaboraí, a fim de conhecer a realidade socioeconômica dos moradores, sua opinião frente ao descaso infraestrutural das autoridades políticas e, principalmente, a ação de deslocamento dos moradores. O roteiro de entrevista traz quatro perguntas que buscam o alcance socioeconômico e o olhar individual dos sujeitos estudados dentro da problemática analisada. A importância da entrevista acontece através da vontade de tornar visível dentro da pesquisa a reflexão daqueles que sofrem na pele esse cotidiano cansativo e cheio de obstáculos produzidos pela precariedade infraestrutural do bairro de São José de Itaboraí, assim como do município de Itaboraí. Os primeiros resultados foram obtidos através de seguinte pergunta: Como foi que o Sr. (Srª) entrevistado veio residir no bairro São José de Itaboraí? Pode-se observar que do total cinco moradores realizaram a invasão e ocupação das terras onde residem, vinte e tres foram contempladas com terrenos sedidos pela prefeitura e pelo governo do estado, nove vieram para trabalhar na exploração da bacia clcária, apenas dois adquiriram as terras através da compra direta e três disseram não saber como vieram para este local (Figura 7A). Na figura 7B, observa-se a escala temporal na qual os entrevistados estão envolvidos com a dinâmica do bairro, nesse contexto dois entrevistados apenas residem a menos de 10 anos, quinze declaram viver no lugar entre 10 e 14 anos e foi o que teve maior representatividade, logo após os entrevistados que residem entre 20, 30 e 40 anos somaram vinte e dois e apenas um, esta a mais de 40 anos construindo sua identidade neste local. 5065

12 Figura 7: (A) Gráfico da distribuição das peculiaridades de ingresso e (B) Gráfico da distribuição temporal dos moradores no bairro de São José de Itaboraí. A figura 8A tem uma importância impar para o desenvolvimento deste trabalho pois mostra exatamente a função que cada entrevistado exerce como cidadão trabalhador ou não dentro da perspectiva do bairro de São José. Assim os dados coletados demonstraram que a maioria da população é composta de trabalhadores e jovens estudantes, pois trinta e três entrevistaram declaram utilizar o transporte publico para se deslocar até o seu local de trabalho e oito declararam estudar e trabalhar, o que faz refletir sobre seu importante papel social, onde um jovem estudante desde pouca idade já necessita ingressar no mercado de trabalho e apenas um dos entrevistados disse não ser nem estudante, nem trabalhador, pois se declarou aposentado. 5066

13 Figura 8: Gráfico da distribuição ocupacional e dos destinos de trabalho e estudo dos moradores do bairro de São José de Itaboraí. A figura 8B mostra o a variação do destino de trabalho e estudo dos entrevistados. O perfil traçado aponta que a maioria destes ruma para o município de São Gonçalo, alcançando um total numérico de vinte indivíduos. Isso vem a calhar com a quantidade de empregos de segunda ordem oferecidos no bairro do Alcântara e no centro da cidade. Oito entrevistados trabalham na cidade do Rio de Janeiro, mesmo a distância sendo bastante considerável. Um contingente de quatro entrevistados trabalha no centro do município de Itaboraí, que é a sede distrital do bairro de São José. Já no município de Niterói, seis indivíduos fazem suas ocupações profissionais, basicamente nas imediações do centro da cidade e no município de Maricá apenas dois trabalhadores exercem suas atividades. 5067

14 Figura 9: Mapa dos destinos dos entrevistados no bairro de São José de Itaboraí. Na figura 9 podemos observar detalhadamente os trajetos dos destinos demonstrados e discutidos na Figura 8, como também um mosaico de imagens de satélites RapidEye do ano de 2009, demonstrando em suas partes com tonalidade mais clara um grande avanço da urbanização nas áreas que estão no entorno do itinerário da linha de ônibus estudada, principalmente nos centros dos municípios de Itaboraí, São Gonçalo e Rio de Janeiro. CONSIDERAÇÕES FINAIS A CERCA DA QUALIDADE DOS SERVIÇOS DE TRANSPORTE DA LINHA 700 ALCÂNTARA X CURUZU Após a análises e discussão dos dados apresentados no capítulo anterior chega-se à algumas considerações que demonstram os sentimentos de indignação dos usuários do transporte publico coletivo oferecido na linha 700 (Alcântara x Curuzu). Com as entrevistas foi possível traçar um perfil do passageiro e também tempo de deslocamento para os exercícios de suas atividades. 5068

15 Os entrevistados que trabalham em São Gonçalo gastam por volta de duas horas e trinta minutos diariamente para deslocarem-se de casa para o trabalho e do trabalho para casa. O trabalhador de Itaboraí gasta em média uma hora e trinta minutos, contudo vale ressaltar que este tempo vem aumentando com o aumento do fluxo de veículos na RJ 104 motivados com as atividades relacionadas ao COMPERJ. Para exercer atividade em Niterói se gasta três horas e trinta minutos, pois além de ter que buscar mais uma linha de ônibus, pouco antes do horário comercial tanto na RJ 104 como na BR 101 acontece engarrafamentos longos e diários, salvo nos domingos. Quem conseguiu ser empregado na cidade do Rio de Janeiro realiza uma verdadeira peregrinação, pois pelo tempo de deslocamento ser extremamente longo, por volta de quatro horas, todo trajeto é interferido pelo engarrafamento diário na Ponte Presidente Costa e Silva (Ponte Rio-Niterói). Para trabalhar no município de Maricá enfrenta um sério problema por não existir uma linha direta, então tem que se deslocar para Niterói para depois rumar para Maricá ou fazer uso de transportes clandestino que utilizam de caminhos alternativos. Além do tempo de deslocamento dos entrevistados ser extremamente longo, duras críticas foram engendradas em relação a qualidade dos veículos, que geralmente não possuem instrumentos de segurança, e visivelmente não passam por manutenção regular e ar condicionado é artigo de luxo que nenhum veiculo possui. As percepções obtidas neste trabalham não esgotam o assunto dos transportes públicos no bairro de São José, mas busca servir como um subsídio inicial para o planejamento e gestão da linha 700 e também como um ponta pé para a denuncia às péssimas condições dos veículos disponibilizados para esta linha. REFERÊNCIAS CARDOSO, Isabel C. da Costa. À procura de antigos e novos diálogos entre o direito à cidade e o direito ao trabalho: a cidade do Rio de Janeiro em foco. In: GOMES, Maria de Fátima C.M., FERNANDES, Lenise L. e MAIA, Rosemere S. In: Interlocuções urbanas: cenários, enredos e atores. Rio de Janeiro, Editora Arco Iris, CARLOS, Ana Fani Alessandri. O espaço urbano.novos escritos sobre a cidade. São Paulo, Contexto, CORRÊA, Roberto Lobato. Estudos sobre a rede urbana. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, GOTTDIENER, Mark. A produção social do espaço urbano. São Paulo, Edusp, INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTATISTICA (IBGE). Carlos José GEOGRAFIA Lessa (Coordenador). Anuário estatístico do Brasil, Volume 71. Ed. Wasmália. Brasília, SANTOS, Milton. A urbanização Brasileira. Paulo: Hucitec, São SPOSITO, Maria Encarnação Beltrão. Capitalismo e 5069

16 urbanização. IN.: Industrialização e urbanização. 15. ed. São Paulo: Contexto, (p ). LEFEBVRE, Henri. A Re-produção das relações de produção. (tradução da 1ª parte de La survie du capitalisme). Porto, Edições Escorpião,

17 (I)MOBILIDADE URBANA: OS IMPACTOS SOFRIDOS PELOS MORADORES DE SÃO JOSÉ DE ITABORAÍ FRENTE Á PRECARIEDADE DO SERVIÇO DE TRANSPORTE PÚBLICO DO BAIRRO EIXO 3 Desigualdades urbano-regionais: agentes, políticas e perspectivas RESUMO São José pertencente ao 6 distrito do município de Itaboraí que faz parte do Estado do Rio de Janeiro. É um bairro que pode ser enquadrado como aqueles que se encontram na franja rural-urbana, com uma população que gira em torno de cerca de habitantes. Como muitos outros bairros periféricos do Brasil a fora, a população de São José de Itaboraí, que utilizam o transporte coletivo público de ônibus, possui sérios problemas para o deslocamento entre o lugar de moradia e outros pontos com maior centralidade. Por outro lado, o transporte alternativo que poderia representar outra possibilidade, também não consegue suprir as necessidades da população. Assim, esta proposta de trabalho irá examinar, no contexto dos princípios da mobilidade urbana, tendo como ponto de partida o bairro de São José, os problemas do transporte coletivo por ônibus como parte da qualidade de vida das pessoas. Palavras-chave: mobilidade urbana; infraestrutura; São José e Itaboraí. 5071

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