A Guerra 16. D. Afonso Henriques Patrono do Exército 24. KTM/KFOR Escola de Quadros e de Vida de Excelência 32

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2 Sumário Ano L - N.º Outubro de 2009 PROPRIEDADE DO ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO Direcção, Redacção e Administração Largo de S. Sebastião da Pedreira Lisboa Telef: Fax Civil: Militar: A Guerra Intranet: Jornal do Exército Home page: DIRECÇÃO Director Coronel de Infantaria José Custódio Madaleno Geraldo Secretária Ass Técnica Teresa Felicíssimo Soldado Condutor RC Pedro Ferreira REDACÇÃO Chefe Tenente-Coronel J. Pinto Bessa Redactores Tenente RC Paulo Moreira Alferes RC Nelson Cavaco Tenente RC Rico dos Santos Mauro Matias Operadoras Informáticas Ass Técnica Elisa Pio Ass Técnica Guiomar Brito CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO Chefe Major Augusto Correia Operadores Informáticos Ass Técnica Tânia Espírito Santo 2.º Cabo Gonçalo Silva Biblioteca Ass Técnica Joana Moita SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS Operador Informático Sargento-Ajudante João Belém Distribuição e Publicidade Sargento-Ajudante Luís Silva Ass Operacional Filomena Remédios SECRETARIA Sargento-Chefe Costa e Silva COLABORAÇÃO FOTOGRÁFICA Lusa - Agência de Notícias de Portugal, SA Centro de Audiovisuais do Exército RCRPP/GabCEME EXECUÇÃO GRÁFICA Europress, Lda Rua João Saraiva, 10-A Lisboa Telef Fax Tiragem exemplares Depósito Legal n.º 1465/82 ISSN 0871/8598 D. Afonso Henriques Patrono do Exército 24 KTM/KFOR Escola de Quadros e de Vida de Excelência 32 Suplemento VI Nuno Álvares Pereira e a Batalha de Atoleiros Secções Monumentos com História Militar Escultura de D. Afonso Henriques, em Guimarães 4 Editorial 5 Figuras e Factos 8 a 15 Livros 44 Desporto / Regulamento do Prémio Jornal do Exército 45 Passatempos de outros tempos 46 Capa: O Ataque dos Cruzados e dos Portugalenses às Muralhas de Lisboa (1147), Litografia de Portugal. Revisão de texto a cargo do Professor Doutor Eurico Gomes Dias Os artigos publicados com indicação de autor são da inteira responsabilidade dos mesmos, não reflectindo, necessariamente, o pensamento da Chefia do Exército Português ÓRGÃO DE INFORMAÇÃO, CULTURA E RECREIO DO EXÉRCITO PORTUGUÊS, CRIADO POR PORTARIA DE 14JUL60

3 MONUMENTOS COM HISTÓRIA MILITAR 4 Escultura de D. Afonso Henriques, em Guimarães Adata do seu nascimento é incerta, dividindo-se a opinião dos historiadores entre os remotos anos de 1109 e Igualmente, o seu lugar de nascimento encontrase envolto em alguma controvérsia, embora a tradição histórica lhe atribua a naturalidade à cidade de Guimarães. E outros episódios ainda, desde o milagre de Ourique até à transladação do seu corpo, em 1520, que o revelou incorrupto, envolvem numa aura de mistério a vida do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques. Durante mais de quarenta anos, D. Afonso Henriques duplicou o território que o seu pai, o Conde Henrique de Borgonha, lhe deixou. Por volta de 1123 ou 1125, ou seja, quando teria entre 12 e 15 anos, arma-se cavaleiro na Catedral de Zamora e cinco anos depois, na Batalha de S. Mamede, assume sozinho o governo de Portucale, após ter derrotado a facção galega, encabeçada pela sua própria mãe, D. Teresa. Em 1140, apoiado pelos seus homens, autoproclama-se Rei de Portugal, título que lhe é reconhecido logo em 1143, no Tratado de Zamora. Em 1147, Afonso I de Portugal chega às portas de Lisboa, então ocupada pelos mouros. Entre Julho e Outubro daquele ano, as forças de Afonso Henriques, por terra, e um contingente de Cruzados que chegaram por mar, submetem a cidade a um apertado cerco. Só as sólidas muralhas conseguiram conter o ímpeto cristão durante aquelas longas semanas. Mas, das pequenas escaramuças aos confrontos violentos, Lisboa foi cedendo, incapaz de se libertar do inquebrantável sequestro. A 25 de Outubro de 1147, um sábado, o rei português entra na cidade, consumando a sua conquista, eternizando a data pelos séculos vindouros. Neste dia é actualmente comemorado o Dia do Exército. No ano de 1169, D. Afonso Henriques é ferido em Badajoz e também incapacitado para o comando. Dez anos mais tarde, a Bula Papal Manifestis Probatum, do Papa Alexandre III, reconhece Portugal como país independente e Afonso Henriques como seu rei. Guimarães, frequentemente chamada de Berço da Nacionalidade e provável local de nascimento do primeiro monarca português, alimenta um antiquíssimo culto à sua figura e memória. Ali, em 1874, na Praça D. Afonso Henriques, foi inaugurada uma escultura em bronze da autoria de Soares dos Reis, retratando o monarca em pose guerreira, trajando correspondentemente, de espada em punho, escudo no braço esquerdo e um elmo protector que lhe endurece o olhar heróico. Entretanto deslocada para o Largo do Toural e, mais tarde, para a Colina Sagrada, prevê-se que a escultura regresse à sua morada original, cuja proposta de execução já consta do dossier de candidatura a Capital Europeia da Cultura Guimarães 2012.JE Tenente RC Paulo Moreira

4 Neste ano de 2009, em que têm lugar as eleições legislativas e autárquicas nacionais, comemoram-se os novecentos anos do nascimento de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal. A bruma dos tempos envolve em mistério a data e o local do seu nascimento. É natural que uma figura de importância colossal como é a do primogénito da Pátria Portuguesa desperte nos Portugueses, de todos os tempos, curiosidade e paixão. Apetecia-nos esmiuçar a sua vida, desde o berço até à tumba, pois temos a certeza de que em cada gesto seu há uma lição de patriotismo e de grandeza que serve de exemplo aos Portugueses de sempre. Com a presença da sua memória, Portugal será eterno. O Exército, junto com os outros Ramos das Forças Armadas, é um dos pilares da Nação e por isso escolheu para seu Patrono D. Afonso Henriques, pois com o seu espírito está garantida a perenidade da Nação Portuguesa. A vontade de um povo, que quis ser livre e independente desde o tempo do seu primeiro rei, revê-se numas Forças Armadas respeitadas e dignas de ombrear com as suas pares na NATO e na União Europeia, para que sejam sempre capazes de defender os mais altos interesses de quem representam os Portugueses e Portugal. O Exército celebra o seu dia na data em que a capital portuguesa, de hoje, foi tomada aos mouros, em Outubro de Já naquele tempo as alianças eram comuns, como podemos confirmar adiante nos extractos da Crónica de D. Afonso Henriques por Duarte Galvão, dedicada a D. Manuel I. Quando D. Afonso Henriques cercava Sintra e depois a tomou appareceo no mar uma frota de cento e oitenta velas, de gentes, que naquelle tempo moveram de Alemanha, e de Inglaterra, e de França, para guerrear os infiéis por serviço de Deos, e vindo assi todos de mar em fóra demandar terra á rocha de Sintra. [...] Christãos partidos de suas terras para virem guerrear por serviço de Deos os Mouros imigos de sua santa Fé. Concordaram então cercar a cidade de Lisboa, portugueses por terra e estrangeiros por mar. El-Rei acentou seu arrayal da parte do Oriente, onde agora está o Moesteiro de S. Vicente de Fóra, e os Inglezes, e outras gentes tomaram parte do Ponente, onde ora são os Mártyres. Durou o cerco perto de cinco mezes, por a Cidade ser mui forte, de sitio, e cerca, e estarem dentro muitos Mouros, que a mui bem defendiam; [...]. Cada um arrayal dos Christãos, edeficou sua Egreja em que enterrassem os que alli morriam, e El- Rei D. Affonso fez a sua, onde depois foi edificado o Moesteiro de S. Vicente á honra do Martyre S. Vicente, e os estrangeiros edificaram outra que ora é chamada Santa Maria dos Martyres. Camões, melhor do que ninguém, descreve-nos em versos imortais a Tomada da nossa Lisboa: E tu, nobre Lisboa, que no Mundo Facilmente das outras és princesa Que edificada foste do facundo Por cujo engano foi Dardónia acesa; Tu, a quem obedece o Mar profundo, Obedeceste à força Portuguesa, Ajudada também da forte armada Que das Boreais partes foi mandada. [...] Cinco vezes a Lua se escondera E outras tantas mostrara cheio o rosto, 1 Os Lusíadas, Canto III, ests. 57, 59 e 61. Quando a cidade, entrada, se rendera Ao duro cerco que lhe estava posto. Foi a batalha tão sanguina e fera Quanto obrigava o firme pressuposto De vencedores ásperos e ousados, E de vencidos já desesperados. [...] Que cidade tão forte porventura Haverá que resista, se Lisboa Não pôde resistir à força dura Da gente cuja fama tanto voa?[...] 1 5

5 FIGURAS e FACTOS Comemorações do Dia da Engenharia OChefe de Estado-Maior do Exército, General José Luís Pinto Ramalho, presidiu no dia 10 de Julho, às comemorações do dia da Arma de Engenharia na Escola Prática de Engenharia. Das várias actividades previstas e que assinalaram o dia festivo, salientam-se a cerimónia militar, a demonstração de capacidades no âmbito das forças da Força Operacional do Exército e a apresentação do novo Centro de Simulação de Explosivos e Contra-Medidas e Defesa Nuclear Biológica Química e Radiológica, que se destina a apoiar a formação dos especialistas Explosive Ordnance Disposal (EOD), Nuclear Biológica e Química (NBQ) e cursos avançados de demolições de emergência, a manutenção da proficiência dos especialistas na gestão de incidentes e na operação de equipamentos, bem como entidades militares e civis na análise de vulnerabilidade de instalações críticas, Sistema de Alerta e Informações NBQ e no âmbito das demolições de emergência. A cerimónia militar contou com a presença de representantes de todas as unidades de Engenharia Militar e ainda com o Bloco de Estandartes das várias subunidades de Engenharia que estiveram presentes nos diversos Teatros de Operações, desde o ex-ultramar ao Líbano. Na demonstração de capacidades foram apresentadas as múltiplas valências da Engenharia Militar, destacando-se: A transposição de um vão, utilizando a Viatura Blindada de Lançamento de Ponta, com posterior abertura de brecha manual e explosiva, executada por duas Secções de Sapadores de Engenharia de Combate da Companhia de Engenharia da Brigada Mecanizada; o reconhecimento de indícios de contaminação bioquimica e a descontaminação do pessoal e equipamento por militares da Companhia de Defesa NBQ, que fazem parte do recentemente criado Elemento de Defesa BQ (para fazer face a ameaças terroristas em território nacional); a montagem de um Pontão de Alumínio M4T6, de elementos das pontes de apoios fixos Treadway, Bailey e Mabey e a operação de meios da ponte de apoios flutuantes Ribbon, por militares da Companhia de Pontes; a inactivação de um Engenho Explosivo Improvisado, pelo Grupo de Equipas EOD; a simulação de uma destruição pelo Pelotão de Engenharia/Brigada de Reação Rápida. As comemorações permitiram assim transmitir uma perspectiva global das actuais capacidades da Engenharia Militar e do seu carácter inovador. Comemorações do Cerco de Almeida Oconcelho de Almeida comemorou o 199.º aniversário do Cerco de Almeida no dia 30 de Agosto de 2009, contando com a participação do Exército Português em alguns eventos, presididos pelo Major-General Adelino de Matos Coelho, Director da História e Cultura Militar (DHCM). A evocação histórica do cerco da vila, verificado durante as Invasões Francesas, contemplou no seu programa a Recriação Histórica do mesmo, que começou no dia 28 de Agosto e culminou a 30 de Agosto, com a recriação da queda da fortaleza, o assalto final e a conquista da fortaleza por parte das tropas francesas sob o comando de Massena. O fogo lançado pelas baterias de artilharia francesas marcaram o dia 26 de Agosto de 1810, provocando a fatídica explosão do castelo, após o paiol ter sido atingido e causado a destruição do Castelo. O Exército Português marcou presença pelas 09h00 na Cerimónia oficial de hastear bandeiras na Câmara Municipal, seguindo para o castelo onde depositou uma coroa de flores na Cerimónia de Homenagem aos Mortos do Cerco de Almeida. Para o efeito foi empenhado 1 pelotão e 1 fanfarra, que concluíram, pelas 12h30, a sua participação na Missa de Homenagem às vítimas que decorreu na Igreja Paroquial. 8

6 FIGURAS e FACTOS Curso de Liderança para Jovens Empresários Numa iniciativa conjunta da Academia Militar (AM) e da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), realizou-se, no período de 27 a 31 de Julho de 2009, nas instalações e áreas da AM, do Centro Militar de Educação Física e Desportos (CMEFD), da Escola Prática de Infantaria (EPI) e da Escola de Tropas Pára-quedistas (ETP), a 2.ª edição do Curso de Liderança da ANJE, dirigido aos seus associados. Participaram no Curso 15 jovens empresários, de diferentes sectores empresariais. O Curso de Liderança envolve conteúdos programáticos no âmbito do Comportamento Organizacional, provas de projecto e planeamento, provas de situação, prova de confirmação (liderança), adaptação ao meio ambiente, orientação topográfica, treino físico e desportos. O Curso tem como objectivo desenvolver competências comportamentais, nomeadamente de relacionamento interpessoal, visando a liderança eficaz de equipas, recorrendo a métodos pedagógicos sempre participativos, promovendo Presidiu à cerimónia de encerramento o Chefe do Estadoo culto dos valores e o exemplo da Instituição Militar. Maior do Exército, General José Luís Pinto Ramalho. Apresentação do livro EPA: das origens ao alvorecer do III Milénio OAuditório da Escola Prática de Artilharia (EPA) acolheu a apresentação do livro EPA: das origens ao alvorecer do III Milénio da autoria de Artur A1eixo Pais, no dia 5 de Agosto. A apresentação do livro e o resumo biográfico do autor esteve a cargo do Comandante da EPA, Coronel Maurício Simão Tendeiro Ra1eiras, que usou da palavra após as intervenções do Chefe do Estado-Maior do Exército, General José Luís Pinto Rama1ho que presidiu à cerimónia e do Presidente da Câmara Municipal de Vendas Novas, Dr. José Figueira. A cerimónia contou ainda com a presença de outras Altas Entidades, das quais se destacam o Comandante da lnstrução e Doutrina, Tenente-General António José Maia de Mascarenhas e o General José A1berto Loureiro dos Santos. O livro remonta ao ano de 1728 para contar a história do Palácio mandado construir por D. João V, que, a partir do ano de 1861, se tomou a EPA. Originalmente o Palácio servia de local de pernoita da comitiva real para as deslocações à fronteira do Caia, sendo conhecido como o Palácio das Passagens. Estas deslocações tinham como finalidade o casamento entre príncipes e princesas das coroas portuguesa e espanhola. Já no reinado de D. Pedro V, o Palácio tornar-se-ia a actual EPA e o autor apresenta uma série de eventos relacionados com a Escola e a sua inserção na sociedade que a acolheu. A obra conta ainda com uma nota final que contém uma súmu1a de factos que fundamentam a sua edição e a visão do Comandante da EPA sobre a mesma, assim como um soneto dedicado à EPA, intitu1ado Pelo Bem e Pela Paz de Portugal, da autoria de Jodro, pseudónimo de João Grazina, figura conhecida de Vendas Novas. Artur A1eixo Pais finalizou a cerimónia com uma a1ocução onde agradeceu o apoio prestado pela EPA no acesso à informação, seguindo-se um Porto de Honra e a tradicional sessão de autógrafos. 9

7 FIGURAS e FACTOS Condecoração de Adidos OChefe do Estado-Maior do Exército, General José Luís Pinto Ramalho, condecorou em 15 de Julho, no Estado-Maior do Exército, com a Medalha D. Afonso Henriques 1.ª Classe, o Coronel Waldeísio Ferreira Campos, da Força Aérea Brasileira, Adido do Exército e Aeronáutico, e com a Medalha de Mérito Militar 2.ª Classe, o Tenente-Coronel Javier Gallegos Lorenzana, do Exército Espanhol, Adjunto do Adido de Defesa e Adido do Exército. Estiveram presentes na Cerimónia várias entidades Militares, representantes das respectivas Embaixadas e familiares dos Adidos. Dia da Unidade no Regimento de Transmissões O Regimento de Transmissões recebeu a 17 de Setembro a visita do Comandante Operacional do Exército, Tenente-General Pina Monteiro, para presidir às cerimónias de comemoração do Dia da Unidade. Instituído desde 17 de Setembro de 1873, data em que entrou em funcionamento o Serviço Telegráfico Militar (1.ª rede telegráfica militar), o Regimento de Transmissões adoptou a data por ser o herdeiro natural do referido serviço. Sediado em Lisboa, nas actuais instalações, desde 1977, a Unidade recebeu pelas 10h30 a chegada do Tenente-General Artur Neves Pina Monteiro, recebendo as honras militares à Porta de Armas, na presença do Major-General José Artur Paula Quesada Pastor, Director Honorário da Arma de Transmissões e Director de Comunicações e Sistemas de Informação e pelo Comandante da Unidade, Coronel Nelson Martins Viegas Pires. Após a revista às tropas formadas na Parada, a cerimónia iniciou-se com a entrega do Estandarte Nacional, seguido de um discurso e de uma oração do Capelão Chefe do Exército Cláudio Correia Ferreira em homenagem aos mortos. Seguidamente escutaram-se as palavras do Comandante da Unidade e do Director Honorário da Arma, que salientaram o papel da Arma na actualidade e os seus compromissos e objectivos. De realçar a postura pró-activa que a Arma procura implementar através da aposta nas novas tecnologias, estando em fase de conclusão a aquisição e instalação de novos sistemas e equipamentos de comunicação e dados, segundo o Coronel Viegas Pires. O Tenente-General Pina Monteiro felicitou a Arma de Transmissões pelo excelente desempenho da Companhia no Afeganistão e o valor do trabalho do Regimento na era da guerra da informação. Os presentes assistiram ainda à entrega de medalhas na parada, nomeadamente, medalhas de Serviços Distintos, Mérito Militar 2.ª e 4.ª classe, D. Afonso Henriques 2.ª,3.ª e 4.ª classe, Comportamento Exemplar de grau cobre e prata e Comemorativa de Comissão de Serviços Especiais: Timor, Bósnia e Kosovo. Além das condecorações de cariz militar, a Unidade homenageou um militar pelo seu desempenho académico, com a entrega de um diploma de RVCC, fruto do programa Novas Oportunidades. Após o desfile das forças, seguiu-se uma apresentação no Auditório do Regimento sobre a aplicação de um software informático que permite a confidencialidade e encriptação de mensagens via , revelando a preocupação do Regimento na salvaguarda de informação na era da guerra informática. 10

8 FIGURAS e FACTOS Gripe A motiva palestra pelo Comando de Instrução e Doutrina O Comando de Instrução e Doutrina (CID) em colaboração com o Centro de Saúde de Évora, realizou em 10 de Setembro, uma palestra sobre o Tema Gripe A (H1N1) A 1.ª Pandemia do Séc. XXI, organizada em Évora pela Unidade de Apoio do CID. Esta acção enquadra-se no âmbito das recomendações emanadas pelo Comando do Exército como mais uma forma de controlar o contágio da Gripe A. Assistiram à palestra um elevado número de Oficiais, Sargentos, Praças e Civis que trabalham no CID. Da agenda constaram os seguintes temas: O vírus, A Gripe Sazonal, A Gripe A e A Gripe no Exército. A palestra terminou com algumas reflexões do palestrante e com um período reservado a questões, onde os militares puderam colocar as suas dúvidas. Esta acção, sobre um tema bastante actual, deu a conhecer e alertou para procedimentos a tomar, quer individualmente quer a nível da Cadeia de Comando. Lançamento do segundo livro da Colecção Segurança e Defesa Osegundo livro da Colecção Segurança & Defesa - A Circunstância do Estado Exíguo, da autoria do Professor Doutor Adriano Moreira foi apresentado no passado dia 16 de Setembro, no Instituto de Defesa Nacional em Lisboa, numa sessão que contou com a presença do Ministro da Defesa Nacional, Prof. Doutor Nuno Severiano Teixeira. A apresentação ficou a cargo da Dra. Alice Feiteira, directora da Colecção Segurança & Defesa, e do Prof. Doutor João Carlos Espada. Na sessão estiveram presentes, entre outros, o Secretário de Estado da Defesa Nacional, Dr. João Mira Gomes, o Chefe de Estado-Maior da Armada, Almirante Melo Gomes, o Chefe do Estado-Maior do Exército, General Pinto Ramalho, o General Loureiro dos Santos, o Dr. Figueiredo Lopes, a Dra. Maria Barroso. 11

9 FIGURAS e FACTOS 12 Sintra assiste à Cerimónia comemorativa da Brigada de Reacção Rápida Cerca de 1300 militares participaram em Sintra, a 13 de Setembro de 2009, nas Comemorações do Dia da Brigada de Reacção Rápida (BrigRR), onde demonstraram ao público as suas capacidades militares. Assentando a sua missão na defesa do território nacional, em acções de salvaguarda dos interesses nacionais e na satisfação dos compromissos internacionais assumidos pelo Estado Português, esta unidade operacional do Exército Português remonta às unidades Pára-quedistas que existiram no passado e que foram reorganizadas após a Guerra Colonial. Actualmente, a BrigRR, criada em 1 de Janeiro de 2006, é comandada pelo Major-General Raul Luís de Morais Lima Ferreira da Cunha e é constituída por: 1.º Batalhão de Infantaria Pára-quedista (1.º BIPara), do Regimento de Infantaria N.º15; 2.º Batalhão de Infantaria Pára-quedista (2.º BIPara), do Regimento de Infantaria N.º10; Força de Operações Especiais do Centro de Tropas de Operações Especiais; Batalhão de Comandos, do Centro de Tropas Comandos; Esquadrão de Reconhecimento (ERec), do Regimento de Cavalaria N.º3; Batalhão de Apoio Aeroterrestre (BAAT), da Escola de Tropas Pára-quedistas; Companhia de Transmissões (CTm) e o Grupo de Helicópteros do Exército, da Unidade de Aviação Ligeira do Exército; Bateria de Defesa Aérea, do Regimento de Artilharia Anti-Aérea N.º1, Companhia de Engenharia da Escola Prática de Engenharia e um Grupo de Campanha do RA4, sedeado na BrigRR. A vila de Sintra assistiu, então, a uma demonstração das capacidades operacionais da BrigRR, que, de forma activa, promoveu a imagem e os valores do Exército junto da população civil. Acção que também teve como finalidade iniciar um ciclo de demonstrações ao público em geral em cidades/vilas onde se encontram sediadas Unidades da Brigada. As comemorações iniciaram-se pelas 09h30 na Igreja de São Martinho, onde teve lugar a cerimónia eclesiástica, à qual assistiu um grande número de elementos do Exército, assim como da população civil. Seguidamente, assistiu-se à Parada Militar, pelas 11h00, no Parque da Liberdade/Volta do Duche, onde as forças formaram perante uma plateia de altas entidades militares e civis, de entre as quais se salientava a presença do General Chefe Estado Maior do Exército, José Luís Pinto Ramalho e do Presidente da Câmara Municipal de Sintra, Dr. Fernando Seara. No seu discurso, o Comandante da BrigRR dirigiu-se primeiramente ao General CEME, ao Presidente da Câmara de Sintra, ao Tenente-General Artur Neves Pina Monteiro e ao General João de Almeida, agradecendo as suas presenças, a confiança em si depositada para presidir ao dia da BrigRR e, em particular, à Câmara Municipal de Sintra pela cedência dos espaços nobres para a realização da cerimónia. O seu discurso prosseguiu, efectuando uma resenha histórica sobre a BrigRR, percorrendo todo o seu historial, assim como a missão e objectivos da Brigada e acções de destaque nas quais tem participado. A mensagem do General CEME enalteceu o papel da BrigRR, salientando que esta constitui-se como uma Unidade de referência no seio da nossas Forças Armadas, não só pelas suas características intrínsecas, grande motivação e elevada preparação do seu pessoal, mas particularmente pelo espírito próprio e pela sua alta prontidão e eficácia demonstradas no cumprimento de inúmeras missões, muitas das quais na satisfação dos compromissos internacionais que Portugal assumiu junto dos seus aliados. Após o período reservado aos discursos, assistiu-se à entrega do Estandarte Nacional ao Coronel Correia da BrigRR, assim como a condecoração de vários Oficiais, Sargentos e Praças pertencentes à Brigada. A Parada Militar terminou com o desfile de uma representação de todas as subunidades que compoem a brigada, bem como de alguns meios que a equipam. O Largo do Palácio Nacional de Sintra, onde estava patente ao público uma exposição estática com equipamentos da Brigada, foi o local escolhido para terminar as comemorações, com uma demonstração de saltos em queda livre pela Equipa de Pára-quedistas do Exército os Falcões Negros.

10 FIGURAS e FACTOS Exercícios Finais Da Academia Militar 2009 Inserido no planeamento de actividades para o ano lectivo 2008/2009, realizaram-se em Santa Margarida, entre 1 e 10 de Julho de 2009, os Exercícios Finais da Academia Militar. De 1 a 5 de Julho, com o Corpo de Alunos constituído em Destacamento da Academia Militar em Exercícios no Quartel da Pucariça, decorreu um bloco de Formação Militar e o Exercício TIGRE, compreendendo entre outros, a execução de marchas, pistas de combate e patrulhamentos nos limites do campo militar e áreas circundantes, que visaram a aplicação dos conhecimentos técnicos apreendidos ao longo do ano no âmbito da Formação Geral Militar. De 6 a 10 Julho teve lugar o Exercício LEÃO 2009, com a finalidade de propiciar aos cadetes do Exército e da Guarda Nacional Republicana, a exercitação das técnicas, tácticas e procedimentos essenciais, próprios de cada Arma e Serviço, adquiridos no decurso do ano escolar e cuja prática não foi possível em aquartelamento, nomeadamente os saberes que se inserem no âmbito do Departamento de Ciências e Tecnologias Militares. Para o efeito, foi proporcionado aos alunos, numa fase inicial, o contacto in loco com as unidades de manobra, de apoio de combate e de serviços da Brigada Mecanizada, a oportunidade de se inteirarem da respectiva organização e missões, de se identificarem com o elemento humano bem como com os diversos equipamentos, plataformas e sistemas de armas que guarnecem aquela GU, cujo Comando prontamente dispôs a pedido da Academia Militar, com vista a contribuir para a sedimentação de conhecimentos e a valorização formativa do Cadete. Posteriormente, os alunos tiveram ensejo de participar num Actividade operacional do Regimento de Guarnição n.º 1 Exercício Táctico Integrado (LIVEX), de escalão companhia, no desempenho de diversas funções ao nível das subunidades elementares de manobra e dos módulos de apoio, tendo praticado os procedimentos de Comando e a conduta das operações militares de baixo escalão, em ambiente de guerra convencional. A culminar o exercício LEÃO 2009, o Distinguished Visitors Day (DVD), em 9 de Julho, teve oportunidade de apresentar aos convidados presentes demonstrações bem elucidativas, tanto de uma força de escalão subgrupamento na condução de um ataque deliberado executado pelos alunos do Exército, como de variadas acções militares e técnicas policiais a cargo dos alunos da GNR. Os dois exercícios do encargo operacional do Regimento de Guarnição n.º 1 (RG1) METROSÍDERO 091 e 092 decorreram este ano, respectivamente, nas ilhas das Flores e Graciosa, com objectivos semelhantes: treinar a projecção e retracção de forças para as ilhas da área de responsabilidade do RG1 (os Grupos Central e Ocidental); familiarizar os militares com possíveis áreas de actuação; identificar pontos e áreas sensíveis e locais para estacionamento de tropas, em caso de necessidade (militar ou humanitária); mostrar a presença do Exército em ilhas onde não existe guarnição militar. O primeiro exercício decorreu em Julho, em simultâneo com o FOCA 091 (conjunto com a Marinha). Foi precedido de uma fase de treino de natação militar e de embarque e desembarque na corveta por bote e rede de abordagem. Os militares foram projectados na corveta João Roby e as viaturas em ferry comercial. Há 9 anos que não se realizava um exercício nas Flores. O segundo exercício decorreu em Setembro. Toda a força foi projectada por meios marítimos comerciais. Durante este exercício realizou-se também, já na Graciosa, o CANÁRIO 093, que consistiu em treino de heli-transporte num Puma da BA4. O último exercício na Graciosa fora realizado há 6 anos. 13

11 FIGURAS e FACTOS Tenente-General João António Pinheiro ( ) Da sua nativa Bragança até Oeiras onde viveu 48 anos, o General João Pinheiro percorreu um caminho árduo e trabalhoso, em que deixou a marca da sua visão, do seu poder de decisão e da sua força de vontade. De 1955 a 59, exerceu intensa actividade pedagógica como professor da Escola do Exército, dos Cursos de Promoção a Oficial Superior e dos Cursos de Estado-Maior. As suas qualidades não passaram despercebidas: em 1962, ainda major, foi chamado para o cargo de Subsecretário do Exército, o primeiro colaborador do Ministro nas vertentes administrativa e logística. Estávamos então em operações em Angola com as unidades a milhares de quilómetros de Lisboa. O rigor na gestão das avultadas verbas necessárias para a expansão do Exército e condução das operações permitiu também a preparação de estruturas de apoio, possibilitando que os abastecimentos, correio e apoio sanitário chegassem onde quer que houvesse soldados. Simultaneamente, João Pinheiro tentou construir um Hospital para os 3 Ramos das Forças Armadas, tão necessário para tratar os doentes e feridos evacuados do Ultramar. Impedido de o fazer pelo Ministro da Defesa, planeou a construção dum Pavilhão da Família Militar no Hospital da Estrela, em substituição do antigo. Depois chamado Casa de Saúde, foi fundamental para o tratamento dos militares e suas famílias. Muitos de nós ainda usamos a Casa de Saúde mas poucos sabem quem a mandou fazer. Entre 1971 e 1973, escolhido pelo General Costa Gomes, então Comandante-Chefe em Angola, o Brigadeiro Pinheiro comandou o Sector de Cabinda simultaneamente com as funções de Governador de Distrito. As coisas estavam mal por lá, devido a erros políticos e promessas não cumpridas. Seis meses depois de tomar posse, tinha acalmado a população e as Tropas Especiais (forças nativas ex-fnla) e posto em marcha um plano de valorização social e económica o Plano Calabube. Foram construídos mais de 300 edifícios essencialmente postos sanitários, enfermarias e escolas. Foram abertas novas estradas, criados campos de desporto e electrificadas povoações. Enfim, a paz voltou ao território. Tem interesse notar que, 25 anos depois da independência de Angola, um regedor de Cabinda referindo-se ao Plano Calabube afirmou ser o mais promissor e inventivo programa da administração colonial portuguesa em Cabinda. Regressado à Metrópole, o Brigadeiro Pinheiro serviu em vários lugares até que, após o golpe militar de 25 de Abril de 1974, foi nomeado Adjunto do Chefe do Estado- Maior General das Forças Armadas. A situação era tal que chegou a exercer a direcção de 7 organismos diferentes integrados ou ligados ao Estado-Maior. Ao fim de 16 meses, esgotado fisicamente e desgostoso com a situação das Forças Armadas, pediu a passagem à reserva. Felizmente para todos, só o deixaram descansar um ano. Em 1976, o General Eanes, Chefe do Estado- Maior General das Forças Armadas, chamou-o para Presidente dos Serviços Sociais das Forças Armadas com a missão de fazer deles uma instituição eficiente. Teve então ocasião de realizar a obra da sua vida, como uma vez referiu. Sempre interessado nos problemas dos mais velhos e no apoio aos deficientes e aos mais fracos, o General Pinheiro deitou as mãos à obra e, mais uma vez, demonstrou a sua enorme capacidade de realizar. Após cerca de 70 reuniões em comandos e unidades militares para ouvir as pessoas e de várias visitas a estabelecimentos de saúde em Paris, concebeu a construção de complexos sociais polivalentes para apoio à 3ª idade. Conseguiu um plano financeiro para obter as verbas necessárias sem penalizar os orçamentos militares. O primeiro começou a ser construído em Oeiras em Em meados da década de 90 estavam prontos 6 dos 7 edifícios planeados. O que foi feito ultrapassou as expectativas iniciais. O General Eanes salientou-o numa carta de 1990: A realidade da sua obra excede em muito a imagem que dela construíra. Um pequeno episódio, sucedido há anos revela a dimensão da obra. Um General canadiano em serviço na OTAN veio a Portugal e levei-o a ver o Complexo de Oeiras. Espantado, disseme: Não compreendo como sendo Portugal um país considerado pobre tem uma obra destas de apoio aos veteranos, e sendo o Canadá um país rico, não tem. Respondi-lhe: Arranjem um General Pinheiro lá no Canadá. Renato F. Marques Pinto Major-General TABELA DE PREÇOS PARA 2009 PREÇO DE CAPA 2,00 ASSINATURA ANUAL (11 números) VIA SUPERFÍCIE - Portugal Cont. Madeira e Açores VIA AÉREA - Países europeus 45,00; Restantes Países 65,00 NOTA: As assinaturas devem ser pagas antecipadamente NÚMEROS ATRASADOS a ,00; 1970 a ,00; 1980 a ,00; 1990 a ,50; 2002 a ,00 Os preços incluem IVA à taxa de 5% N.B.: Os pedidos de envio pelos CTT serão acrescidos de portes segundo os códigos postais: 1000/2000 4,21; 3000/8000 5,79; Açores e Madeira 6,56. 14

12 FIGURAS e FACTOS Assinatura de Protocolo entre Exército Português e a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa Tendo em vista proporcionar aos militares do Exército que prestam serviço na dependência da Direcção de História e Cultura Militar (DHCM), ou que estejam interessados em ali vir a desempenhar funções, a possibilidade de obterem formação específica nas áreas de arquivística, biblioteconomia e museologia, foi assinado, em 30 Julho, um protocolo de colaboração entre o Exército Português e a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. O protocolo possibilita a frequência de cursos de mestrado, nas áreas de conhecimento acima mencionadas. A assinatura do protocolo teve lugar na DHCM, pelo seu Director, Major-General Adelino Matos Coelho, cujos poderes de representação foram conferidos por despacho do Chefe do Estado-Maior do Exército, e pelo Director da FCSH/UNL, Professor Doutor João Sàágua. 15

13 Coronel António José Pereira da Costa* 16 Guerra subversiva é uma luta conduzida no interior de um território, por uma parte dos seus habitantes, ajudados e reforçados ou não do exterior, contra as autoridades de direito ou de facto estabelecidas, com a finalidade de lhes retirar o controlo desse território ou, pelo menos, de paralisar a sua acção. (in O Exército na Guerra Subversiva 1 ) Apropósito do programa passado na RTP, com o título deste artigo ocorreu-me a realização de uma análise de certas características das Campanhas de África Não considero uma questão crucial o nome que se deu à guerra. Colonial, para os que não a apoiavam e contestavam, do Ultramar, para os que a aceitavam e pareciam fazê-la com certo empenho, de África, para os que, hoje, pretendem criar um meiotermo sem hostilizar ninguém, cada um poderá dar-lhe o nome que quiser, sendo certo que o fenómeno de que falamos é o mesmo. A designação que acima uso está relacionada com aquilo que entendo que ela foi de facto: um prolongamento da instabilidade que sempre terá caracterizado o ultramar português (províncias ou colónias) e, porventura as possessões de todos os outros países europeus. A expressão Campanhas de África pretende apenas distingui-las das campanhas que tiveram lugar no fim do Séc. XIX e início do Séc. XX. Relembro que, sabendo do que se fala, o nome não acrescenta nem diminui nada às características de qualquer fenómeno histórico. Não consta que, alguma vez, os dirigentes políticos ou militares que se decidiram pela realização de uma qualquer guerra, tenham perdido o sono a pensar no nome que lhe

14 dariam ou no nome com que ela iria passar à História. Resolvida a questão do nome da guerra, passaria a dar o meu contributo para analisar o que ela foi na sua essência. Para tal, socorrer-me-ia da definição de Guerra Subversiva, que o Exército Português adoptou na altura e que ainda hoje se mantém plenamente aplicável. Começo por considerar muito relevante que, de acordo com a definição regulamentar, a Guerra Subversiva é uma luta, quando, como o nome indica, seria normal que fosse apontada como um tipo de guerra, como vários há, e que o manual, poucas páginas à frente, se apressa a enumerar e a caracterizar sumariamente. O recurso ao dicionário permitirá verificar a diferença subtil, mas clara, entre um termo e outro. Na nossa História, até se registam as Lutas Liberais, uma feroz guerra civil em cuja designação a palavra luta aparece no plural. É muito provável que, quem estabeleceu a definição, quisesse sublinhar, logo à partida, uma das características da guerra subversiva, situando-a fora da área da guerra entendida como choque entre países ou alianças, através dos respectivos exércitos, colocando-a antes na área da luta política e social, logo por inteiro, no campo da sociologia. Como aspecto lateral, lembremos que os países que obtiveram a sua independência através de uma guerra subversiva falam muitas vezes de uma Luta de Libertação. Depois, detenhamo-nos na afirmação redundante de que é uma luta conduzida no interior de um território. Era de calcular que assim fosse. Efectivamente, todas as lutas ou guerras terão forçosamente lugar no interior de um dado território, mais ou menos extenso. Não será mesmo possível que possam ter lugar no exterior de um território sem certamente caírem dentro de um outro, contíguo ou mais ou menos próximo... Uma guerra pode conter várias batalhas, que podem ter lugar no ar, na terra e no mar, mas a condução de uma luta no exterior de um território determinará sempre que seja levada a cabo no interior de um outro território. A definição começa a tornar-se mais clara e especificamente determinante quando declara quem são os contendores: uma parte dos (...) seus habitantes (do território) e as autoridades de direito ou de facto estabelecidas (no território). O facto de habitantes que desencadeiam a luta poderem ser ajudados e reforçados, ou não, do exterior pode influenciar a conduta e determinar um êxito mais fácil, mas não será, por si só, condição de sucesso. É óbvio que, em princípio, o apoio exterior será um catalisador do êxito, especialmente na actual conjuntura, mas é possível encontrar na História, casos em que aquela ajuda e apoio foram pouco consistentes e a vontade da população acabou por se impor à das autoridades. Realcemos que o definidor não diz que é uma luta entre duas facções da população, nem entre dois exércitos. Atentemos agora no objectivo da luta. Segundo a definição, as forças insurrectas têm como a finalidade (...) retirar o controlo desse território às autoridades de direito ou de facto constituídas ou, pelo menos, (...) paralisar a sua acção. Daqui podemos concluir que, por um lado a simples paralisia da acção das autoridades concede a vitória à subversão e, por outro, a derrota daquelas materializa-se inapelavelmente na perda de controlo do território, a favor da parte da população que conduziu a luta. Ao termo subversivo, pouco utilizado até então, passou, a partir da altura em que a guerra teve início, a ser emprestado um significado pejorativo, mesmo ofensivo, que não corresponde ao seu 17

15 18 verdadeiro sentido. Efectivamente, este termo não envolve, em si qualquer juízo ético ou moral 2 e pode ser aplicado noutros contextos que não a guerra, como sejam a filosofia ou a arte, quando se pretende falar de um alteração drástica com o que se vinha praticando ou uma contestação crítica (não obrigatoriamente pela negativa) às regras observadas do antecedente. Sabemos também que a guerra subversiva traduz e representa sempre uma crise de legitimidade política no território em apreço 3. Estamos, de facto, numa situação em que um grupo activo no interior da sociedade conseguiu certamente apresentando razões lógicas e válidas influenciar uma larga massa da população e levá-la a contestar as autoridades, em defesa dos seus interesses (antagónicos e inconciliáveis com os das autoridades), pelo menos, numa primeira fase. Esgotada a possibilidade de uma conciliação, é sabido que a luta prossegue, numa escalada de violência, cujo fim é, normalmente, favorável à subversão. Analisada a definição de guerra subversiva, ainda hoje em vigor e com aplicação em alguns teatros de operações actuais, prossigamos na análise dos acontecimentos na Guiné, Angola e Moçambique, entre 1961 e 1974, tendo sempre como referência aquela definição. Comecemos por recordar que uma guerra só surge quando há condições para tal e que, sucintamente, podemos dizer que essas condições decorrem de causas de ordem económica, social, religiosa ou político-ideológica e que só é possível fazer com que uma dada população aceite participar em acções bélicas, organizadas e constantes, se lhe for previamente criada a necessária disposição anímica (e até necessidade) para tal. Por outras palavras: há que criar uma certa agressividade, pelo menos num dos beligerantes que o leve a reconhecer o inimigo e a estar convicto de que a razão lhe assiste. É de excluir, à partida, a possibilidade de se desencadearem acções violentas só pelo facto de um dado país ou facção dispor de forças armadas de certa capacidade bélica. Não é possível fazer surgir uma guerra do nada, quase por geração espontânea, como, muitas vezes nos querem fazer crer, com causas pouco claras, mas muito apregoadas, como sejam: a infiltração de elementos agitadores, as ameaças sobre a população que, assim, será obrigada a combater, o carisma dos chefes, variável, vago e momentâneo, etc.. Salientemos que os agitadores só têm conseguido actuar se explorarem o descontentamento (bem palpável) da população e que o carisma é algo indefinido, inexplicável, mas que todos parecem saber o que seja e como se manifesta... Desenho de A. de Bar As guerras podem decretar-se, mas não se improvisam É nossa opinião de que, no caso do ultramar português, o caldo de cultura para uma guerra subversiva vinha sendo criado há séculos. Efectivamente, a colonização europeia foi sempre feita mais na mira da exploração dos recursos locais, que tanto podiam ser matérias-primas ou pedras preciosas, madeiras ou produtos da terra, como recursos humanos, (leia-se escravos) do que com intuitos de expansão civilizacional. Era a mentalidade do tempo e Portugal não teria de fazer excepção. A História é eloquente na demonstração desta verdade e, mesmo a Igreja, a quem tocaria a conquista de novas almas para a cristandade, salvo excepções, como a do Padre António Vieira, nunca se opôs fortemente à situação de exploração que se vivia nas colónias, nem teria condições para tal 4. Por outro lado, um país, como o nosso, pequeno e com pouca capacidade para se impor, não poderia ocupar grandes áreas do continente africano. Restava-lhe fixar-se em locais onde as condições de vida e de defesa fossem mais favoráveis, procurando relacionar-se de forma mais ou menos hábil com os habitantes das redondezas para obter vantagens comerciais. Foi o que sucedeu (por exemplo) em Angola, com a fundação de Luanda (em 1576), mesmo assim a ocorrer 92 anos após a chegada de Diogo Cão à foz do rio Zaire. De uma forma simplista, mas que traduz o que se passou, podemos dizer que Vila de S. Paulo de Luanda.

16 João Teixeira Pinto, Carlos Fortunato, historiaguine.com Mesmo a acção repressiva de Teixeira Pinto foi conduzida com bastantes dificuldades e com baixas muito consideráveis a Europa só acordou verdadeiramente para a África, por alturas da Conferência de Berlim (1884), quando retalhou aquele continente, através de convenções e com critérios aos quais só poderemos chamar discutíveis. E não se pode dizer que fosse cedo... Só para se aquilatar da situação que se viveria nas colónias portuguesas em África, procuremos determinar por que seria que a Corte portuguesa, em 1807, não fugiu para Cabo Verde, Guiné, S. Tomé ou até Angola (cuja colonização efectiva só começou após a independência do Brasil) já que seriam territórios completamente fora do alcance de Napoleão. É notório que estas possessões ultramarinas, embora mais próximas de Lisboa, não eram destinos possíveis para uma Corte em fuga, acompanhada por alguns milhares de nobres, funcionários e apoiantes. A ocupação dos territórios africanos estaria numa fase de tal modo embrionária que a escassez de recursos locais e a insegurança levaram a que a possibilidade de a Corte ali se instalar nem sequer tivesse sido equacionada. Fazendo o tempo avançar um pouco, recordemos que, só na Guiné, entre 1891 e 1912, tiveram lugar 11 sublevações populares, quase todas a distâncias relativamente curtas de Bissau, muitas das quais reprimidas com grande violência e nem sempre com os melhores resultados para as forças da ordem. Houve mesmo casos que se saldaram por derrotas muito pesadas, como foi o sucedido em 1891, na Ilha de Bissau (Região dos Papéis), e ocorrido em 1897, no Oio. Mesmo a acção repressiva de Teixeira Pinto, entre 1912 e 1915, a mais conhecida de todas, e a que parece ter sido mais eficaz, foi conduzida com bastantes dificuldades e com baixas muito consideráveis. Ter-se-á então verificado uma certa acalmia nas relações entre as populações locais e as autoridades coloniais, mas data de uma revolta dos Papéis e Mancanhas em Bissau, que terá sido a última sublevação antes de Pidjiguiti (Agosto de 1959), esta tendo por pano de fundo um conflito laboral. Relativamente às outras nem sequer sabemos que causas tiveram. Nas restantes possessões o ambiente seria certamente próximo do da Guiné. As populações locais nunca aceitaram bem o domínio das autoridades portuguesas e as relações entre os colonos chegados da Metrópole ou os seus descendentes e as populações autóctones nunca foram pacíficas. Na melhor das hipóteses, revestiam relações de trabalho que, por vezes, se aproximavam das relações de produção da Idade Média. Procurando explorar o descontentamento das populações das colónias portuguesas, é também conhecida a acção das autoridades coloniais dos países limítrofes, no âmbito da aplicação das fronteiras da Conferência de Berlim que, quando a influência sub-reptícia não resultava, recorriam a acções de força a nível local ou à pressão diplomática, como sucedeu com o Ultimatum Britânico, no fundo um outro tipo de acção de força. Está, portanto, claramente demonstrado que as colónias/províncias ultramarinas de Portugal viveram sempre um ambiente de instabilidade larvar que se manifestou noutras ocasiões e locais como em Batejá, (S. Tomé, Fevereiro de 1953). Esta última sublevação, também de raiz laboral e sem grandes possibilidades de êxito é o paradigma daquilo que vimos demonstrando: que a ocupação de África pelos Portugueses (e não só) não foi um fenómeno pacífico e bem aceite pelas populações locais, as quais, 19

17 20 mesmo em períodos de paz social, reprimiam sempre uma dose residual de descontentamento e antagonismo relativamente à administração colonial e a quem a praticava ou impunha. Foi assim até ao final da II Guerra Mundial. A partir daí, já é conhecido com precisão e não deixa margem para dúvidas o trajecto político da África até ao final dos anos 50 e início dos anos 60 do Séc. XX. Por razões já inventariadas, as populações das colónias espalhadas pela Ásia, África e Oceânia iniciaram um processo de contestação às respectivas administrações coloniais e as independências sucederam-se a um ritmo que rapidamente influenciou o sentido das votações do Assembleia Geral da ONU. Em África, num processo mais ou menos rápido e pacífico (a Argélia foi excepção, mas só durante algum tempo) a independência alastrou, de tal sorte que, apenas o Marrocos Espanhol e as colónias portuguesas não se tornaram independentes com uma administração exercida pelas populações locais. Curiosamente, os países que iam surgindo guardavam as fronteiras da Conferência de Berlim, talvez por não terem a sua identidade bem definida e não estarem em condições de o fazer, sem que isso provocasse um ambiente de guerra generalizado, sempre que os limites entre as áreas habitadas pelos diferentes grupos étnicos não coincidissem com as fronteiras impostas pela Conferência. Só a África do Sul, governada por uma administração com base na população branca minoritária e a Rodésia procuravam seguir um caminho oposto, com pouco êxito, como sabemos. Neste ambiente internacional quer consideremos apenas a África quer o mundo, na sua globalidade a posição política da administração portuguesa era absolutamente insustentável. Se dúvidas houvesse, esta situação de insustentabilidade ficaria claramente demonstrada com a invasão de Goa, Damão e Diu (Dezembro de 1961), pela União Indiana, levada a cabo sem que comunidade internacional tivesse tomado qualquer atitude consequente antes da sua materialização. Claro que depois dela já não haveria qualquer campo político para que as forças invasoras retirassem e o território voltasse à posse de Portugal. Teria sido bom que as autoridades portuguesas tivessem tirado as devidas conclusões no que toca ao peso e influência do País na comunidade internacional. No que respeita às três colónias inseridas na massa continental africana, havia ainda a considerar a existência do elemento catalisador (apoio externo) que era facilmente actuante e eficaz e, frequentemente, determinante nos êxitos da subversão. Temos, portanto, três territórios africanos onde a paz social nunca foi um facto adquirido e a luta de blogueforanadaevaotres.blogspot.com Observemos ainda, que a descontinuidade territorial que o país apresentava pesava fortemente na situação políticosocial de cada parcela classes tinha todas as razões para proliferar, a serem atingidos pelas novas ideias separatistas e independentistas, em expansão, por todo o mundo. Se às condições enunciadas juntarmos o racismo, sempre pronto a emergir nas sociedades africanas, temos a mistura explosiva para o eclodir da insurreição. Lembremo-nos de que, se é um facto que a existência de condições nem sempre arrasta a ocorrência de uma sublevação, é verdade que as sublevações necessitam sempre de condições para eclodirem e progredirem. Havia assim condições óptimas para que a subversão germinasse. Observemos ainda, que a descontinuidade territorial que o país apresentava (entendendo-se Portugal como um todo constituído por vários

18 territórios dispersos pelo mundo, sob uma mesma administração) pesava fortemente na situação político-social de cada parcela. É esta descontinuidade territorial do país que permite a mobilização maciça e pouco contestada de um sempre crescente número de unidades militares, na Metrópole (onde o potencial humano era maior e as condições sociopolíticas o permitiam) lançadas, depois, nas colónias em apoio da política do governo. A descontinuidade territorial determinou também que, após o desencadear da luta, a diferente situação militar e sociopolítica nas parcelas atingidas pela subversão tenha assumido também rapidamente diferentes características em cada uma e mesmo em certas regiões de cada colónia/província. A insurreição rebentou de forma muito violenta selvática mesmo e a resposta da administração central foi tão rápida e violenta quanto possível, naquele tempo. Se, inicialmente, os meios militares da subversão eram incipientes, a curto prazo, a utilização de todo o armamento ligeiro e pesado de Infantaria, por parte da guerrilha, permitiu uma melhor relação das forças em presença. De um lado grupos de cidadãos (camponeses-guerrilheiros), procurando bloquear a acção das autoridades constituídas, do outro as Forças Armadas Portuguesas, a procurar reverter a situação a favor daquelas. Mesmo salvaguardando as especificidades dos três teatros de operações é claro que, ao longo dos 13 anos que a guerra durou, a guerrilha foi sempre melhorando o seu potencial de combate, enquanto as Forças Armadas mantiveram o seu, mais ou menos imutável. Houve até casos de superioridade a favor da guerrilha momentâneos ou mais duradouros, locais ou mesmo regionais que se materializaram em situações muito delicadas, com perdas consideráveis para as Forças Armadas. Passado o primeiro embate, é um facto que, talvez por razões económicas, nunca houve um esforço que levasse a que fosse possível recuperar a situação favorável do potencial relativo de combate das forças em presença, antes pelo contrário, como foi o caso da Guiné, onde a ameaça antiaérea obrigou a reduzir substancialmente o apoio aéreo que muitas vezes resolvia a situação táctica que se vivia no terreno e o "empréstimo" de artilharia de campanha por parte da República da Guiné ao PAIGC, permitiu criar uma situação de superioridade pontual na fronteira Sul. Por outro lado, nunca houve uma grande passagem brusca ou gradual das populações do controlo da guerrilha para o das autoridades. E, numa guerra como esta, o que está em jogo é a população, (simultaneamente objectivo da luta e meio onde ela se desenrola) que é necessário cativar ou manter sob controlo autoconsentido e apoiante da administração. É também certo que a reacção da administração colonial foi tardia e que se processou já com a 2.ª fase da subversão muito avançada, à luz da doutrina que o Exército Português utilizava, o que comprometeu a possibilidade de uma vitória militar. Sabemos hoje que o governo português sempre subestimou as capacidades da parte contrária, num autoconvencimento por si mesmo forjado, que o impedia de reconhecer que havia razões, principalmente de carácter social e político, para o eclodir de movimentos sociais e de que a repressão destes já não resolveria todos problemas (como sucedera(?) no passado), antes pelo contrário. Ao fim de treze anos de luta ou guerra como se lhe queira chamar a situação piorava e, no caso da Guiné, apresentava sinais preocupantes de desenlace muito dramático. A subversão foi capaz de isolar e pressionar duas posições de nível companhia, forçando ao abandono de uma e sendo contrabatida, com bastante dificuldade na outra, para além de ter conseguido suster uma ofensiva das Forças Portuguesas, realizada numa escala considerável, no Sul da província. Não ignoremos que, se um colapso viesse a suceder na Guiné, seguir-se-ia, sem dúvida, um efeito de dominó que arrastaria, num período mais ou menos curto, a derrota militar em Angola e Moçambique, com consequências que hoje nem podemos imaginar, mas que, certamente seriam gravíssimas. Seria possível uma retirada de mais de homens, acompanhados do respectivo material, sob pressão do inimigo e com uma linha de comunicações de km (cinco dias por via marítima e quatro horas por via aérea), mesmo recorrendo a um apoio intermédio em CaboVerde? Quais seriam as suas possíveis consequências? E depois de uma derrota na Guiné, como seria o cenário na Metrópole, em Angola e em Moçambique? Há outros fenómenos a referir que têm que ver com a reacção da população da metrópole a uma guerra tão prolongada a sem resultados decisivos à vista. De começo, as unidades iam fortemente moralizadas e cada militar mobilizado aceitava a sua tarefa como imperativo patriótico. Porém, o aumento do número de unidades mobilizadas (que cresceu sempre até surgirem indícios de exaustão do potencial humano) dava a indicação de que o conflito não tinha resolução próxima e foi desgastando ânimo da população. Os militares regressados e desmobilizados foram exercendo um efeito negativo na mentalização dos que se lhes seguiram, como se dispersassem um vírus de desconfiança. Por outro lado, os dirigentes políticos, marcados por desprestígio latente, não conseguiam fazer passar a mensagem da necessidade de manter a guerra 21

19 Foto: arquivo JE A manobra de conquista do apoio da população não produziu efeitos decisivos que seriam necessários para anular as intenções da subversão 22 e a vida diária na Metrópole, com o seu funcionamento normal, mais inserido na Europa, onde o número de emigrantes não cessava de aumentar, levava a que os que regressavam não fossem recebidos como alguém que vem de fazer algo de válido e necessário, mas sim com uma indiferença que às vezes atingia o desprezo. A guerra tornou-se uma rotina, uma aborrecida rotina, um esforço que era obrigatório que não necessário fazer, embora já não se soubesse bem porquê. A delapidar de recursos financeiros numa altura em que a Europa se estava a lançar numa etapa de desenvolvimento, causava apreensão, mas o esforço económico e financeiro a que a guerra obrigava, não conduzia a uma superioridade clara das Forças Armadas sobre a guerrilha, embora as despesas com a guerra tenham atingido percentagens elevadas dos recursos financeiros do País. O tempo trabalhou a favor da subversão, quando deveria ter sido utilizado a favor da contra-subversão. Muito provavelmente não terá sido o tempo ou o uso que dele se fez que ditou o resultado neste aspecto, mas antes o falhanço completo em manter a mobilização inicial das retaguardas, demasiado distanciadas do teatro dos acontecimentos, quer se meça a distância real e física, quer se considere o seu sentir e a disposição anímico-ideológica para apoiar a guerra. Este falhanço verificou-se também nas Províncias Ultramarinas. Tanto nas que, pela sua maior extensão, permitiam um grande alheamento e até desconfiança das populações dos grandes centros cosmopolitas, relativamente ao que sucedia nas zonas onde a guerrilha estava activa; como das populações daquelas áreas que, dia após dia e ano após ano, eram confrontadas com a subversão e obrigadas a viver com ela e não viam uma alteração clara da situação no sentido que as autoridades diziam pretender obtê-lo. Estes aspectos do problema reforçam a ideia da incapacidade do governo para mobilizar vontades para a sua causa. Esta incapacidade tendia a acentuar-se com tempo e só um milagre na política internacional poderia retirar as diversas formas de apoio exterior à guerrilha. Uma análise fria da realidade teria permitido tirar as devidas conclusões sobre as reais consequências do prolongamento de uma situação política que se tornava, cada vez, mais um marasmo. Em resumo, podemos afirmar que a subversão essencialmente uma forma de luta política e social surgiu na África portuguesa quando tinha todas as condições políticas e sociais (que se vinham acumulando, há muito), para vingar e dispunha também de boas condições para se expandir, quer a nível local, quer a nível internacional. Deveria ter sido contrariada com oportunidade, o que exigiria prever (antecipadamente, com humildade e realismo), antes de prover (tarde e com grande sacrifício das pessoas e esforço económico-financeiro). Além disso, a violência utilizada contra a subversão revelou-se ineficaz para a contrariar, foi longa e a manobra de

20 conquista do apoio da população (a realizar em simultâneo) não produziu efeitos decisivos que seriam necessários para anular as intenções da subversão. A manobra de conquista e adesão das diferentes retaguardas nos diferentes territórios falhou e, por fim, o esforço económico-financeiro para manter a contra-subversão acabou por se tornar incomportável. Do impossível estratégico que sempre existiu, em última análise caiu-se no impossível táctico. No primeiro dia de Verão de 2008.JE *O Coronel António José Pereira da Costa nasceu em 22 de Junho de Tem o Curso de Artilharia da Academia Militar, tendo ascendido ao actual posto em 1 de Dezembro de Cumpriu duas comissões na Guiné: a primeira entre Janeiro de 1968 e Janeiro 1969; a segunda entre Maio de 1971 e Agosto de Foi delegado de Portugal no Grupo de Trabalho FINABEL MIKE nos anos de 1996 e 1997 e no Army Sub-Group/NATO Training Group durante o ano de É autor do livro A Cidadela de Cascais Pedras Homens e Armas. É o Director da Biblioteca do Exército. 1 O Exército na Guerra Subversiva, Tomo I Generalidades, Ministério do Exército, Estado-Maior do Exército, 28 de Fevereiro de 1963, O. E. N.º 2, 1.ª Série, pág Ver Couto, Abel Cabral, Elementos de Estratégia Apontamentos para um Curso, Vol. 2, 6.ª Parte, pág. 212 e seguintes, Instituto de Altos Estudos Militares, Lisboa, Ver Couto, Abel Cabral, Obra já citada. 4 Só a título de exemplo, no que à região da Guiné diz respeito, veja-se o Tratado Breve dos Rios da Guiné do Cabo Verde desde o rio Sanagá até aos Baixos de Sant'Ana & etc, pelo Capitão André Alves d'almada, 1594, publicado em 1841, por Diogo Köpke capitão da 3ª Secção do Exército e lente da Academia Polytéchnica do Porto, Typographia Comercial Portuense, Largo de S. João Novo n.º 12, Porto. 5 Eventualmente ligada à Revolta da Madeira que teve lugar no mesmo ano. 23

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