ESTUDO PARA REGULARIZAÇÃO DE IMÓVEIS CONSIDERADOS IRREGULARES POR PROBLEMAS NA DOCUMENTAÇÃO DE DOMÍNIO.

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1 UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI LINO TADEU SARTORI ESTUDO PARA REGULARIZAÇÃO DE IMÓVEIS CONSIDERADOS IRREGULARES POR PROBLEMAS NA DOCUMENTAÇÃO DE DOMÍNIO. SÃO PAULO 2006

2 2 LINO TADEU SARTORI ESTUDO PARA REGULARIZAÇÃO DE IMÓVEIS CONSIDERADOS IRREGULARES POR PROBLEMAS NA DOCUMENTAÇÃO DE SUA OCUPAÇÃO. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para a obtenção do título de Graduação do Curso de Engenharia civil com ênfase Ambiental da Universidade Anhembi Morumbi Orientador: Professor Eng. Dr CELIO DARONCHO SÃO PAULO 2006

3 3 LINO TADEU SARTORI ESTUDO PARA REGULARIZAÇÃO DE IMÓVEIS CONSIDERADOS IRREGULARES POR PROBLEMAS NA DOCUMENTAÇÃO DE SUA OCUPAÇÃO. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para a obtenção do título de Graduação do Curso de Engenharia civil com ênfase Ambiental da Universidade Anhembi Morumbi Trabalho em: de de CELIO DARONCHO Nome do professor da banca Comentários:

4 4 AGRADECIMENTO A Deus pela vida Aos meus pais pela formação de minha pessoa Aos colegas do curso pela força e companheirismo Aos meus filhos Ricardo e Fernando, pela ajuda e compreensão de minha ausência. Aos professores pela convivência e compreensão À minha esposa Angela, um obrigado de coração, por ter enfrentado junto, mais esta jornada da minha vida.

5 5 DEDICATÓRIA Este trabalho é dedicado aos muitos velhinhos e famílias, que por diversos anos ficaram a espreita de poder exercer seus direitos reais de titulares absolutos sobre a propriedade, daquilo que passaram boa parte de suas vidas aguardando, realização do sonho de ser detentor de seu imóvel, sua residência.

6 6 RESUMO A presente monografia tem a finalidade de proporcionar ao leitor a possibilidade de regularização de propriedades ocupadas, principalmente aquelas existentes desde o Século XIX nas proximidades de Ferrovias, devido à não obrigatoriedade do registro de propriedade da época e, pelo fato de que os documentos de aquisição dessas transmissões de propriedade correspondiam a Leis Provinciais, propõe-se a regularização, explicitando que o lançamento de tributos municipais e a aprovação do sistema viário sobre glebas caracterizaram as irregularidades, e, juntamente à documentação probatória, possibilitaram a abertura das matrículas e o conseqüente registro das unidades em nome de seu adquirente. Palavras-chave: Propriedades Ocupadas. Ferrovias. Registro de Propriedade.

7 7 ABSTRACT The present monograph has as its finality to offer to his reader the possibility of regularization of occupied properties, mainly those that exist since the XIX Century, close to the railroads, due to no obligatoriness of the property register in that epoch and, because of the fact that the documents of the acquirement of those property transmissions were according to Provincial Laws. We suggest the regularization, explaining that the tax charge in town and the approbation of the transport system on soils characterized what was irregular, and, with the probationary documents, allowed the enrollment opening and the register of the unities in their acquirer name, as consequence. Key Words: Occupied Properties. Railroads, Property Register.

8 8 LISTA DE FIGURAS Figura 5.1: Foto do pátio de manobras da ferrovia Figura 6.1: Foto de uma das unidades residenciais Figura 6.2: Foto com indicação das características do sistema viário Figura 6.3: Foto ilustrativa da rede de esgoto do município Figura 6.4: Foto ilustrativa do sistema de capitação de águas pluviais Figura 8.1: Foto indicativa do local em estudo... 38

9 9 LISTA DE TABELAS Tabela 5.1: Denominação de ferrovias e data de Inauguração...21 Tabela 5.2: Extensão das maiores ferrovias...22

10 10 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CRI CM EFA EFS EFSPM FEPASA Cartório de Registro de Imóveis Companhia Mogiana de Estrada de Ferro Estrada de Ferro Araraquarense Estrada de Ferro Sorocabana Estrada de Ferro São Paulo Minas Ferrovia Paulista S/A GROPROHAB Grupo de Analise e Aprovação de Projetos Habitacionais IPTU RFFSA Imposto Predial Territorial Urbano Rede Ferroviária Federal S/A

11 11 LISTA DE SÍMBOLOS m 2 Metros Quadrados nº Número

12 12 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO OBJETIVOS Objetivo específico Objetivo geral MÉTODO DE TRABALHO JUSTIFICATIVA FORMAÇÃO DAS FERROVIAS Histórico das ferrovias Histórico das propriedades das ferrovias REGULARIZAÇÃO DE PARCELAM. E OUCPAÇÃO DE IMÓVEL URBANO Descrição primitiva dos imóveis Lei Provincial nº Escritura de compra e venda ( ) Escritura de compra e venda ( ) Situação nos cartórios de registros Descrição atualizada dos imóveis Justificativas judiciais Justificativa da situação física e técnica EMPREENDIMENTOS REGULARIZADOS Regularização do parcelamento ilegal Retificação, fusão e regularização... 36

13 13 8.ESTUDO DE CASO Vila Ferroviária Jundiaí Localização Proprietária Retificação das Matrículas Matrícula nº Matrícula nº Matrícula nº Registro da Regularização Descrição de cada parcela a ser regularizada Descrição de perimétrica dos lotes ANÁLISE FINAL CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS BBIBLIOGRÁFICAS ANEXO 1 Lei Provincial nº ANEXO 2 Escritura de Compra e Venda 7( ) ANEXO 3 - Escritura de Compra e Venda 7( ) ANEXO 4 - Certidão da Transcrição nº ANEXO 5 - Certidão da Transcrição nº ANEXO 6 - Certidão da Transcrição nº ANEXO 7 Certidão da Matrícula nº ANEXO 8 - Certidão da Matrícula nº ANEXO 9 - Certidão da Matrícula nº ANEXO 10 Planta de situação, gleba desmembrada e foto aérea do imóvel. 73

14 14 1 INTRODUÇÃO Os imóveis que formam o patrimônio imobiliário de propriedade da RFFSA - Rede Ferroviária Federal S.A, possuem suas origens em aquisições do século XIX, cujo teor dos documentos, caracterizam a legislação daquela época, os quais necessitam de regularização, para atualizar em função das adaptações das leis, que exigem a transformação dos elementos técnicos, para resguardar e garantir o direito da propriedade Os estudos voltados a regularização dos imóveis de propriedade da RFFSA, cuja regularização dominial, foram e ainda estão sendo executados de forma técnica com composições jurídicas, onde as questões abordadas estão caracterizadas em cada uma das fases, ou etapas de execução. As etapas iniciais consistem em embasamentos extremamente técnicos, fundamentados na legislação vigente, Brasil Federal - Lei 6.667/79 e 6.015/73 e das normas da Corregedoria Pública do Estado de São Paulo, compostos por levantamentos de dados, como os contratos de venda e compra ou outro documento de aquisição, cadastros municipais, situação em que o imóvel está caracterizado junto aos demais órgãos públicos, Cartório de Registro de Imóveis e Prefeituras. Em uma segunda etapa, são definidos os dados de campo através de levantamento topográfico e cadastral, identificação de limites de divisa e ainda dos confrontantes do imóvel como um todo, são considerados os elementos de início dos trabalhos de Regularização de uma propriedade, cuja ocupação se deu através de loteamentos implantados sem a devida aprovação dos órgãos públicos e GRAPHOAB Grupo de Analise e Aprovação de Projetos Habitacionais, e ainda de outros cuja ocupação se da por invasão propriamente dita. Posteriormente são definidas as ações judiciais envolvidas no processo da administração do patrimônio público de um modo geral são relacionadas com as do direito da propriedade, e suas divisas de domínio e posse, fazem parte dos

15 15 procedimentos para a Regularização do imóvel como propriedade, em função da legislação vigente, regulamentados pela Lei de Registros Públicos nº 6.015/73, com suas alterações pelo Brasil Federal -Decreto Lei nº de 22 de agosto de e de parcelamento do solo Lei nº 6.766/79. As ações são caracterizadas em função da situação irregular de cada propriedade, dos limites de domínio e de divisas reais, e podem ser definidas como sendo retificatórias de registro e área, usucapiendas e demarcatórias. Os procedimentos retificatórios, anteriores a publicação do Decreto Lei nº , com relação ao artigo 213 da lei 6.015/73, somente eram possíveis através do judiciário, porém com a nova redação os procedimentos passaram ao âmbito administrativo, cuja responsabilidade é do Engenheiro responsável pela obra e do proprietário. Contudo, os trabalhos desenvolvidos pela RFFSA para a regularização dessas propriedades, baseiam em fatos históricos, uma vez que as ocupações que tratam este trabalho, caracterizam situações de ocupação longeva, cuja ocupação se deu anteriores a própria legislação, tendo em vista, que as aquisições de imóveis pelas ex-ferrovias, são em sua maioria do século passado.

16 16 2 OBJETIVOS Regularizar através de procedimentos técnicos e jurídicos, os imóveis adquiridos e ocupados por terceiros, e que se encontram em propriedade (domínio) da RFFSA Rede Ferroviária Federal S/A, considerando seus aspectos gerais, e adequando em função da legislação e de resoluções os procedimentos para a regularização da propriedade. 2.1 Objetivo Específico Demonstrar que os imóveis considerados clandestinos, definidos como imóveis de ocupação irregular, são passíveis de serem regularizados, através de sua adequação à legislação e procedimentos administrativos junto aos CRI - Cartórios de Registro de Imóveis, e com isso receber os mesmos benefícios que aqueles devidamente reconhecidos e regulamentados pela Brasil Federal Lei 6766/ Objetivo Geral No âmbito das Leis 6.766/79 e 6.015/73, ou no arrepio destas, atribuir aos imóveis ocupados de forma irregular e clandestina, um registro individual, para que com isso o ocupante clandestino, possa obter o registro de sua propriedade, através da Regularização do Empreendimento, junto a Prefeitura Municipal e Cartório de Registro de Imóveis. Direcionar os órgãos públicos para que reconheçam a propriedade como imóvel aprovado, como também fazer das áreas ocupadas com o sistema viário de domínio público.

17 17 3 MÉTODO DE TRABALHO O presente trabalho será definido a partir de pesquisas em documentos referentes as propriedades junto ao CRI Cartório de Registro de Imóveis da circunscrição imobiliária da Comarca ao qual pertence; correspondente a matrículas e ou transcrição¹ de propriedade, e de documentos existentes referente à negociação da parcela ou do lote de terreno adquirido e ocupado irregular, em leis e normas da Corregedoria do Estado de São Paulo, na lei de registro público, com suas alterações, e nas de parcelamento e uso do solo, em livros e obras literárias com fundamentos na legalização de propriedade, em normas técnicas da ABNT, em arquivos de títulos e documentos da RFFSA - Rede Ferroviária Federal S/A, em relatórios e sentenças judiciais dos autos da ação de regularização de imóveis nº nº 11/01 da 1ª Vara Cível da Comarca de Jundiaí, nº 038/04 da 1ª Vara Cível da Comarca de Araraquara e nº 20/98 da 1ª Vara Cível da Comarca de São Roque. 1 Matrícula/Transcrição Número dado ao registro de imóvel, junto ao cartório de Registro de Imóveis, sendo a matrícula implantada a partir da Lei 6015/73.

18 18 4 JUSTIFICATIVA Sabendo-se que há muitos imóveis ocupados irregularmente e que são considerados inexistentes para os órgãos públicos, embora possuam muitas características e elementos daqueles devidamente reconhecidos e registrados, sua regularização é de fundamental importância, pois a eles será dada uma denominação, cuja identificação se dá pelo numero da quadra, numero do lote e setor, situação em relação ao logradouro público e uma matrícula junto ao CRI., de sua circunscrição imobiliária. Adequando assim o referido imóvel ao sistema registral brasileiro, e tornando proprietário o individuo que o mesmo ocupava de forma clandestina e sofridamente, sem que possa usufruir dos benefícios do domínio que a ele são garantidos por lei. Portanto, este trabalho demonstra a situação de propriedades irregulares, cuja alienação constitui tão somente da transmissão da posse real daquilo que se adquiriu de forma contratual e sem a devida transferência de seu domínio, a regularização se faz necessária para a transferência deste domínio dos imóveis, e tem como fundamento a obtenção de seu registro individualizado junto aos CRI e Prefeitura Municipal, como também para a transmissão do imóvel pelos seus adquirentes a terceiros. A regularização da propriedade é feita para fornecer ao adquirente os requisitos legais para o registro de sua propriedade, isto é possível aplicando-se os fundamentos do artigo 213 da lei 6.015/73, artigo 59 da lei /04, a lei 6.766/79 e provimentos da Corregedoria do Estado.

19 19 5 FORMAÇÃO DAS FERROVIAS Fonte: DNIT( 2006 ) As ferrovias no Brasil, foram de fundamental importância para o desenvolvimento do país, pois onde passavam formavam núcleos e vilarejos, onde hoje estão localizadas as grandes cidades. As ferrovias foram surgindo em função das concessões dos governos provinciais, que autorizavam a construção de trechos, com extensão variável, de 100 até 300 quilômetros. Entre 1905 e 1930 o governo do estado de São Paulo, adquiriu as companhias com origem em capital estrangeiro, como a Brasilian São Paulo Company Limited, a Southern São Paulo Railway Company Limited, a Companhia União Sorocabana Ytyana, a Sorocabana Railway Company Limited, e transferindo essas companhias para a administração e operação da então Estrada de Ferro Sorocabana, que era uma autarquia do governo estadual. Por sua vez a Companhia Mogiana de Estrada de Ferro também adquiriu outras pequenas estrada de ferro, e a Companhia Paulista de Estrada de Ferro passou a incorporar outros ferrovias localizadas no oeste do estado de São Paulo. Em 1970 foi criada a FEPASA Ferrovia Paulista S/A, que incorporou todas as ferrovias que operavam no estado de São Paulo, e um pequeno trecho no território do estado de Minas Gerais, sendo que a Estrada de Ferro Sorocabana a EFA Estrada de Ferro Araraquerense S/A e Estrada de Ferro São Paulo Minas, estas de propriedade do Governo Estadual, em conjunto com a Companhia Mogiana de Estrada de Ferro e Companhia Paulista de Estrada de Ferro, constituíram a nova empresa de transporte de carga e passageiro no estado. 5.1 Histórico das Ferrovias As primeiras iniciativas nacionais, relativas à construção de ferrovias remontam ao ano de 1828, quando o Governo Imperial autorizou por Carta de Lei a construção e

20 20 exploração de estradas em geral. O propósito era a interligação das diversas regiões do País. No que se refere especificamente à construção de ferrovias no Brasil, o Governo Imperial consubstanciou na Lei n.º 101, de 31 de outubro de 1835, a concessão, com privilégio pelo prazo de 40 anos, às empresas que se propusessem a construir estradas de ferro, interligando o Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Bahia. O incentivo não despertou o interesse desejado pois as perspectivas de lucro não foram consideradas suficientes para atrair investimentos. É importante destacar que, até a chegada das ferrovias no Brasil, o transporte terrestre de mercadorias se processava no lombo dos burros em estradas carroçáveis. Naquela época, os portos fluminenses de Parati e Angra dos Reis exportavam cerca de 100 mil sacas de café, provenientes do Vale do Paraíba. Em São Paulo, anualmente, chegavam ao porto de Santos cerca de 200 mil bestas carregadas com café e outros produtos agrícolas. Em 26 de julho de 1852, o Governo promulgou a Lei n.º 641, na qual vantagens do tipo isenções e garantia de juros sobre o capital investido, foram prometidas às empresas nacionais ou estrangeiras que se interessassem em construir e explorar estradas de ferro em qualquer parte do País. O grande empreendedor brasileiro, Irineu Evangelista de Souza, ( ), mais tarde Barão de Mauá, recebeu em 1852, a concessão do Governo Imperial para a construção e exploração de uma linha férrea, no Rio de Janeiro, entre o Porto de Estrela, situado ao fundo da Baía da Guanabara e a localidade de Raiz da Serra, em direção à cidade de Petrópolis. Entusiasta dos meios de transporte, especialmente das ferrovias, a ele se devem os primeiros trilhos lançados em terra brasileira e a primeira locomotiva denominada Baroneza. A primeira seção, de 14,5 km e bitola de 1,68m, foi inaugurada por D. Pedro II, no dia 30 de abril de Após a inauguração da Estrada de Ferro Mauá, sucederam-se as outras ferrovias, todas em bitola de 1,60m, conforme pode ser visto na tabela 5.1.

21 21 Tabela 5.1 Primeiras ferrovias Ferrovia Data de Inauguração Recife ao São Francisco 08/02/1858 D. Pedro II 29/03/1858 Bahia ao São Francisco 28/06/1860 Santos a Jundiaí 16/02/1867 Companhia Paulista 11/08/1872 Fonte: DNIT( 2006 ) O Governo Vargas, no final da década de 1930, iniciou processo de saneamento e reorganização das estradas de ferro e promoção de investimentos, pela encampação de empresas estrangeiras e nacionais, inclusive estaduais, que se encontravam em má situação financeira. Assim, foram incorporadas ao patrimônio da União várias estradas de ferro, cuja administração ficou a cargo da Inspetoria Federal de Estradas IFE, órgão do Ministério da Viação e Obras Públicas, encarregado de gerir as ferrovias. Em 16 de março de 1957 foi criada pela Lei n.º a sociedade anônima Rede Ferroviária Federal S.A. - RFFSA, com a finalidade de administrar, explorar, conservar, reequipar, ampliar e melhorar o tráfego das estradas de ferro da União a ela incorporadas, cujos trilhos atravessavam o País, servindo as regiões Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Sul. A RFFSA era responsável também pelos transportes. Em novembro de 1971, pela Lei n.º /SP, o Governo do Estado de São Paulo, decidiu unificar em uma só empresa, as cinco estradas de ferro de sua propriedade (tabela 5.2). Naquela época, pertenciam ao Estado a Companhia Paulista de Estradas de Ferro, Estrada de Ferro Sorocabana, Estradas de Ferro Araraquara, Companhia Mogiana de Estrada de Ferro e Estrada de Ferro São Paulo-Minas. Assim, em decorrência dessa junção, foi criada a FEPASA Ferrovia Paulista S.A., para gerir, aproximadamente, km de vias férreas.

22 22 Tabela 5.2: Extensão das maiores ferrovias Ferrovia Estrada de Ferro Sorocabana Companhia Mogiana de Estradas de Ferro Estrada de Ferro São Paulo Minas Companhia Paulista de Estradas de Ferro Estrada de Ferro Araraquara Extensão km km 254km km 379 km Fonte: DNIT( 2006 ) Foi editada a Lei n.º 8.031/90 e suas alterações posteriores, que instituíram o Programa Nacional de Desestatização PND, sendo a RFFSA incluída no referido Programa, em 10/03/92, por meio do Decreto n.º 473. Em 7 de dezembro de 1999, o Governo Federal, com base na Resolução n.º 12, de 11 de novembro de 1999 do Conselho Nacional de Desestatização e por intermédio do Decreto n , dissolve, liquida e extingue a Rede Ferroviária Federal S.A. - RFFSA. Com as informações apresentadas de forma abreviada, relataram-se os fatos mais importantes da história ferroviária brasileira, desde as primeiras iniciativas do Governo Imperial, no século XIX, até os dias atuais. 5.2 Histórico das propriedades das ferrovias As propriedades da ferrovia foram adquiridas na época de sua construção, e os procedimentos adotados foram aqueles exigidos pela legislação daquele período, onde consideravam não os elementos técnicos como limites descritivos das divisas das propriedades, mas sim os confrontantes dos imóveis. Com isso a descrição da propriedade de um modo geral, não possuía características técnicas de suas divisas, sendo assim, não existia distância entre um ponto e outro, como também entre uma

23 23 deflexão e outra não existiam rumos ou azimutes, para a definição da direção de suas linhas de divisa, conforme figura 5.1. Os documentos de aquisição permanecem até os dias presentes, com as mesmas características descritivas, com exceção daqueles já retificados judicialmente, ou daqueles correspondentes a aquisição no âmbito da nova legislação, cujo desmembramento não se caracteriza uma vez que a propriedade não possui forma, limites e alinhamentos de divisas que possam possibilitar seu parcelamento de forma a conservar sua continuidade e individualidade registral. Nos arquivos técnicos da RFFSA, encontramos vasta documentação de todo o acervo do patrimônio imobiliário, onde estão arquivados os títulos de aquisição desde o período Imperial, envolvendo as leis imperiais, escrituras de aquisição por compra e venda e doação, desapropriações amigáveis e judiciais, por adjudicação e cartas de sentenças, referenciados e compatibilizados com os arquivos técnicos das plantas todos devidamente catalogados e classificados por tipo de imóvel, trechos, ramais, ferrovias de origem e municípios. Figura 5.1 Foto do pátio de manobras da ferrovia sem divisa de propriedade.

24 24 6 REGULARIZAÇÃO DE PARCELAMENTO E OCUPAÇÃO DE IMÓVEL URBANO O parcelamento da situação irregular da propriedade, não caracteriza seu registro a partir da aprovação junto a Prefeitura Municipal, e sua tributação demonstra o interesse fiscal como parte do histórico do empreendimento. Segundo Decreto Lei nº 58 do Governo Federal de 10 de dezembro de 1937, para a aprovação de um loteamento era necessário a elaboração de plantas e memórias descritivos, reservas de áreas livres e verdes e de arruamentos, e somente a aprovação da Prefeitura Municipal, e ao CRI somente caberia sua inscrição e registro do loteamento. Segundo DNIT (2006), as ferrovias foram implantadas entre o ano de 1840 a 1910, e as aquisições dos terreno necessários a sua implantação eram oriundos de leis provinciais e de aquisições de terceiros, por onde estivesse passando o traçado e tais aquisições obedeciam ao sistema legal daquela época. Vale esclarecer que desde então, o objetivo da construção de estradas de ferro eram o transporte de mercadorias e não existia nenhuma preocupação quanto ao direito da propriedade e a sua individualização. As ferrovias de uma maneira geral tiveram sua construção entre a 1.910, posteriormente somente houve remodelação de traçados. Em 1918, foi regulamentada a obrigatoriedade do registro imobiliário no território nacional, em 1970 foi criada a FEPASA, a lei nº 6015 de 31 de dezembro de 1973 dispõe sobre registro publico no território nacional, a lei de 19 de dezembro de 1979 dispõe sobre o parcelamento do solo urbano e da outros providências, o decreto lei nº de 02 de agosto de No entanto, os imóveis que constituem o patrimônio imobiliário das estradas de ferro, continuavam com mesmo regimento original de suas aquisições, sem nenhuma atualização ou adequação aos novos procedimentos registrais, em virtude das alterações e nova legislação, ficando os referidos imóveis em situação irregular.

25 Descrição primitiva dos imóveis Para demonstrar a situação das descrições primitivas dos imóveis, terá como base, o processo da Lei Provincial 35 do trechos da ferrovia Jundiaí Itu; o processo nº 7( ) do município de Cordeirópolis e o processo nº 7( ) do município de Jundiaí, todos do arquivo de titulação da RFFSA. Neste arquivo encontra-se dentre outras, as pastas referentes aos títulos de aquisição da propriedade, do período de 1860 a 1920, período em que foram construídas boa parte das estradas ferro no Brasil, em especial as do estado de São Paulo, ferrovias estas que foram construídas após a autorização de exploração pelo Governo Provincial. Além de considerar o atrativo dos investimentos para a construção, os interessados não tinham despesas com indenizações, uma vez que boa parte das terras eram de propriedade das províncias. A partir desta concessão, as Leis Provinciais e as aquisições de particulares por escrituras de compra e venda, eram caracterizados os títulos de domínio das propriedades, de todos os imóveis que fossem necessários à construção da estrada de ferro e também àquelas que constituíam os pátios e as vilas ferroviárias, as quais permanecem com suas características, tanto as de construção como também as de domínio, conforme pode ser vista na figura 6.1. Figura 6.1 Foto de uma das unidades residenciais

26 26 Dessas vilas ferroviárias, com o decorrer do tempo, foram formados os distritos, posteriormente os municípios e as comarcas, e a forma da aquisição daqueles imóveis como origem de aquisição, continuaram de forma rudimentar e totalmente alheios à legislação atual. A formação do acervo patrimonial da estrada de ferro, inclusive as vilas ferroviárias, dentre elas as de itu, Jundiaí e Cordeirópolis, as quais estão retratadas pela Lei Provincial 35, escritura de compra e venda de 1988 e transcrição nº do CRI de Jundiaí, respectivamente Lei Provincial 35 A necessidade para a edição de uma lei provinciana, surgiu da falta de recursos que o governador geral da província dispunha, para a construção da estrada de ferro, daí então eram decretadas as leis. As a leis provinciais tinham como objetivo, autorizar os interessados e a eles dar privilégios para construção e implantação de estradas de ferro, bem como definir o traçado, ou seja, um percurso provável de seu caminhamento, como por exemplo a Lei Provincial nº 35 de 10 de Abril de 1876, com as seguintes características:...art. 1º - Fica o Governo da Província autorisado à mandar construir por Administração ou por empreza, e pelo systhema que melhores vantagens offereça, uma estrada que, començando na estação terminal na estrada de ferro em Jundiahy, e passando pelo Salto vá ter à Cidade de Ytú, e desta a de Sorocaba, pela direcção que se julgar a mais curta e conveniente, em vista das explorações à que se proceder. Art. 2º - Fica igualmente autorisado o Governo à dispender a quantia que fôr necessaria com a construção da referida estrada, e de pontes que nella se fizerem. Observa-se que além da autorização para a construção da estrada de ferro, também o governo poderia dispor de valores para a construção de pontes e outras obras de arte....art. 3º - Para ocorrer às despezas com a estrada de que trata o art. 1º e sua conservação creará o Governo, desde já, e nos logares que mais adquados forem à melhor fiscalisação uma barreira e agencias precisas nas estradas que de Sorocaba, Ytú e povoações visinhas se dirigem à Jundiay e à Capital...

27 27 Era função do governo fiscalizar o andamento das obras e para isso, foram definidos lugares de barreiras e agências, para liberação e fiscalização da implantação, no percurso de Sorocaba - Ytu em povoações que existissem e que se dirigissem à Jundiaí e à Capital. Assim pode-se demonstrar as características das aquisições feitas na época (1876) da publicação da lei Provincial nº 35, onde não havia sequer a descrição do imóvel, ou dos imóveis que compunham o complexo ferroviário, porém deve-se destacar que obedeciam as leis vigentes Escritura de Compra e Venda 7( ) As aquisições feitas por escritura de compra e venda, também no período da formação das estradas de ferro, tinham seus fundamentos nos limites de confrontação, isto é, na descrição do imóvel adquirido. As principais características que, obrigatoriamente, deveriam constar nas descrições das escrituras, eram os confrontantes, independentemente das medidas e da área do imóvel. Isto se dava pelo fato de que a legislação não levava em consideração as medidas perimétricas e área das propriedades, levando em conta tão somente a identificação de seus vizinhos, como constatado na escritura de venda e compra de 23 de novembro de 1888, da aquisição feita pela Companhia Paulista de Vias Férreas e Fluviais, que diz:... pelos vendedores foi dito que, sendo elles outorgantes senhores e possuidores de uma area de terrenos na Estação de Cordeiros da estrada de ferro da Companhia Paulista, na Comarca de Rio Claro, nesta Provincia de São Paulo, havia, parte, por compra feita a Francisco de Olassis Negueiros e sua mulher em data de vinte e dois de Novembro de mil oitocentos e oitenta e dois, nas Notas do Tableião Ernesto Belinacio Tito de Toledo, da cidade de São João do Rio Claro, e parte por virtude de arrematação feita em praça do espolio dos finados Barão e Baroneza de Porto Feliz, como consta da respectiva carta de arrematação estraida pelo escrivao José de Barros Leite, da mesma cidade de São Joãp do Rio Claro em data de dezoito de Outubro do corrente anno; que dessa area de terreno elles vendedores destacam uma parte contendo vinte e nove mil setecentos e nove (29.709) metros quadrados, que ora vendem, como defacto vendido tem, de hoje para sempre, a compradora Companhia Paulista de vias Ferreas e Fluviais,...

28 28 Observa-se que escritura de Compra e Venda não foi levada a registro, por ser do ano de 1888, antes da instituição da obrigatoriedade do registro público no território nacional, Escritura de Compra e Venda ( ) Também na escritura de permuta realizada entre a Câmara Municipal de Jundiaí e a Companhia Paulista de Estradas de Ferro², no ano de 1919, aos vinte dias do mês de maio, já ocorrência da obrigatoriedade de Registros Públicos no território brasileiro, ainda prevalecia a descrição dos confrontantes do imóvel e não suas características físicas reais, como as medidas perimétricas, rumos, azimutes, ângulos de deflexão, coordenadas geodésicas, e respectiva área, com sua identificação através da indicação de um logradouro publico, nº de lote, nº do prédio e afastamento da via mais próxima. Assim a escritura de permuta descreve os imóveis da seguinte forma:... pela primeira outorgante permutante, me foi dito que sendo senhora a lepitura possuidora, livre de onus, de um terreno com frente para a rua Rangel Pestana, com fundos até a rua Capitão Damasio, onde o terreno mede noventa e dois metros, dividindo por um lado com Clemente Gonçalves Dias e para centro lado com Gustavo Rodrigues da Silva, terreno esse que, ella, primeira outogante, houve por desapropriação amigável..., e..., no sentido de como uma permutar esse terreno, acima descripto e confrontado com as benfeitorias existentes, por tres terrenos situações nas proximidades do Cemitério Municipal, com uma area total de doze mil e treze metros quadrados, sendo o primeiro medindo cento e onze metros de frente para o Cemitério Municipal, no prolongamento da rua Rangel Pestana e cento e um metros e setenta centímetros de fundo, com a area de onze mil duzentos e oitenta e oito metros quadrados, dividindo-se por um lado com a primeira travessa paralella á rua Major Floriano, por outro lado com ruas projectadas e pelos fundos com a rua que vem da Viela Torres Neves; o segundo terreno medindo oitenta e quatro metros e setenta centímetros de frente para a primeria Travessa paralella á rua Major Floriano, tem a area de quinhentos metros quadrados e confronta-se pela frente com a Travessa paralella a rua Major Floriano, pelos lados com o prolongamento da rua Rangel Pestana e com uma rua projectada, nos fundos com terrenos da Companhia Paulista, e o terceiro terreno com frente para a mesma primeira travessa paralella a rua Major Floriano, mede quarenta e trez metros e oitenta centimetros de frente tendo a area de duzentos e quinze metros quadrados e confronta-se pelos lados com o prolongamento da Rua Rangel Pestana e com a rua que passa pela frente das casas da Viela Neves Torres e pelos fundos com terrenos que continuam a pertencer a Companhia Paulista, Companhia Paulista de Estradas de Ferro (anterior Companhia Paulista de Vias Ferréas e Fluvias)

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