Evitar e controlar as substâncias tóxicas Podemos forçar as empresas a limparem o que poluíram Custos escondidos e quem os paga...

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1 Evitar e controlar as substâncias tóxicas Podemos forçar as empresas a limparem o que poluíram Custos escondidos e quem os paga Poluição do ar Monitoria da poluição do ar História: A brigada do balde Produção limpa Pequenos negócios mais limpos História: Produção mais limpa nos curtumes História: Um exemplo de produção limpa Eliminação não segura de resíduos tóxicos História: O Projecto de Reservas de Africa Comércio de produtos tóxicos História: Peguem no vosso lixo tóxico e vão-se embora História: Um jogo pela saúde Acordos internacionais sobre a eliminação de resíduos tóxicos Actividade: Jogo das cobras e escadas

2 Parem a poluição Comunidades contra a poluição Não consigo respirar À medida que aprendemos mais sobre os perigos dos químicos tóxicos na nossa saúde e no nosso meio ambiente, cada vez mais pessoas se estão a organizar para prevenir os danos, e para descobrir formas mais saudáveis e mais sustentáveis de produzir as coisas. Os negociantes, os líderes governamentais e alguns cientistas tentam justificar os perigos da poluição tóxica, dizendo que uma certa quantidade de risco é aceitável como o preço a pagar pelo desenvolvimento e o progresso (para podermos ter electricidade, cuidados médicos, transportes, computadores, etc.). Mas o que eles não nos dizem é que é possível ter estes benefícios de formas que sejam seguras, para as pessoas e para o meio ambiente (ver página 458). Em vez de aceitar riscos desnecessários, podemos escolher promover a produção segura de alimentos, produtos fabricados e energia, ao mesmo tempo que prevenimos a poluição tóxica, tanto quanto possível.

3 Prevenir a exposição à poluição tóxica começa com o princípio da precaução (ver página 32), que significa pensar no perigo que uma acção ou um produto podem causar antes os fazer ou usar. Embora possamos tomar decisões pessoais e comunitárias para evitar causar tantos danos quanto possível, também precisamos de exigir que os negociantes e os nossos governos ponham a saúde a longo prazo, de todas as pessoas, ricas e pobres, e do meio ambiente, antes do lucro das empresas e do lucro pessoal. Muitas das coisas que fazemos todos os dias afectam a forma como nós e os outros estamos mais ou menos expostos às substâncias tóxicas. Há algumas exposições diárias que não conseguimos controlar através de decisões pessoais. Mas há algumas exposições que podemos limitar, fazendo escolhas que ajudam a mantermo-nos, às nossas famílias e às nossas comunidades, mais seguros e saudáveis. As escolhas pessoais levam muitas vezes à acção comunitária, uma vez que rapidamente podemos ver como é impossível qualquer pessoa controlar sozinha os danos que enfrentamos, causados pelos produtos tóxicos. Para parar os danos causados pelas substâncias tóxicas, precisamos do seguinte: Aprender e ensinar os outros sobre o que são os produtos tóxicos e como é que as substâncias tóxicas podem causar danos. Leia este livro, fale com as pessoas e aprenda com as organizações que disponibilizam informação sobre substâncias tóxicas. Escolas, centros de saúde, locais de trabalho, centros comunitários e as nossas casas podem ser lugares para educar a comunidade sobre os produtos tóxicos e a saúde (para uma actividade de discussão comunitária sobre substâncias tóxicas, ver página 468). nas nossas casas, no abastecimento da água, nos bairros, nos locais de trabalho, nas escolas e na região. Para avaliar os impactos da poluição tóxica na nossa comunidade, faça uma caminhada pelo lixo (ver página 391), faça uma avaliação de saúde (ver página 500) ou crie um grupo para monitorar a poluição (ver página 456). Fique longe das fontes conhecidas de substâncias tóxicas. Reduza o uso de produtos tóxicos descobrindo alternativas mais seguras para produtos de limpeza (ver página 373) e usando formas não tóxicas de controlo de pragas (ver páginas 296 a 301, e 366). Controle os produtos tóxicos planeando um programa comunitário de resíduos sólidos (ver página 396), protegendo os pontos de água (ver página 75) e trabalhando para deslocar os negócios ou actividades tóxicos para longe dos lugares onde se produzem alimentos e zonas públicas, como por exemplo parques. Garanta que os materiais tóxicos não são guardados, usados ou libertados dentro ou perto do lugar onde vivem as pessoas. Trabalhe para garantir que sobretudo as crianças, os velhos, os doentes e as mulheres grávidas ou a amamentar não estão expostos a substâncias tóxicas.

4 Não podemos escolher o ar que respiramos, a água que bebemos ou os materiais com que o nosso patrão nos faz trabalhar, e muitas vezes não podemos saber a que é que estamos expostos nos alimentos que comemos ou nos produtos que usamos. Por isso, precisamos de organizar os negócios e os governos para que reduzam o uso de substâncias tóxicas e a ameaça de poluição tóxica. Muitas pessoas a trabalharem juntas, partilhando a crença de que alguma coisa é demasiado perigosa, têm o poder de fazer a mudança. A responsabilidade da poluição tóxica é sobretudo das indústrias Os químicos com que poluidoras, como por exemplo as trabalhamos fábricas de produção de electricidade, estão a fazernos doentes. as manufacturas, as indústrias de extracção de petróleo e minério, enquanto o fardo de viver com a poluição tóxica e limpá-la recai habitualmente sobre as pessoas que vivem perto do problema. Algumas comunidades têm sido capazes de mudar esta responsabilidade e mostrar que se uma indústria ou empresa específica cria um problema deve resolvê-lo e comprometer-se com práticas seguras (para conhecer histórias de comunidades que forçaram as empresas a limpar o que poluíram, ver páginas 344, 465, 483 e 521). O governo é responsável por proteger as pessoas em relação à poluição. Mas as empresas poderosas e as instituições financeiras internacionais pressionam os governos para que se libertem ou ignorem os regulamentos sobre o uso de substâncias tóxicas. É preciso muita pressão comunitária para que os governos criem e façam cumprir leis que protegem as pessoas, sobretudo nos países que lutam por atrair empresas que invistam neles. Mas as campanhas comunitárias podem forçar a mudança das leis (ver páginas 417, 465, 466, 473 e 480), bem como usar as leis ambientais existentes (ver Apêndice B). A empresa podia usar menos químicos tóxicos e dar-nos melhor protecção Muitas indústrias desenvolveram formas de substituir materiais e métodos de produção tóxicos por outros que são mais sustentáveis e que causam menos danos à saúde das pessoas e ao meio ambiente. Ver página 458 para mais informação sobre métodos de produção limpos e formas de influenciar as empresas a adoptarem-nos. No fundo, há demasiado consumo pelos ricos. Uma grande parte da solução passa por diminuir o consumo e a produção de resíduos, usando o suficiente mas não demasiado. Mas a empresa não admite que estes químicos são um problema. Cabenos a nós fazermos a empresa levar a nossa segurança a sério.

5 Muitas indústrias que produzem e usam materiais tóxicos dizem às pessoas que os seus materiais e produtos são seguros e necessários. Mas isto não é verdade. Muitos químicos e produtos que as pessoas antigamente pensavam que eram seguros e necessários, como por exemplo o plástico PVC, a gasolina com chumbo ou os pesticidas, são agora conhecidos como causadores de grandes danos. E para muitos químicos tóxicos existem alternativas mais seguras, se a indústria tentar descobri-los e usá-los. O desenvolvimento industrial tem muitos custos escondidos sob a forma de danos ao meio ambiente e de problemas de saúde para as pessoas. Estes custos escondidos são habitualmente pagos pelas pessoas que precisam de viver com os danos das substâncias tóxicas e não pelas indústrias que causam estes danos. Permitir que estes custos sejam desligados das empresas envolvidas em actividades que propagam substâncias tóxicas é uma maneira de elas protegerem e aumentarem os seus lucros. Estes lucros são muitas vezes muito grandes, certamente suficientemente grandes para apoiar práticas mais seguras e a protecção da saúde das pessoas. As pessoas que sofrem os piores efeitos da poluição industrial são habitualmente os trabalhadores das indústrias poluidoras. Também são afectados aqueles que vivem perto dessas indústrias e que não podem mudarse para lugares menos poluídos. Muitos problemas de saúde causados por substâncias tóxicas não podem ser curados (ver Capítulo 16). Por isso, mesmo quando alguém pode pagar tratamentos caros, e a maior parte de nós não pode, os estragos feitos à nossa saúde são muitas vezes permanentes. A verdadeira solução é proibir o uso de materiais muito tóxicos e regulamentar, rigidamente, o uso de substâncias tóxicas que são necessárias e que não têm substitutos mais seguros. As indústrias têm que pagar o custo de encontrarem alternativas mais seguras e protecções melhores para os trabalhadores, as comunidades e os consumidores em todo o lado. Embora as indústrias sejam responsáveis por fazer e usar químicos tóxicos e resíduos tóxicos, cada um de nós, independentemente de viver numa pequena aldeia ou numa grande cidade, é afectado pelo ciclo global de produção e resíduos. Sejam os sacos de plástico que são usados pelas pessoas em todo o mundo (ver página 389) ou as muitas substâncias e métodos de produção tóxicos que fazem parte da produção de um único computador, carro ou telefone móvel, cada um de nós está ligado a um ciclo mundial de produção tóxica e de resíduos tóxicos.

6 METALURGIA EMPRESA QUÍMICA EMPRESA DE ELECTRÓNICA EMPRESA DE PLÁSTICOS LIXEIRA DE RESÍDUOS TÓXICOS LIXEIRA COMUNITÁRIA As poluem o ar, a água e o solo com químicos tóxicos e metais pesados. Para mais informação sobre refinarias, ver página 513. As libertam metais pesados como o mercúrio e o chumbo (ver páginas 338 e 368) e toxinas como a dioxina (ver página 341). As de todos os tipos podem causar poluição, mas podem melhorar usando métodos de produção limpos (ver página 458). As deixam passar químicos para o solo e para a água subterrânea, causando problemas graves durante muitos anos. Os libertam químicos tóxicos para o ar, para a água e para o solo (ver página 423). As, como por exemplo as fábricas de curtumes, cromados, roupas e baterias, podem causar poluição e problemas de saúde graves, tanto para os trabalhadores como para as pessoas que estão perto dessas indústrias (ver páginas 459 a 464). As causam poluição devastadora, desde radiações a dioxinas, e deixam resíduos perigosos que podem durar muitas gerações.

7 O ar é poluído quando fica contaminado com gases venenosos e pequenas partículas de poeira. A maior parte da poluição do ar é causada pela queima de (petróleo, carvão, gasóleo e gasolina) para fazer funcionar motores, fábricas e centrais eléctricas (ver página 526). O vento e a chuva podem transportar a poluição do ar para longe do lugar onde ela foi criada. Isto causa problemas de saúde às pessoas em todo o lado. Habitualmente, a poluição do ar é pior nas cidades, nas zonas industriais, nas zonas baixas ou nas áreas rodeadas por montanhas, e nos lugares onde o ar fica bloqueado e não se desloca bem. A poluição do ar pode conter metais pesados, como o mercúrio e o chumbo (ver páginas 337 a 340, e 368 a 370), POPs (ver página 340) e outros produtos químicos tóxicos como o dióxido de enxofre. Se você estiver a fazer monitoria da poluição do ar, é útil saber quais os produtos químicos que existem no ar. Mas lembre-se de que é habitualmente mais útil saber como proteger-se e à sua comunidade dos danos causados pela poluição do ar do que saber exactamente o que é que existe no ar. A poluição do ar causa problemas de saúde graves, incluindo muitos cancros e doenças respiratórias (ver páginas 330 a 331). A poluição do ar causa chuva ácida que estraga as florestas, os pontos de água e os edifícios, bem como os nossos pulmões. Além disso, a poluição do ar é uma das principais causas do aquecimento global (ver página 33).

8 A monitoria da poluição do ar é um método usado por uma comunidade durante uma campanha contra uma empresa ou indústria poluidora. A monitoria permite que muitas pessoas participem na campanha e permite construir uma base de provas que podem ser usadas para pressionar as empresas ou indústrias a deixarem de poluir. Monitorar ou verificar a poluição do ar começa com os seus sentidos e o seu bom senso. Para saber qual o efeito que a poluição do ar está a ter na sua comunidade, peça às pessoas que façam um registo do que cheiram, vêem, ouvem, provam ou sentem. Quanto mais pessoas fizerem isto, mais possibilidade a comunidade vai ter de identificar e parar a poluição. Algumas comunidades fazem a monitoria do ar usando um método simples e de baixo custo chamado a brigada do balde. Um balde de plástico de 20 litros, com uma válvula e um saco especial, são usados para colher amostras de ar. Ao abrir a válvula quando há uma emissão de substâncias tóxicas, ou em qualquer altura em que o ar está especialmente poluído, uma pequena quantidade de ar é sugada para dentro do saco. O saco é então retirado do balde e enviado para um laboratório, para descobrir quais os químicos que contém (ver secção de Recursos). Fazer com que a amostra de ar seja testada por um laboratório é a parte mais cara da brigada do balde. A maior parte dos países não tem laboratórios que possam ou queiram testar a amostra de ar adequadamente, por isso, pode ser necessário enviá-la para a Europa ou para os Estados Unidos. Algumas comunidades fazem recolha de dinheiro para uma brigada do balde indo de porta em porta ou realizando danças, festas ou encontros em casa. Muitas comunidades usam a brigada do balde junto com outras actividades de organização comunitária, como por exemplo entrevistas e estudos. Elas também informam os meios de comunicação social e o governo sobre as emissões tóxicas e tentam forçar as refinarias e outras indústrias poluidoras a usarem equipamento seguro e a reduzirem as emissões.

9 Durban, na África do Sul, é uma cidade rodeada por refinarias de petróleo e oleodutos, uma grande área de armazenamento de produtos químicos, fábricas de produtos químicos, têxteis e papel e aterros tóxicos. Todos os dias, as pessoas de Durban estão expostas a elevados níveis de poluição do ar, poluição da água e a todos os problemas de saúde que resultam da exposição constante aos químicos tóxicos. Os acidentes industriais, as fugas dos tanques de armazenamento e os oleodutos avariados são comuns, causando incêndios e destruição dos pântanos vizinhos e dos recursos de água subterrânea. Em 1999, um grupo chamado GroundWork formou-se para ajudar as pessoas de Durban a monitorar a poluição do ar. Usando o método da brigada do balde, a comunidade começou a testar o ar para descobrir substâncias tóxicas sempre que havia um sinal de gás, uma explosão ou uma emissão tóxica. Depois, enviaram os sacos cheios de poluição do ar para um laboratório nos Estados Unidos para serem testados. Os testes de laboratório descobriram níveis elevados de tóxicos, incluindo dióxido de enxofre, óxido de azoto e benzeno. Os resultados dos testes a amostras de ar recolhidas perto de uma escola mostraram que as crianças estavam expostas a níveis de poluição tão altos como se elas estivessem todos os dias, durante todo o dia, numa auto-estrada movimentada. 7 de Novembro de a Libertação de tóxico notificada numa fabrica de químicos Os activistas mostraram os resultados dos testes ao governo e às indústrias poluidoras e também os anunciaram na rádio, nos jornais e na comunidade. A empresa petrolífera estatal disse que os testes não eram correctos e recolheu as suas próprias amostras de ar. Mas quando as suas amostras foram testadas, descobriram níveis de venenos ainda mais altos! O método da brigada do balde ajudou a criar um movimento nacional contra a poluição na África do Sul. Sob a pressão do movimento crescente de justiça ambiental, o governo aprovou a Lei da Qualidade do Ar em A cidade de Durban também criou o seu próprio sistema de monitoria do ar. Desde então, tem havido uma diminuição visível da poluição do ar. A brigada do balde ajudou os membros da comunidade a sentirem-se mais fortes, mais corajosos e mais capazes de desafiarem as indústrias poluidoras. Com este aumento de confiança, eles forçaram o governo a ouvi-los. Ainda há um problema grave de poluição na África do Sul. À medida que as fábricas de produtos químicos, as refinarias e os oleodutos envelhecem, aumenta o perigo de acidentes. Mas, combinando uma organização comunitária forte com uma ferramenta para recolher amostras de poluição tóxica, as pessoas de Durban sentiram-se mais seguras. E mostraram ao resto do seu país e ao mundo que as pessoas podem levar a indústria e o governo a assumirem a responsabilidade pela sua poluição. Residentes lutam por ai limpo

10 As fábricas de produtos químicos, as refinarias de petróleo e outras fábricas podem ter acidentes que libertam, de repente, grandes quantidades de químicos tóxicos. As refinarias também libertam gases tóxicos como parte da sua manutenção regular. Uma emissão tóxica pode ser parecida com uma nuvem de fumo ou um grande incêndio, ou pode ser simplesmente a libertação de um cheiro forte. Isto pode ser assustador. E também pode ser mortal. A curto prazo, há passos que as pessoas podem dar, durante e depois de uma emissão tóxica e derrame de químicos, para reduzir os danos (ver Apêndice A). A longo prazo, é preciso uma organização da comunidade para pressionar as indústrias e os governos a fazerem cumprir melhores normas de segurança. Conforme a situação e a rapidez com que você responde, por vezes é mais seguro ficar simplesmente dentro de casa. Noutras situações, é mais seguro deixar a área tão rapidamente quanto possível. Formação e um bom plano comunitário de emergência vão ajudá-lo a saber quando ficar e quando partir. Faça algum tipo de registo. Marque a hora do dia em que a emissão aconteceu e quanto tempo durou. Tome também nota de quaisquer cheiros estranhos, coisas que vê, reacções físicas (sensações no seu corpo) e reacções de outras pessoas e animais por perto. Esta informação pode ser útil mais tarde para tomar medidas comunitárias. Faça fotografias e vídeos, se for seguro fazê-los. Estes podem ser usados mais tarde no tribunal ou em campanhas. Se as pessoas ficaram expostas a substâncias químicas, ajude-as a irem imediatamente a um posto de saúde ou hospital. Contacte o governo local e os meios de comunicação social e conte o que aconteceu. Convoque uma reunião para informar todos na comunidade sobre o que aconteceu e para organizar uma resposta. Incentive os membros da comunidade a partilharem as suas experiências e sentimentos. Isto vai ajudar as pessoas a recuperarem do acontecimento e a criarem solidariedade na comunidade. Terça-feira Quarta-feira Quinta-feira 14h25: Fumo branco da fábrica. Cheiro a ovos podres.

11 As tecnologias e os métodos existem para produzir e vender produtos sem causar poluição ou lixos tóxicos. A protege a saúde das pessoas e a saúde do meio ambiente. Uma fábrica de papel usa árvores, água, electricidade e produtos químicos como o cloro. Uma fábrica de papel com produção limpa reduz a poluição usando: Sobretudo papel reciclado e árvores de florestas geridas sustentadamente; Uma fonte de energia renovável (como a energia solar ou do vento), em vez de electricidade de combustíveis fósseis como o petróleo e o carvão; Nenhum cloro ou outros químicos tóxicos; Tão pouca água quanto possível. A água é reutilizada várias vezes e depois é tratada para a tornar segura para voltar ao meio ambiente. A maior parte das indústrias pode usar um processo de produção limpa. O calor das fábricas pode ser usado para gerar electricidade e os resíduos de um processo podem, muitas vezes, ser usados como materiais noutro processo. A produção limpa pode reduzir os resíduos a quase nada. E como a produção limpa reutiliza materiais e energia, ela também poupa dinheiro. Mas, como as empresas habitualmente não pagam para limpar o que poluem ou prevenir a poluição e os danos que causam, elas precisam muitas vezes de ser forçadas, por pressão popular ou normas governamentais, para mudarem para métodos de produção mais limpos.

12 Quando os donos de negócios e os trabalhadores compreendem como é que os resíduos químicos e industriais podem prejudicá-los e a todos na comunidade, muitas vezes eles estão dispostos a fazer mudanças nos materiais e métodos de produção para reduzir os danos. Às vezes, contudo, é necessário pressionálos, tanto de formas positivas como negativas, para obter mudanças que vão beneficiar a saúde da comunidade. Há várias formas de influenciar os negócios a escolherem métodos de produção mais limpos. Os proibir ou regulamentar o uso de químicos tóxicos e os processos de produção perigosos; recusar-se a comprar produtos que sejam produzidos de formas prejudiciais; disponibilizar fundos para os negócios mudarem para métodos de produção limpos; cobrar menos impostos aos negócios que usem produção limpa e recolher mais impostos dos negócios que usem métodos prejudiciais. As educar-se a si mesmas, aos donos dos negócios e aos trabalhadores sobre os perigos das substâncias tóxicas e os benefícios dos métodos de produção limpos; boicotar (recusarse a comprar) produtos feitos por uma empresa as tintas Williams ou vendidos por um negócio que seja poluidor; informar outras pessoas sobre alternativas não tóxicas que podem substituir os produtos tóxicos; usar os meios de comunicação para denunciar práticas tóxicas e celebrar os sucessos dos negócios sustentáveis não tóxicos. Os aprender, seguir e fazer cumprir normas sobre o manuseamento seguro de substâncias tóxicas e introduzir medidas de protecções contra as substâncias tóxicas que lhes sejam favoráveis, nos seus contratos do sindicato. Tintas de luxo Williams Às vezes, os donos dos pequenos negócios não compreendem totalmente os danos que as substâncias tóxicas podem causar. Quando eles e os seus trabalhadores usam, guardam e deitam fora químicos tóxicos de maneiras não seguras, habitualmente só estão a tentar poupar dinheiro, tempo e trabalho. No fundo, muitos empresários vivem nas mesmas comunidades que estão a poluir e são amigos e vizinhos das pessoas afectadas. Ou podem conhecer métodos de produção limpos, mas sentem que não podem pagar o custo de fazer mudanças. Mas, com o passar do tempo, os custos elevados dos cuidados de saúde para os trabalhadores feridos e a limpeza ambiental por danos à comunidade vai muitas vezes acabar por fazer gastar mais tempo e dinheiro, em vez de os poupar. Quando os pequenos negócios mudam para práticas de produção limpas, eles benificiam toda a comunidade, e também o seu futuro como negócio, a tornarem-se mais sustentáveis. Aberto Tintas Williams contem chumbo Apoiem negócios limpos Boicotem NÃO as tintas venenosas

13 Muitas tintas para tingir tecidos são feitas com metais pesados e outros químicos tóxicos. Os resíduos do fabrico destas tintas são, muitas vezes, deitados nos cursos de água, enchendo-os com poluentes que são perigosos e difíceis de limpar. Os pequenos negócios na indústria de tinturaria podem reduzir os lixos perigosos, seguindo estas indicações: Evitar a maior parte das tintas tóxicas, como por exemplo as tintas azo e procurar alternativas mais seguras. As tintas azo, conhecidas por causarem defeitos de nascença, são habitualmente usadas na impressão, nos têxteis, na produção de papel, nos medicamentos e nas indústrias alimentares. Controlar a quantidade de substâncias tóxicas usadas. Reutilizar os subprodutos do tingimento como materiais para fazer outros produtos. Reutilizar a água das lavagens para fazer a próxima dose de tinta. Usar mangueiras de alta pressão para limpar e reduzir a quantidade de águas residuais. Pôr etiquetas nos materiais tóxicos e guardá-los em áreas seguras, longe dos cursos de água. As fábricas de curtumes que produzem couro usam grandes quantidades de água, sais e químicos tóxicos, como por exemplo diferentes formas de crómio. No fim do processo de curtimento das peles, estes químicos são muitas vezes deitados fora, como lixo, nos rios e outros cursos de água. Por causa disso, as comunidades à volta das fábricas de curtumes têm muitas vezes água de beber muito contaminada. A curto prazo, estes tóxicos podem causar bronquite, asma e outros problemas de respiração. A longo prazo, repetidas exposições às substâncias tóxicas podem causar defeitos de nascença e cancros. Algumas fábricas de curtumes usam métodos de produção não tóxicos ou menos tóxicos. Os métodos tradicionais de curtir usam partes dos animais para um curtimento mais seguro e mais limpo. Para as fábricas que usam crómio, há formas de recuperar e reciclar o crómio para que seja usado menos crómio e que menos deste crómio seja transformado em lixo. Isto reduz os custos e a poluição tóxica. A água usada nos banhos de curtimento pode ser reciclada e a água residual pode ser tratada para a tornar mais segura antes de ser deitada fora.

14 A cidade de Léon, no México, é famosa pelos seus sapatos de couro de grande qualidade. As fábricas de curtumes de Léon são pequenos negócios, importantes para a sobrevivência económica da comunidade. Infelizmente, as operações de curtimento costumavam deitar fora os resíduos químicos directamente nos cursos de água locais, causando doenças graves. Com o passar dos anos, Léon aprovou leis para regulamentar a poluição, mas as fábricas de curtumes quase nunca obedeciam a essas leis. Muitos donos de fábricas de curtumes pensavam que reduzir a poluição era demasiado caro e iria prejudicar o seu negócio. No entanto, quando milhares de pássaros morreram por causa da poluição num pântano perto de Léon, a organização local do comércio que representava as fábricas de curtumes começou a procurar formas de reduzir a poluição sem prejudicar o negócio. Foi então que ficaram a saber mais sobre a produção limpa. Nos anos seguintes, a organização do comércio ajudou as fábricas de curtumes a reduzirem a poluição e muitas fábricas mudaram as suas práticas. Elas não o fizeram só porque queriam proteger a água de beber local ou os pássaros migratórios. Elas fizeram-no porque viram que a produção limpa podia fazer poupar dinheiro e produzir couro de maior qualidade. As fábricas de curtumes de África e da Ásia trabalharam com a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) para encontrarem maneiras diferentes de recuperarem e reutilizarem os químicos usados no curtimento das peles. O Projecto Produção Mais Limpa da UNIDO mostrou que mais de metade da poluição das fábricas de curtumes podia ser reduzida através do uso cuidado e eficaz dos recursos naturais usando quantidades mais pequenas e usando-as com mais cuidado. As fábricas de curtumes de Léon aprenderam com o projecto da UNIDO e começaram a praticar métodos de produção mais limpos. Primeiro, usaram um novo processo no qual mais crómio no banho de curtimento entrava em contacto com o couro e menos crómio acabava como resíduo. A seguir, uma enzima (produto natural que causa mudanças químicas) substituía os químicos perigosos usados para suavizar o couro. Algumas fábricas de curtumes que produziam couro de menor qualidade começaram a usar o curtimento vegetal em vez do curtimento com crómio, eliminando uma parte muito tóxica e cara do processo. As fábricas de curtumes que não conseguiram encontrar alternativa ao crómio começaram a reutilizá-lo, em vez de o deitarem fora depois da primeira utilização. O mesmo foi feito com as grandes quantidades de água cheia de químicos. Algumas fábricas construíram sistemas de tratamento de águas residuais para limparem a água e a reciclarem para reutilização, protegendo e preservando os recursos de água. Agora, os trabalhadores de couro de Léon conhecem a produção limpa. Quando você lhes perguntar porque é que usam estes métodos novos, eles podem dizer-lhe que é para proteger os cursos de água locais. Mas eles também lhe vão dizer que agora produzem couro de maior qualidade por um custo mais baixo do que antigamente.

15 As belas vistas dos montes de São Francisco, nos EUA, atraem muitos turistas de todo o mundo. O mesmo acontece com a variedade de alimentos servidos por muitos dos seus pequenos restaurantes. Mas, com muitos restaurantes, o óleo de cozinha usado tornou-se num problema, bloqueando os esgotos e custando dinheiro à cidade. A cidade requer que todos os restaurantes usem uma armadilha para a gordura, para impedir o óleo de entrar nos esgotos, mas esvaziar e limpar as armadilhas para a gordura é um processo caro. Muitos pequenos negócios são propriedade de imigrantes recentes que não têm dinheiro para isso. A Comissão dos Serviços Públicos de São Francisco, encarregada dos esgotos da cidade, decidiu que, em vez de cobrar grandes multas aos restaurantes por não eliminarem o seu óleo adequadamente, iria oferecer-lhes uma solução. Eles iriam recolher o óleo usado e usá-lo para fazer andar os autocarros da cidade! Quando o motor a gasóleo foi inventado, ele queimava combustíveis leves como o óleo vegetal. Mas, como o petróleo era barato e em abundância, e as empresas que o produziam eram poderosas, a maior parte dos motores a gasóleo passou a usar petróleo. Agora, com um problema grave de poluição e aquecimento global causado pelo petróleo, as pessoas estão a voltar ao óleo vegetal como um combustível mais limpo e menos caro. O óleo vegetal pode ser usado depois de fazer pequenas mudanças a um motor a gasóleo, ou o óleo pode ser transformado em biodiesel, que pode ser usado sem mudanças. Queimar biodiesel reduz drasticamente a poluição do ar que causa asma e cancro e não causa aquecimento global. Comparado com outros combustíveis, como o gás natural, o biodiesel também é mais barato. Fazer biocombustíveis através da reciclagem de óleo usado é diferente de produzir uma nova cultura só para fazer combustível. Mantém os resíduos fora dos esgotos e dá-lhes um novo uso. Para fazer a produção limpa funcionar, a Comissão de Serviços Públicos de São Francisco contratou falantes de várias línguas para visitarem os restaurantes e recolherem o óleo usado. Os donos dos restaurantes já não pagam para se verem livres do óleo e a cidade beneficia, tendo menos esgotos bloqueados e combustível mais barato para os seus autocarros. Agora, em vez de cheirar a trânsito, as ruas de São Francisco cheiram a comida frita. O que traz mais turistas do que nunca para os restaurantes locais.

16 As empresas que não usam métodos de produção limpos produzem muitas vezes grandes quantidades de resíduos tóxicos. Para algumas indústrias, como a indústria química e as indústrias de exploração mineira e petróleo, os resíduos tóxicos podem ser o seu maior produto! Como os resíduos tóxicos podem ser extremamente caros e difíceis de eliminar com segurança, é comum deitarem-se fora resíduos perigosos. E, sem grandes surpresas, esta eliminação de resíduos feita habitualmente acrescenta outra fonte de doenças ao fardo dos problemas de saúde enfrentados pelas pessoas nas comunidades pobres. Cada vez mais negócios estão a ser organizados para manter os produtos tóxicos fora dos lixos, reciclando uma parte ou a totalidade destes. Mas, até mesmo actividades amigas do ambiente como a reciclagem devem ser feitas com cuidado, para prevenir que os materiais tóxicos prejudiquem os trabalhadores e o meio ambiente. Garantir que as indústrias eliminam os resíduos com responsabilidade é apenas uma parte da solução. Para acabar verdadeiramente com o problema dos resíduos tóxicos, precisamos de mudar a forma como a indústria funciona. A única forma segura de eliminar resíduos tóxicos é, em primeiro lugar, deixar de os criar. As empresas e as agências de desenvolvimento promoveram pesticidas para os camponeses durante décadas como parte da solução para a fome. Mas muitos cientistas e camponeses reconhecem agora que os pesticidas criam mais problemas do que os que resolvem. Quem é que vai eliminar estes produtos químicos mortais? Como é que isso pode ser feito com segurança? Nos países ao longo de África, mais de toneladas de pesticidas e outros resíduos tóxicos não usados e não desejados são guardados em recipientes com fugas. Para limpar estas substâncias tóxicas e impedir que sejam deitados fora mais venenos, um grupo de agências governamentais e organizações internacionais formou o Programa de Reservas de África (ASP, na sigla inglesa). Os grupos do ASP têm diferentes ideias sobre como limpar os resíduos. Alguns dizem que a maneira mais fácil e barata é queimá-los. O Banco Mundial e vários governos estão a construir incineradores para o fazer. Outros grupos do ASP dizem que queimar os resíduos vai libertar mais venenos para o ar e água e sugerem métodos de eliminação mais seguros. A partir de agora, não há formas verdadeiramente seguras de destruir estes produtos químicos. Desenvolver métodos mais seguros vai ser mais caro do que queimar e vai levar tempo. À medida que o ASP trabalha para resolver este problema, os resíduos tóxicos estão ao vento e infiltram-se na água subterrânea. Estes venenos e as doenças que eles causam fazem parte da herança mortal das empresas químicas e das agências de desenvolvimento que os fizeram e que promoveram o seu uso.

17 As baterias de ácido de chumbo dos carros são habitualmente recicladas por causa dos metais que contêm. Na maior parte dos lugares, este não é um processo industrial organizado, mas é feito nas casas e nos quintais. A reciclagem de baterias cria poluição grave por chumbo, danificando a saúde e o meio ambiente. A exposição a curto prazo a níveis elevados de chumbo pode causar vómitos, diarreia, convulsões (ataques), coma ou mesmo morte (ver páginas 368 a 370). Nalguns lugares, as pequenas baterias caseiras são postas de lado e o pó preto de dentro delas é usado para fazer corantes, tintas e produtos de beleza. Este pó é muito venenoso e nunca deve ser usado para estes fins. Ele é feito de cádmio, chumbo, zinco, mercúrio e outros metais pesados tóxicos. Se o pó for usado, ele deve ser manuseado com luvas e máscara na cara e os resíduos devem ser eliminados com segurança. A melhor maneira de reduzir a exposição às toxinas nas baterias é que os produtores de baterias recolham as baterias usadas e garantam que elas são recicladas em condições de segurança. Alguns países têm leis que regulam a reciclagem segura de baterias. Produzir equipamento electrónico, como por exemplo computadores, televisões, telefones móveis e rádios, requer uma grande quantidade de recursos. O equipamento electrónico também contém muitas substâncias tóxicas, como por exemplo chumbo, cádmio, bário, mercúrio e retardadores de chamas (ver página 372), PCBs e plástico PVC (ver página 341). Muitas vezes, os produtos electrónicos acabam em aterros sanitários onde as substâncias tóxicas que eles contêm se infiltram na água subterrânea. Ou são desmontados e os materiais que contêm são reciclados, muitas vezes à mão, usando solventes perigosos. Isto causa problemas de saúde graves para as pessoas que fazem a reciclagem e transfere os materiais tóxicos para outros produtos que vão causar mais problemas de saúde mais tarde. A solução mais segura é exigir às empresas de produtos electrónicos que assumam a responsabilidade de reciclarem em segurança e redesenharem os seus produtos para que estes usem menos materiais perigosos e durem mais tempo. E as pessoas que compram e usam produtos electrónicos podem reduzir os resíduos perigosos mandando arranjá-los quando se avariam, em vez de os deitarem fora.

18 O é a exportação de um país para outro de resíduos tóxicos e materiais perigosos. Como muitas vezes os países ricos tentam deitar fora os seus resíduos em zonas distantes, e como os governos dos países pobres muitas vezes não têm poder para os impedir, o comércio de produtos tóxicos significa, na maior parte das vezes, que os países ricos e as comunidades ricas deitam fora os seus resíduos nos países mais pobres e nas comunidades mais pobres. Apesar de acordos internacionais para proteger a saúde e o meio ambiente, o comércio de produtos tóxicos faz parte dos negócios globais. Mesmos que eles sejam perigosos, os produtos como o tabaco, os pesticidas, os alimentos GM, o amianto, o gás com chumbo, os produtos electrónicos avariados e outros são habitualmente enviados dos países ricos para os mais pobres. Algum comércio de produtos tóxicos é proibido pela lei internacional (ver página 467). Mas, como muitos activistas de saúde e direitos humanos sabem, as leis só protegem as pessoas quando as pessoas se organizam para as fazer cumprir. O Khian Sea foi um barco carregado com toneladas de cinzas tóxicas incineradas da cidade de Filadélfia nos Estados Unidos, que deveriam ser deitadas fora em qualquer lugar fora dos Estados Unidos. Mas onde quer que ele fosse, as pessoas rejeitavam-no. Primeiro, o barco foi para as Bahamas, depois para a República Dominicana, mas estes países não aceitaram os resíduos. O barco navegou até às Honduras, às Bermudas, à Guiné-Bissau e às Antilhas Holandesas. Mas nenhum país queria as cinzas tóxicas. Desesperada por descarregar, a tripulação do barco mentiu em relação à sua carga. Às vezes diziam que as cinzas eram material de construção ou enchimento para estradas. Mas os activistas ambientais mantinham-se um passo à frente do barco, informando os países sobre o que realmente a cinza era. Ninguém queria esta carga, até que ela chegou ao Haiti. Aí, o governo apoiado pelos EUA deixou que as cinzas entrassem no país, agora chamadas de adubo toneladas de cinzas foram deitadas na praia na cidade de Gonaives, no Haiti. Passado pouco tempo, a indignação pública forçou os oficiais haitianos a admitirem que não estavam a receber adubo. Deram ordens para que os resíduos fossem devolvidos ao barco. Mas o Khian Sea já tinha desaparecido durante a noite. Durante 2 anos, o Khian Sea andou de país em país a tentar deitar fora as restantes toneladas de cinzas. A tripulação até foi obrigada a esconder o nome do barco. Mesmo assim, nenhum país foi enganado e obrigado a aceitar a carga. Mais tarde, um membro da tripulação testemunhou num tribunal, dizendo que a maior parte dos resíduos foram deitados no oceano Índico. No fim, toneladas de cinzas foram postas de volta num aterro em Filadélfia, graças a anos de esforços dos activistas.

19 Infelizmente, ignorar resíduos tóxicos não faz com que eles desapareçam. Quando novos projectos de desenvolvimento são iniciados nas cidades, habitualmente, as pessoas ficam excitadas com os novos mercados, casas, zonas de recreio e empregos que vão ser criados. Mas, sobretudo quando estes projectos são construídos em lugares onde houve uma fábrica ou uma base militar, as pessoas devem ter o cuidado de garantir que o próprio solo não se torna numa lixeira de resíduos tóxicos. E se se tornou, os resíduos tóxicos devem ser eliminados com segurança. Quando a cidade de San Diego, EUA, começou a construir um novo estádio, os fãs da equipa de basebol dos San Diego Padres ficou excitada. O novo estádio seria melhor para ver os jogos e a sua construção ia trazer empregos para a comunidade. Mas um estudo de impacto ambiental (EIA) mostrou que o projecto também teria maus efeitos no meio ambiente e na saúde das pessoas. O lugar proposto estava contaminado com químicos tóxicos. O plano pedia que o solo tóxico fosse escavado e queimado mesmo no meio da cidade. Os membros de um grupo local, a Coligação para a Saúde Ambiental (CSA), sabiam que isto iria causar problemas de saúde graves. Por isso, organizaram a comunidade para que exigisse uma alternativa. Os membros da CSA e da comunidade pediram aos responsáveis da cidade que rejeitassem o plano, mas a cidade negou-lhes esse pedido. A comunidade organizou então mais de 100 residentes para protestarem no local de construção. Quando os meios de comunicação locais relataram o assunto, parecia que o clube não se preocupava com os seus fãs. Em breve, os donos da equipa concordaram em descobrir outra forma de eliminarem o solo tóxico. A CSA também mostrou como é que o novo estádio iria causar um aumento no trânsito, na poluição do ar e na asma entre as crianças do bairro. Depois de muitas reuniões, a Coligação para a Saúde Ambiental ajudou a desenvolver novos planos de construção mais saudáveis. Até mesmo quando são organizadas reuniões públicas e produzidos estudos de impacto ambiental, isto não significa que um projecto vai estar livre de perigo. No caso do estádio de San Diego, os construtores queriam ir com o projecto avante, apesar de conhecerem o perigo de queimar solo tóxico e os problemas com os planos do estádio. Foi preciso um grupo organizado e dedicado estudar os relatórios, ir às reuniões e protestar nas ruas para levar o governo a reduzir os danos. Muitas pessoas em San Diego prestam atenção a cada jogo que os San Diego Padres jogam. Agora, eles podem apoiar a sua equipa e saber que ela não os fez ficarem doentes.

20 Durante anos, os países ricos da América do Norte e da Europa usaram a África, a Ásia, a América Latina e a Europa de Leste como lugares para lixeiras tóxicas, sem qualquer pressão legal para pararem. Finalmente, a acção comunitária nos países mais pobres, em conjunto com pressão de ambientalistas em todo o mundo, ganhou acções que resultaram em acordos internacionais que ilegalizaram o comércio de produtos tóxicos. O primeiro acordo foi a Convenção de Basileia sobre o Controlo dos Movimentos Transfronteiriços de Resíduos Perigosos e sua Eliminação (1992). Este acordo foi conquistado por causa dos activistas que seguiram o Khian Sea, o barco que viajou à volta do mundo tentando deitar fora a sua carga de cinzas tóxicas. Os países que assinaram a Convenção de Basileia concordam em tratar, reutilizar e eliminar resíduos tóxicos tão perto quanto possível do lugar onde eles são produzidos, em vez de os enviarem para outros países. Em 2001, 92 países assinaram a Convenção de Estocolmo sobre os Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs, ver página 340). Esta convenção proíbe a produção e uso dos 12 POPs mais perigosos (chamados a Dúzia Suja ) e torna ilegal comercializá-los, excepto se o uso de um certo produto químico vai prevenir mais danos do que ele causa (como por exemplo o uso específico de DDT para controlar a malária, ver página 150). Um terceiro acordo foi aprovado em 2004: a Convenção de Roterdão sobre Consentimento com Informação Prévia. Isto requer que um país notifique e obtenha permissão de outro país quando quer exportar produtos químicos perigosos. Quando as pessoas conhecem e usam estes acordos, eles podem ser uma ferramenta importante para tornar o mundo mais saudável e mais justo. Mas há muitas maneiras de os países e as empresas darem a volta à lei. Para mais informação sobre formas de usar estas e outras leis internacionais nas suas lutas pela saúde ambiental, ver Apêndice B. Não deitem lixo sobre nós!

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