Aula do Curso Básico DEUS

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1 Aula do Curso Básico DEUS

2 Gênese evolução da ideia de Deus Os mecanismos da evolução Os animais e os fenômenos naturais A vida do ser humano primitivo A descoberta do espírito e suas consequências O animismo e a evolução do conceito de divindades A elaboração das divindades: evolução do Politeísmo

3 A evolução do monoteísmo Egito: O surgimento do monodeísmo Amenhotep (Amenófis) IV (Akenaton) ( a.c.) O Deus hebreu: Surgimento do monoteísmo Moisés: o deus dos exércitos Isaías ( a.c.): o Deus da Salvação Jesus (7/5 a.c.-26/28): O Deus pai amoroso e misericordioso Paulo de Tarso (±10-64): O Deus Cristão

4 Conceito espírita de Deus O que é Deus? Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas. Que se deve entender pelo infinito? O que não tem começo nem fim; o desconhecido; tudo o que é desconhecido é infinito. Onde se vê na causa primeira uma inteligência suprema e superior a todas as inteligências? Vós tendes um provérbio que diz isto: Pela obra se reconhece o obreiro. Pois bem! Olhai a obra e procurai o obreiro. É o orgulho que engendra a incredulidade. O homem orgulhoso não quer nada acima dele, é por isso que se denomina espírito forte. Pobre ser que um sopro de Deus pode abater!

5 Inteligência de Deus Julga-se o poder de uma inteligência por suas obras; nenhum ser humano podendo criar aquilo que a natureza produz, a causa primeira é, então, uma inteligência superior à humanidade. Qualquer que sejam os prodígios realizados pela inteligência humana, esta inteligência tem ela mesma uma causa, e quanto maior seja o que ela realiza, maior deve ser a causa primeira. É esta inteligência que é a causa primeira de todas as coisas, qualquer que seja o nome sob o qual o homem a designe.

6 Deus e o infinito Poder-se-ia dizer que Deus é o infinito? Definição incompleta. Pobreza da língua dos homens, que é insuficiente para definir as coisas que estão acima de suas inteligências. Deus é infinito em suas perfeições; mas o infinito é uma abstração; dizer que Deus é o infinito é tomar o atributo pela coisa mesma, e definir uma coisa que não é conhecida por outra que não o é mais.

7 Provas da Existência da Deus Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus? Num axioma que aplicais à vossas ciências: não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é a obra do homem, e vossa razão vos responderá. Para crer em Deus, é suficiente lançar os olhos sobre as obras da criação. O Universo existe, então há uma causa. Duvidar da existência de Deus seria negar que todo efeito tem uma causa, e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa.

8 Intuição da ideia de Deus Qual consequência se pode tirar do sentimento intuitivo que todos os homens trazem neles mesmos da existência de Deus? Que Deus existe; por que, de onde lhe viria esse sentimento se não repousasse sobre nada? É ainda uma consequência do princípio que não há efeito sem causa. O sentimento íntimo que temos em nós mesmos da existência de Deus não seria resultante da educação e o produto de idéias adquiridas? Se assim fosse, por que os vossos selvagens teriam esse sentimento? Se o sentimento da existência de um ser supremo não fosse mais do que o produto de um ensinamento, ele não seria universal, e não existiria como as noções das ciências, senão entre aqueles que tivessem podido receber este ensinamento.

9 A força criadora na matéria? Poder-se-ia encontrar a causa primeira da formação das coisas nas propriedades íntimas da matéria? Mas então, qual seria a causa dessas propriedades? É preciso sempre uma causa primeira. Atribuir a formação primeira das coisas às propriedades íntimas da matéria seria tomar o efeito pela causa, por que essas propriedades são, elas mesmas, um efeito que deve ter uma causa.

10 O acaso como origem de tudo Que pensar da opinião que atribui a formação primeira a uma combinação fortuita da matéria, dito de outra maneira: ao acaso? Outro absurdo! Qual homem de bom senso pode ver o acaso como um ser inteligente? E depois, o que é o acaso? Nada. A harmonia que rege as forças do universo demonstra combinações e metas determinadas, e por isso mesmo revela o poder inteligente. Atribuir a formação primeira ao acaso seria um contrassenso, porque o acaso é cego e não pode produzir os efeitos da inteligência. Um acaso inteligente não seria mais o acaso.

11 Panteísmo (I) O que pensar da opinião segundo a qual todos os corpos da natureza, todos os seres, todos os globos do universo seriam partes da divindade e constituiriam, pelo seu conjunto, a Divindade ele mesma; dito de outra maneira, da doutrina panteísta? O homem não podendo se fazer Deus, quer pelo menos ser uma parte de Deus.

12 Panteísmo (II) Aqueles que professam esta doutrina pretendem encontrar nela a demonstração de alguns dos atributos de Deus. Os mundos sendo infinitos, Deus é, por isto mesmo, infinito; o vazio ou nada não estando em parte nenhuma, Deus está em toda parte; Deus estando em toda parte, pois que tudo é parte integrante de Deus, ele dá a todos os fenômenos da natureza uma razão de ser inteligente. Que se pode opor a esse raciocínio? A razão; refleti maduramente, e não vos será difícil de lhe reconhecer o absurdo.

13 Refutação da Lógica Panteísta (J) Esta doutrina faz de Deus um ser material que, se bem que dotado de uma inteligência suprema, seria em tamanho grande o que somos em pequeno. Ora, a matéria se transformando sem cessar, se assim fosse Deus não teria nenhuma estabilidade; ele estaria sujeito a todas as vicissitudes, a todas as mesmas necessidades da humanidade; faltar-lhe-ia um dos atributos essenciais da Divindade: a imutabilidade. As propriedades da matéria não podem se aliar à idéia de Deus sem o rebaixar em nosso pensamento, e todas as sutilezas de sofismas não chegarão a resolver o problema de sua natureza íntima.

14 Refutação da Lógica Panteísta (II) Nós não sabemos tudo o que ele é, mas sabemos o que não poderia deixar de ser, e esse sistema está em contradição com suas propriedades as mais essenciais; ele confunde o criador com a criatura, absolutamente como se se quisesse que uma máquina engenhosa fosse uma parte integrante do mecânico que a concebeu. A inteligência de Deus revela-se nas suas obras como a do pintor no seu quadro; mas, as obras de Deus não são o próprio Deus, assim como o quadro não é o pintor que o concebeu e o executou.

15 Compreensão de Deus como resultado da evolução do ser humano A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Na infância da humanidade, o homem o confunde, geralmente, com a criatura da qual lhe atribui as imperfeições; mas, à medida que o senso moral se desenvolve nele, seu pensamento penetra melhor o fundo das coisas, e ele se faz uma idéia mais justa e mais conforme com a sã razão, ainda que sempre incompleta.

16 Incapacidade do ser humano de compreender Deus Deus é um ser distinto, ou bem seria, segundo a opinião de alguns, a resultante de todas as forças e de todas as inteligências do universo reunidas? Se assim fosse, não seria Deus, porque seria o efeito e não a causa; ele não pode ser ao mesmo tempo um e outro. Deus existe, vós não podeis duvidar, é o essencial; Crede-me, não vades além; não vos percais num labirinto donde não poderíeis sair; isto não vos tornaria melhores, mas, talvez, um pouco mais orgulhosos, porque creríeis saber, e na realidade não saberíeis nada. Deixai então de lado todos esses sistemas; vós tendes bastantes coisas que vos tocam diretamente, a começar por vós mesmos; estudai vossas próprias imperfeições a fim de vos desembaraçardes delas, isto vos será mais útil do que pretender penetrar aquilo que é impenetrável.

17 Compreensão da natureza de Deus O homem pode compreender a natureza íntima de Deus? Não; é um sentido que lhe falta. Será dado um dia ao homem compreender o mistério da Divindade? Quando seu espírito não estiver mais obscurecido pela matéria e que, por sua perfeição, ele estiver mais próximo de Deus, então o verá e o compreenderá.

18 Perfeições de Deus Sim, de algumas. O homem as compreende melhor à medida que se eleva acima da matéria; ele as entrevê pelo pensamento. Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, não temos uma idéia completa de seus atributos? De vosso ponto de vista, sim, porque acreditais abranger tudo; mas sabei bem que existem coisas além da inteligência do homem mais intse não podemos compreender a natureza íntima de Deus, podemos ter uma ideia de algumas de suas perfeições?eligente, e para as quais vossa linguagem, limitada a vossas idéias e a vossas sensações, não possui expressões. A razão vos diz, com efeito, que Deus deve ter essas perfeições em grau supremo, porque se tivesse uma só a menos, ou melhor, que não fosse a um grau infinito, ele não seria superior a tudo e, por conseqüência, não seria Deus. Por estar acima de todas as coisas, Deus não deve sofrer nenhuma vicissitude, e não ter nenhuma das imperfeições que a imaginação possa conceber.

19 Atributos de Deus Deus é eterno; se ele tivesse tido um começo, teria saído do nada, ou melhor, teria sido criado, ele mesmo, por um ser anterior. É assim que, de aproximação em aproximação, remontamos ao infinito e à eternidade. É imutável; se estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o universo não teriam nenhuma estabilidade. É imaterial; quer dizer que sua natureza difere de tudo o que nós chamamos matéria, de outra forma ele não seria imutável, porque estaria sujeito às transformações da matéria. É único; se houvessem vários deuses não existiria nem unidade de vista, nem unidade de poder no ordenamento do universo. É todo-poderoso; porque é único. Se ele não tivesse o soberano poder, existiria alguma coisa mais ou tão poderosa quanto ele, não teria feito todas as coisas, e aquelas que não tivesse feito, seriam obra de um outro Deus. É soberanamente justo e bom. A sabedoria providencial das leis divinas se revela nas pequenas coisas como nas maiores, e esta sabedoria não permite duvidar nem da sua justiça, nem da sua bondade.

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