Envelhecimento Ativo Por: Elisa Franco de Assis Costa, geriatra

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1 informativo via médica 1 c início b Ano 04 nº 10 setembro de 2011 Envelhecimento Ativo Por: Elisa Franco de Assis Costa, geriatra Um programa para toda a vida, que engloba desde hábitos saudáveis e ações preventivas de saúde até mudanças no trânsito, nas edificações e nas calçadas das grandes cidades Uma das maiores conquistas do século XX foi o aumento da expectativa de vida do ser humano, inclusive nos países em desenvolvimento como o Brasil. Entretanto, essa conquista traz para o século XXI o desafio de garantir que os anos de vida ganhos sejam vividos com qualidade e que os idosos continuem mantendo a autonomia e a capacidade para executar as atividades de vida diária sem que necessitem da ajuda ou da supervisão de seus jovens e atarefados descendentes. Para enfrentarmos esse novo desafio, cada indivíduo tem que começar a fazer a sua parte desde a juventude e continuar fazendo mesmo depois de chegada a terceira idade. E o que é preciso fazer? Inicialmente, é necessário que cada indivíduo se engaje em programas de Envelhecimento Ativo, que é como são chamadas pela Organização Mundial de Saúde as ações de otimização das DETECÇÃO PRECOCE DE DOENÇAS Autoexame das mamas e dos testículos Avaliação médica e odontológica periódica Avaliação para câncer de colo de útero, pele, intestinos e próstata Aferir a pressão arterial regularmente Dosar regularmente a glicose e os lipídios sanguíneos Avaliação da memória de indivíduos idosos Avaliação periódica da visão e da audição PROTEÇÃO DA SAÚDE Uso de protetor solar Vacinação Usar corretamente os medicamentos prescritos e evitar a automedicação Não conduzir veículos sob efeito do álcool, usar cintos de segurança e capacetes Prevenir quedas Evitar o tabagismo e o abuso de álcool ou outras substâncias Evitar exposição a ruídos intensos oportunidades de saúde, participação e segurança com o objetivo de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas ficam mais velhas. Na verdade, esses programas englobam não só ações voltadas para a prevenção e para a promoção de saúde, mas as ações de preservação ambiental e as adaptações nos ambientes urbanos para que as cidades se tornem cidades amigas de idosos e, consequentemente, amigas de todas idades. Os idosos constituem um importante recurso para suas famílias, comunidades e economias. Entretanto, para aproveitarem esse potencial dos idosos, as cidades precisam garantir a sua inclusão e o seu acesso aos espaços, às estruturas e aos serviços urbanos, com melhorias no trânsito, nas vias públicas, nos transportes, na segurança, nas edificações e nas calçadas. Do ponto de vista individual, é preciso que todos, antes de buscarem a PROMOÇÃO DA SAÚDE Dieta saudável Atividade física Dormir adequadamente Atividade mental Manter uma rede social e familiar Escovar os dentes e outros cuidados de higiene Cuidados com o meio ambiente ilusão de tratamentos sem comprovação científica, cultivem hábitos simples, mas extremamente importantes para o envelhecimento saudável, como deixar de fumar, praticar atividades físicas, ter uma dieta balanceada, dormir adequadamente, não ingerir ou ingerir pouca bebida alcoólica, usar cinto de segurança, fazer as vacinas indicadas em cada faixa etária, cuidar dos dentes e da boca, praticar sexo seguro, fazer exames periódicos de saúde e manter bom controle da pressão arterial, do açúcar e das gorduras do sangue. É preciso ter cuidado com os medicamentos e não usar aqueles que não têm comprovação de eficácia e que não sejam prescritos pelo seu médico. Os medicamentos, quando malindicados, podem ser extremamente deletérios à saúde e inimigos do Envelhecimento Ativo. Os exames preventivos devem ser indicados pelo médico e as intervenções a serem tomadas diante de cada resultado também devem ser indicadas por ele. No quadro (ao lado) estão descritos exemplos de comportamentos e atitudes que comprovadamente contribuem para o envelhecimento ativo por evitarem doenças ou permitirem a sua detecção precoce.

2 c alimentação b Idosos diabéticos precisam de cuidados redobrados A endocrinologista Isabela Ghetti Macedo Isaac explica as razões do aumento do diabetes tipo 2 em idosos e o tratamento diferenciado que eles devem receber O diagnóstico de diabetes tipo 1 é mais frequente em jovens, principalmente com menos de 20 anos. Já o diabetes tipo 2 é uma doença crônico-degenerativa, cuja prevalência aumenta com a idade, é o que explica a endocrinologista Isabela Ghetti Macedo Isaac. Com o aumento da expectativa de vida da população, da obesidade e do sedentarismo, estima-se que o número de idosos diabéticos aumente a cada ano. No Brasil, a prevalência do diabetes é de 7,6% da população. Para a faixa etária de 60 a 69 anos, esse número sobe para 17,3%. Em estatísticas norteamericanas, a prevalência do diabetes é de cerca de 20% em indivíduos com mais de 75 anos, informa. A endocrinologista diz que os sintomas clássicos do diabetes, que são a poliúria (aumento do volume urinário) e a polidipsia (aumento da sede) podem não se manifestar nos idosos devido a alterações no mecanismo que leva à sensação de sede e no funcionamento renal, que podem ocorrer nessa faixa etária. Para esses pacientes, outros sintomas também devem ser observados como emagrecimento, confusão mental, incontinência urinária, distúrbios visuais, dores nas pernas e fraqueza muscular, alerta. No entanto, ela frisa que todos são sintomas inespecíficos. Ou seja, nenhum deles define a doença, que só será confirmada pela dosagem da glicemia, mas devem servir como alerta e estímulo para avaliação médica, ressalta. Isabela destaca ainda que vários cuidados devem ser tomados antes do início do tratamento medicamentoso. É fundamental avaliar as funções renal e hepática desses pacientes, que são vias de metabolização e eliminação dos medicamentos. Nos idosos, não é raro que essas funções estejam alteradas e podem ser assintomáticas. Caso exista comprometimento, alguns fármacos devem ser evitados e outros devem ter as suas doses ajustadas para que efeitos exagerados, como a queda da glicemia além do desejado (hipoglicemia), e outros efeitos colaterais não ocorram, orienta. TRATAMENTO Sua recomendação é de que os medicamentos sejam iniciados com doses menores para posterior aumento, de acordo com a sensibilidade individual e necessidade do caso. Outro aspecto importante destacado pela endocrinologista é o acompanhamento periódico. Assim, poderemos detectar outras doenças que o paciente eventualmente apresente, que possam interferir com o tratamento, e conhecer todos os medicamentos em uso para evitar interações medicamentosas, diz a especialista. Quanto às orientações gerais para controle do diabetes, Isabela afirma que elas são semelhantes para todas as idades e envolvem a adoção de hábitos de vida saudáveis, como controle alimentar e prática de atividade física regular. O planejamento alimentar individualizado proposto por profissional capacitado é o ideal, para que se leve em conta preferências e hábitos de cada paciente, dentro do possível, além de seu peso, condição física e outras doenças que possa apresentar. Mas, algumas orientações valem para todos, como a necessidade de fracionamento da dieta, ou seja, realizar seis refeições ao dia com intervalo de cerca de três horas entre elas, suspender o uso do açúcar simples, limitar os outros tipos de carboidratos (pães, farinha, arroz,etc.), evitar gordura saturada, aumentar a ingesta de fibras e manter o peso dentro do saudável para a idade. Entretanto, ela avisa que, para os idosos, as recomendações devem ser feitas de forma individualizada, levandose em conta as particularidades de cada paciente, principalmente com relação à condição física e eventual presença de outras doenças que possam gerar limitações. Além disso, o comprometimento de outras funções orgânicas (renal, hepática, digestiva, neurológica, etc.) decorrente de doenças ou mesmo relacionado à idade, se presente, pode deixar esse grupo mais vulnerável a oscilações de glicemia e a efeitos colaterais de alguns medicamentos. Para que isso seja evitado ou minimizado e visando sempre melhorar a qualidade de vida dos pacientes, o acompanhamento médico periódico é fundamental, finaliza. EXPEDIENTE Veículo de divulgação oficial do Centro Clínico Via Médica R. T-58, esquina com T-38, nº 315, Setor Bueno CEP: Goiânia-GO Telefone: (62) Diretor clínico Weimar K. Sebba Barroso de Souza Diretor técnico Weimar Canguçu Barroso de Queiroz Gerente administrativa Iolanda Oliveira Cardoso Publicação com a qualidade: Edição: Tatiana Cardoso Redação: Ana Maria Morais, Ana Paula Machado e Márcia Fabiana Direção de Arte: Alex Fróes Arte Final: Vinicius Carneiro (62)

3 CONHEÇA O CORPO CLÍNICO DA Agnaldo Moitinho D. Júnior Cirurgião Plástico CRM-GO 7894 Amanda R. Bitencourt CRM-GO Ana Lúcia R. de P. Queiroz CRM-GO 7578 Andrea Silveira CRM-GO 6294 Cleiton Augusto Noll Oftalmologista CRM-GO Elisa Franco Assis Costa CRM-GO 5001 Flávia Europeu de Barros Psicóloga CRP-GO 09/3122 Flávia de Castro Santana Ginecologista e Nutróloga CRM-GO 6514 Helder Hara Takaoka Nefrologista CRM-GO 9900 Heloísa da Silveira Moreira Pneumologista CRM-GO Isadora C. Alves Teixeira CRM-GO 9995 Luciana S. dos Anjos França Ginecologista e Obstetra CRM-GO 8535 Mary Janey Alves F. Borges CRM-GO 4501 Michael Carvalho Santana CRM-GO Mônica L. Camargos Nutricionista CRN1-GO 1090 Túlio Rocha Freire Médico CRM-GO 8677 Paulo Sérgio Porto CRM-GO 4913 Petrônio Fleury Neto Cirurgião Plástico CRM-GO Ramão Vera Filho Angiologista e Cirurgião CRM-GO 5019 Renata Dias Arruda Otorrinolaringologista CRM-GO 9435 Weimar K. Sebba Barroso CRM-GO 6495 Zélia Sobrinha de Santana CRM-GO Valéria Estrela C. Gonçalves CRM-GO 7281 Valéria Tatyane de Rezende CRM-GO 5544 Weimar C. B. de Queiroz CRM-GO 6496 informativo via médica 3

4 Daniela Pultrini P. de Oliveira Endocrinologista CRM-GO 8976 Gustavo Dafico B. de Oliveira Endocrinologista CRM-GO 7849 Isabela Ghetti Macedo Isaac Endocrinologista CRM-GO 9403 Loiane Moraes Ribeiro Victoy CRM-GO Paula Alves de Paula Médica CRM-GO Talita Alves Teixeira CRM-GO Tatiana Sayuri Nakata CRM-GO Ana Flávia Alves Teixeira CRM-GO Exames Realizados A Via Médica disponibiliza os melhores profissionais e exames de alta tecnologia em busca dos melhores atendimento, diagnóstico e definição de tratamento Duplex - scan vascular Ecocardiograma com mapeamento de fluxo em cores Eletrocardiograma Exames Laboratoriais Holter 24 horas ITB - Índice Tornozelo Braquial M.A.P.A - M.R.P.A Medicina nuclear Teste ergométrico Ultrassonografia em geral

5 c como eu trato b Doença Renal Crônica: a nova epidemia do século XXI Por Helder H. Takaoka, nefrologista Segundo censo da Sociedade Brasileira de Nefrologia, a hipertensão arterial é principal causa da doença no Brasil As atenções para a saúde do idoso têm sido bastante discutidas nas últimas décadas em virtude, principalmente, do aumento da longevidade da população mundial. Muitos desafios surgem a fim de se melhorar a qualidade e a expectativa de vida desta população, não somente em países desenvolvidos mas também em países em desenvolvimento, como o Brasil, onde o acesso a saúde talvez seja mais precário. É neste contexto que as doenças como hipertensão arterial, diabetes mellitus, alterações nas taxas de colesterol, tornamse os principais fatores de riscos para o desenvolvimento de lesões de órgãos alvos, como o coração, cérebro e rins. Sendo os últimos, os únicos órgãos passíveis de serem substituídos por terapias alternativas como a hemodiálise e a diálise peritoneal. Atualmente a Doença Renal Crônica (DRC) é considerada como a nova epidemia do século XXI, segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN). Acomete cerca de 125 mil pessoas no Brasil (em terapia renal substitutiva - hemodiálise ou diálise peritoneal), e caracteriza-se por lesão estrutural e/ou funcional dos rins persistente por mais de três meses, de caráter progressivo e irreversível. Usualmente, o estudo da função renal se faz por meio da creatinina (sangue), da análise do sedimento urinário (microalbuminúria) e da ecografia dos rins e vias urinárias. Sendo que esses exames complementares devem estar correlacionados à idade, ao sexo, à altura, ao peso e à raça, para se estimar a função renal. Portanto, creatinina igual a 1,2 mg/dl pode estimar uma função renal normal para um adolescente e caracterizar doença Renal Crônica para uma senhora diabética, com idade maior ou igual a 65 anos. Segundo estudos americanos, cerca de 75% dos indivíduos com mais de 70 anos apresentam déficit da função renal, e destes, aproximadamente 25% são portadores de Doença Renal Crônica (com função renal menor que 60%), sendo o diabetes mellitus (nefropatia diabética) a principal causa. Estima-se que no Brasil, o cenário seja bastante parecido conforme o censo da SBN, porém a principal causa de doença renal crônica tem sido a hipertensão arterial (nefropatia hipertensiva). Assim, as intervenções multidisciplinares são as principais armas para se tentar mudar o caráter de progressão da doença renal crônica. Dentre elas, cita-se o controle rigoroso da pressão arterial, dos níveis glicêmicos e das taxas de colesterol, assim como mudanças no estilo de vida (tabagismo, dieta saudável e o sedentarismo). informativo via médica 3

6 c coração b Atividade física: como se preparar para iniciá-la após os 40 Antes de começar a atividade física, os quarentões devem passar por uma avaliação detalhada de um cardiologista para evitar riscos setembro de No Brasil, o sedentarismo é um problema que vem assumindo grande importância, tendo em vista o aumento do índice de obesos, aliado ao estresse do cotidiano e ainda ao aumento da expectativa média de vida. O tão famoso estilo da vida moderna, com TV, computadores, videogames e a falta de tempo contribuem para a grande inatividade que impera na atual sociedade, diz a cardiologista Ana Lúcia Ribeiro de Paiva Queiroz. A prática regular de atividade física é benéfica em qualquer idade. Por isso, não desanime se você tem mais de 40 anos e ainda não está na turma dos ativos. Nunca é tarde, convida. Ela enfatiza que, antes de iniciar alguma atividade física é necessário procurar um cardiologista e solicitar uma avaliação, mesmo que a academia não tenha pedido. O especialista avaliará sintomas e fatores de risco, como, tabagismo, diabetes, dislipidemia e antecedentes familiares de cardiopatias, informa Ana Lúcia, acrescentando que após o exame físico o cardiologista decidirá quais exames complementares serão necessários. De acordo com ela, geralmente são solicitados teste ergométrico, exames de sangue, ecocardiograma ou outros que possam ajudá-lo a avaliar possíveis riscos. A cardiologista lembra que os benefícios da atividade física regular e adequadamente supervisionada podem ser observados tanto na saúde física quanto mental. Em relação ao corpo, nota-se perda de peso, melhora dos níveis de pressão arterial, redução dos níveis de colesterol total e triglicérides, aumento do bom colesterol, melhora da massa óssea, diminuição da perda natural de massa muscular, fortalecimento das articulações, melhora da imunidade, do sono, dentre outros, enumera. No campo da saúde mental, observa-se redução do estresse, da ansiedade, auxílio no tratamento da depressão e até melhora de autoestima, permitindo uma maior capacidade de lidar com pequenos problemas, completa. Tudo isso, afirma a médica, trará ainda o benefício da prevenção de diversos males, como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, diabetes, osteoporose e até pequenos resfriados ou infecções. No entanto, Ana Lúcia ressalta que a prática da atividade física deve ser constante e não esporádica. Aquele praticante de exercícios só aos fins de semana deve tomar bastante cuidado, porque já existem estudos associando essa prática a mais prejuízos que benefícios, com aumento da incidência de eventos cardiovasculares, alerta a médica, acrescentando que há também o risco de lesões osteomusculares, por causa da inatividade de longo tempo. Assim, para que todos esses benefícios se concretizem, a atividade física deve ser praticada por no mínimo 30 minutos e na maioria dos dias da semana, ou seja, quatro vezes por semana. Portanto, mexase. Mesmo após os 40, é possível trabalhar para ter um envelhecimento menos turbulento por meio da atividade física. Escolha uma atividade da qual você goste, adequada a seus horários, solicite a seu médico uma avaliação e procure um profissional da educação física para conseguir dar um basta no sedentarismo, aconselha.

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