FACULDADE NOVOS HORIZONTES O CAMELÔ E O SHOPPING POPULAR NA REALIDADE DE BELO HORIZONTE

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1 FACULDADE NOVOS HORIZONTES O CAMELÔ E O SHOPPING POPULAR NA REALIDADE DE BELO HORIZONTE Daniela Laviola Rossi Matos Caldeira Luiz Flávio Silva Villani Mônica Figueira Dias Maurício dos Santos Sebastião Marcos Eduardo Lopes Philipe Eustáquio Teixeira de Assis Tacco Orientador: Prof. Hugo Schayer Sabino 2º SEMESTRE Belo Horizonte, outubro de 2007.

2 CURSO: DIREITO PROJETO INTERDISCIPLINAR 2º. SEMESTRE TEMA: O direito nos âmbitos econômico, político e social SUBTEMA: O camelô e o shopping popular na realidade de Belo Horizonte Grupo: S2DI1-G3 Orientador: Prof. Hugo Schayer Sabino Trabalho apresentado como requisito para a disciplina Projeto Interdisciplinar do curso de Direito da Faculdade Novos Horizontes. Belo Horizonte, 30 de outubro de 2007.

3 RESUMO O nosso grupo realizou um estudo sobre a realidade dos camelôs e shoppings populares em Belo Horizonte. Dando início ao trabalho, procuramos a definição de camelô e empresário, pesquisamos como foi o projeto coordenado pela Prefeitura de Belo Horizonte, de retirada dos camelôs das ruas e fizemos um levantamento bibliográfico sobre o tema em uma perspectiva histórica do Direito Comercial. Para a pesquisa de campo, elaboramos alguns roteiros de entrevista para: - os lojistas dos shoppings populares; - o representante da Prefeitura de Belo Horizonte; - o representante da Associação dos Trabalhadores Informais; - os clientes - e os lojistas legalmente estabelecidos no hiper-centro, nas proximidades dos locais onde ficavam os camelôs. O objetivo foi verificar os pontos positivos e negativos da mudança dos camelôs para os shoppings populares em seus aspectos econômico, político e social. Os resultados da pesquisa mostraram que a mudança foi adequada pois proporcionou uma grande melhora no aspecto visual e na circulação nas ruas do hiper-centro, além de melhores condições de trabalho para o camelô. Porém, percebemos que a questão é bastante polêmica, pois ao prentender dar um apoio social aos camelôs, a PBH passa uma imagem de permissividade para não pagar tributos e nem registrar seus funcionários. Palavras-chaves: Camelô; Shopping Popular; Trabalhador Informal; Empreendedor Popular.

4 SUMÁRIO 1.INTRODUÇÃO OBJETIVO METODOLOGIA REFERENCIAL TEÓRICO PESQUISA DE CAMPO CONCLUSÃO...15 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...17 ANEXO I ROTEIRO DE ENTREVISTA DA ASSOCIAÇÃO DOS TRABALHADORES DA ÁREA INFORMAL ANEXO II ROTEIRO DE ENTREVISTA DOS TRABALHADORES DA ÁREA INFORMAL...19 ANEXO III ROTEIRO DE ENTREVISTA DOS LOJISTAS LEGALMENTE ESTABELECIDOS...27 ANEXO IV ROTEIRO DE ENTREVISTA DOS CLIENTES ANEXO V ROTEIRO DE ENTREVISTA DO REPRESENTANTE DA PREFEITURA DE BELO HORIZONTE ANEXOS...18

5 1. INTRODUÇÃO A Prefeitura de Belo Horizonte, por meio do Programa Centro Vivo, um conjunto de obras e projetos sociais que visam recuperar toda a área central da cidade, proporcionando uma cidade mais limpa e organizada, iniciou, em 1998, o cadastramento dos camelôs para posterior retirada e realocação. Os camelôs fizeram um acordo com a Prefeitura de Belo Horizonte e assinaram um contrato de locação com proprietários de imóveis particulares, recebendo a denominação de empreendedores populares. No projeto, foi feito o remanejamento dos camelôs das ruas para espaços fechados, criando-se então o Shopping Popular Oiapoque. Em 2004, entrou em vigor na Capital o Código de Posturas do Município, que proíbe o comércio informal no logradouro público. Na época em que ocorreu a retirada dos camelôs das ruas, a atitude gerou muita polêmica entre a população, pois a ação da Prefeitura passou uma imagem de proteção para não pagamento de impostos. Mas os shoppings populares expandiram com sucesso e hoje temos alguns exemplos como: Oiapoque (popularmente chamado Oi ), Xavantes, Tupinambás, Caetés e Tocantins.

6 2. OBJETIVO O objetivo do nosso trabalho é retratar a realidade dos camelôs de Belo Horizonte e suas atividades realizadas nos shoppings populares da Capital, considerando diversos âmbitos do direito, e apresentar alguns pontos favoráveis e outros desfavoráveis. Por considerarmos que este tema envolve o direito nos seus diversos âmbitos: político, econômico e social, ele foi escolhido para desenvolvermos o projeto interdisciplinar. 3. METODOLOGIA Para o desenvolvimento do trabalho, primeiramente fizemos uma pesquisa bibliográfica sobre o Comércio e sua relação com o Direito. Abordamos seu histórico, os pressupostos e os problemas enfrentados nas relações entre o Direito e o camelô. Considerando a importância de retratar a prática, elaboramos roteiros de entrevistas que foram aplicados aos lojistas dos locais onde os camelôs ficavam, aos próprios que foram transferidos e aos consumidores dos shoppings populares. Com isso, buscamos fundamentos para analisar o ponto de vista de cada um dos envolvidos e mostrar como é a realidade dos empreendedores populares de Belo Horizonte, levantando os pontos positivos e negativos desta situação. 6

7 4. REFERENCIAL TEÓRICO Segundo o art. 966 do Código Civil Brasileiro, considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços. Analisando esse artigo, concluímos que os camelôs também podem ser considerados empresários. Camelô vem de camelot, vocábulo em francês, que significa "vendedor de artigos de pouco valor"). Usualmente, é como designamos os vendedores de rua. O camelô difere-se do ambulante por ter um ponto fixo na calçada. Geralmente, ocupa as calçadas dos centros comerciais de forma desordenada, atrapalhando a passagem dos pedestres. O Direito Comercial é o ramo de Direito Privado que tem por objeto regular o comércio. Segundo Rubens Requião (2006, p.4), o comércio é uma atividade humana que põe em circulação a riqueza produzida, onde, sempre há uma mercadoria-padrão, que serve de intermediária no processo circulatório. Inicialmente foi o direito do comerciante, que assim perdurou por muitos séculos, ou seja, a partir da primeira troca até o aparecimento das Ordenanças de Colbert, já no século XVIII, que anteciparam em alguns anos o verdadeiro marco de transformação e afirmação definitiva do Direito Comercial, que foi o Código Comercial de Napoleão de De acordo com Requião (2006), os atos do comércio adquiriram as características fundamentais que são a mediação do comerciante e conseqüentemente a sua busca à especulação. O núcleo do Direito Comercial 7

8 é o costume (consuetudo mercatorum). O Direito Comercial marítimo antecedeu o terrestre devido as vias naturais de comunicação serem as águas dos rios e mares. São originárias da ilha de Rodes as primeiras normas de direito comercial não escritas. Entretanto, as primeiras leis comercias escritas são italianas, vindas da Idade Média e foram os comerciantes, e não os juristas e legisladores, os criadores do Direito Comercial. Conforme Requião (2006), era considerado um direito especial e particular de uma classe profissional privilegiada, ou seja, a burguesia, e era caracterizado por seu aspecto consuetudinário, estatutário, eqüitativo. Sendo enfim um direito particularista, de exceção, somente dos mercadores que compunham essa burguesia italiana. Sabe-se que no Brasil, inicialmente, o comércio e a produção em si eram controladas pelas chamadas Ordenações Filipinas vigentes no século XVII (1603) até a edição do Código Comercial, em 1850, na gestão do Imperador D. Pedro II. Esse Código foi uma das normas mais duradouras da história brasileira, sendo que a parte que diz respeito ao comércio em geral esteve em vigor até a vigência do Código Civil (Lei /2002). Sua segunda parte ainda está em vigor e cuida do comércio marítimo. Modernamente, o Direito Comercial é chamado de Direito Empresarial e, nos dizeres de Maria Helena Diniz, é o conjunto de normas disciplinadoras da atividade negocial do comerciante e de qualquer pessoa, física ou jurídica, destinadas a fins de natureza econômica, desde que habitual e dirigida à produção de bens ou serviços conducentes a resultados patrimoniais ou lucrativos. (DINIZ, 1988, p.146) 8

9 Atualmente, observamos o florescer de um novo sistema comercial, com paradigmas completamente inovadores e baseados em blocos econômicos, como a Comunidade Européia e o nosso Mercosul. Os próprios ventos do neoliberalismo com a chamada globalização também contribuem para dar um novo conceito ao comércio e à atividade econômica, na medida em que as tarifas alfandegárias e a atuação global dos comerciantes permitiram que hoje se comercializem, por exemplo, produtos chineses, japoneses, norte-americanos e europeus em shopping-centers populares. 9

10 5. PESQUISA DE CAMPO Entrevistamos a Presidente da Associação da Economia Informal do Canteiro (ASSEIC), Rosemary da Silva, que nos informou sobre o funcionamento da economia informal (Anexo I). Segundo ela, os trabalhadores da área informal não pagam tributos e não tem vínculo com a Prefeitura. No início do funcionamento dos shoppings populares, a Prefeitura fez o cadastro dos camelôs que ficavam nas ruas, separados por corredores, ou canteiros, denominação dada pela Prefeitura aos passeios das ruas e avenidas ocupadas por eles. Com o Código de Posturas em vigor, a Prefeitura retirou os trabalhadores dos canteiros, alojando-os no Shopping Oiapoque. Pelo acordo realizado com a Prefeitura, eles seriam alojados em shoppings e pagariam o aluguel para o administrador do shopping, o qual foi designado pela Prefeitura. A presidente da ASSEIC considera que a administração do shopping Oiapoque atualmente é péssima, porque o administrador quer aumentar o aluguel, que hoje é R$ 321,00, em aproximadamente 500%. Além disso, é cobrada taxa de condomínio (R$ 250,00), e o shopping nunca proporcionou nenhuma infra-estrutura. Foram os próprios trabalhadores da área informal que fizeram as benfeitorias do box, como, por exemplo, a colocação de portas de aço e piso. Eles também fizeram o registro na Prefeitura, mas quem trabalha para eles não possui nenhum tipo de registro, nem vínculo empregatício. Antes do Código de Posturas ser implantado, o fiscal da Prefeitura fazia o cadastro daqueles que trabalhavam nos canteiros e eles foram levados 10

11 para o shopping popular. Hoje, no shopping Oiapoque, não existe nenhum tipo de cadastro com a Prefeitura, as negociações são feitas diretamente com o proprietário. Ela também nos informou que existe na Assembléia Legislativa de Minas Gerais uma proposta da Comissão de Asssuntos Municipais e Regionalização, presidida pelo Deputado Weliton Prado, para desapropriação do Shopping Oiapoque em benefício dos trabalhadores da área informal daquele Shopping. Segundo Mário Valadares, administrador e proprietário do Shopping Oiapoque, em reportagem ao Estado de Minas, hoje existe um programa de incentivo para regularizar o comércio no shopping Oiapoque. Das 800 lojas, 120 já estão legalizadas, e, para renovar os contratos de locação, está sendo exigido a abertura de empresa. Além disso, o Oiapoque está até lançando um cartão de crédito próprio, que só poderá ser usado em lojas com produtos legalizados. O que antes era informal está se transformando em comércio formal. Em entrevista ao administrador do shopping Caetés, ele nos disse que os lojistas de lá não pagam nenhum tributo e não costumam fazer reclamações. Nos shoppings Caetés e Tocantins, que são administrados pela Prefeitura de Belo Horizonte, o aluguel tem o custo de R$ 250,00 e a taxa de condomínio é R$ 70,00 Dando seqüência ao nosso trabalho, entrevistamos alguns trabalhadores da área informal nos shoppings Oiapoque, Caetés e Tocantins 11

12 (Anexo II). Constatamos que há uma variedade na denominação que eles dão à sua profissão. A maioria se considera comerciante, mas há também os que se intitulam microempresários, vendedor ambulante ou trabalhador informal. Antes de ir para o shopping popular, a maioria trabalhava nas ruas, sendo que três eram trabalhadores do setor formal. Questionados sobre as conseqüências da mudança para o shopping popular, a maioria dos entrevistados considera que a mudança foi positiva pois, nas ruas, não era fácil acondicionar as mercadorias e, no shopping, há maior segurança para as mesmas. Alguns consideram que a mudança foi negativa, pois as despesas aumentaram (condomínio, aluguel) e a concorrência aumentou e diminuiu o número de clientes. Com relação à renda mensal, a maioria dos trabalhadores informais considera que houve um aumento na renda, e a minoria considerou que ela permaneceu estável ou diminuiu. Perguntados sobre a condição de trabalho, a maioria dos trabalhadores pensa que houve uma melhora, pois eles não ficam expostos ao tempo, podem usar o banheiro, tem água à vontade para beber e não precisam procurar local para guardar suas mercadorias. Em razão de todos os aspectos relatados, a maioria se sente mais valorizado por estar no shopping popular, sendo que um deles falou que não precisa mais correr da fiscalização e é reconhecido no seu trabalho. A maioria faz um balanço positivo e pensa que a mudança para o shopping popular valeu a pena. 12

13 Além disso, a maioria dos entrevistados pensa que novos shoppings populares não deveriam ser abertos por causa da concorrência. Já outros pensam que novos shoppings populares deveriam ser abertos em bairros. Também entrevistamos os comerciantes legalmente estabelecidos no hiper-centro onde os camelôs trabalhavam anteriormente (Anexo III). Eles pensam que foi boa a mudança dos camelôs para o shopping popular porque as suas barracas dificultavam a entrada dos clientes nas lojas e atrapalhavam a visualização das vitrines. O número de pessoas que freqüentam a sua loja aumentou devido à facilidade de transitar no local. Conseqüentemente, o faturamento deles também aumentou pois, nas lojas, as pessoas procuram produtos de qualidade com nota fiscal e garantia, e existe um cliente mais elitista. Em relação à segurança, também houve uma melhora, pois antes os ladrões conseguiam se esconder entre as barracas, e hoje não existe mais esse problema, diminuindo assim o número de furtos. Ao questionar clientes do shopping popular (Anexo IV), alguns consideraram uma ótima idéia a retirada dos camelôs das ruas pois diminuiu o número de trombadinhas. Outros dizem que é mais fácil fazer compras no shopping popular onde está tudo concentrado em um local e as mercadorias são mais baratas que nas lojas convencionais. Com relação à diferença entre o preço praticado hoje no shopping popular e o que se praticava nas ruas, o cliente não notou diferença. A respeito da segurança, eles pensam que o número de furtos diminuiu, pois, na confusão das barracas, era mais fácil passar a mercadoria furtada adiante. O cliente é 13

14 favorável à abertura de novos shoppings populares nos bairros, porque acredita já existirem muitos no centro. Finalizando a nossa pesquisa de campo, procuramos a Prefeitura de Belo Horizonte e entrevistamos o Gerente Regional de Centros de Comércio Popular da Prefeitura de Belo Horizonte, Sr. Welton Petrilho Malta (Anexo V). Ele nos disse que os shoppings populares de Belo Horizonte se dividem em dois grupos: o 2, com os Shoppings Caetés e Tocantins, e o 3, com os Shoppings Oiapoque, Xavantes e Tupinambás. A diferença entre os grupos é que o primeiro (2) tem uma parte que pertence à Prefeitura. Portanto, os seus integrantes pagam o aluguel (R$ 224,00, já incluído condomínio) à Administração da Prefeitura. Eles assinaram um termo de permissão de uso e são controlados pela Prefeitura. Já o segundo grupo (3) pertence à iniciativa privada e seus integrantes pagam o aluguel/condomínio diretamente aos proprietários dos imóveis, que fizeram um contrato de locação regido pela indeterminação de prazo. Segundo Sr. Welton, a Prefeitura acompanhou o processo de adaptação, mas, após estarem estabilizados, não interferiu mais na administração. Hoje, apenas participa das reuniões mensais no Shopping Oiapoque, que foi o primeiro idealizado pela Prefeitura. Ele considera que o objetivo inicial foi alcançado, que era retirar os camelôs das ruas e colocá-los em um local pré-determinado. De acordo com Sr. Welton, em todos os shoppings populares, as pessoas que lá trabalham não são registradas, geralmente são familiares, e a Prefeitura apenas fiscaliza se não há trabalho infantil. 14

15 6. CONCLUSÃO Percebemos que a retirada dos camelôs para os shoppings populares foi bastante positiva pois melhorou o trânsito e o aspecto visual do centro da cidade. Beneficiou os trabalhadores da área informal, que adquiriram um espaço digno para exercerem suas atividades, os lojistas do centro, que retomaram a visibilidade de suas vitrines, e o público em geral, que ganhou com a desobstrução e melhora na higiene das ruas centrais. A iniciativa da Prefeitura de Belo Horizonte foi elogiada por todos e teve repercussões nos aspectos político, econômico e social. No entanto, a forma como ocorreu esta retirada das ruas têm gerado polêmica, porque a ilegalidade não é admitida pelo Estado e a imagem passada para a sociedade é a de que o Estado concorda com a informalidade dos lojistas dos shoppings populares. O camelô deixou de ser comerciante da rua e teve o seu local de trabalho transformado em pequena loja com aluguel e taxas a pagar. Ele recebeu da prefeitura a denominação de empreendedor popular e assinou um contrato de locação. Mas, atualmente, quem está administrando os shoppings populares está estipulando os valores de aluguel e condomínio que lhe convém, sem levar em consideração a renda dos trabalhadores lá instalados. Além disso, como no shopping popular a prática adotada é não pagar tributos e o movimento está muito bom, notamos que alguns lojistas que possuíam estabelecimentos no centro estão se mudando para lá e entrando para a informalidade. (Anexo II 2º e 9º entrevistados) 15

16 Pensamos que seria interessante a Prefeitura manter uma fiscalização e estipular algumas regras para a ocupação destes locais. A lei orgânica de Belo Horizonte, em seu artigo 12, XXII, já diz que compete ao município regulamentar e fiscalizar o comércio ambulante. Apesar do comércio não ser mais ambulante, pois hoje está fixo no shopping popular, é interessante promover o controle do mesmo para que não se desvirtue do objetivo inicial. 16

17 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Código Civil e Constituição Federal. 58. ed. São Paulo: Saraiva, Criação de Shoppings Populares. Disponível em: <http://www.vivabh.org.br/projetos.html#populares> Acesso em: 30/08/2007 CHOUCAIR, Geórgea. Aluguel no Shopping Oiapoque supera o da Savassi. Disponível em: <http://www.uai.com.br/uai/html/sessao_4/2007/08/23/em_noticia_interna,id_s essao=4&id_noticia=26453/em_noticia_interna.shtml> Acesso em: 30/08/2007. DINIZ, Maria Helena. Dicionário Jurídico. São Paulo: Saraiva, MAMEDE, Gladson. Manual de Direito Empresarial. São Paulo: Atlas, MARTINS, Fran. Curso de Direito Comercial: empresa comercial, empresários individuais, microempresas, sociedades comerciais, fundo de comércio. Ed.rev.e atual. Rio de Janeiro: Forense, Polícia Civil apreende produtos falsificados. Exercícios da Autonomia. Estado de Minas, Minas Gerais, 3 de outubro de REQUIÃO, Rubens. Curso de Direito Comercial. v.1. Saraiva, ed. São Paulo: 17

18 ANEXO I ROTEIRO DE ENTREVISTA DA ASSOCIAÇÃO DOS TRABALHADORES DA ÁREA INFORMAL 1) Quais os tributos pagos pelos trabalhadores da área informal? Por serem trabalhadores informais, não existem pagamentos de tributos. 2) Como está a administração dos shoppings populares? A administração do shopping popular está sendo realizada diretamente com o suposto proprietário do shopping. Sendo assim, a Prefeitura não tem mais responsabilidade na administração do mesmo. Com isso, posso dizer que a administração está péssima, pois não podemos fazer mais nada, quem manda é o administrador. 3) Como é o registro e controle do trabalhador da área informal que trabalha nos shoppings populares? E dos que trabalham nas ruas? Não há registros dos trabalhadores. 4) Quais os requisitos necessários para o trabalhador da área informal se inscrever na prefeitura? Antes do Código de Posturas, havia um cadastro na prefeitura por um fiscal de corredor (das ruas). Após o Código de Posturas, todos os cadastrados por este fiscal tiveram acesso. Hoje, o cadastro e a negociação são feitas diretamente com o proprietário, abrindo brechas para o empresário formal também adquirir um box nos shoppings populares, tornando assim trabalhadores informais.

19 ANEXO II ROTEIRO DE ENTREVISTA DOS TRABALHADORES DA ÁREA INFORMAL 1º entrevistado Shopping Oiapoque 1) Qual a denominação que você dá para a função que você exerce? Comerciante da área informal. 2) O que você fazia antes de ser comerciante informal/camelô? Empregado da área formal. 3) Com a mudança para o shopping popular, o que mudou em sua vida? Na rua, as mercadorias estragavam, e, com o shopping, não. 4) A sua renda mensal modificou com essa mudança? Diminuiu ou aumentou? Não. Continua a mesma. Porque aumentou a concorrência em números de comerciantes, antes eram 294 e passou pra 900, e também por causa do valor do condomínio, aluguel e funcionário. 5) Você considera que sua condição de trabalho melhorou com a mudança para o shopping popular? Porquê? Melhorou. Nas ruas era complicado, não tinha 6) Você se sente mais valorizado por estar no shopping e não na rua? Mais valorizado, por causa de toda infra-estrutura que foi montada pelos mesmos e os clientes conquistados. 7) Considerando todos os aspectos, a mudança valeu a pena? Valeu a pena, pela valorização do meu trabalho. 8) Você acha que novos shoppings populares devem ser abertos no centro de Belo Horizonte ou em outros locais? Não, os outros Tupinambás/Xavantes não tem o mesmo movimento de clientes. 2º entrevistado Shopping Oiapoque 1) Qual a denominação que você dá para a função que exerce? Trabalhador informal.

20 2) O que você fazia antes de ser trabalhador informal/camelô? Empregado do setor privado. 3) Com a mudança para o shopping popular, o que mudou na sua vida? Nada, pois sempre fui do ramo privado. 4) A sua renda mensal modificou com esta mudança? Diminuiu ou aumentou? Estável. 5) Você considera que sua condição de trabalho melhorou com a mudança para o shopping popular? Porquê? Mesma coisa. 6) Você se sente mais valorizado por estar no shopping e não na rua? Nunca trabalhei na rua. 7) Considerando todos os aspectos, a mudança valeu a pena? Com certeza. 8) Você acha que novos shoppings populares devem ser abertos no centro de Belo Horizonte ou em outros locais? Não deve ser aberto; as condições de concorrência aumentando, diminuiria condição de trabalho. 3º entrevistado Shopping Oiapoque 1) Qual a denominação que você dá para a função que exerce? Comerciante após a ida para o shopping, mas antes era camelô mesmo. 2) O que você fazia antes de ser trabalhador informal/camelô? Sempre fui camelô, criei meus filhos assim. 3) Com a mudança para o shopping popular, o que mudou na sua vida? Piorou, perdi meus clientes, aqui tem muita concorrência, aí os clientes se dividiram. 4) A sua renda mensal modificou com esta mudança? Diminuiu ou aumentou? Piorou. Porque aqui tem que gastar pagando aluguel, condomínio, muito gastos que antes não tinha.

21 5) Você considera que sua condição de trabalho melhorou com a mudança para o shopping popular? Por quê? Não. Porque tenho muita despesa e meus clientes não compram mais aqui, antes eles compravam sempre. 6) Você se sente mais valorizado por estar no shopping e não na rua? Não, pra quem esta de fora, foi bom, pra nós, não. 7) Considerando todos os aspectos, a mudança valeu a pena? Não, pra mim, não. 8) Você acha que novos shoppings populares devem ser abertos no centro de Belo Horizonte ou em outros locais? Não. Deveria voltar para as ruas. 4º entrevistado Shopping Oiapoque 1) Qual a denominação que você dá para a função que exerce? Camelô antes, e comerciante agora. 2) O que você fazia antes de ser trabalhador informal/camelô? Sempre comerciante (ambulante). 3) Com a mudança para o shopping popular, o que mudou na sua vida? Piorou, por causa do aluguel, preocupo com os impostos que vou ter que pagar se precisar registrar minha barraca. 4) A sua renda mensal modificou com esta mudança? Diminuiu ou aumentou? Piorou. Por causa das despesas, da concorrência. Aluguei esse box sem nada, eu que fiz essas melhorias, e agora querem aumentar o aluguel, antes não tinha esse tanto de coisa pra pagar. 5) Você considera que sua condição de trabalho melhorou com a mudança para o shopping popular? Por quê? Piorou. Por causa das despesas. 6) Você se sente mais valorizado por estar no shopping e não na rua? Melhorou somente na aparência.

22 7) Considerando todos os aspectos, a mudança valeu a pena? Aqui é melhor se trabalharem dentro da lei, sem cobrar muito, agora, em relação ao movimento na rua, era melhor. 8) Você acha que novos shoppings populares devem ser abertos no centro de Belo Horizonte ou em outros locais? Não. Já chega porque tem muita concorrência. 5º entrevistado Shopping Oiapoque 1) Qual a denominação que você dá para a função que exerce? Comerciante. 2) O que você fazia antes de ser trabalhador informal/camelô? Sempre trabalhei no comércio. 3) Com a mudança para o shopping popular, o que mudou na sua vida? O ambiente ficou mais seguro. 4) A sua renda mensal modificou com esta mudança? Diminuiu ou aumentou? Aumentou. 5) Você considera que sua condição de trabalho melhorou com a mudança para o shopping popular? Por quê? Aumentou. 6) Você se sente mais valorizado por estar no shopping e não na rua? Sim. Por que aqui é melhor que na rua. 7) Considerando todos os aspectos, a mudança valeu a pena? Valeu. 8) Você acha que novos shoppings populares devem ser abertos no centro de Belo Horizonte ou em outros locais? Sim. No bairro.

23 6º entrevistado Shopping Oiapoque 1) Qual a denominação que você dá para a função que exerce? Microempresário. 2) O que você fazia antes de ser trabalhador informal/camelô? Sempre trabalhei com isso. 3) Com a mudança para o shopping popular, o que mudou na sua vida? Sim. 4) A sua renda mensal modificou com esta mudança? Diminuiu ou aumentou? Sim, melhorou. 5) Você considera que sua condição de trabalho melhorou com a mudança para o shopping popular? Por quê? Sim. Por que aqui tem mais segurança, movimento, e o ambiente é melhor. 6) Você se sente mais valorizado por estar no shopping e não na rua? Sim, não muito. 7) Considerando todos os aspectos, a mudança valeu a pena? Sim. 8) Você acha que novos shoppings populares devem ser abertos no centro de Belo Horizonte ou em outros locais? Sim. Se for regularizada, nos bairros. 7º entrevistado Shopping Oiapoque 1) Qual a denominação que você dá para a função que exerce? Vendedor ambulante. 2) O que você fazia antes de ser trabalhador informal/camelô? Sempre fui vendedor ambulante. 3) Com a mudança para o shopping popular, o que mudou na sua vida? Aumento nas vendas.

24 4) A sua renda mensal modificou com esta mudança? Diminuiu ou aumentou? Sim, sem dúvida aumentou. 5) Você considera que sua condição de trabalho melhorou com a mudança para o shopping popular? Por quê? Sim. Melhorou a segurança, o conforto e o aumento nas vendas. 6) Você se sente mais valorizado por estar no shopping e não na rua? Sim. O povo que vem aqui nos valoriza mais. 7) Considerando todos os aspectos, a mudança valeu a pena? Não respondeu. 8) Você acha que novos shoppings populares devem ser abertos no centro de Belo Horizonte ou em outros locais? Não respondeu. 8º entrevistado Shopping Oiapoque 1) Qual a denominação que você dá para a função que exerce? Microempresário. 2) O que você fazia antes de ser trabalhador informal/camelô? Metalúrgico. 3) Com a mudança para o shopping popular, o que mudou na sua vida? Sim. 4) A sua renda mensal modificou com esta mudança? Diminuiu ou aumentou? Sim. Aumentou. 5) Você considera que sua condição de trabalho melhorou com a mudança para o shopping popular? Por quê? Sim. 6) Você se sente mais valorizado por estar no shopping e não na rua? Sim. 7) Considerando todos os aspectos, a mudança valeu a pena? Sim.

25 8) Você acha que novos shoppings populares devem ser abertos no centro de Belo Horizonte ou em outros locais? Sim. Região do Barreiro, Venda Nova. 9º entrevistado Shopping Caetés 1) Qual a denominação que você dá para a função que exerce? Comerciante. 2) O que você fazia antes de ser trabalhador informal/camelô? Era lojista na porta do prédio onde hoje é o shopping Caetés (Rua Rio de Janeiro). 3) Com a mudança para o shopping popular, o que mudou na sua vida? Nada mudou, pois continuo sendo comerciante. 4) A sua renda mensal modificou com esta mudança? Diminuiu ou aumentou? Não. Minha renda permanece equilibrada. 5) Você considera que sua condição de trabalho melhorou com a mudança para o shopping popular? Por quê? Não. Com a loja para a rua, a vitrine era melhor vista pelos clientes. Aqui dentro do shopping, falta divulgação. 6) Você se sente mais valorizado por estar no shopping e não na rua? Sim. É melhor dizer que eu tenho uma loja no shopping popular. 7) Considerando todos os aspectos, a mudança valeu a pena? Sim. No meu caso, se não viesse para cá, eu seria desapropriada. 8) Você acha que novos shoppings populares devem ser abertos no centro de Belo Horizonte ou em outros locais? Sim. No centro. Porém, com um aluguel menor do que este (R$ 250). É muito caro! Além disso, mesmo pagando condomínio (R$ 70,00), não temos limpeza freqüente, e, para usarmos os dois banheiros existentes, temos que pagar. 10º entrevistado Shopping Tocantins 1) Qual a denominação que você dá para a função que exerce? Vendedor de shopping popular.

26 2) O que você fazia antes de ser trabalhador informal/camelô? Era camelô. 3) Com a mudança para o shopping popular, o que mudou na sua vida? Muita coisa. Deixei de se perseguido todos os dias pelos fiscais da PBH, não fico exposto ao sol e à chuva. 4) A sua renda mensal modificou com esta mudança? Diminuiu ou aumentou? A renda até aumentou. Mas eu pago aluguel (R$ 250,00) para o administrador (que não é da PBH, é o dono do shopping) e pago condomínio. No final, fica tudo a mesma coisa. 5) Você considera que sua condição de trabalho melhorou com a mudança para o shopping popular? Por quê? Claro. Não há sol, chuva, fiscais e correria. 6) Você se sente mais valorizado por estar no shopping e não na rua? Sim, aqui sou comerciante. 7) Considerando todos os aspectos, a mudança valeu a pena? Foi ótimo. Apesar desse aluguel caríssimo, valeu sim. 8) Você acha que novos shoppings populares devem ser abertos no centro de Belo Horizonte ou em outros locais? Aqui no centro não, é mais concorrente. Joga lá para os bairros.

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