Guia de Livros Didáticos PNLD 2010

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1 Ministério da Educação Secretaria de Educação Básica Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Guia de Livros Didáticos PNLD 2010 l e t r a m e n t o e A l f a b e t i z a ç ã o língua portuguesa Séries/Anos Iniciais do Ensino Fundamental

2 Presidência da República Ministério da Educação Secretaria Executiva Secretaria de Educação Básica

3 Ministério da Educação Secretaria de Educação Básica Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Guia de Livros Didáticos PNLD 2010 l e t r a m e n t o e A l f a b e t i z a ç ã o língua portuguesa Brasília 2009 Séries/Anos Iniciais do Ensino Fundamental

4 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO Secretaria de Educação Básica SEB Diretoria de Políticas de Formação, Materiais Didáticos e de Tecnologias para Educação Básica Coordenação-Geral de Materiais Didáticos Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE Diretoria de Ações Educacionais Coordenação-Geral dos Programas do Livro Equipe Técnico-pedagógica da SEB Andréa Kluge Pereira Cecília Correia Lima Elizangela Carvalho dos Santos Jane Cristina da Silva José Ricardo Albernás Lima Lucineide Bezerra Dantas Lunalva da Conceição Gomes Maria Marismene Gonzaga Equipe de Informática Andréa Cristina de Souza Brandão Leandro Pereira de Oliveira Paulo Roberto Gonçalves da Cunha Equipe do FNDE Sonia Schwartz Edson Maruno Auseni Peres França Millions Rosália de Castro Sousa Projeto gráfico e diagramação Erika A. Yoda Nakasu Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Centro de Informação e Biblioteca em Educação (CIBEC) Guia de livros didáticos: PNLD 2010 : Letramento e Alfabetização/Língua Portuguesa. Brasília : Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, p. 1. Livros didáticos. 2. Língua Portuguesa. I. Brasil. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. II. Título CDU

5 Equipe de avaliação Letramento e Alfabetização Comissão Técnica PNLD Egon de Oliveira Rangel Coordenação Institucional Francisca Izabel Pereira Maciel Coordenação Geral de Área Ceris Salete Ribas da Silva Coordenação Adjunta Cecília Maria Aldigueri Goulart Eliana Baorges Correia de Albuquerque Maria Lúcia Castanheira Assessoria Ana Carolina Perrusi Alves Brandão Andréa Tereza Brito Ferreira Artur Gomes de Morais Edith Ione dos Santos Frigotto Else Martins dos Santos Helenice Aparecida Bastos Rocha Isabel Cristina Alves da Silva Frade Margareth Silva Mattos Maria das Graças de Castro Bregunci Patrícia Corsino Sara Monteiro Mourão Telma Ferraz Leal Redatores Else Martins dos Santos Maria das Graças de Castro Bregunci Maria Aparecida Araújo Maria Zélia Versiani Machado Martha Lourenço Vieira

6 Leitura crítica das resenhas Adriana Mota Ivo Martins Áurea Rocha Juliana Cunha de Carvalho Juliana Rezende Moscatelli Marcelino Cástulo Martins Mariúccia Pisani dos Santos Sandra Aparecida Colares Revisores Hércules Tolêdo Corrêa Vanir Consuelo Guimarães Revisão especial Giane Maria da Silva Revisão ortográfica das obras aprovadas Flávia Ferreira de Almeida Heloísa Rocha de Alkimim Hércules Tolêdo Corrêa Lúcia Helena Junqueira Maciel Bizotto Maria Aparecida da Mata Maria Flor de Maio Barbosa Benfica Neiva Costa Tonelli Vanir Consuelo Guimarães Equipe de Avaliação Adriane Gomes Farah Alexsandro da Silva Alice de La Roque Romeiro Ana Catarina dos Santos Pereira Cabral Ana Cláudia Ribeiro Tavares Ana Gabriela de Souza Seal Andréa Vilela Gouvêa Quadra Angela Meyer Borba Angela Vidal Gonçalves Catherine Monique de Souza Hermont

7 Cláudia Cristina Andrade Clenice Griffo Fátima Soares da Silva Flávia Helena Pontes Carneiro Kátia Leal Reis de Melo Kelly Cristina Nogueira Souto Leila Nascimento da Silva Letícia Maria Machado Coutada Luciana Prazeres Silva Ludmila Thomé de Andrade Magna do Carmo Silva Cruz Margareth Brainer de Queiroz Maria Cristina Corais Maria de Fátima Cardoso Gomes Maria Elisa de Araújo Grossi Maria Emília Lins e Silva Marina Mello Bittencourt Martha Lourenço Vieira Mauricéia Vieira de Paula Vieira Neiva Costa Tonelli Tânia Maria Soares Bezerra Rios Leite Língua Portuguesa Comissão Técnica PNLD Egon de Oliveira Rangel Coordenação Institucional Francisca Izabel Pereira Maciel Coordenação de Área Maria da Graça Ferreira da Costa Val Coordenação Adjunta Ana Maria de Carvalho Luz Delaine Cafiero Bicalho Elizabeth Marcuschi

8 Marcos Araújo Bagno Roxane Helena Rodrigues Rojo Assessoria Ana Maria Costa de Araújo Lima Anna Christina Bentes da Silva Aurelina Ariadne Domingues Almeida Carla Viana Coscarelli Clécio dos Santos Bunzen Júnior Edleise Mendes de Oliveira Santos Evangelina Maria Brito de Faria Fernanda Moreno Cardoso Janice Helena Silva de Resende Chaves Marinho Juliana Soledade Barbosa Coelho Lúcia Fernanda Pinheiro Barros Luciana Mariz Lucília Helena do Carmo Garcez Márcia Rodrigues de Souza Mendonça Maria Auxiliadora Bezerra Maria Lúcia Souza Castro Maria Luiza Sales Monteiro Coroa Paulo Eduardo Mendes da Silva Vilma Reche Corrêa Redação e revisão Lúcia Fernanda Pinheiro Barros Luciana Mariz Ludmila Scarano Coimbra Revisão especial Giane Maria da Silva Revisão ortográfica das obras aprovadas Flávia Ferreira de Almeida Heloísa Rocha de Alkimim Hércules Tolêdo Corrêa Lúcia Helena Junqueira Maciel Bizotto

9 Maria Aparecida da Mata Maria Flor de Maio Barbosa Benfica Neiva Costa Tonelli Vanir Consuelo Guimarães Leitura crítica das resenhas Adriana Mota Ivo Martins Áurea Rocha Juliana Cunha de Carvalho Juliana Rezende Moscatelli Marcelino Cástulo Martins Mariúccia Pisani dos Santos Sandra Aparecida Colares Avaliadores Alice Horikawa André Lúcio Bento Camila Sequetto Pereira Cláudia Fernandes Brasileiro Cláudia Hilsdorf Rocha Cláudia Mara de Sousa Claudiomiro Vieira da Silva Cristiane de Cássia Monteiro Cristina dos Santos Carvalho Cristina Teixeira Vieira de Melo Elisângela Santana dos Santos Eloísa Helena Rodrigues Guimarães Francisco Eduardo Vieira da Silva Isaltina Maria de Azevedo Mello Gomes Jan Edson Rodrigues Leite Joseane Terto de Souza Lícia Maria Freire Beltrão Lílian Barbosa dos Santos Lúcia Helena Junqueira Maciel Bizotto Ludmila Scarano Coimbra Márcio Ricardo Coelho Muniz Maria Angélica Lauretti

10 Maria Aparecida da Mata Maria Augusta Gonçalves de Macedo Reinaldo Maria Flor de Maio Barbosa Benfica Maria Irandé Costa Morais Antunes Maria Zélia Versiani Machado Marianne Carvalho Bezerra Cavalcante Neide Aparecida Almeida Orlene Lúcia de Sabóia Carvalho Patrícia Vieira Nunes Gomes Paula Maria Cobucci Ribeiro Dias Regina Maria Furquim Freire da Silva Risonete Batista de Souza Sandra Helena Dias de Melo Sinéia Maia Teles Silveira Suréia Spinola Barigchum Tânia Conceição Freire Lobo Tatiana Simões e Luna Tayana de Alencar Tormena Vanir Consuelo Guimarães Viviane Cristina Viera Sebba Ramalho

11 s u m á r i o Letramento e Alfabetização O ensino fundamental de nove anos e o ciclo de alfabetização inicial Para um melhor uso deste Guia Critérios de avaliação para as coleções de alfabetização Resenhas A Aventura da Linguagem A Escola é Nossa - Letramento e Alfabetização Linguística A Grande Aventura Alfaletra - Letramento e Alfabetização Linguística Aprendendo Sempre - Letramento e Alfabetização Linguística Construindo a Escrita - Letramento e Alfabetização Linguística Hoje é Dia de Português Leitura Expressão Participação - Letramento e Alfabetização Linguística L.E.R. - Leitura, Escrita e Reflexão Projeto Prosa - Letramento e Alfabetização Linguística Língua e Linguagem - Letramento e Alfabetização Linguística Linhas & Entrelinhas... 97

12 Vivenciando a Linguagem Novo Bem-Me-Quer - Letramento e Alfabetização Linguistica Pensar e Viver - Letramento e Alfabetização Linguística Porta Aberta - Letramento e Alfabetização Linguística Português: Linguagens - Alfabetização Letramento Conhecer e Crescer - Letramento e Alfabetização Linguística Infância Feliz - Letramento e Alfabetização Linguística Anexos

13 LÍNGUA PORTUGUESA O ensino fundamental de nove anos e o ciclo de alfbetização incial Para um melhor uso deste Guia Resenhas A Aventura a Linguagem A Escola é Nossa Língua Portuguesa A Grande Aventura Com Atualizações Aprendendo Sempre Língua Portuguesa Aprender Juntos Português Asas para Voar Língua Portuguesa Caminho entre Textos Caracol Língua Portuguesa De Olho no Futuro Língua Portuguesa edição renovada Hoje é Dia de Português L.E.R Leitura, Escrita e Reflexão com atualizações Tempo de Aprender Língua Portuguesa Projeto Prosa Língua Portuguesa Coleção Linhas & Entrelinhas Língua Portuguesa Pensar e Viver Língua Portuguesa Português Uma Proposta para o Letramento Português: Linguagens

14 Projeto Buriti Português Projeto Conviver Língua Portuguesa Projeto Pitanguá Português Registrando Descobertas Língua Portuguesa com atualizações Aroeira Língua Portuguesa Conhecer e Crescer Língua Portuguesa Infância Feliz Língua Portuguesa Anexos

15 Letramento e Alfabetização

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17 O ensino fundamental de nove anos e o ciclo de alfabetização inicial A escolha das coleções de Alfabetização que nossas escolas públicas utilizarão em 2010 se dá num momento final do processo de ampliação do ensino fundamental para nove anos em todo o País, em decorrência da Lei , de 06/02/2006. Tendo em vista a implantação progressiva desse novo ensino fundamental, o Ministério da Educação (MEC) desenvolveu, entre 2004 e 2006, o Programa de Ampliação do Ensino Fundamental para Nove Anos, inaugurado por um Encontro Nacional de que participaram Secretarias Estaduais e Municipais de Educação, além de entidades como a Rede Nacional de Formação de Professores e diferentes órgãos e secretarias do próprio MEC. Nesse contexto, em parceria com as Secretarias de Estado da Educação, a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME) e o Conselho Nacional dos Secretários de Educação (CONSED), o MEC promoveu encontros e seminários regionais de discussão dos documentos oficiais e dos temas centrais diretamente relacionados a essa iniciativa, com o objetivo de coordenar e subsidiar o processo. Parte significativa desse esforço conjunto vem registrada em dois documentos Ensino fundamental de nove anos: orientações gerais e Ensino fundamental de nove anos: orientações para a inclusão da criança de seis anos de idade que discutem a reorganização desse nível de ensino, em termos legais, administrativos, curriculares e pedagógicos. Esses mesmos documentos estão na base destas considerações iniciais e, portanto, também das modificações introduzidas no PNLD. Além de ampliar em um ano o período da escolarização obrigatória, o novo ensino fundamental passa a receber, no seu primeiro ano, crianças de seis anos, boa parte delas sem qualquer vivência escolar anterior. Com isso, introduzem-se, no panorama desse período, necessidades e objetivos antes restritos à educação infantil, ao mesmo tempo em que se ampliam e se diversificam as possibilidades de planejamento do processo de escolarização do aprendiz 1. Assim, manifesta-se, na escola, uma demanda de grande potencial renovador: reorganizar a vida escolar prevista para o aluno do ensino fundamental de forma a acolhê-lo ainda como criança; mas colaborar de forma significativa, ao longo de nove anos, para a sua formação como jovem cidadão. Nessa trajetória, os cinco anos iniciais, (assim denominados oficialmente pela Resolução nº 3, do Conselho Nacional de Educação, de 3 de agosto de 2005) são decisivos: entre outros compromissos, o ensino fundamental deverá criar, nesse período, as condições básicas necessárias não só à permanência da criança na escola, mas à sua progressão nos estudos. Caberá a esses primeiros anos: Ver, a respeito, o documento: Brasil. Mec. Seb. Ampliação do ensino fundamental para nove anos; terceiro relatório do Programa. Brasília: MEC; SEB

18 16 inserir a criança como sujeito pleno no universo escolar e, portanto, levá-la a compreender o funcionamento particular da escola, num processo que não poderá desconhecer nem a singularidade da infância, nem a lógica que organiza o seu convívio social imediato; garantir o seu acesso qualificado ao mundo da escrita e à cultura letrada em que vivemos, sem, no entanto, desconsiderar sua cultura de origem; desenvolver na criança a autonomia progressiva nos estudos. Nesse contexto, o letramento e a alfabetização linguística, de um lado, e a alfabetização matemática, de outro, têm se revelado como demandas nucleares, o que lhes tem conferido o papel de eixos orientadores, tanto das reorganizações curriculares para o primeiro segmento, quanto da formação docente continuada 2, ou mesmo de avaliações oficiais de rendimento, como a Provinha Brasil. Assim, o ensino-aprendizagem de cada um dos componentes curriculares vem sendo abordado, nas orientações oficiais, do ponto de vista de sua contribuição para a consecução do objetivo central de inserir a criança, da forma mais qualificada possível, na cultura da escrita e na organização escolar, garantindo sua plena alfabetização, tanto linguística quanto matemática, nos dois ou três primeiros anos. Em consequência, duas etapas básicas ainda que a duração de cada uma delas varie bastante, entre estados e municípios 3 vêm-se desenhando, na reorganização do primeiro segmento do ensino fundamental do País. Na primeira delas, o que está em jogo é o contato sistemático, a convivência e a familiarização da criança com objetos típicos da cultura letrada, ou seja, o seu (re)conhecimento das funções sociais, tanto da escrita quanto da linguagem matemática; das letras, da série alfabética e do sistema da escrita; dos algarismos e da notação matemática etc. Para atender à especificidade dessa primeira etapa, o PNLD passa a oferecer, para os dois primeiros anos de escolarização: coleções de Alfabetização para uso individual do aluno; acervos diversificados de materiais complementares a esse processo de alfabetização inicial, com temas relativos a todas as disciplinas. 2. Ver, a respeito, artigo publicado em: Brasil. Ministério da Educação. Ensino fundamental de nove anos: orientações para a inclusão da criança de seis anos de idade. Brasília: FNDE, Estação Gráfica, (pp ) 3. Ver, a respeito, o documento: Brasil. Mec. Seb. Ampliação do ensino fundamental para nove anos; terceiro relatório do Programa. Brasília: MEC; SEB

19 Convém lembrar, ainda, que, desde o PNLD 2006, as salas de aula de escolas públicas contam com acervos de dicionários de três tipos diferentes, sendo que os de Tipo 1, assim como os de Tipo 2 que se encontram no Acervo A, foram pensados exatamente para os alunos dos dois ou três primeiros anos. Esses acervos também contam com um manual para o professor Dicionários em sala de aula, disponível em versão eletrônica no seguinte endereço: Somam-se a esses recursos os jogos e outros materiais didáticos específicos para crianças de 6 a 7 anos, enviados às escolas entre 2006 e O que compõe um conjunto pertinente e diversificado de recursos voltados para o trabalho pedagógico com esses anos iniciais da escolarização. Além disso, os livros distribuídos pelo PNBE para as salas de leitura e para as bibliotecas de todas as nossas escolas constituem um excelente instrumento complementar para o ensinoaprendizagem da leitura e para a ampliação e o aprofundamento do letramento do aluno. No uso, em sala de aula, das coleções em que a resenha chama a atenção do professor para a necessidade de recorrer a outros textos e/ou ao uso dos dicionários, esses acervos são especialmente indicados. Já na segunda etapa que, no âmbito do PNLD, estende-se do terceiro ao quinto anos trata-se de levar o aluno à consolidação desse duplo processo de letramento e de alfabetização. Do ponto de vista dos eixos orientadores do processo de reorganização do ensino fundamental, esses três anos têm sido entendidos como o período de consolidação do processo de alfabetização linguística e matemática da criança. Por outro lado, também vêm se caracterizando como o período em que se configura claramente a sistematização do processo de ensino-aprendizagem nas diferentes disciplinas curriculares. Voltados para esses anos finais do primeiro segmento, os livros de Língua Portuguesa vêm resenhados no segundo bloco deste. 17 Para um melhor uso deste Guia é importante entender como e por que as coleções aqui resenhadas foram aprovadas pelo processo avaliatório do MEC. Com esse objetivo, explicitamos, a seguir, os princípios e os critérios segundo os quais os livros didáticos de Alfabetização destinados aos dois primeiros anos do primeiro segmento do ensino fundamental foram analisados e avaliados pela equipe responsável, no contexto do PNLD/2010. De princípios bastante gerais, diretamente relacionados aos objetivos oficialmente estabelecidos para o ensino de Língua Portuguesa no ensino fundamental, decorrem todos os critérios referentes ao letramento e à alfabetização iniciais, nos quatro grandes eixos envolvidos nesse processo leitura, produção de textos, linguagem oral e aquisição do sistema da escrita.

20 Da aplicação desses princípios e critérios à análise das obras inscritas no PNLD/2010 resultaram, de um lado, a exclusão das coleções que ou contrariavam ou não atendiam satisfatoriamente a esses parâmetros; e, de outro lado, a aprovação das demais, descritas nas resenhas de acordo com os seus diferentes níveis e formas de adesão a esses mesmos princípios e critérios. 18 Princípios gerais: objetivos do ensino de Língua Portuguesa Os objetivos centrais do ensino de Língua Portuguesa, ao longo de todo o ensino fundamental, devem ser: a inserção e a convivência da criança com o mundo da escrita, ampliando-se, diversificando-se e desenvolvendo-se progressivamente o seu letramento; o domínio, já nos dois ou três primeiros anos, da escrita alfabética; o processo de apropriação e de desenvolvimento, pelo aluno, das modalidades escrita e oral da língua (especialmente das formas da linguagem oral que circulam em espaços públicos e formais de comunicação), em situações o mais complexas e variadas possível; a fruição estética e a apreciação crítica da produção literária associada à Língua Portuguesa, em especial a da literatura brasileira; o desenvolvimento de atitudes e capacidades envolvidas na compreensão da variação linguística e no convívio com a diversidade dialetal, de forma a evitar o preconceito e a valorizar as diferentes possibilidades de expressão linguística; o domínio das variedades urbanas de prestígio 4, especialmente em sua modalidade escrita monitorada, mas também nas situações orais públicas formais em que seu uso é socialmente requerido; a prática de análise e de reflexão sobre a língua e a linguagem, na medida em que se fizer necessária ao desenvolvimento da linguagem oral e escrita, em compreensão e produção de textos. Assim, as práticas de uso da linguagem, isto é, as atividades de leitura e compreensão de textos, de produção escrita e de produção e compreensão oral, em situações contextualizadas de uso, devem ser prioritárias nas propostas dos livros didáticos. As práticas de reflexão sobre a língua e a linguagem, assim como a construção correlata de conhecimentos linguísticos e a 4. Em substituição à expressão norma culta, normas urbanas de prestígio é um termo técnico recente, introduzido para designar os falares urbanos que, numa comunidade lingüística como a dos falantes de português do Brasil, desfrutam de maior prestígio, social e cultural e, por isso mesmo, estão mais associados à escrita, à tradição literária, ao uso público e formal da fala e a instituições como o Estado, a Escola, as Igrejas e a Imprensa.

21 descrição gramatical, na medida em que se façam necessárias e significativas para a (re)construção dos sentidos dos textos, devem se exercer sobre os textos e discursos. Critérios de avaliação para as coleções de alfabetização Critérios Gerais Por dizerem respeito a aspectos didático-pedagógicos de caráter geral e de, respeitadas as particularidades, serem comuns a todas as disciplinas, os cinco primeiros critérios de avaliação dos livros de Alfabetização constituem requisitos indispensáveis. 1. Coerência e adequação metodológicas Uma vez que a natureza dos conteúdos curriculares dos primeiros cinco anos do ensino fundamental implica compromissos inescapáveis com o uso pertinente e adequado da língua falada e escrita, a pertinência e a coerência didático-metodológicas são condições decisivas para a eficácia da proposta pedagógica e a adequação das atividades de uma coleção de Alfabetização. Ler, escrever, falar e ouvir com compreensão a linguagem usada de acordo com as regras e necessidades socialmente estabelecidas, na diversidade das situações comunicativas, requer a articulação de uma série de capacidades básicas de natureza discursiva, textual e gramatical que, não podendo ser aprendidas apenas espontaneamente, precisam ser ensinadas. Por outro lado, atividades de leitura e produção de textos escritos, bem como de compreensão e produção de textos orais, quando mal conduzidas, tanto comprometem o desenvolvimento de estratégias, capacidades e competências fundamentais quanto favorecem a aquisição de procedimentos ineficazes ou prejudiciais. Nesse sentido, seja qual for sua opção didático-metodológica, uma coleção voltada para o letramento e a alfabetização iniciais não pode deixar de atender a alguns requisitos teóricometodológicos essenciais: explicitar clara e corretamente as concepções de língua/linguagem e de ensino-aprendizagem com que trabalha, assim como os princípios teórico-metodológicos assumidos e os objetivos de sua proposta didático-pedagógica; ser coerente com os princípios e objetivos dessa proposta, respeitando os preceitos que lhe dão identidade e que permitem não só identificá-la, mas também compreender seu alcance e utilizá-la de forma adequada; 19

22 20 descrever com precisão e funcionalidade, do ponto de vista dos usuários visados, a organização geral da proposta; na medida em que os eixos do ensino-aprendizagem do letramento e da alfabetização iniciais demandam, por sua natureza diversa, tratamentos didáticos específicos, a coleção deverá justificar a escolha de seus modelos didático-metodológicos, indicando claramente a articulação entre eles; desenvolver, em ambos os volumes, as capacidades inerentes à leitura e à produção de textos escritos e à compreensão e produção de textos orais, bem como à reflexão sobre a língua e a linguagem. Por outro lado, como o ensino-aprendizagem de capacidades de natureza discursiva, textual e gramatical realiza-se no contexto interativo professor-aluno e requer do professor, entre muitas outras atribuições, o exercício da função de mediador da aprendizagem, as coleções didáticas destinadas a esse nível de ensino-aprendizagem devem pautar-se por diretrizes metodológicas compatíveis com essas funções docentes. Tendo em vista esse primeiro conjunto de requisitos, é fundamental, para garantir a coerência e a adequação metodológicas, que as coleções: selecionem e articulem os conteúdos de forma a garantir a progressão do ensinoaprendizagem; solicitem do aluno o uso das funções cognitivas requeridas para a elaboração de novos objetos de conhecimento, respeitando a progressão necessária a essa elaboração; ofereçam suporte para o exercício de operações cognitivas de nível superior (análise, síntese, resolução de problemas); favoreçam a integração e a interpretação dos novos conhecimentos no conjunto sistematizado de saberes; orientem os professores no que diz respeito à identificação e à avaliação dos conhecimentos adquiridos pelo aluno. Finalmente, considerando-se a organização geral do ensino fundamental de nove anos, cabe à escola garantir ao aluno, ao longo dos dois primeiros anos, o grau de letramento e de domínio da escrita alfabética necessários ao seu prosseguimento nos estudos e à sua inserção, gradual mas efetiva, no mundo da escrita. Por essa razão, as coleções destinadas aos dois primeiros anos devem apresentar propostas e atividades capazes de propiciar ao ensino-aprendizagem escolar:

23 a organização de práticas pertinentes e adequadas de letramento, que levem o aluno a conviver com diferentes funções da escrita e a reconhecer e assimilar características, instrumentos e recursos próprios da cultura da escrita; a compreensão dos princípios que regulam a escrita alfabética, por meio de atividades de análise e reflexão sobre as propriedades sonoras da fala e sua relação com os recursos gráficos da escrita; o desenvolvimento da fluência na leitura e na escrita. Dessa forma, letramento, alfabetização e desenvolvimento da proficiência oral e escrita, assim como a reflexão, a análise e a construção de conhecimentos linguísticos básicos decorrentes, devem articular-se e distribuir-se, ao longo dos dois volumes/anos, de forma a constituirse numa única proposta pedagógica. 2. Respeito às especificidades do Manual do Professor Co-responsável pela coerência e pela adequação metodológicas, o Manual ou Livro do Professor deve constituir-se como um instrumento capaz de subsidiar adequadamente o uso da coleção de Alfabetização pelo professor, tanto no trabalho de sala de aula quanto na orientação para o estudo autônomo por parte do aluno. Não pode, portanto, ser meramente uma cópia do livro do aluno, com as respostas preenchidas. Deve, antes: explicitar com clareza e correção os pressupostos teóricos e metodológicos a partir dos quais a proposta didático-pedagógica foi elaborada; descrever com precisão e funcionalidade a organização dos livros, inclusive no que diz respeito aos objetivos a serem atingidos nas atividades propostas e aos encaminhamentos necessários; apresentar subsídios para a avaliação dos resultados de ensino, assim como para a ampliação e adaptação das propostas que figuram no(s) livro(s); propor formas de articulação entre as propostas e atividades dos livros de Alfabetização e os demais materiais didáticos distribuídos por programas oficiais, como o PNLD Dicionários e o PNBE; fornecer subsídios para a atualização e formação do professor, tais como bibliografias básicas, sugestões de leitura suplementar, sugestões de integração com outras disciplinas ou de exploração de temas transversais, dentre outros. 21

24 22 3. Adequação da estrutura editorial e dos aspectos gráfico-editoriais Para viabilizar-se como tal, a proposta pedagógica de uma coleção de Alfabetização deve traduzir-se num projeto editorial e gráfico correspondente. Nesse sentido, alguns requisitos básicos são decisivos para sua eficácia como material didático: um projeto editorial que reflita adequadamente a organização geral da obra, inclusive no que diz respeito à funcionalidade do sumário, da intitulação e dos recursos utilizados para evidenciar a delimitação de seções; uma edição de texto que assegure a legibilidade linguística de textos e atividades; um projeto visual em que as imagens se justifiquem pelas contribuições que possam trazer à compreensão de textos e atividades e venham distribuídas equilibradamente na página; uma mancha gráfica proporcional ao tamanho da página, com tipologia e tamanho de letra, assim como espaço entre linhas, letras e palavras, adequados para o aluno dos dois anos em jogo; um texto sem erros de revisão que prejudiquem a compreensão do aluno; uma impressão nítida e isenta de defeitos que comprometam a legibilidade gráfica; a exploração de diferentes tipos de letras (cursiva, script etc.); o recurso a ilustrações que aproximem o aluno do material impresso e motivem a leitura. 4. Correção dos conceitos e informações básicos De forma articulada ao desenvolvimento das práticas de linguagem já referidas, é necessário recorrer a informações e conceitos, capazes tanto de desenvolver as capacidades necessárias à proficiência escrita e oral quanto de conduzir o aluno a refletir sobre fatos de linguagem. Para que cumpra com eficácia ambos os propósitos, é indispensável que a coleção esteja isenta de erros e/ou de formulações que induzam a erros. Além disso, é importante que os livros apresentem conceitos, informações e procedimentos de uma forma estreitamente articulada ao processo de desenvolvimento das capacidades exigidas na aquisição do sistema da escrita, na leitura compreensiva, na produção de textos e no exercício da oralidade. 5. Observância de preceitos éticos, legais e jurídicos Contribuir para a construção escolar das condições necessárias ao convívio democrático com a diversidade humana e para o pleno exercício da cidadania, numa coleção de Alfabetização, significa

25 estimular, sempre que pertinente e oportuno, o convívio social e a tolerância, abordando a diversidade da experiência humana com respeito e interesse; colaborar para a construção de valores e atitudes compatíveis, quando questões éticas envolvidas em textos e ilustrações forem pertinentes e oportunas para a compreensão e/ ou a produção de textos. Nessa perspectiva, é expressamente vedado às coleções manifestar, nos seus próprios textos e ilustrações, ou, ainda, reproduzir, em textos e imagens de terceiros e sem discussão crítica preconceitos que levem a discriminações de qualquer tipo, incluindo-se aí preconceitos contra variedades linguísticas não-dominantes (dialetos, registros etc.); constituir-se como um instrumento de propaganda e/ou doutrinação religiosa, política ou de qualquer outro tipo; configurar-se como um veículo de publicidade e difusão de marcas, produtos ou serviços comerciais. CRITÉRIOS ESPECÍFICOS Para atender aos critérios gerais acima referidos, as coleções de Alfabetização devem pautarse também por critérios específicos, relativos às particularidades do ensino-aprendizagem da disciplina em seus diferentes eixos, aspectos e dimensões. 23 Relativos à natureza do material textual O conjunto de textos que um livro didático apresenta é um instrumento privilegiado às vezes único de acesso do aluno ao mundo da escrita. Portanto, é imprescindível que a coletânea, respeitado o nível de ensino a que se destina, ofereça ao aprendiz uma amostra de qualidade e o mais possível representativa dos textos em circulação social. Relativos ao trabalho com o texto No trabalho com o texto, em qualquer de suas dimensões (leitura, produção de textos, aquisição do sistema da escrita), é fundamental a diversidade de estratégias, assim como a máxima amplitude em relação aos vários aspectos envolvidos.

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