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1 tmm*mp?mwmjfimw*mkwm*mw*tyí*vsp*ipmv** i fira.ju «ii ii mnwmm ii ii 111 num -r~r" "*" "* *** " " "* ni-.iiiiii.-rr H_HBtP Partidos e preconceitos Francisco Weffort aponta algumas doenças infantis da nossa política Página 4 jornal da BLIQV SI XTA II TUA 5 Dl OUTUBRO DE 1979 N" 35 ANO f. CrS Inflação e miséria Aumentos nominais nada resolvem. 0 descalabro está na inflação Página 4 Artigo de fundq Não existe sociedade ideal CLÁUDIO ABRAMO que o mau humor é muitas vezes salutar, mas freqüentemente chato. Os franceses sao malhumorados de nasci- Acho mento: são fabricados dessa maneira, dispensando simultaneamente sorri sos solícitos e cotoveladas enérgicas, no metrô ou i\as ruas: são secos, rabujentos, melódicos e sistemáticos. Alguém disse uma vez que Deus era injusto porque dera a um grande povo (o francês) um estadista médio cre (Napoleào III) e a um povo de segunda classe (o russo) um grande es tadista (o czar Alexandre II). Nào concordo com essa classificação dos povos nem dos seus temporários governantes: atinai, cada povo. diz o ditado, tem o governante que merece. Mas o mau humor dos franceses nào se transborda para as análises da vida e da sociedade: é mais um modo de viver no catch as catch-ean da vida cotidiana, que muitos brasileiros. hóspedes temporários dos gauleses. adotam prazerosamente. O mau humor de uma grande parte dos brasileiros se derrama, cm contrapartida, para a organização social e para as relações de trabalho. Lie provem majoritariamente da classe média, reflete um espirito pequeno-burgués, traduz, a frustração de uma categoria social que vive desprezada pela classe dominanle e aborrece a classe dominada. isso que os speakers de rádio e os sociólogos brindam com o caracteristicó e revelador qualificativo de "povão"", entidade misteriosa mas muito presente nos últimos tempos. Um privilégio discutível, esse do mau humor, que conduz quase sempre a erros de análise e provoca situações embaraçosas. Ele tem origem certa, e sabida: é a concepção que a classe média de espirito provinciano faz daquilo que imagina ser a sociedade ideal: uma mistura de paraiso dos desprotegidos médios, moral garantida e bons negócios, três condições que. se juntas, andam malacompanhadas. Mas cm politica e na construção das sociedades faz-se o que é possível, no ajustamento entre as pontas de atrito, na acomodação de forças sociais (uma querendo engolir a outra) e no choque das respec- Uvas pressões. Nào há sociedade ideal, crianças. -Üfftl O São Paulo: uma droga No final do jogo fez-se justiça: o XV de Piracicaba ganhou do São Paulo por I a O. no Morumbi. com um gol de Lima. A partida foi vista por mleli/es torcedores, que deixaram 80 mil cruzeiros nas bilheterias. O XV poderia ter ganho de mais se tivesse um pouco mais de coragem. Já o São Paulo, coitadinho, mereceu criticas de seus próprios jogadores, como Leivinha c Serginho. Foi. enfim, a droga de sempre. Bosna, equipe brilhante O Bosna mostrou por que realmente é o melhor time da Europa e um dos melhores do mundo. Serii grande dificuldade, ele venceu o Emerson Varesc por 109 a 90 nojogo disputado ontem à noite, no prosseguimento da Copa Willliam Jones de clubes. Na preliminar houve uma guinde surpresa: o Quebradillas ganhou do Mokan. no último segundo de jogo. por 96 a 95. Até então, a equipe porto-riquenha nào ganhara de ninguém. Figueiredo não se preocupa com as origens de quem o apoia "Elesvirão apoiar não a mim, mas à democracia", disse o presidente em Ttajubá, Minas, ontem. "Devo É disse ainda: lembrar também aos companheiros, aqueles que ainda possam se sentir ressentidos pelo passado, que ninguém melhor que eu deu o exemplo de esquecer agravos. Página 6 rosários querem democracia, esenvolvimento e bem-estar Em manifesto divulgado ontem, assinado por 41 presidentes de entidades empresariais, firma-se o compromisso de um esforço comum para eliminar a pobreza e distribuir os frutos do crescimento. Um regime político aberto é essencial, dí\em, para o progresso do país e da nação Página 8 * "-.:,,.^/y">!."" ^^m^^^^^^^^^^m^^^^^^^^^^^ê^^. AS FLORES DE MOSCOU "exploração" Dom Paulo lamentou ontem a em torno de seu encontro com Gregório Betçrrã: tinha nas mãos um vaso com as flores que recebeu do lider comunista. No vaso estava "As colado o editorial flores de Moscou", de O Globo (pág. 6) Assembléia Constituinte com João, é o que admite o comunista José Salles MAURÍCIO DIAS. do Rio "A convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte, livre e soberana, nào pressupõe a derrubada do governo. Restauradas totalmente as liberdades democráticas e assegurada a formação de todos os partidos. inclusive o nosso, pode ser até com este governo ai", disse ao JOR- NAL DA REPÚBLICA José Salles, importante membro do Comitê Centrai do Partido Comunista Brasileiro e o primeiro dirigente comunista a retornar ao pais após a anistia. Tais declarações são um avanço na mesma linha das afirmações feitas por outros lideres comunistas recémretornados - Gregório Bezerra, Giocondo Dias e Luiz Tenório Lima -, que chegaram a destacar a atuação do presidente Figueiredo como "uma peça importante da abertura". Os comunistas. segundo Salles. nào advogani a derrubada do governo e desejam ver o pais florescer: "Nào jogamos na crise e sim no florescimento do Brasil. Num pais onde acabem as desigualdades sociais e todos tenham direito ao trabalho, ao estudo e a uma vida tranqüila e feliz". Salles lembrou que suas declarações são pessoais, mas também sâo de um participante da liderança de uma corrente de opinião e "de pleno acordo com ela", embora admita "entre que os comunistas existam pessoas mais credenciadas para falar do que eu". Ele respondeu ainda às declarações de Leonel Brizola. de que não deseja a entrada de comunistas no PTB: "Nós achamos que. se forem verdadeiras tais declarações, sào pouco fejizes e totalmente equivocadas"". Petróleo fora do cálculo da inflação para reduzir a correção e reajustes salariais O. ministro do Planejamento. Uellim Netto. previu ontem, em São Paulo, que a inflação poderá começar a cair já neste final de ano. graças ã süá estratégia, e revelou estar estu dando a possibilidade de ndo incluir as altas de preços do petróleo no cálculó tia inflação brasileira, já que elas nào dependem do governo, e sim da OPEP. Com a medida, os Índices ofi ciais de inflação cairiam e. consequenteincntc, a correção monetária e também os reajustes salariais, evitando se a "realimentaçào"1 da alta de preços. Suas declarações, na véspera. atribuindo a inflação de 8% em setembro aos reajustes salariais excessivos. foram contestadas, ontem, tanto por administradores públicos, a exemplo do secretário de Planeja mento de São Paulo, Rubens Vaz da Costa, como por dirigentes sindicais. Lula lembrou que as empresas estão proibidas de repassar os reajustes saiariais a seus preços. Se agem assim, é por omissão do governo. Páginas 7 e 8 Os moderados no chapão? Pode ser, até a extinção do MDB. Arraes reconhece: há abertura Os moderados emedebistas podem acabar entrando na chapa única do diretório nacional que o senador Franco Montoro segue articulando, com a aprovação dos grupos "autêntico"" c "não-alinhado*". Chefiados por Tancredo Neves, os moderados nào querem responsabilizar-se. agora, pela cisão definitiva do MDB. Mas só ficariam até a extinção dos partidos, determinada pela reforma preparada pelo governo. Este foi o principal lance de ontem Vencedor da eleição na UNE sai hoje Todos di\em que ganham, menos a Libeiu, Unidade e Mutirão são favoritas Página i Palmeira, um dos líderes do ME, chega hoje A nita Leocadia, filha de Prestes e linha-dura do PCB, também de volta Página 2 das confusas negociações tecidas cm torno da idéia do "chapão". Enquanto os não-alinhados cobravam de Tancredo uma manifestação clara pela unidade do partido, Miguel Arraes chegava a Brasília. Tranqüilo, ele evitou provocações. Em certo momento da entrevista que concedeu no Hotel Nacional, reconheceu que o próprio fato de ali estar já era uma prova da abertura. Hoje. Arraes assina ficha no MDB. _,. ~ Pagina 2 Igreja apoia invasão de terras Desde que sejam terras não cultivais dos grandes latifúndios Página 18 0 govemo ameaça os frigoríficos A Cobal poderá fa%er a distribuição da carne, para reduzir os preços Página 8 i

2 mp^q^pip^qpqmpqpqpqpqpqpqpqpiiiyiiiipim»,.. -^. ^^k^v^ PÁGINA 2 "«% % \ f. * B.EPÜBLÍQV: POLÍTICA SEXTA-FEIRA 5 DF OUTUBRO DE 1979 OPOSIÇÃO Os moderados na chapa única? Pode ser. Mas só ate a extinção. Os outros grupos articulam-se, porém, para o futuro Passava pouco das dez horas da manhã de ontem quando o senador Pedro Simon deixou o seu gabinete, no anexo 2 do Senado, e empreendeu a caminhada de uns 600 metros até o gabinete do senador Franco Montoro. que fica no subsolo do prédio principal. Caminhando, comentou o motivo de suas preocupações e a razào da reunião: estaria o senador Tancredo Neves, lider da corrente moderada, patrocinando o racha do MDB? Simon já sabia que o deputado mineiro Renato Azeredo, um dos principais colaboradores de Tancredo Neves, eslavando passando uma lista para colher assinaturas de quem se dispusesse a participar de uma chapa moderada, para o diretóorio nacional do MDB, a ser eventualmentc apresentada na convenção nacional de 4 de novembro. Isso, num momento em que uma comissão designada por Ulysses Guimarães, com dois membros indicados por Tancredo, tratava de formar uma chapa de unidade. Era o que intrigava Simon. Ele fora o autor da idéia da comissão de unidade, que o presidente Ulysses Guimarães depois acertou numa reunião com o próprio Tancredo. Como c que a corrente moderada poderia partir para uma chapa exclusiva, quando a comissão oficial, integrada por moderados, autênticos e não-alinhados. ainda trabalhava? Em meio à caminhada, Simon encontrou-se com os companheiros de bancada, senadores Teotônio Vilela, c Itamar Franco. E juntos, chegaram ao gabinete de Montoro. Mas antes da reunião, Simon ainda comeutava para o JORNAL DA "A REPUBLICA: comissào oficial vai entregar uma chapa ao presidente do partido e Ulysses a apresentara à convenção. Qualquer outra chapa será uma dissidência"*. Ainda insistimos: "E se os moderados sairem, fica uma aliança entre autônticos c não-alinhados?" Simon repetiu a tese: "Vamos icr uma chapa dc^ unidade, feita na comissão, atendendo ás opiniões das diversas correntes. Outra, scra dissidência". Começou a reunião. No gabinete vizinho ao de Montoro, Tancredo Nevesrecebia alguns correligionários. Quando ia começar a conversa com o repórter, toca o telefone. Era Montoro, chamando-o à reunião. Tancredo foi "atender à convocação", como disse. Sabia que iam perguntarlhe da lista de Renato Azeredo e, certamente, sabia o que responder. Ele não cs- PCB Retorna, hoje, a filha de Prestes Retorna ao Brasil, hoje, Anita Leocádia Prestes, filha do secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro, Luis Carlos Prestes. Ex-integrante do Comitê Central do PCB - de cujo cargo se demitiu, por divergir dos companheiros de direção -, Anita Leocádia tem declarado, em entrevistas recentes, que espera, agora, a realização do VII Congresso do partido para defender as teses que a afastaram do CC. Que idéias são essas? Leocádia e apontada como pertencente à alta "dura" do PCB. Ela, naturalmente, recusa o rótulo. Mas são inegáveis as diferenças entre as suas opiniões, dadas cm entrevistas ainda em Paris, e as declarações de alguns membros do Comitê- Central do PCB que voltaram ao Brasil nos últimos dias. Leocádia, como seu pai, Prestes, parece entender a democracia - ai compreendidas as liberdades civis, á possibilidade de alternância no poder, o método de escolha dos representantes da sociedade - apenas como uma etapa para a "democracia socialista", que é como ela chama o sócialismo que quer ver instalado. Outros dirigentes comunistas, entre os que jà voltaram ao Brasil, posicionam-se de maneira diferente; acreditam que a democracia é um objetivo estratégico, não apenas tático. Mesmo no plano formal, hà algumas diferenças. Os dirigentes do PCB que retornaram b marcaram suas declarações por um tom moderado, reconhecendo a abertura política. Leocádia, pelo.menos quando ainda estava em Paris, falava em prosseguir a luta " para derrubar a ditadura". Filha de Olga Benário, a mulher de Prestes, que foi entrejjue pela policia politica do Estado Novo à Alemanha nazista e lá foi assassinada, Anita Leocádia, CARLOS ALBERTO SARDÊNBÉRG teve em Brasília nestes dias, de modo que preferia conversar antes com o pessoal da corrente moderada, para depois tratar da história da lista. Esse entendimento com os moderados ficou para ser feito no decorrer do dia, ate a noite, até pouco antes da reunião da comissão oficial que busca a chapa de unidade. Ao final da tarde, Renato Azeredo comentava, em rodinhas no plenário da Câmara, até com certa veemência: "Eu tenho 108 assinaturas, são 108". O número, comentava um de seus companheiros, é basi camente de deputados lederais, mas inclui outros dele gados à convenção. Contudo os articuladores nào quiseram mostrar a lista. Ali. a poucos passos de Azeredo, Montoro e o senador Humberto Lucena colhiam as assinaturas de quem estivesse disposto a participar da chapa da comissão. Para Montoro, esta chapa estava garantida, a unidade acertada. Baseavase, entre outras coisas, na decisão dos autênticos, que, na reunião de quarta-feira à noite, haviam resolvido apoiar a comissão oficial c nào fazer reivindicações que atrapalhassem a unidade. O ideai, para os autenticos. seria uma representaçào 110 diretório (71 membros) na base do um terço para cada tendência. E a chapa dos moderados? - "É só uma demonstração de força"", comentava Montoro. Tarde da noite de ontem, a comissão iniciou nova reunião. A idéia continua a ser a de dividir as vagas por Estados, na proporção das bancadas, c fazer a composição por ai. Pode sair a unidade, pois os moderados nào querem ser responsabilizados pela divisão das oposiçoes. Não antes da extinção, pelo menos... As outras duas tendências querem a unidade agora e depois, para resistir à çào. IBI ^^r»r^:!i i ^_Bfcv _B_ "xtin_b iw^y AS ARTICULAÇÕES DO MDB Simon cobrará a unidade de Tancredo (com Itamar Franco) 43 anos, nasceu numa prisão de mulheres, em Berlim. Até os nove anos viveu no México, no exílio. E só conheceu o pai depois da anistia de 1945, quando Prestes saiu da prisão. Entre os 12 e os 18 anos, Anita esteve, novamente, no exílio, desta vez em Moscou. Voltou ao Brasil e, em 1964, concluiu o curso de química industrial na Faculdade do Rio de Janeiro. Dois anos depois, em 1966, exilou-se de novo, e há treze anos está fora do Brasil. Até sua demissão era, junto com Zuleika Alembert, uma das duas mulheres a fazer parte do Comitè Central do PCB. Agora, conforme ela gosta de frisar, volta como comunista, mas nào mais como dirigente. O PC legal, idéia de alguns em Brasília Figuras do governo e da Arena defendem, pessoalmente, apesar de obrigadas a seguir a posição oficial, a opinião de que, se os comunistas tivessem seu partido legal. o grau de infiltração seria menor. Fontes de Brasilia afirmam que os ministros Golbery e Petrônio são apontados como simpáticos: legalização, embora julguem inoportuno colocar a questão agora.- O deputado Nelson Marchezan, lider da Arena, dizia que há impedimento constitucional para a legalização do PC, mas reconhece haver no seu partido um número considerável de parlamentares que vê como mais conveniente à democracia os comunistas assumindo sua identidade. extin-? Magalhães e Levy unem-se para formar o PI Novo lance na articulação do Partido Inde pendente: o deputado Magalhães Pinto uniuse, ontem, ao grupo do deputado Herbcrt Levy. O deputado mineiro participou, pela primeira vez, de uma reunião do grupo e dispôs-se a participar dos contatos que estào sendo leitos com senadores da Arena, descontentes com o Are não. De acordo com a avaliação feita ontem. 53 dos 63 deputados que assinaram o documento pedindo a formação de dois partidos de apoio ao governo continuam dispostos a integrar o Partido Independente. A idéia do grupo é formar um partido desvinculado do Arenão. Mas nào vai ser fácil MOVIMENTO ESTUDANTIL Chega Wladimir Palmeira, para entrar na oposição Chega hoje de Bruxelas, depois de um exilio de dez anos, Wladimir Gracindo Soares Palmeira, um dos principais dirigentes do movimento universitário dos anos 68. segundo confirmou ontem a seção carioca do Comitê Brasileiro pela Anistia, que irá recebê-lo às 8h20 no aeroporto do Galeão. Wladimir Palmeira, é um dos beneficiados pela anistia e, de acordo com déclarações recentes, regressa disposto a participar, como oposicionista, da vida politica nacional, sem interferir diretamente no movimento estudantil. Nas divergências politicas de seu período, Wladimir Palmeira encabeçava uma das duas principais correntes, rivalizando-se com Luis Travassos, que liderava a outra. À necessidade de maior organização dos estudantes pela base, defendida por Travassos, Palmeira contrapunha a proposta de uma escalada de mobilizações de massa e passeatas. Tornou-se famosa tambérn sua participação no diálogo com o presidente Costa e Silva, após a "passeata dos 100 mil", de protesto pelo assassinato do secundarista Edson Luís Souto, no Rio. Palmeira fazia parte da comissão de seis pessoas que levou a Costa e Silva as reivindicações do movimento estudantil: garantia das liberdades, exigência de mais verbas para a educação e a rejeição ao acordo! MEC- USAID. Apesar de ser uma das figuras mais conhecidas nacionalmente no movimento.estudantil, o ex-presidente da União, Metropolitana dos Estudantes do Rio não era candidato à diretoria da UNE no congresso da entidade em Ibiúna - apoiava José Dirceu, presidente da UEE-SP. Preso com centenas de universitários fio cerco poli ciai ao congresso, Wladimir Palmeira só saiu da prisão em setembro de 69, direto para o exilio, trocado no seqüestro do embaixador norte-americano Charles Burkc Elbrick. Esteve no Chile, México, Cuba c radicou-se na Bélgica. Era acusado de pertencer à "DI da Guanabara", uma dissidência do Partido Comunista Brasileiro no Rio de Janeiro, que depois adotou o nome de Movimento Revolucionário 8 de Outubro, MR-8. Eis algumas de suas opiniões sobre o movimento estudantil extraídas de um artigo assinado junto com outro cx-lider estudantil, Carlos Wciner (que tambérn regressa ao Brasil no mesmo vôo), e publicado na revista Teoria e Prática: Sobre a conjuntura: "Os últimos anos no Brasil vêm sendo marcados não apenas pelo aprofundamento da crise da ditadura militar, nem apenas pela reanimaçào da oposição a essa di- ^MF _ V - y* y _! ^^ ^_- H_H_mI_^ L ^"» _ PALMEIRA De\ anos depois, sem interferir no ME ARRAES, CHEGANDO Entre Jarbas Vasconcelos c Marcos Freire, no aeroporto ONTEM EM BRASÍLIA Arraes chegou, fazendb do emedebtsmo Ele não faz incêndio, nem se mete na luta interna CARLOS ALBERTO SARDENBERG, de Brasilia entendeu. gosta de me confundir, hein". ainda respondeu o deputdo ao repórter, tentando consertar. Irritado, Hato transfor- O ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes, duas teses que vicejam na do."0 sr. está com auténtilhe que escolhesse uma de que coabitam no parti- executar esses planos. chegou ontem a Brasília c esquerda: "A ditadura só cos, moderados ou nãoalinhados?" "Eu vou entrar Ontem, o senador Alfonso Camargo, um dos jogo. Ele aposta no Movi- bloco" ou colocou suas fichas no pode ser derrubada cm "o regime se no MDB, não numa corrente"" - respondeu. seis senadores arenistas mento Democrático Brasileiro c isso tem um signifi- passo aqui, outro ali"? contra ou a favor da per- abrirá aos poucos, um "É rebeldes, observava que os arenistas descontentes provavelmente irão raes quer dizer que.ainda Mas cie amorteceu a lho na sccrctaria-gcral?" cado bastante preciso. Armanência de Thales Rama- para o partido de Tancredo. Também é a opi- formação de novos parti- não é hora de se partir para bola e saiu jogando. Depois "É um assunto de economia interna. Só posso falar de alguns segundos de refiexão, respondeu: nião de outro arenista dos - os partidos, como se "Não vejo disso depois de assinar a licha e nos quadros inter- rebelde, o senador Gastào Mullcr. Com isso, momento é o de fortalecer a queda em bloco da ditanos" - respondeu. E disse a diz, ideológicos. Para cie, o como se possa falar em apesar da união de Magalhães e Levy - os dois objetivo de forçar a aber- no seu tom de sempre - frente de oposiçoes, com o dura". E seguiu explicando, mesma coisa quando perguinado sobre os adesistas. grupos queriam formar tura controlada do governo baixo c pausado -, que até um Partido Independente -. a formação do democratização. Ou seja, se verificar que há um transformá-la cm plena basta ver a realidade para Mas Arraes foi incisivo PI será dificultada pela ao contrário de Leonel Brizola, para qucrii a reforma mocracia, que se registra uma oposição moderada avanço na direção da de- quando perguntado sobre a tese do governo de que só falta de apoio de pelo menos sete senadores. partidária do governo tem uma efetiva abertura ás um pressuposto democrático, visa a instaurar o plu- que sua presença ali, no ho- uma vitória das esquerdas. oposiçoes - fenômeno de pode aspirar aopoder, pois o Sistema nào toleraria ripartidarismo (pelo que já tel cinco estrelas de "O se deve partir para os novos partidos), Miguel Ar- muito concreta. bate-pronto. Brasília, era uma povo é o juiz disso, não prova o presidente"" - atacou, de raes pensa que só a unidade Arraes é um emedebista. das oposiçoes no MDB Aliás, alguns de seus conselheiros sugeriam que, antes Brasilia, Arraes foi no Do aeroporto de pode forçar, a médio prazo, uma abertura verdadeiramente democrática do qua- de assinar ficha no MDB, carro do senador Marcos dro político em cie fosse a São Paulo discutir a conjuntura com os fonso e Fernando Henrique Freire, com Almino Af- geral, e do partidário em particular. movimentos populares e Cardoso, almoçar no Restaurante Tarantclla. De lá, tadura, pela retomada das sindicais, inclusive aqueles lutas e pela emergência de Mas, atenção, Arraes ligados ao PT de Lula. Mas parti a (entrevista no Hotel novas formas de organização no movimento de mas- Bem que lhe levantaram a já como emedebista. E foi para o lançamento do livro nào vem de incendiário. ele preferiu ir a Sào Paulo Nacional e, em seguida, sas - cm particular o movimento operário; eles serão, que concedeu ontem à tou, todas as vezes em que de Cristina Tavares. Hoje, bola, na entrevista coletiva nessa condição que ele evi- Conversações com Arraes, certamente, também lembrados como um rico Hotel Nacional. Pediram- sobre as diversas correntes MDB. tarde, num dos salões do perguntado, pronunciar-se às dez da manhã, filia-se ao período de reorganização e amadurecimento da csquerda revolucionária bra- OPOSIÇÃO? sileira. Adesistas se reúnem, "O movimento estudantil está incorporado ao movimento popular e pode vir a desempenhar um importante papel estratégico. Na ninguém é adesista história do Brasil, esse movimento tem tido um papel destacado na luta popular, freqüentemente niesmq em Um pequeno qüiproquó na sede do MDB paulista sua vanguarda. É muito fácil se falar nas oscilações RICARDO KOTSCHO da pequena burguesia e coisa e tal. Mas nunca é demais lembrar que no pré- cretaria do MDB na Càvista num vigoroso pronun- votos necessários que lhes Atrás do balcão da se- mou o que era uma entre- para conseguir os 20% dos 64, quando a maior parte mara Municipal, o deputado federal Mário Halo percebendo que ia juntando ciumento contra o governo, assegurem vagas no diretório. da pequena burguesia marchava com a reação, (MDB-SP), adesofisiológico ou vice-versa, movimento de trouxe deles. Éden Arruda e Antô- mais gente à sua volta. "O 64 O curioso é que dois mesmo ai o movimento estudantil esteve ao lado dos como queiram, gastava sérios prejuizos à nação inteira! Na análise que eu fiz, ram expulsos do MDB pelo nio Carlos Fernandes fo- trabalhadores". todo seu verbo,para convencer um delegado do interior a votar na ele só beneficiou as multinacionais e setores milita- marchar com o Camargo", "Chapa próprio Camargo. "É duro das Bases" na convenção res! Foram dezessete atos reconhecem. "Veja só: eu que vai escolher o novo diretório regional do partido, ram a dignidade da nação!" porque falei lia televisão institucionais que violenta- fiquei cinco meses, preso dia 14 próximo. Mas o delegado, cocando a cabeça, nào admite que o chamem nal bem pago pela socie- E foi por ai. Hato não só que o Fleury era um margi- não parecia muito disposto de adesista, como diz que dade e agora me chamam a se render à cabala. não conhece nenhum de Olha, deputado, está adesista. A "Chapa adesista...", reclama das Bases", diz ele, nada tem de MDB desde 66. Fui o pri- Éden Arruda. "Eu sou do tudo bem, mas se tiver um adesista nessa chapa eu adesismo ou divisionismo. meiro orador do comício não voto nela, não. Ao contrário, garante do MDB em Presidente Ora, Hato, falando sério, a Prudente, e você acha quando não tinha que chapa foi lançada para salvar a unidade partidária. todo mundo com ninguém na eu participaria de uma praça, estava chapa adesista1? "Eu fui o terceiro deputado medo...", completa Napoleão de Abreu, outro des- Nesse preciso instante, federal mais votado em São entra na sala um repórter Paulo, e ninguém me ouviu setorista da Câmara: na formação do "chapão". erdadó histórico. Eles são montoristas, quercistas, Ô, Hato, e essa reunião dos adesistas não vai para os caciques..." garantem que, desta vez, se Por quê? Vai perguntar tem de tudo no grupo. E ^59 começar? farão representar no diretório: Pouco antes, o deputado A seu lado, vários senhores balançam a cabeça afir- "Acertamos com o havia passado pela sala de imprensa convidando os repórteres para a reunião dos mativamente. Eles se defi- adesistas na sede do partido. Ai ninguém mais se "Você nem como os desprezados do partido, sempre preteridos na formação de chapas do diretório. Seriam ao todo uns duzentos, que desta vez se aliaram ao grupo adesista de Natal Gale, José Camargo e cia. Gale que se nossa chapa ficar com vinte lugares no diretório, seis ou sete serão do pessoal das bases". Na reunião, José Camargo, entre ataques a Montoro, Brossard, Ulysses e outros notáveis do MDB, anunciava: "Vamos ter 55% dos votos na convenção". t

3 SEXTA-FEIRA 5 DÊ OUTUBRO DÊ 1070 REPUBLÍQV POLÍTICA Agi na 3 ELEIÇÕES DA UNE 0 resultado extraída! sai hoje FLAMINIO FANTINI Até o final da tarde de hoje será conhecida extra oficialmente a chapa vence dorà das eleições para a di retoria da Uniào Nacional dos Estudantes, cuja apura çào começou ontem ás 23 h e entrou pela madrugada em todo o pais. Os resultados oficiais, entretanto só sairão no domingo, se gundo previsões da direto ria provisória da entidade, que está reunida em piautão permanente em São Paulo desde terça-feira. A contagem atingirá cerca de cinco mil urnas, apuradas no próprio local de votação, cm diretórios estudantis que se inscreveram para o pleito, ignotando o decreto do governo. que os ameaçava de punição e intervenção pelo patrocínio das eleições da entidade, que nào é reconhecida pelo governo. Uma consulta feita ontem pelo JORNAL DA REPUBLICA aos comitês eleitorais das cinco chapas indicou que a disputa da primeira colocação esta entre Mutirão c Unidade - as urnas do Rio de Janeiro serão decisivas, na avaliação de ambas. A chapa Mutirão (presidida pelo baiano Rui César Costa e Silva, defensora do Partido Popular c formuda pelas tendências Refazendo e Caminhando) espera ganhar com um total de cerca de 85 mil votos, dos quais 17 mil à frente da segunda colocada, que será, ria sua opinião, a Unidade. Também a concorrente Unidade. (presidida pelo paulista Paulo Massoca, defensora do fortalecimento do MDB e que tem em sua composição a esquerda ortodoxa) calcula que irá ganhar, com um total de 60 mil votos, sendo IO mil na frente da Mutirão, que viria cm segundo lugar. A Novaçào (constituída por correntes socialistas e encabeçada pelo mineiro Eduardo Albuquerque, "Duda") preferiu não fazer um prognóstico numérico, embora considere que três chapas estão no páreo: cia própria, Mutirão c Unidade. A chapa M ai o r i a (aliança de liberais, socialistas democráticos e còriservadores, presidida por Marcos Martins Paulino) está mais otimista do que a realidade lhe permitiria. Afirma também que ganhará, embora afirme que tenha sido a maior prejudicada com o decreto Figueiredo, porque este desmobilizóu justamente aquelas lacuidados onde o movimento estudantil é menos avançado, cm geral particulares e no interior. Diz que terá 60 mil votos, cinco mil na frente da Unidade. Já a Liberdade e Luta (a Libclu, que tem Josimar Mello como presidente) considera-se fora do páreo e aponta Unidade ou Maioria como as prováveis vencedoras. Uma média aritmética da avaliação do total de votantes feita pelas cinco chapas e pela diretoria provisória da UNE, apresenta um cálculo de cerca de 300 mil votantes em todo o país, o que significa 23% de um total de l,3 milhão de universitários cslimados em lodo pais. Os mapas eleitorais de cada urna sào encaminha dos pelos diretórios respon sáveis às capitais de cada estado. Em seguida, um cómputo parcial junto com todos os mapas segue para uma das oito regionais da UNE no pais. E finalmente, de avião, os representantes de cada regional entregam O pacote em Sào Paulo, na central de apuração, que será a própria diretoria provisória da UNE, composta du oito pessoas. Cada chapa terá um fiscal e a imprensa poderá acompanhar de perto a contagem. Boletins extra-oficiais e oficiais estão sendo divulgados periodicamente. O segundo dia de volaçào foi mais tranqüilo ainda que o primeiro. A diretoria provisória nào regis trou grandes incidentes. Em Franca, interior de Sào Paulo, a polícia apreendeu O material eleitoral. No Rio, na Universidade Augusto Motta e Silva, houve presença ostensiva da policia - as aulas foram suspensas no primeiro dia de votação, mas a eleição prosseguia nas calçadas. Em Minas, os diretores das universidade de Uberaba, Uberlândia, Übá e Cataguases proibiram a reali/.açào das eleições, segundo informa a comissão organizadora regional (em Cataguases, o prefeito Milton Carvalhcira Peixoto, da Arena, também ajudou na proibição e em Uberaba e Uberlândia houve repressào policial aos estudantes que nào acataram a proibiçào). Em Sào Paulo, a UEE denunciou no final da noite que uma viatura do DOPS perseguiu o veiculo que transportava as urnas da Universidade Mackenzie para a sede da entidade. eoo. "OTAVINHO", ONTEM Ele assume toda a responsabilidade KARATÊ "Destruí as urnas como legalista" FLAMINIO FANTINI "A destruição das duas suas fileiras a partir do movimènto estudantil", decla- umas na Universidade Mackenzie, ip primeiro dia rou. de votação, foi o comportamento de um legalista, em tivàmente que seja do Co- "Otavinho" negou taxa- repudio ao processo eleitoral da UNE e respaldado nistas, CCC, conforme o mando de Caça aos Comu- no. decreto do presidente acusam. Ele define a lembranca que a esquerda tem João Figueiredo, que determinou a punição c a intervenção nos diretórios estutalgia romântica, e lírica": do CCC como "uma nosdantis que patrocinassem o 5 a "violência não é um argumento válido", sentencia pleito." Assim pensa Otávio "Otavinho". Celso Ramos, o "Mas quintanista quebrar as urnas de direito que cometeu o não é violência?" - pergunta o repórter. atentado contra as eleições da UNE em São Paulo, na "Eu fui provocado por última terça-feira. Muito essas eleições da UNE, que tranqüilo, seguro, sentado desrespeitaram a coletividade do Mackenzie, onde como um guru indiano numa almofada, ele aceitou os estudantes ainda não estão preparados para este conversar com o repórter, sem demonstrar nenhum tipo de debate politico" - arrependimento e assumindo toda a responsabili- responde "Otavinho". dade pelo que fez. Como as autoridades da sua universidade não tomaram nenhuma providência para impedir as eleições no Mackenzie, ele resolveu "fazer justiça com as próprias mãos". E estas, digase, sào as mãos vigorosas de um faixa-preta de caratê, aspirante ao grau 2" dan. "Pseudoliderançasi estudantis, pertencentes a grupos radicais, querem marionetar, ideologicamente, os universitários e implantar a anarquia", afirmou Otúvio,. referindo-sea quatro cha- pas: Mutirão, Unidade. Liberdade e Luta e Novaçào. "Querem também fazer uma liga operárioestudantil e, por intermédio de uma insurreição populacional, chegar ao objetivo final de união de todos os setores que têm vinculo direto com a corrente sócialista internacional"-; "Ofávinho" justilicqu-se "como é mais conhecido no Mackenzie. Após perguntas insisten tes. ele acabou concordando com as informações contidas no relatório do DOPS-SP (que acusou quatro chapas da UNE de serem infiltradas por oito organizações comunistas): "Eu analiso que existe uma vinculaçâo ideológica pelo jargão contestatório que as chapas apresentam. E não só ideológicas, é óbvio, por que os universitários compõem uma-elite facilmente manobràvei e utilizável como inocente útil, que os grupos fazem ingressar nas Ele tem 26 anos, usa óculos de aro dourado rayban, a barba bem escanhoada, os músculos aparecem sob a camisa justa. Define-se a favor da economia de mercado e da iniciativa privada, embora considere válido "o ideal de igualdade" do socialismo. Mas está convencido de que o socialismo não casa com a realidade histórica brasileira. E diz mais: é "um socialdemocrata", acha Jarbas Passarinho c Lula "duas li; deranças políticas admiraveis". e é a favor do pluripartidarismo - no qual optaria pelo partido em que estivesse Adhemar de Barros Filho. Nas últimas eleições parlamentares, votou em Cantidio Sampaio e Blota Neto, para deputados, em Cláudio Lembo para senador, todos os três arenistas. Para a UNE, caso aceitasse votar, apoiaria a chapa Maioria, a "única que não c de esquerda", segundo ele revela. No Mackenzie, entretanto, os DCEs e os DAs que estão com a chapa Maioria repeliram com firmeza a quebradeira das umas e se dizem preocupados em "acabar com a fama de que o Mackenzie é universidade reàcionária". Por precaução, eles resolveram guardar as demais urnas na Fundação Getúlio Vargas, onde funciona a UEE, e pretendiam fazer ali a apuração dos votos, "pòr medidas de segurança contra novos atentados". 1 A Shell inaugura seus primeiros postos com bombas de álcool hidratado. Este é apenas o começo, Breve haverá cada vez mais e mais bombas de álcool nos Postos Shell de todo o Brasil. Porque haverá cada vez. mais e mais carros movidos a álcool - uma solução brasileira para economizar petróleo e garantir o desenvolvimento do País. Brasília-DF Posto Mirage SQSt314PLL 1 BI. B - PlaiurPilolo Posto 14 Bis Aeroporto Internacional 555S5 "" ""*: i NtiONt-rviJpijrijusodonwistim r y " ~^~~- -""--,,,, 3 Vm itffve p.imusn donmsli1.*) B "zrTrrrr ^mr. Recife-PE Posto Shell Norte \\. Norte, Encruzilhada Posto Lava-a-Jato Rua João Fernandes Meira Boa Vista Rio de Janeiro-RJ, Posto Iate i \v. Repórter Nestor Moreira, 41 - Botafogo Shell Belo Horizonte-MG Posto Legal Av. André Cavalcanti. 214 Bairro Gutierrez São Paulo-SP Posto Bola Pesada Av. Rubem Berta - Indianápolis (Av. Jandira. 1010) Posto Ventania Radial Leste - Moóca. (Rua Conselheiro Justino, 392) Posto Novo Barão Av. Rio Branco, esq. Alameda Nothmann (Av. Rio Branco, Campos Elisios) Sempre presente

4 V ÁGINA REPUBLICA EDITORIAL SEXTA-FEIRA S DE OUTUBRO DE-1979 "Sr. redator: Atualmente está em votação no Con gresso. em regime de urgência, projeto do Executivo que modifico a política su- Inrlal do governo e que estabelece, entre outras alterações, a Introdução tio reu justamente salarial semestral. Ocorre que os setores mais retrógrados da Câmuni Federal estão tentando emendar o projeto do governo favorecendo os do nos dc facilidades c universidades particulares. colocando entre as restrições ao referido aumento de salário us entidades subvencionadas, bem como aquelas sem fins lucrativos. Todos sabemos que o ensino superior é atualmente neste pais o negócio mais lucrativo que existe, e a grande maioria das faculdades è univer sidades particulares recebe subvenção do poder público ou é acobertada por uma entidade mantenedora, geralmente sem fins lucrativos, o que nào deixa de ser uma hipocrisia. Com a inflação galopante, que corrói o salário dos traba Ihadores. é lamentável ver indivíduos eleitos pelo voto destes mesmos traba Ihadores, que constituem a maioria que vende sua torça cie trabalho para a mi noria (entre a qual estão os privilegiados donos de faculdades) prestar-sc a esse tipo de manobra e aprovar tal providência, aumentando o lucro dos parasitas do ensino, á custa dos professores.univcrsitârios e empregados nos estabelecimentos particulares de ensino."./. S. Suzano, SP Jornalista Armando Salem: Foi com muita satisfação e otimismo que a redação central do jornal Labuta viu vir á luz o JORNAL DA REPÚ- BLICA. Esperamos como sempre que esse órgão continue a luta por uma Constituinte, por eleições livres, pelo di rciló de greve c outras reivindicações cujo atendimento é necessário para a normalização do pais." José Eduardo Meneghetti, diretorresponsável.de Labuta, um jornal independente. Franca, SP "Mino Carla: Recebi hoje uni exemplar do JOR- NAL ÜA REPÚBLICA. Depois do Jornal da Tarde (velhos tempos). Veja (velhos tempos) e 1STOÉ. nada melhor poderia aparecer. Você e sua equipe como sempre na vanguarda do jorna lismo brasileiro. Para nós residentes no exterior é doce ver que no nosso Brasil amargo existem lideres como você e como os qúe você noticia. Tenho muito interesse em receber ò JORNAL DA REPÚ- BLICA diariamente, aqui." Martino Lulero, Maputo, Moçambique "Amigos Salem e Mino:... tenho tempo ainda para alegrias especiais, como aquela que me surgiu ao encontrar o JORNAL DA REPÚ- BLICA na principal banca da praça do Ferreira. Acreditem na intensidade do entusiasmo. Devo confessar que, quando leio o JORNAL DA REPÚ- BLICA, sinto que estou -me encontràndó com vocês. Parabéns pelo lançamento. pelo nivel e pelas proposições do jornal. Sinto que é uni plano concretizado em prol da valorização da imprensa brasileira, que se traduz em mais uma grande contribuição aos ávidos leitores deste pais, entre os quais quero me incluir. Percebo em cada número o esforço dc quem persegue um ideal c sabe conquistá-lo com muita energia." Osvaldo Moreira Lima, jornal O Povo, Fortaleza, Ceará -jornal da- REPUBLICA DIRETOR-PRESIDENTE, Raymundo Faonp EDITOR-CHEFE Mino Carta CONSELHO DE DIREÇÃO Armando V. Salem, Cláudip Abramo, ) Domingo Alzugaray Hélio de Almeida, Mino Carta. Raymundo Faoro, Tão Gomes Pinto DIRETOR-RESPONSÁVEL Armando V. Salem ENCONTRO EDITORIAL LTDA. DIRETORES Cátia Alzugaray, Domingo Alzugaray, Mino Carta SÃO PAULO Redação. administração e Publicidade: Rua da Consolação o ao 12" andar Telefones: , (Publicidade) Caixa Postal End. Telep/áfico: EDITRÉS (CEP Sào Paulò-SP) Sucursal BRASlüA (DF): SCS Ed. Oscar Niemeyer. s/601 Fongs: o SUCURSAL RIO DE JANEIRO (RJ): Editora Três Ltda. Av. Almirante Barroso, 63. grupo 517 Fones: , Impresso na S.A. Diário da Noite VENDA AVULSA São Paulo. Cr$ 10,00 Rio de Janeiro Cr$ 10,00 Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Belo Horizonte e Brasilia CrS Salvador. Recife, Fortaleza CrS 13,00 Derhais cidades CrS Inflação, miséria e salários O maior recorde da taxa de in- Ilação acaba de ser inquictantemente batido. O índice dc 8%, aicançàdo em setembro último, contém um teor explosivo que convoca o governo para um exame ou reexame, não só da estratégia até agora adotada para conter o surto inflacionàrio, como para detectar as causas reais e não aparentes desua aceleração. O sr. Delfim Netto atribuiu o novo impulso da escalada infiàcjqnária a dois fatores. O primeiro, o "descalabro salarial"1. O segundo, a "inflação corretiva". Pela última responsabilizou o governo. Ela seria uma decorròncia das majorações e liberaçào de preços autorizados "ajustar pelo poder público, para a "descalabro salarial", a culpa seria dos economia*, Quanto ao trabalhadores, reivindicando corrcções de ganho acima da intlação. Esta a dupla explicação do ministro do Planejamento. Sem discuti-la na sua abrangência, convém, desde logo, descartar os assalariados da imputação que lhes foi feita. Os rcajustes que eles têm obtido não teriam sido possiveis se, de uma forma ou de outra - negociações diretas, dissídios etc. - não houvessem sido endossados pelo em- Uma opção moderna para o Brasil O manifesto à nação que 36 entidades representativas do empresariado brasileiro acabam de divulgar é breve, claro e conciso; suficientemente firme e explicito, ele dispensa os termos inflamados e a retórica apocalíptica. Trata-se de uma declaração de princípios, que não poderia ser mais especifica e definitiva, cm favor "de um sistema econômico de mercado e um regime político aberto", que os signatários consideram "condições essenciais à busca do bem-estar nacional, para o qual temos todos de contribuir". Essa opção, acompanhada da, manifestação objetiva pela legitimidade da divergência de opiniões no processo politico e "estimulo pelo a uma vida partidária que reflita as tendências do pensamento brasileiro" tem o seu alicerce na declaração, igualmente explicitada, na afirmação de que_o desenvolvimento brasileiro "não deve servir de pretexto para adiar-se o progresso institucional, na vigência do Estado de Direito". Na realidade, o que as 36 entidades signatárias do manifesto estão invocando é a concepção do capitalismo moderno, que viceja nos paises desenvolvidos e industrializados do Ocidente, como a únicaopção válida para o obscurantismo dos regimes ditos fortes e o engodo das soluções pretensamente socialistas. Já não são mais oito os empresários que se abalançam na proposta de uma sociedade moderna e mais justa, em contraposição ao binômio desenvolvimento comsegurança, que prevaleceu durante 15 anos. Agora é todo o patronato brasileiro convencido de que,o caminho acertado para o nosso pais è o democrático, como exige, malgrado as enormes diferenças regionais, o estágio atual de nosso capitalismo, presariado e pelo governo, através do Ministério do Trabalho. Em nenhum caso os reajustes dos assalariados ultrapassou os niveis da inflação. Concedendoos, os empresários e o governo reconheciam tacitamente a justeza das reivindicações, fundadas na disparidade entre os salários reais e o custo de vida. Reivindicações salariais com essas caracteristi- _ cas nào podem ser corretamente apontadas como causa de inflaçào. Elas nem a determinam nem a alimentam. Permitem apenas que a comunidade do trabalho tenha condições mínimas para sobreviver. São salários contra a fome e as privações. Ainda anteontem, num simpósio realizado em Brasilia, promovido pelo Senado da República comprovava-se que a fome no Brasil está matando uma criança com menos dc um ano de idade em cada minuto. Á mesma hora cm que era feita na capital da República esta dramática revelação, no Rio de Janeiro, o ex-juiz de menores, Alirio Cavalieri, expunha outra referência estatística não menos trágica, segundo^ a qual atinge a casa de 25 milhões o número de menores carentes e abandonados no pais, - cerca de um quarto da população brasileira. Como retrato da pobreza PRIMO FIGUEIREDO Sai da jyente, primo. O papo é com o Decté. Pois o Delfim Netto chamou de gaiatos os defensores da reforma agrária. E eu sou defensor roxo da reforma agrária, todo mundo sabe! Gaiato, né? E você que é bobo? Dodô! Pote! Quatro-olhos! Batatinha! Hein? Hein? Bolâo! Eoi ele quem mm começou primetro, Abraço do primo gaiato, A cuca e a revelação do Óbvio Enquanto o MDB continua na sua dança de São Vito, sempre com novos esgares, cada dia com outra música, o sr. Leonel Brizola vai abrindo seu caminho político, escoltado pelo seu PTB. Há dias segredou que dispõe de um trunfo povo nas suas andanças. Ao repórter espantado, explicou: "A cuca, agora vou usar a cuca". Munido desse novo instrumental, inédito ao que insinuou, declara agora que não admitira, dentro de suas hostes, os comunistas, por não conceber a dupla militáncia política. Entre uma declaração e outra há a proximidade do dito e da prova do dito. A cuca, realmente, ajuda muito, sobretudo na cautelosa fase das articulações. Serve, sobretudo, para descobrir o insondável, o escondido, o irrevelado: o óbvio. que avilta nossas populações, levanta-se o fato de que 4,1% dos crimes cometidos no Rio o são por menores. Esses crimes não sào contra pessoas, mas contra patrimônios, circunstância que deixa patente o seu móvel: o estado de necessidade. A amostragem carioca pode ser estendida a todo o pais. Ela traça o perfil de uma pobreza generalizada que nào mais pode ser suportada pela sociedade e o Estado. O "descalabro salarial" talvez seja justo, desde que limitado no seu alcance. Depois de 64, com o impulso dado à concentração da renda e os amparos anti-sociais ao capital, criou-se uma casta tanto no âmbito da empresa privada quanto no do Estado, uma casta com remuneração babilônica. Mas essa casta, essas mordomiás oficiais ou não, não fazem greves por melhores ganhos. Ela tem a sua fatia bem assegurada. Reclamam salários os operârios, a classe média proletarizada. Reclamam para se deferider da inflação. Com o seu realismo, os que estão nessa situaçào prefeririam que a carestia acabasse, pois aprenderam que aumentos nominais não resolvem coisa alguma. Mas esse caminho só pode ser trilhado sem inflação. Nela é que está o descalabro. Um gesto para o auditório seleto Às vésperas da eleição da UNE, o governo editou o desastrado decreto punitivo para impedi-las, sob a ameaça de sanções explicitas e veladas. As eleições, não obstante a ira oficial, realizaram-se -pacificamente, na mais absoluta ordem, co;íio convém a uma categoria adulta. O ato proibido ocorreu sem que entrasse em vigor a medida restritiva e repressiva. Colocou-se o governo, na melhor das hipóteses, em situação dc indissimulável dubiedade: proibiu, sem impedir, permitiu o que prometeu não tolerar. Tudo leva a crer que o gesto govcrnamental não foi para valer, esgotando-se no arreganho autoritário, apenas para demonstrar que ainda existe com as velhas caracteristicas pré-ai-5, Obviamente, dirigiu-se a um auditório seleto, ao seu velho e cansado auditório, o que outrora se chamou a linha dura, a mesma de uma «triste e trágica história. Prestada a homenagem verbal ao auditório escuro, o aparelhamento coercitivo nào se apresentou para a sinistra tarefa. Com isso, acreditariam os articuladores da manobra que vestiram um santo sem desnudar a outro - santo vai aqui por amor ao ditado. Que se monte o palco para esse tipo de co- médias não espanta. O que estarrece é que se creia que as galerias estão dispostas a levar a sério o espetaculo. Na manga do mágico não hà espaço para embuste de tal vulto, sem que se encontrem tantos crédulos na cartola do artista. Seria melhor, e sobretudo mais sério, que os governantes nâo se julgassem, só eles, inteligentes, cercados de um deserto povoado de tolos. Que querem esses senhores? Será que não acreditam, em nenhum momento, na maioridade do povo e no esclarecimento da opinião pública? Mesmo antes de nascer, os partidos já sofrem da incompreensão geral Política e Pede se demais nos punidos. N;ib me retiro, evidentemente, aos que ai estão na honi da agonio, mas aos qucideveria mos ou poderíamos ter. Lstes nâo nas ceiam ainda, mus pode se ter a certeza de que já começam a sofrer nào apenas pelas duras condições de parto ditadas pelo regime como também pela nossa incompreensão tradicional sobre o papel da política na sociedade. O temor á política (ou seria o temor á liberdade.) tem sempre conseqüências funestas para a democracia. Explique se como se queira, mas o fato é que existe, do lado do regime, um evidente medo da política impulsionando a tentativa auto ritária dc meter os partidos numa camisa de-força antes mesmo do seu surgimento. Menos evidente, embora talvez igualmente grave, é o temor do outro lado, entre os liberais e as esquerdas. Há deste lado muita gente, de deutro e mais freqüentemente dc fora da política, que se comporta como se os pobres partidos que devem nascer, devessem atender exigências ideais que mesmo partidos já fortes e robustos, formados em democracias sólidas, estão longe de poder cumprir. Coerência dc idéias, rigor na definição programática, organização lirme. homogeneidade de direção - é muito comum entre nos que se espere dos partidos não apenas que se desenvolvam rente ao ideal, mas que realizem também o milagre de nascerem já cm plena maturidade. A formulação é drástica, mas infelizmente nào anda longe da realidade. Que sugere o tradicional lamento de tantos dos nossos liberais, enojados diante de "partidos de homens, não de idéias", senào uma atitude que conduz a renunciar á política. Quanto ás esquerdas, a idealizaçào dos partidos chega, muitas vezes. ao plano apocalíptico dc se pensar a partir de noções do tipo "o partido e tudo". Idéia paradoxal que tanto serve para indicar a elevação das exigências ao nivel do absoluto quanto paru sugerir impossibilidade de cumpri-las. Não por acaso as esquerdas brasileiras se encontram, depois du crise do stalinismo, fragmentadas em cerca de 14 partidos, grupos ou grupúscuios. sem esquecer os muitos, talvez u maioria, que se cansaram e preferiram colocar-se à margem de qualquer forma de agrupamento. Se o que se entende por partido é na ver- Partidos FRANCISCO C. WlillOKI Jade uma seita, a lógica d li fragmenta ção Jsc impõe inevitavelmente na ausén cia dos velhos mitos unilicadores. Mais lamentável é observar que estes preconceitos de antigas raízes se encon tram também, embora em forma nega tiva, em muitos dos que participam dos movimentos sociais, desde os movimentos sindicais até as comunidades de base da Igreja. Embora se tratem de movi mentos novos c promissores, há tam bem ai um inegável temor da política que aparece numa espécie cie exaltação mística da espontaneidade popular. Va lioso enquanto reconhecimento da auto liomifl popular, a exaltação da esponta neidade e em muitos apenas o outro lado da moeda do voluiitarismo habi tuado a pensar que "fora do partido nào há salvação". Nào são poucos os que entendem a espontaneidade nestes terníqs: como nào se apresentam as condi ções ideais para a construção de um partido verdadeiro, mantenhamos as mãos limpas estando fora da política. A parte os autoritários, preocupados cm administrar o seu próprio poder, res iam os conservadores, muito mais importantes na política brasileira do que habitualmente se pensa. Nào é apenas por serem conservadores que estão sem pre, mal ou bem, na crista da onda. L que. mais efeitos que os outros ao jogo do poder e por isso habituados ao cal culo frio das situações, estão também entre os poucos que compreendem com clareza que afinal os partidos sào apenas instrumentos. Instrumentos que ru ramente se formam cm condições ideais e cujo aprimoramento nào depende em nuda da renúncia á política, mas sobretudo da participação c da capacidade de luta. Sendo necessários nào sào nunca suficientes pura a expressão dos interes ses e das idéias, são uma possibilidade de açào entre outras. Um conhecimento que serve para conservar a sociedade talvez seja útil também pura os que querem a mudança. Se nào esperarmos tanto dos partidos talvez estejamos melhor preparados para participar deles e para fazê-los me lhor do que lém sido. Francisco C. Wefforl c sociólogo e pre sidente do CEDEC O luxo opulento deve dar lugar a um outro tipo de luxo; os tempos mudaram Custos da abertura PAULO SANDRON1 As recentes declarações de Roberto Campos, sobre a distribuição dá renda no Brasil, podem ter parecido estranhas a muita gente. Rosto de peroba, ele disse ser "uma vergonha" a convivência do "luxo opulento com a situação de miséria" do nosso povo. Comportou-se em relação à economia brasileira como aquele sujeito que depois de deflorar uma adolescente, se recusou a casar, argumentando que a noiva nào era virgem. Vindo de quem vem, é realmente difícil conter a indignaçãodiante de tais declarações. Afinal, a memória do povo não é assim tão fraca para esquecer que foi exatamente o ex-ministro quem criou os mecanismos - como o arrocho salarial - que permitiram a escandalosa polarização da riqueza depois de No entanto, não é o momento - ainda - de estabelecer as responsabilidades individuais por tanto tempo de sofrimentos e de humilhações aos trabalhadores. O importante, hoje, é discutir por que um "estadista" sempre tão preocupado com a racionalidade econômica vem agora com essa conversa sobre justiça social. É que os tempos mudaram.oqueestà cmjogo - no momento - não são mais os índices espetaculares de crescimento do PNB. O que importa para nossos governantes é seguir com a abertura política, mas evitando uma explosão sociai contagiante e incontrolável. No entanto, quanto mais se abre a cortina, mais se vislumbra um milhará! ressequido, onde a indignação das massas, em brasa, começa a dançar loucamente. São Luis. no Maranhão, e São Paulo, no Sul Maravilha, foram as manifestações mais recentes de que, como diz Chico de Oliveira, o Brasil virou um imenso Nordeste. Por mais que se busquem as infiltrações subversivas, é cada vez mais evidente que as razões dessas miniinsurreições são outras. Nosso embaixador em Londres também insinuou que o atual projeto de abertura política é mais ou menos idéntico ao que clé apresentou em 1972, com uma diferença importante: há sete anos, era mais fácil fazê-la, pois o capitalismo brasileiro ia de vento em popa. Um período de vacas gordas favoreceria essa complicada acomodação. Mas talvez por isso mesmo, isto é. porque o capital estava em festa, ninguém se preocupava muito com a abertura politica., Agora, tal abertura é um fato mais ou menos consumado c, enquanto servir como arma dos poderosos para reforçar seu poder na soma algébrica dos prós e contras), seguirá sendo empunhada pelo atual governo. Mas o problema é saber: quem pagará a conta da combinação entre abertura política e desenvolvimento capitalista? A resposta clássica de que será (como sci.ípre) o povão, omite uma importante particularidade da atual con- juntura, Embora os assalariados segui rão sofrendo e pagando as contas, o que parece evidente é que o governo pedira também algum sacrilkio ao capital, principalmente para combater a inflação. O recado de Roberto Campos foi claro: o luxo opulento deverá ceder lugar ao lucro ascético, pois pedir mais sacrifícios ao povo pode ser demasiado perigoso. Os pronunciamentos do João jà começam a ser matizados pela tõnica: "O povo tem sofrido demais". Seus ministros,ameaçarh e punem empresários rebeldes que ainda não compreenderam a gravidade da situação. Delfim Netto advertiu os banqueiros sobre as represálias se não abaterem 10"u nos juros. Aos empresários em geral mandou o recado de que os repasses aos preços por aumentos de custos poderiam ser recortados se a empresa tiver gozado de lucros extraordinários no período anterior. Mas as condições "disciplinar" para os empresários nào são as melhores, pois o direito de espernear aumentou especialmente para eles. Eis ai mais uma razão para que os trabalhadores cerrem fileiras na luta pela modificação da política salarial e em defesa de seus interesses. Pois, se a choradeira dos homens do capital é capaz de comover os corações mais duros, quem sabe nào farão o mesmo com o dos nossos governantes, ultimamente tão sensíveis. Paulo Sandroni é economista e projessor da FQV Ju

5 SEXTA-FEIRA. DE OUTUBRO DE 1979 EPÜBtíQ\ POLÍTICA PÁGINA f SAO PAULO Setúbal eufórico: Tancredo será o líder do PI Magalhães Pinto fica com Minas através de José Aparecido FRANCISCO BARRf IRA O ex prefeito Olavo Se túbal mal continha sua euforia ontem em seu cs critério no último andar do edifício sede do Banco Itaú. na rua Boa Vista, cm São Paulo. E enquanto ullimava os preparativos para sua viagem aos Esta dos Unidos (ele embarca amanhã para uma estada de, no máximo, dez dias) comentava, ao telefone, que foram eliminados os últimos obstáculos para a organização do partido. Curiosamente, estes obstáculos não se localizavam em São Paulo onde Setúbal tinha como único grande concorrente, o senador emedebista Franco Montoro. hoje muito preocupado com a sobre vi vencia do MDB, () principal obstáculo ao PI de São Paulo localizava se. acreditem, cm Minas Gerais, listado de origem de dois dos principais candidatos a liderança na ciònal do PI: Tancredo Neves e Magalhães Pinto. Setúbal já havia maniles lado sua solidariedade a Tancredo Neves, mas aguardava, inquieto, o re sültado final do duelo en tre esses dois titãs da poli tiea nacional, deve-se. cá entre nós. menos á real di mensão destes dois perso nágens, do que a pérspec" tiva provinciana dos poli ticos paulistas. Seja como for. Setúbal foi informado ontem de que odr. Maga Ihàes reunido ontem á tarde em seu gabinete de deputado cm Brasília com seu secretário José Apare eido e com o deputado carioca laeerdista Célio Borja. decidiu conceder ao dr. Tancredo a lide rança nacional do PI. A decisão do di. Maga Ihàes deveu-se á sabia constatação de que nào há como concorrer com um homem como Tan credo, que consegue guardar até hoje a caneta com a qual Getúlio Vargas assinou sua Carta Testa mento, pouco antes de dar um tiro no peito e que eoneomi tan temente, é apontado pelo presidente figueiredo como o único homem capaz de organi zar uma oposição "assimilável pelo Sistema". É claro que o informante de Setúbal comunicou ontem que Tancredo tinha final mente prometido a Maga ihàes que não concorrerá ao governo de Minas em 1982, abrindo caminho, assim, para a candidatura de José Aparecido. Mas isto são coisas menores. Mandado de segurança contra ato de Maluf Foi impetrado, ontem, no Tribunal de Justiça de Sào Paulo, mandado de segurança contra ato do governador Paulo Maluf exonerando do serviço público a engenheira Marilena Lazzarinií Segundos os advogados de Marielna, a de missão da engenheira foi decidida "motivos por de vingança pessoal contra o marido. da funcionária. Walter Lazzarini Filho, presidente da Associação dos Engenheiros Agronõ mos, "que teve participação destacada na campanha de reivindicação salarial dos funcionários públicos, como membro de sua Coordenação Geral Permanente, tendo participado, também, do movimento que terminou por impedir a localização do aeroporto de Sào Paulo em Caueaia do Alto"". O mandado cita uma de claração do coordenador da assessoria técnica da Seeretaria da Agricultura, onde Marilena trabalhava, que assinala ter sido a exo ncraçào motivada "por mo livos totalmente alheios ao seu desempenho prollssional". O mandado de segurança acusa Maluf de "abuso de poder" e afirma ler sido o ato de exoneraçào "ilegal e arbitrário". A medida liminar pede reintegração da engenheira. General compara PCB à cobra O comandante do II Exercito, general Milton Tavares, afirmou, ontem, em Sào Paulo, cm entrevista concedida na Assembléia Legislativa, que "estamos pagando pela abertura politica exatamente o preço que calculamos, nem mais caro nem mais barato". Esse preço, Segundo o general, sào "as greves e as contestações". Perguntado sobre a legalização do PCB, Tavares respondeu com uma "Duranüe uma nevada, uma co- parábola: bra muito venenosa estava morrendo de frio, quando passou um homem e se apiedou dela. Colocou-a, no bolso do casaco e. tão logo a cobra recobrou suas forças, mordeu o homem e o matou". Délio acha que o povo gosta da abertura É difícil comparar o atual momento político brasileiro com outros momentos, vividos no passado. Es.- tamos vivendo uma fase de volta à normalidade democráticá e acho que o povo está muito satisfeito com esse retorno à democracia". A afirmação foi feita, ontem. no Recife, pelo ministro da Aeronáutica, brigadeiro Délio Jardim de Mattos. Délio disse, ainda, não acreditar que as greves estejam tumultuando a vida politipa do pais. Sobre a legalizaçâo do Partido Comunista, afirmou que a questão terá de ser analisada pelo presidente da República e pelo ministro da Justiça. Sobre a eleição da UNE: "AUNEé uma entidade legítima na defesa dos interesses dos estudantes, mas não estou de acordo com a luta politica, fora da área estudantil". Uma das maiores aspirações nacionais começa a se tornar realidade: casa própria para mais brasileiros, principalmente para aqueles situados nas camadas sociais de média e baixa rendas. Para que isto se transformasse num beneficio real, o BNH - Banco Nacional da Habitação - acaba de reformular a política de prazos e juros dos financiamentos habitacionais. Mais do que isto, o BNH ampliou e complementou outras vantagens já implantadas, como "o Sistema de Amortização Misto - SAM. Fez retornar a utilização da Tabela Price e facilitoub emprego do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço no pagamento de prestações. Somadas, estas medidas representam uma redução de até 27,5% nas prestações dos mutuários do Sistema Financeiro da Habitação. Com isto, o Banco Nacional da Habitação começou a se transformar num verdadeiro Banco de Desenvolvimento Social. Estas medidas já estão em vigor desde o último dia 31 de julho e são as seguintes: Menor renda familiar. A renda familiar mínima exigida para se conseguir um financiamento foi reduzida em até 21,6%. Isto significa o seguinte: digamos que você quisesse um financiamento que exigisse comprovação de renda mínima familiar décr$ 5.000,00. Se a renda da família não atingisse esta soma, seria impossível obter o financiamento. Mas a partir de agora, com a redução feita pelo BNH, você já consegue o mesmo financiamento com uma renda familiar de apenas Cr$ 3.920,00. Você pode usar o Fundo de Garantia para pagar as prestações mensais. Por exemplo. se você tem que pagar uma prestação de Cr$ 1.451,00, usando seu Fundo de Garantia você pode a baixá-la para Cr$ 995,00. Agora você gasta menos de sua renda familiar para pagar mensalidades. A partir de agora, você precisa tirar menos dinheiro do seu salário. para pagar as mensalidades da casa própria. Tome o seguinte exemplo: quem ganhasse um salário de CrS 5.000,00 tinha que destinar 28,8% deste total - isto é, Cr$ 1.440,00 - para pagar a primeira prestação do financiamento. De agora em diante, quem ganha os mesmos Cr$ 5.000,00 precisa - m ll i IM-IWM r tm*> «- ~.^_- a- _-^^ -- t^êê^^^^^ê^^^^m^^m^^^^^l^^- ;:; > Y^-" ^ */*^"Y^"í YY^ ttti-. -^ &&$!$$ :i -. ifjwbbjíl firo JjTjT*» * * ""Y* v ^M^^^ÊÍ JarB. SUl^, ^ -**:wkí^ Ç!_Í^fíHÍÍBB * wwfm <*fí**fm,íw*<1 "" -," " t.*^- :.-,- >Jj - ^Bm. Mffi Y* íí»{**vjwtó: :>-Vi tirar apenas 13,8% - isto é, apenas CrS 690,00. Na medida em que você vai pagando, as prestações baixam ainda mais Ȧssim, lá pela décima terceira prestação, destes mesmos CrS 5.000,00, você iria tirar apenas CrS 480,00 por mês. Redução dos juros. Os juros para compra da casa própria foram reduzidos em até 1%, nas faixas de financiamento entre 302el499UPC-ouseja,CrS ,00 ^ a CrS 584,000,00. Pelo sistema antigo, para um *"" financiamento de CrS ,00, você Y pagaria CrS ,00 de juros anuais. Com a redução feita agora, para os mesmos CrS ,00, você vai pagar CrS 9.750,00. Mais prazo para pagar. Os prazos para pagamento dos financiamentos entre 1251 a 2400 UPC foram aumentados. Para financiamento de 1251 UPC, este prazo varia em até 12 meses a mais Ṗara as faixas de 1500 a 2200 UPC, varia em até 36 meses a mais. Você pode comprar a casa que alugou. 9 Se você mora numa casa alugada antes de 16 de maio de 1979, desde o dia l? de agosto você pode requerer um financiamento para comprar o imóvel, caso haja acordo entre você e o proprietário. * E para beneficiar as camadas de média e baixa rendas, o BNH determinou que cada agente deve aplicar um mínimo de 40% dos seus recursos destinados a esse programa, para financiamentos de valor unitário de até 900 UPC*. Se você quer maiores detalhes, procure uma agente do Sistema Financeiro da Habitação. Chegou sua vez de ter casa, própria. # tfl#ministlf<10 D0INTtR10R BANCO NACIONAL DA HABITAÇÃO IPr-CrJ 39U, 1»

6 PÁGINA 6 REPUBLICA POLÍTICA SEXTA-FEIRA J -DB.OUTUBRO DE I97Ç 1 O dr. Tancredo e os nasturcios Leio os jornais e constato perplexo que tudo jâ estava escrito há meses (estava escrito aqui no sentido maktubiono da palavra, ou seja, o destino já escrevera tudo nos seus livros). De repente, está ai o dr. Tancredo Neves colocado como um polo alternativo de poder, o homem que segundo o Palacio do Planalto, pode comandar a chamada oposiçao democrática (ou seja, anti-radical) a quem será concedido o privilégio de ter direito de aspirar ao poder num futuro próximo. Pois eu me lembro como se fosse hoje c foi seguramente há uns seis meses. Eu havia ido buscar meu cheque no Planalto (pois é. há pessoas realmente ingênuas que pensam que o Planalto paga em cheque) e, enquanto esperava uma audiência com uma pessoa tem colocada na hierarquia da República, respirava o ar puro de Brasília. Por uma janelão entreaberto, uma brisa ligeira refrescava o ambiente trazendo com ela o perfume dos nasturcios. Eu fiquei intrigado com o perfume dos nasturcios, uma flor que jamais poderia imaginar florescesse nas securas do cerrado. Até entào eu apenas sentira o perfume dos nasturcios em companhia de Scott Fitzgerald. naquela noite em que ele disse, como se se falasse com ele mesmo: «Suave é a noite».. Pois lá estava eu metido nessas divagações. quando o bem situado na hierarquia oficial entrou na sala. Fui logo perguntando: «E vocês acham que o Tancredo Neves tem condições para sair correndo do Congresso, atravessar a rua, pegar o elevador e chegar até aqui para acertar os ponteiros?» A pessoa bem situada demonstrou uma profunda pena pela minha ingenuidade e disse textualmente: «Ele mão precisa usar o elevador. Ele pode usar a rampa». Ao ouvir aquela declaraçào tào peremptória, eu percebi claramente que naquele edifício ibrasiliense algumas mentes altamente.treinadas no jogo político estavam imaginando um grande lance: o da alternância do poder sem traumatismo, a alternância indolor. «Entáo esse é o projeto?», indaguei respirando fundo e o perfume dos nastúrcios paroceu-me estranhamente forte. A pessoa bem situada na hierarquia da República confirmou com um balançar, de cabeça: «Esse é o projeto». Naquele dia\deixei o Planalto mais leve,(e ainda uma vez sem o cheque desconfio mesmo que apesar de todas as intrigas eles não usam talão de cheques no Planalto). Depois viriam o Arenão, a Arenoca. Arenaca. a sublegenda. o desânimo. O dr. Tancredo murchou, sumiu do noticiário. Agora ele retorna nas articulações para formar k sua volta um partido que poderia ser chamado independente mas que numa suprema ironia do destino poderá se chamar também MDB. Um MDB que, segundo diz. pode aspirar subir pela rampa do palácio. Novidade? Como novidade? Afinal esse era o projeto. Ou nâo era? IGREJA Dom Paulo explica abraço a Gregório «Não sabia de nada. Não fui avisado. Costumo receber todo mundo. Depois da missa, abracei não sei quanta gente. Entre eles, Gregório Bezerra, um ancião sofrido, torturado, humilhado, que estava retornapdo ao Brasil. Dei-lhe um grande abraço, com o desejo de que ele não guarde rancor de ninguém e também que ninguém guarde rancor dele, pois como pastor e franciscano busco sempre a reconciliação Brincando, perguntei-lhe como tinha coragem de entrar numa igreja. E ele me respondeu: Como é que o senhor tem coragem de nos defender?». São explicações do cardeal de A posição da Igreja sobre o PCB A igreja de São;Paulo apoia a legalização do Partido Comunista (e de outras correntes políticas) mas adverte que os catolicos devem estar atentos para não se envolverem com partidos cuja doutrina contrarie a doutrina católica. Essa é, em síntese, a posiçáo das representantes da Provincia de São Paulo (que abrange os municípios da Capital, Jundiai,Registro, Santos, Sorocaba e Itapeva), em reunião realizada anteontem com a participação do cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns. É evidente que qssa posição não se manifesta com tanta clareza mas, sim, cercada de cautelosa linguagem eclesial. O fundo da quêstão é exatamente esse, entretanto: é preciso coocluiu-se respeitar o direito de cada cidadão de exprimir seus ideais, reunir-se e se organizar. >Mas concluiu-se igualmente que há programas partidários que contêm uma inaceitável visão materialista e ateia do mundo. PAULO SÉRGIO MARKUN São Paulo, d. Evaristo Arns. ontem numa entrevista coletiva, na qual ele respondeu editorial do jornal O GLOBO, «Flores de Moscou», que o critica pelo fato de ter recebido um ramo de flores de Gregório Bezerra, do Comitê Central do PCB e ataca a linha pastoral, ecumênica eclesiástica da arquidiocese de Sâo Paulo. O cardeal disse que as críticas do jornal carioca não o atingem pessoalmente, mas a todo povo de Deus em Sâo Paulo «que definiu pelo voto e com mais de dois terços» a linha de ação da arquidiocese. D. Paulo recebeu o apoio e a solidariedade da Comissão Justiça e Paz, do Comitê Brasileiro pela Anistia e do Comitê de Defesa dos Direitos Humanos para o Cone Sul. Em nota assinada, a Comissâoenfatiza aimpossibilidade de alianças entre a Igreja Católica e doutrinas totalitárias fascistas ou comunistas, mas afirma que Bezerra merece respeito e «indiscutivelmente, faz parte do rebanho de Deus» por ter sido perseguido, torturado, e expulso do seio de seu povo, lembrando ainda que o octogenàrio será recebido pelo povo do Recife que o.homenagearà, chamando-o de «homem feito de ferro e flores». Aproveitando a ocasião, o cardeal reafirmou sua posição sobre comunismo e PC, reportando-se a uma palestra feita em Uberaba: «Acho que é muito fácil, para qualquer pessoa, mesmo que tema e tenha pânico do comunismo, ver o que é e como é o comu-, nista, do quç ficar como medo,de fantasmas. Todos ospaises democráticos têm partidos comunistas legais e neles, eles nunca vencerami pelo voto. Todos os anti se assemelham comunistas ou fascistas... O comunismo, como tal, nâo dá liberdade, nem de expressão, nem de religião, nem de nada.» No fim da entrevista, sua secretária brincava com «as flores de Moscou», que não são todas vermelhas mas também brancas, amarelas e verdes: «Nâo o segura não, que isso pega:» Num improviso no Country Club de Itajubá, MG. onde foi homenageado com um almoço, o presidente Joáo Figueiredo exortou ontem os brasileiros a esquecerem as rivalidades e injustiças para «se unirem a nós». Ele chegou a Itajubá às loh. acompanhado dos ministros Farhat. Eliseu Reseride, Venturini. Haroldo de Matos e Amaury Stabilc. Inaugurou a I Exposição Industrial e, na feira, ganhou da Heliobrás uma miniatura de helicóptero de madeira e da Imbel uma carabina 22. fabricada em itajubá. Para que a arma. perguntou, bem-humorado. Nào sou caçador e nem tenho raiva de ninguém. Mas o aceitou o presente, levantou halteres de três quilos e foi abraçado efusivamente pelo filho do ex-presidente Wencéslau Braz. Depois de inaugurar a biblioteca da Escola de Engenharia, foi ver os helicópteros «Esquilo» e «Lama», da Heliobrás, nio sem ter. no trajeto, cumprimento o povo que aplaudia e o saudava; enquanto nas ruas os colegiais o aplaudiam carinhosamente. Num dos estandes da feira, foi cumprimentado pelo exgovernador Laudo Natel; ali, o presidente, o vice Aureliano Chaves e o governador Francelino (que foram recebê-lo no aeroporto) ganharam cronômetros navais. Depois do almoço, foi a Pouso Alegre, visitou o HC e três mocinhas que lhe disseram que queriam estudar, mas se queixavam das anuidades, disse: «Eu aconselho vocês a arranjarem um marido para pagar os estudos para vocês». Embarcou para Brasilia ás 17h31. Sa"o estes os trechos sou caçada FIGUEIREDO IfSliIIO ÍClIVCI O presidente, bem-humorado, faz discurso importante em Itajubá e elogia Osório democrático mais importantes do breve discurso presidencial: O discurso. São estes os trechos mais importantes do breve discurso presidencial: «Desejo dizer aos srs. parlarr_níarcs, aos srs. prefeitos e aos srs. vereadores, cm particular, que o problema que enfrento, da reformulação partidária, tem a sua primeira origem na minha convicçtfo de que devemos partir para o pluripartidarismo. Somente esta convicaçao me move nesse sentido. E, ao fazê-lo, desejo abrir a possibilidade de que se formem partidos quantas forem as tendências e a lei o permitir. Mas tenho também diante de mim um compromisso, que assumi mesmo antes do tomar posse na Presidência da República. E, mais que co promisso, um juramento que fiz após assumir a Presidência da República: disse por mais de uma vez que iria traasformar este país numa democracia». «Sei bem as dificuldades que já tive e que ainda tenho por diante, para chegar a este objetivo. A minha determinaçáo náo é menor do que no dia em que fiz este juramento, e hei de consegui-lo. Mas. para consegui-lo, pela via mais fácil, sem tropeço, eu preciso de um suporte politico no Congresso». «Dai porque eu concito os ; meus companheiros, os brasileiros de todas as tendências, que esqueçam suas rivalidades regionais, que olvidem, pelo menos momentaneamente, as querclas políticas, as injustiças até estas que tenham sofrido que engavetem os agravos de qúe tenham sido vítimas, para formarmos um partido qúe apenas terá uma meta: fazer PRESIDÊNCIA com que Ia no Congresso a VOZ do povo se faça ouvir. E fazer com que minha determinnçáo de democratizar o país possa vir pela linha mais fácil como disse, pela linha mais suave, com menores dificuldades». «Desejo esquecer inclusive as origens que possam me apoiar, porque eles viráo me apoiar nao a mim. mas apoiara democracia. E devo lembrar também aos companhélros, aqueles que ainda possam se sentir ressentidos pelo passado, que ninguém melhor que eu deu o exemplo de esquecer agravos, de esquecer injustiças e de esquecer inverdades. parti estender a m;ío a todos aquelos que queiram de fato pensar em primeiro lugar na nossa Pátria». Osório. Em carta que enviou ao ministro do Exército, Walter Pires, por ocasião do centenário da morte de Osório. patrono da Cavalaria o presidente da República diz entre outras coisas que Osório «na vida civil, como senador e ministro, esqueceu as injustiças e calúnias, para tomar-se político de prestigio populan>; «sua mensagem foi sempre a expressão de um anseio de paz. de ordem, de lei, de tranqüilidade, de trabalho, de serena e inflexível afirmação das franquias democráticas». E cita a frase de Osório, «É fácil a missão de comandar homens livres». Em sua resposta ao presidente, o general Walter Pires declara seu empenho em «perseverar no exemplo do bravo marechal Osório, pela união de nossas consciências e de nossas vontades, a serviço das legítimas aspirações do povo brasileiro». Uma nova secretaria Figueiredo terá sua assessoria de informática Umpré-ministério.É assim que está sendo vista a Secretaria Especial de Informática, ligada à Presidência da República, cuja instalação deverá se dâr dentro de uma ou duas semanas. O futuro secretário especial também já está escolhido. Será o atual presidente da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo - Prodesp, Octávio Gennari Netto. Ontem, Gennari Netto encontrou-se rapidamente com o presidente João Figueiredo em Viracopos, escala da visita presidencial a Itajubá, e hoje estará no Palácio do Planalto, para um contato mais longo, durante o qual receberá uma orientação mais detalhada sobre o cargo que passará a ocupar. A criação da secretaria é o principal resultado dos estudos do grupo de trabalho criado pelo atual governo para traçar as diretrizes da política nacional de informatica, setor que. no Brasil, apresentou um crescimento tão grande quanto descontrolado nos últimos anos. Do grupo fazem parte representantes dos três ministérios militares, da Secretaria do Planejamento, da Casa Militar, MARCOS FONSECA do SNI e do Conselho de Segurança Nacional. Tal, composição foi muito criticada, na época, por excluir representantes das empresas ligadas ao setor e, principalmente, dos próprios profissionais de processamento de ciados. Durante certo tempo, prevaleceu, dentro do grupo, a idéia da criação do Ministério da Informática, mas ela acabou nâo evoluindo. Optouse então, pela criação da secretaria, que, posteriormente, poderá ganhar status de ministério. Um ponto que não está bem claro, ainda é a subordinação da Secretaria Especial, sabendo-se apenas que, se não estiver diretamente ligada à Presidência, estará bem próxima de Figueiredo, provavelmente vinculada à Casa Militar. Aliás, a própria indicação de Gennari Netto para secretário, segundo se comentava ontem, em São Paulo, teria partido do chefe da Casa Militar, Danilo Venturini. embora o nome do presidente da Prodesp jà fosse bastante conhecido do presidente desde que a Prodesp passou a prestar serviços para o SNI, quando este órgão era dirigido por João Baptista Figueiredo. Por enquanto, Gennari Netto não quer falar. Prefere esperar até tomar posse no cargo, o que poderá acontecer já na próxima semana ou na seguinte, pois sua saída I da Prodesp deverá coincidir coma data do 10" aniversário da empresa, na próxima quarta-feira. Entretanto, algumas de suas idéias com relação a uma política de informática para o país podem ser extraídas de recente palestra que fez em Gramado, durante congresso promovido pela Comissão de Coordenação das Atividades de Processamento de Dados Capre. Ali, Gennari Netto revelou duas preocupações básicas: o crescente distanciamento tecnológico entre, os países centrais e os países periféricos, criando uma nova e mais forte dependência destes em relação àqueles; e a orientação que se dará à utilização da informatica Ṗor isso.ele faz algumas recomendações como «conscientizar os cidadãos sobre os riscos da invasão de sua privacidade» e estimular a sociedade no sentido de participar do «estabelecimento de políticas relativas à informatica». POLÍTICA^GAÚCHA A Câmara é de Brizola 12 dos 14 vereadores do MDB aderiram ao PTB «Porto Alegre é a catedral do trabalhismo». Com esta frase, o líder do MDB na Câmara de Porto Alegre, Geraldo Brochado da Rocha, justificou, ontem, a decisão de doze dos catorze vereadores da bancada emedebista pelo apoio, às claras, ao PTB de Brizola posição jà manifestada na visita do exgovernador à Câmara da capital gaúcha, hã dez dias, e.ratificada agora através de documento. Nele, os vereadores consideram irreversível a iniciativa e a atitude que tomaram ao filiarem-se, publicamente, ao projeto de reorganização do PTB, «liderado pelo engenheiro Leonel SÉRGIO BECKER, de Porto Alegre Brizola, herdeiro nacional da causa trabalhista». Mas, minei ramente, acrescentam reconhecer o senador Pedro Simon como «legítimo presidente da frente de oposição». Explica-se: Simon resiste à adesão ao PTB, jogando, ainda, na sobrevivência do MDB, ou de um novo partido frentista de oposição. Somente não assinaram o «manifesto dos vereadores»: Jussara Gauto e Antônio Cândido, o «Bagé»-Consta que eles prefeririam o PT, mas Bagé explicou, ontem, que ainda não «fechou» com ninguém.: Ele só não ingressa no PTB, porque deseja participar de um partido popular de oposição e não «populista». «Bagé» considera o PTB como divisionista da oposição e, embora não tenha apoiado completamente o PI, reconhece nele, «um programa muito bom, pois nasce das bases e tende a ser formado, realmente, pelos trabalhadores». Na área da Assembléia gaúcha o placar continua inalterado. Além do bloco trabalhista (sete deputados), outros três Américo Copetti, Porfirio Peixoto e Romildo Bolzan têm «simpatia» pelo partido de Brizola. Restam, entáo, 21 deputados emedebistas ligados a Pedro Simon. II MACEDO NO CONGRESSO Muitos gráficos para defender o projeto salarial do governo MACEDO NO CONGRESSO Atacando com gráficos E atacado com faixas contra o salário-mínimo Foi uma batalha de gráficos e faixas, de cinco horas de duração, a visita do ministro do Trabalho, Murilo Macedo, à comissão mista du Senado que estuda o projeto ide reforma da politica salarial. 0 ministro usou sete gráficos e muitas ênfase para defender com unhas e dentes Brizola espera Lula, no sábado Verdadeiramente para usar um advérbio caro ao ex-governador Leonel Brizola que o repete a cada início de frase verdadeiramente, reina a festa no Hotel Everest, em Ipanema, no Rio, onde opetebismo instalou o seu quartel-general, desde a tarde de domingo passado. A euforia não se deve apenas ao importante acordo selado com o amaralismo nem da romaria de visitantes que transitam pelo hall do hotel, das primeiras horas da manhã até os confins da inoite. Mas sim, da certeza de que o redivivo partido já conta com suficiente respaldo parlamentar. Sào cálculos imprecisos, baseados em adesões iminentes ou quase adesões, jâ que muitos parlamentares visitantes ainda não assumem publicamente a legenda. Como por exempio, o jovem deputado Carlos Alberto, do MDB anti-aluisista do Rio Grande do Norte, que passou toda a tarde esperando, aflitamente a sua vez de falar com Brizola. Além dele, e de outros parlamentares já notoriamente engajados no projeto peteblsta, estiveram também no Everest os baianos Roque Aras e Raymundo Urbano e o paulista Walter Garcia. Mas foi o ex-governador sergipano Seixas Dória que Brizola dedicou a maior fatia de sua manhã (completada com um almoço no Jornal do Brasil) Hoje, também, sào esperados no Everest as visitas de João Cunha e Del Bosco Amaral, do MDB de Sâo Paulo. Mas é o fim de semana que promete, segundo os cálculos unânimes da imensa entourage brizolista. Aguardam-se as visitas dos senadores Franco Montoro e Nelson Carneiro (fiel representante da corrente amaralista), e, especialmente, de Lula. «Foi ele que demonstrou interesse em fazer a visita, e, embora nâo possa garantir se virá ou nâo, devo dizer que o receberei com o maior prazer, como, estou recebendo todo mundo», dizia Brizola. LUÍS GUSTAVO GÓLLO o projeto. Os oposicionistas, como o presidente da comis são, o deputado gaúcho Alceu Coliares. responderam com uma faixa, colocada bem atrás do ministro, onde se lia que "O salário mínimo c um roubo oficializado no Brasil- tudo isso depois de citar, como era inevitável, a taxa de inflação de Wfc no mês de setembro, «inédita na história do pais*. A máxima concessão ás criticas, feita pelo ministro, foi a elegante afirmação de que nâo tinha a veleidade de «imaginar que enviamos ao Congresso um projeto perfeito. Fie está ai para ser discutido e modificado». Mas, em seguida, desabou com a sua argumentação: a abertura política promoveu a interação empregados-patrôes-governo; negociar é tolerar; o projeto mostra a plena honestidade de propósitos do governo de acabar com a corrosão salarial, «problema maior da família brasileira». E, por fim, lembrou que 95,5% dos assalariados regidos pela CLT terão aumentos. Macedo confessou que é favorável à correção automática dos salários com base no índice inflacionàrio, fórmula que prefere a reajustes trimestrais ou quadrimestrais: «Os períodos certos e curtos comprometem a economia e desorganizam a empresa». Por isso mesmo, rejeitou o reajuste trimestral defendido pelos parlamentares e incluído no projeto do arenista gaúcho Carlos Alberto Chiarelli pois ele significa «dar com uma máo e tirar com á outra, pois a éxpectati va inflacionária seria alimentada sobremaneira em a[x!ruis três meses». A preocupação central dos deputados, entretanto, estava na possibilidade de que o projeto, se aprovado, estima- Iara a rotatividade da mãode-obra. Chiarelli disse ao ministro que o encarecimento de r na dispensa do empregado, prevista no projeto, não garantirá a redução du rotavidádè è pediu sanções especificas que coíbam urbitràriedades patronais. Macedo, entretanto, não acredita no aumento da rotatividade, pois acha que os empregadores não irão se dispor a investir mais dinheiro há formação de mãode-obra, so porque esta ficará um pouco mais cara com os reajustes semestrais. A alta taxa de inflação de setembro acabou sendo outro lema dominante; O ministro disse que tudo correra conforme seus planos, se os índices inflaciunários furem reduzidos a 25rc nos próximos seis anos. Já o arenista Chiarelli citou os Vi de setembro para mostrar que o trabalhador de saláriominimo não poderia aguardar um reajuste semestral. Mas o que desagradou mesmo ao ministro foi a frase do emedebista Edgard Amorim, queconsiderou que o discurso de Macedo lembrava Getulio Vargas em pleno Estado Novo. TEODOMIRO Polícia S ederal ousada em Paris ROSA FREIRE 1> AGUIAR «Eu acuso os agentes da Policia Federal de terem colocado drogas na minha mala», afirmou, ontem, em Paris, Maria Conceição Gontijo de Lacerda, mulher de Teodomiro Braga. Maria Conceição encontrou, dentro de uma de suas malas, ao chegar a Paris, um saco plástico contendo meio quilo de maconha e dezenas de gramas de cocaína. Maria Conceição teve sorte. Sua mala não foi revistada na alfândega do aeroporto de Paris a revista é por amostragem e Maria Conceição não foi sorteada e por isso nâo teve problema com a polícia francesa. Ontem, depois dê descobrir as drogas, chamou um representante do Alto Comissariado de Refugiados das Nações Unidas e duas testemunhas de nacionalidade francesa. A policia foi também advertida e apreendeu a maconha e cocaína a pedido da própria Maria Conceição. A mulher de Teodomiro acredita que «esse é mais um golpe baixo de policiais brasileiros que querem me comprometer. Policiais da mesma turma que ameaçou f éodorniro na prisão e que me enviou bilhetes nos dias que antecederam minha viagem ã Paris». Maria Conceição já telefonou para a sua advogada Ronilda Noblat e para o deputado carioca José Eudes, que a ajudou a fazer as malas antes do embarque e que servirá de testemunha. Maria Conceição afirma que vai processar a Varig. responsável pela sua bagagem no trajeto Rio-Paris. Ontem, os diretores da Varig não estavam na sedo da empresa, no Rio, para responder formalmente às acusações. Mas, os funcionarios da companhia comentavam que será difícil concluir alguma coisa num processo de violação da bagagem pois, segundo eles, as malas de Maria Conceição seguiram o mesmo roteiro das dos outros passageiros. E ninguém admitia a possibilidade de qualquer desvio da bagagem durante a operação de embarque,embora admitissem que a violação possa ter acontecido em Paris. s

7 sfxta IblUA 5 DE OUTUBRO DE 1979 gepübl/q^ (NFLAÇAO POLEMICA ação, depois do estouro d 8/o PÁGINA 1 1 O ministro Delfim Netto. na quarta leira. atribuíra o resultado de 7.%% em setembro ao "descalabro salarial" c á "inflação corretiva", isto "reajustes c. e liberações de preços autorizados pelo governo para ajustar a economia". Sobre os salários, disse "estarmos colhendo agora as conseqüências de reajustes de salários de 75"o. obtidos pelos niovimen tos grevistas, e "estão que empurrando os preços". Numa alusão direta ao acordo obtido em abril ultimo pelos me lalurgicos do ABC. ele exemplificou: "Se os preços subirem 46.47"u e se concede um aumento salarial de 62%. é óbvio quê essa diferença náo pode ser engolida pelo aumento da produtividade, Se se tira dai 5% a 6% do aumento da produti \ idade, restam 5.7%. Ficam, portanto. 10%. F nào tem solução: as empresas têm que cobrar isso em seus preços. Isto aqui vai empurrar, realmente, no futuro. o novo preço". Há pelo menos dois so lismas nessas afirmações do ministro Delfim Netto. Cadê a média, hem? O primeiro sófisma do ministro é falar num aumento de 62%. contra uma infla çào anual de 47"n. em abril. O acordo entre metalúrgicos e patrões previu 63% para os trabalhadores que ganhavam ate de/ salários minimos e. acima disso, apenas o indiee oficial, isto c. 44% (abaixo portanto da inflação, coisa que o minisno omitiu). Na media, portanto, o au mento nào foi muito superior a 50%. isto e. a folha de salários das empresas au mentou cm 50% ou pouco mais. Menos do que o aumento da produtividade, isto é. produção por operário, a que o minis tio se referiu. O mesmo raciocínio feito para os metalúrgicos vale para as demais categorias: e preciso olhar a media, e nào aumento máximo. O segundo sofisma do ministro e es quecer que folha de pagamentos, os sa lários sào apenas uma parte dos custos Jc produção das empresas. Segundo os Os salários, sem culpa dados do IBGH. o total de salários repre senta cerca de 1.0%. em média, do valor tio faturamento, isto é. do preço de venda, dos produtos fabricados pela indústria. No caso da indústria automo bilistiea é de apenas 8.3%, e na siderúrgica só 4,5%. Assim, se os salários subirem 10% acima da inflação, o au mento dos custos das empresas será de l"<>. em média (porque haverá um au mento de 10% para os 10% de custos re presentados pelos salários, o que é igual a 1%), Mas. como se viu acima, não houve aúmeiitos de folhas de salários 10% acima da inflação; 1 louve aumen tos de 3 a 5%, no máximo, que o próprio ministro admite que o aumento da pro dtitividade poderia cobrir. E se não co brissev O aumento nas folhas de sa larios. de 3 a 5%. representariam aumen tos nos custos totais de apenas 0,3% a 0,5% (isto é.!()"(» de 3 a 5"..). Uma prova provada Quando o custo da construção subiu demais, os empresários alegaram que era por causa dos aumentos salariais. Os Índices da Fundação Getúlio Vargas, no entanto, mostram o contrario: de selembro de 78 a agosto de 79. em um ano. o que menos subiu no pais foram exatamente os salários do pessoal da construção: só 38%. I: o que mais subiu, acima mesmo do custo da comida, fo tam os materiais de construção: 66% (v. gráfico). A menor taxa de inflação deste ano foi de 2.3%, em maio. Més de reajuste do salário minimo. 1; de paga mento dos aumentos obtidos pelos meialúrgicos. Isso mostrou plenamente que não há correspondência entre os reajus les salariais e a inflação. O reajuste do salário minimo tem violento impacto psiçolôgico - e ainda assim as empresas não aumentaram seus preços. Por quê? Por que na época havia um combate a infla çãao (Aloysio Bioridi) 0 que está puxando os preços? (Aumentos, om % em doze musos - do setembro do 1978 a aqosto de 1979) Material dé construção / FiNANCÍAÁ v Wt / 66 Alimentos fí T? 64 Habitação Roupas 3 Si 40 Salários na construção (g=± 37 saudade de Simonsen No começo deste ano. quando o governo Figueiredo ainda estava sendo montado nos estreitos apar lamentos do i Hotel Àracoara, o ministro Golbery Jo Coulo e Silva, chefe da Casa Civil do governo Geisei, que veio a permanecer no mesmo posto no atual periodo presidencial, ante- \ ia duas linhas básicas de atuação politiea: uma delas dizia respeito à politiea própriamente dita. ou seja a anistia, que deveria ser objeto de um projeto de lei no primeiro semestre deste ano. e a reformulação partidaria, na segunda metade de O outro lado desta mesma estratégia era um rigoros combate à inflação. Dizia o ministro, naquele já remoto janeiro, que a espiral inflacionária estava-se aproximando deum ponto a partir do qual o governo nàò teria controle sobre o processo econômico. E os dois componentes deste quadro de projeto e difieuldades seriam complementares: uma austera politiea antiinllacionária estaria em perfeita conjugação com o esforço politico do Palácio do Planalto. Caso ocorresse o contrário, ou seja. uma inflação galopante. iodo o quebra-cabeça institucipnaí estaria em situação critica, a ponto de inviabili- /ar os tào acalentados projelos políticos de distensao. ANDRÉ GUSTAVO STUMPF, de Ontem, o porta-voz pre sidencial Alexandre Garcia entrevistou-se. rápidamente, com o chefe da Casa Civil, antes de dar a visão oficial a respeito dos espantosos 7,96% de inflaçào no més passado. "I: um índice preocupante*, disse Garcia, depois de ressalvar que o numero nào é exato, pois os cálculos finais da inflação ainda estão sendo realizados. Firulas, apenas firulas retóricas, pois o pais inteiro já tomou conhecimento de que a inflação deverá ultrapassar o inacreditável marco dos 60% no periodo de doze meses. Além da gravidade da questão inflacionária. tomada isolada mente, vale lembrar as preocupações do principal conselheiro politico do presidente: o combate a inflaçào deve caminhar ao lado da estratégia de abertura politiea. pois.sào projetos complementares. Ao que parece, ainda nào foi devidamente analisada a importáncia da exoneração do professor Mário Henrique Simonsen. Aquele raciòcinio que coloca inflação e distensao lado a lado valia sobretudo com Simonsen no Planejamento. Com Delfim Netto tudo mudou. A estratégia passou a ser de convivência com o dragão inflacionafio. a partir da constatação, de "não que ha mais nada a ser Brasília leito este ano". Por isso. apesar dos números preoeupanies. de acordo com a própria exegese palaciana, a politiea continua a ser a de tolerar os elevadíssimos Índices, preparando o ataque fulminante e quem sabe devastador para o próximo ano. I. importante ressaltar que apesar dos 7,96% de inflação para o més de selembro, assessores muito chegados ao presidente Figueiredo faziam questão de afirmar, protegidos pelo manto do olí the records, que nào grassa no Palácio do Planalto nenhum tipo de nostalgia simonsenana. Ao contrário, apesar de tudo. a política distensionista e li nanceira será mantida. O próprio presidente Figueiredo revelou ao gover nador Paulo Maluf. no janlar que tiveram em Brasilia ha duas semanas, que sua expectativa de inflação era de 60%. Ele. ao que parece, joga em sua grande linha estratégica e na possibili dade da famosa super safra. No plano politico. as salvaguardas do modelo são conhecidas, pois fazem parte da Emenda Constitu cional n- I I. Apenas mai mais uma. de caráter eleito ral. poderá surgir: e o voto distrital; cujo estudo já em polga os assessores mais próximos do presidente da Republica. ) I L F 1M T &yfo^s)iii<^3íb88hfih^^ DELFIM NETTO Alta de preços pode rédu%ir-se este ano REVISÃO Petróleo pode sair do cálculo da inflação vic "Paia combater a inflação precisamos ter pa-, ciência e couro duro". Foi essa imagem que o minis tio do Planejamento. An lônio Delfim Netto. utili /ou insistentemente on tem em Sào Paulo, para explicar aos empresários, em varias audiências con cedidas na sede do Minis térió da Fazenda, que as medidas de combate ã iii Ilação nào podem ter efeito imediato. O minis tro. que há menus de um més previa a baixa da in Ilação so para metidos do próximo ano. falou ha eventualidade de que. an les do fim di> ano. se che gue a esse objetivo. I. nào foi só isso. Delfim Netto informou que o governo vem "estudando" a possi bilidade de usar o principio da "acidentalidade" para depurar à correção monetária dos aumentos dos preços do petróleo, cujo peso no sistema esta em torno" de 30/n. Ou seja. se a correção mouetaria. num trimestre em que houver aumento dós preços do petróleo, for de 10%. a acidentalidade Iara com que caia para 7",,. O ministro também deixou bem clara sua vi sào do problema inllacionario. o qual. na sua opi niào. resulta ile quatro causas principais. Pela ordem. o déficit dotesotiro Nacional, as "inesponsáveis" demandas salariais. os aumentos dos preços tio petróleo e a escassez de aumentos. I: o governo. afirmou o ministro vem combatendo cada, uma dessas causas: o déficit do Tesouro Nacional "será eliminado dentro de alguns meses", pois "estamos agindo duro", suprimindo a politiea de sttbsi dios: os aumentos sala riais serào reduzidos "níveis para reais" com a aprovação da nova poli tica salarial, que deverá ser "aperfeiçoada no Con gresso": os aumentos nos preços do petróleo serào isolados pelo programa alternativo de energia e a escassez de alimentos pela politiea de prioridade á agricultura. Assim, depois de ressti citar o vocabulário rrione tarista ao falar da "aci déntaüdade" ou dos "le nómenos atípicos" c expli I car a problemática infla cionária. Delfim Netto re afirmou sua opinião sobre DIAM/.I Ml IK.) o que chamou, quarta leira. de "descalabro sala nal". "Aumentos de 75% determinarão uma inflaçào de 7()"i.". disse o mi nistro. talvez ignorando que ÒS próprio1- estudos de "m.atíiz de relações in teriiídustriàis" da Fundaçào IBGE dão conta de que o peso da mao-de obra nos custos finais dos produtos varia entre S a Mais importante do que a media de aumentos, para Delfim Netto. e "ver as elevações da folha de pagamentos", cujo con tr.ole, na arca industrial. esta a cargo do CIP. mas no comercio, admitiu, os repasses sào feitos direta mente. "Estamos remou tando o CIP e a Suuab parti controlar isso", garnntiu Delfim. De qual quer forma, o ministro adiantou a impraticabiü dade de se com iver com aumentos salariais tle (>S.67 ou 63% "que bene liciam as elites dos grau des centros". Pois. sempre na opinião do ministro, se os aumentos salariais in cenlivam realmente a demanda por produtos, tambem elevam os seus eustos. Assim, os salários deveriam ser reajustados com base em níveis reais, perfeitamente aceitaveis". objetivo lio qual Delfim aposta com base na aprovação, do aiuéprojeto tle Política Salarial. dia I" de novembro pelo Congresso Nacional. Dentro desse espirito, o ministro pretende enfreiv tar os grandes problemas nacionais: energia e b.alanço de pagamentos, disse ele. Fm outras palavras, os instrumentos de combate aos quatro principais fatores da inflação sào compatíveis com a re dtiçào do déficit do ba lanço tle pagamentos ou do endividamento ex terno, ao mesmo tempo em que solucionam a grave problema tle ener gia. Delfim ta.">bém falou em arrumar o mercado aberto e em estudos para retirar os incentivos das cadernetas tle poupança uos depósitos acima de duas mil UPCs (850 mil cruzeiros); Mas "não ponderou, que se pode fazer tudo ao mesmo tempo pois corremos o risco de quebrar tudo". Ou me Ihor. é mais " prudente ir devagar ao pote. O estímulo à especulação Alem do "descalabro salarial" (ver matéria do outro lado desta pagina), o ministro Delfim Netto disse que o resul tado de setembro (e tios últimos meses em geral) e conseqüência tia "inflação corretiva", isto e. tis aumentos de preços destinados a corrigir "distorções" dentro da economia. Que aumentos seriam es ses. I Ia o caso de alimentos cujo tabela mento foi extinto, sob a alegação de que havia escassez e os produtos estavam sendo vendidos no "câmbio negro", a preços mais altos. Ha o caso de produ tos. como ti petróleo, que foram reajus tados para o governo arrecadar mais di nheiro e. com ele. executar programas que ajudem a resolver problemas da eco nomia (no caso. aumentar a pesquisa tle petróleo, executar o Proálcool etc). Por tias de tudo. porem, ha algo muito maior: o grande déficit do Tesouro, es condido ate hoje. e qüe obriga o governo a endividar se cada ve/ mais. Para redu /ir esse déficit, alguns produtos estão tendo seus preços majorados. I outro-,, os impostos aumentados, como ocorreu com o cigarro, este mes. I odas as decla rações Ao ministro são corretas. Mas entre elas e a realidade vai uma distância muito grande. Há muita especulação O ministro Delfim Netto laia. agora, em "inflação corretiva" - publicamente. Antes, em conversas reservadas, ele Ia lava em "atacar a inllaçào eom mais in Ilação", isto e. soltar os preços, deixar que eles alcançassem níveis altíssimos porquê, então, seria mais fácil eles cai rem. Isso. ele dizia extra oficialmente. Nas entrevistas publicadas, ele apenas afirmava "a que inllaçào nào pode cair. ate o final do ano". Um erro crasso, pois estimulou a alta de tudo. os reajustes tle preços "por conta da inflação". A estra tegia. por si so. partia de um grande equivoco: suponha se que o preço de um produto tabelado fosse de 100. e. na verdade. ele precisasse aumentar para 140. Ati deixar que ele aumente para 20U. a estratégia está fazendo com que toda a inllaçào suba (inclusive por motivos psi cológicos). O que isto significa? Que, na hora em que o governo esperava que o produto voltasse ao nivel tle preços justilicavel. isto é, 140. a própria inllaçào. o próprio aumento dos custos parti obter aquele produto, já lera transformado o preço de 200 não mais em injustificável, mas em "real". Nào poderá, então, ha ver queda. A estratégia e um equivoco, Quem esconde o quê Ate agosto último, o custo da alimentação subira 64% ern doze meses, reeorde de alta para todos os preços apurados pela Fundação Getúlio Vargas, so batido pelos materiais de construção, com 67%. Quebra nas safras, di/ o mi nistro. Mas o óleo de soja. que desapare ceu até que o (aliciamento fosse sus penso, nunca deixou de ser exportado, maciçamente, pelas industrias. Fias vehderam 51)0 mil toneladas, meio milhão de toneladas ao exterior, até julho - ou 200 mil toneladas a mais que em Nunca houve escassez, portanto. F. mais ainda: somente agora, praticamente em outubro, o governo decidiu importar o produto, para "combater a alta". Tanto bastou.para que industriais e presidentes de "cooperativas" do Rio Grande do Sul. despudoradamente. avisassem que as empresas que pretendessem importar tivessem muito cuidado, pois existia óleo tle soja estocado, em boa quantidade. Quem ajuda a esconder O oleo tle soja e um exemplo. Há outros. O milho duplicou de preços, sob a desculpa tle escassez. Agora, no final tio ano. depois tia duplicação dos preços; o governo resolver importar I milhão de toneladas do produto, e vende Io em lei km. Ai. aconteceu uma coisa muito en graçada:. os pequenos produtores tle frangos o sumos protestaram, argunien tando quê so as indústrias de rações con seguiriam comprar o milho nos leilões. I; ai vem uma revelação: esse perigo não existe. As industrias assinaram um "acordo de cavalheiros"com o governo, e nao tão comprar milho por 45 dias. "porque tem estoques suficientes". Os maiores consumidores, as indústrias, com estoques para 45 dias... Pis ai a escassez. I tem mais: além do milho im portado, o governo vai vender 1.2 mi íhào de toneladas de milho pertencentes aos estoques da Comissão de Financia mento da Produção formados em I97S. I stá ai a escassez tle milho, que provocou aumento das rações, do preço do frango, da carne de porco. Quem paga o estoque Ü governo ajudou a especulação com a soja. o milho, a carne, o frango. Os sui nos. os laticínios. Ajudou e financiou, pagou a estocagem especulativa. A indusiria \c/ estoques, o comércio íc/ esto quês. com o uso de crédito, seguramente com dinheiro destinado á "comercializaçào agrícola". Bastava a Comissão tle Financiamento tia Produção e o Minis tório tia Agricultura terem exigido o pa gamento de empréstimos (isso foi feito no tempo de Simonsen). para que os es tocadores fossem obrigados a trahsformar a mercadoria escondida em dinheiro. isto é. vende Ia. normalizando o abastecimento e reduzindo a inllaçào. O caso do cigarro Vé se. assim, que a inllaçào "corretiva" esta sendo um biombo também para a especulação e a negligência. Pode-se alegar que alguns preços tinham qüe ser liberados mesmo, pois o governo estava pagando uma parte deles, isto e. subsidiando os - e isso está agravando o déficit tio Tesouro. Acontece, porem, que o déficit vai aos 300 bilhões de cruzeiros. cm um tino. F acontece também que a estratégia escolheu exatamente produtos que consomem menos recursos do Tesouro, para fazer a "liberação" - embora eles. exatamente, tenham grande impacto sobre a carestia. Alem do mais, procura-se combater o déficit também, aumentando os recursos da União, atravês da cobrança tle impostos - como ocorre com o cigarro, que vai subir de novo. No entanto; em recente entrevista a revista Visão, o ministro Delfim Netto declarava que a nova Lei das S.A. "foi tào bem feita, tào bem feita" (tle encomenda parti as empresas) que hoje só paga Imposto tle Renda a empresa que tem um mau contador. Fm lugar de rever a lei. aumcnlamse os preços tle ali ineiiios e produtos como o cigarro. Muito mais fácil, lógico. Depois de que brar a louça da loja inteirai é muito simpies colocar a culpa no macaco, isto c. no assalariado. Para encerrar, e bom lembrar que a euforia que o ministro Delfim Netto procurou transmitir, ao tomar posse, foi um autêntico "sinal verde" para que as empresas pensassem só em crescer, sem ligar para os preços. (Alovsio Bioiidi) salários até 77 ml! O projeto da nova poli tica salarial, "embora nào seja perfeito, é muito bom", disse hoje. o ministro do Trabalho. Murillo Macedo, em depoimento, das 9 i40 tis 15h20. na Comissão Mista do Congresso Nacional, que está analisando a proposta governamental de reajustes semestrais. Se depender de Murillo Macedo e do relator da Comissão, senador José Lins (Arena CF), o projeto não sofrerá praticamente ne iilnuna modificação substancial. Fssas alterações, contudo, foram defendidas pelos membros do MDB na Comissão e por três depu tatlos da Arena. Carlos Chiarelli (RS). Adhemar Ghisis (SC) e Nilson Gib son (PF). Antes ile responder a indagações dos parlamen tares da Comissão Misia. t HUMBFRTO CARLOS ministro do Trabalho, lendo um texto de quarerfta laudas e fundamentando-se em sete quadros e gráficos, colados nas paredes da sala Ruy Barbosa, do Senado, procurou demonstrar que a nova politiea salarial "trará aumentos reais para os que estão na faixa.de até 35 sa larios minimos". isto e cerca de 77 mil cruzeiros. Admitindo que os exêmpios utilizados "possuem restrições", o ministro Mu rillo Macedo, em 95 mina tos de exposição, tentou provar, baseado "exercícios de simulação", que. em seis anos. com uma inllaçào decrescente de 50 para 25"d e com uma taxa de produtividade de 3%. os salarios. principalmente dos que estão nas faixas mais baixas, se elevarão razoa velmenie. Assim, sempre com base nos dados "dos exercícios de simulação", feitos por seus assessores econômicos. com a colaboração da l-ipp. (Fundação Instituto ile Pesquisas SP), Econômicas da l le/ as seguintes "Osque previsões: estão na laixa de um a três salários minimos. terão, em seis anos. aumento real de 44".,: na tle 3 a 10 minimos. 30%; na de 10 a %: è na tle 20 a 30. 3% Nào há. portanto, perigo de achatamento salarial. As possibilidades de aprovação do projeto salarial parecem ter crescido, após as afirmações do ministro Delfim Netto. de que os reajustes muito acima da inllaçào estão acelerando a alta de preços. A nova politica serviria para firmar li mites ;tos reajustes, sem prejudicar os salários mais baixos,..

8 PÁGINA 8 REPUBLICA ECONOMIA SEXTA-FEIRA 5 DP. OUTUBRO DE 1979 EMPRESÁRIOS TOMAM POSIÇÃO nomic MS ra H_f.._ JB A unanimidade, entre cinco confederações nacionais e 36 associações empresariais À primeira vista, poderia parecer uma reação dos empresários ao Índice de inflação divulgado na véspera (8% cm setembro), e consequentemente, sobre o que isso significaria em termos políticos (um fechamento do regime) O «Manifesto a Nação» divulgado ontem, assinado pelas cinco confederações nacionais e por 36 associações de empresários, de todos os setores da economia, contem algumas opiniôes bastante contundentes: «Consideram (os empresarios) que um sistema de mercado e um regime político aberto sao condições essenciais a esta busca do bem-estar nacional, para o qual temos todos que contribuir Comprometem-se assim no esforço para eliminar a pobreza, distribuir os frutos do crescimento e aprimorar a qualidade de vida da população. Entendem como de sua responsabilidade compartilliar com o Poder Público na manutenção dos empregos já existentes, proporcionando salários compatíveis com a realidade nacional e atendeudo, nos limites possíveis, as justas reivindicações dos trabalhadores». Uma alusão ás palavras do ministro Delfim, na véspera, de que as reivindicações salariais tinham sido responsáveis pelo exagerado índice de inflação? Hora imprópria? Nada disso. Um dos empresários que assinou o manifesto, por sinal, e que preferiu não se identificar, foi enfático em dizer que não era hora de publicar o documento, justamente «quando as coisas que pedimos estão acontecendo*. É claro Um dos tópicos afirma. no final: «Rejeitam, no entanto, os caminhos que apontam a recessão como remédio, por ser ela sinônimo de desemprego e de desalento. incompatíveis com as aspirações dos brasileiros». Esta a principal bandeira de Delfim Netto ao assumir o Ministério do Planejamento. e que vem sendo posta cm prática, tanto pela expansão do crédito em várias áreas como pelo aumento da produção. Acontece, na verdade, que, se o documento foi publicado em hora considerada imprópria por alguns, ele já vinha sendo preparado há tempos, como afirmam os empresarios que o subscreveram ao JR. «As primeiras cônsultas», diz Nci Castro Alves, presidente da Adeval (Associação das Distribuidoras de Valores) «foram feitas há cerca dc 25 dias ou um mês, sob a inspi ração e coordenação de Mário Garnero, presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). Era o inicio da gestão Delfim no Planejamento, substituindo a Simonsen». Outro empresário confirmou, também, a coordenação de Garnero, muito embora um seu assessor informasse que as gestões partiram do Rio, exatamente da Confederação Nacional da Industria (Domício Velloso é o presidente) que, aliás, encabeça a lista de assinaturas. «Um testemunho» Nem por isso, contudo, a importância do documento deve ser minimizada. Especialmente no plano político. «Consideram (os empresarios) a divergência de opiniões um dado essencial no processo político, que se reformulará pela prevalência da vontade da maioria, mas cujo caráter democrático será sempre aferido pelo respeito ã manifestação das minorias. Sabem que o desenvolvimento não deve servir de pretexto para adiar-se o progresso institucional, na vigência do Estado de Direito. Julgam necessário o estimulo a uma vida partidaria que refuta as tendências do pensamento brasileiro, possibilitando ao cidadão participar e influir no processo político e despertando em cada indivíduo o dever de contribuir para o aprimora- SALÁRIOS E INFLAÇÃO inentn das instituições», eus outros tópicas do manifesto. Mobilização. «Trata-se de uma mobilização, de um testemunho», diz Castro Alves, destacando a importância da «presença de forças civis. «É a mostra de que o empresário está presente». Luis Alfredo Stockler, presidente da Abecip (Associação Brasileira das Empresas dc Crédito Imobiliário e Poupança), depois dc destacar que «não há um motivo específico para o documento», disse que «os empresárias, acompanhando o movimento político, entenderam que deveriam se manifestar. Criou-se, então, uma comissão organizadora. Eu, por exemplo, antes de assinar, submeti o assunto á reunião de diretoria da entidade*. Sem susto Stockler acredita, porém, que as grandes modificações, tanto econômicas como políticas, por si só justificam o documento. «Já que não se fala em recessão, o manifesto é um apoio à modificação da política econômica. Há temas importantos em discussão, como o 111 Plano Nacional de Desenvolvimento, com a definição do modelo a ser seguido. Junto a isso, temos a mudança institucional no quadro político. E a abertura deve levar em conta as metas sociais. Nada mais natural, portanto, que o empresário opine e participe». A alta na inflação, para ele. não chega a ser motivo de espanto tmuito embora Nei Castro Alves, da Adeval, informasse que ontem houve certa confusão no mercado fin;inceiro e um «susto» ante os números divulgados i. Stockler, porém, disse que essa inflação era esperada. «Sabia-se que haveria uma liberação de preços para se chegar á realidade, dentro do que pretende o ministro. Muitas vezes, é necessário abrir a ferida para que ela cicatrize.». (Antônio Félix). Vaz da Costa e Lula, a mesma discordância Rubens Vaz da Costa, secretário do Planejamento de São Paulo, Lula, Hugo Peres. Jacob Bittar e José Sinésio. dirigentes sindicais discordaram todos eles, da declaração do ministro Delfim Netto,.do Planejamento. atribuindo a responsabilidade pelo aumento de 7,96% da inflação em setembro ao «descalabro salarial». Para Vaz da Costa, os reajustes salariais respondem apenas «em parte» pelo rebote da inflação. «Os componentes mais fortes que explicam o elevado indice de setembro, no entanto» ) disse ele «sao a inflação corretiva, que decorre dos reajustes dó preço da gasolina e de alguns serviços públicos. e o desequilíbrio orçamentário da União»: Em seu entender, existe realmente, a necessidade de certa dose de correção dos preços dos serviços públicos, há muito desajustados em relação aos custos de geraçao, o que vem obrigando as empresas públicas a recorrerem cada vez mais ao endividamento e a pressionarem o Tesouro, acirrando a marcha da inflação. Vaz da Cosia não concorda, portanto, com a aplicação integral da política delfiniana de combater a inflação com mais inlação. «Minha preocupaçáo principab disse ele «é que inflação desse nível tende a romper a malha da sociedade, gera tensões soeiais muito fortes e provoca reivindicações salariais justas, mas cujo atendimento leva a tona espiral de consequências imprevisíveis». Pegar em armas. A inflação, segundo explicou, tem 1 resultados comparáveis a um Imposto de Renda, com a diferença de penalizar igualmente,pessoas que ocupam posições muito diferentes na sociedade. «Dai a sua injustiça». E acrescentou: «Se o governo decretasse um adiei- B HUMBERTO CARLOS onal de 60% ao Imposto de Renda, o país se levantaria em armas. Uma inflação de 60% tem conseqüências muito O parecidas, e atè piores, mas. como está embutida no mocanismo dos preços, todos pensam que se podem livrar dela passando adiante os seus efeitos». Luis Inácio da Silva, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema diz a mesma coisa que Vaz da Costa, com outras palavras. «Se o governo nâo tiver pulso para proibir o repasse dos reajustes salariais ao preço final do produto, efetivamente qualquer aumento superior ao custo de vida será inflacionário». O problema, como ele mesmo reconhece, é que falta ao governo condições de proibir de vez o repasse dos aumentos. «A classe trabalhadora está passando fome, e eu não sei se a miséria pode provocar inflação. Na verdade, o que está causando inflação é o privilégio de uma minoria. Mas parece que o governo nâo quer mexer com ela», disse. Governo culpado José Sinésio, do Sindicato das Indústrias de Artefatos de Couro, reforça a tese de Lula, ao lembrar que nos poucos acordos em que houve aumento salarial acima do índice fixado pelo governo, existiu sempre uma cláusula determinando que não poderia haver; repasse para o preço dos produtos pelas empresas. «Então, se está havendo repasse» acrescentou «o culpado é justamente o governo que não fiscaliza os preços das empresas para garantir o cumprimento dos acordos feitos na Justiça». Já o argumento do presidente do Sindicato dos Petroleiros, Jacob Bittar, é demolidor: se os salários tivessem a responsabilidade maior pela inflação, no período de 1964 a 1978, quando houve grande arrocho salarial, o governo teria dominado o processo completamente. O presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas, Hugo Perez, concorda em tom de ironia com Delfim Netto. «Há realmente descalabros» disse. «Um deles é a manutenção do índice de reajuste dos salarios em 49%, quando a inflação nos últimos 12 meses atinge quase 60%. Outra é manter uma sistemática de reajuste anual, o que leva os trabalhadores a chegar ás vésperas do dissídio com apenas 40% de seu poder aquisitivo. E um terceiro descalabro é um ministro de Estado fazer declarações desse níveb. Um último dado fornecido por Lula: a folha de salários na indústria automobilística representa apenas 11% do faturamento do setor. O manifesto à nação «Os empresários brasileiros, pelas suas entidades, real manifestação da vontasentatividade que permita a vèm reafirmar perante a de nacional. Repelem a ração a sua confiança no radicalização e extremismo país, na vocação democrática de sou povo e no seu repudiá-los, a fim de que o e exortam a sociedade a destino de desenvolvimento Brasil possa preservar, e progresso. imune â divisn~o de classes, Consideram sua preocunação maior harmonizar o liberdade c de união entre hoje e no futuro, o clima de. crescimento econômico com todos os brasileiros, essenciai â existência da demo- o bem-estar nacional. Para atingir essa harmonização, cracia. defendem um sistema de Reafirmam sua crença no vida fundamentado nas sistema de mercado como liberdades individuais, na instijjmento mais eficiente livre iniciativa, no direito para o crescimento e para de propriedade, na justa a distribuição de seus retribuição do trabalho, na frutos, em uma estreita responsabilidade dos cidadãos e na participação de de de empreendimento e a vincúlação entre a liberda- todos no encaminhamento liberdade política. das decisões. Consideram a divergência Consideram ainda que um de opiniões um dado essenciai no processo político, sistema econômico de mercado e um regime que se reformulará pela político aberto são condições essenciais a esta busca maioria, mas cujo caráter prevalência da vontade da do bem-estar nacional, para democrático será sempre o qual temos todos que aferido pelo respeito a contribuir. manifestação das minorias. Comprometem-se assim Sabem que o desenvolvimento não deve servir de no esforço para eliminar a pobreza, distribuir os frutos pretexto para adiar-se o do crescimento, e áprimorar a qualidade de vida da vigência do Estado de progresso institucional, na população. Direito. Julgam necessário Entendem como de sua o estímulo a uma vida responsabilidade compartilhar com o Poder Público tendências do pensamento partidária que reflita as na manutenção dos empregos já existentes, proporcio- cidadão participar e influir brasileiro, possibilitando ao nando salários compatíveis no processo político e com a realidade nacional e despertando em cada atendendo, nos limites indivíduo o dever de contribuir para o aprimoramento possíveis, as justas reivindicações dos trabalhadores. das instituições. Revigoram Julgam que a formulação sua crença na empresa de uma política salarial privada como célula de correta deve estar em progresso, como estrutura consonância com os esforcos para a criação de o trabalho, como base de de ligação entre o capital e novos empregos produção da sociedade. por ano, numa constante Apontam como condição expansão de mercado capaz essencial de preservação do de absorver os jovens na regime democrático a força de trabalho. contenção de atividade Atribuem o maior valor econômica do Estado nos ao exercicio da política e à limites que institucionalmente Uie são reservados e necessidade da participação de todos na busca da repre- a manutenção da livre inici- TRolsA Em Sâo Paulo Como resultado direto do acirramento do indice inflacionário, as Bolsas despencaram ontem, demonstrando claramente a fragilidade dos recentes movimentos altistas. Em São Paulo, o indica recuou 2,3% no fechamento, ao se situar em pontos. As cotações dos papéis blue-chips perderam 4^0%, enquanto as ações de segunda linha se desvalorizaram 1,6%. O movimento-diminuiu de 26,8%, totalizando Cr$ ,6 mil, dos quais Cr$ ;0 mil a termo 4,0% do volume global para uma quantidade de ações transacionadas. Mais negociadas à vista: Petrobrás PP, com 13,3% do movimento; Bco. do Brasil - PP, 5,2% e Real Café - PPA, 4,4%. No Rio CONFLITO carne semfrii No Rio, o índice BV recuou, em média, 3,3% e 0,2% no fechamento, quando situou-se em pontos. O volume apresentou.queda de 41,1%, totalizando Cr$ ,6 mil, com títulos transacionados (31,68% inferiores a anteontem), As ações de empresas governamentais representaram 60,86% dos negócios, contra 39,14% apenas das de> empresas,privadas. Maiores negócios: Petrobrás-pp, com 26,4% do movimento; Banco do Brasil-pp, 15,9%; e Belgo-op, 5,7%. ativa em todos os outros campos. Entendem que o projeto de adaptação das estruturas de produção â dotação de recursos naturais do país, em especial no domínio da energia, deve ser a mais importante prioridade nacional e que, nesse propósito, a nação deve exigir a maior scletividade nas decisoes de investimento e o melhor aproveitamento de seus recursas humanos. Ratificam, nesse sentido, seu irrestrito apoio â política de reerguer a atividade ngropastoril, reconhecendo que um substancial aumento de produção da agricultura e da pecuária contribuirá para superar as dificuidados presentes. Convocam todos para lutar contra a inflação que corrói o organismo e conômico e desorganiza a sociedade. A inflação ê a mais iníqua forma de imposto, por atingir mais fortemente os economicamente mais vulneráveis. Por este motivo, reconhecem os riscos decorrentes de intensas altas de preços, fator de desestabilização do projeto dc abertura política e do progresso econômico-social dos brasileiros. Rejeitam, no entanto, os caminhos que apontam a recessão como remédio, por ser*ela sinônimo de desemprego e de desalento, incompatíveis com as aspirações dos brasileiros. Entendem finalmente, que o grande país que a naçáó busca forjar há de surgir do livre é amplo ontrcchnque de idéias no plano político social c econômico, e dentro de um marco institucional no qual a garantia da paz interna deve ser um objetivo permanente, para i que não se frustrem as legítimas esperanças de todos os brasileiros». istribuir Míticos MARGARIDA CAMPOS E PAULO SERRATI O governo acha que desta tentativa de boicote, o governo já tem um esquema para vez os frigoríficos foram longe demais. Eles se negaram, ontem, a pagar a divida congelada aos supermercados a distribuição da carne Só as multi "a e as estatais deste ano Companhia a partir de 15 de outubro, Brasileira de Abastecimento, sem a intermediação dos podem entrar que já atinge 700 milhões de frigoríficos. no Proálcool cruzeiros e que deverá Na verdade, o secretário chegar a 1 bilhão de cruzeiros até dezembro, além de frigoríficos que o governo não «O Finor (Fundo de especial comunicou aos ameaçarem boicotar a entrega de carne congelada, ou ca do ex-ministro do Planeja- traasformou-se na maior está disposto como na épo- Investimento do Nordeste I seja, tumultuar completamente a distribuição do Simonsen a conceder riquezas do Nordeste. A mento, Mário Henrique fonte de concentração de produto. Com isso, conseguiram irritar profundamente o prorrogações das dívidas. responsável pela imigra- moratória, cancelamentos ou falência da Sudene foi secretário especial de Abastecimento e Preços do Ministèmente adiadas, chegam a 3 nordestinos, em 1970, para Essas dividas, permenenteção de 3,5 milhões de rio do Planejamento, Carlos bilhões de cruzeiros. outras regiões do país». Viacava. Ante as ameaças, A situação modificou-se há Asafirmações são do senador pernambucano Cid Viacava simplesmente disse: pouco tempo, porque na última «O diálogo acabou. Quem não reunião o Conselho Monetário Sampaio (Arena), que pagar as dívidas terá os títulos protestados e o corte no bro, havia concedido uma de um programa na TV Nacional, no dia 22 de setem- participou ontem à noite fornecimento de carne». E foi nova prorrogação das dívidas Universitária do Recife, alérn, dizendo que se os (antigas). Mas os frigorificos, ao lado do senador empresários fizerem qualquer ao.insistirem em não Marcos Freire do MDB. pagar nem os débitos novos, segundo decisão de assembléia do Sudene, considerando-a Este, porém, defendeu a Sindicato do Frio no Estado «mais vítima do que de São Paulo, provocaram a culpada, pois o erro foi da aparente ruptura. política federal, cuja atuação no Nordeste tem A reunião entre os frigoríficos e Viacava durou deixado um saldo extremamente negativo». E três horas, sem nenhum açordo. Apesar de todas as ameaças dos frigorificos, o secre- liberado pelos conselhos denunciou: «O dinheiro tário especial ainda concordou em estudar uma foi parar nas mãos dos deliberativos da Sudene promessa verbal do exministro Simonsen, de que o Na opinião de Cid que já têm dinheiro». governo ressarciria os Sampaio, o governo deveria fortalecer o empresa- frigorificos pelos prejuízos que teriam sofrido, ao entregar carne â Cobal por preços rio nacional e evitar a atual linha de atuação do inferiores aos de mercado. Finor que «dá subsídios Mas náo deixou por menos ao aos capitalistas, esquece, dizer: «Como não há nenhuma os trabalhadores e assim documentação, o governo não tem obrigação de pagar». Os frigoríficos, além de não quererem pagar as dívidas e ameaçarem de tumultuar a distribuição, estáo também querendo romper o «acordo de cavalheiros», realizado com o ministro do Planejamento, Delfim Netto. de preço máximo de cruzeiros a arroba. concentra a renda». O exgovernador pernambucano lembrou ainda do Proàlcool. «Temos de realizar o programa, mas não há empresa nacional com magnitude suficiente para ocupar este espaço que entregaremos, embora seja nosso, ás empresas multinacionais e estatais». URSS comprará gr^os dos EUA O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos informou ontem que a União Soviética pod<-râ comprar até 25 milhões de toneladas de trigo e milho, ou seja. 60 a mais que as 15,7 milhões de toneladas compradas em 78/79, que representariam 10% da colheita soviética. Na safra passada, os Estados Unidos autorizaram a União Soviética a comprar 17 milhões de toneladas, mas os soviéticos compraram somente 15,7 milhões. Apesar dessa disposição de vender gráos, nos últimos tempos surgiram alguns problemas econômicos entre os dois paises. Um deles foi a decisão do secretário de Defesa, Harold Brown, de bloquear a venda de um computador, comprado há três anos pelos soviéticos, para o Centro de Investigações Sismológicas, perto de Moscou. O outro, levantado pela Comissão de Comércio Exterior norte-americana, são as grandes importações de amoníaco-anidro da URSS, que estariam trazendo problemas para a industria química americana. A Occidctal Petroleum Corp., único importador norte-americano do produto, disse esperar que Jimmy Carter nâo limite as importações soviéticas. Mini-usinas para produzir álcool Produzir álcool etilico em larga escala e a curto prazo, com as chamadas «usinas de fundo de quintal», é a proposta do engenheiro químico Antônio Itoberto Sartor, que está sendo analisada pelo Gmpo de Trabalho sobre Alternativas de Energia (GTAEi, do Paraná. Segundo o engenheiro, é possível implantar mini-usinas em um quarto de tempo necessário para se montar uma destilaria de 120 mil litros/dia de produção. Ele diz também que seu projeto permitiria «a participação de pequenos grupos de empresários, tipicamente nacionais, constttuindo e operando usinas destinadas ao atendimento de áreas limitadas, cujo número poderia permitir alcançar os objetivos do Proálcool mais rapidamente e com investimentos menores». O engenheiro está pedindo apoio da Universidade Federal do Paraná para desenvoh-er os projetns moduladores. 48% a mais na soja argentina A atual safra de soja da Argentina cresceu 48fí em relação a anterior, com uma produção de 3,7 milhões de toneladas. O volume da atual safra argentina, informaram ontem fontes do Ministério da Agricultura daquele pais, é 232% superior aos níveis atingidos nos últimos cinco anos. Ouro cai pelo 2- dia consecutivo O mercado londrino registrou ontem nova queda nos preços da onça de ouro, desta vez de 24 dólares, devido a realização dc lucros. A onça de ouro íecliou com cotação inferior a 400 dólares, seguindo a tendência do dia que, pela metade da manhã, acusava cotação de 394,50 a onça. Anteontem, a onça havia chegado a quase 450 dólares. Petróleo do Irã a US$ 40 o barril O Irã pediu ao Japão o preço recorde de 40 dólares o barril de seu petróleo não refinado para entrega imediata. Essa medida suscitou temores de que a OPEP esteja- planejando a decretação dc mais uma forte alta de preços em dezembro. Segundo a agência Kyodo, os preços propostos pelo Irã sâo mais altos de 10 a 15 dólares aos preços do mercado mundial. CAFEICULTORES Ameaças radicais foram rejeitadas Os cafeicultores, represem tados a nível nacional, estiveram reunidos ontem na Federação da Agricultura do Estado de Sáo Paulo, para estabelecerem uma estratogia do setor contra o confisco cambial e pela antecipação do preço mínimo de garantia. Do encontro praticamente de todas as lideranças dos cafeicultores ficou decidido que umdocumento deverá ser entregue ao presidente da Republica, Joáo Baptista Figueircdo.alèm de se conseguir o apoio dos governadores dos principais Estados produtores para suas reivindicações. MARIA CÂNDIDA VIEIRA Propostas como as de erradicação de cafezais,. boicote na compra de fertilizantes e tratores, não contratação de mão-de-obra para criar uma crise social no campo defendidas por cafeicultores do Sul de Minas Gerais nâo foram aprovadas pelo conjunto de cafeicultores. Nem a proposta de Joaquim Álvaro Pereira Leite, da Associação Brasileira de Desenvolvimento do Café (ABDC), de que algo deveria ser feito além de um documento, conseguiu nenhum sucesso. O documento a ser entregue ao presidente da República deverá centrar-se básicamente em dois pontos: contra o confisco e pela antecipação do preço, de garantia. O presidente da Faesp, Fábio Meirelles, diz que o ideal seria a extinção pura e simples do confisco, hoje a 145 dólares por saca. Mas acha difícil isso ser conseguido. Assim, pelo menos o governo deveria ir diminutodo progressivamente o confisco. Os cafeicultores achamque 30 dólares por saca dariam para manter o Instituto Brasileiro do Café, a política cafeeira, o plantei cafeeiro e o apoio ao consumo interno. J Mais dinheiro. Sobre a antecipação do preço de garantia, a reivindicação è que o governo passe a pagar Cr$ 4,200,00 por saca a partir de 1" de outubro, e não a partir de 1- de abril de Os cafeicultores argumentam sofrerem muitos prejuízos porque, em cada saca de café eles recebem Cr$ 2.427,79, ou seja, têm um déficit de quase CrS 600,00 por saca, já que o preço de garantia atual é Cr$ 3000,00, enquanto ela é vendida no exterior por CrS 8.000,00. Outra discriminação apontada pelos cafeicultores é que o café solúvel tem um confisco de 90 dólares; enquanto o café verde paga 145 dólares. Além disso, agora, os cafeicultores estão preocupados com os preços do café ao consumdor. «Enquanto recebemos CrS 45,00 por quilo de café, o consumidor paga Cr5 120,00», diz o presidente da Faesp. E uma experiência já começou em São José do Rio Pveto, onde a cooperativa de cafeicultores está vendendo café sem torrar a Cr$ 60,00 o quilo. Fábio Meirelles disse ainda que, se o governo não tomar medidas para a cafeicultura, logo «poderá faltar até café para o consumo interno».diante da pergunta, se o cafeicultor estaria ficando pobre, o presidente da Faesp afirmou: «O cafeicultor náo é um homem rico. Um percentual muito pequeno de cafeicultores está muito bem colocado porque se dedicam a outras ativida-, des. Cerca de 95% dos cafeicultores são pequenos e médios». E classificou da seguinte maneira os cafeicultores: de a pés (microcafeicultor); até pés (pequeno); de a Pmêdio) e acima de 120 mil pés um grande produtor. «Antigamente uma grande fazenda era de 1 milhão de pés», afirmou.

9 siixta-hilka 3 DE OUTUBRO DE 1979 R.EPÜBLIQV- MUNDQ/HCONOMIA PÁGINA 9 AlQYSIO BIQNDjJ Onde o ministro Delfim tem ratão A tentativa do ministro Delfim Netto, de atribuir aos reajustes salariais o crescimento da inflaçüo, este ano, merece uma série dc restrições mas nem por isso deve-se deixar de analisar a questão salarial com maior profundidade. A restrição fundamental que se pode levantar, desde já, ê que as explicações do ministro são um desrespeito á opinião pública do país, uma repetição de meias verdades ou de esquecimento da verdade. O ministro sabe. melhor do que ninguém, que as empresas vém tendo lucros imensos, como sabe que há especulação financeira, como eonliece as distorções das «doações de capital» a grande grupos empresariais e que estáo provocando o déficit do Tesouro, como não desconhece a intensa especulação em certas áreas. Não pode, nestes tempos de abertura, supersimplificar as coisas, procurar um único culpado por todos os males do país. pelo simples fato de que, por sua própria posição de ministro, cie precisa de uma opinião esclarecida para apoiá-lo na correção das distorções apontadas. Faltou-lhe uma visão democrática do momento brasileiro, que seus colegas Karlos Rísçhbieter ou Camilo Penna têm demonstrado possuir dc sobra. Assim, o ministro não tem nenhuma razão quando diz que os reajustes salariais deste ano são a causa da inflação galopante. Mas cie teria toda a razão se dissesse que. a partir do momento em que o governo começasse a corrigir todas as distorções a partir desse momento, frise-se precisaria também de maior seriedade por parte das lideranças sindicais do pais, no encaminhamento dos reajustes salariais. Eles não são a caasa da inflaçâo, deste ano. Mas, evidentemente, eles poderão ganhar essa característica, se persistirem as reivindicações que pretendem corrigir, de uma só vez, distorções trazidas pelo achatamento de anos. Essa atitude é tão insensata, e tão demagógica, que basta lembrar um dado, para mostrar a leviandade das lideranças sindicais: ao longo dos anos, muitos produtos, da indústria ou da agricultura, também «baratearam», subiram menos do que a inflação. Se há o desejo dc que os salários «voltem ao mesmo nível de 1960, 1950, 1900, 1800, não se pode impedir que as empresas e agricultores manifestem a mesma vontade. Será preciso dizer o que aconteceria com os preços a partir dai? Não é por ai, portanto, que a participação do traballiador na renda nacional deve ser debatida e procurada. Em qualquer sociedade, os trabalhadores nâo podem, de repente, assumir a posição de quem nada tem a ver com os problemas do país, de sua economia^ da população como um todo. Ainda na última semana, a centralt sindical dos EUA. a AFL- CIO, firmou um" acordo com o governo Carter, para integrar-se na luta contra a. inflação: vai pressionar contra aumentos de preços ou favoreci mento a setores econômicos mas vai também moderar suas pretensões salariais. O «pacto social» proposto pelo ministro Rischbieter, com idêntico fim, nâo é uma armadilha ou tentativa de envolvimento. Mas um convite á participação dos sindicatos na vida nacional. LANÇAMENTO Cruzeiro abre o capital ao público E fica com rotas da Varig na AL ANTÔNIO MACHADO ÜE BARROS A Cruzeiro do Sul S/A Serviços Aéreos está abrindo seu capital ao público investidor. através da emissão e venda de mil ações preferenciais ao portador ao preço de Cr$ 1,00 cada, mais CrS 1.00 de ágio representando o maior lançamento de ações este ano, e que só será superado pelo underwriting da Klabin. Esse lançamento permitirá á Cruzeiro a captação no mercado de mil cruzeiros. Com essa emissáo, o capital da Cruzeiro do Sul, que cm 31 de dezembro de 1978 era de Cf$ mil e que em maio passou para Cr$ mil, com a capitalização de reservas, se elevará a Cr$ mil. Das mil ações que. serão emitidas, a Fundação Ruben Berta. acionista majoritário da Cruzeiro assim como da Varig. subscreverá mil. destinando-se os restantes 200 milhões.de títulos ao público investidor. Um consórcio de 28 instituiçôes financeiras, entre bancos e corretoras, liderado pelo Banco Itaú de Investimento. sustenta a oferta pública das ações. Para garantir maior pulverizaçáo das ações no mercado. a diretoria da Cruzeiro estabeleceu um lote máximo de trezentas mil ações que poderão ser subscritas pelos investidores Os investidores também poderão optar pela subscri- Cão financiada, por meio do Procap III (Programa-Especiai de Capitalização da Empresa Privada Nacional, gerido pelo BNDE). Nesse caso, o lote mínimo para financiamento é de cinqüenta mil ações, nas seguintes condições: sinal de 3(Fr no ato da subscrição e integralização dos restantes 7(Fr ern cinco anos. com dois de car-" encia e juros fixos de 97 ao ano. pagos trimestralmente. e correção monetária anual limitada a 20r7 A garantia do financiamento será dada pela caução das próprias ações subscritas. Resultados No balanço semestral encerrado em 31 de junho passado, o valor patrimonial por ação da Cruzeiro era de Cr$ 1,70, o que correspondia a reservas de 707. A projeção do valor patrimonial para 31 de dezembro, após o aumento de capital, portanto, é de Cr$ 2.27, indicando a formação de reservas em apenas um semestre de 1277 sobre o capital reajustado. De janeiro a julho o lucro liquido após o Imposto de Renda atingiu cerca de Cr$ 300 milhões aproximadamente metade do novo capital, enquanto de janeiro a dezembro do ano passado totalizou CrS milhões. Em 1978, para uma frota de quartoze aviões, a Cruzeiro transportou 13,87 passageiros a mais que em 1977: elevou de 12,77 o índice de passageiros por quilômetros; teve o índice de aproveitamento de vôo aumentado de 107: e reduziu os índices de horas voadas, quilômetros voados e assentos por quilometro de, respectivamente, 6.77, 3.37 e 3,37 - em decorrência das políticas de racionalização administrativa e operacional adotadas. No relatório aos acionistas relativo a 1978 a diretoria da Cruzeiro afirma que as finanças da empresa estão saneadas e que todas «as obrigações vém sendo cumpridas rigorosamente em dia», como frutos do trabalho de recuperação iniciado após a transferência de seu controle acionário do governo para a Fundação Ruben Berta. Além de 23 capitais no Brasil, as rotas da Cruzeiro atingem a Argentina. Uruguai, Bolívia. Peru, Guiana Francesa e Suririame. Mas. segundo fontes da empresa, è intenção da Fundação Ruben Berta deixar à Cruzeiro todas as linhas da América Latina, reservando-se h Varig as rotas de longo curso (que também continuaria com o grosso do transporte aéreo nacional). KM DES MOINES Atraindo as multidões, antes de embarcar para Chicago, a cidade mais católica dos Kl A O papa João Paulo íl censurou ontem o que chamou de «anarquia moral» do sexo fora do casamento, ao falar para mais de 1 milhão de católicos que assistiram a uma missa ao ar livre celebrada numa praça de Filadélfia. João Paulo II exaltou «o legado de fé c liberdade» da cidade. Mas aproveitou para advertir que a liberdade real exige disciplina e não é algo absoiuto. «Isto se aplica ao comportamento sexual», acrescentou, «e inclui a necessidade de fidelidade no casamento. A liberdade verdadeira jamais pode ser um pretexto para a anarquia moral. Na sociedadc de hoje. vemos tantas tendências inquietantes. tanta lassidâo». Filadélfia foi a ultima etapa da visita de João Paulo II ás grandes cidades da costa leste dos Estados Unidos. O papa fez um discurso para padres e freiras no Centro Cívico da cidade (leia abaixo) e visitou a catedral da Imaculada Conceição, onde sáo seguidos os ritos orientais ucranianos. Ali, ele se referiu ãs dificuldades dos católicos nos países comunistas, ao mencionar «os sofrimentos e injusticas» e «os mártires antigos e recentes» da Ucrânia. À tarde, o papa viajou para o Centro-Oeste, começando por uma rápida passagem por Des Moines, no Estado de lowa, de onde seguiu viagem para Chicago. Hoje, o papa passa o dia nessa cidade, onde se encontrará com os bispos e rezará duas missas e falará â mais numerosa comunidade polonesa ou de ascendência polonesa fora de Varsóvia cerca de 900 mil pessoas. Na igreja dos Cinco Santos Mártires, de Chicago, ele celebrará missa em polonês. Enfim, amanhã, em Washington última etapa de sua visita aos EUA, e onde se encontrará com o presidente Jimmy Carter João Paulo II fará uma visita à sede da Organização dos Estados Americanos, com transmis-, são direta de televisão para o PAPA Uma investida larquia P? Em Filadélfia, João Paulo II condena a permissividade; hoje o encontro com os bispos norte-americanos Brasil Latina. e toda a América Em Filadélfia, o papa despertou o entusiasmo de sempre nas multidões. A tal ponto que dezenas de pessoas destruíram a decoração da igreja de São Pedro, logo após sua visita ao túmulo dc São João Neumann, que foi bispo de Filadélfia no século passado. «O papa andou por esta passadeira. Talvez um dia ele se tome santo e então eu terei uma relíquia» disse uma senhora armada de tesoura, quando cortava um retalho do tapete. Em questão de minutos, outras mulheres levaram todas as fitas de cetim brancas e amarelas que ornamentavam a igreja. Já os italianos da cidade não puderam fazer festa pelo papa. Ao contrário do que tinha sido anunciado, o cortejo do papa passou pelo bairro italiano de Filadélfia a grande velocidade.. Decepção geral. Uma velha senhora, que esperou horas sentada à porta dc um hospital, e náo pôde ver o papa depois desabafaria: «Quem ele pensa que é. passando por nós desse jeito? Nós somos tão importantes quanto ele*. 1 le nao *** quer mudanças Celibato, sim; mulheres na Igreja não O Papa João Paulo II tocou finalmente, ontem, cm dois problemas que há anos freqüentam as preocupações do clero norteamericano e sâo objeto de discussão entre os católicos: o celibato dos padres e o sacerdócio feminino. E ás palavras que dirigiu aos padres e freiras reunidos para ouvi-lo, primeiro no Centro Cívico de Filadélfia e depois em Des Moines, não trouxeram qualquer alento a quem esperava alguma fissura na ortodoxia de Roma. Como se esperava, João Paulo II reiterou, de forma incisiva e em tom firme, sua total oposição tanto à quebra do celibato quanto a admissão das mulheres no clero. Sem mencionar explicitamente as reivindicações do clero dos Estados Unidos, o papa enfocou o problema de um ponto de vista exclusivãmente teológico, reportando-se às origens da própria instituição do sacerdócio os doze apóstolos de Cristo para colocar sua posição. Ele disse que a vocação sacerdotal «não é uma escolha, e sim um dom divino, um chamado pessoal e individual de Deus, a que, uma vez atendido, não se pode mais renunciar». Antes, falando a futuros sacerdotes, no seminário de São Carlos Borromeu, ó papa tinha sido taxativo em matéria de castidade: «A dignidade ONU humana exige que vocês cumpram aquilo com que se comprometeram, exige que vocês cumpram a promessa feita a Cristo, a despeito das dificuldades com que tropecem e das tentações a que possam estar expostos». A quebra do celibato e do voto de castidade, é no entanto uma inovação fortemente defendida pelos setores mais liberais da Igreja nos Estados Unidos, para tentar corrigir uma situaçáo que. desde levou mais de 10 mil padres do país a abandonarem o hábito para se casar. Entre as numerosas religiões cristãs dos Estados Unidos (só entre os protestantes exjstem 250 seitas diferentes), a católica é a única que exige a castidade e o celibato de seus sacerdotes, o que os torna singulares aos olhos das outras religiões. Fidel vai ou não vai? As especulações correm soltas pelos1 corredores doedifício-sede das Nações Unidas, em Nova York: Fidel Castro virá para a atual assembléia-geral? Não virá? Inicialmente, sua presença estava prevista para sextafeira próxima dia 12. Na semana passada, em Havana, Castro disse porém que ainda nâo havia decidido se viajaria ou não a Nova York. As especulações correm soltas em Nova York E o suspense continuou. Na ultima quarta-feira, um dia depois de o presidente Jimmy Carter ter anunciado a intensificação da vigilância dos Estados Unidos sobre Cuba e o aumento da presença militar norte-americana no Caribe, espalhou-se a informação de que Castro havia cancelado a visita à ONU. A notícia partiu de Rudolf Stajduhar, assessor do secretário-geral da ONU Kurt Waldheim. Na mesma ocasião, Stajduhar anunciou que o representante de Cuba na assembléiageral servia o vice-presidente Carlos Rafael Rodriguez. Pode ser. Mas pode também não ser. Ontem, um outro assessor de Waldheim desautorizou a noticia dada por Stajduhar. Stajduhar, segundo a nova informação, teria se baseado em «informações extra-oficiais». O porta-voz afirmou que «não há nenhum informe oficial do governo cubano» sobre o assunto. Naturalmente, os representantes da delegação de Cuba na ONU, dizem o mesmo. Assim permanece o suspense. E, aparentemente, Castro não tem nenhuma pressa em desfazê-lo. Ele parece estar gostando da história. O impedimento do casamento tem provocado por outro íado, uma, queda acentuada na formação de novos padres, fenômeno que conduziu ao surgimento da segunda reivindicação mais forte das correntes liberais: a autorização para que as mulheres possam participar das celebrações religiosas e ministrar sacramentos. Mas o papa, em seu discurso no Centro Cívico de Filadélfia, não abriu nenhuma fresta pela qual se pudesse vislumbrar alguma possibilidade de aceitação do sacerdócio feminino. E não se trata segundo a argumentação de João Paulo II. de uma posição pessoal, nem da Igreja, e sim de uma imposição da vontade de Deus. «Não se trata de uma questão que envolva direitos humanos», afirmou o papa. «Não se trata de excluir as mulheres da santidade e de outras missões na Igreja. A Bíblia excluiu especificamente as mulheres do sacerdócio. Trata-se, então, da dimensâo particular do dom do sacerdócio decidida por Deus. E, nessa decisão, a mulher está excluída». Ontem ainda, na parada seguinte de seu itinerário norte-americano, em Des Moines, Estado de lowa, João Paulo II retomou os dois temas e novamente definiu inequivocamente a posição do Vaticano. Além disso, o papa conclamou os sacerdotes a se manterem unidos, a demonstrarem maior zelo a serviço dos fiéis e a se entregarem totalmente a seu ministério, como Jesus Cristo. Tanto na Filadélfia como em Des Moines as platéias que o escutaram, exclusivamente de padres e freiras, foram calculadas em 20 mil pessoas. E nas duas cidades, apesar das divérgencias que questões por ele abordadas levantam, o papa foi aplaudido de pé. AnotE A negligência seria outra O Nt-w York Times divulgou ontem um estudo do Pentagono sobre uma possivel colaboração militar com a China (leia na página seguinte). Um «mero exercício intelectual», apressou-se em esclarecer o porta-voz do Pentágono, Thomas Ross. Ross acrescentou que estudos como esse sáo elaborados, rotineiramente, com relação aos mais remotos paises do.planeta. «Sc não fosse assim», finalizou, *estariamos negligenciando a defesa de nosso pais». Nada a objetivar, em tese, nas declarações de Ross. Sim. em tese. Pois, pensando bem, existirá no Pentágono algum funcionário fazendo projeções em torno da possibilidade de instalar grossas fábricas de armamentos, realizar pesados exercícios conjuntos ou firmar convênio de troca de informações com os governos, digamos, da Bolívia? Ou do Haiti? Se há esse funcionário, é caso de negligência para com a paciência do contribuinte norte-americano. Os Estados In idos protestaram ontem, contra a prisão do deputado Domingo Laino. líder da oposição ao general Alfredo Stroessner. no Paraguai Num encontro em Washington. o subsecretário de Estado Warren Christopher manifestou ao chanceler paraguaio Alberto Nogues a Séria preocupação dos Estados Unidos», pela situacão de Ixiino. O governo de Jimmy Carter considera que a prisão de I-aino é um retrocesso na questão dos direitos humanos no pais, segundo explicou Christopher. A embaixada do Paraguai em Washington, por sua vez. limitou-se a distribuir um comunicado no qual diz que o confinamento do deputado está de acordo com as leis vigentes. A conferência sobre o futuro da Rodésia. em Londres, foi novamente suspensa. Até segundafeira, as delegações do governo dc Salisbury e dos guerrilheiros da Frente Patriótica estudarão uma nova proposta de Constituiçáo apresentada pela Grã- Bretanha. Anunciou-se que esta è a derradeira tentativa britânica de conciliar as partes. Tudo bem entre Videla e Pinochet. Ontem, quando sobrevoava Santiago, o presidente argentino enviou uma mensagem em que expressava sua «cordial saudação» ao chefe de F.stado chileno. Videla iniciou assim uma longa viagem que o levará até Tóquio, onde ê aguardado hoje. O avião presidencial fez apenas uma breve esca- Ia técnica em Acapuleo, no México, partindo em seguida para o longo vôo sobre o Pacifico. CHILE Governo cala sobre cadáveres A Igreja exige uma explicação O ministro chileno do Interior, Sérgio Fernandez, evitou pronunciar-se, ontem, sobre os dezoito cadáveres encontrados há dois? dias em uma vala comum do cemitério de Yumbel, cidade próxima a Concepción, quinhentos quilômetros ao sul de Santiago. «Não há nenhuma informação oficial sobre o assunto. O caso está entregue à justiça», limitou-se a dizer Fernandez. A reserva do ministro é compreensível. Na verdade, este é o segundo massacre descoberto no Chile em menos de um ano. Em dezembro de 1978, quinze ossadas foram achadas no interior de uma mina de cal abandonada na localidade de Lonquém, próxima à capital chilena. Conforme ficou provado, as ossadas eram de quinze adversários do regime, que foram fuzilados pelos carabineiros poucas semanas após o golpe militar de 11 de setembro de Os cadáveres de Yumbel foram exumados por ordem judicial, depois que a Igreja católica iniciou num tribunal de Concepción, um processo para tentar localizar um número não conhecido de pessoas que desapareceram na, região sobretudo nas cidades de Laja e San Rosendo nos últimos seis anos. Após a descoberta, o arcebispado de Concepción divulgou um comunicado lembrando que «è dever do governo fazer tudo o que for possível para esclarecer esse caso». Esta não parece ser, porém a disposição das autoridades de Santiago. Perguntado, ontem, a respeito, o ministro Sérgio Fernandez lembrou que o Poder Judiciario tem autonomia para fazer as diligências que achar conveniente. Fernandez fez questão de adiantar ao mesmo tempo que «todos os casos desse tipo, ocorridos entre 11 de setembro de 1973 e 10 de março de 1978, sâo abrangidos pela lei da ariistia». Ou seja: os responsáveis pela morte das dezoitos pessoas enterradas em vala comum no cemitério de Yumbel- nada devem á justica, exatamente como ocorreu com os oito carabineiros que foram identificados como os autores oo massacre de Lonquém. Foram todos anistiados. CINCA PRONTATENDE Clínica Geral - Coração - Estômago - Fígado -- Intestinos - Urologia - Doenças Venéreas - impotência - Raio X - Laboratórios - ECG. Convênios para 300*00 Família e Escritórios. Horário de 2» à Sábado das 8:00 as 20:00 hrs. - Praça Oswaldo Cruz, 37 - Est. Paraíso Metrô - Tel.: / e Rua Sen. Flaquer, 10O 29 and. (Esq. Largo 13 - Sto. Amaro) T.: ^ É o que promoveremos, a partir de hoje, se você Profissional de Marketing concordar. 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10 PAGINA 10 ^WfP^f^11 : REPUBLICA- MUNDO SEXTA-FEIRA í DU OUTUBRO DE 107) BLOCO SOVIÉTICO Brejnev e todos os amigos em Berlim A reunião é comemorativa, mas aguarda-se um pronunciamento importante No estudo do Pentágono, a Um rnero exercício intelectual, Foi assim que o Pentágono definiu ontem um documento elaborado por seus funcionários a respeito das formas pelas quais a China poderia colaborar com o Ocidente em caso de uma guerra contra a União Soviética. Óbvio, o Pentágono tentava diminuir a importância do documento. Nâo deixa de ser excitante, de qualquer forma, o tema proposto: uma possível associaçâo militar entre os EUA e a China. O estudo foi publicado na edição de ontem do New York Times. Trata-se de mais um leak obtido pelo jornal nas oficinas onde se formula a política de defesa dos Estados Unidos. Na verdade, o documento nâo preconiza nenhuma ação específica. venda de armas PACTO ANTl-UKSS norte-americanas á China e a troca de informações com Pequim EUA/CHINA avera 3llcHlÇ3 militar? como uma aliança militar com Pequim Mas faz uma série de recomendações aos estrategistas de Washington, como o fornecimento de tecnologia avançada à China, a troca de informações, a realização de exercícios militares conjuntos, a exportação de armas modernas para os chineses e a produção de armamento norte-americana em território chinês. O New York Times ao divulgar o documento, divulgou junto as explicações do Departamento de Defesa. E foi ai que o porta-voz do Pentágono. Thomas Ross, disse que se tratava de um mero estudo. «De forma alguma, o que ali está contido representa a politica do Departamento de Defesa ou do governo norte-americano», ressaltou Ross. Segundo ele, Adona I " >. _ " " ;;: y^":: /%*. y +a -* ^ vt <7 sf& -Íslj$EgK^^^BH^^^WK_-i_B_B_B_ l y# v *- %%/? *,v < J "3g_B ^_^_^_B ^ ^_^_B_^_^_^_^_^_^ o documento não passa de «um instrumento para dinamizar o pensamento». O documento, de qualquer forma, é divulgado num momento em que a eventual colaboração militar entre Washington e Pequim transformou-se num tema em maior evidência do que nunca. No inicio desta semana, coincidindo com o discurso do presidente Carter sobre a presença de uma tropa soviética de combate em Cuba, o governo norteamericano anunciou que o secretário de Defesa, Harold Brown. viajará á China no fim do ano. Foi um avanço a mais no sentido de algum 18» de entendimento militar com Pequim embora as autoridades de Washington, com o evidente propósito de nâo provocar nervosismo em i ^_J»HÚCW Hs ** *"*^ ^^^^i^íwh^k^i^êêhkê wêêêêêè&i *^BH B JH_I NE P ^p éh :í_r w è PÉlii HR fvj SvãrMi ^^ MFL HF-: M jmfc- - ^ k ^H ia irméi _P"^ P^ j^ <jmêm~ ^^"í_. ^H mh f-ms, 4^la_l H 5_I_BbE_3 ^_Í^Bu^^j ^ LifeíBB^SftE^^/ : * ^^#^_u>!^ ^ Lf s-,"ííís_h j B j_l _l _K._SH _u*èr >».- y y -;:& - ;:^^^^_E_R* $ : ^^^H*^BE_w9l H_kU IR.. jj»f.....jg» ^wílbi _?sr ^B BÉ: _gr, B BPP^ ^tfg^^mb^hbb^^sbh^bhbh^hctbblb BfcáP Í_^B^^.::_m ^8_i_BÍ ^*^Sa^_B_^B^MMR;E ^ft^jb^_^^_í*_i ^_^^ * - Moscou, tenham-se apressado em explicar \ue a viagem era um fato formal no contexto das relações sinonorte-americanas, e que não significa uma alteração na política dos EUA, contrária à venda de armas à China. S A propósito, a possibilidade de exportar equipamento militar para os chineses já foi debatida pelo governo Carter no ano passado. Nessa época, chegou-se à conclusão de que não valia a pena correr o risco de provocar Moscou em tão alta dose. Ao mesmo tempo, no entanto, os Estados Unidos anunciaram que não tinham objeções a que seus aliados da OTAN vendessem armas aos chineses o que vem sendo feito por alguns deles. A Inglaterra. por exemplo, hà meses exporta motores Rolls Royce B&_ $ ^^E^^JH ^k: _fl nn E 1 para equipar os Mig da China. Reiterando a continuidade dessa orientação e a linha de cautela em relação aos soviéticos, o secretário de Estado, Cyrus Vance, voltou ontem a propósito do documento divulgado pelo New York Times, a negar categoricamente a possibilidade de os EUA armarem, agora ou no futuro, os chineses. No entanto, cautela semelhante não foi demonstrada na semana passada pelo secretário de Estado da administração anterior, Henry Kissinger. Quando se cogitava das possiveis represálias que os EUA podiam lançar mào para contrabalançar a presença da tropa soviética em Cuba. Kissinger chegou a citar como opção a colaboraçáo mílitar com a China. verdade A Bandeirantes FM, não é a dona da verdade. Mas através da informação leva você a todos os lugares onde ela possa estar. Na ilha, no continente, entre o polo norte e o polo sul, atrás das cortinas, das grades, das portas abertas para o mundo, na sua frente, na direita, na esquerda, no fim da linha. Bem no meio do seu rádio, você encontra mais informação para saber a verdade. E encontra o som, sim. m BEM NO MEIO DO SEI RADIO í ES FM O presidente soviético. Leonid Brejnev. e o da Alemanha Oriental. Erich Honecker. trocaram ontem os costumeiros beijos de boasvindas quando o dirigente russo chegou ao pé da escada de seu avião no aeroporto de Berlim Oriental. Brejnev chegara para participar, juntamente com os demais chefes de Estado e de governo do Leste europeu, das cerimônias de comemoração,do trigésimo aniversário de criação da República Democrática Alemã. O encontro de cúpula do bloco comunista c o discurso "que Brejnev pronunciará na ocasião nâo passariam de mais um evento formal do lendário político internadona 1 náo fossem as circunstâncias que os cercam: os dirigentes dos paises membros do Pacto de Varsóvia ouvirão o que tem a dizer o seu lider principal uma semana após o pronunciamento do presidente Jimmy Carter a respeito da presença de uma força de combate soviética em Cuba. O discurso de Brejnev. ainda sem uma data precisa, e aguardado com interesse. A partir de seu teor e tom se poderá talvez ter uma idéia mais precisa a respeito do futuro das relações Washington- Moscou, hoje num período difícil. Como parte da troca de farpas entre as duas superpotèncias usual nas últimas semanas, o Pravda. órgão oficial do PC soviético, criticou ontem a Câmara dos Representantes norteamericana por ter emendado um projeto de lei relativo ao comércio bilateral EUA- URSS. Segundo o Pravda, os deputados norte-americanos tentam usar o comércio para exercer pressões políticas sobre os paises comunistas. Antes do discurso de Carter, os meios chegados ao governo norte-americano acenavam com a possibilidade de adoção de represálias econômicas contra a URSS como resposta â presença da tropa de combate em Cuba. Carter acabou não anunciando nenhuma medida mais drástica que afetasse diretamente os soviéticos. Preocupou-se mais em garantir a ratificação do acordo sobre limitação de armas estratégicas SALT-II, seriamente ameaçada por senadores que insistiam em vinculá-la à questão cubana, A ratificação do SALT-ll, obviamente, é condição necessária para que se iniciem as negociações SALT-1II, de que jâ começa a falar. Nesse novo tratado, o Kremlin já se declarou disposto a incluir o problema dos mísseis continentais, ou seja, de médio alcance. Foi ao menos isso que o Brejnev declarou na segunda-feira a uma delegação dálnternacional Socialista que visita Moscou. Segundo afirmou ontem o finlandês Kalevi Sorsa, presidente da delegaçáo, a declaração de Brejnev clarifica a posição soviética sobre o desarmamento europeu. Sorsa. no entanto, nâo soube precisar aos jornalistas se a União Soviética está disposta a renunciar aos foguetes SS-20. de alcance intermediário, caso a OTAN abandone o projeto de instalar na Alemanha Ocidental. Bélgica e Holanda os mísseis norte-americanos Pershing-2, capazes de atingir as principais cidades da URSS. Moscou, segundo os membros da delegação socialista, não parece muito disposta a equiparar os dois foguetes. Desta vez ele aparentava apenas estar com frio Brejnev está pálido, Brejnev cambaleou. Brejnev náo consegue levantar os pés enquanto anda. Sempre que o lider soviético se apresenta em público, hoje em dia, os jornalistas c observadores presentes colocam-se de sobreaviso. Todos em busca de um diagnóstico, de um sinal a mais que confirme as informações, jà velhas de mais de um ano, de que o líder soviético sofreria de uma doença grave. Brejnev, a bem da verdade, não tem decepcionado sua platéia. Assim, quando esteve em Bonn. no ano passado, percebeu-se que tinha o rosto inchado, e que não conseguia levantar-se de uma cadeira sem auxílio. Depois, quando esteve em Viena, este ano, para assinar, com Jimmy Carter, o tratado SALT-II, observou-se que ele andava devagar e com dificuldade. E ontem, em Berlim Oriental. Tudo o que se conseguiu detetar. no aeroporto, é que ele vestia um grosso capote e um cachecol, que não tirou em nenhum momento. Nada de muito aproveitavel. A temperatura era de sete graus, e venta va. Brejnev podia estar com frio mesmo. A batalha da economia Há três anos, durante o 25" congresso do Partido Comunista da União Soviética, Leonid Brejnev afirmou: «Produzimos anualmente 700 milhões de sapatos. o que eqüivale a três pares para cada cidadão russo. No entanto, faltam sapatos para os russos, porque os sapatos que produzimos não agradam e acabam ficando nas prateleiras». De lá para cá, terá mudado grande coisa, na União Soviética. Não. A qualidade dos produtos motivo da queixa de Brejnev continua duvidosa. A produtividade invariavelmente se "situa abaixo das metas oficiais. Os produtos de consumo escasseiam no pais. Enfim, nada se alterou no quadro das deficiéncias tradicionais da economia soviética. E eis que agora os planificadores do Estado atacam de novo com um novo plano quinquenal que, como ocorre crònicámehte na história do país, faz apelos em favor da produtividade e da qualidade dos produtos, e estabelece novas normas para regular a vida nas fábricas, nos ministérios e nas fazendas coletivas. O novo plano, divulgado recentemente pelo Pravda, está contido num documento de 4 mil palavras, aprovado por meio de um decreto conjuntp do partido e do govemo. De acordo com o documento, um novo papel será atribuído às «brigadas de trabalho», grupos de trabalhadores que, reunidos nas fábricas ou nas fazendas, terão a incumbência de garantir a produção estabelecida pelo «Gosplan» o organismo oficial responsavel pela planificaçâo. Haverá prêmios e punições para motivar os operários. E são previstas mesmo novidades mais revolucionárias como maiores concessões às leis do mercado. Falemos, primeiro, das «brigadas de trabalho». Elas voltaram a ser o eixo da atividade produtiva na União Soviética. As brigadas terão, agora, o compromisso de garantir a produção, os prazos programados e a qualiave do trabalho. GIÜSEPPÉ MORAB1TÜ Em troca disso, ganharam certa autonomia para decidir sobre a organização das tarefas nas fábricas e a distribuição dos salários e dos prêmios. A importância atribuída às «brigadas» é a grande novidade introduzida pela reforma econômica. Trata-se de um retomo às formas de autogestào, embora limitadas às tarefas isoladas de uma fábrica, ou ainda de um canteiro de obras ou de um Kolkboz^ a fazenda coltiva. Os dirigentes de Moscou acreditam que este seja o único caminho para aumentar a produtividade (nas fábricas soviéticas o indice de faltas ao trabalho è muito elevado), melhorar a qualidade e a quantidade dos bens fabricados e, assim, tomá-los mais atraentes para o público. E eles estão convencidos eis outra novidade de que não basta apenas produzir. É necessário também saber vender. Os líderes soviéticos, encabeçados por Leonid Brejnev, parecem ter concluído que o mercado náo é por definição uma causa de exploração, e que os bens de consumo não corrompem necessariamente os cidadãos. Alguns intelectuais se sublevaram contra essa ameaça do «consumismo», para eles uma doença incuràvel, causadora de profundos estragos na sociedade. Mas o Pravda fechou a boca desses intelectuais com uma citação de Lenin: «Sem a melhoria do nível de vida da população, não se pode obter o desenvolvimento da personalidade e a liberdade do ser humano» Na verdade, pode-se observar que, de uns anos para cá, os bens de consumo estão entrando rápidamente na vida austera do cidadão russo. Em Moscou existem hoje > dezenas de bares abertos depois da meia-noite e não se trata mais apenas de bares reservados aos visitantes estrangeiros. A Pepsi-Cola, que já instalou cinco fábricas na União Soviética, tem planos para construir mais cinco e duplicar sua produção. Na Letônia e na Armênia, duas grandes fábricas produzem chicletes. Hoje. 14 milhões de russos vão ao cinema todos os dias, e dois terços das importações do pais consistem em bens de consumo. Não foi por mero acaso, assim, que em junho passado, foi inaugurada em Moscou uma exposição internacional de moda e de bens de consumo a primeira deste gênero na União Soviética. O pretexto oficial para a exposição fora preparativos para os Jogos Olímpicos de 1980, que já se transformaram numa espécie de idéia fixa para todos os cidadãos soviéticos. Tudo isso ocorre no momento em que o ritmo de crescimento da economia soviética está estacionado em 3,5% ao ano, bem abaixo do objetivo estabelecido nos planos oficiais, de 5,7%. É bem verdade que a produção industrial de 1978 superou todas as previsões, atingindo 4,8%, quando a marca fixada nos planos era de apenas 4%. Persiste, entretanto, uma certa apatia dentro do sistema. E Leonid Brejnev pretende, agora, sacudi-lo. No documento do partido e do govemo sobre a reforma econômica, os ministérios são advertidos de que nào será tolerado seu tradicional hábito de corrigir e sempre para baixo as mçtas fixadas nos planos governamentais. As ferrovias são alertadas contra os atrasos no transporte das mercadorias. E são ainda denunciados os pequenos truques utilizados pelas empresas para contornar o plano qüinqüenal, como, por exemplo, o de registrar as mercadorias somente um mês após seu recebimento. Quanto à necessidade de melhorar a qualidade do trabalhador soviético, o estimulo oficial, nesse sentido, será uma política de incentivo a preparação profissional e de diferenciação de salários dentro das empresas. Além disso, os trabalhadores poderão receber permissão para morar em apartamentos mais espaçosos, e talvez até mesmo utilizar um automóvel, caso se mostrem dedicados e eficientes.

11 SP.XTA-1F.1RA 5 DE OUTUBRO DE 1979 DIA DOS ANIMAIS As outras vítimas silenciosas da cidade Indesejáveis nos prédios, maltratados nas ruas São Paulo é uma cidade cruel também com os seus seres irracionais. Várias carrocinhas puxadas por burricos ou velhos pangarés rodam diariamente pelas mas do centro, carregadas de papelão c ferro-velho, na trilha reservada aos ônibus. E a cena se repete: os veículos param, de repente, e o animal bate com a cara no ônibus e cai. O povo se aglomera, e fica por isso: o policiamento não se importa porque, há tempo, as carroças já não precisam de licença. Nas praças, macacos ajudam aleijados a levarem algum dinheiro para casa, no fim do dia, virando cambalhotas, batendo palmas, tocando um tambor de criança: sua alimentação não passa de duas ou três bananas. «Isto aqui é uma selva de pedra, sem lugar para os animais», diz dona Livy Manfrin, vice-presidente da seção paulistana da União Internacional Protetora de Animais. O telefone da entidade não sossega dez minutos. Do outro lado, sempre vêm denúncias de maltratos, casos de sadismo e morte, que a União procura cuidar às vezes até com a ajuda da polícia. Histórias que aqui, neste antigo prédio, são rotina. Uma rotina que se torna mais violenta, com o passar dos dias «Não sei se é a falta de tempo, ou o horror de ter que trabalhar cada vez mais. para ganhar a vida, que faz o paulistano não se importar com os animais», diz dona Livy, empenhada numa campanha de conscientização do povo e. principalmente, de um conhecido inimigo de animais domésticos nesta metrópole os sindicos dos edifícios de apartamentos «Um arumalzinho atenua os sofrimentos. É um bálsamo JOSÉ MEIRELLES PASSOS l>i*.çj*.-j*r>, *! ti..jqr.««<wit^wpjjüç>^*».,,»^ibwlw ( ^7rifífVíjl....,.- "., ;. -;. ;...-.;. r1.-í;,;,-;<,,, ;ív EXCEÇÃO Quércia e Amélia, bem tratados na rua para a solidão desta cidade enorme, para o nervosismo. E o companheirinho de crianças e pessoas idosas, que não podem sair por aí, num trânsito doido desses», diz ela, Madalena Martins, viúva que já beira os 60 anos, costuma passear com seu pequinès pelas calçadas de sua rua, a Peixoto Gomide. Ela conta que há 5 anos, quando os filhos lhe arranjaram o apartamento, foi dificílimo convencer o síndico a «deixar meu Michel» morar comigo: «Ele disse que eu não podia ficar com cachorrinho, e eu teimei que ficava. Isso durou uns 20 dias, até que. no fim de uma tarde, o fiihinho do síndico voltou da escola trazendo um cachorinlio que tinha ganho de um amigo O menino berrou tanto que o cachorro ficou, e o meu também». Ontem, dia Universal dos Animais, dona Livy Manfrin estava especialmente preocupada com os bichos que trabalham em circos, nos pequenos circos que se espalham pela periferia de São MARGINALIZAÇÃO iemana do foeurar Paulo, onde onças, leões, tigres e jaguatiricas vivem em cubículos tão minúsculos, que os animais se atrofiam. Ela percorreu esses circos, e viu bichos esquálidos, doentes, famintos: «Essas feras precisam comer pelo menos cinco quilos de carne por dia, mas, em vez disso, os donos dão só alguns cartuchinhos com pescoços de frango. Estão tirando o direito de vida desses animais». Ela já tem em mãos um abaixo-assinado, que será levado à Brasília, na tentativa de regulamentar a exibicão de animais em espetáculos públicos, obrigando os empresários a darem condições adequadas de cativeiro às feras. Enquanto ela se preparava, ontem à tarde, para a missa e bênção de animais na igreja de S. Francisco, o pequeno Augusto, de 9 anos, segurava um saco plástico cheio de água, onde flutuava um peixinho vermelho, numa parada de ônibus da praça da Sé: «Amanhã, a mamãe vai comprar uma casinha de vidro para ele», disse o menino, sorridente. enor vai causas D. Paulo já foi assaltado, mas é contra cadeia «A população de São Paulo está em pânico Acha que os menores estão assaltando demais, que a FEBEM não da conta E as reações são as mais diversas. Mas nós precisamos ir as causas do problema» U Paulo Evaristo Arns. que ja foi assaltado por um menor marginalizado «Eles me levram tudo!» acredita que a Semana do Menor Marginalizado, promovida pela PUC e pela Comissão Justiça e Paz, vai chegar as pistas principais dessas causas e reforçar as linhas de ação que estão sendo postas de lado na questão do menor. Ü cardeal é o presidente da Semana, que vai reunir, de 10 a 13 de outubro, entidades, e especialistas num grande pairei sobre a situação dos menores marginalizados, apiado em três pesquisas. PAULO SÉRGIO MARKUN Uma descreve e analisa as condições de sobrevivência ; dos garotos que perambulam i pela rua. realizada pelo Centro de Estudos de Cultura Contemporânea Outra.-realizada pelo grupo de trabalhodo menor do Insti tutò de Estudos Especiais da PUC, pretende localizar as causas do problema a partir do «mundo de representação do menor infrator de instituição». Ou seja, baseada en entrevistas com menores internados pela FEBEM, procura desvendar o universo desses garotos. A terceira pesquisa entrevistou menores de 13 a 18 anos, em colégio de Sào Paulo, para saber suas opiniões sobre tóxico, sexo e outras questões, e foi realizada pelo Instituto de Urbanização e Planejamento». Nem o cardeal, nem a coordenadora da Semana, Mana Helena Gregori, anteaparam qualquer informação a mais sobre as pesquisas pois acham que isso limitaria a dimensão do debate. Mas d. Paulo citou alguns números recolhidos pela CPI do Menor de 1976, para mostrar a gravidade da situação: i «Temos 48 milhões de menores no Brasil, Treze milhões e meio são carentes, quase dois milhões abanadonados e 11 mil e 700 têm conduta anü:social. Isso, em A situação se agravou de lá para cá, e, hoje, há quem defenda a ampliação da cadeia, reduzindo a idade mínima para 16 anos. Mas temos também o pensamento do povo, dos juizes, de muita gente que sabe que é preciso ir às causas. Se reduzirmos para 16 anos, só pioraremos as coisas. A prisão é uma escola dç vicio, nada mais». """"" ** t*»*^ - *-.."** \ - v - *-- - -, "..; *.<":,- A-"-1.. UMA EXPLICAÇÃO Ilha Comprida. Vendida até o 6* andar. Era esse o título da reportagem que pubucamos na última segunda-feira, denunciando a grande arapuca imobiliária em que se transformou aquele pedaço do litoral sul do Estado de Sâo Paulo. A foto (acima) que acompanhava a reportagem, unicamente ilustrativa, colocava em destaque, porém, a empresa AZPS Imóveis Administração e Vendas e o Balneário Céu AM que, na verdade, nada têm a ver com as denúncias. Tanto que, em nenhum momento, elas são citadas no texto." REPUBLICA, BRASI L/S AO PAULO RIO A Justiça pode ficar sem comida E só se realizarão júris curtos A Justiça não ê apenas cega. No Rio de Janeiro, ela está, também, esfomeada, e ameaçada de parar. O empresário Arnaldo Massara, que há três anos fornece refeições, lanches e cafezlnhos aos jurados, juizes, promotores e advogados em exercício nos quatro tribunais do júri da Capital, não recebe o pagamento das faturas há cinco meses, c o departamento de material do Tribunal de Justiça já admitiu não dispor de recursos para pagá-lo. Com um déficit de 1,4 milhão de cruzeiros, Massara procurou os juízes-presidentes dos quatro tribunais do júri, esta semana, para com unicar-lhes, textualmente, que «está quebrado» e que não fornecera mais refeições e lanches a partir da próxima semana. Hoje. por exemplo, será o último dia cm que os tribunais terão cafezinho para oferecer gratuitamente nos gabinetes dos magist rados. A primeira providência dos tribunais do júri foi reescalonar, às pressas, suas pautas de julgamento. Realizando, em média, vinte sessões plenárias por mês, os tribunais se viram obrigados a elaborar uma pauta aparentemente mais racional, com uns poucos júris. Na verdade, a partir de agora, serão levados a julgamento apenas os processos considerados pequenos: aqueles cuja experiência jurídica mostra que terão pequena duração. VALÉRIO MEINEL GRANDE SÃO PAULO CAPITAL Alto da Llpa Mínimercado M L 3 Ltda. Av. Diógèncs R. de Lima, 2036 Campo Limpo Mercearia João Dias Lida. Estr. do Campo Limpo Central Parque Lapa Mini Mercado e Quitanda Yaya Lateral Direita do Viaduto da Lapa. 1X0 Jaguaré Casa de Carne e Mercearia Nova Jaguaré Ltda. Rua Engenheiro Vítor Freire, 365 Mercüdínho São Clemente Rua Barcelona. 350 Supermercado Avanço Rua Barcelona. 890 Supermercado Jaguaré Av. Presidente Altirio Jardim Ipê Supermercado Ipé Av. Analice Sakatauska, 1140 Jardim Maria Sampaio Adélia M.M. de Castro Rua Augusto Barbosa Tavares, 512 Jardim Rosana Mercadinho São Cristóvão Av. Carlos Lacerda, 127 Jardim Santo Elias Supermercado Marialva Rua Benedito da Fonseca Rondon. 528 Jardim São Jorge Mercadinho São Jorge Rua Prof. João Lourenzo, 700 Parque São Domingos Supermercado Marialva Rua Emílio Colela, 206 Rio Pequeno Supermercado Flamingo listr. Rio Pequeno. 654 Supermercado O Amiçào Rua Pedro da Costa Ribeiro, 112 Vila Anastácio Zoltãnp Kraus/. RuaCamacan.432 Vila dos Remédios Supermercado Azul Rua Agamenon Magalhães, 420 Vila Indiana Mercadinho Bacamarte Rua Boluroea, 206 Vila Jaguara, Supermercado Blue Star. Av. dos Remédios, 264 Supermercado Prieto Rua Lng. Ernesto Markgraf, 454 Vila Leopoldina Mercadinho Sanlo Agostinho Av. Imperatriz Leopoldina, 1666 Serafim B. de Souza e Filhos RuuTripoli. 166 YukioTakahashi RuaSheeling, 541 Vila Piaui Supermercado Marialva Rua Èniò Gomes da Silva, 2 Vila São Luiz Supermercado OI I Av. Nossa Senhora da Assunção, 1516 Vila Sônia Supermercado Éden Ltda, Rua Manoel Jacinto, 634 BÀRUF.RI Centro Supermercado Joel Rua Campos Sales, 654 Jardim Belval Supermercado Silva A v. Capitólio, 118-A Jardim Silveira Supermercado Silveira Av. Municipal. 148 CARAPICUIBA Centro Mercadinho Lambari Av. Inocénciò Seráfico, 1628 Supermercado Vera Cruz Av. Rui Barbosa, 865 Jardim Silvânia Supermercado Fortaleza Av. Inocénciò Seráfico, 776 Começando às 13 horas, terão terminado antes das 18. Sem necessidade de interrupções para que se sirva o jantar. Nesse reescalonamonto, o I Tribunal do Júri adiou, mais uma vez, o primeiro julgamento do grupo chefiado pelo ex-policial Ivónio Andrade Vianna Ferraz, o «Viàninha», Eles são acusados de integrarem o (esquadrão da morte dos tóxicos» e de terem eliminado mais de vinte trafi- Eãntes e viciados, a mando de Milton Gonçalves Thiago,- o «Cabeção», traficante a quem vendiam, proteção. Nesse primeiro processo, «Viàninha» responde pela execução de Gilberto Guimàràes, o júri já sofreu três adiamentos por razoes diversas. Cada um dos quatro tribunais do júri deve ao fonnecedor de refeições Arnaldo Massara 70 mil cruzeiros por més. Somente o I Tribunal do Júri recebia, mensalmente, 350 refeições e 450 lanches. A dívida dos quatro tribunais é de 280 mil por mês e eleva-se a 1,4 milhão desde abril, quando o departamento de material do Tribunal de Justiça efetuou o último pagamento. Agora, a verba acabou e nenhuma solução foi encontrada. Na palavra de.um juiz, «quando não for mais possível realizar as sessões consideradas breves, seremos obrigados a parar. Náo c possível realizar julgamentos com até quinze horas de duração, sem interromper para o jantar e o lanche». Vila Diree Mercadinho Vila Dirce Fsir. da Aldeia Supermercado São Jorge Av. Inocénciò Seráfico, 3742 COTIA (íraiija Viana Supermercado Serrano Fsir. da Aldeia de Carapicuiba.800 Jardim Glória Supermercado Aqui-Tem Av. João Paulo Ablas, II ITAPEVI Centro Supermercado Marques Av. Cesáno de Abreu, 10, Supermercado Raios de Sol Rua D. Pedro, 184," OSASCO (entro O Mercadão Av. Antônio C. Costa, 1080 Supermercado Ciclame Rua Batista Azevedo. 84 Jardim Baronesa Mercadinho J.M. Av. João Ventura dos Santos Supermercado Grácíáno Rua Dorival Seabra. 35 Jardim Bela Vista Supermercado I). Pedro I Av. D. Pedro Jardim Boa Vista Mercadinho Dois Sobrinhos Rua Salem Bechara, 319 Jardim dabril Supermercado Camaroto& Soldam Av. Engenheiro Queiroz Teles, 1028 Jardim daula Alfredo Figueira Lopes Rua M.oacyr Sales,d Ávila; 41-B Jardim das Flores Mercado Teruel Rua Proí. Azevedo Minhoto, 510 Jardim Helena Supermercado Piraju /, Rua Virgínia Pereira, 109 X y A Vigilante impede assalto em Curitiba Às 12 o 45 horas, a monotonia da hora do almoço foi violentamente interrompida na pequena agência do Bamerindus, no bairro Mercês, em Curitiba. lm assaltante entrou de arma cm punho, aproximou-se do vigilante c avisou-o: «Fique quieto. Isto c um assalto». Foi o aviso para que um outro rapaz, que já estava no interior da agencia, também sacasse a sua arma. Mesmo assim, o vigilante decidiu reagir: puxou a arma, foi atingido por um tiro na poma, mas ainda consegulu acertar o braço direitodo assaltante que estava mais próximo e que saiu correndo do banco, assustado. Nesse instante, João Correia da Silva, 30 anos, o vigilante, recebeu outro tiro, desta vez no ombro direito, disparado pelo outro assaltante que ficara no interior do banco. Voltou-se, então, para ele e matou-o com um tiro no olho direito. João Correia da Silva ganha 3 mil cruzeiros e esta há pouco mais de um ano no Bamerindus. Levado para o Hospital Evangélico, foi internado na sala de terápia intensiva. 0 assaltante, morto foi identificado como Seneo Júlio Hache e o outro. Edson Alves Alquimim, de 28 anos, foi encontrado numa casa de cômodos para rapazes. Ambos moravam no Rio. Jardim Imperial Mercadinho Imperial Av. Maria Carvalho de Lima, 329 Jardim Mutinga Supermercado Morais Rua Fprtüriato Pulherine, 200 Jardim Novo Osasco Supermercado Camarada Rua João Carlos Munhoz Vaqueiro. I Supermercado Jaguaré Av. Novo Osasco, 29 Supermercado Santa Isabel Rua 27 de Janeiro. 5 Jardim Oriental Supermercado Gjloür Av. Padre Vicente Melillo, 1620 Jardim Piratininga Supermercado Storeira Av. Presidente Getúlio Vargas, 1600 Jardim Veloso Supermercado Camarolto Rua Sarah Veloso, I Quitaúna Mercadinho Quitaúna Rua Atíanias de Almeida, 62 Vila Airosa Supermercado Rouxinol Rua Rouxinol, 202 i PÁGINA CASO AÉZIO Reportagens são provas no processo E o repórter depõe na 3;1 Três reportagens duas publicadas na revista ISTO E e uma no JORNAL DA REPÚBLICA - foram juntadas com provas, em despacho do juiz Álvaro Mairynk da Costa, da V Vara Criminal, no processo em que doze policiais serão julgados, terça-feira, pelo crime de abuso de poder contra o operário Aézio da Silva Fonseca. O servente do Itanhangá Golf Club foi preso a 20 de junho, acusado de espancar a filha, e encontrado enforcado na manhã do dia 22. As reportagens foram publicadas com os títulos «Suicídio de Rotina. mas apareceu um juiz estava tudo certo e até o promotor tinha concordado...» (ISTO É n" 1411; «Detetive conta a verdade» (JORNAL DA REPÚBLICA, de 13 de setembro último); e «Como acobertar uma morte no xadrez é preciso montar «a desova» e trabalhar as testemunhas* (ISTO É n" 144). O renórter Valèrio Meinel, auto! das reportagens, foi relacionado como testemunha de juízo e prestará depoimento na próxima terça-feira. Mais cinco testemunhas foram arroladas pelo promotor Élio Fishberg: Jorge Luiz Barbosa Ribeiro, o «gauchinho», e Berlindo Ferreira da Silva, o «baianinho», companheiros de cela de Aézio; José Araújo Filho, primo de Aézio e a quem o policial Ubiraci Santoro, o «Touro», confessou tê-lo espancado; rede Vila Alice Empório 21 de Julho Rua Alice M.Piteri, 188 Vila Ivone Mercüdínho Pechincháo Av. Presidente Cosia e Silva, 764 Vila Padroeira Casa de Carnes e Mini Mercado Progresso Av. José Barbosa Siqueira, l-a Vila Pestana Casa de Carnes e M ercearia. Clarice RuaMira.ssol.25-A Vila São José Mercadinho K.i/u Ltda. Av. São José, 359 Vila Yolanda Mini Mercado Pop Ruu Page, 2 Supermercado I cruel Rua Ilhéus, 550 TABOÃO DA SERRA Centro Supermercado Hinoinha Rua Dr. Getúlio Vargas, 47/51 Ferreira Supermercado Andrade Av. Prof. Francisco Morato, 4714 Jardim Mont Komcl Supermercado Cruz Av. Cláudio l-ranchi, 271 Jardim Roberto Mini Mercado Faro Lida. Estr. da Olaria, 897 Vila Pazzini Supermercados Rentes Lida. Rua das Margaridas, 35 INTERIOR ARARAQIARA Casa de Arroz e Feijão Vila Xavier Av. Major Dano Alves de Carvalho, 776 Mercadinho 105 Ltda. Rua Danie Grozzi, 1107 Mercadinho N. S. do Carmo Rua Cruzeiro do Sul, 565 de abastecimento CIA.BRASILEIRA DE ALIMENTOS Ministério da Agricultura feira Dclaír Vieira de Souza. cunhado de Aézio e que o acusou na delegacia de bater rui filha, o que motivou sua prisão; e Maria Nilza Noguei ra de Alvarenga, mulher do operário morto. A audiência de instrução e julgamento terá início as 10 horas de terça-feira, mas náo deverá terminar nesse dia Além dessas testemunhas irão depor os doze denuncia dos : delegados Ruy Doura do, Pamplona Bethlem e Eduardo Joaquim Batista Filho, e os policiais Januário de Oliveira. Henriqu* Fernandes, Emilo Trinxei! Geraldo Medeiros, Jorgf! Gomes, Altamir Franca Pedro Hirabase. Ubiraci í Santoro, o «Touro», e LuÍ7 Torres Teixeira, podendo cada um deles indicar ure máximo de cinco testemu nhas. A sentença deverá sei dada na próxima sexta-feira Os réus foram ontem à t* Vara Criminal, acompanha dos de seus advogados, para receber a citação. Usando terno azul. «Touro» entrou sorridente no cartório e ergueu para os fotógrafos e cinegrafistas os dedos formando o «V» de vitória Nenhuma medida de.segu rança foi tomada ontem paro. o professor Béhjamin Albagli, membro do Conselho de Defé sa dos Direitos Humanos Na, véspera, sua mulher Aovlai de Albagli. recebeu carta anônima, manuscrita, amea çando de atentado o jovem Marcos, enteado de Albagli Mercado Casa Branca Lida. ( aminho Particular, s/n - Vila Ireilas Supermercado Arasol Lida. Rua Itália, 2411 Supermercado Eduva.sco Ltda Rua Carvalho Filho Supermercado Leal Araraquara Ltda. Usina Tamoio (Colônia São José)- Rural Supermercado Ni S. do Carmo Rua João Gurgcl, 1092 Supermercado Santana Av. Bandeirantes, 1915 Supermercado Servila. Rua Expedicionários do Brasil BOA ESPERANÇA DOSU1 Supermercado São Sebastião Rua 7 de Setembro, 264 DOBRADA Supermercado Caropreso Rua Batista Barbieri, 353 GUARIBA Supermercado Cojiba Rua Dona Constância, 978 IBATE Supermercado São Pedro Rua Paulino Carlos, 907 ibítingá Mercearia & Empório Neliz.e Ltda. Rua José Custódio, 1101 JÀBÒTICÁBAL Supermercado Cojal Rua Rui Barbosa, 905 MATAO Supermercado Coraza Rua Dobrada, 91 Supermercado Guarany Rua Coronel Leão Pio de Freitas, 432 Supermercado Mortari Ltda Rua Sinharinha Frota, 1650 Supermercado Okada Rua Rui Barbosa, 925 Supermercado Sapis Rua Prudente de Moraes, 8% NOVA EUROPA Supermercado e Panificadora Paulista Rua Rodrigues Alves, 245 PIRASSUNUNGA Supermercado do Benjamim Rua Coronel Franco, 1770 RINCÃO Mercearia Galli Rua 21 de Novembro. 493 SANTA LI C IA Mercearia Oriental Ltda.. Praça Padre Paiella, 33 SÃO CARLOS Mercadinho São José Rua Hum SÃO MANOEL Supermercado Perucel Ltda. I Rua 15 de Novembro, 126 TABATINGA Supermercado Sgarbe Rua Prudente de Moraes, 294 T.VQl ARITINGA Supermercado Nacional Rua Prudente de Moraes, 605 Supermercado Paulistão Rua Barão do Triunfo, 1075 A Rede Somar de Abastecimento já está em implantação em São Paulo, com a adesão do primeiro gnipo de varejistas independentes. Em todos os postos da rede você vai encontrar produtos de qualidade e preços baixos. Verifique nesta relação qual o fornecedor i Somar mais próximo de sua I cobal casa e faça ÃS^qM-te muita economia com o ("estáo da Rede Somar de Abastecimento. --t

12 PÁGINA 12 MAIS UMA VEZ Hospital Sâo ilo em crise A culpa é só do INAMPS? -REPUBLICA- Precisamente às 15 horas de ontem, Renato Pinheiro Machado, o diretorsuperintendente do Hospital Sao Paulo, recebia uma correspondência semelhante a dezenas de outras que tem recebido nas últimas semanas. Era a carta de uma empresa que fornece material para cirurgia cardíacas comunicando que, a partir de 4 de outubro, nao poderá mais entregar qualquer produto de sua fabricação, por causa do elevado débito daquele hospital para com a empresa. «Eu já estou habituado. Cartas como estas chegam aos montes. E a crise do Hospital Stfo Paulo, que tem sido uma constante nos últimos anos, se intensificou agora. Hoje è dia 4 e, no dia 10, eu tenho que pagar treze milhões de cruzeiros da nossa folha de pagamento. Só nao sei de onde vou tirar este dinheiro», desabafou ele. Esta é a crítica situação de um hospital que tem 540 leitos, atende unicamente previdenciários do INAMPS em estado grave e indigentes, além de servir de campo de ensino para estudantes e médicos residentes, da Escola Paulista de Medicina. «A. nossa situação náo è muito diferente de qualquer outro hospital brasileiro que depen- Residentes farão ato público contra PAM Médicos residentes de todo o Estado de São Paulo realizaram, ontem à noite, uma assembléiageral extraordinária para tomar posição contra o Plano dè Aperfeiçoamento Médico que pretende instituir a residência paga nos hospitais. Eles pretendem realizar um ato público de repúdio, reunindo estudantes, residentes e médicos E pensam ainda em enviar uma caravana à Brasília, para manter um encontro com Eduardo Portella, ministro da Educação Eles dirão ao ministro que sua recomendação, contrária ao PAM, não está sendo seguida pelo governo do Estado FRANCISCO MALFITANI cia do INAMPS. Ele paga pouco e com muito atraso. Wr das nossas contas sito recusadas pelo computador do INAMPS no Rio de Janeiro. E, mesmo as que sio pagas, vêm com muito atraso». afirmou Machado. Outro fator importante para que exista esta situação de crise crônica no hospital è o fato de que. mesmo sendo um hospital-escola. recebe uma importância insignificante do Ministério da Educação e Cultura seis milhões de cruzeiros por ano. a metade da sua folha mensal de pagamento. Mas a responsabilidade pela precária situacáo do hospital São Paulo parece não ser apenas do INAMPS. «De fato, ele é o maior responsável, mas mesmo antes de existir convênio com o INAMPS a situação náo era muito diferente», disse Walter Feldman, médicoresidente. «O descaso do MEC para com o hospitalescola e, principalemnte, a má distribuição de verbas também contribuem», segundo Feldman. «Existem espeialidades que são equipadíssimas. onde não falta nada. Outras, têm uma situação precária. O PS então, nem se fala. Aqui ele é a terra de ninguém». OIT pede proteção ao trabalhador imigrante Reunida ontem em Medellin, Colômbia, a 11- Conferência Internacional do Trabalho (OIT) chegou praticamente ao final de seus trabalhos. E chegou a seis conclusões, todas elas ligadas à liberdade e aos direitos sindicais. Em primeiro lugar, exortou os governos de todos países membros da organização que pratiquem a proteção aos direitos sindicais. E, depois de sugerir a descentralização da OIT, recomendou aos países protegerem os interesses dos trabalhadores imigrantes, com uma política que garanta a igualdade de oportunidade e remuneração. TRAMÓIAS Vem aí o maná das frotas de táxi Adiado outra vez, mas inevitável RICARDO KOTSCHO No dia em que Antônio (Totó) Sampaio, irmão do famoso Cantídio, apresentou o projeto dos táxis, dois donos de frotas atravessaram discretamente o plenário da Câmara Municipal, deixando seus cartões, de visita na mesa de cada vereador. Ontem, o projeto entrou pela segunda vez na ordem do dia para votação, mas parece que está havendo alguma dificuldade: em segundos, ele foi novamente adiado por vinte sessões. O que se pretende, afinal? Melhorar o serviço de táxis da cidade? Só quem não conhece nossa Câmara, nestes tristes dias que correm, poderia fazer uma pergunta dessas. Antes de mais nada, é preciso explicar que, na divisão do bolo de lobbies, Totó ficou com os táxis, seguindo a tradição do irmão, que sempre teve ajuda das frotas nas campanhas eleitorais. Com seu projeto, ele pretende beneficiá-las ainda mais, aumentando de quinze para sessenta,o número mínimo de veículos de cada rota, impedindo ao mesmo tempo que os autônomos dividam seu carro com outros motoristas, cada um trabalhando num determinadoperíodo. Desta forma, o serviço de táxis de São Paulo ficaria nas mãos de algumas grandes empresas, que poderiam mais fácilmente impor suas condições. Atento a essas manobras, o ex-líder da bancada do MDB, Francisco Gimenez (hoje. apenas um do grupo de seis a que se viu reduzida a oposição na Câmara, depois da criação do Arenão), já preparou treze ernendas para modificar o projeto de Totó. A principal delas prevê a manutenção do atual número mínimo de quinze carros para a constituição de uma frota. Outra determina que todos os pontos de táxi da cidade passem a ser livres acabando com os atuais monopólios que dominam os locais de maior movimento, como o aeroporto de Congonhas. Mas são poucas as esperanças de que Gimenez e seu grupo consigam impedir esse maná, a exemplo do que aconteceu recentemente com os fliperamas,, drives etc. Além da sua maioria absolutíssima (15 vereadores em 21, sendo 8 do MDB), o Arenão agora deu para usar um novo expediente: apresentar à última hora um substitutivo, que nenhum vereador tem tempo de ler, introduzindo modificações que beneficiam ainda mais os interessados (entre os inte-, ressados nunca estará, certamente, a população paulistana). Isso aconteceu novamente ontem, com a Câmara aprovando um substitutivo que altera o zoneamento em várias regiões da cidade. Embora isso não seja tão grave, porque essas modificações são invariavelmente vetadas pela Prefeitura, o grupo dos seis já decidiu que fechará questão contra os substitutivos-surpresa. SÃO PAULO /TRABALHADORES GREVE LEGAL Eles já começam a jxissar fome e a empresa espera a sua A fabri Paulo Tavares de Meneses é metalúrgico, trabalha na Siam-Util e mora no Jardim Nordeste, a 30 quilômetros do emprego. Na semana passada, logo depois do almoço na própria empresa, ele conseguiu um dinheirinho emprestado, comprou duas marmitas no restaurante da firma, pediu licença ao encarregado e foi para casa levar a comida para mulher e oito filhos. O drama de Paulo certamente resume a desesperadora situacáo dos trezentos metalúrgicos da indústria Siam-Util, fabricante de equipamentos de panificação e refrigeração e que, desde segunda-feira, estão em greve, que nunca poderá ser considerada ilegal. Eles estáo reivindicando nada menos do HeAJFÍ<- METALÚRGICOS «compreensão» paga. Greve E a Siam-Util, onde os salários estão atrasados três meses _ que o pagamento dos salários dos últimos três meses. Nesse tempo, foram vivendo com vales semanais que nunca ultrapassaram mil cruzeiros, pedindo dinheiro emprestado aos amigos e parentes e, muitos deles, obrigados a irem a pé para o trabalho por falta de dinheiro da condução. E não há a menor disposiçao na volta ao trabalho. Ou o patrão acerta o pagamento todo. ou então fecha a firma, porque ninguém vai voltar ao trabalho sem o dinheiro», ameaçaram, ontem. Na verdade eles nâo agüentam mais as seguidas promessas da diretoria da empresa que, nos últimos dois anos, teima em atrasar o pagamento. Tanto que já paçalisaram os HUM... W0530 peoouro DOTEfcWO RICARDO CARVALHO trabalhos mais de quinze vezes nesse período e acusam os atuais diretores de incompetentes. lembrando que antes, há mais de três anos, os salários nunca atrasavam e estavam empregados mais de metalúrgicos. Hoje. sáo apenas trezentos. Em carta,ao ministro do Trabalho, Murilo Macedo, eles fazem um apelo para que não cheguem a zero. Tem gente até pensando no pior. Falam em desespero, fome e revolta. Do outro lado, algumas providências foram tomadas, como informar ao Batalhão da Polícia Militar dos acontecimentos e ter a segurança de ajuda, caso seja necessário. Os patrões, na verdade, não estão muito preocupados tf$êè0~ 1 com a greve em si e argumentam que conseguiram contornar o problema das outras vezes. O presidente da empresa, Mário Mori. não fala com a imprensa, mas o diretor-gerente. Walter Pelachin, disse ontem que acredita «no espírito de colaboraçâo dos operários, porque eles sabem que a Siam não pode pagar». Diz que quando o grupo comprou a empresa, há três anos, foi lesado e pediu concordata em fevereiro. Por causa disso, os bancos fecharam suas portas e «estamos fazendo os nossos maiores esforços para regularizar os meses de julho e j agosto», que arrancou o patético comentário dos operários: «Moço, não acredita. não. É tudo mentira». Campanha na rua leva 18 para a delegacia Dezoito metalúrgicos pertencentes ao sindicato de São Paulo foram presos, na manhã de ontem, quando distribuiam boletins sobre a campanha salarial da categoria, em frente aos portões da Philco, no bairro do Tatuapé. Afirmando que foram chamados por um vizinho da fábrica, incomodado pela bagunça que estava sendo feita, o tenente da polícia militar, que comandava os quinze policiais armados de revólveres e metralhadoras que compareceram ao local, encaminhou os trabalhadores à delegacia. Nem mesmo a presença do 2" secretário do sindicato, Manoel Luís da Silva, impediu o episódio. Depois de anotar os nomes de todos envolvidos a polícia liberou os trabalhadores e o material. SINDICALISMO Os perigos do "cupulismo" Outro problema, segundo Walter Barelli: a dispersão de esforços O problema essencial do sindicalismo brasileiro, sem dúvida, ê estar atrelado ao Estado. Apesar disso, nos últimos tempos os trabalhadores vêm conseguindo saltar os obstáculos que um estatuto padrão e ocasionais manobras do governo -, espalha ao longo do caminho. Porém, há um perigo, uma verdadeira tentação, rondando os sindicatos. Coisa que, na opinião de Walter Berelli. economista e diretor do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudo Sócio-Econômico (DlEESE), pode corromper alguns lideres: «É o fenômeno do cupulismo. O sujeito começa a subir e não quer mais deixar o sindicato. Começa a sonhar com a federação, depois com a confederação e, se possível, tenta chegar a unia ifederacão internacional». Essa. no entanto, ê uma questão posterior ao risco inicial, motivado pelo despreparo dos trabalhadores para assumir um sindicato. Ao falar para estudantes e agentes de pastoral, na neite de quarta-feira, na Faculdade de Teologia N. Sa. Assunção, no Ipiranga, Barelli contou què, para entender o funcionamento da máquina sindicai, o trabalhador geralmente demora os três anos de seu primeiro mandato. Trata-se de uma pessoa que deixa a fábrica para ser um administrador, obrigado a assumir uma série de coisas e que, fatalmente, acaba por tranformar-se num burocrata: «Ele tem que dominar uma linguagem própria, e isso tudo acaba fazendo com que o sujeito se distancie da fábrica e da categoria. E, o que é pior. ele descobre que JOSÉ MEIRELLES PASSOS acima dele está uma federaçáo e a confederação, e começa a transferir os problemas». Por outro lado, quem vence essa barreira corre, na opmiárj "rí-sços: de Barelli, outros dois o chamado «envelhecimento do lutador» e a redução da expectativa. Ou seja: a princípio, o novo líder entra de peito aberto na luta, «movendo céu e terça, promovendo reuniões de fábricas, de setores etc, com o ímpeto dos principiantes. Mas, ai. ele começa a levar porrada: perde uma questão Tia Justiça, vai preso, as coisas náo dão certo, náo saem como ele imaginava. Começa, então a chamada «domesticação sindical», e a tendência é ele ficar atrás de uma mesa. esperando que um dia as coisas mudem...». As entidades dirigidas, hoje, por líderes autênticos, bem formados, estão com um outro tipo de problema, como lembrou Barelli. «Estão vivendo de escaramuças, gastando força, desperdiçando munição nas lutas> mais diferentes. Ao mesmo tempo em que brigam por melhores salários, por creches, higiene, estão voltados para questões como a da anistia, carestia e até defesa dos recursos naturais. Essa é. hoje, a contradiçáo do sindicalismo brasileiro». Para ele, a dispersão,de esforços é muito grande porque não existe um programa definido, e os sindicatos ficam nas escaramucas, nas pequenas batalhas. Barelli acha que é hora de o movimento sindical estabelecer. bem claramente, os seus objetivos. SEXTA-FEIRA 5 DE OUTUBRO DE 1979 BETIM Piquete enfrenta forte repressão Fim da greve já é mais provável ÜCTAVIANO LAGE Ao contrário do que todos esperavam, inclusive os integrantes das comissões de greve, a grande maioria dos metalúrgicos que participaram da assembléia-geral de ontem, em Betim, decidiu continuar o movimento iniciado há 8 dias. Da assembléia participaram dois deputados paulistas, Aurélio Pcrez e Eduardo Suplyci, e da decisão, os operários passaram à ação, armando um «piquetão» na avenida Amazonas, que liga Belo Horizonte à cidade. O objetivo: parar os ônibus da Fiat que transportavam os operários cujo turno de trabalho se inicia às 14 horas. Mas a Polícia Militar também resolveu agir. Levadas em micro-ónibus, ônibus particular, pernas e rádiopatrulhas, as tropas chegaram ao ponto da avenida Amazonas onde estava o «piquetão», formado por cerca de 400 metalúrgicos. Bombas de gás lacrimogénio, de efeito moral e os enormes cassetetes de madeira, usado com violência, foram empregados para dispensar os operários. O piquetão estava em pleno bairro Amazonas, logo depois da Cidade Industrial. Nesse ponto, existe uma passarela construída para que os pedestrês nâo tenham de cruzar as pistas da avenida ao passar de um lado para outro. Sobre a passarela, estavam mulheres e crianças que observavam a atuação dos piqueteiros. A Polícia cercou a passagem elevada e usou contra os que estavam sobre ela a mesma violência empregada contra os operários. Mulheres e crianças também foram atingidas. A polícia prendeu pelo menos 10 operários, conforme informações de alguns piqueteiros. Mas nem a Polícia Federal, nem a Polícia Militar. o DOPS ou a Secretaria de Segurança informam efetivãmente o número de prisões, e onde estão recolhidos os detidos. Enquanto esses poucos «Kamikases-> ainda tentavam manter um movimento que já chegava ao fim, na Fiat o comparecimento de trabalhadores chegava aos Wc Na Krupp, a presença era menor, de cerca de 40% e a FMB, continuava representando o maior foco de resistência. Hoje, os metalúrgicos de Betim voltarão a fazer assembléia. Membros das comissões de greve acreditam que, desta vez, e ainda com a violência mostrada pela polícia, será possível conseguir o fim da greve. Mas a violência de ontem pode, também, recrudescer o movimento. Polícia evita ato público com Lula, no Rio Com o quarteirão cercado pela polícia e a proibição oficial do delegado regional do Trabalho. Luiz Carlos de Brito, o ato público convocado para a noite de anteontem, no Sindicato dos Metalúrgicos do Rio, em protesto contra as intervenções nos Sindicatos dos Bancários e no Centro Estadual dos Professores, acabou sendo cancelado. Dirigentes sindicais de outros p]stados como Olivio Dutra, dos bancários de Porto Alegre, Arnaldo Gonçalves, dos metalúrgicos de Santos, e Luis Inácio da Silva, dos metalúrgicos de São Bernardo chegaram a comparecer, mas a proibição oficial acabou frustrando também o encontro de Lula com Brizola (ao ato compareceram apenas três representantes do PTB). Mas os dirigentes sindicais aproveitaram para uma reuniào-balanço que varou a madrugada. píburòfibg Uma comissão a ser preservada EDJALMA CORREIA DA SILVA* As comissões de salário, tradicionais nas campanhas reivindicatórias dos sindicatos, sempre foram de existência efêmera. Ou seja, encerrado o movimento, com a fixação do reajuste e algumas condições de trabalho, elas são automaticamente dissolvidas. Parece-me que ninguém ainda atentou para a sua importância, deprezando-a como organismo dos mais representativos da categoria. Eis que é eleita em assembléia geral, órgão decisório máximo dos sindicatos. E por não se darem conta desse fato, ainda não houve empenho das entidades sindicais no sentido dé transformá-las : em organismos permanentes, com prerrogativas iguais às dos dirigentes formalmente eleitos. E há motivos de sobra pelos quais cabe a defesa dessa tese. Principalmente agora quando o governo cogita de alterar as regras da política salarial, reservando aos sindicatos maiores atribuições no taconte à fiscalização da sua aplicação correta. Efetivamente, ao que se deduz do projeto da nova política salarial, serão intrincados os seus mecanismos e, por isso mesmo, exigirão que os sindicatos estejam equipados técnicamente, assim como preparados para orientar os seus associados sobre a questão. Consequemente, será preciso que sua representação formal se amplie, agregando-se aos membros efetivos da diretoria trabalhadores esclarecidos e com disposição para o exercício das funções sindicais. Suponhamos, por exemplo, que a aferição do índice de produtividade do setor (um elemento a ser adicionado aos reajustes semestrais previstos no projeto do govemo) exija uma maior atenção de parte dos sindicatos e dos trabalhadores, como medida para se evitar fraude ou informação distorcida. Evidente que, sozinha, diretoria do sindicato não terá condições de realizar tarefa de tu! envergadura; sua execução dependerá de uma equipe bem maior, ligada à produção e familiarizada com os problemas dos locais de trabalho. De sorte que os membros da comissão de salário serão os mais indicados para esse desempenho. Considerando essa quêstão é que decidimos, este ano, pleitear estabilidade provisória à comissão de salário, a ser designada pela nossa assembléia do próximo dia 14. Normalmente, os sindicatos pedem o reconhecimento dos delegados sindicais uma reivindicação, sem dúvida, mais elevada, uma vez que implicaria uma fatal revisão da legislação sindical em vigor. A comissão de salários, existente já de fato e,reconhecida pelos patrões; durante as campanhas por novo reajuste, p bem mais modesta. Por isso, sua institucionalização é um problema apenas de bom senso de parte dos empregadores. Isto é. de entenderem que é ilógico admiti-la por apenas quinze ou vinte dias, enquanto o contrato salarial firmado sob sua égide tem duração de um ano. Portanto, tratase tão - somente de formalizar o que já existe de fato. E creio que os patrões entenderão isso, mesmo porque a aceitação da nossa exigência não lhes acarreta prejuízo nenhum.» Edjalma Correia da Silva è diretor de base (supente) do Sindicato dos Trabalhadores nas Indüstrias de Vidro e Cristais de São Paulo.

13 SEXTA-FEIRA 5 DE OUTUBRO DE ~ BEW& PÁGINA 13 CULTURA À ^ CADERNO sa * rr-±^skarrr ^-=a»v 7\.-\ -o rt. jrivo arisco Com a proximidade do verão, Severo Gomes, Fernando Henrique Cardoso e outros ricos de Picinguaba começam a temer, como se fossem personagens de Joseph Conrad, a invasão de seu paraíso por maléficos intrusos. Como não devem querer trocar de praia, vão acabar descobrindo que é mais fácil trocar o nome do lugar. Picinguaba, além dos inconvenientes da fama, tem uma perigosa conotação indígena. Pode despertar, por exemplo, o interesse dc Maureen Bisilliat. Pioneira do Xingu-chic, ela dificilmente resistirá a mais essa oportunidade de fazer antropologia glossy, lançando, então, para o mundo, o caiçara-chic. A troca do nome de Picinguaba não deverá apresentar a menor dificuldade para seus veranistas-latifundiários. Quando eles virem o rico Eduardo Matarazzo Suplicy mergulhando cm suas ondas muito exclusivas, todos terão encontrado, ao mesmo tempo, o mesmo nome. Picinguaba passará imediatamente, a se chamar Marbelo, um nome justo e tranqüilo porque as conotações espanholas, mesmo as ricas, não incluem mais qualquer problema. Elenco ampliado O Country e o Antonios ficarão vazios, esta noite, pelo menos durante duas horas. Todos os seus [freqüentadores estarão no cinema- que estreara República dos Assassinos, o mais novo filme de Miguelzinho Faria.semprc muito presente c sempre muito querido nos melhores endereços cariocas. Os espectadores dessa estréia terão uma surpresa das mais inesperadas quando notarem que Sandra Brca também está no filme. A supresa é inteiramente justificável. Até o dia em que Sílvia Bandeira descobriu que Jô Soares era mais engraçado, Miguelzinho Faria sempre deu a carinhosa impressão de que ela era a única atriz que seu filme mostraria. Novo companheiro Há vários motivos que fazem com que gente fina seja, realmente, outra coisa. Um deles é a coragem de suas convicções e preferências. Enquanto todo mundo mais continua vendo novela e dublagem na televisão, Elizinha Gonçalves, of Moreira Salles fame, agora só ouve rádio. IeLmò martinq Em perfeito estado As colunas sociais têm sempre muito espaço para enumerar as pessoas que almoçaram ou jantaram, na véspera, nos restaurantes a Ia mode da cidade. Por mais povoadas que sejam essas listas, elas nunca incluem nomes de atores c atrizes do nosso teatro. Dessa realidade só se pode concluir que ator c atriz de teatro não almoçam nem jantam. Ruthinéa de Moraes e Sérgio Mamberti deveriam investir nessa publicidade. Reservariam uma mesa no Davids. Mesmo que continuassem dividindo até a gorjeta, o acontecimento seria tão inusitado que poderia escapulir da coluna social e instalar-se numa manchete Primeira ceia Quando o Imposto de Renda recomeçar, no ano que vem, a devolver dinheiro, é inevitável que as cadernetas de poupança encomendem a Manuel Pedro (Neio) Pimentel todas as campanhas de publicidade destinadas a atrair para seus cofres esse dinheiro devolvido. Não há ninguém mais hábil, convincente e eficiente do que Neio Pimentel quando se trata de uma devolução Vo\ouvida Os críticos são tão desatentos que notaram o que nunca foi percebido pelos espectadores dos shows. Notaram que Ney Matogrosso canta. Notaram c premiaram. Ele acaba de ganhar o troféu Villa-Lobos como o melhor cantor do ano. Premiado, Ney Matogrosso anunciou que está planejando fase nova. Há grande curiosidade em torno dessa novidade tão difícil de adivinhar.ney Matogrosso já teve todas as fases que se considerava possíveis. A fase dos cosméticos, plumas, couro, medalhas, flores, correntes, moedas e chicotes. Nem Marlene Dietrich conseguiu tanta variedade. Muito antes das correntes e chicotes, ela se conformou com a sisudez de uma casaca com cartola. Les girls Fala de Belém c Rita Lee chegaram à conclusão dc que são adoráveis. Resolveram, então, cair cm mútua adoração, encerrando um absurdo desentendimento. Gal Costa e Simone ficaram tão enlevadas com as demonstrações de afeto c carinho permitidas por essa reconciliação que resolveram fazer as pazes, com igual efusão, embora nunca tivessem brigado. A veterana Maria Bethania c a novata Marina, também presentes a esse festival dc ternura, ficaram, sensatamente, imóveis em seu constrangimento. Desconfiaram de que, se inventassem uma reconciliação para uma falsa briga, acabariam provocando uma guerra que poderia ser confundida com a Terceira Mundial porque dc armistício inteiramente impossível. É claro que essa reunião de tantas e tão famosas cantantes só poderia ter como local um estúdio da rica Teve Globo. Elas estavam lá porque Malu Mulher, depois de constatar Gal, Bethânia, Marina etc, chegou à certeza dc que cantora é que é mesmo liberada. E com essa certeza obrigou Regina a cantar. TELEVISÃO Aflições de um candidato a Janete Clair Carlos Eduardo Novaes descobriu que o pior não é escrever novela para a Globo. O pior é ter de ouvir, nos corredores: "Aí,»» hein, aderiu à máquina... MARCELO FAGÁ. do Rio O primeiro obstáculo que um autor de novela iniciante deve estar,preparado para superar, tão logo assinc seu contrato com a Globo, é o de um certo tipo de assédio, de cunho ideológico. Especialmente se for um escritor reconhecido como politizado. Esse cerco, ao contrário do que se poderia supor, não lhe será imposto pela temível e poderosa emissora, mas pelos próprios fãs do seu trabalho anterior de escritor, cm geral convencidos de que novela é um gênero menor e. de que ele acaba de cometer uma intolerável concessão ao Sistema. Essa é, até agora, a experiência já adquirida pelo cronista Carlos Eduardo Novaes, que está escrevendo a próxima novela das 7, a que ele deu o titulo provisório de. Tom e Gely., Ao espalhar-se a notícia de que ele havia sido contratado, começaram as abordagens, indignadas ou cínicas, levadas a cabo muitas vezes nos próprios corredores globais, quase sempre por insuspeitos concessionários da "máquina" do sucesso, como uma das componentes do conjunto "Puxa, As Frenéticas; nunca pensei que você fosse entrar numa dessas", ouviu Novaes, surpreso, de uma das moças (não disse qual1). Para ele, esse tipo de questionamento é alimentado por um erro de avaliação: trabalho como "Meu cronista do Jornal do Brasil é político, como tudo no ; homem. E a única diferença para a TV é que a bitola da Globo é mais estreita que a do jornal, que por sua vez também está longe de per-. mitir que eu diga aquilo-que, gostaria. Então é só uma, questão de encontrar a medida exata. A concessão é a mesma".. Evidentemente, o irreverente Carlos Eduardo Novaes sabe que terá de se sujeitar a inúmeras limitações ao longo dos 150 capituíos da novela. Para quem, no entanto, se considera um autor mais censurado agora do que antes e afirma "a que abertura, pelo menos para mim, não existiu", escrever para o horário das 7 não trará maiores dramas dc consciência. Depois, ele repete a lição aprendida com Dias Gomes, segundo quem mais vale dizer uma frase para 30 milhões de pessoas do que fazer uma peça para uns poucos privilegiados. Em cinco anos de carreira, desde que surpreendeu,os leitores do sisudo JB corri crônicas de sátira politica, Carlos Eduardo Novaes, 40 ano >, já acumulou sucessos como autor de três best sellers, escreveu duas comédias e chegou a ser comparado pelos mais apressados/ a Stanislaiv Ponte Preta. Na verdade, ambos os estilos são opôstos, já que o falecido Sérgio Porto não utilizava o efeito surrealista para produzir humor, que é a marca registrada de Novaes. Certamente, ele é uma das pessoas que mais entrou e saiu da.. Globo - é a quinta vez que é contratado - porque, reconhece, não foi nada bem como redator de quadros humorísticos para a linha de shows. E atribui o fato à irresistível tendência dos diretores de TV, como Augusto César Vannueci, de achar que um texto de humor deve ser montado ao estilo das chanchadas da Atlântida, obrigando os atores a caretas e gestos largos.. Há duas semanas, Novaes recebeu o sinal verde para começar a novela, que vai estrear em janeiro. A história é basicamente a da sinopse que preparou há quaáeium ano, a pedido de Walter Avancini. O então diretor de novelas da Globo transmitiu-lhe alguns temptros imprescindíveis à obra, entre os quais a necessidade de a trama centrai envolver um casal que iem tudo para ficar junto íiesde o primeiro capítulo, fwmm^^&o^ímmmmmmm^^mwmmmmmmmw^mwê^^skuuwbbw0sbm^okêuê rmj" >» BSrt^KiK r Mm 110Iéí%ÍS lüfh WW?H Wf i inhffr^h K " KwmW m ^H^tT"; sèíf j^m\ <; jm H fal mm m * :ü ^^^Mmi mm^. * ^B w- ^M WÊM^^J&0em *!! mm$m?mwféwwtfáií:i: V.. A * NOVAES Um dos personagens, o sr. Ibope, já mas que, por uma série de aparentemente infindável série de percalços, só vai unir-se mesmo no último. Decidido a fazer uma novela de humor, de trama realista salpicada de elementos surrealistas, "como fazem no einema Woody Allen e Mel Brooks", ele bolou a Wstória de dois trapaceiros contumazes - Tom e Gely (Angélica) - que. vivem às turras. Uma de suas idéias, contudo, foi vetada de cara. A dc um personagem espúrio, vestido de preto, que interviria nas cenas desmanchando situações, como, por exemplo, a discussão interminável de um casal que se prolongasse por três ou quatro capítulos. "Seria a figura personificada do IBOPE", explica Novaes. Mas, segundo aconselhou Avancini, o personagem acabaria "dando u,m nó na cabeça do público da novela das 7". Uma ressalva coerente, admite Novaes, em se tratando de um esquema televisivo que "não trata o público como uma entidade únicç, mas como gostos divididos por horários". saiu de cena Mesmo assim, Novaes já preparou um arsenal de lances capazes de estimular d "distanciamento do público em relação aos personagens", para que a participação do espectador se dê de uma forma crítica. Será uma tarefa difícil, para quem entende, a.televisão como um "veículo que torna passivo o espectador, no máximo discutindo a história de dentro da história". Um efeito oposto ao dessa adesão irrestrita do público, ele pretende obter fazendo com que todos os personagens sejam "pilantrás, que não aparentam o que, na verdade, são: a velhinha de 74 anos que aparece fazendo cooper na praia e se transforma depois em chefe de uma quadrilha de velhos assaltantes, o dono de uma dedetizadora, o detetive mau caráter ou um próspero exportador de instrumentos de carnaval, que começou exportando triângulos e aimeja um dia chegar a exportar um carnaval inteiro. 0 Rio de Janeiro vai sef um importarite cenário para a história e já foi àté destacado o diretor de externas. Com base em uma diversificada experiência profissional de nove anos como funcionário da Petrobrás, o ex-dono de uma fábrica de picolés em Salvador e sócio de uma dedetizadora e repórter demitido, por incompetência, de dois jornais, Carlos Eduardo Novaes se considera uma pessoa "movida a desafios e psicologicamente preparada para a contingência de seu trabalho como escritor de nove- Ias sofrer intervenções". São as "regras contra do jogo", as quais não se pretende insurgir, "desde que as intervenções venham de pessoas mais experientes",, como o do autor de nove- Ias, Walter Negrão, que lhe dará uma mãozinha, por determinação do Boni. Talvez porque tenha dado a entrevista ao JORNAL DA REPUBLICA precisamente no dia de escrever o primeiro capítulo, Novaes ainda não tenha tido tempo para se deslumbrar com a perspectiva de escrever para milhões de pessoas. Até segunda ordem, portanto, ele prefere continuar sendo um cronista e se insurge contra a designação de noveleiro. NAZISMO o cinema ve nascer um monstro Bergman mostra como o ovo se rompeu e dele saíram Hitler e as legiões da SS. Palmari, modestamente, também abriu o ovo e viu nascer nosso fascismo caboclo. LUCIANO RAMOS Pode parecer heresia falar de uma obra de Ingmar Bergman ao lado de um filme de Roberto Palmari. Entre O Ovo da Serpente e Diário da Província, entretanto, nota-se muitos pontos de contato. Enquanto um focaliza Berlim de 1923, outro mostra uma eidade do interior de São Paulo no período entre 1929 e 1937, ambos preocupados em discutir a ges- tação de uma ditadura. Tanto o Estado Novo quanto o III Reich rjiistoricamente contemporâneos, aliás - são as grandes presenças, aqui exibidas em forma de embrião. A construção dos personagens e as estratégias dos dois roteiros mostram-se, porém, absolutamente opostas. Na capital do país, Bergman localiza um grupo de marginais que cai nas garras de um "cientista louco" ocupado em antecipar o que, mais tarde, viria a ser praticado nos campos de concentração. Com isso, o autor procura exprimir o clima de paranóia e desvario que preparou a ascenção de Hitler. Numa cidade do interior, talvez Rio Claro, Roberto Palmari coloca as figuras eminentes da sociedade local reagindo como podem às transformações econômicas!, e politicas do período. Á intenção do autor, neste caso, é mais ambiciosa: além de exprimir um clima, Palmari pretende descrever minuciosamente os momentos de um processo histórico, através da trajetória de um dos personagens. Trata-se de um político de carçeira (José Lewgoy) que adota o lema de "mudar para permanecer" e, assim, transita por diversas facções partidarias até desembocar no integralismo e obter uma nomeação como interventor do Estado Novo. José Lewgoy pode, então, revivertodos os vilões que jâ interpretou^ nas chanchadas da Atlântida compondo um tipo nojento capaz de babar e revirar os olhos, enquanto esfrega as mãos planejando as piores velhacarias. Isso indica uma boa dose de maniqueísmo que até os professores secundários já procuram evitar ao discutir história. A reconstrução cinematográfica do passado é sempre problemática porque a história é uma forma de conhecimento visceralmente ligada à palavra escrita, enquanto o cinema vive de som e imagem. Para que o filme não se reduza à um mero arremedo do ensaio acadêmico, ou uma espécie de western ideológico, seria preciso romper com a lincaridade do discurso escrito c abandonar o conforto do maniqueísmo sempre ligados às posturas moralistas que acompanham esse tipo de espetáculo. Bergman sabe disso porque tem o cuidado de reverter as expectativas, quando é obrigado a usar figuras demasiadamente marcadas. Por isso, o padre (James Whitmore) se esquece que está num confissionário e pede perdão a uma prostituta. O policial (Gert Froebe) se esquece que conduz um interrogatório, revelando ao preso que sente muito medo e não consegue mais dormir. Até o vilão científico (Heinz Bennet) mostra-se capaz de algunp carinho pelas vitimas. Com ele. o cineasta lembra que os lideres nazistas possuíam cérebros lúcidos, afastando a comodidade da crença que prefere considerá-los loucos c, portanto, irresponsáveis. Nada mais falso do que colocar na tela o próprio personagem histórico. Na sua caracterização, sempre há de faltar ou sobrar aiguma coisa. Felizmente, Palmari não cai nessa armadilha e resolve criar tipos fictícios,historicamente plausíveis. O problema é que eles são construídos com todas as características de classe - o que os aproxima perigosamente de pessoas que realmente viveram e torna previsíveis seus passos. Qualquer atitude inesperada, como a vingança do emigrante europeu (Átila Iório) acarreta forçosamente o descrédito da platéia. No outro extremo, para garantir um mínimo de credibilidade ao papel, José Lewgoy precisa falar o tempo todo, explicando verbalmente o personagem e chegando ao cúmulo dc discursar, até no isolamento da sauna ou do quarto de vestir. Apesar de tanta explicação, o cineasta paulista insinua uma certa simpatia pela elite proprietária das fazendas de café corporificada nos personagens de Ié^B Br.-.Sy^B BOM? ^B wmw^ Paula Ribeiro e Beatriz Segall. Operários e camponeses assalariados ficam inteiramente fora do filme _e, conseqüentemente, na visão que Palmari parece #r da história. Quando a matéria filmada se mostra como se fosse a própria realidade histórica, ou como uma janela aberta sobre o real, estamos diante de uma concepção idealista de história. Isso é o que vemos em.diário da Província, apesar da veracidade das informações por ele veiculadas. As figuras centrais de O Ovo da Serpente nunca apareceriam num livro didático, mas conduzem a reflexão e ao pensamento. David Carradine não precisa discursar, porque a tntensidade de seus olhares revela o absurdo do mundo que enxergam. Ele se acha absolutamente fora da sociedade alemã, na quali dade de americano, judeu, artista de circo, bêbado e desempregado. Um out sider completo que pode se mover no filme sem coloca- Io em contradição com o que efetivamente ocorreu na história, como faria um coringa no meio de um baralho. Liv Ullmann o acom panha nesta espécie de martírio onde Bergman rei terá a forma pessimista com que visualiza o destino da humanidade. Parece que cojoca suas próprias idéias na boca do médico monstro, que criou - provavelmente inspirado no Dr. Mabuse de Fritz Lang - "o para quem homem é uma aberração da natureza". Como Marlow, Goethe ou Mary Shelley, Bergman associa o saber ao mal, imaginando intelectuais só, capazes de gerar monstruosidades. No extremo oposto, Roberto Palmari cria um jornalista honesto e corajoso (Gianfrancesco Guarnieri) cuja imparcialidade política, aliada a uma crença mística no poder da imprensa,o tornam ingênuo e improvável, como um anjo. Muitos milhões de dólares separam os orçamentos dos filmes de Bergman e Palmari, é claro. Como vimos, entretanto, os princi pais problemas de Diário da Província se concentram no roteiro escrito pelo pró prio diretor. Nossas limitações no campo do cinema. não são apenas financeiras, mas também intelectuais. O ponto alto do filme de Paimari é a cenografia, toda ela montada na escolha rigorosa de locações incrívelmente belas e expressivas. Esse é o caminho aberto para quem rião pode, como Bergman, reconstruir em estúdio fatias inteiras do passado. mmmmmmmmmmmmmmmmmw$mmw& ^"< mmr i» jg^js vmmmmmmmtâmif*vz. ^^mm^ft W^ < > & ^^81 ÉP^; " I 11 Wr^wL ^M Wã mwl^mmmmw^mmmm MWmSMÊE m wsf Bf?=J Ektâs^flf *MB3f9&MiMtiMl MmmmmmamanmmMmwmmM Iffl Br^ljM ttto^-0^m 8mJk-n7-v ^TtÉÊ^Si^B m 8B mm Hp Br ^^âfi S»7"* mw" WÊ mmêfêêkimmêm vm kme, ^Mlíí^ mm ^ í*ípí3l^bffi«^ O OVO DA SERPENTE Liv Ullman contra a serpente: o absurdo do mundo que os cercam

14 SEXTA-FEIRA 5 DU OUTUBRO DU PÁGINA 14 -REPÜBLÍQV- m < BOAVIDA i.» 1 «DIÁRIO DA PROVÍNCIA Dc Roberto Palmar! (Brasil, 1979) A história politica dc São Paulo, entre a crise dc 29 e o inicio do Estado Novo, faz pano dc fundo para a asecnsào de um politico carreirista (Josc Lcwgoy), cujos podres são denunciados por um jornalista (Gianíranccsco Guarnieri). Tambctn no elenco: Beatriz Ribeiro. Ouro, Bristol c Del Rey. Horário: normal (16 anos). TUDO BEM NO ANO QUE VEM (Same Time, Next Ycar) De Robert Mulligan (EUA, 1979) Versão cinematográfica da peça de Bernard Slade (autor, também, do roteiro), encenada no Brasil com Glória Menezes c Tarcísio Mcira. Um homem c uma mulher se conhecem num hotel na Califórnia c passam a encontrar-se uma vez por ano durante 26 anos. Metro II c Gemini I Horários: ]4h30, I7h, 19h30 c 22h (16 anos). AQUELAS ESTRANHAS OCASIÕES (Quelle Strane Ocasione) De Luigi Magnk, Luigi Comencini c um anônimo (Itália, 1977/78) Filme em três episódios. O primeiro, sobre um garanhao italiano que vive dc vender castanhas em Amsterdã. O segundo: um homem maduro c bemcomportado às voltas com uma desinibida adolescente sueca. O terceiro, que mistoriosamente nào é assinado, mostra um padre e uma moça presos dentro dc um elevador, durante três dias, fon^"j Voltou Violência e Paixão, de Visconti. As reprises continuam superando as novidades Silvana Mangano e Com Nino Manfredi, Stefania Sandrelli e Alberto Sordi. Gazctinha, Paissandu (Sala Império), Regina c Coral II. Horários: 14h30, 17h, 20h c 22hl5 (18 anos). + O DETETIVE DESASTRADO (The Chcap Detectivc) De Robert Moorc (EUA, 1978) ^OSS4ELHQRE3 Comédia satirizando os detetives vividos por Humphrcy Bogart. Boa parte do humor se perde, portanto, para os que não vi- ram esses filmes. Com Peter Falk. Ipiranga 2 c Splendid Horários: 13h30, I5hl5. 17h, 18h45, 20h30e 22hl5 (livre). 007 CONTRA O FOQUETE DA MORTE (Moonrakcr) De Lcwis Gilbert (Estados Unidos) Helmut Berger, no Bijou Neste ll9 filme da série James Bond enfrenta outro maníaco disposto a conquistar o mundo. Desta vez, é um industrial americano que pretende destruir o planeta c por isso é perseguido, Io famoso espião através do Rio de Janeiro, Paris, Veneza, América Central e da Lua. Completando o exótico roteiro turístico, a arma esco; Ihida para destruir a Terra é uma orquídea venenosa. Brasileira, é claro. Com Roger Moore c Richard Gill Palmclla, Copan, Gazeta c Cal Center. Horário: 14h45, 17hl5, 19h45 e 22hl5 (14 anos). +EU ESTOU COM MEDO (Io Ho Paura) Dc Damiano Damiani (Itália, 1977/78) Um filme politico no qual Damiani demonstra nào ter medo de supor ijuc o terrorismo italiano esteja subvencionado por elementos do próprio governo. O mesmo diretor de Confissões de um Comissário de Policia a um Procurador da República. Como sempre, o papel principal fica com Gian Mana Volonté, que, desta ycz^ interpreta um policial. Com roteiro de Nicola Badalucco. No elenco, Erland Josephson, Mario Adorfe Angélica Ippolito.,,.. Belas Artes (Siüa Mario dc Andrade) Horário: 141,30, 17h, 19h30 c 22 horas. (18 anos) + OS OLHOS DE LAURA MARS Dc Irvin Kcrshner (Estados Unidos) Os olhos dc Laura Mars enxergam crimes antes dc acontecerem. Laura é Faye Dunaway, uma fotógrafa que, através de poderes extra-sensoriais, consegue ver o assassinato exatamente como é visto pelos olhos do assassino. Ele, evidentemente, fica escondido até o fim, porque este é apenas um filme dc mistério - se isto não ofender Hitchcock. Astor. Horário: 13h39, 15h40, 17h50, 20hc22h(14anos). ESPECIAIS * O CAMPEÃO (The Champ) De Franco Zeffirelli (Itália) Imbativel em matéria de lágrimas provocadas na piateia,, este filme de Franco Zeffirelli (Romeu e Julieta). A tutela de um garoto é disputada por um lutador de boxe e sua ex-esposa. Com John Voight, Faye Dunaway e Rick Schradcr. Metro I c Gemini II: 14h45, I6h50, 19h25 c 22h. Gazetão: 14h30, 17 li, 19h30 e 22h. Censura Livre. JeatrO - nu i iiiiiiinii i mi n nu i n "Carga Antônio Fagundes estaciona o caminhão de Pesada c enfrenta um texto de Lauro César Muniz U"^T«rn_*T*_l"»yj_!_-rT_ffft1 --intr^-n J ^^^^^ ^"^^S^-i^^Mm -._. «$S_p _!< STklVê_M&_KNí_p_^W;H.v^.Lx-._ Í\^í *Tl_Í ru> &^V\ V^ - I - ^BtW3PWlTaffMÍffHaVff^ MOCINHOS BANDIDOS Dc Fauzi Arap Teatro Sesc - Anchieta (r. Dr. Vila Nova, 245) Brasil, ano de Os personagens falam _dc tortura, drogas, repressão, politica, triângulos amorosos, futebol e televisão. Bruna Lombardi c a mocinha que contracena com o bandido Carlos Alberto Riccelli. Amilton Monteiro, José Fernandes de Lira, Umberto Magnani c Walderez dc Barros completam o elenco. Direção dc Fauzi Arap. De 4? a 6, is 2Ih; sábado, às 20 e 22h; c domingo às 18 e 21h. Preços: CrS 200, CrS 100 (estudantes) c CrS 60 (comcrciàrios); sexta e sábado, CrS 200 (único) 16 anos. * SINAL DE VIDA De Lauro César Muniz- Auditório Augusta (r. Augusta, 943) O autor tenta questionar a sua geração, aquela que rcsolvcu ganhar dinheiro e enterrar os ideais. Sincero, cmbora parcial. Em todocaso, um ensaio dc discussão sobre a repressão c o arrivismo dos intelectuais que trocaram a luta pelo sitio com piscina. Com Antônio Fagundes, Kate Hanscn, Marlene França, Cléo Ventura, Sadi Cabral, Maria Rita c Bruno Barros. Direção de Oswaldo Mendes. De 4» a 6Ç, às 21h; sábado, às 20 c 22h30; domingo, às 18 c 2íh. Preços: CrS 200 c CrS 100; sexta c sábado, CrS 200, 18 anos, A FALECIDA De Nelson Rodrigues Teatro Popular do Scsi (av. Paulista, 1313) A infeliz Zulmira, doente, quer que o marido, desempregado, satisfaça o seu úl- tinutdcscjo, através do qual espera compensar todos os infortúnios: um enterro de luxo. Direção dc Osmar Ro drigues Cruz. Com Nilzc Silva, LuJ_ Parreiras, Paulo Prado c outros. Dc4* a 6, às 21 li; sábado e domingo, às 18 e 21 h. Entrada franca. (Os ingressos devem ser retirados na bilhoteria do teatro das 9 às 12lve das 14 às 18h). 18 anos. * NA CARRERA DO DIVINO Pessoal do Victor Teatro Eugênio Kusnct (r. Teodoro Baima, 94). Baseado no livro Os Parceiros do Rio Bonito, dc António Cândido, este espetaculo pretende mostrar a cultura caipira, sem mito e sem folclore, e também discutir or, problemas do homem do campo. Fascinante. De 3 a 6?, às 21 h; sábado, às 20 c 22h30; e domingo, às 18 e 21h. Preços: CrS 60 e CrS40. *É SÓ ISSO QUE EU SEI, PROFESSOR De Silvia Poggetli Teatro Igreja (r. 13 de Maio, 830). Silvia Poggetji adaptou textos dc José Maria Firpo, um professor uruguaio que selecionou redações de seus alunos denunciando os desajustes familiares num mundo de extrema miséria e marginalidade. Nó elenco, Diana Machado, Janô, Sílvia Poggetti e Vicente Parizi. Direção dc Horácio R. Viola. De 4 a sábado, ás 2lll, c domingo às 18 e 21 li. Preços: CrS 120 c CrS anos. * SALVE-SE QUEM PUDER.. De Álvaro Alves de Faria Teatro Alfredo Mesquita (r. Sta. Madalena, 275, tel ). Premiada em 1973 pelo Conselho Estadual de Cultura, a peça Salve se Quem Puder, que o Jardim Está Pegando Fogo foi proibida c só agora pôde ser montada, sem nenhum corte. Quatro pessoas, num calabouço, re lembram o mundo de violôncia que os envolveu em determinada época. Direção de Ivo Henrique Treff. Com Antônio Veloso, Míriam Martincz, Carlos Roberto Coelho (que fez também, as músicas do espetáculo) c Deivi Rose. Dc4» a 6», às 21 h; sábado, às 20 e 22h; c domingo ás 18 c 21h. Preços: CrS 150 e CrS anos. * TIETÊ TIETÊ Dc Alcides Nogueira Pinto Stúdio São Pedro (r. Albuquerque Lins, 171, tel ). Uma revisão critica do Modernismo e das revoluções políticas c estéticas feitas no pais. Mostra, também, através dc linguagem de Oswald de Andrade, o colonialismo cultural. Direção dc Márcio Aurélio. Com o grupo Os Farsantes (Cecília Camargo, Edith Siqueira, Júlia Pascale, Marceio Almada e outros). De 4? a 6, às 21 h; sábado ás 21 e 22h30; domingo às 18 e 21 hs. Preços: CrS 120 e CrS 60 (18 anos) + TREZE De Sérgio Jockyman Teatro Paiol (r. Amaral Gurgel, 164. tel ). Dois homens, um executivo e seu motorista, se voem envolvidos subitamente pelo mesmo problema. Um cartão de loteria é o artista principal. Direção de Antônio ^í*-^ l^-""r^ **- W?.^.w*? Abujamru. Desempenho excelente de Rubem do lalco c Paulo Goulart De 4» aó^ás 2lh30. sábado às 20ÍÍ30 e 22h30, c domingo, às 18 c 2IH anos. Preços: CrS 200 e CrS 100. * VEJO UM VULTO NA JANELA, ME AÇUDAM QUE SOU DONZELA. Dc Lcilah Assunção Teatro Aliança Francesa (r. General Jardim, 182, tel ) Um grupo dc moças con finadas num pensionato discute pequenos sonhos, en quanto na rua uma classe média exaltada marcha com Deus Pela Família e a Liber dade. Direção dc Emílio Di Biasi. Com Yolanda Cardoso, Ruthinéia de Moraes e Cláudio Melo. De 4 a 6 às 21h, sábado ás 20 c 22h30; domingo às 18 e 21h. Preços: CrS 200 e CrS 100 (estudantes); sexta-, sábado. CrS-200 (único); quarta CrS 100 c CrS anos. * É Dc Millôr Fernandes Teatro Maria Delia Costa (e. paim, 72, lei ) Independente de qualquer outra consideração, um es pctàculo com Fernanda Montencgro e Fernando Torres, o que significa interpretações brilhantes. Ambos discutem problemas conjugais segundo a ótica sutilmente conservadora do au tor. Um sucesso, que ainda conta com o bom desempenho dc David José. Direção de Paulo José. Dc 4«a 6*. ás 2lli; sábado ás 20 e 22h30, e domingo às 18 e 21li. Preços: CrS 200 e CrS 100; 6 e sábado, crs 200. i i t t Lobos), Belas Artes Centro 1 e Ibirapuera 1. Horários: 14h30, 17h, 19h30 e 22h (18 anos) THEMROC Dc Claude Faraldo (França) Filme escrito c dirigido por um operário, sobre um outro operário que se tranca em casa e começa a ter um VIOLÊNCIA E PAIXÃO (Gruppo di Famiglia in un Interno) De Luchino Visconti (Itália, 1974) Um velho e solitário professor se vê forçado a alugar um apartamento, no prédio onde mora, para uma família burguesa dc hábitos pouco convencionais. E, aos poucos, acaba sendo envolvido por essas pessoas, de tal forma que a sua vida nunca mais será a mesma. Com Burt Lancaster, Silvana Manganô e Helmut Berger. Bijou Horário: normal (18 anos) *0 OVO DA SERPENTE (Das Schlangenei The Serpenfs Egg) De Ingmar Bergman (A. Ocid./EUA, 1978) Um judeu americano envolve-se em misteriosos assassinatos que ocorrem na Berlim dos anos 20, como parte de experiências pseudocientificas Uc inspiração nazista. Belas Artes (Sala Villa- comportamento absolutamente estranho. Em 72, quando fez o filme, Faraldo tinha 34 anos. Com Michel Piccoli c Boatrice Romand. Vitrini Horário: 14h45, 17hl5, I9h45 c 21hl5 (18 anos). * MORANGOS SILVESTRES Dc Ingmar Bergman (Suécia, 1957) A obra-prima de Bergman. Sobre um velho professor que viaja dc carro com a nora para receber um título honorífico e durante o trajcto reflete sobre a sua existência. Arouehe B Horário: 18hl0, 20 c 22h. (14 anos) VIGILANTE RODOVIÁRIO Museu Lasar Segall (r. Afonso Celso, 362), às 21h. Vários episódios do primeiro seriado brasileiro para fi televisão, contando histórias do Inspetor Carlos e Lobo, seu cão amestrado. A direção é de Ary Fernandes e no elenco estão Carlos Miranda. Rosa Maria Murtinho, Ari Toledo, Tuca e o "Lobo". cão policial Entrada franca. MOSTRA DO CINEMA BRASILEIRO Cinesesc (r. Augusta, 2075), às 14 h. Programa duplo: São Paulo S/A, dc Luis Sérgio Person (65), com Walmor Chagas, Eva Wilma, Ana Esmeralda, Otclo Zcl,oni c Darlenc Glória; e A Hora e a Vez dc Augusto Matraga, dc Roberto Santos (66), com Leonardo Villar, Joffre Soares, Maria Ribeiro, Maurício do Valle c Flávio Migliaccio. Também no programa, o curta-metragem: Teremos Infância, dc Aloysio Raulino. Preços: CrS 50, CrS 25 (cstudantes) c CrS 20 (comerciários) + FESTIVAL DO CINEMA BRASILEIRO Cinesesc (r. Augusta, 2075), ás 20 e 22h. Hoje, Gargalhada Final - direção, argumento e roteiro de Xavier de Oliveira. Com Fregolente, Stephan Nercessian e Denise Bandeira. No programa, o curta-metragem A Mulher de Corpo Santo, de Haroldo Marinho Barbosa. Preços: CrS 50, CrS 25 (estudantes) e CrS 20 (comerciários). Octávio Araújo reuniu a sua melhor produção (pinturas e desenhos) dos últimos dez anos. Na galeria André 15«BIENAL INTERNACIONAL DE SÁO PAULO Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera. Transformada hoje cm mera feiia de amostras, segundo alguns, ou num caótico museu, segundo outros, a Bienal procura recuperar o antigo prestigio convidando 109 artistas premiados anteriormente. 32 mil metros quadrados abrigam uma salada de estilos, temas, técriicas, gêneros, tendências, modismos e nacionalidades (dos 268 participantes, 147 são estrangeiros), permitindo assim que se ponha para tocar, uma vez mais, o idoso.realejo da "crise da arte contemporânea". Importanto: os carrinhos de pipoça não fazem parte da exposição. Até 9 de dezembro, de 3 a domingo, das 15 às 22h. Estacionamento grátis. SEGALL OBREIRO Museu Lasar Segall (r. Afonso Celso, 362/388). EM CARTAZ Na tentativa dc apresentar uma outra visão da obra de Lasar Segall, esta exposição procura, segundo seus organizadores, quebrar um pouco o "bom gosto" das montagens tradicionais. Assim, todas as paredes foram cobertas na horizontal c na vertical, misturando técnicas, temas c épocas, rrum mosaico desordenado que pretende, inclusive, recompor o universo do artista cm seu ateliê - ou seja, ressaltar o aspecto "operário" dc Lasar Segall. As terças, quartas, quintas e domingos, das 14h30 às 18h30, e às sextas e sábados, das 14h30 às 22h. Até 23 dc setembro * OCTAVIO ARAÚJO André Galeria de Arte (ai. Jaú, 1.795). Octavio Araújo, um dos mestres do surrealismo na- cional, reúne 37 pinturas e 8 desenhos que produziu entre 1968 e Até dia 13. il LUIZ GE. i

15 .. «SEXTA-FEIRA 5 DE OUTUBRO DE 107»; pjepüblíqv BOAVIDA PÃO! NA 1-J "JelevisãQ Show & músic/\ A Sessão Terror do 4, esta semana, é realmente de meter medo. Fique com o Drácula de Tcrence Fishcr, no 5 BUFFÁliO BILL ll.ultnlo Bill) Dc William Wdlman (EUA. 1944) Faroeste sobre a \ida do lendário (c mentiroso) Wil liam Códy, sjmbolo da de vasiaçào branco no conti nenie americano, O diretor. especialista em filmes de aviação, tem pelo menos uma obra excelente em sua carreira: Consciências Mor tas (The Ox bòw Incidcnt), produzido imediatamente umes deste DulVulo Bill. O ex guia. ex aniquiladpr, de búfalòs e ex negociador com os Índios foi biografado de pois por Robert Altman (BufTalo Bill and The In dians) com resultados ape nas razoáveis. No elenco desta versão (44). Joel Me Creu. Maur.cn 0*llur;i. Linda Darnell. Thomas Mit chcíl. Edgard Buchanan e Anihony Quina em começo dc carreira. I3h. no Cinema Livre do 4 * O FOGUETE ERRANTE (Hiívc Rockel. Will Travei) De David Lowell Rich (LUA. 1959) Uma das melhores corne dias dos Três Patetas, com um humor que nào é sò vio lento, como em outros filmes do trio. Lies sào serventes num laboratório de foguetes e acabam parando acidental mente em Vènus. Voltam à Terra acompanhados por um Unicòrriio. I4h45. na Sessão da Tarde do 5 O DILEMA ÜL UM MÉDICO (Doctor*s Dilema) De Anthonv Asquith (Ingla lerra. 1959) Os cowboys tiram ferias e a Record oferece esta surpresa, uma boa comédia de humor negro baseada em peça de Bernard Shuw. Na Inglaterra vitoriana, a mu Iher de um pintor túbereuloso tenta salvar o marido pedindo ajuda a três medi cos. No eleneo. o excelente Dirk Bogarde (Providence). Leslie Carón. Robert Mor ícy. 2llí, no Cinema Especial do 7 *C1NC0 AMORES llivc lingers Exercise) De Daniel Marin (LUA. 1962) Drama precursor do explosivo Teorema (Pasolini). baseado em peça de Peter ScliafTer (Equus). Um pro fessor alemão passa férias com uma família americana e bagunça todos os corações. Nào espere nenhuma ousadia. Com Rosalind Russell. Maximilliam Schell, Rie h a r d Be y m e r. J a e k llawkins. 2j li 15", no Palma de Ouro do 11 12h00 - É Hora de Esporte 12h45 - Jornal da Cidado 13h00 - Hoje e Agora (revista feminina) 13h30 - Telecurso 2P Grau 14h15 - Música & Músicas: Vittal Farias. 15h15 >- Mobral 15h45 - Telecurso 2"> Grau 16h30 - Ginástica pela TV 17h00 - Hatha loga 17h30 - A Turma do Lambe Lambe (infantil) i 18h15 - Hoje e Agora (revista feminina) 18h45 - Desenho Técnico- Mecânico 19h00 - Hora Agrícola 19h15 - Telecurso 2» Grau 20h00 - Hora da Notícia 20h3O - Panorama 21h00 - Boca do Povo 21h30 - É Preciso Cantar 22h30 - TV2 Notícia 22h40 - Campeonato Mundial de Basquete Interclubes 4 09h45 - Inglês com Fisk 10HOO - Clube 700 (religioso) 11hOO Mobral 11h15 - Arco-íris (infantil) 12h00 - Meio-Dia (jornal) 12h55- Mafalda (desenho) 13h00 - Cinema Livre: Buftalo Bill 14h55 - Mafalda (desenho) 15hOO - Mulheres 16h55- Mafalda (desenho) 17h00 - Terra de Gigantes (seriado) 18h00 - A Hora da Aventura: Perdidos no Espaço 19h00 - Dinheiro Vivo 19h46- RTN Na-onal (jori nal) 20h00 - Como Salvar Meu VICENTE.IRANCISCO. PAULO E OUTROS (Vincent, Fróriçois, Paul et les Autrcs) De Claude Sautet (I rança/1- tália. 1974) Bom drama de um diretor dos mais prestigiados na França, Três amigos de in làneia continuam se reu nindo e trocando problemas. Vincent é um industrial em crise. Françpis um médico sem inspiração e Paul um romancista frustrado. Com Vves Montand. Michel Pie coli. Serge Reggiani. Gérard 23h, Depardieu. no Cinema na Madrugada do 13 FILMES O ANJO DA MORTE (Smrt si rika Englecheii) De Jan Radar e Limar Klos (Checoslovâquia. 1963) Drama de guerra da famosa dupla de A Pequena Loja da Rua Principal. Mostra a luta de um jovem casal contra a invasão na /ista. Lia é uma prostituta que se vende aos alemães em troca de informações para a resistência. Lie é uni purtisan encarregado de dili eeis missões. O Anjo da Morte e um oficial fanático da SS. Nào é um filme glori ficáçào do heroísmo, mas de discussão do sentido da guerra. -Radar fugiu da Checoslovâquia durante a invasão soviética de Com som original e legendas em português. HAPPY DAYS \/OÜ S R quando M/\L(J-MULU)ER; MULHER BlÒM\Cr\y MAÍ-lAVIl^A, OU LIS. E&A MÜUfR? 21h00-21h50-23h : 23IÍ30, no Cinema de Arte do -1 HORROR DL DRÁCULA (Morro of Dracula) De Terenee Lisher (Ingla terra. 1958) Adaptação liei da obra original de Stoker. Um agente imobiliário vai a Iransilvània fazer negócios com o conde Drácula e descobre que ele é um vampiro. Com Peter Cushing. Chrisiopher Lee. Michael Cougli. Melissa Siriblmg. 00h30, no. Coruja Colorida do 5 iva FERA DE MARROCOS (Horid Night) De Fréderic Good (Ingla terra. 1966) Terror sem grandes quali dades. Um explorador inglês vai ao Marrocos, onde e atraído por uma princesa vampiro e cai numa cilada. Com William Sylvester. Diaiié Clara. Alzira Gur. Edward Uriderdown, Terence de Marney. William Dexter. 1 li, na Sessão Terror do 4 * O LADRÃO QUL VEIO JANTAR (The lliief Who carne to diu ner) DcBud YorkinlEUA. 1973) Comedia sofisticada de autor talentoso. Ryan O Nêal e um recém divorciado que larga o emprego de ana lista de computador para PROGRAMAÇÃO Casamento Gaivotas Clubo dos Artistas Cinema de Arte: O Anjo da Morte. Sessão Terror: A Fora cio Míirrocoü 07h00 - Bom Dia São Pau- Io 07h30 - Telecurso 2? Grau 07h45 - Bom Dia São Pau- Io 08h15 - Educativo 03h45 - O Sitio do Picapau Amarelo (reprise) 09h15 - Filmoteca Global 10h45 - Globinho 11h00 - Mundo Animal 11h30 - A Feiticeira 12h00 - Os Flintstones 13h00 - Globo Esporte 13h15 - Hoje 14h00 - Estúpido Cupido 14h45 - Sessão da Tarde: O Foguete Errante 16h30 - Semaninha Um: Nascidos ao Vento (5 parte) 17h00 - HB 79: Fantasmino 17h15 - Globinho 17h30 -. O Sítio do.picapau Amarelo 18h05 - Cabocla 18h50 - Jornal dás Sete 19h05 - Marron Glacê 19h50 - Jornal Nacional 20h15 - Os Gigantes 21h00 - Sexta Super: Alerta Geral 22h00 - Plantão de Policia 23h00 - Jornal da Globo 23h30 - Semana Um: O Despertar da Terra (5* parte) 00h55 - Fime: Horror de Drácula 02h30 - Baretta. 03h20 04h10 05h55 07h35 09h05 10h h1 5 1Íh45-12h00-13h30-14h00-15h30-16h30 I7h30 18h00-18h30 19h55 20h00-21h00 23h00 14h30-15h00-16h00-17h00- Kojak Filme: Voar ó Com os Pássaros Filme: O Ladrão Que Veio Jantar Filme: E o Bicho Não Deu Festival de Desenhos Lar, Doce, Lar Todos Cantam Sua Terra Record nos Esportes Papa Léguas (desenho) Os Caretas (desenho) Porky Pig (desenho) Bat Fino (desenho> O Homem de Ferro (desenho) Maguila, O Gorila (desenho) Super Hobin Hood (desenho) Poderoso Thor (desenho) A Princesa e o Cavaleiro (desenho) Pica-Pau (desenho) Popeye (desenho) Os Invasores (seriado) Pica-Pau (desenho) Smith e Jones (seriado) Cinema Especial: Dilema de um Médico Campeonato Mundial de Basquete Interclubes 11 15h55 - Lealdade e Constância, roubar jóias. Com Warren Outes e a mulher descasada Jill Clayburgh , no 5 * VOAR É COM OS PÁSSAROS (Brewster McCIoud) De Robert Altman (LUA. 1970) Um filme delicioso que o programador da Globo íez o iavor de colocar nesle lio ràrio bunda para que so ele assista. Realizado logo após M.A.S.M.. é uma das mais agudas sátiras filmadas so bre as instituições america nas. Buddy Cort é um ga roto que pode ser um pás saro e que conspira com Sally Kellerman, um pássaro que pode ser mulher. Pcs soas aparecem mortas, cheias de excremento pelo corpo, enquanto o ridículo detetive Shuft. de Los Ange les. lenta esclarecer o caso. Cm filme anárquico, poético.muito acima de algumas produções aluais de Altman. 04hl(). no 5 I O BICHO NÃO DEU De J.K. lankol Brasil. 1958) Ankito e um policial da repressão ao jogo do bicho que perde a memória e cria confusões. No elenco. Cosii nha. Grande Otelo e Paulo Goulart, Taiiko e especialista em chanchadas. Ó7ll35. no 5 MIGUEL PAIVA \*"* KmJt XJT JL Y^ lilj A, 16h00- Clarice Amaral em Desfile 18h30- Programa Educativo 19h00 Tavares de Miranda 1 9 h Sobrevivência: Episódio: 0 Grande Bommio 19h45- Will Sonnet (seriado): A Órfã 20IH5 - Gazeta Noticias 21h15 Palma de Ouro: Cinco Amores 23h00 Torneio Nakata (futebol amador) 11h15 Pullmann Jr (in- 11h45 - fantil) Os Mozzarelas 12h45 - Esporte É Com a Bandeirantes 13h00-13h30 - Primeira Edição Revista Feminina 14h55 - Xênia e Você 16h20 - Mary T. Moore (seriado) 16h50 - Pullmann Jr. (circo) 17h20-17h55-13 Batman (seriado) Homem das Montanhas 19h0Ó - Cara a Cara 19h45 - Jorna! Bandeirantes 20h05 - Os Biônicos (Ciborg e Mulher Biônica) 21h10 Moacir Show Franco 22h10 - Arquivo Confidenciai: Rqsendhal e Gilda Stern estão Mortos 23h10- Cinema na Madrugada: Vicente. Francisco, Paulo e os Outros V-** "V O Comitê Brasileiro pela Anistia homenageia os que saíram das prisões ou voltaram do exílio. Só hoje, no TOCA * TREM FANTASMA i: OUTRAS DANÇAS Célia Gòuvéti e Maurice Vaneau Dirigido e produzido por Vaneau. com coreografia de Célia Gouvca: O programa DANÇ/VC se compões de Limites, com música eletroni/ada de Eric Satie, e Rui/., com percussão de Dinho do Nascimento. O espetáculo está sendo apre sentado de 4- a domingo, até o diu 14 de outubro. IBC (rua Major Diogo tel ). ás 2lll30. Preços: CrS 150 e CrS 70 ^^ ^^^^^^8g TEMPORADA LÍRICA MUNICIPAL DL SAO PAULO 1L BÂRBIERE Dl SIVI GLIA teatro Municipal, as 21 li de Beaijinarchais. o livreto de Cesare Dividida e em dois regida por Giun- Masini. Cenografia Aldo Calvo. CrS 35 (anfiteatro). (galeria). CrS 165 fover). CrS 240 simples) e CrS 450 Passando do teatro para a ópera. Silney Siqueira dirige II Barbiere Di Siviglia, de G. Rossini. baseada na peça liouionimii segundo Slerbini. atos. e franco Je Preços; CrS 50 [cadeira! balcão (poltroiv a e balcão nobre). frjsj *ijí^ pfi W^YjmS^^y^^^ÊÊ^^^!^^^ :$4. * GRUPO TARANCÔN Teatro da Fundação Getúlio Vargas (av. 9 de Julho, tel ), as 21 horas, até domingo. Show de lançamento cio 3" LP - Rever Minha lerra - deste grupo formado por Lmilio Nieto (violão, viola e canto). Halier Maia (violão. flauta e canto). Jair do Nascimento (tumbadoras. percussào e canto), Miriam Pe droso (violão, viola e o canto) e Sérgio Feres (vio lào. viola, percussão e canto). O repertório inclui musicas de Carlos Pueblás (Cuba). Violeta Parra e Vic tor.iara (Chile), Darlan Marques. Milton Nasci mento e Fernando Brandi, além de composições do próprio grupo, como Lejania, de Jair do Nascimento e Alfredo Juan. e Madrugada Camponesa, música de llalter Maia sobre poema de Tliiàgo de Mello. Preços: CrS 150 e CrS 100. Até dia 7. ZÉ KET1 Ópera Cabaret (r. Rui Bar * SI IOVV DA VOLTA TUCA (r. Monte Alegre lei ). as-2lh Somente hoje, um show dedicado a todos os que sairam recentemente das prisoes políticas ou os que yol taram do exilio. Xangó da Mangueira. Maurício Tapajòs, Geraldo A/evedo. Llton Medeiros. Cristina. Nòveli. Nelson Ângelo. Nave Pirata (conjunto musical) e Chiqui nho (irmão do Ilenlil) são alguns dos nomes que canta rão a liberdade nesta nova promoção do Comitê Brasi leiro pela Anistia. Preços: CrS 150 e CrS 100 ORIGINAL JAZZ BAND Barbadinho (r. Barão do OCTÂVIO BURN1LR (Dança In f e mal) - Philips/Polygran. Há carreiras que passam publicamente despercebidas. Poucos deverão lembrar-se dos compositores e cantores de Ficaram Nus. do [-estivai Abertura, de 75. maldosamente apelidados de "dupla relojoeira". pela má conjunçào eufõnica de seus sobrenomes. Burnier e (Cláudio) Curtier. Pois bem, estes rarós.-memorialistas podem arquivar tal ficha e abrir outra. mais promissora, exclusiva para Octávio Burnier. Carioca, 27 anos, sobrinho tanto do soturno brigadeiro Burnier. do caso Para-Sar. quanto do mestre violonista Luis Bonfá. da bossa nova. o pará-quedista Octávio é um músico diversificado e talentoso. Instrumental mente, prefere as cordas, do violão á guitarra, mas ainda soma o apoio harmônico com as artes de arranjador e regente de todas as faixas do disco. Linguagens sonoras, ele nào dispensa nenhuma, da dissonància erudita contemporànea ao ehorinho acústico, do jazz à diseotéque. Artieulado por Burnier. ponto convergente dessas dissidências, um verdadeiro arsenal de peritos pilota os instrumentos acompanhantes: Wagner Tiso e Laéreio de Freitas (piano), Jamil Joanes e Dadi (baixo). Roberlinho Silva e Paulinho Braga (bateria). Márcio Montarryos (trumpele). Maciel (trombone) e assim por diante. Disco para bosa. 354) a meia noite. Até o dia 14, a apresenta çào do cantor Zé Keti, que Ira/, a garantia do melhor samba de morro. No pro grama, naturalmente, músi cas consagradas como Máscara Negra e a Vo/ do Morro, e outras menos conheeidas. Além de Zé Keti. a Ópera Cabaret mostrará a orquestra de Elcio Alvares e 0 frio de Tango, tradicio nais atrações da casa. Cemvert artistico: CrS 150 (2- a 5") e CrS 200 (6" a sábado). * IVAN LINS Teatro Pixinguinha. (r. Dr. Vila Nova. 245). ás 21 h. Apresenta as musicas do seu último disco, A Noite, compostas com o seu nou> parceiro, o. letrista Victor Martins. Sob a direção dc Paulo Albuquerque, o show conta também com a partici paçào de Gilson Peranz- /.cita. Natan Marques. Millon Botelho. Joào Cortes, Ricardo Ribeiro e com o bri lho de Lucinha Lins. De 4- a domingo, Preço: CrS 150 e CrS 100. Triunfo Brõoklyn, tel ). a partir das 23 ll. Para os fãs da música de New Orleans. o Barbadinho oferece uma atração especial as sextas-feiras: o conjunto Original Jazz Band, com a participação de Rosa Maria, a cantora mineira que agrada também aos nacionalistas. Couvert artistico; CrS 160 * MÚSICA PORTUGUESA Restaurante Mansão Poriu guesa ir. Marques de liu. 449 tel ) Você pode saborear uma deliciosa bacalhoada ao som dc canções lisboetas. Com ESTRÉIAS Gon\aguinha lida de Castro. Antônio Carlos e Annibal Silva, acompanhados por Alipio Correia (guitarra) e Ernesto Rocha (violão). * TE1É, ALZIRA L GE RALDO ESPÍNDOLA Funarte - Sala Guipmar Novaes (ai. Nothman, 1058). as 2lll O som de Mato Grosso se apresenta atrases das vozes de lelé. Al/ira e Geraldo Espíndola, no show Lírio Selvagem. Acompanhados por Sérgio Espíndola (baixo) e pela \iola de Almir Satcr (que mostrará também o seu trabalho renovador na musica.sertaneja). Apenas t DscoS ) Já é tempo de descobrir David Bowie. Ele não é um desses Rod Stewarts da vida ;lái^ ^^ exegetas. mas igualmente permeável aos curtidores menos obtusos. * JORGE VEIGA (O Llerno) - CBS Guando iniciou-se no rádio. em 34, Jorge Veiga era uma yòz isolada ou discordante, em meio a tantos des cendentes do bel canto, como Vicente Celestino. Francisco Alves e Gastàü Formenti. Mesmo o impeça- vel Orlando Silva artísticamente mantinha se distante do original, quando trilhava o acidentado percurso do samba de morro. Ex-pintor de paredes, o carioca Jorge Manoel dcoliveira Veiga, além do requebrado sotaque de terreiro ainda projetava com inesperado vigor o ca racteristico timbre arenoso do sambista negro. Tal discrepàneia lhe valeu tanto o apelido eufemista de "caricaturista do samba", quanto a classificação pejorativa de "voz de cana rachada". Nada além de preconceitos, ambos, como é fácil notar neste expressivo LP pósturno. O carimbo de eterni dade encaixa-se como luva especialmente ao gênero samba de gafieira (Café So ciety. Festival de Bolacha das. Boi com Abóbora), ma liciosamente tingido de afro pelo inesquecível cantor. BELCHIOR - WLA "O que hà algum tempo era jovem e novo/hoje é antigo/e precisamos todos rejuvenescer". Este lema que propagou aos quatro cantos o retórico Belchior, três anos atrás, hoje quase lhe serve de cpitalio. Decidido a revogar, por antigo, o tròpicalismo, ele não passou do discurso. Inclusive, a julgarpelò progressivo esfarinhamento mu sical de seus discos, ja se pode ouvi-lo. dispensada a metáfora, lalando sozinho, como se resmungasse, nas pausas do acompanhamento instrumental. Pior ainda, a pregação deste renitente pastor de novidades redu/.-se. atualmente, a uma espécie de embrião prc-tropicalista. As vigas de sua obra escoram se num mastigado concretismo ("brasileira/ mente, linda") e o reboco Betale e dos mais redundantes, "I com citações.de want to "Happiness is a warm gun". "Here hold >our hand". comes the sun" e refrões semelhantes. A continuar nessa escavação em busca do novo, breve o palavrosü cearense Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenele Fernandes descobrirá Elvis Presley. Isso se nào topar com o irresistível cachimbo de Bing Crosby pela frente. * DAVID BOWIE (Lodge) - RCA Apesar de utilizar o rock, idioma conhecidissimo dos ouvidos brasileiros, o inglês David Bowie (aliás. David Jones) está condenado às pe quenas tiragens no Brasil. Situa-se. na verdade, a leguas da imagem roqueira ül GONZAGUINHA DA VIDA (EXPLODE CORA ÇÃO) Teatro Procópio Ferreira (r. Augusta. 2823). as Um temperamento fe chado,e a perseguição da censura fizeram de Gon/a guinha um "cantor-rancor" - que agora, finalmente, explode com um show e um LP da melhor qualidade. Preços: CrS 250 e CrS 150. (Até o dia 7). ATÁULFO, NLLSINHO E VÂNIA CARVALHO Teatro Pixinguinha (r. dr. Vila Nova. 245). às I8h30. Nào fosse pelo maestro Nelsinho, carioca do Ca tumbi e trombònista emérito, este show do projeto Pixinguinha seria um síiow de pa rentes: Ataulfo é filho de Ataulfo Alves, e Vânia irmã de Beth Carvalho - com a qual. aiás. se apresentou no mesmo projeto, no ano pas sado. ao lado também de Nelson Cavaquinho. Ataulfo e Vânia, no entanto, tém bri- Ilio próprio, independentemente de suas árvores genealogicas. A direção é do jornalista e compositor Sergio Cabral. Preço único: CrS 35 (último dia) três apresentações, sempre no mesmo horário. Preços: CrS 100 e CrS 50 (estudantes) + SHOW DO SAMBA Garitào (Alameda Ribeiro da Silva tel ), das 22 as 4 da manhã Para quem não se coiifòrnum até agora com á discoteca, existe a alternativa da.s gafieiras: o Garitào promove três dias de samba, com os conjuntos Juventude Samba Show (Os Meninos da Mangueira). Maria Ramos (Lstaçào Primeira da Mangueiral e as passistas Verti. Suely. Marilene c Sônia. Até domingo. maciçamente (mal) digerida no pais. Ao contrário dos Rod S.wartsda vida. porem. Bowie e pensador, uma dessas raras antenas do movimento, com a característica de trocar, profeticamente. de peles e imagens, conforme avança (ou recua) o rock e sua desagregadora mistura de marcas sonoras., Futurologo marginal dos anos 60. Bowie previu desde os primeiros discos a metamorlose de brilhos, purpurinas e outros artifícios que vestiriam os anos 70. Conjugou andróginia e nazismo, anteeipou o glitter. o punk e tinalmente o profundo mergulho na liquidifieaçào da música negra que nos legaria de rebotalho o lixo atômico da diseotéque. fez discos inaüdiveis, inviáveis, intragàveis: so radicalizou menos que o discípulo americano Lòur Ree. espécie de messias da escória punk. A despeito de tantos ziguezagues, a fi gura central - David Bowie - manteve-se inatingível em sua olímpica assepsia pes soai. Cabelos periódica mente tingidos, lentes de contato substituídas com freqüência, o personagem Bowie nào passa de um robô. controlado pelo ventn loquo David Jones. (Basta ouvir as mecânicas interpre tações das faixas Fantastic Voyage e Afriean Night Flight para comprovar a tese.) Macabra e derradeira profecia para um movimento cultural em vias de extinção. Târik de Souza

16 PAGINA 16 JREPÜBLIQV ESPORTE SEXTA-FEIRA ^ 06 OUTUBRO DE,7,1 MOACIR JAPIASSU «# W/tf Belmiro Aos 25 minutos do primeiro tempo, quando o zagüciro Fernando, do Santos, deu um passe para o gol do America, na Vila Belmiro. o grito lancinante da torcida foi ouvido no Costão das Tartarugas, no Guarujá. Ai o juiz Hélio Cosso. escaldado noutras confusões por esses campos afora, caiu duro no gramado, atingido por imaginário raio. Começou o corre-corre. Passou um radiorrepórter: "Jogaram um páràlelepipedo cm sua senhoria!", gritou ele para o Brasil c o mundo. Inyadiràm o campo. O ponta-esquerda Arlen, do America, mais experiente nessas coisas, chamou num "Acho canto o apavorado Fernando: melhor tu correr" disse lhe, no instante em que a torcida apontava os rojões sobre o gramado. Mas quem acabou correndo foi o técnico Hilton Chaves, que se demitiu ontem a tarde. Fm campo, junto á mesa do representante, sua senhoria recebia os últimos sacramentos; o presidente do Santos. Rubens Quintas, folheava nervosamente o regulamcnto para ver se, cm caso de passamento do juiz. a partida seria disputada novamente. Resolveram consultar Pele, que opinou favoravelmente. O presidente Quintas ficou tão animado que anunciou um esforço do clube para custear os funerais do juiz. "A gente paga tudo!", gritou ele. Foi aí que Hélio Cosso saiu do estado catatônico e protestou contra essa tentativa de suborno: "Essa nào: o senhor não paga nada. Nào sou o juiz Júlio Concenza nem estou em Cuiabá, apitando Dom Bosco e Goiás!" F. por falta dc garantias, suspendeu a partida. Vivo o juiz. o Santos, com certeza, perdera esmo os pontos. E regulamento. Fantoni e a virgem santíssima 0 técnico Telê Santana preferiu a realidade que se chama Jorge Mendonça às incertezas do Cruzeiro de Belo Horizonte, num time cm decadência cuja única semelhança com o Paimeiras é ter nascido sob o nome dc Palestra Itália, Félicip Brandi, presidente eterno do Cruzeiro, vai arranjar um bãgriiihp para cumprir ti m mandato-tampão ate que Orlando Fantoni possa deixar o Grêmio, no fim do ano. Orlando Fantoni. Quem diria. Na última vez em que esteve na Toca da Raposa, não deixou sinais para justificar tanta saudade. Contam cm Minas que um truculento diretor de futebol do Cruzeiro. Carmine Furletti, irritadíssimo com o péssirrió primeiro tempo dirigido por Fantoni numa partida contra o Atlético, desceu aos vestiários do Miheirão para assistir à prelcçào do treinador. Chegou a tempo de fixar esta cena patética: OrjáiírJò Fantoni ajoelhado no meio do salão, agarrado. a mãos ambas, com uma estatueta de Santa Tçrezinliá do Menino Jesus. a bradar aos discipulos: "Vocês nào acreditam. em Nossa Sénhora???!!!" Católico praticante. Furletti fez o sinal da cruz, em respeito a drama tão pungente, c ali mesmo demitiu o cmpregado. Tem ministro no Palmeiras Janistraquis de Azevedo Varejão. torcedor do Sào Paulo desde a década de 40. quando aqui chegou num pau-de-arara, direto dc Arapiraca. e bateu os olhos cm Leônidas da Silvai anda irritadíssimo com os favores do governo.aos inimigos do tri- " color. um absurdo!*", protestava ontem Janistraquis, com o jornal na mão. "como se não bastassê o presidente Joào viver enfiado no Parque São Jorge, agora vem dc Brasilia um ministro para ajudar o Palmeiras! E esse camarada, pelo que ouvi dizer, é bom de bola, já jogou no falecido Cruzeiro de Porto Alegre e e a maior estrela do time da Arena". É. esta lá no jornal; "Jair Soares, oito meses,para ficar no Palmeiras". "Mas nào deve ser o ministro", pondero. Janistraquis nào se convence: "Considerado, se o cara é ponta-esquerda. tem nome de ministro c vem de Brasilia, só pode ser cie mesmo*. Num último esforço, lembro que esse Jair Soares, que tem o apelido de Jair Brasília, é um. menino de 21 anos. Mas quando Janistraquis enfia uma coisa. na cabeca, nào adianta mesmo: "Mas é gato, considerado: é gato. Então tu não sabe que o futebol da gente tá cheio de gato?". O Fluminense apunhala Coutinho Minha fonte carioca telefona pura descrever o estado lastimável em que se encontra o técnico Cláudio Coutinho, depois da ameaça do vicepresidente de futebol do Fluminense, Gil Carneiro de Mendonça, de nào ceder jogadores à Seleção Brasileira. Coutinho, que desde a última Copa deu para falar sozinho, entrou em profunda depressão por causa disso e está em tratamento intensivo com o psiquiatra Washington Loyello, especialista cm casos perdidos. Afinal, é mesmo um golpe terrível ver-sc de repente privado da genialidade desta equipe de craques: Paulo Goulart, Edcvaldo, Ademilton. Gritti e Carlinhos; Pintinho. Cléber e Rubens Gálaxe; Gilcimar, Robertinho c Zezé. Pelo menos foi assim que o Flusão entrou em campo contra o Serrano, cm Pctrópolis, em mais uma rodada dc meio de semana deste inimitável campeonato carioca. Cartas para esta coluna A coluna recebe cartas. Uma. do publicitário e corintiano Dirceu^ Pereira, exigindo atenção e respeito ao clube dc sua paixão: outra, de Gabriel Ar- "embainha canjo Nogueira, que desa espada.de fogo contra este colunista, apanhado em flagrante no momento cm que gozava a revisão desta vibrante folha por uma insiginilicante confusão entre Celol e Gelol, na semana passada. Mostrei a carta de Gabriel Arcanjo a Janistraquis. feito", "Bem disse-me ele; "quem mandou tu gozar quem tá trabalhando?" Janistraquis tem razão. Perdão, revisores! Nu última quarta-feira, o vice-presidente da Federaçào Paulista de Futebol. Márcio Papa. parecia mais desiludido do que nunca. "Abriram-se os porões do futebol", dizia ele, dc há muito rompido com Nabi Abi Chedid. A frase poderia ser da lavra do ranheta monsenhor Lélêbvrc diante do Concilio Vaticano II, nào fosse Márcio um dos raros cartolas brasileiros de mentalidade arejada, e dc quem se poderia comprar um carro usado. Ele se referia às denúncias dc corrupção que de repente se. muitiplicaram como as cabeças de uma hidra. E com razão: os porões do futebol estão abertos, deles vaza um cheiro de podridão.e bistórias de arrepiar os cabe los Ṫais histórias, ao con trário do que se poderia pensar, nào se restringem ao âmbito local. Elas começam no Uruguai, através sam o Brasil inteiro c vào dar na exótica Roraima, entre jacarés, vitóriasregias e o governadorbrigadeiro Ottomar de Souza Pinto. Realmente parece haver algo dc muito podre no reino dos Helenos c Giulites. Uma das mais escandalosas é a que envolve o saudoso Paulista, dc Jundiai. O "Galo do Japi", como é chamado na terra dos vinhos de terceira categoria, recebeu dinheiro para accitar quictinho o seu rebaixamento para a Divisão Intermediaria (como a justiça tarda mas nào falha, o Paulista acabou caindo para a Primeira Divisão). Ameaçado pelo rebaixamento, o presidente do clube, íbis Cruz, ameaçava embargar o campeonato do ano passado com a veemência de um cruzado. Raivosamente, ele andava de cá para lá nos corredores da Federação, ameaçando, despejando toneladas de ira. Até que se fez um estranho silêncio. Consta que a idéia da CORRUPÇÃO, CORRUPÇÃO, CORRUPÇÃO iram os esgotos do futebol Sinta o cheiro do suborno, do tráfico de influência, do protecionismo, pelo vorado diante da perspec tiva de ver o seu campeonato trüricado. Ele teria reunido a alta cartolágeni dc nove clubes - Sào Paulo, Palmeiras. Corinthians, Santos, Ponte Preta. Guarani. Francana, Juvcntus e Botafogo - dc onde saiu a "doação"" para silenciar o Paulista. Foi bola alta. coisa de SOO mil cruzeiros, e dizem que. por ser o mais direto interessado na vaga do Paulista, foi o presidente do Botafogo que desembol sou quantia maior: 350 mil cruzeiros. Bem. esse presi dente. Atílio Bcnedini, nào assinou nada. mas há um débitode tal quantia na sua conta junto á Federação. Realmente o Paulista re cebeu o dinheiro, mas Nabi alega nào ter nada a ver com isso - de resto, procedimento dó seu feitio. Por outro lado, ele mesmo confirma o rateio: "Os clubes resolveram ajudar o Pau lista, mas eu nào participei desse acordo". A denúncia foi feita pelo inominável \ TÔNICO DUARTE presidente da Portuguesa, conhecido, sabe-se lá por que. como "0 Incomtim". Agora, comenta se que a FPF poderá sofrer intervençào federal. Convcnha mos: nào seria má idéia se nào se tratasse de medida de força. I lá também o caso dos jornalistas que teriam sido subornados pelo empre sário Frne.sto Lcdesma (este está na cadeia), para que facilitassem a vinda de jogadores urugàuaiós ao Brasil. Flávio Adauto. que conseguiu lazer com que a ADEUS Associação dos Cronistas Esportivos de Sào Paulo fosse uma entidade forte c respeitada, roeu se de indignação. Mandou a Montcvideu os dois advogados da ACEESP. J. Hawijla e Waldo Braga, mas Ledesma voltou atrás, reconsiderando o que havia dito. negando o envolvimento de jornalistas. Se algum reportezinho picareta andou enchendo a uluibeira com o vil metal. isto é coisa praticamente impossível de se provar. Nào há recibos. Verdade e que o futebol brasileiro ferve de empresários e in termediarios de reputação duvidosa, sempre dispostos a toda sorte de patifarias. F quem imagina que o longínquo território de Rorainia seja um éden onde os em prés ar ios norteamericanos e kranhakaro res convivem pacifica mente, esta muito enganado. La o governadorbrigadeiro Ottomar de Souza Pinto estaria envol vido numa nebulosa his tória de coação - uma ma nobra gerida pelo próprio governo federal para que Giulite Coutinho passe mais facilmente tio CND á CBF. 0 brigadeiro teria lirmado uma procuração irre guiar, nomeando gente dc sua confiança - o economista Sérgio Balbueua - para que este ajudasse a remendar a canoa de Giulite, recentemente torpedeada pelo navio do almirante He leno Nunes. Hilton fez a maia e partiu Três dias atrás, o técnico do Santos estava com a força toda. Ontem, resolveu pedir demissão Como entender a saida do técnico Hilton Chaves, se três dias antes a diretoria do Santos decidiu entregarlhe uma carta branca, inclusive punindo alguns jogadores considerados responsáveis pela má campanha da equipe no campeonato paulista? Ninguém sabia explicar, ontem à tarde, em Vila Belmiro, depois que o técnico decidiu entregar seu cargo definitivamente, sem possibilidades de qualquer tipo de diálogo. O presidente Rubens Quintas - nervoso como sempre - afirmava, aos jornalistas que o rodeavam, sua surpresa com a decisão do técnico. enquanto seu braço direito, o vice-presidente dc futebol. José Rubens Marino. encontrava outra saida. está bem mais comoda:a imprensa. "Ele nào foi aceito pela imprensa e por isso acabou caindo"". José Rubens Marino, visivelmente nervoso, repetia essa frase pelos vestiàrios do Santos, afirmando ainda que o clube nunca teve um técnico como Hilton Chaves, "trabalhador, honesto, digno. Fico revoltado com o que fizeram com ele. Isso nào se faz. Eu sou radialista, as- sociado do sindicato e algumas vezes tenho vontade de anular minha carteira. Ele não merecia isso..." Entretanto, a maior surpresa nào ficou reservada para o vice-presidente, para o técnico ou para o presidente Quintas, mas aos jogadores. Todos Ibr-am unânimes em afirmar que Hilton Cha- ÁLVARO DE CARVALHO JÚNIOR Contra o ves e um grande técnico, conhecedor de futehol e um grande homem, "amigo de todo mundo". Realmen.te surpreendente essa reação dos jogadores. Afinal, no inicio da semana, precisamente na segunda-feira, a diretoria do clube puniu Nilton Batata, Toninho Vieira e Pais - todos licenciados - e colocou os passes de Gilberto. Antônio Carlos e Valdemir a venda, isso com _ total anuência do técnico. É verdade que no dia seguinte. Hilton Chaves pediu à dire- j tssbssf.\ "." "."- "< \-l* í*_k-í_.._j- j*wjéjffy COMEÇO DO FIM Palmeiras, já estava tudo difícil toria que pelo menos os três suspensos voltassem aos treinos, mas nunca chegou a exigir une as suspensões fossem anuladas e os jogadores anistiados. Portanto, motivos nào existiam para que os jogadores demonstrassem tanta admiração para com o técnico. No fundo, a realidade é outra. A atual situação do Santos não passa de uma conseqüência da instabilidade emocional que atravessa a diretoria. Isso ficou demonstrado na quartafeira á noite, na partida vaquinha partiu do imaginóso cérebro dc Nabi. apar contra o América, quando o presidente Rubens Quintas invadiu o campo no intervalo e ameaçou o juiz Hélio Cosso. dizendo aos grilos que "se você nào me íhorar essa arbitragem, nào poderei conter essa massa que está no campo". Uma coação clara, até certo ponto ridícula, que só veio complicar ainda mais o cs tado emocional dos jogadores, carentes de bons resultados e completamente des controlados. Assim, o Santos vê sua situação ficar mais difícil ainda. Desde que Hilton Chaves assumiu o cargo, cm agosto passado, o clube vem caindo pelas tabelas - 17 jogos, 9 empates, 3 derrolas e 5 vitórias - e as possibilidades. de classificação para a fase seguinte do Campeonato Paulista vão estreitando-se à medida que a equipe entra em campo. O próprio Hilton Chaves nào sabia como explicar os acontecimentos e muito menos o tumulto gencralizado na última partida, quando o juiz Hélio Cosso, depois de uma pedrada na, cabeça c a coação de Quintas, decidiu suspender a partida, alegando "falta de condições psicológicas. "Não sei o que se passa", afirmava ele ontem, momentos antes de arrumar suas coisas e viajar de volta "Os a Belo Horizonte. jogadores são excelentes, nào existem grupinhos ou igrejinhas. mas o negócio está ruço. Quem sabe. com minha saida. as coisas não voltem aos seus lugares." Brasil afora Juiz ladrão, com recibo e tudo MARCFLO FAGÁ. do Rio O ex juiz Airton Vieira de Moraes (Sansào) está proibido do pôr os pés na sede da CBD da rua da Alfândega, no centro do Rio. A extorsão que praticou em cima dos dirigem tes do Dom Bosco. dc Cuiahà, fartamente acom punhada de provas testeniunhais e documentais de que acenou lhes com a perspectiva de subornar o juiz. Júlio César Cosenza para ganhar do Goiás, cm jogo pela fase de classili cação do campeonato brasileiro, assustou os cartolas cebedenses. Felizmente. para eles. dos males o menor. Por mais inconveniente que lenha sido a vinda á tona do escândalo nessa época dc candidaturas à presi déncia da CBF. o fato po deria ter desencadeado uma séria crise de cúpula se tivesse ocorrido daqui alguns meses. A essa aitura, se os planos traçados por Sansào dessem certo, ele tornar-se ia nem mais nem menos que presidente da Comissão Brasileira dc Arbitragem de Futebol - Cobraf. En quanto isso. nu qualidade de assessor especial do presidente Heleno Nunes, Sansào colhia os primei ros frutos dessa amizade cultivada à base de muito puxa saquismo. com essa sua rendosa bancazinha particular dc traficar influcnòiá. A ascensão de Sansào na CBD, depois que ele ti nha acusado Joào Ha.velange de tentar suborná-lo na Copa de 70 e viu relirado o seu nome da lista dos árbitros da entidade, coincide com a chegada de Heleno Nunes. Mas essa amizade ficou definitivamente ameaçada: o presidente da CBD não quer mais nem ouvir falar cm Sansào e determinou que o departamento júri dico atue com todo o ri gor. Ele nâo quer seguir o exemplo de Nixon. cm Watergate. O caso. O "subornado" dessa história foi o árbitro Júlio César Co senza. que apitou no esta dio José Fragclli, dc Cuiabá, o jogo em que o Goiás venceu o Dom Bosco por 1 a 0. No rela tório que encaminhou ao diretor de futebol da CBD. Cosenza diz que foi abordado pelo dirigente do time cuiabano. Álvaro Scolfaro.no final do "Como jogo: é, levas meus CrS 50 mil e ainda vens me roubar?" O juiz queixou se ao representante da CBD no jogo. Joaquim Ramalho. delegado do DOPS. e ambos foram to mar satisfações dos diri gentes mato grossenses. Souberam, então, que outro dirigente do clube. Paulo Ribeiro, remetera para a conta de Sansào. na agência Unibanco. da rua da Quitanda, no Rio, a importância combinada pelo ex-juiz e Scolfaro. irmão de outro árbitro. Os car Scolfaro. da federa çào Paulista. F mostra ram o pau ao delegado do DOPS e ao atônito juiz Cosenza. entregando o recibo do depósito, que foi devidamente anexado ao processo enviado para a CBD. Sansào. pego cm extor sào e suborno, com o eurioso agravante de nào ter cumprido o trato firmado com o Dom Bosco de comprar o juiz Cosenza, ainda ensaiou uma explicáçãô dizendo que "des cobriram o número da minha conta e quiseram me prejudicar porque sou amigo do almirante*, prometendo uma entrevista ampla sobre o assunto. Caiu em si depois, aconselhado por dois advogados. e não tem aparecido nem no seu emprego na Secretaria de Finanças. Ele deverá ser processado por estelionato na Justiça Comum, pois nào mantêm vinculo direto com o futebol. Já os dirigentes do Dom Bosco serào julgados pelo Tribunal da Justiça Esportiva, que podera suspendê-los ou mesmo afastá-los da vida esportiva e eliminar o clube do campeonato. f^dberto M^RCHER Bruxinhas soltas em Minnesota Mulher também c gente. Em Bloomington. Minnesota (Minnesota consegue "Horizonte), ser pior do que Belo brotam rosas no gelo. As meninas quebram o tédio da caipirada local. Nenhuma surpresa:, Tracy Memeia Austin venceu Stacy Margolin por 6/2. Ò/.3; Billic Wóndêr Woman King venceu a fazendeira sul africana Greer Stevens por 6/4. 6/L Mas este papo ja esta qualquer coisa. Minnesota. Memeia, Alcéia & cia. argh! Na arca das exibições. Connors liquidou Pecci. Nastase e Vilas na capital portenha, conhecida na intimidade como Buenos Aires. Na final derrotou Vilas com uma mão amarrada por 6/2. 6/2 - apesar de alguns solertes jornalistas argentinos terem qualificado a façanha de "vitória difícil". Será que foi mesmo? Enquanto isso. o velho John Newcombe entrou na quadra de raquete e bengala, onde perdeu para o desconhecido Gene Malin por 6/3. 6/4. A partida foi em Kaanapali, no Hávâi, onde o bigode jogador pôde apanhar um solzinho. Ju na Copa Davis. Itália e EUA sào.os francos favoritos, A Itália enfrenta uma decadente Checoslováquia, em Roma. Os Estados Unidos (força total. McEnroe-Gerulaitis) não deverão ter problemas com os australianos. Depois disso, partirão para Roma. nào para ver o papa. mas para enfrentar Panatta e Barazutti. Kirmayr está jogando na França, e parece que a raquete nào lhe queima mais as mãos. Ontem, em Bordéus venceu o alemão Uli Marten por 6/4, 7/5. Comenta-se que ele se prepara com afinco para disputar importante torneio na Botswana.

17 SEXTA-FEIRA 5 DE OUTUBRO DE REPÜBUQV PÁGINA 17 CULTURA JUSTIÇA Jaguar prova que está vivo CARMEM CAGNO No dia 20de julboçle 1977, a l-ollui de S. Paulo publicava no seu Folhetim, sob o titulo de "Convite para Eulurro": "ZiroldO Alves Pinto, ilustrador do Ministério da Fazenda, Jeremias, o Dom, funcionário do Ministério,cla Fazendo, Ivan Lessa, o bom filho, e outros agentes ainda consterna dos com o alraso da riecrôp sia. convidam para o enterro de Sérgio Jaguaribe (Jaguar), falecido em terrível tragédia oriunda de sua própria indignidade c atropelado pehi.para cie, insuportável dignidade de GlaUbcr Rocha. A familia so licita nào mandar mais su jeira. A PljDE, através do se nhor Annindo Blanco, se solidariza com seu velho compa nheiro". Nào se tratava, evidente mente, de umu noticia verda deira. Mas nem por isso poderia ser consideruda mera brin cadeira. O jornalista Tarso de Castro, brigado com o pessoul do Pasquim c perpetrador da gracinha, linha passado dos linlites, interpretaram as vitimas - o que, segundo consta, nào costuma ser muito raro. E a noticia, de falo, repercutiu de maneira nada engraçada. Jornais de Brasília, por exempio, indagavam se as brigas entre o pessoal do Pasquim cslavam neste ponto. E. para completar, uma tia do Jaguar, residente em São Paulo, quase teve uma sincope ao ler o jornal. Ligou para a mãe do jorniilista, que se assustou a ponto de ter sérios problemas cardíacos. Como a "matéria" nào cstava assinada, restou a Ja guar, Ziraldo, Ivan Lessa e Blanco entrarem na Justiça com uma queixa-crime contra o então diretor-presidente da Folha, Octávio Frias, c com uma ação de indenização por danos morais contra a Folha da Manhã, exigindo 780 mil cruzeiros para cada um. O processo se arrasta até hoje, e a última audiência, marcada para 4- feira última, em São Paulo. nào pôde realizar-se porque as testemtinhas do réu nào comparece ram. A próxima será em fe vereiro de Bebendo ontem com iimi gos, no Bar do Museu, no cen tro de São Paulo, Jaguar pare cia mais preocupado em dar um pulo a Bienal e no lançamento do livro de sua amiga, a cartunista Ciça. Contou que esta briga com o Tarso é vclha, cinco anos mais ou menos, desde a época em que o Pasquim ficou devendo cerca de I milhão de cruzeiros, "nào por malandragem, mas por pura bagunça do próprio Tarso". Conclusão, ele e outros jornalistas passaram a trabalhar de graça para cobrir o rombo, e Tarso, além de se mandar, ainda ficou bravo com todo mundo. "Lu bebo pra burro, mas o Pasquim está nas bancas toda semana", arrematou. CIRCUS Aprosonta VFJO UM VWJ NA jíncta PONZELA De LEILAH ASSUNÇÃO Direçio! EMÍLIO DI BlASI Cenário: FLAVIO PHEBO TEATRO ALIANÇA FRANCESA R. GAL JARDIM, 182 TEL PATROCÍNIO DO SNT - SEAC ÓRGÃOS DO MEC do4«a 6-21hs-Sab.20e22.30-Dom.l8o21 RESERVA-ESTACIONAMENTO AO LADO m ESCAI ADA.ipioseni.i de LAURO CÉSAR MUNIZ «IM Antônio Fagundoi Clèo Ventura KntoHanwn Marlono França Maria Rita Bruno Barroso Participação eipocial do Sadi Cabral DIHtCAO OSWALDO MINDES r» 4 -> jio 7i >. u.»< H mu Own IB/.íl n fv) AUDITÓRIO AUGUSTA IO j?07ã3roi*! w Patrocínio SNT SEAC Órjiios do MEC MARCO NANINI * LILIAN LEMMERTZ SÉRGIO MAMBERTI 0 Centro de Teatro da UNICAMP (Pessoal do Victor) está HOJE ESPETÁCULO COM A PRESENÇA DE m CARREIRA DO DIVINO TÔNICO E TINOCO TEATRO EXP. EUGÊNIO KUSNET - R. Teodoro Baima tels o patr. Servico Nacional de Teatro - SEAC. órgãos do Ministério da Educação o Cultura. Aldebarã Apresenta: DEFINITIVO/ÚLTIMAS SEMANAS! "QUEM TEM MEDO DE ITÁLIA FAUSTA?" O ESPETÁCULO DA TEMPORADA! Uma realização do Teatro Orgânico Aldebarã. TEATRO DO BEXIGA R. Rui Barbosa, F: e De Quarta a Domingo às 21:00hs. Sábado às 22:00hs. Patrocínio SNT - MEC - FUNARTE. * í CLAUDIA o> ALtNCAH GEORGE OTTO m* AUT *2 comorjia du FLAVIO MÁRCIO con. Murcio Colafurrrj fig. B,jrb,ir,i Hulanlckl direção: RONALDO BRANDÃO lllijliilhllüai.íjí)» Oo»..8-/". 4,. (,l:a. 001 TEATRO FAAP c/05wcion,imento Hu.i Alauoui Tel 6? 73)1-3? 0J PjuocInioSNI St AC áoiojõsclomec > * * * 14- Bruna Lombardi Carlos Alberto Riccelli ******» * ********** MOCIIHOS BAIM10S tmmê)\ de Fauzi Arap Amilton Monteiro José Fernandes de Lira UmbertoMagnanie Walderez de Barros espaço cênico de Eliías Andreato de 4-.,(> < 21 h. Sáb. 20 c 22:30 Dom. 18 ç 21 li reátro SESC (ANCHIETA) Km.i In Vila Nova. 24S 2S6-228I, c prevos...penais pura voiiicriuriiis caloí """""" bom espetáculo Um pouco de vermelho no nosso verde-amarelismo, vai muito bom, vocês não acham? OS FARSANTES em TIETÊ, TIETÊ _j i tmmmmnmm WÊmm^ÊÊmMWÊmMW^. ~~ ".;-.,- : :....- do Alcides Nogueira Pinto direção: de Márcio Aurélio de 4" à 61 ás 21hs. Sáb. 20 e 22:30. Dom. 18 c 21hs. STUDIO SÃO PEDRO Rua Albuquerque Lins. 171 Tel: o Patrocínio da Secretaria de Cultura do Estudo SOMENTE ATÉ DOMINGO DAN Si MAGOO APRCSENTAM gonzaguinha da vida xplode coração Luiz Gonzaga Jiy de 4? A DOM. 5 TEATRO PROCÓPIO FERREIRA Rua Augusta Fone jrupo ÂWALIEE-SEI ^m^^f^ss. mm* * lançamento do novo LP "REVER MINHA TERRA TEATRO DA FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS 3 a 7 de outubro li. Ingressos na bilheteria do Teatro ou na Casa do Espectador (tel; ) ou ainda pelo Tel colab. BANDEIRANTES FM 96.1 M.Hz O seu problema de atualização é a especialidade da Livraria Triângulo. Que tem os últimos lançamentos em livros técnicos, científicos, e assuntos correiatos de qualquer procedência. Peça lista de títulos e preços e entre em nosso cadastro para receber regularmente listas com os últimos lançamentos. Encomende pelo telefone ou pelo reembolso postal. A " ü 1 i$l lis: Livraria Triângulo Rua Barão de Itapetininga, 255 loja 23 Tel: , e Al. Tietê, 46. 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Iliulhaf IH.) - as 10- IS H Hl I» -0 ai ^ii) :iii. AUIKA - llua Aurora SÍ3 - iü«tl7 -, No pijlcò show da ftnp Taasi-.ni vim Nu laia O oslranho virtii do lir O.rncl.os - SaniuiO v anur i>. ruir. IHa - dasrt) us!«1 AVKMIIA - AV S:u. J.M" IWS - ^1»)! - Shau l.in a hnxaadiira iiivanival. IH.) - desde as loh ÜUIMI - llua Harao de llapillniiuía iin - :H!*i:il - Mulher nulher IH.. - as 12 M 16 IH 20 aislsjul iu.lt K - - Ifatu rtanl.lui llinise vali IK lollu S. UU -,c II ti* e 2íh Sah Jlli HLII» - S.iIj Sriin. Çurdoso IVac. Kranklin Hi.is.vall J^/Íti - llilrriítits ltí.i - ÜbH * 16 IH. Jl a SI) Sab 211) (A1HII - Kua KuniKisa SO-Stó - l-ovo noa o lem[«i esquirvu - Kilalha rios. nviuieos IHa - asj. 2.l.>- lfl.30.- IHláerh ( MHII - llua Kinmisa Wl - ilhílfi - 1ovo que o leilil".. siu.; oil - Itil.-illi.) ilos malliaos I8u - as<j. 12 1,. li» I» ie Ml CAMAS - Hua Cms Nebias. lífí - im2w - lnt»mtd.irjfs - Intuir, NAiaus Jla - desde as Ji CKNTHAL IM - \v Ipiranua T.i2 - A tvilalha ila Maodichlina. i8.i-a.s9-n- n-r> l-2sl CENTRAL ÇXHS - Av Ipiranga 7S2 - Impe vi da paixaâo - 18 am,"as»ll- -i5-l7-la-2l-e2jh CIMSPAnAL - Av Sâo João. 14* Vamos canlar rlisíti liaby - livre, as e 22 toes OIPAN - Av Ipir.ini:-i 200-2» Zero Zero SMe conlra o (i^nu- da mone - 14 anos. as IJIM4.4.V17.I5.I9 45 e horas Sub 24 horas OIKAl. I M - llua Sele de Abril m - :(.S»-.í - Golpe Su o - 14 arras: ias II inüilnirni-17.v.ait e 2210 S 24 h (<*(AI. IMIIS - Hua Sela de Abril. M - M-2SB5 - Aquelas istraiíüci i.-lsm-s - IH anos as ÍS II :«H7 19,íl e 22 horas S 24 h llllm.kkk. - llua Iv.m José de Hamis noí Carie a («hiiiiu - (ts dòjüilinàdòii - IH aros - ás9.:i ,50 e 22 honis KSPLANAUA - 1raça Júlio Mesqullu As lviliünis alaiain em Hnnii Koni; - (h gòftlos irin.ins ili- Trmily - IH ama ias 9.2Ó-I3.05-I6.4O-20 IS-c híltíls HINTASA - CKNTKO - Av hnriuma. 9» - 22, D»Ta çâü dragàii * S-m nítido d;i rnòrtu IH ama, - lksde ils 9 hurus OAZEnNIlA - CKNTKO - Hua unira Mulher, mulher - 18 anos - as 1214 li>ib2lle22llorns S 24 h IIIHAMIA - Av Ipiranua 79fi 223-2ÍW2 - t) intuiu 11 ü ai e HWAMIA (21 - Av Ipiranua Í542-0 iaasn Clallllla IH a II 1.1I(H5.:« h J(HA - l\a (arlos Gomes, H2 - (Hieraa-ao druliao Hi.rdo - Ila I5IB.IIUB.115 2(1 o 22 h l.vsvmias - Av Silo,1090 Hl mtwi - Ariíi.na Cill - lledos de Iam. de BrUCC lar - I» anos - rlmlr as 9 horas UU ANGELES - Kua Auroro Mulheres violinlu das!- (vperaçao Franco - 18 anos. desdo as 9 h >rils MAKAMA - Av Ipirainiu !i(il - Desejo sciváktfin - 18 aii<, - lis lll e 22 h S24h MAHmK(IS - llua Cons Crispl nli«i :fi A rrelo mortal nvshau Un- II anos,is IB. 18 J0 e 22 horas sàb 24 horas MAHWKIIS - hlllinann - llua (i»ns Cn>pitUíjno. 3ã! A Ivilallai da Mandnliura - 18 an» - as IH 2(1 e 22 lunas Sih 24 h M>TK(I I - Av SIO JôâO Ò-24W - Ü Cimp»\j<i. - Livre e 22 h MtTBO 2 - Av BOÓ Jo W2 - Ilido IVitn no ano que vvrn - 16 ÍU..S HH h MK1WHMI.E - Av Silo luis - 59IÍ233 - Bípõsámanú. IBa l;l.l5l.i.:in; e 22 h MOIUN HDUfJK - H Cons Nebias » Terapia do.íhi, íttrtwçfliã eróticas. 21a desde as y horas NATAL STHII TKASE - Pça Júlio de Mesquiia. 73. Nu palco show de Slnp Tes» ao vivo. na leia. As lõmeas do Gols Salon (I Grupo dos selvagens. IBa. desde as 9h MPPON - 11 Sla Luzia ITIa minha delcsa. 14a. desde as h MTEROY - Av Liberdade. Ml Juventude imposslva IB anos desde ís hnras (WSLS - Pca Júlio Mesquita bèlirioí de um anormal. (1 pixienm Marhào. 18a OI.1IXI - AV SSo João 173 :w.íir2 1annra nua IBa II 15 I3.:«l Ifttl oi mi - la;" Paissandu 138 Tíififi Diriurt.1 Provindo I6ll 12 II ll s 21h PMSSANIII - Sala Impl-rlo Un)i.ti Paissandu. 6o 22HH259 Aíp)LliLs ií>lraiijiíi> üça&lõcü IHa lj 14.30, h s 24ll PALÁCIO IX) CINEMA - Sal. 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Ki;.i Mil il.i líilna WI ,inli ra mo - lanaa MlllKll - IB unos,i> li 15 ibi- 21 l.í Imhis jamoh - iti.i i.iiiiiiii!i.s iii Wir.-ias SO - 7IIIJ99I - P.inlerà míi - \.rj eairvi,1* - I» ãiios as II I! lu i.il20 horas JLPITOI - Hua lll JiiOu Kit- i n. W \liiltier irlulher IHil -.!* II 16 IH 211 e 22h UMH1KS \v Woll.i Plllllel o, lií -.v2l Nus lenipos du hnlhiitiiinü - n m»!» as n 30 ib:iii ih:iii 20.30í 22:10 horas 18 Ho VEIÚIE - K da M"" CHI - O caso Claudia Presièo ik mulheres viofehladas IHa - desde 11 30h PATIUAUCA - Kua Ho (Iralio KU aillira Nua - Sivíls e niilhãdiis!hj - ás H i- 20.«lll PAUA1MLM - \v Kraneiseu NV.niln ÍHll - llori/iiiila I»adulo livre -,ts lli:«la 2lll I1.V/V. - IV;. Ire/e dl Mau \ arvore d»v sexos - \ (dh.i dd í«ln- - IH ulms as I9lft.-22.l0hi.r;is PKMIAKAMA - Pca OU" de Srtemhm (..mao do de/ tk Navurone - Os deprava ikis d. vie as lllioli 1IHATININOA - \v HÚnuel Pcslana II raso (laulia. Knberla a moderna Rueiwi rt. 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I ri-eii..1 V nulle (ll.s iiu.-r.i ii dia dus prudss.us - mus ís ti v.t e iíl.d liuras S.TM1 llu.1 Im.I" la.lii.alv,, :)()«iii iicii i"le esperar IIVIV.as LVIUr IlIPtlll VI IO I INK Av \.-v lll l.ircua - o si-v.i",i llí.ras s, la l.ul.i. Miillfi:» d- h.n.il, ii.li.flilil ii.li.» II1U ) li iriisiini 8aiKÍs HO III. I dl aui.sl.. ; 15 ^^..-,i- Il.-."i h..ras dueno líls K-lr. 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18 jornal da REPUBIÍQ\ Esquenta a luta pela terra A Igreja reconhece o direito do camponês de tomar posse de áreas não cultivadas dos latifúndios A questão agrária, no Brasil, um tema potencialmente explosivo, está entrando na ordem do dia, e a tendência c para um sensível agravamonto da situação. Principalmente a partir das decisões tomadas no fim do mês passado, em Goiânia, durante a II Assembléia Nacional da Comissão Pastoral da Terra, organismo vinculado à Igreja e que é a única forma não-oficial de organização dos trabalhadores rurais. Nesse encontro, 150 representantes de lavradores, arrendatários, parceiros, bóias-frias, pequenos proprietários, garimpeiros e pescadores de todo o país decidiram, entre outras coisas, apoiar "o direito do trabalhador rural que não tem terra, inclusive dos que foram expulsos da terra, de tomar posse de áreas produtivas não cultivadas dos grandes latifúndios e das terras públicas". Um estímulo à invasão de terras? Na prática, apenas um reflexo de uma situação delicadíssima: segundo os números oficiais, 980 mil quilômetros quadrados de terras aproveitaveis para a lavoura e a pecuária (o equivalente a quatro vezes a extensão do Estado de São Paulo) estavam sem uso, no Brasil, no ano de De outro lado, 2,5 milhões de famílias residiam, no mesmo ano, em imóveis rurais, mas não tinham terra. Um detalhe: esse numero não inclui o exército dos bóias-frias, cujo número c muito difícil de precisar, mas, certamente, passa dos quatro milhões de pessoas. O contraste entre a existência de terras agriculturáveis sem uso e uma massa de assalariados rurais sem ter o que comer teria que provocar tensão social - e incidentes mais ou menos graves. É o que ocorreu, por exemplo, em Sampaio, ao norte de Goiás, no mês de julho passado, quando 328 lavradores, "vendo nossos filhos passando fome", iniciaram uma mobilização que terminaria com um ataque a bombas e rajadas de metralhadora, partidas de um helicóptero. A denúncia dos colonos, em carta à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), retrata, com fidelidade, o problema da abundância de terras não-cultivadas, de um lado, e a falta do que comer por parte dos colonos, de outro. Trechos principais: "Vendo nossos filhos passando fome, pos reunimos na igreja, pensando no Sindicato como única maneira de defender os nossos direitos. Quando estávamos fazendo a reunião, veio um fazendeiro e o pessoal do Incra e proibiu a reunião. Tentamos ainda reunião no Sindicato, mas vieram dois homens armados ameaçando até morte. Prevendo a falta de comida para o outro ano, nos reunimos ém mutirão para fazer um roçado, no dia 21 de julho de Quando nossos representantes estavam reunidos com os companheiros, apareceu o sr. Àdistonia, com outros homens, dizendo que eram federais, e invadiram a igreja armados, pren-.dendo quatro dos nossos. E obrigaram o povo, dentro da igreja, a rezar bem alto, de joelhos, com as mãos na cabeça".! j "No dia 23 de julho, veio um helicóptero com cinco homens armados de metralhadora, soltando bombas e dando descargas, que foi uma coisa horrorosa. Todo mundo se assustou. Um senhor do Caixiado, centro vizinho, teve um choque e morreu depois de 24 horas. Uma senhora que estava de resguardo assustou-se tanto que, ao chegar ao médico, não teve jeito e mprreu também. Mais duas senhoras, que estavam gestantes, perderam os filhos por causa de tudo isso. O helicóptero aterrisou no campo de frite- dia $-%<k CLOVIS ROSSI *íul\uo-üvjq JMm Ij <u>p.ã>io. oíwi_ k,t jlím^msro* Uddí^_.SWkoJt<9w_ Cjuxf _ JLOToJ-l*- dl. ijtoq U09ldQ_cl4JLUt6 Í5 OQJlfaAjAs3<> * - aaax^ ^-CwAtOíO-fTux^-JiOodlc-Outl-y» 5oa^Lcuc&.ou!zfc r-r-w o ^âx\}isxia> cjloo du^hado- /wao \jus* Solta»}! \)M.. AAlCltul. a Co^yrWncc» CJ^U. -tlx -Úu <U~u JUuW) MTk,\J<x. )Xn/toi4 *a.>ux~~ dufy^do Cp*s> O qoú&i OAAqadbQ-ejQOrtL-O-ftòUo cio SWjpcuo "HofUA^ poxf* SoúLo NÉt-Mjlí-jU^^ lào. a^cwolcu yax4.hu<i X /\AAíWO.hic^cLL- <vion_fvvàü ~ta^ oa-jx*- XXuAS^JOidoLát ±ajiol-jyía.ojjvi jurtziioi í^oucv ^ zvvo boi. Os homens chamaram o povo e disseram que, se continuasse o serviço de derrubada (da mata, para preparar o roçado), viriam soltar bombas em cima da cidade. Terminaram dizendo que o governo estava zangado com o povo de Sampaio, porque sabia que tinha duzentos horriens armados para brigar contra o governo. Senhores, é mentira que estamos armados. A maioria de nós nào tem nem uma bala para matar uma rola. Agora, nós queremos justiça. Queremos liberdade para traballiar nas terras, para dar de comer a nossos filhos. Somos brasileiros, amamos esta terra e queremos lugar para trabalhar. Pedimos às autoridades que venham nos ajudar a resolver nossos problemas. Somos pobres, mas temos vontade de trabalhar para não morrer de fome". Em seis anos, 113 mortos. Fora os qué a imprensa não registrou O caso de Sampaio, obviamente, não é um episódio isolado. Ocorre que raramente esses conflitos - mesmo da gravidade do ocorrido em Sampaio, com a utilização até de bombas - chegam à imprensa dos grandes centros. A Associação Brasileira de Reforma Agrária fez um levantamento dos conflitos de terra entre 1971 e 1976: registrou 446, com 113 mortes. Sua fonte de consulta era apenas o noticiário da imprensa. Mas uma checagem junto às onze federações de trabalhadores rurais existentes no país apontou a existência de 485 conflitos, ém um período no qual a imprensa registrara apenas 24. Se essa proporção de um conflito registrado na imprensa para cada vinte que de fato ocorrem, está correta, se poderia chegar à conclusão que, nesses seis anos abrangidos pelo estudo da ABRA, houve 3 mil problemas graves na área rural - mais de um por dia, portanto. E não é apenas a existência dos grandes espaços agriculturáveis sem As conclusões da CPT Além de defender o direito do trabalhador sem terra de tomar posse de áreas produtivas não cultivadas dos grandes latifúndios e de defender a reforma agrária, a reunião da Comissão Pastoral da Terra decidiu também; "nos casos de expulsão da terra, não aceitar, indenização. A terra se troca pela terra"; "fazer pressão contra o uso indiscriminado de.produtos químicos na agricultura, que ameaça a vida da terra e do homem"; "em cada região, buscar meios para o surgimento de organizações de base, sobretudo de delegacias sindicais" (que seriam a versão rural dos delegados de fábrica)^ aproveitamento que leva aos conflitos: o problema central é a estrutura fundiária brasileira (ler quadro abaixo). Há um número impressiotiahte de pequenas propriedades, até dez hectares, que representam 52,4% do total de estabelecimentos agrico- Ias, mas ocupam apenas 0,35% da área cultivável. No outro extremo, as propriedades de mais de duzentos hectares, que são apenas 5% do total, ficam com 68,7% da área total. E essa concentração, ao invés de diminuir, está acentuando-se, acompanhando, de resto, a tendência;de todo o quadro sócio-econômico: em 1970, as propriedades cujo tamanho médio de três hectares ocupavam 2,5% da área total agriculturável. Cinco anos depois, essa porcentagem caia para apenas 1,6%, enquanto subia de 42.1% para 42,7% a porcentagem da área total pertencente às grandes unidades (área média de hectares). Ao lado dos espaços inaproveitados, da irracional distribuição das propriedades, há, ainda, o empobrecimento, absoluto e relativo, do setor rural em comparação com o restante da economia. No mesmo período 70-75, enquanto a economia, como um todo, crescia 67,3% e o setor industrial ainda mais (75,2%), o setor agrícola progredia apenas 34,7%. Pior ainda: a evolução da renda per capita na agricultura, fora, nesses seis anos, de apenas 12,5%. Entre os camponeses, há 4,5 milhões de crianças até 14 anos Aparentemente, há uma explicação fácil para essa baixa evolução da renda per capita: cresce de modo impressionante o número de crianças empregadas na lavoura. Em Í975, dos 21 milhões de trabalhadores rurais brasileiros, nada menos de 4,5 milhões tinham menos de 14 anos.de idade - e, naturalmente, recebiam, quando recebiam, menos do que o salário, já baixo, pago aos adultos. Esses números do IBGE revelam, A BOMBA E A CARTA A CNBB pretende encaminhar ao Ministério da Justiça os fragmentos (acima) da bomba lançada contra os lavradores de Goiás, cuja carta-denúncia conta toda a história do confronto de Sampaio ainda, que metade da força de trabalho agrícola tem menos de 18 anos de idade. A solução, clamam todos os setores interessados, exceto, naturalmente muitos grandes proprietários, é a reforma agrária. Ela é defendida também nas conclusões da II Assembléia Nacional da Comissão Pastoral da Terra, "porque acreditamos que a terra é de quem nela trabalha e vive". O problema é definir que reforma a- grária. Solução: a reforma agrária. Mas qual reforma agrária? O governo Castello Branco fez a sua, mas um de seus principais integrantes, o atual embaixador em Londres, Roberto de Oliveira Campos, já reconheceu que a reforma malogrou, em parte pela dificuldade em estabelecer os limites a partir dos quais se tem um latifúndio. Partidos, como o Comunista, que sempre incluíram a reforma agrária entre as suas bandeiras, reconhecem hoje - segundo disse segunda-feira ao JORNAL DA RE- PUBLICA um dos membros do, Comitê Central, José Salles - que o que pode ser um latifúndio, "nas beiradas de São Paulo, pode não o ser no Nordeste". E Francisco Juliãó, o criador das Ligas Camponesas, que já foram o terror dos proprietários de terras nordestinas, volta em breve ao Brasil com outra bandeira: combater o avanço dos estrangeiros sobre as terras brasileiras. Uma preocupação, de resto, justificada: segundo a ABRA, 35% do mapa brasileiro pertence a estrangeiros. E o Serviço de Processamento de Dados do Ministério da Fazenda, em fins do ano passado, verificou que nos Estados de São Paulo e do Pará o limite legal de terras vendidas a estrangeiros fora ultrapassado em 48,4 mil hectares. Esse é um complicador a mais a mexer com o "fundão" do Brasil, o feudo aparentemente tranqüilo de onde o governo tira os votos que compensam a avalancha oposicionista nos grarjdes centros. Greve nos canaviais pode ser geral 2? RICARDO RIBEIRO DE CARVALHO, de Recife A cada dia fica mais evidente que a greve geral nos canaviais de Pernambuco é inevitável: ontem, quando entrou em seu quarto dia a paralisação nos municípios de São Lourenço da Mata e Pau dalho, a tentativa de conciliação entre representantes de patrões e empregados de outros 22 municípios malograva inteiramente, deixando a impressão de que, à meianoite de segunda-feira, todos os canaviais estarão parados. Os trabalhadores continuam espalhando a palavra de ordem "é melhor morrer de fome do que morrer trabalhando", enquanto o delegado regional do Trabalho, Alexandre Kruse, abria a.reunião entre as partes pe- f Poucos têm muito _\ lamanri0 Estabelecimentos área ocupada yúlfy Até 10 ha. 52.4% 0.35% /^\^V-* 10 a 50 ha. 30,9% 11.0% vcs^ft^ 50 a 100 ha. 7.1% 7,7% rnsêú^w Mais de 100 ha. 9.7% 78,6% gjl-as Fonte: IBGE - Censo Agropecuário dindo,a Deus que "nos ilumine a todos para que aqui ocorra uma conciliação". Não ocorreu: apenas seis dos vinte itens do documento reivindicatório dos trabalhadores foram discutidos. E houve acordo apenas a respeito de um deles: o pagamento de parte do 139 salário até o dia 30 de junho. É verdade que ps representantes dos usineiros consideraram justas.as reivindicações dos trabalhadoras, mas diziam que não podiam atende- Ias "por culpa do governo". De sua parte, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura rebatia: "Quem tem condições de esperar as decisões do governo, no campo previdenciário rural, é a classe patronal e não os trabalhadores, que vivem na miséria". Os trabalhadores empenham-se em fazer uma greve legal, obedecendo a todas as determinações da legislação, tanto que voltam hoje à mesa de negociações com os patrões. Apesar disso, no município de São Lourenço, quase houve um incidente ontem, quando a PM considerou que, se a greve era legal, piquetes^ não eram. E ameaçou dissolvê-los, chamando reforço. Os trabalhadores fizeram a mesma ameaça. E os policiais se. afastaram.

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