Momento estratégico. Copa de 2014, Olimpíadas de 2016 e a descoberta do pré-sal trazem chance ímpar para investimentos em infraestrutura no Brasil

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1 nº27 maio 2010 Publicação do Conselho Regional de Economia - 2ª Região - CORECON-SP Momento estratégico Copa de 2014, Olimpíadas de 2016 e a descoberta do pré-sal trazem chance ímpar para investimentos em infraestrutura no Brasil Entrevista Carlos Alberto Safatle

2 Não importa em que fase da vida você está. Para viver com segurança, você precisa de um bom plano de saúde. E os melhores planos, até 45% mais barato *, você encontra aqui. Graças à parceria da Qualicorp com o CORECON-SP, você pode ter um plano de saúde coletivo por adesão que oferece todas as coberturas médicas exigidas pela lei, além de coberturas adicionais e uma excelente rede de hospitais e laboratórios. E o melhor: até 45% mais barato. * Confira outras opções de planos de saúde. Ligue agora mesmo para ou acesse SulAmérica Medial Qualicorp Adm. de Benefícios * Em comparação a produtos de mesma categoria oferecidos no mercado de planos individuais (tabela de junho/2010). Planos de saúde coletivos por adesão, conforme as regras da ANS. Informações resumidas. Condições contratuais disponíveis para análise. Junho/2010.

3 Conselho Regional de Economia 2ª Região - SP Sumário Conselheiros efetivos: Antonio Luiz de Queiroz Silva, Carlos Alberto Safatle, Celina Martins Ramalho, Gílson de Lima Garófalo, João Pedro da Silva, Manuel Enriquez Garcia, Marco Antonio Sandoval de Vasconcellos, Nancy Goreti Gorgulho Chaves Braga, Pedro Afonso Gomes, Synésio Batista da Costa, Wilson Abrahão Rabahy Conselheiros Suplentes: Cláudio Gonçalves dos Santos, Francisco da Silva Coelho, José Dutra Vieira Sobrinho, Modesto Stama, Orozimbo José de Moraes, Paulo Brasil Correa de Mello, Paulo Henrique Coelho Prado, Paulo Joel Bruno, Roberto Luis Troster, Simão Davi Silber, Teruo Hida, Vera Martins da Silva Conselheiros por São Paulo do Conselho Federal de Economia - COFECON: Efetivos - Jin Whan Oh, Paulo Brasil Correa de Mello, Synésio Batista da Costa, Waldir Pereira Gomes e Wilson Roberto Villas Boas Antunes Suplentes - Antonio Luiz de Queiroz Silva, Carlos Eduardo S. Oliveira Jr., Carlos Roberto de Castro, João Pedro da Silva, Pedro Afonso Gomes 05 Encontro 04 Editorial 05 Radar 06 Entrevista 09 Memória Administração: Rua Líbero Badaró, º andar Centro São Paulo - SP Tel.: (11) Fax: (11) Assessoria de imprensa: Hélio Perazollo 10 Capa DELEGACIAS REGIONAIS ABC Delegado: Leonel Tinoco Neto (11) Carlos Alberto Safatle 14 Na mídia Araçatuba Delegado: Alair Orlando Barão (18) Bauru Delegado: Reinaldo César Cafeo (14) Campinas Delegado: Paulo César Adani (19) /9742 Jundiaí Delegado: Marino Mazzei Júnior (11) Presidente Prudente Delegado: Álvaro Barboza dos Santos (18) Carlos Antonio Luque Ribeirão Preto Delegado: Fabiano Augustio Alvarenga Guimarães (16) Santos Delegado: Arnaldo de Almeida Carvalho (13) São José dos Campos Delegado: Jair Capatti Jr (12) São José do Rio Preto Delegado: Hipólito Martins Filho (17) Sorocaba Delegado: Sidney Benedito de Oliveira (15) Infraestrutura em foco Núcleo de Criação e Desenvolvimento Rua Cayowaá, Perdizes São Paulo - SP - CEP: Fones: (11) / Site: Jornalista responsável: Roberto Souza (Mtb ) Editor-chefe: Fábio Berklian; Editor: Faoze Chibli Reportagem: Thiago Bento, Rodrigo Moraes, Amanda Campos e Marina Panham; Projeto gráfico e direção de arte: Leonardo Fial maio Diagramação: Leonardo Fial, Luiz Fernando Almeida e Felipe Santiago

4 Editorial Escolha de Sofia Atualmente o Brasil está inserido no seleto e reduzido grupo de países que estão crescendo com taxas respeitáveis, mesmo em período de saída de uma crise financeira complicada, como a enfrentada entre 2008 e Tal aumento é resultado das medidas adotadas no último trimestre do ano passado: redução fiscal conjugada com crédito consignado. Algo há muito não praticado no País. A decisão colaborou para acentuar a demanda interna e manter alto o nível do crescimento econômico. Devido a essa aceleração e aquecimento, foi necessário um ajuste inicial na taxa de juros de 0,75%. Um outro de igual valor aconteceria pouco tempo depois. O aumento, claro, gerou queixas, em especial de dois setores: indústria e agricultura. Em contrapartida o Banco Central contemporizou que ou aumentava os juros ou a inflação voltaria. Entre lidar com uma questão ou problema, segundo alguns mais localizada e pontual, como os juros, e outra mais generalizada, que desorganizaria o sistema como um todo, caso da inflação, preferiu-se a primeira opção. A expectativa, entretanto, é que esses valores sejam reduzidos ao longo do tempo. Outro fator importante para o aquecimento da economia é a Copa do Mundo. Além de estimular a autoestima da população em ver sua seleção jogar, o evento esportivo gera atividades econômicas interessantes, como o aumento de vendas de geladeiras e de aparelhos televisivos, e a nova demanda por serviços de Pay-per-view em canais a cabo. Aliado a isso, lembremos que o Brasil passa por um momento muito feliz, no qual aumentou suas reservas e conta com a recente descoberta da camada pré-sal. Boa leitura! Carlos Alberto Safatle Presidente do CORECON-SP 4 maio 2010

5 Radar Encontro das Delegacias Regionais Durante reunião em junho na sede do CORECON-SP, em São Paulo, delegados de dez Regionais estiveram presentes juntamente com o novo presidente, Luis Carlos Safatle, e o vice-presidente, José Dutra Vieira Sobrinho. O encontro teve como objetivo integrar as Delegacias à nova gestão e valorizar o trabalho realizado em cada uma das regiões do estado. Na oportunidade, abriu-se espaço para os Delegados utilizarem a revista O Economista para promover e divulgar assuntos estratégicos. Entre os Delegados presentes esta- Morre ex-presidente do BNDES vam Leonel Tinoco Netto (ABC), Alair Barão (Araçatuba), Reinaldo Cesar Cafeo (Bauru), Hipólito Martins Filho (São José do Rio Preto), Álvaro Barboza (Presidente Prudente), Paulo César Adani (Campinas), Arnaldo de Almeida Carvalho (Santos), Sidnei Benedito de Oliveira (Sorocaba) e Fabiano Augusto A. Guimarães (Ribeirão Preto). Nessa linha de atuação, o delegado Jair Capatti Junior, 53 anos, que tomou posse do Conselho Regional de Economia (CORECON) do Vale do Paraíba há um ano, divulgou um dos objetivos atingidos no período: incluir a economia no rol de profissões divulgadas pela Secretaria de Relações do Trabalho de São José dos Campos. Necessitamos aumentar o quadro de profissionais em finanças e empresas, explica. Além do incentivo aos que atuam na área e os bacharéis em ciências econômicas, o delegado acredita que o desenvolvimento dos economistas influenciará o crescimento da região. Faleceu em 20 de maio o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco Central e Petrobras, Francisco Roberto André Gros, em decorrência de um câncer no cérebro. O economista ocupava a vicepresidência do Conselho de Administração da empresa OGX. Carioca nascido em 1942, graduou-se economista pela Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, em 1964, voltando ao Brasil em Em 1977 atuou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), onde se tornou superintendente, superintendentegeral e diretor. De 1981 a 1985, ocupou o cargo de diretor-executivo do Unibanco. Tornou-se presidente do Banco Central em 1987 e novamente, entre 1991 e 1992, e da Petrobras, de 2002 a Boa leitura! Com frequência em uma economia moderna, oscilações financeiras atingem dimensões de crise. Agora mesmo estamos na fase final do tratamento de uma delas. Como sempre, muito se grita na direção de redesenhar tudo para algo assim nunca mais ocorrer. Mas exatamente o que isso significa? Será possível um sistema à prova de crises? São questões discutidas neste livro editado em boa hora por Márcio Garcia e Fabio Giambiagi. Nele estão reunidos textos de um excepcional grupo de autores com experiências diversas, que abordam desde as raízes da crise à história e ao desenvolvimento atual de nosso próprio mercado. São reflexões profundas e atemporais sobre questões de grande relevância. Risco e Regulação - Por que o Brasil enfrentou bem a crise financeira e como ela afetou a economia mundial Organizadores: Fabio Giambiagi e Márcio Garcia Editora: Campus Número de Páginas: 320 maio

6 Entrevista Carlos Alberto Safatle Valorização do economista Dedicado ao crescimento da profissão, economista acredita que o País passa pelo melhor momento para incentivar a demanda pelo curso universitário e pela união da categoria Por Thiago Bento Entusiasta da reforma da grade curricular dos cursos de economia, Carlos Alberto Safatle planeja levar a discussão ao próximo Simpósio Nacional de Conselhos de Economia (Since). Demoramos para realizar graduação em quatro anos, afirma. Ainda segundo o presidente do Conselho Regional de Economia (CORECON-SP), passamos por um momento propício para essa renovação, devido à melhoria na percepção do trabalho do economista pela sociedade. O Brasil saiu muito bem da última crise, ressalta. Aumentar a demanda pelos cursos integra a ação de agregar os economistas. Precisamos nos unir em prol do nosso objetivo comum de valorizar o profissional, sentencia Safatle. Com o propósito de agrupar os profissionais, o presidente do CORECON-SP destaca o trabalho das delegacias regionais como essencial e facilitador 6 maio 2010

7 das atividades do Conselho. Na entrevista a seguir, Carlos Alberto Safatle comenta suas expectativas quanto ao seu mandato. O Economista Como encara o desafio de assumir a presidência do Corecon-SP após decisão unânime? Carlos Alberto Safatle Sinceramente foi muito gratificante. Senti-me bastante honrado com essa escolha, pois estávamos divididos e meu nome passou por unanimidade. Acredito que a escolha também foi boa institucionalmente, pois iríamos parar. Os economistas do estado de São Paulo iriam acabar sendo punidos sem terem culpa nenhuma desse processo. Eles estavam quase que abandonados. O Economista Quais serão as principais diretrizes e frentes de trabalho? Safatle A primeira diretriz é consequência da eleição: apaziguar internamente o CORECON- SP. Na linha externa é desenvolver uma aproximação bem estreita com a Ordem dos Economistas (OEB) e o Sindicato dos Economistas (SIN- DECON). Somos relativamente poucos para ficarmos divididos em três instituições trabalhando cada uma separadamente. Precisamos reunir esses esforços e buscar o objetivo comum que é a valorização do economista. O Economista Como unir as três instituições? Safatle Em termos operacionais já começando com encartes na revista O Economista. Em termos de ideias promovendo mais integrações entre conselheiros e, repito, buscando objetivos comuns. O Economista Durante algumas reuniões o senhor falou muito das delegacias regionais. Qual a importância de dar voz a elas? Safatle Elas representam uma maneira atual de gestão que é a descentralização. Apesar de dispormos de várias tecnologias modernas, como uma vídeo-conferência, há poucas condições de estarmos sempre presentes fora da capital. As delegacias fazem essa representação, são nossos braços operacionais em cada microrregião, e são fundamentais. Elas facilitam o atendimento aos profissionais que estão nessas cidades, pois assim como é complicado irmos sempre para lá, também é difícil para eles virem com frequência para o Centro de São Paulo. O Economista Sendo professor, como pretende aliar essa experiência com a que ganhou na gestão pública e privada durante seu mandato? Safatle Exerci algumas presidências estatais em São Paulo e lecionei em boa parte das faculdades da cidade. Na iniciativa privada, comecei como sócio-diretor de uma empresa de construção e atuei no mercado de capitais. Aliado a isso desenvolvo um trabalho mais social voltado para o esporte no São Paulo Futebol Clube e na Sociedade Hípica Paulista. Tudo isso vai formando um arcabouço teórico e experiências em gestão e convivência. O maior problema do profissional é mais do que a competência, mas se integrar ao grupo com o qual trabalha e criar valor onde está. Entre as demissões em todo o mundo, 70% não são causadas por incompetência, mas pela falta de integração do funcionário. O Economista Ainda sobre o academicismo, frequentemente comenta-se a necessidade de reformar a grade curricular dos cursos de economia. Como enxerga essa questão? Safatle Tenho falado muito so- maio

8 bre isso e pretendo levar esse assunto para o Since. Sou avaliador do sistema MEC/INEP (Ministério da Educação/Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) para economia e administração. Nos últimos anos, para cada autorização de abertura de curso de economia, havia cinco de administração. Quando voltávamos para reavaliar economia, o curso havia sido encerrado e administração tinha triplicado. O Economista Por que isso aconteceu? Safatle O currículo da administração está mais voltado para a realidade profissional do que economia. Há várias disciplinas profissionalizantes. Recursos humanos, por exemplo, era exclusivo de economia. Além disso, o curso de economia demorou a ser realizado em quatro anos. O aluno vem com deficiências da formação quantitativa do segundo grau, mas busca um curso superior. Geralmente com uma abordagem quantitativa em menor tempo. Essa demanda acabou se conduzindo para administração. O Economista Há probabilidade de algo ser feito a curto ou médio prazo? Safatle Sim. Um exemplo é o registro profissional. Advogados só podem atuar com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), médicos com o Conselho Regional de Medicina (CRM), contabilistas também são registrados. Mas os economistas, não. O aluno vem com deficiências da formação quantitativa do segundo grau, mas busca um curso superior O Economista O Brasil encara um momento decisivo de investimentos (pré-sal, copa 2014, trem bala), como podemos aproveitar esse momento? Safatle Demos uma lição ao mundo durante essa última crise financeira. Enquanto dependíamos do mercado externo, estávamos tendo crescimento voltado às políticas externas. No momento da crise, voltamos o consumo ao mercado interno. Houve conjugação de medidas com redução fiscal e crédito consignado. Com isso presenciamos fenômenos como a General Motors quebrando lá nos Estados Unidos, mas batendo recordes de vendas no Brasil. Superamos a crise, aumentamos reservas, controlamos a inflação e incluímos 35 milhões de pessoas no mercado de consumo. O Economista Isso melhorou a percepção da sociedade quanto ao economista? Safatle Sim, melhorou muito. Tivemos momentos em que estávamos desacreditados, mas atualmente isso está melhorando. Essa crítica positiva se refletiu na demanda pelos cursos, estamos nos recuperando. O Economista Sobre infraestrutura, fala-se muito da Copa no Brasil em O que precisamos fazer para atingirmos a excelência? Safatle Nas décadas de 1950, 1960 e 1980 os estádios de futebol eram construídos para uma torcida que só pulava, no sentido literal, na hora em que seu time fazia gol. Hoje isso mudou. Elas torcem o tempo inteiro. Essa vibração exige cálculo estrutural diferente, tornando a construção atual totalmente diferente das existentes. Outro fator é a multifuncionalidade dos estádios. Hoje não podemos tê-lo apenas para o futebol, sendo utilizado uma ou duas vezes por mês. É necessário ter lojas, praça de alimentação, entre outros. Isso se encaixa na demanda de estádios. Exige investimento diferenciado. O entorno deles também precisa passar por reformulações. Há a questão de transporte, hospedagem e educação da sociedade. Acontece um efeito multiplicador enorme. O Economista Estamos prontos para receber a competição? Safatle Estamos, sim. Somos um pouco ingratos com nossos atletas e gestores. Recentemente, no primeiro jogo da seleção brasileira vencemos a Coreia do Norte e mesmo assim o time foi criticado. No dia seguinte, várias seleções consideradas grandes perderam os jogos. Às vezes não valorizamos o que temos, mas estamos prontos, sim. 8 maio 2010

9 Memória Carlos Antonio Luque Presidente do Corecon-SP às vésperas da implantação do Plano Real, Luque comenta seu ingresso na FEA-USP e no Conselho Destaque da quinta edição de O Economista, Carlos Antonio Luque se graduou em 1971 na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), instituição em que dois anos mais tarde seria professor. Enquanto lecionava, concluiu seu mestrado, em 1976, e seu doutorado, em 1982, ambos na FEA. No ano de 1986 foi até a Universidade da Califórnia, Los Angeles, (UCLA) Estados Unidos, cursar pós-doutorado. E em 1987 voltaria à USP para tornar-se livre-docente. A escolha pela economia aconteceu na década de A decisão foi mais um fruto da ausência de outras opções de cursos, afirma. Ele relata que ao terminar o colégio e ingressar no cursinho precisou eliminar faculdades que exigissem dedicação exclusiva. Eu precisava estudar e trabalhar, enfatiza. Segundo o professor, em 1967 Direito era um curso já tradicional, mas falava-se sobre a saturação do mercado. Economia, entretanto, despontava de forma promissora. Nesse mesmo período, o então ministro Delfim Netto passou a obter um reconhecimento significativo. Consequentemente optei por economia. Luque revela que ser professor não fazia parte de seus planos, mas aconteceu. Foi aberto um concurso, fiz a inscrição junto com colegas e passei. A experiência de lecionar nesse período foi interessantíssima, na opinião do docente, que à época tinha apenas quatro ou cinco anos de diferença dos alunos. Óbvio que a distância aumentou. Hoje tenho 63 e eles seguem com 20, brinca. Segundo Luque, a vantagem da proximidade de idades é a semelhança de comportamento e identificação mútua. Sentimento que vai se distanciando com o passar do tempo, mesmo com toda a experiência, comenta. Há comportamentos que muitas vezes não entendemos. Luque comenta que na década de 1960, conversas durante as aulas e entradas e saídas dos alunos sem a permissão dos docentes, representavam um modelo de desafio. Esse comportamento se tornou natural nos anos 1980 e CORECON SP Ao terminar a faculdade, Luque se inscreveu no Conselho Regional de Economia. Próximo a nomes como Sideval Aroni, Jamil Zantut e Heitor Davi, o professor da FEA foi convidado a ser conselheiro e, depois, chamado para concorrer à presidência da instituição. No início da década de 1990, o maior problema da economia brasileira era a inflação, sempre aumentando e cada vez mais difícil de ser solucionada. A estabilização mais permanente veio em 1994 com o Plano Real, comenta. Todas nossas discussões eram sobre esse assunto. Realizávamos encontros com a mídia e com economistas para debater o tema. Segundo Luque, hoje a inflação é mais importante para os profissionais que atuam no mercado financeiro do que para a população em geral. É muito diferente do período quando o fenômeno da hiperinflação, no final da década de 1980 e inicio de 1990, prevalecia em nossa economia, explica. Ainda de acordo com o professor, tanto é assim que parte dos alunos atualmente desconhecem o que significa inflação, pois além de não a terem vivido, quando passaram a ter alguma experiência com os fatos econômicos diários, nossa economia já estava com os preços estabilizados. maio

10 Capa Oportunidade única Olhares se voltam ao Brasil no momento em que se apresentam investimentos para infraestrutura, Graeme Williams/mediaclubsouthafrica com a Copa de 2014, as Olimpíadas de 2016, e o pré-sal Marcello Casal Jr./ABr 10 maio 2010

11 Chris Kirchhoff/mediaclubsouthafrica Graeme Williams/mediaclubsouthafrica Por Thiago Bento e Rodrigo Moraes O Brasil tem pela frente uma das melhores oportunidades para alguns, a melhor de se firmar como uma das mais fortes economias mundiais. As perspectivas são extremamente positivas para investimentos em áreas estratégicas. O desenvolvimento das reservas de óleo e gás na camada pré-sal; a organização da Copa do Mundo em 2014; os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro em Tudo isso posiciona o País na rota dos negócios internacionais e pode consolidar a imagem de uma nação capaz de enfrentar desafios e entrar no grupo das economias mais desenvolvidas. Nas três situações Copa, Olimpíadas e exploração do pré-sal, depois de comemorar, cabe às autoridades públicas e aos agentes privados iniciar o planejamento das ações necessárias para transformar oportunidades em negócios. E, claro, realizar investimentos concretos. Somente o pré-sal deve movimentar US$ 440 bilhões no longo prazo, em desenvolvimento de tecnologia, na ampliação da capacidade instalada da indústria, na construção de estaleiros e na formação de mão de obra, destaca o presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), Paulo Godoy. Para ele, os benefícios desses investimentos e negócios acabarão sendo distribuídos para toda a população brasileira em todos os estados. Segundo o economista, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), e conselheiro do CORECON-SP, Manuel Enríquez Garcia, a discussão sobre os investimentos do Estado em infraestrutura acontece há décadas, sob o ponto de vista teórico. A verdade é que ele não dispõe de poupança suficiente para fazer isso, enfatiza. Essa nossa taxa é baixa, assim como a de financiamento, completa. Garcia explica que não poupar faz parte da cultura da população brasileira. Entretanto, também é consequência de uma grande fatia da sociedade não ter renda suficiente. O estudo Brasil Sustentável Impactos socioeconômicos da Copa do Mundo 2014, desenvolvido pela Ernst & Young em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado recentemente, levanta números sobre a Copa do Mundo O efeito multiplicador estimado seria capaz de quintuplicar os investimentos diretos realizados no País, injetando, no total, R$ 142,39 bilhões na economia brasileira até Para Elvio Gaspar, diretor da área de inclusão social do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), organizar esses eventos terá a missão de afirmar um projeto de País. Para tanto, as ações devem estar alinhadas. Gaspar destaca que o fato de a Copa ser realizada em 12 cidades, nas cinco regiões do País, foi um bom começo, pois passa o recado de que o Brasil quer crescer por inteiro. Além do investimento direto de R$ 22,46 bilhões para garantir infraestrutura e organização, o evento deve resultar em R$ 112,79 bilhões adicionais, considerando-se os impactos provocados em setores interligados, em um efeito dominó com uma série de desdobramentos socioeconômicos. Serão gerados 3,63 milhões de maio

12 Trem bala Na mesma linha de investimentos, o Trem bala (ou TAV Trem de Alta Velocidade) deve ligar as duas maiores cidades do País São Paulo e Rio de Janeiro - e seus aeroportos internacionais (Guarulhos e Galeão), integrando também a cidade de Campinas e o Aeroporto de Viracopos. De acordo com o Governo Federal, o custo previsto para a conclusão de todo projeto do TAV é da ordem de R$ 35 bilhões, dos quais R$ 20,8 bilhões serão financiados pelo BNDES. Os custos de investimento do TAV Brasil envolvem a construção, a aquisição de material rodante e a implantação de todos os sistemas/subsistemas necessários ao empreendimento. Tais custos foram levantados com base na otimização do traçado referencial e nos estudos de operação. Já os custos de infraestrutura relacionados às obras de construção civil foram baseados em preços unitários do SICRO 2 (Sistema de Custos Rodoviários) do Departamento Nacional de Infraestrutrua de Transportes (DNIT), considerando-se a região de São Paulo e data-base de setembro/2008. Os custos relacionados ao fornecimento e montagem de equipamentos eletroeletrônicos, mecânicos e sistemas/ subsistemas, quando não fabricados no Brasil, foram obtidos por meio de pesquisa com vários fornecedores internacionais de tecnologias de sistemas ferroviários de alta velocidade. empregos/ano, e R$ 63,48 bilhões de renda para a população, com impacto direto no mercado de consumo interno. O levantamento mostra ainda que os setores mais beneficiados pela Copa do Mundo no Brasil serão os de construção civil, alimentos e bebidas, serviços prestados às empresas, serviços de utilidade pública (eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana) e serviços de informação. No total, essas áreas deverão ter incremento da ordem de R$ 50,18 bilhões. O Estado Federal, como um todo, não poupa, por isso não há meio de propiciar os fundos necessários para os investimentos requeridos, sentencia Manuel Enríquez Garcia. Ainda de acordo com o economista, o BNDES tem sido utilizado como braço direito do governo para isso. Mas o banco não dispõe de recursos próprios e depende da União, que, por sua vez, depende de captação internacional, e acaba se endividando. Sendo assim, fica a questão se o Estado deve ter menor participação na execução de investimentos em áreas como educação, segurança e saúde, em favor da infraestrutura. Para Garcia, tem-se observado uma ampliação da participação estatal em alguns setores da economia, como energia elétrica, petróleo, aeroportos, portos, ferrovias e telecomunicações. Muitas vezes, esses investimentos são feitos de forma indireta pela capitalização do BNDES, com recursos do Tesouro, para financiar projetos. Ou, ainda, propondo desconsiderar decisões criadas para fiscalizar o uso dos recursos públicos (como as dos Tribunais de Contas), ou a preservação do meio ambiente (como as do IBAMA). Para diversos segmentos da política, esse cenário dificulta a realização de projetos em tempo desejável para atender as prementes necessidades de grandes parcelas da população que são, em geral, as mais desprotegidas. PAC Dentro dessa perspectiva de investimentos em infraestrutura, Paulo Godoy acredita que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) tem papel fundamental. Após três anos de vigência, mostra uma execução orçamentária mais veloz, mesmo que ainda distante do ideal, como reconhece o presidente da ABDIB. Em que pese a necessidade de aperfeiçoamentos necessários na gestão pública e na execução do orçamento, o PAC tem contribuído para a superação de gargalos infraestruturais, para a melhoria da qualidade de vida e para o estímulo à atividade econômica. Projetos importantes estão em andamento e medidas foram adotadas visando a expansão da infraestrutura. Já na opinião de Manuel Enríquez Garcia, a melhor maneira de resolver essa situação é a parceria públicoprivada, na qual o Estado segue regulamentando e normatizando sob o regime de concessão e a iniciativa privada assume o risco do interesse. Como exemplos bem sucedidos, o economista cita a limpeza urbana na cidade de São Paulo e as concessionárias Ecovias e Autoban. O fato é que se não for assim, não haverá trem bala, ampliação de aeroportos nem pré-sal, ressalta. E afirma que devido à eleição, o País está no melhor momento para discutir o tema. O Estado, sob o ponto de vista de Garcia, precisa 12 maio 2010

13 adotar um papel menos ideológico e mais prático. Deixando de pensar que o setor privado não pode fazer o que é do público. Se fosse assim, não teríamos escolas particulares nem planos de saúde, compara. Em artigo recente, Wilen Manteli, presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), aponta que se têm apresentado diversos entraves no processo de implementação do PAC da Infraestrutura. Entre eles estão problemas de marco regulatório e operacionalização de parcerias público-privadas. Agora se soma mais um, que na verdade representa o recrudescimento de uma velha barreira: a mentalidade dos órgãos de regulação e fiscalização ambiental, dissociada da realidade e dos interesses nacionais no que tange o licenciamento de áreas para projetos de infraestrutura. O dirigente ressalta que portos e hidrovias, por interferirem tanto no ambiente aquático quanto no terrestre, constituem um desafio para o Divulgação ABDIB Paulo Godoy Brasil melhorar sua capacitação em gestão ambiental. Porém, enquanto vemos nisso um problema, o mundo vê a chance de utilizar o conhecimento e as tecnologias em favor dos empreendimentos portuários e do ambiente que os cerca. Sob o ponto de vista econômico, o fato de a taxa de investimentos ter retornado a 18% em relação ao PIB um dos melhores níveis da década simboliza que há uma nova configuração mais sustentável para o crescimento Manuel Enríquez Garcia da economia. De acordo com o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do primeiro trimestre de 2010, o crescimento sazonalmente ajustado de 2,7% em relação ao último trimestre do ano passado foi fruto de dois fatores principais: a recuperação da produção industrial e a retomada dos investimentos produtivos. Em termos relativos, o PIB do primeiro trimestre apresentou uma aceleração em relação ao crescimento de 2,3% verificado no quarto trimestre de Divulgação Setor Aeroportuário Outro importante aspecto da infraestrutura brasileira que requer atenção é o sistema aeroportuário. Os gargalos nesse sistema são antigos e ficaram mais evidentes entre 2006 e 2007, no auge da crise que atingiu o setor. Paulo Godoy aponta que esta infraestrutura é insuficiente, os investimentos morosos, a gestão e a operação deixam a desejar. De lá para cá, alguns problemas foram minimizados, mas outros, de grande envergadura, ainda estão pendentes e exigem ação urgente. O dirigente da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base acredita em algumas ações que podem solucionar tais gargalos. A primeira é dar prioridade máxima ao atendimento dos passageiros recém-desembarcados, com guichês, funcionários bem treinados e máquinas em quantidades suficientes. A segunda ação é institucionalizar alguns parâmetros de qualidade para cumprimento obrigatório dos operadores aeroportuários. Por fim, a expansão da infraestrutura de pistas e terminais é uma terceira ação indispensável para atender ao crescimento da demanda. Se forem confirmadas as expectativas de expansão da economia para os próximos anos, os pontos de estrangulamento em terminais, pistas de pouso e sistemas de segurança e de controle de voo tendem naturalmente a piorar, principalmente nas férias escolares. maio

14 Na mídia O CORECON-SP foi notícia em grandes meios de comunicação. Veja as principais matérias geradas pela assessoria de imprensa do Conselho: Portal R7 São Paulo - SP, maio/2010 JB Online São Paulo, maio/2010 Portal R7 São Paulo - SP, maio/2010 Portal R7 São Paulo - SP, maio/2010 Correio Brasiliense Brasília, junho/ maio 2010

15 Tome nota O Conselho Regional de Economia de São Paulo (CORECON-SP) passou a adotar as regras do novo acordo ortográfico na Revista O Economista Nova regra Antes Agora Alfabeto passa a ter 26 letras Alfabeto de 23 letras, mais as chamadas especiais K,W, Y K, W, Y são integradas Trema é eliminado Conseqüência, lingüiça Consequência, linguiça Obs: O trema permanece em nomes estrangeiros e derivados: mülleriano, Müller. Não se acentuam os ditongos abertos ei e oi nas palavras paroxítonas Platéia, idéia, paranóico Plateia, ideia, paranoico Não se acentuam o i e u tônicos das palavras paroxítonas quando Baiúca, feiúra, saiínha Baiuca, feiura, saiinha precedidas de ditongo Não se acentua o u tônico nas formas verbais rizotônicas (acento na raiz) quando precedido de g ou q Apazigúe, argúi, obliqúe Apazigue, argui, oblique e seguido de e ou i Não se acentua o hiato -oo Enjôo, vôo, perdôo Enjoo, voo, perdoo Não se acentua o hiato ee dos verbos crer, dar, ler e ver e seus derivados Crêem, dêem, lêem, vêem Creem, deem, leem, veem Cai o acento diferencial Pára (verbo), pêlo (subst.) Para (verbo), pelo (subst.) Obs: Permanece nos homógrafos pode/ pôde; e também em pôr/ por Não se emprega o hífen nos compostos terminados em vogal, auto-sugestão, contra-senso, autossugestão, contrassenso, nos quais o segundo elemento começa extra-seco, infra-som, supra-renal extrasseco, infrassom, suprarrenal com r ou s, consoantes que, nesse caso, devem ser duplicadas Obs: Permanece nos compostos com prefixos super, hiper, inter, que combinam com elementos que comecem por r: super-realista, hiper-requisitado, inter-regional Não se emprega o hífen nos compostos em que o prefixo termina em vogal e o segundo elemento Auto-ajuda, infra-estrutura, semi-árido, auto-escola Autoajuda, infraestrutura, semiárido, autoescola começa por vogal diferente Ganham hífen os compostos em que o prefixo termina em vogal e o segundo Antiimperialista, microondas Anti-imperialista, micro-ondas elemento começa com mesma letra Obs: No caso do prefixo co- não se usa hífen: cooperação Não se emprega o hífen em compostos em que se perdeu, em Manda-chuva, pára-quedas Mandachuva, paraquedas certa medida, a noção de composição Obs: Permanece nas palavras compostas que não contêm um elemento de ligação, mantendo acento próprio, e também naqueles que designam espécies botânicas e zoológicas: médico-cirugião, ano-luz, guarda-chuva, erva-doce, bem-te-vi Não se emprega o hífen nas locuções de qualquer tipo. Pão-de-mel, cor-de-vinho Pão de mel, cor de vinho Obs: São exceções algumas locuções já consagradas pelo uso: cor-de-rosa, pé-de-meia maio

16 ais do que um profissional, o economista reúne todos os conhecimentos e habilidades para promover o desenvolvimento social e econômico. A atuação do Conselho Regional de Economia de São Paulo busca valorizar cada vez mais a profissão e o profissional de economia, unindo a categoria à sociedade. Organiza e mantém o registro profissional, fiscaliza a atuação dos economistas e incentiva os jovens a optarem pela carreira. O registro no CORECON-SP habilita o economista a exercer a profissão e resguarda a sociedade da ação de maus profissionais. Sem o registro, a atividade se torna ilegal e o bacharel pode ser punido. Registre-se no CORECON-SP e tenha acesso aos serviços oferecidos a profissionais e estudantes. Economista, transformando o mundo.

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