Empreendedorismo no ramo de hospedagem: estudo de caso na Estrada Real

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1 Empreendedorismo no ramo de hospedagem: estudo de caso na Estrada Real Denise Carneiro dos Reis Bernardo (Universidade Federal de São João del Rei/UFSJ Universidade Federal de Lavras/UFLA) João Paulo B. Nascimento (Universidade Federal de São João del Rei /UFSJ) Elaine Cristina Arantes (Universidade Federal de São João del Rei/UFSJ) Reinaldo Aparecida Fonseca (Universidade Federal de São João del Rei /UFSJ) RESUMO O objetivo deste trabalho foi analisar a viabilidade de implantação de uma rede de chalés no Circuito Estrada Real, região Campos das Vertentes, pólo São João Del Rei. Esse tipo de empreendimento inovador é capaz de proporcionar geração de renda, diversificação no ramo de hospedagem e propiciar o ecoturismo, já que os chalés são vias de interação entre hóspede e o ambiente natural. Para tanto, foram aplicados 316 questionários durante a realização do 19º Inverno Cultural. Este evento é realizado pela Universidade Federal de São João del Rei, no mês de julho de 2006, momento favorável para realização da pesquisa de campo, já que neste período a região recebe grande número de turistas. Foram analisadas variáveis como sexo, estado civil, faixa etária, grau de escolaridade, ocupação profissional, motivos que levam/levariam os turistas a optarem por hospedagem em chalés. Os resultados demonstraram que há uma carência desse tipo de serviço na região e que os visitantes optariam por essa acomodação caso houvesse. Palavras-chave: Empreendimento; Rede de chalés; Circuito da Estrada Real. 1 Introdução A atual situação econômica do país exige cada vez mais eficiência e desenvoltura dos empresários. As transformações aceleradas e a instabilidade econômica afetam o mercado de trabalho e de negócios apresentando nos dias de hoje, um cenário de dúvidas, incertezas e insegurança. Uma das formas de enfrentar os problemas socioeconômicos, tais como o desemprego e o nível educacional é através da expansão do empreendedorismo, que resulta na criação de novas micro e pequenas empresas. Ser empreendedor significa ter, acima de tudo, a necessidade de realizar coisas novas, colocar em prática as idéias. Tem o espírito empreendedor quem assume riscos, e o sucesso está na capacidade de conviver e sobreviver a eles, via lucro. Diante deste contexto o empreendedor terá que ter um bom conhecimento de gestão e estar sempre em busca de inovação. O início de qualquer novo empreendimento deve ser bem planejado para que se possa alcançar o sucesso. O planejamento é uma ferramenta básica e de extrema importância. A sua falta pode levar o empreendimento ao insucesso. Este planejamento permite aos empreendedores uma análise segura da viabilidade e mensuração dos riscos do novo negócio. Assim, o objeto de estudo deste trabalho é a viabilidade de implantação de uma rede de chalés na região Campos das Vertentes, pólo São João Del Rei, Circuito Estrada Real. Para garantir a viabilidade do empreendimento, alguns itens devem ser analisados e estudados a fim de evitar futuros problemas e transtornos o que poderia levar ao fechamento do negócio. Para o sucesso do novo empreendimento, deve-se realizar, a principio, um profundo estudo mercadológico, analisando questões como: público alvo e suas tendências de aceitação.

2 Em outras palavras, analisar os fatores que influenciam os resultados desta iniciativa. A partir da análise e estudo destas variáveis, devemos fazer a seguinte pergunta: É viável a implantação de uma rede de chalés na região do Campo das Vertentes? A intenção de abrir uma rede de chalés surgiu, a princípio, pela carência deste tipo de atividade na região e pelo grande desenvolvimento turístico que está sendo almejado pelo Circuito Estrada Real e governo do estado de Minas Gerais, já que a mesma apresenta grande atratividade ao turismo histórico-cultural. Porém, cada oportunidade de negócio tem seu risco, por isso é fundamental que o empreendedor defina o conceito do negócio em si, faça um planejamento, seja criativo, pois empreender requer dinamismo e planejamento estratégico adequado (Sebrae, 1994). 2 Referencial teórico 2.1 Empreendedorismo: uma breve consideração Muito se têm estudado sobre empreendedorismo. Estudiosos e outros já se interessam por essa temática por acreditar que essa é uma importante prática para o desenvolvimento de alguns países. A tamanha atenção ao assunto é perceptível devido o fato que os empregos estão cada vez mais escassos e os indivíduos para se manterem ativamente econômicos têm a opção e sentem-se necessitados de criar seu próprio negócio. No Brasil, o movimento do empreendedorismo começou a se formar nos anos 90, sendo que algumas universidades brasileiras, tais como PUC-RJ, FEA-USP, FGV-USP dentre outras, implementaram em suas grades curriculares cursos voltados para o empreendedorismo, vale ressaltar que entidades como Sebrae e Softex foram grandes aderentes a esse novo nicho inovador. Empreendedorismo é utilizado para designar os estudos relativos ao empreendedor, seu perfil, suas origens, seu sistema de atividades, seu universo de atuação. Para Dolabela (1999 a, p.43) o termo empreendedor é utilizado para designar pessoa que se dedica a geração de riqueza, seja na transformação de conhecimento em produtos ou serviços, na geração do próprio conhecimento ou na inovação em áreas como marketing, produção, organização, etc.. Drucker (1987) retrata de forma bastante precisa o conceito de empreendedor elaborado por Say: aquele que tem o papel de transferir recursos econômicos de um setor de produtividade mais baixa para um setor de produtividade mais elevada e de maior rendimento, possibilitando desse modo, uma maior eficiência e eficácia à economia, alcançando, sobretudo, o equilíbrio financeiro da sua empresa e o máximo de lucros e de vendas. Permanece até hoje a concepção que Say tinha do empreendedor alguém que inova e é agente de mudanças. A concepção do empreendedor como um motor da economia, um agente de inovações e mudanças capaz de desencadear o crescimento econômico também é compartilhada por muitos pensadores atuais. Segundo Dolabela 1999 b, p.28) o empreendedor é um ser social, produto do meio em que vive. Portanto, o empreendedorismo é um fenômeno regional, ou seja, o perfil do empreendedor (fatores do comportamento e atitudes que contribuem para o sucesso) pode variar de um lugar para o outro, o que leva a crer que se uma pessoa vive em um ambiente em que ser empreendedor é visto como algo positivo então terá motivação para criar se próprio negócio. Embora nenhum perfil científico tenha sido traçado, as várias pesquisas desenvolvidas têm dado muitas contribuições ao identificar as principais características de empreendedores bem-sucedidos, o que serve de ferramenta de aperfeiçoamento para quem pretende se tornar um empreendedor. A maioria das características identificadas se referem à iniciativa para criar um novo empreendimento e entusiasmo pelo que desenvolve; à utilização de recursos disponíveis de forma criativa transformando o ambiente social e econômico onde vive; e a aceitação de riscos e desafios moderados (Dornelas, 2001).

3 O empreendedorismo pode conduzir ao desenvolvimento econômico, gerando e distribuindo riquezas e benefícios para a sociedade. É indispensável a concepção e adoção de políticas públicas de apoio e suporte à criação de empresas, abrangendo práticas econômicas legais, tributárias, de financiamento e incentivo a áreas como educação, ciência, tecnologia e outros. O que se pretende é destacar o papel do empreendedor para o desenvolvimento de uma nação a partir do apoio das esferas públicas e privadas. A responsabilidade do Estado na geração de emprego, renda e promoção do desenvolvimento econômico e social do país se mantêm, mesmo com o apoio ao empreendedorismo. É preciso que não se esqueça da função do poder público, de suas responsabilidades com a nação, porque não se pretende de forma alguma transferir responsabilidades do setor público para o para o privado na figura do empreendedor. 3 Metodologia A pesquisa deve estar incluída na realidade social que pretende investigar. Assim, optou-se pela realização de uma pesquisa qualitativa, por envolver a interpretação das particularidades dos comportamentos ou atitudes dos indivíduos (Bogdan e Bikley, 1994). O método de pesquisa considerado adequado para o desenvolvimento de uma investigação qualitativa é o estudo de caso, pois esse tipo de abordagem procura trabalhar com cenários sociais bastantes específicos ( Alencar, 1999). A presente investigação constitui um estudo de caso, uma vez que circunscrita a uma unidade de estudo (Região do Campo das Vertentes). A obtenção dos dados para análise deste estudo embasou-se na triangulação de algumas técnicas de pesquisas, tais como análise documental, entrevistas, e observação nãoparticipante, desenvolvida na região de São João de Rei no mês de julho, durante a realização do 19º Inverno Cultural - um programa de extensão realizado pela Universidade Federal de São João Del Rei - UFSJ, desde 1988, através de atividades como: oficinas, exposições, shows e seminários nas mais variadas linguagens da cultura e da arte. O principal foco do Inverno Cultural tem sido o resgate, revitalização, promoção e incentivo às variadas formas de manifestação artístico-cultural da região, Campos das Vertentes, da qual ela se insere, e interação com culturas oriundas de diversas partes do Brasil, tornando-se referência para o campo da cultura em âmbito nacional. A pesquisa de campo foi realizada em duas etapas. Primeiramente, realizou-se a análise documental. Foi fornecido um material de estudo contendo o histórico da Estrada Real. Posteriormente a análise documental, foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com os turistas da região. O universo em que se realizou a investigação foi na região Campos das Vertentes, pólo São João Del Rei, Circuito Estrada Real. Durante o período do Brasil-Colônia, particularmente no decorrer do século XVIII, as únicas vias de acesso à região das reservas de minérios preciosos da capitania das Minas Gerais autorizadas pela coroa metropolitana eram os caminhos reais, já a partir da sua abertura essas vias obtiveram caráter oficial. Todo o tráfego de pessoas, mercadorias, ouro e diamante eram feitos por essas vias, não sendo permitido a abertura de novos caminhos. O rigor quanto à fiscalização e controle nas vias reais se dava meramente pelo interesse da coroa portuguesa na indexação de recursos que provinham através dos tributos relativos à exploração dos minérios preciosos.a denominação de Estrada Real passou a referir àquelas vias que eram propriedade da Coroa metropolitana e de suma importância para acesso às regiões auríferas e diamantíferas do centro sul da colônia (Sntos, 2001). 4 Análise dos Resultados e Discussões

4 Durante a pesquisa, buscou-se entrevistar os participantes do Inverno Cultural do sexo masculino e feminino. Isso é importante já que ambos os sexos são público alvo. No qual 58% dos entrevistados eram mulheres e o restante, 42%, homens. Gráfico 01 - Sexo Sexo 42% Masculino 58% Feminino Dentre as 316 pessoas entrevistadas, o maior índice foi de pessoas casadas, 59% em comparação com os 31% de pessoas solteiras, 6% de pessoas separadas e 4% viúvas. Isso é um fator positivo, pois os casais são grandes interessados em desfrutarem de ambientes favoráveis que os chalés propiciam, cujo um dos pontos mais relevantes é o ambiente familiar. Gráfico 02 - Estado Civil Estado Civil 6% 4% 31% SOLTEIRO (A) 59% CASADO (A) SEPARADO (A) VIÚVO (A) A maior parte das pessoas entrevistadas se encaixam na faixa etária de 41 a 50 anos seguida pelas pessoas com idade de 31 a 40 anos. Juntos a estas duas faixas etárias somam 64% dos entrevistados. Gráfico 03 Idade 21% 35% Idade 3% 12% 29% MENOS DE 20 DE 20 A 30 DE 31 A 40 DE 41 A 50 ACIMA DE 50

5 Em relação ao grau de escolaridade, observou-se que 65% dos entrevistados já concluíram ou estão cursando o terceiro grau. Ou seja, mais de 1/3 do universo analisado é um público mais elitizado e que tem acesso a níveis mais altos de educação e conseqüentemente, de melhores empregos e salários, sendo resultante a busca por hospedagens mais cômodas, ecologicamente adaptadas. Gráfico 04 - Grau de Escolaridade 35% 0% 30% Escolaridade 3% 8% 24% 1 GRAU COMPLETO 2 GRAU INCOMPLETO 2 GRAU COMPLETO 3 GRAU INCOMPLETO 3 GRAU COMPLETO Das 316 pessoas entrevistadas, a maioria cerca de 24% são trabalhadores do setor privado, 21% são do setor público e 17% são profissionais liberais. Os outros se encaixam conforme o Gráfico 05. Gráfico 05 Ocupação profissional Ocupação A P O S EN T A D O E S T UD A N T E D O N A D E C A S A 24% 21% 12% 7% 11% 3% 5% 17% A UT Ô N O M O P R O F IS S IO N A L LIB E R A L E M P R E S./C O M E R C IA L T R. SE T O R P R IVA D O T R. SE T O R P ÚB LIC O Dos entrevistados, 73% nunca haviam freqüentado hospedagem em chalés, o que corresponde a 231 pessoas, porém demonstraram grande interesse em estarem usando esse tipo serviço. Os entrevistados que já freqüentaram chalés, ou seja, 27% aprovaram o citado tipo de hospedagem e motivaram-se a utilizá-la, caso seja realmente implantado esse empreendimento no Circuito Estrada Real, regional São João Del Rei. Gráfico 06 - Freqüência Frequência 27% J Á F R E Q UEN T A R A M 73% N UN C A F R E Q UE N T A R A M

6 Das 316 pessoas entrevistadas, 231 não haviam freqüentado chalés e os principais motivos foram: a falta desse tipo de hospedagem na região, que representa 85% e distância, com seus 9%. Gráfico 07 - Motivos Motivo Pelo Qual Nunca Frequentaram PREÇO 9% 6%0% FALTA DE CHALÉ DISTÂNCIA 85% FALTA DE INTERESSE OUTROS Dentro os benefícios preferidos pelos entrevistados a maioria, 46%, considera importante tanto o preço quanto o melhor serviço, já 26% consideram que o preço baixo é o fator mais importante. Gráfico 08 - Benefícios Benefícios Preferidos 46% 5% 26% PREÇO BAIXO MELHOR SERVIÇO OS DOIS ACIMA 23% INDIFERENTE 5 Considerações Finais A região do Campo das Vertentes, a qual é um importante pólo regional turístico da Estrada Real, não dispõe de hospedagem de qualidade que diferencie de hotéis e pousadas, como uma rede de chalés. Essa nova atividade de serviço esta direcionada principalmente às pessoas que buscam um serviço de hospedagem mais barato que vem se tornando uma opção tão atrativa como as demais e familiaridade com o ambiente exposto. O contato com a natureza, a construção rústica e as lareiras criam um clima de paz e romantismo, indicado para quem quer relaxar. As famílias podem acomodar-se bem, pois os chalés, ao contrário dos hotéis, são hospedagens mais espaçosas, tendo às vezes de dois a três quartos, oferecendo um custo benefício satisfatório. Outra vantagem é que os chalés costumam ser equipados com cozinha, muito importante para quem gosta de preparar suas refeições. Sendo assim, verificou-se que é viável a implantação de uma rede de chalés na região Campos das Vertentes, pólo São João Del Rei, Circuito Estrada Real.

7 6 Referências bibliográficas: DOLABELA, F. Oficina do empreendedor. São Paulo: Cultura Editores Associados, 1999a. cap O segredo de Luísa. São Paulo: Cultura Editores Associados, 1999b.. O ensino do empreendedorismo: panorama brasileiro. In: BROCKHAUS, R. H. et al. Empreendedorismo: ciência, técnica e arte. Brasília: CNI/IEL, p DORNELAS, J. C. A. Empreendedorismo: transformando idéias em negócios. Rio de Janeiro: Campus, DRUCKER, P. F. Inovação e espírito empreendedor. São Paulo: Pioneira, cap. 1, 12 e 13. OLIVEIRA, D. de P. R. de. Manual de consultoria empresarial: conceitos, metodologia e práticas. São Paulo: Atlas, ORGANIZAÇÃO PARA COOPERAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO. Proceedings of women entrepreneurs in small and medium enterprises. Paris: OCDE, SANTOS, Márcio. Estradas Reais: introdução ao estudo dos caminhos do ouro e do diamante no Brasil. Belo Horizonte: Editora Estrada Real, SEBRAE Brasil, Agência de Apoio ao Empreendedor e Pequeno Empresário. Disponível em Acesso em: 12/07/06. SCHUMPETER, J. A. O fenômeno fundamental do desenvolvimento econômico. In:. A Teoria do Desenvolvimento Econômico. São Paulo: Abril, (Coleção Os Economistas). UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO JOÃO DEL REI. Disponível em Acesso em: 12/07/06.

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