FUNDADO EM JUNHO DE 1979 ANO XXXI Nº 577 DE 14 A 20 DE MARÇO DE 2010 SP, MG e RJ R$ 4,00 DEMAIS ESTADOS R$ 5,00

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1 semanário nacional operário e socialista CAUSA OPERÁRIA FUNDADO EM JUNHO DE 1979 ANO XXXI Nº 577 DE 14 A 20 DE MARÇO DE 2010 SP, MG e RJ R$ 4,00 DEMAIS ESTADOS R$ 5,00 Greve se generaliza, mobilização derrota burocracia sindical e toma Av. Paulista em S. Paulo Todos com os professores, contra Serra A direção da APEOESP, formada pelo Bando dos Quatro (PT PSTU PCdoB Psol), junto com outras direções sindicais pelegas e parlamentares da esquerda, fizeram o que era possível para sabotar e desviar a mobilização, inclusive, um acordo podre com o famigerado governo Kassab, mas os professores rejeitaram esta política, fizeram a PM recuar e realizaram a maior manifestação dos últimos anos, apontando em direção a única perspectiva de luta que pode levar à vitória à greve da categoria, a qual foi defendida exclusivamente, por Educadores em Luta, da Corrente Sindical Nacional Causa Operária: ocupar a Paulista, parar São Paulo e mobilizar todos contra Serra. Pagina A8 Porque tentam impedir os professores de Causa Operária de falar na assembléia? Em várias assembléias, o condomínio pelego que estabeleceram PT e PSTU (chapas 1 e 2 e seus consorciados) na APEO- ESP tenta impedir a palavra dos militantes de Educadores em Luta ou qualquer outro que se oponha à sua política e à farsa que montaram, na qual encenam que há uma disputa entre as duas alas principais da diretoria Contra a política de colaboração da burocracia com o governo tucano, adotar outro caminho: o da organização independente da burocracia e o da mobilização. INTERNACIONAL Quem vai pagar? A crise capitalista volta a atacar as massas trabalhadoras na Europa A população trabalhadora grega, que já estava insatisfeita com a política do governo, intensificou as greves e manifestações em todo o A crise capitalista, que havia sido dada como superada, vem mostrando sua força e permanência em diversos países, como é o caso da Grécia onde o governo tomou medidas extremamente severas contra a população para tentar superar sua virtual falência. Agora, ao que tudo indica, chegou a vez de Portugal aderir a um plano similar ao grego. Página A13 Leia no Segundo Caderno Não culpes o espelho que tem a cara torta O RETRATO ABSURDO DE UM MUNDO ABSURDO PANORAMA POLÍTICO DA SEMANA MOVIMENTO ESTUDANTIL USP: Conciliação não Lutar contra a ditadura na universidade economia O Mundo endividado Dívida pública mundial chega a 85% do PIB país, com destaque a capital de Atenas onde até mesmo o ministério das Finanças foi ocupado pelos trabalhadores. Página A13 Indo pelo mesmo caminho Portugal é o próximo país europeu a tentar esfolar a classe operária para sair da crise Mais cortes contra os trabalhadores Falência em Portugal e mais ataque contra a classe operária Página A2 Página A11 Página A4 Iraque O que as urnas não podem mostrar Página A12 A volta dos militares Catástrofe no Chile virou justificativa para colocar o exército nas ruas por tempo indeterminado Página A12 Entrevista da semana: Aborto no Brasil Medo do quê? Estou valendo mais morta do que viva Reproduzimos nesta edição trechos da entrevista com Neide Mota Machado, dona da clínica da planejamento familiar de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, fechada pela polícia, que levou a processar 10 mil mulheres por terem, supostamente, realizado aborto. Página A20 mulheres Ato do Coletivo Rosa Luxemburgo O 8 de março como um dia de luta das mulheres O ato que comemorou o centenário do Dia Internacional da Mulher, foi uma resposta à capitulação da esquerda diante dos ataques da direita e da Igreja, com a defesa incondicional do direito ao aborto e pela organização independente das mulheres em luta por sua verdadeira libertação. Páginas A15 a A17 Rui Costa Pimenta A opressão da mulher é uma arma dos opressores contra toda a humanidade Transcrevemos aqui a intervenção do Presidente Nacional do PCO, o companheiro Rui Costa Pimenta, abrindo o ato do Coletivo Rosa Luxemburgo, no centenário do Dia Internacional da Mulher MOVIMENTO OPERÁRIO Eleições Sintect-PB Contra a privatização da ECT, contra o acordo bianual e o PCCS da escravidão anulação do acordo bianual Bloco de 17 sindicatos na reta final pedir na justiça a anulação do acordo assinado ilegalmente pelo bloco Articulação-PCdoB S.A. Página A7 teoria Sobre a frente única A estratégia das greves Leon Trótski Página A19 política Perseguido político Battisti é condenado a dois anos de prisão história Página A9 STJ E a prisão dos empreiteiros da Camargo Corrêa? Página A9 São Paulo Manifestantes exigem o fim da violência policial Página A10 Manaus Burguesia monta operação de guerra para reprimir indígenas Página A10 Rio Grande do Sul Latifundiários tentam impor a proibição de manifestações dos sem-terra Página A10 35 anos da morte de Vladimir Herzog Os militares linha dura contra a abertura política Este ano completam-se 35 anos da morte do jornalista Vladimir Herzog em um quartel do exército em São Paulo. A morte do jornalista é bastante significativa para compreender o momento político pelo qual passava o Brasil naquela época, pois fazia parte de uma ofensiva da direita militar para manter a linha dura do regime. Página A18 editoriais Leia os editoriais desta semana: Mais uma medida para espionar a população Gripe suína: campanha de vacinação ou financiamento das indústrias farmacêuticas? Burguesia imperialista admite: países do BRIC não serão os imperialistas de amanhã Página A3

2 14 DE MARÇO DE 2010 CAUSA OPERÁRIA PANORAMA POLÍTICO DA SEMANA A2 MAIS CORTES CONTRA OS TRABALHADORES Falência em Portugal e mais ataques contra a classe operária O endividamento dos países da zona do euro atingiu em cheio mais um país, Portugal. A exemplo do que ocorreu na Grécia, o governo português anunciou a implantação de um plano de cortes de salários e benefícios trabalhistas O primeiro ministro Papandreu viajou pessoalmente para diversos países pedindo ajuda financeira para a Grécia. Na nova fase da crise capitalista mundial, que conta com o endividamento desenfreado de países inteiros, depois das dezenas de pacotes econômicos, a Grécia foi o mais atingido e tomou medidas como o aperto ao bolso dos trabalhadores. Logo depois a Espanha, também bastante endividada aderiu ao programa grego e adotou os cortes aos trabalhadores. Na última semana mais um país europeu entrou na mesma onda, Portugal. Integrante do chamado PII- GS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha), grupo de países extremamente endividados da zona do euro, Portugal é o terceiro a adotar a política exigida pela União Européia para conter a crise. As reformas irão atacar diretamente os trabalhadores com aumento do desemprego, redução de salários, cortes de direitos trabalhistas entre outras medidas como reforma na saúde, educação e outras áreas sociais. Com este projeto o governo português pretende arrecadar 6 bilhões de euros por meio da privatização de empresas públicas, com a demissão em massa de trabalhadores públicos etc. Os investimentos públicos também serão reduzidos de 4,9% para 2,9% ao ano. Portugal tem um déficit público menor que o grego, mas também bastante alto, de 9,3% do PIB (Produto Interno Bruto) e pretende com estas medidas reduzir este percentual para 2,8% até o ano de O governo português começou com o congelamento dos salários do setor público, medida idêntica à adotada na Grécia. Já planeja a privatização de empresas, ou seja, mais demissões. Na lista ainda tem aumento de impostos e a elevação da idade para a aposentadoria. As medidas foram anunciadas no dia 8 de março pelo primeiro-ministro português, José Sócrates, que praticamente não tem apoio algum no País, a não ser da burguesia que prefere mil vezes que os cortes atinjam os trabalhadores. Para entrar em vigor, estas medidas precisam ser aprovadas no Congresso Nacional de Portugal. Pedindo ajuda Seguindo à risca a cartilha da União Européia para cumprir a meta de diminuição do déficit com os cortes de salários e conquistas trabalhistas, o governo grego, do primeiro-ministro George Papandreu, foi pedir ajuda financeira à Alemanha e outros países que estavam comprometidos em ajudar na crise grega. Mas o resultado foi em vão. O governo alemão declarou que, por enquanto, não vai dar nenhum centavo para a crise grega e que espera que todo o plano de contenção de gastos seja efetuado para que os investidores voltem a ter confiança na economia do País. Em um encontro realizado no dia 6 de março em Luxemburgo, o primeiro-ministro grego recebeu uma declaração de boas intenções de todos os países que estavam representados na reunião. Todos declararam que vão ajudar a Grécia politicamente, mas ajuda financeira concreta não aconteceu. Papandreu viajou pessoalmente para diversos países pedindo ajuda financeira para a Grécia. A França foi um dos primeiros a serem visitados e o presidente Sarkozy disse que vai ajudar a Grécia, mas não explicou em detalhes como isso vai acontecer, apenas falou que o País pode contar com o apoio francês. O primeiro-ministro chegou a ir aos Estados Unidos também, mas não obteve muito resultado. Papandreu foi recebido pela secretária de Estado, Hillary Clinton e também pelo presidente norte-americano, Barack Obama. Por fim, a secretária declarou cinicamente que os Estados Unidos não ajudarão a Grécia financeiramente, pois o governo grego já estava sabendo contornar a situação com a implantação das reformas propostas pela União Européia de cortes de salários etc. A Grécia cogitou a possibilidade de garantir um empréstimo para tentar amenizar um pouco a crise, mas acha arriscado, pois estaria se afundando ainda mais no endividamento do País. Há também o fator de que os próprios países que poderiam ser os emprestadores não têm tantas condições para bancar a Grécia, pois estão endividados. Todos os governos imperialistas estão obviamente elogiando o desempenho do governo grego em seguir religiosamente os ditames da União Européia para colocar em prática as medidas de cortes exigidas, e o discurso generalizado dos países imperialistas europeus e Estados Unidos é de que a Grécia tem que cuidar da crise sozinha, ou seja, nenhum País acredita que a Grécia vá se recuperar, por isso as apostas são quase nulas. Os trabalhadores serão chamados a pagar a conta, mas esse sacrifício não resolverá o problema. Mais resposta dos trabalhadores Diante destas medidas os trabalhadores estão reagindo. No dia 11 de março, os trabalhadores gregos entraram em greve para protestar contra os cortes promovidos pelo governo para conter o endividamento do País. A greve geral realizada pelos trabalhadores, a segunda em 15 dias, foi organizada pelas grandes centrais sindicais. Desde a meia-noite do dia 10, os transportes aéreos e marítimos foram totalmente paralisados, assim como os serviços ferroviários. Dezenas de vôos e viagens foram canceladas. Apenas uma linha de metrô funcionava em Atenas, para permitir aos grevistas o comparecimento às passeatas organizadas pelos sindicatos no centro da capital. Ônibus, bondes e demais transportes urbanos foram completamente paralisados. Na capital de Atenas o ministério das Finanças foi ocupado pelos trabalhadores. Novamente a polícia grega tentou conter os manifestantes utilizando a violência com cassetetes, bombas de gás lacrimogêneo etc. Já em Portugal as manifestações contrárias às medidas do governo português já começaram. Os sindicatos já avisaram que o ataque aos salários dos trabalhadores vai gerar protestos em todo o território português. Nesta última semana os funcionários públicos já entraram em greve. Enquanto as organizações sindicais portuguesas estão organizando protestos, a Confederação de Indústrias Portuguesas (CIP) elogiou o governo pelo plano, ou seja, o plano é um ataque direto às condições de vida dos trabalhadores e está preservando a burguesia de arcar com a crise. Nesta mobilização dos funcionários públicos, cerca de 80% dos trabalhadores aderiram à manifestação. Escolas, tribunais hospitais etc. foram fechados em protesto. Nova etapa da crise capitalista A fantasia de que a crise estaria superada, ventilada pela imprensa capitalista mundial no final de 2009, dissipou-se rapidamente. Esta nova etapa da crise está mostrando que os países não têm mais reservas para queimar como foi feito com os pacotes econômicos num primeiro momento. Agora é o momento de cortar na carne, direto dos trabalhadores, por isso estas reformas que vão retirar diretamente do bolso o dinheiro para sustentar a crise. A burguesia não tem mais como opção injetar bilhões de dólares na economia, pois não tem mais tantos recursos disponíveis. O momento agora é de forçar os trabalhadores a cobrir do próprio bolso os lucros dos banqueiros e especuladores. Mas nesta nova etapa de crise também há uma mudança de comportamento por parte dos trabalhadores que estão reagindo e se negando a aceitar as demissões e planos de cortes de direitos trabalhistas e conquistas operárias. As greves realizadas são uma demonstração dessa nova disposição da classe operária em nível mundial em reagir a estes ataques. A próxima etapa vai ser de grandes lutas dos trabalhadores contra a exploração capitalista exigindo da burguesia que fique com o ônus da crise que ela mesma criou. Tal como no Afeganistão Estes protestos mostram claramente como a população está extremamente radicalizada, pois foram dirigidos diretamente contra a força policial. CAUSA CAUSA OPERÁRIA OPERÁRIA Fundado em junho de 1979 As eleições iraquianas promovidas pelo imperialismo foram um fracasso semelhante ao ocorrido no Afeganistão no final de O número de eleitores que compareceram às urnas foi um pouco mais que a metade. E houve um boicote generalizado aos moldes do organizado pelo Talibã, no Afeganistão. Para tentar aparentar alguma normalidade, o embaixador norte-americano no Iraque, Christopher R. Hill foi ultra-cínico em uma declaração feita a respeito das eleições. Verdadeiramente um bom dia para a democracia no Iraque. Esta declaração é o total oposto do que ocorreu. Segundo dados oficiais, ou seja, manipulados, o percentual de eleitores foi de 62% dos iraquianos. No maior colégio eleitoral do País, a capital Bagdá, o índice de votantes foi ainda menor, de apenas 53%. O resultado destas eleições mostra como a invasão imperialista dos Estados Unidos está desmoralizada além de qualquer ponto de recuperação. O comparecimento às urnas nestas eleições foi menor que o das últimas eleições parlamentares que aconteceram em Nesta ocasião o comparecimento tinha sido de 76% de eleitores. O governo iraquiano, capacho do imperialismo, colocou as cidades onde ocorreram as eleições sob vigilância policial e os eleitores eram forçados a votar. Ao mesmo tempo diversos atentados foram promovidos por vários grupos nacionalistas contrários à invasão imperialista dos Estados Unidos. A força do boicote organizado pela resistência iraquiana foi tão avassalador que os generais norte-americanos tentaram a todo custo esconder o impacto da campanha contra as eleições. O responsável pelas operações norte-americanas no Iraque, o general Ray Odierno, tentou amenizar os efeitos do boicote declarando que foram poucos os locais onde houve boicote e até mesmo os atentados que aconteceram na periferia de Bagdá no dia da votação foram apresentados como sendo de baixo impacto e sem resultado efetivo. Estas afirmações de Odierno soaram tão falsas que até mesmo o próprio governo iraquiano declarou o contrário, que houveram oito explosões na região Noroeste de Bagdá. Estas eleições fracassadas do imperialismo no Iraque até o momento não apresentaram resultados oficiais, o que demonstra que estão querendo esconder mais este fracasso da intervenção imperialista no País. Isto também indica que os planos de retirada das tropas do País não vai se concretizar tão cedo apesar da afirmação do governo Obama de que o plano de retirar os soldados do Iraque ainda está mantido. Mais protestos Na última semana os protestos populares contra os governos continuaram. No dia 7 de março, mais uma manifestação espontânea da população contra a força policial aconteceu na cidade de São Paulo. Foi na noite de domingo na zona Sul da capital paulista, no bairro do Jabaquara. O protesto reuniu pouco mais de 50 pessoas, moradoras da favela da Imprensa que estavam se manifestando contra a ação da polícia no local que provocou o ferimento a bala de um morador da favela. A população paralisou uma das principais avenidas da região, Engenheiro Armando de Arruda Pereira. A avenida foi interditada pelos moradores que fizeram barricadas com pedaços de madeira e pneus queimados. O protesto durou mais de quatro horas tendo início no começo da noite, às 18 horas. Os manifestantes também enfrentaram a polícia com fogos de artifício. Após o protesto a polícia montou guarda na favela para impedir que outros protestos acontecessem. Este é o segundo protesto espontâneo que ocorre na cidade de São Paulo em duas semanas. Protesto semelhante ocorreu na zona Leste da capital, no bairro Itaim Paulista, onde a polícia também permaneceu para conter os protestos. Outra manifestação da mesma natureza contra a polícia, aconteceu no município de Tracuateua no estado do Pará, onde os moradores da cidade além de entrarem em confronto direto com a polícia, apedrejaram e incendiaram a delegacia da cidade. A manifestação durou quatro horas e causou a morte de dois moradores que foram mortos pelos policiais e outras cinco pessoas ficaram feridas. O protesto que aconteceu na segunda-feira, dia 8, teria ocorrido por causa do assassinato de uma mulher. A população foi protestar na frente da delegacia, contra a polícia, pois o suposto assassino da mulher não estava no local. O protesto possibilitou que os presos que estavam na delegacia fossem libertados. Este protesto mostrou claramente como a população estava extremamente radicalizada, pois foi dirigido diretamente contra a força policial. Este protesto no Pará e o na zona Sul de São Paulo demonstram mais uma vez a tendência à radicalização da população trabalhadora frente ao órgão repressor e ao próprio estado burguês. Nos últimos meses dezenas de protestos semelhantes a estes ocorreram em diversas cidades do País. Protestos contra enchentes, ocupação militar nas favelas do Rio de Janeiro e até mesmo de instituições como delegacias, fóruns municipais, câmaras legislativas etc. Estas manifestações espontâneas da população trabalhadora nos bairros mostram uma mudança na disposição dos trabalhadores, que não suportam mais o nível de opressão e exploração dos governos e estão passando cada vez mais a se mobilizar por melhores condições de vida. É necessário que a população trabalhadora mantenha as manifestações e também deve ampliá-las. O direito de manifestação política deve ser amplamente garantido para os trabalhadores. Esta deve ser uma resposta dos trabalhadores contra os constantes ataques da burguesia. Sarkozy disse que vai ajudar a Grécia, mas não explicou em detalhes cpenas falou que o País pode contar com o apoio francês. Semanário de circulação nacional Ano XXX - nº de 14 a 20 de março de 2010 Editor - Rui Costa Pimenta - Tiragem - seis mil exemplares - Redação - Av. Miguel Stéfano nº 349, Saúde, São Paulo, Capital, CEP Telefone (11) Sede Nacional - São Paulo - Av Miguel Stéfano, nº 349, Saúde, São Paulo, Capital, CEP , Fone (11) Correspondência e assinaturas - Todas as cartas, pedidos de assinaturas ou de informações sobre as publicações Causa Operária devem ser enviadas para a redação ou para o endereço eletrônico - página na internet -

3 14 DE MARÇO DE 2010 CAUSA OPERÁRIA A3 Editoriais Mais uma medida para espionar a população OConselho Nacional de Justiça (CNJ) votou e apro vou na última semana a repressiva e inconstitu cional proposta de monitoramento eletrônico para presos. A medida faz parte de um plano geral de repressão contra a população, uma ofensiva que vem acompanhada de uma série de medidas, todas no sentido de retirar gradativamente os direitos democráticos mais elementares. No caso dos presos, parcela mais marginalizada, esses ataques ficam ainda mais evidentes. O fato de já existir toda uma campanha contra os detentos, de que estes seriam uma ameaça para a sociedade, facilita a implantação dessas medidas repressivas, já que a campanha convence uma camada moral da população, a pequena burguesia, de que essas medidas são necessárias para manter a ordem. Toda essa campanha serve para ocultar os reais interesses da burguesia. Aprovar o monitoramente eletrônico não tem nada a ver com diminuir a criminalidade ou reduzir a superlotação nas penitenciárias, outro argumento utilizado pela burguesia para justificar a medida. Se o objetivo da lei fosse acabar, ou mesmo diminuir a criminalidade, a primeira medida a ser tomada seria fechar o Congresso Nacional, um antro de corrupção e bandalheira, e prender todos os políticos burgueses, corruptos, ladrões e assassinos do povo, todos os padres acusados de pedofilia etc. O segundo argumento é ainda mais cínico. A superlotação é de fato um problema crônico do sistema penitenciário brasileiro, que está completamente falido; não só a superlotação como as centenas Charge e da semana de milhares de denúncias de tortura e maus tratos promovidos pelos agentes dentro dos próprios presídios. O cinismo é tamanho que os mesmos que agora estão propondo o monitoramente eletrônico como medida para reduzir a superlotação, foram os que organizaram toda uma campanha para reduzir a maioridade penal, uma medida que, longe de combater a criminalidade, iria apenas aumentar o número de detentos e a superlotação. Isso sem falar nas inúmeras medidas menores que transformam trivialidades em crimes passíveis de prisão como, por exemplo, a prisão do dono de um cachorro que morda alguém na rua etc. A investida da burguesia vai justamente no sentido contrário, eles não só não querem reduzir o número de detentos como criaram uma situação onde a população pode ser presa pelos motivos mais banais. O objetivo da direita com a medida é vigiar e controlar a população. É o mesmo caso da lei aprovada no final de 2006, que pretende vigiar e controlar os passos de todos os motoristas com o uso de chips nos carros. Todas essas medidas devem ser duramente combatidas pela população, uma vez que elas são a abertura de precedentes para que, posteriormente, a burguesia tenha total controle sobre a vida das pessoas. Um trabalhador, por exemplo, que organizar uma greve poderá ser indiciado pela Justiça burguesa por formação de quadrilha, incitação à desordem etc., e a partir dessa desculpa ter todos os seus passos controlados. Os trabalhadores precisam ter claro que depois de aprovar o monitoramento eletrônico dos presidiários, a experiência servirá para que parcelas cada vez maiores da população sejam vigiadas. Gripe suína: campanha de vacinação ou financiamento das indústrias farmacêuticas? Oanúncio feito pelo ministro da Saúde de que o go verno pretende vacinar mais de 90 milhões de pes soas contra a gripe suína, gastando o equivalente a todo o orçamento do Programa Nacional de Imunizações, trouxe à tona uma série de denúncias que mostram que o objetivo da burguesia é o de patrocinar os empresários No início desta semana, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou que deverá aumentar ainda mais os investimentos para as vacinas contra a gripe suína, a influenza A (H1N1). De acordo com Temporão, a campanha de vacinação prevista no plano nacional do governo federal será a maior campanha do mundo (...) 90 milhões de brasileiros deverão ser vacinados contra a influenza A (H1N1) - gripe suína - em dois meses (O Globo, 1/3/2010). Para isso o governo já reservou um montante de R$ 1 bilhão apenas para a compra das vacinas, um valor que equivale a todo o orçamento previsto para o Programa Nacional de Imunizações, isso sem falar da fortuna que é gasta com as propagandas. Ou seja, para combater o suposto surto de gripe suína, o governo irá destinar um montante que equivale a todos os programas de combate a doenças como poliomielite, febre amarela, hepatite, tétano e difteria, doenças que, vale a pena salientar, matam muito mais do que a H1N1. Toda essa propaganda do governo em torno da gripe suína deve ser recebida pela população com muita desconfiança. É no mínimo suspeito que o governo esteja reservando mais de R$ 1 bilhão para uma epidemia que ainda nem existe, enquanto que a população continua morrendo por conta da dengue e diversas outras doenças sem que nenhuma medida real seja tomada. Na Europa, onde também existe uma ampla campanha em torno da gripe suína, diversas denúncias foram feitas pelos próprios órgãos dos países imperialistas europeus, de que a gravidade do problema havia sido exagerada pela ONU. Há a acusação de que todo Burguesia imperialista admite: países do BRIC não serão os imperialistas de amanhã o alarde em torno da gripe suína não passou de um acordo entre a Organização Mundial de Saúde e a indústria farmacêutica, que teria obtido com a doença um lucro adicional de pelo menos 10 bilhões de dólares. Graças à venda maciça de vacinas para combater uma pandemia, os laboratórios podem obter até US$ 10 bilhões de lucros suplementares (...) A situação chegou agora a tal ponto que o Conselho da Europa, que reúne 47 países do Velho Continente, abriu uma investigação excepcional sobre a influência que teria exercido a indústria farmacêutica sobre a OMS, que decretou a pandemia e a elevou ao nível mais elevado de grau de alerta, fazendo os governos se prepararem para o pior (Valor Econômico, 15/1/2010). A denúncia apenas comprova que toda essa boa vontade dos governos burgueses não passa de um esquema montado para favorecer os empresários das indústrias farmacêuticas. Na França, por exemplo, o governo teve que enfrentar uma série de críticas e protestos por conta dos altíssimos investimentos feitos para combater a gripe suína, principalmente no que diz respeito às compras das vacinas. Segundo a denúncia, A França encomendou há seis meses 94 milhões de doses de vacinas por um total de 869 milhões de euros, segundo o ministério da Saúde, que contou uma dupla injeção por pessoa. Entretanto, somente cinco milhões de pessoas foram vacinadas no país, onde a campanha de vacinação suscitou pouco entusiasmo e teve de lidar com problemas logísticos (R7 Notícias, 4/1/2010). O caso do Brasil não é diferente. Trata-se de um esquema criminoso, colocado em prática mundialmente, para retirar o dinheiro da população e aumentar os lucros das indústrias farmacêuticas. É preciso que a população tenha um controle sobre os gastos com saúde. O dinheiro público deve ser investido na saúde pública e em vacinas e remédios que atendam à maioria da população e não à máfia de capitalistas da saúde e os banqueiros. Caiu por terra a esperança de que os países do BRIC sus tentassem o impacto da crise na economia mundial. Brasil, Rússia, Índia e China, segundo o jornal britânico Financial Times, não são fortes o suficiente para bancar a crise. Segundo o diário britânico, mesmo o crescimento acentuado destas economias, com destaque para a China e Índia, não é suficiente para substituir as economias imperialistas. O grupo [países do BRIC], ou alguns de seus componentes, podem ter surpreendido o mundo com seu progresso nos últimos dez anos, mas será preciso um salto qualitativo, bem como mais crescimento, para consolidar a mudança de poder. Mas essa mudança de poder está longe de acontecer. Segundo o especialista em economia política, Jean-Pierre Lehman, nem nos próximos dez anos os países do BRIC tomariam o posto de economias como a dos Estados Unidos, Alemanha ou Japão. As assim chamadas economias emergentes (...) sem dúvida são atores no cenário global. Mas eu não vejo nenhum cataclismo nos próximos dez anos, nem a mudança do centro das finanças se movendo definitivamente para o leste. Causa Operária já havia afirmado isso quando do início da propaganda burguesa de que os países do BRIC seriam a salvação do capitalismo. O crescimento econômico desses países, tendo como exemplo máximo a economia chinesa, que chegou a ter crescimento constante acima de 12%, não faz muita diferença. As altas taxas de crescimento não são indicadores de que estes países deixaram para trás seu extremo atraso econômico. Mesmo o crescimento da economia chinesa não foi suficiente para superar o imenso atraso que existe no País asiático, que tem mais de um bilhão de habitantes e milhões em estado de pobreza. O mesmo acontece na Índia e na Rússia, que possuem taxas de crescimento altas, mas são profundamente dependentes da exportação de matérias-primas. Os países do BRIC estão servindo como uma espécie de colchão de ar para a crise. No entanto, seu crescimento só foi possível devido aos altos investimentos feitos pelos próprios países imperialistas e a especulação financeira. O imperialismo é um freio para o desenvolvimento dos países atrasados. A idéia de que estes países possam superar, sob o capitalismo, os países imperialistas não passa de uma utopia reacionária. O homem invisível RUI COSTA PIMENTA Ogrande escritor negro norte-americano Ralph Ellison descreveu o negro em seu maior romance como um homem invisível. Escritor negro? Será que os novos humanistas de direita e de esquerda, que querem riscar do mapa ideológico a noção da sociedade dividida em negros e brancos, perdoarão este abuso? O homem invisível é também um homem sem nome e sem controle sobre a sua vida. No Brasil, o homem invisível não apenas sofre todas as pancadas que a vida na sociedade branca ofereceu e oferece aos seus iguais nos EUA como, também, nunca teve direito à distinção da cor da pele. Qualquer pessoa que conheça pouco da história nacional sabe do enorme esforço que a classe dominante fez para apagar a presença do negro na história nacional. Rui Barbosa chegou ao extremo de queimar grande parte dos documentos da escravidão com o objetivo explícito de apagar o passado. Quem quer lembrar? Quem quer distinguir? O algoz ou a vítima? O opressor ou o oprimido? Quem quer a invisibilidade? Quem quer manter o passado vivo, o judeu ou o nazista, o governo turco ou os armênios, o Estado de Israel ou os palestinos, o escravo ou o senhor de escravos? A resposta salta com tal velocidade aos olhos ao se fazer a pergunta que sequer é preciso respondê-la. Não há limites para o cinismo da direita brasileira na defesa dos seus interesses. Seu alvo do momento é justamente a noção de que no Brasil existam negros ou como eles dizem para aparentar uma análise científica, não há raça negra. É a volta da ideologia racista de que no Brasil há uma democracia racial. Atualmente, um dos seus focos de ataque é a população negra e as cotas nas universidades. Para se opor à política muito moderada, diga-se de passagem, uma verdadeira esmola do governo Lula, de reservar uma pequena porcentagem de vagas nas universidades públicas para os negros, a direita quer provar nada mais, nada menos que o negro não existe. Toda a luta dos negros, seus mortos, sua cultura política, sua literatura e arte nada mais seria que uma espécie de neurose coletiva. Os grotescos homens da Ku-Klux-Klan que queimavam cruzes e linchavam negros agiam movidos por uma forma de delírio. Delirantes também eram os governos que afixavam cartazes dizendo só para negros ou só para brancos. Delirantes foram os Martin Luther King, Malcolm X, Panteras Negras, Poder Negro, W. E. B Dubois, os movimentos de negritude no Haiti, os intelectuais africanos, os movimentos brasileiros para a emancipação do negro. O objetivo desta farsa é o pior possível: impedir que a população negra, que é maioria no país, possa freqüentar a universidade, privilégio que sempre foi reservado aos brancos. Mas não pode aparecer como sendo fruto do mais puro racismo de uma pequena elite branca. Por isso, a direita iniciou toda uma campanha que visa provar que não há desigualdade entre negros e brancos que justificasse a adoção de uma medida como as cotas e que, na realidade, não há nada que separe o negro do branco. Seria preciso explicar então porque menos de 5% dos estudantes de universidades públicas no país são negros, porque estes ocupam as posições mais mal remuneradas e ganham menos do que os brancos. Não se poderia definir quem é negro e quem é branco. Mas essa distinção foi estabelecida na prática há séculos no Brasil, a partir da escravidão. Os escravos no Brasil podiam ser identificados e separados do restante da população por uma característica muito marcante: eram negros. Foi o critério estabelecido pelos escravagistas, pelos senhores de escravos e foi a partir dele e da condição real em que se encontrava o escravo que se criou uma brutal desigualdade entre negros e brancos no país. Dizer que o negro não existe, não apaga a escravidão, não elimina a monstruosa opressão da população negra, não os tira das favelas nem os coloca nas universidades: apenas mascara sua verdadeira situação, de opressão e miséria. Recentemente, o senador do DEM, Demóstenes Torres, chegou a declarar inclusive que a que as negras não teriam sido estupradas pelos senhores de escravos, mas que a miscigenação no Brasil se deu de forma consensual. Os direitistas brasileiros, como os seus homólogos de todos os países, são conhecidos pela sua falta de inteligência e de respeito pela inteligência alheia. Mais uma vez, a direita mais criminosa, a mesma responsável por milhares de torturas e assassinatos durante a ditadura militar, se investe de argumentos pseudo-humanitários e democráticos para os objetivos mais espúrios. Se não existem raças, não existe o negro, não existe também sua opressão e menos ainda pode existir sua luta. Muito conveniente para os que não pretendem abrir mão de seus privilégios. Chamamos todos os que se dizem socialistas, de esquerda ou simplesmente democráticos a enterrar mais esta tentativa racista de obliterar o negro da sociedade brasileira. Como eles disseram... O capitalismo não vê manifestamente outra saída a semelhante impasse que o emprego da força contra as massas trabalhadoras de um lado e contra outros grupos de potências capitalistas de outro. Eis que se observa, ao mesmo tempo, um agravamento das leis repressivas e dos atentados às liberdades civis - mesmo que se possa sobretudo atribuí-los aos estados e municipalidades, deixando ao presidente nacional o privilégio de posar como "liberal" - e, sob a inspiração, desta vez, de Roosevelt, uma gasto estatal anual de mais de um bilhão de dólares para a preparação militar e naval, uma soma muito superior a todas as dos períodos precedentes. Leon Tróski Os Estados Unidos após a Crise de Datas 14 de março de 1883 Morte de Karl Marx, fundador do socialismo científico 16 de março de 1978 Sequestro de Aldo Moro pelas Brigadas Vermelhas na Itália Frases da semana 19 de março de 1898 Morte de Cruz e Souza, poeta brasileiro 20 de março de 2003 Invasão do Iraque: Logo nas primeiras horas da manhã, os Estados Unidos e três outros países iniciam as operações militares [O]ciclo do crédito continua sendo a grande interrogação sobre os prazos e a amplitude da crise, afirmou representante do banco UniCredit, diante do endividamento dos Estados nacionais e a iminente falência de diversas economias na zona do euro. O grupo [países do BRIC], ou alguns de seus componentes, podem ter surpreendido o mundo com seu progresso nos últimos dez anos, mas será preciso um salto qualitativo, bem como mais crescimento, para consolidar a mudança de poder, analisa o jornal britânico Financial Times.

4 14 DE MARÇO DE 2010 CAUSA OPERÁRIA ECONOMIA A4 MUNDO ENDIVIDADO Dívida pública mundial chega a 85% do PIB O endividamento da economia mundial afetada profundamente os grandes países imperialistas e arrasta com eles a economia de continentes como o europeu Não houve um terremoto nos Estados Unidos, Europa ou no Japão como aconteceu no Haiti e mais recentemente no Chile, mas a situação destes países imperialistas, pelo menos no que diz respeito à economia, é tão devastador quanto. Estes países estão sob os escombros da maior crise capitalista da história e de novos tremores na economia, a exemplo do que ocorreu no Haiti e Chile, não param de acontecer. Um dos mais abalados, sem dúvida, são os Estados Unidos. A crise econômica que provocou demissões, fechamento de fábricas, queda na produção, exportação etc. Fez com que a arrecadação de impostos do País caísse de 18,1% do PIB em 2008 para 14,8% em Outro efeito causado pela crise foi o aumento dos gastos do governo que saiu em socorro de bancos, empresas e todo o tipo de instituição financeira que estivesse em dificuldades financeiras ou mesmo sob ameaça de a qualquer momento deixar de existir. Os gastos passaram de 20,7% em 2008 para 24,7% no ano passado. Com menor arrecadação e maior volume de gastos os Estados Unidos tiveram um déficit fiscal de 10% do PIB. A dívida pública foi para 84,8% em 2009, endividamento maior de 2,9% em relação a Crise generalizada A política de financiamento dos capitalistas adotada pelos Estados Unidos foi a regra geral nos outros países imperialistas e conseqüentemente os efeitos da recessão também atingiu estas economias. Uma das mais atingidas é a Europa. A arrecadação de impostos despencou de 30,9 para 29,2% do PIB. Em toda a Europa a queda foi de 8%. Uma das situações mais graves é a zona do euro, os 16 países que tem como moeda única o euro. Países do porte da Itália e Espanha estão profundamente endividados. O mais afetado até o momento é a Grécia que tem um déficit público de 12,7% do PIB, mas o endividamento é geral. A Alemanha e a Grã-Bretanha também estão em condições semelhantes com baixíssima produção, dívida pública nas alturas e desemprego recorde com milhões de trabalhadores sem emprego. A União Européia tem uma dívida pública de 78,2% do PIB. No Japão, o endividamento do País fez com que a dívida pública chegasse a 218,6% do PIB em É uma crise sem precedentes na segunda maior economia mundial. A queda na arrecadação também afetou a economia brasileira. O déficit fiscal do Brasil aumentou entre 2008 e 2009, passou de 1,9% do PIB para 3,3% do PIB, respectivamente. A dívida pública brasileira foi de 68,5% do PIB no ano passado. Em conjunto os países também estão seriamente afetados. O G-20, grupo dos vinte países mais ricos do mundo, teve um déficit fiscal de 7,9% em 2009, A dívida geral de todos os países somada passou de 62% do PIB em 2008 para 85% em depois de ter registrado 1% de déficit um ano antes. A dívida geral de todos os países somada passou de 62% do PIB em 2008 para 85% do PIB no ano passado. Efeito cascata Com dívidas deste tamanho os países vão perder ainda mais, pois os investidores que com- pram ações dos títulos das dívidas destes países tendem a vender estes títulos e partir para outro investimento mais rentável, pois existe uma grande desconfiança de que a dívida não será quitada. É uma bola de neve que está crescendo e pode colocar em risco um continente inteiro como o europeu. Os países menores como Grécia e Portugal dependem dos grandes, com Alemanha e França para se recuperarem, mas como estes países estão profundamente afetados pela crise não terão dinheiro para salvar da falência total estes países menores. A resposta da burguesia já foi dada, o corte de gastos públicos, salários, aumento da aposentadoria etc., ou seja, o ônus vai recair novamente sobre os trabalhadores. A resposta dos trabalhadores também já foi dada, greves, mobilizações e protestos cada vez mais regulares e maiores para garantir suas reivindicações. LONGE DA RECUPERAÇÃO Mais de três milhões sem emprego na França A economia francesa tem mais de 10% da população economicamente ativa sem emprego, são mais de 3 milhões de trabalhadores o que comprova o desenvolvimento da recessão no País. Para sair da crise não basta apresentar elevação positiva no PIB (Produto Interno Bruto). A França, que anunciou no final de 2009 que sua economia havia saído da crise, tem que amargar agora com o endividamento do País por meio dos pacotes econômicos e do aumento sistemático do desemprego. O suposto crescimento do País não foi suficiente para superar os resultados negativos dos primeiros trimestres de 2009 e muito menos para promover na economia francesa um reflexo no A economia francesa pode perder até um trilhão de dólares que fazem parte do endividamento dos países na zona do euro. Com os pacotes salva-vidas dos bancos, as dívidas públicas dos países o endividamento da Grécia, Itália, Irlanda, Portugal e Espanha colocou em risco os títulos das dívidas públicas destes países que foram comprados pelos países imperialistas como Alemanha e França. Segundo o Banco para Compensações Internacionais (BIS), a França tem em exposição nestes países quase um trilhão de dólares. A soma total que a França pode perder é de 879 bilhões de dólares que estão divididos entre Grécia, Portugal, Espanha e Itália. Mesmo assim o governo CALOTE A VISTA Grécia, Irlanda e Espanha retém quase um trilhão de dólares da França Somente para a Grécia, os bancos franceses têm em exposição 75,45 bilhões de dólares. emprego. A França anunciou no final do ano passado que havia saído da recessão, pois teria obtido em dois trimestres consecutivos resultados positivos do PIB (Produto Interno Bruto). As duas altas do PIB pouco mais de 0,5% o que nem de longe recuperou as quedas de semestres anteriores. Em 2009 o PIB francês foi negativo, registrou baixa de -2,2%, o mais baixo desde o final da Segunda Guerra Mundial. Segundo o INSEE (Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos) da França, o desemprego registrado no País em 2009 é o pior em mais de 10 anos. A França teve taxa de 9,6% de desemprego no último trimestre de 2009 frente a 9,1% no terceiro trimestre. Este é o pior resultado desde Mas em um levantamento feito pela agência Eurostat em janeiro já constatou que houve aumento da taxa de desemprego, para 10,1%. O número de trabalhadores desempregados na França é de 3,4 milhões que comprovam a farsa do fim da crise. Esta elevada taxa de desemprego desmente o fim da crise, pois não existe crescimento econômico sem nenhum tipo de recuperação baseada na geração de emprego. O aumento do desemprego vai provocar a diminuição do consumo interno e afetar diretamente a produção industrial do País que é hoje a segunda maior economia da zona do euro. Por mais que apresentem resultados positivos a economia francesa não vai ter crescimento real sem o aumento do emprego. francês está estudando uma ajuda para a Grécia caso o país não consiga financiar seus 20 bilhões de euros em dívida que está para vencer nos próximos meses. Mas esta ajuda só virá caso a Grécia diminua seu déficit orçamentário, ou seja, aumente os cortes de gastos sociais e promova mais ataques para os trabalhadores, medida que irá garantir o pagamento da dívida e dos empréstimos. Somente para a Grécia, os bancos franceses têm em exposição uma dívida de 75,45 bilhões de dólares. Em relação aos outros países os bancos da França detêm mais de um terço de toda a dívida externa de 1,46 trilhão de dólares da Itália, 17% da dívida da Espanha e 12% da de Portugal. Para piorar a situação o Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos francês (Insee) divulgou que a dívida pública da França corresponde a 73,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. Somente no terceiro trimestre deste ano a dívida cresceu 79,4 bilhões de dólares ou 61,1 bilhões de euros. Em 2009 a dívida pública francesa ultrapassou 1,85 trilhão de dólares. A dívida pública francesa está baseada quase que em sua totalidade no financiamento da crise capitalista pelo governo de Nicolas Sarkozy. Foram transferidos dezenas de bilhões de euros dos cofres públicos direto para o caixa dos banqueiros e capitalistas em crise. Para o setor automobilístico foram distribuídos 8,19 trilhões de dólares e outros 4,81 trilhões de dólares para os bancos franceses por meio da compra de títulos podres. As perspectivas são de que a dívida pública francesa cresça ainda mais. Em 2008 representava 68% do PIB, no ano passado chegou a 80% e para este ano deve chegar a 84%. Estes são claros sinais de que não existe nenhum abrandamento da crise, mas um avanço gradual que está colocando a França em uma situação ainda mais crítica. O aumento da dívida pública tende a agravar ainda mais o ataque aos trabalhadores e a população francesa a exemplo do que está acontecendo na Grécia e Espanha. PIOR DESDE A 2ª GUERRA MUNDIAL Comércio mundial vai à lona A queda de 12% no comércio mundial em 2010 revela a profunda estagnação da economia mundial e agravamento da recessão. Os efeitos da recessão mundial provocaram um retrocesso no comércio mundial que não se via em mais de 50 anos. De acordo com levantamento feito pela OMC (Organização Mundial do Comércio) os efeitos da crise econômica afetaram as economias imperialistas que diminuíram drasticamente a compra e venda no mercado mundial. Os maiores compradores do mundo, os Estados Unidos, os países europeus e o Japão diminuíram muito as exportações e importações que afetaram as economias mundiais como um todo. Para o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, A escassez de ECONOMIA PARALISADA Espanha perde 16% em exportações A produção industrial na Espanha registrou forte queda em 2009 com perdas de 15,9% acelerando a recessão no País. O INE (Instituto Nacional de Estatísticas) divulgou no final de fevereiro, a queda brusca da produção industrial na Espanha em Em todos os meses do ano passado a produção do País apresentou uma redução. Em dezembro foi registrado perda 9,2% na produtividade. Resultado em comparação com o mesmo mês de Em comparação aos 12 meses de 2008, de janeiro a dezembro deste ano, a queda é maior ainda, de 15,9%. As importações também caíram 26,2%. No mesmo ritmo, o PIB FICANDO PARA TRÁS A produção industrial do Japão cai com a recessão e a China toma o posto de segunda maior produção mundial. A crise econômica destronou o Japão de posto de segundo maior produtor industrial do planeta. Segundo dados divulgados pelo ONUDI (Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial) a China teve uma produção industrial superior à produção do Japão em A produção industrial chinesa chegou a 15,6% de valor agregado, acima dos 15,4% da produção japonesa. A China está atrás apenas dos Estados Unidos que teve 19% da produção industrial do ano passado. A superação da produção industrial chinesa sobre o gigante japonês não demonstra que a China está financiamento neste período também foi um fator contribuinte. Em um grau muito mais baixo, o comércio também foi afetado adversamente por alguns fatores como aumento de tarifas e subsídios domésticos, novas medidas tarifárias e mais ações anti-dumping (BBC Brasil, 24/2/2010). Juntamente com a queda no comércio mundial estão associados o elevado número de desempregados no mundo, 200 milhões, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o crescimento abaixo de zero na média mundial. O PIB de todas as economias do mundo foi de -2,2% em O que evitou, pelo menos inicialmente, que a queda no comércio mundial não fosse ainda maior foram os pacotes econômicos que evitaram dezenas de falências e taparam, em (Produto Interno Bruto) da Espanha registrou perda de 0,1% no mês de dezembro em comparação com o trimestre anterior. No acumulado de 2009 a perda foi de 3,6%. A forte queda na produção industrial da Espanha indica que a recessão continua se agravando no País que é um dos atingidos pela crise. A Espanha tem mais de quatro milhões de trabalhadores desempregados, com taxa de 19% de desemprego. A baixa na produção indica uma estagnação na indústria do País que já vem registrando baixos índices de exportação e também de consumo interno. Os reflexos da crise econômica na Espanha demonstram parte, o rombo no mercado financeiro. Mas a nova etapa da crise com o endividamento dos países, devido às altíssimas dívidas públicas causadas por estes mesmos pacotes, fez a crise entrar em uma etapa ainda mais profunda. Lamy ressaltou este efeito, As economias precisam urgentemente de outras fontes de crescimento. Motores sustentáveis de crescimento que não acrescentem dívidas às nossas economias já gravemente endividadas (idem). Estas outras fontes e estes motores da forma como o representante da OMC diz não existem. O que de fato existe é um aperto maior sobre os trabalhadores, retirando ainda mais direitos para cobrir o rombo dos capitalistas como está ocorrendo na Grécia e Espanha. como, não tem nenhum respaldo a propaganda da imprensa burguesa e dos países imperialistas europeus, pois é evidente que não existe nenhuma recuperação e que não há nenhuma perspectiva de que a situação vai melhorar. Os efeitos da crise na economia real são irreversíveis, como fechamento de fábricas, demissões e a agora o endividamento que está atingindo todo o continente europeu. Com este quadro econômico, a Espanha tem grandes chances de continuar seguindo os passos da Grécia com medidas de cortes contra os trabalhadores e o pedido de ajuda para o restante das economias da zona do euro. Crise derruba produção japonesa e China é segundo em produção industrial em ascensão, superando a crise e o Japão não. Mas revela o aprofundamento da crise econômica, pois expõe que a economia japonesa, a segunda maior economia do mundo, está perdendo com a crise. Mesmo com este resultado o Japão ainda tem a maior produção per capita do mundo. Enquanto a China tem 700 dólares de valor agregado por habitante o Japão tem 9 mil dólares por habitante. Existe um mito criado em torno da economia chinesa de que esta seria um colosso econômico que não pára de crescer e está superando as principais economias mundiais. Um dos principais motivos da criação deste mito é o alto crescimento apresentado pelo País nos últimos anos. Mas o que não é demonstrado é que os 13% que a China chegou a obter de crescimento do PIB há uns anos atrás não foram suficientes para desenvolver a economia do País como um todo. O crescimento apresentado pela China não é revertido para o desenvolvimento do País, mas para financiar o mercado financeiro e as dívidas do governo. Este crescimento é sustentado pelo esmagamento da enorme população chinesa de mais de um bilhão de habitantes que vivem nas piores condições de vida, recebendo salário mínimo de 30 dólares e agora com a recessão dezenas de milhões de desempregados. O fato da economia chinesa se sobrepor à economia japonesa, neste aspecto, só evidencia que há um avanço da crise que levou à queda da produção japonesa e não uma recuperação econômica expressa na posição da China.

5 Z[\]]]^_[`abb_cdefZghcdiZjk\cdgheh CAUSA OPERÁRIA MOVIMENTO OPERÁRIO ELEIÇÕES SINTECT-PB Contra a privatização da ECT, contra o acordo bianual e o PCCS da escravidão Página A6 ELEIÇÕES SINTECT-JF Mais uma prova da falência da burocracia do PCdoB e do bloco traidor da direção da Fentect Página A7 MOBILIZAÇÃO DERROTA BUROCRACIA E TOMA AV. PAULISTA Todos com os professores, contra Serra Página A8 PROCESSO PARA ANULAÇÃO DO ACORDO BIANUAL NA CATEGORIA DO CORREIO Bloco de 17 sindicatos na reta final para pedir na justiça a anulação do acordo assinado ilegalmente pelo bloco Articulação-PCdoB S.A Página A6 RESULTADOS DA VOTAÇÃO Números expõem a fraqueza da burocracia traidora Página A7 FORTALECER A LUTA POR UMA NOVA DIREÇÃO Porque tentam impedir os professores de Causa Operária de falar na assembléia Página A8 Plenária Nacional, abaixo-assinado na categoria contra o PCCS da escravidão e plano de mobilização nacional!"#$% (-. # (* &'() +), /012 ';. 3+: 3A"#(,0 ' D#;:2 ; T "#0 A 2 #C( 'B 0 : "# 4,000 :( '2 A : ( ' ( 0 : ( T : ' 2 ' ' 2 : VW 2 "#(F. ( "# : ' 5 HI ;,.3 ( ". ' ' JKLKMJ NNN O ' 3'2 3, "#0,3, KPB3T,: 2 C Reunião entre amigos no Sintect-SP faz campanha contra o TST...para aprovar PCCS em acordo com a.3: 3(:';2 45,678'9: 3 ;; (!4,#. "#!"#<==>(? 5 (,.: ( 8(,.: "#0 BC + (: 82 (2"6 6 $#"(&* #0( 59 : E"# :: ( F2 A ' : 3E,2 8'2 0 ' 2 ::,+ 8(6 : ' 2 A3 G5( 5(,( 38( 4 0 3( (:G;2,2 :: "# 4,0 "#(: :',;' ' (. '2 :8 3 "(&*62 5 # "# 3#(' ' "E(G #",0 "#( ;, ;2 *+( 2 (.:8( Propomos a realização de um grande ato público em frente ao TST e ao governo para mostrar a insatisfação da categoria com as negociações do PCCS. #!Q<R2 "6"#S0 "( ' # +A3( %& 3 (Q /(E2 U ((3(2 3"# 0 #0 G3"#, 3(,2 F #3 ( "62"#S(:: 3 "#?" +':G32 ( #;2 E( ('2 (#3 +3 0" ' B (,C ( 2 "#0 : :( & U B#C+E2 +:3 4 ("62 2 0, 3($ 3(, (.: :: 3: ; : 2 G3 : #9,"# '0 #2 B#C( 3 X 3 3 ' ( 2 E "#3( ( :: : 3T, G T #( 0 ' Q,2 ( F (. 2 T ; 3 0" 5 32 Q2 Y, 33 A,,.(, 0 Imediatamente os amigos do Bifano espalharam o Terror no TST, como bons garotos propaganda da direção da empresa

6 14 DE MARÇO DE 2010 CAUSA OPERÁRIA MOVIMENTO OPERÁRIO A6 ELEIÇÕES SINTECT-PB Contra a privatização da ECT, contra o acordo bianual e o PCCS da escravidão Organizar já a campanha salarial 2010 e mobilizar para derrubar a burocracia da Fentect e dos sindicatos, para colocá-los a serviço dos trabalhadores! Veja abaixo a declaração da chapa da Corrente Ecetistas em Luta, corrente de oposição à diretoria da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios), distribuída na campanha eleitoral do Sintect-PB (Sindicato dos Trabalhadores dos Correios da Paraíba) que se encerrou na semana passada A revolta da categoria contra o acordo bianual assinado pela minoria do Comando de Nacional de Negociação (PCdoB-PT), colocou na ordem do dia a derrubada da burocracia e a retomada dos sindicatos e da Fentect para a luta dos trabalhadores. É possível lutar e derrubar a burocracia. Toda luta política levada adiante pela Oposição Nacional Ecetistas em Luta, presente com seu boletim nacional nas principais bases sindicais dos correios, nas páginas especiais (suplemento) que CAUSA OPERÀRIA vem publicando desde o inicio da campanha salarial, bem como a intervenção nas reuniões nos locais de trabalho e em assembléias da categoria em todas as regiões do País, de dirigentes e militantes classistas da corrente, impulsionou a tendência da categoria a enfrentar e derrotar a burocracia sindical. Esta ruptura com a burocracia abriu caminho para a evolução de amplas parcelas do ativismo da categoria no sentido de adotar uma posição de independência de classe e de rejeitar a política patronal das direções sindicais, a burocracia sindical. Frente Única de Luta nacional A plenária nacional realizada por convocação da maioria do Comando Nacional de Negociação e por 17 Sindicatos contrários ao acordo, para impulsionar a retomada da campanha salarial, acertadamente tomou como decisões principais 1) levar adiante a luta pela anulação do acordo bianual, realizando a campanha salarial em 2010; 2) Lutar contra a privatização da ECT/Correios S.A; 3) lutar pela fachada que defendem a política patronal com um linguajar de esquerda, a posição do ativismo classista deve ser de lutar pela independência de classe, ou seja, impulsionar a expansão da ala classista, a luta pela reorganização sindical da categoria, com estabelecimento do controle dos trabalhadores sobre suas organizações tendo como eixos, entre outros: a luta por derrubar a burocracia da Fentect e nos sindicatos, para colocá-los sob o controle dos trabalhadores. Neste sentido, as forças que compõem o movimento de oposição na Federação sob a base de um programa aprovado na Plenária nacional, estão buscando compor chapas unitárias do bloco dos 17 sindicatos. Na Paraíba, o acordo não foi mantido devido à imposição de uma ala direitista tendo a frente o Robson, conhecido por assinar junto com o PT e PCdoB os acordos contra os trabalhadores, como foi o caso do PCCS da escravidão, acordo assinado em troca dos 30% de adicional no salário dos carteiros. Uma armadilha que foi preparada pela empresa e o governo para abrir caminho para a privatização. Os outros membros da sindical nos Correios que sempre se contrapôs ao governo, a direção da ECT e contra a burocracia traidora na defesa dos reais interesses dos trabalhadores ecetistas. Assinaram o acordo do PCCS a serviço da ECT, contradições que não foram discutidas na base da categoria até o momento. Pelo contrário, a sujeira foi jogada para debaixo do tapete. Nestas condições a Corrente Ecetistas em Luta, decidiu, para PROCESSO PARA ANULAÇÃO DO ACORDO BIANUAL NA CATEGORIA DO CORREIO Bloco de 17 sindicatos na reta final para pedir na justiça a anulação do acordo assinado ilegalmente pelo bloco Articulação-PCdoB S.A defender seu programa classista e as deliberações da 34ª Plenária Nacional neste processo eleitoral e fora dele, lançar a chapa 2 Ecetista em Luta Oposição. A chapa 2 - Ecetista em Luta, chama os trabalhadores e trabalhadoras dos Correios para apoiar essa luta, nosso programa de defesa das reivindicações da categoria e a denunciar e a superar as traições e vacilações da burocracia sindical que, hoje, é o principal obstáculo à luta da categoria contra os ataques dos patrões e dos seus governos. Votar e lutar com a Chapa 2 Ecetistas em Luta para fortalecer a luta pela independência de classe, a luta pela reorganização sindical da categoria, pelo controle Nas últimas semanas o bloco de 17 sindicatos, que se opôs à fraude feita na campanha salarial do ano passado pelo bloco Articulação-PCdoB, tomou uma série de iniciativas para finalizar os requisitos legais para a entrada na justiça do processo de anulação do acordo coletivo. A petição com o pedido de anulação do acordo coletivo, no item da sua duração por dois anos, foi encaminhada a todos os sindicatos e vários deles já fizeram observações: mandaram procurações e documentos para serem juntados ao processo como prova da fraude realizada. Também foi acrescentado ao processo recente decisão do ministério público do Mato Grosso pedindo abertura de inquérito contra a diretoria do sindicato daquele estado, por práticas anti-sindicais, uma vez que foi evidente a fraude de suposta assembléia que teria aprovado a proposta da direção da ECT, de acordo bianual. Na próxima semana acon- dos trabalhadores sobre os Sindicatos e a Fentect, para colocá-los a serviço da luta e das conquistas dos trabalhadores. rante greves para que o TST Tribunal Superior do Trabalho e os patrões negociem, alegando que os trabalhadores estão sendo intransigentes ou que estão prejudicando a população etc. A ditadura contra os trabalhadores nos locais de trabalho, bem como o tratamento de vertecerá nova reunião da coordenação do bloco de 17 sindicatos, onde se espera que seja finalizada toda a discussão e a juntada de documentos para providenciar o protocolo do pedido de anulação no TST. Chamamos os companheiros que ainda precisam acrescentar documentos (procuração, atas de assembléias ou gravações feitas durante a greve do ano passado etc) a fazê-lo o mais rápido possível para que o Bloco de 17 sindicatos possa entrar com a ação imediatamente. A chapa 2 - Ecetista em Luta, chama os trabalhadores e trabalhadoras dos Correios para apoiar essa luta anulação do PCCS da escravidão, que criou o cargo amplo e acabou com o cargo de motorista, entre outros golpes e 4) rejeitar a política divisionista do PSTU/Conlutas de dividir a federação e enfraquecer a luta da categoria contra os patrões, e decidiu levar adiante um combate para retomar a Fentect e os sindicatos controlados pelos traidores (do PCdoB e PT/ Articulação) para as mãos dos trabalhadores. Ao contrário das oposições de chapa- 1, ao invés de combater a posição oportunista e direitista do Robson e aliados, cederam às pressões e compuseram uma chapa que já nasce com posições de um setor que assinou o acordo traidor do PCCS e não se colocou a favor da 34ª Plenária Nacional e das suas deliberações. Claro que o acordo com esta ala traidora inviabilizou uma frente com os integrantes da Corrente Ecetistas em Luta, única corrente TRABALHADOR DOS CORREIOS, Leia o boletim Ecetistas em Luta Acompanhe todas as semanas o órgão da corrente nacional Ecetistas em Luta, de trabalhadores, militantes e simpatizantes do Partido da Causa Operária nos Correios, com as principais denúncias da categoria, a análise dos acontecimentos e da política da direção da empresa. Um órgão de defesa do interesse dos trabalhadores dos Correios na sua luta cotidiana, distribuído nacionalmente. Entre em contato e distribua o boletim também no seu setor de trabalho: Tel TRATAMENTO PSICOLÓGICO E SERVIÇO BUROCRÁTICO Briga entre policiais durante horário de trabalho...nem de longe é considerado motivo para justa causa Na última quinta-feira, o noticiário em nível nacional, divulgou várias vezes a complicada negociação feita pelas policias civil e militar para fazer com que o policial civil Uerler Leonardo liberasse o, também policial, Eduardo Maia, refém por quase seis horas em delegacia do Rio de Janeiro. Maia tentou apartar uma briga entre Leonardo e o delegado da 39ª DP, Ricardo Viana, mas acabou virando refém do colega. A briga começou, como acontece freqüentemente nos locais de trabalho, pelo abuso, cometido pelo chefe de Leonardo, na marcação da escala de plantão na delegacia, para onde havia sido transferido há menos de um mês. A briga continuou com os dois sacando as respectivas armas, Maia tentou amenizar tentando separá-los e acompanhou Leonardo até uma sala da delegacia, mas o policial não deixou que ele saísse mais. Maia foi mantido refém por quase seis horas por Leonardo, que o ameaçava e temia sair da sala e ser baleado pelos policiais do lado de fora, temor perfeitamente compreensível, vindo de um elemento da polícia que sabe exatamente como são tratados os criminosos. Todas as exigências foram atendidas O policial só saiu e liberou o outro policial depois que Ronaldo Oliveira, diretor de polícia da capital e Rodrigo Oliveira, diretor do Departamento de Polícia Especializada, foram à delegacia para ajudar na negociação. Para se entregar, Leonardo exigiu a presença de uma equipe de televisão e pediu que não saísse algemado. Suas exigências foram prontamente atendidas. Como era de se esperar o chefe de segurança pública do Rio de Janeiro declarou que o policial Ueler Leonardo vai passar por tratamento psicológico, vai ser afastado do trabalho de rua e transferido para trabalho interno e para setor onde possa ser reabilitado como funcionário. Obviamente, passa por problemas psicológicos, policial que saca sua arma contra superior hierárquico, no local de trabalho. Ainda mais se levado em consideração o fato de que os policiais são submetidos à rígida disciplina hierárquica. Evidente o descontrole do policial e do delegado, que também sacou a arma e, sobre o qual, nenhuma palavra foi dita. Ocorre que no caso dos trabalhadores e dos assalariados em geral, que não são obrigados ao cumprimento de tão rígida disciplina, uma briga, que nem precisaria chegar às vias de fato com a chefia, ou com qualquer colega de trabalho, seria punida com a imediata demissão por justa causa e, se houvesse violência, muito provavelmente o trabalhador acabaria na delegacia e quase com certeza respondendo a processo por agressão. Os empresários e o judiciário são muito pouco propensos a ouvir as razões, a considerar os problemas existentes no local de trabalho, ou a extrema pressão a que os trabalhadores estão submetidos. Querem uma subserviência absoluta aos poderes dos chefes e dos superiores. O comportamento de verdadeiros escravos exigido aos trabalhadores é um enorme contraste com todos os direitos, absolutamente necessários e óbvios, assegurados a outros grupos da sociedade. No caso da polícia civil, Uester Leonardo teve inclusive suas exigências atendidas, numa negociação onde ele mantinha um refém, mostrando como são absurdas as exigências feitas aos trabalhadores du- A POLÍTICA REVOLUCIONÁRIA PARA OS SINDICATOS NA PRÓXIMA ETAPA Qual é o significado da política sectária e capituladora do PSTU de abandono da CUT? - Balanço do movimento dos bancários - O PSTU no movimento dos correios: uma sombra da burocracia - Balanço do movimento dos professores de S. Paulo com o texto de Lênin: Os revolucionários devem atuar nos sindicatos reacionários? dadeiros criminosos aos grevistas é uma política classista da burguesia, de retirar todo poder de decisão e de manifestação da classe operária, impondo como status quo imutável uma total subserviência para manter sua exploração. O caso da polícia civil do Rio de Janeiro mostra como esta situação é insustentável, na medida em que o Estado, em enorme crise, mostra cada vez mais para os trabalhadores como eles são vítimas de uma enorme arbitrariedade e de uma orientação para retirar ou não conceder direitos civis, políticos e trabalhistas que já são, há muito tempo, garantidos a outros grupos sociais. Adquira as publicações das Edições Causa Operária

7 14 DE MARÇO DE 2010 CAUSA OPERÁRIA MOVIMENTO OPERÁRIO A7 ELEIÇÕES SINTECT-JF Mais uma prova da falência da burocracia do PCdoB e do bloco traidor da direção da Fentect Diretores cutistas da Fentect apóiam chapa da CTB (PCdoB), para manter equilíbrio de forças dentro da federação nacional Realizaram-se no último dia 5 de março passado as eleições para a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Juiz de Fora e Região (MG). Foram 575 votantes de um total de 730 filiados (78% dos associados) entre cerca de 1200 trabalhadores ecetistas da região berações fundamentais da 34ª. Plenária Nacional da Fentect, convocada pela maioria do comando nacional de negociação e pelos 17 sindicatos (de um total de 18) contrários ao acordo bianual, favoráveis à realização da campanha salarial em 2010 e à exclusão da direção da Fentect em que esta frente se posiciona na justiça pela anulação do acordo bianual e procura convocar a realização de um congresso extraordinário que modifique a correlação de forças no interior da Fentect, em favor dos interesses dos trabalhadores. Na campanha salarial, os 17 sindicatos da oposição contaram com a vitória na base de três sindicatos do bloco PT-PCdoB para rejeitar o acordo bianual. A direção da empresa reverteu, através de assembléias fraudulentas, que estão, neste momento, sendo contestadas na nual (Reginaldo de Freitas Souza), mesmo sendo a chapa de oposição cutista, mostrando que acima das siglas e diferenças de centrais sindicais, a burocracia sempre procura se unificar quando se trata de defender seus interesses e os interesses patronais contra os trabalhadores. Apesar dessa aliança, de toda a máquina dessas milionárias burocracias e da facilidade da diretoria tendo perdido na maioria dos setores chave. A chapa do PCdoB recebeu cerca de 51,5 % dos votos considerados válidos, contra 45,6% da chapa de oposição. Isso equivale a dizer que a chapa dos aparatos da Fentect e da direção da ECT recebeu o voto de apenas 40% dos associados, que equivalem a menos de um quarto do total dos trabalhadores ecetistas da região. sobre a empresa, como se vê na discussão da MP que cria a empresa Correios S.A. Fortalecer a oposição para lutar por uma nova direção Contra o enfraquecido domí- Números expõem a fraqueza da burocracia traidora Trata-se uma falência geral de toda a burocracia que apoiou o acordo bianual. da zona da mata mineira que tem como cidades principais Juiz de Fora, Barbacena, São João Del Rei, Muriaé, Santos Dumont, Leopoldina e Ubá. Nas eleições apresentaram-se duas chapas, representando os dois principais blocos políticos que atuam na categoria: a chapa 1, da atual direção do Sintect-JF do bloco PCdoB/PT-Articulação que assinou, contra a vontade da categoria, o acordo bianual (abrindo mão de fazer campanha salarial neste ano) e que apóia a privatização da ECT, por meio da criação dos Correios S.A. e a chapa 2 Oposição, integrada por setores da esquerda do PT (DS), companheiros da Corrente Nacional de Oposição Ecetistas em Luta, e militantes cutistas independentes que se opõem à política de sua direção, os quais se posicionaram em favor das deli- dos sindicalistas que se passaram para o lado da empresa ( comprados ) e pela realização de uma ampla campanha contra a privatização. O que estava em jogo na eleição? Nestas condições, essa eleição ganhou enorme importância, pois, apesar do pequeno tamanho da base sindical (em relação aos mais de 110 mil trabalhadores da ECT) a mudança de lado de um dos sindicatos poderia consolidar a correlação de forças em favor dos que se posicionam contra o acordo bianual etc. : Para o bloco dos 17, tratavase por exemplo de conquistar a maioria efetiva dos 34 sindicatos da federação, no momento, Justiça, o voto da base em dois destes sindicatos conseguindo desta forma uma maioria formal para assinar o acordo contra o Comando de Negociação dominado pela oposição. A disputa pelos sindicatos de base é decisiva para saber quem vai ter a maioria dos sindicatos para aceitar ou rejeitar os acordos salariais e outros. Isto ocorre em um momento decisivo, uma vez que está em disputa aberta a aprovação ou não do acordo bianual e da transformação da ECT em Sociedade Anônima, ou seja, em empresa privada. Consciente dessa situação, o bloco traidor compareceu unido às eleições com dirigentes da Articulação/PT, vinculados à CUT apoiando a chapa do PCdoB/ CTB, liderada por um dos traidores que assinaram o acordo bia- sindical em estabelecer um controle burocrático sobre o próprio processo eleitoral uma parcela da categoria mais conservadora (como aposentados) os resultados expuseram, por um lado, um enorme fracasso da política da burocracia em geral e do PCdoB, em particular, majoritário na chapa de situação. Uma maioria apertada: crise e decomposição da burocracia Diante de uma oposição com enormes fragilidades políticas e organizativas e mesmo com a traição aberta da Conlutas- PSTU (veja matéria à respeito nesta página), a chapa dos pelegos venceu a chapa de oposição por uma diferença de apenas 35 votos, Assim como no Rio de Janeiro (onde o PCdoB teve de lançar mão de um fraude de larga escala para se manter à frente do Sindicato), as eleições na Zona da Mata mineira deixaram evidente que a diretoria do Sintect-JF não tem o menor prestígio e, que se não caiu nas eleições está prestes de ser colocada para correr pela categoria na próxima etapa. Trata-se uma falência geral de toda a burocracia que apoiou o acordo bianual, a sua evolução em direção a uma situação de total decomposição desta máfia, diante da revolta da categoria contra suas traições. A cada eleição vai ficando mais evidente que eles não tem a menor autoridade política para bloquear a luta da categoria por suas reivindicações que tende a se aprofundar na próxima etapa diante da ofensiva da burguesia nio desta burocracia em decomposição, a tarefa para o próximo período é organizar e tornar o mais claro possível o repúdio da categoria a estes pelegos e colocar o sindicato de Juiz de Fora, de fato sob o controle dos trabalhadores. A partir dos locais de trabalho, de forma totalmente independente da burocracia em decomposição, avançar na organização de um movimento de oposição que seja uma verdadeira direção alternativa para as lutas da categoria que, por certo, virão. Para impulsionar esta perspectiva fortalecer a organização da Corrente Ecetistas em Luta na região, publicando boletins, organizando reuniões regulares, abrindo sedes e tudo mais que seja preciso para impulsionar um movimento combativo, independente da burocracia. QUEM GARANTIU A SOBREVIVÊNCIA DA BUROCRACIA SINDICAL GOVERNISTA NOS CORREIOS? A traição do PSTU e da Conlutas A política do PSTU/Conlutas foi um elemento decisivo para a garantir vitória apertada dos pelegos do PT-Artisind/PCdoB no Sintect/JFA. A Conlutas definiu a eleição... em favor do PCdoB e do PT. Em uma eleição muito apertada em que votaram 575 sócios aí incluídos 50 aposentados, o resultado foi decidido por uma diferença de tão somente 35 votos em favor da chapa da direção pelega do sindicato (PT-Articulação/PCdoB), da Chapa 1. O grupo de oposição nasceu há cerca de cinco anos em Juiz de Fora, entre os trabalhadores carteiros, atendentes e OTTs de diversos setores e se ampliando para outras cidades daquela região. A oposição entrou em contato com o sindicato dos metalúrgicos/ JFA e, no último período com o sindicato dos trabalhadores dos correios em Belo Horizonte (Sintect/MG) solicitando ajuda material e formação política para se organizar na base da categoria e resgatar o sindicato para as mãos dos trabalhadores uma vez que a política da articulação sindical e, sobretudo, do PCdoB, tanto em Juiz de Fora quanto nacionalmente, tem sido uma política de atrelamento e subserviência à direção da ECT e do governo Lula. A estes a Conlutas (PSTU) esteve aliada todo o tempo. A oposição denunciou as assembléias fantasmas feitas pela direção do sindicato às escondidas dos trabalhadores, os acordos assinados com a empresa contra os interesses da categoria, as inúmeras traições como a assinatura do PCCS do cargo amplo, da transformação do Postalis em Postalprev e outras traições repudiadas pelos ecetistas. Com isto, a oposição se transformou num vigoroso obstáculo às manobras da burocracia sindical e vem, na prática, conduzindo com responsabilidade as lutas da categoria como as greves feitas (apenas recentemente) pelos trabalhadores de base, devido à existência da oposição. Com a ruptura de uma parte de sindicatos com a proposta de acordo bianual, a formação do bloco dos 17 sindicatos ecetistas contra o acordo assinado ilegalmente pela direção pelega da federação (Fentect), foram realizadas reuniões em Juiz de Fora com a oposição. Tanto Ecetistas em Luta quanto a DS(PT) e o PSTU(Conlutas) se comprometeram em apoiar a oposição, pois sua vitória significaria conquistar uma maioria de sindicatos (o 18º) contra a política traidora da Fentect. Embora o PSTU/Conlutas não tenha ninguém nos correios de Juiz de Fora e região, eles se comprometeram em apoiar a chapa 2, da oposição, uma vez que os trabalhadores dos correios ligados à oposição se mobilizaram e ajudaram o PSTU a ganhar as eleições do SindUte (Sindicato dos Trabalhadores da Educação) naquela região, contra a Articulação/PT. A votação demonstrou a fraqueza da burocracia do PCdoB que teve de buscar cerca de 50 aposentados em suas casas para votar contra a Chapa 2. Bastariam que 18 votos de trabalhadores para a Chapa 1 fosse conquistados para a oposição para que a chapa 2 ganhasse as eleições. Nestas condições, a conduta do PSTU/Conlutas foi decisiva para a vitória da oposição, que - depois de firmar acordo para apoiar a chapa da oposição resolveu não apoiar a chapa de oposição em Juiz de Fora, para impedir a derrota do PCdoB e do bloco traidor na categoria dos correios. O PSTU sabia que a eleição estava acirrada e que qualquer força política que jogasse seu peso na balança eleição do Sintect/JFA poderia desequilibrar a disputa. Bastava ganhar em mais um ou dois setores e a oposição mandaria o PCdoB e a Articulação ir para o colo da empresa mais cedo... mas sem o sindicato. O PSTU ficou escondido por quase dois meses sem dar as caras, negando-se a apóia a chapa de oposição. Então na semana anterior à eleição aparece a direção do PSTU de juiz de Fora e, cinicamente, impôs como condição para dar o seu apoio à Chapa 2, formada integralmente por ativistas cutistas de oposição, à que ela retire a logomarca da CUT de seus materiais e anunciasse sua entrada na Conlutas, rompendo, inclusive o compromisso estabelecido de apoiar a oposição como a oposição cutista havia apoiado a chapa da Conlutas nos professores. A conduta do PSTU só pode ser explicada por um único motivo: a deliberação de ajudar a chapa do PCdoB a vencer a eleição. Estava claro há muito, inclusive quando a Conlutas decidiu apoiar a chapa, que seus integrantes não eram da Conlutas. A exigência foi um expediente para justificar a traição e nada mais. Tal conduta correspondia à busca de um pretexto para não apoiar a oposição, em uma situação totalmente oposta à política deliberada pela frente dos 17 sindicatos contrários ao acordo bianual. O PSTU sabe muito bem que o bloco dos 17 sindicatos é majoritariamente cutista. Esta provocação gratuita era totalmente descabida. Era apenas um pretexto para o PSTU não apoiar a oposição e, desta forma, impedir que o bloco dos 17 se transforme em bloco dos 18 maioria da Fentect. O PSTU/Conlutas vem repetindo esta política em diversos locais, agindo com uma política totalmente oposta ao que foi deliberado pela maioria do bloco e em total sintonia com os interesses do bloco traidor PCdoB-Articulação/PT. Na eleição do Rio de Janeiro, depois de prometer mundos e fundos (seis carros de som, 84 militantes sindicais, 25 militantes estudantis, milhares de cartazes, blá, blá, blá), na hora H, desapareceram o apoio dos 15 sindicatos que o PSTU diz ter sob suas orientações no Rio de Janeiro. Os poucos militantes que apareceram sequer compareceram nas urnas da madrugada e quando o PCdoB bateu o pé com sua centena de capangas armados, o PSTU saiu em debandada. E o que é pior: o PSTU ao invés de informar para os trabalhadores a fraude que foi a eleição no Rio de Janeiro, passou a se conformar com o resultado forjado e até está divulgando que o PCdoB foi mais eficiente ao ganhar as eleições, ou seja, justificando a vitória fraudulenta do PCdoB. Esta política de traição do PSTU/Conlutas não se restringe ao Rio ou JFA, onde o bloco atua como oposição. Em um dos sindicatos mais importantes incorporados à frente, o o Sintect-CE, onde as próximas eleições vão colocar em cena a disputa entre a direção do Sindicato contrária ao acordo bianual e a chapa dos traidores do PCdoB e PT (apoiados pela direção da ECT) o PSTU/ Conlutas está organizando uma Chapa 3, chapa laranja, contra a chapa encabeçada pela companheira Lourdinha. O PSTU sabe que não tem condições de disputar para valer as eleições; o único objetivo da Chapa 3, do PSTU, é tirar o voto da Chapa 1, e, com isso, apoiar a Chapa 2 do PCdoB/Articulação-PT. Nesse sentido, a reunião do bloco dos 17 tem que colocar abertamente a discussão sobre a política seguida pelo PSTU/Conlutas que caracteriza uma traição à luta da oposição para ganhar a maioria e um apoio ao bloco PT- PCdoB. Esta discussão tem que ser aberta para todos os trabalhadores. Nada disso é um acidente, mas é a expressão da posição assumida pela Conlutas desde o início da ruptura. Depois de ter sido um dos principais pilares do Bando dos Quatro na categoria, tendo tido papel decisivo na aprovação do PCCS pelos sindicatos, tendo encabeçado aintervenção do Estado no Sintect-SP, a serviço do estado capitalista e garantido a vitória do PCdoB no mais importante sindicato da categoria em todo o país, o PSTU quis ignorar a maioria virtual que o bloco que se opõe ao acordo bianual tinha e criar uma nova federação, ao estilo da sua política divisionista-oportunista da Conlutas. Se esta proposta, que o PSTU, não abandonou, tiver sucesso com a adesão de dois ou três sindicatos à proposta divisionista, a nova federação não cumprirá nenhum papel a não ser contribuir em dinheiro para a Conlutas e aumentar o número de sindicatos que a Conlutas dirige no papel, mas serviria para garantir a supremacia do bloco PT- PCdoB para assinar qualquer acordo com os patrões. Esta política que visa claramente a quebrar o bloco oposicionista ao acordo vem em um momento decisivo para a categoria porque está em andamento o processo de privatização dos correios. Esta questão serve para esclarecer o verdadeiro papel da Conlutas que serve para garantir um gueto sindical ao PSTU que beneficia, além deste partido, as burocracias governistas da Força Sindical, do PT e do PCdoB. A traição do PSTU deve ser denunciada e debatida abertamente em toda a categoria.

8 14 DE MARÇO DE 2010 CAUSA OPERÁRIA MOVIMENTO OPERÁRIO A8 MOBILIZAÇÃO DERROTA BUROCRACIA E TOMA AV. PAULISTA Todos com os professores, contra Serra A direção da APEOESP, formada pelo Bando dos Quatro (PT PSTU PCdoB-Psol), junto com outras direções sindicais pelegas e parlamentares da esquerda, fizeram o que era possível para sabotar e desviar a mobilização, inclusive, um acordo podre com o famigerado governo Kassab, mas os professores rejeitaram esta política, fizeram a PM recuar e realizaram a maior manifestação dos últimos anos, apontando em direção a única perspectiva de luta que pode levar à vitória à greve da categoria, a qual foi defendida exclusivamente, por Educadores em Luta, da Corrente Sindical Nacional Causa Operária: ocupar a Paulista, parar São Paulo e mobilizar todos contra Serra Professores da rede estadual de São Paulo, em greve desde o último dia 8 de março, protagonizaram na última sexta-feira, dia 12, uma das maiores e mais combativas mobilizações dos últimos anos e que sinaliza uma importante evolução política da categoria e dos trabalhadores de conjunto, como se viu nas recentes mobilizações dos trabalhadores dos correios (contra o acordo bianual) e dos rodoviários de Belo Horizonte (que decidiram se manter em greve depois que a direção do sindicato tinha feito um acordo para pôr fim ao movimento). A inexistente crise capitalista faz com que empresas e governos aumentem o seu ataque aos trabalhadores para que estes paguem pelos prejuízos da farra financeira da última década, o que vem gradualmente impulsionando a mobilização de diversas categorias. Por todos os lados, está se processando, em ritmos diferenciados, um processo de ultrapassagem das apodrecidas direções burocráticas, pela base das categorias, diante do obstáculo que a política dessa burocracia representa para os trabalhadores. Uma enorme operação contra a greve Aprovada no último dia 5 de março em assembléia estadual, a greve dos professores teve de enfrentar uma enorme operação de sabotagem da imensa rede burocrática do seu Sindicato, o enorme aparelho burocrático da APEOESP (120 diretores e cerca de dois mil conselheiros), a enorme maioria dos quais constitui já há algum tempo uma retaguarda que não luta e não quer lutar, mas apenas auferir vantagens e privilégios à custa da categoria. Desde pequenas migalhas como a liberação do trabalho por alguns dias por semana para participar de reuniões sindicais, até a participação na administração do orçamento de mais de R$ 50 milhões anuais da entidade. Como os professores de todas as regiões denunciavam na assembléia, em todas as regiões há conselheiros e em algumas até diretores que não participam da greve e que, inclusive, fazem campanha aberta contra a mesma, propondo que os professores, no máximo, paralisem um dia por semana, no dia da assembléia. Apesar de seus milionários recursos, a campanha em favor da greve, praticamente inexiste, não há cartazes, outdoors, os anúncios nos rádios e TVs são uma exceção, em horários e/ou canais de pouca audiência etc. O muito pouco que é feito, serve apenas para encenar que há uma movimentação da direção e de modo algum corresponde às necessidades de uma categoria de mais de 250 mil trabalhadores que atende a um rede cerca de 6 milhões de alunos, em todas as cidades do Estado e é utilizado apenas como um recurso para este aparelho poder controlar e frear a mobilização. Mesmo com toda esta sabotagem, manifestaram-se claramente, ao longo da semana, claras tendências a uma grande mobilização da categoria, como os professores, em várias cidades criando comandos de base, realizando reuniões nas escolas e fazendo crescer, por conta própria, a paralisação. A direção sindical, não podendo conter o movimento, tratou de preparar contra ele golpes já tradicionais na categoria: transformaram a assembléia dos professores em uma assembléia unificada A greve de agora representa a retomada em nível superior das mobilizações da categoria, em 2007 e com meia-dúzia de entidades sindicais, alguma delas patronais (como é o caso dos sindicatos dos diretores e dos supervisores de ensino, algozes da categoria e responsáveis pela implementação e defesa da política de destruição do ensino levada adiante pelos sucessivos governos tucanos no estado); se unificaram também burocracias que estão declaradamente contra a greve dos educadores (como no caso da direção da Afuse servidores) e até uma entidade dirigida por políticos ligados ao governo tucano, como é o caso do CPP Centro Professorado Paulista, cujo último presidente eleito foi deputado da base do governo tucano, tendo sucedido a um malufista na presidência. Nessa unificação, os professores e a APEOESP entram com a mobilização, a greve, a presença de cerca de 20 mil deles na assembléia e as demais entidades colaboram com discursos contra a mobilização e conselhos para se chegar a um acordo com Serra e seja lá quem for que favoreça apenas a seus interesses como a casta que vive da traição aos interesses dos professores. Um dos resultados mais expressivos desta política se deu em 2007, quando depois de uma mobilização unitária (21 dias de greves em que praticamente só os professores pararam), o governo concedeu reajustes de até 16% para os chefes (que abandonaram a unidade ) enquanto os professores ficaram no 0% e de novo sob o ataque dos diretores, supervisores etc. nas escolas, onde impera uma verdadeira ditadura contra o professorado e dos estudantes. Mais de 20 sindicalistas se revezaram no microfone para apontar para os professores o que eles deveriam fazer. Todos defenderam uma unificação ainda mais ampla, com mais sindicalistas de outras diretorias sindicais do funcionalismo (que também não estão em greve) e que a mobilização fosse desviada na próxima semana para uma região mais tranqüila da cidade, autorizada pelo governo direitista de Gilberto Kassab (DEM), que junto com Serra (PSDB) e o Ministério Público Estadual, tentam impor a proibição de manifestações na Av. Paulista. A essa medida se somaram outras da verdadeira frente Serra- Bando dos Quatro contra a greve: em várias regiões o número de ônibus colocado à disposição dos professores foi insuficiente, os ônibus propositalmente atrasaram a chegada dos professores e foram montadas barreiras pela Polícia Rodoviária para atrasar ou impedir o deslocamento dos professores. Paulista! Paulista! Estas manobras foram completadas na assembléia com a tentativa da diretoria da APEOESP de impedir que o coordenador da Oposição, Educadores em Luta (PCO e simpatizantes), companheiro Antônio Carlos Silva, falasse no carro de som do Sindicato e até com a agressão à professora Marina Madeira, da mesma corrente, para impedir que esta tivesse acesso ao carro de som. Isto porque o ativismo da Corrente Nacional Sindical Causa Operária era o único que defendia desde antes do início da assembléia (por meio do Boletim da Corrente e cartazes espalhados por centenas de escolas) ocupar a Paulista e rejeitar todas as manobras das direções sindicais que visassem desviar a mobilização de um amplo enfrentamento com o governo do Estado, único caminho para a vitória. Apesar de o companheiro ser o primeiro orador a solicitar a palavra publicamente no caminhão de som, não foi inscrito pela mesa dos trabalhos que ainda tentou aplicar o golpe de inscrever em seu lugar, um outro militante da corrente após uma lista de mais de 20 sindicalistas ligados à burocracia. Rejeitada a manobra por meio dos protestos da assembléia, o companheiro foi o último a falar, antes do manipulado processo de votação. O mais importante, no entanto, é que aos poucos um número cada vez maior de professores (que alcançou rapidamente a maioria dos presentes) começou a se manifestar contra os oradores que propunham unidade para não lutar na Praça da Sé. Na medida em que os burocratas discursavam pela quebra da mobilização propondo seu deslocamento para a Praça da Sé, não parava de crescer o coro Paulista!, puxado por professores da Corrente Educadores em Luta de cima do caminhão de som (sem microfone) e por milhares de ativistas que entenderam de forma prática o significado do golpe. A presidenta do Sindicato ainda tentou atacar o boletim, a manifestação da categoria e o dirigente da oposição. Nada adiantou, Paulista! Paulista!, gritava um número cada vez maior de professores, expressando com gritos o seu voto a favor da política de Educadores em Luta/Causa Operária. A diretoria foi obrigada a manobrar. Em primeiro lugar, sua ala mais débil, a direção do PSTU/ Conlutas mudou de posição e passou a se colocar formalmente de acordo com mobilização na Paulista, depois, a própria Articulação/PT teve que anunciar também que ia acatar a posição da maioria dos professores. Aprovada a próxima mobilização no mesmo local, os professores trataram de iniciar uma passeata, ocupando uma longa extensão da principal avenida da maior capital do País. Novo golpe: acordo secreto com Serra- Kassab Poucas quadras adiante, os professores se depararam com um bloqueio montado pela Polícia Militar do governo Serra, com a CET (Companhia de Engenharia de Trânsito) e a PM para desviar a passeata para uma rua secundária da região, sob o pretexto de não causarem maiores transtornos ao trânsito. Como a própria direção do Sindicato anunciou ao microfone, esta mudança de rota era parte de um acordo da direção da APEOESP havia feito com a CET (governo Kassab) e a PM (governo Serra). Revoltados com a interdição em um local constantemente tomado por todo tipo de manifestação apoiada pela burguesia como a parada gay, festa de torcidas, atos das centrais sindicais em favor de mais verbas para os capitalistas, passeatas evangélicas etc., centenas de professores de novo apoiados exclusivamente pelas lideranças da Oposição Educadores em Luta, resolveram enfrentar a interdição, derrubaram as motos da PM e aos poucos abriram caminho para a passagem da manifestação, mesmo contra a vontade da direção do sindicato que fez um cordão de isolamento para tentar impedir a revolta dos professores contra a PM. Mais uma vez, a direção do Sindicato foi derrotada e teve que acompanhar a vontade dos professores de manter a manifestação na Paulista em direção à sede da Secretaria de Educação, pela movimentada Av. Consolação, fazendo com que o caótico trânsito da cidade alcançasse cerca de 200 km de congestionamento. Uma nova etapa da luta da categoria A greve de agora representa a retomada em nível superior das mobilizações da categoria, em 2007 e 2009, ambas traídas pela diretoria, que acertou com o governo o fim da greve antes de consultar a categoria (2007), desviou a luta para a corrupta Assembléia Legislativa para fazer campanha de do ex-presidente da APEO- ESP, Roberto Felício (PT) e outros deputados ligados ao Bando dos Quatro. Em todas estas situações, a diretoria mentiu descaradamente para a categoria, dizendo que estava conseguindo vitórias, enquanto os professores acumulavam derrotas e mais derrotas. No ano passado, a greve foi abortada um dia após o anúncio da paralisação, o que ajudou Serra a impor uma nova derrota à categoria por meio dos PLC 19 e PLC 20, que instituía, entre outras coisas, a famigerada provinha dos ACT s, para demitir milhares de temporários. Na ocasião, a burocracia do Bando dos Quatro (PT-PCdoB-PSTU-Psol) tratou de acabar com o movimento e levar a luta dos professores para a ALESP, ou seja, para longe do governo, responsável pela política educacional e para atrelá-la aos deputados da esquerda. Esta política nunca deu absolutamente nenhum resultado concreto e somente tem sentido para eleger os deputados de esquerda, que nada fazem pela luta, com o voto dos professores. A categoria está tirando importantes lições destas derrotas e mostrou nesta sexta (12) que esta disposta a trilhar outros caminhos. Derrotar a burocracia, para derrotar Serra Diante da experiência das ultimas traições, fica claro que para fazer vitoriosa a mobilização, a categoria não deve depositar se quer uma gota de confiança na diretoria do Bando dos Quatro (PT-PCdoB-PSTU-Psol) e assumir o comando da mobilização, lançando mão da criação de comandos de greve de base (sem a burocracia fura-greve), elegendo um comando estadual de base na assembléia estadual para negociar com o governo e prestar contas diante da categoria, enfim, fortalecendo a organização independente da categoria em um poderoso movimento estadual de oposição, com reuniões e boletins regulares e tudo mais que for necessário para construir uma direção alternativa para as lutas dos professores. Nesse momento, fica evidente que não há uma verdadeira ação da direção para impulsionar a greve: o milionário orçamento de mais de R$ 50 milhões da APEO- ESP não é usada para uma verdadeira campanha contra o governo Serra e a favor das reivindicações da categoria. Campanha mesmo só a favor dos deputados e dirigentes da burocracia. Diante dessa situação, a categoria deve repetir 2005, quando poucos meses antes do tucano Alckmin se afastar para concorrer à presidência da República, mais de 30 mil professores tomaram a av. Paulista impondo uma derrota ao governo - que teve que voltar atrás na demissão de 120 mil ACT s - e conquistando (mesmo com o corpo mole da diretoria) o maior reajuste salarial de todo o período tucano (15% de reposição e 15% de gratificações). Contra a política de colaboração da burocracia com o governo tucano, adotar outro caminho: o da organização independente da burocracia e o da mobilização. Ocupar a Paulista, todos os dias se for necessário. Parar o coração de São Paulo, pelo tempo que seja necessário, até que o governador-candidato tucano atenda todas as reivindicações dos professores e funcionários. Para impulsionar e ampliar esta perspectiva de luta, unificar a mobilização; não como os pelegos, fura-greves e chefes, e sim com a comunidade escolar, com a juventude, com os trabalhadores. Convocar uma ampla manifestação de 100 mil professores, alunos, servidores, pais de alunos da rede pública (trabalhadores), a juventude estudantil universitária (que na USP luta contra a ditadura de Serra/Rodas). Todos juntos ao lado dos professores. parasuperar a política de colaboração da burocracia sindical para derrotar Serra, inimigo da Educação e do ensino público! Centenas de professores derrubaram as motos da PM e abriram caminho para a manifestação, mesmo contra a vontade da direção do sindicato. FORTALECER A LUTA POR UMA NOVA DIREÇÃO Porque tentam impedir os professores de Causa Operária de falar na assembléia A corrente sindical Educadores em Luta professores da corrente sindical Nacional Causa Operária (militantes e simpatizantes do PCO), é formada por professores da base da categoria, que não fazem parte do Bando dos Quatro (PT-PCdoB- PSTU-Psol) que dirige a APEO- ESP e que há anos denuncia e mobiliza contra a política da diretoria de conciliação com o governo tucano, a qual vem trazendo inúmeras derrotas à categoria dos professores. Para manter essa política contra a vontade da categoria que quer lutar e derrotar Serra, a diretoria tenta impor uma ditadura no condomínio pelego que estabeleceram PT e PSTU (chapas 1 e 2 e seus consorciados) na APEOESP; que tratam como se fosse propriedade particular. Por isso mesmo, em várias assembléias tenta impedir a palavra dos militantes de Educadores em Luta ou qualquer outro que se oponha à sua política e à farsa que montaram, na qual encenam que há uma disputa entre as duas alas principais da diretoria, como uma delas (comandada pelo PSTU/ Conlutas que há quase uma década está na diretoria, (com a vice-presidência e vários cargos na Executiva) fingindo que é de oposição. Aos professores do PCO é negada ou dificultada a palavra, porque não comem na mão da diretoria. Muitas vezes, tentam até impedir que subam no caminhão de som, usando de capangas pagos pela burocracia e de todo tipo de baixarias contra professores e professoras. Isso foi o que se viu nas duas últimas assembléias, nas quais a professora Marina Madeira, que teve que escalar o caminhão de som, e contar com o apoio da categoria para que tivesse o microfone cedido por Bebel e sua turma (5/3/2010) e no último encontro (12/3) quando tentaram enquanto puderam impedir a intervenção do companheiro Antônio Carlos e a companheira Marina foi barrada e empurrada por capangas da diretoria na entrada do carro de som. Querem impedir os professores de Causa Operária de falar, porque eles não fazem parte da encenação, e porque apontam um caminho de mobilização e luta, como a ocupação da Paulista e a construção, a partir da base, de comando de greves independentes da burocracia, que só se mexe para defender seus próprios interesses, que é agressiva com os professores, mas age com doçura com o governador que os ataca. Defendem o programa classista da Corrente Sindical Nacional Causa Operária, de mobilização pelas reivindicações da categoria, contra a política de colaboração e integração com os governos patronais de Serra e Lula da direção da APEOESP. Mais do que uma disputa pela intervenção nas assembléias, a tarefa do momento é fortalecer a luta em todas as frentes, a partir das escolas, pela construção de um poderoso movimento de oposição. Ampliar e regularizar a publicação do Boletim Educadores em Luta, fazendo-o chegar à maioria da categoria; realizar reuniões estaduais e regionais regulares da Oposição e tudo mais que seja necessário para avançar na construção de uma direção alternativa, independente da burocracia para a atual mobilização e próximas lutas da categoria que tendem a se enfrentar cada vez mais com a desagregação da burocracia sindical.

9 POLÍTICA KLMNNNOPLQRSSPTUVWKXVTUYKZ[MTUX\V\ RIO GRANDE DO SUL Latifundiários tentam impor a proibição de manifestações dos sem-terra Página A10 MANAUS Burguesia monta operação de guerra para reprimir indígenas ]^_ ^`abcd ]def bgd Página A10 PARÁ População incendeia delegacia durante protesto Página A10 Battisti é condenado a dois anos de prisão O italiano Cesare Battisti, que já está preso há três anos no Brasil, é novamente condenado, desta vez pela justiça brasileira ) 2 " B (, # % % %,/45 & ". % B (1# # 82CD69( 7 # # E B (B + # - 9, & - 6GH0 F F ( F 6GIH $7,&8 % % ( # - # 7,& # B ( $ B 6GIG% F ( B 300 6G3G $,& B /00 F ( 1 6GHG & # % % <,. & % % ( # - % + $ - ( F : B 1 % 7 ( # # % % # ( - A7 %' <).!) $!" ( % # # - " %- # % ( - ' 1 &! &!" %,& - & ' - A % # ( F 7 + ( F % % & B (B - ( % - J # $ % B % (B - / >. F #! " & & ' ( ) * $!" % % # &, ( ) + $ % % ( # % %. % #, - & 1 ( # % ) /00 # &, 2. $!" A nova condenação de Battisti é um complemento da repressão que este tem sofrido +7 > (,. - # 7 ( B ) () B % > B - (& J % # B - 6I /00H(, % # % ( ) 345 &! 6*, % #!"8 # ( " 9 $!" %! 7 # : % # ( ; % % < #!), #!", ) " -2, 8 <=>9(? 2: % <) # % # E a prisão dos empreiteiros da Camargo Corrêa?

10 14 DE MARÇO DE 2010 CAUSA OPERÁRIA POLÍTICA A10 MANAUS Burguesia monta operação de guerra para reprimir indígenas Mais de 350 policiais e um helicóptero foram enviados para expulsar à força mais de 200 famílias indígenas que ocupavam terras na comunidade Parque São Pedro. A medida da justiça burguesa foi mais uma demonstração da política de alianças desse setor com os latifundiários No dia 9 de março, a Polícia Militar do Amazonas montou uma verdadeira operação de guerra para reprimir as 200 famílias indígenas que estavam ocupando a comunidade Parque São Pedro, na zona Oeste de Manaus. A pretexto de cumprir um mandato de reintegração de posse concedido pela Justiça burguesa, defensora intransigente dos interesses dos latifundiários, a PM promoveu uma das mais repressivas ações. Foi enviado para o local um contingente de pelo menos 350 policiais para enfrentar 600 indígenas, entre eles mulheres e crianças. Ou seja, uma média de um policial por pessoa, além do helicóptero com os atiradores da polícia. De acordo com as testemunhas, cerca de 350 soldados usaram armas de efeito moral. Eles lançaram gás lacrimogêneo e atiraram balas de borracha. Também foi utilizado um helicóptero com quatro policiais para atirar munição de borracha na multidão (O Globo, 9/3/ 2010). Diante de uma clara tendência de luta dos trabalhadores, como se vê, por exemplo, com o aumento e radicalização dos protestos espontâneos, a reação da burguesia é uma só: aumentar as medidas repressivas para tentar conter ao máximo a organização da população trabalhadora. Essa política, no entanto, acaba gerando uma situação ainda mais insustentável, uma vez que com o aumento da repressão aumentam também os protestos. Essa tendência de luta fica bastante evidente pelo fato de que a população ao invés de ficar na defensiva com o ataque da direita, como ocorria em outros momentos, está reagindo fortemente. Os confrontos diretos com a polícia são um exemplo disso. No caso desse confronto, entre os índios do Amazonas e a Polícia Militar, os indígenas apesar de estarem completamente desarmados, não se deixaram intimidar e partiram para o confronto utilizando armas artesanais como: flechas, bombas caseiras, pedras e pedaços de madeira. Para tentar impedir o avanço da polícia, os manifestantes fizeram uma espécie de barricada de fogo no entorno dos 40 mil metros quadrados das terras ocupadas. Eles chegaram gritando dizendo que iam atirar balas de fogo se o povo não saísse das terras. Ficamos com medo e tentamos nos defender, relatou uma das indígenas (Idem). A população precisa ter claro que toda essa ofensiva da direita é o reflexo do medo que a mesma tem da organização dos trabalhadores. No caso dos movimentos sociais essa ofensiva fica ainda mais escancarada, já que a burguesia, por conta de uma campanha criminosa de marginalização desses movimentos, não possuiu sequer a preocupação de esconder o massacre produzido contra essa parcela explorada. No caso dos sem-terra, por exemplo, a burguesia está promovendo um verdadeiro massacre no campo. Diariamente surgem denúncias de assassinatos de trabalhadores rurais e em nenhum dos casos os responsáveis foram sequer identificados, muito menos punidos. A população ao invés de ficar na defensiva com o ataque da direita, como ocorria em outros momentos, está reagindo fortemente. RIO GRANDE DO SUL Latifundiários tentam impor a proibição de manifestações dos sem-terra A Brigada Militar do Rio Grande do Sul impediu na terçafeira, 9 de março, na parte da manhã, uma manifestação promovida pela Via Campesina, em local próximo ao município de Santo Augusto, noroeste do Rio Grande do Sul. O movimento, que reunia cerca de 800 trabalhadores sem-terra segundo o MST, além de trabalhadores do movimento dos atingidos por barragens e agricultores assentados, pretendia seguir em manifestação até a fazenda Inveja para exigir a devolução de terras, que já foram entregues ao programa de Reforma Agrária do governo e que encontram-se em litígio na Justiça há mais de três décadas. No meio do caminho, cerca de 100 policiais faziam o bloqueio, impedindo a manifestação pacífica dos sem-terra. Durante toda a manhã os dois grupos se posicionaram em lados opostos na rodovia. No último dia 3 de março, próximo ao município de Rio Pardo, no Rio Grande do Sul, cerca de mil trabalhadores rurais sem-terra já haviam sido reprimidos em uma marcha pela BR-471, que liga Rio Pardo a Santa Cruz do Sul, contra as empresas de tabaco na região. Quando faziam uma manifestação pacífica foram reprimidos com balas de borracha e bombas de efeito moral. Este é mais um episódio da ofensiva dos latifundiários pela cassação dos direitos dos semterra a sequer se manifestar. Assim como os latifundiários assassinam e prendem trabalhadores sem-terra, promovem também uma perseguição aos direitos mais elementares, de manifestação dos trabalhadores. A direita no campo, prevendo um acirramento da luta dos sem-terra, tem reprimido lideranças acusando-as dos motivos mais absurdos, como a organização de reuniões para ocupar terras, levantada pela justiça de Santa Catarina em janeiro contra um militante do MST; ou o porte ilegal de armas, como ocorreu em Minas Gerais com dois companheiros da Liga dos Camponeses Pobres, e como ocorreu na semana passada em Alagoas com um companheiro que foi preso acusado de liderar ocupações de terra simplesmente porque estava com uma camisa e um boné do MST. Com o acirramento da luta dos sem-terra, direita aumenta cada vez mais a repressão. Esta é uma campanha para cassar os direitos mais básicos de organização dos sem-terra, para impor no campo uma verdadeira ditadura, que só pode ser enfrentada com a intensificação das ocupações de terra e a luta pela reforma agrária. Para garantir o direito de organização ampla dos trabalhadores semterra contra a direita assassina no campo, é preciso impor, através da luta contra os latifundiários, o direito à autodefesa dos sem-terra. SÃO PAULO Manifestantes exigem fim da violência policial Em um protesto realizado na noite de domingo no bairro do Jabaquara, em São Paulo, repetiram-se cenas de conflito entre moradores da periferia contra a polícia. Cerca de 50 moradores da favela da Imprensa protestaram paralisando a Avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira, na altura do número Queimando pneus e pedaços de madeira eles se levantaram contra a violência policial. Um morador da favela foi ferido por um tiro disparado por um policial que realizava operação no local. O protesto, que se iniciou às 18 horas, ainda não havia se encerrado às 22 horas. Além de colocar fogo em madeiras e pneus, os manifestantes lançaram rojões contra os policiais. Assim como ocorreu no protesto realizado no Itaim Paulista, zona Leste, há duas semanas, a polícia permanece no local para evitar que moradores realizem mais protestos. Os protestos espontâneos, que ocorrem às dezenas na cidade, principalmente contra o governo, que permitiu que as enchentes ocorressem, mostram uma mudança na disposição dos trabalhadores, que passam cada vez mais a se mobilizar por melhores condições de vida. PARÁ População incendeia delegacia durante protesto No dia 8 de março, os moradores de Tracuateua, no nordeste paraense, deram início a um protesto espontâneo que resultou no apedrejamento e incêndio da delegacia local. De acordo com a imprensa burguesa, a população teria se revoltado com o assassinato de uma mulher e que por isso foram até a porta da delegacia para encontrar o assassino. Mesmo que esse tenha sido o motivo para a população protestar, o que chama a atenção é a radicalização da manifestação, isso porque o preso que supostamente seria o motivo da revolta nem ao menos estava no local. Os moradores não só apedrejaram e incendiaram a delegacia como partiram para o confronto direito com a polícia. Foram quatro horas de confronto que acabou resultando na morte de duas pessoas, assassinadas pelos policiais. A manifestação também serviu para libertar os detentos que estavam na delegacia. Essa não é a primeira vez que a população invade e incendeia delegacias, pelo contrário. No último período o que se viu foi uma tendência geral de luta dos trabalhadores. Diversos protestos espontâneos, todos voltados contra o próprio governo e contra o regime, estão dando o panorama geral de insatisfação por parte da população trabalhadora. O fato dos protestos estarem colocando em cheque o órgão repressor do estado, a polícia, também é um importante fator, que mostra que a polícia e os governos burgueses não possuem o menor respaldo da população. O que os trabalhadores precisam ter claro é que não se trata de um caso único, isolado, mas de uma tendência geral de lutas. No caso do Pará essa tendência é a resposta da população à política criminosa das oligarquias, representadas pelo governo de Ana Júlia Carepa, do PT. Essa tendência geral de luta, por outro lado, vem acompanhada e é, de uma maneira geral, uma resposta à intensa ofensiva direitista da burguesia. Durante esse protesto, por exemplo, ao menos duas pessoas foram assassinadas por policiais e outras cinco ficaram feridas. A ofensiva da direita é justamente a tentativa de impedir os protestos e a organização dos trabalhadores, o que fica claro no caso dos movimentos sociais, a exemplo dos semterra que recentemente foram impedidos inclusive de realizar seus protestos. A população trabalhadora não só deve manter as manifestações, como ampliá-las. Essa é a única resposta dos trabalhadores diante dos ataques da burguesia. O que os trabalhadores precisam ter claro é que não se trata de um caso único e isolado, mas de uma tendência geral de lutas.

11 CAUSA OPERÁRIA ANO XXXI Nº 577 DE 14 A 20 DE MARÇO DE 2010 MOVIMENTO ESTUDANTIL A11 FUNDAÇÕES PRIVADAS O histórico de desvio de verbas na UnB Página A12 USP - PIRACICABA Guarda universitária da Esalq revista calouros Página A12 TRABALHADORES DA USP Reitoria multa Sintusp para intimidar o movimento Página A12 CONCILIAÇÃO NÃO Lutar contra a ditadura na universidade Os exemplos da USP e da UnB mostram que a burocracia universitária está levando adiante uma política de conciliação para conter o movimento estudantil O movimento estudantil iniciou a retomada de sua luta a partir de 2007, quando os estudantes da USP ocuparam a reitoria da universidade por 51 dias, numa luta política contra os decretos do governo Serra. A partir daí, dezenas de ocupações de reitoria e prédios administrativos foram realizadas pelos estudantes em várias universidades do Brasil. Depois da ocupação da USP, a ocupação da reitoria da UnB, que ocorreu já no começo de 2008, foi a mais importante. Os estudantes da Universidade de Brasília derrubaram o reitor Timothy Mulholland, envolvido em casos de corrupção. Da mesma maneira que os estudantes de São Paulo, em Brasília o movimento estudantil colocou em xeque a ditadura da burocracia universitária e abriu uma crise de poder na UnB. A partir desses episódios, o movimento estudantil protagonizou lutas cada vez mais claramente com um conteúdo político. Cada vez foi se tornando mais claro que, a única maneira de resolver os problemas enfrentados dentro da universidade era a luta contra a ditadura que vigora ali. O novo reitor da USP A luta se desenvolveu nesse sentido. Na USP, a greve de 2009 se deu diretamente contra a reitoria e o governo. Os estudantes enfrentaram a PM dentro do campus e conseguiram expulsá-la. A então reitora, Suely Vilela, entrou em uma crise terminal e só foi salva pelo fim do seu mandato. A troca de reitor, ao invés de estancar a crise, abriu ainda mais a ferida. Depois de uma eleição completamente contestada e deslegitimada pela comunidade universitária, Serra nomeia como reitor, João Grandino Rodas, segundo colocado nas eleições da burocracia universitária. A luta pelo fora Rodas está na ordem do dia. Rodas é o principal defensor da repressão aos estudantes e da privatização da universidade pública. A escolha de Serra foi uma afronta ao movimento estudantil e seu objetivo é colocar em prática um aprofundamento da política da reitoria anterior. Na UnB Depois da ocupação da UnB, a burocracia universitária tentou resolver a crise de poder que se abriu na universidade. Primeiro, lançouse mão de uma reitoria de transição, e o nome de Roberto Aguiar, com o apoio explícito do Bando dos Quatro, foi escolhido pelo Conselho Universitário para acabar com a ocupação e tentar estancar a crise. Na segunda metade de 2008, as eleições para reitor ocorreram e a burocracia universitária escolheu o atual reitor, José Geraldo, também com o apoio do Bando dos Quatro. A fachada esquerdista de José Geraldo, do PT, não impediu que sua gestão levasse adianta a mesma política direitista, como a cobrança de cursos de pós-graduação, credenciamento de fundações privadas, corte nos salários de professores e funcionários e demissões dos funcionários do Hospital Universitário. A mudança de reitor não modificou o regime de poder na universidade. Pelo contrário, fica claro que o atual reitor tem a missão de colocar em prática a mesma política de defesa da ditadura da burocracia universitária na UnB, a mando dos capitalistas. A armadilha da conciliação para frear o movimento As escolhas dos dois reitores ocorreram em um período de lutas no movimento estudantil, que está longe de se fechar. Isso porque se trata de uma luta contra o regime político na universidade. Nesse sentido, a política da burocracia universitária é a de tentar barrar o movimento dos estudantes, pois sabe que o desenvolvimento desse movimento levará a uma derrota de seu domínio na universidade. A política das reitorias, diante da luta dos estudantes, foi armar uma armadilha para o movimento estudantil: a conciliação. Não é por acaso a escolha de um petista na UnB, assim como não é à toa que o ultra direitista Rodas esteja querendo aparecer como o principal defensor do diálogo e da conciliação. A burocracia universitária e os governos têm medo de uma mobilização estudantil ainda maior. Por trás da conciliação está esse temor. O objetivo é desviar parte do movimento estudantil, na realidade a burocracia estudantil, para essa política. Dialogar significa abandonar a luta contra a ditadura na universidade, a única possível para o movimento estudantil. É exatamente o que o Bando dos Quatro está fazendo. Na USP, do Psol ao Sintusp, há uma adesão ao chamado de Rodas. Na UnB, a reitoria propôs uma mesa conciliadora que foi prontamente aceita pelo DCE, nas mãos do PT. É preciso dizer claramente que a luta do movimento estudantil deve ser contra o regime de poder na universidade. A conciliação é apoiar a ditadura. Na USP, o fora Rodas é a expressão atual dessa luta. O reitor-interventor é o representante dessa ditadura, é o representante de José Serra, e o maior defensor da repressão contra os estudantes. A tarefa do movimento estudantil é derrubar a ditadura da burocracia universitária, é lutar pelo governo tripartite com maioria estudantil. Esse é o norte de todas as lutas com as quais vai se deparar os estudantes. PARA TENTAR CONTER AS MOBILIZAÇÕES Reitores das universidades estaduais paulistas decidem aumentar salário de docentes Manifestação das universidade estaduais paulistas em 2007 contra o Decreto de Serra atacando a universidade pública. A decisão do CRUESP tem a clara intenção de usar os professores, o setor mais conservador da universidade, contra as mobilizações neste ano. O movimento estudantil deve se organizar de maneira independente. No início do mês de março, o CRUESP (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) fez sua primeira reunião, na qual divulgou um comunicado tratando da reestruturação da carreira docente. Basicamente o que foi definido pelos reitores foi o reajuste dos salários dos professores das três universidades estaduais de São Paulo. O que chama a atenção na decisão do CRUESP é que a discussão sobre a carreira docente e o aumento salarial da categoria tenha ocorrido tão cedo e sem que o Fórum das Seis, que reúne os sindicatos de professores e funcionários das três universidades, iniciasse sua campanha salarial, que acontece no meio do ano. Um professor titular nível mais alto de docência, em 2007, ganhava R$ 8.536,16 de salário. Com o aumento cedido pelo CRUESP um professor titular receberá R$ ,96. Para os funcionários técnico-administrativos das três universidades, nenhuma palavra sobre reajustes. O fato prova o porquê da posição política conservadora adotada, de um modo geral, pelos docentes. O fato de os estudantes se colocarem como o setor revolucionário se deve a uma situação material, concreta. A maioria dos docentes têm privilégios dentro da universidade, não somente porque assumem as posições de poder, mas também por ser a categoria economicamente mais abastada. Os estudantes ocupam a liderança das mobilizações por ser o setor menos ligado ao Estado, do ponto de vista material. É isso também o que os diferencia dos funcionários, uma camada também explorada, porém com algumas ligações econômicas tanto com o Estado e como com a burocracia universitária, além de serem em menor número em relação aos estudantes. A antecipação dos reitores tem um claro objetivo: tentar conter qualquer mobilização esse ano, usando justamente o setor mais atrasado da universidade. O jogo consiste em utilizar o atraso político dos professores somado à sua que se iniciaram em 2007 e se desenvolveram em Sabe também do papel importante que o Fórum das Seis teve na tentativa de desmobilizar os estudantes e defender a política da burocracia universitária dentro do Quadro da greve em 2007, na ocupação da reitoria da USP influência dentro da universidade. Tradicionalmente, os Os estudantes, no entanto, movimento. professores são os últimos a como já demonstraram em aderir às mobilizações e os 2009, não aceitam mais este primeiros a sair e de modo freio ao movimento. geral só entram em greve durante a campanha salarial. nalmente a burocracia evita a Em ano eleitoral, tradicio- O CRUESP, a mando de todo o custo uma greve. Pelo Serra, está conduzindo a menos nos últimos anos, nas manobra, pois sabe que em universidades públicas de 2010 haverá uma continuidade das lutas estudantis mais fortes ocorreram São Paulo, as mobilizações em anos não eleitorais. Tudo para proteger os parlamentares e políticos burgueses. Esse é também outro motivo para que o CRUESP tente evitar uma greve de qualquer maneira. O movimento estudantil não deve, de maneira nenhuma, ir a reboque das outras categorias, principalmente dos professores. A sua luta deve ser independente da burocracia do Fórum das Seis e da burocracia estudantil que já mostrou de que lado está, isto é, daqueles que defendem a ditadura na universidade. Somente a mobilização independente dos estudantes, contra a ditadura na universidade, poderá levantar também as outras categorias como os funcionários e os professores para que se coloquem em uma posição política progressista e aceitem lutar contra o domínio da burocracia universitária. A principal bandeira de luta neste momento é a reivindicação de fora Rodas. O movimento estudantil deve aprofundar sua organização independente e as mobilizações esse ano e lutar contra a ditadura na universidade, pelo governo tripartite, com maioria estudantil.

12 14 DE MARÇO DE 2010 CAUSA OPERÁRIA MOVIMENTO ESTUDANTIL A12 FUNDAÇÕES PRIVADAS A história do desvio de verbas da UnB Uma retrospectiva das atividades das fundações privadas da Universidade de Brasília revela esquemas milionários de desvio de verbas para favorecimento dos seus diretores, da burocracia universitária e de empresas privadas A Universidade de Brasília foi o epicentro do escândalo de O movimento estudantil tem que dar uma resposta a esse ataque à universidade pública que representam as fundações. desvio de verbas por parte de fundações privadas em 2007, fato que gerou a crise da gestão da universidade em 2008 e culminou com a deposição do ex-reitor pelos estudantes com a ocupação da reitoria. A UnB tem seis fundações privadas. Destas, quatro estiveram envolvidas em mais de um escândalo de corrupção, sendo que duas foram extintas em decorrência desses escândalos. Desde que foram criadas, as seis fundações realizam atividades puramente empresariais. Os escândalos e a crise instalada na universidade revelaram a função que cumprem essas entidades. Elas funcionam apenas como fachada para a burocracia universitária realizar contratos milionários com empresas privadas, favorecendo unicamente estas, e desviar verbas da universidade. Veja abaixo o histórico de desvio de verbas da universidade realizado por essas fundações e as atividades puramente empresariais que realizam. Finatec Responsável pelo estabelecimento de uma verdadeira quadrilha de desvio de verbas da universidade, envolvendo os diretores da fundação, o reitor, o vice-reitor e toda a administração da universidade. A Finatec (Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos) realizou contratos de consultoria de cerca de R$ 50 milhões com prefeituras e governos estaduais, administradas pelo PT, PSDB e DEM. A Finatec servia como uma fachada. Ela estabelecia o contrato, mas quem realizava o serviço eram outras empresas subcontratadas dela. Dessa forma, parte do dinheiro que recebia com os contratos realizados era destinada para as empresas contratadas e a outra parte para os diretores da fundação e para burocracia que dirige a UnB. Duas empresas foram especialmente favorecidas; as pertencentes a Luiz Lima, empresário com estreitas ligações com políticos petistas. Elas receberam quase R$ 28 milhões entre 2000 e 2005 para realizar os serviços que caberiam à Finatec. A parceria com a Finatec aumentou o patrimônio de Lima em 4.400%. Os extraordinários recursos que a fundação recebia eram destinados para enriquecimento pessoal de diretores da fundação e da reitoria da UnB. A fundação mobiliou o apartamento do reitor em mais de meio milhão de reais, comprou carro de luxo para este, entre outras extravagâncias. O documento do Ministério Público afirma que a maior parte dos recursos eram destinados pela UnB para a fundação e não o contrário. Ou seja, não era a fundação quem auferia recursos à universidade, mas a universidade que destinava suas verbas para a fundação. Menos de 0,8% de todo o seu orçamento foi destinado para financiamento de pesquisas. Funsaúde A Funsaúde (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico na Área de Saúde) utilizava a verba que era destinada pelo governo para programas de saúde indígena para pagamento de festas, viagens para o reitor, vice-reitor e seus parentes e presentes de luxo para a burocracia universitária. O desvio dessas verbas era autorizado pelo presidente da fundação indicado pela reitoria da UnB, Alexandre Lima, também diretor da Editora da universidade. Lima aumentou a taxa para administrar o convênio da fundação com a UnB de 5% para 7,5% e um terço desse dinheiro da universidade era desviado para sua conta pessoal. A Funsaúde realizava atividades que não tinham nenhuma relação com os índios do Mato Grosso. Gastou R$ 9 mil para comprar nove canetas de luxo, R$ em cinco televisões de LCD, R$ em almoço dos burocratas da universidade com o ministro da cultura da Espanha, outros R$ para café da manhã com almoço para 200 pessoas e também financiava festas em Brasília. Só com o aluguel de uma mansão em Brasília foram gastos R$ 8 mil reais. Depois de se afundar nesse mar de corrupção, foi extinta. Fepad A Fundação de Estudos e Pesquisas em Administração e Desenvolvimento, entre outras irregularidades, foi subcontratada pela UnB para executar um convênio firmado com o governo do DF de cursos de informática a comunidades carentes (Programa DF Digital). A Fepad foi usada para burlar licitações públicas. Cerca de R$ 17 milhões foram usados para pagar empresas subcontratadas, diretores da fundação e benefícios para a burocracia universitária. A Fepad estava sem credenciamento desde janeiro de 2008, não podendo receber recursos por meio de parcerias com a UnB. Também foi extinta. Fubra Entre as irregularidades, consta a execução de obras repassadas pela UnB. A UnB repassava milhões à Fubra (Fundação Universitária de Brasília) em projetos que nenhuma relação tinham com pesquisas. Por meio de contratos irregulares com órgãos federais, a Fubra realizou gastos de dinheiro público com compra de bens como caminhonetes Mitsubishi avaliadas em R$ 77 mil cada para uso pessoal dos seus diretores. A Fubra também era usada como fornecedora de mão de obra para a UnB em diversos setores administrativos, atividade que não tem absolutamente nenhuma relação com o suposto objetivo de existência da fundação. Seu credenciamento venceu em dois de outubro de As outras duas fundações, Fahub e Femat não estiveram envolvidas em escândalos de corrupção, mas realizam atividades puramente empresarias de favorecimento de empresas de convênio médico para servidores do hospital universitário e estabelecimento de cursos e serviços pagos na universidade pública. Lutar pelo fim das fundações privadas Como é possível perceber, a partir desse histórico de corrupção, as fundações privadas são entidades incompatíveis com o ensino público dentro da universidade. O reitor supostamente esquerdista José Geraldo (PT) pretende recredenciar a Finatec e a Fubra este ano e anunciou que tem a pretensão de criar O movimento estudantil deve lutar contra as fundações e a burocracia universitária uma nova fundação para a universidade que seria chamada de Dois Candangos. O DCE está completamente no bolso do reitor e não realizará absolutamente nada contra o recredenciamento dessas fundações. O movimento estudantil tem que dar uma resposta a esse ataque à universidade pública que representam as fundações e lutar contra a burocracia universitária que estabelece uma verdadeira ditadura na universidade para possibilitar seus esquemas de desvio de verbas. Os estudantes devem se organizar em comitês de luta para impedir o recredenciamento dessas fundações pelo reitor e lutar pelo fim das fundações privadas na universidade por meio de fechamento de ruas, ocupações dos prédios das fundações e da reitoria da universidade. CONTRA OS ESTUDANTES Secretário do ensino superior afirma que USP terá cursos a distância este ano Serra quer Univesp na USP em Apesar da enorme oposição dos estudantes ao ensino à distância, secretário de Serra afirma que será implementado este ano. No início deste mês de março, foi inaugurado o primeiro curso da Universidade Virtual, Univesp, realizado pela Unesp. O curso é de pedagogia. Apesar de toda a oposição feita pelos estudantes em greve em 2009, este ano a Univesp é empurrada goela a baixo de toda a comunidade universitária das estaduais paulistas. O secretário de Ensino Superior do Estado de São Paulo, Carlos Vogt, afirmou que a Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo) deve ampliar os seus cursos à distância também para as Fatecs e para a USP ainda neste ano. É importante ressaltar que o secretário que neste momento coloca em funcionamento a Univesp é da Secretaria criada por Serra por meio de decreto em 2007, com o objetivo de intervir na universidade. A ocupação da reitoria da USP tinha como questão central a oposição veemente dos estudantes a este decreto, que ampliava a intervenção do estado na universidade. O Bando dos Quatro (PT- PCdoB-Psol-PSTU) defendeu o fim da greve em 2009, pois a Univesp teria sido adiada e isso seria uma grande vitória. Agora, o problema está colocado novamente. A USP já aprovou a criação do curso de licenciatura em ciências à distância, de três anos e meio. Serão 360 vagas, nos chamados pólos, que serão oito. A única maneira de barrar os projetos que pretendem liquidar por completo a educação superior pública, como a Univesp, é com greve e ocupação. Os estudantes se organizaram massivamente para derrubar os decretos do Serra em 2007, novamente é necessário um chamado geral a todas as universidades contra a destruição do ensino público e a intervenção do estado capitalista na universidade. TRABALHADORES DA USP Reitoria multa Sintusp para intimidar o movimento A multa contra o Sintusp é um grave ataque contra o direito de greve. No seu último boletim, de 10 de março, o Sintusp denuncia que a reitoria da USP, através de sua Consultoria Jurídica, descontou R$ 6.972,58 da receita do sindicato, proveniente das mensalidades pagas pelos trabalhadores. O desconto seria em função de um Processo Judicial referente à greve de 1995 e á ocupação do Restaurante do Coseas (Coordenadoria de Assistência Social), da qual o sindicato participou. O Sintusp já avisa, quase que como uma fatalidade, que no próximo mês serão feitos mais descontos, já que o valor total do processo é de R$ ,00. A multa contra o Sintusp é um grave ataque contra um direito elementar: o direito de greve. É esse o significado do ataque contra o sindicato. Não é à toa que, apesar de a multa ser referente a uma greve de 1995, que o desconto esteja ocorrendo agora. A reitoria sabe que devem ocorrer mobilizações em 2010, em continuidade às lutas do ano passado. Querem intimidar os trabalhadores da USP, por meio de retaliações ao Sintusp, para assim, tentar conter o movimento que está para se levantar. O Sintusp dá destaque para o fato de que o novo reitor, Rodas, assumiu o discurso da pacificação e do diálogo, mas que continuam ocorrendo ataques ao sindicato. E chega a uma conclusão errada deste fato: o reitor fala em diálogo (...) e a Consultoria Jurídica (...) ataca e continua com a política suja da Suely Vilela. Não se trata de um problema da Consultoria Jurídica, como se ela estivesse descumprindo o que disse o reitor. Rodas foi colocado por Serra na reitoria para dar continuidade, senão aprofundar o que vinha sendo feito por Suely contra o movimento. Rodas é um símbolo da política ditatorial na universidade, que ataca as organizações estudantis e de trabalhadores e coloca a polícia para reprimir as mobilizações. O Sintusp parece cego diante das promessas de Rodas de que estaria disposto ao diálogo. Desse modo, não consegue lutar contra o verdadeiro inimigo do momento, que é o próprio Rodas. O único caminho da luta para os trabalhadores da USP é se aliar aos estudantes para derrubar a ditadura existente na universidade. USP PIRACICABA Guarda universitária da ESALQ revista calouros Na semana de recepção dos calouros na Escola Superior Luiz de Queiroz (ESALQ/ USP) os estudantes tiveram que passar pela absurda situação de serem, mais de uma vez por dia, revistados pelos seguranças da universidade. Com o argumento de que poderiam ser vítimas do trote, o revistado não era o considerado criminoso, mas sim a vítima. Os seguranças estariam fiscalizando se um chapéu, que os veteranos impõem que os calouros usem, estava na bolsa destes. Desta forma, não estão impedindo o trote, mas sim aproveitando para aumentar a vigilância sobre os estudantes. Apesar de a burocracia universitária acobertar e até financiar os que praticam os trotes que ocorrem há anos na universidade, agora utiliza este fato como pretexto para aumentar a perseguição aos estudantes. Segundo Antônio de Almeida, engenheiro agrônomo e professor da ESALQ desde 2001, em entrevista ao Causa Operária, trote é fundamental para formar uma falange política coesa e obediente que vai fazer aquilo que as pessoas que estão no topo da hierarquia mandam. O trote é algo autoritário e o aluno vai sendo inserido nesse contexto, você está criando um universitário, mas na verdade é um bruto. Então o bruto age como for necessário, desmatando, coagindo, expulsando, liquidando o obstáculo que faça avançar os projetos que ele pretenda implementar, do Estado, da empresa etc. Fica claro que o trote é estimulado e abre caminho para cargos e status na universidade. Este fato joga por terra o pretexto de aumentar a vigilância e repressão para conter o trote. Esta medida aplicada está na seqüência de diversas outras. No último ano, tentaram punir os estudantes por realização de festas, manifestações e ainda votaram para reafirmar e aprofundar um sistema arcaico de repressão contra os estudantes, o Regime Disciplinar. O verdadeiro objetivo do regimento interno fica camuflado pelo argumento da direção da ESALQ de que seria melhor e mais rápido para a instituição resolver internamente suas pendências, sem depender da reitoria localizada em São Paulo. Querem autonomia para reprimir e perseguir os estudantes livremente. Sem a liberdade de se expressar e de manifestação, os estudantes não podem fazer nada dentro do verdadeiro campo de concentração que O objetivo do Regime Disciplinar aprovado na ESALQ é reprimir os estudantes. se transformou a USP. A repressão é a tentativa de bloquear o desenvolvimento do novo movimento estudantil que surgiu com a ocupação da reitoria da USP e a greve e enfrentamento com a PM em Neste sentido, é urgente uma vigorosa campanha contra a repressão.

13 { }~~~ ƒƒ {ˆ Š{ Œ} ˆ CAUSA OPERÁRIA INTERNACIONAL IRAQUE Depois do terremoto O que as urnas não podem mostrar Página A14 Volta dos militares no Chile Página A14 Grécia: quem vai pagar?!"# $% Após ter aprovado as medidas que promovem cortes de salários e benefícios contra os trabalhadores no início deste mês, o primeiro-ministro &' George Papandreou recorreu à Alemanha e outros países da União Européia para cobrar a ajuda financeira prometida pelo bloco,(- &"# &" "#*+, ($%) +"$% *") #$ /* X#/ab #+,/.(, %' ) F.( ' $ d+)/) /ab$" N& %% %' VUQ ") $ # &' #($$!/" e.(" T+" *$' T##$$ )* 0 +T" frv), TS) &1023 WgX, ##"/ ( ($ F" )$, ' )" UQN(),' E & N TS CD ($' &"# # /F) efr $) /"#+ &"# #F) F' +" P!"($ e") ) F ' %# +.z+,0 $ %' uw.zux") " w%,&y" " "/ +' #& N# # UF, V'N UF"y &' ) U $$ v# F'P! U!+ NP!) %- ) 1V$' P," ),( " "#%),'" ($t &"/,#) # ' (-" e",o 0 #,",+O O" #"%0 ",#/ "$%% +GHIJKLMH#) *" ( * + F ' # ' ",.(' NO&#,,0 TS$*$/ &# )) ($'N#"," *+($ 0") +"#, " "$ ) a"h3"02b3 O) 2"h3,+O' "* As medidas adotadas pelo governo português foram o ",(,($" $& ' congelamento de salários do setor público, a privatização de 0(-v"" C",) empresas, o aumento de impostos e da idade para se aposentar. *v) % )$ *#! " ($+" -($ "% +O,% 0%',&) %' *' "&# N)d # ($ $ P! "V$,&%" ),WgX gb3 'P,1%"# % $$ $ 0($' #, )$ * N# "F ($($" -# 'P! *& #$% 0",(&" ", "(- 'C) %".(" $ "# T%u+' $" ($!$) /F,.(' /' )*,( "# $ $$# #,+O).V"" P) O que o imperialismo norte-americano deseja é forçar os países da O Europa Ocidental a pagar &TN, w ($' pela crise grega. $$+ # E "$%, CPQ0R" N& ' + &Y ) #+ # * N) 'V") " O"0($ F("#) x%ws/xx"d$ %' " NS$/ "0#)!+ # 1*' T"/(V%" ) +.(% "PQ0R#) #/) /', "#& " &" ++ " c231 UVTWUVTX $ S$T" "" $0 #&*+ + "F %" * ",+O #*+O) # #) w($y" % ($0(- *($ %O' +"# # ' 0', e) N+)V,) /" ) C$ #/$ ($#, #,) " ($/x% /YWZI[\J]"^_`_abcbX %" ' 0& FWV/xFX Db3($# & %/z" N, O(),"h" &VeP WMijkLKkjl\mIK]n\G]"& ) T0 ($'e %" h"`3a"g3abc`' O ab3 ET'C $ WVuFXP ($uof *' " "$ d+v,) #' % 0(-,(% ## &#) ",(- *+0 "%) #+ *' % F N#/"!) O1 ##$) "# u#"" # ($ "#*+ &T"# (-' %) ($!) & +#*+ N,%+ # %' - +' N) +' " #+"$) %) op q r r r os Portugal é o próximo país europeu a tentar esfolar a classe operária para sair da crise

14 14 de março de 2010 CAUSA OPERÁRIA internacional A14 Iraque O que as urnas não podem mostrar Eleições são marcadas por poucos eleitores, insurgêntes e repressão militar Pouco mais da metade dos eleitores foi às urnas na capital Bagdá enquanto a insurgência iraquiana promoveu um boicote semelhante ao realizado pelo Talibã no Afeganistão. O plano de retirada das tropas, dizem membros do governo norte-americano, está mantido... por enquanto Verdadeiramente um bom dia para a democracia no Iraque. Assim as eleições do último domingo (dia 7) foram definidas o embaixador norteamericano, Christopher R. Hill. Ainda sem nem mesmo resultados preliminares oficiais, como de costume nas eleições conduzidas pelo imperialismo norte-americano nos países que mantém sob intervenção militar, as eleições serviram apenas aos propósitos da elite política iraquiana e do governo norte-americano. Apenas 62% dos iraquianos compareceram às urnas. Em Bagdá, onde está o maior colégio eleitoral, somente 53% dos eleitores votaram. Uma onda de ataques promovidos por grupos nacionalistas que militam pelo fim da intervenção norte-americana no país manteve boa parte dos eleitores em casa. O governo-fantoche, por sua vez, fez a sua parte, colocando a cidade em estado de sítio. Os generais norte-americanos procuraram diminuir o impacto que a campanha pelo boicote às urnas realmente teve. Ray Ordieno, o responsável pelas operações norte-americanas, afirmou que apenas três locais de votação tiveram suas atividades suspensas, e apenas por cerca de 15 minutos. Ainda segundo seu relatório, nenhum foguete ou morteiro foi disparado no domingo em Bagdá. Diversas explosões na periferia da cidade foram registradas. Sobre estas, impossíveis de serem negadas pelo número de testemunhas, Ordieno declarou que eram, na maioria, explosivos de baixa intensidade, improvisados em garrafas de plástico, que causam mais barulho do que estragos. O próprio governo iraquiano desmentiu as declarações do general norte-americano. Um relatório, citado pelo New York Times, aponta que pelo menos oito explosões atingiram a região noroeste de Bagdá no domingo à noite. O comparecimento às urnas foi ainda menor do que o das últimas eleições parlamentares, realizadas em 2005, quando 76% do eleitorado compareceu. O imperialismo sentiu o baque Representantes do governo Obama admitiram na semana que precedeu as eleições que não estavam preocupados com o resultado das eleições em si, mas consideram que a onda de violência que pode se desenvolver a partir daí pode levar a um adiamento do plano de retirada das tropas. A promessa de campanha de Obama, de retirar as tropas do Iraque e encerrar a guerra, está ameaçada pelos próprios interesses do imperialismo norte-americano. Atualmente com pouco mais de 90 mil soldados no Iraque, e prometendo deixar apenas 50 mil na condição de conselheiros e treinadores das forças de repressão iraquianas, o governo norte-americano espera que os desentendimentos em torno à eleição e a revolta de setores excluídos do quadro eleitoral pela comissão responsável, que prometeram e, até agora, estão cumprindo boicotar as eleições, pode desencadear uma onda de violência entre as facções xiita e sunita da religião islâmica semelhante à que tomou conta do país em A crise reaberta levou ao desmascaramento do plano de retirada das tropas proposto por Obama. Em parte por este motivo [a retomada dos conflitos no Iraque], não estamos deixando para trás cozinheiros e almoxarifes, afirmou o vice-presidente Joe Biden. O núcleo das tropas norte-americanas que permanecerão, afirmou, ainda serão os caras que sabem atirar direito e ir atrás dos vilões (The New York Times, 4/3/2010). Também há planos que prevêem a permanência de uma brigada no Norte do país além do prazo final da retirada das tropas, em setembro. Tentando confundir, o gene- ral James L. Jones, conselheiro nacional de segurança, afirmou que partindo do princípio de que tudo vai dar certo, vamos executar nossa retirada como anunciamos. Seria necessário uma decisão nacional proativa do Sr. Obama para mudar o plano de retirada. Nós, militares, sempre pensamos em diferentes opções de como vamos reagir (idem). A guinada no plano original de retirada das tropas pode levar a um enorme descontentamento na base eleitoral de Obama, conforme analisa o diário nova-iorquino. Os resultados das eleições locais realizadas do final do ano passado para cá pareceu confirmar isso com a vitória dos Republicanos em diversos estados. O aumento do número de soldados no Afeganistão e o adiamento da desativação da prisão militar em Guantánamo, Cuba, contribuíram para que as expectativas da população no governo fossem frustradas e para que a crise, agora sob o governo Obama, se aprofunde. A falta de resultados oficiais, a incerteza criada em torno ao resultado das eleições, encobrem o fracasso do plano do imperialismo para deixar o país sob controle de um governo confiável e se retirar para se preservar diante de sua enorme crise Afeganistão Passando as tropas (dos outros) em revista O secretário da Defesa norte-americano, Robert Gates, em visita surpresa ao Afeganistão na última semana, procurou elogiar as tropas locais e prepará-las para o combate do próximo verão no Sul do país. Na primeira visita desde o lançamento da operação Mushtarak (Juntos) há três semanas, o secretário da Defesa norte-americano falou às tropas da coalizão internacional sobre a próxima etapa da ofensiva. Os contingentes se deslocarão ao Sul do país, na província de Kandahar, no verão que começará em pouco tempo. Enquanto o restante dos 30 mil soldados prometidos pelo governo norte-americano não chegam, Gates se contentou em elogiar os avanços feitos pelas forças já instaladas no país. A OTAN e as forças afegãs mobilizaram 15 mil soldados para a operação em anda- mento. A vitória, no entanto, está longe de ser completa. Ainda há muitos combates pela frente, e haverá com certeza alguns dias negros. Mas olhando para frente há espaço para otimismo, afirmou Gates ao lado do presidente Hamid Karzai em uma conferência de imprensa. O ataque à fortaleza do Talibã no Sul do país não significa que a batalha será vencida. Desde 25 de fevereiro, o governo afegão declarou a operação vitoriosa. Os ataques à bomba, no entanto, continuam freqüentes e numerosos. O conflito continua a se desenrolar em outros pontos do país, e na região da fronteira com o Paquistão. Durante a viagem, o chefe do Pentágono pretendia ainda discutir com o comandante Stanley McChrystal os resultados da ofensiva iniciada em 13 de fevereiro bem como os demais planos para o ano. Secretário de Defesa norte-americano e presidente afegão A volta dos militares Catástrofe no Chile virou justificativa para colocar o exército nas ruas por tempo indeterminado Militares nas ruas de Concepción A campanha da imprensa capitalista sobre o terremoto do Chile se desdobrou agora na questão da defesa dos militares. Depois de uma verdadeira ocupação no estilo do exército norte-americano, a presença do exército chileno levantou a lembrança da ditadura, principalmente no tratamento brutal que as forças armadas dispensaram ao povo nos últimos dias. É impressionante o cinismo da imprensa imperialista ao descrever a chegada das tropas as regiões atingidas pelo terremoto: os militares foram recebidos com entusiasmo na cidade de Concepción, por exemplo, na região de Biobio (BBC, 8/3/2010). Quer dizer, a cidade mais pobre, a que foi mais abandonada, em que a população passou mais privações, chegando a mais de quatro dias sem atendimento, é justamente a que mais ficou entusiasmada com a presença dos militares. Ao contrário das mentiras divulgadas pela imprensa internacional, houve uma crise com os militares chilenos, que não ficou só na questão do atendimento às vítimas, mas incluiu ainda o fato de que a marinha chilena fracassou e não alertou as regiões que seriam atingidas pelo terremoto e o maremoto a tempo O desastre causado pelo terremoto gerou uma justificativa para ressuscitar o exército chileno e seu poder de opressão. O presidente da direita chilena, Sebastián Piñera, foi categórico sobre a presença militar: "eles ficarão por muito mais tempo para garantir a ordem pública". Piñera ainda vai além quando o assunto é o exercito. O importante era saber se era necessário ou não pedir a contribuição das nossas Forças Armadas. Eu acho que sim, mas com a dúvida (da atual gestão) perdemos 48 horas (idem). E em muitas outras declarações, Piñera deixou claro que reconstruir as áreas arrasadas pelo terremoto irá demorar e enquanto isso não se concretiza o exército estará na rua. Ele afirmou ainda que ampliará a declaração de estado de catástrofe (que, entre outras medidas, pode incluir Governo de Bachelet manipulou números e reduziu contagem de mortos de 802 para 279 O terremoto no Chile além da destruição e mortes causou muita polêmica pela maneira que o governo conduziu a suposta ajuda aos desabrigados. Igual aos EUA no Haiti, Bachelet usou da força militar 14 mil soldados para reprimir a população que passou fome e sede por mais de quatro dias, sem a menor atenção. Essa ação do governo de Bachelet causou revolta não só no Chile, mas em toda a America Latina. Na sombra desses fatos, Bachelet tentou um golpe sórdido para tentar melhorar toque de recolher) para as localidades que necessitarem. Essa determinação, segundo ele, permite o uso da força pública e autoriza o Estado a levar ajuda mais rápida às áreas destruídas pelo terremoto e tsunamis. (idem). A catástrofe acabou sendo usada como uma arma contra o próprio povo que sofreu as conseqüências do terremoto, isto é, justamente as camadas mais pobres da população chilena. Bastou uma alteração na rotina do país a catástrofe para expor o fato de que apenas uma frágil camada de democracia recobre as instituições erguidas sobre o sangrento regime militar de Pinochet. sua imagem no final de seu governo, adulterou o número de mortos no Chile, de 802 para 279 (O Globo, 5/3/2010). Uma manipulação de fazer inveja até mesmo para os EUA, desrespeitando não só a memória das pessoas que morreram, mas toda a população. A justificativa do governo para tamanha aberração é de que colocaram na conta dos mortos,somente aqueles que tinham sido identificados, e tomaram todos os outros mortos como indigentes, que não merecem nem ao menos aparecer nas estatísticas. Governo Obama pressiona Israel O imperialismo está mudando de lado? Nas discussões entre o vicepresidente Joe Biden e o premiê israelense Salam Fayad, o governo norte-americano fez coro com a censura levantada pela Autoridade Nacional Palestina à decisão do governo israelense de continuar construindo os assentamentos na Cisjordânia e Jerusalém Oriental. O presidente do estado israelense, Benyamin Netanyahu, anunciou, durante a visita do representante norte-americano ao Oriente Médio, a construção de casas em Jerusalém Oriental o que, na opinião do chefe da Autoridade Nacinoal Palestina, Mahmoud Abbas, ameaça o processo de paz. A iniciativa de retomar as negociações paralisadas há 17 meses foi a principal mudança introduzida por Obama nas relações com o governo israelense. A política do sionismo é que, no entanto, está criando um novo obstáculo e colocando o imperialismo norte-americano em uma posição contraditória. O governo israelense quebrou a suspensão de 10 meses na construção de casas na região da Cisjordânia, acordada sob pressão dos EUA em novembro do ano passado, alegando que a promessa não se aplica às áreas pertencentes a Jerusalém Oriental, considerada seu domínio. O governo norte-americano se alinhou com a Autoridade Nacional Palestina nas críticas à decisão do governo israelense de ignorar as negociações de paz e continuar a construir casas nos assentamentos da Cisjordânia e Jerusalém Oriental. Mais de meio milhão de judeus vivem em cerca de 100 assentamentos cuja construção se iniciou em 1967 com a ocupação sionista. Sem se deixar levar totalmente pela oposição moderada da ANP, Biden declarou em uma conferência de imprensa em conjunto com Abbas que condena todas as declarações que inflamem a situação e prejudiquem o processo de paz. Ontem, a decisão do governo israelense de avançar nos planos para a construção de moradias em Jerusalém Oriental minou a própria confiança a confiança de que precisamos agora para começar a produzir negociações aproveitáveis, afirmou o vice norte-americano (BBC, 10/3/2010). A solução apresentada pelo governo norte-americano foi a construção do estado palestino, em paralelo e, inevitavelmente, subordinado ao governo israelense por não poder constituir um exército próprio. A pressão sobre o governo israelense está dirigida a manter os planos do governo norte-americano na linha planejada anteriormente. O plano anunciado por Obama para a construção de um estado palestino não está dirigido a beneficiar a população oprimida pelo sionismo, mas a diminuir a crise que se arrasta há anos na região resolvendo, assim, parte de seus próprios problemas. Vice- presidente americano em sua visita a Israel

15 14 DE MARÇO DE 2010 CAUSA OPERÁRIA MULHERES A15 ATO DO COLETIVO ROSA LUXEMBURGO O 8 de março como um dia de luta das mulheres O ato que comemorou o centenário do Dia Internacional da Mulher, foi uma resposta à capitulação da esquerda diante dos ataques da direita e da Igreja, com a defesa incondicional do direito ao aborto e pela organização independente das mulheres em luta por sua verdadeira libertação Na última segunda-feira o Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo realizou um ato em comemoração ao centenário do Dia Internacional da Mulher. O ato foi realizado em São Paulo, no auditório Friedrich Engels, do Centro Cultural Benjamim Péret e teve a participação de pessoas das diversas regiões do país para resgatar essa data como um dia de luta das mulheres; definir o programa a ser defendido pelas mulheres e todos os trabalhadores no próximo período; além de ser uma homenagem às mulheres que de alguma maneira lutaram pela libertação da mulher em todo o mundo. Este foi o segundo ato independente, realizado pelo Coletivo Rosa Luxemburgo, o Partido da Causa Operária, e suas organizações. Sua importância está no fato de que este centenário do Dia Internacional da Mulher foi marcado pela tentativa, de todos os setores da burguesia e também da esquerda, de descaracterizar esta data inclusive comemorando-a em outro dia - tornando-o um dia de homenagens e discursos vazios, propaganda parlamentareleitoral, ou mero distracionismo político. Ao contrário, o ato de 8 de março do Coletivo Rosa Luxemburgo e do Partido da Causa Operária buscou esclarecer do ponto de vista da luta política e da atual etapa política a principal tarefa para o movimento de mulheres, que é a luta incondicional pelo direito ao aborto. Por que o aborto? O aborto foi destacado como o tema central da luta da mulher no período atual por ser justamente a ponta de lança da campanha da direta contra os direitos democráticos, não apenas das mulheres, mas de toda população. Este é também, e justamente, o ponto em que a esquerda, desde a mais comprometida com a burguesia, até a que se denomina mais revolucionária, capitular diante dos ataques da direita. Para expor de maneira cabal o tamanho da fúria dos setores conservadores em sua campanha contra o direito ao aborto, e a capitulação da esquerda foi preparado um vídeo com a entrevista concedida pela médica Neide Mota Machado, dona da Clínica de Planejamento Familiar, que foi fechada após uma batida policial o que resultou no indiciamento de quase mulheres acusadas de crime de aborto. A entrevista foi concedida pela médica em Nela, Neide afirma entre outras coisas que Está valendo mais morta do que viva. E em novembro de 2009, ela foi encontrada morta dentro de seu carro nos arredores da capital do Mato Grosso do Sul, Campo Grande. A companheira Natália Braga Costa Pimenta, coordenadora do Coletivo de Mulheres e da Aliança da Juventude Revolucionária procurou esclarecer sobre o modo como a esquerda enxerga o problema da mulher, como propõe, a partir desse modo de visão, a luta das mulheres. A esquerda burguesa, que por estar em torno do PT resumiu a luta das mulheres na defesa da luta parlamentar, por legislação, em especial a Lei Maria da Penha que serve mais como propaganda do governo Lula do que verdadeiramente uma luta pelo fim da violência contra as mulheres, e a continuidade de um governo petista, ou lulista, através da candidatura de uma mulher, Dilma Roussef. E a esquerda pequeno-burguesa, resume o problema da mulher à luta de classes, não estabelecendo as devidas diferenças entre a luta democrática e o socialismo, estabelecendo mais uma divisão social, entre as mulheres burguesas e as trabalhadoras. Divisão que complementa a divisão estabelecida entre homens e mulheres, ao conceder ao homem (de qualquer classe social) o direito de oprimir a mulher. O ato de 8 de março do Partido da Causa Operária buscou esclarecer qual é a principal tarefa para o movimento de mulheres: a luta incondicional pelo direito ao aborto. A opressão da mulher é fundamental para a manutenção da opressão geral. Ela divide todo o movimento, toda a sociedade. Acabar com essa divisão, ou seja, garantir direitos iguais para mulheres, libertar as mulheres do jugo da opressão e discriminação, é a única maneira de garantir a libertação geral da humanidade. Para lembrar e homenagear as mulheres que fizeram a luta por essa libertação, foi feito e exibido um vídeo e lido trechos de livros de personalidades como a alemã Clara Zetkin e a revolucionária russa Alexandra Kollontai (responsáveis pelo estabelecimento de um Dia Internacional da Mulher, em 1910), George Sand, Pagu, Sojourner Truth, Rosa Luxemburgo, Emma Goldman entre outras etc. Para encerrar o ato foi feito um chamado pelo fortalecimento do Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo, como um pólo aglutinador e organizador da luta política das mulheres, e que no próximo período seja levando adiante, nas universidades, bairros, locais de trabalho, para as mulheres, do campo, indígenas negras, pela legalização do aborto, e seu atendimento na rede pública de saúde. Esta como sendo a resposta de todas as mulheres aos ataques da direita, em defesa do direito de decidir das mulheres, por sua autonomia e libertação. VÍDEOS Medo do quê estou valendo mais morta do que viva Um momento especial do ato foi a apresentação de dois vídeos especialmente produzidos para o centenário do 8 de março. O primeiro com trechos da entrevista concedida pela médica Neide Mota Machado ao Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo, como parte de um documentário geral sobre a questão do aborto. E o segundo um homenagem a algumas das mulheres que se destacaram na luta geral pela libertação da mulher, seja através da luta política mais direta, seja através da arte. A entrevista foi feita em junho de 2008 e recentemente, em novembro do ano passado, Neide foi encontrada morta dentro do seu carro. Essa foi a última entrevista que ela concedeu a um órgão de imprensa. Neide Mota Machado era a dona da Clínica de Planejamento Familiar de Campo Grande, que foi fechada pela polícia em abril de Foi a partir da apreensão ilegal que a polícia fez dos prontuários médicos que a promotoria da cidade indiciou quase 10 mil mulheres por crime do aborto. No vídeo de aproximadamente 15 minutos, destacamos aspectos diversos do caso que além do indiciamento de quase mulheres atendidas por Neide na Clínica que funcionou por mais de 20 anos, no centro da capital sul mato-grossense, resultou em processos contra a própria Neide e seus funcionários. Durante a conversa ela comenta, por exemplo, como a Rede Globo de televisão foi utilizada para fazer a reportagem que culminou na batida policial; como foram escolhidas as mulheres indiciadas por aborto, uma vez que da lista com milhares de mulheres, apenas algumas desconhecidas, foram incriminadas; a falta de provas contra Neide ou as mulheres acusadas de aborto; a hipocrisia da sociedade ao criminalizar mulheres que abortam; a relação desse caso com a visita, naquele mesmo período (abril de 2007), com a visita do papa Ratzinger ao Brasil; sobre a subserviência dos poderes executivos, legislativo e judiciário à Igreja; e finalmente sobre seu sentimento diante de todas as conseqüências que ainda estariam por vir. Homenagem às mulheres O segundo vídeo apresentado no ato foi produzido com a intenção de divulgar, homenagear e lembrar algumas mulheres que participaram e colaboraram de alguma maneira com a luta pela emancipação e libertação das mulheres, sendo algumas delas verdadeiras mártires dessa luta. Foram selecionadas figuras como a revolucionária alemã Rosa Luxemburgo; a principal dirigente feminina da Revolução Russa de 1917, Alexandra Kollontai; a socialista alemã, Clara Zetkin; a sufragista inglesa Emmeline Pankhurst, que deu uma decisiva contribuição para colocar em evidência a extraordinária combatividade e capacidade de organização das mulheres ainda no séc. XIX; a norte-americana Sojourner Truth, principal mulher negra da luta pelo abolicionismo e da luta pelos direitos da mulher nos Estados Unidos; e escritora e militante socialista brasileira Patrícia Galvão. O vídeo trazia a imagem de cada uma delas, com um perfil e um trecho selecionado de alguma obra ou discurso importante. Alguns desses nomes se destacam pelo seu envolvimento direto com o estabelecimento de um Dia Internacional da Mulher, que neste ano comemoramos seu centenário. Como é o caso de Clara Zetkin que em 1910, durante o II Congresso das Mulheres Socialistas, propôs o estabelecimento de uma data para servir, assim como o 1 de maio, dia de luta internacional de toda a classe operária, para lutar pelas reivindicações trabalhistas das operárias e defender os direitos políticos das mulheres. Proposta também defendida pela revolucionária russa Alexandra Kollontai, aprovada pelo plenário do Congresso, composto por mulheres de mais de 17 países. Os vídeos poderão ser vistos na página do Causa Operária TV na internet. A entrevista em sua versão impressa pode ser lida na Revista Mulheres, do Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo, edição número 21, de março deste ano. TEORIA Sobre a questão da mulher No sentido de valorizar a produção teórica e literária daqueles que além de atuar na defesa dos interesses femininos desenvolveram obras dedicadas à esta causa, durante o ato de 8 de março foram selecionados três trechos de textos importantes que tratam da questão da mulher, para serem lidos por algumas mulheres do Coletivo Rosa Luxemburgo. O primeiro texto foi o trecho de uma carta da escritora George Sand. George Sand é o pseudônimo literário de Aurora Dupan, que adotou um nome masculino para evitar que o preconceito a impedisse de ganhar a vida como escritora e foi com ele que ficou conhecida. Sand foi uma das principais escritoras do romantismo francês, se tornando, como se homem fosse, um dos mais populares e vendidos escritores da França. Inapta sim, graças a Deus! Inapta para o servilismo e para a baixeza, inapta para a lisonja ou para o medo dos homens. Homens estúpidos vós que acreditais nas leis que punem assassinato com o assassinato e que expressam a vingança na calúnia e na difamação! Mas, quando uma mulher mostra que ela é capaz de viver sem vós, então vosso poder fútil dará lugar à fúria. Vossa fúria é punida por um sorriso, um adeus e despreocupação universal. George Sand ou Aurora Dupan, usou a literatura como instrumento de defesa da idéia de emancipação da mulher, abordando particularmente o problema da liberdade de estabelecer relacionamentos baseados apenas nos sentimentos, livre das cadeias legais e dos costumes que tolhem a vida afetiva e sexual da mulher. Fazia parte e liderava o círculo do ultra-romantismo francês, juntamente com Frederic Chopin e com Alfred de Musset, com os quais chega a ter um romance, revelando já seu caráter livre das convenções de sua época. Era admirada pelo próprio Marx, que chegou a escrever em sua principal obra, O Capital, um comentário sobre a escritora. O segundo texto foi o trecho do livro Um Quarto Próprio (ou Um teto todo seu), da escritora inglesa Virginia Wolf. O livro foi desenvolvido a partir de um convite que a escritora recebeu para palestrar colégios para mulheres e se tornou uma obra fundamental sobre a condição da mulher, particularmente da escritora. Nele Virginia expressa as dificuldades, anseios e suas próprias frustrações com emoção e profundidade, expondo a impotência da condição da mulher e da possibilidade de encontrar alguma libertação através da realização de alguma atividade intelectual, no seu caso a produção literária, que, no entanto só pode ser vivenciada quando conquistadas condições materiais mínimas. Ou, como ela desenvolveu: mulheres escritoras só surgem a partir do momento em que lhes for dado o direito de ter uma renda pessoal e um teto todo seu. Chegando a conclusão de que se Shakespeare tivesse tido uma irmã tão brilhante e vocacionada quanto ele, ela certamente teria tido uma vida miserável e se matado ainda jovem, porque, às mulheres do século XVI, não era permitido outro papel senão o de trabalhadoras domésticas escravas ou animais de estimação. Virginia Wolf é considerada uma das principais figuras de renovação da literatura moderna, ao lado do irlandês James Joyce e outro escritores. Foi uma das mais importantes figuras do grupo Bloomsbury, juntamente com economista John Maynard Keynes. Por último foi lido um trecho de uma das principais colaborações do marxismo sobre a condição da mulher, a fundamental obra A mulher e o Socialismo, do revolucionário e dirigente da Social Democracia Alemã August Bebel. A simples caça à fortuna não é o destino final da humanidade, pelo menos se o progresso for a lei do futuro como o foi no passado. O tempo transcorrido desde o advento da civilização não é mais que uma fração ínfima da existência passada da humanidade, uma ínfima fração das épocas que hão-de vir. A dissolução da sociedade ergue-se ameaçadora perante nós, como o fim de uma corrida histórica, cuja meta é a riqueza, porque tal corrida encerra os elementos da sua própria ruína. A democracia na administração, a fraternidade na sociedade, a igualdade de direitos e a instrução geral, farão vislumbrar a próxima etapa superior da sociedade para a qual tendem, constantemente, a experiência, a ciência e o entendimento. Será uma revivescência da liberdade, da igualdade e da fraternidade das antigas gens, porém sob uma forma superior. Assim, homens das mais diversas concepções, chegam a idênticas conclusões arrancando-as das suas investigações científicas. A completa emancipação da mulher e a sua igualdade com o homem constituem um objetivo do nosso desenvolvimento cultural e não há força no mundo capaz de impedi-lo. No entanto, a emancipação completa só é possível na base de uma viragem radical, que ponha fim ao domínio do homem sobre o homem e, assim, ao capitalismo sobre o operário. Só então a humanidade atingirá o seu mais alto grau de desenvolvimento. Será então o século de ouro, com o qual os homens sonham há milênios. Ter-se-á acabado para sempre com o domínio de classe e assim se terá chegado ao fim do domínio do homem sobre a mulher.

16 14 de MARço de 2010 CAUSA OPERÁRIA Mulheres A16 Rui Costa Pimenta A opressão da mulher é uma arma dos opressores contra toda a humanidade Transcrevemos aqui a intervenção do Presidente Nacional do PCO, o companheiro Rui Costa Pimenta, abrindo o ato do Coletivo Rosa Luxemburgo, no centenário do Dia Internacional da Mulher Companheiros e companheiras, eu queria inicialmente abrindo esse ato de 8 de março, Dia Internacional das operárias, chamar atenção para uma questão que o nosso partido considera que é a questão central nesse momento na luta das mulheres brasileiras e de um modo geral, na luta das mulheres do mundo inteiro. Eu queria explicar para vocês porque nós consideramos que dentre todas as questões que fazem parte desse regime especial de opressão que é a opressão da mulher, cidadã de segunda categoria, oprimida no lar, descriminada como trabalhadora nas empresas, porque que dentre todas as questões que tocam o problema da mulher, que tocam o problema dos direitos civis da mulher, dentre todas as questões a serem levantadas neste 8 de março nós destacamos a questão do direito de aborto para as mulheres. Porque pode soar curioso o porquê de nosso partido considerar que essa questão deva ser colocada no centro de todas as questões que dizem respeito as mulheres. Porque isso poderia ser curioso? Por um motivo muito simples, a nossa política e a política de todas as organizações operárias, de todas as organizações trotskistas até hoje sempre se pautou por ter como uma das questões centrais da luta da mulher o direito à maternidade, essa para nós é justamente a questão central. Ou seja, criar as condições indispensáveis, básicas para que as mulheres, em especial as mulheres da classe trabalhadora possam ter filhos, e ter quantos filhos elas queiram. Primeiramente porque é uma aspiração da humanidade, se reproduzir, em segundo lugar porque nós queremos que a classe trabalhadora cresça e seja forte, em terceiro lugar porque como nação oprimida pelo imperialismo nós queremos que o Brasil tenha uma ampla população para o caso de enfrentar a opressão imperialista, assim como nos demais países da América Latina. Nós latinoamericanos somos cerca de meio bilhão de pessoas. O país vizinho que oprime diretamente todo esse continente tem a mão apertada na garganta de toda América Latina, que é os EUA, tem 400 milhões de habitantes. O problema da maternidade aqui tem uma visão política. (...) Se é assim, se a questão para o partido operário é reivindicar que as mulheres tenham o atendimento médico indispensável para ter filho, que mulheres e também homens recebam salários capazes de sustentar suas famílias, que haja escolas para as crianças, que hajam condições para a mãe amamentar seu filho em todo momento da amamentação, que haja licençamaternidade de um ano, se são todas essas questões, questões centrais, porque colocar a questão do aborto central? Não seria de certa forma secundária no conjunto das reivindicações das mulheres? Por que colocar essa questão como uma questão central, hoje, nesse dia 8 de março no Brasil? Porque a questão do aborto se transformou, vem se transformando, nos dois, três últimos anos, em uma questão política central não apenas para as mulheres, mas para toda a população brasileira. Uma questão política central. Existe em nosso país, e vem se desenvolvendo já a um determinado tempo, uma ofensiva da direita contra os direitos das mulheres. E essa ofensiva tem como cabeça de ponte a luta contra a tentativa das mulheres de conquistarem o direito ao aborto. Nem é preciso dizer que a ofensiva é levada dentro da Igreja Católica, pelo Vaticano. Nós temos dado muita publicidade a isso, nós temos feito muitas denúncias de que parlamentares formaram uma Frente para lutar contra o aborto; colocaram o Congresso Nacional em estado de sítio com a atividade deles, com sua chantagem moral e milhares de mulheres estão sofrendo processos, acusadas de terem feito aborto. Nesses processos conforme a gente vai ver no decorrer do ato, a justiça e a Polícia utilizam de métodos ilegais para condenar essas pessoas, para coagir essas pessoas. Há uma CPI no Congresso Nacional em torno da questão do aborto. No Supremo Tribunal Federal foi indicado um ministro pelo governo Lula, que já morreu Carlos Alberto Direito, que foi colocado lá para lutar contra as pesquisas com células-tronco, porque a Igreja Católica e as Igrejas Evangélicas norte-americanas direitistas, consideram que a pesquisa em células-tronco abre caminho para a questão do aborto, então eles querem proibir as pesquisas de células-tronco prejudicando milhões de pessoas que tem doenças que poderiam ser curadas por essas pesquisas. Quer dizer, é uma luta ideológica gigantesca, é uma luta política, é um esforço para criar um clima de perseguição contra as mulheres, e a cabeça de ponte é o aborto. Por que eu digo que é o aborto? A questão do aborto foi escolhida de maneira muito inteligente pela direita nacional e internacional, porque consegue convencer uma parte da opinião, da população, bem intencionada em nome de que isso aí seria a defesa da vida. Então, determinadas pessoas de caráter mais humanitário, mas que não consegue ver o conjunto do problema, não consegue ver o problema em profundidade, são simpáticas a essa campanha contra o aborto. Mas detrás da questão do aborto, tem um conjunto de outras questões: o problema do casamento; das restrições ao direito do divórcio; da atividade profissional da mulher, quer dizer, a questão do aborto, não é uma questão sozinha, ela é a cabeça de ponte, é a questão que vem primeiro. É onde o exército inimigo estabeleceu uma posição e a partir dessa posição começa uma ocupação em massa do território inimigo. Se você consegue estabelecer essa cabeça de ponte na questão do aborto, os outros direitos das mulheres estarão todos ameaçados, e poderíamos dizer que já estão ameaçados. O que freou, numa determinada medida, mas não acabou a ofensiva da direita, foi à derrota da direita norte-americana por causa do fracasso militar dos EUA no Iraque e no Afeganistão, isso colocou um freio, mas não eliminou a ofensiva direitista contra as mulheres. Vejam a dimensão desse problema político! Não se trata também, simplesmente, dos direitos das mulheres. A opressão da mulher é uma arma dos opressores contra toda a humanidade. Por quê? Porque as mulheres são metade da população mundial. Se você consegue dividir uma população pelo meio, se você consegue levar uma metade da população a lutar contra a outra, você cria condições extraordinárias, fáceis, positivas, para reprimir a todos. Nós já afirmamos em várias oportunidades que o problema da mulher é uma das questões mais importantes da luta política da classe trabalhadora. Por quê? Porque não é possível transformar um país, acabar com o regime de opressão, revolucionar uma sociedade, não é possível fazer uma revolução, criar um novo poder, o poder operário, popular, das massas, do povo sem a participação de metade da classe trabalhadora, sem a metade do povo brasileiro. Não é possível! E a revolução companheiros, não pode ser feita por pessoas escravizadas. A revolução tem que ser feita por pessoas conscientes, que tenham direitos, que tenham conquistado o direito de se organizar, de trabalhar, de receber um salário igual ao dos outros trabalhadores, que não são escravizadas na família porque não tem o direito de divórcio, que não são escravizadas porque são obrigadas já a partir da adolescência a começar a sustentar os filhos. Então quer dizer, para a luta política dos oprimidos e dos explorados, a participação da mulher é fundamental. Vista a coisa de outro ponto de vista, do ponto de vista dos opressores, a opressão da mulher é uma questão fundamental. A melhor maneira de oprimir o homem, é oprimir as mulheres, é dividir dentro da classe trabalhadora homens e mulheres, é jogar os homens contra as mulheres, as mulheres contra os homens. E, a nossa política, é a política que está escrita no Manifesto Comunista que termina com a frase, que é praticamente todo o programa revolucionário da classe operária: trabalhadores de todos os países univos!. A classe trabalhadora unida é uma força invencível. Nenhum exército, nenhum governo, nenhuma burocracia, ninguém será capaz de derrotar a classe trabalhadora se ela estiver unida. Por isso a burguesia trabalha para desunião da classe trabalhadora. Então, não se trata de um problema filosófico: será que sou a favor do aborto? Algumas pessoas raciocinam assim. (...) o problema também não é se a gente gosta ou não gosta, o problema é: qual é o significado político da luta que os elementos mais direitistas da sociedade, deputados do DEM, por exemplo, representantes dos latifundiários, dos banqueiros, estão travando para impedir que tenha progresso a luta das mulheres. Esse é o problema. O problema é a luta por um direito democrático. Eu posso não ser a favor de muitas coisas. Eu por exemplo, não sou a favor da utilização de drogas, mas eu sou contra que seja proibido, eu não acredito que a proibição contribua minimamente para acabar com o consumo de drogas pela juventude, nem minimante. Pelo contrário, eu acredito que por detrás da proibição se escondem as quadrilhas sustentadas pelos bancos internacionais que ganham muito dinheiro com o comércio das drogas, a proibição é parte do comércio lucrativo. A ditadura é sempre uma ditadura de malfeitores, de criminosos que querem lucrar com a miséria dos outros. Então, o problema aqui, companheiros, é a luta entre direitos: defender ou não defender o direito da mulher. E esse direito conforme eu expliquei é um direito que se for esmagado como pretende a direita nacional e internacional abrirá espaço para outros direitos serem esmagados. Porque o interesse deles não é resolver o problema do aborto. O objetivo deles é caçar os direitos das mulheres. Mais, o objetivo deles não é só caçar os direitos das mulheres, mas dividir e enfraquecer a luta do povo contra eles. Por isso esta é uma questão central. Há no Brasil nesse momento uma ofensiva (...) e a questão estão do aborto é uma das mais expressivas numa ofensiva geral contra os direitos democráticos da população. Nós estamos vivendo no Brasil hoje uma ditadura disfarçada. Nós estamos vivendo o que eu chamaria de regime de colégio interno. (...) Um juiz condenou os pais de uma criança, porque, por convicções religiosas eles decidiram educar os filhos em casa. Isso é uma ditadura. Enquanto a população dorme os facínoras, os deliquentes, os criminosos estão arrancando um por um dos direitos da população. Isso é uma ilegalidade. Porque no Brasil o Estado de Direito é uma farsa. (...) não pode beber, não pode fumar, ataque contra o aborto, os pais são presos por causa dos filhos, censura nos jornais, censura na internet. Um criminoso desses colarinho branco, um senador da república, (...) que visa proibir todas as pessoas de baixar arquivos da internet. Por quê? Porque as empresas fonográficas estão perdendo dinheiro porque a juventude está baixando música. Todos os dias (...) os deputados e senadores estão fazendo um atentado contra os direitos democráticos da população. O Brasil se transformou em colégio interno. Todo mundo é vigiado. (...) Você é vigiado como se você estivesse dentro de uma penitenciária. Mais ainda, você sai na rua e vê cartazes dizendo o seguinte denuncie, denuncie anonimamente. É um país de delatores, de dedos duros (...). O ataque contra o direito de aborto é parte disso daí. (...) No Brasil não existe o direito de greve. Qualquer categoria que não tenha força de se impor sozinha (...),, a greve é decretada ilegal. Seja onde for, seja em que condições for realiza essa greve. Se o direito de greve é só para meia dúzia de grandes categorias de trabalhadores, então não existe o direito de greve. A maioria da população não tem direito de greve. No Brasil não existe liberdade de expressão, de imprensa, são dezenas de milhares de processos contra jornalistas e pequenos jornais. (...) E quando a situação chega a um ponto extremo, também o Estado de São Paulo é censurado, como está acontecendo agora. Então você não tem direito de greve, liberdade de expressão, na televisão não vamos nem falar porque na televisão é uma ditadura, sempre foi. Uma ditadura de três famílias que falam o que querem, mentem quando querem, como querem, nunca são processados, uma máquina de gastar dinheiro público, com uma concessão pública a qual eles sequer teriam direito. Quer dizer, o ataque contra os direitos das mulheres, na questão do aborto, é a bandeira de toda uma ofensiva geral contra os direitos da população. Muita gente pode pensar assim, não está acontecendo nada, não tem tortura. Aí é que a gente se engana. No governo Lula, nos últimos sete anos, a gente registrou o maior número de assassinatos de semterra. Chegam às centenas. Companheiros que participaram do nosso ato de 1 de maio foram torturados e assassinados. Esse companheiros, é o significado do problema do direito de aborto hoje. Por esse motivo nós consideramos que ele tem que ser colocado no primeiro plano Nós consideramos que é um erro enorme de todas as organizações de mulheres não se levantarem contra a ofensiva da direita. É evidente que a quase totalidade das organizações des mulheres está intimidada. É necessário se levantar contra essa ofensiva direitista. Por isto é importante colocar esse problema no centro de todos os problemas. Eu vi na imprensa da esquerda alguns atos desse 8 de março. Os do governo falavam da Lei Maria da Penha, fazendo propaganda da política do governo Lula que não é absolutamente nada, que é pura demagogia para ganhar voto de uma parte do eleitorado. Rui Costa Pimenta, presidente do PCO Outros que se consideram mais combativos falam, vamos defender salário igual. Companheiros, é claro, salário igual a gente pode efetivamente defender, porque eu acuso aqui publicamente que as pessoas que vão nesses atos só falam no ato em salário igual porque alguém tem interesse eleitoral. Mas qual o sentido de defender salário igual se você não tem sequer direitos políticos. (...) Na época da ditadura alguma categoria de trabalhadores conseguiu aumento salarial depois de lutar por reivindicação de 5%? Não. Porque quem não tem direito não ganha nada. A função dos direitos políticos é criar condições para lutar por seus interesses materiais. (...) Lula colocou um ministro da Saúde que falou eu vou chamar o plebiscito sobre a questão do aborto. Bom, está acabando o mandato e esse plebiscito não apareceu até hoje. (...) e o plebiscito Lula? Ficou com medo do Vaticano? O Ratzinger ameaçou que os bispos brasileiros não iam fazer campanha para Dilma Rousseff agora em 2010? Ficou com medo da tropa de choque direitista no Congresso Nacional? Bom, nem vale a pena dizer que se uma liderança como ele tem medo da Igreja, então essa liderança não vale nada. É uma capitulação. Os outros também que falam, vamos lutar por salário igual, não fazem nada. Uma vez que todo mundo já se acovardou diante da gritaria da Opus Dei, da Igreja CatólicaPor isso que nos atos não aparece como questão central a defesa dos direitos políticos mais elementares das mulheres. Uma farsa. E é uma farsa também com caráter eleitoral. Porque os mais esquerdistas que falam em salário igual só estão fazendo campanha eleitoral com um vocabulário mais esquerdista, e mais nada. Não posso deixar de falar aqui que, infelizmente para todos nós, a campanha contra o direito de aborto, embora seja uma campanha da direita, a Frente contra o direito das mulheres no Congresso Nacional é composta só por parlamentares direitistas, mas encabeçada por um deputado e uma senadora de esquerda. O deputado, Sr. Luiz Bassuma do PT, que é o presidente dessa Frente, e a ex-senadora do Psol, Heloísa Helena que usou sua campanha eleitoral, apoiada por boa parte da esquerda, para se colocar contra o direito de aborto, defendendo a política da Opus Dei. Nós não podemos deixar de falar isso. Não é à toa, portanto que a esquerda não se levante. Não é à toa que as mulheres desses partidos, as que querem lutar estejam intimidadas. Não é à toa que a direita embora não tenha nenhuma autoridade nas organizações de massa, nos sindicatos, tenha colocado todo mundo contra a parede. Então a esquerda não agiu. É preciso que se diga. Portanto companheiros, seria um erro muito grande, e é um erro que a esquerda comete frequentemente, subestimar a campanha da direita. A direita é pérfida, é insidiosa e não esta fazendo campanha, como muita gente, porque tem uma opinião. A direita está defendendo o interesse dos poderosos. São os monopólios e pessoas que alimentam essa direita.. Eles ano são indivíduos isolados. Quando o Bassuma se pronuncia no Congresso contra o direito ao aborto, por detrás dele há todo um aparelho direitista. Nem o Vaticano fala por si mesmo. Mas representa os monopólios, em particular os monopólios norte-americanos. O Vaticano foi durante toda a gestão Bush, os oito anos, o mais íntimo aliado de Bush. E todo mundo sabe o que o senhor Bush é um pau mandado direto das companhias petroleiras internacionais. E por isso invadiu o Iraque. Vocês vão ver na campanha eleitoral, e já começou a aparecer nos jornais, várias denuncias de corrupçãocontra o Lula, contra o Gushiken, o José Dirceu. Se corrupção fosse motivo, teria que fechar o Congresso. (...). É com se fosse uma grande corretora de corruptos. Essa é a verdadeira função do Congresso. Os industriais vão lá e contratam os deputados e senadores para defender um projeto de desmatamento da Amazônia, é uma corretora de corrupção. Os deputados estão lá vendendo os seus serviços de corrupção. Então não se trata de corrupção, se trata de que a direita não tolera, não consegue tolerar nem mesmo um governo de capachos como é o governo Lula. O Lula fez tudo o que eles pediram, tudo. Mas aí deu um pouquinho para a pobreza nordestina através do Bolsa Família, aprovou a Lei Maria da Penha que não vira nada, aprovou as cotas para negros na universidade, e a direita está fazendo o maior escarcéu. O que mostra que o racismo é extraordinário. Porque nem cota eles querem dar para os negros. É uma esmola É dessa direita que nós estamos falando. (...) Alugaram um intelectualzinho de quinta categoria chamado Demétrio Magnoli para provar que negro nem existe. Não existe negro e portanto a luta do não negro não tem razão de ser. Para quê Martin Luther King, que levou um milhão de negros, e pessoas na Praça do Congresso nos EUA, para protestar por direitos civis para os negros? tudo invenção. Não existe negro. Isso é o que diz a direita nacional. Um mais exaltado falou que os culpados pela escravidão foram os próprios negros, porque na África também tinha escravidão. (...) Por isso companheiros, não vamos cometer o erro de subestimar a direita nacional. Não vamos acreditar também que o governo Lula o PT vão lutar contra essa direita, porque isso não vai acontecer. É preciso que as organizações operárias estudantis chamem os estudantes os operários, os trabalhadores sem-terra a lutar. O PT não quer lutar. O PT já recebeu a parte dele para ficar quieto. A esquerda de um modo geral não está interessada. Por isso tudo companheiros, nós precisamos dizer em alto e bom som: a questão central para todo o movimento de mulheres nesse momento é a questão dos direitos políticos das mulheres. E nós temos que defender aqui claramente, enfaticamente através de uma campanha nacional, o direito das mulheres que quiserem realizar o aborto porque essa é a a questão em torno da qual está se travando a luta. E essa luta é uma luta de toda população, é uma luta dos homens de toda classe em defesa de todos os seus direitos democráticos, ou seja, aqueles direitos que conquistados pelos próprios trabalhadores permitem que os trabalhadores se organizem e lutem para enfrentar essa maquina de opressão e destruição que é a burguesia nacional e a burguesia imperialista.

17 14 DE MARÇO DE 2010 CAUSA OPERÁRIA MULHERES A17 A ESQUERDA E A QUESTÃO DA MULHER A esquerda burguesa e reformista leva a luta da mulher com uma concepção burguesa Durante seu discurso em comemoração ao dia Internacional da Mulher a companheira Natália Costa Pimenta, membro da coordenação nacional da AJR, explicou a concepção da esquerda burguesa e da esquerda pequeno-burguesa diante da questão da mulher A companheira Natália Pimenta no ato de mulheres do PCO. Diante de tudo que foi dito sobre a questão do aborto, é preciso compreender por que a esquerda pequeno-burguesa não leva de fato adiante a luta para derrotar a ofensiva da direita contra o aborto, que está colocada agora no centro dos acontecimentos. Podemos dizer que a esquerda está dividida em três blocos. Um seria a esquerda que se agrupa em torno do governo, que tem toda uma concepção semelhante, que seria uma esquerda burguesa ligada à frente popular e ao PT. Uma outra esquerda é a pequeno-burguesa, do âmbito da Frente de Esquerda, do Psol, PSTU e PCB, que se agrupam em torno da Conlutas e da Intersindical. A outra é uma esquerda revoluci- onária na qual se situa o nosso partido. A primeira esquerda, a esquerda burguesa e reformista leva a luta da mulher com uma concepção burguesa, acha que o problema da mulher é um problema que é resolvido através da legislação, das eleições, da luta basicamente parlamentar com alguma mobilização popular. Essa outra esquerda, que chamamos de pequeno-burguesa, procura apresentar o problema do ponto de vista da classe operária, e aí ela apresenta uma concepção que é na realidade pseudo-socialista. A gente crítica a posição desta esquerda justamente porque ela confunde o setor que quer lutar, que passaria para as posições revolucionárias e que acabam se perdendo no meio do caminho por conta destas concepções confusas da esquerda pequenoburguesa. Em primeiro lugar, esta esquerda defende uma posição de que a questão da mulher não existiria, e a reduz a uma questão que seria de classe. É algo semelhante ao que foi levantado aqui sobre a questão dos negros. A direita, para combater uma política ultra-moderada do governo de dar cotas para negros nas universidades, inventou esta ficção de que o negro não existe. Não existe o negro, não existe luta do negro, e dizer que existe o negro e a luta dele seria um racismo, o negro e o branco seriam iguais na sociedade hoje. Assim eles ignoram séculos de escravidão que houve no Brasil e todas as desigualdades que nós sabemos e uma divisão que é imposta na realidade à força pelos brancos e pela burguesia. Na sociedade existiria apenas a luta da classe operária contra a burguesia e a luta do negro e das mulheres estariam inseridas dentro desta luta. Não seriam uma luta à parte. Chegam a declarar, por exemplo, que a mulher burguesa não é oprimida, que somente a mulher operária é que seria oprimida porque a opressão vem da burguesia. Isto é um absurdo. As mulheres são oprimidas pela burguesia imperialista e pelos homens. A defesa do divórcio e dos salários iguais aos dos homens, etc, são problemas que atingem tanto as operárias quanto as mulheres burguesas. Se, por exemplo, é negado o direito de divórcio, mulheres operárias e mulheres burguesas serão atingidas e não apenas as mulheres operárias. Aí fica bem claro que não é uma questão meramente de classe da burguesia que oprime o proletariado. Uma outra questão que eles levantam é que não seria o homem quem oprime a mulher, mas a burguesia, então é uma questão de classe. Quem oprimiria a mulher seria uma entidade fictícia que ninguém conhece a burguesia. Não tem ninguém ali oprimindo-a cotidianamente. Isto é totalmente falso. Na realidade, há um benefício sim do homem à opressão da mulher e é por isso que ela se mantém e é óbvio que essa opressão é uma propina da burguesia para essa parcela oprime as mulheres, uma propina porque não é nada, por exemplo, diante do poder da burguesia, mas na sociedade ela se torna um privilégio muito grande, desde os cargos de chefia que são na maioria ocupados por homens, as posições dirigentes no Estado, no governo, os juízes, são todos ocupados por homens. Então é um grande privilégio, mas em fase do poder da burguesia, principalmente da burguesia imperialista, é uma propina. Inclusive essa concepção ela é tão errada que o próprio Engels tem uma frase a respeito disso em que diz que o próprio homem atinge um certo privilégio dentro da sociedade que ele se torna, em relação a mulher, um burguês e a mulher em relação a ele se torna uma proletária, esta é uma frase do próprio Engels mostrando que essas concepções não tem uma sustentação, nem base marxista. Isso tem uma conseqüência mais grave. Com essa concepção não se estabelece uma clara distinção entre o que é uma luta democrática e o que é a luta pelo socialismo e o resultado disso, inevitavelmente, é que essa esquerda pequeno-burguesa acaba por defender o regime da burguesia, a democracia. Porque se não há problemas democráticos a serem resolvidos, é só o problema da classe operária, do socialismo, quer dizer que a democracia está ótima, ela já está atendendo aos negros, às mulheres, aos homossexuais etc., todos os setores oprimidos estão completados por esse maravilhoso regime burguês que é a democracia. Por isso inclusive que se a gente for reparar essa esquerda ela considera que a luta das mulheres não é contra a opressão do homem nem nada disso, mas contra o machismo. E o que seria o machismo? O machismo é uma coisa cultural, quer dizer, a luta das mulheres seria contra uma opinião dos homens a respeito delas, não seria contra uma coisa material, o que é um absurdo, porque como a gente viu justamente na questão do aborto, a luta das mulheres é pelo direito a igualdade jurídica com os homens, uma luta por direitos democráticos que o capitalismo em país nenhum foi capaz de garantir. E essa posição acaba se tornando o que? Uma negação, uma renúncia à luta das mulheres e é por isso que há tão pouco interesse, tão pouca disposição na luta em defesa das mulheres e particularmente nessa questão do aborto que a gente vê hoje que é uma questão chave. Então se não existe a opressão da mulher, também não existe sua luta. Daí você entende que o aborto, como foi exposto aqui, que está a frente da ofensiva da direita, ela não é uma questão importante para essa esquerda, porque eles não entendem ela como uma questão nem de ofensiva geral das mulheres e nem como uma ofensiva de maior alcance, mas como uma coisa menor, secundária. Nesse sentido a gente precisa dizer que a opressão da mulher é crucial sim para a burguesia, para a burguesia manter a sua dominação porque ela justamente divide a sociedade em duas metades. Isso ocorre muito claramente, como a gente pode ver, nos países islâmicos aonde essa opressão chega a níveis extremos, é o caso do Irã, por exemplo. Se você for fazer uma mobilização no Irã e as mulheres forem sem o véu elas correm o risco de apanhar porque é lei, elas precisam usar o véu. Isso é uma coisa que divide todo o movimento. Inclusive no próprio Irã ela foi uma maneira que a burguesia encontrou de combater a revolução. A igreja xiita lançou toda uma campanha de casacão dos direitos das mulheres, obrigando elas a usar o véu, a se submeter ao marido, aos pais. E foi dessa maneira que ela conseguiu parar essa revolução, uma revolução enorme que aconteceu no Irã em Com isso o movimento estudantil, por exemplo, fica dividido ao meio; o movimento operário fica dividido ao meio, porque uma metade do movimento passa justamente a fiscalizar e reprimir a outra metade, então é nesse sentido que a opressão da mulher é crucial para burguesia conseguir manter o controle seu sobre toda a população. Diante disso nos gostaríamos de dizer que só o marxismo, só uma concepção verdadeiramente marxista, científica, pode servir de base para um programa que seja verdadeiramente de luta para as mulheres, inclusive no terreno democrático. Obrigada. ABORTO A política da esquerda é de uma capitulação completa em relação à direita Acompanhe o discurso da companheira Cristine Silva Braga, membro da direção nacional do PCO, durante o ato em comemoração ao 8 de março Eu gostaria de tratar na minha intervenção sobre a questão do aborto. A primeira coisa que temos de esclarecer é quais são todas as posições das forças política no país em relação a este problema. Em primeiro lugar é claro que existe uma ofensiva da direita. Esta não é um aspecto da política nacional. Este problema do ataque às mulheres na questão do aborto acontece em vários países do mundo, é uma campanha orquestrada e acontece em vários países. Por exemplo, nos Estados Unidos existe a campanha para acabar com a legalização do aborto. Na época do governo Bush, ele tentava revisar a constituição exatamente para atacar esta que é uma conquista das mulheres norte-americanas. No Chile eles chegaram a proibir o uso da pílula do dia seguinte. No Uruguai três mulheres foram mantidas incomunicáveis para que fosse feita uma série de testes nelas para se provar se elas fizeram aborto. Na África a Igreja Católica declarou-se totalmente contrária a que a população que tem um índice de Aids altíssimo usasse a camisinha. No Brasil, no Mato Grosso do Sul cerca de 10 mil mulheres estavam sendo indiciadas pelo crime de aborto. Queriam colocar na cadeia 10 mil mulheres no Mato Grosso do Sul. Diante desta ofensiva da direita qual é a política da esquerda? A política da esquerda é de uma capitulação completa em relação à direita. O PT, que se elegeu com a bandeira da luta em defesa das mulheres, capitulou completamente e trabalha junto com a direita contra as mulheres. Vemos que os políticos do PT são a ponta de lança, são aqueles que defendem como cabeças no Congresso Nacional aquela que é a frente parlamentar contra o aborto. Luiz Bassuma, hoje do PV, que até ontem esteve no PT foi quem encabeçou a frente durante todo o tempo. O governador do Piauí do PT sancionou uma lei de um deputado do PSDB que define que para que você consiga fazer o aborto em rede pública é necessário que você faça um boletim de ocorrência, perícia e, além disso, que você tenha uma decisão judicial para que você consiga fazer na rede pública. Em vários e vários momento você percebe que a política do PT não tem nada a favor das mulheres e com aquela política demagógica que defenderam como a política do PT. É importante entender que estas não são medidas de militantes esparsos. Na realidade elas são medidas governamentais, são medidas de deputados do PT que têm posição no governo e que têm uma política oficial, que é a política do PT. Quando analisamos a política do Psol e do PSTU, da chamada Frente de Esquerda, o negócio é mais vergonhoso ainda, Aquela que é considerada a musa da Frente de Esquerda, a presidente do Psol, Heloísa Helena, defendeu durante toda a sua campanha eleitoral que era necessário colocar as mulheres na cadeia porque fizeram aborto. É uma política totalmente contra as mulheres e que a esquerda nunca falou absolutamente nada contra. Nunca tirou uma declaração pública contra. Ao contrário, durante toda a campanha eleitoral eles fizeram campanha para uma pessoa que defende um programa contra as mulheres. É isso que o Psol fez e é isso que o PSTU fez. Em todo o momento a esquerda evitou se chocar com a política de Heloísa Helena. Como se não bastasse isso, no ato de 1º de Maio deste ano, a Frente de Esquerda chamou para fazer o uso da palavra aquele que é um dos representantes do setor mais reacionário da Igreja Católica no País, que é o arcebispo Dom Odilo Scherer. No momento no qual existe uma ofensiva da direita, um grande ataque, uma grande perseguição às mulheres, o que você vê é que a esquerda chama para participar de seu ato aqueles que são totalmente contra as políticas em favor das mulheres, pessoas que são totalmente contra o aborto que é uma das principais reivindicações da questão da mulher no momento. Na realidade eles falam muito que são a favor das mulheres, o Psol fala muito, o PSTU fala muito que é a favor. Mas não basta dizer que é a favor. É necessário ter uma política a favor. É necessário ter ações a favor, é necessário fazer uma campanha contra a direita que está atacando as mulheres. Neste ponto nenhum setor deste pode-se dizer a favor das mulheres. Você deve organizar a luta das mulheres contra esta política. Não basta só você fazer demagogia. O que é necessário neste momento? É necessário se fazer uma ampla campanha contra a política da direita pela legalização total do aborto, pelo atendimento na rede pública de Saúde, e pelo direito de opção da mulher se ela quer ou não, se é conveniente ou não a gestação, porque como disse o companheiro Rui em sua intervenção, é necessário barrar a ofensiva e a campanha da direita contra o aborto, porque na realidade esta campanha é não só uma defesa do direito das mulheres, mas contra a opressão da mulher e contra a opressão de toda a sociedade. TAREFA DAS MULHERES: Colocar o problema das mulheres e o problema do aborto como eixo central da luta que passaremos a desenvolver daqui para frente O discurso de encerramento do ato de 8 de março foi feito pela companheira Lourdes Sarmento, membro da direção nacional do PCO. Em sua fala a companheira fez um chamado a todas as mulheres para colocar em prática a campanha em defesa dos diretos das mulheres contra a criminalização do aborto Gostaria de compartilhar desse do nosso segundo oito de março, durante essa comemoração do coletivo de mulheres do partido, tirando algumas conclusões práticas e encaminhando coletivamente com vocês aquilo que foi levantado em todos os discursos que me antecederam, do Cro. Rui Costa Pimenta, da Cra. Natália e da Cra. Cristine, no sentido de colocar o problema no seu devido local de importância em defesa dos direitos das mulheres que seria a questão do aborto. Se isso se assume no momento como questão central, essa luta contra a opressão das mulheres e contra os direitos democráticos, como na questão do aborto, porque existe uma ofensiva como foi bem dito, esclarecido e explicado, da direita, passando pela igreja, e da esquerda, de toda essa esquerda, que vem se negado levar a frente uma campanha em defesa desses direitos, o Coletivo Rosa Luxemburgo, as mulheres do partido, gostariam de concluir hoje o nosso encontro fazendo um encaminhamento prático dessa campanha: que ela seja desenvolvida nos lugares de trabalho, nas escolas, nos bairros etc. em defesa do direito da mulher de fazer o aborto e contra a criminalização. E nesse sentido a gente vem abertamente fazer um chamado a todas as mulheres para que possamos começar essa campanha a partir de hoje, do nosso encontro, aqui nessa comemoração do 8 de março. E para que possamos também no segundo semestre de maio chamar a Conferência das mulheres do Partido da Causa Operária, do Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo, para avaliarmos essa campanha, intensificá-la e fazer com que, através dela, possamos esclarecer e colocar de fato o eixo, como luta central das mulheres, o direito ao aborto. E por isso gostaríamos também de fortalecer o núcleo das mulheres, chamar todas as companheiras, apoiada também pelos homens, militantes e simpatizantes do partido, e por toda a população, a fortalecer o nosso núcleo Rosa Luxemburgo, o núcleo de mulheres do Partido da Causa Operária. Por isso gostaríamos de deixar aqui como conclusão desse 8 de março esse chamamento a colocar em prática como conclusões desse nosso encontro essa campanha que será desenvolvida nacionalmente através de palestras, da própria revista mulheres, das matérias do jornal Causa Operária, que já vem fazendo essa campanha, intensificar essas atividades para que a gente possa de fato colocar o problema das mulheres e o problema do aborto como eixo central da luta que passaremos a desenvolver daqui para frente. Muito obrigada.

18 14 DE MARÇO DE 2010 CAUSA OPERÁRIA HISTÓRIA A18 35 ANOS DA MORTE DE VLADIMIR HERZOG Os militares linha dura contra a abertura política Este ano completam-se 35 anos da morte do jornalista Vladimir Herzog em um quartel do exército em São Paulo. A morte do jornalista é bastante significativa para compreender a situação política da transição do regime militar para o regime posterior, pois fazia parte de uma ofensiva da direita militar para manter a linha dura do regime O laudo emitido pela Polícia Técnica de São Paulo afirmou que Herzog tinha se suicidado com uma tira de pano amarrada pelo pescoço numa grade a 1,63 metro do chão. Para entender o assassinato do jornalista Vladimir Herzog é necessário que seja analisado o período anterior à sua morte, especificamente o ano de 1974, quando Geisel é eleito presidente tendo por detrás de sua candidatura uma política levada por um setor da ditadura que achava necessário abrandar a situação diante da completa falência do chamado milagre econômico brasileiro. Abertura política Com o fim do governo Médici, havia uma ala da ditadura que achava insustentável manter a repressão linha dura da ditadura que se mantinha até então. Esta ala passou então a defender a candidatura de Geisel, e a cabeça da operação foi o irmão do general, o também general Orlando Geisel, que era o ministro do Exército no governo de Médici. A pré-candidatura de Geisel foi sendo fomentada dois anos antes das eleições, em Um ano depois, em 1973 sua candidatura pela Arena foi oficializada. Ele deixa então a presidência da Petrobras para se dedicar por nove meses exclusivamente ao novo governo. Geisel disputou com Ulysses Guimarães do MDB a eleição presidencial que acontecia por dentro do Congresso dominado pelo regime. Ganhou com folga em janeiro de 1974, sua posse foi em março do mesmo ano. A eleição do general Ernesto Geisel estava envolta na promessa de promover a abertura do regime ditatorial. Na época foi utilizada a palavra distensão. Isso significaria aliviar a censura, investigar denúncias de tortura e aumentar a participação da das alas da burguesia excluídas ou marginalizadas no Estado. Esta política foi arquiteta pelo general Golbery de Couto e Silva que estava afastado como militar aposentado e que não tinha função no governo desde a gestão de Castelo Branco. Foi Golbery que convenceu a maioria dos poderosos de que a política de distensão era a mais adequada naquela situação, pois havia uma necessidade de amenizar a situação para não criar uma situação de crise que pudesse levar à derrubada da ditadura pelas massas. Antes mesmo de completar um ano de governo, Geisel sofreu uma derrota nas eleições parlamentares em 1974, primeira manifestação do deslocamento das massas em oposição ao regime e da guinada de setores da burguesia de apoio para uma oposição puramente parlamentar ao regime. O partido de oposição, o MDB, aumentou e muito seu contingente no Congresso Nacional. Ganhou nada menos que 16 das 22 vagas para o Senado e mais 160 vagas de deputado de um total de 364 vagas, tendo ainda ganho as eleições nos principais municípios, com exceção das capitais onde não havia eleições. Esta derrota da Arena expressava um descontentamento generalizado, resultado do colapso do milagre na esteira da crise capitalista mundial. Com este resultado o governo perdeu dois terços da Câmara dos Deputados para a oposição, isso dificultou que fossem aprovadas as emendas constitucionais propostas pelo governo. Os militares contraatacam A linha dura dos oficiais militares não estava nada satisfeita com a política de distensão de Geisel e iniciou uma ofensiva contra a política do governo. A ofensiva veio por meio do CIE (Centro de Inteligência do Exército) e pelo DOI-CODI (Destacamento de Operações Internas) espalhados pelo País, pois ele acobertava atividades ilegais e violentas. Bastou um ano para que a violência voltasse a ser utilizada no governo. Os militares linha dura iniciaram uma ofensiva contra tudo e contra todos que eram favoráveis à política de Geisel, buscando romper as negociações do governo com os grupos oposicionistas. Um dos primeiros a ser atacado foi o general Golbery. Nos meios militares circulou um panfleto que atacava Golbery acusando-o de traição, aliás o panfleto era intitulado de Novela da Traição. Em trecho do panfleto dizia-se Será que está faltando coragem aos nossos Chefes Militares e Civis para darem um basta a tanta traição? Quanto mais tempo passar mais difícil será reagir! É preciso mobilizar as forças revolucionárias para reação que deve ser imediata!. Este foi um recado inicial dos militares linha dura ao governo Geisel. Depois que a Guerrilha do Araguaia tinha sido derrotada e boa parte dos grupos guerrilheiros dissolvidos por mortes e torturas, os militares do CIE se voltaram contra o Partido Comunista que negociava com o governo, clandestinamente a política de distensão. Em 13 de janeiro de 1975, o CIE invadiu a gráfica do jornal do PCB, Voz Operária, que operava na clandestinidade, num sítio no Rio de Janeiro. No dia 14 de janeiro, um dos responsáveis pela gráfica e dirigente do PCB, Elson Costa, desapareceu. Soube-se, quase duas décadas depois que Elson Costa foi morto em uma casa mantida pelo CIE na periferia de São Paulo. Mas o caso de Elson foi apenas o primeiro. No período de janeiro a julho de 1975, pelo menos 500 membros do PCB foram identificados, 200 foram presos e pelo menos 14 assassinados. Em outubro, outras 61 pessoas do PCB foram presas. O CIE queria prova de que o PCB havia se infiltrado no MDB, nos órgãos de imprensa e até mesmo no governo e usar o perigo vermelho para voltar a opinião nas Forças Armadas contra o governo por um lado e, por outro, para aterrorizar a oposição contra tentar um acordo com o governo sobre a base da política do governo ditatorial. Mataram o Vlado! Ainda em outubro, o assassinato de outro integrante do PCB iria provocar mais uma rachadura na já debilitada estrutura do governo militar. No dia 25 de outubro de 1975, o jornalista Vladimir Herzog, da TV Cultura de S. Paulo, foi até o Destacamento de Operações Internas Comando Operacional de Informações do 2º Exército, o DOI- CODI para prestar depoimento. Na noite anterior, por volta das 21h30, dois homens que se identificaram como agentes de segurança do Exército haviam procurado Herzog na TV Cultura, onde trabalhava, e o jornalista para evitar uma prisão imediata se comprometeu em apresentar-se ao DOI- CODI no dia seguinte. Vladimir Herzog tinha 38 anos e acabara de assumir o posto de diretor de jornalismo da TV Cultura, emissora estatal. Era militante comunista, mas não tinha atividade clandestina. Sua participação se limitava a freqüentar as reuniões. Herzog sabia que poderia ser preso, pois em 17 de outubro, outro jornalista da TV Cultura, Paulo Markun, informou a outros jornalistas que também seriam presos, Vladimir foi um deles, mas não quis fugir. Depois que entrou no DOI- CODI, Herzog trocou de roupa e vestiu o macacão dos presos. Logo cedo foi acareado com dois presos, um deles, o também jornalista, Rodolfo Konder, um dos intelectuais da ala direita, eurocomunista, do stalinismo. Os outros dois presos, entre eles Konder, foram retirados da sala e então teve início a tortura contra Herzog. Em depoimento, Konder afirma que ouviu Herzog negar ser do PCB e que os militares logo em seguida pediram para trazer a máquina de choques elétricos. Ainda segundo Konder, Herzog gritou durante toda a manhã. O jornalista urrava de dor. Por volta das 11h Herzog foi levado para outra sala que seria de interrogatórios. Por volta das 12h, Rodolfo Konder foi levado a uma sala onde estava Herzog e o torturador. Herzog estava com um capuz enfiado na cabeça, trêmulo, bastante nervoso. Konder redigiu uma confissão para Herzog em que afirmava que ele tinha sido aliciado por Konder para entrar no PCB. A confissão também listava outras pessoas que integrariam o partido. Logo depois, Konder foi levado da sala de interrogatório e novamente Herzog foi torturado. No meio da tarde, segundo relato de outros presos que estavam no mesmo local, foi feito um silêncio de velório e não se ouviu mais nenhum grito. Suicídio Cinicamente, o DOI-CODI informou à Agência Central do SNI (Serviço Nacional de Informação) que no dia 25 de outubro de 1975, por volta da 15h, o jornalista Vladimir Herzog havia se suicidado. Esta seria a 38º morte por suicídio no DOI-CODI e também, coincidentemente claro, a 18º morte por suicídio em que o preso se enforcava. A farsa foi completada com o Laudo de Encontro de Cadáver, emitido pela Polícia Técnica de São Paulo. O laudo afirma que Herzog tinha tirado a própria vida com uma tira de pano. Herzog teria se amarrado pelo pescoço numa grade a 1,63 metros do chão. Sem espaço para que seu corpo pendesse, teria ficado com os pés no chão e as pernas curvadas, como mostrava a foto anexada ao laudo. A cinta de pano teria sido tirada do macacão de preso de Herzog, informação dada pelo comandante do DOI-CODI. Só que os macacões do DOI-CODI não tinham cinto. A notícia rapidamente se espalhou, a esposa, Clarice, foi uma das primeiras pessoas a ser avisada, por um grupo de jornalistas e funcionários da TV Cultura que chegaram a sua casa por volta das 23h dizendo Mataram o Vlado!. O corpo de Herzog foi rapidamente entregue à Polícia Técnica pelo DOI-CODI e levado ao Instituto Médico Legal, onde chegou sem a roupa que estava usando quando fora fotografado, mas com os próprios trajes. O laudo do exame de corpo de delito, assinado pelos médicos Harry Shibata, famoso por assinar certidões de óbito falsas, e Arildo de Toledo Viana, do IML, concluiu que Herzog tinha morrido por asfixia mecânica por enforcamento. Ainda na noite de sábado, o corpo foi enviado ao Hospital Albert Einstein para que fosse feito mais um sepultamento, típico de mortes ocorridas nas dependências do DOI-CODI. Um enterro rápido e discreto. Mas a esposa de Herzog preferiu marcar o enterro para a segunda-feira, 27 de outubro, para que houvesse velório no domingo, 26. Somente no velório compareceram mais de 600 pessoas. A morte de Herzog provocou mobilizações. No dia do enterro, cerca de 30 mil estudantes da USP, PUC e Fundação Getúlio Vargas entraram em greve. Em reunião entre os estudantes e os jornalistas foi marcada a realização de um ato religioso pela memória de Herzog na sexta, dia 31, na catedral da Sé. No dia 31 de outubro foi feita uma grande manifestação, a maior desde a instauração do AI-5, em Um pouco antes da hora da missa, dois secretários do governador ainda procuraram o arcebispo de São Paulo e lhe pediram para cancelar o evento. Mas o ato foi realizado e oito mil pessoas compareceram à manifestação. Mais um suicídio O operário Manoel Fiel Filho foi assassinado nas mesmas condições que Herzog pouco menos de três meses depois. Em menos de três meses depois do assassinato de Herzog, outro suicídio ocorreu nas dependências do DOI-CODI. Foi o assassinato do operário Manuel Fiel Filho. O metalúrgico de 49 anos, pai de duas crianças, foi encontrado na cela enforcado com um par de meias de náilon azuis. Na manhã do dia 16 de janeiro, uma sexta-feira, Fiel Filho foi retirado da Metal Arte, onde era chefe de setor de prensas metálicas, e conduzido por agentes armados até sua casa em busca de exemplares do jornal Voz Operária, do qual o metalúrgico era acusado de ser distribuidor. Não acharam nada e o levaram para o DOI-CODI. No domingo à noite, Geisel soube do suicídio pelo governador paulista Paulo Egydio Martins. Na segunda-feira, o comandante do 2º Exército, Ednardo D Avila Mello, responsável pelo DOI- CODI, recebeu um telefonema de Geisel que o exonerava do cargo, colocando no lugar o general Dilermando Gomes Monteiro que era favorável à abertura política. A ofensiva dos militares linha dura ainda persistiu por anos. Entre janeiro a agosto de 1980, foram responsáveis por explosões de bombas em todo o País. Bombas eram instaladas em bancas de jornal, shows populares etc. Dois episódios são bastante marcantes. Um deles foi o frustrado ataque à bomba chamado de Atentado do Riocentro. Na noite de 30 de abril de 1981, no Pavilhão Riocento estava acontecendo um show comemorativo do Dia do Trabalhador. As bombas seriam plantadas O atentado no Riocentro em 1980 foi mais uma ofensiva dos militares linha dura contra a abertura política. pelo sargento Guilherme Pereira do Rosário e pelo então capitão Wilson Dias Machado. Mas por volta das 21h, com o evento já em andamento, uma das bombas explodiu dentro do carro onde estavam os dois militares, no estacionamento do Riocentro. O artefato, que seria instalado no edifício, explodiu antes da hora, matando o sargento e ferindo gravemente o capitão Machado. O governo prontamente culpou os radicais da esquerda pelo atentado. Mas obviamente foi uma tentativa de setores mais radicais do governo, do CIE e do SNI, de convencer os setores mais moderados do governo de que era necessária uma nova onda de repressão de modo a paralisar a abertura política. No mesmo dia, uma segunda explosão ocorreu a alguns quilômetros de distância, na mini-estação elétrica responsável pelo fornecimento de energia do Riocentro. A bomba foi jogada por cima do muro da mini-estação, mas explodiu no pátio e a eletricidade do pavilhão não chegou a ser interrompida. Outro atentado aconteceu na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). A explosão ocorreu às 13h40 do dia 27 de agosto de 1980, matando a funcionária Lyda Monteiro da Silva, de 59 anos. O atentado ocorreu quando a Seccional de São Paulo e o presidente nacional da Ordem, Eduardo Seabra Fagundes, estavam investigando agentes e exagentes dos serviços de segurança suspeitos das agressões sofridas pelo jurista Dalmo Dallari que havia sido seqüestrado em 2 de julho de 1980, em São Paulo. Lyda Monteiro da Silva, era chefe da Secretaria da OAB, ao voltar do almoço e abrir a carta com a bomba, foi a vítima. A explosão fez tremer o andar do edifício, além de arrebentar com a mesa de dona Lyda, que veio a falecer no caminho para o Hospital Souza Aguiar. A morte de Herzog, seguida de todos estes atentados foi uma tentativa da direita linha dura da ditadura militar em manter o poder quando na verdade o regime militar já estava indo à falência. O que ficou comprovado com as mobilizações operárias do final da década de As crises internas do regime com a política de Geisel e os acontecimentos posteriores, com a campanha das diretas, colocaram às claras, a incapacidade do regime militar de se auto-reformar para enfrentar a crise. Todas as mudanças ocorrerão a partir da mobilização revolucionária das massas nas etapas posteriores em com as mobilizações operárias e estudantis, em 1982 com a crise em S. Paulo e 1984 com as lutas operárias e a campanha das diretas.

19 14 DE MARÇO DE 2010 CAUSA OPERÁRIA TEORIA A19 A QUESTÃO DA FRENTE ÚNICA - PARTE I A estratégia das greves Leon Trótski Publicamos nesta edição mais um capítulo tirado do livro Revolução e contra-revolução na Alemanha, de Leon Trótski, no qual o dirigente da Revolução Russa de 1917 critica e analisa as posições do Partido Comunista diante da crise da década de 30 na Alemanha e na iminência da ascensão do nazismo ao poder No domínio sindical o Partido foi definitivamente embaraçado pela direção comunista. O curso geral do terceiro período se orientava para os sindicatos paralelos. Supunha-se que o movimento de massa sobrepujasse as velhas organizações e que as organizações da R. G. O. (Oposição Sindical Vermelha) se tornassem os comitês de iniciativa da luta econômica. Para realizar-se este plano só faltava uma pequena coisa: o movimento das massas. Por ocasião das torrentes da primavera, a água arrasta as comportas à sua passagem. Tentemos tirar as comportas, - decidiu Losovski, talvez as águas primaveris subam! Os sindicatos reformistas resistiram. O Partido Comunista conseguiu ser posto fora das empresas. Começou-se então a fazer retificações parciais na política sindical. O Partido Comunista nega-se a chamar os operários desorganizados para os sindicatos reformistas. Mas pronunciase igualmente contra o abandono dos sindicatos. Criando, embora, organizações paralelas, ressuscita a palavra de ordem da luta pela influência no interior dos sindicatos reformistas. Toda esta mecânica representa, em conjunto, uma auto-sabotagem ideal. A Rote Fahne queixa-se de que muitos comunistas consideram inútil a participação nos sindicatos reformistas. Para que reanimar esta geringonça?, dizem eles. Com efeito, para quê? Se se luta seriamente pela conquista dos velhos sindicatos, é preciso chamar os desorganizados para eles: são precisamente as camadas novas que são suscetíveis de formar o apoio da ala esquerda. Mas então não se devem criar sindicatos paralelos, isto é, criar agências de concorrência do recrutamento dos operários. A política a efetuar-se no interior dos sindicatos reformistas, preconizada de cima, está perfeitamente à altura da confusão que reina nas outras questões. A 28 de janeiro a Rote Fahen fazia observações aos comunistas membros do sindicato dos metalúrgicos de Dusseldorf, por ter lançado a palavra de ordem de luta impiedosa contra a participação dos chefes sindicais no apoio prestado ao governo de Bruening. Estas reivindicações oportunistas são inadmissíveis porque pressupõem que os reformistas são capazes de renunciar a apoiar Bruening e as suas leis de exceção. Isto parece de fato uma brincadeira de mau gosto! A Rote Fahne considera que basta injuriar os chefes, mas que é inadmissível submetê-los à experiência política das massas. E, entretanto, é justamente nos sindicatos reformistas que se apresenta agora um terreno particularmente favorável à ação. Se o Partido social-democrata ainda tem uma possibilidade de enganar os operários com a sua politicalha, para os sindicatos a crise do capitalismo, porém, equivale a um muro intransponível. Os duzentos ou trezentos mil operários organizados hoje nos sindicatos independentes podem tornar-se um fermento inapreciável no seio das reuniões reformistas. Em fins de janeiro realizou-se em Berlim a conferência comunista dos comitês de fábrica de todo o país. A Rota Fahne relata: Os comitês de fábricas forjam a frente vermelha proletária (2 de fevereiro). Mas em vão procuram-se informações sobre a composição da Conferência. O número de empresas e de operários representados. Contrariamente ao bolchevismo, que marcava minuciosa e abertamente todas as mudanças das relações de força no seio da classe operária, os stalinistas da Alemanha, seguindo os da Rússia, brincam de esconde-esconde. Não querem confessar que os comitês de fábricas comunistas formam menos de 4%, contra 84% de comitês de fábrica social-democratas. É nesta proporção que se traduz o balanço da política do terceiro período. Mas adiantará mesmo de uma polegada chamar-se o isolamento dos comunistas nas empresas de frente única vermelha? A crise persistente do capitalismo traça no seio do proletariado a linha de demarcação mais dolorosa e mais perigosa: a que existe entre os operários ocupados e os desocupados. O fato de dominarem os reformistas nas empresas e os comunistas entre os desocupados paralisa as duas partes do proletariado. Os operários ocupados podem esperar mais tempo, os desempregados, porém, são mais impacientes. Hoje, a sua impaciência tem um caráter revolucionário. Mas se o Partido Comunista não souber encontrar as formas e as palavras de ordem de luta que possam unir os operários ocupados com os desempregados e abrir a perspectiva da saída revolucionária, a impaciência dos desempregados se dirigirá inevitavelmente contra o Partido Comunista. Em 1917, apesar da política justa do Partido bolchevique e do desenvolvimento rápido da Revolução, as camadas do proletariado menos favorecidas e mais impacientes, mesmo em Petrogrado, começaram, já em setembro-outubro, a afastar-se, dos bolcheviques para aproximar-se dos sindicalistas e dos anarquistas. Se a insurreição de outubro não tivesse estalado em tempo, a desmoralização do proletariado teria tomado um caráter agudo e teria acarretado a decomposição da Revolução. Na Alemanha, não há necessidade dos anarquistas: eles podem ser substituídos pelos nacional-socialistas, que aliam a demagogia anarquista aos objetivos conscientemente reacionários. Os operários não estão de modo algum garantidos de uma vez por todas contra a influência dos fascistas. O proletariado e a pequena burguesia representam vasos comunicantes, sobretudo nas condições atuais, em que o exército de reserva dos operários não pode deixar de fornecer pequenos comerciantes, ambulantes, etc., e a pequena burguesia dos proletários e dos lumpeproletários. Os empregados, o pessoal técnico e administrativo, certas camadas de funcionários, constituíam no passado um dos apoios importantes da social-democracia. Hoje, estes elementos passam aos nacional-socialistas. Podem arrastar atrás de si, se já não o fizeram, a camada da aristocracia operária. Nesta linha, o nacionalsocialismo invade o proletariado, por cima. Muito mais perigoso é a sua invasão possível por baixo, através dos desempregados. Nenhuma classe pode viver muito tempo sem perspectivas e sem esperanças. Os desempregados não são uma classe, mas são uma camada social demasiado compacta e sólida, que tenta em vão sair de sua situação insuportável. De um modo geral, é verdade que só a Revolução Proletária pode salvar a Alemanha da decomposição e da ruína, e isto é, antes de tudo, verdadeiro em relação aos milhões de desempregados. Com a fraqueza do Partido Comunista nas fábricas e nos sindicatos, o seu crescimento numérico nada resolve. Em uma nação devorada pela crise e pelas contradições, o Partido da extrema esquerda pode encontrar dezenas de milhares de novos partidários, especialmente quando o seu aparelho é orientado para o recrutamento individual dos membros, pela via da emulação. Tudo reside nas relações entre o Partido e a classe. Um só operário comunista eleito para o comitê de fábrica ou para a direção de um sindicato, tem uma importância muito maior que mil novos membros conseguidos aqui e acolá, entrados hoje no Partido, para abandoná-lo amanhã. Mas o afluxo individual dos membros do Partido não durará também indefinidamente. Se o Partido Comunista continuar a retardar a luta até o momento em que tiver eliminado definitivamente os reformistas, perceberá que, a partir de um certo momento, a social-democracia cessará de perder sua influência em proveito dos comunistas e que os fascistas começarão a desmoralizar os desempregados, que são a base principal do Partido Comunista. O fato de não utilizar suas forças para as tarefas que decorrem de toda a situação, nunca se produz impunemente para um partido político. Para abrir caminho à luta de massa, o Partido Comunista tenta a realização de greves parciais. Os sucessos neste domínio não são grandes. Como sempre, os stalinistas fazem autocrítica: Ainda não sabemos organizar..., Ainda não sabemos arrastar..., e quando se diz nós, isto sempre significa vós. Ressuscita-se a famosa teoria da jornada de março de 1921: Eletrizar o proletariado com ações ofensivas da minoria. Mas os operários não precisam ser eletrizados. Querem que se lhes de uma perspectiva clara e ser auxiliados na criação de premissas de um movimento de massa. Na sua estratégia das greves, o Partido Comunista se dirige visivelmente de acordo com citações fragmentárias de Lênin, interpretadas por Manuilski ou Losovski. Com efeito, houve um tempo em que os mencheviques lutaram contra a grevicultura e os bolcheviques, ao contrário, se colocaram à frente de cada nova greve, arrastando massas cada vez maiores ao movimento. Isto correspondia ao período do despertar de novas camadas da classe. Assim foi a tática dos bolcheviques em 1905, durante o surto industrial dos anos antes da guerra e durante os primeiros meses da Revolução de fevereiro. Mas no período de antes de outubro, a partir das jornadas de julho de 1917, a tática dos bolcheviques teve um caráter diferente: não instigavam as greves, freavam-nas, porque toda greve importante tendia a transformar-se em combate decisivo, quando as premissas políticas ainda não estavam maduras para isso. Todavia, os bolcheviques continuavam, mesmo nesses meses, a colocar-se à frente de todas as greves que explodiam, apesar dos seus avisos, sobretudo nos ramos atrasados da indústria (têxtil, couros e peles etc.). Se em certas condições os bolcheviques dirigiam audazmente as greves no interesse da Revolução, em outras, evitavam que os operários entrassem em greve pelos mesmos interesses da Revolução. Neste domínio, como nos outros, não existe receita de antemão preparada. Mas a estratégia das greves dos bolcheviques sempre fazia parte, em cada período dado, da estratégia geral, e os operários avançados viam claramente o laço que unia a parte ao todo. A esse respeito, em que pé andam as coisas atualmente na Alemanha? Os operários que trabalham não se opõem às reduções dos salários porque temem os desempregados. Nada há nisto de espantoso: com a presença de alguns milhões de desempregados, a luta grevista sindicalmente organizada de sempre é manifestamente desesperada. É duplamente desesperada com o antagonismo entre os operários que trabalham e os desempregados. Isto não exclui a possibilidade de greves parciais, sobretudo nos ramos de indústria mais atrasados e menos centralizados. Mas são precisamente os operários dos ramos de indústria mais importantes que, numa tal situação, são inclinados a escutar os chefes reformistas. As tentativas do Partido Comunista de resolver a luta grevista sem mudar a situação geral no seio do proletariado, só levam a pequenas operações de partidários e que, mesmo em caso de sucesso, não encontram eco. Segundo relatam operários comunistas (basta ler Der Rote Aufbau) é comum dizer-se nas empresas que as greves parciais não têm nenhum sentido e que só a greve geral poderia arrancar os operários de sua miséria. A greve geral quer dizer aqui perspectiva de luta. Os operários são tanto menos entusiastas das greves isoladas quando têm a tratar com o poder de Estado: o capital monopolizador fala aos operários na linguagem das leis de exceção de Bruening 1. No começo do movimento operário, a fins de arrastar os operários à greve, os agitadores deixavam muitas vezes se desenvolver as perspectivas revolucionárias e socialistas para não afastar os operários. Hoje a situação tem um caráter diametralmente oposto. As camadas dirigentes dos operários alemães só podem decidir-se a entrar na luta econômica defensiva no caso em que vejam claramente as perspectivas gerais das lutas ulteriores. Estas perspectivas, as camadas dirigentes dos operários alemães não as encontram na direção comunista. A respeito da tática das jornadas de março de 1921, na Alemanha, ( eletrizar a minoria do proletariado, em lugar de conquistar a sua maioria), o autor destas linhas dizia no III Congresso: Quando a maioria esmagadora da classe operária não compreende o movimento, não simpatiza com ele ou duvida de seus sucessos, e quando a minoria ao mesmo tempo se lança na frente e tenta, por processos mecânicos, jogar os operários na greve, então esta minoria impaciente personificada no Partido pode chocar-se com a classe operária e quebrar o pescoço! Deve-se então renunciar à luta grevista? Não, não renunciar, mas criar para esta luta as premissas políticas e organizatórias indispensáveis. Uma destas premissas é o restabelecimento da unidade das organizações sindicais. A burocracia sindical, bem entendido, não a quer. A cisão, até agora, assegurava do melhor modo a sua situação, mas a ameaça direta do fascismo muda a situação nos sindicatos em detrimento da burocracia. A aspiração à unidade cresce. Se a camarilha de Leipart procurar, nas condições atuais, recusar o restabelecimento da unidade, isto duplicará ou triplicará de um só golpe a influência comunista no seio dos sindicatos. Se a unidade se faz, tanto melhor: diante dos comunistas se apresenta um largo terreno de atividade. Não é de meias medidas que se precisa, mas de uma reviravolta audaciosa! Sem uma larga campanha contra a vida cara, pela redução da semana de trabalho, contra a diminuição dos salários; sem se ter arrastado a esta luta os desempregados de mãos dadas aos operários que trabalham; sem a aplicação, coroada de sucesso, da política de frente única, as pequenas greves improvisadas não farão o movimento desaguar na grande via. 1 Certos ultra-esquerdistas (o grupo italiano dos bordiguistas) consideram que a frente única só é admissível na luta econômica. A tentativa de separar a luta econômica da luta política é, na nossa época, menos realizável do que nunca. O exemplo da Alemanha, onde os contratos coletivos são anulados e os salários diminuídos por meio de decreto governamentais, deveria fazer compreender esta verdade até as crianças. Lembremos de passagem que, no seu estágio atual, os stalinistas fazem renascer preconceitos originais do bordiguismo. Não é de admirar que o grupo Prometeo, que nada aprende e não avança um passo, se encontre hoje, no período de ziguezague ultra -esquerdista da I. C., muito mais perto dos stalinistas do que nós. BIBLIOTECA SOCIALISTA MINI Complete sua coleção! Quinze números por R$ 30,00 Na O que é o centrismo As contradições da URSS V. I. Lênin A verdade sobre Cronstadt Questões da vida cotidiana e da moral Socialismo e as Igrejas Rosa Luxemburgo O que é uma situação revolucionária Por uma arte revolucionária independente (Manifesto da FIARI) André Breton e Leon Trótski A atualidade do Manifesto Comunista As contradições da URSS Leninismo é o oposto do stalinismo Democracia e ditadura O que é o sectarismo? Sobre as greves V. I. Lênin O apartidarismo é uma política burguesa V. I. Lênin Bolchevismo e Stalinismo Pacifismo Rosa Luxemburgo O que é a Frente Popular? O governo operário Serviço militar DESCONTO DE 30%! O significado da palavra-de-ordem de todo poder aos sovietes V. I. Lênin Sobre a guerra de guerrilhas V.I.Lênin Manifesto por uma política sexual revolucionária Wilhelm Reich O que é a dialética? Jorge Plekhanov Sindicatos na época de decadência Uma proposta de luta para a juventude Outras edições da Coleção Biblioteca Socialista Mini Autodeterminação nacional V. I. Lênin Cooperativas Internacional Comunista O materialismo dialético e o anarquismo V. I. Lênin O partido comunista e o parlamentarismo Internacional Comunista O partido operário Karl Kautski Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã (ensaio sobre o materialismo dialético) Friedrich Engels Sobre o papel do trabalho na transformação do macaco em homem Friedrich Engels Classe, partido e direção O que é o marxismo V. I. Lênin As três fontes e as três partes constitutivas do marxismo V. I. Lênin Os revolucionários devem atuar nos sindicatos reacionários? V. I. Lênin ADQUIRA NA LIVRARIA DO PCO: Avenida Miguel Estéfano, nº 349 Saúde, São Paulo; telefone ou na página do partido na Internet: org.br

20 14 DE MARÇO DE 2010 CAUSA OPERÁRIA ENTREVISTA DA SEMANA A20 ABORTO NO BRASIL Medo do quê? Estou valendo mais morta do que viva Neide Mota Machado foi encontrada morta em novembro do ano passado, em seu carro com uma seringa na mão. Apesar de a polícia trabalhar com a hipótese de suicídio, a conclusão só pode ser a de que Neide provavel- mente foi assassinada. Ela foi mais uma mulher morta em função da ação da direita que atua contra o direito ao aborto no Brasil e no mundo. A médica Neide Mota Machado concedeu, em junho de 2008 eum trecho da entrevista é reproduzida novamente nestas páginas. Ela foi a dona da Clínica de Planejamento Familiar de Campo Grande, fechada pela polícia em abril de 2007, após uma reportagem veiculada pela afiliada da Rede Globo de televisão (TV Morena) em Campo Grande. O resultado da reportagem foi uma batida policial que resultou num fato inédito: por falta de flagrante não havia ninguém na clínica, nem funcionários, nem pacientes, nem foram localizados restos fetais, ou fossa foi feita a apreensão dos prontuários médicos de quase mulheres atendidas na clínica, que funcionou por mais de 20 anos, no centro da capital sul mato-grossense. Apesar de conter conteúdo sigiloso, e não terem provas concretas sobre a realização ou não da interrupção da gravidez na clínica, as fichas médicas foram usadas como provas para indiciar Neide, dona da clínica, funcionários e suas pacientes Causa Operária - Desde que a Clínica foi fechada, há pouco mais de um ano, a última notícia inclusive divulgada depois da audiência da OAB [MS] sobre o caso foi sobre a cassação da sua licença pelo CRM? Neide Mota - Olha se cassou com s ou com ç eu não estou me interessando muito nesse assunto não. Causa Operária - Mas vocês vão recorrer? Neide Mota - Isso é uma liminar que está no Supremo que com certeza vai derrubar toda essa decisão aí. Causa Operária - Quando saiu a notícia na Televisão, o seu advogado, comentou que ela teria sido toda editada para aparecer aquilo que eles queriam, que a clínica era para fazer abortos clandestinos. Neide Mota - A matéria não foi editada. Ela foi encomendada. Tem uma diferença. Pior ainda do que ser editada é ser encomendada. Eu não vou tecer comentários sobre essa matéria, porque eu não compartilho com essas idéias de pessoas que ganham proventos com o único intuito de denegrir a imagem. Com o intuito meramente destrutivo. Não tenho nada para dizer sobre essa matéria. Aliás, eu não assisto. A Globo é canal de imbecil. Ela está imbecilizando esse país. É um canal de comunicação com grande capacidade de imbecilizar um país inteiro que já não é de pessoas tão inteligentes, tão dotadas. Causa Operária - Foi a noticia na TV que fez com que a delegada conseguisse autorização para entrar na clínica. Neide Mota - A notícia veio encomendada. A Globo foi uma coisa encomendada. Por causa de uma briga minha, política, encomendaram a Globo para ir lá fazer a matéria. É uma coisa que veio meio de trás para frente. A questão da delegada também é outra pessoa que não está comprometida com a verdade. Ela está comprometida com o sistema. Ela está comprometida com quem mandou fazer a operação, com quem orquestrou a operação. E também para mim uma pessoa que está comprometida com o sistema e não com a verdade ela não tem idoneidade. Causa Operária - E a busca que foi feita? Neide Mota - Não foi feita busca e apreensão. Foi feito um arrastão. Eles não têm como prestar conta do que eles ou não tiraram de lá de dentro. Eles arrastaram, saíram carregando, virando coisas, quebrando tudo. Não fizeram uma relação do que estavam levando. Nunca existiu uma relação que saiu de dentro da clínica. Eles não têm isso. Porque tinha que ter sido feita lá dentro, na hora que estavam tirando as coisas e não depois. Ela diz que está com os meus vinte e nove mil dólares, mas as minhas jóias ninguém sabe, ninguém viu. Mas se sumiu numa operação policial alguém tem que ter pego. E com certeza essa pessoa não fui eu. E eu também não mandei ninguém lá roubar o que é meu. Causa Operária - Eram coisas que estavam na Clínica? Neide Mota - Dentro do meu apartamento. Que era um anexo. Causa Operária - E desapareceram? Neide Mota - Não só isso, como todos os documentos que eu tinha em relação à pessoa que participou da operação. Documentos, fotos, tudo. Ela é uma exfuncionária de nome Zenaide Correa, que a própria polícia diz que não tem nenhum envolvimento, sendo que ela trabalhou quase quatro anos na clínica, como administradora. Uma pessoa que admitia, demitia. Fazia e acontecia. Mas depois foi trabalhar dentro do gabinete do governador, agora não está mais, porque a partir do momento que vazou na mídia o chefe de gabinete que já não gostava muito dela fez com que ela espirrasse de lá. Eu nem sei onde ela está no momento. Tanto é, ela está tão envolvida que as pessoas que estão encarregadas dessa investigação, e toda essa situação não sabem dela. Chegaram a dizer que não estava mais na cidade, no entanto ela estava dentro do gabinete do governador. Então tudo isso é muito estranho. Primeiro estava desaparecida, não podia ser intimada, e depois não é mais isso. Dizem que não tem nenhuma prova, nada que possa comprovar o envolvimento dela com aquilo. Causa Operária - As acusações pesam também sobre funcionários? De aborto e formação de quadrilha. Neide Mota - Claro. Se nós somos quadrilheiros, a dona Zenaide Correa também é da quadrilha. Mas por incrível que pareça ela não consta. Ela foi citada pelos outros funcionários, porque ela era a administradora da clínica, cuidava de tudo. E agora dizem que ela não tem nenhum envolvimento. O que mais uma vez prova que as pessoas que estão tocando isso daí são pessoas descompromissadas com a verdade. Causa Operária - Você tem também um processo contra ela na justiça? Neide Mota - Faz quatro anos e ela não foi nem processada ainda. Ela foi indiciada por apropriação indébita. Apesar da denuncia de formação de quadrilha que não entrou na acusação. Sendo que ela tem ou tinha uma quadrilha para distribuir cheques roubados que ela apropriou-se indevidamente. Meus foram pelo menos quatro talonários. Fora equipamentos e tantas outras coisas que ela tirou de lá [da clínica], que eu tive de fazer o levantamento. Os investigadores desse caso demoraram tanto que até não conseguiram encontrar as pessoas que faziam parte da distribuição dos cheques. Eu acusei por tudo que ela fez comigo, cartões de crédito, cheques... Nesse caso ela não é indiciada nem por estelionato nem por formação de quadrilha, ela foi apenas citada por apropriação indébita e falsidade ideológica. E ela ainda entrou com uma ação contra mim alegando que eu estou caluniando a pessoa dela. Causa Operária - Há uma pressa em dar um resultado para esse caso da Clínica. Neide Mota - É uma pressa em fazer justiça. Enquanto ela que fez parte da orquestração de tudo isso... porque eu desafio a quem está por detrás, que se mete a ser autoridade nesse caso, a pedir a quebra de sigilo telefônico, da repórter, de Zenaide Correa, de delegada e de quem está envolvido se não existe uma ligação entre eles para ter armado tudo isso. Eu desafio. Causa Operária - Inclusive a testemunha contra você e as mulheres que estão acusadas no processo é a própria repórter? Neide Mota -A coisa é tão interessante que de todas as testemunhas de acusação nenhuma fez aborto na clínica. Agora se eu sou acusada de um crime a justiça tem obrigação de apresentar as testemunhas de acusação. Eles apresentam oito testemunhas de acusação, e nenhuma, nenhuma praticou o delito que eles estão me acusando [de co-autoria no crime de aborto]. Então até onde essa acusação tem fundamento? E porque que estão fazendo isso? Causa Operária - Sobre os prontuários. Depois que a clínica foi fechada você nunca mais teve acesso a nada? A polícia foi lá pegou as fichas médicas, pegou tudo e indiciou quem quis? Neide Mota - É. A polícia foi lá, levou o que quis o que bem entendeu, passou pela garagem, arrebentou a porta da minha caminhonete com as gavetas do arquivo, o que não tinha necessidade nenhuma, de pura maldade... eu não tive acesso. Eu nunca fui lá para ver. Também nem interessa mais. Porque primeiro, eles não tem como prestar contas dos prontuários que eles retiraram de lá. É notório, público e sabido que esses prontuários ficaram expostos durante semanas, entrava lá e manipulava e retirava quantos prontuários quisesse, por que isso não foi contabilizado na hora que eles foram tirando de lá de dentro. Não tem testemunha para dizer tirou e contou lá, isso não existe. Não existe. Tem muita gente boa que tirou os prontuários de lá de dentro. De dentro da delegacia. Não adianta a doutora delegada falar que não porque é a mesma coisa dizer que Zenaide Correa [apesar de ex-funcionária não foi acusada no processo da clínica] não tem envolvimento. São pessoas que não estão comprometidas com a verdade. Estão comprometidas sim em fazer uma ação destrutiva contra a minha pessoa. Só que eles não esperavam que fosse dar todo esse desdobramentos. Agora eles vão ter de dar seus pulos, porque eu estou dando os meus. Causa Operária -Essas fichas ficaram a mercê da polícia? Neide Mota - De todo mundo. Não só da polícia. Qualquer um entrava lá manuseava até o dia, sabe-se lá que dia que foi, que o meritíssimo determinou que ninguém mais poderia mexer [o que aconteceu apenas três meses depois, em julho de 2007] porque até então... Causa Operária - Em relação ao crime de aborto, no início de toda essa história a delegada chegou a afirmar que seria praticamente impossível indiciar tanto funcionários, médica, quanto as próprias mulheres, de aborto por falta de provas. Mudou alguma coisa para agora tamanha fúria? Neide Mota - Porque não tinham provas e até hoje não tem prova nenhuma. Não existe prova. Eles estão fazendo barulho. Estão forçando pessoas, coagindo pessoas despreparadas, pessoas que não tem orientação e manipulando [a maior parte das mulheres processadas, sequer tinham advogado no primeiro contato na delegacia e ainda posteriormente na promotoria]. Então existe uma intenção clara e objetiva de condenar. Inclusive de me condenar. Mas eles não estão me condenando. Ninguém pode me condenar. A única pessoa que pode me condenar no mundo sou eu mesma. Único juiz que pode me julgar e me condenar tá dentro de mim. Ninguém mais pode me condenar. Ninguém tem condição, conhecimento, moral para me condenar. Causa Operária -São quase fichas, mulheres acusadas, a população de Campo Grande não é tão grande assim que não tenha nomes ali envolvidos Neide Mota - E eu não estou nem preocupada com nomes. Nem me diz respeito quem foi na clinica quem não foi. Quem foi quem não foi isso já outra história. Quem garante todos os nomes que estão ali foi de pessoas que passaram por lá? Quem garante? E quem garante que só aqueles que estão lá são os que passaram por lá [pela clínica]? Sei ainda de gente que foi na delegacia e retirou prontuário. E não adianta, podem dissimular, dizer o que quiser. Causa Operária - Está tendo toda uma repercussão de casos relacionados a aborto e uma tentativa de criminalizar ainda mais as mulheres por conta desse tema. Você acha que eles te pegaram pra cristo? Vamos punir a Neide, essas mulheres... Neide Mota - Eu sou a materialização, porque aborto até então era uma palavra só. Era uma palavra. Agora tem algo material. Tá aqui, chegou a fotografia, chegou a pessoa do aborto, tá aqui. Esse é um país de pessoas hipócritas. As mulheres são hipócritas, os homens são hipócritas, a sociedade é hipócrita. E digo mais, eu sou contra esse habeas corpus coletivo [o movimento de mulheres chegou, posteriormente, a impetrar um habeas corpus preventivo para impedir a continuidade da investigação, mas foi negado pelo juiz titular] porque só mulheres têm de responder a processo de mais de um milhão por ano praticam aborto? Aí só porque foi minha cliente. Isso é estatística. Vamos então colocar todo mundo na cadeia [esse contingente representa cerca de 40% de toda a população feminina cumprindo pena atualmente por todos os crimes no território nacional - 25 mil mulheres]. Vamos morrer abraçadas. Vai proteger essas mulheres do que? Por quê? De um processo? De um indiciamento? Elas não precisam ser protegidas. Porque quando elas precisaram de um atendimento com dignidade, com respeito com todos os cuidados, elas tiveram. Agora porque tem um indiciamento, um processo. Ter medo de processo? A meu ver tem de usar sim essas mulheres. Tem de levantar a bandeira, pela descriminalização. E não se esconder atrás de um habeas corpus coletivo. Essa mais uma vez um posicionamento covarde. Covardes são esses que continuam querendo criminalizar o aborto. Covardes, assassinos, bandidos. Assassinam mulheres. Fazem nascem crianças indesejadas, que já nascem marginalizadas. E tudo isso dá desdobramento. Qualquer sociólogo sabe disso. Desse desdobramento, de uma menina, de uma adolescente, de uma mulher que tem um filho num momento errado. Causa Operária - Enquanto isso, como você falou, no Brasil hoje, milhares, milhões de mulheres fazem abortos... Neide Mota - Eu gostaria que aproveitassem esse momento, que a sociedade, a parte não hipócrita da sociedade, conseguisse essa vitoria, pelas mulheres, pelas famílias, pelos filhos. Porque quantas mulheres morrem por causas obstétricas e deixam o filho pequeno? Eu sempre lutei pelo planejamento familiar. Amplo, geral e irrestrito. Planejamento familiar como ele deve ser concebido, como está na Constituição. Como está nos livros. Essa é a minha luta, a minha bandeira. Eu não vejo outra maneira de a mulher a família ser constituída de uma forma adequada sem o planejamento familiar, é impossível. É impossível alguém poder oferecer todas as condições que estão implícitas, dentro do Estatuto da Criança, sem o seu planejamento familiar. Ninguém pode oferecer tudo o que está naquele Estatuto. Como é bonito né? Mas na teoria. Como oferecer tudo aquilo tendo filho de uma maneira indiscriminada? Tendo filho sem ter a mínima estrutura social, econômica, financeira, profissional, familiar, psicológica, emocional? Como? O pessoal não tem nem onde cair vivo. Causa Operária - Como funcionava a clínica? Neide Mota - A clínica era uma clínica de planejamento familiar. Nós oferecíamos meios, métodos e informações, para que as pessoas pudessem ter o numero de filhos desejados pelos meios necessários. Como manda o planejamento familiar, como manda a Constituição. Causa Operária - Você já foi chamada para atender em hospitais públicos também? Neide Mota - Sim, mas tem que levar todo o material, porque o que eles têm é uma lástima. Não tem um material de sucção, não tem nada. É do tempo da cureta. Há dois mil anos antes de Cristo já tinha cureta enterrada no sarcófago no Egito. É um instrumento um tanto primitivo e ainda existe. E a sucção existe desde 1959, foi um chinês que criou este método. 50 anos, já podemos dizer que está bem primitivo se for considerar tudo que aconteceu em termos de evolução em termos de tecnologia. Até a sucção já é, mas não chegou aos hospitais ainda. Ainda estão na cureta. Mas dá certo também. O importante é resolver. Não tem ninguém preocupado com a vida das mulheres, coma a integridade física e psicológica das mulheres. Mulher de terceiro mundo não tem valor. As próprias mulheres não dão valor. Olha o meu caso. Quem está por trás? São mulheres lutando contra o direito das mulheres. É um país de que? Que país é esse? Causa Operária - No congresso e outros locais, a maior dificuldade que a gente tem de discutir é a descriminalização é a relação com a Igreja. Inclusive o juiz fala que os deputados vieram aqui para exigir o seu indiciamento o fechamento da clínica. Neide Mota - Os deputados exigirem por questão religiosa? Vão começar tudo de novo, vão voltar para a inquisição? Bando de canalha. Depois de não sei quantos anos vão vir pedir desculpas? Como este idiota do Papa vem fazer? Vem pedir desculpa pela pedofilia. Isso é tudo imbecilidade. Um país que não consegue fazer lei desvinculada da Igreja? É um país de retardados. Causa Operária E sobre o sigilo das fichas? Neide Mota É, eles terão que se explicar. Por isso estou te falando. Alguém vai ter que se defender. Não sou eu. Eu não tenho que me defender de nada. Eles já arrebentaram com a minha vida pessoal, com a minha vida social, arrebentaram com a minha vida profissional, arrebentaram com a minha vida financeira. Me julgaram, condenaram sem nenhuma prova sequer. Então eu não tenho que me defender, eu não tive defesa. Agora quem fez, fez o que quis. Agora dá seus pulos, se vira. Muita água vai rolar debaixo da ponte. Isso eu te garanto. E quem fez do jeito que quis vai ter que se defender do jeito que puder. É assim que funciona. O problema não é meu. Eu nunca fui de ter problemas, eu fui de ter soluções. Tem gente que gosta, tem gente que procura. Esta para palavra nem faz parte do meu vocabulário. Causa Operária -Violaram todo tipo de informação sigilosa? Neide Mota - Violaram, arrebentaram, fizeram arrastão. Estão cometendo crimes em cima de crimes. Se é para seguir a lei, não pode cometer crime para dizer que está aplicando a lei. Pelo pouco que eu entendo de lei, e não faço muita questão, porque pelo que eu vejo a maneira como aplicam a lei, realmente não dá para se interessar muito. Causa Operária - Este problema do dinheiro eles insistem muito, a delegada também. Neide Mota - Eu quero saber o que eles fizeram com o meu dinheiro. Porque a primeira vez falaram que eu tinha ganhado 21 milhões. Quando veio a segunda conversa deles, porque são uns falastrões, já tinha ganhado nove milhões. Só nesta já embarcaram 11 milhões meus. Você não pode ser uma autoridade leviana. Coloca a minha família em risco. Ou você prova e mostra onde está este dinheiro. E eles querem ter moral de me condenar? Faz-me rir. Não apresentaram uma testemunha contra a minha clínica. Agora pegar os prontuários e escolher quem indiciar, sem ter uma prova. Aplicar a lei e julgar, não pode ser ao mesmo tempo perito, investigador e juiz. Causa Operária - O Estado não aparece na hora de garantir nada mas aparece na hora de punir, sempre contra as mulheres, que não têm nenhum direito. A defesa da maternidade existe na prática na hora de punir as mulheres. Neste caso de Campo Grande nós vemos que há a necessidade de que clínicas se especializem. Neide Mota - As clínicas oftalmológicas e ortopédicas se legalizam. Mas quem está interessado em oferecer dignidade às mulheres? Esta revista Veja me dá nojo. Num país onde a mulher não têm direito sobre o próprio corpo, na qual ela não é dona nem do corpo dela, das idéias dela. Onde é que está o poder? É uma estrutura que conduz as minhas idéias, e para isso eu preciso ter o meu corpo, expressar minhas idéias, me realizar e efetivar os meus objetivos, satisfazer os meus desejos. Em um País onde não sou dona do meu corpo, achar que sou poderosa? Poder do quê? Onde é que está o poder da mulher? Poder de trabalhar em uma empresa (risos), poder de ser diretora. E isso é poder se nem mesmo ela é dona do próprio corpo? Quando ela quer decidir alguma coisa sobre o corpo se depara com uma lei do tempo que não tinha nem Bom Bril, sem falar em computador, celular. A mulher nesta época passava areia na panela de ferro para ficar brilhando. As mulheres vão passar a ter poder neste País quando tiverem poder sobre o próprio corpo. Se não vou ter poder sobre mim eu vou ter poder sobre os outros, sobre as coisas? Eu não acredito, é conversa para boi dormir. Causa Operária - Você as conhece, se é para processar e dar nome das pessoas? Neide Mota - Não sou eu quem tenho que julgar. No momento adequado vai vir à tona. Daqui para frente eu quero só ficar observando a bagaceira. Ainda vai dar muito pano para a manga, muito o que falar. No que depender da minha pessoa não vou ter dó, nem piedade. Não tiveram a mínima consideração por mim, arrebentaram com a minha vida, eles não podem esperar nada de mim. Causa Operária - Você não tem medo? Neide Mota - Medo do que? Estou valendo mais morta do que viva. Se eu morrer estou deixando um belo de um seguro com a minha mãe, deixo meus bens. Não vou levar nada mesmo, vou ser até cremada. Não vou deixar nem túmulo para não incomodar. Eu quero incomodar agora. Causa Operária - Eles podem querer alguma coisa antes de você começar a revelar. Neide Mota - Eu não tenho o que revelar. Eles vão ter que revelar tudo. Levaram tudo, computadores. Eu tenho um único prontuário que eu achei, um cartão de um Diu que ficou comigo, que estava lá no meio da bagunça.

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