Pensamento do Dia. O incrível caso do FAT. Economistas analisam a Economia, o Brasil

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1 Pensamento do Dia Economistas analisam a Economia, o Brasil e o mundo, na mídia diária 08 a Valor Econômico - 10/05/2010 O incrível caso do FAT Fabio Giambiagi A ideia de que o Estado brasileiro gasta mal vem se consolidando no debate macroeconômico no Brasil. Um exemplo notável de como o gasto público vem se divorciando da eficiência é o que tem acontecido com a despesa do seguro-desemprego pago com os recursos do FAT. Como se sabe, o governo Lula pode exibir um desempenho excelente dos indicadores de emprego. Depois de 2003, o mercado de trabalho passou a "bombar", com as taxas de expansão do emprego atingindo níveis muito elevados. No conjunto dos 6 anos de 2003 a 2009, a PEA teve um aumento de 10%, a população ocupada de 15% e o contingente de desocupados teve uma redução acumulada de nada menos de 28%. O que está acontecendo em 2010 só reforça esse quadro: na média dos 3 primeiros meses do ano, a PEA subiu 1,8% e a população ocupada, 3,1%, enquanto que o contingente de desempregados encolheu em 12,1%, o que gera ao todo uma queda acumulada - se repetida no ano - dessa variável de 37% em relação a 2003.

2 O gráfico 1 ilustra o comportamento da taxa de desemprego medida pelo IBGE. Assumindo a previsão realista, para 2010, de que a taxa média do ano se situe em 7%, nós teremos experimentado uma redução expressiva desse indicador em relação aos 12,3% de O país sem dúvida melhorou por conta disso e o Governo merece crédito por tal feito. Pois bem, olhando a trajetória desse indicador, um estrangeiro que chegasse ao Brasil em 2010 poderia concluir: "Que bom. Com isso, o Governo deve ter poupado parte do que antes destinava à sua rede de proteção social por conta do elevado desemprego e alocado tais recursos em outras rubricas". Curiosamente, porém, o Gráfico 2 mostra exatamente o contrário: entre 2003 e 2010, as despesas do FAT que são parte integrante das "outras despesas de custeio e capital" (OCC) da execução fiscal, terão experimentado um aumento real acumulado da ordem de (pasmem) 130%!! Há algo de errado com o gasto público em um país onde o número de desempregados cai de um índice de nível 100 para um nível de 63 em 7 anos, enquanto que a despesa com seguro-desemprego aumenta de 100 para 230. O fato indica uma piora do grau de eficiência na utilização dos recursos. De certa forma, é como se esse tipo de coisas representassem o nosso "lado grego". A preços de 2010, a despesa do FAT terá aumentado de R$ 13 bilhões em 2003 para R$ 30 bilhões em Em percentual do PIB, isso significa passar de 0,5% do PIB em 2003 para 0,9% do PIB em Enquanto isso, com a infraestrutura em estado precário, o país não tem recursos para fazer melhor o trabalho de proteção de encostas, as estradas brasileiras estão em estado deplorável e, em matéria de controle por instrumentos, a aviação brasileira acumula anos de atraso em relação ao estado da arte nos países avançados. Sei perfeitamente que há algumas explicações para o fenômeno apontado, em particular o aumento do salário mínimo e a maior formalização da economia. O problema é a complacência que elas engendram. O desemprego cair e o gasto com segurodesemprego aumentar simplesmente não faz sentido lógico. Ponto. Se há regras que explicam o paradoxo, o que se deve fazer é mudá-las, para que passem a ser mais razoáveis. Tratar da mudança de regras implicaria um outro artigo, mas não é de hoje que especialistas em legislação trabalhista como José Pastore ou José Márcio Camargo - para citar apenas dois dos nomes mais conhecidos - têm apontado para a existência de incentivos inadequados na legislação que rege os contratos de trabalho no país. O Brasil está concluindo uma boa década. Infelizmente, ao invés de aproveitar a época das "vacas gordas", estamos acentuando algumas das distorções do funcionamento de nossa economia. Uma delas é a elevada rotatividade da mão de obra, que dificulta o treinamento de longo prazo na formação de recursos humanos no âmbito das empresas.

3 É uma pena, pois poderíamos estar aproveitando melhor os anos de bonança pelos quais estamos passando. Fabio Giambiagi, economista, escreve mensalmente Valor Econômico - 10/05/2010 Lições do Brasil em política industrial Tarun Khanna e Santiago Mingo Se as lições brasileiras forem seguidas, as forças de mercado poderão entrar em cena no lugar da política industrial Em economia, poucas ideias são mais elogiadas e criticadas do que política industrial. Seus defensores, aqueles que estudaram a ascensão das economias do leste asiático, por exemplo, são seus fãs incondicionais. Os opositores ficam irados à sua simples menção. Os primeiros apontam para o desenvolvimento econômico, os segundos alegam que dezenas, até mesmo centenas, de bilhões de dólares foram desperdiçados. Um recente cenário de descontentamento é o dos combustíveis renováveis. Em todo o mundo, US$ 184 bilhões estão sendo alocados na forma de investimentos públicos para estímulo visando promover as energias limpas, esforço liderado pelos EUA (US$ 67 bilhões) e a China (US$ 47 bilhões). Sem dúvida, existe algum progresso - a energia eólica atende 20% da demanda de eletricidade na Dinamarca e cerca de 15% na Espanha e em Portugal, por exemplo -, mas a receita do sucesso permanece elusiva. Nesse sentido, a experiência brasileira de estímulo aos combustíveis renováveis, iniciada na década de 1970, é diretamente relevante para as atuais posições polarizadas em relação a política industrial. Um programa de política industrial de 10 anos denominado Pro-álcool foi crucial para o desenvolvimento da indústria. Hoje, o Brasil é o mais competitivo produtor mundial de combustíveis renováveis, baseados principalmente em bioetanol. O etanol é responsável por mais de 50% da demanda atual de combustível para veículos leves no país, e a Petrobras - gigante brasileira do setor energético e uma das maiores empresas na América Latina - acredita que esse percentual aumentará para mais de 80% até Nossa pesquisa mostra que a política industrial foi bem sucedida em estimular uma indústria competitiva de bioetanol no Brasil. Um enorme pacote de estímulo, cujo estopim foi o aumento nos preços do petróleo em 1970, deu origem a um setor industrial inteiramente novo. Mas ele não teria funcionado sem o papel crucial desempenhado pela concorrência. O Brasil estava tentando se tornar autossuficiente em energia de uma forma similar aos modernos esforços de outros países. Mas, como os opositores de políticas industriais têm razão em nos lembrar, subsídios nunca deram bons resultados. O que veio em seguida foi crucial. À medida que os preços mundiais de energia despencaram, fortuitamente, o Brasil fechou a torneira dos subsídios, e então sobreveio um brutal salve-se quem puder darwiniano. Essa racionalização competitiva foi essencial para o sucesso da política. O Pro-álcool envolveu um detalhamento de incentivos para beneficiar diversos participantes, sem o que não teriam aderido ao empreendimento. O Estado brasileiro havia oferecido empréstimos a juros baixos e garantias de crédito para a construção não

4 só de destilarias como também incentivos fiscais para compra de veículos a etanol. Os preços do etanol foram manipulados para torná-lo uma alternativa atraente à gasolina. Além disso, o governo induziu a Petrobras a distribuir o combustível renovável. Postos de gasolina instalaram bombas de etanol. O governo assinou acordos com as maiores montadoras de automóveis oferecendo incentivos à fabricação de veículos capazes de funcionar com combustível 100% de etanol. Quem hoje visita o Brasil vê carros "flex-fuel" por toda parte. A experiência de encher os tanques desses veículos é curiosa. Pouco antes de entrar num posto de gasolina, os motoristas brasileiros calculam se a gasolina comum ou etanol é a opção mais barata (o bioetanol tem um teor energético 30% menor do que a gasolina tradicional), e em seguida, escolhem entre uma bomba de gasolina ou de etanol. De início, as políticas brasileiras atraíram todo tipo de empresários. Alguns eram talentosos e acreditaram que os novos subsídios e incentivos tornavam altamente atraentes os investimentos de longo prazo no setor. Empresários de qualidade duvidosa também entraram no jogo graças à generosidade do Estado. Felizmente, o governo não tentou assumir a impossível tarefa de tentar separar vencedores de perdedores. Com a chegada da década de 1990, os principais subsídios e políticas foram abolidos e o setor foi desregulamentado. Nossa análise estatística dos padrões de entrada e saída de empresários no setor de etanol brasileiro mostra que os mais eficientes compraram os menos eficientes. A maioria das empresas produtoras de etanol com desempenho insatisfatório faliram ou foram absorvidas por empresários com um histórico bem sucedido no gerencimento de operações eficientes. O governo não socorreu os ineficientes, permitindo que as forças de mercado reestruturassem o setor durante a fase pós-subvenção. Sem dúvida, os beneficiários dos subsídios do Pro-álcool pressionaram o Estado para que desse continuidade às políticas de proteção mesmo após sua finalidade - induzir o desenvolvimento da indústria - já ter expirado. Felizmente, o governo não foi convencido. A experiência brasileira oferece três lições importantes a países em vias de implementar iniciativas no campo de energia renovável: 1- as políticas governamentais devem ser coerentes, simples e de longa duração, assegurando aos empreendedores em potencial que podem investir no longo curso; 2- a escolha de vencedores, conhecida fraqueza dos burocratas superentusiastas, deve ser mantidas em um mínimo, e 3 - é necessário que o Estado tenha disciplina para reverter os subsídios quando sua necessidade estiver superada. Se essas lições forem seguidas, as forças de mercado poderão entrar em cena no lugar da política industrial. Num momento em que políticas industriais voltam à cena em países no mundo inteiro, esse é um objetivo que seus defensores e oponentes deveriam igualmente, abraçar. Tarun Khanna é professor na Harvard Business School Folha de S.Paulo - 10/05/2010 Bordão "démodé" Marcos Cintra

5 UM CLICHÊ fora de moda foi ressuscitado no começo do ano pelo presidente Lula, ao declarar que, para gerar desenvolvimento econômico, os governos devem ser grandes e fortes. Para lastrear sua afirmação, citou vários países desenvolvidos que possuem cargas tributárias tão elevadas ou mais do que a brasileira. Dilma Rousseff corroborou a crença de seu chefe, ao afirmar que, caso seja eleita, pretenderia implantar um Estado forte, para instalar no país um novo "desenvolvimentismo". O discurso do PT em defesa da maior presença do Estado na economia revela que o partido resolveu resgatar do baú um modelo de gestão que a história havia sepultado há décadas. A empolgação a favor do intervencionismo estatal exacerbado levou o governo a pensar em recriar empresas como a Telebrás, para tocar o programa de massificação de banda larga, e em criar novas estatais nos setores de fertilizantes e de energia. Esse afã de expandir o poder do Estado-produtor é uma leitura equivocada, ou oportunista, das operações de socorro financeiro executadas pelos países ricos para minimizar os efeitos da crise global, intensificada no final de Fui aluno na Universidade Harvard de um famoso historiador econômico, professor Alexander Gerschenkron. Ele mostrou que países como França e Alemanha construíram Estados grandes e fortes para complementar o setor privado no deslanche do processo de crescimento de suas economias. Tais governos investiram em bancos, indústrias e serviços de transportes e comunicação tendo como padrão comparativo a Inglaterra, onde tais investimentos eram privados. Mas isso foi no século 19. Naquele momento, a presença pública tornou-se necessária para suprir a falta de capitais privados, que eram escassos na Europa continental. Assim, o papel substitutivo do Estado foi essencial para alavancar o desenvolvimento naquelas economias. No Brasil, ocorreu algo semelhante. O processo de desenvolvimento econômico com base na intervenção estatal direta foi utilizado no governo de Getulio Vargas, nos anos 40, quando foram criadas a CSN, a Vale e outras. Naquela época, seria impossível dar impulso à industrialização brasileira sem a ação do Estado. Esse modelo de desenvolvimento, ocorrido há um século e meio na Europa e há mais de 60 anos no Brasil, não pode ser resgatado para a economia brasileira nos dias atuais, pois não condiz com o cenário econômico contemporâneo. No mundo globalizado, Estado grande e forte, como deseja o PT em seu discurso, enfraquece os setores privados e gera desconfiança nos investidores ao redor do mundo. Quando a economia fica à mercê do poder público, exposta a interesses de natureza predominantemente políticos, recursos estrangeiros que poderiam ser canalizados para alavancar o crescimento econômico se retraem, deixando de gerar emprego e renda. Hoje, os conceitos de força e grandeza se aplicam mais adequadamente às empresas particulares do que ao setor público. Tanto no Brasil como em outros países há setores privados capitalizados e prontos para investir. Já para o setor público, o conceito-chave é o da eficiência, e não o da potência bruta. Hoje, para alavancar o desenvolvimento, compete ao Estado um papel supletivo: o da indução e da regulação.

6 Estados grandes e fortes, em geral, tornam-se opressores em termos fiscais, endividamse em excesso e extraem cargas tributárias muito além da capacidade contributiva do setor produtivo privado. Tentam exercer um papel para o qual não possuem nem recursos e menos ainda habilidades, comparativamente aos capitais privados. Ademais, cabe lembrar que as empresas estatais sempre foram disputadas por políticos brasileiros em busca de fontes de financiamento para suas campanhas eleitorais, para acomodar familiares e apaniguados e distribuir favores à custa da viúva. No passado, setores importantes da atividade produtiva nacional foram loteados entre velhos caciques da política nacional, com resultados desastrosos para o país. É indispensável que a sociedade fique atenta para o discurso que prega um Estado grande e forte. Cabe repetir que, hoje, quem tem recursos e competência para produzir e gerar empregos é o setor privado. Historicamente, o poder público no Brasil demonstrou inusitado apetite pelo endividamento e por impor ônus tributário excessivo. O defunto redivivo da estatização implica risco de tolher o desenvolvimento do país, além de custar muito caro ao contribuinte. MARCOS CINTRA, 64, doutor em economia pela Universidade Harvard (EUA), professor titular e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas, é secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho de São Paulo ÉPOCA - 09/05/2010 O que aprender com portugueses e gregos Paulo Rabello de Castro Escrevo da Europa. Vim falar numa série de seminários que avalia a experiência de Portugal na Comunidade Europeia, iniciada em 1986, quase um quarto de século atrás. Quatro universidades Lisboa, Coimbra, Porto e Minho (Braga) vão projetar a recriação do país no quarto de século à frente. O primeiro simpósio, em que tratei do endividamento dos países, ocorreu na Universidade de Coimbra, debaixo de sete séculos de história da instituição. Foi dia de ataque especulativo. Os alvos eram as dívidas dos governos de Grécia, Portugal e Espanha. Os portugueses estavam perplexos por uma situação que, antes, não lhes parecia previsível. Ou será que eles não queriam enxergar a hipótese que chamo de balança roseira? Ninguém gosta de antecipar desgraças. Nem, pelo visto, quem teria obrigação de fazê-lo, como as agências americanas de classificação de risco, que deixaram para a hora derradeira a correção de notas de qualidade de crédito dos países afetados pela crise. As notas deveriam ter caído há meses. Os rebaixamentos feitos no meio da crise, conjugados à maneira atabalhoada da reação das autoridades da Comunidade Europeia, serviram de caldo perfeito para a explosão dos preços que os investidores cobram para correr esse risco. Os mercados já ameaçavam fazer essa correção desde que começaram a duvidar dos dados fiscais da Grécia.

7 Por trás da tragédia grega, como de todas as outras que vieram ou virão, está a camuflagem de compromissos financeiros, que os governos irresponsáveis escondem do mercado, não os publicando no contas a pagar dos países. Aconteceu do mesmo jeito com os grandes bancos, que quebraram em 2008 sob o peso de jogadas financeiras feitas fora de seus balanços. Agora, com o anúncio da megaoperação de refinanciamento forçado dos papéis gregos, os vendedores a descoberto aqueles que apostam arriscadamente em desvalorizações refluirão para suas tocas. Mas só por um curto tempo. O mundo está cheio de posições fragilizadas para atacar especulativamente, desde bancos até companhias hipotecárias, governos locais, estatais e países, cujas dívidas são muito maiores do que suas respectivas capacidades de gerar caixa. Este é o mundo em que vivemos e sobre o qual preferimos não pensar muito. Somos movidos pelo otimismo reagente, aquele que é embalado por qualquer declaração esperançosa de uma autoridade monetária. Seu maior exemplo foram os anos da exuberância irracional inventada por Alan Greenspan, ex- Fed americano, que trouxe a zero a poupança econômica dos Estados Unidos, confiante de haver descoberto a fórmula da pedalada perpétua de reanimação dos mercados com juros baixos. E o Brasil, estaria a salvo da implosão grega? Tivemos sorte de não sair para velejar no dia em que a maioria dos barcos virou, inclusive a fragata americana, à deriva até hoje. Mas a sorte do Brasil começa a ser desperdiçada pelo retorno de uma economia de alto gasto, ou melhor, (des)economia. Não apenas os consumidores brasileiros são atraídos pelo endividamento fácil, que os empurra a comprar de tudo. Pior é o governo brasileiro, que de novo faz um déficit perigoso nas contas públicas. O saldo negativo no orçamento de abril, da ordem de R$ 17 bilhões, compromete o governo pós-lula, qualquer que seja o eleito. Nós, contribuintes, seremos convocados a pagar mais essa conta amanhã. Enquanto os investimentos públicos do PAC seguem atrasados, não há atrasos no desperdício dos gastos correntes. Por cima da avalanche de despesas desnecessárias, vem o Banco Central salgar os déficits futuros com a recente alta de juros, que afinal se converte em mais gasto do governo. Pagamos uma conta monstruosa de juros, que passam de R$ 150 bilhões por ano, quatro vezes o que é normalmente investido em infraestruturas pelo governo brasileiro. Pena sermos tão míopes. Não temos nem a preocupação de planejar os anos futuros, como tenta fazer Portugal. Falsos espertos que somos, temos um bocado a aprender, até com nosso mais modesto avozinho Folha de S.Paulo - 10/05/2010 A natureza da crise na Europa Luiz Carlos Bresser-Pereira O QUADRO financeiro europeu continua muito grave. A Alemanha, afinal, decidiu dar apoio ao pacote financeiro grego, de forma que a dívida do setor público da Grécia está equacionada. A imprensa tem dado amplo noticiário sobre o assunto, mas afinal se limita a informar sobre o deficit público e a dívida pública do Estado grego, em vez de informar sobre o problema fundamental que não é do setor público, e sim do setor privado: é o deficit em conta-corrente e a dívida externa dos países. O problema fiscal é grave porque o deficit de 2009 somou-se a elevados níveis de dívida pública, mas o desequilíbrio não está apenas nos governos; está nos países como um todo e, portanto, em seu deficit em conta-corrente e em sua dívida externa, que englobam o setor público e o setor privado.

8 Se o problema fosse apenas do setor público, o socorro financeiro e uma política dura de ajuste fiscal resolveriam a questão. Sendo do país, necessita da depreciação cambial que não podem realizar. A União Europeia controla os deficit públicos, não controla os deficit em conta-corrente. Os jornais não publicam dados sobre esse deficit porque não os recebem dos economistas. Esses não os informam porque a teoria econômica ortodoxa pressupõe que o setor privado é equilibrado pelo mercado: é o chamado "princípio de Lawson", associado ao ministro das Finanças de Margaret Thatcher, Nigel Lawson. A Crise Global de 2008 mostrou que essa tese é absurda no plano nacional. Agora o fenômeno se repete no plano internacional. Em 2009, enquanto a Alemanha, que reduziu salários nos últimos dez anos, obteve superavit em conta-corrente de 4,8% do PIB, Grécia, Portugal, Espanha e Itália realizaram deficit em conta-corrente de 10,2%, 10,5%, 5,8% e 3,9% do PIB, respectivamente. Esses deficit financiaram investimentos de médio prazo, mas as empresas e o Estado se endividaram no mercado financeiro de curto prazo. Devedores e credores sabiam que os débitos não poderiam ser pagos de um dia para o outro -que teriam que ser rolados-, mas, dado o pressuposto dos mercados privados sempre equilibrados, foram adiante no processo. Até que, neste ano, repentinamente, os credores começaram a elevar os prêmios de risco e a suspender a rolagem da dívida. O problema se agrava porque decidiram pelo "sudden stop" em um quadro no qual os países não têm o mecanismo de ajuste clássico para esses momentos: a desvalorização cambial, que reduziria os salários e equilibraria a conta-corrente. Os Estados de cada país podem ajustar suas finanças, mas não há solução para o desajuste privado de países que não têm moeda própria para desvalorizar. Como na Crise Global, existe a solução financeira via Estado. O governo da União Europeia pode garantir a dívida externa daqueles quatro países por meio da criação, às pressas, de um FMI europeu, por meio do próprio FMI e via BC Europeu. Neste momento, os ortodoxos dirão que o BCE não pode entrar no jogo porque estaria criando dinheiro ao socorrer os países, mas foi exatamente isso o que fez o Federal Reserve na Crise Global, sem causar inflação. Agora o BCE precisará criar dinheiro para salvar os países, ou melhor, novamente os bancos, porque foram eles que emprestaram. Mas uma situação como essa não pode continuar para sempre. A política de crescimento com poupança externa já vitimou muitos países. É preciso repensar radicalmente o problema das finanças internacionais e dos deficit em conta-corrente. LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA, 75, professor emérito da Fundação Getulio Vargas, ex-ministro da Fazenda (governo Sarney), da Administração e Reforma do Estado (primeiro governo FHC) e da Ciência e Tecnologia (segundo governo FHC), é autor de "Globalização e Competição"

9 O Estado de S.Paulo - 08/05/ bilhões: Um presente de grego? Antonio C. de Lacerda O anúncio da aprovação de um pacote de 110 bilhões de socorro à Grécia, ao mesmo tempo que gerou um certo alívio para os agentes econômicos, também, contraditoriamente, fez irromper um forte ajuste nos preços dos principais ativos no mercado internacional. Isso porque fica cada vez mais evidente que a aprovação do pacote financeiro foi tardia, decorrente de uma certa hesitação dos principais líderes da região do euro, especialmente a Alemanha. O atraso fez agravar a situação grega. Além disso, também fica claro que os condicionantes postos como contrapartida à ajuda representam um desafio hercúleo para a já combalida economia grega. As metas de redução do déficit público, de 13,6% para 3% do Produto Interno Bruto (PIB) em apenas quatro anos, pressupõem a elevação de impostos e o corte drástico de despesas públicas. O problema é que o tom ortodoxo do ajuste implicará jogar o país numa forte recessão, o que, além de tornar o ajuste fiscal inviável, também pode criar uma situação insustentável não só econômica, mas também? e principalmente? social e politicamente. Também vale destacar que a adesão ao euro no final dos anos 90 trouxe vantagens para os países periféricos europeus, por dar-lhes maior estabilidade cambial e monetária. Mas, por outro lado, abrir mão da sua própria moeda os privou do importante instrumento da política cambial, agora administrada centralmente pelo Banco Central Europeu (BCE) e que favorece a Alemanha, dado o seu diferencial competitivo em relação aos demais países. Sem o recurso da política cambial e, de certa forma, a monetária, o esforço recai excessivamente sobre a área fiscal. É interessante observar como a situação da economia grega chegou a tal ponto, pois isso envolveu, além da irresponsabilidade de seus dirigentes, uma certa complacência do BCE e demais lideranças da região do euro, respaldadas por uma certa leniência das agências de classificação de risco, que jamais apontaram o problema ou não o fizeram com a devida contundência. Diante do quadro, os mercados procuram novas referências para a precificação dos ativos, não só por movimentos especulativos, que lhe são característicos, mas também porque ninguém sabe ainda ao certo mensurar os impactos da tragédia grega sobre a economia europeia e mundial. Embora represente apenas 2,5% do PIB da economia da zona do euro, o efeito contágio poderá se estender a outros países do bloco que também estão com problemas de sustentabilidade macroeconômica. O crescimento da economia europeia, embora em recuperação, será mais lento, o que trará impactos para o comércio mundial e os fluxos de capitais. Para o Brasil, especialmente, embora tenha se saído relativamente bem da situação adversa representada pelos efeitos da recente crise oriunda do mercado subprime norteamericano, o cenário representará desafios. O menor crescimento do bloco europeu terá impactos sobre as exportações brasileiras, uma vez que elas respondem por 23% do total. Além disso, Alemanha, França, Portugal e Espanha, para citar os principais, se transformaram em importantes investidores

10 diretos no mercado do País, e a situação de incerteza desses países deverá congelar novos aportes nas suas empresas instaladas no mercado brasileiro. Mas a lição maior para o Brasil do episódio vem da importância de diminuir a dependência externa para manter a autonomia das políticas domésticas. Os ajustes ora impostos à economia da Grécia podem representar um presente de grego às avessas, uma espécie de "cavalo de troia bumerangue", que prorrogará por muitos anos a lenta agonia do país. A Grécia precisará agir com rapidez e inteligência para administrar a crise e aproveitar o armistício representado pelo pacote de 110 bilhões para renegociar suas dívidas diretamente com os credores, obtendo melhores condições de juros e prazos. Isso lhe permitiria ajustar gradualmente a sua economia, sem incorrer numa odisseia depressiva autoflageladora. ECONOMISTA, É PROFESSOR DOUTOR DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA DA PUC-SP Folha de S.Paulo - 08/05/2010 A crise na Grécia afetará a economia brasileira? SIM Gilson Schwartz: A especulação tem limites O BRASIL sempre foi o "país do futuro". Com o tempo, esforços foram empreendidos para acelerar esse tempo pela ação do Estado e do desenvolvimentismo, uma espécie de ciência da aceleração do tempo econômico. A eterna promessa brasileira, no entanto, parecia ter desencantado na crise financeira de Com o desmonte ocorrido nas principais economias desenvolvidas do mundo, parece que um relógio maluco inverteu seus ponteiros e as economias da periferia, como Brasil, China e Índia, tornaram-se as que já chegaram ao futuro, enquanto as sociedades maduras e pós-industrializadas retraem-se e retrocedem a níveis bárbaros de desemprego, endividamento e asfixia do gasto estatal. É hora do Brasil? Ou tudo não passa de mais uma ilusão de ótica criada pela forte e rápida deterioração dos países mais ricos? O ilusionismo é decorrência da especulação financeira. Nesse jogo de espelhos, não interessa tanto a qualidade do ativo, mas o sentido do fluxo, o movimento da manada. Se o sistema indica baixa na rentabilidade de ativos ancorados nas economias mais ricas, o capital em busca de oportunidades fareja o que parece menos ruim e com potencial de alta (quem não arrisca, não petisca). Não importa quão bom é um papel ou ativo financeiro, mas o quanto ele pode melhorar, seja como for. Há limites para as virtudes expansivas da economia especulativa. A ilusão de ótica se desfaz nos movimentos do próprio sistema.

11 Ontem, era bom comprar Brasil para escapar da crise. Hoje, é melhor vender Brasil: liquidar ativos brasileiros, ainda com bom preço, ajuda a melhorar o balanço de quem perde dinheiro na Grécia ou na Espanha. O risco, nessa conjuntura, é o de se encantar com as ilusões provocadas pelos fluxos de capitais "andorinhas", com foco no curto prazo. A onda de otimismo com um mercado é real, mas a massa de apostadores que acorre querendo surfar ao mesmo tempo cria muitas vezes apenas mais espuma, não uma onda mais alta ou duradoura. No Brasil, o Banco Central faz o que pode para enfrentar a euforia especulativa (travestida de apetite exuberante e irracional por países menos afetados pela crise global). A tragédia grega nada tem a ver com o Carnaval brasileiro? Já vimos esse filme antes (a fantasia mais célebre foi o "milagre" dos anos 70). Para evitar o pior, o ciclo de redução dos juros já foi revertido e a percepção mais realista é a de que os primeiros dois anos após as eleições presidenciais exigirão forte disciplina fiscal. A União Europeia aderna com problemas financeiros e fiscais. Os EUA ganharam fôlego. Não é trivial, para o investidor global, acreditar em miragens como Brics. Pode ser uma boa hora para realizar os lucros da "onda" brasileira e correr de volta para o complexo industrial-consumista animado pelos EUA e pela China. Para garantir a estabilidade do Brasil nessas águas agitadas e turvas, o Banco Central continuará cauteloso e elevará os juros para manter a taxa de câmbio sob controle (juros mais altos no Brasil atraem dólares, que reforçam nossa blindagem cambial). Descartada a ilusão de ótica, a miragem da "ilha de tranquilidade" tropical, a economia brasileira ainda não encontrou um modelo de desenvolvimento que se sustente sem juros reais elevadíssimos. A expiação dos pecados terceiro-mundistas (moratória, estatismo e corrupção) foi até hoje insuficiente no duelo com o dragão da inflação e contra os diabos da especulação. A crise grega (e europeia), combinada aos sinais de retomada dos EUA, pode configurar o pior dos mundos: perdemos mercado (dada a perda no poder de compra dos europeus) e ficamos menos atraentes como destino de investimentos produtivos (pois nossa aceleração do crescimento também tem limites, mesmo com todo o apoio estatal). O cenário doméstico reforça a cautela -inflação acima da meta, dúvidas sobre o equilíbrio fiscal e incerteza eleitoral afetam investidores abalados pelo rescaldo global. Chegou mais uma vez a nossa hora, mas talvez ainda não seja a nossa vez. GILSON SCHWARTZ, economista e sociólogo, é professor de economia e coordenador do grupo de pesquisa Cidade do Conhecimento, da USP ( ), e coordenador no Brasil do consórcio Pro-Ideal ( ).

12 NÃO Paulo Tenani: Contágio é menos intenso que no passado BOLHAS especulativas existem em diferentes variedades e podem inflar ou derrubar preços de ativos, mas só surgem e se desenvolvem sob determinadas condições. Por exemplo, entre 1997 e 2002, o Brasil tinha condições necessárias e suficientes para que bolhas especulativas surgissem no mercado de dívida e câmbio. Qualquer choque mais intenso poderia levar os ativos brasileiros a adquirir vida própria e sofrer correção muito maior do que seria justificado pela deterioração dos fundamentos. Hoje, no entanto, em tempos de crise na Grécia, o contexto é bastante distinto, e tais condições não mais existem. Nesse sentido, assumindo contágio, é improvável que, como no passado, os ativos brasileiros desvalorizem-se desproporcionalmente -sem relação com os fundamentos. Alguns números são ilustrativos. Entre 1997 e 2002, o Brasil enfrentou uma conjunção de fatores desfavoráveis, que resultaram na condição necessária para uma bolha especulativa: juros mundiais de 5,5%, risco Brasil de 9%, crescimento econômico em 2% e um superavit primário e dívida líquida, respectivamente, em 2,25% e 47% do PIB (Produto Interno Bruto) - números medidos em termos de valores médios no período. Nessas circunstâncias, a dinâmica da dívida pública brasileira era intrinsecamente instável, aumentando, em condições normais, 2,3 pontos percentuais por ano. Por outro lado, a dívida pública indexada ao dólar, que na época representava 18% do PIB, caracterizava o mecanismo de realimentação -condição suficiente para uma bolha. O processo era o seguinte: um choque no risco-país afetava a taxa de câmbio, que, por sua vez, através da dívida indexada ao dólar, desestabilizava ainda mais a dinâmica da dívida. O risco Brasil, então, era novamente afetado, o que, mais uma vez, repercutia sobre o câmbio; e o processo assim se repetia. Ou seja, entre 1997 e 2002, existiam condições para o surgimento de duas bolhas especulativas que se realimentavam mutuamente: uma na dívida, outra no câmbio. Bastava apenas um choque -e no período o Brasil sofreu vários- para iniciar o processo. Hoje, no entanto, o Brasil enfrenta uma conjunção de fatores distinta: juros mundiais de 3,6%, risco-país em 2%, crescimento em 5,5% e superavit primário e dívida líquida em, respectivamente, 3% e 42% do PIB. Nessas circunstâncias, a dinâmica da dívida é intrinsecamente estável, decrescendo, em condições normais, quatro pontos percentuais por ano. Além do mais, não há mais mecanismos de realimentação, pois que a dívida indexada ao dólar é negativa. Ou seja, não há condições para um choque instaurar uma bolha que derrube o preço dos ativos mais que proporcionalmente a deterioração dos fundamentos, muito pelo contrário.

13 Se hoje, no Brasil, existem condições para bolhas especulativas, elas estão no sentido de inflar, não no de derrubar o preço dos ativos. A baixa probabilidade de bolhas negativas no Brasil, no entanto, não é a única boa notícia. O cenário também é melhor para os fundamentos. Por exemplo, a evidência empírica sugere que o Brasil está se tornando um país de "beta" baixo -menos correlacionado com o cenário global. Entre 1997 e 2002, o "beta" médio da dívida externa soberana brasileira era 1,05, enquanto o "beta" do mercado de ações era de 1,64, e o do câmbio, medido entre 2003 e 2008, de - 0,73. Hoje, as correlações caíram para 0,71, 1,33 e - 0,70, respectivamente. Ou seja, tudo o mais constante, uma queda de 20% nas bolsas globais, como aconteceu em outubro de 2008, resultaria em aumento de um ponto percentuais no risco Brasil (para 3%), desvalorização de 13% do real e queda de 26% do mercado de ações. Sem dúvida um ajuste difícil, dada a deterioração abrupta dos fundamentos globais. Mas um ajuste que fica muito aquém da queda de preços possível na presença de uma bolha. Nesse sentido, a possibilidade de contágio vindo da Grécia pode até ser preocupante. Porém, na ausência de bolhas especulativas, as simulações acima sugerem um ajuste muito menos dramático do que o Brasil já experimentou no passado. PAULO TENANI é sócio da Pragma Patrimônio e professor de finanças internacionais da Fundação Getúlio Vargas Folha de S.Paulo - 09/05/2010 Câmbio mata Rubens Ricupero O CÂMBIO já está estrangulando o setor de maior tecnologia e valor agregado de nossa indústria (eletrônica, farmacêutica, química, automobilística e maquinaria). Apenas nos três primeiros meses do ano esse setor teve o chocante deficit de US$ 13,6 bilhões, maior do que em todo o ano de 2006 e superior em 42% ao do mesmo período do ano passado. Os dados do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) servem de necrológio à indústria brasileira, mostrando que o câmbio continua sendo tão mortal como no tempo da advertência de Mário Henrique Simonsen. A tendência está colada à apreciação do real e ao declínio do saldo comercial em geral, que em abril foi o menor em oito anos, tendo caído nada menos que 65% em comparação ao de abril de Aliás, parecem estar contados os dias de saldo comercial, uma vez que as importações estão crescendo em ritmo quase duas vezes maior do que as exportações (65% ante 23%).

14 É bom apertar os cintos para o mergulho na montanha-russa, já que o fim do saldo comercial elimina o único fator que compensava em parte o aumento vertiginoso de todos os demais componentes do deficit em conta-corrente. Essa é a cara oculta da atual euforia com o crescimento puxado somente pelo consumo do governo e das pessoas, com baixa poupança e pouco investimento. Cada vez se depende mais de recursos de fora para cobrir o buraco, e a desindustrialização precoce entra no segundo estágio de agravamento. No primeiro, as importações substituem os componentes locais, mas o produto continua a ser montado no Brasil; no segundo, importa-se o produto pronto e as indústrias se tornam meras distribuidoras e prestadoras de assistência. A situação tende a piorar com as elevações de juro que o Banco Central terá de realizar para segurar o superaquecimento do consumo. As previsões de que no fim do ano o dólar se aproxime de R$ 1,60 ou menos vão sacrificar ainda mais os manufaturados. Até agora a valorização dos primários pela demanda da China tem atenuado a deterioração do comércio exterior. É um erro, porém, imaginar que as commodities aguentam qualquer valorização da moeda. Tenho idade bastante para me lembrar do tempo em que quase todos os produtos primários brasileiros eram gravosos, isto é, seu custo de produção superava, devido ao câmbio, o preço internacional. Quando as cotações também caem, como sucede no momento com muitos produtos agrícolas, a renda do campo sofre duplo golpe: preço e câmbio. De onde poderá vir o socorro às contas externas se o panorama negativo se acentuar, como vem acontecendo há anos? Do petróleo? É o que já ocorre, como mostra Raquel Landim em perceptivo comentário em "O Estado de S. Paulo" (4/5/10). Nele se aprende que o petróleo passou a ser o principal item das exportações, quase 10% do total! Sem ele, as vendas externas cresceram apenas 16%, agravando o descompasso com o aumento das importações. Está aí um bom tema para o debate eleitoral. Em vez da discussão pueril sobre qual governo foi melhor, por que não debater como evitar que o Brasil vire uma grande Venezuela, onde 96% das exportações vêm das commodities? Sem mexer no câmbio, como melhorar a competitividade? Com esses juros? Com a infraestrutura em pedaços? Com carga tributária o dobro da da China? Com a redução da semana de trabalho? RUBENS RICUPERO, 73, diretor da Faculdade de Economia da Faap e do Instituto Fernand Braudel de São Paulo, foi secretário-geral da Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) e ministro da Fazenda (governo Itamar Franco) O Globo - 09/05/2010 Miriam Leitão Volta da crise Grécia: onze milhões de habitantes, população equivalente à da região metropolitana do Rio, território menor do que o Rio Grande do Sul e um PIB que é a metade do estado de

15 São Paulo. O país não tem peso para provocar uma crise global. Mesmo assim, está provocando. É o preço a pagar pelo sucesso do mundo e da Europa, em particular em aumentar as conexões na era da globalização. Por que uma gota no oceano mundial pode provocar um maremoto? Porque ela não está sozinha. A Europa fez um pacto de estar unida na alegria e na tristeza. Amarrou os laços, criou uma moeda comum. Países pequenos e com fragilidades foram tratados como iguais a países fortes e equilibrados. Todos pagaram taxas de juros equivalentes para rolar dívidas com graus de risco bem diferentes. Todos na crise elevaram seus déficits. Só que as dívidas são diferentes. As de países fortes viram refúgio do mercado na hora do medo. Lições aprendidas nos últimos dois anos: um banco de investimento pode provocar uma crise global; um pequeno país faz tremer os mercados e pode detonar outra crise. Não pelo que são, mas pelo que revelam. O Lehman Brothers revelou o quanto todo o sistema bancário estava avaliando errado o risco dos devedores, o tamanho da bolha, a dimensão da alavancagem. Os empréstimos entre os bancos foi o canal pelo qual passou o rastilho de pólvora. A Grécia revela o grau de irresponsabilidade fiscal dos governos. Lição geral: bancos precisam de boa regulação e boa fiscalização; países têm que ter limites de gastos. Não se deve subestimar a dinâmica dessa crise. Normalmente, a preocupação cresce quando as bolsas caem, e desanuviam assim que as bolsas sobem. O mercado de capitais é só um termômetro. Bastou um erro para haver uma fuga em manada. O professor José Herce, da Universidade Complutense de Madri, em entrevista a Valéria Maniero, do blog, disse que há risco de uma crise sistêmica. E lembrou a velocidade, dizendo que há um mês uma ajuda de C 110 bilhões seria mais do que a Grécia precisaria; agora, não parece ser suficiente. O caso da Grécia está provocando um problema sistêmico em que o euro acaba prejudicado. A dívida alemã está virando refúgio dos que correm de outros riscos. O custo do resgate da Grécia disparou. A lentidão e as dúvidas dos responsáveis europeus agravaram a crise e agora são necessárias respostas mais contundentes disse o economista. Ele ainda acha possível evitar que a própria Espanha peça ajuda ao FMI: Hoje, é impensável esse cenário. A escada de descida até ele tem muitos degraus. Mas, para reduzir o déficit, a Espanha terá que fazer ajustes. Herce acha que os espanhóis podem protestar no início como os gregos, mas que acabarão aceitando, em nome da estabilidade, remédios amargos como redução dos gastos sociais, dos salários e altas de impostos: Hoje, fiz um teste com meus alunos de macroeconomia sobre a aceitação dessas medidas, e 70% concordaram. Mais fácil ter concordância num curso de macroeconomia do que nas ruas, onde 4,5 milhões não têm emprego. O desemprego de 20% da Espanha chega a 40% entre os jovens: Fruto das falhas no nosso sistema produtivo, na nossa competitividade e no sistema trabalhista. É preciso reduzir custos trabalhistas para aumentar o emprego e fazer uma grande reforma do trabalho o quanto antes.

16 Nas crises, descobre-se que certos remédios são universais. Equilíbrio nas contas públicas, mercado de trabalho flexível, previdência ajustada aos novos padrões demográficos não são uma receita neoliberal. São remédios da prudência. O risco que a Europa corre é repetir, com a Grécia, erros já cometidos em outros países: um remédio mais forte do que o organismo enfraquecido pode aguentar. Como foi no caso da Argentina, em 2001, no governo Fernando de la Rua. As imposições do FMI foram tão duras num país já em recessão que o sistema político entrou em colapso e a moratória desorganizada foi decretada. A economista Monica Baumgarten de Bolle, da Galanto Consultoria, tem dito que o remédio deveria ser uma reestruturação organizada, como foi a do Uruguai, seguida de um esforço para blindar os outros países europeus. O remédio imposto à Grécia é de reduzir o déficit de 14% para 3% em três anos. Um corte de 11 pontos percentuais do PIB, numa economia que está com 4% de recessão e na qual 75% dos gastos públicos vão para o pagamento de salários e pensões. Nunca vi um ajuste de dois dígitos no déficit em um período de três anos. Acho praticamente impossível que esse plano de socorro seja bem sucedido sem uma reestruturação da dívida grega. O Uruguai é um caso de sucesso na reestruturação que obteve o aval de quase 100% dos credores. Ela foi feita depois que o país anunciou medidas de ajuste para reduzir o déficit. O problema é que a Grécia faz parte do euro e há um receio grande dos países de uma reestruturação de dívida disse. Isso mostra que os céticos do euro tinham razão em parte. O sistema de moeda única ligando países diferentes não se preparou para crises. Na alta, todos foram felizes, na descida, eles escorregam. O sistema monetário não foi capaz de ver a fraude grega nas estatísticas, de impor limites aos desequilíbrios fiscais, de ter soluções rápidas na emergência. Também não sabe o que fazer se um dos países for obrigado a entrar em moratória. É bom que procurem respostas. E nós com isso? Bom, nosso mundo é o mundo todo; e em economia, certas leis são universais. Melhor é se preparar para a turbulência e evitar erros velhos. Já conhecemos os passos dessa estrada. COM ALVARO GRIBEL Valor Econômico 10/05/2010 Quem tem medo da alta do dólar? Eduardo Campos

17 O dólar comercial subiu 6,5% na semana passada, saindo de R$ 1,73 para R$ 1,85. Trata-se do maior ganho semanal desde a primeira semana de dezembro de Tais constatações assustam qualquer um, menos os bancos. Pelo menos é essa a impressão que se tem ao observar o comportamento das instituições financeiras ao longo dos últimos dias. No pânico da quinta-feira, os bancos venderam contratos de dólar futuro, o equivalente a US$ 2,3 bilhões, elevando o estoque de posição vendida (apostas pró-real) para US$ 5,9 bilhões. E é justamente essa posição das instituições financeiras que afasta uma preocupação com um descontrole na taxa de câmbio que poderia, ente outros efeitos, ter impacto na inflação. Segundo o economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho, além da posição vendida dos bancos, que mostra que eles não veem muito espaço para a alta no preço do dólar, outro sinal de que não há descontrole no mercado de câmbio é que o Banco Central seguiu normalmente com seus leilões diários de compra no mercado à vista, sem passar a mensagem de que haja qualquer preocupação com o valor da taxa de câmbio. Fora isso, diz Velho, há fatores fundamentais que dão suporte ao real. O Brasil segue com uma boa imagem no mercado externo, os juros estão em alta e, sazonalmente, a balança comercial é favorável. Momentaneamente, diz Velho, o mercado seguirá estressado com a possibilidade de perda para os bancos europeus em função da exposição aos papéis da Grécia. "Tem um impacto, mas vemos que a alta não é sustentada", diz o economista. Na mesma linha de raciocínio e partindo do aumento nas posições vendidas, o diretorexecutivo da NGO Corretora, Sidnei Moura Nehme, aponta que os bancos reconhecem que essa taxa cambial está longe de ter sustentação. De acordo com Nehme, as instituições financeiras também têm ciência de que a puxada nos preços foi consequência de um movimento pontual que elas próprias estimularam. Sinal claro disso é que ao invés de atuarem defensivamente, elevaram suas posições vendidas. Para o diretor, os bancos estão certos de que o real voltará a se valorizar. E, com isso, poderão embolsar ganhos enormes com a variação cambial. Sobre os riscos de o câmbio mudar o passo da política monetária, o economista-chefe da Prosper pondera que não é por causa de três dias de forte alta, que o Banco Central vai alterar sua trajetória de ajuste na taxa de juros. "Teria de haver um movimento estrutural de alta, que levasse a taxa de câmbio para R$ 1,90 e fizesse com que continuasse por lá." Segundo Velho, o grande impacto da crise externa, por ora, pode ser até benéfico para a inflação: a desvalorização no preço das commodities. "Isso sim é um fator que ajuda a reforçar a alta de 0,75 ponto e não de 1 ponto percentual na taxa Selic." Com a crise da Grécia em perspectiva, Velho destaca alguns fatores que pedem atenção: o fluxo de pagamento de dívidas de curto prazo não só da Grécia, mas de outras economias, pois isso demonstrará capacidade de financiamento desses países. Embora o pacote de ajuda à Grécia tenha tomado forma, só esqueceram de combinar com a população, que continua realizando protestos violentos contra o arrocho necessário para pagar a ajuda externa. Segundo Velho, a questão social tem grande relevância no processo, pois sem aceitação popular não há como o governo levar o plano de resgate adiante.

18 O terceiro ponto é que caso a crise continue piorando, o valor dos títulos gregos vai ficar cada vez mais próximo de zero, aumentando a chance de disseminação da crise pelo sistema financeiro. Então, diz o economista, é importante que o Banco Central Europeu (BCE) e os governos comecem a pensar em um modelo de recompra de títulos a um preço que não leve os bancos à falência. Já o diretor e economista-sênior do Wells Fargo Securities, Eugenio J. Alemán, acredita que se a Grécia continuar buscando soluções como membro da zona do euro, não haverá um encaminhamento fácil. Não porque não seja possível, mas em função do custo social e político. "Meu melhor palpite é que, no final, a Grécia terá que considerar a alternativa de deixar a zona do euro, algo que ninguém parece recomendar." Se isso ocorre será um grande choque e mais dúvidas sobre o futuro do euro. Eduardo Campos é repórter O Estado de S.Paulo - 10/05/2010 Europa, jogo difícil e com o segundo time Carlos Alberto Sardenberg Coloque-se na posição de um contribuinte alemão, chamado a tirar dinheiro do bolso e emprestar para o governo grego rolar suas dívidas - dívidas essas, como dizem líderes políticos e a mídia, construídas à base de benefícios salariais ao funcionalismo (bônus de Páscoa, Natal e verão) e aposentadorias precoces e generosas. Acrescente a isso que a chefe do governo alemão, Angela Merkel, responsabilizou a "perfídia" dos bancos pela crise de confiança que se espalhou pelo mercado financeiro. Ora, se a culpa é dos gregos que torraram uma grana e dos bancos especuladores que se aproveitam da situação, por que diabos o contribuinte alemão tem de pagar parte da conta? Coloque-se, agora, na posição de um cidadão grego. Quando estava usufruindo da vida boa, com a entrada no euro, quando o governo conseguia empréstimos abundantes e a juros bem baixinhos - afinal, o país estava na mesma moeda dos alemães! -, os líderes políticos pediram votos dizendo que tudo aquilo resultava de sua sabedoria e habilidade. Quando aparecem os sinais de crise - a desconfiança de que o país não poderia pagar suas dívidas -, os líderes políticos primeiro mentiram sobre as contas e, depois, puseram a culpa na especulação criminosa dos bancos. Passam-se algumas semanas e o governo anuncia que, infelizmente, a conta terá de ser paga com uma vida mais apertada para todos os gregos. Ou isso ou a destruição do país. Ora, onde está a verdade? Na denúncia da especulação ou na ameaça de fim do mundo? Tudo considerado, por que trabalhadores e aposentados topariam um programa que corta os salários e benefícios deles, e não os ganhos dos banqueiros? A Espanha foi pelo mesmo caminho. O primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero também denunciou os especuladores pelos rumores segundo os quais o governo de Madri

19 estaria negociando (ou precisaria negociar) um pacote de ajuda financeira com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Europeia - circunstância que levou a um aumento nas taxas de juros cobradas do governo espanhol. É claro que há especulação. Coloque-se na posição de um investidor que tem dinheiro aplicado num fundo cuja carteira contém títulos do governo espanhol. Até aqui, títulos muito seguros, tão seguros que pagavam juros bem baixinhos. Mas aí aparece essa história da Grécia, cujo governo anuncia não ter dinheiro para pagar prestações da dívida que vencem em 19 de maio. Daí, é inevitável dar uma olhada nas contas dos outros governos - e a visão não é confortável. O governo espanhol tem uma dívida acumulada de US$ 1,5 trilhão, o que equivale a mais ou menos a totalidade do seu Produto Interno Bruto (PIB). O déficit do orçamento público anual está entre 11% e 12% do PIB, bem acima do limite de prudência (3%) e parecido com o da... Grécia. Ok, a economia espanhola é mais de quatro vezes maior que a economia da Grécia, sua capacidade de produzir e gerar recursos é muito maior, tem um sistema financeiro maior e é capaz de financiar os setores público e privado, mas... a Espanha tem dificuldades estruturais para recuperar o crescimento e, afinal, quase toda a Europa está soterrada sob uma montanha de dívida pública. O que leva ao outro lado da história, a situação dos bancos. Considerem os bancos alemães, aqueles da perfídia. Eles compraram títulos do governo espanhol no valor atual de US$ 300 bilhões. Para Portugal, emprestaram outros US$ 60 bilhões. Para o setor público grego foram US$ 58 bilhões. Isso vale para todos os bancos europeus, todos pendurados nas chamadas "dívidas soberanas". Pode-se até especular se os bancos não teriam sido imprudentes em financiar tanto papel público. Provavelmente, foram irresponsáveis em emprestar mais do que podiam, mas ninguém reclamou disso quando os governos se financiavam alegremente e faziam suas bondades. Agora, todos especulam sobre a capacidade de diversos governos continuarem pagando suas contas em dia, sobre a capacidade dos bancos credores de suportarem eventuais perdas e sobre a capacidade dos governos e das instituições internacionais (União Europeia, FMI, Banco Central Europeu) em administrarem a crise. Eis o ponto: só há especulação porque os governos apresentam contas problemáticas e porque a Europa exibe baixa capacidade de crescimento. Quando o mundo estava crescendo, no início deste século, a Europa conseguiu expansão do PIB da zona do euro de 2,5% ao ano, em média. Mas, reparem, o mundo estava crescendo a 5%. Na recessão de 2008/2009, os países da zona do euro, entre os mais ricos, só tiveram desempenho melhor que o sempre estagnado Japão. E são também os mais lentos na recuperação. Ou seja, são três problemas aí: curar as feridas da recessão, administrar a situação das combalidas finanças públicas e fazer reformas estruturais que abram espaço para mais crescimento.

20 Para isso, a Europa precisa de líderes políticos que façam algo mais do que atacar especuladores. Basta dar uma olhada para verificar: a Europa, atualmente, está sendo dirigida pelo segundo time. Dizem que a ocasião faz os heróis. Ainda há tempo, a situação dos outros países é muito menos dramática do que a da Grécia e o pacote grego foi uma boa medida, mas também é verdade que já perderam muito tempo O Estado de S.Paulo - 09/05/2010 Cobertura para a folia Celso Ming O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, tem fama de durão, mas sabe-se lá até quando vai resistir às pressões crescentes, do mercado e dos governos, para que ordene a recompra de títulos públicos que hoje estão na carteira dos bancos. A justificativa é a de que os grandes bancos voltaram a estancar o crédito uns aos outros porque temem que o calote soberano possa quebrá-los. E essa atitude, por sua vez, está trazendo de volta a trombose no crédito que vai paralisando a economia. As dificuldades para refinanciar os US$ 143 bilhões da dívida grega comprovam a secura do mercado de crédito. Os números variam, mas hoje se calcula que os bancos carreguem US$ 1,3 trilhão em títulos públicos emitidos por Grécia, Espanha e Portugal. O argumento em favor da grande operação de resgate de títulos por parte do BCE, se algum ensinamento ficou da primeira etapa dessa crise, é o de que os bancos centrais não podem ficar à espera de que a mão invisível se encarregue do ajuste. Esparramar dinheiro por meio da recompra de títulos, sem olhar muito para sua qualidade, foi a decisão correta do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) durante a crise de 2009, que encheu seu balanço com US$ 1,3 trilhão em títulos podres e com outros US$ 300 bilhões em títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Se assim foi e se assim se salvou a economia americana, por que o BCE não vai pelo mesmo caminho? Uma das objeções é técnica. A partir do momento em que o BCE passasse a recomprar títulos soberanos e, em contrapartida, injetasse dinheiro na economia, estaria infringindo duas regras de ouro da política monetária. Em primeiro lugar, emitiria moeda e, assim, contribuiria para o que pudesse vir a ser um grave surto inflacionário. Em segundo lugar, daria cobertura para a irresponsabilidade fiscal dos governos da área do euro. Enfim, essa poderia ser considerada uma operação de empréstimo de última instância para desmandos orçamentários desses governos. Esse segundo ponto merece mais análise. Boa parte desses títulos é o resultado do desrespeito das regras da União Monetária Europeia. Os governos gastaram muito além do déficit tolerado, de 3% do PIB, e se endividaram muito além do limite dos 60% do PIB, como está no Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC). Se recomprasse esses títulos, o BCE se apresentaria como financiador da folia fiscal. Como ficou dito, o Fed fez quase a mesma coisa quando, em 2009, se comprometeu a recomprar até US$ 300 bilhões em T-Bonds e a essa operação chamou de "afrouxamento

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