UNIVERSIDADE DO CONTESTADO MESTRADO EM DESENVOLVIMENTO REGIONAL ADRIANA MORO WIECZORKIEVICZ

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1 UNIVERSIDADE DO CONTESTADO MESTRADO EM DESENVOLVIMENTO REGIONAL ADRIANA MORO WIECZORKIEVICZ INDICADORES DE MORTALIDADE INFANTIL E SUA RELAÇÃO COM A VULNERABILIDADE SOCIAL DAS FAMÍLIAS NOS MUNICÍPIOS DA 25ª SDR DE SC CANOINHAS 2012

2 ADRIANA MORO WIECZORKIEVICZ INDICADORES DE MORTALIDADE INFANTIL E SUA RELAÇÃO COM A VULNERABILIDADE SOCIAL DAS FAMÍLIAS NOS MUNICÍPIOS DA 25ª SDR DE SC Dissertação apresentada para obtenção do título de Mestre em Desenvolvimento Regional, no Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado, sob orientação da professora Dra. Marley Vanice Deschamps. CANOINHAS 2012

3 ADRIANA MORO WIECZORKIEVICZ INDICADORES DE MORTALIDADE INFANTIL E SUA RELAÇÃO COM A VULNERABILIDADE SOCIAL DAS FAMÍLIAS NOS MUNICÍPIOS DA 25ª SDR DE SC Esta dissertação foi submetida ao processo de avaliação pela Banca Examinadora como requisito parcial para a obtenção do Título de: Mestre em Desenvolvimento Regional E aprovado em sua versão final em, atendendo às normas da legislação vigente da Universidade do Contestado (UnC) e Coordenação do Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional. Dra. Maria Luiza Milani BANCA EXAMINADORA: Prof. Dra. Marley Vanice Deschamps (presidente) Prof.ª Dr.ª Dione Lorena Tinti UFPR (membro) Prof. Dr. Armindo José Longhi UnC/Canoinhas (membro)

4 Os motivos pelos quais se dedica um escrito á alguém, na minha opinião podem ser explicados pelos versos de uma das músicas do grupo Chimaruts: Mas te vejo, e sinto o brilho desse olhar; que me acalma e me traz força prá encarar, TUDO [...] Por isso este trabalho é dedicado para: Todas as crianças que já cuidei e aquelas que desejo cuidar... Fabiano, meu companheiro de tudo... A minha família de todos os lados... mesmo que os nomes não sejam citados de um todo... Na força e na fragilidade de minha mãe Clarice; na ingenuidade do coração de criança de meu pai Eraldo; nas diferenças e semelhanças de meus irmãos Mirele e Everton; aos outros irmãos que conquistei...aos filhos postiços que ganhei...crianças maravilhosas que não precisaram sobreviver...porque vivem... Aos amigos de casa... e em especial a Luciana, minha nova e velha amiga... (como aconteceu esta amizade? Tão diferente, mas tão...); Para as Doutoras, queridas professores Kleyde Ventura de Souza e Regina Costenaro [...] Talvez vocês não saibam a diferença que faz uma simples palavra na construção da identidade de um aluno [...]

5 AGRADECIMENTO Em primeiro lugar o meu agradecimento deve ser aos meus queridos alunos, que se fizeram a razão de ser e fazer este mestrado, que impulsionam a busca pelo conhecimento e o melhor jeito de os fazer entender as nuances do cuidado; A minha orientadora Professora Marley, que com paciência e dedicação me fez enxergar muito além do que a minha formação deixava; por ser também uma mulher forte e elegante, a qual admiro demais; À Universidade do Contestado na pessoa de todos os colegas professores e direção, em especial ao coordenador do Curso de Enfermagem Esvaldo, ao professor Daniel do Curso de Educação Física e a bibliotecária Josiane; Aos professores do Programa de Mestrado em desenvolvimento Regional da UnC, em especial a professora Maria Luiza, coordenadora do Curso e a todos os colegas do curso, que no contexto da dificuldade em pensar minha profissão de uma maneira nova, me fizeram uma nova profissional... Ás enfermeiras Andrea e Eliz, amigas, presenças especiais nestes anos de enfermagem ( preciso dizer que ainda me emociono... ); às colegas e amigas de trabalho Talita, Jaqueline e Fran... As pediatras e também amigas Sarah e Matilde, o jeito de olhar o outro, transforma o jeito de olhar a si mesmo. A todos os colegas da Maternidade Dona Catarina Kuss e do Pronto Atendimento Municipal de Mafra. Aos amigos Ademar, Miguel e Mattedi; A todos os outros...

6 ...Preste atenção, Não abra mão dos próprios sonhos... Não tem perdão, não... Não deixe de sonhar, Não deixe de sorrir, Pois não vai encontrar Quem vá sorrir por ti... Chimarruts

7 RESUMO A Mortalidade Infantil (MI) representa um evento lamentável, decorrente, na maioria das vezes, de causas evitáveis, por uma combinação de fatores biológicos, sociais, culturais e de falhas do sistema de saúde, e sua redução tem sido observada em todas as regiões do Brasil. Na 25ª SDR do Estado de Santa Catarina também foram observados avanços em relação à queda das taxas de MI, no entanto, se mantém um diferencial interno importante, derivando daí a relevância desta pesquisa, que teve como objetivo geral estudar os indicadores de mortalidade infantil na 25ª SDR, levantando suas principais causas, e como objetivos específicos, levantar as taxas de mortalidade infantil nos municípios da 25ª SDR no período de 1999 a 2010, relacionando-as com o desempenho econômico dos municípios dessa região, antes e após a descentralização que teve início no ano de 2003; e diferenciar as taxas de mortalidade infantil entre os municípios da 25ª SDR em relação às condições de óbito. A pesquisa partiu das hipóteses de que as causas de mortalidade infantil nesta regional não estão diretamente relacionadas com a nutrição, saneamento básico e habitação e que os diferenciais observados entre os seus municípios estão relacionados tanto a falta de entendimento quanto aos direitos sociais e a falta de informação sobre a rede de acesso aos tratamentos de saúde e ainda, que o processo de descentralização político-administrativo ocorrido no Estado na última década, não trouxe consigo impacto relevante nas taxas de MI observadas naqueles municípios. Os principais resultados obtidos sugerem que os óbitos de crianças nesta regional têm um importante componente neonatal, e tanto neste como nos óbitos pós-neonatais as causas são discretas, como a falta de acompanhamento no pós-parto, dificuldades no entendimento dos cuidados com os filhos, dificuldade de acesso as redes de saúde de alta complexidade e ainda a distância entre os municípios. Outros eventos, como a baixa escolaridade e a renda não foram significativos para explicar a diferença entre as taxas bem como os problemas com rede de esgoto, desnutrição, entre outros, confirmando a hipótese inicial da pesquisa. Os óbitos infantis na 25ª SDR de SC representam um evento lamentável, com uma tendência de manutenção dos índices da mortalidade com componente neonatal precoce, sendo o reflexo de uma política de gestão ainda insuficiente para o desenvolvimento da região e uma importante situação de subnotificação. Palavras chave: Mortalidade. Infância. Desenvolvimento.

8 ABSTRACT The Infantile Mortality (MI) represents a lamentable, current event, most of the time, of avoidable causes, for a combination of biological, social, cultural factors and of flaws of the system of health, and its reduction has been observed in all the areas in Brazil. In the 25th SDR in the State of Santa Catarina progresses were also observed in relation to the fall of the rates of MI, however, it stays an important internal differential, deriving of there the relevance of this research, that had as general objective to study the indicators of infantile mortality in the 25th SDR lifting its main causes, and as specific objectives, to lift the rates of infantile mortality in the towns of 25th SDR in the period from 1999 to 2010, relating those rates before with the economic acting of the towns of that area and after the decentralization that had beginning in the year of 2003 and, to differentiate the rates of infantile mortality among the towns of 25th SDR in relation to the death conditions. The research cracked of the hypotheses that the causes of infantile mortality in this region are not directly related with the nutrition, basic sanitation and habitation and that the differences observed among its towns are so much related the understanding lack with relationship to the social rights and the lack of information on the access net to the treatments of health and still, that the political-administrative decentralization process happened in the State in the last decade, didn't bring an important impact in the rates of MI observed in those towns. The main obtained results suggest that the children's deaths in this regional one has an important neonatal component, and so much in this as in the deaths pos-neonatais the causes are discreet, as the accompaniment lack in the postparturition, difficulties in the understanding of the cares with the children, access difficulty the nets of health of high complexity and still the distance among the municipal districts. Other events, as the low education and the income were not significant to explain the difference among the rates as well as the problems with sewer net, malnutrition, among others, confirming the initial hypothesis of the research. The infantile deaths in the 25th SDR in SC represent a lamentable event, with a tendency of maintenance of the indexes of the mortality with component neonatal precocious, being still the reflex of an insufficient politics administration for the development of the area and an important situation underreporting. Key Words: Mortality. Childhood. Development.

9 LISTA DE FIGURAS Figura 1 Taxa anual de queda da Mortalidade Infantil no mundo Figura 2 Evolução das Taxa Mortalidade Infantil nas Regiões Brasileiras Figura 3 Taxa de Mortalidade Infantil, segundo Macrorregiões de Saúde, Santa Catarina, (por 1000 nascidos vivos)... 62

10 LISTA DE TABELAS Tabela 1 Número de municípios por faixa de habitantes e população total Santa Catarina, Tabela 2 Grau de urbanização proporção de menores de um ano e razão de dependência infantil na 25ª SDR Santa Catarina, Tabela 3 Comparação entre as taxas de MI e nos municípios da 25ª SDR Santa Catarina Tabela 4 Mortalidade Infantil, nascidos vivos e porcentual de MI nos Municípios da 25ª SDR de SC, Estado de Santa Catarina, Região Sul e Brasil referencia SIM-SINASC

11 LISTA DE QUADROS Quadro 1 Características dos óbitos Infantis no município de Itaiópolis no ano de Quadro 2 Características dos óbitos Infantis no Município de Mafra no ano de Quadro 3 Características dos óbitos Infantis no Município de Papanduva no ano de Quadro 4 Características dos óbitos Infantis no Município de Rio Negrinho no ano de Quadro 5 Características dos óbitos Infantis no Município de Monte Castelo no ano de Quadro 6 Características dos óbitos Infantis no Município de São Bento do Sul no ano de

12 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 Distribuição dos componentes da Mortalidade Infantil em Santa Catarina no período de 2001 a (em %) Gráfico 2 Comparação das taxas de MI por triênios ( ) em Santa Catarina e na 25ª SDR Gráfico 3 Comparação das taxas de MI nos município da 25ª SDR em relação ao Estado de SC no triênio e no triênio Gráfico 4 Taxa trienal de Mortalidade Infantil para os municípios da 25ª SDR Santa Catarina, 1999 a 2010 (por mil nascidos vivos) Gráfico 5 Evolução do PIB, em médias trienais, para os municípios da 25ª SDR Santa Catarina, 1999 a 2009 (em milhões de reais) Gráfico 6 Composição da MI por subgrupos de faixas etárias no município de Itaiópolis referência SIM Gráfico 7 Composição da MI por subgrupos de faixas etárias no município de Mafra referência SIM Gráfico 8 Composição da MI por subgrupos de faixas etárias no município de Papanduva referência SIM Gráfico 9 Composição da MI por subgrupos de faixas etárias no município de Rio Negrinho referência SIM Gráfico 10 Composição da MI por subgrupos de faixas etárias no município de Monte Castelo Gráfico 11 Composição da MI por subgrupos de faixas etárias no município de São Bento do Sul Gráfico 12 Composição da MI por subgrupos de faixas etárias no município de Campo Alegre

13 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO REFERENCIAL TEÓRICO O PROCESSO SAÚDE E DOENÇA E AS FACES DO DESENVOLVIMENTO INCURSÕES SOBRE A DIMINUIÇÃO DA MORTALIDADE INFANTIL E SUA RELAÇÃO COM O DESENVOLVIMENTO E OS MODELOS DE GOVERNABILIDADE A TRANSIÇÃO DA MORTALIDADE INFANTIL NO BRASIL E NO MUNDO POLÍTICAS PÚBLICAS SOCIAIS E SEUS PROGRAMAS DIRECIONADOS À SAÚDE INFANTIL VULNERABILIDADE SOCIAL E SEUS REFLEXOS NA MORTALIDADE INFANTIL A CLASSIFICAÇÃO DA MORTALIDADE INFANTIL SEGUNDO O MINISTÉRIO DA SAÚDE E SUAS PRINCIPAIS CAUSAS METODOLOGIA APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS APÊNDICES APÊNDICE A Questionário guia de entrevista sobre mortalidade infantil ANEXOS ANEXO A Dados do número de nascidos vivos e óbitos neonatais no período de 1999 à 2010 na 25ª SDR de Santa Catarina ANEXO B Número de óbitos de crianças no período de 1999 à 2010 por componentes e suas médias trienais nos municípios da 25a SDR de Santa Catarina

14 13 1 INTRODUÇÃO O estudo do processo de desenvolvimento das regiões é uma necessidade premente para a (re)condução do planejamento das ações dos governos, este se apresenta amplo, intrigante e complexo. Apesar disso, os estudos sobre desenvolvimento ainda são insipientes, assim, todas as pesquisas na área que apontam lacunas e soluções para os problemas decorrentes do desenvolvimento ou para chegar a ele, auxiliam na construção de parâmetros confiáveis que precisam ser colocados em pauta nos discursos e nas práticas da sociedade. Isto também ocorre na região do Contestado, onde os diferentes arranjos socioeconômicos, políticos e culturais se exacerbam, sendo uma referência para a criação e instalação de uma nova modalidade de governo no Estado, a política descentralizada. Assim, as Secretarias de Desenvolvimento Regionais (SDRs) instaladas em Santa Catarina têm o objetivo de intervir e transformar a desigualdade e a pobreza, visando a melhoria da qualidade de vida da população (BRANDÃO apud DALLABRIDA, 2010). Estudar as nuances do desenvolvimento regional é uma tarefa árdua que deve ser realizada pelas diferentes interfaces disciplinares, para que cada área de estudo possa colaborar com os conhecimentos pertinentes a sua formação, já que o desenvolvimento se desdobra em questões variadas, não podendo ser foco somente de economistas. O desenvolvimento deve ser assunto a ser discutido de maneira ampla em todos os níveis de ensino, dando condições a toda a sociedade do seu entendimento. Desta forma, dentro do programa de mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado cabem para estudo diferentes focos relacionados ao desenvolvimento e, como importante indicador deste, e de interesse pessoal da pesquisadora, já que como enfermeira pediátrica de formação acompanha várias situações em que as crianças são colocadas em risco, a Mortalidade Infantil é o tema abordado neste trabalho. O conceito de vida/morte em sua dimensão biológica se tornou o fator preponderante na modernidade. A vida da população entendida como recurso humano/material hoje também é tratado sob a égide da produção do consumo. Desta forma, compete ao estado (Razão de Estado) administrar (por meio das políticas públicas) todos os eventos vitais pelos quais passa um ser humano da gestação a sua morte. Assim, mesmo sendo uma prioridade no discurso dos governos, a Mortalidade Infantil ainda representa um evento lamentável,

15 14 principalmente pela perda precoce da possibilidade de vida, decorrente, na maioria das vezes, de causas evitáveis, de uma combinação de fatores biológicos, sociais, culturais e de falhas do sistema de saúde, que precisam ser contempladas com Políticas Públicas de Saúde e um esforço coletivo e individual efetivo, e não somente como intenção de campanha política (OPAS, 2009). Mas de maneira global, quem são as crianças que ainda morrem? Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) (BRASIL, 2008) são consideradas crianças aquelas pessoas compreendidas na faixa etária de zero a doze anos, estas estão em toda parte e precisam ser protegidas, cuidadas e acompanhadas. Nas ruas, nas escolas, nas praças, nas praias (PRIORE, 2000, p. 7). O seu destino é variado, não há como prever. Há aquelas que estudam, as que cheiram cola, as que brincam, as que roubam. Há as que são amadas e outras que são usadas. Pensando em melhora da qualidade de vida no âmbito das crianças, proporcionado pela redução das condições que levam a mortalidade precoce, é importante considerar que o mundo infantil atual em muitos aspectos continua a reproduzir o pragmatismo de como era a infância no passado. Priore (2000, p. 8) indaga: Qual o lugar da criança na sociedade? Numa sociedade desigual e vincada por transformações culturais, teremos tratado nossas crianças de forma igual?. Assim, é preciso se inserir nesta discussão minimamente refletindo a vulnerabilidade infantil, os ensaios e programas para a diminuição da mortalidade na infância, o acompanhamento dessas crianças que não morreram, sempre partindo do que historicamente este tema apresenta. Apesar de todos os percalços vivenciados pelas crianças e suas famílias para a sobrevivência, o direito a vida é assegurado pela constituição brasileira. O Estado de certa forma intervém no processo de nascimento, crescimento e desenvolvimento infantis. Nesse sentido, a mortalidade infantil tem sido considerada, historicamente, um dos problemas mundiais mais graves, e sua redução um indicativo de melhoria da qualidade de vida das pessoas e de desenvolvimento. Desde os primórdios, com a evolução das espécies e a sobrevivência dos mais fortes, já podiam ser vistos indicativos do que poderia reduzir os riscos para que a mortalidade acontecesse na infância - uma melhor alimentação, acesso à água sem contaminação e cuidados de saúde. Segundo IBGE (1999) existem evidências muito fortes de que o processo de transição da mortalidade de altos para baixos níveis e o consequente aumento na

16 15 esperança de vida ao nascer, tenha sido um fenômeno mundial após a Segunda Guerra. Também aponta que a transição se deve em partes a revolução da saúde pública após os anos de Segundo Macinko, Guanai e Marinho apud Almeida e Szwarcwld (2012) a década de 1990 teve importante avanço no que diz respeito à redução da Mortalidade Infantil no Brasil, em decorrência a forte expansão dos cuidados primários de saúde por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) e dos Programas de Agentes Comunitárias da Saúde e Programa Saúde da Família (PSF). Já no século XXI, ano 2000, reconhecendo a gravidade que representa a mortalidade infantil, e a relação direta que o desenvolvimento deveria ter nas quedas desses níveis, e o impacto desses indicadores nas relações entre os países, 191 chefes de Estados do Mundo firmaram metas para serem atingidas até o ano de Estas metas refletem, na verdade, consensos acerca de objetivos que devem ser atingidos na busca do desenvolvimento das nações (OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO, ODM, 2007). Nesta declaração em que consta os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, ficou estabelecido aquilo que se pretende alcançar no ano de 2015: que 500 milhões de pessoas no mundo saiam da linha da pobreza extrema, mais de 300 milhões de pessoas não passem mais fome e que 30 milhões de crianças deixem de morrer antes de completar cinco anos (ODM, 2007). Pensando nesses objetivos, Kim Bolduc (Coordenadora - Residente do Sistema das Nações Unidas no Brasil apud ODM, 2007) questionou se esses planos e ações desenvolvidas melhorariam a vida das pessoas no mundo, porque conforme a Declaração das Nações Unidas sobre o direito ao desenvolvimento, o ser humano deve ser o principal participante e beneficiário de uma política de desenvolvimento. Outra importante pactuação foi realizada na reunião da Comissão Intergestores Tripartite no dia 26 de janeiro de 2006 e aprovado na reunião do Conselho Nacional de Saúde do dia 09 de fevereiro de 2006, chamado de Pacto pela Vida, na qual foram estabelecidas metas para serem alcançadas pelos Estados e Municípios, assim como nos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio. Neste documento o eixo II diz respeito também à redução da mortalidade de crianças, esperando-se para este indicador síntese de desenvolvimento, estimular a sua investigação, visando subsidiar intervenções para este evento (BRASIL, 2007). As taxas de mortalidade infantil (TMI) são calculadas se verificando entre mil crianças nascidas vivas, quantas morreram antes de completar um ano de vida no

17 16 mesmo período. Essas mortes são utilizadas como uma representação, já que existe maior risco de mortalidade nesta etapa da vida. Também é utilizada para facilitar a comparação entre diferentes países ou regiões. O índice considerado aceitável pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 10 mortes para cada mil nascimentos (REDE, 2008). A redução das taxas de Mortalidade Infantil é resultado de intensas campanhas de vacinação, da descoberta de novos medicamentos, da conscientização sobre a importância do pré-natal, de uma assistência adequada à mulher durante este período, acompanhamento cuidadoso das mães em gestação considerada de risco entre outras ações (SILVA et al., 2011). Segundo IBGE (1999) o governo vem pondo em prática suas políticas para diminuir a mortalidade na infância, a principal delas são os programas de distribuição de renda, mas somente isto não basta, deve também priorizar qualificar as equipes médicas e equipar hospitais de regiões carentes, dando condições mínimas de saúde para a população. Legitimamente existe uma enorme distância entre o mundo infantil descrito pelas organizações internacionais, pelas não governamentais ou pelas autoridades e, aquela no qual a criança se encontra cotidianamente imersa: O mundo do qual a criança deveria ser ou ter é diferente daquele onde ela vive, ou na maioria das vezes sobrevive (PRIORE, 2000, p. 8). Priore (2000) cita Nava (19--?) o qual sugere que ser criança num país marcado por diferenças regionais e de condição social tão variada, com falta de acesso de todas as formas, falta de comida e outros, está vinculado a uma identidade dada pela pobreza material e intelectual. Material no que diz respeito à infraestrutura urbana, acessibilidade entre outras condições. Intelectual naquilo que se apreende, principalmente, em se tratando de cuidados, necessidades humanas básicas e cultura. Por isso, pensar em redução da mortalidade infantil como retrato do desenvolvimento, traz a tona outras variáveis que dizem respeito a conceitos de família e sociedade, princípios da educação e da cidadania. A questão central pode não ser nem mesmo o entorno territorial, saneamento, falta de alimento, e sim de outros aspectos que ainda estão obscuros. Rocha (2002, p. 52) aponta: a infância não acontece da mesma forma para todas as crianças e as histórias se diversificam a cada experiência. Por isso, o desenvolvimento de uma região, apesar de estar associado à qualidade de vida, pode ou não ser condição sine qua non para a redução da mortalidade infantil, já que em estudos anteriores podemos observar que

18 17 em momentos de crise econômica, o Brasil conseguiu ter redução da mortalidade (IBGE, 1999). É possível então que países em desenvolvimento, até mesmo aqueles muito pobres ainda consigam reduzir seus índices de mortalidade com boa qualidade de vida? Isto pode acontecer dependendo da maneira diferenciada da organização de seu capital humano? Outras influências como a cultura e a religião podem ser evidenciáveis na redução da mortalidade infantil? Cabe ressaltar que os mais baixos níveis de mortalidade infantil são encontrados em países desenvolvidos. Nos países em desenvolvimento, os índices se encontram em queda por ainda se apresentarem em níveis elevados, havendo, portanto, margem para que essa redução se efetive. Por outro lado, nos Países desenvolvidos a margem de queda é menor, justamente por se encontrarem em patamares bastante reduzidos de mortalidade infantil. Assim, países em desenvolvimento, como o Brasil, segundo Rede (2008) invariavelmente possuem taxas de mortalidade infantil maiores que os desenvolvidos. O Brasil ocupava a posição de número 91 entre 196 países do mundo no ranking de mortalidade, com uma taxa de 47,1 óbitos por nascidos vivos em 1999 e 19 mortes por 1000 nascidos vivos no ano de 2008 (PINHEIRO; PERES; D ORSI, 2010) e em 2011 passou a ocupar a posição número 90 no ranking. Entre os países que apresentam uma maior mortalidade de crianças, está no topo da lista o Afeganistão, são 165 mortes em mil nascidos. Entre os países nos quais menos morrem crianças, há San Marino, Cingapura, Islândia, Liechtenstein, Luxemburgo e Suécia. Nestes países acontecem, em média uma ou duas mortes em mil por ano (BRASIL, 2012). Apesar de o Brasil apresentar melhoras nos indicadores de mortalidade infantil devido a uma melhor nutrição e a melhorias na saúde infantil, não se pode negar que a maior contribuição vem dos programas de distribuição de renda. Estes têm desempenhado um papel fundamental no processo de inclusão econômica e social de parcela da população brasileira menos favorecida (ODM, 2007). Mesmo assim, ainda é chocante pensar que, em um país com um dos melhores Produtos Internos Brutos do mundo - PIB (10ª posição, segundo IBGE, 2007), a posição no ranking de mortalidade ainda seja tão ruim. Em relação a este aspecto, o mais indignante ainda é saber que essas mortes ocorrem na sua maioria por causas primitivas, evitáveis, como a diarreia (DIMENSTEIN, 2011, p. 61):

19 18 A ONU estima que 1,8 milhões de crianças morrem de diarréia por ano no mundo. São 1,8 milhões de vidas que poderiam ser poupadas com medidas simples, como o acesso da população a água encanada e sistema de esgoto. No mundo, são 2,5 bilhões de pessoas que não possuem esgoto. No cenário atual, o acesso à assistência a saúde é um dos principais componentes para a redução das taxas de mortalidade infantil no Brasil, todavia, ainda há desigualdades entre as regiões do país. Mesmo tendo uma importante queda nas taxas de mortalidade infantil, a Região Norte é a mais preocupante. Já a Região Sul, mantém suas taxas em declínio contínuo e lento. O Estado de Santa Catarina apresentou em 2010 uma taxa de 10,5% em relação à mortalidade infantil, enquanto o Brasil manteve sua taxa geral em 19,9%. Esses dados denotariam um relevante sucesso do Estado de Santa Catarina, o qual se diferencia dentro do país, todavia, nem todos os indicadores atestam que o mesmo realmente tem os seus problemas de desigualdade ou pobreza resolvidos. No ano 2000, 16,2% dos habitantes de Santa Catarina estavam abaixo da linha da pobreza, não usufruindo os benefícios gerados de seu desenvolvimento, refletidos em seus índices. Silva e Panhoca (2007) afirmam que 24,6% das crianças residentes no Estado vivem abaixo da linha da pobreza. Embora alguns indicadores de vulnerabilidade mostrem valores altos na determinação do Índice de Desenvolvimento Humano de algumas regiões do Estado, este, quando desmembrado em grupos de municípios, faz transparecer desigualdades significativas. Essas desigualdades entre os municípios de um mesmo estado, ou até mesmo de uma mesma região, denotam aspectos históricos e políticos de desenvolvimento. Segundo Santos (2004, p. 107) Santa Catarina é um verdadeiro mosaico étnico. A população é diversificada, sendo que de uma cidade para outra, pode-se perceber diferenças marcantes. O Estado de Santa Catarina costuma ser reconhecido como tendo menos desigualdade social e econômica em seus municípios em relação aos outros estados do país, o que seria um estado com pouca ou nenhuma pobreza, ou seja, não revelaria regiões extremamente atrasadas em detrimento de outras muito desenvolvidas (TAVARES; JÚNIOR, 2009). De maneira geral, o estado tem tentado diminuir as desigualdades, e com a descentralização político-administrativa ocorrida a partir de 2003, existe uma impressão que sugere a sensação de maior presença governamental nas regiões (BIRKNER; TOMIO, 2008). Apesar dessa generalizada autonomia, pequenos

20 19 municípios, devido à incapacidade de recolher recursos fiscais suficientes e organizar uma governança capacitada, são muitas vezes incapazes de exercer plenamente essa autonomia (BICKNER, 2011). Para melhorar os índices gerais do Estado, a busca de medidas em relação à melhora da saúde da população e uma atividade central em saúde pública é fundamental para reduzir as desigualdades, neste montante, o principal indicador de qualidade de vida inicia com o registro sistemático de dados de mortalidade e de sobrevivência. Segundo Rede (2008), os indicadores de saúde foram desenvolvidos para assegurar um controle sobre ações desenvolvidas e facilitar a quantificação e avaliação das informações produzidas. São medidas-sintese que contêm informações relevantes sobre determinados atributos e dimensões do estado de saúde, bem como do desempenho do sistema de saúde. A região Sul do país já apresenta índices bastante satisfatórios em relação à Mortalidade Infantil. Preterivelmente no estado de Santa Catarina, o risco de morrer antes de completar um ano de vida na última década foi reduzido em quase um terço (28,5%), sendo que no ano 2000 a taxa aproximada de mortalidade infantil era de 15,8% e em 2010 foi de 10,5%. A maior redução (40,8%) ocorreu na mortalidade pós-neonatal (28 á 364 dias) (DATASUS, 2011). Assim, levando em consideração a quarta meta dos objetivos de desenvolvimento do Milênio, no que concerne à redução da mortalidade infantil, uma importante estratégia é a adoção das políticas públicas de saúde que comprovadamente possam reduzir o risco de morte, principalmente por causas evitáveis. Os estados e municípios devem, além de pactuar, buscar a realização de ações que considerem necessárias ao alcance das metas e objetivos gerais propostos. No caso da mortalidade infantil, foi pactuado em todo o Brasil que entre os anos de 2010/2011 a redução deveria ser de 2,4% no geral para este período em relação ao anterior, 2008/2009. Todavia a queda ficou em 0,9%. Por isso, o incentivo e execução de estratégias para melhorar a Saúde Integral da Criança deve ser foco principal dos gestores em todos os municípios. Segundo Frota et al. (2010) em 2010, o Mistério da Saúde publicou que o Brasil mantém queda sustentada de mortalidade infantil no período de 1990 a 2008: Entre 1990 e 2008, a mortalidade neonatal caiu 36% (a quantidade de óbitos baixou de para ). No mesmo período, a mortalidade infantil geral (de 0 até 12 meses de vida) teve redução de 54%: o número de

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