Brasil. Valores de IDH e mudanças de classificação no Relatório de Desenvolvimento Humano 2011

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1 Relatório de Desenvolvimento Humano 2011 Sustentabilidade e igualdade: Um futuro melhor para todos Nota explicativa sobre os índices compostos do IDH 2011 Brasil Valores de IDH e mudanças de classificação no Relatório de Desenvolvimento Humano 2011 Introdução O Relatório de Desenvolvimento Humano 2011 apresenta valores e classificações do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) 2011 para 187 países e territórios reconhecidos pela ONU, junto com o IDH ajustado à desigualdade para 134 países, o Índice de Desigualdade de Gênero para 146 países e o Índice de Pobreza Multidimensional para 109 países. As classificações e valores dos países no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) anual são mantidos sob um embargo rígido até o lançamento global e a liberação eletrônica mundial do Relatório de Desenvolvimento Humano. O Relatório 2011 será lançado globalmente em novembro de É enganoso comparar valores e classificações com os de relatórios publicados anteriormente, pois os dados e métodos subjacentes mudaram, bem como a quantidade de países incluídos no IDH. Os 187 países classificados no IDH 2011 representam um aumento significativo em relação aos 169 países incluídos no Índice de 2010, quando os indicadores-chaves de muitos países estavam indisponíveis. Recomenda-se que os leitores do Relatório avaliem o progresso nos valores do IDH consultando a Tabela 2 ("Tendências do Índice de Desenvolvimento Humano") no Anexo Estatístico do relatório. A Tabela 2 tem como base indicadores, metodologia e dados em séries temporais consistentes e, por isso, mostra as alterações reais dos valores e classificações no decorrer do tempo, refletindo o progresso verdadeiro feito pelos países. Para outros detalhes sobre como cada índice é calculado, consulte as Notas Técnicas 1-4 no Relatório 2011 e os documentos de referência associados, disponíveis no website do Relatório de Desenvolvimento Humano. Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) O IDH é uma medida resumida para avaliar o progresso a longo prazo em três dimensões básicas do desenvolvimento humano: uma vida longa e saudável, acesso ao conhecimento e um padrão decente de vida. Como no IDH 2010 uma vida longa e saudável é medida pela expectativa de vida, o acesso ao conhecimento é medido por: i) média de anos de educação de adultos, que é o número médio de anos de educação recebidos durante a vida por pessoas a partir de 25 anos; e ii) a expectativa de anos de escolaridade para crianças na idade de iniciar a vida escolar, que é o número total de anos de escolaridade que um criança na idade de iniciar a vida escolar pode esperar receber se os padrões prevalecentes de taxas de matrículas específicas por idade permanecerem os mesmos durante a vida da 1

2 criança. O padrão de vida é medido pela Renda Nacional Bruta (RNB) per capita expressa em PPP$ 2005 constante. A fim de garantir o máximo possível de comparabilidade entre países, o IDH se baseia principalmente em dados internacionais da Divisão de População da ONU, do Instituto de Estatística da UNESCO e do Banco Mundial. Como afirma a introdução, os valores e classificações do IDH no relatório deste ano não são comparáveis aos dos relatórios passados (inclusive ao IDH 2010) por causa de diversas revisões feitas nos indicadores componentes pelas agências encarregadas. Para permitir a avaliação do progresso nos IDHs, o relatório de 2011 inclui IDHs recalculados de 1980 a Valor e classificação do Brasil no IDH O valor do IDH para o Brasil para 2011 é 0,718 na categoria de desenvolvimento humano alto colocando o país na posição 84 dentre 187 países e territórios. Entre 1980 e 2011, o valor do IDH do Brasil aumentou de 0,549 para 0.718, um aumento de 31,0% ou um aumento anual médio de cerca de 0,9%. A classificação do IDH do Brasil para 2010 com base em dados disponíveis em 2011 e métodos usados em 2011 é 85 dentre 187 países. No IDH 2010, o Brasil obteve a classificação 73, dentre 169 países. No entanto, é enganoso comparar valores e classificações com os de relatórios publicados anteriormente, pois os dados e métodos subjacentes mudaram, bem como a quantidade de países incluídos no IDH. A Tabela A analisa o progresso do Brasil em cada indicador do IDH. Entre 1980 e 2011, a expectativa de vida no nascimento do Brasil aumentou em 11,0 anos, a média de anos de escolaridade aumentou em 4,6 anos e a expectativa de anos de escolaridade diminuiu em 0,4 anos. A RNB per capita aumentou cerca de 39,0% entre 1980 e Tabela A: Tendências de IDH do Brasil de acordo com dados em séries temporais, novos indicadores de componentes e nova metodologia consistentes Expectativa de Expectativa de Média de anos RNB per capita Valor do IDH vida no anos de de escolaridade (PPP$ 2005) nascimento escolaridade ,5 14,1 2, , ,4 14,1 3, , ,3 14,1 3, , ,3 14,1 4, , ,1 14,5 5, , ,6 14,2 6, , ,1 13,8 7, , ,5 13,8 7, ,718 2

3 Índice de Desenvolvimento Humano A Figura 1, abaixo, mostra a contribuição de cada índice componente ao IDH do Brasil desde Figura 1: Tendências dos índices componentes do IDH do Brasil Ano Expectativa de vida Educação RNB per capita IDH Avaliação do progresso em relação a outros países É possível avaliar de forma útil o progresso a longo prazo em relação a outros países tanto em termos de localização geográfica quanto de valor de IDH. Por exemplo, durante o período entre 1980 e 2011, Brasil, Colômbia e Paraguai tiveram graus diferentes de progresso no aumento de seus IDHs (veja a Figura 2). Figura 2: Tendências do IDH do Brasil Ano Brasil Colômbia Paraguai 3

4 O IDH 2011 do Brasil de 0,718 está abaixo da média de 0,741 para países no grupo de desenvolvimento humano alto e abaixo da média de 0,731 para países da América Latina e Caribe. Na América Latina e Caribe, os países próximos ao Brasil na classificação do IDH 2011 e no tamanho da população são o México e a Colômbia, cujas classificações no IDH foram, respectivamente 57 e 87 (veja a Tabela B). Tabela B: Indicadores de IDH do Brasil para 2011 em relação a países e grupos selecionados Valor do Classificação de vida no de anos de anos Expectativa Expectativa Média de IDH de RNB per capita (PPP US$) do IDH nascimento escolaridade escolaridade Brasil 0, ,5 13,8 7, México 0, ,0 13,9 8, Colômbia 0, ,7 13,6 7, América Latina e 0,731 74,4 13,6 7, Caribe IDH alto 0,741 73,1 13,6 8, IDH ajustado à desigualdade (IDH-D) O IDH é uma medida média das conquistas de desenvolvimento humano básico em um país. Como todas as médias, o IDH mascara a desigualdade na distribuição do desenvolvimento humano entre a população no nível de país. O IDH 2010 introduziu o "IDH ajustado à desigualdade (IDH-D)", que leva em consideração a desigualdade em todas as três dimensões do IDH "descontando" o valor médio de cada dimensão de acordo com seu nível de desigualdade. O IDH pode ser visto como um índice de desenvolvimento humano "potencial" e o IDH-D como um índice do desenvolvimento humano real. A "perda" no desenvolvimento humano potencial devido à desigualdade é dada pela diferença entre o IDH e o IDH-D e pode ser expressa por um percentual. (Para mais detalhes, veja a nota técnica 2.) O IDH do Brasil para 2011 é 0,718. No entanto, quando é descontada a desigualdade do valor, o IDH cai para 0,519, uma perda de 27,7% devido à desigualdade na distribuição dos índices de dimensão. O México e a Colômbia mostram perdas devido à desigualdade de 23,5% e 32,5%, respectivamente. A perda média devido à desigualdade para países de IDH alto é de 20,5% e para a América Latina e o Caribe é de 26,1%. Tabela C: IDH-D do Brasil para 2011 em relação a países e grupos selecionados Valor do Perda total IDH-D (%) Perda devido à desigualdade na expectativa de vida no nascimento (%) Perda devido à desigualdade em educação (%) Perda devido à desigualdade em renda (%) Brasil 0,519 27,7 14,4 25,7 40,7 México 0,589 23,5 10,9 21,9 35,6 Colômbia 0,479 32,5 13,7 22,8 53,9 América Latina e Caribe 0,540 26,1 13,4 23,2 39,3 IDH alto 0,590 20,5 12,4 18,9 28,2 Índice de Desigualdade de Gênero (IDG) O Índice de Desigualdade de Gênero (IDG) reflete desigualdades com base no gênero em três dimensões saúde reprodutiva, autonomia e atividade econômica. A saúde reprodutiva é medida pelas taxas de mortalidade materna e de fertilidade entre as adolescentes; a autonomia é medida pela proporção de assentos parlamentares ocupados por cada gênero e a obtenção de educação secundária ou superior por cada gênero; e a atividade econômica é medida pela taxa de participação no mercado de trabalho para cada gênero. O IDG substitui os anteriores Índice de Desenvolvimento relacionado ao Gênero e Índice de Autonomia de Gênero. 4

5 O IDG mostra a perda no desenvolvimento humano devido à desigualdade entre as conquistas femininas e masculinas nas três dimensões do IDG. (Para mais detalhes sobre o IDG, veja a nota técnica 3 no Anexo de Estatísticas.) O Brasil tem um valor de IDG de 0,449, que o coloca na posição 80 dentre 146 países no índice de No Brasil, 9,6% dos assentos parlamentares são ocupados por mulheres e 48,8% das mulheres adultas têm alcançado um nível de educação secundário ou superior, em comparação com 46,3% de suas contrapartes masculinas. Para cada nascidos vivos, 58 mulheres morrem de causas relacionadas à gravidez; e a taxa de fertilidade entre as adolescentes é de 75,6 nascimentos por 1000 nascidos vivos. A participação feminina no mercado de trabalho é de 60,1%, em comparação com 81,9% para os homens. Em comparação, as posições do México e da Colômbia nesse índice foram, respectivamente, 79 e 91. Tabela D: IDG do Brasil para 2011 em relação a países e grupos selecionados Valor do IDG Classificação do IDG Taxa de mortalidade materna Taxa de fertilidade entre adolescentes Assentos femininos no parlamento (%) População com pelo menos a educação secundária (%) Taxa de participação na força de trabalho (%) Mulheres Homens Mulheres Homens Brasil 0, ,6 9,6 48,8 46,3 60,1 81,9 México 0, ,6 25,5 55,8 61,9 43,2 80,6 Colômbia 0, ,3 13,8 48,0 47,6 40,7 77,6 América Latina 0, ,7 18,7 50,5 52,2 51,7 79,9 e Caribe IDH alto 0, ,6 13,5 61,0 64,6 47,8 75,0 Índice de Pobreza Multidimensional (IPM) O IDH 2010 introduziu o Índice de Pobreza Multidimensional (IPM), que identifica privações múltiplas em educação, saúde e padrão de vida nos mesmos domicílios. As dimensões de educação e saúde se baseiam em dois indicadores cada, enquanto a dimensão do padrão de vida se baseia em seis indicadores. Todos os indicadores necessários para elaborar o IPM para um domicílio são obtidos da mesma pesquisa domiciliar. Os indicadores são ponderados e os escores de privação são computados para cada domicílio na pesquisa. Um corte de 33,3%, que equivale a um terço dos indicadores ponderados, é usado para distinguir entre os pobres e os não pobres. Se o escore de privação domiciliar for de 33,3% ou maior, esse domicílio (e todos nele) é multidimensionalmente pobre. Os domicílios com um escore de privação maior que ou igual a 20%, mas menor que 33,3%, são vulneráveis ou estão em risco de se tornarem multidimensionalmente pobres. Os dados da pesquisa mais recente que estavam disponíveis ao público para a estimativa do IPM do Brasil se referem a No Brasil, 2,7% da população sofrem de múltiplas privações, enquanto outros 7,0% estão vulneráveis a privações múltiplas. A amplitude da privação (intensidade) no Brasil, que é o percentual médio de privação vivenciado pelas pessoas na pobreza multidimensional, é de 39,3%. O IPM, que á a parcela da população que é multidimensionalmente pobre, ajustado pela intensidade das privações, é de 0,011. O México e a Colômbia têm IPMs de 0,015 e 0,022, respectivamente. A Tabela E compara a pobreza de renda, medida pelo percentual da população que vive abaixo de PPP US$1,25 por dia, e as privações multidimensionais no Brasil. Ela mostra que a pobreza de renda relata apenas uma parte da história. A contagem de pobreza multidimensional é 1,1 pontos percentuais menor que a pobreza de renda. Isso implica que indivíduos que vivem abaixo da linha da pobreza de renda talvez tenham acesso a recursos de não renda. A Tabela E também mostra o percentual da população do Brasil que vive em pobreza grave (o escore de privação é de 50% ou mais) e que está vulnerável à pobreza (escore de privação entre 20 e 30%). Os números do México e da Colômbia também são mostrados na tabela, para comparação. 5

6 Tabela E: IPM do Brasil para 2011 em relação a países selecionados Valor Contage da privação vulnerável à em pobreza Intensidade População População do IPM m (%) (%) pobreza (%) grave (%) População abaixo da linha de pobreza de renda (%) Brasil 0,011 2,7 39,3 7,0 0,2 3,8 México 0,015 4,0 38,9 5,8 0,5 3,4 Colômbia 0,022 5,4 l40,9 6,4 1,1 16,0 6

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