COMUNICAÇ ÃO NO CENTRO DO PROGRESSO...5 COMUNICAÇ ÃO EM CABO VERDE ESTADO ACTUAL E FUNCIONAMENTO...7

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1 JORGE LIMA DELGADO LOPES MAIO DE 2004

2 I. INTRODUÇ ÃO...4 II. AS NOVAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇ ÃO E COMUNICAÇ ÃO NO CENTRO DO PROGRESSO...5 III. AS NOVAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇ ÃO E COMUNICAÇ ÃO EM CABO VERDE ESTADO ACTUAL E FUNCIONAMENTO...7 III.1. Percurso histórico...7 III.2. Quadro Jurídico e Institucional...9 III.2.1. Ambiente Jurídico...9 III.2.2. Quadro Institucional...13 III.3. As Infra-estruturas...17 III.3.1. Sistema de Cabo Submarino Inter Ilhas III.3.2. Rede Terrestre de Fibra óptica...17 III.3.3. Comunicaçõ es Via Saté lite III.3.4. Capacidade das comunicaçõ es Internacionais Via Cabo Submarino...18 III.4. Política e Estrutura Tarifária III.4.1. Telefone Fixo...21 III.4.2. Telefone Móvel...22 III.4.3. Internet III.4.4. Circuitos Alugados...24 III.4.5. RDIS...24 IV. GOVERNAÇ ÃO E SOCIEDADE DE INFORMAÇ ÃO...25 IV.1 Sociedade de Informação e Cidadania...25 IV.2. A Educação e as NTIC...26 IV.2.1. A situaçã o actual...26 IV.2.2. Iniciativas em fase de implementaçã o...28 IV.3. A Saú de e as NTIC...32 IV.4. Administração Pú blica e Governação Electrónica...33 IV.4.1 A nível das Infra-estruturas IV.4.2. A nível dos conteú dos...38 IV Aplicativos de Gestão IV Aplicativos Específicos IV Pá ginas WEB...45 V. O ACESSO DAS POPULAÇ ÕES ÀS NTIC...48 V.1. As ofertas no domínio das NTIC...48 V.1.1. Telefone Fixo V.1.2. Telefone Móvel...54 V.1.3. Internet...57 V Aná lise do quadro legal V A evoluçã o do mercado V Base tecnológica

3 V.1.4. Outros Serviços...63 V Aluguer de Circuitos...63 V Rede de Dados...65 V Rede Digital de Integraçã o de Serviços RDIS...65 V.1.5. Aná lise da evoluçã o das Comunicaçõ es telefónicas...65 V.2. Acesso Universal...68 VI. AS NTIC FACTOR DE COESÃ O COM A DIÁSPORA

4 I. Introdução As Novas Tecnologias de Informaçã o e Comunicaçã o (NTIC) constituem hoje o centro da sociedade moderna e do desenvolvimento social e económico. O Governo Cabo Verde, na sua estraté gia de desenvolvimento, atribui papel relevante à sociedade de informaçã o e do conhecimento na melhoria da competitividade da economia cabo-verdiana. Passar de uma sociedade de comunicação social para uma sociedade de informaçã o constitui o desafio maior por ser o epicentro das transformações económicas e sociais do novo milé nio. Ciente do papel indutor que lhe incumbe nesta maté ria, o Governo deu um passo significativo com a criaçã o, pela Resoluçã o nº 15/2003, da Comissão Interministerial para a Inovaçã o e Sociedade de Informaçã o (CIISI) com amplas atribuiçõ es na definição de estraté gias para o advento da sociedade de informaçã o e da «Governação electrónica». À CIISI foi cometido papel preponderante na mobilização de toda a sociedade cabo-verdiana e em particular dos sectores dominantes do desenvolvimento da economia para a construçã o da sociedade de informação atravé s de programas de promoçã o e de incentivo e de medidas e instrumentos diferenciados de actuaçã o em funçã o dos sectores alvo. Nos termos da sua criaçã o, a CIISI tem uma unidade executiva com a designaçã o de Nú cleo Operacional da Sociedade de Informaçã o (NOSI) à qual foi atribuída, como primeira actividade para o lançamento da sociedade de informaçã o e da»e-gov»: A elaboraçã o de um relatório de avaliação sobre o estado das Novas Tecnologias de Informaçã o e Comunicaçã o em Cabo Verde que inclua todas as iniciativas institucionais e outras com impacte no advento da sociedade de informaçã o; Apresentaçã o das linhas de orientaçã o para a definiçã o de um Plano estraté gico da Sociedade de Informaçã o; A realizaçã o de um Fórum Nacional de Reflexão «Parceria para a Sociedade de Informaçã o» É neste quadro que surge o presente relatório que representa um primeiro exercício de conjugaçã o de esforços de várias instituiçõ es pú blicas e privadas envolvidas com o tema e acolhe alguma percepçã o da sociedade civil sobre as perspectivas da sociedade de informaçã o. 4

5 II. As Novas Tecnologias de Informação e Comunicação no centro do Progresso A Sociedade Global de Informaçã o vem suscitando o interesse de todas as naçõ es e particularmente dos países menos desenvolvidos. O desenvolvimento de uma visão universal e de uma compreensão comum da Sociedade de Informaçã o esteve no centro de todas as Conferências Regionais preparatórias da Cimeira Mundial da Sociedade de Informaçã o realizada em Dezembro de 2003 em Geneve. A Comunidade Internacional, atravé s das suas organizaçõ es mais representativas, nomeadamente a ONU, encontra-se empenhada na criaçã o dos mecanismos para colocar as profundas alteraçõ e s que as novas tecnologias de informaçã o estão a provocar em todos os domínios da actividade humana, ao serviço do desenvolvimento humano, na luta contra o fosso digital mas també m contra o fosso social e na preservaçã o das culturas nacionais. Na primeira fase da Cimeira Mundial sobre a Sociedade de Informaçã o, realizada em Gené ve, em Dezembro de 2003, os países da comunidade internacional adoptaram uma Declaraçã o de Princípios e aprovaram um Plano de Acçã o para a Construçã o da Sociedade de Informaçã o - o Desafio Global do Novo Milé nio. Estes poderosos instrumentos visam a construçã o de um novo modelo de sociedade, a Sociedade de Informaçã o, que tem como premissas os princípios que enformam a Carta das Naçõ es Unidas e a Declaraçã o Universal dos Direitos Humanos, e na qual as novas tecnologias, em particular as tecnologias de informaçã o e comunicaçã o (TIC s), se transformam no instrumento essencial, acessível a todos, para a consecuçã o de um mundo mais pacífico, próspero e justo, baseado na nossa humanidade comum com todas as suas diversidades. A comunidade internacional mostrou-se já convencida de que a revoluçã o da informaçã o e das comunicaçõ es ainda vai no á trio e que o potencial das TIC s para aumentar a produtividade e a qualidade de vida é um sério desafio para todos, particularmente para a maioria dos povos do mundo vivendo em países em desenvolvimento ou com economias em transiçã o, que correm o risco de ficar para trá s e de serem marginalizados. Diante de tão complexo e envolvente desafio, os Governos, o sector privado e a sociedade civil são chamados a desenvolver novas formas de solidariedade e cooperaçã o e a assumir responsabilidades renovadas. A comunicaçã o é entendida hoje como a base da existência individual e societal e como tal deve ser gerida por forma a assegurar o desenvolvimento justo, equilibrado e harmonioso da humanidade com 5

6 particular atençã o às aspiraçõ es legítimas das camadas menos favorecidas da sociedade. Existe hoje em Cabo Verde uma nova visão, cada vez mais consensualizada e partilhada, da Sociedade de Informaçã o, onde todas as pessoas, sem qualquer espé cie de distinção, possam exercer o direito de liberdade de opinião e de expressão, incluindo a liberdade de procurar, receber e transmitir informaçõ es e ideias atravé s dos novos meios de comunicaçã o sem quaisquer restriçõ es fronteiriças. A Sociedade de Informaçã o tem um papel preponderante na promoçã o do desenvolvimento sustentá vel da democracia, da transparência, da «accountability» e da boa governaçã o. A potencializaçã o das novas oportunidades criadas pelas tecnologias de informaçã o e comunicaçã o e a sua combinaçã o com os «midia» tradicionais bem como a resposta adequada aos desafios do fosso digital, constituem elementos importantes da estraté gia nacional de desenvolvimento, visando os objectivos de desenvolvimento fixados pela Declaraçã o do Milé nio. A visão comum da Sociedade de Informaçã o assenta nalguns princípios já universais e que partilhamos, de que se destacam: Assegurar o acesso às informações a informaçã o ú til deve ser do domínio público e de fácil acesso para as organizaçõ es e para a sociedade por ser a base de processos decisórios funcionais e tranparentes e constituirem o requisito mínimo da democracia. As tecnologias de informaçã o têm o potencial não só de incrementar a eficiência das prestaçõ es públicas como de envolver os cidadãos na formulaçã o de políticas governamentais; Minimizar as diferenç as sócio-económicas a sociedade de informaçã o será orientada para a reduçã o das diferenças sócioeconómicas existentes na nossa sociedade, afastando a emergência de novas formas de exclusão e tornando-se numa força positiva para a reduçã o das disparidades dentro e entre os países. A Promoção do Acesso Universal a custos módicos o desenvolvimento das infra-estruturas e a promoçã o da conectividade são de importância capital e devem ser assumidos pela parceria dos sectores publico e privado. Centros comunitá rios de acesso e serviços pú blicos serão meios efectivos na promoçã o do acesso universal em á reas remotas e em particular no meio rural. Desenvolvimento da capacidade humana pela educaç ã o e formação é importante o desenvolvimento de estraté gias avançadas de educaçã o, para que as pessoas possam ter as principais ferramentas para procurar o conhecimento e participar de forma activa na sociedade de informaçã o. O incremento do ensino à distância é um factor decisivo no desenvolvimento da educaçã o. 6

7 Criação de ambiente propício ao desenvolvimento das TIC A maximizaçã o dos benefícios económicos e sociais da Sociedade de Informaçã o passa pela criaçã o de um ambiente de confiança e transparente, com medidas legais de regulaçã o, capaz de promover a inovaçã o e a competiçã o tecnológicas, de facilitar os investimentos necessá rios, principalmente do sector privado, que visem o desenvolvimento de novos serviços. Inclusã o e «Empowerment» - são as características e os principais objectivos da Sociedade de Informaçã o. Nesta perspectiva, atençã o especial será dada a grupos marginalizados e vulnerá veis da sociedade e grupos com necessidades especiais. As recentes medidas políticas assumidas pelo Governo com vista ao desenvolvimento da sociedade de informaçã o inserem-se nesta visão universal e partilhada por Cabo Verde de construçã o deste novo modelo de sociedade em que a potencialidade das tecnologias de informaçã o permite reforçar e assegurar todas as categorias de direito dos cidadãos consagrados na constiuiçã o da Repú blica. III. As Novas Tecnologias de Informação e Comunicação em Cabo Verde estado actual e funcionamento III.1. Percurso histórico Com a conquista da independência nacional em 1975, Cabo Verde procurou criar as condiçõ es para o funcionamento autónomo dos serviços dos correios e telecomunicaçõ es, atravé s da substituiçã o, por acordos específicos com Portugal, da Companhia Portuguesa Rádio Marconi por uma empresa nacional de Correios e Telecomunicaçõ es. Nessa é poca, essas medidas já visavam a criaçã o de recursos e estruturas próprias para a progressiva integraçã o de Cabo Verde no mundo e para facilitar a ligaçã o com a diá spora. Foi nesse quadro que surgiu a empresa pública dos Correios e Telecomunicaçõ es - CTT, EP, tutelada pelo departamento do Estado que se ocupava das comunicaçõ es. Tratando-se de uma empresa pú blica a operar em regime de exclusividade e não se colocando, na é poca, de forma contundente, a problemá tica da regulaçã o, as funçõ es de prestaçã o de serviços e de administraçã o política do sector se confundiam, por razões diversas, devido, nomeadamente, à insuficiência de recursos. O desenvolvimento e a prestaçã o dos serviços dos correios e telecomunicaçõ es estiveram a cargo da CTT EP até ao ano de 1995, 7

8 com a publicaçã o do Decreto-Lei nº 9-A/95, de 16 de Fevereiro, que procedeu à cisão-dissoluçã o da Empresa Pública dos Correios e Telecomunicaçõ es em duas sociedades anónimas, denominadas, respectivamente, Cabo Verde Telecom, SARL, (CVT) vocacionada para a exploraçã o dos serviços de telecomunicaçõ es e Correios de Cabo Verde, SARL, (CCV) cujo objecto é reconduzido à exploraçã o do serviço pú blico dos correios. Pelo Decreto-Lei nº 33/95, de 20 de Junho, o Governo adopta a medida legislativa com vista à privatizaçã o da Cabo Verde Telecom e fixa as grandes linhas do processo. O diploma aprovou a privatizaçã o de 65% do capital social da Cabo Verde Telecom, SARL, sendo que, numa primeira fase, 40% seriam reservados a um parceiro estraté gico e, numa segunda fase, seria realizada uma oferta pú blica de subscriçã o dos restantes 25%, sendo 5% reservado aos trabalhadores da CVT e dos CCV, 5% a emigrantes e 15% ao pú blico nacional. A Resoluçã o nº 66/95 de 27 de Junho aprova a regulamentaçã o do concurso internacional relativo à alienaçã o de um bloco indivisível de acçõ es, correspondente a 40% do capital social da CVT, juntamente com o caderno de encargos para o respectivo concurso internacional. Anexa à referida Resoluçã o foi igualmente aprovada uma Nota Informativa destinada a transmitir aos potenciais concorrentes uma sú mula das bases da concessão de exploraçã o do serviço pú blico de telecomunicaçõ es. De acordo com disposiçõ es do referido Decreto-Lei nº 33/95 que aprova a privatizaçã o, o Governo designou, atravé s da Resoluçã o nº 84/95, de 4 de Setembro, um Jú ri para conduzir e avaliar o processo do concurso da privatizaçã o da CVT. A homologaçã o da decisão do Júri sobre a escolha da Portugal Telecom SA, para adquirir as acçõ es postas a concurso foi tomada pela Resoluçã o nº 100/95 de 21 de Novembro. O contrato de Compra e Venda das referidas acçõ es foi assinado em Dezembro de Por razões alegadamente de interesse pú blico, o processo da alienaçã o das restantes acçõ es aos respectivos destinatá rios teve lugar depois da venda ao parceiro estraté gico. O processo culminou com a assinatura de um Contrato de Concessão do Serviço Público de Telecomunicaçõ es entre o Estado de Cabo Verde e a Cabo Verde Telecom. A estrutura accionista da empresa sofreu algumas alteraçõ es ao longo destes anos, tendo, no presente, a seguinte composiçã o: Portugal Telecom SGPS, 40,0%; Instituto Nacional da Previdência Social 8

9 (INPS) 37,9%; Privados Nacionais 13,7%; Trabalhadores da CVT e CCV, 5,0%; Estado de Cabo Verde 3,4%. O Diploma da decisão da privatizaçã o da CVT consagra o estatuto de Golden Share ao Estado, enquanto participado na estrutura accionista da CVT. Está por isso consignado na titularidade do Estado, um conjunto de prerrogativas, seja qual for o nú mero de acçõ es de que seja proprietá rio. Estas prorrogativas são relativas a algumas decisões estatutá rias estraté gicas. Não podem, por exemplo, ser tomadas, contra o voto expresso correspondente às acçõ es do Estado as deliberaçõ es sobre as seguintes maté rias: Alteraçõ es do contrato de sociedade; Fusão, cisão, transformaçã o e dissoluçã o de sociedade; Limitaçã o do direito de preferência dos accionistas; Trespasse da concessão; Outras deliberaçõ es para as quais o contrato de sociedade exija maioria qualificada. III.2. Quadro Jurídico e Institucional III.2.1. Ambiente Jurídico O ambiente legal para o desenvolvimento das Tecnologias de Informaçã o e Comunicaçã o não está ainda suficientemente regulamentado em Cabo Verde. O quadro legal existente está mais configurado para as telecomunicaçõ es que constituem um dos eixos principais das TIC, mas não as absorvem em toda a sua dimensão. O regime básico do estabelecimento, gestão e exploraçã o das infraestruturas e serviços de comunicaçõ es está contido no Decreto-Lei nº 5/94 de 7 de Fevereiro. A aná lise global e geral deste diploma bá sico do sector das comunicaçõ es deixa claro que não engloba suficientemente as Tecnologias de Informaçã o e Comunicaçã o. A lei foi preparada mais na perspectiva de enquadramento do processo de privatizaçõ es do operador histórico das telecomunicaçõ es em Cabo Verde e menos na óptica de estabelecimento das bases para o desenvolvimento das TIC. Aliá s, o conceito das TIC não está entre os nela definidos. O diploma define quem são ou podem ser operadores de comunicaçõ es, quanto à natureza das comunicaçõ es (correios e 9

10 serviços postais e telecomunicaçõ es) e quanto à natureza dos utilizadores (comunicaçõ es pú blicas e comunicaçõ es privadas). Confere um vasto conjunto de atribuiçõ es ao Estado em maté ria de regulamentaçã o, superintendência e fiscalizaçã o das comunicaçõ es, nomeadamente no que concerne a: concessão, licenciamento e autorizaçã o de estabelecimento; gestão do espectro radio-elé ctrico e das posiçõ es orbitais; representaçã o em organizaçõ es internacionais; regulamentaçã o té cnica; definiçã o do regime de preços e tarifas. As atribuiçõ es políticas e regulamentares não são formalmente separadas do domínio operacional, não obstante a retirada do Estado da exploraçã o directa dos serviços concernentes. Coloca, à partida, sérias limitaçõ es à concorrência ao determinar que «o serviç o público de comunicações será explorado em regime de exclusivo, pelo Estado, por pessoa colectiva de direito pú blico ou por pessoa colectiva de direito privado, mediante contrato de concessã o de serviç o.» Pelas modalidades previstas para as telecomunicaçõ es se depreende as restriçõ es da sua abrangência, conclusão a que també m se pode chegar pelo momento da sua publicaçã o relativamente a inovaçõ es tecnológicas que lhe são posteriores. O diploma é determinante na atribuiçã o da exclusividade para o estabelecimento, gestão e exploraçã o das infra-estruturas de telecomunicaçõ es. O regime jurídico das telecomunicaçõ es oferece um espaço de mercado reservado a iniciativas privadas muito circunscrito e com poucas perspectivas de se constituírem negócios competitivos. Esta aná lise decorre da definiçã o de serviço de valor acrescentado e do regime jurídico de acesso e de exercício da actividade de prestaçã o de serviço de telecomunicaçõ es de valor acrescentado. Com efeito, por serviço de valor acrescentado entende-se «os que, tendo como ú nico suporte os serviç os fundamentais ou complementares, não exigem infra-estruturas de telecomunicações próprias e são diferenciá veis em relação aos próprios serviç os que lhes servem de suporte.» Pelo Decreto-Lei nº 72/95 são definidas as regras regulamentadoras do regime do estabelecimento, gestão e exploraçã o das infraestruturas e da prestaçã o de serviços de telecomunicaçõ es complementares. O acesso é feito pela atribuiçã o de licença pelo membro do Governo responsá vel pela á rea das telecomunicaçõ es, com a condiçã o de verificaçã o dos requisitos constantes no diploma e sempre precedido de concurso pú blico. 10

11 Os conceitos e definiçõ es inseridos no diploma que estabelece o regime jurídico das comunicaçõ es são retomados na definiçã o do objecto da concessão do Estado de Cabo Verde à CVT, por um período de 25 anos com possibilidades de renovaçõ es sucessivas por períodos mínimos de 15 anos. Constitui objecto da concessão: O estabelecimento, gestão e exploraçã o em regime de exclusivo das infra-estruturas que constituem a rede básica de telecomunicaçõ es; O estabelecimento, gestão e exploraçã o de infra-estruturas de transporte e difusão de sinal de telecomunicaçõ es de difusão; A prestaçã o dos serviços fundamentais de telecomunicaçõ es serviço fixo de telefone, serviço fixo de telex, serviço fixo comutado de transmissão de dados, serviço de circuitos alugados e outros que vierem a ser considerados de interesse pú blico, mediante condiçõ es a acordar e que constituirão aditamentos ao contrato. São excluídos do objecto de concessão as actividades de radiodifusão sonora e radiotelevisão, tal como definidos em leis e a utilizaçã o de sistemas de telecomunicaçõ es para uso exclusivo das Forças Armadas, da Polícia de Ordem Pública e para o serviço de rá dio amador. Os direitos e obrigaçõ es atribuídos aplicam-se no interior do país, entre Cabo Verde e outros países e em trânsito por Cabo Verde. A concessioná ria tem o exclusivo relativo ao serviço público de telecomunicaçõ es entre Cabo Verde e outros países englobando a concentraçã o, a comutaçã o e o processamento de todo o trá fego, de entrada ou de saída, relativo a todo e qualquer serviço de telecomunicaçõ es. O exclusivo abrange as situaçõ es em que, tratando-se de trá fego de saída, seja originado em rede diferente da concessioná ria ou tratando-se de trá fego de entrada, seja destinado a rede diferente da concessioná ria. A CVT tem um conjunto de obrigaçõ es quer genéricas quer específicas no âmbito de: infra-estruturas da rede bá sica e das infraestruturas de transporte e difusão, da prestaçã o do serviço de telefone, de telex, telegrá fico, de transmissão de dados e de circuitos alugados. Por ineficiência e ineficá cia da actividade de regulaçã o, não tem havido um monitoramento qualificado das obrigaçõ es referidas. O contrato de concessão prevê a assinatura de um Convé nio entre a autoridade reguladora e a CVT para fixar: 11

12 a) Objectivos de desenvolvimento de infra-estruturas da rede bá sica de telecomunicações, bem como dos nós de comutação e processamento de dados; b) Objectivos de ofertas mínimas de serviç os de características té cnicas e de recursos avanç ados; c) Padrões e indicadores de qualidade de serviç os prestados bem como dos métodos e meios técnicos para a respectiva determinação; d) Crité rios e condições de prestações gratuitas. Dá ainda à entidade reguladora a possibilidade de fixaçã o dos objectivos, e dos padrões e indicadores de qualidade em cada ano de vigência do contrato. O referido Convé nio, que deve constituir parte integrante da concessão, nunca foi estabelecido nem assinado por falta de iniciativa da actividade de regulaçã o. A CVT vem balizando a sua intervençã o no mercado por iniciativas e impulsos próprios, e de acordo com a sua visão das tendências de evoluçã o tecnologica e do comportamento do mercado seguindo igualmente as tendências de evoluçã o dos indicadores de qualidade dos serviços. Sendo certo que o monopólio atribuído à CVT é legal, não existe contudo uma capacidade reguladora instalada de monitoramento e gestão da concessão, e que teria um papel importante de amortecimento da posiçã o dominante da operadora. Não existe um quadro regulamentar da concorrência no sector das telecomunicaçõ es enquanto tal. A lei só obriga a CVT a assegurar a utilizaçã o da sua rede aos operadores de serviços complementares de telecomunicaçõ es em igualdade de condiçõ es de concorrência. O quadro legal existente passa à margem do desenvolvimento e da emergência das Novas Tecnologias de Informaçã o e Comunicaçã o. Não existe ainda qualquer definiçã o ou regulamentaçã o das regras de utilizaçã o da internet. As TIC não têm ainda um quadro legal de intervençã o na vida económica na medida em que não existe legislaçã o respeitante às actividades comerciais electrónicas. A assinatura digital não foi integrada na actividade económica nem formalmente reconhecida. Após vá rios anos de utilizaçã o da internet que se constitui cada vez mais numa ferramenta importante da vida política, económica e social do país, manté m-se completamente deserto o seu enquadramento legal. Aliá s, na legislaçã o em vigor não há referência directa à internet. A internet está subentendida quando se fala de 12

13 «serviços de valor acrescentado» ou de «..funçã o de fornecedor de acesso». Não há legislaçã o que trate directamente de maté ria relativa ao controle dos conteú dos dos «sites» embora haja referências em legislaçõ es dispersas que cuidam de maté rias que constituem preocupaçõ es de actualidade da humanidade. A Comunicaçã o Social em Cabo Verde, enquanto elemento imprescindível de um Estado de direito democrá tico, tem importância relevante e a ela está reservado um papel decisivo na intermediaçã o entre os poderes instituídos e a sociedade. O departamento do estado que se ocupa da comunicaçã o social está integrado no Gabinete do Primeiro Ministro. Existe ainda um órgão independente, o Conselho de Comunicaçã o Social que funciona junto da Assembleia Nacional, com funçõ es que têm a ver com a salvaguarda das garantias do exercício do direito à informaçã o e liberdade de informaçã o. O quadro legal da comunicaçã o social foi aprovado pela Assembleia Nacional e é basicamente constituído por: Lei da Comunicaçã o Social, Lei da Televisão, Lei da imprensa escrita e de Agências de Notícias e pelo Estatuto do Jornalista. Esses diplomas estabelecem os regimes jurídicos para o exercício da actividade de comunicaçã o social mas não fazem qualquer ligaçã o com as NTIC. Referem-se ao conteú do da actividade deixando de lado os respectivos e potenciais suportes técnicos, salvo raras excepçõ es como, por exemplo, as referências aos planos técnicos de frequências. O quadro legal ignora a profunda interacçã o entre comunicaçã o social e as NTIC, tendo feito uma abordagem clá ssica e tradicional da problemá tica que nada tem a ver com a convergência digital, como referência dos nossos dias. III.2.2. Quadro Institucional O Governo e a sociedade cabo-verdiana no seu todo apreenderam já o potencial das Novas Tecnologias de Informaçã o e Comunicaçã o na promoçã o e no desenvolvimento de todas as esferas da actividade política, económica e social do país. Em escalas diferentes e com meios e iniciativas diversas, muitas são as instituiçõ es em Cabo Verde que têm envidado esforços no sentido da promoçã o e do desenvolvimento das NTIC. Existem contudo estruturas governamentais que, pela natureza das suas funçõ es e atribuiçõ es, estariam melhor posicionadas para 13

14 assumir um papel de vanguarda na promoçã o e no desenvolvimento das NTIC. O departamento do estado que, tradicionalmente, se encarrega do sector das comunicaçõ es, é o Ministé rio das Infra-estruturas e Transportes, atravé s da Direcçã o Geral das Comunicaçõ es. A estrutura orgânica do Ministé rio das Infra-estruturas e Transportes contempla um Conselho das Telecomunicaçõ es e uma Direcçã o Geral das Comunicaçõ es. O Conselho das Telecomunicaçõ es é o órgão consultivo interdisciplinar do MIT destinado a coadjuvar o Ministro em maté ria de coordenaçã o dos diferentes sistemas de telecomunicaçõ es e de promoçã o de novas tecnologias de informaçã o, com atribuiçõ es designadamente de: a) Emitir pareceres sobre as propostas de estraté gia e de política de telecomunicaçõ es; b) Emitir pareceres sobre casos concretos que lhe sejam submetidos pelo ministro; c) Emitir pareceres sobre a absorçã o de novas tecnologias de informaçã o no processo de desenvolvimento e modernizaçã o do país. O Conselho das Telecomunicaçõ es é presidido pelo Ministro e integra: o Director-Geral da Marinha e Portos; o PCA do Instituto da Aeroná utica Civil; um representante do Ministé rio da Defesa Nacional; o Comandante-Geral da Polícia de Ordem Pú blica; o Director-Geral da ASA, SA; o Presidente do Conselho de Administraçã o da Cabo Verde Telecom; o Presidente do Conselho de Administraçã o da Rá dio e Televisão de Cabo Verde; um representante das rádios e televisões privadas e um representante da Associaçã o Nacional dos Municípios de Cabo Verde. Podem ser convidadas outras personalidades a participar nas reuniões, em razão da maté ria agendada. A Direcçã o -Geral das Comunicaçõ es é o serviço central responsá vel pelo estudo, concepçã o e execuçã o das políticas no âmbito do sector das comunicaçõ es, com vastas atribuiçõ es, nomeadamente: na definiçã o e implementaçã o das políticas de comunicaçõ es; na elaboraçã o da legislaçã o regulamentadora das actividades do sector, sua fiscalizaçã o e cumprimento; na gestão do espectro radioelé ctrico; na normalizaçã o e homologaçã o de materiais e equipamentos usados nas comunicaçõ es; na fiscalizaçã o da qualidade e do custo dos serviços prestados pelos operadores de comunicaçõ es e do cumprimento por parte dos mesmos das disposiçõ es legais e regulamentares relativas à sua actividade; na divulgaçã o e publicaçã o periódica, das estatísticas de maior relevo para os operadores do mercado das comunicaçõ es. 14

15 As atribuiçõ es da DGC estão muito próximas de uma autoridade reguladora. Sob a tutela do Ministro da Presidência do Conselho de Ministros funciona a Direcçã o Geral da Comunicaçã o Social que se ocupa da coordenaçã o da política de comunicaçã o social do país mais na sua componente política e social na medida em que os diplomas de base que sustentam esse sector não estabelecem a devida e necessá ria articulaçã o com as NTIC. Não foi ainda instalada uma verdadeira entidade de regulaçã o do sector, que é tido como um elemento imprescindível particularmente na situaçã o de prestaçã o pública dos serviços de telecomunicaçõ es em regime de monopólio. A experiência comparada dá conta de que, nestas circunstâncias, a institucionalizaçã o de uma tal entidade deve preceder à atribuiçã o do monopólio. A regulaçã o da actividade económica é uma necessidade que se impõe, face às reformas económicas em curso e que implicam a definiçã o de normas aplicá veis nomeadamente a uma estrutura nova de mercado. É com esse pressuposto que, em meados dos anos noventa, foi criada uma Agência de Regulaçã o Multi-sectorial - ARM, que devia abraçar as telecomunicaçõ es e vários sectores mas que, dada a sua inoperacionalidade, veio a ser extinta pela resoluçã o nº 39/2002 do Conselho de Ministros. Aprovado o regime jurídico das Agências Reguladoras Independentes, pela Lei nº 20/VI/2003 de 21 de Abril, ficou criado o quadro legal de base ao abrigo do qual foi criada a Agência de Regulaçã o Económica, ARE, pelo Decreto-Lei nº 26/2003 de 25 de Agosto. A ARE é uma autoridade administrativa independente, de base institucional, dotada de funçõ es reguladoras, incluindo a de regulamentaçã o, supervisão e sançã o das infracçõ es. Tem por fim a actividade administrativa de regulaçã o económica dos sectores da energia, á gua, telecomunicaçõ es, transportes colectivos urbanos de passageiros e transportes marítimos de passageiros. Esta agência está ainda em fase de instalaçã o mas, no que às telecomunicações diz respeito, é de se prever sérios constrangimentos pelo facto de se ocupar unicamente da regulaçã o económica do sector, ficando a regulaçã o técnica sob a responsabilidade da Direcçã o Geral das Comunicaçõ es até a criaçã o, já prevista, de um Instituto para as Comunicaçõ es e Tecnologias de Informaçã o. Experiências comprovadas e não sucedidas de vários países dão conta da ineficiência da separaçã o da regulaçã o económica da 15

16 té cnica, particularmente no sector das tecnologias de informaçã o onde as inovaçõ es apontam cada vez mais para a chamada convergência digital. Existiu, desde 1998 e até há bem pouco tempo uma Unidade de Reforma da Administraçã o Financeira do Estado - RAFE, tutelada pelo Ministé rio das Finanças com a missão de contribuir para a melhoria da eficiência e eficá cia da administraçã o pública atravé s da criaçã o, desenvolvimento e implementaçã o de novos instrumentos de gestão orçamental, financeira e patrimonial suportada por uma plataforma tecnológica moderna e por uma capacidade nacional. Não se confinando a reforma administrativa e financeira ao sector central das Finanças, a RAFE foi-se alastrando pela administraçã o pú blica acabando por se tornar num verdadeiro nú cleo de promoçã o da utilizaçã o das NTIC a nível do Governo, com a instalaçã o de infraestruturas e de um sistema de intranet, marcando assim a entrada numa nova e irreversível era de modernizaçã o da governaçã o e da administraçã o pú blica. Ciente do papel desempenhado pela RAFE e da necessidade de criaçã o de condiçõ es institucionais para uma intervençã o mais abrangente e de maior alcance que pudesse servir de indutor para a própria sociedade na promoçã o e desenvolvimento das NTIC e da criaçã o de uma verdadeira sociedade de informaçã o em Cabo Verde, o Governo criou, em Julho de 2003, pela Resoluçã o nº 15/2003, uma Comissão Interministerial para a Inovaçã o e Sociedade de Informaçã o que é, de facto, a estrutura central de coordenaçã o de todas as actividades com vista ao desenvolvimento das NTIC. O desafio da sociedade de informaçã o tem cariz transversal e deve assentar numa estraté gia coerente que mobilize o Governo como um todo justificando-se assim a criaçã o desta estrutura de coordenaçã o junto do Gabinete do Primeiro Ministro, com um núcleo operacional para executar as medidas de política nas á reas de inovaçã o, da sociedade de informaçã o e da governaçã o electrónica. O Nú cleo Operacional da Sociedade de Informaçã o o NOSI, constitui assim o braço executivo da CIISI e absorve a Unidade de Reforma Administrativa e Financeira do Estado que, entretanto, é extinto, garantindo assim a horizontalidade necessá ria para o envolvimento de toda a administraçã o no processo. A CIISI tem as competências gerais de: propor estraté gias de desenvolvimento integrado para a inovaçã o, a sociedade de informaçã o e a governaçã o electrónica; promover a necessá ria articulaçã o entre as iniciativas para a inovaçã o e sociedade informaçã o; aprovar a estraté gia e o programa de governo electrónico; aprovar as responsabilidades dos ministé rios e organismos pú blico no âmbito do programa de governo electrónico. A CIISI abrange toda a administraçã o directa e indirecta do Estado e 16

17 as autarquias locais. III.3. As Infra-estruturas A dinâmica do crescimento do mercado cabo-verdiano suporta-se, cada vez mais, nas novas tecnologias de informaçã o e comunicaçã o que constituem um dos maiores desafios da sociedade. As infra-estruturas de telecomunicaçõ es constituem a pedra basilar de um desenvolvimento das NTIC capaz de permitir a modernizaçã o e a diversificaçã o dos serviços e dar corpo à atitude inovadora que se instala na sociedade. Com os investimentos feitos nos ú ltimos anos, o estado actual das infra-estruturas de telecomunicaçõ es em Cabo Verde permite o desenvolvimento das NTIC e a produçã o de conteú dos virados para a modernizaçã o da administraçã o do Estado, do desenvolvimento empresarial e da economia de uma forma global. III.3.1. Sistema de Cabo Submarino Inter Ilhas O sistema de Cabo Submarino está configurado para fornecer os dé bitos de 140 Mbps, de 34 Mbps, de 2 Mbps. O Cabo Submarino está equipado com um STM4 (622 Mbps) entre Praia, Sal Rei, Espargos, Tarrafal de S. Nicolau e Mindelo; com uma extensão STM1 (155Mbps) a Porto Novo; com um STM 16 (2,5 Gbps) entre Mindelo - Praia via Tarrafal de Santiago, com uma ligaçã o terrestre. III.3.2. Rede Terrestre de Fibra óptica A rede terrestre de Fibra Óptica estende-se a uma grande parte do território Nacional, com 505 quilómetros de cabos F.O. monomodos de diferentes capacidades (4 a 24 Fibras), instalados com equipamentos terminais configurados para funcionamento com protecçã o em ané is SDH: Santiago Dois ané is SDH STM1 cobrindo o interior da Ilha e a zona Urbana Fogo Anel SDH STM1 Cobrindo toda a Ilha Santo Antão Anel SDH STM1 cobrindo toda a Ilha Sal Fibra Óptica interligando as localidades de Espargos, S. Maria e Palmeira 17

18 Maio Fibra Óptica interligando as localidades de Vila do Maio, Calheta e P. Vaz S.Nicolau - Fibra Óptica interligando as localidades de Vila R. Brava, Fajã, Tarrafal e P.Branca Boavista - Fibra Óptica interligando as localidades de Sal Rei e Rabil. S. Vicente - Fibra Óptica interligando as localidades de Mindelo, Ribeirinha, R. Julião, M. Verde, Calhau e Baía. III.3.3. Comunicaçõ es Via Saté lite A Estaçã o terrena é do tipo Standard B, na tecnologia IDR a funcionar com o saté lite IS905 que pertence a AOR (Atlantic Ocean Region). A Estaçã o estabelece ligaçõ es com os seguintes correspondentes: Portugal Duas Portadoras, sendo uma de 2 Mb e outra de 1Mb Holanda 1 Portadora de 512Kb EUA ( ATT ) - Portadora de 512Kb EUA ( MCI ) - Portadora de 1 Mb Senegal - Portadora de 512Kb Espanha - Portadora de 512Kb França - Portadora de 512Kb O sistema de comunicaçõ es via saté lite serve como alternativa ao Atlantis 2 que é o principal meio de escoamento de trá fego internacional. III.3.4. Capacidade das comunicaçõ es Internacionais Via Cabo Submarino Cabo Verde é servido por um cabo submarino internacional de Fibra Óptica denominado Atlantis 2 que interliga os continentes Sul Americano, Africano e Europeu com uma capacidade de 8 x 2,5 Gbps. A capacidade disponível nas comunicaçõ es internacionais por fibra óptica é de aproximadamente 900 tributá rios de 2 Mb. A capacidade utilizada para escoamento do trá fego de Voz e de dados é de 25 Tributá rios de 2 Mb. A Cabo Verde Telecom não está envolvida, de momento, em nenhum projecto que liga Europa ao Continente Africano via Cabo submarino de fibra óptica no quadro da NEPAD ou outros. 18

19 III.4. Política e Estrutura Tarifária A lei de base das telecomunicaçõ es estabelece que as tarifas e os preços relativos às telecomunicaçõ es de uso pú blico, exploradas em regime de exclusividade, ficam sujeitos a aprovaçã o do Governo, nos termos da legislaçã o aplicá vel. Estabelece ainda que os preços dos restantes serviços são fixados pelos operadores sem prejuízo do disposto no regime geral de preços e nas regras estabelecidas nos respectivos títulos de licenciamento. O contrato de concessão fixa alguns princípios em que deve assentar o sistema de preços pela prestaçã o de serviços de telecomunicaçõ es em exclusivo, a saber: Orientaçã o para os custos da prestaçã o dos serviços, devidamente demonstrado por um sistema de contabilidade analítica com margem comercial pelos serviços prestados; Não descriminaçã o na sua aplicaçã o, garantindo que a todos os utilizadores, em igualdade de circunstâncias, é conferida igualdade de tratamento; 19

20 Uniformidade na aplicaçã o do regime tarifá rio em vigor para os serviços objecto da concessão; Garantia de condiçõ es remuneratórias que lhe proporcionem uma razoá vel rentabilidade dos capitais próprios, bem como um nível de amortizaçã o do mesmo investimento compatível com os padrões internacionalmente aceites; Fixaçã o de preços má ximos, podendo a Concessioná ria adoptar, com respeito por tal má ximo, preçá rios diferenciados em funçã o da qualidade comercial do utente, designadamente para «grandes clientes». Está ainda determinado que os preços máximos dos serviços em regime de exclusivo e do serviço de difusão e de distribuiçã o de sinal de telecomunicaçõ es de difusão devem ser estabelecidos por Convençã o a vigorar por períodos de três anos e a celebrar entre a Concedente e a Concessioná ria, e a aprovar por portaria conjunta dos Ministros responsá veis pelas á reas das Finanças e Comunicaçõ es. A Concessioná ria ficou obrigada, pelo contrato, a implantar, até 31 de Dezembro de 1997, o sistema de contabilidade analítica, que permita a determinação dos custos directos, a cada um dos serviços prestados e, para cada um destes, os custos associados a cada forma de prestaçã o. A referida contabilidade analítica devia ainda, até Dezembro de 1998, permitir a separaçã o entre os custos associados à prestação dos serviços e os associados à gestão e exploraçã o das infra-estruturas. Cabe ao Ministro responsá vel pela á rea das finanças a aprovaçã o do modelo de contabilidade analítica a adoptar, o que ainda não aconteceu, passados mais de seis anos após a data estabelecida no contrato de concessão (31 de Junho de 1997). A CVT vem disponibilizando cada vez mais serviços (telemóvel e eventualmente os de televisão por assinatura, oportunamente) sem a necessá ria e adequada agregaçã o contabilística dos respectivos proveitos e custos, conforme previsto. Desde finais dos anos oitenta não houve qualquer medida legal no sentido da fixaçã o/alteraçã o do quadro tarifá rio. Houve algumas alteraçõ es das tarifas, particularmente internacionais, mas no sentido descendente, não implicando, por isso, as previstas medidas legais com o formato de portaria conjunta dos membros do Governo responsá veis pelas á reas das finanças e comunicaçõ es. Verifica-se há já algum tempo desequilíbrios estruturais que se agravam naturalmente com a expansão da rede nacional. Urge a adopçã o de um novo tarifá rio, que se baseie numa estrutura de preços mais justa e que tenha em conta as condiçõ es geográ ficas do país e os objectivos de uma maior competitividade. 20

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