A INCONSTITUCIONALIDADE DA PENHORA ADMINISTRATIVA NA EXECUÇÃO FISCAL THE UNCONSTITUTIONALITY ADMINISTRATIVE ATTACHMENT IN THE TAX ENFORCEMENT

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "A INCONSTITUCIONALIDADE DA PENHORA ADMINISTRATIVA NA EXECUÇÃO FISCAL THE UNCONSTITUTIONALITY ADMINISTRATIVE ATTACHMENT IN THE TAX ENFORCEMENT"

Transcrição

1 Ensinagem: Revista Periódica da Faculdade de Belém Joselle Ensinagem: Maria Faculty de Alencar of Belém Araripe Journal Bastos V. 3, - n.2, Caio Julho/Dezembro Rogério da Costa 2014, Brandão p ISSN A INCONSTITUCIONALIDADE DA PENHORA ADMINISTRATIVA NA EXECUÇÃO FISCAL THE UNCONSTITUTIONALITY ADMINISTRATIVE ATTACHMENT IN THE TAX ENFORCEMENT RESUMO LA INCONSTITUCIONALIDAD DE LA GARANTÍA ADMINISTRATIVA EN LA EJECUCIÓN FISCAL Joselle Maria de Alencar Araripe Bastos 1 Caio Rogério da Costa Brandão 2 Tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei n. 5080/2009, que sugere a criação da penhora administrativa na execução fi scal, com a constrição de bens do contribuinte feita livremente pela Fazenda Pública. Seu objetivo é alcançar a satisfação rápida do crédito público e a diminuição de demandas fi scais no Judiciário, garantindo-se o pagamento da dívida com bens do contribuinte. Para tanto, propõe mudanças substanciais na Lei de Execução Fiscal 6.830/80, a norma legal em vigor autorizada para a cobrança judicial da dívida em questão. O aspecto mais polêmico do projeto é exatamente o que trata da restrição a bens e direitos dos contribuintes, efetivada indiscriminada e amplamente pela Fazenda 1 Manuscript first received /Recebido em: 01/03/2014 Manuscript accepted/aprovado em: 12/07/2014 Técnica Judiciária da Justiça Federal do Pará. Licenciada Plena em Filosofi a (Universidade Estadual do Ceará). Bacharel em Direito (FABEL-Belém/PA). Especialização em Direito Processual Civil (em andamento - Damásio de Jesus, em Belém/PA). hotmail.com>.. 2 Advogado militante no Estado de São Paulo e do Pará. Especialista em Direito Tributário e Direito Processual Civil (CEU-SP) e, em Direito do Consumidor (UNIFMU-SP). Doutorando em Direito Civil (UBA-Argentina). Vice-Presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB/PA. 64

2 A INCONSTITUCIONALIDADE DA PENHORA ADMINISTRATIVA NA EXECUÇÃO FISCAL Pública, sem interferência, a priori, do Judiciário. Com esse poder em mãos, a Fazenda Pública nomeiase dona de direitos fundamentais, causando prejuízos de ordem moral, atingindo bens de valor inestimável importantes para manter a dignidade da pessoa humana. Como versa sobre os direitos fundamentais, previstos nos artigos 1º, III e 5º da Constituição Federal, a alegação de inconstitucionalidade se torna pertinente e urgente haja vista o abalo que pode causar aos alicerces do Estado Democrático de Direito erigidos na Carta Maior. Palavras chave: Penhora Administrativa. Direitos Fundamentais. Estado Democrático de Direito. Inconstitucionalidade. ABSTRACT It has been pending in Brazilian court the bill n. 5080/2009, which suggests the creation of administrative attachment seizure in the tax enforcement, with the constriction of the taxpayer s property, it made by the Treasury voluntarily. Its goal is due to achieve prompt satisfaction of public credit, and the reduction of fi scal demands on judiciary fi eld, guaranteeing payment of the debt with the assets of the taxpayer. Therefore, it is proposed substantial changes in the Law of Tax Enforcement /80, the legal rule in force authorized the judicial recovery of debt in question. The most controversial aspect of the project is exactly what is the restriction of goods and taxpayers rights and largely indiscriminate effected by the Public Treasury, without interference, primarily, the judiciary. With this power in hands, the Treasury points itself as the owner of rights, causing moral damage, reaching invaluable assets that maintains human dignity. As concerns fundamental rights provided in arts. 1, 5 and III of the Brazilian Federal Constitution, the claim of unconstitutionality is pertinent and urgent under the view of the concussion it may cause to democratic foundations State erected in Greater Charter. Ensinagem, Belém/PA-Brasil, v. 3, n. 2, jul./dez. 2014, p

3 Joselle Maria de Alencar Araripe Bastos - Caio Rogério da Costa Brandão Keywords: Administrative Attachment. Fundamental Rights. Democratic State of Law. Unconstitutionality. RESUMEN Tramita en el Congreso Nacional el Proyecto de Ley n. 5080/2009, que sugiere la creación de la garantía administrativa en la ejecución fi scal, con la compresión de bienes del contribuyente hecha libremente por la Hacienda Pública. Su objetivo es alcanzar la satisfacción rápida del crédito público y la diminución de demandas fi scales en el Judiciario, garantiéndose el pagamento de la divida con bienes del contribuyente. Para tanto, propone cambios substanciales en la Ley de Ejecución Fiscal 6.830/80, la norma legal en vigor autorizada para la cobranza judicial de la divida en cuestión. El aspecto más polémico del proyecto es exactamente lo que trata de la restricción a bienes y derechos de los contribuyentes efectiva indiscriminada y ampliamente por la Hacienda Pública, sin interferencia, la priori, del Judiciario. Con ese poder en manos, la Hacienda Pública se nombra dueña de derechos fundamentales, causando perjuicios de orden moral, atingiendo bienes de valor inestimable y 5º de la Constitución Federal, la alegación inconstitucionalidad se vuelve pertinente y urgente, es decir, el abalo que puede causar a los cimientos del Estado Democrático de Derecho erigidos en la Carta Mayor. Palabras-clave: Garantía Administrativa. Derechos Fundamentales. Estado Democrático de Derecho. Inconstitucionalidad. 1 INTRODUÇÃO O tema investigado neste trabalho originou-se em um ambiente onde começa a se desenhar um estado de confl ito entre o Poder Judiciário e a Administração Pública, a saber, a demora na prestação jurisdicional frente aos incontáveis processos de execução fi scal que estão em curso há anos nas Varas e Tribunais de todo o país, sem so- 66

4 A INCONSTITUCIONALIDADE DA PENHORA ADMINISTRATIVA NA EXECUÇÃO FISCAL lução, e os que estão em via de ser formalizados. Por ação de execução fi scal entende-se a que tem por escopo a cobrança judicial da dívida pública. Com relação à cobrança judicial dos créditos da Fazenda Pública oriundos da dívida ativa, que é o objeto da ação executiva, e esta o motivo do confl ito Judiciário-Estado, a solução dos problemas estaria na chamada penhora administrativa, e é, a constrição de bens do contribuinte realizada livremente pela Administração Pública, objetivando a celeridade processual e, por conseguinte, o desfecho do litígio com a satisfação do crédito. Assim argumentam os representantes da Fazenda Pública. O projeto de lei em curso no Congresso Nacional sob o nº 5080/2009, de autoria da Fazenda Nacional propõe a alteração da Lei de Execução Fiscal nº 6.830/80, instituída para a cobrança judicial de dívida ativa da Fazenda Pública. Para a cobrança mais célere e efi caz da dívida pública, o projeto de lei pretende conceder poderes amplos às Fazendas Públicas federal, estaduais, municipais e do Distrito Federal para bloquear valores em contas bancárias e investimentos fi nanceiros, restringir direitos, penhorar bens móveis e imóveis de pessoas físicas e jurídicas e, também, o faturamento de empresas cujos débitos estejam inscritos em dívida ativa. É a expropriação administrativa de bens! 2 O DIREITO E O ESTADO EM UMA ABORDAGEM HISTÓRICA O direito vem se transformando ao longo das gerações e em cada momento histórico, se consagrando como uma ciência capaz de modifi car o mundo e percebê-lo sob um novo prisma: o do respeito ao homem, à sua dignidade e à sua cidadania dentro de uma perspectiva de proteção a seus direitos fundamentais (estes fi rmados em um momento mais avançado da História), sistematizado por regras Ensinagem, Belém/PA-Brasil, v. 3, n. 2, jul./dez. 2014, p

5 Joselle Maria de Alencar Araripe Bastos - Caio Rogério da Costa Brandão positivadas de garantia desses direitos. Portanto, importante abordar a evolução do direito e do Estado, para que se alcance o ápice de sua evolução: o Estado Democrático de Direito. Voltar ao túnel do tempo e passear pelas civilizações antigas até atingir as contemporâneas é importante para a compreensão de seu desenvolvimento, crescimento e aperfeiçoamento no tempo e no espaço. Antes da existência do direito positivado por normas, o direito era apenas um conceito que provinha de uma ideia naturalista, na qual as pessoas justifi cavam sua existência como inerente à própria natureza humana, era uma consequência lógica, oriundo da condição de ser humano. Com a evolução da humanidade, do Direito e do Estado, o Direito Positivo se consagrou como a base de todo ordenamento jurídico para obrigar o respeito ao Estado, suas normas e aos direitos fundamentais. Direito positivo [...] é o direito escrito, consubstanciado em leis, decretos, regulamentos, decisões judiciárias, tratados internacionais, etc., variando no espaço e no tempo (MALUF, 2010, p.7). Passando pela História antiga com as polis no Estado Grego e a República no Estado Romano, já se constatava a participação do povo (cidadãos livres), nas decisões políticas do Estado. A democracia já era presente na ordem jurídica estatal. Infelizmente, após a longínqua democracia estreada pelos Estados Grego e Romano, fases negras da História, como o Estado Medieval e o Absolutismo, se apresentam como carrascos da democracia, tendo em vista que o direito emanava apenas do Estado. A lei sou eu, preconizava Luís XIV, então rei da França. Contudo, novas ideias foram pregadas por fi lósofos da época, entre eles o inglês John Locke, fazendo nascer o sentimento de revolta dando início à Revolução Francesa (Sec. XVIII), a batalha de maior signifi cado, que se fi rma como o marco da queda do absolutismo. Esse momento histórico marca o início da Idade Contemporânea. Do liberalismo onde foi instituído o Estado de Direito, que 68

6 A INCONSTITUCIONALIDADE DA PENHORA ADMINISTRATIVA NA EXECUÇÃO FISCAL preleciona a intervenção mínima do Estado na vida privada, e o contrato social como fundamento para uma ordem social de paz e harmonia, ao socialismo e comunismo no século XIX, desencadeou-se neste, uma total interferência do Estado na vida do cidadão. Foi eliminada a propriedade privada e a burguesia. Com o Fascismo italiano e o Nazismo alemão dá-se o auge da supressão das ideias liberais, e institui-se a ditadura do poder estatal, ou totalitarismo, com uma nova organização político-social que desrespeita todos os direitos e garantias do povo. No Brasil, sua expressão acontece com o Getulismo, e a institucionalização do Estado Novo, submetendo o Legislativo, o Judiciário e seus cidadãos à sua autoridade. Com o fi m do Nazismo e suas atrocidades após o fi m da Segunda Guerra Mundial, resgata-se a democracia longinquamente estreada pelas antigas repúblicas grega e romana. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (França-1789) se assenta como o primeiro documento a prever os direitos fundamentais do homem após a Revolução Francesa. Serviu como modelo e fonte de inspiração para a elaboração de outros documentos, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, produzida pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948, em total oposição aos aterrorizantes atos de violência cometidos pelo Nazismo de Hitler. Uma nova consciência política emerge fundada nos direitos da pessoa humana como princípio a ser seguido pelos regimentos políticos dos países cuja democracia está consolidada. Ergue-se, sob essa nova ótica, o Estado Democrático de Direito, cujas bases têm como alicerce o respeito aos direitos fundamentais do homem, à justiça social e à igualdade. Veja-se o que estabelece a Constituição Federal do Estado Brasileiro de 1988: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. É a constatação da democ racia e cidadania plenas! Ensinagem, Belém/PA-Brasil, v. 3, n. 2, jul./dez. 2014, p

7 Joselle Maria de Alencar Araripe Bastos - Caio Rogério da Costa Brandão 3 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS 3.1 CONCEITO Princípios, segundo o Dicionário Aurélio são: Conjunto dos preceitos morais e éticos que regem ou deveriam reger a conduta e o comportamento do ser humano em relação ao seu semelhante, ou em relação à sociedade, ou em relação ao mundo e aos outros seres da natureza (BRASIL, 2010, p. 1710). Para Silva (2009, p. 92), os princípios são ordenações que se irradiam e imantam os sistemas de normas, são [como observam Gomes Canotilho e Vital Moreira] núcleos de condensações nos quais confl uem valores e bens constitucionais. Nesse mesmo sentido, a lição de Carraza (2009, p. 46): Os princípios constitucionais têm caráter normativo. No campo jurídico, os princípios constitucionais são normas hierarquicamente superiores, dotadas de valores éticos que servem como base para direcionar as demais normas que compõem o ordenamento jurídico. Os princípios constitucionais têm caráter fundamental e de supremacia, tendo em vista seu grau de abstração ser maior que o das demais normas, não se direcionando especifi camente a um caso, fato ou pessoa determinada, mas a todos; na prática, são alicerces onde se funda todo o sistema jurídico. 3.2 PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA Princípio fundamental consagrado na Constituição da República Federativa do Brasil (art. 1º, III) e direito fundamental (art. 5º) a que todos fazem jus; sua acepção é ampla e transcende à ideia de mera condição física e espiritual do homem, estendendo-se para uma complexa estrutura de valores morais e éticos que são inatos a todos. Buscando uma defi nição mais abrangente, Sarletse (2010, p. 70) arrisca a formular: 70

8 A INCONSTITUCIONALIDADE DA PENHORA ADMINISTRATIVA NA EXECUÇÃO FISCAL A dignidade da pessoa humana é a qualidade intrínseca e distintiva reconhecida em cada ser humano que o faz merecedor do mesmo respeito e consideração por parte do Estado e da comunidade, implicando, neste sentido, um complexo de direitos e deveres fundamentais que assegurem à pessoa tanto quanto todo e qualquer ato de cunho degradante e desumano, como venham a lhe garantir as condições existenciais mínimas para uma vida saudável, além de propiciar e promover sua participação ativa e corresponsável nos destinos da própria existência e da vida em comunhão com os demais seres humanos, mediante o devido respeito aos demais seres que integram a rede da vida. Nesse âmbito, como norma jurídico-positiva, constata-se que o Estado assume o status de garantidor da dignidade da pessoa humana. Na área tributária, a Constituição Federal também impõe limites à ação do Estado, que se submete às prescrições da lei (art. 146/II) devendo instituir tributo na medida em que o contribuinte possa suportá-lo (princípio da capacidade contributiva). Vê-se que esse princípio tem guarida em outro princípio: o da igualdade (art. 5º/CF), que é um dos princípios fundamentais explícitos na Carta Magna. Nessa sintonia, Carraza (2009, p. 435) ensina os direitos fundamentais, evidentemente, também amparam o contribuinte contra os poderes do Estado, inclusive o Legislativo, nos termos: Deveras, todo o Capítulo I do Título II da Constituição Brasileira delimita o exercício das competências tributárias das pessoas políticas, impedindo-as de ingressarem nas áreas reservadas aos direitos à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. Daí serem inconstitucionais as normas jurídicas que, a pretexto de exercitarem competências tributárias, impedirem ou tolherem o pleno desfrute dos direitos Ensinagem, Belém/PA-Brasil, v. 3, n. 2, jul./dez. 2014, p

9 Joselle Maria de Alencar Araripe Bastos - Caio Rogério da Costa Brandão públicos subjetivos dos contribuintes. A linha de pensamento de Carraza se coaduna com os ditames da Constituição, que estabelece que os direitos fundamentais são normas cogentes, de grau superior no ordenamento jurídico, que não podem ser violadas, e que suas garantias traduzem a preocupação do legislador em efetivar esses direitos. São normas tão importantes, que têm aplicabilidade imediata (art. 5º, 1 º) e são irrevogáveis (art. 60, 4º, IV). 4 PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal (BRASIL, 2012, s/p). Assim preleciona a Constituição Federal, em seu artigo 5º, com o fi m de garantir a toda pessoa o direito de se defender de qualquer ofensa ou arbitrariedade que possa privá-lo de sua liberdade e de seus bens, ou de acusação de delito praticado: [...] todo homem acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que sua culpabilidade tenha sido provada, de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenha sido assegurado todas as garantias necessárias à sua defesa (MORAES, 2010, p. 107). Esse princípio tem como fundamento a ampla defesa e o contraditório. A ampla defesa é o direito que tem o acusado de usar de todas as provas legais para a sua defesa, trazendo-as ao processo, de 72

10 A INCONSTITUCIONALIDADE DA PENHORA ADMINISTRATIVA NA EXECUÇÃO FISCAL modo que possam esclarecer os fatos alegados. O contraditório é o meio de defesa que implica na oposição aos fatos narrados pela parte acusadora. Necessária à abordagem em razão de que sua previsão legal enseja a aplicação de outro princípio constitucional: o de igualdade de condição para as partes durante todo o curso do processo. Em sendo atendido o devido processo legal, inexiste a possibilidade de anulação de qualquer ato jurídico-processual; eis, aí, sua importância. 5 O PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA A Administração Publica como gestora de bens coletivos pertencentes à sociedade, baseia suas atividades no princípio da Supremacia do Interesse Público, tendo em vista o bem comum. Seu alcance é de caráter geral, porém, não absoluto, como se manifestam Alexandrino e Vicente (2009, p.190): existindo confl ito entre o interesse público e o interesse particular, deverá prevalecer o primeiro, tutelado pelo Estado, respeitados, entretanto, os direitos e garantias individuais expressos na Constituição, ou dela decorrentes. Convém ressaltar que o Projeto de Lei n /2009 está pautado nesse princípio o qual exerce função de essencialidade para a execução dos atos administrativos. Outros princípios regulam a atividade administrativa, entre os quais o da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e efi ciência. Importante lembrar o princípio da legalidade. Mello (2009, p. 99), instrui: fruto da submissão do Estado à lei, pois o projeto de lei nada mais é do que a tentativa de legalização da penhora administrativa, sem a qual a Administração Pública não poderá executá-la. Ensinagem, Belém/PA-Brasil, v. 3, n. 2, jul./dez. 2014, p

11 Joselle Maria de Alencar Araripe Bastos - Caio Rogério da Costa Brandão 6 A TEORIA GERAL DA RESPONSABILIDADE CIVIL E O PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL A teoria geral da responsabilidade civil, de onde se origina a teoria da responsabilidade patrimonial, conclui que toda pessoa deve ser responsabilizada por ato lesivo, cometido a outrem, por culpa, erro ou dolo, que lhe cause dano moral ou patrimonial, tendo o autor do fato a obrigação de reparar o dano causado (art. 927/CC). Segundo Diniz (2007, p. 34), responsabilidade civil é a aplicação de medidas que obriguem alguém a reparar dano moral ou patrimonial causado a terceiros em razão de ato do próprio imputado. Assim, a execução da dívida recai exclusivamente sobre o patrimônio do devedor, fi cando caracterizada a teoria da responsabilidade patrimonial. Previsto no artigo 591 do Código de Processo Civil, o princípio da responsabilidade patrimonial assim dispõe: o devedor responde, para o cumprimento de suas obrigações, com todos os seus bens presentes e futuros, salvo as restrições estabelecidas em lei (BRASIL, 2012, s/p). Isso quer dizer que nem todos os bens respondem pela dívida, como se percebe pela clara determinação do art. 649 do CPC. O próprio Estado protege alguns bens, sendo taxativo no seu rol dos absolutamente impenhoráveis, não se impondo, portanto, ao devedor, o dever de cumprir a obrigação com esses bens, sendo expressamente proibida sua expropriação judicial. Ainda assim, os 1º e 2º guardam duas exceções, conforme se verifi ca da transcrição do referido artigo: Art São absolutamente impenhoráveis: I - os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário, não sujeitos à execução; II - os móveis, pertences e utilidades domésticas que guarnecem a residência do executado, salvo os de elevado valor ou que ultrapassem as necessidades comuns correspondentes a um médio padrão de vida; 74

12 A INCONSTITUCIONALIDADE DA PENHORA ADMINISTRATIVA NA EXECUÇÃO FISCAL III - os vestuários, bem como os pertences de uso pessoal do executado, salvo se de elevado valor; IV - os vencimentos, subsídios, soldos, salários, remunerações, proventos de aposentadoria, pensões, pecúlios e montepios; as quantias recebidas por liberalid ade de terceiro e destinadas ao sustento do de vedor e sua família, os ganhos de trabalhador autônomo e os honorários de profi ssional liberal, observado o disposto no 3º deste artigo; V - os livros, as máquinas, as ferramentas, os utensílios, os instrumentos ou outros bens móveis necessários ou úteis ao exercício de qualquer profi ssão; VI - o seguro de vida; VII - os materiais necessários para obras em andamento, salvo se essas forem penhorad as; VIII - a pequena propriedade rural, assim defi nida em lei, desde que trabalhada pela família; IX - os recursos públicos recebidos por instituições privadas para aplicação compulsória em educação, saúde ou assistência social; X - até o limite de 40 (quarenta) salários mínimos, a quantia depositada em caderneta de poupança. XI - os recursos públicos do fundo partidário recebidos, nos termos da lei, por partido político. 1º A impenhorabilidade não é oponível à cobrança do crédito concedido para a aquisição do próprio bem. 2º O disposto no inciso IV do caput deste artigo não se aplica no caso de penhora para pagamento de prestação alimentícia (BRASIL, 2012, s/p). Esses artigos resguardam, em suas essências, a proteção à dignidade da pessoa humana, para que se garanta o mínimo para a sua sobrevivência. Ensinagem, Belém/PA-Brasil, v. 3, n. 2, jul./dez. 2014, p

13 Joselle Maria de Alencar Araripe Bastos - Caio Rogério da Costa Brandão Com relação à responsabilidade patrimonial, Câmara (apud DI- NAMARCO, 2010, p. 201): situação meramente potencial, caracterizada pela sujeitabilidade do patrimônio de alguém às medidas executivas destinadas à atuação concreta do direito material. Isso quer dizer que o patrimônio do devedor responde pelas suas dívidas com todos os seus bens presentes e futuros (art.591/ CPC), até onde suportar. Portanto, não cumprindo o devedor espontaneamente uma obrigação, seu patrimônio poderá sofrer medidas de expropriação, aplicadas pelo Estado, para a satisfação do crédito. Trata-se da execução forçada. 7 PENHORA 7.1 CONCEITO Segundo Assis (2010, p. 695) penhora confi gura em ser o ato executivo que afeta determinado bem à execução, permitindo sua ulterior expropriação e torna os atos de disposição do seu proprietário inefi cazes em face do processo. Dispõe, ainda: A penhora não outorga ao credor um poder direto imediato sobre o bem, como acontece no penhor (p. 692). A penhora é instituto do Direito Processual, no que diz respeito à execução, cuja efetivação só se verifi ca por ordem judicial, tendo em vista que o devedor, no prazo estabelecido por lei, não pagou a dívida e tampouco ofereceu bens que a garantissem. Não há, nesse caso, a manifestação da vontade do devedor, que fi ca impotente quanto à constrição de seu bem. Para Câmara (2012, p. 277): A penhora é procedimento de segregação dos bens que efetivamente se sujeitarão à execução, respondendo pela dívida inadimplida. Desse modo, a penhora é ato processual que assegura que bens do patrimônio do devedor garantam o crédito exequendo. A penhora 76

14 A INCONSTITUCIONALIDADE DA PENHORA ADMINISTRATIVA NA EXECUÇÃO FISCAL é ato autorizado que se processa em favor da Fazenda Pública para garantir o pagamento da dívida, só ocorrendo quando o devedor, convocado a pagar o débito, não o faz nem oferece bens, móveis, imóveis, ou semoventes, entre outros previstos no artigo 11/LEF, que sejam sufi cientes para pagar sua dívida. 7.2 PENHORA JUDICIAL X PENHORA ADMINISTRA- TIVA Assim, a penhora Judicial é atribuição do Ofi cial de Justiça que a efetiva por ordem do Juiz, atendendo ao pedido do exequente. O Juiz determina a penhora de bens do executado, tantos quantos sejam sufi cientes para garantia da dívida tributária/fi scal contraída pelo contribuinte em razão de descumprimento de obrigação perante o fi sco. Primeiramente, chama-se o executado a tomar conhecimento do feito (citação) para pagar a dívida ou garantir a execução, no prazo de 5 cinco dias (arts. 7º, 8º, 9º e 10/LEF). Se o executado não pagar a dívida ou não oferecer bens para sua garantia, aí sim, a penhora judicial será efetivada. De acordo com o art. 11, in verbis, poderá a penhora recair: Art. 11: A penhora ou arresto de bens obedecerá à seguinte ordem: I - dinheiro; II - título da Dívida Pública, bem como título de crédito, que tenham cotação em Bolsa; III - pedras e metais preciosos; IV - imóveis; V - navios e aeronaves; VI - veículos; VII - móveis ou semoventes, e VIII - direitos e ações. 1º Excepcionalmente, a penhora poderá recair sobre Ensinagem, Belém/PA-Brasil, v. 3, n. 2, jul./dez. 2014, p

15 Joselle Maria de Alencar Araripe Bastos - Caio Rogério da Costa Brandão estabelecimento comercial industrial ou agrícola, bem como em plantações ou edifícios em construção. 2º A penhora efetuada em dinheiro será convertida no depósito de que trata o inciso I do artigo 9º. 3º O Juiz ordenará a remoção do bem penhorado para depósito judicial, particular ou da Fazenda Pública exequente, sempre que esta o requerer, em qualquer fase do processo (BRASIL,2012, s/p). Por sua vez, implica a penhora administrativa em tirar do Judiciário a atribuição de penhorar bens e entregar esse encargo à Administração Pública que com a averiguação da vida patrimonial do contribuinte, encontrando bens que possam adimplir a dívida, executa a constrição, e só após ajuíza a ação. Nesse instante, será garantido o contraditório e a ampla defesa ao contribuinte. A ideia da penhora administrativa surgiu com os números: correm na Justiça milhares de ações, como um todo, as quais o Judiciário tem que apreciar, tornando-se impotente para tal, considerando o volume de ações acumulado nas Varas. Essas incontáveis ações acabam por gerar um desconforto entre a Administração Pública e o Poder Judiciário, que, por intermédio de seus Juízes, reclama do excesso de processos executivos e da falta de condições de mantê-los em andamento, pelo menos dentro de um prazo razoável. A Administração pública, de outro lado, se queixa da lentidão dos Juízes e da inefi cácia na cobrança da dívida pela via judicial. Nasce aí um impasse: quem tem razão? Os administradores ou os Juízes? Existiria aí um confl ito que, em sua essência, gira em torno do mesmo tema, a celeridade processual? Esse quadro só revela o que já é de conhecimento comum: impossível a quantidade de juízes suprir a demanda de processos, pois o desequilíbrio é notório, tornando a cobrança da dívida lenta e inefi - caz. Assim indicam os dados: Consoante o relatório Justiça em Números, divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça, no 78

16 A INCONSTITUCIONALIDADE DA PENHORA ADMINISTRATIVA NA EXECUÇÃO FISCAL ano de 2005, a taxa média de encerramento de controvérsias em relação com novas execuções fi scais ajuizadas é inferior a 50% e aponta um crescimento de 15% do estoque de ações em tramitação na 1ª instância da Justiça Federal. O valor fi nal aponta para uma taxa de congestionamento médio de 80% nos julgamentos em 1ª instância (PL, 2009, s/p). Note-se, que os dados apontados revelam um índice altíssimo de ações em curso no Judiciário, constatando-se o desequilíbrio alegado pelos Juízes. 7.3 OS PONTOS NEVRÁLGICOS DA PENHORA ADMINISTRATIVA As inovações pretendidas pela Fazenda Pública, com a criação da penhora Administrativa, suscitam discussões de grande valia para o ordenamento jurídico, haja vista a implantação de medidas, por certo, contrárias ao ordenamento jurídico vigente, por atingirem direitos fundamentais consagrados e agasalhados pela Carta Magna. Entre esses direitos estão os previstos no art. 5º, X, e XXII que versam sobre a intimidade, a vida privada e o direito à propriedade. Apesar de serem cláusulas pétreas, esses direitos não são absolutos, encontrando limitações na própria Constituição Federal de 1988, nos incisos XXIII e XXV, do mesmo artigo, quanto ao direito de propriedade. Sob a ótica da proteção dos direitos fundamentais, a OAB de São Paulo tendo como signatários juristas de renome como Ives Gandra da Silva Martins, os professores da PUC André Ramos Tavares, Luís Eduardo Schoueri e Roque Antônio Carraza, expediu parecer, protocolizado na Câmara dos Deputados Federais, que repudia o PL 5080/2009. A seguir a transcrição de parte do documento: Ensinagem, Belém/PA-Brasil, v. 3, n. 2, jul./dez. 2014, p

17 Joselle Maria de Alencar Araripe Bastos - Caio Rogério da Costa Brandão A constatação de que o PL 5080/2009, ao afastar da jurisdição e do processo legal a transferência forçada de patrimônio dos contribuintes/administrados, colide com disposições constitucionais, em especial as contidas nos artigos 1º, 2º e 5º, incisos XXII, XXXV, LIV e LV, é indiscutível. Disposições essas tão robustas que sequer podem ter sua efi cácia mitigada por constituírem cláusulas pétreas indisponíveis ao legislador e à Administração Pública. [...] As proposições destacadas, por serem ofensivas ao que, historicamente, se conhece como Estado Democrático de Direito, no qual tanto a Administração Pública quanto os Administrados se submetem, igualmente, a um imparcial Poder Judiciário, e por colidirem com a presunção constitucional de boa-fé dos atos praticados pelos cidadãos/administrados/contribuintes, devem ser imediatamente excluídas de seus pertinentes procedimentos legislativos (BRASIL, s/d, s/p). Seguem alguns pontos polêmicos do Projeto de Lei, quanto aos aspectos constitucionais: O artigo 4º, 1º, 2º e 4º, constitui absoluta invasão de privacidade da vida patrimonial do contribuinte, confi gurando-se o abuso de poder e ilegalidade do Estado, que será privilegiado com o acesso a informações por meio de um sistema nacional de informações patrimoniais dos contribuintes - SNIPC que devassa a vida íntima do executado. O art. 5º, 4º e 5º, obriga o executado a prestar informações acerca de seu patrimônio. Nesse caso, há exagerada imposição de dever ao contribuinte/executado no texto dos parágrafos em comento, no caso de não adimplemento da dívida. A Fazenda Pública obriga o executado a informar, sem exceção, todos os bens que constituem seu patrimônio, devendo apontar, fundamentadamente, aqueles 80

18 A INCONSTITUCIONALIDADE DA PENHORA ADMINISTRATIVA NA EXECUÇÃO FISCAL que considera impenhoráveis. Já que a Administração Pública tem tanto poder para conseguir informações, a qualquer tempo, acerca da existência de bens do executado, incabível a imposição desse ônus ao devedor. Dispensável, portanto, esse artigo. O art. 7º corresponde à exceção de préexecutividade arguida na ação judicial, preservando a essência de sua estrutura. Contudo, as arguições são cabíveis apenas no processo administrativo. O art. 9º trata da penhora administrativa propriamente dita. É a constrição de bens do executado em sede administrativa. Traduz o poder do Estado de expropriar bens do executado, sem que antes este seja ouvido na via judicial acerca da legalidade ou não do título executivo antes da efetivação da penhora. Acrescentando-se a isso, mais um encargo para o devedor está previsto no artigo: o pagamento das custas com relação ao registro da penhora no Órgão competente, caso a execução seja julgada procedente para o credor. Ora, já que a Administração Pública é detentora de uma sorte de privilégios capazes de captar as informações que pretende acerca da vida do executado, nada mais justo que ela mesma arque com as despesas decorrentes de registro de constrição, deferido ou não seu pleito na esfera judicial. O executado já é onerado com a custa de lei. Nesse contexto, esqueceu-se a Fazenda Pública de prever cláusula de ressarcimento ou compensação fi nanceira ao executado pela inconveniência de ter tido seus bens constritos, e, em seguida, por ausência de confi rmação do Judiciário, liberados. Não caberia, no caso, algum tipo de indenização administrativa ao devedor? O art. 10 traz mais uma sanção para o devedor: em caso de sua recusa para o encargo de fi el depositário do bem será obrigado a pagar antecipadamente as despesas pela sua guarda. Mas o maior interesse é da Fazenda Pública, então, por que ela mesma não o guarda? Talvez se assim fi zer, colocando o bem em depósito a sua administração, com certeza estaria mais resguardado de danos. Absurdo esse artigo. Ensinagem, Belém/PA-Brasil, v. 3, n. 2, jul./dez. 2014, p

19 Joselle Maria de Alencar Araripe Bastos - Caio Rogério da Costa Brandão O art. 11 deixa a critério da Administração Pública a avaliação dos bens agravados, cabendo impugnação administrativa pelo devedor, no prazo estabelecido. Indeferida a impugnação, esta poderá ser oposta na via judicial. Dispensável essa previsão eis que a CF, em seu art. 5º, XXXV, estabelece: a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. O artigo 13, um dos mais importantes do projeto, prevê o ajuizamento da ação de execução fi scal. Contudo, somente poderá ser proposta se acompanhada da documentação de investigação patrimonial do devedor. Essa fase representa maior segurança ao contribuinte-devedor porque ele estará legalmente abraçado pelo direito de arrazoar sua defesa por quem realmente tem a legitimidade para resolver o confl ito, declarando o direito. Trata-se do princípio da segurança jurídica, importantíssimo para a mantença do equilíbrio entre as partes litigantes. O parágrafo único do art. 16 prevê sanção para quem dolosamente omitir, retardar ou prestar falsas informações fi cando responsável, subsidiariamente, pela dívida ativa em cobrança. É ilegal a responsabilização dos agentes infratores na mesma proporção da dívida, visto que alheios a ela. O fato gerador é outro. A aplicação de multa, após a apuração da culpa, em processo administrativo, seria a medida mais adequada. Cuida o art. 17 da penhora online, atualmente praticada indiscriminadamente por ordem judicial. Essa talvez seja a mais grave das modalidades de penhora, pois incide sobre todo e qualquer valor depositado em conta bancária, não distinguindo as parcelas impenhoráveis determinadas pelo CPC, das demais. O prejuízo causado ao devedor é irreparável, visto entrar na esfera íntima do executado, por se tratar de impedimento do uso de um bem de natureza alimentar, imprescindível ao sustento do devedor e de sua família. Embora posteriormente o devedor possa comprovar a impenhorabilidade desses valores, resultando em sua liberação, o dano já foi causado. Some-se 82

20 A INCONSTITUCIONALIDADE DA PENHORA ADMINISTRATIVA NA EXECUÇÃO FISCAL a isso o abalo emocional que a constrição acarreta. Além disso, maior risco corre o contribuinte caso não seja ajuizada a ação no prazo de 3 dias previsto no 1º, fi cando o dinheiro indisponível a vontade da Fazenda Pública. 8 CONCLUSÃO A invasão à privacidade, com a devassa da vida íntima patrimonial do executado através de sistema integrado de informações cujo acesso da Administração Pública é irrestrito, constitui em violação irreparável ao princípio da dignidade humana e abuso de poder. O Estado se legitima para praticar o cerceamento de direitos básicos, fundamentais, característicos de um Estado Democrático de Direito, ofendendo, ferindo, violando diretamente a Constituição Federal. Em um Estado Democrático de Direito até mesmo o Estado se submete a limitações ao direito de intervenção na vida privada de seu cidadão; trata-se da defesa a bens e direitos, tanto materiais quanto imateriais, capazes de proteger o mínimo da dignidade humana. Como exemplo, o artigo 649 do CPC. A intenção do legislador foi resguardar bens capazes de garantir direitos fundamentais da pessoa, como o de moradia e alimentos. De todo esse enredo, importante, mesmo, seria restringir a atuação da administração quanto à penhora online, efetivada judicialmente a pedido da Fazenda Pública. Apesar de a lei autorizar a invasão na conta corrente dos usuários, essa medida constitui, sob o manto do exercício nas próprias mãos, grave lesão ao patrimônio pessoal do devedor, tendo em vista o gravame de bloqueio não poder selecionar os depósitos gerais dos depósitos de natureza alimentar, tais como os salários, vencimentos, proventos de aposentadoria, que são impenhoráveis por determinação expressa do art. 649 do CPC. Sabe-se, é certo, que após o bloqueio o executado poderá apresentar comprovantes (contra cheques e extratos bancários) que indiquem os depósitos de natureza alimentar, para que também, por ordem judi- Ensinagem, Belém/PA-Brasil, v. 3, n. 2, jul./dez. 2014, p

Seguro Garantia Judicial em Execução Fiscal: condições e autorização legal. Íris Vânia Santos Rosa Mestre e Doutora PUC/SP

Seguro Garantia Judicial em Execução Fiscal: condições e autorização legal. Íris Vânia Santos Rosa Mestre e Doutora PUC/SP Seguro Garantia Judicial em Execução Fiscal: condições e autorização legal Íris Vânia Santos Rosa Mestre e Doutora PUC/SP 1. Como podemos incluir o Seguro Garantia Judicial como válida hipótese de Penhora

Leia mais

RECEBIMENTO DE OFICIAL DE JUSTIÇA

RECEBIMENTO DE OFICIAL DE JUSTIÇA RECEBIMENTO DE OFICIAL DE JUSTIÇA CITAÇÃO e RECEBIMENTO DE OFICIAL DE JUSTIÇA Na execução fiscal se estima que o executado receberá oficial de justiça ao menos duas vezes em cada processo O não pagamento

Leia mais

CONGRESSO IBDT/AJUFE DE DIREITO TRIBUTÁRIO

CONGRESSO IBDT/AJUFE DE DIREITO TRIBUTÁRIO CONGRESSO IBDT/AJUFE DE DIREITO TRIBUTÁRIO Execução fiscal, colidências com o CPC e questões relacionadas às garantias. Execução Fiscal: especialidade e subsidiariedade Leonardo Buissa Freitas Execução

Leia mais

Fiscal Online Disciplina: Direito Tributário Prof. Eduardo Sabbag Data: 13.07.2012 MATERIAL DE APOIO MONITORIA. Índice 1.

Fiscal Online Disciplina: Direito Tributário Prof. Eduardo Sabbag Data: 13.07.2012 MATERIAL DE APOIO MONITORIA. Índice 1. Fiscal Online Disciplina: Direito Tributário Prof. Eduardo Sabbag Data: 13.07.2012 MATERIAL DE APOIO MONITORIA Índice 1. Anotações de Aula 1. ANOTAÇÕES DE AULA DIREITO TRIBUTARIO NO CTN Art. 155-A CTN.

Leia mais

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XIII EXAME DE ORDEM UNIFICADO

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XIII EXAME DE ORDEM UNIFICADO PADRÃO DE RESPOSTA - PEÇA PROFISSIONAL Determinada pessoa jurídica declarou, em formulário próprio estadual, débito de ICMS. Apesar de ter apresentado a declaração, não efetuou o recolhimento do crédito

Leia mais

BRANDEL, COMTE & LOUVERA CONSULTORIA JURÍDICA

BRANDEL, COMTE & LOUVERA CONSULTORIA JURÍDICA BRANDEL, COMTE & LOUVERA CONSULTORIA JURÍDICA Rio de Janeiro, 12 de agosto de 2013. DA CAUTELA NA ADOÇÃO DE MEDIDAS EXPROPRIATÓRIAS NO ÂMBITO DAS EXECUÇÕES FISCAIS *Autor: Augusto Comte Rotineiramente,

Leia mais

VI pedido de reexame de admissibilidade de recurso especial.

VI pedido de reexame de admissibilidade de recurso especial. PROJETO DE LEI DO SENADO Nº, 2013 - COMPLEMENTAR Estabelece normas gerais sobre o processo administrativo fiscal, no âmbito das administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos

Leia mais

A indevida contribuição de 10% sobre o FGTS

A indevida contribuição de 10% sobre o FGTS Informe Jurídico - nº I - 2014 A indevida contribuição de 10% sobre o FGTS De acordo com o artigo 1º da Lei Complementar nº 110, de 29 de junho de 2001, em caso de demissão de empregado sem justa causa,

Leia mais

Reforma da Execução Fiscal Modelo Misto: judicial e Administrativa

Reforma da Execução Fiscal Modelo Misto: judicial e Administrativa Reforma da Execução Fiscal Modelo Misto: judicial e Administrativa Heleno Taveira Torres Professor Titular de Direito Financeiro Faculdade de Direito - USP PROBLEMA DO FISCO Passivo tributário federal:

Leia mais

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM com a Independência dos E.U.A. e a Revolução Francesa, a Declaração Universal dos Direitos do Homem é um documento extraordinário que precisa ser mais conhecido

Leia mais

A CRÍTICA AO ATO DE SUPERIOR E A LIBERDADE DE EXPRESSÃO

A CRÍTICA AO ATO DE SUPERIOR E A LIBERDADE DE EXPRESSÃO UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO MILITAR DIREITO PENAL MILITAR PARTE ESPECIAL MARCELO VITUZZO PERCIANI A CRÍTICA AO ATO DE SUPERIOR E A LIBERDADE DE EXPRESSÃO Marcelo Vituzzo Perciani

Leia mais

Direitos Fundamentais i

Direitos Fundamentais i Direitos Fundamentais i Os direitos do homem são direitos válidos para todos os povos e em todos os tempos. Esses direitos advêm da própria natureza humana, daí seu caráter inviolável, intemporal e universal

Leia mais

DA IMPENHORABILIDADE DO BEM DE FAMILIA E A LEI 8.009/90. Anderson Oliveira de Souza 1 (CEUNSP) André Dias Silva 2 (CEUNSP)

DA IMPENHORABILIDADE DO BEM DE FAMILIA E A LEI 8.009/90. Anderson Oliveira de Souza 1 (CEUNSP) André Dias Silva 2 (CEUNSP) 1 DA IMPENHORABILIDADE DO BEM DE FAMILIA E A LEI 8.009/90 Anderson Oliveira de Souza 1 (CEUNSP) André Dias Silva 2 (CEUNSP) RESUMO O presente artigo tem por finalidade demonstrar a proteção que se dá ao

Leia mais

O O CONFLITO ENTRE O PODER DE DIREÇÃO DA EMPRESA E A INTIMIDADE/PRIVACIDADE DO EMPREGADO NO AMBIENTE DE TRABALHO. Adriana Calvo

O O CONFLITO ENTRE O PODER DE DIREÇÃO DA EMPRESA E A INTIMIDADE/PRIVACIDADE DO EMPREGADO NO AMBIENTE DE TRABALHO. Adriana Calvo O O CONFLITO ENTRE O PODER DE DIREÇÃO DA EMPRESA E A INTIMIDADE/PRIVACIDADE DO EMPREGADO NO AMBIENTE DE TRABALHO Adriana Calvo Professora de Direito do Trabalho do Curso Preparatório para carreiras públicas

Leia mais

RESOLUÇÃO NORMATIVA - RN No-328, DE 22 DE ABRIL DE 2013

RESOLUÇÃO NORMATIVA - RN No-328, DE 22 DE ABRIL DE 2013 RESOLUÇÃO NORMATIVA - RN No-328, DE 22 DE ABRIL DE 2013 Altera a Resolução Normativa - RN 4, de 19 de abril de 2002, que dispõe sobre o parcelamento de débitos tributários e não tributários para com a

Leia mais

Processo do Trabalho

Processo do Trabalho Processo do Trabalho Professor Leonardo Gutierrez E-mail: professorlgutierrez@gmail.com https://www.facebook.com/professorleonardogutierrez A gota não fura a rocha pela força, mas por sua persistência

Leia mais

Breves Considerações sobre o Superendividamento

Breves Considerações sobre o Superendividamento 116 Breves Considerações sobre o Superendividamento Luiz Eduardo de Castro Neves 1 O empréstimo de valores é realizado com a cobrança de juros, de forma a permitir uma remuneração pelo valor emprestado.

Leia mais

COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DA CIDADANIA PROJETO DE LEI Nº 6.542, DE 2006 VOTO EM SEPARADO DEPUTADO REGIS DE OLIVEIRA

COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DA CIDADANIA PROJETO DE LEI Nº 6.542, DE 2006 VOTO EM SEPARADO DEPUTADO REGIS DE OLIVEIRA COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DA CIDADANIA PROJETO DE LEI Nº 6.542, DE 2006 Regulamenta o inciso IX do art. 114 da Constituição Federal, para dispor sobre competências da Justiça do Trabalho referentes

Leia mais

Ementa: Apresentação da declaração de bens e rendas. Lei 8.730/93. Lei 8.429/92. Instrução Normativa do TCU nº 65, de 20 de abril de 2011.

Ementa: Apresentação da declaração de bens e rendas. Lei 8.730/93. Lei 8.429/92. Instrução Normativa do TCU nº 65, de 20 de abril de 2011. Nota Técnica n 01/2011 Ementa: Apresentação da declaração de bens e rendas. Lei 8.730/93. Lei 8.429/92. Instrução Normativa do TCU nº 65, de 20 de abril de 2011. Obrigatoriedade. 1. No dia 03.05.2011 o

Leia mais

PARECER Nº, DE 2011. RELATOR: Senador LUIZ HENRIQUE

PARECER Nº, DE 2011. RELATOR: Senador LUIZ HENRIQUE PARECER Nº, DE 2011 Da COMISSÃO DE ASSUNTOS ECONÔMICOS, sobre o Projeto de Lei do Senado nº 244, de 2011, do Senador Armando Monteiro, que acrescenta os arts. 15-A, 15-B e 15-C à Lei nº 6.830, de 22 de

Leia mais

Questões Dissertativas (máximo 15 linhas)

Questões Dissertativas (máximo 15 linhas) Questões Dissertativas (máximo 15 linhas) 1) O que é tributo? Considerando a classificação doutrinária que, ao seguir estritamente as disposições do Código Tributário Nacional, divide os tributos em "impostos",

Leia mais

Declaração Universal dos. Direitos Humanos

Declaração Universal dos. Direitos Humanos Declaração Universal dos Direitos Humanos Ilustrações gentilmente cedidas pelo Fórum Nacional de Educação em Direitos Humanos Apresentação Esta é mais uma publicação da Declaração Universal dos Direitos

Leia mais

A atuação do advogado na efetivação dos direitos dos fundamentais

A atuação do advogado na efetivação dos direitos dos fundamentais A atuação do advogado na efetivação dos direitos dos fundamentais Eliene Falcão Sobrinho 1 1. Consultora jurídica; advogada militante na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG); membro do escritório

Leia mais

Portaria PGFN nº 164, de 27.02.2014 - DOU de 05.03.2014

Portaria PGFN nº 164, de 27.02.2014 - DOU de 05.03.2014 Portaria PGFN nº 164, de 27.02.2014 - DOU de 05.03.2014 Regulamenta o oferecimento e a aceitação do seguro garantia judicial para execução fiscal e seguro garantia parcelamento administrativo fiscal para

Leia mais

O Dano Moral por Uso Indevido da Imagem do Empregado. O direito à imagem é um dos direitos de personalidade alçados a nível constitucional.

O Dano Moral por Uso Indevido da Imagem do Empregado. O direito à imagem é um dos direitos de personalidade alçados a nível constitucional. 1 O Dano Moral por Uso Indevido da Imagem do Empregado. O direito à imagem é um dos direitos de personalidade alçados a nível constitucional. Art. 5. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer

Leia mais

Preâmbulo. Considerando essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações,

Preâmbulo. Considerando essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações, DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS Adotada e proclamada pela resolução 217 A (III) da Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948 Preâmbulo Considerando que o reconhecimento da

Leia mais

Unidade I DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES. Prof. Luís Fernando Xavier Soares de Mello

Unidade I DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES. Prof. Luís Fernando Xavier Soares de Mello Unidade I DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES Prof. Luís Fernando Xavier Soares de Mello Direito nas organizações Promover uma visão jurídica global do Sistema Tributário Nacional, contribuindo para a formação do

Leia mais

PL 5196/2013. Acrescer Capítulo VIII ao Título Ido Código de Defesa do Consumidor: Das Medidas Corretivas

PL 5196/2013. Acrescer Capítulo VIII ao Título Ido Código de Defesa do Consumidor: Das Medidas Corretivas PL 5196/2013 Acrescer Capítulo VIII ao Título Ido Código de Defesa do Consumidor: Das Medidas Corretivas Medidas Corretivas: natureza jurídica. [redação original do PL] Art. 60-A. Sem prejuízo da sanções

Leia mais

Limitações na ação de consignação em pagamento. Sumário: 1 Conceito. 2 Sua disciplina legal. 3 Limites da ação em consignação em pagamento.

Limitações na ação de consignação em pagamento. Sumário: 1 Conceito. 2 Sua disciplina legal. 3 Limites da ação em consignação em pagamento. Limitações na ação de consignação em pagamento Kiyoshi Harada* Sumário: 1 Conceito. 2 Sua disciplina legal. 3 Limites da ação em consignação em pagamento. 1 Conceito O que significa consignação em pagamento?

Leia mais

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XV EXAME DE ORDEM UNIFICADO

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XV EXAME DE ORDEM UNIFICADO PADRÃO DE RESPOSTA - PEÇA PROFISSIONAL Em 2003, João ingressou como sócio da sociedade D Ltda. Como já trabalhava em outro local, João preferiu não participar da administração da sociedade. Em janeiro

Leia mais

Considerando ser essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações,

Considerando ser essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações, A Declaração Universal dos Direitos Humanos é um dos documentos básicos das Nações Unidas e foi assinada em 1948. Nela, são enumerados os direitos que todos os seres humanos possuem. Preâmbulo Considerando

Leia mais

RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES NOS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS QUANDO DA DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE

RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES NOS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS QUANDO DA DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE compilações doutrinais RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES NOS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS QUANDO DA DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE Carlos Barbosa Ribeiro ADVOGADO (BRASIL) VERBOJURIDICO VERBOJURIDICO

Leia mais

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS. UNIC / Rio / 005 - Dezembro 2000

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS. UNIC / Rio / 005 - Dezembro 2000 DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS UNIC / Rio / 005 - Dezembro 2000 DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS Preâmbulo Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros

Leia mais

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL X EXAME DE ORDEM UNIFICADO

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL X EXAME DE ORDEM UNIFICADO PADRÃO DE RESPOSTA - PEÇA PROFISSIONAL Em ação de indenização, em que determinada empresa fora condenada a pagar danos materiais e morais a Tício Romano, o Juiz, na fase de cumprimento de sentença, autorizou

Leia mais

a) conjunto de atos administrativos tendentes ao reconhecimento de uma situação jurídica pertinente à relação entre o Fisco e o contribuinte

a) conjunto de atos administrativos tendentes ao reconhecimento de uma situação jurídica pertinente à relação entre o Fisco e o contribuinte Unidade VIII I. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO 1. Acepções e espécies a) conjunto de atos administrativos tendentes ao reconhecimento de uma situação jurídica pertinente à relação entre o Fisco e o

Leia mais

Assim, devem ser informados ao COAF qualquer transação pelas pessoas jurídicas já mencionadas e outros, nas seguintes condições:

Assim, devem ser informados ao COAF qualquer transação pelas pessoas jurídicas já mencionadas e outros, nas seguintes condições: PARECER JURÍDICO DIMOB/COAF A Receita Federal através da Instrução Normativa SRF nº 576, de 1º de setembro de 2005, instituiu a Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob) de obrigação

Leia mais

COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E CIDADANIA

COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E CIDADANIA COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E CIDADANIA PROJETO DE LEI N o 5.423, DE 2009 Acrescenta dispositivo à Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, estabelecendo

Leia mais

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br BuscaLegis.ccj.ufsc.Br Tutela antecipada e suspensão da exigibildade do crédito tributário Eduardo Munhoz da Cunha* Sumário:1. Introdução. 2. A possibilidade de concessão de tutela antecipada contra a

Leia mais

INTERESSE PÚBLICO: Supremacia e Indisponibilidade.

INTERESSE PÚBLICO: Supremacia e Indisponibilidade. INTERESSE PÚBLICO: Supremacia e Indisponibilidade. Jaileno Miranda Conceição¹ RESUMO O Direito Administrativo é um ramo do Direito Público composto por órgãos, agentes, e pessoas jurídicas administrativas,

Leia mais

BuscaLegis.ccj.ufsc.br

BuscaLegis.ccj.ufsc.br BuscaLegis.ccj.ufsc.br Direito agrário: função social da propriedade; sua evolução e história Paula Baptista Oberto A Emenda Constitucional Nº. 10 de 10/11/64 foi o grande marco desta recente ciência jurídica

Leia mais

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS Preâmbulo DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS Adotada e proclamada pela resolução 217 A (III) da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948 Considerando que o reconhecimento da

Leia mais

TÍTULO: O PODER JUDICIÁRIO NA PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS FUNDAMENTAIS PREVISTOS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988

TÍTULO: O PODER JUDICIÁRIO NA PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS FUNDAMENTAIS PREVISTOS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 TÍTULO: O PODER JUDICIÁRIO NA PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS FUNDAMENTAIS PREVISTOS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 CATEGORIA: CONCLUÍDO ÁREA: CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS SUBÁREA: DIREITO INSTITUIÇÃO: CENTRO

Leia mais

A Constituição Federal, em seu art. 5º, LXXVI, confere a gratuidade do registro civil de nascimento aos reconhecidamente pobres.

A Constituição Federal, em seu art. 5º, LXXVI, confere a gratuidade do registro civil de nascimento aos reconhecidamente pobres. PROCEDIMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO CONVERTIDO EM PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS. REGISTRO DE NASCIMENTO. AVERBAÇÃO DE PATERNIDADE RECONHECIDA VOLUNTARIAMENTE. GRATUIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A Constituição

Leia mais

TÉCNICO DA RECEITA FEDERAL/2000

TÉCNICO DA RECEITA FEDERAL/2000 TÉCNICO DA RECEITA FEDERAL/2000 01) A prestação de serviço militar é compulsória e não constitui sanção a ato ilícito, porém não tem a natureza de tributo porque não é prestação pecuniária. Os impostos,

Leia mais

Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros

Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros Capítulo I - Do direito à informação Art. 1º O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros tem como base o direito fundamental do cidadão à informação, que abrange

Leia mais

Toque 14 - FGV - Fiscal de Rendas/ MS - 2006 (2ª parte)

Toque 14 - FGV - Fiscal de Rendas/ MS - 2006 (2ª parte) Olá, pessoal! Neste Toque continuaremos a análise da prova aplicada pela FGV em 21/05/2006, que selecionou candidatos ao cargo de Fiscal de Rendas para a Secretaria de Receita e Controle do Estado do Mato

Leia mais

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br BuscaLegis.ccj.ufsc.Br O Princípio da Legalidade na Administração Pública Heletícia Oliveira* 1. INTRODUÇÃO O presente artigo tem como objeto elucidar, resumidamente, a relação do Princípio da Legalidade

Leia mais

O FIM DA ISENÇÃO: O PAGAMENTO DA COFINS PELOS ESCRITÓRIOS DE ADVOCACIA Danielle Becker 1

O FIM DA ISENÇÃO: O PAGAMENTO DA COFINS PELOS ESCRITÓRIOS DE ADVOCACIA Danielle Becker 1 O FIM DA ISENÇÃO: O PAGAMENTO DA COFINS PELOS ESCRITÓRIOS DE ADVOCACIA Danielle Becker 1 RESUMO O artigo refere-se á análise da decisão proferida, no mês de setembro de 2008, pelo Supremo Tribunal Federal

Leia mais

Coordenação Geral de Tributação

Coordenação Geral de Tributação Fls. 2 1 Coordenação Geral de Tributação Solução de Consulta nº 98 Data 3 de abril de 2014 Processo Interessado CNPJ/CPF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF DANO MORAL. PESSOA FÍSICA.

Leia mais

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL VIII EXAME DE ORDEM UNIFICADO

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL VIII EXAME DE ORDEM UNIFICADO PADRÃO DE RESPOSTA - PEÇA PROFISSIONAL Com fundamento na recente Lei n. 1.234, do Estado Y, que exclui as entidades de direito privado da Administração Pública do dever de licitar, o banco X (empresa pública

Leia mais

Vitória, 22 de abril de 2008. Mensagem n º 84 / 2008. Senhor Presidente:

Vitória, 22 de abril de 2008. Mensagem n º 84 / 2008. Senhor Presidente: Vitória, 22 de abril de 2008. Mensagem n º 84 / 2008 Senhor Presidente: Comunico a V. Exa. que, amparado nos artigos 66, 2 e 9, IV da Constituição Estadual, decidi vetar totalmente por inconstitucionalidade

Leia mais

Exposição. 1. Município de Londrina ajuizou execução fiscal em face de Alessandro

Exposição. 1. Município de Londrina ajuizou execução fiscal em face de Alessandro APELAÇÃO CÍVEL N. 638896-9, DA COMARCA DE LONDRINA 2.ª VARA CÍVEL RELATOR : DESEMBARGADOR Francisco Pinto RABELLO FILHO APELANTE : MUNICÍPIO DE LONDRINA APELADO : ALESSANDRO VICTORELLI Execução fiscal

Leia mais

A Vedação da Propaganda Institucional no Período Eleitoral e a Lei 9.504/97

A Vedação da Propaganda Institucional no Período Eleitoral e a Lei 9.504/97 268 Série Aperfeiçoamento de Magistrados 7 Curso: 1º Seminário de Direito Eleitoral: Temas Relevantes para as Eleições de 2012 A Vedação da Propaganda Institucional no Período Eleitoral e a Lei 9.504/97

Leia mais

BREVES APONTAMENTOS ACERCA DA FUNÇÃO SOCIAL DOS ALIMENTOS NO CÓDIGO CIVIL DE 2002

BREVES APONTAMENTOS ACERCA DA FUNÇÃO SOCIAL DOS ALIMENTOS NO CÓDIGO CIVIL DE 2002 1 BREVES APONTAMENTOS ACERCA DA FUNÇÃO SOCIAL DOS ALIMENTOS NO CÓDIGO CIVIL DE 2002 Noeli Manini Remonti 1 A lei, ao criar o instituto dos alimentos, estipulou a obrigação alimentar para garantir a subsistência

Leia mais

NOTA TÉCNICA Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil Assessoria Legislativa

NOTA TÉCNICA Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil Assessoria Legislativa NOTA TÉCNICA Projeto de Lei da Câmara nº 33/2013 Justiça do Trabalho Necessária presença de advogado e condenação em honorários sucumbenciais Entendimento favorável. O advogado é indispensável à administração

Leia mais

GENILDO LINS DE ALBUQUERQUE NETO

GENILDO LINS DE ALBUQUERQUE NETO MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES GABINETE DO MINISTRO PORTARIA Nº 126, DE 25 DE JUNHO DE 2014 O MINISTRO DE ESTADO DAS COMUNICAÇÕES Interino, no uso das atribuições que lhe confere o inciso II do parágrafo

Leia mais

PERSONALIDADE JUDICIÁRIA DE ÓRGÃOS PÚBLICOS

PERSONALIDADE JUDICIÁRIA DE ÓRGÃOS PÚBLICOS PERSONALIDADE JUDICIÁRIA DE ÓRGÃOS PÚBLICOS JOSÉ DOS SANTOS CARVALHO FILHO O processo judicial, como instrumento do exercício da função existência de uma pretensão à qual é oposta pretensão contrária (resistência).

Leia mais

CONDICIONAR A EXPEDIÇÃO DO CRLV AO PAGAMENTO DE MULTAS É LEGAL?

CONDICIONAR A EXPEDIÇÃO DO CRLV AO PAGAMENTO DE MULTAS É LEGAL? CONDICIONAR A EXPEDIÇÃO DO CRLV AO PAGAMENTO DE MULTAS É LEGAL? A matéria que pretendemos colocar em discussão neste breve estudo concerne na legalidade do condicionamento da expedição do CRLV Certificado

Leia mais

A peça cabível será uma petição inicial direcionada para o Juízo Cível.

A peça cabível será uma petição inicial direcionada para o Juízo Cível. OAB 2010.3 GABARITO COMENTADO SEGUNDA FASE CIVIL PEÇA PRÁTICO PROFISSIONAL A peça cabível será uma petição inicial direcionada para o Juízo Cível. Trata-se de uma ação indenizatória proposta por José,

Leia mais

INSTITUIÇÕES DE DIREITO PUBLICO E PRIVADO MÓDULO 18 COMPETÊNCIA

INSTITUIÇÕES DE DIREITO PUBLICO E PRIVADO MÓDULO 18 COMPETÊNCIA INSTITUIÇÕES DE DIREITO PUBLICO E PRIVADO MÓDULO 18 COMPETÊNCIA Índice 1. Competência...3 1.1. Critérios Objetivos... 3 1.1.1. Critérios Subjetivos... 4 1.1.2. Competência Territorial... 4 2. Dos Processos...4

Leia mais

Honorários advocatícios

Honorários advocatícios Honorários advocatícios Os honorários advocatícios são balizados pelo Código de Processo Civil brasileiro (Lei de n. 5.869/73) em seu artigo 20, que assim dispõe: Art. 20. A sentença condenará o vencido

Leia mais

Remuneração de Dirigentes de Entidades Sem Fins Lucrativos

Remuneração de Dirigentes de Entidades Sem Fins Lucrativos Remuneração de Dirigentes de Entidades Sem Fins Lucrativos Tomáz de Aquino Resende Promotor de Justiça. Coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Tutela de Fundações de Minas Gerais.

Leia mais

PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA FEDERAL CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE CANOAS PRIMEIRA VARA FEDERAL PORTARIA 002/08

PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA FEDERAL CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE CANOAS PRIMEIRA VARA FEDERAL PORTARIA 002/08 PORTARIA 002/08 Os Doutores GUILHERME PINHO MACHADO, Juiz Federal da Vara Federal Cível da Subseção Judiciária de Canoas, e DANIEL LUERSEN, Juiz Federal Substituto, no uso de suas atribuições legais, e

Leia mais

RECURSOS DIREITO TRIBUTÁRIO- ALEXANDRE LUGON PROVA 2 ATRFB (ÁREA GERAL) -DIREITO TRIBUTÁRIO

RECURSOS DIREITO TRIBUTÁRIO- ALEXANDRE LUGON PROVA 2 ATRFB (ÁREA GERAL) -DIREITO TRIBUTÁRIO RECURSOS DIREITO TRIBUTÁRIO- ALEXANDRE LUGON QUESTÃO 1 1 - Responda às perguntas abaixo e em seguida assinale a opção correta. I. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios cobrar

Leia mais

Da Responsabilidade Civil Objetiva. É a mesma coisa que responsabilidade civil sem culpa. Ela tem como fundamento legal a teoria do risco.

Da Responsabilidade Civil Objetiva. É a mesma coisa que responsabilidade civil sem culpa. Ela tem como fundamento legal a teoria do risco. Da Responsabilidade Civil Objetiva É a mesma coisa que responsabilidade civil sem culpa. Ela tem como fundamento legal a teoria do risco. Na doutrina brasileira a matéria vem muito bem elaborada por Caio

Leia mais

Da reserva de administração, da harmonia entre os Poderes e da iniciativa legislativa

Da reserva de administração, da harmonia entre os Poderes e da iniciativa legislativa Vitória, 07 de julho de 2008. Mensagem n º 156/ 2008 Senhor Presidente: Comunico a V. Exa. que vetei totalmente o Projeto de Lei n 116/2007, por considerá-lo inconstitucional, pois padece dos vícios de

Leia mais

SIGILO FISCAL E DÍVIDA ATIVA - ASPECTOS RELEVANTES

SIGILO FISCAL E DÍVIDA ATIVA - ASPECTOS RELEVANTES SIGILO FISCAL E DÍVIDA ATIVA - ASPECTOS RELEVANTES Augusto Carlos Cavalcante Melo: Procurador do Estado de Sergipe. Ex-Auditor Técnico de Tributos. Especialista em Direito Processual Civil. Especialista

Leia mais

Renúncia à Instância Administrativa Trabalhista

Renúncia à Instância Administrativa Trabalhista Renúncia à Instância Administrativa Trabalhista Abel Ferreira Lopes Filho* 1. Introdução. Para Mariana Wolfenson, renunciar à instância administrativa decorre da opção lógica feita pelo administrado em

Leia mais

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XIV EXAME DE ORDEM UNIFICADO

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XIV EXAME DE ORDEM UNIFICADO PADRÃO DE RESPOSTA - PEÇA PROFISSIONAL João e José são pessoas com deficiência física, tendo concluído curso de nível superior. Diante da abertura de vagas para preenchimento de cargos vinculados ao Ministério

Leia mais

ESTADO DE MATO GROSSO PODER JUDICIÁRIO COMARCA DE ALTA FLORESTA 6ª VARA. Vistos.

ESTADO DE MATO GROSSO PODER JUDICIÁRIO COMARCA DE ALTA FLORESTA 6ª VARA. Vistos. Autos n.º 3022-48.2012.811.0007. Código nº 101526. Ação de Obrigação de Fazer. Vistos. Trata-se de ação nominada Ação Cominatória de Obrigação de Fazer com pedido expresso de tutela de urgência interposta

Leia mais

Comentário a Acórdão do Supremo Tribunal Federal sobre o princípio da Inafastabilidade da Prestação Jurisdicional

Comentário a Acórdão do Supremo Tribunal Federal sobre o princípio da Inafastabilidade da Prestação Jurisdicional Comentário a Acórdão do Supremo Tribunal Federal sobre o princípio da Inafastabilidade da Prestação Jurisdicional Universidade de Brasília Disciplina: Teoria Geral do Processo II Professor: Dr. Vallisney

Leia mais

Marco Civil da Internet

Marco Civil da Internet Deputado Federal Alessandro Lucciola Molon (Partido dos Trabalhadores Rio de Janeiro) Relator do Projeto de Lei 2.126/2011 (Lei 12.965/2014) 16 Giugno 2014 Montecitorio publicado no D.O.U. de 24.4.2014

Leia mais

Estes são os direitos de: Atribuídos em: Enunciados pela Organização das Naões Unidas na Declaração Universal dos Direitos Humanos

Estes são os direitos de: Atribuídos em: Enunciados pela Organização das Naões Unidas na Declaração Universal dos Direitos Humanos Estes são os direitos de: Atribuídos em: Enunciados pela Organização das Naões Unidas na Declaração Universal dos Direitos Humanos No dia 10 de dezembro de 1948, a Assembléia Geral das Nações Unidas adotou

Leia mais

Supremo Tribunal Federal

Supremo Tribunal Federal MEDIDA CAUTELAR EM MANDADO DE SEGURANÇA 32.751 DISTRITO FEDERAL RELATOR IMPTE.(S) ADV.(A/S) IMPDO.(A/S) ADV.(A/S) : MIN. CELSO DE MELLO :DEBORAH MARIA PRATES BARBOSA :DEBORAH MARIA PRATES BARBOSA :CONSELHO

Leia mais

MUNICÍPIO DE CAUCAIA

MUNICÍPIO DE CAUCAIA LEI N 1765, DE 25 DE AGOSTO 2006. Institui o Programa de Recuperação Fiscal - REFIS no Município de Caucaia, e dá outras providências. A PREFEITA MUNICIPAL DE CAUCAIA, no uso de suas atribuições legais,

Leia mais

DIREITO ADMINISTRATIVO I. NOÇÕES PRELIMINARES

DIREITO ADMINISTRATIVO I. NOÇÕES PRELIMINARES DIREITO ADMINISTRATIVO I. NOÇÕES PRELIMINARES 1. DIREITO: é o conjunto de normas de conduta coativa impostas pelo Estado, se traduz em princípios de conduta social, tendentes a realizar Justiça, assegurando

Leia mais

DIREITO CONSTITUCIONAL PROF. DRA. VÂNIA HACK DE ALMEIDA

DIREITO CONSTITUCIONAL PROF. DRA. VÂNIA HACK DE ALMEIDA 1 DIREITO CONSTITUCIONAL PONTO 1: DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS PONTO 2: a) CLASSIFICAÇÃO DOS DIR. E GARANTIAS FUNDAMENTAIS. b) PRINCÍPIOS E REGRAS ART. 5º, 3º 1 - CF - Dir. Humanos. No caput do art.

Leia mais

DIREITO CONSTITUCIONAL

DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITO CONSTITUCIONAL PROFESSOR RODRIGO MENEZES facebook.com/prof.rodrigomenezes Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo se aos brasileiros e aos estrangeiros

Leia mais

EMENTA ACÓRDÃO. Desembargador Federal Joel Ilan Paciornik Relator

EMENTA ACÓRDÃO. Desembargador Federal Joel Ilan Paciornik Relator RELATOR : JOEL ILAN PACIORNIK EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. BLOQUEIO DOS VALORES CONSTANTES EM CONTA CORRENTE DO EXECUTADO. VERBAS DE CARÁTER ALIMENTAR. IMPENHORABILIDADE. DESBLOQUEIO. 1. Em

Leia mais

Direito & Cotidiano Diário dos estudantes, profissionais e curiosos do Direito. http://direitoecotidiano.wordpress.

Direito & Cotidiano Diário dos estudantes, profissionais e curiosos do Direito. http://direitoecotidiano.wordpress. Direito & Cotidiano Diário dos estudantes, profissionais e curiosos do Direito. http://direitoecotidiano.wordpress.com/ Rafael Adachi PRINCÍPIOS DO DIREITO ADMINISTRATIVO Supremacia do Interesse Público

Leia mais

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO ACRE 1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Rio Branco. Decisão

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO ACRE 1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Rio Branco. Decisão fls. 1 Autos n.º 0708777-72.2013.8.01.0001 Classe Ação Civil Pública Autor Defensoria Pública do Estado do Acre Réu Estado do Acre Decisão Trata-se de Ação Civil Pública, com pedido de tutela antecipada,

Leia mais

Sumário NOTA À TERCEIRA EDIÇÃO... 15 NOTA PRÉVIA... 19 PREFÁCIO... 21 APRESENTAÇÃO... 23

Sumário NOTA À TERCEIRA EDIÇÃO... 15 NOTA PRÉVIA... 19 PREFÁCIO... 21 APRESENTAÇÃO... 23 Sumário NOTA À TERCEIRA EDIÇÃO... 15 NOTA PRÉVIA... 19 PREFÁCIO... 21 APRESENTAÇÃO... 23 CAPÍTULO I... 25 1. Novos riscos, novos danos... 25 2. O Estado como responsável por danos indenizáveis... 26 3.

Leia mais

OBSERVAÇÕES E EFEITOS DA MODULAÇÃO DAS ADIS 4357 E 4425 NO CÁLCULO DOS ATRASADOS EM AÇÕES CONTRA A FAZENDA PÚBLICA SEM PRECATÓRIO EXPEDIDO.

OBSERVAÇÕES E EFEITOS DA MODULAÇÃO DAS ADIS 4357 E 4425 NO CÁLCULO DOS ATRASADOS EM AÇÕES CONTRA A FAZENDA PÚBLICA SEM PRECATÓRIO EXPEDIDO. OBSERVAÇÕES E EFEITOS DA MODULAÇÃO DAS ADIS 4357 E 4425 NO CÁLCULO DOS ATRASADOS EM AÇÕES CONTRA A FAZENDA PÚBLICA SEM PRECATÓRIO EXPEDIDO. Bernardo Rücker No último dia 25 de maio de 2015, o Plenário

Leia mais

Unidade II. A afirmação pode ser comprovada da leitura do dispositivo transcrito:

Unidade II. A afirmação pode ser comprovada da leitura do dispositivo transcrito: Unidade II 4 IMUNIDADES TRIBUTÁRIAS A Constituição Federal proíbe a instituição de impostos sobre certas pessoas ou situações. Baleeiro (1976, p. 87) ensina que imunidades tributárias são: vedações absolutas

Leia mais

CASOTECA DIREITO GV PRODUÇÃO DE CASOS 2011

CASOTECA DIREITO GV PRODUÇÃO DE CASOS 2011 CASOTECA DIREITO GV PRODUÇÃO DE CASOS 2011 CASOTECA DIREITO GV Caso do Campo de Algodão: Direitos Humanos, Desenvolvimento, Violência e Gênero ANEXO I: DISPOSITIVOS RELEVANTES DOS INSTRUMENTOS INTERNACIONAIS

Leia mais

Controle de Constitucionalidade de normas pré-constitucionais

Controle de Constitucionalidade de normas pré-constitucionais Controle de Constitucionalidade de normas pré-constitucionais O Supremo Tribunal Federal possui o poder de decidir sobre a constitucionalidade das normas jurídicas que foram aprovadas antes da entrada

Leia mais

www.estudodeadministrativo.com.br

www.estudodeadministrativo.com.br DIREITO ADMINISTRATIVO RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO I - CONCEITO - A responsabilidade civil se traduz na obrigação de reparar danos patrimoniais, sendo que com base em tal premissa podemos afirmar

Leia mais

7. Tópicos Especiais em Responsabilidade Civil. Tópicos Especiais em Direito Civil

7. Tópicos Especiais em Responsabilidade Civil. Tópicos Especiais em Direito Civil 7. Tópicos Especiais em Responsabilidade Civil Tópicos Especiais em Direito Civil Introdução A Responsabilidade Civil surge em face de um descumprimento obrigacional pela desobediência de uma regra estabelecida

Leia mais

Pós-Graduação Lato Sensu Direito Tributário

Pós-Graduação Lato Sensu Direito Tributário Pós-Graduação Lato Sensu Direito Tributário Professora FABIANA DEL PADRE TOMÉ Mestre e Doutora em Direito Tributário pela PUC/SP Disciplina SUSPENÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Que é crédito tributário? Crédito

Leia mais

PONTO 1: Execução Trabalhista. Fase de Liquidação de Sentença Trabalhista é uma fase preparatória da execução trabalhista art. 879 da CLT.

PONTO 1: Execução Trabalhista. Fase de Liquidação de Sentença Trabalhista é uma fase preparatória da execução trabalhista art. 879 da CLT. 1 DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO PONTO 1: Execução Trabalhista 1. EXECUÇÃO TRABALHISTA: ART. 876 ART. 892 da CLT Fase de Liquidação de Sentença Trabalhista é uma fase preparatória da execução trabalhista

Leia mais

ANEXO I DECLARAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL

ANEXO I DECLARAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL ANEXO I DECLARAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL (razão social do devedor), com inscrição no CNPJ nº, devidamente representada por (nome e qualificação do representante), DECLARA, para os fins da RN

Leia mais

Acesso ao Tribunal Constitucional: Possibilidade de ações movidas por estrangeiros

Acesso ao Tribunal Constitucional: Possibilidade de ações movidas por estrangeiros Acesso ao Tribunal Constitucional: Possibilidade de ações movidas por estrangeiros Os direitos fundamentais previstos na Constituição brasileira de 1988 são igualmente garantidos aos brasileiros e aos

Leia mais

SEMINÁRIO - O PODER JUDICIÁRIO E O NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL ENUNCIADOS APROVADOS

SEMINÁRIO - O PODER JUDICIÁRIO E O NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL ENUNCIADOS APROVADOS 1) Entende-se por fundamento referido no art. 10 do CPC/2015 o substrato fático que orienta o pedido, e não o enquadramento jurídico atribuído pelas partes. 2) Não ofende a regra do contraditório do art.

Leia mais

DIREITO ADMINISTRATIVO CONTROLE

DIREITO ADMINISTRATIVO CONTROLE DIREITO ADMINISTRATIVO CONTROLE Atualizado em 12/11/2015 CLASSIFICAÇÕES E SISTEMAS DE CONTROLE CLASSIFICAÇÕES DO CONTROLE Quanto ao posicionamento do órgão controlador: Externo: exercido por um ente que

Leia mais

FATO GERADOR DO ICMS NA IMPORTAÇÃO RE 540.829-SP - 11/09/2014

FATO GERADOR DO ICMS NA IMPORTAÇÃO RE 540.829-SP - 11/09/2014 FATO GERADOR DO ICMS NA IMPORTAÇÃO RE 540.829-SP - 11/09/2014 ASPECTOS HISTÓRICOS Em passado remoto, o Estado de São Paulo tentou instituir a cobrança do ICMS na importação de mercadorias e o fez por decreto.

Leia mais

COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA

COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA CONSULTA N o 20, DE 2011 Consulta sobre incompatibilidade entre o exercício do mandato parlamentar e a atividade de apresentação de programa em emissora

Leia mais