Processo de software: do alinhamento estratégico até a sustentação do software

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1 Processo de software: do alinhamento estratégico até a sustentação do software Renata Assunção Farias Introdução Em 2007, após pesquisa com órgãos da Administração Pública Federal (APF), o TCU atestou a grave situação da governança e da gestão de tecnologia da informação (TI) nos órgãos e recomendou por meio do Acórdão 1.603/2008 que os órgãos governantes superiores promovessem ações no sentido de disseminar a importância do planejamento estratégico, procedendo inclusive, mediante orientação normativa, ações voltadas para o aperfeiçoamento do planejamento estratégico institucional, planejamento estratégico de TI e comitê diretivo de TI, com vistas a propiciar a alocação dos recursos públicos conforme as necessidades e prioridades da organização. Em 2010, nova pesquisa foi realizada para acompanhamento da situação da governança na APF e demonstrou que houve uma melhora nos números de órgãos que fazem o planejamento estratégico institucional, mas número de órgãos que fazem planejamento de TI ainda é preocupante visto que o TCU é pacífico quanto à necessidade de planejar as contratações de TI em harmonia com o planejamento estratégico institucional. Neste cenário, é importante perceber que a governança de tecnologia da informação ainda tem muito a melhorar, mas já está sendo tratada como um assunto de relevância dentro da APF. Delimitação do problema A ausência de uma metodologia de desenvolvimento de sistemas, onde são definidos processos TI para o desenvolvimento de um software, dificulta o trabalho dos servidores dos órgãos integrantes do SISP, pois apesar de a maioria dos órgãos não desenvolverem internamente, é necessário saber quais os artefatos devem ser cobrados da empresa contratada para que o conhecimento do software fique internalizado. Além disso, é necessário saber como avaliá-los para dar o aceite com a certeza de que o produto corresponde ao esperado. Assim, o problema que pretende ser superado com esta proposta é a ausência ou pouca maturidade dos órgãos integrantes do SISP em processos de alinhamento estratégico, segurança da informação, gestão de projetos, engenharia de software, produção colaborativa e contratação. Este tema é bastante relevante, pois o objetivo deste processo de software é ser usado pelos diversos órgãos do SISP para que assim, eleve o grau de maturidade e promova a utilização responsável e mais eficiente dos recursos públicos, a elevação dos níveis de qualidade e controle das soluções, o alinhamento das soluções ao planejamento estratégico, a retenção da inteligência das soluções nos órgãos e a padronização de processos e artefatos. O projeto tem como objetivo principal apresentar o processo de software que está sendo elaborado pela SLTI para que seja usado como referência pelos órgãos integrantes do SISP. Tal objetivo se dedobra especificamente nos seguintes itens: Detalhar quais as fases do processo. Detalhar quais as disciplinas do processo. Detalhar qual o objetivo de cada fase do processo. Detalhar qual o objetivo de casa disciplina do processo. 1

2 Desenvolvimento Para que haja uma boa governança de TI, é necessário que os processos de ti estejam alinhados aos negócios da organização. Por isso, se faz necessária uma constante avaliação e melhoria dos processos de TI. Talvez por isso, em pesquisa de auto-diagnóstico realizada pela Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI) do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), cujo objetivo era conhecer os órgãos e suas necessidades, constatou que a Metodologia de Desenvolvimento de Software (MDS) é a uma das maiores necessidade dos órgãos do Sistema de Administração de Recursos de Informação e Informática (SISP). O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão é o órgão central deste sistema e atua por meio da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação - SLTI, na normatização, gestão e coordenação das ações do SISP. As áreas de Tecnologia da Informação dos diversos Ministérios e dos órgãos equivalentes às demais entidades do SISP, atuam como órgãos setoriais na implantação direta das ações e colaboram com a coordenação e desenvolvimento das políticas, normas e diretrizes do sistema. As fundações e autarquias são classificadas como órgãos seccionais (vinculados aos Ministérios) pertencentes ao SISP e contribuem, no âmbito de sua atuação, na coordenação e no desenvolvimento programático, normativo e diretivo das ações de TI. Neste contexto que a SLTI decidiu por elaborar um MDS que contemple todos os processos relacionados ao software. Desde a fase de alinhamento com o planejamento estratégico de TI até a fase de sustentação, passando por disciplinas de gestão de projetos, segurança da informação, software público, contratação, engenharia de software. Por isso, deu-se o nome de Processo de Software do SISP, pois não contempla apenas processos de desenvolvimento do software. Referencial teórico Existem processos de softwares adaptados para um órgão em específico, mas não há um processo que tenha sido desenvolvido para ser usado por vários órgãos e que englobe processos desde a fase de alinhamento com o planejamento estratégico de TI até a fase de sustentação. Neste capítulo, serão abordados conceitos de governança de TI, melhoria de processos de software e qualidade de software. Estes temas foram escolhidos, pois são as motivações da elaboração do processo de software do SISP. Governança de tecnologia da informação Governança de TI é definida como a especificação dos direitos decisórios e do framework de responsabilidade para estimular comportamentos desejáveis na utilização da TI. A governança de TI não consiste na tomada de decisões específicas sobre a Tecnologia da Informação a administração já faz isso -, mas determina quem sistematicamente toma decisões e contribui para elas. Reflete princípios mais amplos da governança corporativa, ao mesmo tempo em que se concentra na administração e utilização da TI para concretizar metas de desempenho corporativo. A Governança de TI eficaz estimula e amplifica a engenhosidade dos funcionários no emprego da Tecnologia da Informação e assegura a observância da visão e dos valores gerais da empresa. (Peter Weill Jeanne W. Ross, 2004, p.2) 2

3 Alinhamento estratégico de TI O alinhamento estratégico é o processo de transformar a estratégia do negócio em estratégias e ações de TI que garantam que os objetivos de negócio sejam apoiados. Atualmente, o alinhamento estratégico é bidirecional, ou seja, da estratégia do negócio para a estratégia de TI e vice-versa, pois a TI pode potencializar estratégias de negócio que seriam impossíveis de serem implantadas sem o auxílio da tecnologia da informação. Este alinhamento ocorre no dia-dia, quando os clientes de TI demandam soluções novas que mudam os requisitos do negócio estabelecidos no alinhamento estático, quando foi feito o plano de tecnologia. Chamamos de alinhamento estático a derivação da estratégia de TI a partir do plano estratégico ou de negócios da empresa e de alinhamento dinâmico a alteração da estratégica de TI em função da mudança aleatória da estratégia de negócios da empresa. Planejamento estratégico A tecnologia da informação, como as demais áreas da empresa, demanda recursos e esforços que exigem um planejamento prévio de suas ações. A principal peça desse planejamento estratégico de tecnologia da informação (Paulo Rogério Foina, 2001, p.35). O planejamento estratégico pode demorar até um ano, dependendo do tamanho e complexidade da empresa e do grau de alteração e mudanças que se pretende. Como é a principal peça de orientação da empresa para os próximos anos, não devemos terminar o plano estratégico antes de certificarmos que todos os pontos principais foram abordados com a profundidade necessária e todos os envolvidos tenham participado e estejam de acordo com os objetivos e metas estabelecidos. O comprometimento e aceitação do planejamento estratégico pelos membros da empresa, principalmente pela alta administração, são fator crítico de sucesso para a empresa nos próximos anos. As etapas adotadas no planejamento estratégico de tecnologia da informação são as seguintes: Diagnóstico amplo da situação atual da empresa: são explicitadas as principais dificuldades e potencialidades da empresa no estágio atual do mercado em que ela atua. A tecnologia da informação disponível é analisada por sua capacidade de suportar a empresa neste estágio, mostrando suas potencialidades, deficiências e pontos críticos; estabelecimento da situação desejada para o período de planejamento: estabelece para os próximos anos os objetivos a serem perseguidos pela empresa e por seus setores. A cada objetivo desejado deve-se associar metas de curto, médio e longo prazo a serem perseguidas. A tecnologia da informação necessária; definição das políticas e diretrizes básicas: explicita as políticas, diretrizes e restrições organizacionais que nortearão o detalhamento dos planos de ação (táticos). Essas políticas são relativas ao processamento, à terceirização dos serviços, às restrições orçamentárias e às restrições organizacionais; estabelecimento dos planos de ação (táticos): o resultado do planejamento estratégico é um conjunto de planos de ação formado pelo plano de informação, plano de sistemas, plano de tecnologia, plano de organização e recursos humanos, plano de capacitação e plano de revisão. Por melhor que seja o planejamento estratégico, ele está sujeito a alterações decorrentes das inovações tecnológicas que surgem no período e mudanças do ambiente externo/interno da empresa. Assim, é importante prever etapas de reavaliação do planejamento estratégico (anualmente) e pontos de averiguação do andamento de seus planos (plano de revisão). (Paulo Rogério Foina, 2001, p.35). 3

4 Documentos estratégicos relevantes no âmbito do SISP Estratégia geral de TI - EGTI: documento banalizador das diretrizes estratégicas e metas de aprimoramento institucional, visando orientar o aprimoramento da governança de TI dos órgãos integrantes do SISP. O objetivo da EGTI é elevar a maturidade da governança de TI nos órgãos integrantes do SISP com foco na integração e interação dos órgãos para que assim, possa adicionar valor às ações do governo. Além disso, a EGTI tem como objetivo que a TI seja estratégica no Governo. A primeira versão da EGTI foi publicada em 30 de dezembro de 2008 e teve como objetivo estabelecer as bases para transição da situação atual de gestão dos ambientes de informática do Executivo Federal com o pleno cumprimento da Instrução Normativa SLTI 04/2008 IN04/2008. IN04/2008: dispõe sobre o processo de contratação de serviços de tecnologia da informação pela Administração Pública Direta, Autárquica e Fundacional. Plano Diretor de TI - PDTI: instrumento de diagnóstico, planejamento e gestão dos recursos e processos de TI que visa atender às necessidades de informação de um órgão ou entidade por um determinado período. O PDTI contém elementos da EGTI e do PETI. A IN04 normatiza por meio de seus artigos que as contratações deverão ser precedidas de planejamento, elaborada em harmonia com o PDTI, alinhado a estratégia do órgão ou entidade. Melhoria de processos de software A melhoria de processos de software é uma ação feita para mudar os processos de uma organização para que eles sigam as necessidades de negócio de uma organização e alcancem suas metas de negócio mais efetivamente. (ISO, 2003) Um dos principais motivos para que organizações de software adotem uma visão de melhoria contínua de seus processos é o fato da qualidade do produto final depender diretamente da qualidade do processo de software adotado. Definir processos é fundamental, mas insuficiente. Processos não podem ser definidos e mantidos congelados para sempre. Processos precisam continuamente passar por mudanças e refinamentos para aumentar a sua habilidade de lidar com requisitos e expectativas da organização e do mercado no qual ela atua. Assim, processos precisam ser continuamente melhorados (Fuggetta, 2000). Uma parte importante da melhoria de processos é a avaliação de processos. A avaliação sistemática da qualidade de um processo, de seus ativos (atividades, ferramentas, procedimentos etc) e de seus produtos resultantes é essencial para apoiar a implementação de estratégias de melhoria (Fuggetta, 2000) Qualidade de software Qualidade de software é definida como a conformidade a requisitos funcionais e de desempenho, a padrões de desenvolvimento claramente documentados e a características implícitas que são esperadas de todo software profissionalmente desenvolvido. (Roger S. Pressman, 2009, p.724) 4

5 A garantia da qualidade de software é uma atividade de guarda-chuva que é aplicada ao longo de todo o processo de engenharia de software. A garantia de qualidade de software abrange métodos e ferramentas de análise, projeto, codificação e teste; revisão técnicas formais que são aplicadas a cada fase de engenharia de software; uma estratégia de teste de múltiplas fases; controle de documentação de software e das mudanças feitas nela; um procedimento para garantir a adequação aos padrões de desenvolvimento de software (quando aplicáveis); e mecanismos de medição e divulgação. (Roger S. Pressman, 2009, p.724) Desenvolvimento Núcleo de padronização tecnológica (NTP) O Núcleo de Padronização Tecnológica NPT é composto por servidores públicos de órgãos integrantes do Sistema de Administração dos Recursos de Informação e Informática (SISP) e indicados pelos membros da Comissão de Coordenação, com o objetivo de realizar estudos, sistematizar e disseminar melhores práticas, especificar soluções e levantar demandas de capacitação sobre padronização tecnológica, inclusive de bens, serviços, produtos, soluções, processos, metodologias e métricas. Desafios e problemas enfrentados O SISP tem vários desafios e problemas a serem solucionados. Um dos problemas enfrentados é a dificuldade em gerenciar contratos de desenvolvimento ou manutenção de softwares, pois a falta de conhecimento de quais artefatos devem ser cobrados para internalizar o conhecimento do software, de como avaliar os produtos entregues pela empresa contratada e quais indicadores podem medir a qualidade esperada, dificulta o gerenciamento por parte do gerente do contrato. Além disso, a pequena quantidade de profissionais de tecnologia da informação dificulta ou torna inviável, a execução dos processos de software, como o processo de levantamento de requisitos e de testes, que deveriam ser executados, preferencialmente pelos órgãos, pois assim teriam maior controle do escopo e da qualidade do projeto. Pesquisa Em 2010, foi realizada uma pesquisa por meio de formulário eletrônico enviado aos órgãos do SISP, cujo objetivo era conhecer a situação atual dos órgãos em relação a Governança de Tecnologia da Informação, Governo Eletrônico, Sistemas de Informação, Infraestrutura e Gestão de Pessoas, de forma a continuar o processo de melhoria das áreas de Tecnologia da Informação. Para fins de maior esclarecimento se apresenta a seguir alguns conceitos utilizados na pesquisa: Órgão central: A Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (SLTI/MPOG) é o órgão central do SISP. Órgãos setoriais: São os Ministérios e equivalentes (administração direta). Refere-se aqui às áreas centrais de TI, vinculadas à estrutura da Secretaria-Executiva. Órgãos seccionais: São as Fundações e Autarquias (administração indireta). Refere-se aqui às áreas centrais de TI, vinculadas à estrutura da Secretaria-Executiva ou equivalente. Órgãos correlatos: São as outras secretarias e unidades do órgão setorial ou seccional, que não a sua Secretaria-Executiva. Refere-se aqui às áreas de TI diretamente subordinadas ao órgão correlato e não à estrutura central do órgão setorial ou seccional. 5

6 Área de TI: estrutura organizada, fornecedora de serviços de TI e ligada a um dos órgãos acima descritos. Área finalística: estrutura organizacional voltada para consecução das competências legais de uma entidade do serviço público. O formulário foi respondido por 102 (cento e dois órgãos) e as perguntas que fizeram parte do questionário juntamente com os resultados gráficos das respostas seguem abaixo: 1. Qual o âmbito de preenchimento do formulário? Gráfico 01 Âmbito do Preenchimento do SISP 2. O Órgão possui carreira própria especializada em TI? Gráfico 02 Carreira Especializada em TI 3. O Órgão possui plano de capacitação para a área de TI? Gráfico 03 Plano de Capacitação de TI 4. O Órgão possui uma instância, área ou responsável pela Segurança da Informação? Gráfico 04 Responsável por Segurança da Informação 5. A área de TI adota uma Metodologia de Gerenciamento de Projetos? Gráfico 05 - Metodologia de Gerenciamento de Projetos 6. O Órgão desenvolve e/ou mantém internamente sistemas de informação? Gráfico 06 Mantém Sistemas de Informação Internamente 7. A área de TI do Órgão possui processo formal de desenvolvimento de software? Gráfico 07 Processo Formal de Desenvolvimento 8. O Processo de Desenvolvimento de Software possui modelos de artefato para cada entregável? Gráfico 08 Artefatos Padrões 9. Em quais metodologias de mercado o processo baseia-se: Gráficos 09 Metodologias de Mercado 10. O Órgão possui processos de melhoria contínua do Grupo de Processos de Software? Gráfico 10 Melhoria Continua de Processos 11. O Órgão possui processo para decidir a estratégia em relação ao desenvolvimento de sistemas: fazer, reusar ou contratar? Gráfico 11 Processo de Decisão 12. O desenvolvimento de novos sistemas é feito visando sua publicação futura no Portal de Software Público? Gráfico 12 Publicação no Portal de Software Público 13. O Órgão já implantou algum modelo de maturidade ou capacidade? Gráfico 13 Modelo de Maturidade ou Capacidade O resultado dessa pesquisa mostrou o quanto os órgãos ainda são imaturos com relação a processos de TI, sejam eles de gerência de projetos, de segurança da informação ou de desenvolvimento sistemas. Além disso, a maioria dos órgãos não tem uma carreira específica de TI e isso é um indicativo de que ainda não é vista como estratégica dentro dos órgãos. Além desta pesquisa, em um evento do SISP foram distribuídos questionários para que os órgãos respondessem qual é a maior dificuldade de tecnologia da informação e o resultado dessa pesquisa apontou a falta de uma metodologia de desenvolvimento de sistemas como a maior dificuldade. 6

7 Proposta de processo de software para o SISP Como foi visto na pesquisa acima, grande parte dos órgãos ainda não tem um processo formal de desenvolvimento de software, por isso o objetivo é elaborar um processo de software que atenda às diversas necessidades dos órgãos do SISP, eleve os níveis de maturidade e promova: a utilização responsável e mais eficiente de recursos públicos; a elevação dos níveis de qualidade e controle das soluções; o alinhamento das soluções ao planejamento estratégico; a retenção da inteligência das soluções nos órgãos; a padronização de processos e artefatos. Além disso, o processo de software deve ser aderente à legislação e suficientemente flexível em relação aos diversos contextos em que será aplicado. A princípio o processo de software para o SISP terá 6 fases (concepção e alinhamento estratégico, especificação e dimensionamento, reutilização e contratação, desenvolvimento, implantação e estabilização, e sustentação e evolução) e 6 eixos de trabalho (gestão estratégica, gestão de projetos, produção colaborativa, gestão de segurança da informação, engenharia de software, gestão da contratação e gestão de infraestrutura), conforme a figura 1, apresentada abaixo: Figura 01 Estrutura do Processo de Software do SISP A intenção é levantar os processos de gestão estratégica, gestão de projetos, gestão de segurança, engenharia de software, gestão de contratação, gestão de infraestrutura e gestão de operação e sustentação para cada uma das fases do processo. Não necessariamente, os eixos de trabalho terão processos em todas as fases. Fases Concepção e alinhamento estratégico: Essa fase tem como objetivo o alinhamento da TI com o negócio, por exemplo, quando chegar uma requisição de desenvolvimento de software, deverá ser verificado se este software foi previsto no PDTI. Se tiver sido previsto, o desenvolvimento do software seguirá nas demais fases do processo. Caso não tenha sido previsto e o software for realmente necessário, uma requisição de atualização do PDTI deverá ser encaminhada a área responsável para que, em uma próxima revisão do PDTI, seja analisada a viabilidade do software ser entrada no PDTI. Especificação e dimensionamento: Essa fase será dedicada a definição do escopo e especificação dos requisitos macro do software para que assim, seja possível dimensionar o tamanho do software em pontos de função. Reutilização e contratação: Depois de definido o escopo e os requisitos macro do software, será feita uma análise da possibilidade de utilizar um software público ou reutilizar componentes e bibliotecas que já foram utilizados e testados em outro software. Caso não seja possível utilizar um software público, será decidido pela contratação de empresa especializada no ramo. Desenvolvimento: Essa fase é destinada ao desenvolvimento do software, seja interno ou externo ao órgão. Se for decidido pelo uso de um software público e o mesmo não precisar de nenhum tipo de alteração, esta fase se destinará a todos os processos necessários para que o software seja utilizado no órgão. Pode ser, por exemplo, o treinamento dos servidores e funcionários na ferramenta. 7

8 Implantação e estabilização: O objetivo dessa fase é a implantação do software no ambiente de produção para que seja usado e, conseqüentemente, testado até chegar a uma versão estável. Sustentação e evolução: Essa fase tem por objetivo definir processos necessários ao correto funcionamento do software, além da definição de requisitos que possam melhorar e evoluir o software. Áreas de Conhecimento Gestão estratégica: Como o PETI e o PDTI são instrumentos onde são determinadas ações de TI que possam auxiliar no alcance de um objetivo estratégico, a função dos processos de gestão estratégica é não permitir que um software seja desenvolvido sem estar alinhado com o negócio do órgão. Por isso, sempre que surgir uma nova requisição de compra, desenvolvimento ou manutenção de software, devese avaliar se o software em questão já estava previsto no PDTI, para evitar que o mesmo seja desenvolvido sem a finalidade de atingir um objetivo estratégico. Também pode acontecer de surgir uma demanda emergencial de um software que não estava previsto no PDTI de 2 (dois) anos com revisão anual, por exemplo, neste caso, serão feitas requisições de alteração do PDTI, para que em uma próxima revisão essas alterações sejam avaliadas. Gestão de projetos: Os processos de gestão de projetos serão feitos tendo como referência o PMBOK, onde um projeto poderá ser a contratação de um software ou o próprio desenvolvimento de um software. Quando a contratação for considerada um projeto, o processo de software do SISP terá dois projetos: um para planejar e acompanhar o andamento dos processos da contratação, onde os produtos do projeto serão os artefatos da IN04 e outro para o gerenciamento do projeto desenvolvido por uma empresa contratada. Gestão de segurança da informação: A segurança da informação deverá ser feita visando a proteção das informações dos órgãos e será baseada nas normas e padrões de segurança como, por exemplo, a ISO/IEC e a NBR ISO/IEC Para a ISO/IEC (2005a, 2005b, 2005c), o desenvolvimento seguro de software envolve segurança tanto do ambiente de desenvolvimento quanto da aplicação desenvolvida. As necessidades de segurança devem ser tratadas em todo o ciclo de vida, passando pela gerência de requisitos de segurança, especificação funcional, projeto de alto nível, projeto de baixo nível, até a implementação final do sistema em seu ambiente de produção. A NBR ISO/IEC (2005) objetiva preservar a confidencialidade, integridade e disponibilidade das informações, através da implementação de controles, através da implementação de políticas, práticas ou processos. Esses controles garantem que os objetivos estabelecidos para a segurança serão atendidos satisfatoriamente. O essencial para uma organização é identificar os requisitos de segurança. Engenharia de Software: Os processos da engenharia de software serão feitos com base no RUP e estarão presentes em quase todas as fases do processo de software do SISP e, além disso, farão interface com quase todas as áreas de conhecimento, por exemplo: no estudo de viabilidade de um projeto (gestão de projetos), os requisitos macro do software deverão ser descritos no artefato Análise de Viabilidade e o levantamento dos requisitos macro deverá estar previsto na área de conhecimento da engenharia de software em alguma fase do processo. 8

9 Gestão de Contratação: Os processos de gestão de contratação serão baseados e alinhados com a IN04/2008. A IN04/2008 tem processos cujo principal objetivo é a confecção dos seguintes documentos: Documento de oficialização da demanda: documento que contém o detalhamento da necessidade da área requisitante da solução a ser atendida pela contratação; Análise de viabilidade da contratação: documento que demonstra a viabilidade técnica e econômica da contratação; Plano de sustentação: documento que contém as informações necessárias para garantir a continuidade do negócio durante e após a implantação da Solução de Tecnologia da Informação, bem como após o encerramento do contrato; Estratégia da contratação: documento contendo a definição de critérios técnicos, obrigações contratuais, responsabilidades e definições de como os recursos humanos e financeiros serão alocados para atingir o objetivo da contratação; Análise de riscos: documento que contém a descrição, a análise e o tratamento dos riscos e ameaças que possam vir a comprometer o sucesso em todas as fases da contratação; Plano de inserção: documento que prevê as atividades de alocação de recursos necessários para a contratada iniciar o fornecimento da Solução de Tecnologia da Informação; Termo de referência ou projeto básico: documento elaborado a partir da Análise de Viabilidade da Contratação, do Plano de Sustentação, da Estratégia da Contratação e da Análise de Riscos. Gestão de infraestrutura: Os processos dessa área de conhecimento têm como objetivo prover a infraestrutura necessária tanto para o desenvolvimento quanto para o uso da solução de software. Produção colaborativa: A idéia dessa área de conhecimento é o desenvolvimento conjunto de software, ou seja, processos que promovam o levantamento de requisitos comuns a mais de um órgão para que possam produzir ou contratar um software colaborativamente. O objetivo é evitar o desperdício de dinheiro público, pois hoje a Administração Pública tem um software em cada órgão para uma finalidade comum, por exemplo, um sistema para controle de portaria poderia ser um só para todos os órgãos. Estrutura analítica do trabalho O trabalho para elaboração do processo de software para o SISP será dividido em 6 (sete) etapas que terão como resultado produtos e serviços que serão oferecidos pelo órgão central do SISP. A estrutura analítica do trabalho é apresentada abaixo: EAT Processo de Software para o SISP 9

10 Etapas Concepção Plano de Trabalho Planos de Projeto Levantamento dos Processos Existentes Por Eixos Gestão Estratégica Gestão de Projetos Gestão de Produção Colaborativa Gestão de Contratação Gestão de Segurança da Informação Engenharia de Software Gestão de Infraestrutura Gestão de Sustentação Por Fases Concepção e Alinhamento Estratégico Especificação e Dimensionamento Colaboração e/ou Contratação Desenvolvimento Implantação e Estabilização Sustentação e Evolução Por Amostragem Orgãos Setoriais Orgãos Seccionais Autarquias Mercado Estudos de Contexto Por Area de Conhecimento Legislação Metodologias Práticas Por Entidade Orgãos Setoriais Orgãos Seccionais Autarquias Mercado Elaboração da Primeira Versão do Processo de Software para o SISP Definição do Macro Processo Definição de Pontos Focais por Eixo Detalhamento de sub processos Integração de todos os sub processos Análise de Aderência Legislação Metodologias Práticas Validação Interna SLTI 10

11 Apresentação às áreas e núcleos Consulta Interna Levantamento de não conformidades Adequação de não conformidades Análise final de aderência Aprovação interna Validação Externa Apresentação aos Órgãos Consulta Pública Levantamento de não conformidades Adequação de não conformidades Análise final de aderência Aprovação ampla Publicação Oficial Produtos Finais Site web Modelos de Processo Artefatos Padrões Guias Serviço Consultoria do Processo via C3S Desdobramentos Possíveis Insumos para elaboração e revisão de normas Concepção Na concepção será elaborado o plano de trabalho que servirá como guia para o projeto de construção do processo de software. No plano de trabalho serão descritos os objetivos do processo, cronograma, prerrogativas, papéis e responsabilidades dos envolvidos no projeto, recursos adicionais e riscos associados. Levantamento dos processos existentes Como na SLTI existem equipes trabalhando para levantar processos de diversos eixos de trabalho como, por exemplo: gestão de projetos, governança de ti, contratação entre outros. Os processos levantados por essas equipes serão estudados pela equipe de processo de software e mapeados em um das 6 (seis) fases do processo. Estudos de Contexto Nesta fase, serão estudados os contextos onde o processo de software será aplicado, desde aspectos relacionados ao impacto da legislação no processo de software até metodologias de desenvolvimento de software, práticas e ferramentas usuais no mercado. Além disso, será feito um levantamento das metodologias de desenvolvimento de software já utilizadas nos órgãos setoriais, seccionais e autarquias, para conhecer os pontos positivos e negativos do que tem sido utilizado. 11

12 Primeira Versão do Processo de Software e Análise de Aderência Quando a primeira versão do processo de software for finalizada, passará por uma análise de aderência, onde serão avaliados aspectos relativos à aderência do processo de software a legislação, metodologias e práticas de mercado. Validação Externa A validação externa será feita por meio da apresentação do processo aos órgãos, que serão convocados via pela SLTI, para poderem avaliar e sugerir melhorias. As sugestões serão avaliadas por todos os participantes da apresentação, para que juntos possam decidir se as mesmas serão aplicadas ou não no processo. Conclusões e próximos passos Diante do cenário exposto pela pesquisa, pode-se concluir que os órgãos ainda não estão maduros não só com relação a processos de software, mas com relação a processos de TI como um todo. Este trabalho é uma tentativa de prover os órgãos de um modelo de processo de software que seja completo e aborde várias áreas de conhecimento: alinhamento estratégico, gestão de projetos, segurança da informação, engenharia de software, entre outras. O processo de software apresentado neste trabalho é bastante complexo, visto a diversidade de áreas de conhecimento, onde cada área será mapeada, definidas as entradas e saídas e intersecções com as outras áreas de conhecimento, por isso este trabalho tem previsão de ser concluído em, no mínimo, um ano. Como os órgãos ainda não têm maturidade para aplicar um processo dessa complexidade, é previsto que seja utilizado um esquema de cores para definição dos processos denominados essenciais, ou seja, os que têm que ser executados sempre e os não-essenciais, que devem ser executados, pois vão garantir uma qualidade maior ao software, mas não são essenciais. O processo de software do SISP, se amplamente usado, será uma evolução da área de tecnologia da informação nos órgãos, pois o mesmo garantirá que os softwares sejam desenvolvidos com maior qualidade e com a documentação necessária para internalizar o conhecimento do software dentro do órgão, evitando assim, que o órgão fique nas mãos de um único fornecedor. Bibliografia DECRETO 1048/ INSTRUÇÃO NORMATIVA 04/ PETER WEILL JEANNE W. ROSS. Governança de TI: Tecnologia da Informação PAULO ROGÉRIO FOINA. Tecnologia da Informação: Planejamento e Gestão PRESSMAN, ROGER S. Engenharia de Software SUMÁRIO EXECUTIVO. Levantamento de Governança de TI Resenha biográfica Renata Assunção Farias Analista de Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão do Governo Federal brasileiro. Graduado em Ciência da Computação pela Universidade Católica de Brasilia, Especialistas em Governança de Tecnologia da Informação pela Universidade Católica de Brasília. O autor pode ser contatado pelo telefone: , pelo ou por carta no endereço: Esplanada dos Ministérios Bloco C 9º andar sala 906, Brasília - DF, Brasil. 12

13 Anexos Figura 01 Gráfico 01 Âmbito do Preenchimento do Formulário Órgão Setorial 17% Órgão Setorial 34% Órgão Setorial 50% 13

14 Gráfico 02 Carreira Especializada em TI Sim 22% Gráfico 03 Plano de Capacitação de TI Não 78% Sim 38% Não 62% Gráfico 04 Responsável por Segurança da Informação Não 49% Sim 51% 14

15 Gráfico 05 - Metodologia de Gerenciamento de Projetos Gráfico 06 Processo de Desenvolvimento de Software Não 51% Sim 49% Gráfico 07 Órgão Desenvolve ou Mantém Sistemas de Informação Internamente Não 10% Sim 90% 15

16 Gráfico 08 Modelos de Artefatos Padrões Não 20% Gráficos 09 Metodologias de Mercado Sim 80% Gráfico 10 Melhoria Continua de Processos 16

17 Gráfico 11 Processo de Decisão Gráfico 12 Publicação no Portal de Software Público Gráfico 13 Modelo de Maturidade ou Capacidade 17

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