Universidade Católica de Goiás Departamento de Engenharia Engenharia Ambiental

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1 ABORDAGEM SISTÊMICA DA IMPLANTAÇÃO DA NBR ISO NA CONCESSIONÁRIA LINCE VEÍCULOS SA - GOIÂNIA Nádia Gomes de Souza 1 Antônio Pasqualetto 2 Vivianne Resende 3 Universidade Católica de Goiás Departamento de Engenharia Engenharia Ambiental RESUMO: A preocupação das empresas perante o desenvolvimento sustentável acaba por buscar a certificação ambiental em ISO 14001, Requisitos para o Sistema de Gestão Ambiental, como objeto de inserção no mercado nacional e internacional, cada vez mais exigente às questões ambientais. A presente pesquisa tem por foco, abordar sistematicamente a visão macro do Sistema de Gestão Ambiental, implantado na Concessionária Lince Veículos, localizada em Goiânia-GO. Como conseqüência, tem-se benefícios alcançados, como conquista de novos mercados e cumprimento da legislação ambiental, além dos investimentos realizados. Os resultados do presente projeto de estudo baseiam-se na metodologia de SAVITZ (2007) e tem como apoio científico demais autores envolvidos com a questão ambiental. PALAVRAS-CHAVE: Sistema de Gestão Ambiental, NBR ISO 14001, Concessionária, Desempenho Ambiental; 1 Acadêmica de Engª Ambiental da Universidade Católica de Goiás 2 Dr. Engº Agrônomo, Profº Orientador do Departamento Engenharia da Universidade Católica de Goiás 3 Msc. Engª Civil, em Planejamento Urbano e Ambiental, Esp. Gestão Ambiental / Processos Gerenciais, Profª Co-orientadora do Departamento de Engenharia da Universidade Católica de Goiás 1

2 ABSTRACT: The concern of the existent companies today, before the maintainable development, it ends for looking for the environmental certification in ISO 14001, Requirements for the System of Environmental Administration, as insert object in the national and international market, more and more demanding to the environmental subjects. To present it researches, it has for focus, to approach the vision macro of the System of Environmental Administration systematically, implanted in the Lince Veículos Concessionary, located in Goiânia-GO. As consequence, we have reached benefits, as conquest of new markets and execution of the environmental legislation, aside from of the investments paid-up. The results from the actual project, as of I study entry level - in case that at the methodology as of SAVITZ (2007) and does have as a backing scientific demagogue authors involved with the litigation environmental. KEY - WORDS: Business system Environmental, NBR ISO 14001, Concessionary, Outstanding price Environmental. 2

3 1 INTRODUÇÃO A pressão que o Meio Ambiente sofre ao longo da História da civilização tornou-se mais intensa a partir da Revolução Industrial, no século XVIII. A necessidade de produção e o desenvolvimento de tecnologias exigiram a extração dos Recursos Naturais de forma rápida e predatória. No século XX durante a década de 70, houve discussões mundiais que despertaram para o desenvolvimento da consciência ecológica em diferentes camadas e setores da sociedade. Nasceu uma nova percepção de que os problemas ambientais devem ser reconhecidos nas modalidades dos processos produtivos sob édige do sistema capitalista. Neste momento histórico, o repensar da forma de desenvolvimento, fundamenta uma abordagem sob a nova visão de exploração da natureza, conciliatória com a preservação do meio ambiente (SEIFFERT, 2002). A influência exercida sobre os ecossistemas terrestres, evidencia uma acelerada degradação, o que compromete a qualidade de vida da diversidade biológica. A importância dos recursos naturais é fundamental para a sobrevivência humana, principalmente ao se considerar que, apesar de todo o desenvolvimento tecnológico alcançado, ainda não existem condições de substituir completamente os elementos extraídos ou fornecidos pela natureza. No final do século XX e início do XXI, a proposta do exercício da Gestão Ambiental é a exploração racional dos recursos naturais, minimização de impactos, controle de passivos ambientais, gerenciamento de água e resíduos gerados e o reaproveitamento energético dos recursos. 3

4 A Gestão Ambiental relaciona fatores que estão inseridos na promoção da exploração pelas empresas, como medidas de Certificação através da NBR 4 ISO :2004. A ISO 14001:2004, novo paradigma deste século, é uma norma internacional, que define os requisitos para estabelecer e operar melhores práticas a serem adotadas na condução do Sistema da Gestão Ambiental SGA de uma empresa (Scherer, 2006). Trata-se de um modelo reconhecido em todo o mundo, que permite estabelecer, através de procedimentos operacionais e de monitoramento devidamente planejados, ações para promover a melhoria do desempenho ambiental e de atitudes voltadas para a prevenção da poluição gerada, realização de seus produtos e serviços, assim como das atividades associadas a estes. A NBR ISO 14001:2004, é uma norma voluntária, fundamentada na prática do desenvolvimento sustentável, adotada pelas organizações interessadas no fortalecimento de suas marcas, melhoria da competitividade e proteção dos recursos naturais (MANUAL AMBIENTAL LINCE VEÍCULOS SA, 2008). Como forma de apresentar resultados e veracidade da Implantação de um Sistema de Gestão Ambiental SGA nas empresas e/ou organizações, o presente projeto estuda e analisa todo o processo de Implantação da ISO da empresa Lince Veículos SA, Concessionária Toyota, localizada na cidade de Goiânia. No âmbito da Certificação Ambiental, a Lince Veículos ostenta um Projeto Pioneiro que vislumbra uma estratégia diferenciada na busca e conquista de novos clientes e no atendimento à Normalização Ambiental, ao mesmo tempo em que contribui para a preservação do Meio Ambiente. Normalização. 4 NBR - Norma Brasileira Regulamentadora. 5 ISO - International Organization for Standardization - Organização Internacional de 4

5 2 JUSTIFICATIVA O desenvolvimento do Sistema de Gestão Ambiental é um modelo de administração que fomenta o crescimento sustentável nas organizações públicas ou privadas. A originalidade desta proposta vislumbra como projeto pioneiro a Implementação do SGA no ramo de uma concessionária automobilística, a abranger a minimização e controle dos impactos ambientais, diminuindo custos operacionais e melhorando a imagem da empresa no mercado. Neste sentido, o presente estudo contribui para mostrar uma nova experiência no setor de concessionária automobilística, com visão de vanguarda, ao incorporar a administração verde como estratégia de sucesso para o empreendimento. Como projeto científico, este estudo visa também alcançar experiência profissional e conhecimentos que sirvam de subsídios para a real demanda neste assunto, cada vez mais inserido nas organizações empresariais. 5

6 3 OBJETIVOS 3.1 Objetivo Geral O presente projeto pretende enfocar uma visão macro do processo de implementação da ISO 14001: 2004 na Concessionária Lince Veículos SA, localizada em Goiânia-GO, com o intuito de abordar os resultados que o mesmo agrega à organização que se dispõe em adotá-la. 3.2 Objetivos específicos - Contribuir para o esclarecimento e conhecimento do instrumento: Sistema de Gestão Ambiental - SGA; - Nortear como modelo a NBR ISO 14001, para empreendimentos do ramo automobilístico e outros empreendimentos; - Incentivar a aplicação da NBR ISO às organizações empresariais através da incorporação da qualidade ambiental; - Apresentar pontos de sustentabilidade no caso Lince Veículos SA; - Apresentar os resultados e investimentos da Lince Veículos com a implantação do SGA. 6

7 4 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 4.1 Administração verde O gerenciamento ambiental de uma empresa possui uma complexidade própria, na qual se faz necessário compreender a teia que integra o meio, os seres vivos e as atividades humanas. De acordo com Backer (1995), apesar do avanço nos últimos anos da consciência e responsabilidade ambiental, tanto da sociedade, quanto do empresário, ainda existe uma falta de conhecimento no que se refere à gestão ambiental e como ela pode promover benefícios em termos de credibilidade de um grupo empresarial. Isso gera uma linha oposta de pensamento, em que se acredita que a gestão ambiental seja algo que pode frear ou dificultar os planos empresariais. A gestão empresarial do meio ambiente, segundo este mesmo autor, trata-se da conseqüência lógica da responsabilidade coletiva, que é de todos os que interferem no equilíbrio do planeta. Mediante a relação indústria e meio ambiente é possível afirmar que existem soluções técnicas para os problemas de meio ambiente causado pelas indústrias. O modelo tradicional de empresa salienta Backer (1995), é visto como mal adaptado ao meio ambiente, pois trata de um sistema mono político com o objetivo de assegurar o crescimento econômico de qualquer maneira, sem se preocupar com o equilíbrio da natureza e do meio ambiente. O aparecimento da variável ambiental exige que o administrador faça um paralelo constante dos seus interesses e competências, com todas as pessoas que tem relação direta ou indiretamente com a empresa, ou seja, com todos os stakeholders envolvidos. A estratégia verde de uma empresa, como qualquer outra estratégia, possui objetivos, a estratégia e ferramentas a serem alcançados. Considerando os principais setores de uma empresa, conforme Backer (1995), o Quadro 01 a seguir, da estratégia 7

8 verde, apresenta as tarefas de gestão ambiental que os responsáveis da empresa terão que assumir. Quadro 01: Estratégia Verde Nível estratégico Setor Objetivo Estratégia Ferramentas Marketing/Vendas Imagem/Posicionamento comercial Plano de comunicação Comunicação - interna -externa Vigilância de marketing Produção Riscos internos/externos Cadeias e produtos ecologistas Plano de investimento Estudo de impacto Logística Segurança/qualidade Auditoria de risco técnico Recursos humanos Comportamento ambiental Plano de formação / organização Estrutura Formação Avaliação Jurídico e financeiro Responsabilidade Conformidade Diminuição de riscos Vantagens financeiras Plano de conformidade Plano a meio e longo prazo Auditoria Jurídica Análise de riscos Balanço e relatório ecológicos Pesquisa e desenvolvimento Vocação Plano tecnológico Vigilância tecnológica Inovação Fonte: Gestão Ambiental: A Administração Verde - Backer, O mesmo autor ainda assegura que, a elaboração da estratégia ecológica abrange quatro fases: identificação das prioridades (esquema global); realização do diagnóstico setorial da empresa; criação de planos de ação por setor; e a relação da hierarquia e integração dos planos de ação da estratégia global. O Sistema de Gestão Ambiental é uma ferramenta estratégica ecológica aplicável para as empresas. 8

9 4.2 Sistema de Gestão Ambiental O Sistema de Gestão Ambiental é um processo voltado a resolver, mitigar e/ou prevenir os problemas de caráter ambiental, qualquer que seja o empreendimento, cujo norte é o desenvolvimento sustentável. A implementação do SGA em uma organização, parte da premissa da avaliação inicial e elaboração de sua política ambiental. Daí, a implementação do SGA passa para a etapa de Planejamento, com o objetivo de criar condições para o cumprimento da sua política ambiental. Na avaliação inicial têm-se a identificação dos pontos fortes e fracos, afirma Backer (1995), relacionados com a interação do ecossistema e principais deficiências do desempenho ambiental, através de um diagnóstico ecológico que possibilite traçar as prioridades de ações da estratégia ecológica. A evolução das iniciativas ambientais nas organizações enquanto Sistema de Gestão Ambiental (SGA) trouxe a necessidade de elementos integrantes como a determinação de uma política ambiental, o estabelecimento de objetivos e metas, o monitoramento e medição de sua eficácia, a correção de problemas associados à implantação do sistema, além de sua análise e revisão como forma de aperfeiçoá-lo, melhorando desta forma o desempenho ambiental geral (SEIFFERT, 2002). Esses requisitos gerais dispostos na NBR ISO 14001:2004 do Sistema de Gestão Ambiental estabelecem à organização a conformidade ambiental perante a legislação aplicável, códigos e princípios setoriais. A elaboração da política ambiental está relacionada à forma de como a empresa pretende reduzir os impactos ambientais de suas atividades, produtos e serviços sobre o meio ambiente, com o intuito de promover a melhoria contínua, atender os requisitos legais e de mercado (ALMEIDA ET AL, 2002). Já na concepção de Seiffert (2007), com um ponto de vista mais holístico, a política ambiental da organização é entendida como o conjunto de intenções de caráter 9

10 sistêmico daquilo que é interessante a vários segmentos tais como: comunidade; funcionários; fornecedores; e clientes. De acordo com a ISO NBR 14001: 2004 o Sistema de Gestão Ambiental estabelece as seguintes etapas: Planejamento, Avaliação, Implementação, Operação e Verificação. No planejamento, Almeida et al (2002), esclarece que ocorre a identificação dos aspectos ambientais, avaliação dos impactos pertinentes, identificação dos requisitos a serem atendidos e estabelecimento dos critérios internos, objetivos e metas. Uma vez que os aspectos e impactos são analisados sistematicamente, observa-se que a relação entre os mesmos é de causa e efeito (SEIFFERT, 2007). Entretanto, ao se conhecer esta relação é possível estabelecer os objetivos e metas ambientais da empresa. A construção de um fluxograma de forma sistemática é sugerida com a descrição de todas as atividades e processos da empresa, relacionada com os aspectos gerados e seus respectivos impactos causados. A avaliação do impacto ambiental permite analisar o resíduo identificado quanto a seu grau de periculosidade, estabelecido na NBR 10004: Quanto maior o grau de periculosidade, maior o impacto ambiental causado. Levantar os impactos significativos é fundamental para a criação de ações corretivas e emergenciais. O gerenciamento desses resíduos contempla o destino e o tratamento final adequado ao dispor de tecnologias apropriadas e melhores técnicas disponíveis, em consideração ao custo/benefício de cada uma. Segundo Almeida et al (2002), os efeitos ou impactos ambientais podem ser diretos ou indiretos. Os efeitos diretos estão relacionados com as atividades de operação, com os quais a empresa tem um maior controle de seus passivos ambientais. 6 NBR 1004:2004 Classificação de Resíduos Sólidos. 10

11 Os efeitos diretos, por exemplos, são as emissões gasosas, a geração de efluentes e resíduos sólidos, consumo de energia, geração de ruído, dentre outros. Já os efeitos indiretos, do ponto de vista do mesmo autor, por natureza mais difíceis de avaliar, são as atividades que ocorrem afastadas da instalação ou imediações, como os efeitos de processos de fornecedores, empresas parceiras de serviços ou financeiros e disposição final dos seus resíduos. Os critérios internos são estabelecidos para nível de desempenho, em caso de não conformidade legal, garantindo com a prática de treinamentos de pessoal e responsabilidades, a compreensão de mudança nos processos, possíveis instalações, gestão dos resíduos e conservação dos recursos naturais. A elaboração de objetivos e metas pela organização pertinentes ao SGA e sua materialização através dos Programas de Gestão Ambiental, na opinião de Seiffert (2002), representam uma forma de gerenciamento de aspectos/impactos ambientais significativos que apresentam uma importância estratégica para a mesma, a fim de minimizá-los, conservando o meio ambiente e garantindo a conformidade legal. Geralmente os problemas ambientais associados a aspectos/impactos ambientais, de acordo com o mesmo autor, não podem ser gerenciados somente através de monitoramentos ou elaboração de controles operacionais. Para a sua mitigação é necessária a implantação de melhorias de infra-estrutura física ou alocação e/ou contratação de pessoal capacitado, o que demanda recursos financeiros internos e/ou externos. Assumpção (2007), afirma que as metas ambientais são as intenções de atingir os objetivos determinados pela organização, num requisito de desempenho detalhado. A realização de treinamentos e conscientização dos funcionários, assim como a elaboração de programas, é indispensável para o alcance e sucesso dos objetivos e metas pertinentes ao SGA. 11

12 A NBR ISO 14001:2004 recomenda que os programas incluam considerações de planejamento, projeto, produção, comercialização e estágios da disposição final dos resíduos gerados pelas atividades, produtos e serviços existentes nas organizações. Todas essas etapas são determinantes na elaboração do plano de ação, para que a empresa viabilize seus objetivos e metas estabelecidas e, dessa forma, garanta o cumprimento da sua Política Ambiental. A fase de Implantação e Operação do SGA envolve uma conjugação harmônica de três elementos básicos: recursos físicos (instalações, equipamentos, materiais etc); os procedimentos (normas e regras); e os recursos humanos (corpo funcional) (ALMEIDA ET AL, 2002). No princípio do Sistema de Gestão Ambiental, o desenvolvimento da capacitação interna inclui os recursos humanos, os recursos financeiros e os recursos físicos. O mesmo autor assegura que a implementação de ferramentas de suporte inclui os procedimentos, os programas de gestão específicos e todo o sistema de registro, comunicação e documentação. Os requisitos de Implantação e Operacionalização do SGA, segundo a NBR ISO 14001:2004, envolvem: recursos, funções, responsabilidades e autoridades; Competência, treinamento e conscientização; Comunicação; Documentação; Controle de documentos; e Controle operacional. O desenvolvimento da Gestão Ambiental decorre da existência de atribuições permanentes à uma coordenação da organização. A participação da alta administração se faz necessária para prover os elementos necessários à sua implantação. De acordo com Seiffert (2002), a alta administração deve assegurar que a organização seja capaz de atender os requisitos de sua norma. O mesmo autor complementa que as responsabilidades dos vários agentes perante o SGA, normalmente são estabelecidas de forma genérica em todas as suas funcionalidades, para assegurar o bom gerenciamento e sucesso do mesmo. 12

13 Os recursos humanos, físicos e os financeiros devem ser disponibilizados em função das necessidades estabelecidas no Plano de Ação, obedecendo aos cronogramas de prioridades. Os objetivos e metas estabelecidos pela empresa devem contar com os recursos necessários para o seu cumprimento. A conscientização requer o conhecimento, a compreensão e habilidades necessárias para todos os empregados da empresa. A formação educacional pode ser obtida por meio de treinamentos, como requisito de competência e capacitação pessoal. O processo de comunicação, conforme Assumpção (2007) dentro do SGA inclui o estabelecimento de planos para a divulgação interna e externa das atividades ambientais da empresa. A comunicação interna pode ser feita através de reuniões regulares de grupos de trabalho, boletins informativos, quadros de aviso e intranet. A comunicação interna entre as várias funções assegura a eficácia da implementação do SGA. O mesmo autor relata que os métodos da comunicação externa podem incluir relatórios anuais, boletins informativos, internet e reuniões com a comunidade. Nesse caso, a organização pode estabelecer um procedimento, podendo este ser alterado, para a informação que deseja comunicar. Os principais objetivos do processo de comunicação defendidos por Almeida et al (2002), são: a demonstração do comprometimento da organização com as questões ambientais, a divulgação dos objetivos, metas e programas, além de informar o funcionamento do SGA às partes interessadas. Segundo Seiffert (2007), a documentação do SGA representa um subsistema que se ocupa do estabelecimento e manutenção de informações, além do controle da implementação. A documentação pode constar em papel ou em meio eletrônico. Descreve os principais elementos do sistema de gestão e a interação entre eles, além de fornecer orientação sobre a documentação relacionada. Assim, se materializam na forma de manual de gestão, relativas aos procedimentos do SGA, que funciona como um índice do sistema. 13

14 A forma adequada da documentação possibilita as organizações manter um complexo sistema de controle dos documentos, o que se torna primordial à efetivação do desempenho ambiental da implementação do SGA (NBR ISO 14001:2004). Para o cumprimento da política do meio ambiente, dos objetivos e metas ambientais, a NBR ISO 14001:2004 recomenda-se à organização, a avaliação de suas operações associadas com seus aspectos ambientais identificados e que assegure o controle e tratamento, adequados aos impactos ambientais, inclusos as atividades de manutenção. As atividades referentes à manutenção e controle operacional incorporam a prevenção à poluição, para a preservação os recursos naturais e da gestão de rotinas, para assegurar conformidade com os requisitos legais e critérios de desempenho. De acordo com Seiffert (2007), a estruturação do atendimento a emergência, apresenta a capacidade de agir corretivamente aos impactos ambientais, bem como preventivamente à sua ocorrência ao estabelecer e manter procedimentos para identificar a potencialidade de incidentes/acidentes ambientais. O objetivo da preparação e atendimento as emergências, conforme Assumpção (2007) é assegurar que a organização tenha procedimentos estabelecidos e testados para funcionar nas possíveis situações de ocorrência, que possam colocar em risco as condições do meio ambiente, do homem e das instalações. Uma vez concluída a fase de Implementação e Operação, de acordo com Almeida et al (2002), o SGA entra na fase de verificação e ação corretiva. Nesta etapa ocorre a análise da eficiência do desempenho ambiental. Em outras palavras é feito um check list do sistema implementado às políticas, objetivos e metas. A empresa deve identificar as eventuais não conformidades 7 para que seja elaborado um plano de ações corretivas. 7 Não conformidade evidência de não atendimento aos requisitos Legais. 14

15 Esta etapa abrange a verificação de monitoramento e registros, avaliação e cumprimento dos requisitos legais, identificação das não conformidades, ação corretiva e ação preventiva, controle de registro e realização de auditorias internas (ALMEIDA ET AL, 2002). Através do monitoramento e medição periódicos, dos procedimentos adotados, das principais operações de atividades que possam ter um impacto sobre o meio ambiente é possível controlar os aspectos gerados dentro da organização. Tais procedimentos incluem o registro de informações para acompanhar o desempenho, controles operacionais pertinentes e a conformidade com os objetivos e metas da organização de acordo com os indicadores estabelecidos (SEIFFERT, 2002). Sem uma medição de desempenho, realmente não é possível melhorá-lo. A NBR ISO 14001:2004 recomenda que a organização seja capaz de avaliar o atendimento aos requisitos legais identificando a não conformidade para dispor de ações corretivas e preventivas e assim, garantir a eficácia das ações adotadas. O sistema de registro evidencia todas as etapas da implementação do SGA, sendo mantidos todos os procedimentos, ações implementadas e informações arquivadas e armazenadas demonstrando o cumprimento da empresa com sua Política de Meio Ambiente e melhoria contínua do seu desempenho ambiental. A auditoria interna, subsistema que visa estabelecer e manter programas e procedimentos de auditorias periódicas, de acordo com Seiffert (2002), busca determinar se o SGA está em conformidade com as diretrizes estabelecidas da sua gestão ambiental e normas, bem como verificar sua efetiva implantação e manutenção. Assumpção (2007) concerne à auditoria interna, como instrumento de identificação dos desvios que estejam em desacordo com os requisitos da norma. Desvios que podem não ser identificados pelo SGA e sim pela equipe de auditoria interna. 15

16 Após a auditoria interna é realizada, pela administração, uma análise crítica da adequação e eficácia continuada do SGA. A busca de informações necessárias garante à administração, avaliações precisas de forma documentada, esclarece Seiffert (2007). O resultado dessa análise permite implementar melhorias no aperfeiçoamento do desempenho ambiental e providenciar ações para correção das não conformidades listadas na auditoria interna. Uma visão sistemática da implantação do SGA em uma organização pode ser vista na Figura 01, abaixo: Figura 01: Sistema de Gestão Ambiental Fonte: NBR ISO 14001:2004 Em termos de custos, perante a necessidade de investimento nas questões ambientais, o SGA torna viável à medida que sejam alocados recursos que tornem possível o cumprimento de seus objetivos e metas. A velocidade do desenvolvimento do processo de melhoria contínua depende dos recursos disponíveis da organização. 16

17 5 ESTUDO DE CASO: CONCESSIONÁRIA LINCE VEÍCULOS 5.1 O sistema na concessionária Lince Veículos Segundo a NBR ISO (1996), a incorporação do SGA na estrutura de uma organização é capaz de ostentar um equilíbrio e integração dos interesses econômicos e ambientais, o que pode alcançar vantagens competitivas significativas. A NBR ISO 14001:2004, norma que referencia o Sistema de Gestão Ambiental, adotado pela empresa Lince Veículos SA, propõe à organização a implementação de procedimentos que tratam seus aspectos ambientais e os possíveis impactos significativos ao meio ambiente. Releva-se também que o cumprimento da legislação vigente é um requisito para a priorização dos impactos ambientais (MANUAL AMBIENTAL LINCE VEÍCULOS SA, 2008). Para a empresa Lince Veículos SA, foram consideradas todas as atividades desenvolvidas na rotina dos seus processos: TSM (Toyota Service Marketing) e TSW (Toyota Sales Way), padrões da Toyota do Brasil, pois englobam todas as atividades da empresa (MANUAL TSM / TSW, 2006). A partir da sistematização do estudo dos impactos ambientais segundo os aspectos ambientais presentes nas atividades da Lince Veículos SA, considera-se a empresa como poluidora, passível de licenciamento ambiental e às outras exigências legais pertinentes. Para efeito da investigação e aplicação dos requisitos legais do Sistema de Gestão Ambiental, foram elencados os seguintes impactos ambientais, conforme o Manual Ambiental Lince Veículos SA (2008): Poluição hídrica geração de efluente Poluição do solo resíduos Classe I, Classe IIA e Classe IIB Poluição atmosférica - emissões gasosas CO 2 e CO, emissões de substâncias controladas pelo Protocolo de Montreal Poluição Sonora- geração de ruído 8 NBR ISO Diretrizes gerais sobre princípios, sistemas e técnicas de apoio do SGA. 17

18 Conforme Moura (2004), baseado na Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (6938/1981), as empresas consideradas potencialmente poluidoras devem requerer junto ao órgão ambiental competente, a realização de estudos de impacto ambiental e licenciamento de suas atividades. A Lei 6938 de 31 de agosto de 1981, da Política Nacional de Meio Ambiente estabelece as atividades potencialmente poluidoras e utilizadora de recursos naturais e define no seu Art 3º, inciso VI, poluidor como: poluidor, a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental. A Resolução do CONAMA 237, de 19 de dezembro de 1997, no seu Art 1º define licenciamento ambiental, como sendo: Licenciamento Ambiental: procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso. A Norma Técnica Brasileira NBR de setembro de 2004, referencia os resíduos sólidos à seguinte classificação: Resíduos classe I: são classificados como resíduos classe I ou perigosos, os resíduos sólidos ou mistura de resíduos que, em função de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade, podem apresentar risco à saúde pública, provocando ou contribuindo para um aumento de mortalidade ou incidência de doenças e/ ou apresentar efeitos adversos ao meio ambiente, quando manuseados ou dispostos de forma inadequada. Resíduos classe II A São classificados como resíduos classe II A ou não inertes, aqueles que podem ter propriedades tais como combustibilidade, biodegradabilidade ou solubilidade em água. 18

19 Resíduos classe II B - São classificados como resíduos classe II B ou inertes, aqueles que submetidos a um contato estático ou dinâmico com a água destilada ou deionizada, à temperatura ambiente, não tem nenhum de seus componentes solubilizados em concentrações superiores aos padrões de potabilidade da água. Conforme o item Atividades, aspectos e impactos Manual Ambiental da Lince Veículos (2008), os aspectos e impactos ambientais significativos de todas as atividades, serviços e produtos podem ser vistos detalhadamente nos Quadros 02 e 03 e 04 a seguir. 19

20 Quadro 02 - Listagem de atividades, aspectos e impactos da Lince Veículos SA, no processo TSM Passos TSM Atividades Aspectos Impactos 1 Agendamento 1.1 Atendimento ao telefone; 1.2 Preenchimento da pré-ordem de serviço. 2 Ordem de Serviço 2.1 Preenchimento da ordem de serviço / Quadro de agendamento; 2.2 Verificação de peças no estoque. Descarte de apara branca. Poluição visual; Desperdício de recursos naturais. Descarte de apara branca. Poluição Visual; Desperdício de Recursos naturais. 3 Recepção de Clientes 3.1 Chegada cliente dia agendado; 3.2 Verificação; rotina de agendamento; pegar a pré- OS no quadro; 3.3 Preparação do veículo para entrar na oficina; Diagnóstico do veículo. Emissão gasosa; Ruído. Poluição atmosférica; Poluição sonora. 20

21 4 Distribuição e produção. 4.1 Verificação de OS de trabalho; 4.2 Distribuição do serviço; Quadro de planejamento de trabalho; Organização peças conforme OS; Encaminhamento do veículo até o Box; 4.3 Execução o serviço; Troca de óleo; Troca de pneus; Troca de peças; Realização de reparos elétricos; troca de bateria; Instalação de acessórios; Manutenção de ar condicionado; Trocas de pastilhas de freio; 4.4 Manutenção de instalações. Descarte de embalagens (madeira, papel, plásticos); Ruído; Emissões gasosas; Geração de efluentes; Geração de fluidos e resíduos Classe I; Geração de resíduos Classe II (peças, sucatas); Geração de particulados. Poluição do solo; Poluição hídrica; Poluição sonora; Poluição atmosférica. 5 Controle de qualidade Retirar OS da Coluna, aguardando Inspeção; 5.2 -Inspecionar o veículo, o serviço e peças substituídas; É necessário realizar teste de rodagem?; Sim, será realizado teste de rodagem; Não será realizado teste de rodagem; Controle de Qualidade (aprovado); Lavagem do veículo; Aguardando Preparação para entrega (QCPT). Emissões gasosas; Geração de efluente; Geração de ruídos. Poluição atmosférica; Poluição hídrica. 21

22 6- Processo de entrega 6.1 Receber o cliente ao chegar; 6.2 Explicar o que foi feito 6.3 Mostrar as peças ao cliente; 6.4 Explicação do trabalho na entrega; 6.5 Solicitação de pagamento pelo caixa; 6.6 Acompanhar cliente até a saída. Não relevante. Não relevante. 7 Acompanhamento pós-serviço 7.1 Sistematização de acompanhamento; 7.2 Preparativos (repassar detalhes); 7.3 Acompanhamento por telefone; 7.4 Acompanhamento por ; 7.5 Relatório de contato com cliente; 7.6 Registro de reclamações e clientes; 7.7 Feedback do acompanhamento pósserviço; 7.8 Comunicação dos resultados ao gerente de pós-vendas. Descarte de apara branca. Poluição sonora; Esgotamento de recursos naturais. Fonte: Atividades, aspectos e impactos ambientais Manual Ambiental, Lince Veículos,

23 Quadro 03 - listagem de atividades, aspectos e impactos da Lince Veículos SA, no processo TSW. Passos TSW Atividades Aspectos Impactos 1 - Prospecção do cliente Definir os objetivos de vendas e de prospecção; Definir as fontes de dados (ações externas e de marketing) Reunir equipe de venda para alinhar objetivos e estratégias; Realizar contatos de prospecção de clientes; 1.5 Registrar / atualizar dados do cliente. Geração de ruído; Poluição sonora. 2 Recepção do cliente Atender o cliente prontamente; Oferecer cortesias e cartão de visita; Atender a chamada telefônica antes do quarto toque; Responder o do cliente cordialmente até um dia do recebimento; Coletar e registrar dados do cliente; Acompanhar os registros de atendimento. 3 Qualificação Realizar entrevista consultiva; Registrar dados obtidos. 4 Apresentação 4.1 Apresentar dados importantes para o cliente; do veículo 4.2 Registrar histórico da apresentação. 5 Test Drive 5.1 Oferecer TestDrive ao cliente e seus componentes; 5.2 Registrar as informações e assinatura do cliente; 5.3 Assegurar que o cliente use o cinto de segurança, bancos e espelhos estejam regulados e faróis acesos; 5.4 Ressaltar os pontos importantes de entrevista consultiva (qualificação) 6 Negociação 6.1 Consultar o cliente sobre a forma de pagamento; 6.2 Oferecer agregado; 6.3 Realizar registros de dados. Descarte de apara branca. Desperdício de recursos naturais. Não relevante. Não relevante. Não relevante. Não relevante. Emissão gasosa; Geração de ruído; Uso de computador. Uso de computador; Geração de descarte de papel; Geração de ruído pelo toque do telefone. Poluição atmosférica; Poluição sonora; Esgotamento de recursos naturais. Poluição sonora; Esgotamento de recursos naturais. 23

24 7 Entrega do veículo 8 Acompanhamento e retenção 7.1 Realizar check-list e confirmar documentos; 7.2 Contatar o cliente um dia antes da data da entrega; 7.3 Preparar área reservada para entrega; 7.4 Entregar chaves e documentos. Explicar sobre manual, manutenção e garantia; 7.5 Convidar o cliente a uma visita ao consultor de serviços e apresentar serviços; 7.6 Entregar o veículo, parabenizar o cliente e registrar a entrega com comentários. 8.1-Realizar pesquisa de venda desistida; 8.2-Contatar o cliente até dois dias após a entrega e verificar satisfação; 8.3 Contatar o cliente até sete dias após a entrega e verificar a satisfação do cliente quanto ao atendimento, registrar; 8.4 Contatar o cliente a cada seis meses para estreitar o relacionamento e identificar oportunidades de negócio, registrar; 8.5- Equipe TSW analisa resultado e promove ações para melhoria. Uso de computador; Geração de descarte papel; Geração de ruído pelo toque do telefone. Uso de computador; Geração de descarte papel; Geração de ruído pelo toque do telefone. Fonte: Atividades, aspectos e impactos ambientais Manual Ambiental, Lince Veículos, Poluição sonora; Esgotamento de recursos naturais. Poluição sonora; Esgotamento de recursos naturais. 24

25 Quadro 04 - Listagem de atividades, aspectos e impactos da Lince Veículos SA, no processo Departamento Administrativo Setor Atividades Aspectos Impactos 1- Contabilidade 1.1 Organização de notas contábeis; Geração de aparas brancas; Desperdício de 1.2 Pagamentos de notas fiscais; Uso de energia elétrica pelos recurso natural; 1.3 Sistematização de compras de suprimentos; equipamentos e iluminação; Poluição hídrica; 1.4 Lançamentos de entradas e saídas financeiras Uso de impressora com tonner; Poluição do dos departamentos de Vendas e Pós Vendas; Geração de resíduo Classe I (tonner solo. 1.5 Gerencia do Almoxarifado, Arquivo de usado) Documentos. 2 Gerência Administrativa Financeira 2.1 Gerência de Contratos terceirizados Controle das atividades da Contabilidade; 2.3 Organização da demanda fiscal; 2.4 Arquivamento de documentos legais e contratos; 3 Tesouraria 3.1 Organização das entradas financeiras e encaminhá-las para as instituições financeiras; Registrar caixa diário da empresa. 4 Manutenção das instalações 4.1 Limpeza e asseio do salão de vendas, banheiros, copa. Geração de aparas brancas; Uso de energia elétrica pelos equipamentos e iluminação; Uso de impressora com tonner; Geração de resíduo Classe I (tonner usado) Desperdício de recurso natural; Poluição hídrica; Poluição do solo. Não relevante. Não relevante. Geração de efluente Geração de resíduo Classe IIB Poluição hídrica; Poluição do Solo 5 Recursos Gerencia da documentação trabalhista da Não relevante. Não relevante. Humanos empresa; 6 - CPD 6.1 Gerencia do Sistema Operacional da empresa. Geração de aparas brancas; Desperdício de Uso de energia elétrica pelos recurso natural; equipamentos e iluminação; Descarte de Uso de impressora com cartucho; insumos Geração de resíduo Classe I eletrônicos; (cartucho usado). Poluição hídrica; Poluição do solo. Fonte: Atividades, aspectos e impactos ambientais Manual Ambiental, Lince Veículos,

26 A identificação dos aspectos e impactos ambientais permite a elaboração dos objetivos, metas e programas do SGA. Com o intuito de atender ao item 4.3.3, Objetivos, metas e programas do Planejamento da NBR ISO 14001:2004, encontra-se descrito no Planejamento do SGA. Os objetivos e metas adotados pela Lince Veículos SA, apresentados no Quadro 05. Quadro 05: Objetivos e metas ambientais da Lince Veículos SA. Impactos Objetivos Metas Poluição hídrica 1. otimização da SAO 1. reduzir em 90% a taxa de (separação de água e óleo) DBO e DQO em um ano Poluição atmosférica 1. emissão zero 1. neutralizar as emissões gasosas em dois anos Poluição do solo 1. encaminhar resíduos 1. tratar 90% dos resíduos gerados e dar destino de acordo com a classificação dando destinação correta em um ano da NBR Desperdício de recursos 1. reduzir consumo de 1. reduzir em 10% o naturais recursos naturais 2. Reduzir consumo de água consumo de energia elétrica em 2 anos; 2. reduzir em 10% em dois anos Fonte: Objetivos e metas ambientais Manual Ambiental, Lince Veículos, As metas ambientais de cada impacto têm como referência, a partir da data de início da sua implantação na empresa descrito no Manual Ambiental da Lince Veículos SA. Todas as ações necessárias para a efetivação dos objetivos e metas ambientais adotados são descritos nos Planos Ambientais, que compõe o Programa Ambiental de prevenção à poluição. 26

27 As ações de acordo com o Manual Ambiental - Lince Veículos SA (2008) são divididas em: Ações de Implantação (tipo I) são aquelas que promoveram modificações na estrutura física da empresa ou implantação de tecnologia nova aos processos; Ações Ambientais (tipo A) são aquelas que serão realizadas para controle específico dos impactos ambientais, incorporando a variável ambiental na rotina das atividades da empresa; Ações de Emergência (tipo E) são aquelas previstas pela NBR ISO 14001:2004, destinadas à mitigação de acidentes ambientais; Ações de Monitoramento / Treinamento (tipo M / T) são aquelas que registram o desempenho do SGA na empresa, através do controle do desempenho das metas ambientais estabelecidas, permitindo a verificação de não conformidades, possibilitando a melhoria contínua e necessidade de treinamento. Na elaboração de cada Plano Ambiental, segundo o Manual Ambiental Lince Veículos SA (2008), foi observado os requisitos legais atendidos, referenciados a cada ação a ser executada. Desta forma, os Planos Ambientais do Programa de Redução da Poluição, contempla (Manual Ambiental Lince Veículos SA (2008): - Plano de otimização e monitoramento do sistema SAO (sep. água e óleo); - Plano de otimização e controle das operações do lava-jato; - Plano de otimização de efluente; - Plano de neutralização de emissões de CO e CO 2 ; - Plano de monitoramento e controle de gases relatados no Protocolo de Montreal; - Plano de separação de resíduos gerados; - Plano de armazenagem e encaminhamento de resíduos gerados; 27

28 - Plano de redução de consumo de energia; - Plano de redução de consumo de água; As estratégias para a implantação dos referidos Planos estão descritos no Quadro 06. Quadro 06: Estratégias dos Planos Ambientais do SGA da Lince Veículos SA. PLANOS ESTRATÉGIAS Plano de Controle de Poluição hídrica Promover a troca de produtos, promover processo de (monitoramento do sistema SAO, controle das educação ambiental continuamente, promover o operações do lava-jato e otimização de efluente) controle do consumo da água Plano de Mitigação de Emissões Gasosas Promover plantio de árvores para neutralização de (emissões de CO e CO 2 e controle de gases emissões carbônicas, integrar a comunidade neste relatados no Protocolo de Montreal) processo. Plano de Redução de desperdício de Recursos Promover processo de educação ambiental (consumo de energia e água) continuamente Plano de Gerenciamento de Resíduos (separação, Promover a correta separação por classes, encontrar armazenagem e encaminhamento de resíduos parceiros economicamente interessantes para o gerados) reaproveitamento, procurar tecnologias alternativas para o encaminhamento dos resíduos. Promover responsabilidade social Fonte: Planos Ambientais e estratégias Manual Ambiental, Lince Veículos, O Programa de Redução da Poluição tem por base, a inserção de novos procedimentos nas atividades dos processos de serviços realizados pela empresa, no âmbito de gerenciamento de resíduos, não desperdício de recursos naturais e redução de custos. Todo esse sistema é possível de ser efetivado através da estrutura de responsabilidade e autoridades, da Lince Veículos SA, que estabelece o compromisso da direção, de seus gerentes, departamento de meio ambiente e encarregado técnico, na conduta da implantação do SGA. 28

29 Os treinamentos ministrados para toda a organização, segundo o Manual Ambiental Lince Veículos SA (2008), abrangem conhecimento e funcionamento do SGA, educação ambiental, procedimentos ambientais e emergências ambientais, fundamentais à eficiência da implantação do SGA. Para a Concessionária Lince Veículos SA, a adequação ao SGA representa o compromisso com a melhoria contínua de seus processos tais como, otimização de custos e serviços, prevenção à poluição, atendimento à legislação, promoção da educação ambiental aos funcionários e busca de novos clientes estendendo à comunidade a importância do cuidado com o meio ambiente. Essas responsabilidades são asseguradas, pela Política Ambiental da Lince Veículos SA, estabelecido pela alta direção, que expressa através dela, suas intenções na envoltura e motivação de todos os stakeholders, na incorporação de uma nova cultura disseminada na empresa. 5.2 Empresa Sustentável A implantação do SGA, na Concessionária Lince Veículos SA, resulta de um amplo leque de vantagens. Para entender o resultado dessa implantação, ressalta-se a abrangência da questão sustentabilidade, fator primordial na construção do SGA, essencial na evolução de empresa sustentável. De acordo com Savitz, (2007) o termo sustentabilidade, durante a década de 80, originou da conscientização crescente em promover o crescimento da economia sem destruir o meio ambiente ou sacrificar o bem-estar das futuras gerações. O termo denota uma idéia poderosa e objetiva de empresa: A empresa sustentável, que decifra como sendo aquela que gera lucro para os acionistas, ao mesmo tempo em que protege o meio ambiente e melhora a vida das pessoas com que mantém interações. 29

30 Segundo o mesmo autor, a sustentabilidade promove benefícios não só para a sociedade, mas também é capaz de beneficiar a lucratividade das empresas, relata. A empresa sustentável que age de forma adequada numa inter-relação constante com os indicadores econômicos, ambientais e sociais, conhecido como Tríplice Resultado (TR), encontra o ponto de sustentabilidade: o lucro, com responsabilidade social e ambiental. Esse é o verdadeiro sucesso da empresa sustentável. O sucesso duradouro nos mercados pelas empresas ostenta uma visão de compartilhamento na reflexão de sustentabilidade entre os interesses dos stakeholders financeiros (empresa) e dos stakeholders não-financeiros (público). Essa área é chamada de ponto doce da sustentabilidade, o ponto em que o lucro converge com o bem comum. O ponto doce varia de acordo com o objetivo que a empresa deseja alcançar. A ilustração do ponto doce pode ver visto na Figura 02. Savitz (2007) define o termo stakeholders, ou detector de interesses como qualquer pessoa que seja afetada, ou possa ser afetada, pelo desempenho de uma organização. Aí se incluem os stakeholders internos (como os empregados) os stakeholders da cadeia de valor (os fornecedores e os clientes) e os stakeholders externos (comunidades, investidores, organizações não governamentais, órgãos públicos etc). 30

31 Novos produtos e serviços Novos processos Novos mercados Novos modelos de negócios Novos métodos de gestão e de divulgação de informações Figura 02: O ponto doce da sustentabilidade Fonte: A empresa Sustentável de Andrew W. Savitz, O envolvimento dos stakeholders nas organizações está interconectado de maneira mais complexa no mundo atual. Os interesses legítimos dos stakeholders nas suas operações e investimentos influenciam nas decisões dos gestores. O mundo mais interdependente declara Savitz (2007), é a complexidade dos produtos, distribuição, serviços, e atividades de marketing, a exigir que as empresas e pessoas trabalhem juntas, de forma mais integral, tanto dentro de organizações como entre diferentes empreendimentos, além de fronteiras nacionais e internacionais. O mesmo autor afirma que a visão atual dos acionistas em conectar a relação interdependente dos stakeholders na melhoria do desempenho econômico, social e ambiental na empresa, evidencia a Era da Responsabilidade, ou a incorporação da sustentabilidade e responsabilidade ambiental dentro da empresa. A importância crescente dos stakeholders na relação da empresa mostra que, apesar de ser uma questão 31

32 de escolha, está cada vez mais inserido nas organizações. Daí, numa definição incompleta de sustentabilidade considera-se que seja, a arte de fazer negócios num mundo interdependente. Savitz (2007), ainda complementa que formar parcerias com os stakeholders além de promover propaganda, doações filantrópicas e táticas de mídia, consiste em envolvê-los nas decisões e nas atividades que definem o negócio. Além disso, contribui para reduzir riscos de oposição e para criar novos valores comuns. Em outras palavras, a capacidade de trabalhar com os stakeholders, em vez de contra eles, representa vantagem competitiva significativa para as organizações responsáveis, que se abrem ao envolvimento dos stakeholders. As empresas que descobrem o ponto doce, provavelmente se esforçarão em boa vontade e apoio político, formas cada vez mais valiosas, no mundo interdependente. Os acionistas da Concessionária Lince Veículos SA impulsionados pela competitividade de produtos, atividades e serviços, locaram para uma nova sede com estrutura inovadora, grande e autêntica, referência para as demais concessionárias. O prédio construído atende o padrão Toyota do Brasil e possui todas as instalações adequadas desde atendimento ao cliente e serviços até prevenção à poluição da água. Com a ferramenta do SGA implantado na Concessionária Lince Veículos SA através da NBR ISO 14001: 2004, a empresa possui todas as condições necessárias para o alcance do ponto doce de sustentabilidade (Figura 03). 32

33 Conservar recursos naturais Menor impacto ambiental Maior lucratividade Conquista de novos mercados Maior competitividade Prevenção de multas Maior credibilidade Empresa sustentável Figura 03: O ponto doce da sustentabilidade da Lince Veículos SA Mediante a grande concorrência existente no ramo automobilístico, a alta administração da Lince Veículos SA acredita que um bom indicador de desempenho, venha a proporcionar um diferencial às demais empresas do ramo. A estratégia utilizada é a satisfação do cliente pelos serviços oferecidos e a marca Toyota. O Índice de Satisfação do Cliente (ISC) é um indicador de avaliação dos gerentes, que designa um resultado de maior competitividade e lucratividade (ver Figura 04). 33

34 Maior índice de satisfação do cliente (ISC) Conquista de novos clientes e mercados Veículos SA Figura 04: Ponto doce da sustentabilidade (clientes) Lince As questões de sustentabilidade, aquelas que geram o passivo ambiental 9 na concessionária Lince Veículos SA envolvem: Geração de resíduos sólidos; Geração de resíduos líquidos; Geração de emissões atmosféricas; Geração de emissões sonoras; Desperdício de recursos naturais. A estratégia da utilização do ponto doce da sustentabilidade da empresa, de acordo com Savitz (2007), é o método produtivo de refletir e raciocinar em termos de minimização e otimização. O propósito da minimização é a redução dos danos ecológicos, dos acidentes de trabalho e dos malefícios à comunidade. Minimização é ser menos prejudicial. Para 9 Passivo Ambiental: ações antrópicas que podem gerar danos ao meio ambiente. 34

35 a empresa, de um modo geral, minimizar significa reduzir o tamanho das suas pegadas em termos de impactos ambientais, sociais e econômicos adversos resultantes de suas atividades. Do ponto de vista do mesmo autor, a otimização tem por objetivo ser mais benéfico, no sentido de produção de benefícios positivos na área de impacto ambiental, social e econômico. A otimização procura não só reduzir a poluição, mas restaurar o meio ambiente; não só eliminar os acidentes trabalhistas, mas também contribuir para a saúde e felicidade dos colaboradores; não só reduzir o impacto à comunidade, mas também revitalizá-la. Na operacionalização da sustentabilidade, programa ou projeto, devem ser definidos, de acordo com Savitz (2007) os objetivos, os processos e indicadores-chave de desempenho. O mesmo autor afirma ainda que os objetivos devam ser definidos de acordo com a estratégia e é indispensável para esclarecer o que está tentando realizar e ainda, possibilita a avaliação do progresso. Este último é inserido a criação de procedimentos e indicadores-chave para o monitoramento do mesmo. Para o tratamento dos passivos ambientais da Lince Veículos SA, foram criados os Programas Ambientais referente as questões de sustentabilidade que integram o SGA Questões de sustentabilidade Geração de resíduos sólidos O desenvolvimento do Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) na concessionária Lince Veículos SA atende ao Plano Ambiental de separação, armazenagem e encaminhamento de resíduos gerados, descrito no Manual Ambiental. O impacto ambiental a ser tratado é a poluição do solo. 35

36 Os principais resíduos sólidos gerados nas respectivas atividades rotineiras da concessionária Lince Veículos SA passíveis de poluição do solo são (Quadro 07): Quadro 07: Resíduos gerados a partir das atividades rotineiras da Lince Veículos SA Departamento Resíduo Classe Forma de destino final Pós-Venda Sucata metálica I Reciclagem Pós-Venda Pneu IIB Reciclagem / co-processamento Pós-Venda Óleos, fluidos e graxas I Re-refino Pós-Venda Isopor IIB Reciclagem / Reuso Pós-Venda Vidro IIB Reciclagem Pós-Venda Materiais contaminados I Incineração / Blendagem Pós-Venda Papelão IIA Reciclagem Pós-Venda, vendas e administrativo Plástico IIA Reciclagem Pós-Venda Bateria I Reciclagem Pós-Venda, vendas e administrativo Papel IIA Reciclagem Pós-Venda Fiações elétricas IIB Reciclagem Vendas e adminitrativo Tonners e cartuchos Fonte: Manual Ambiental Lince Veículos, 2008 I Reuso O objetivo do PGRS é encaminhar os resíduos gerados e dar destino final correto de acordo com a classificação da NBR /2004. O destino final correto é uma ação essencial que deve ser incorporada na rotina da organização, a partir da segregação dos mesmos pelos colaboradores. O Programa Ambiental (em Anexo I) detalha todas as ações e outras especificações necessárias para a implantação do Programa de controle de poluição do solo. Para as ações necessárias descritas nos Programas Ambientais (em Anexo I) foram realizados investimentos como: compra de contêineres, porta-copos, lixeiras, 36

37 construção de baias de separação, contratação de stakeholders externos e treinamento de pessoal. A meta ambiental do PGRS é separar 90% dos resíduos dando destinação correta em até 06 meses, a partir de novembro de Moura (2004) recomenda que o gerenciamento dos resíduos sólidos deve ser de forma integrada e adequada, na procura da melhor opção a visar sempre que possível, os 4 Rs (redução, reuso, recuperação e reciclagem). Lince Veículos SA. A figura 05 ilustra o resultado da separação dos resíduos sólidos gerados na Figura 05 Separação de resíduos sólidos da Lince Veículos SA Fonte: Gráfico de desempenho na Verificação de Gestão Ambiental Manual Ambiental, Lince Veículos,

38 A implantação do PGRS até o mês de março de 2008, estipula um desempenho ambiental considerável, com uma separação de 80,65%, visto que a meta de alcance de 90% da separação é prevista para o mês de abril de A destinação final dos resíduos são realizados por empresas terceirizadas, responsáveis pelo destino correto final de cada resíduo gerado. Através do resultado de separação de resíduos sólidos e contratação de stakeholders externos responsáveis por destinação final pode-se afirmar que, a organização caminha para uma empresa sustentável. A Figura 06 ilustra o ponto doce da sustentabilidade, na concessionária. Separação, segregação dos resíduos sólidos Atendimento às leis e normas vigentes Destinação correta dos resíduos sólidos Controle da poluição do solo Figura 06: Ponto doce da sustentabilidade (resíduos sólidos) Lince Veículos SA 38

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