ELABORAÇÃO DE MATERIAL PARADIDÁTICO PARA EDUCAÇÃO

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1 PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS PROGRAMA DE MESTRADO PROFISSIONALIZANTE EM ENSINO DE CIÊNCIAS E MATEMÁTICA ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: ENSINO DE BIOLOGIA ELABORAÇÃO DE MATERIAL PARADIDÁTICO PARA EDUCAÇÃO AMBIENTAL COM ÊNFASE EM ATIVIDADES LÚDICAS LUANA MAGDA MUNIZ DOS SANTOS Belo Horizonte 2010

2 Luana Magda Muniz dos Santos ELABORAÇÃO DE MATERIAL PARADIDÁTICO PARA EDUCAÇÃO AMBIENTAL COM ÊNFASE EM ATIVIDADES LÚDICAS Dissertação apresentada ao Departamento de Pós- Graduação da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Ensino de Ciências e Matemática. Orientadora: Prof a. Dra. Cláudia de Vilhena Sachayer Sabino Belo Horizonte 2010

3 FICHA CATALOGRÁFICA Elaborada pela Biblioteca da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais S237e Santos, Luana Magda Muniz dos Elaboração de material paradidático para educação ambiental com ênfase em atividades lúdicas / Luana Magda Muniz dos Santos. Belo Horizonte, f. : il. Orientadora: Cláudia de Vilhena Sachayer Sabino Dissertação (Mestrado) Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática 1. Educação ambiental. 2. Motivação na educação. I. Sabino, Cláudia de Vilhena Sachayer. II. Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática. III. Título. CDU: 577.4:37

4 Luana Magda Muniz dos Santos ELABORAÇÃO DE MATERIAL PARADIDÁTICO PARA EDUCAÇÃO AMBIENTAL COM ÊNFASE EM ATIVIDADES LÚDICAS Dissertação apresentada ao Departamento de Pós- Graduação da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Ensino de Ciências e Matemática. Prof a. Dr a. Cláudia de Vilhena Sachayer Sabino (Orientadora) - PUCMINAS Prof. Dr Cristiano Mauro Assis Gomes - UFMG Prof a. Dr a. Andréa Carla Leite Chaves - PUCMINAS Belo Horizonte, 08 de novembro de 2010.

5 DEDICATÓRIA À minha família e aos meus amigos, pelo apoio e incentivo incessantes.

6 AGRADECIMENTOS À Deus, por guiar meus passos e me dar forças para ir em busca dos meus objetivos. A meu marido Claudiano, companheiro de todas as horas, amigo e incentivador. Pela paciência e compreensão. A meus pais, Vera e Joaquim, que representam as raízes de tudo o que sou. Vocês são exemplos de que, a cada dia, posso me tornar uma pessoa melhor. À minha tia e segunda mãe, Maria Antônia, que sempre me incentivou, apoiou e acreditou no meu potencial. Aos amigos e familiares, que me incentivaram e apoiaram nesta caminhada. À minha orientadora Cláudia, pela atenção, paciência e valiosas contribuições. A todos os professores do curso, pelos seus ensinamentos e dedicação. Aos colegas de turma pela amizade e bom humor que amenizaram os momentos difíceis e divertiram os momentos leves. das atividades. À Soraya e ao Léo pelo carinho e disponibilidade em auxiliar-me durante a aplicação Aos meus alunos, que como voluntários, aceitaram participar desta pesquisa com entusiasmo e compreensão. Ao Colégio Providência, por permitir a aplicação das atividades pesquisadas.

7 RESUMO Já é fato a importância da preservação do meio ambiente e a necessidade de mudanças de hábitos e de atitudes que levem à melhoria da qualidade de vida e ao equilíbrio ambiental. Porém, para que isso realmente aconteça, é preciso criar e estimular o respeito e a consciência, seja em relação ao consumo, ao desmatamento ou à economia. A escola é um excelente ambiente para isso. É fundamental que cada aluno desenvolva as suas potencialidades e adote posturas pessoais e comportamentos socioconstrutivos, colaborando assim para a construção de uma sociedade socialmente justa, em um ambiente saudável. O objetivo central desta pesquisa foi analisar o que docentes e discentes pensam sobre a utilização de atividades lúdicas e perceber a eficácia desta metodologia para a Educação Ambiental e, a partir dos resultados, produzir uma cartilha que sirva como material de apoio para o professor. O trabalho foi executado em três fases: na primeira, foi feita uma pesquisa bibliográfica a respeito da utilização de atividades lúdicas na educação; na segunda, professores e alunos submeteram-se à responder um questionário com o intuito de analisar o que pensam a respeito desta prática pedagógica; e, na terceira fase, foram elaboradas dinâmicas sobre a temática lixo, aplicadas a 23 alunos do 8º ano do Ensino Fundamental, de uma escola da rede particular de Mariana, Minas Gerais, os quais avaliaram a utilização destas atividades na Educação Ambiental. De acordo com os dados obtidos, verificou-se que tanto professores, quanto alunos consideram atividades com caráter lúdico importantes para a aprendizagem, uma vez que os alunos se sentem mais motivados e interessados em participar do processo educacional. Além disso, essas atividades proporcionam um clima de descontração, favorecendo assim a uma situação de diálogo e de intercâmbio entre o educador e o educando. A partir dos dados da pesquisa, foi elaborada uma cartilha para servir de material de apoio ao professor, cartilha essa que contém informações relacionadas à utilização de atividades lúdicas na Educação Ambiental, seis dinâmicas sobre a questão do lixo e de seus problemas, sugestões de livros, vídeos e sites relacionados à Educação Ambiental e ainda um referencial com informações sobre a temática do lixo destinado aos alunos. PALAVRAS-CHAVE: Educação Ambiental, atividades lúdicas, motivação.

8 ABSTRACT It is a fact that the importance of environmental preservation and the necessity of changes of habits and attitudes lead to the improvement of life quality and environment balance. However, for this to really happen it is necessary to create and stimulate the respect and the consciousness in relation to consumption, deforestation or the economy. Schools are an excellent environment for this. It is fundamental that each student develops their potentialities and adopts personal positions and constructive social behaviors that collaborate for the construction of a fair society living in a healthy environment. The main objective of this research was to analyze what teachers and students think about the use of playful activities, and perceive the effectiveness of this methodology for environment education, and from the results, produce a booklet which can work as a support material for the teacher. This work was executed in three phases: on the first one it was done a bibliographical research regarding the use of playful activities in education, on the second one, teachers and students were given a questionnaire to answer with the intention to analyze what they think about this pedagogic practice, and on the third phase, dynamic activities were made on the topic garbage and introduced to 23 students of the 8 th grade of a private Junior High School in Mariana, Minas Gerais, who evaluated the use of these activities in Environmental Education. According to the data collected, it was verified that either teachers or students consider playful activities important for learning, once students feel more motivated and interested in participating in the educational process. Moreover, these activities provide an amusing atmosphere, thus favoring an interacting situation between the educator and the pupil. A booklet was made from the research data to work as a support material for teachers. This booklet contains information related to the use of playful activities in Environmental Education, six dynamic activities about the topic garbage and its problems, suggestions of books, videos and websites related to Environmental Education, and also a reference material with information about the topic garbage intended for students. KEY WORDS: Environmental Education, playful activities, motivation

9 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Pretensão da educação ambiental...15 Figura 2 - O Cone das Experiências de Edgar Dale...21 Figura 3 - O Currículo de Educação Ambiental como processo de interação professor aluno...33

10 LISTA DE QUADROS Quadro1: A superpopulação é um problema ambiental?...42 Quadro 2: Que fatores você acredita que influenciam na produção de lixo?...43 Quadro 3: O que podemos fazer para reduzir a produção de lixo?...44 Quadro 4: Qual das duas formas de descarte de lixo é mais vantajosa, o lixão ou o aterro sanitário? Por quê?...45

11 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 Experiência docente dos entrevistados...29 Gráfico 2- Estratégias mais utilizadas pelos professores nas aulas...30 Gráfico 3- Professores que utilizam atividades lúdicas nas aulas...31 Gráfico 4 - Estratégias que os professores acreditam que os alunos mais gostam...32 Gráfico 5 - Estratégias que os professores acreditam que os alunos aprendam mais...35 Gráfico 6 - Estratégias que os alunos mais gostam de aprender...36 Gráfico 7 - Estratégias em que o aluno acredita aprender com mais facilidade...37 Gráfico 8 - Atividades que os alunos mais gostaram...67 Gráfico 9 - Atividades que os alunos acreditam ter aprendido mais...69 Gráfico 10 - Atividades que os alunos menos gostaram...70

12 LISTA DE SIGLAS CBC- Currículo Básico Comum CONAMA- Conselho Nacional do Meio Ambiente EA- Educação Ambiental IUCN- International Union for the Conservation of Nature PCN- Parâmetros Curriculares Nacionais PC/SEE-MG Proposta Curricular da Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais PUC/ Minas - Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais UFLA- Universidade Federal de Lavras

13 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO REVISÃO DA LITERATURA O que é Educação Ambiental? Educação ambiental na escola A importância do elemento lúdico nas atividades de Educação Ambiental A importância dos jogos pedagógicos As dinâmicas de grupo como instrumentos de aprendizagem O papel do professor na utilização das atividades lúdicas de Educação Ambiental METODOLOGIA RESULTADOS Percepção dos professores sobre a utilização de atividades lúdicas na sala de aula Percepção dos alunos a respeito da utilização de atividades lúdicas na educação Primeira parte do questionário - Estratégias de ensino Segunda parte do questionário- Conhecimentos Ambientais Elaboração e aplicação das atividades ª Atividade- Sensibilização: Construindo um mundo melhor ª Atividade Reflexão: Nó humano ª Atividade Reflexão: Consumo sustentável x Consumismo ª Atividade - Revendo e fixando conceitos: Lixão x Aterro Sanitário ª Atividade - Tomando decisões: Estudo de caso ª Atividade - Refletindo sobre mudança de postura: Que diferença eu posso fazer? Resultado da aplicação PRODUTO: MATERIAL PARADIDÁTICO COM ATIVIDADES LÚDICAS Escolha do tema para o produto CONSIDERAÇÕES FINAIS:...75 REFERÊNCIAS...77 APÊNDICES...84

14 12 1 INTRODUÇÃO Fala-se muito da importância da preservação do Meio Ambiente, da necessidade de mudanças de hábitos e de atitudes para que nos levem a uma melhoria na qualidade de vida e, consequentemente, a um equilíbrio ambiental sustentável. São políticas socioambientais que, mesmo divulgadas em grande escala, não têm, ainda, um respaldo da população em termos práticos e conscientes. A saída para tal impasse será criar motivações diversas para um despertar da sociedade, levando-se em conta o meio sociocultural e econômico de cada indivíduo, preparando-o para uma resposta positiva de sua participação por meio do respeito e da consciência crítica em relação ao consumo exacerbado, ao desmatamento indiscriminado e, principalmente, da economia dos bens naturais. A Educação Ambiental (EA) passa a ser então uma das ferramentas pela qual se pode sensibilizar os cidadãos sobre o seu papel na sociedade e a importância da conservação dos recursos naturais. Segundo Dias (2004), tal educação deve favorecer os processos que permitam aos indivíduos e aos grupos sociais ampliarem a sua percepção e internalizarem, conscientemente, a necessidade de mudanças. Decorre dessa necessidade de favorecer à percepção e à internalização, o interesse da pesquisadora, o qual surgiu a partir da monografia realizada pela pesquisadora em 2007, na Universidade Federal de Lavras (UFLA) à época da Especialização e que apresentava como título: A importância de atividades dinâmicas e criativas para se consolidar o conhecimento ambiental. Por meio do trabalho mencionado, percebe-se que é importante a reflexão sobre a maneira como vêm sendo trabalhada, nas escolas, as questões relacionadas à temática ambiental. Ferreira (2009) afirma que é inegável a necessidade de se alimentar uma educação próxima dos educandos (as), capaz de aguçar a criatividade, de despertar o gênio inventivo, bem como a capacidade de obter postura racional, combatendo a ganância pelos recursos naturais. Concorda-se com Ferreira e acredita-se que as escolas necessitam de práticas escolares que promovam estas características, despertando no educando a necessidade de refletir e tomar decisões de maneira crítica sobre sua postura perante as questões ambientais. Wilson (1997) afirma que a abordagem didática tradicional é ineficiente para o que se pretende com a Educação Ambiental e cita exemplos de pesquisas e trabalhos desenvolvidos

15 13 pelos meios de comunicação, os quais pouco se valem de conteúdos lógicos ou informativos e buscam nos apelos emocionais o caminho para atingir seus objetivos. O autor complementa a afirmação dizendo que a hipótese é de que se a nossa pedagogia for puramente cognitiva, nossas chances de motivarmos uma mudança de valores e comportamento são nulas. Segundo Reigota, citado por Barcelos (2008), a escola é um local privilegiado para a realização da Educação Ambiental, desde que se dê oportunidade à criatividade. Percebe-se nas afirmações de Wilson e Reigota a importância de buscar-se eficientes estratégias para sensibilizar os discentes. Essa sensibilização é importante, pois, a partir da comunidade escolar podem surgir iniciativas que transcendam este ambiente. Porém, às vezes, mesmo com vários projetos na área de Educação Ambiental, nem sempre esta sensibilização ocorre. Segundo Barcelos (2008), após cessar o projeto que se estava desenvolvendo na escola, cessa também a preocupação da escola com a Educação Ambiental. E quais seriam, em nossa percepção os motivos para esse problema? * a maneira com que geralmente vem sendo tratada a EA na escola: informações transmitidas de maneira tradicional e cansativa? * a falta de metodologias que visem um envolvimento afetivo e lúdico dos participantes? * a falta de motivação de alunos e professores? * ou ainda, a falta de atividades que realmente envolvam a comunidade escolar? Este trabalho procura respostas para essas questões e apresenta uma proposta, para trabalhar-se a Educação Ambiental, principalmente no Ensino Formal de maneira lúdica, por meio de dinâmicas, jogos e atividades que extrapolem o ambiente escolar, uma vez que, de acordo com Santos (1997), o desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal, social e cultural, além de colaborar para uma boa saúde mental, preparar para um estado interior fértil e facilitar os processos de socialização, comunicação, expressão e construção do conhecimento. Com esse propósito, este trabalho está organizado em seis capítulos: no primeiro, realizou-se a introdução; no segundo, a revisão de literatura, na qual se define Educação Ambiental na perspectiva dos autores selecionados para o estudo; também se descreve sobre a Educação Ambiental na escola, a utilização de atividades lúdicas e, ainda, a importância do professor durante a realização dessas atividades; no terceiro capítulo, tem-se a descrição da metodologia; no quarto, descreveram-se os resultados obtidos a partir dos questionários aplicados a professores e alunos; no quinto capítulo, descreveu-se a elaboração do produto. Ao fim do trabalho, apresentaram-se as considerações finais.

16 14 2 REVISÃO DA LITERATURA 2.1 O que é Educação Ambiental? Nas últimas décadas, as preocupações referentes ao meio ambiente vêm se intensificando devido à atuação desrespeitosa do homem em relação à natureza. Surge nesse contexto a Educação Ambiental. Mas, o que se pode definir como Educação Ambiental? Frente aos vários conceitos que podem ser a ela atribuídos, destacam-se os que foram descritos logo abaixo. A International Union for the Conservation of Nature IUCN- (1970) definiu Educação Ambiental como um processo de reconhecimento de valores e clarificação de conceitos, voltado para o desenvolvimento de habilidades e atitudes necessárias à compreensão e à apreciação das interrelações entre o homem, sua cultura e seu entorno biofísico. Na Conferência de Tbilisi (1977), a Educação Ambiental foi definida como uma dimensão dada ao conteúdo e à prática de educação, orientada para a resolução dos problemas concretos do meio ambiente, através de um enfoque interdisciplinar e de uma participação ativa e responsável de cada indivíduo e da coletividade. O Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA- (1996) definiu a Educação Ambiental como um processo de formação e informação, orientado para o desenvolvimento da consciência crítica sobre questões ambientais e de atividades que levem à participação das comunidades na preservação do equilíbrio ambiental. Segundo o artigo 1º da lei nº 9795/99, da Política Nacional de Educação Ambiental, a Educação Ambiental se constitui em processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e à sua sustentabilidade. Para Mininni-Medina (2000), a Educação Ambiental é definida como um processo que consiste em propiciar às pessoas uma compreensão crítica e global do ambiente. Apresenta como finalidade elucidar valores e desenvolver atitudes que lhes permitam adotar uma posição, consciente e participativa, a respeito das questões relacionadas à conservação e à

17 15 adequada utilização dos recursos naturais, para a melhoria da qualidade de vida e a eliminação da pobreza extrema e do consumismo desenfreado. Telles (2002) afirma que a característica fundamental da Educação Ambiental está no seu objeto de estudo - o Meio Ambiente - considerando-se seus aspectos físicos, químicos e biológicos, incorporando a ele toda uma rede de relações socioeconômicas, culturais, políticas, ecológicas, éticas e estéticas. Segundo Reigota (2009), a Educação Ambiental deve ser entendida como educação política, no sentido de que ela reivindica e prepara os cidadãos para exigir e construir uma sociedade com justiça social, cidadanias (nacional e planetária), autogestão e ética nas relações sociais e com a natureza. Concorda-se com a definição de Reigota (2009) uma vez que o autor percebe na Educação Ambiental a oportunidade de auxiliar os cidadãos a ter uma postura questionadora, reflexiva e crítica da realidade. No entender de Dias (2003), a Educação Ambiental é um processo por meio do qual as pessoas aprendem como funciona o ambiente, como dependemos dele, como o afetamos e como promovemos a sua sustentabilidade. O autor menciona a pretensão da EA, conforme apresentado na Figura 1. Figura 1 - Pretensão da educação ambiental Fonte: (DIAS, 2003, p. 100) A partir das definições citadas pode-se dizer que a Educação Ambiental é uma forma abrangente de educação que se propõe a atingir todos os cidadãos, e tem como objeto de

18 16 estudo, o Meio Ambiente, em seus aspectos físicos, químicos, biológicos, socioeconômicos, políticos, culturais, ecológicos, éticos e estéticos. Visa o desenvolvimento não só individual, mas da coletividade, a fim de que haja a conservação do meio ambiente e, consequentemente, uma sadia qualidade de vida. 2.2 Educação ambiental na escola (...) a EA tem o importante papel de fomentar a percepção da necessária integração do ser humano com o meio ambiente. Uma relação harmoniosa, consciente do equilíbrio dinâmico da natureza, possibilitando, por meio de novos conhecimentos, valores e atitudes, a inserção do educando e do educador como cidadãos no processo de transformação do atual quadro ambiental do nosso planeta. (GUIMARÃES, 2000, p.15) Já é fato a importância da preservação do meio ambiente e a necessidade de mudanças de hábitos e atitudes que levem à melhoria da qualidade de vida e ao equilíbrio ambiental. Porém, para que isso realmente aconteça, é preciso criar e estimular o respeito e a consciência no que tange à questão do consumo, do desmatamento e da economia. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais de Meio Ambiente e Saúde (BRASIL, 2001a), a principal função do trabalho com o tema, meio ambiente, é contribuir para a formação de cidadãos conscientes, aptos para decidirem e atuarem na realidade socioambiental de um modo comprometido com a vida, com o bem-estar de cada um e da sociedade, local e global. Considerando toda essa importância da temática ambiental e a visão integrada do mundo, no tempo e no espaço, sobressaem-se as escolas, como espaços privilegiados na implementação de atividades que propiciem essa reflexão, pois isso necessita de atividades de sala de aula e atividades de campo, com ações orientadas em projetos e em processos de participação que levem à autoconfiança, à atitudes positivas e ao comprometimento pessoal com a proteção ambiental implementados de modo interdisciplinar (DIAS, 1992 apud EFFTING,2007, p.23). Santos (2007) afirma que a escola é o espaço social e o local onde o aluno dará sequência ao seu processo de socialização, portanto, comportamentos ambientalmente corretos devem ser aprendidos na prática, no cotidiano da vida escolar, contribuindo para a formação de cidadãos responsáveis. Considerando-se a importância da temática ambiental e a visão integrada do mundo, no tempo e no espaço, Pontalti (2005) postula que a escola deverá oferecer meios efetivos para que cada aluno compreenda os fenômenos naturais, as ações humanas e sua

19 17 consequência para consigo, para sua própria espécie, para os outros seres vivos e para o ambiente. Em virtude das afirmações acima, é fundamental que cada aluno desenvolva as suas potencialidades e adote posturas pessoais e comportamentos socioconstrutivos, colaborando para a construção de uma sociedade socialmente justa, igualitária e fraterna. Os mesmos Parâmetros Curriculares Nacionais de Meio Ambiente e Saúde e de Ciências Naturais (BRASIL, 2001a; BRASIL 2001b) propõem que os conteúdos de Meio Ambiente sejam integrados ao currículo através da transversalidade, pois serão tratados nas diversas áreas do conhecimento, de modo a impregnar toda a prática educativa e, ao mesmo tempo, criar uma visão global e abrangente da questão ambiental. Ainda segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais de Meio Ambiente e Saúde (BRASIL, 2001a) é necessário que, mais do que informações e conceitos, a escola se proponha a trabalhar com atitudes, com formação de valores, com o ensino e a aprendizagem de habilidades e procedimentos. E esse é um grande desafio para a educação. Uma tarefa importante para o professor, associada ao tema Meio Ambiente, é a de favorecer ao aluno o reconhecimento de fatores que produzam real bem-estar; ajudálo a desenvolver um espírito de crítica às induções ao consumismo e ao senso de responsabilidade e solidariedade no uso dos bens comuns e recursos naturais de modo a respeitar o ambiente e as pessoas da comunidade. A responsabilidade e a solidariedade devem se expressar desde a relação entre as pessoas com seu meio, até as relações entre povos e nações, passando pelas relações sociais, econômicas e culturais. (BRASIL, 2001a, p.49). Effting (2007) afirma que a Educação Ambiental deve trabalhar não só com conteúdos conceituais, mas também com os procedimentais e principalmente, atitudinais, a fim de que se possa sensibilizar o aluno a buscar valores que conduzam a uma convivência harmoniosa com o ambiente e com as demais espécies que habitam o planeta. Dessa forma, poderá auxiliá-lo a analisar criticamente os princípios que tem levado à destruição inconsequente dos recursos naturais e de várias espécies. É a partir desta vivência de valores, que se criará,, segundo Barcelos (2008), as possibilidades para uma vida adulta na qual a solidariedade, a cooperação, a responsabilidade, a honestidade e a justiça não precisem ser o tempo todo lembrada. No ambiente escolar, os alunos trazem consigo informações veiculadas pela mídia, as quais seguem os padrões estabelecidos pelo interesse jornalístico. Faz-se necessário, portanto, que a escola avalie tais informações, pois, segundo os PCNs de Meio Ambiente e Saúde (BRASIL, 2001a), muitas vezes, os Meios de Comunicação Social (MCS) abordam o assunto

20 18 de forma superficial ou equivocada, o que pode gerar conceitos insuficientes ou desconectados da realidade do aluno e, por isso, tornam-se inviáveis como instrumento de transformação da realidade. Cabe ao professor dar sentido a todo esse banco de dados aparentemente desordenado, transformando a informação em conhecimento. O trabalho com a realidade local possui a qualidade de oferecer um universo acessível e conhecido e, por isso, passível de ser campo de aplicação do conhecimento. Grande parte dos assuntos mais significativos para os alunos estão circunscritos à realidade mais próxima, ou seja, sua comunidade e região. E isso faz com que, para a Educação Ambiental, o trabalho com a realidade local seja de importância vital. (BRASIL, 2001a, p.48) Segundo Reigota (2009), na Educação Ambiental escolar deve enfatizar-se o estudo do meio onde vive o aluno, procurando levantar os principais problemas cotidianos, as contribuições da ciência, da arte, dos saberes populares, enfim, os conhecimentos necessários e as possibilidades concretas para a solução deles. Dentro deste aspecto, o autor afirma que o fato de a Educação Ambiental priorizar o cotidiano do aluno, não significa que as questões aparentemente distantes não devam ser abordadas, pois não se deve esquecer que se está procurando desenvolver não só a sua identidade e participação como cidadão brasileiro, mas também como cidadão planetário. Assim, percebe-se que a escola tem papel fundamental na sensibilização ambiental do aluno, uma vez que, segundo os PCNs de Meio Ambiente e Saúde (BRASIL,2001a), deve proporcionar um ambiente escolar saudável e que seja coerente com o que pretende que seus alunos aprendam, para que possa, de fato, contribuir para a formação de cidadãos conscientes de suas responsabilidades com o Meio Ambiente e a capazes de ter atitudes de proteção e melhoria em relação a ele. 2.3 A importância do elemento lúdico nas atividades de Educação Ambiental "A seriedade procura excluir o jogo, ao passo que o jogo pode muito bem incluir a seriedade." (Huizinga 1 ) 1 PROJETO tom da mata. Disponível: Acesso em: 15 ago.2010

21 19 Segundo Barcelos (2008), novas alternativas metodológicas na educação em geral, na Educação Ambiental em particular, precisam de um envolvimento afetivo, lúdico e amoroso de todos aqueles que se dedicam, sob pena de a transformarmos em mais uma mera tarefa a ser cumprida. Cita ainda que, o grande desafio dos educadores e pesquisadores em Educação Ambiental é criar uma forma em que a temática ambiental esteja presente em todas as disciplinas ou no maior número possível delas. Então, percebe-se a necessidade de buscarem-se alternativas para o trabalho com a Educação Ambiental e a validade do trabalho lúdico multidisciplinar, tendo em vista que o aprendizado se dá por intermédio de atividades que envolvem a descontração, ao mesmo tempo em que integra conhecimentos e habilidades. Sato (2003) citado por Evangelista (2009) afirma que ensinar Educação Ambiental faz parte de um sistema educativo muito complexo e, por isto, é necessário que haja diferentes formas de incluir a temática ambiental nos currículos escolares, introduzindo mais criatividade e abandonando os modelos tradicionais. Em sua origem, a palavra lúdico vem do latim ludus e significa brincar. Neste brincar, estão incluídos os jogos, brinquedos e divertimentos, mas o significado é relativo também à conduta daquele que joga, que brinca e que se diverte. Por sua vez, a função educativa do jogo oportuniza a aprendizagem do indivíduo, seu saber, seu conhecimento e sua compreensão de mundo, conforme Teixeira, Rocha e Silva (2005). Diversos autores defendem a importância do lúdico para a aprendizagem das crianças. Segundo Cunha (1994), o lúdico aplicado à prática pedagógica não apenas contribui para a aprendizagem da criança, como também possibilita ao educador tornar suas aulas mais dinâmicas e prazerosas. No entanto, ressalta que a brincadeira oferece uma "situação de aprendizagem delicada", isto é, o educador precisa ser capaz de respeitar e nutrir o interesse da criança, dando-lhe possibilidades para que se envolva em seu processo. Do contrário, perde-se a riqueza que o lúdico representa. (apud MIRANDA et al, 2010, p.188) E, também, Pereira (2005) que afirma: a dimensão lúdica aponta para a consideração dos anseios das crianças e dos jovens numa educação mais humanizada, que respeite suas necessidades, sua alegria, seu espírito inovador, bem como para os anseios de todos os que desejam uma sociedade mais igualitária, grávida de valores tais como a solidariedade, o altruísmo, a humanidade, a cooperação, a coletividade. Por estar aberta ao imprevisível, por ser flexível, por permitir a livre expressão, a espontaneidade, o contato, o calor, a emoção, por considerar o outro como sujeito participante de um processo que deve ser coletivo, partilhado, enfim, por considerar a ludicidade dimensão significativa na formação, a

22 20 educação lúdica pode se constituir como uma alternativa para a formação do ser humano, numa perspectiva de formar criança e adulto não somente para conhecer, mas para sentir, para viver, para ser feliz. (PEREIRA, p.137) Dohme (2008) diz que as atividades lúdicas podem desenvolver diversas habilidades e atitudes interessantes no processo educacional e diversas características, como: participação ativa do aluno no processo de ensino-aprendizagem, exercício do aprender fazendo e aumento da motivação em participar. Para ele, a educação considerada sob seu aspecto mais amplo deve possibilitar o desenvolvimento não só em conhecimentos, mas também nos aspectos físico, intelectual, afetivo, social, artístico, espiritual e ético. De acordo com Vygotsky (2007), é no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva. Segundo ele, a criança comporta-se de forma mais avançada do que nas atividades da vida real, tanto pela vivência de uma situação imaginária, quanto pela capacidade de subordinação às regras. A partir das afirmações acima, pode-se dizer que as atividades lúdicas podem ser eficientes para o trabalho de Educação Ambiental, uma vez que favorecem a motivação, o interesse e a participação dos alunos, além de favorecer situações de diálogo entre o educador e o educando, fundamental para o desenvolvimento de posturas éticas e respeitosas em relação ao outro e ao ambiente. A Educação Ambiental busca a construção da consciência de que é preciso viver em um mundo diferente, transformador, harmônico, equitativo. As informações, os dados, as análises são importantes, mas, na prática de sala de aula, o trabalho não deve limitar-se ao puro raciocínio lógico formal, nem à transmissão dos conteúdos programáticos, para que não se torne cansativo e pouco atrativo aos alunos, acabando por não mudar posturas em relação à questão ambiental. A EA deve ser um instrumento de sensibilização e capacitação do ser humano em relação à temática ambiental e o uso do lúdico através de diversas atividades auxilia no desenvolvimento de atitudes ambientalmente responsáveis, desde a mais tenra idade, com o objetivo de apoiar a formação de uma consciência ambiental crítica que leve a mudanças de comportamentos e atitudes (GUERRA; GUSMÃO; SIBRÃO, 2004 apud EVANGELISTA, 2009, p.46) Hoje, a função da escola não é apenas a de informar, mas de formar cidadãos participativos na sociedade. Observa-se então que, o conhecimento não é uma simples aquisição baseada na retenção informar-aprender ou ensinar-aprender. O conhecimento se dá

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