PATRÍCIA DOS SANTOS AS MANCHETES SENSACIONAIS E O INFOTENIMENTO: UMA ANÁLISE DO JORNAL MEIA HORA

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1 PATRÍCIA DOS SANTOS AS MANCHETES SENSACIONAIS E O INFOTENIMENTO: UMA ANÁLISE DO JORNAL MEIA HORA Viçosa MG Curso de Comunicação Social/ Jornalismo da UFV 2013

2 PATRÍCIA DOS SANTOS AS MANCHETES SENSACIONAIS E O INFOTENIMENTO: UMA ANÁLISE DO JORNAL MEIA HORA Monografia apresentada ao Curso de Comunicação Social/ Jornalismo da Universidade Federal de Viçosa, como requesito parcial para obtenção do título de Bacharel em Jornalismo. Orientadora: Profa. Laene Mucci Daniel. Viçosa MG Curso de Comunicação Social/ Jornalismo da UFV 2013

3 Universidade Federal de Viçosa Departamento de Comunicação Social Curso de Comunicação Social/ Jornalismo Monografia intitulada As manchetes sensacionais e o infotenimento: Uma análise do jornal Meia Hora, de autoria da estudante Patrícia dos Santos, aprovada pela banca examinadora constituída pelos seguintes professores: Profa. Ms. Laene Mucci Daniel Curso de Comunicação Social/ Jornalismo da UFV Profa. Ms. Mariana Lopes Bretas Curso de Comunicação Social/ Jornalismo da UFV Profa. Dra. Mariana Procópio Ramalho Xavier Curso de Comunicação Social/ Jornalismo da UFV Viçosa, 10 de abril de 2013

4 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente aos meus pais, por todo amor e apoio que eles dedicaram a mim na minha decisão de cursar jornalismo na UFV. Agradeço também às minhas irmãs, que sempre estiveram ao meu lado, mesmo que distantes, com palavras de carinho e de força nos momentos mais difíceis da minha graduação. À minha avó, por ser um exemplo de vida para mim e por ter sempre acreditado no meu potencial, me incentivando a ser uma pessoa cada vez melhor. Aos amigos que fiz em Viçosa, por terem me proporcionado grandes alegrias e momentos inesquecíveis nesta jornada. À professora Laene Mucci, pelas orientações e pelos ótimos conselhos. Aos demais professores, pela minha graduação. Enfim, a todos que contribuíram durante estes quatro anos na minha formação pessoal e profissional. Obrigada!

5 RESUMO O jornalismo de infotenimento se tornou uma das grandes tendências da atualidade graças às mudanças sociais e tecnológicas pelas quais o mundo passou. Atualmente, ele pode ser observado em diversos meios de comunicação, inclusive o impresso. Para exemplificar suas características e formas, escolhemos o jornal carioca Meia Hora como o objeto de estudo desta pesquisa, demonstrando a presença do infotenimento nas capas e manchetes sensacionais de um jornal popular. Assim, também apresentamos como o jornalismo infotenimento pode estar ligado ao jornalismo popular impresso, voltado para as classes C e D, e como ele pode influenciar este público, especificamente. Para atingir tais objetivos, foram feitas tabelas que analisam qualitativamente e quantitativamente as características do Meia Hora, a partir de bases teóricas que conceituam o infotenimento e o jornalismo popular. PALAVRAS-CHAVE: jornalismo de infotenimento; jornalismo popular; impresso; manchetes; humor; sensacionalismo. ABSTRACT The infotainment journalism has become one of today s major trends thanks to the social and technological changes the world has passed through. Currently it can be seen in many media outlets, including newspaper press. To illustrate its features and shapes, Rio s newspaper Meia Hora was chosen as the object of this research, demonstrating the presence of infotainment and sensational headlines on the covers of a popular newspaper. Thus, we also present how infotainment journalism can be connected to the popular printed journalism, facing the social classes C and D, and how it can influence this audience specifically. To achieve these objectives, charts were made to analyze qualitatively and quantitatively the characteristics of Meia Hora, using theoretical bases to conceptualize popular infotainment and journalism. KEY-WORDS: infotainment journalism; popular journalism; newspaper; headlines; humor; tabloid press.

6 LISTA DE ILUSTRAÇÕES FIGURAS 1 e 2: Capas dos dias 17/01/2013 e 07/01/2013, página 25 FIGURAS 3 e 4: Capas dos dias 28/10/2008 e 28/07/2010, página 27 FIGURAS 5 e 6: Capas dos dias 19/08/2010 e 20/08/2010, página 28 FIGURA 7: Capa do dia 12/05/2010, página 29 FIGURA 8: Capa do dia 11/01/2013, página 30 FIGURA 9: Ilustração da Zona Óptica Primária, página 31 FIGURA 10: Comentários no Facebook, página 33 FIGURA 11: Capa do dia 15/01/2013, página 35 FIGURA 12: Capa do dia 12/01/2013, página 38 FIGURA 13: Capa do dia 18/01/2013, página 40 FIGURA 14: Capa do dia 03/01/2013, página 42 FIGURAS 15 e 16: Capas dos dias 05/01/2013 e 20/01/2013, página 44 FIGURA 17: Capa do dia 26/01/2013, página 47 FIGURAS 18 e 19: Capas dos dias 04/01/2013 e 28/01/2013, página 51 LISTA DE TABELAS TABELA 1: Disposição dos elementos na capa, página 36 TABELA 2: Tamanho da manchete, página 38 TABELA 3: Valores-notícia do jornalismo popular, página 41 TABELA 4: Capacidade de entretenimento, página 43 TABELA 5: Critérios de presença de entretenimento na manchete, página 46 TABELA 6: Natureza da manchete, página 48 TABELA 7: Conteúdo de infotenimento, página 50

7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO... 8 CAPÍTULO 1: O ENTRETENIMENTO NO JORNALISMO A imprensa popular e o jornalismo de infotenimento Histórico do jornalismo de infotenimento O jornalismo de infotenimento no Brasil CAPÍTULO 2: O JORNAL MEIA HORA As capas do jornal Meia Hora CAPÍTULO 3: CLASSIFICANDO AS CAPAS E AS MANCHETES DO MEIA HORA Classificação quanto à disposição dos elementos na capa Classificação quanto ao tamanho das manchetes Classificação das manchetes pelos valores-notícia do jornalismo popular Classificação por capacidade de entretenimento da manchete Classificação pela presença do entretenimento nas manchetes Classificação quanto à natureza da manchete Classificação pelo conteúdo de infotenimento apresentado nas manchetes CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 59

8 INTRODUÇÃO Não há como ignorar as mudanças pelas quais a sociedade passou, principalmente nos últimos anos, afetando diretamente os hábitos e o modo de viver das pessoas. Atualmente, observa-se que os meios de adquirir informação e diversão podem estar mais interligados do que nunca, pois o entretenimento se tornou um dos principais recursos para atrair o olhar do público no jornalismo. Por isso, analisar e discutir de que forma essas novas tendências vão se assumindo na mídia é essencial para ver os rumos que o jornalismo, brasileiro e mundial, está tomando. Deste modo, escolhemos um jornal impresso e diário, extremamente popular e originário da cidade do Rio de Janeiro, como o objeto de estudo deste trabalho, o jornal Meia Hora. Neste trabalho, partimos do pressuposto de que o Meia Hora pratica o jornalismo popular em suas publicações diárias e procuramos confirmar a hipótese de que há neste veículo características do jornalismo de infotenimento (informação + entretenimento), comprovando a tendência da mídia atual. A idéia é observar também como as características do entretenimento, que estão conquistando cada vez mais espaço nos meios de comunicação, podem ser englobadas em um jornal, sem com que ele perca a sua raiz principal: a de informar e de prestar serviço à população, no caso, carioca. Para isso, utilizamos de bases teóricas que dão embasamento aos argumentos utilizados nas análises e nas considerações finais. Algumas dessas bases são de autoria da Márcia Franz Amaral, que explica os conceitos e caminhos para o jornalismo popular, da autora Fabia Angélica Dejavite, que fala sobre o surgimento e a consolidação do jornalismo de infotenimento na mídia, identificando suas especialidades, e do autor Danilo Angrimani, que especifica o que é o sensacionalismo e como ele pode atuar no jornalismo impresso e diário. Além dessas bases teóricas, também foram utilizados os conhecimentos dos autores José Ferreira Júnior e Antonio Celso Collaro sobre os métodos de diagramação das capas de jornal e o modo como isto pode influenciar na visão que leitor terá do veículo de comunicação. Nas análises deste trabalho, foram utilizadas as manchetes principais das capas do Meia Hora do mês de janeiro, ou seja, do período de 01/01/2013 a 31/01/2013. Em cada uma dessas capas, foi observada, portanto, a manchete principal, que teria o maior poder de atração do olhar dos leitores e o maior grau de importância quanto ao conteúdo; e como essas manchetes se encaixam nos conceitos que foram apresentados sobre o jornalismo popular, o 8

9 jornalismo de infotenimento, sobre a diagramação das capas, e até mesmo, sobre a natureza do conteúdo das manchetes, o qual diz sobre a intenção delas (ser séria ou fazer rir). A partir daí, procuramos mostrar de que forma essas características são trabalhadas para chamar a atenção do público, a fim de garantir as vendas e a sobrevivência do veículo no mercado, e como elas podem influenciar o cotidiano e a qualidade de vida dos seus leitores. Todas as análises foram feitas a partir de tabelas realizadas no programa Excel, que incluem a descrição da manchete analisada, as categorias nas quais ela se encaixa e o total do número de manchetes observadas. Essas tabelas estão disponíveis somente em formato digital no CD-ROM incluso no trabalho, juntamente com as capas em PDF, devido à sua dificuldade de impressão. Os resultados obtidos a partir dessas tabelas foram colocados no decorrer do capítulo 3. Além das análises, traçamos também um histórico do entretenimento no jornalismo mundial e brasileiro para mostrar que desde o início da prática jornalística, esse gênero se fez presente de diversas formas. Atualmente, ele se assume como um dos mais importantes gêneros no jornalismo em geral, isto é, de todos os meios (impresso, audiovisual, digital). Também contextualizamos o início do jornal Meia Hora no mercado, as questões que envolveram o seu surgimento e, até mesmo, a conquista do seu sucesso no Rio de Janeiro, apresentando quais medidas foram tomadas para manter o jornal funcionando e atraindo cada vez mais público. Um importante passo nesta pesquisa foi a realização de uma entrevista com o atual editor-chefe do jornal Meia Hora, Humberto Tziolas, que, desde o início do jornal, esteve presente na redação, assumindo diversos cargos desde então. A partir desta entrevista, foi possível extrair informações valiosas sobre as intenções do veículo e suas opiniões quanto à prática de um jornalismo popular e de um jornalismo de infotenimento. Assim, abordamos assuntos como a importância da utilização do humor e do sensacionalismo nas manchetes, o processo criativo diário das capas do jornal e os objetivos mercadológicos por trás de todas essas decisões, que acabam por influenciar a política editorial do jornal. Através dessa entrevista, tivemos a oportunidade de responder muitas questões sobre o posicionamento do jornal em relação às suas práticas, esclarecendo dúvidas e enriquecendo a pesquisa. Em grande parte das análises, as informações passadas pelo editor foram utilizadas, complementando e, às vezes, contradizendo os resultados obtidos quantitativamente pelas tabelas. Isso foi importante, pois mostra a contradição do que o próprio jornal deseja e tem como ideais e como ele age na prática. 9

10 Durante este trabalho, também foi possível observar como o jornal acredita estar influenciando os seus leitores, em seus hábitos e em seus conhecimentos, e como ele imagina estar fazendo diferença na sociedade em que está inserido, no caso, a cidade do Rio de Janeiro. Através destas opiniões e das análises, foi possível tirar conclusões que irão nos dizer sobre os desejos do jornal Meia Hora (se apresentar ao público como um jornal de qualidade e credibilidade ou como um jornal voltado, principalmente, ao entretenimento e diversão) e sobre o que é o jornalismo de infotenimento na prática, traçando o objetivo principal deste trabalho, que é mostrar, em um veículo impresso de grande circulação, como o infotenimento pode aparecer na parte mais importante de um jornal: a manchete de capa. 10

11 CAPÍTULO 1 O entretenimento no jornalismo O surgimento do entretenimento no jornalismo está intimamente relacionado com o início do sensacionalismo. De acordo com Angrimani (1995), os primeiros registros de notícias sensacionais, que traziam fait divers 1 com histórias fantásticas e fatos curiosos que agradavam a todos, surgiram entre 1560 e 1631 na França, em jornais como o Nouvelles Ordinaires e o Gazette de France. Também há registros de notícias sensacionalistas no primeiro jornal dos Estados Unidos, o Publick Occurrences, em Este jornal, que só teve apenas uma edição, trazia termos coloquiais em suas matérias e, algumas vezes, uma cascata, que significa uma história inventada usada para preencher jornal (ANGRIMANI, 1995). Mas foi a partir do final do século XIX que o gênero sensacionalista conquistou a imprensa. Com as novas tecnologias que aperfeiçoaram as técnicas de impressão e com o aprimoramento do telefone e do telégrafo, foi possível desenvolver novos métodos de produção que facilitaram a publicação de fatos inéditos com uma maior rapidez. Assim, muitos jornais que antes priorizavam temas considerados mais sérios, como política e economia, se transformaram em veículos mais preocupados em dar espaço a assuntos relacionados aos dramas das pessoas comuns, ou seja, daqueles que são os seus leitores diretos (AMARAL, 2006; BARBOSA, 2007). Dejavite (2006) comenta sobre o primeiro jornal que realmente abordou o entretenimento como um fator importante para o jornalismo impresso. Fundado por Benjamim Day, o New York Sun de 1833, se diferenciou dos demais e chamou a atenção de classes menos letradas, abordando temas sensacionais e polêmicos, como assassinatos, crimes, curiosidades, bizarrices, entre outros assuntos. Sua linha editorial era dedicada essencialmente às massas que estavam iniciando sua vida em sociedade, aprendendo a ler e começando a serem incluídas em eventos sociais, após a Revolução Industrial (DEJAVITE, 2006). O New York Sun era um típico penny press 2, ou um jornal de tostão, como é traduzido no Brasil, possuindo o formato de tabloide e trazendo notícias que divertiam e que eram empolgantes para os seus leitores. 1 Fait Divers são notícias que implicam em um acontecimento insólito ou extraordinário, e que seja circunstancial. 2 Penny press eram tabloides sensacionalistas destinados ao público popular e que custavam centavos (penny em inglês). 11

12 Isso demonstra que desde o início da prática jornalística no mundo, temas populares que despertam a curiosidade e o interesse humano, principalmente aqueles que provocam sensações no leitor como horror, choque e diversão, foram bastante explorados para atrair atenção das pessoas e, consequentemente, promover o aumento de vendas destes jornais. Um exemplo disto é a circulação espantosa que o Sun teve quando ele surgiu no cenário comunicacional destoando dos outros jornais que possuíam um caráter editorial mais sério e complexo. Em 1837, o New York Sun distribuía cerca de 30 mil exemplares diariamente pela cidade, número maior que a soma de tiragens de todos os outros jornais diários de Nova York da época (DEJAVITE, 2006). No entanto, Angrimani (1995) lembrou de um ponto histórico onde o jornalismo sensacionalista se tornou ainda mais conhecido. Foi no final do século XIX que também surgiram dois jornais americanos que tiveram grande sucesso de público. São eles o New York World, editado por Joseph Pulitzer, o criador do prêmio de jornalismo mais famoso do mundo, o Pulitzer, e o Morning Journal, editado por William Hearst. Marcados pelo forte sensacionalismo e pela rápida ascensão, os dois jornais concorriam entre si pelo maior número de vendas (chegando a alcançar o número de um milhão de exemplares por dia) e passaram a ser designados como imprensa amarela 3, que aqui no Brasil acabou se transformando na expressão imprensa marrom. Estes dois jornais conseguiram deixar como legado alguns de seus atributos para outros veículos com a mesma proposta editorial que ainda surgiriam, como a tipografia exagerada, com letras garrafais e cores fortes, o uso de muitas imagens e de uma linguagem coloquial que pretendia imitar a oralidade. Já Amaral (2006) acredita que as raízes do jornalismo popular e sensacional, voltado para a massa e com características do entretenimento, estão no melodrama e no folhetim. É a partir das particularidades do melodrama que os jornais reuniram as ferramentas para alcançar e chamar a atenção de um público menos letrado e menos acostumado à leitura. Em sua origem, na França e na Inglaterra do século XVIII, o melodrama é um espetáculo popular com narrativas inspiradas na literatura oral e que precisa render financeiramente. Ou seja, ele lembra a base da política editorial de um jornal sensacionalista e popular. Sua estratégia é o apelo aos sentidos, seguindo uma direção totalmente contrária aos jornais destinados à burguesia da época, onde reinavam ideologias políticas e assuntos complexos. Mas a partir da metade do século XIX, com o desenvolvimento da imprensa, o melodrama se transforma no folhetim e torna-se a peça essencial da industrialização da 3 A imprensa amarela ou imprensa marrom são expressões utilizadas para designar veículos que buscam elevar sua audiência através do exagero ou, até mesmo, da invenção de fatos e acontecimentos. 12

13 imprensa na Europa. Em seu início, era destinado principalmente ao entretenimento (com piadas, críticas e até dicas de beleza) e localizava-se no rodapé da primeira página dos jornais. Mais tarde, dramaturgos franceses como Alexandre Dumas e Eugene Sue, conseguiram tornar esse modelo de escrita em uma verdadeira febre da população, criando histórias seriadas. O folhetim representa a conquista de novos públicos para os jornais, pois traz elementos do cordel, com o herói todo-poderoso e situações que demonstram a luta entre o bem e mal, e faz críticas diretas ou indiretas a problemas sociais, vivenciados pelos leitores dos jornais. Entre as suas características estão a linguagem acessível, o suspense e os diálogos breves (AMARAL, 2006). Essa incorporação do folhetim, que retrata bem a classe popular a partir de suas particularidades, já estava relacionada com a necessidade do mercado de ampliar o seu público e, consequentemente, vender mais. Dessa forma, o jornalismo que era feito, no início de sua existência, com uma matriz ideológica de valores iluministas e que privilegiava a formação intelectual do seu leitor, sofre transformações que irão trazer consequências possíveis de serem vistas até os dias de hoje em toda a mídia. É o jornalismo que busca trazer a informação junto com a leveza do entretenimento, proveniente da estética melodramática, atraindo cada vez mais a atenção de públicos variados (em vez de privilegiar a elite), e marcando o que seria um início do jornalismo de infotenimento (AMARAL, 2006; DEJAVITE, 2006). Ainda assim, mesmo com tanta popularidade e sucesso de vendas, os jornais de penny press eram vistos como maus exemplos do jornalismo por intelectuais da época, exatamente por apelar aos instintos mais baixos do homem (GABLER, 1999, p. 72 apud DEJAVITE, 2006, p. 58). No Brasil, segundo Amaral (2006), o sensacionalismo surge, justamente, através dos folhetins, a partir de Inicialmente, eles também ocupavam o espaço do rodapé da primeira página e, mais tarde, na década de 1920, o espaço dedicado para o gênero aumenta e surgem as notícias sensacionalistas, especialmente as que se dedicavam aos casos policiais, ganhando destaque na maioria dos jornais diários do Rio de Janeiro. As redações eram divididas em dois setores: um destinado a informações locais e outro ao serviço de telégrafo que recebia informações do interior dos estados e do estrangeiro. O trabalho do repórter se tornou o mais importante de toda a redação, pois ele sempre estava em busca do ineditismo, do furo que faria da sua narrativa uma história cativante, capaz de atrair a atenção para aquela edição do jornal e que emocionaria o público. Ainda assim, como observa Barbosa (2007), 13

14 mesmo naquela época, o repórter deveria estar sempre comprometido com a verdade, mesmo que ele se utilizasse de alguns recursos para mexer com as emoções do leitor. A edição fantasiosa deve, entretanto, ser apresentada dentro de determinados parâmetros, onde a verossimilhança é o principal deles. É preciso construir narrativas atendendo a esses dois aspectos: a realidade e a fantasia. Os elementos passionais não podem ser ocultados, sob a pena de não despertar o interesse do leitor, mas ao mesmo tempo não é possível exagerar nas tintas descritivas, sob a pena de transportar a notícia para o lugar do folhetim. (BARBOSA, 2007, p. 50). Alguns exemplos de impressos que foram importantes nesta época de transição e de valorização do sensacionalismo foram o Jornal do Brasil, o Correio da Manhã e o O Paiz. Todos estes adaptaram o seu estilo narrativo ao gosto do leitor, multiplicando sua estratégia para atingir um público com menor grau de instrução e, sobretudo, menor poder aquisitivo (BARBOSA, 2007). A partir daí, outros jornais se inspiraram no estilo de narrativa sensacionalista, sendo possível ver exemplos até atuais. É necessária, entretanto, a consciência de que o jornalismo popular não é sinônimo de sensacionalismo. De acordo com Marcondes Filho (apud AMARAL, 2006, p ), sensacionalismo é: O grau mais radical da mercantilização da informação. Na verdade, vende-se nas manchetes aquilo que a informação interna não irá desenvolver melhor. [...] As notícias da imprensa sensacionalista sentimentalizam as questões sociais, criam penalização no lugar de descontentamento e constituem-se num mecanismo reducionista que particulariza os fenômenos sociais. Algo que se faz necessário ressaltar é que o jornalismo popular não se resume às características do sensacionalismo, como o exagero na carga emocional das reportagens, a valorização de informações pouco contextualizadas, a exploração do extraordinário, entre outros atributos que são utilizados nesse gênero especialmente para atrair a atenção dos leitores e aumentar as vendas de exemplares. Na realidade, o termo sensacionalismo, hoje, possui uma carga bastante pejorativa, justamente pelo seu histórico em jornais do passado, que se tornaram conhecidos entre o público graças à banalização da violência, da sexualidade e do bizarro em suas manchetes. Assim, caracterizar um jornal de sensacionalista implica que o mesmo é um meio dedicado a somente provocar sensações, e esta definição não se aplica obrigatoriamente ao trabalho do jornalismo popular (AMARAL, 2006; DEJAVITE, 2006). É como Amaral (2006, p. 24) afirma, atualmente, os jornais preocupam-se com que o leitor 14

15 tenha um sentimento de pertencer à determinada comunidade, percebendo que o jornal faz parte do seu mundo. Dessa forma, o importante no jornalismo popular não está ligado necessariamente à informação exagerada e chocante, ou, até mesmo, à curiosidade por assuntos tabus, mas sim em estar próximo à realidade do seu público-alvo, seja ele das classes A e B ou C e D, às vezes, dando visibilidade para os sentimentos e particularidades dos personagens, mas não exclusivamente a isso. 1.1 A imprensa popular e o jornalismo de infotenimento Definir o que pode ser notícia e o que não pode, a partir da noção de valor-notícia, depende muito de como o jornal ou o meio comunicativo enxerga o seu público-alvo. O veículo de comunicação, por sua vez, realiza pesquisas mercadológicas ou segue algumas normas que foram preestabelecidas por manuais para formar uma ideia de como é o seu público, conseguindo de uma forma geral informações que traduzem o que ele deseja e necessita (AMARAL, 2006). Ainda assim, os veículos de comunicação acabam por considerar, mesmo que automaticamente, alguns estereótipos daquele público que ele acredita ser o seu alvo principal. Por exemplo, no jornalismo popular, considera-se que o público, ou seja, o povo das massas, está muito ligado à sua realidade. Isso quer dizer que os impressos dirigidos a essa camada social tendem a priorizar o que pertence ao cotidiano do leitor e aquilo que afeta diretamente a ele. É como diz Amaral, Os jornais imaginam que o leitor gosta de se ver, contar suas histórias e as injustiças cometidas contra si, mas é alguém a quem os assuntos públicos e coletivos só importam enquanto estiverem concretamente relacionados ao seu quintal (2006, p. 62). A partir desse pressuposto, a autora estabelece alguns critérios que serviriam como base para a imprensa popular designar o que pode vir a ser notícia, sendo eles fatos que teriam maior probabilidade de agradar o leitor da massa. O primeiro critério seria a capacidade de entretenimento do fato, o que Amaral (2006, p. 63) explica dizendo que tudo o que prende e atrai o olhar, seja uma cena escandalosa, ridícula ou insólita tem potencial para ser notícia. Amaral faz uma relação estreita da capacidade de entretenimento com o sensacionalismo, afirmando que o gênero de entretenimento não provoca somente o prazer por parte do leitor, mas também a sensação e a 15

16 emoção. Assim, ela classifica em, pelo menos, quatro categorias as histórias que possuem capacidade de entretenimento para se transformarem em notícia. São elas: a) Histórias de gente comum encontrada em situações insólitas ou histórias de homens públicos surpreendidos no dia-a-dia da sua vida privada (Bala perdida mata menino após sua festa de aniversário Extra, 05/09/2005 ou Malu Mader teve medo de morrer Diário de S. Paulo, 29/08/2005). b) Histórias em que se verifica uma inversão de papéis (Policial deu sua farda para ladrão O Dia, 05/09/2005). c) Histórias de interesse humano (Pitbull ataca menina de três anos Diário de S. Paulo, 23/09/2005 ou Doméstica envenena bebê de três meses com água sanitária Agora São Paulo, 06/09/2005). d) Histórias de feitos excepcionais e heroicos (Menino herói: Ramão não perdeu totalmente a visão de um olho Diário Gaúcho, 17/04/2002). (AMARAL, 2006, p.64) Amaral (2006) também afirma que a proximidade, seja ela pelo conteúdo, pelos personagens ou pela linguagem, é um fator importante, já que um dos objetivos mais contundentes da imprensa popular é conseguir estar próximo do seu leitor, trazendo elementos que estejam dentro do seu cotidiano e promovendo uma identificação. Assim, Amaral (2006) categoriza a proximidade: a) Pelo conteúdo: São as classes C, D e E que caracterizam o público-alvo da imprensa popular, e como já foi citado antes, os temas que dizem respeito ao dia-a-dia dessas pessoas são os que mais interessam. Dessa forma, a informação local vem primeiro em relação à informação nacional, sendo esse local aquele em que se vive e não necessariamente um espaço geográfico. b) Pela proximidade com os personagens: É importante que o fato noticiado tenha impacto na vida de uma pessoa comum, podendo tornar-se comentário (alimento das relações sociais) entre o público. Por isso, não é incomum ver a personalização de problemas e soluções, dando um caráter pessoal à matéria. O único cuidado que se deve ter, nesses casos, é o de não se individualizar demais a história, fazendo com que ela perca seu contexto social e, consequentemente, sua relação com as vidas de outras pessoas. c) Pela linguagem: Muitas vezes a imprensa popular se preocupa em se comunicar com o leitor da forma mais simples e próxima à oralidade possível. A utilização de recursos como o discurso direto e de um vocabulário que não seja o formal, mas sim, um reconhecido pela população, servem para dar mais autenticidade ao jornal. Além disso, criam a impressão de uma situação similar a que foi vivida, dando um caráter mais palpável às pessoas presentes no texto. 16

17 Por fim, Amaral (2006) também classifica a utilidade que uma matéria jornalística possui na vida do leitor como um valor-notícia, pois matérias que trazem informações que possam servir às pessoas como manual de sobrevivência estão sendo requisitadas cada vez mais. Assim, questões nas quais as pessoas são alienadas socialmente, como os direitos básicos na saúde, segurança ou educação, e também referências de como é possível viver melhor (como estar em forma, ser um profissional competente e etc.) entram como pautas imprescindíveis para satisfazer as necessidades do público. Além da importância de definir o que são valores-notícia na imprensa popular, é interessante também designar quais são as características do jornalismo de entretenimento, ou melhor, de infotenimento (informação + entretenimento), pois este tipo de jornalismo está cada vez mais presente na mídia atual, graças à concorrência do impresso com outras mídias e à busca incessante pelo interesse do leitor alvo (DEJAVITE, 2006). Assim, Dejavite (2006) tenta definir os conteúdos que podem ser considerados como jornalismo de infotenimento, porém essa é uma questão complexa, já que o conceito de infotenimento é especificamente uma junção de duas funções, podendo englobar diversos gêneros que contém ambos os elementos. De qualquer forma, Dejavite (2006) traça alguns fatores que caracterizam a presença do entretenimento no jornalismo. São eles o sensacionalismo, a personalização, a dramatização de conflito e, geralmente, o uso de fotos, infográficos, tabelas, entre outros recursos visuais nas matérias. Para ser mais específica quanto às editorias que podem ser classificadas como de infotenimento, Dejavite (2006) detalha quais são os temas que estão relacionados com o gênero: Arquitetura; Artes; Beleza (cuidados com o corpo); Casa e Decoração; Celebridades e Personalidades (perfil dos artistas, fofocas); Chistes e Charges (matérias pequenas com caráter caricatural que satirizam um acontecimento); Cinema; Comportamento (atitudes do indivíduo no meio social); Consumo (lançamentos, novidades, promoções); Crendices (religiões, mitos); Cultura (patrimônio, folclore, datas comemorativas, etc.); Curiosidades (tragédias, acidentes, crimes, catástrofes, atentados, assassinatos, etc.); Espetáculos (tudo que chama a atenção publicamente); Eventos; Esportes; Formação Pessoal (matérias relacionadas a empreendedorismo, exemplo: Faça você mesmo ); Gastronomia; Fotografia (informa, emociona e distrai o leitor sem a necessidade do texto); Indústria editorial (literatura); Ilustrações/Infográficos/Tabelas/Boxes/Gráficos; Informática; Jogos e diversões; Moda; Música; Previsão do tempo; Publicidade; Rádio; Revista; Televisão e Vídeo (produção, 17

18 minisséries, telenovelas, etc.); Turismo/Lazer/Hotelaria; Vendas e Marketing (tanto de produtos quanto de empresas). Mesmo se utilizando dessa classificação, Dejavite (2006) deixa claro que há conteúdos tidos como sérios (matéria que aprofunda, investiga, critica e transmite informações novas), e isso também serve para os veículos de comunicação, que podem conter características do infotenimento. [...] Por exemplo, quando uma charge de um jornal satiriza um assunto que está na manchete da primeira página, dando-lhe uma nova exterioridade por meio de dados acrescidos pelo ponto de vista do chargista ou, então, por um ângulo não explorado. Aparentemente, neste caso, aquilo que se denominou conteúdo sério (a política) apresenta-se com uma roupagem não-séria (a charge) (DEJAVITE, p. 95). Dessa maneira, Dejavite (2006) deixa clara a sua intenção em desmistificar quaisquer preconceitos quanto ao caráter jornalístico de uma reportagem de infotenimento. Mesmo abordando assuntos que se classificam como notícias leves e divertidas, esse gênero também é sinônimo de um jornalismo ético e de qualidade e, por isso, não deve ser tomado como um jornalismo menor somente por explorar o entretenimento. 1.2 Histórico do jornalismo de infotenimento Após a chegada do século XX, a insatisfação com o conteúdo dos jornais mais populares tornou-se ainda mais evidente por parte das classes alta e média da sociedade (DEJAVITE, 2006). A autora afirma que a imprensa que se considerava respeitável deixou clara a distinção das funções entre um jornalismo de qualidade, dedicado a criar cidadãos bem informados, e o jornalismo popular ou sensacionalista, que procura o espetáculo ou fatos com características incomuns para escandalizar. Porém, o desenvolvimento tecnológico, que trouxe novos meios de comunicação como o rádio, a televisão e a internet, mudou por completo esse cenário, forçando os jornais impressos a se adaptarem para continuarem sobrevivendo e sendo consumidos pelos seus leitores. A televisão trouxe uma nova direção para a notícia. O entretenimento foi o discurso escolhido para caracterizar-se. A partir disso, converteu tudo que aparecia na tela em diversão, inclusive a notícia. Em pouco tempo, tornou-se um dos mais importantes meios de diversão e entretenimento nas sociedades ocidentais (DEJAVITE, 2006, p.60). 18

19 Dessa forma, o impresso se viu obrigado a modificar algumas de suas estratégias para não sucumbir ao poder de distração da televisão. O emprego cada vez maior de recursos artísticos e visuais, principalmente nas capas dos jornais, tornou-se comum e, hoje em dia, é possível ver claramente como a utilização de cores, gráficos, tabelas e imagens trabalham para atrair a atenção do leitor e para fazê-lo se interessar pelo conteúdo. Isso também se reflete na configuração das páginas, que se tornou um importante modo de direcionar a atenção do leitor da informação mais interessante para a menos relevante. É através do layout 4 que também se traduz a intenção do que o veículo deseja comunicar (DEJAVITE, 2006). [...] O jornal tem empregado, com maior ênfase, alguns recursos que deixam a notícia mais fácil de ser entendida e ainda agradável ao ser lida, como a fotografia, os gráficos, os infográficos e as ilustrações, cujo objetivo também é entreter (DEJAVITE, 2006, p. 61). Essa intenção em entreter pode ser também observada na mudança de paradigma quanto às classificações por editorias e nos valores-notícias de um jornal. Assuntos que antes eram considerados desinteressantes ou, até mesmo, fúteis, passam a ganhar cada vez mais espaço nas páginas. Exemplos disso são as colunas sociais, que tendem a aumentar de tamanho todos os anos, com informações sobre a vida e o trabalho das celebridades, especialmente as provenientes da TV. Até mesmo os jornais considerados de maior prestígio já se renderam à cobertura de assuntos do gênero, muitas vezes dando o destaque nas capas a esses temas (DEJAVITE, 2006). Desse modo, a fronteira que separa o jornalismo do entretenimento nunca esteve tão difícil de ser observada, pois as duas ações, a de informar e a de entreter, tornaram-se essenciais para a prática jornalística atual, em qualquer meio comunicativo da mídia. Isso aconteceu devido às transformações culturais e tecnológicas da sociedade que permitiram mudanças significativas no meio de trabalho, como a entrada da mulher no mercado, a flexibilidade dos horários e a facilidade de se realizar tarefas com a ajuda da tecnologia atual. Essas mudanças acabaram por proporcionar mais tempo livre aos empregados e mudaram as visões de mundo das pessoas (AMARAL, 2006; DEJAVITE, 2006). Em seu tempo livre, as pessoas desejam se distrair e romper, pelo menos por um pequeno momento, com a sua realidade, através da leitura de informações leves e divertidas, como a vida das celebridades, receitas culinárias, matérias sobre turismo ou lazer, etc. É o que diz a autora: 4 Layout é o plano de trabalho tipográfico que prevê os tipos, medidas, ilustrações etc., da composição. 19

20 [...] O entretenimento é retratado pela função de escape. Para os autores dessa corrente, o receptor recorre aos meios de comunicação para fugir das rotinas mundanas, dos problemas e das frustações da vida real, liberando emoções interiorizadas (DEJAVITE, 2006, p. 54). Mas não é por causa da necessidade de ser entretido que o receptor será impedido de absorver informações que sejam importantes para o seu cotidiano. É aí que surge o conceito de infotenimento para determinar como essas duas funções, a de informar e a de entreter, podem ser englobadas. De acordo com Dejavite (2006, p. 72), o jornalismo de INFOtenimento é o espaço destinado às matérias que visam informar e divertir como, por exemplo, os assuntos sobre o estilo de vida, as fofocas e as notícias de interesse humano as quais atraem, sim, o público. Ou seja, uma matéria pode ao mesmo tempo informar entretendo ou entreter passando alguma informação. Uma das grandes preocupações de intelectuais, que vão contra a tendência do jornalismo de infotenimento, é a crença de que estas duas vertentes, o jornalismo e o entretenimento, são de éticas completamente distintas e que sua fusão não seria possível por essa razão. Sabe-se que, tradicionalmente, o jornalismo tem a função de formar a opinião pública a partir da veracidade de informações e o entretenimento destina-se a chamar a atenção das pessoas e divertir, além de permitir a exploração da ficção (RAMOS, 2003). Mas Dejavite (2006) contrapõe essa afirmação dizendo que o jornalismo de infotenimento é acima de tudo uma prática jornalística e, portanto, necessita seguir os valores éticos que a prática exige. Além disso, não há separação ética entre o jornalismo e o entretenimento nesses casos, pois cada vez mais é possível observar que a preferência das pessoas é justamente a mistura dos dois, o que configura o infotenimento. [...] É inútil tentar definir se dada comunicação é informativa, persuasiva ou tem meramente a função de entreter, já que a comunicação de massa possui todas essas características. (BERLO, 1999 apud DEJAVITE, 2006, p ). Ainda de acordo com Dejavite (2006) ao consumir um conteúdo, as pessoas estão sempre buscando se distrair. Sendo assim, separar a informação da diversão não faz nenhum sentido, já que o entretenimento é simplesmente a ausência de tédio. Ou seja, o oposto do entretenimento não é o conhecimento informativo, e sim, o conteúdo que não agrada ou interessa ao leitor. 20

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