001/ (CNJ: ) Espolio de Mahicon Jose Librelato da Silva Sport Club Internacional

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1 Comarca de Porto Alegre 6ª Vara Cível do Foro Central Nº de Ordem: Processo nº: Natureza: Autor: Réu: 001/ (CNJ: ) Ordinária - Outros Espolio de Mahicon Jose Librelato da Silva Sport Club Internacional Criciuma Esporte Clube Soma Seguradora S A IRB - Instituto de Resseguros do Brasil Juiz Prolator: Juiz de Direito - Dr. Murilo Magalhães Castro Filho Data: 27/04/2010 Processo nº: 001/ Natureza: Ordinária - Outros Autor: Sport Club Internacional Réu: Metropolitan Life Seguros e Previdência IRB - Instituto de Resseguros do Brasil Processo nº: 001/ Natureza: Ordinária - Outros Autor: Criciuma Esporte Clube Réu: Metropolitan Life Seguros e Previdência IRB - Instituto de Resseguros do Brasil

2 Vistos etc. Processo nº 001/ SPORT CLUB INTERNACIONAL ajuizou AÇÃO ORDINÁRIA contra SOMA SEGURADORA S.A., alegando que firmou contrato de seguro com a ré, tendo como segurado o atleta Mahicon José Librelato da Silva. Disse que, para o caso de morte acidental, a importância segurada era de R$ ,00. Afirmou que o segurado faleceu, vítima de acidente de trânsito em 28/11/2002, na cidade de Florianópolis/SC e que, posteriormente a isso, a ré enviou carta à corretora, comunicando o suposto cancelamento do seguro, embora a carta estivesse com a data do dia 07 daquele mês. Alegou que a correspondência foi uma forma desesperada na tentativa de escusar-se do pagamento do seguro contratado. Asseverou que não foi constituído em mora, conforme preveem as condições gerais do seguro, ou seja, mediante notificação, o que poderia implicar a rescisão do contrato para o caso de não pagamento de valores em atraso. No final, requereu a procedência da ação, condenando-se a ré ao pagamento da quantia segurada, para o caso de morte acidental, devidamente corrigida e acrescida dos ônus sucumbenciais. A ré, ofereceu contestação, arguindo, preliminarmente ilegitimidade ativa e denunciação à lide de IRB Brasil Resseguros S.A. No mérito, alegou que o não pagamento do prêmio na data do

3 vencimento acarreta a suspensão das coberturas do seguro, devendo o segurado ser notificado para pagamento sob pena de cancelamento, o que ocorreu. No presente caso, houve o acúmulo de sessenta dias sem pagamento o que ensejou o cancelamento automático do seguro, tendo notificado duas vezes o segurado. Se houver responsabilidade, esta deve limitar-se a R$ ,00 que é o valor correspondente à suas cota parte em razão da distribuição do cosseguro. No final, requereu a improcedência da ação. O autor replicou. 141/142. A proposta individual do seguro restou juntada às fls. Sobreveio sentença de fls. 162/164, julgando extinto o processo por ilegitimidade ativa. O Tribunal de Justiça, em sede de apelação, reformou a decisão de 1º grau, reconhecendo a legitimidade ativa do autor e julgando procedente a ação (fls. 288/291). A ré obteve provimento do Recurso Especial em decisão fundamentada pelo Ministro Castro Filho da Colenda Terceira Turma do STJ o qual anulou o processo desde a sentença, inclusive, determinando

4 o processamento da denunciação à lide do IRB Instituto de Resseguros do Brasil (fls. 438/441). Retornaram os autos a este juízo, ocasião em que a ré informou que sua nova denominação social é METROPOLITAN LIFE SEGUROS E PREVIDÊNCIA PRIVADA S.A. A denunciada ofereceu contestação, arguindo, preliminarmente, nulidade de citação. No mérito, discorreu acerca dos limites da responsabilidade civil do órgão ressegurador no contrato de resseguro, ressaltando que a operação não implica em responsabilidade solidária. Ratificou a os fundamentos arguidos pela denunciante em sua contestação e requereu a improcedência da ação. citação da denunciada à lide. A decisão de fl. 501 rejeitou a preliminar de nulidade de Processo nº 001/ CRICIÚMA ESPORTE CLUBE ajuizou AÇÃO DE COBRANÇA em face de SOMA SEGURADORA S.A. junto à Comarca de Cricúma/SC, alegando que Mahicon José Librelato da Silva aderiu a contrato facultativo de seguro de vida individual, instituindo o benefício do seguro em favor do clube, ora autor. Disse que a ré furta-se ao pagamento da indenização contratada para a garantia de morte acidental, no valor de R$ ,00. No final, postulou a procedência da ação, condenando-se a ré ao pagamento da quantia estipulada, devidamente corrigida e acrescida dos ônus sucumbenciais.

5 A ré, contestou, denunciando à lide o IRB Brasil Resseguros S.A. e requerendo a suspensão do processo em razão da ação ajuizada pelo Sport Club Internacional. No mérito, ratificou os argumentos expostos na contestação oferecida nos autos do processo nº 001/ Na réplica, o autor postulou a decretação da revelia da Seguradora-ré, diante da contestação intempestiva. 176). Designada audiência, resultou inexitosa a conciliação (fl. Na decisão de fl. 347, o Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da 3ª Vara Cível da Comarca de Criciúma declinou a competência dos autos a esta 6ª Vara Cível, em razão da prevenção. Em despacho saneador (fls. 36/369) restou decretada a revelia da Soma Seguradora e acolhida a denunciação à lide do IRB. Citado, o IRB Brasil Resseguros S.A. contestou a ação, ratificando os mesmos argumentos delineados na contestação oferecida nos autos do processo nº 001/

6 Após, sucessivas manifestações das partes, sobreveio a decisão de fl. 559, mantendo a decretação da revelia da Metropolitan Seguros e determinando a reunião dos processos em face da conexão. Processo nº 001/ ESPÓLIO DE MAHICON JOSÉ LIBRELATO DA SILVA, representado pela inventariante Maurina Librelato da Silva, ajuizou AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE CLÁUSLA CONTRATUAL C/C RECONHECIMENTO DE DIREITO E COBRANÇA DE VALORES contra SPORT CLUB INTERNACIONAL, CRICIÚMA ESPORTE CLUBE e SOMA SEGURADORA S.A., alegando que quando do falecimento de Mahicon Librelato, este encontrava-se vinculado aos dois primeiros réus, pois cada um possuía 50% do seu passe. Afirmou que as duas agremiações, firmaram contrato de seguro contra acidentes pessoais para o atleta, e que após o falecimento, o espólio nada recebeu. O atleta, na data do sinistro, mesmo estando ligado federativamente às duas agremiações, prestava serviços de forma direta ao Sport Club Internacional. Asseverou que buscou informações perante às rés sobre as apólices que o atleta assinou, ocasião em que recebeu a notícia de que, se fosse o caso, seriam as próprias demandadas as beneficiárias do seguro. Esclareceu que o atleta falecido sempre acreditou ter realizado seguro para danos pessoais e de vida para, se preciso, garantir a estabilidade da sua mãe, ora inventariante. Informou que ajuizou ação trabalhista em face das duas agremiações. No final, requereu a procedência da ação, declarando-se nula a expressão onde consta o Criciúma Esporte Clube como beneficiário das apólices, reconhecendose o direito do espólio em receber tais valores.

7 A Seguradora, denunciou à lide o IRB Brasil Resseguros S.A. No mérito, contestou, expondo os mesmos argumentos mencionados nas contestações oferecidas nos outros processos que tramitam em apenso. Disse que o espólio não detém legitimidade para pleitear o pagamento do capital segurado, porquanto está equivocado com a relação à natureza de eventual crédito, além do que está fazendo confusão entre sua personalidade e de sua representante mãe do atleta. Asseverou que o seguro de vida não é considerado herança para fins de direito. Discorreu acerca do contrato de cessão firmado entre o Sport Club Internacional com o Criciúma, bem como do contrato de seguro de vida firmado pelo primeiro, o qual designa como beneficiário o Criciúma. Postulou a improcedência da ação. Criciúma Esporte Clube, contestou, arguindo, preliminarmente, coisa julgada, conexão e prescrição. Mo mérito, disse que o contrato de seguro de vida em questão não é para o atleta, mas, sim, seguro de vida do atleta, ou seja, o objetivo do seguro era garantir o patrimônio dos clubes. Colacionou os depoimentos prestados junto à Justiça do Trabalho, os quais concluíram que o seguro não integra a herança. Disse, também, que é irrelevante o fato da proposta ter sido preenchida pelo corretor e não pelo segurado. Requereu a improcedência da ação. Sport Club Internacional ofereceu contestação, arguindo, ilegitimidade ativa, coisa julgada e prescrição. No mérito, disse que é o contratante do seguro e não mero estipulante do contrato, tanto que era de sua responsabilidade o pagamento dos prêmios devidos. Disse que conforme as decisões judiciais colacionadas, depreende-se que o seguro

8 contratado o foi para garantia do investimento feito pelo contestante no atleta Mahicon Librelato. No final, requereu a improcedência da ação. O autor replicou. A decisão de fl. 619 mencionou o ajuizamento dr exceção de incompetência, a qual foi acolhida, determinando-se a remessa dos autos a esta 6ª Vara Cível. Citado, o denunciado, IRB Brasil Resseguros S.A., contestou a ação, arguindo preliminarmente, ilegitimidade ativa. No mérito, expôs os mesmos fundamentos descritos nas contestações anteriormente oferecidas. Postulou a improcedência da ação. As partes manifestaram-se sucessivas vezes. As preliminares de prescrição e coisa julgada restaram apreciadas e afastadas na decisão de fl. 820, ocasião em foi reconsiderada a decisão que deferiu a prova pericial. Deferida a prova oral requerida pelo autor (fls. 823/824), as testemunhas foram inquiridas mediante expedição de cartas precatórias.

9 apresentaram memoriais. Declarada encerrada a instrução, as partes Vieram os autos conclusos. É o relatório. Passo a decidir. As ações foram apensadas para serem instruídas e julgadas simultaneamente em razão da conexão, o que é feito nesta sentença. Em que pese a existência de três demandas e do longo período de tramitação, as lides não são de difícil solução, porquanto se restringem à análise de contrato de seguro firmado entre o falecido jogador Mahicon Librelato e a ré Soma (atualmente denominada Metropolitan Life Seguros), o que demanda definição, antes de mais nada, sobre a vigência do contrato no momento do óbito, face a alegação de cancelamento da apólice pelo não pagamento do prêmio, e se positivo, quem seria o beneficiário do seguro, e que portanto teria direito ao recebimento da indenização.

10 Na referida apólice, constou como contratante o Sport Club Internacional, como segurado o jogador Mahicon Librelato, e como beneficiário o Criciúma Esporte Clube (embora o equívoco na denominação). Por força do contrato de cessão entabulado entre o Internacional e o Criciúma, competia ao primeiro a obrigação de contratação do seguro e pagamento do prêmio, daí a razão e a condição da agremiação gaúcha na apólice como contratante. Como em qualquer contrato de seguro, inequívoca a obrigação do segurado, ou do contratante no caso, de pagamento regular do prêmio. É fato incontroverso nos autos que os valores relativos aos meses de agosto, setembro e outubro de 2002 não foram pagos nos respectivos vencimentos, ensejando assim o envio das notificações de fls. 84/87 (autos do processo nº ), com juntada de cópias nos demais processos. E em razão do não pagamento de três parcelas consecutivas, e se valendo do disposto na cláusula 13.1 do contrato, a seguradora enviou comunicação em 7 de novembro de 2002 (recebida em ), comunicando o cancelamento da apólice.

11 O sinistro (óbito do jogador) ocorreu em 28 de novembro de 2002, momento em que a apólice já estava cancelada por falta de pagamento do prêmio. A tese levantada nos autos no sentido de que a seguradora não enviou as notificações necessárias, comunicando o inadimplemento e constituindo o devedor em mora, não se sustenta na medida em que os documentos de fls. 84/87 (processo nº ), comprovam de forma inequívoca o envio e o recebimento das cartas, no endereço constante na apólice, ou seja, Rua dos Andradas, 955/801. A primeira (fl. 84), emitida em 7 de outubro de 2002 e recebida em , notificando sobre a existência de débito referente às parcelas vencidas em e , acenando com a possibilidade de cancelamento e de regularização com o pagamento. A segunda (fl. 86), redigida em 7 de novembro de 2002 e recebida em , comunicando o inadimplemento seguido de três parcelas consecutivas (as da carta anterior mais a vencida em ). Notese que todas as correspondências foram enviadas para o mesmo endereço constante da apólice (Andradas 955/801), inclusive aquele que o Sport Clube Internacional admite ter recebido em 29 de dezembro (na realidade foi recebido em 14.11), com comunicação do cancelamento, o que indica que ele tinha total acesso e conhecimento dos documentos que eram enviados para o referido endereço. É certo que o cancelamento automático da apólice por falta de pagamento, em aplicação a entendimento jurisprudencial pacífico, mesmo autorizado por disposição contratual, se mostra abusivo, havendo a necessidade, sempre, de constituição em mora do segurado.

12 A obrigação da seguradora, portanto, diante da verificação de não pagamento, é a de enviar comunicação ao contratante, alertando-o para as consequências contratuais do inadimplemento. E essa comunicação, por evidente, deve ser enviada para o endereço constante na apólice, fornecido pelo segurado, não havendo como exigir da empresa de seguros o conhecimento de outro local onde pudesse tornar efetiva a notificação. O fato de ter constado na apólice que o endereço seria o do corretor (Korbel) em nada altera a situação. Em primeiro lugar porque essa opção foi exercida pelos contratantes, não havendo nos autos qualquer indicativo concreto a autorizar conclusão diversa. Em segundo porque é cediço, corolário do disposto nos artigos 722 e seguintes do Código Civil, que o corretor é pessoa procurada por seus clientes para intermediar essa espécie de contratação, possuindo vínculo muito mais estreito com o segurado do que com a seguradora, atuando sempre em representação e na defesa dos interesses do primeiro, sendo natural a indicação do seu endereço para o recebimento das comunicações atinentes à apólice. E em terceiro, e principalmente, porque em que pese a alegação de não recebimento da comunicação de inadimplemento enviada em 7 de outubro de 2002, curiosa e estranhamente o clube gaúcho afirmou ter recebido a correspondência enviada pela seguradora em 7 de novembro do mesmo ano (mesmo afirmando tê-la recebido em 29.11), assim como as posteriores, que colocavam a disposição o dinheiro utilizado para pagamento do prêmio após o cancelamento (fl. 32 e 90 dos referidos autos). Ora, se o endereço não era hábil a ensejar o recebimento da notificação de constituição em mora, como se explica que posteriormente a de cancelamento foi recebida, bem como as que colocavam o dinheiro

13 em devolução, sempre com envio para o mesmo local (Andradas 955/801). A conclusão é lógica e óbvia e só pode ser uma, ou seja, todas as correspondências enviadas pela seguradora foram entregues pelo corretor aos contratantes, inclusive a que os constituía em mora, o que autorizava o cancelamento da apólice por parte da seguradora. Se assim não fosse, certamente o clube de futebol tentaria responsabilizar o corretor pela sua negligência, o que em nenhum momento dos autos foi sugerido. De outro lado, não pode ser olvidada a finalidade da notificação, qual seja, a de comunicar a existência do inadimplemento, fato do conhecimento do contratante, tanto que, e certamente porque sabia que estava em débito com a seguradora há alguns meses, providenciou o pagamento do prêmio um dia após o óbito do jogador, talvez no objetivo futuro de defender a validade da apólice. Admitir a tese de que um clube de futebol organizado necessita ser notificado para cumprimento da sua obrigação contratual de pagamento do prêmio, e que desconhece as consequências do seu inadimplemento, tornando necessário o cumprimento de ritual formal de constituição em mora, ainda mais quando a seguradora cumpriu com a sua obrigação, que era a de enviar as comunicação para o endereço constante na apólice, indicado e fornecido pelo próprio contratante, e

14 quando há evidências concretas nos autos de que este endereço era hábil a cumprir com essa finalidade (algumas correspondências foram recebidas), é fugir da realidade de como as coisas e os negócios acontecem, interpretação que não pode ser aceita por este julgador. Nestes termos, tendo em vista o não pagamento do prêmio, e o correto cancelamento da apólice, não há falar em obrigação de pagamento da indenização, nos termos do artigo 763 do Código Civil, o que afasta por completo a possibilidade de analise e eventual acolhimento dos pedidos deduzidos nos processos em julgamento nesta sentença, todos eles centrados no recebimento do seguro, sendo desnecessária a apreciação e a definição sobre quem seria o beneficiário. Por fim, eventual responsabilidade entre os clubes que negociaram o jogador, face o contrato de cessão e o não pagamento do prêmio do seguro, deve ser discutida em ação própria. Pelo exposto, JULGO IMPROCEDENTE o pedido formulado no processo nº , restando prejudicada a apreciação da denunciação da lide, e condeno o autor no pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios, que nos termos do artigo 20, 4º do CPC, fixo em R$ 3.000,00 para o procurador do requerido e em R$ 2.000,00 para o procurador do denunciado a lide; JULGO IMPROCEDENTE o pedido deduzido no processo nº , prejudicada a denunciação, e condeno o autor no pagamento das custas processuais e dos honorários

15 advocatícios, que fixo em R$ 3.000,00 para o procurador do réu e em R$ 2.000,00 para o procurador do denunciado a lide; e JULGO IMPROCEDENTE o pedido formulado no processo nº Como a sucumbência dos autores foi parcial neste, já que deduziram pretensão também contra os demais envolvidos na discussão do seguro, condeno-os tão somente no pagamento dos honorários advocatícios devidos às entidades seguradoras, que fixo em R$ 3.000,00 para ambos os procuradores, suspensa a exigibilidade face a gratuidade. mencionados. Sentença válida para os três processos aqui Publique-se. Registre-se. Intimem-se. Porto Alegre, 27 de abril de Murilo Magalhães Castro Filho, Juiz de Direito

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