Santos e encantados: religiosidade popular em Codó MA

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "Santos e encantados: religiosidade popular em Codó MA"

Transcrição

1 Santos e encantados: religiosidade popular em Codó MA Autora: Martina Ahlert Doutoranda Universidade de Brasília Resumo: Tendo como ponto de partida a análise das diferentes formas de reza, giras, procissões e peregrinações em homenagem a São Francisco de Assis em uma cidade do interior maranhense, este trabalho pretende pensar experiências ligadas à religiosidade popular. O cenário é a cidade de Codó, no sertão maranhense, conhecida como capital da macumba pela presença de tendas de Umbanda, Terecô (religião originária da cidade) e Candomblé, além de histórias relacionadas a feiticeiros poderosos. Na cidade as procissões das religiões afro-brasileiras e dos católicos tomam as ruas e as casas são ocupadas, quase que diariamente, por rezas, novenários, visitas aos mortos e festejos. Este texto pretende pensar a partir dos eventos que envolvem homenagens a São Francisco de Assis, que acontecem na cidade no mês de outubro e novembro. Como santo mais celebrado na cidade, seus festejos envolvem a permanência e, ao mesmo tempo, seu deslocamento a outro estado. Estas manifestações relacionam, tanto os devotos, como os políticos e empresários da cidade. Cabe, ainda, uma reflexão sobre a relação entre os santos e os encantados (entidades incorporadas nas religiões afro-brasileiras na cidade) neste momento do ano. 1

2 Franciscos e encantados 1 (apresentação) Uma cidade batizada católica - com rezadores populares, ladainhas em latim, bairros com nomes de santo, festas diárias aos santos nas casas é ao mesmo tempo a cidade com fama de ser a capital da macumba no Brasil, com suas mais de 290 tendas 2 de religiões afro-brasileiras, visitantes em busca de consultas com pais-de-santo e tambores tocados durante toda a noite. Codó, cidade de 120 mil habitantes, no sertão maranhense, chama atenção pela quantidade de eventos relacionados aos santos e aos encantados (estejam eles juntos ou separados). Dentre os santos mais festejados da cidade, figura São Francisco de Assis, do qual são devotos diferentes figuras públicas, entre eles o maior empresário homônimo do santo e o mais conhecido entre seus pais-desanto, Mestre Bita do Barão de Guaré. Em setembro de 2010 conheci a cidade e me tornei moradora da mesma com a intenção de realizar no local a pesquisa de campo que serve como base da escrita da minha tese de doutorado. Dentro da antropologia, área na qual desenvolvo esta pesquisa, Codó aparece relacionada aos estudos sobre religiões afro-brasileiras, especialmente sobre o Terecô ou Tambor da Mata. O Terecô é uma religião de transe onde são incorporados, especialmente (não exclusivamente) encantados que teriam habitado as matas da cidade. A família destes encantados é conhecida como o povo de Légua, referência à figura que a comanda, o vaqueiro Légua Boji Buá da Trindade. As tendas de religião afro-brasileira na cidade podem ser de Terecô, Umbanda e Candomblé. Nelas, além dos encantados da família de Légua, podem ser recebidos caboclos diversos, nobres e fidalgos do Tambor de Mina maranhense, orixás, pomba-gira e exus. Neste texto pretendo pensar toda esta forma de celebrar santos e encantados a partir dos eventos em torno de São Francisco de Assis. Oficialmente o dia do santo é comemorado em 04 de outubro, mas, na cidade, seus festejos têm uma duração mais longa. Analiso, especialmente, dois eventos: em um primeiro momento, a ida e o retorno 1 No Maranhão o termo encantado é encontrado nos terreiros de Mina, tanto nos fundados por africanos, quanto nos mais novos e sincréticos, e nos salões de curadores e pajés. Refere-se a uma categoria de seres espirituais recebidos em transe mediúnico, que não podem ser observados diretamente ou que se acredita poderem ser vistos, ouvidos e sentidos em sonho, ou por pessoas dotadas de vidência, mediunidade ou de percepção extra-sensorial, como alguns preferem denominar. Os encantados, apesar de totalmente invisíveis para a maioria das pessoas, tornam-se visíveis quando os médiuns em quem incorporam manifestam alterações de consciência e assumem outra identidade. Apresentam-se à comunidade religiosa como alguém que teve vida terrena há muitos anos e que desapareceu misteriosamente ou tornou-se invisível, encantou-se (M. Ferretti, 2000b, p. 15). 2 Sinônimo de terreiro ou salão, tenda é a palavra mais utilizada na cidade para se referir ao espaço dedicado às giras e rituais onde há toque de tambor. 2

3 dos romeiros para Canindé a cidade onde fica a Basílica do Santo, no Ceará, a quase setecentos quilômetros de Codó. Em um segundo momento, apresento o festejo dedicado a São Francisco, que acontece no início de novembro em uma das tendas da cidade, a Tenda Espírita de Umbanda Santa Helena. As considerações que apresento neste artigo nascem de um período maior de tempo na cidade, cerca de um ano, dedicado à observação participante e a realização de algumas entrevistas. Este período mais longo de permanência permite ver as singularidades que diferenciam a comemoração do dia de São Francisco em relação a outros festejos de santo. Contudo, também permite enxergá-lo dentro de um fluxo (ou ciclo) contínuo de festejos aos santos e encantados. Este fluxo interrompe apenas no período de quaresma, quando os festejos e os tambores (pelo menos em sua grande maioria) são silenciados. A continuidade dos festejos alguns são realizados há décadas - é sustentada por gerações familiares, já que muitos são recebidos como uma espécie herança. Codó é uma cidade relicário (Ahlert, 2011) com suas rezas, ladainhas, novenas, visitas aos mortos, festejos, tambores composta não apenas dos santos, mas, também pelos encantados. Muitas das atividades que preenchem esse relicário são realizadas sem apoio da Igreja Católica ou do poder público (a lembrar que as tendas são consideradas de utilidade pública, mas, não possuem a documentação para serem registradas como tal). É interessante pensar estes festejos dentro desse contexto, na manutenção e transformação de ritos herdados por gerações familiares e cultivados com apreço, beleza e estratégias diversas diante da escassez dos recursos econômicos e dos aperreios da vida. Os eventos em torno de São Francisco de Assis A partir do final do mês de setembro é que todos os preparativos tomados durante o ano para o São Francisco ganham materialidade. Dia 04 de outubro não é simplesmente o dia do Santo 3, é São Francisco. Pude acompanhar estes momentos dedicados ao Santo em outubro e novembro de 2010, quando tinha recém chegado à cidade de Codó. Contudo, mesmo antes disso, quando é julho, agosto (como pude ver em 2011), os romeiros começam a especular os preços das passagens de ônibus para se deslocaram para a cidade de Canindé ou a buscar as formas de ir gratuitamente, nas carretas e caminhões conhecidos como pau-de-arara. É mais ou menos neste período de que a mãe-de-santo Luiza consulta seus encantados sobre a sua festa e inicia a confecção da roupa nova 3 Na cidade é muito comum ouvir, em dias de homenagem a algum santo, uma referência direta ao mesmo, não se diz hoje é dia de Senhora Santana, se diz: hoje é Senhora Santana. 3

4 usada pelas filhas-de-santo no tambor dedicado a São Francisco Tenda Espírita de Umbanda Santa Helena. Dentre as inúmeras atividades dedicadas a São Francisco na cidade de Codó, gostaria de contar sobre duas delas: a ida e retorno de Canindé, no Ceará, e o festejo da Tenda de Umbanda da mãe-de-santo Luiza. Conheci Dona Luizinha, como a chamo, quando ela esperava a saída de um dos ônibus de Mestra Bita do Barão, que iria para Canindé. Luizinha seguia com uma das suas irmãs enquanto as outras duas, que não tinham conseguido dinheiro para a passagem (na época cem reais), foram em um dos caminhões pau-de-arara organizado pelo empresário Francisco Oliveira. Estas quatro mulheres fazem a ligação entre os dois eventos que eu quero relacionar, juntamente com duas imagens de São Francisco, que foram compradas por Luizinha em Canindé, para ornar o altar de sua Tenda. Elas fazem o traçado entre o deslocamento e a romaria católica e a Tenda de Umbanda e Terecô Santa Helena, em Codó. A saída e o retorno de Canindé Como apontei acima, durante o ano há uma consulta na cidade sobre os preços das passagens e a oferta de carro para ir para Canindé. Por carro se entende ônibus, vans e caminhões pau-de-arara. Algumas ofertas são históricas, existem pessoas que colocam carros há mais de trinta anos. Entre estas possibilidades se destaca a oferecida pelo Chiquinho, Francisco Oliveira, empresário da cidade. Morador da cidade há 38 anos, Francisco (seu nome e nome dos seus filhos) foi migrante cearense e, como ele mesmo conta, teve história de trabalho árduo em Codó até alcançar o sucesso, graças ao suporte que sempre recebeu de São Francisco. Em devoção ao santo, faz 29 anos que Chiquinho disponibiliza algumas carretas de sua empresa para a ida a Canindé. Em época de São Francisco, as carretas do Chiquinho se transformam em grandes paus-de-arara, onde cabem cerca de 120 pessoas (adultos, crianças, velhos). Em 2010 saíram 15 carretas para a romaria, escoltadas pela polícia durante todo o percurso até a cidade de Canindé, num deslocamento que pode demorar até 20 horas. A saída das carretas, tanto quanto o seu retorno, são eventos importantes na cidade: a principal avenida em frente à fábrica (de nome FC Oliveira) é fechada, os apitos da indústria anunciam a partida dos caminhões, há um trio elétrico que comporta a família do empresário e autoridades da cidade e uma transmissão direta da fala de um frei de Canindé, abençoando a saída dos romeiros. Em 2010, o palanque do evento - que é o trio elétrico da empresa - levava estampado os rostos de Dilma, Roseana Sarney e do Lobão, já que a saída foi logo depois do primeiro turno das eleições federais. 4

5 Algumas pessoas dormem na rua em frente à empresa para ficara nas filas que são organizadas de acordo com o número do caminhão onde a pessoa se desloca. O transporte é gratuito, os interessados apenas devem colocar seus nomes na lista de cada carro e recebem uma espécie de passagem (que entregam na saída, quando entram no pátio da empresa para subir no seu caminhão). Nos discursos proferidos pelo empresário se destaca a necessidade de união e de auxílio entre os romeiros, o deslocamento para longe de suas famílias, a importância do sacrifício e de imitar as atitudes de São Francisco. O maior pai-de-santo da cidade, Mestre Bita do Barão, também é devoto de São Francisco, e há muitos anos organiza ônibus e um local para suas filhas-de-santo, seus familiares e interessados se hospedarem em Canindé. Além disso, o próprio pai-de-santo freqüenta a cidade em outros momentos do ano e faz promessas ao Santo na sua Basílica em Roma. Os ônibus de Mestre Bita saem e retornam nos mesmos dias das carretas de Chiquinho. Em 2010 foram três ônibus um pertence ao próprio pai-de-santo e os outros dois foram cedidos por contatos importantes um deles um vereador, bastante popular, da cidade. O ponto de saída dos ônibus de Bita do Barão era a rua dos fundos de sua casa e sua Tenda de Umbanda, a maior tenda da cidade. Foi neste espaço que as cadeiras foram colocadas em parte da calçada e os romeiros ficaram esperando o momento do embarque. Nessa calçada, enquanto esperava para ver a partida dos ônibus, conheci três mulheres, Regina, Dica e Luizinha. As três usavam batas marrons, como se vestiam aqueles que pagavam as promessas ao Santo. Essa história continua na linha de Luizinha e Dica, que são irmãs e possuíam outras duas irmãs indo em um dos carros de Chiquinho. Antes do embarque elas me contavam que era muito emocionante a viagem e muito boa, e que se eu soubesse como era bom eu também gostaria de ir para Canindé. Cada uma das pessoas que viajou com Bita reservou seu lugar ou na sua Loja de produtos de Umbanda, ou em seu hotel, que fica em frente à mesma (o pai-de-santo também é importante empresário da cidade). Cada uma das pessoas ganhou um pequeno papel com um número do assento e do ônibus no qual estaria. A espera para a saída dos ônibus foi longa, troquei endereços com as mulheres que conheci e Luizinha me convidou para uma brincadeira (uma noite de tambor) que fazia na sua casa, em novembro, em homenagem ao próprio São Francisco. Nas conversas era possível saber que elas já tinham ido várias vezes para Canindé, Dica por dez anos e Luizinha por mais de vinte. Elas, assim como os outros romeiros que esperavam, tinham muito conhecimento sobre a viagem. Sabiam a hora, a demora, os locais que parariam para comer e quais os melhores lugares para se armar uma rede em Canindé. 5

6 Os ônibus deram a partida depois que o pai-de-santo Mestre Bita do Barão entrou em cada um deles e fez uma reza. Na sua fala lembrava que era uma viagem de união, de fraternidade e que, nessa viagem não se fuma, não se bebe, não é pra namorar. Esse ônibus é uma casa de oração (Extrato de diário de campo 28, 14/10/2010). Delegando ao São Francisco a direção dos ônibus, partiram após entoar um hino religioso cristão 4. O retorno de Canindé é muito semelhante à partida. Na frente da empresa FCOliveira as sirenes tocam, muitos familiares se concentram onde param os caminhões. As falas lembram da distância da família, as histórias que devem ser contadas nas casas sobre a viagem e muitas pessoas choram. Nas conversas com aqueles que esperam, eles ressaltam a falta que os familiares fizeram nas suas casas. Ao lembrar o sacrifício de todos, éramos todos tomados pelo clima de emoção. Voltam as malas, os colchões, as redes, as sacolas, as garrafas térmicas de água e suco, as batas marrons. Na Tenda de Umbanda Rainha de Iemanjá 5, do Mestre Bita do Barão, há menos choro e maior destaque as narrativas de boa viagem e os desejos de voltar no ano seguinte. Rapidamente chegam familiares para ajudar a carregar as bolsas e malas ou são chamados os moto-taxistas, o transporte mais utilizado na cidade. Antes de deixarem a Tenda, é rezada uma ladainha, seguida de diversos hinos cantados em Canindé. Pequenas bandeiras brancas estavam nas mãos dos romeiros, que usavam uma nova camiseta, da romaria de A mãe-de-santo Luiza trouxe, entre suas coisas, duas novas imagens de São Francisco de Assis. Eu ajudei a carregar os embrulhos do ônibus até dentro da Tenda, mas, os conheci apenas em novembro, quando ela fez sua brincadeira para o Santo. A brincadeira para São Francisco na Tenda Santa Helena Luizinha, há cinqüenta anos, faz um festejo em homenagem a São Francisco de Assis. Inicialmente fazia em outubro mesmo, mas adiou para novembro, em virtude do deslocamento para Canindé. Em 2010, seu festejo foi feito do dia 13 para o dia 14 de novembro. Antes da data as paredes de sua Tenda foram pintadas, o teto decorado com bandeirolas coloridas e novas roupas de brincar tinham sido costuradas, por sua irmã Dica. Dica não dança tambor, ou seja, não recebe encantado e se diz católica. Mas, desde que Luizinha não enxerga mais bem, ela é a costureira de santo das filhas-de-santo da 4 O hino é conhecido como Derrama Senhor. O pai-de-santo sempre costuma o cantar no início de seus trabalhos, quando reza orações como Pai Nosso e Ave Maria. 5 Os ônibus de Mestre Bita chegaram um pouco antes do que os caminhões do Chiquinho. Quando passaram na frente da FCOliveira, foram cumprimentados no microfone por aqueles que conduziam o cerimonial do retorno de Canindé na empresa. O empresário e o pai-de-santo são ligados por laços de compadrio. 6

7 Tenda. As outras duas irmãs de Luiza, Maria Domingas e Francisca das Chagas carregam encantado e brincam na tenda de Luiza. O festejo de Luizinha para São Francisco é uma promessa de infância. Quando ela começou a ver encantado ou a ter mediunidade, ela era criança e não entendia o que se passava com ela. A mãe a tratava com dureza, porque pensava que a filha aprontava. Luizinha diz que a mãe não entendia porque ainda não tinha essas coisas de espiritismo lá. Nessa época Luizinha fez uma promessa ao São Francisco, para que ela pudesse entender o que acontecia com ela e para que a mãe não mais a tratasse mal. Prometeu que se isso acontecesse, quando mais velha, ela faria uma festa para o Santo. Nas cinco décadas em que o festejo é realizado, Luizinha conta não ter falhado nenhum ano, mesmo quando era a luz de lampião e só tinha café pra servir, ou seja, quando as condições financeiras quase não permitiriam sua realização. Em conversas com Luizinha e com outras pessoas da cidade que também realizam festejos históricos para seus santos, pude saber que as fontes de onde provém a renda para os festejos são as mais diversas. Além de uma organização temporal do dinheiro, ou seja, de uma economia que inicia meses antes, os festejos costumam contar com a ajuda de familiares (mesmo moradores de outras cidades) e de amigos. A festa na Tenda Espírita de Umbanda Santa Helena dura apenas uma noite. O tempo dos festejos sempre varia de acordo com a Tenda, existem alguns que duram nove noites. Na grande noite tudo começa com um banho perfumado tomado pelas filhas-desanto antes do início do ritual. Depois de paramentadas com suas roupas novas, elas se reúnem no salão e junto com outros expectadores rezam o terço seguido da ladainha de Nossa Senhora cantada em latim. Vizinhos e amigos de Luizinha estão presentes e juntamente com as filhas-de-santo, passam a entoar hinos dedicados a São Francisco, que estão em um cancioneiro que veio da romaria de Canindé. Neste dia as duas imagens de São Francisco que Luiza comprou em Canindé estavam no altar da Tenda. A Tenda Santa Helena é uma sala, de cerca de quatro metros por sete, acoplada a cozinha da casa de Luiza, nos fundos do pátio. Uma das paredes comporta o altar composto pela imagem dos santos católicos - nas pareces estão pintadas imagens de caboclos de pena (índios) e anjos. Os quatro cantos do salão têm pequenos altares e desenhos que representam pontos cantados aos encantados. Dos orixás encontramos apenas uma imagem de Iemanjá. Neste momento da reza, o tambor já foi retirado para fora do salão, está em frente a casa, perto do fogo, onde sua membrana é aquecida para que possa ser tocado mais tarde. Em 2010, ainda antes de o tambor começar a tocar, 10 mulheres entraram com roupas de festa, trazendo flores para Luizinha e cantando para São Francisco. Entre elas 7

8 estavam duas irmãs de Luizinha, Dica e dos Reis, além de Socorro, que é uma das filhas da mãe-de-santo. Estas dez mulheres não brincam, ou seja, não recebem encantados e por isso não se consideram umbandistas ou do terecô. Elas entram numa outra categoria muito acionada na cidade quando pensamos as pessoas que dão suporte aos festejos, elas ajudam, e nesse caso, ficaram toda a noite na Tenda. Elas fizeram uma homenagem a Luiza por causa dos cinqüenta anos de seu festejo. Serviram bolo, doces e refrigerante. Naquele ano, quando eram cerca de onze horas da noite, teve início o terecô 6. Ao lado do altar fica o abatazeiro (ou tamborzeiro) e o seu tambor, em torno dele se colocam os homens que o acompanham com as cabaças. Na gira, as entidades recebidas descem porque são chamadas por meio dos pontos/doutrinas cantadas para os mesmos. É muito comum que as Tendas (com seus pais e filhos-de-santo) visitem outras tendas durante seus festejos. A casa de Luiza naquela noite recebeu a visita da Tenda de Mestre Bita do Barão e suas filhas-de-santo (casa em que Luiza também dança) e de outras duas tendas menores, que ficam próximas a sua casa. No festejo de Luizinha para São Francisco, o tambor toca até amanhecer o dia (sendo revezado por outro que é aquecido continuamente). O festejo termina na rua, em frente a casa. A mãe-de-santo oferece um café da manhã aos vizinhos. A rua é fechada, dança-se terecô por um tempo, se organiza a fila daqueles que vem para o café da manhã e em seguida é encerrado o festejo para São Francisco. A partir daí começam a programar a festa do ano seguinte. *** A saída/retorno da romaria de Canindé, assim como o festejo da Tenda da mãe-desanto Luiza, são dois eventos relacionados aos festejos de São Francisco de Assis, que acontecem entre outras diversas atividades que tem o Santo como figura central na cidade de Codó. Estes dois eventos são experiências religiosas que se dão fora do espaço das igrejas da cidade. No primeiro caso, a romaria de Canindé, existe uma relação direta com a Igreja Católica, já que a romaria em Canindé é organizada pela Igreja. Contudo, em Codó, o movimento de ir para Canindé é iniciativa de diferentes pessoas, especialmente empresários locais. O festejo na casa da mãe-de-santo Luiza tem uma relação menos direta ainda com a Igreja Católica a qual ela não freqüenta Não é, contudo, totalmente 6 Além do nome da religião, utilizasse terecô como sinônimo de gira ou de toque do tambor. Lá tem um terecô quer dizer que vai ter uma gira tocada com tambor. Ouve-se ainda: o terecô estava muito bom, ou ainda terecô arrochado, quando se gosta do festejo. 8

9 afastada da mesma, já que as músicas cantadas são trazidas de Canindé e o terço e a ladainha rezados antes do tambor são rituais da Igreja Católica. Penso ser importante manter em mente todo este movimento que acontece na cidade tendo como foco a devoção a São Francisco. Nesta análise pretendo, sempre cuidando com a possibilidade de esvaziar a experiência religiosa, pensar para além de uma dicotomia entre sagrado e profano, buscando mostrar como a experiência religiosa, na prática dos sujeitos que acompanhei (e penso que também em suas representações) está relacionada com aspectos tidos como não religiosos, na medida em que é preciso toda uma organização temporal e financeira para que seja possível pagar promessas, levar votos e executar festejos. A baixa renda da grande maioria dos moradores da cidade 7 imprime questões importantes no momento em que se organiza a vida para a devoção. Luizinha, para a realização do seu festejo, guarda dinheiro da pensão da morte do marido, durante todo o ano. Mesmo as pessoas que se dirigem para Canindé em paus-de-arara gratuitos e dormem em redes na praça da cidade, precisam guardar dinheiro para comer fora de casa (como me explicaram, ainda que levem comida, nunca dura a viagem inteira). Este caráter de pobreza e humildade aparece quando pensamos nas afirmações sobre a popularidade do santo na cidade, ou como afirmo, no santo simples para um povo simples. A associação entre a razão prática e a vida religiosa faz um novo link, entre um tema que quero falar na parte final deste texto, que seja, a relação entre os santos e os encantados. Um Santo simples para um povo simples? Muitos santos são festejados em Codó. As explicações para São Francisco, ao lado de São Raimundo, ser o santo com maior número de devotos na cidade são diversas. No caso de São Raimundo, se acredita que é tão festejado porque é o santo dos vaqueiros, profissão de ocupação geracional dos homens do campo. Sobre São Francisco, existem diferentes leituras. Por um lado, se afirma que ele é o Santo de algumas pessoas da elite da cidade, isto faz com que se espraie todo um investimento nas procissões e romarias de São Francisco. Nesta perspectiva o relacionam com o maior empresário da cidade e mesmo com o pai de santo mais conhecido. Ambos apresentam suas histórias de vida como exemplo da eficácia do poder da fé no Santo. Francisco Oliveira conta sobre sua chegada à cidade de Codó e as 7 Codó é uma das maiores cidades do interior do Maranhão e apresenta índices de incidência de pobreza elevados, alcançando, em 2003, 59,37% (dados do IBGE). Em 2000 a renda per capita da cidade girava em torno de 76,65 reais. É visível uma grande concentração de renda nas famílias que são tradicionais na política, proprietárias de terras ou de empresas. 9

10 dificuldades financeiras (os diferentes trabalhos) que passou até construir o seu patrimônio na cidade. Já Mestre Bita do Barão, ao afirmar possuir 103 anos de idade, ressalta suas promessas para manutenção de sua saúde. Contudo, na maioria dos casos, as pessoas consideram que existe uma relação entre a humildade do santo e a pobreza da cidade: é um santo simples, para um povo simples me disse uma professora quando estávamos na procissão de São Francisco. A semelhança entre o estilo de vida do santo e as condições compartilhadas da vida dos sujeitos, pressupõe uma identificação entre ambas (como diriam músicos do sertão de Pernambuco, nesse mundo de fome e de guerra, o santo da terra tem calo na mão ) 8. Nos dois eventos que apresentei acima, quando pensamos nos discursos das autoridades e as falas dos sujeitos, vemos que existe um enfoque na simplicidade e pobreza do santo, assim como dos seus devotos se afirma a necessidade de imitar as atitudes do São Francisco 9. É nesta perspectiva que faz muito sentido a difícil economia de dinheiro para o deslocamento, o afastar-se de suas famílias, o passar pelas dificuldades de uma viagem longa e pouco confortável. Estas características que apontam para um inspirar-se na humildade do Santo são elementos presentes nas músicas mais cantadas nesta época do ano, entre elas a tradicional (e popular) Oração de São Francisco 10. As batas marrons (usadas na viagem, mas, por vezes, durante meses que antecedem o dia de São Francisco) funcionam como ícones que elaboram uma similaridade entre o objeto representado e o sujeito (Peirce, 1983) 11. As batas em conjunto com os discursos e o sacrifício (seja da viagem, seja da organização do festejo) toram-se índices (Peirce, 1983) 12, assim, não apenas representam uma similaridade entre o santo e o devoto, mas indicam que são parte de um mesmo elemento. Contudo, como afirma Dawsey (2006), a performance não produz um mero espelhamento do real, numa relação simples de similaridade. Neste sentido, todo codoense pagador de promessa se torna um pouco do próprio São Francisco, mas, não se torna outro, diferente dele mesmo. 8 Da música Foguete de Reis (A Guerra), do grupo Cordel do Fogo Encantado. 9 Penso especialmente no sacrifício e no despojamento dos bens materiais em nome de sua fé e sua pregação. 10 Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão. Onde houver discórdia, que eu leve a união. Onde houver dúvida, que eu leve a fé. Onde houver erro, que eu leve a verdade. Onde houver desespero, que eu leve a esperança. Onde houver tristeza, que eu leve a alegria. Onde houver trevas, que eu leve a luz. Ó mestre, fazei que eu procure mais Consolar, que ser consolado. Compreender, que ser compreendido. Amar, que ser amado. Pois é dando que se recebe. É perdoando que se é perdoado. E é morrendo que se vive para a vida eterna. 11 Índice e ícones são, para Peirce (1983), são tipos de signos: sobre o ícone afirma Se o signo for um ícone um escolástico poderia dizer que a species do Objeto que dele emana materializou-se no Ícone (Peirce, 1983, p. 47). 12 Se o signo for um índice, podemos considerá-lo como um fragmento extraído do Objeto, constituindo os dois, em sua Existência, um todo ou uma parte desse todo (Peirce, 1983, p. 47). 10

11 A idéia do espelhamento mágico trazida por Dawsey a partir de Turner (Dawsey, 2006), nos permite agregar outros significados à experiência da devoção ao São Francisco. Permite que pensemos a idéia de aventura presente na viagem para Canindé, assim como a de beleza, presente no festejo de Luizinha. Com isso quero dizer que as narrativas da viagem não são apenas narrativas de sofrimento, são ainda narrativas das aventuras vividas no deslocamento e na cidade de Canindé: como fazem para não se perder entre os romeiros, como encontram comida barata e que não os deixa passar mal, como conhecem desde o zoológico até as diferentes capelas dedicadas ao Santo. Já os festejos que são oferecidos aos Santos e encantados dentro das tendas de religião afro-brasileira implicam num grande investimento na beleza e fogem à simplicidade das batas marrons, as vestes simples dos franciscanos. No festejo para São Francisco, na Tenda da mãe-de-santo Luiza, é para o Santo que se realiza uma nova decoração no espaço e a feitura de roupas novas para brincar (as saias rodadas e batas, que costumam consumir cerca de oito metros de tecido, além das rendas e fitas) 13. Estes sentidos agregados aos mesmos eventos permitem aumentar o escopo do nosso olhar. Os pagadores de promessa a São Francisco, para além de uma imagem do próprio santo, são aventureiros e transitam entre o marrom que os aproxima da simplicidade e o colorido das saias e da decoração das Tendas, que são homenagens ao Santo. Entre os dois eventos que busquei descrever acima circulam sujeitos e objetos. Nos dois momentos, fixei minha atenção na devoção e na aventura de Luiza e de suas irmãs. Junto com elas transitam objetos que perfazem a ligação entre estes espaços, como os cancioneiros de Canindé, as fotos nas estantes de suas casas (e, conseqüentemente da Tenda) e as próprias imagens do Santo, compradas em Canindé e agasalhadas no altar junto aos outros santos de Luiza. Quando a mãe-de-santo vir a falecer, os santos continuarão circulando, indo para os altares nas casas de seus familiares, recebidos como herança de seus parentes. A possibilidade de circulação entre pertencimentos tidos como católicos e os espaços das religiões afro-brasileiras da cidade nos chamam atenção para um processo peculiar da história da cidade, que permite pensarmos a relação entre os encantados e os santos. Santos e encantados todos os deuses no mesmo saco? 13 Em muitas falas de pais e filhos-de-santo é possível notar que as roupas novas feitas nos festejos tem um caráter de novidade dizem que encantado não se importa com a roupa e que o terecô que faziam anos atrás não exigia este tipo de coisa. 11

12 Como apontei no início do texto, Codó tem uma historiografia oficial (produzida na mesma) 14 que caracteriza a cidade como marcadamente católica. Contudo, na produção da antropologia e das ciências sociais, a cidade é conhecida como berço do Terecô e como possuindo um grande número de tendas desta religião, além da Umbanda e do Candomblé. O Terecô, também conhecido como Tambor da Mata ou Encantaria de Bárbara Soeira, é uma religião de transe que se distancia do Tambor de Mina da capital porque tem como encantado chefe Légua Boji Buá da Trindade, são incorporados encantados, sua língua ritual é o português e o toque do tambor é mais rápido do que o da Mina. A primeira pesquisa sobre o Terecô foi realizada por Costa Eduardo na década de 1940 (Eduardo, 1948), período em que iniciam as primeiras publicações, nas ciências sociais, sobre o Tambor de Mina na capital Maranhense (Nunes Pereira, 1947). As primeiras produções sobre o Tambor de Mina na cidade de São Luís destacavam a autenticidade da herança africana, a permanência do que seriam práticas religiosas vindas da África destacando a beleza das roupas, a culinária, o culto aos voduns africanos e nobres. Nunes Pereira, em pesquisa na Casa das Minas, caracteriza os negros como Minagege, ressalta traços gege e nagô, e mostra como a religião estava distanciada da feitiçaria, já que Na Casa das Minas não se cuida de feitiçaria, isto é, da prática de malefícios ou do preparo de filtros, amuletos, etc. (Pereira, 1947, p. 49). Além disso, o autor não vê semelhança entre os voduns e os santos católicos: Para a gente da Casa das Minas as suas divindades pertencem exclusivamente e essencialmente à teogonia africana, podendo vir da concepção religiosa deste ou daquele povo do Continente, mas nunca do seio da religião católica, do mundo dos pagés amazônicos ou dos círculos, e tendas dos médiuns espíritas (Pereira, 1947, p. 47). No mesmo período Costa Eduardo escreveu The negro in Northern Brazil (1948). Segundo M. Ferretti (2001a) 15 onde, além de falar da religião na capital, são trazidos elementos sobre o Terecô no interior de Codó. O autor descreve os rituais encontrados e destaca o que seria um bom nível de conservação das histórias do folclore negro, resultado, para o autor, do isolamento do povoado onde pesquisou, no interior da cidade. Mas, afirma que as crenças religiosas africanas estavam muito diluídas (Costa Eduardo, apud. M. Ferretti, 2001a, p. 68). Menciona a presença dos encantados que podem curar, assegurar boas colheitas, ajudar uma criança a nascer e encontrar objetos perdidos (ibid., p. 69). Mundicarmo Ferretti afirma que Costa Eduardo, falando de outras crenças 14 Considero essa produção local pequenos folders e jornais confeccionados pelo pode público em momentos de aniversário da cidade. Neles, e no livro sobre a história da cidade, que se chama Codó histórias do fundo do baú (Machado, 1999), se considera religião da cidade a Igreja Católica, enquanto as religiões afrobrasileiras aparecem como folclore e cultura dos negros. 15 Costa Eduardo passou seis meses em São Luis estudando a Casa das Minas, além de dois meses no povoado de Santo Antônio dos Pretos, interior de Codó e mais 15 dias na sede do município. 12

13 encontradas em Santo Antônio, além das difundidas pela Igreja Católica e das ligadas aos encantados, refere-se à magia e à feitiçaria (magia negra) (ibid. p.75) - mas, complementa que a magia negra 16 não era encontrada no povoado e, embora conhecessem a magia curativa, não havia especialistas entre seus moradores. Bastide comenta a obra de Costa Eduardo, especialmente no que concerne ao interior do estado do Maranhão. Afirma, neste sentido, a existência de uma zona de transição onde o catimbó e o Tambor de Mina abandonam-se às mais estranhas uniões (Bastide, 1971, p. 256). Para Bastide, nestas regiões os negros escravos, impedidos de realizar suas cerimônias religiosas, teriam encontrado diálogo com a pajelança indígena, mas, teriam conservado, ainda que vagamente, a tradição africana - Bastide diz haver uma lembrança confusa da existência de alguns voduns daomeanos (ibid., p ). O autor destaca a pobreza dos grupos negros rurais e a perda da exuberância dos trajes e dos ritos de iniciação, e, sobre as suas práticas religiosas, afirma que Tem-se a impressão de se estar numa encruzilhada de religiões, ou antes, num beco sem saída em que se encontram as mais diversas místicas. Essas seitas em sua origem formaram-se provavelmente não sob o signo da fé, mas sob o manto da fraternidade na miséria (ibid., p. 261). Estas obras permitem ver uma tendência de busca de uma 'autenticidade' africana nas religiões afro-brasileiras no Maranhão de forma a criar uma oposição entre o Tambor de Mina, depositário dos traços das tradições jeje e nagô, e as outras manifestações sincréticas no interior do estado. Assim como buscavam indicar uma sobrevivência das tradições e do conhecimento trazido da África em contato com elementos culturais locais. Existe, contudo uma re-elaboração destas perspectivas nas futuras pesquisas no interior do Maranhão, como aquelas realizadas por Mundicarmo e Sérgio Ferretti, a partir do final dos anos oitenta. 17. Mundicarmo Ferretti (2001) escreve sobre o terecô, mas permite ainda que se entenda a chegada da Umbanda na cidade de Codó. Segundo a autora, a Umbanda teria chegado na cidade de Codó em torno da década de 1940, trazida por uma mãe-de-santo que vem de Teresina e passa a residir na cidade, conhecida como Maria Piauí. Para Mundicarmo Ferreti (2001ª) e Sulivan Barros (2000), a Umbanda da cidade era menos perseguida do que a prática do terecô, o que levou muitos terecozeiros a aderirem à 16 Explica que se comentava ali que a magia negra era feita usando-se uma roupa ou um objeto pessoal da vítima, que podia provocar doenças e até levar a vítima à morte, que os feiticeiros eram capazes de botar um inseto no corpo ou um sapo na barriga de uma pessoa para arruinar sua saúde ( ) e que podiam se transformar em lobisomens ou em animais sem cabeça, que atacavam as pessoas à noite e que expeliam um cheiro de enxofre, mas que o povoado de Santo Antônio citava poucos casos de pessoas atingidas por esse tipo de magia (M. Ferretti, 2001a, p. 73). 17 Dados destas pesquisas passam a ser apresentados a partir dos anos noventa, assim como estes locais passam a receber pesquisas de alunos da pós-graduação (por exemplo, Barros (2000), Pacheco (2004), Araújo (2008), Brandim (no prelo)). 13

14 Umbanda, passando a chamar suas tendas de Tenda Espírita de Umbanda (antes, os terecozeiros não costumavam construir seus salões, mas, encontrar-se na mata para realizar seus rituais de forma escondida da polícia e das autoridades da cidade. A chegada do Candomblé é ainda mais recente e remonta ao início da década de 1980 (Araújo, 2008). O primeiro salão foi de um pai-de-santo conhecido como Eduardo, que teria vindo de São Paulo acompanhado de um codoense chamado Júlio, feito no Candomblé da Bahia. Hoje existem cerca de cinco tendas de candomblé da cidade. Mesmo as tendas de Candomblé costumam ter altares com santos católicos, muito semelhantes aos encontrados nas tendas de Umbanda e Terecô. Além disso, costumam tocar toques do Tambor da Mata nos seus trabalhos. Diversos elementos podem ser relacionados a esta interpenetração entre as religiões afro-brasileiras da cidade, como o fato de alguns dos pais-de-santo serem terecozeiros ou umbandistas antes de sua feitura no Candomblé e mesmo porque as tendas têm o costume de se visitar nos festejos já que os encantados são chamados de acordo com as doutrinas cantadas, não faria sentido ir brincar em uma tenda onde não se tocasse para os encantados carregados por umbandistas e terecozeiros. *** Diante dessa história peculiar sobre a relação entre diferentes pertencimentos religiosos na cidade, encontramos em Codó pais-de-santo que se definem como sendo terecozeiros, umbandistas e candomblecistas ao mesmo tempo. Este múltiplo pertencimento não aparece como problema para muitos dos meus interlocutores de pesquisa. Para muitos deles, inclusive, a relação com os santos católicos é vista como uma vantagem e como uma associação tranqüila. A relação acontece também num sentido diferente do que aquele que apresentei quando São Francisco se faz presente na Tenda de Umbanda e Terecô. Existem relatos de encantados que, no corpo dos seus cavalos, adentram a Igreja Católica para serem padrinhos de batizado, por exemplo. Tal como os santos e no caso de São Francisco, que apresentei neste texto os encantados também ganham festejos em sua homenagem, inclusive festas de aniversário, quando se comemora o dia de croa do encantado em seu médium. Santos e encantados compartilham uma participação na vida das pessoas que está para além de uma relação extraordinária. É ordinária e cotidiana. Ambos informam sobre questões práticas da vida das pessoas e marcam estas histórias de vida com suas intervenções e participações. Diferente dos santos, contudo, os encantados têm uma participação mais direta, já que, nas giras e nas consultas, ocupam-se do corpo de seus cavalos e conversam, aconselham aqueles que estão presentes. Contudo, tanto encantados como santos são personagens constantes da vida dos interlocutores de pesquisa que 14

15 conheci em Codó. Acompanham suas histórias como acompanharam seus antecessores e mostram sinais que acompanharão as novas gerações. Este acompanhamento e sua lealdade fazem com se seja necessário retribuí-los durante a vida, aí fazem sentido os sacrifícios e as aventuras na devoção aos santos e aos encantados. Como bem lembra Marcel Mauss (1974) troca-se não apenas entre homens, mas, também entre homens e deuses. A romaria, os ex-votos e o festejo são respostas dos devotos ao Santo, diante de alguma adversidade da vida. Referências bibliográficas: ARAÚJO, Paulo Jeferson Pilar. Umbandização, cadombleização: para onde vai o Terecô? In: X Simpósio da Associação Brasileira de História das Religiões. Anais do X Simpósio ABHR / UNESP - Assis - 12 a 15 de maio de BASTIDE, Roger. As religiões africanas no Brasil: contribuição a uma sociologia das interpretações de civilizações. Segundo volume. São Paulo: Pioneira Editora, p BARROS, Antonio Evaldo de Almeida. Em trilhas encantadas: sociedade, cultura e religiosidade no Maranhão. In: X Simpósio da Associação Brasileira de História das Religiões. Anais do X Simpósio ABHR / UNESP - Assis - 12 a 15 de maio de BARROS, Sulivan Charles. Encantaria de Bárbara Soeira: a construção do imaginário do medo em Codó/MA. 163f. Dissertação (Mestrado em Sociologia) Universidade de Brasília. Brasília, BRANDIM, Vivian de Aquino Silva. Obrigação de Dona Constância: perspectivas históricas da constituição da Umbanda em Codó no estado do Maranhão (no prelo). DANTAS, Beatriz Góis. Vovô Nagô e papai branco: usos e abusos da África no Brasil. Rio de Janeiro: Graal, DAWSEY, John. O teatro em Aparecida: a santa e o lobisomem. Mana, 12 (1), , EDUARDO, Octávio da Costa. The negro in Northern Brazil, a study in acculturation. New York: J.J. Augustin Publisher, FERRETTI, Mundicarmo. Terecô: a linha de Codó. VIII Jornadas sobre alternativas religiosas na América Latina. São Paulo, 22 a 25 de setembro, Desceu na guma: o caboclo no tambor de mina em um terreiro de São Luís - a Casa Fanti-Ashanti. 2 ed. rev. e atual. São Luís: EDUFMA, Maranhão encantado: encantaria maranhense e outras histórias. São Luis: UEMA Editora, 2000b.. Encantaria de Barba Soeira: Codó, Capital da magia negra? São Paulo: Siciliano, 2001a. 15

16 . Formas sincréticas das religiões afro-americanas: o terecô de Codó (MA). In.: Cadernos de Pesquisa, 14, v. 2, jul/dez 2003, p FERRETTI, Sérgio. Querebentã de Zomadonu: etnografia da Casa das Minas do Maranhão. São Luis: EDUFMA, MACHADO, João Batista. Codó, histórias do fundo do baú. São Luís, FACT/UEMA, MAUSS, Marcel. Ensaio sobre a dádiva. Forma e razão da troca nas sociedades arcaicas. Uma categoria do espírito humano, a noção de pessoa a noção de eu. In: Sociologia e antropologia. São Paulo: EDUSP, p ; PACHECO, Gustavo de Brito Freire. Brinquedo de Cura: um estudo sobre a pajelança maranhense. Tese (doutorado). Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, p. PEREIRA, Nunes. A Casa das Minas. Contribuição ao estudo das sobrevivências daomeianas no Brasil. Publicações da Sociedade Brasileira de Antropologia e Etnologia. Rio de Janeiro, março de 1947, n.1. 16

13 Festa do Divino Espírito Santo em São Paulo promove intercâmbio cultural e religioso com São Luís do Maranhão

13 Festa do Divino Espírito Santo em São Paulo promove intercâmbio cultural e religioso com São Luís do Maranhão 13 Festa do Divino Espírito Santo em São Paulo promove intercâmbio cultural e religioso com São Luís do Maranhão Festa popular, que acontece de 12 a 29 de maio de 2012 no Espaço Cachuera!, apresenta tradição

Leia mais

Sessão de Consultas e Passes: continuidade e mudança no contexto umbandista soteropolitano

Sessão de Consultas e Passes: continuidade e mudança no contexto umbandista soteropolitano Sessão de Consultas e Passes: continuidade e mudança no contexto umbandista soteropolitano Mackely Ribeiro Borges Universidade Federal da Bahia mackelyrb@gmail.com Sumário: Este artigo discute, à luz de

Leia mais

TAMBOR DE MINA E UMBANDA: O culto aos caboclos no Maranhão Mundicarmo Ferretti

TAMBOR DE MINA E UMBANDA: O culto aos caboclos no Maranhão Mundicarmo Ferretti TAMBOR DE MINA E UMBANDA: O culto aos caboclos no Maranhão Mundicarmo Ferretti Publicado no Jornal do CEUCAB-RS: O Triangulo Sagrado, Ano III, n. 39 (1996), 40 e 41 (1997). 2 TAMBOR DE MINA E UMBANDA:

Leia mais

Religiosidade Africana

Religiosidade Africana UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS PRPPG MECM CONHECIMENTO E DIVERSIDADE CULTURAL Religiosidade Africana Douglas Aires GOIÂNIA, 2012 Religião Africana O africano tem a religião como um modo de vida que é caracterizada,

Leia mais

CATOLICISMO POPULAR NUMA COMUNIDADE NEGRA RURAL NO SERTÃO NORTE MINEIRO.

CATOLICISMO POPULAR NUMA COMUNIDADE NEGRA RURAL NO SERTÃO NORTE MINEIRO. CATOLICISMO POPULAR NUMA COMUNIDADE NEGRA RURAL NO SERTÃO NORTE MINEIRO. Resumo Francy Eide Nunes Leal Esse trabalho tem como objetivo apresentar a discussão sobre catolicismo popular no Brasil e promover

Leia mais

FORMAS SINCRÉTICAS DAS RELIGIÕES AFRO-AMERICANAS: O TERECÔ DE CODÓ (MA) 1 Mundicarmo Ferretti 2

FORMAS SINCRÉTICAS DAS RELIGIÕES AFRO-AMERICANAS: O TERECÔ DE CODÓ (MA) 1 Mundicarmo Ferretti 2 O TERECÔ DE CODÓ (MA) 1 Mundicarmo Ferretti 2 FORMAS SINCRÉTICAS DAS RELIGIÕES AFRO-AMERICANAS: INTRODUÇÃO Os estudos clássicos de religião afro-brasileira, realizados nas capitais nordestinas, em terreiros

Leia mais

SE SOUBERMOS PERDOAR Ó CARA IRMÃ CLARA, SE SOUBERMOS PERDOAR

SE SOUBERMOS PERDOAR Ó CARA IRMÃ CLARA, SE SOUBERMOS PERDOAR CANTO 1 - LOUVOR DA CRIAÇÃO D Bm G Em A7 D Bm G Em A7 Aleluia! Aleluia! Aleluia! Aleluia! D F#m G Em A7 1. Javé o nosso Deus é poderoso, seu nome é grande em todas as nações D F#m G Em A7 Na boca das crianças

Leia mais

A mina maranhense, seu desenvolvimento e suas relações com outras tradições afro-brasileiras 1. Mundicarmo Ferretti Universidade Estadual do Maranhão

A mina maranhense, seu desenvolvimento e suas relações com outras tradições afro-brasileiras 1. Mundicarmo Ferretti Universidade Estadual do Maranhão A mina maranhense, seu desenvolvimento e suas relações com outras tradições afro-brasileiras 1 Mundicarmo Ferretti Universidade Estadual do Maranhão Introdução: a religião afro-brasileira no Maranhão O

Leia mais

Um encontro dialógico na Tenda Espírita Umbandista de Santa Barbara em Teresina-PI

Um encontro dialógico na Tenda Espírita Umbandista de Santa Barbara em Teresina-PI Um encontro dialógico na Tenda Espírita Umbandista de Santa Barbara em Teresina-PI ARIANY MARIA FARIAS DE SOUZA 1 1. Introdução Neste artigo me proponho a descrever o espaço do terreiro denominado Tenda

Leia mais

CADÊ MEU AJEUM? A COMIDA E SEUS VÁRIOS SIGNIFICADOS NOS TERREIROS DE CANDOMBLÉ DE ARACAJU

CADÊ MEU AJEUM? A COMIDA E SEUS VÁRIOS SIGNIFICADOS NOS TERREIROS DE CANDOMBLÉ DE ARACAJU CADÊ MEU AJEUM? A COMIDA E SEUS VÁRIOS SIGNIFICADOS NOS TERREIROS DE CANDOMBLÉ DE ARACAJU Janaina Couvo Teixeira Maia de Aguiar Universidade Federal da Bahia janainacouvo@gmail.com GT 04 - O Alimento como

Leia mais

Arte Africana. 7º Ano 4º Bimestre Artes Professor Juventino

Arte Africana. 7º Ano 4º Bimestre Artes Professor Juventino Arte Africana 7º Ano 4º Bimestre Artes Professor Juventino África O Brasil é um país mestiço, nossa cultura é composta de uma mistura de etnias. Parte relevante de nossa raiz cultural é o povo africano,

Leia mais

DATAS COMEMORATIVAS. FESTAS JUNINAS 12 de junho Santo Antônio 24 de junho São João 29 de junho São Pedro

DATAS COMEMORATIVAS. FESTAS JUNINAS 12 de junho Santo Antônio 24 de junho São João 29 de junho São Pedro FESTAS JUNINAS 12 de junho Santo Antônio 24 de junho São João 29 de junho São Pedro As festas juninas fazem parte da tradição católica, mas em muitos lugares essas festas perderam essa característica.

Leia mais

ARTE E CULTURA AFRO-BRASILEIRA

ARTE E CULTURA AFRO-BRASILEIRA ARTE E CULTURA AFRO-BRASILEIRA Cultura afro-brasileira é o resultado do desenvolvimento da cultura africana no Brasil, incluindo as influências recebidas das culturas portuguesa e indígena que se manifestam

Leia mais

Cerimonial religioso Texto: Kathia Pompeu Ilustração: Ricardo Rocha

Cerimonial religioso Texto: Kathia Pompeu Ilustração: Ricardo Rocha 182 Cerimonial religioso Texto: Kathia Pompeu Ilustração: Ricardo Rocha PASSO A PASSO DO CORTEJO Rico em tradições e costumes, o casamento atravessa os séculos alimentando o sonho romântico de casais apaixonados.

Leia mais

Israel Operadora. Autoridade no Turismo Religioso. Peregrinações Religiosas no Brasil

Israel Operadora. Autoridade no Turismo Religioso. Peregrinações Religiosas no Brasil Israel Operadora Autoridade no Turismo Religioso Peregrinações Religiosas no Brasil Nossa Especialidade A Israel Operadora, empresa do Grupo Skill Supertravel é especializada em turismo religioso. Com

Leia mais

Nº 8 - Mar/15. PRESTA atenção RELIGIÃO BÍBLIA SAGRADA

Nº 8 - Mar/15. PRESTA atenção RELIGIÃO BÍBLIA SAGRADA SAGRADA Nº 8 - Mar/15 PRESTA atenção RELIGIÃO! BÍBLIA Apresentação Esta nova edição da Coleção Presta Atenção! vai tratar de um assunto muito importante: Religião. A fé é uma questão muito pessoal e cada

Leia mais

Expressão Cultural selecionada: Rezadeiras

Expressão Cultural selecionada: Rezadeiras Município: Ipaporanga Estado: CE Mobilizador Cultural: Cyria Mayrellys Lima Expressão Cultural selecionada: Rezadeiras Prática desenvolvida na Europa, durante da Idade Média, estritamente dentro do modelo

Leia mais

AS MANIFESTAÇÕES CULTURAIS DA UMBANDA NO MUNICÍPIO DE SANTA MARIA RS¹. NASCIMENTO, Taiane Flores do²; SACCOL, Paloma Tavares³; BEZZI, Meri Lourdes 4

AS MANIFESTAÇÕES CULTURAIS DA UMBANDA NO MUNICÍPIO DE SANTA MARIA RS¹. NASCIMENTO, Taiane Flores do²; SACCOL, Paloma Tavares³; BEZZI, Meri Lourdes 4 AS MANIFESTAÇÕES CULTURAIS DA UMBANDA NO MUNICÍPIO DE SANTA MARIA RS¹ NASCIMENTO, Taiane Flores do²; SACCOL, Paloma Tavares³; BEZZI, Meri Lourdes 4 1 Trabalho de Pesquisa NERA/CCNE/UFSM 2 Acadêmica do

Leia mais

A Bíblia seja colocada em lugar de destaque, ao lado de uma vela acesa.

A Bíblia seja colocada em lugar de destaque, ao lado de uma vela acesa. Encontro com a Palavra Agosto/2011 Mês de setembro, mês da Bíblia 1 encontro Nosso Deus se revela Leitura Bíblica: Gn. 12, 1-4 A Bíblia seja colocada em lugar de destaque, ao lado de uma vela acesa. Boas

Leia mais

RIF Ensaio Fotográfico

RIF Ensaio Fotográfico RIF Ensaio Fotográfico Salve Jorge! Devoção popular em vermelho e branco... Em reza e samba Diego Dionísio 1 1 Graduado em Comunicação Social. Técnico de inventário do Patrimônio Imaterial na América Latina

Leia mais

NOVENA DE NATAL 2015. O Natal e a nossa realidade. A jovem concebeu e dará à luz um filho, e o chamará pelo nome de Emanuel.

NOVENA DE NATAL 2015. O Natal e a nossa realidade. A jovem concebeu e dará à luz um filho, e o chamará pelo nome de Emanuel. NOVENA DE NATAL 2015 O Natal e a nossa realidade A jovem concebeu e dará à luz um filho, e o chamará pelo nome de Emanuel. (Is 7,14) APRESENTAÇÃO O Natal se aproxima. Enquanto renovamos a esperança de

Leia mais

O longo declínio da Casa das Minas do Maranhão um caso de suicídio cultural 1?

O longo declínio da Casa das Minas do Maranhão um caso de suicídio cultural 1? O longo declínio da Casa das Minas do Maranhão um caso de suicídio cultural 1? Sergio Ferretti A Casa das Minas, terreiro tombado pelo IPHAN em 2002 e restaurado por este órgão, é um dos mais conhecidos

Leia mais

Disciplina: Ensino Religioso Professor(a): Rosemary de Souza Gelati

Disciplina: Ensino Religioso Professor(a): Rosemary de Souza Gelati ESCOLA VICENTINA SÃO VICENTE DE PAULO Disciplina: Ensino Religioso Professor(a): Rosemary de Souza Gelati Paranavaí / / 6º ANO TRADIÇÕES RELIGIOSAS TEXTOS SAGRADOS Se as religiões estão para humanizar

Leia mais

UMA PEREGRINAÇÃO AOS SANTUÁRIOS DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS

UMA PEREGRINAÇÃO AOS SANTUÁRIOS DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS UMA PEREGRINAÇÃO AOS SANTUÁRIOS DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS por Sri Daya Mata S E L F R E A L I Z A T I O N F E L L O W S H I P Fundada em 1920 por Paramahansa Yogananda Sri Daya Mata, Presidente UMA PEREGRINAÇÃO

Leia mais

Candomblé de Angola: a reinvenção da África no Brasil 1. Défani MOREIRA 2 João MARCELO 3 Universidade de Taubaté, Taubaté, SP

Candomblé de Angola: a reinvenção da África no Brasil 1. Défani MOREIRA 2 João MARCELO 3 Universidade de Taubaté, Taubaté, SP Candomblé de Angola: a reinvenção da África no Brasil 1 Défani MOREIRA 2 João MARCELO 3 Universidade de Taubaté, Taubaté, SP RESUMO O ensaio fotográfico Candomblé de Angola A reinvenção da África no Brasil

Leia mais

JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE

JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE A Novena de Natal deste ano está unida à Campanha da Fraternidade de 2013. O tema Fraternidade e Juventude e o lema Eis-me aqui, envia-me, nos leva para o caminho da JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE Faça a

Leia mais

ENCANTADOS E ENCANTARIAS NO FOLCLORE BRASILEIRO 1

ENCANTADOS E ENCANTARIAS NO FOLCLORE BRASILEIRO 1 ENCANTADOS E ENCANTARIAS NO FOLCLORE BRASILEIRO 1 Mundicarmo Ferretti mundi@prof.elo.com.br Doutora em Antropologia pela USP; professora colaboradora dos Programas de Pós-Graduação em Políticas Publicas

Leia mais

PÁU DA BANDEIRA. Izaura Lila Lima RIBEIRO (1); Nayana de Castro CUNHA (2); Rafaelle Almeida ARAGÃO (3)

PÁU DA BANDEIRA. Izaura Lila Lima RIBEIRO (1); Nayana de Castro CUNHA (2); Rafaelle Almeida ARAGÃO (3) PÁU DA BANDEIRA Izaura Lila Lima RIBEIRO (1); Nayana de Castro CUNHA (2); Rafaelle Almeida ARAGÃO (3) (1) Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará IFCE, Rua Monsenhor Salazar, 1004,

Leia mais

Universidade Federal do Acre UFAC Centro de Filosofia e Ciências Humanas CFCH.

Universidade Federal do Acre UFAC Centro de Filosofia e Ciências Humanas CFCH. Universidade Federal do Acre UFAC Centro de Filosofia e Ciências Humanas CFCH. Colóquio Religiões e Campos simbólicos na Amazônia Período de realização 25 a 28 de agosto de 2014. Grupos de trabalhos. GT

Leia mais

Time Code. Sugestão (conexões externas)

Time Code. Sugestão (conexões externas) Número da fita: 0047 Título: Entrevista com Geraldo Abel Mídia: Mini DV Time Code in out 00 20 00 06 11 S. Abel e esposa sentados, rodeados pelos instrumentos da folia e pela bandeira. S. Abel mostra passo

Leia mais

Registro da Experiência: Acampamento Vaga Lume 2008

Registro da Experiência: Acampamento Vaga Lume 2008 Registro da Experiência: Acampamento Vaga Lume 2008 A Vaga Lume é uma organização social de interesse público, sem fins lucrativos, fundada a partir da crença de que o investimento em seres humanos é a

Leia mais

Uma Reflexão Sobre o Surgimento do Candomblé

Uma Reflexão Sobre o Surgimento do Candomblé Uma Reflexão Sobre o Surgimento do Candomblé Os estudos sobre a África e as culturas africanas têm ganhado espaço nas últimas décadas. No Brasil esse estudo começou, basicamente, com Nina Rodrigues em

Leia mais

Caminho, verdade e vida: Definições de Jesus; Marcas em seus discípulos (Jo.14:1-11)

Caminho, verdade e vida: Definições de Jesus; Marcas em seus discípulos (Jo.14:1-11) Caminho, verdade e vida: Definições de Jesus; Marcas em seus discípulos (Jo.14:1-11) Mensagem 1 A metáfora do Caminho Introdução: A impressão que tenho é que Jesus escreveu isto para os nossos dias. Embora

Leia mais

Tipo de atividade: Passeio/visita e redação. Objetivo: Conhecer alguns centros e templos religiosos existentes no bairro/cidade e desenvolver

Tipo de atividade: Passeio/visita e redação. Objetivo: Conhecer alguns centros e templos religiosos existentes no bairro/cidade e desenvolver A série Sagrado é composta por programas que, através de um recorte históricocultural, destacam diferentes pontos de vista das tradições religiosas. Dez representantes religiosos respondem aos questionamentos

Leia mais

IV FÓRMULAS DE BÊNÇÃO PARA LAUDES E VÉSPERAS

IV FÓRMULAS DE BÊNÇÃO PARA LAUDES E VÉSPERAS IV FÓRMULAS DE BÊNÇÃO PARA LAUDES E VÉSPERAS I. Nas celebrações do Tempo Advento Deus omnipotente e misericordioso, que vos dá a graça de comemorar na fé a primeira vinda do seu Filho Unigénito e de esperar

Leia mais

Como chegar Gestão Estatísticas Festas Populares. Geografia História Pontos Turísticos Tradição Util Pública. Dia da Carpição

Como chegar Gestão Estatísticas Festas Populares. Geografia História Pontos Turísticos Tradição Util Pública. Dia da Carpição Como chegar Gestão Estatísticas Festas Populares Geografia História Pontos Turísticos Tradição Util Pública Dia da Carpição O Dia da Carpição, que acontece no mês de agosto no Distrito de São Francisco

Leia mais

Quando vi Fátima pela primeira vez

Quando vi Fátima pela primeira vez ... Quando vi Fátima pela primeira vez Texto de Fernando Ben, falando resumidamente sobre sua experiência nos primeiros encontros mediúnicos com Fátima. As religiões são janelas para ver o céu. Você pode

Leia mais

MARIDOS DA TERRA E MARIDOS DO FUNDO: Gênero, Imaginário e Sensibilidade no Tambor de Mina

MARIDOS DA TERRA E MARIDOS DO FUNDO: Gênero, Imaginário e Sensibilidade no Tambor de Mina MARIDOS DA TERRA E MARIDOS DO FUNDO: Gênero, Imaginário e Sensibilidade no Tambor de Mina Viviane de Oliveira Barbosa RESUMO: O imaginário e as sensibilidades do passado e do presente apresentam-se como

Leia mais

Regis de Morais. Corações em Luz

Regis de Morais. Corações em Luz Regis de Morais Corações em Luz Campinas-SP 2003 Sumário O QUE É SANTIDADE? (Advertência)...13 PRECE DE SANTO AGOSTINHO (Meditações)...17 Oração de São Francisco de Assis... 19 1. Senhor... 21 2. Fazei

Leia mais

Oração na Vida Diária

Oração na Vida Diária Oração na Vida Diária ocê é convidado a iniciar uma experiência de oração. Às vezes pensamos que o dia-a-dia com seus ruídos, suas preocupações e sua correria não é lugar apropriado para levantar nosso

Leia mais

Religiões Afro-Brasileiras

Religiões Afro-Brasileiras Religiões Afro-Brasileiras Apresentação Em continuidade ao Estudo Multidisciplinar Baía de Todos os Santos (Projeto BTS), estão sendo realizadas investigações com foco nas baías da Bahia, com envolvimento

Leia mais

Você sabia que... Alguns fatos sobre o meu país

Você sabia que... Alguns fatos sobre o meu país Brasil Você sabia que... A pobreza e a desigualdade causam a fome e a malnutrição. Os alimentos e outros bens e serviços básicos que afetam a segurança dos alimentos, a saúde e a nutrição água potável,

Leia mais

Corpus Christi e suas manutenções para a festividade litúrgica

Corpus Christi e suas manutenções para a festividade litúrgica Corpus Christi e suas manutenções para a festividade litúrgica Juliane Shizuko Milena Balbi Thélio Bonesio Gonçalves INTRODUÇÃO Considerando a representatividade que a tradicional procissão de Corpus Christi

Leia mais

Como Católica, radica toda a sua missão e visão na mensagem de Jesus Cristo que. ilumina o Ser e o Saber humano.

Como Católica, radica toda a sua missão e visão na mensagem de Jesus Cristo que. ilumina o Ser e o Saber humano. O Colégio de Santa Clara é uma Escola Católica Franciscana Hospitaleira. Como Escola, é para a pessoa e da pessoa. Como Católica, radica toda a sua missão e visão na mensagem de Jesus Cristo que ilumina

Leia mais

200 Opportunities to Discover PORTUGUESE. www.second-language-now.com

200 Opportunities to Discover PORTUGUESE. www.second-language-now.com BASIC QUESTIONS 200 Opportunities to Discover PORTUGUESE Basic Questions - Portuguese TABLE OF CONTENTS 1. SABE?...3 2. COMO?...4 3. QUANTO TEMPO?...5 4. QUANTOS?...6 5. QUANTO?...7 6. COM QUE FREQUÊNCIA?...8

Leia mais

Aparição da Mãe Divina. Colina do Cristo Redentor, Carmo da Cachoeira, MG, Brasil. Domingo, 12 de fevereiro de 2012, às 20h40.

Aparição da Mãe Divina. Colina do Cristo Redentor, Carmo da Cachoeira, MG, Brasil. Domingo, 12 de fevereiro de 2012, às 20h40. Aparição da Mãe Divina. Colina do Cristo Redentor, Carmo da Cachoeira, MG, Brasil. Domingo, 12 de fevereiro de 2012, às 20h40. Como no dia de ontem, o grupo reuniu-se às 19h30 para iniciar a tarefa de

Leia mais

PASCOM. A PASCOM agradece a todos que colaboraram com esta edição do INFORMATIVO DA PENHA nos mandando fotos,

PASCOM. A PASCOM agradece a todos que colaboraram com esta edição do INFORMATIVO DA PENHA nos mandando fotos, PASCOM A PASCOM agradece a todos que colaboraram com esta edição do INFORMATIVO DA PENHA nos mandando fotos, t e x t o s e i d é i a s p a r a a s matérias! Nossa Senhora da Penha, que sabe o nome de cada

Leia mais

Tradução do inglês para o português do episódio sobre o Santo Daime da série Tabu da National Geographic (*) Beatriz Caiuby Labate & Marc Blainey

Tradução do inglês para o português do episódio sobre o Santo Daime da série Tabu da National Geographic (*) Beatriz Caiuby Labate & Marc Blainey Tradução do inglês para o português do episódio sobre o Santo Daime da série Tabu da National Geographic (*) Beatriz Caiuby Labate & Marc Blainey (*) O episódio se intitula Narcotics (Narcóticos) e fez

Leia mais

Trabalho apresentado no VI Congresso Internacional sobre as Festas do Divino Espírito Santo Winnipeg/Canadá 11 a 15 de junho 2014

Trabalho apresentado no VI Congresso Internacional sobre as Festas do Divino Espírito Santo Winnipeg/Canadá 11 a 15 de junho 2014 Trabalho apresentado no VI Congresso Internacional sobre as Festas do Divino Espírito Santo Winnipeg/Canadá 11 a 15 de junho 2014 Festa do Divino Espírito Santo e seu registro fotográfico. Jairton Ortiz

Leia mais

Como utilizar este caderno

Como utilizar este caderno INTRODUÇÃO O objetivo deste livreto é de ajudar os grupos da Pastoral de Jovens do Meio Popular da cidade e do campo a definir a sua identidade. A consciência de classe, ou seja, a consciência de "quem

Leia mais

24 junho a.c 1545-1563 1584 1627 1641 1769 1808 1950. Acontecimento 1641 Ano da proibição do uso de fogueiras e fogos de artifício.

24 junho a.c 1545-1563 1584 1627 1641 1769 1808 1950. Acontecimento 1641 Ano da proibição do uso de fogueiras e fogos de artifício. Salvador da Bahia Leitura: atividades RESPOSTAS Pula a fogueira, João! 1. 24 junho a.c 1545-1563 1584 1627 1641 1769 1808 1950 Data Acontecimento 1641 Ano da proibição do uso de fogueiras e fogos de artifício.

Leia mais

Arcoverde: Páginas que Ninguém Leu 1. Aline de Souza Silva SIQUEIRA 2 Adriana Xavier Dória MATOS 3 Universidade Católica de Pernambuco, Recife, PE

Arcoverde: Páginas que Ninguém Leu 1. Aline de Souza Silva SIQUEIRA 2 Adriana Xavier Dória MATOS 3 Universidade Católica de Pernambuco, Recife, PE Arcoverde: Páginas que Ninguém Leu 1 Aline de Souza Silva SIQUEIRA 2 Adriana avier Dória MATOS 3 Universidade Católica de Pernambuco, Recife, PE RESUMO Este trabalho se propõe uma jornada Arcoverde adentro

Leia mais

CANTIGAS DE RODA, RODAS CANTADAS E BRINCADEIRAS EM RODA: UMA ESCRITA COM DIFERENTES AUTORES(AS)

CANTIGAS DE RODA, RODAS CANTADAS E BRINCADEIRAS EM RODA: UMA ESCRITA COM DIFERENTES AUTORES(AS) CANTIGAS DE RODA, RODAS CANTADAS E BRINCADEIRAS EM RODA: UMA ESCRITA COM DIFERENTES AUTORES(AS) Everton Arruda Irias E.P.G. Paulo Freire O desenvolvimento deste trabalho aconteceu no primeiro semestre

Leia mais

Sobre esta obra, você tem a liberdade de:

Sobre esta obra, você tem a liberdade de: Sobre esta obra, você tem a liberdade de: Compartilhar copiar, distribuir e transmitir a obra. Sob as seguintes condições: Atribuição Você deve creditar a obra da forma especificada pelo autor ou licenciante

Leia mais

MISTIFICAÇÃO CARICATA DAS RELIGIÕES DE RAIZ AFRICANA NO QUADRO A GALINHA PRETA PINTADINHA DO PROGRAMA TÁ NO AR: A TV NA TV DA REDE GLOBO

MISTIFICAÇÃO CARICATA DAS RELIGIÕES DE RAIZ AFRICANA NO QUADRO A GALINHA PRETA PINTADINHA DO PROGRAMA TÁ NO AR: A TV NA TV DA REDE GLOBO MISTIFICAÇÃO CARICATA DAS RELIGIÕES DE RAIZ AFRICANA NO QUADRO A GALINHA PRETA PINTADINHA DO PROGRAMA TÁ NO AR: A TV NA TV DA REDE GLOBO José Wanderley Pereira Segundo UERN (wanderley.segundo@hotmail.com)

Leia mais

Caminhando em branco: fotoetnografia da festa de Yemanjá em João Pessoa, PB. Walking on White: photoethnography of Yemanjá Feast in João Pessoa, PB

Caminhando em branco: fotoetnografia da festa de Yemanjá em João Pessoa, PB. Walking on White: photoethnography of Yemanjá Feast in João Pessoa, PB Caminhando em branco: fotoetnografia da festa de Yemanjá em João Pessoa, PB Walking on White: photoethnography of Yemanjá Feast in João Pessoa, PB Thiago de Lima Oliveira 1 Vamos, meu povo... temos que

Leia mais

Cultura Afro-Indígena Brasileira. Prof. Ms. Celso Ramos Figueiredo Filho

Cultura Afro-Indígena Brasileira. Prof. Ms. Celso Ramos Figueiredo Filho Cultura Afro-Indígena Brasileira Prof. Ms. Celso Ramos Figueiredo Filho Religiões Afro-Brasileiras Introdução - Escravidão miscigenação e sincretismo (Angola, Moçambique, Congo) - 3 a 5 milhões de africanos

Leia mais

Aprenda nesta quinta aula a montar um roteiro para não perder os momentos importantes com os noivos no altar

Aprenda nesta quinta aula a montar um roteiro para não perder os momentos importantes com os noivos no altar Técnica&Prática Fotografia Social O fotógrafo de casamento deve estar preparado para captar todos os tipos de emoções e explorar os mais diversos ângulos da cerimônia religiosa As dicas para fotografar

Leia mais

DATAS COMEMORATIVAS. CHEGADA DOS PORTUGUESES AO BRASIL 22 de abril

DATAS COMEMORATIVAS. CHEGADA DOS PORTUGUESES AO BRASIL 22 de abril CHEGADA DOS PORTUGUESES AO BRASIL 22 de abril Descobrimento do Brasil. Pintura de Aurélio de Figueiredo. Em 1500, há mais de 500 anos, Pedro Álvares Cabral e cerca de 1.500 outros portugueses chegaram

Leia mais

FAQ As perguntas mais freqüentes sobre o Incoming (Serviço voluntário na Alemanha)

FAQ As perguntas mais freqüentes sobre o Incoming (Serviço voluntário na Alemanha) 7139 Karlsruhe Tel.: +49 (0)721/ 35480-120, -128 FAQ As perguntas mais freqüentes sobre o Incoming (Serviço voluntário na Alemanha) Perguntas gerais Na verdade eu que eu quero é estudar na Alemanha. O

Leia mais

Menu. Comidas típicas. Contribuições para o Brasil e Ijuí. Significado da bandeira Árabe. Costumes

Menu. Comidas típicas. Contribuições para o Brasil e Ijuí. Significado da bandeira Árabe. Costumes Árabes Componentes: Sabrina, Lucille,Giovana, M, Lucas C, João Vitor Z, Samuel. Disciplina: Estudos Sociais, Informática Educativa, Língua Portuguesa. Professores: Uiliam Michael, Cristiane Keller, Daniele

Leia mais

LENDA DA COBRA GRANDE. Um roteiro de IVI SIBELI ROCHA DE BARROS DAIANE MONTEIRO POLIANA AGUIAR FERREIRA MARIA LUZIA RODRIGUES DA SILVA

LENDA DA COBRA GRANDE. Um roteiro de IVI SIBELI ROCHA DE BARROS DAIANE MONTEIRO POLIANA AGUIAR FERREIRA MARIA LUZIA RODRIGUES DA SILVA LENDA DA COBRA GRANDE Um roteiro de IVI SIBELI ROCHA DE BARROS DAIANE MONTEIRO POLIANA AGUIAR FERREIRA MARIA LUZIA RODRIGUES DA SILVA CRUZEIRO DO SUL, ACRE, 30 DE ABRIL DE 2012. OUTLINE Cena 1 Externa;

Leia mais

PROFESSOR: EQUIPE DE PORTUGUÊS

PROFESSOR: EQUIPE DE PORTUGUÊS PROFESSOR: EQUIPE DE PORTUGUÊS BANCO DE QUESTÕES - PORTUGUÊS - 8º ANO - ENSINO FUNDAMENTAL ============================================================================================== BRINCADEIRA Começou

Leia mais

Congado de Uberlândia ] livro 01/02

Congado de Uberlândia ] livro 01/02 Congado de Uberlândia ] livro 01/02 1 2 Trocar foto >> sumário 3 livro 01/02 1. Introdução 1.1 Apresentação 1.2. Pesquisa: reconhecimento dos sujeitos 1.2.1. Metodologia Geral 1.2.2. Metodologia dos Inventários

Leia mais

OUTRAS ORAÇÕES PAI NOSSO ORAÇÃO A SÃO JERÔNIMO. Pai nosso que estais nos céus. Santificado seja o vosso nome. Venha a nós o vosso reino

OUTRAS ORAÇÕES PAI NOSSO ORAÇÃO A SÃO JERÔNIMO. Pai nosso que estais nos céus. Santificado seja o vosso nome. Venha a nós o vosso reino OUTRAS ORAÇÕES PAI NOSSO Pai nosso que estais nos céus Santificado seja o vosso nome Venha a nós o vosso reino Seja feita a vossa vontade Assim na Terra como no Céu O pão nosso de cada dia nos dai hoje

Leia mais

A TERRA DOS VODUNS 1

A TERRA DOS VODUNS 1 A TERRA DOS VODUNS 1 Sergio F. Ferretti Até a década de 1930 a religião e o nome vodum eram pouco conhecidos no Brasil. A partir dos anos trinta, começaram a ser realizadas no Maranhão e no Pará, visitas

Leia mais

Amone Inacia Alves Graduada em História - UESB Especialista em Ciência Política - IBPEX Mestre em Sociologia das Organizações - UFPR

Amone Inacia Alves Graduada em História - UESB Especialista em Ciência Política - IBPEX Mestre em Sociologia das Organizações - UFPR Folclore Mede-se a inteligência de um povo pela sua capacidade de não só ser gente. Nascemos gente ao acaso, ao natural e transformamos em povo na busca perfeita pelas formas, curvas e cores. São as cores

Leia mais

Vida nova Jovens contam como superaram doenças graves. Depois de um câncer de mama aos 23 anos, Dolores Cardoso teve um filho, escreveu um livro e

Vida nova Jovens contam como superaram doenças graves. Depois de um câncer de mama aos 23 anos, Dolores Cardoso teve um filho, escreveu um livro e Sexta Vida nova Jovens contam como superaram doenças graves. Depois de um câncer de mama aos 23 anos, Dolores Cardoso teve um filho, escreveu um livro e mudou o rumo da vida profissional FOLHA DA SEXTA

Leia mais

mundo. A gente não é contra branco. Somos aliados, queremos um mundo melhor para todo mundo. A gente está sentindo muito aqui.

mundo. A gente não é contra branco. Somos aliados, queremos um mundo melhor para todo mundo. A gente está sentindo muito aqui. Em 22 de maio de 2014 eu, Rebeca Campos Ferreira, Perita em Antropologia do Ministério Público Federal, estive na Penitenciária de Médio Porte Pandinha, em Porto Velho RO, com os indígenas Gilson Tenharim,

Leia mais

Celebração do Dia Nacional do Catequista 30 de agosto de 2015

Celebração do Dia Nacional do Catequista 30 de agosto de 2015 Celebração do Dia Nacional do Catequista 30 de agosto de 2015 Introdução: Educar na fé, para a paz, a justiça e a caridade Este ano a Igreja no Brasil está envolvida em dois projetos interligados: a lembrança

Leia mais

R. Rutschka. R. Rutschka. P. Rull Gomes

R. Rutschka. R. Rutschka. P. Rull Gomes Primeira Edição R. Rutschka Ilustrações de: R. Rutschka Revisão de texto: P. Rull Gomes São Paulo, 2012 3 R. Rutschka 2012 by R. Rutschka Ilustrações R. Rutschka Publicação PerSe Editora Ltda. ISBN 978-85-8196-024-1

Leia mais

CANTOS - Novena de Natal

CANTOS - Novena de Natal 1 1 - Refrão Meditativo (Ritmo: Toada) D A7 D % G Em A7 % Onde reina o amor, frater---no amor. D A7 D % G A7 D Onde reina o amor, Deus aí está! 2 - Deus Trino (Ritmo: Balada) G % % C Em nome do Pai / Em

Leia mais

COTIDIANO QUILOMBOLA EM MITUAÇU

COTIDIANO QUILOMBOLA EM MITUAÇU COTIDIANO QUILOMBOLA EM MITUAÇU Felipe Agenor de Oliveira Cantalice Universidade Estadual da Paraíba/CH Orientador: Prof. Dr. Waldeci Ferreira Chagas Neste trabalho analisamos o cotidiano dos moradores

Leia mais

O TEMPLO DOS ORIXÁS. Site Oficial: http://www.tfca.com.br E-mail: tfca@tfca.com.br

O TEMPLO DOS ORIXÁS. Site Oficial: http://www.tfca.com.br E-mail: tfca@tfca.com.br O TEMPLO DOS ORIXÁS Quando, na experiência anterior, eu tive a oportunidade de assistir a um culto religioso, fiquei vários dias pensando a que ponto nossa inconsciência modificou o mundo espiritual. Conhecendo

Leia mais

Banda Marcial faz alas, na escadaria, tocando para acolher a todos até a entrada do salão.

Banda Marcial faz alas, na escadaria, tocando para acolher a todos até a entrada do salão. Dia 21 de novembro uma homenagem especial pelos 150 anos de nascimento de Madre Clélia. Madre Clélia, festeja na eternidade o dom dos 150 anos de vida. Celebrando o dia 21 de novembro Quero que minhas

Leia mais

Entidade polivalente, pois se assemelha muito ao campo material, o que lhes dá facilidade em compreender as necessidades terrenas.

Entidade polivalente, pois se assemelha muito ao campo material, o que lhes dá facilidade em compreender as necessidades terrenas. Entidade polivalente, pois se assemelha muito ao campo material, o que lhes dá facilidade em compreender as necessidades terrenas. Mensageiros da alegria e esperança. Transformam qualquer situação em festas.

Leia mais

CD EU QUERO DEUS. 01- EU QUERO DEUS (Irmã Carol) 02- SIM, SIM, NÃO, NÃO (Irmã Carol)

CD EU QUERO DEUS. 01- EU QUERO DEUS (Irmã Carol) 02- SIM, SIM, NÃO, NÃO (Irmã Carol) CD EU QUERO DEUS 01- EU QUERO DEUS (Irmã Carol) EU QUERO DEUS \ EU QUERO DEUS SEM DEUS EU NÃO SOU NADA EU QUERO DEUS Deus sem mim é Deus \ Sem Deus eu nada sou Eu não posso viver sem Deus \ Viver longe

Leia mais

Xirê: uma performance corporal de restauração da energia vital

Xirê: uma performance corporal de restauração da energia vital Xirê: uma performance corporal de restauração da energia vital Tatiana Maria Damasceno Universidade Federal do Rio de Janeiro Professora assistente do Departamento de Arte Corporal Resumo: Axé, energia

Leia mais

Oração 1. Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz!

Oração 1. Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz! Oração 1 Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz! Onde houver ódio, que eu leve o amor; Onde houver ofensa, que eu leve o perdão; Onde houver discórdia, que eu leve a união; Onde houver dúvida,

Leia mais

Veja todo o material ou clique no índice abaixo para ir direto para o que precisa.

Veja todo o material ou clique no índice abaixo para ir direto para o que precisa. 1 Carta às Noivas Olá, em primeiro lugar, parabéns por estar se casando! Esperamos que este material à ajude a saber mais sobre casamentos e também no planejamento correto da sua festa. Veja todo o material

Leia mais

A FORMAÇÃO E EXPANSÃO DO MERCADO RELIGIOSO DOS BENS SIMBÓLICOS DOS ORIXÁS: FENÔMENO DA HIPERTROFIA NA METRÓPOLE GOIANA

A FORMAÇÃO E EXPANSÃO DO MERCADO RELIGIOSO DOS BENS SIMBÓLICOS DOS ORIXÁS: FENÔMENO DA HIPERTROFIA NA METRÓPOLE GOIANA A FORMAÇÃO E EXPANSÃO DO MERCADO RELIGIOSO DOS BENS SIMBÓLICOS DOS ORIXÁS: FENÔMENO DA HIPERTROFIA NA METRÓPOLE GOIANA Jailson Silva de Sousa Graduando do curso de geografia da Universidade Estadual de

Leia mais

SINCRETISMO RELIGIOSO, NATAL FESTEJA IEMANJÁ 1

SINCRETISMO RELIGIOSO, NATAL FESTEJA IEMANJÁ 1 SINCRETISMO RELIGIOSO, NATAL FESTEJA IEMANJÁ 1 Antônio da Silva PINTO Netto 2 Joabson Bruno de Araújo COSTA 3 Giovana Alves ARQUELINO 4 Sebastião Faustino PEREIRA Filho 5 Universidade Federal do Rio Grande

Leia mais

O líder convida um membro para ler em voz alta o objetivo da sessão:

O líder convida um membro para ler em voz alta o objetivo da sessão: SESSÃO 3 'Eis a tua mãe' Ambiente Em uma mesa pequena, coloque uma Bíblia, abriu para a passagem do Evangelho leia nesta sessão. Também coloca na mesa uma pequena estátua ou uma imagem de Maria e uma vela

Leia mais

MARK CARVALHO. Capítulo 1

MARK CARVALHO. Capítulo 1 MARK CARVALHO Capítulo 1 Mark era um menino com altura média, pele clara, pequenos olhos verdes, cabelos com a cor de avelãs. Um dia estava em casa vendo televisão, até que ouviu: Filho, venha aqui na

Leia mais

O nosso jeito de falar, de gesticular, de cultuar e rezar, de ser e de viver, é profundamente marcado pela presença dos africanos no Brasil.

O nosso jeito de falar, de gesticular, de cultuar e rezar, de ser e de viver, é profundamente marcado pela presença dos africanos no Brasil. ATIVIDADE 01 MANIFESTAÇÕES DA CULTURA AFRO-BRASILEIRA O nosso jeito de falar, de gesticular, de cultuar e rezar, de ser e de viver, é profundamente marcado pela presença dos africanos no Brasil. Com eles

Leia mais

Consolidação para o Discipulado - 1

Consolidação para o Discipulado - 1 Consolidação para o Discipulado - 1 Fortalecendo o novo convertido na Palavra de Deus Rev. Edson Cortasio Sardinha Consolidador/a: Vida consolidada: 1ª Lição: O Amor de Deus O amor de Deus está presente

Leia mais

A Representação de reis portugueses encantados no Tambor de Mina

A Representação de reis portugueses encantados no Tambor de Mina A Representação de reis portugueses encantados no Tambor de Mina Mundicarmo M.R. Ferretti UFMA/Brasil Resumo O Brasil é freqüentemente apresentado como uma nação formada por três raças: a branca, representada

Leia mais

HINÁRIO Transformação

HINÁRIO Transformação HINÁRIO Transformação Tema 2012: Flora Brasileira Pau-de-rosas (Physocalymma scaberrimum) www.hinarios.org Apolo 2 1 ORAÇÃO DA TRANSFORMAÇÃO Oh! Meu pai, livrai-me da autocomiseração e da preguiça. Dême

Leia mais

HINÁRIO O PASSARINHO. Tema 2012: Flora Brasileira Stifftia chrysantha. George Washington

HINÁRIO O PASSARINHO. Tema 2012: Flora Brasileira Stifftia chrysantha. George Washington HINÁRIO O PASSARINHO Tema 2012: Flora Brasileira Stifftia chrysantha George Washington 1 www.hinarios.org 2 I HOMENAGEM A SÃO JOÃO Neucilene 14/09/2001 Marcha Eu estou perante esta mesa Aqui dentro deste

Leia mais

OS MANDAMENTOS DE UM MÉDIUM UMBANDISTA Por Rubens Saraceni. Publicação no Jornal de Umbanda Sagrada Ed. 155 Abril/2013

OS MANDAMENTOS DE UM MÉDIUM UMBANDISTA Por Rubens Saraceni. Publicação no Jornal de Umbanda Sagrada Ed. 155 Abril/2013 OS MANDAMENTOS DE UM MÉDIUM UMBANDISTA Por Rubens Saraceni Publicação no Jornal de Umbanda Sagrada Ed. 155 Abril/2013 01 Amar a Olorum, aos Orixás e à Umbanda acima de todas as coisas e das outras religiões.

Leia mais

Kaingang: uma criança que cresce em tempo record...

Kaingang: uma criança que cresce em tempo record... Kaingang: uma criança que cresce em tempo record... Nossa infância,cada kaingang ao nascer já estará predestinado a vivenciar um mundo que tem dois fatores lados: primeiro, nascer dentro de uma comunidade

Leia mais

Estudar as heranças formativas que caracterizam a grande maioria das festas brasileiras;

Estudar as heranças formativas que caracterizam a grande maioria das festas brasileiras; Objetivos Estudar as heranças formativas que caracterizam a grande maioria das festas brasileiras; Estruturar o profissional de eventos para compreender os mecanismos formadores da identidade festiva do

Leia mais

Entendendo o que é Gênero

Entendendo o que é Gênero Entendendo o que é Gênero Sandra Unbehaum 1 Vila de Nossa Senhora da Piedade, 03 de outubro de 2002 2. Cara Professora, Hoje acordei decidida a escrever-lhe esta carta, para pedir-lhe ajuda e trocar umas

Leia mais

HAITI INTERCESSORES: AGENTES DE MUDANÇA. Tema

HAITI INTERCESSORES: AGENTES DE MUDANÇA. Tema 35 HAITI INTERCESSORES: AGENTES DE MUDANÇA Tema Eis o grito dos teus atalaias! Eles erguem a voz, juntamente exultam, porque com seus próprios olhos veem o retorno do Senhor a Sião. Rompei em júbilo, exultai

Leia mais

HINÁRIO. Glauco O CHAVEIRÃO. www.hinarios.org. Glauco Villas Boas 1 01 HÓSPEDE

HINÁRIO. Glauco O CHAVEIRÃO. www.hinarios.org. Glauco Villas Boas 1 01 HÓSPEDE HINÁRIO O CHAVEIRÃO Tema 2012: Flora Brasileira Allamanda blanchetii Glauco Glauco Villas Boas 1 www.hinarios.org 2 01 HÓSPEDE Padrinho Eduardo - Marcha Eu convidei no meu sonho Meu mestre vamos passear

Leia mais

A CAMINHADA DO POVO DE DEUS. Ir. KatiaRejaneSassi

A CAMINHADA DO POVO DE DEUS. Ir. KatiaRejaneSassi A CAMINHADA DO POVO DE DEUS Ir. KatiaRejaneSassi Os desafios da travessia Aqueles que viveram a maravilhosa experiência de conseguir libertar-se da dominação egípcia sentem no deserto o desamparo total.

Leia mais

Escola de Português Verão de 2015 Ano 13 Nível 2 Exercícios Semana 1 Parte 2 Revisão Verbos irregulares no pretérito perfeito do indicativo:

Escola de Português Verão de 2015 Ano 13 Nível 2 Exercícios Semana 1 Parte 2 Revisão Verbos irregulares no pretérito perfeito do indicativo: Escola de Português Verão de 2015 Ano 13 Nível 2 Exercícios Semana 1 Parte 2 Revisão Verbos irregulares no pretérito perfeito do indicativo: 1) Complete as frases abaixo com o pretérito perfeito dos seguintes

Leia mais

ESCOLA VICENTINA SÃO VICENTE DE PAULO Disciplina: Ensino Religioso Professor(a): Rosemary de Souza Gelati

ESCOLA VICENTINA SÃO VICENTE DE PAULO Disciplina: Ensino Religioso Professor(a): Rosemary de Souza Gelati ESCOLA VICENTINA SÃO VICENTE DE PAULO Disciplina: Ensino Religioso Professor(a): Rosemary de Souza Gelati Paranavaí / / 6º ANO A TEXTOS SAGRADOS: MENSAGENS E ORIENTAÇÕES Os textos escritos, orais e artísticos

Leia mais

Vivendo a Liturgia - ano A / outubro 2011

Vivendo a Liturgia - ano A / outubro 2011 Vivendo a Liturgia - ano A / outubro 2011 27ºDOMINGO DO TEMPO COMUM (02/10/11) Parábola dos Vinhateiros Poderia ser feito um mural específico para esta celebração com uma das frases: Construir a Igreja

Leia mais

CENTRO UNIVERSITÁRIO DO MARANHÃO COORDENAÇÃO DE ENFERMAGEM PROF.: ILANA MÍRIAN

CENTRO UNIVERSITÁRIO DO MARANHÃO COORDENAÇÃO DE ENFERMAGEM PROF.: ILANA MÍRIAN CENTRO UNIVERSITÁRIO DO MARANHÃO COORDENAÇÃO DE ENFERMAGEM PROF.: ILANA MÍRIAN Alinne Anne Ana Amélia Ataína Tajra Elsomaria Oliveira Flaviana Vilar Floriana Santos Germano Costa Letícia Sales NEOPENTECOSTALISMO

Leia mais