BNB Conjuntura Econômica Nº40

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1 BNB Conjuntura Econômica Nº40 Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste - ETENE 4. Mercado de Trabalho O cenário atual da economia brasileira, que experimentou queda sucessiva do PIB nos dois primeiros trimestres de 2014, parece não estar afetando negativamente, na mesma proporção, o mercado de trabalho, já que neste há uma situação de estabilidade, com baixa taxa de desocupação. Os dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para o agregado nacional (Junho/2014), mostram uma taxa de desocupação de apenas 4,8%. No Nordeste, Recife (6,2%) e Salvador (9,0%) apresentam uma taxa de desocupação acima da média nacional (Gráfico 1). 10,0 9,0 8,0 7,0 6,0 5,0 4,0 6,3 5,4 6,5 6,2 8,4 7,7 6,9 6,4 6,1 6,8 5,6 5,7 5,8 5,8 8,8 6,5 6,0 9,3 9,4 9,3 7,6 6,2 5,8 5,6 5,3 5,4 9,1 6,1 5,2 8,2 6,5 4,6 7,7 5,9 4,3 8,0 7,4 4,8 9,0 9,2 9,1 9,2 9,0 7,2 6,4 6,3 6,2 5,5 5,1 5,0 4,9 4,9 4,8 Agregado das RM Recife Salvador Gráfico 1 - Taxa de desocupação por Região Metropolitana Ao se analisar o gráfico, percebe-se que a taxa de desocupação no Brasil, após crescer nos dois primeiros meses do ano, vem apresentando pequenas quedas sucessivas, o que permite a consideração de que se trata de um momento de estabilidade, situação que ocorre também em Salvador. Apenas em Recife houve variação mais significativa em diferentes momentos do primeiro semestre de 2014.

2 jan/13 fev/13 mar/13 abr/13 mai/13 jun/13 jul/13 ago/13 set/13 out/13 nov/13 dez/13 jan/14 fev/14 mar/14 abr/14 mai/14 jun/14 Com relação ao nível de ocupação, percebeu-se, também, certa estabilidade, enquanto houve um leve declínio do rendimento médio real ao longo do primeiro semestre de 2014, embora tenha havido aumento do rendimento real em relação ao mesmo período de 2013 (Gráfico 2) , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,00 Gráfico 2 Evolução do rendimento médio real habitual da população ocupada a preços de agosto/2014 (R$): Janeiro 2013 a Junho No intuito de se avaliar qualitativamente o comportamento da taxa de desocupação no período analisado, é importante que se analise o comportamento de outras variáveis que compõem a PME, inclusive aquelas que compõem o cálculo da taxa de desocupação, tanto no agregado nacional, como no cenário local (Gráficos 3 e 4). Agregado das RMs Recife Salvador 2

3 jan/13 fev/13 mar/13 abr/13 mai/13 jun/13 jul/13 ago/13 set/13 out/13 nov/13 dez/13 jan/14 fev/14 mar/14 abr/14 mai/14 jun/14 jan/13 fev/13 mar/13 abr/13 mai/13 jun/13 jul/13 ago/13 set/13 out/13 nov/13 dez/13 jan/14 fev/14 mar/14 abr/14 mai/14 jun/ Pessoas economicamente ativas Pessoas ocupadas Pessoas desocupadas Gráfico 3 Evolução da população economicamente ativa, pessoas ocupadas e pessoas desocupadas no Brasil (mil pessoas): Janeiro 2013 a Junho Pessoas economicamente ativas Pessoas ocupadas Pessoas desocupadas Gráfico 4 Evolução da população economicamente ativa, pessoas ocupadas e pessoas desocupadas no Nordeste (mil pessoas): Janeiro 2013 a Junho Como se pode perceber, a População Economicamente Ativa (PEA) do agregado nacional apresentou trajetória de queda entre novembro/2013 e abril/2014, crescendo nos dois meses subsequentes. No caso da Região Nordeste 1, o comportamento foi semelhante, embora a trajetória de queda da PEA tenha sido interrompida um mês antes. Nesse período de queda da PEA, considerando tanto o cenário nacional, como o cenário regional, houve também queda no total de pessoas ocupadas e, consequentemente, aumento do total 1 Os dados referentes às regiões metropolitanas de Recife e Salvador foram somados e considerados como representantes da Região Nordeste para fins dessa análise. 3

4 de desocupados. Logo, a diminuição da taxa de desocupação, aparentemente, deve-se principalmente à redução da PEA. Uma discussão interessante seria sobre quais os motivos da queda observada na PEA em parte do período analisado, a qual merece um aprofundamento e diversas ponderações. Entretanto, numa primeira argumentação, pode-se considerar como fator explicativo de curto prazo o aumento recente da renda das famílias, especialmente a renda vinculada ao salário mínimo, o que permitiu que parte das pessoas optasse por não trabalhar ou trabalhar menos. Como fator explicativo de médio prazo, pode-se citar a busca por maior qualificação dos mais jovens, sustentada pelo aumento da renda das famílias e pelos programas governamentais de acesso ao ensino superior e técnico (aumento das vagas nas universidades públicas e institutos federais, programa de cotas, FIES, PROUNI, PRONATEC), entre outras questões. A análise do mercado de trabalho formal contemplada pelos dados do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (CAGED) divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostra cenário de certo arrefecimento na geração de vagas no primeiro semestre de No contexto nacional, foram criados 588,7 mil novos empregos formais no período, montante bem inferior ao observado no primeiro semestre de 2013, quando foram criadas 826,2 mil vagas no mercado de trabalho brasileiro. A maioria dos setores da economia nacional teve saldo positivo de geração de vagas, com exceção do comércio, que apresentou perda de vagas. Por outro lado, o mercado de trabalho do Nordeste apresentou perda de vagas de empregos formais, totalizando uma redução de 24,4 mil vagas de trabalho, resultado um pouco melhor do que o ocorrido no mesmo período do ano anterior, quando houve retração de 26,5 mil empregos com carteira assinada, segundo informações fornecidas pelo MTE (CAGED). Em termos estaduais, Pernambuco (-30,5 mil) e Alagoas (-35,2 mil) apresentaram as maiores perdas, influenciadas em ambos os estados pela retração na indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico, especialmente no setor sucroalcooleiro, puxando assim para baixo o saldo de empregos. Por outro 4

5 lado, entre os estados em que houve criação de novos empregos celetistas, destacaram-se a Bahia (24,6 mil) e o Ceará (10,9 mil), ambos com bom desempenho no setor de serviços, destacando-se também a Construção Civil no Ceará e a Agropecuária na Bahia. Com relação ao comportamento do mercado de trabalho nos grandes setores, a indústria (-68,1 mil) e o comércio (- 10,2 mil) foram os principais responsáveis pelo desempenho negativo regional, o qual foi minimizado pelo bom desempenho do setor de serviços na geração de vagas (61,0 mil). O cenário apresentado de saldo negativo de geração de empregos formais no Comércio, tanto em nível nacional, como em nível regional, representa um arrefecimento do nível de atividade do setor, vem em linha com a expectativa de baixo crescimento econômico em 2014, tendo em vista que o crescimento observado nos últimos anos baseou-se fortemente no consumo das famílias. Convém mencionar que, no Nordeste, além do setor de serviços, apenas a Administração Pública apresentou saldo líquido positivo de empregos nesse primeiro semestre. A Tabela 1 apresenta os dados do saldo dos empregos formais, por setor, no período Janeiro-Junho/2014, do Brasil, grandes regiões e estados do Nordeste. Tabela 1 Saldo Acumulado de Empregos Formais, por setores no Brasil, grandes regiões e estados do Nordeste: Janeiro a Junho de 2014 Extrativa Indústria de Construção Serviços Administração Variação (%) 1º S.I.U.P Comércio Agropecuária Total Mineral Transformação Civil Pública Sem14/1º Sem13 Brasil ,75% Norte ,25% Nordeste ,01% Maranhão ,93% Piaui ,47% Ceará ,04% Rio Grande do Norte ,42% Paraíba ,62% Pernambuco ,70% Alagoas ,47% Sergipe ,08% Bahia ,64% Sudeste ,38% Sul ,25% Centro-Oeste ,64% Fonte: MTE (2014). 5

6 Referências MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO - MTE. Evolução de Emprego do CAGED. Disponível em o.xhtml#relatoriosetoreco Acesso em 26 Set INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA IBGE. Pesquisa Mensal de Emprego Agosto Disponível em a/ Acesso em 25 Set

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