SESSÃO DE TERÇA-FEIRA, 23 DE SETEMBRO DE 2003

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1 2-001 SESSÃO DE TERÇA-FEIRA, 23 DE SETEMBRO DE PRESIDÊNCIA: VIDAL-QUADRAS ROCA Vice-Presidente (A sessão tem início às 09H05) Nomeação do Presidente do Banco Central Europeu Presidente. Segue-se na ordem do dia a recomendação (A5-0307/2003), em nome da Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários, referente à nomeação de Jean-Claude Trichet para o cargo de Presidente do Banco Central Europeu (10893/ C5-0332/ /0819(CNS)) (Relatora: Deputada Randzio-Plath) Magri, Conselho. (IT) Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, Senhores Comissários, é um prazer intervir hoje sobre um assunto de extrema importância para a União Europeia: a nomeação do Presidente do Banco Central Europeu. A criação do euro constitui um êxito considerável na história da integração europeia em termos, quer políticos, quer técnicos. O euro é uma divisa ainda relativamente nova, e é preciso que se use a experiência acumulada amplamente reconhecida do Banco Central Europeu para que continue a ser um êxito. Estamos agora, pela primeira vez, a substituir um Presidente do Banco Central Europeu. É crucial para o Banco Central Europeu e para o euro que a escolha do sucessor do Presidente Duisenberg seja levada a cabo de forma transparente e tenha por base exclusivamente os critérios estipulados no Tratado que institui a Comunidade Europeia e nos Estatutos do Sistema Europeu de Bancos Centrais e do Banco Central Europeu, devendo também contar com o assentimento deste último quanto ao candidato mais qualificado para o cargo. Ao nomear o sucessor, temos de reconhecer e felicitar o excelente trabalho desenvolvido pelo Presidente Duisenberg, e manifestar a nossa confiança de que o Banco Central Europeu continuará a desempenhar todas as suas funções de forma cabal, como até agora tem feito. A base jurídica para o procedimento de nomeação do novo Presidente do Banco Central Europeu é o número 2, alínea b) do artigo 112º e o número 4 do artigo 122º do Tratado que institui a Comunidade Europeia, bem como o número 2 do artigo 11º e o número 3 do artigo 43º do Protocolo do Estatuto do Sistema Europeu de Bancos Centrais e do Banco Central Europeu. Nos termos destas disposições, o Conselho ECOFIN Informação adoptou uma recomendação, a 15 de Julho de 2003, advogando a nomeação do Senhor Jean-Claude Trichet para Presidente do Banco Central Europeu para um mandato de oito anos, com efeitos a partir de 1 de Novembro de A recomendação foi enviada aos senhores deputados e ao Banco Central Europeu, de acordo com o estipulado no Tratado, de molde a que possam emitir o vosso parecer, antes de a recomendação ser apresentada aos Chefes de Estado e de Governo para decisão final. O Conselho de Governadores do Banco Central Europeu adoptou o seu parecer, a 31 de Julho, e transmitiu-o ao Conselho e ao Parlamento. Este parecer confirma que o Conselho de Governadores do Banco Central Europeu considera o candidato proposto uma personalidade de reconhecida competência e com experiência profissional nos domínios monetário ou bancário, nos termos do estipulado no número 2, alínea b) do artigo 112º do Tratado. Espero que o Parlamento Europeu concorde com o Conselho e o Banco Central Europeu que o senhor Jean- Claude Trichet é um excelente candidato para este importante cargo. A adopção do parecer do Parlamento permitirá aos Chefes de Estado e de Governo tomar uma decisão final sobre a tomada de posse do novo Presidente do Banco Central Europeu, dentro do prazo previsto na recomendação do Conselho Randzio-Plath (PSE), relatora. (DE) Senhor Presidente, recomendo ao Parlamento, em nome da Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários, que confirme a nomeação do Senhor Jean-Claude Trichet como o candidato indicado para o cargo de Presidente do Banco Central Europeu. O candidato apresentou uma declaração por escrito e deu explicações orais à comissão no decorrer de um processo de confirmação. Convenceu os membros da comissão não só no que diz respeito à sua integridade pessoal e à sua competência profissional, mas também no que concerne às suas ideias sobre a política económica e monetária na zona euro. Mostrou, simultaneamente, que está receptivo à exigência de maior transparência e responsabilidade democrática por parte do Banco Central Europeu. O Banco Central Europeu atingiu, agora, a maturidade, cinco anos depois da sua criação. A sua independência em termos políticos, económicos, financeiros, organizacionais e de recursos humanos está garantida e não será posta em causa pelo projecto do Tratado que estabelece uma Constituição para a Europa. O seu elevado grau de independência, superior ao da Reserva Federal Americana, significa que o BCE tem um elevado grau de responsabilidade na evolução macro-económica e social. Tal exige a maior transparência possível, no interesse da democracia e da política de integração. Por esta razão, a transparência das decisões e dos processos de tomada de decisão faz parte integrante do papel do Banco Central Europeu. Este esforço por alcançar a

2 2 23/09/2003 transparência reflecte-se no diálogo monetário trimestral com o Parlamento Europeu, nas publicações e nas decisões periódicas, mas também nos relatórios, nas conferências e na previsão da inflação, publicada semestralmente. Ocorreu, assim, uma espécie de revolução cultural na Europa. A cultura dos bancos centrais nacionais na Europa não tinha este tipo de transparência. Aliás, a transparência também é do interesse do BCE, visto que este ainda é uma instituição recente, dependendo, portanto, particularmente da criação e da consolidação da sua legitimidade, credibilidade e fidedignidade, enquanto autoridade europeia. Afinal, o sistema monetário de uma nação reflecte tudo o que este representa e tudo aquilo a que ela aspira e suporta, para citar um economista europeu muito importante, Josef Schumpeter. Penso que, na fase actual do debate, a inclusão da totalidade do Tratado de Maastricht no projecto de Tratado que estabelece uma Constituição para a Europa foi um passo correcto. O papel dos bancos centrais passou por uma mudança radical, ao longo dos séculos da sua existência, desde a sua forma privada de organização na história até à sua mudança de estatuto nos EUA, ao conceito de combate à inflação e ao papel de um banco emissor independente. É possível que ainda seja demasiado cedo para encontrar, hoje, respostas aos novos desafios. A tarefa consiste em definir o papel do Banco Central num mundo globalizado, dominado pelo negócio, pelo comércio e pelos mercados financeiros internacionais. Isto significa não só mercados dinâmicos, mas também riscos acrescidos e maiores para a estabilidade financeira internacional. Sendo assim, que papel podem e devem desempenhar os bancos centrais para contribuirem para a estabilidade financeira, para evitarem as crises financeiras e para prestarem ajuda? O BCE está apetrechado para desempenhar um papel de mutuante de último recurso? É isto que pretendemos? O euro realçou o estatuto internacional da Europa. O BCE terá de desempenhar um papel cada vez maior na definição e na implementação de políticas adequadas à economia global. Estamos preocupados com o desequilíbrio dramático na economia dos EUA e com os riscos que tal pode implicar para qualquer outra parte do mundo, a médio e longo prazo. Muitas das questões relacionadas com a futura política do BCE estão ligadas à nomeação do seu novo Presidente. Elas incluem a definição da estabilidade dos preços, assim como a questão dos instrumentos da política monetária. A manutenção da estabilidade dos preços como objectivo prioritário não pode levar a que o BCE retire o apoio ao crescimento e ao emprego da sua lista de tarefas. A política monetária não é neutra; por conseguinte, o BCE, enquanto agente macro-económico, tem de desempenhar um papel na coordenação das políticas europeias. Neste sentido, a disponibilidade para se empenhar numa coordenação retroactiva não é suficiente. Terão de ser tomadas decisões sobre esta questão e o novo impulso tem de vir do novo Presidente. O Parlamento Europeu espera igualmente outras medidas no sentido de uma maior transparência, desde a publicação de relatórios sumários de decisões que incluam os argumentos a favor e contra as decisões adoptadas até aos resultados (anónimos) da votação no Conselho de Governadores do BCE. O que é importante é que exista uma política monetária aberta e transparente, na qual o acesso aos processos de tomada de decisões seja um dado adquirido, porque isto é de todo o interesse para nós e para o bem comum. O futuro Presidente pode basear-se no trabalho bem sucedido do primeiro Presidente do BCE, Wim Duisenberg. Os deputados do Parlamento Europeu estão confiantes de que irá enfrentar os novos desafios e de que será capaz de encontrar as soluções certas. (Aplausos) Karas (PPE-DE). (DE) Senhor Comissário, Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, o meu grupo possui três critérios para a política económica e monetária, de acordo com os quais também avaliamos a proposta para o novo Presidente do Banco Central Europeu. Só na semana passada, nos nossos dias de estudo em Madrid, é que redefinimos e estabelecemos, mais uma vez, os pontos decisivos da nossa política. O primeiro consiste num aval claro e inequívoco do Pacto de Estabilidade e de Crescimento. Consideramos o Pacto de Estabilidade e de Crescimento como o quadro regulamentar para as políticas orçamentais dos Estados-Membros. Consideramo-lo uma condição prévia para a estabilidade dos preços e, por conseguinte, para um crescimento sustentável e para a criação de empregos. O Pacto de Estabilidade e de Crescimento constitui uma força propulsora para as reformas, assim como a base para alcançar mais transparência nas situações orçamentais nos Estados-Membros. Ele constitui também uma orientação no caminho a percorrer pelos novos países candidatos para a moeda comum, permitindo-lhes aderir plenamente ao euro. A nossa segunda pedra angular é a independência do BCE. Esta independência tem de se exprimir através da continuação das políticas que foram dirigidas pela mão firme de Wim Duisenberg. Ela tem de se exprimir através da continuidade, da confiança, da credibilidade, do profissionalismo, do espírito de equipa e da atenção em relação à mudança, assim como através da clareza nas suas decisões e de uma grande capacidade de comunicação. Em terceiro lugar, o nosso grupo diz um claro sim à moeda única. A moeda única constitui a base para um mercado interno que funcione e para a transformação do mercado interno num mercado doméstico. São também estes os critérios que aplicamos na avaliação do candidato. Nas suas declarações escritas, assim como nas respostas orais, ele exprimiu um apoio inequívoco aos princípios do Pacto de Estabilidade e de Crescimento, à estabilidade dos preços, à independência e à moeda única, rejeitando quaisquer tentativas de os

3 23/09/ sabotar como um enfraquecimento da estabilidade da moeda, da estabilidade dos preços e de uma política em prol do crescimento e do emprego. Quando foi questionado sobre os princípios orientadores mais importantes, o senhor Jean-Claude Tichet disse e passo a citar: O mais alto nível de credibilidade na prossecução do objectivo da estabilidade dos preços, a independência, pretendida pelo Tratado CE, perante todo o poder ou grupo de influência, qualquer que seja a sua natureza; finalmente, o realismo e o pragmatismo na avaliação de um ambiente financeiro e económico em rápida mudança, devido às novas tecnologias e às mudanças no comportamento dos agentes económicos. Em segundo lugar, ele disse: A estabilidade dos preços constitui, efectivamente, uma condição necessária para o crescimento e a criação de emprego duráveis. Ele deixou claro que a estabilidade dos preços não basta em si mesma e que tem de ser complementada por uma política orçamental sensata, por um equilíbrio adequado entre o aumento de produtividade e a moderação do crescimento nominal das remunerações e por reformas estruturais urgentemente necessárias. Chamou a atenção para o facto de o Pacto de Estabilidade e de Crescimento estabelecer o projecto global e as regras comuns para as diversas políticas económicas dos Estados-Membros. Por conseguinte, todas as suas respostas revelaram que ele reconheceu e afirmou claramente que os nossos princípios são correctos. Por esta razão, o meu grupo também aprovará a sua nomeação. (Aplausos do Grupo PPE-DE) Goebbels (PSE). (FR) Senhor Presidente, Senhor Comissário, caros colegas, o Grupo Socialista, na sua grande maioria, dará o seu voto favorável a Jean-Claude Trichet. Jean-Claude Trichet foi um dos arquitectos do Tratado de Maastricht e é, sem dúvida, um homem com competência para dirigir o Banco Central Europeu. Mas, justamente porque foi, de certo modo, um dos inventores dos critérios de Maastricht que levaram à adopção do euro por 12 países da União, sabe melhor que ninguém que esses critérios, transferidos, praticamente sem modificações, para o pacto de estabilidade, nada têm de científico: resultam de um compromisso político que reflecte a realidade económica e os equilíbrios políticos da época. O pacto de estabilidade não decorre de uma ciência exacta: tal como qualquer pacto livremente aceite, deve ser respeitado. Todavia, este pacto não é sagrado, como se poderia pensar ao ouvir o colega Karas. Pode e deve ser melhorado, como o Comissário Monti declarou, numa entrevista: é mais que tempo de fazer de um pacto de estabilidade inteligente um pacto de estabilidade e de crescimento ainda mais inteligente. O Grupo do Partido dos Socialistas Europeus é a favor de uma política de estabilidade. A luta contra a inflação é essencial para defender, nomeadamente, os nossos cidadãos mais pobres. Contudo, como salientou o Presidente italiano, Carlo Ciampi, não pode haver estabilidade sem crescimento nem crescimento sem estabilidade. Esta dupla política é, portanto, necessária. O Banco Central Europeu deve lutar contra a inflação mas também contra a recessão. Dispõe de critérios objectivos para lutar contra a inflação mas não dispõe de nenhum para lutar contra a recessão. Para além disso, o Banco Central Europeu deve apoiar as outras políticas económicas da União: neste aspecto, a luta contra a inflação é primordial mas insuficiente. A Europa tem de tomar uma posição mais determinada. Não podemos limitar-nos a reclamar, constantemente, a estabilidade. Devemos, do mesmo modo, investir no crescimento, consagrar mais fundos à investigação e desenvolvimento, às infra-estruturas na Europa, ao ensino e à formação contínua. Esperemos que o Banco Central Europeu, com o seu novo presidente, apoie de forma adequada essa política Lipietz (Verts/ALE). (FR) Senhor Presidente, caros colegas, quando o rei de França Luís XIV morreu, os Franceses mostraram grande entusiasmo pelo seu sucessor, Luís XV. Também nós queremos receber com grande entusiasmo Jean-Claude Trichet e votaremos a favor da sua nomeação, apesar de não haver mais razões objectivas para o apoiar do que havia para amar, por antecipação, Luís XV. A letargia do seu antecessor é a principal razão do nosso entusiasmo em relação a Jean- Claude Trichet. Jean-Claude Trichet dir-nos-á que, durante todo o seu mandato de vice-presidente, apesar de ser mandatado para apoiar, como tarefa secundária, os objectivos da União Europeia os objectivos de Lisboa e de Gotemburgo, a saber, o pleno emprego e o desenvolvimento sustentável considerava que, para obter esse apoio, bastava perseguir o primeiro objectivo, ou seja a estabilidade de preços. Consequentemente, durante os três anos e meio do seu mandato, para a mesma taxa de inflação que os Estados Unidos tivemos resultados muito piores do que os Americanos no domínio do investimento e da estabilidade. Espero que Jean-Claude Trichet não diga: "Basta que isto dure enquanto eu cá estiver, depois, seja o que Deus quiser!" Abitbol (EDD). (FR) Senhor Presidente, tal como a maioria do meu grupo e, em todo o caso, todos os Franceses do Grupo para a Europa das Democracias e das Diferenças, votarei contra a nomeação de Jean- Claude Trichet para a presidência do Banco Central Europeu, apesar de me terem explicado que não é costume votar contra um compatriota. Porém, como todos vimos, Jean-Claude Trichet abjurou a nacionalidade na Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários, dizendo "I'm not a frenchman", para obter as boas graças da Comissão, e parece que o conseguiu.

4 4 23/09/2003 A razão da nossa oposição é, todavia, mais profunda. Jean-Claude Trichet, como todos os Franceses sabem, é um dos instigadores de uma política que sacrifica, que sacrificou e que continuará deliberadamente a sacrificar o crescimento ao dogma malthusiano da estabilidade. De há dez anos a esta parte pagamos com um ponto de crescimento por ano a política monetária do Banco Central e devo confessar que me surpreende, Senhor Deputado Alain Lipietz, que se tenha tornado um monárquico tão convicto. Durante os trabalhos da Convenção Europeia, tentámos, o senhor deputado Katiforis e muitos outros, quase todos os socialistas, os Verdes, mudar esse dogma e propor que, na nova Constituição Europeia, ao crescimento fosse conferida a mesma ambição que à estabilidade. Falhámos e julgo que o Parlamento ou, pelo menos, os Deputados que travaram esse combate, poderiam recuperar alguma dignidade abstendo-se quanto à nomeação de Jean-Claude Trichet, a tal ponto ele simboliza essa política que causou e continua a causar tanto prejuízo, como quotidianamente observamos, à economia europeia Villiers (PPE-DE). - (EN) Senhor Presidente, irei abster-me da votação sobre a nomeação de Jean-Claude Trichet, em parte, porque, como o Reino Unido não faz parte da zona euro, tendo a ser cauteloso ao falar sobre questões de organização interna relacionadas com euro, e, em parte, porque me sinto dividido em relação à sua nomeação. O Senhor Jean-Claude Trichet é, sem dúvida, excepcionalmente talentoso, competente e inteligente como governador de um banco central. No entanto, ao terminarmos as nossas discussões na comissão, pareceu-me que, apesar dessas qualidades, não tinha verdadeiramente nada de novo para dizer sobre o euro. Não apresentou respostas para alguns dos problemas económicos reais que estamos a observar na zona euro. Estão a registar-se níveis crescentes de desemprego na Alemanha e em França, dois países cujas economias estão a enfrentar problemas, na medida em que nenhum deles está a cumprir as regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento. Existem, manifestamente, problemas económicos reais na zona euro e nada do que o Sr. Jean- Claude Trichet disse me leva a crer que tenha capacidade para os resolver. Não foi para mim surpresa nenhuma constatar que os Suecos votaram contra a abolição da sua moeda nacional. As dificuldades económicas que continuam a verificar-se na zona euro são uma das muitas razões pelas quais o Reino Unido não deve, também, abolir a sua moeda nacional. Por estas razões, irei abster-me na votação sobre a nomeação de Jean-Claude Trichet Berès (PSE). (FR) Senhor Presidente, não serei mais monárquica que Robert Goebbels ou Alain Lipietz e, assim, vou apoiar a nomeação de Jean-Claude Trichet devido às suas competências profissionais. Creio que, entre os governadores dos bancos centrais da zona euro, as suas qualidades são unanimemente reconhecidas. Possui todas as capacidades para ser um presidente rigoroso do BCE. Não terá a nota máxima pela política monetária que vai desenvolver, mas ainda não encontrei nenhum governador de um banco central aberto a uma política monetária diferente. Parece-me, portanto, que temos de procurar uma alteração da política económica e monetária da zona euro noutro lado. Permita-me complementar a minha posição com três observações. A primeira é que espero e, para já, não disponho de elementos para poder afirmar que tal se confirmará, que Jean-Claude Trichet seja mais aberto ao que devemos chamar coordenação das políticas económicas. Como actor da assinatura do Tratado de Maastricht, sabe muito bem que esse Tratado assenta em dois pilares: a união monetária e a união económica. Esta união económica não pode funcionar sem governos capazes de compreender que a sua política orçamental e fiscal é do interesse comum. O papel do governador do Banco Central, hoje, se não quiser ser constantemente o bode expiatório, é recordar aos governos essa responsabilidade. Dizer aos governos que podem dispensar a coordenação das políticas económicas seguindo simplesmente uma política monetária e instando-os apenas a proceder a reformas estruturais não permitirá à zona euro encontrar um verdadeiro potencial de crescimento baseado em investimentos na investigação, no desenvolvimento e no ensino. A minha segunda observação é que, se pretendemos restabelecer a confiança, precisaremos dessa coordenação das políticas económicas e não apenas de um banco central que aplique os critérios de forma rigorosa. Finalmente, aproveitarei o debate desta manhã para manifestar a minha estupefacção e preocupação perante a posição que ontem tomou o Banco Central Europeu ao solicitar que, entre os objectivos do projecto de Constituição, figurem um crescimento não inflacionista e a estabilidade de preços. Parece-me que o equilíbrio da redacção do artigo 3º tal como saído da Convenção é absolutamente satisfatório e que seria perigoso seguir, nessa matéria, o Banco Central Pex (PPE-DE). (NL) Senhor Presidente, uma audiência com o presidente ou um governador do Banco Central deixa sempre muito a desejar, já que a pessoa em causa tem de ter o maior cuidado em público por virtude do seu cargo. Quanto ao resto, apreciei a sua competência. Baseando-me na resposta ao questionário preparado pela Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários, cheguei à conclusão de que o Sr. Jean- Claude Trichet é uma espécie de clone do Sr. Win Duisenberg. Creio que será óptimo se esta comparação se mantiver válida a longo prazo. A diferença entre um e outro foi de ordem linguística. É que, em questões de política monetária, a psicologia é importante. O Sr. Duisenberg nunca falava neerlandês, porque o inglês é a principal língua do BCE e, a meu ver, o Sr. Jean-Claude Trichet falou demasiado francês durante a audiência.

5 23/09/ Espero que isto não signifique que irá ser um pouco francês demais de um ponto de vista funcional, porque desejamos que ele defenda a causa do euro numa linguagem clara em Paris. O euro só existirá se as pessoas tiverem confiança na sua moeda. Para isso acontecer, é necessário que haja uma aplicação rigorosa das regras do Pacto de Crescimento e Estabilidade. Foi com grande prazer que constatei que o Sr. Jean-Claude Trichet é da mesma opinião e irá prosseguir a política do Sr. Wim Duisenberg. É extremamente importante aderirmos às regras do Pacto de Crescimento e Estabilidade sem jogos políticos e sem interpretarmos as regras de modo a promovermos os nossos próprios interesses. Aqueles que defendem que se adopte uma abordagem flexível dessas normas para promover o crescimento - estou a pensar, concretamente, no Senhor Primeiro-Ministro Raffarin, por exemplo - negam, ou não compreendem, ou, o que é ainda mais grave, não querem compreender que as percentagens mencionadas no Pacto de Crescimento e Estabilidade já têm uma componente estrutural que actua em todos os movimentos da economia. Espero que o Sr. Jean-Claude Trichet continue a seguir esta linha no futuro e que seja coerente quando chegar o momento de aplicar as regras, e, também, que fale claramente sobre este assunto em Paris. Espero que a Comissão Europeia faça o mesmo e, caso necessário, aplique sanções aos Estados-Membros que não cumpram as regras. Uma política rigorosa promove a credibilidade da união monetária e a confiança no nosso euro. Segundo a economia clássica, die Massengewohnheit der Annahme [o costume de aceitação das massas] está na base do funcionamento do dinheiro. O nosso desejo de utilizar o euro na União Europeia tem de ser confirmado e tem de aumentar de dia para dia Santos (PSE). Senhor Presidente, a substituição do senhor Wim Duisenberg não será uma tarefa fácil porque o actual presidente liderou com sucesso o Banco Central no período de criação da moeda única e, sobretudo, porque começa a ser inadiável a exigência de uma política monetária mais generosa para o crescimento económico. Nas respostas que deu à Comissão Parlamentar, o senhor Jean-Claude Trichet acentuou, entre outros, como princípio fundamental, o realismo e o pragmatismo na tomada em consideração do ambiente económico e financeiro em mutação muito rápida. Ora, é esse realismo e pragmatismo que se espera do novo presidente. Os cidadãos europeus reclamam mais crescimento económico e mais emprego. A maioria dos políticos que os representam exige mais flexibilidade orçamental e compreensão monetária perante a situação de crise económica que a Europa atravessa. Não ouvir nem atender a estas preocupações, para lá de nada resolver, terá inevitavelmente o custo de reforçar a descredibilização da moeda única e, por arrastamento, o enfraquecimento da adesão dos cidadãos à União Económica e Monetária. O resultado do referendo na Suécia e as recentes sondagens sobre o nível de adesão dos noruegueses à Europa são um sério aviso. Não é possível continuar a ignorar que os cidadãos começam a pensar que o euro tem um custo demasiado elevado para a Europa. O pacto de estabilidade e crescimento, de que a Comissão é guardiã e o Banco Central Europeu feroz defensor, corresponde a uma ideia generosa e fundamental, mas está elaborado de forma deficiente porque não responde a situações de crise como a actual. Mais importante que o nível do défice é a definição das grandes linhas de orientação para a despesa pública, e o pacto ignora este princípio. Uma coisa é promover o défice para baixar impostos, o que isoladamente tem uma escassa utilidade económica e gera sempre iniquidades, outra bem diferente é aceitar o défice como resultado de políticas de investimento verdadeiramente relançadoras da economia. É certo que os benefícios keynesianos do aumento da despesa pública se esgotam a partir de determinado nível, mas também é verdade que as sucessivas iniciativas para o crescimento económico que se anunciam, sendo absolutamente indispensáveis para a recuperação, nunca serão possíveis sem o aumento da despesa pública. É, aliás, muito estranho que tanto se fale hoje de iniciativas para o crescimento económico, quando ainda estão muito longe as reformas e os objectivos que, com esta mesma finalidade, foram definidos na estratégia de Lisboa. Pede-se, pois, ao BCE o realismo e o pragmatismo que o seu futuro presidente reconhece ser necessário para que um sistema económico, o da moeda única e da política monetária comum, laboriosa e dificilmente construído, não corra o risco de desabar. Esta é, aliás, a responsabilidade do senhor Jean-Claude Trichet. Boa Sorte! Radwan (PPE-DE). (DE) Senhor Presidente, também eu gostaria de exprimir o apoio ao senhor Jean-Claude Trichet em nome da CSU. Tal deve-se, antes de mais, à sua competência profissional e, em segundo lugar, às suas qualidades pessoais, porque ele irá prosseguir a tradição estabelecida pelo senhor Wim Duisenberg. Embora a minha estimadíssima colega Villiers tenha criticado o senhor Jean-Claude Trichet por ele não ter nada de novo a dizer, é precisamente isto que procuramos. Queremos que ele se empenhe na continuidade como Presidente do BCE. Isto aplica-se especialmente às tarefas centrais do BCE inflação baixa, um compromisso em prol da independência do BCE e a luta pela defesa do Pacto de Estabilidade. Neste contexto, espero especialmente que, enquanto francês, ele seja exigente com o seu país natal. Espero igualmente que os dois Comissários que estão hoje no Plenário como nossos convidados, o senhor Comissário Solbes e o senhor Comissário Bolkestein, lutem pelo cumprimento do Pacto de Estabilidade. A Suécia mostrou-nos como uma política orçamental errada nos Estados-Membros pode influenciar o voto. O que me desagrada realmente neste debate é a crítica

6 6 23/09/2003 constante ao BCE. O BCE está a ser responsabilizado pelo cumprimento dos objectivos de Lisboa. A responsabilidade principal pelo cumprimento dos objectivos de Lisboa não é do BCE, nem da Comissão. Estas instituições podem contribuir ambas para o processo, mas são os Estados-Membros que têm a responsabilidade principal e perdeu-se aqui muito tempo porque os Estados-Membros não fizeram os seus trabalhos de casa. Gostaria de pedir a todos os senhores que responsabilizam regularmente o BCE e que exprimem a sua crítica em relação a este que sejam tão ou mais críticos em relação às falhas dos Estados-Membros. Penso que isto nos levaria muito mais longe. (Aplausos) Katiforis (PSE). (EL) Senhor Presidente, a nomeação do novo Presidente do Banco Central Europeu e o respectivo parecer do Parlamento Europeu representam o exercício prático da soberania dos povos europeus e devem ser encarados com a devida seriedade. Desejaríamos que a nomeação pudesse um dia ser feita exclusivamente pelo Parlamento, pois teria maior validade e maior peso. A Assembleia tem hoje diante de si o parecer positivo da Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários e não restam dúvidas quanto à competência profissional do candidato. Pelo contrário, a sua extraordinária carreira até aos dias de hoje é uma garantia total da sua competência pessoal. Infelizmente, o mesmo não se pode dizer sobre a filosofia económica que o candidato a Presidente do Banco Central Europeu defendeu tão obstinadamente perante a Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários. Ainda agora me custa a compreender como é que um economista com a enorme experiência de Jean-Claude Trichet pode defender que, em tempos de estagnação económica prolongada, o aumento da despesa pública pode prejudicar a recuperação da economia. Recorreu a vários sofismas teóricos para o justificar, embora seja sabido, pelos menos desde 1910, que o antídoto clássico para a depressão e para o desemprego é a realização de obras públicas. Imagino que até Jean- Claude Trichet há-de convir que, sem investimento, a máquina da economia não pode recomeçar a trabalhar e imagino que ele próprio se dará conta dos atrasos registados ao nível do investimento privado bem como da necessidade de impulsionarmos o investimento público, como acabaram por compreender, ainda que tardiamente, o Presidente Chirac e o Chanceler Schröder. No entanto, se a persistência nesta filosofia foi motivo suficiente para votar contra a nomeação de Jean-Claude Trichet na semana passada, receio muito que tenha deixado de o ser porque entretanto o povo sueco disse não ao euro, obrigando-nos a juntarmo-nos todos em torno dos símbolos da estabilidade da moeda única, e é essa a razão pela qual me sinto na obrigação e penso que falo pelo menos em nome dos meus colegas gregos que pensam como eu de votar a favor de Jean-Claude Trichet e de lhe dar o meu apoio. Em todo o caso, espero que os acontecimentos nos obriguem a adoptar uma posição e uma atitude diferentes, porque os governadores dos bancos centrais não podem servir-se da sua posição para dizer, como dizia o Sr. Lipietz, "après moi le déluge", [depois de mim o dilúvio] nem podem dizer "avant moi le déluge, pendant moi le déluge, et après moi Dieu nous sauve" [antes de mim o dilúvio, durante o meu mandato o dilúvio e, depois de mim, Deus nos acuda!] Magri, Conselho. (IT) Senhor Presidente, gostaria de agradecer aos deputados a atenção e autoridade de que deram mostra nas suas intervenções. Temos o orgulho, a honra, o privilégio e a consciência de fazer parte da transição para uma União Europeia alargada e, hoje, testemunhamos um momento que é seguramente importante para o reforço e a estabilidade da Europa. Ao reiterar o apoio do Conselho à candidatura do senhor Jean-Claude Trichet, gostaria de assegurar ao Parlamento que transmitirei todas as opiniões aqui expressas, hoje, positivas e negativas, aos meus colegas do Conselho. Permitam-me que conclua com uma palavra de encorajamento: gostaria de citar Séneca, que disse na Providência que, felizmente, com frequência, as provas difíceis recaem sobre os homens capazes de as superar. Estou convicto de que será esse o caso Presidente. Está encerrado o debate. A votação terá lugar hoje às 11H Patenteabilidade dos inventos que implicam programas de computador Presidente. Segue-se na ordem do dia o relatório (A5-0238/2003) da deputada McCarthy, em nome da Comissão dos Assuntos Jurídicos e do Mercado Interno, sobre a proposta de directiva do Parlamento Europeu e do Conselho relativa à patenteabilidade dos inventos que implicam programas de computador (COM(2002) 92 C5-0082/ /0047(COD)) Bolkestein, Comissão. - (EN) Senhor Presidente, em nome da Comissão, gostaria de começar por agradecer à senhora deputada McCarthy, relatora para este assunto complexo e técnico, mas importante, o excelente trabalho que fez ao elaborar este relatório. Gostaria igualmente de agradecer aos relatores da Comissão para a Cultura, a Juventude, a Educação, os Meios de Comunicação e os Desportos, e da Comissão da Indústria, do Comércio Externo, da Investigação e da Energia, que deram também um contributo importante para o trabalho do Parlamento sobre esta questão.

7 23/09/ Os computadores estão a tornar-se cada vez mais omnipresentes no nosso quotidiano e, para além da máquina que temos em quase todos os nossos gabinetes e em muitos dos nossos quartos de dormir, os micro-chips são agora comuns em aparelhos que utilizamos diariamente, tais como máquinas de barbear eléctricas, automóveis e fornos de micro-ondas. Por conseguinte, a questão da definição da patenteabilidade dos inventos que implicam programas de computador está a tornar-se cada vez mais importante, especialmente porque se calcula que esses inventos representam 15% dos novos pedidos de patentes. Com efeito, a patenteabilidade potencial dos inventos que implicam programas de computador já é aceite, na prática, pelo Instituto Europeu de Patentes. A directiva proposta não pretende abolir essa prática nem alargá-la de modo a abranger o registo de patentes de programas de computador puros. Com efeito, muitas pessoas têm afirmado, erradamente, que a directiva introduz, pela primeira vez, a noção de patenteabilidade de inventos relacionados com programas de computador nas práticas da União Europeia relativas a patentes. Não é verdade. Por conseguinte, é com grande satisfação que constato que a relatora conseguiu superar esses equívocos e produzir um relatório altamente construtivo que procura reforçar o objectivo apresentado pela Comissão na sua proposta original, nomeadamente, esclarecer o âmbito da patenteabilidade de inventos que incorporem programa de computador e, com base nas práticas existentes, harmonizar em toda a União Europeia uma proposta que visa alcançar a harmonização e esclarecer. No entanto, não passará a ser possível patentear nada que não seja já patenteável. É neste espírito que a Comissão saúda as alterações ao texto propostas no relatório da senhora deputada McCarthy como mais um passo no sentido de esclarecer o objectivo visado. Aqueles que se opõem à directiva montaram uma campanha muito eloquente e por vezes, mesmo, pessoal, baseada em meias-verdades e equívocos, que procura tirar partido de preocupações legítimas quanto à competitividade, especialmente no que se refere às pequenas empresas. Mas a verdade é que a proposta não introduz patentes para programas de computador e não irá ter todos os efeitos terríveis que os profetas da desgraça nos querem fazer crer. É uma medida prudente e cautelosa que irá esclarecer e, quando muito, tornar mais rigorosas as regras que já existem. Estou ciente de que foi apresentado um elevado número de alterações ao relatório da senhora deputada McCarthy, muitas das quais procuram introduzir novamente ideias e temas que já foram examinados e rejeitados pela comissão na fase de preparação do relatório. São focados alguns pontos interessantes mas, de um modo geral, lamento que a maioria das alterações apresentadas não podem ser aceites pela Comissão. Esta situação preocupa-me muito: muitas das alterações são fundamentais. Há uma probabilidade muito real de a proposta não ir para a frente se o Parlamento decidir aceitá-las. Se isso acontecer, receio duas consequências possíveis, nenhuma das quais, creio, foi prevista por alguns deputados deste Parlamento, e nenhuma das quais contribui para a consecução dos objectivos que parecem estar por detrás de algumas das novas alterações. Em primeiro lugar, se não houver nenhuma harmonização a nível comunitário, o Instituto Europeu de Patentes e os vários institutos nacionais de patentes poderão continuar a utilizar livremente a sua prática actual de emitir patentes para inventos que implicam programas de computador, patentes essas que desvirtuam ou constituem até uma violação da exclusão de patenteabilidade dos programas de computador prevista no artigo 52º da Convenção sobre a Patente Europeia. Daí resultará não só a manutenção de uma situação de incerteza jurídica e divergência para os inventores, mas também um retrocesso em relação à posição adoptada por quase todas as pessoas nesta Assembleia, e, acima de tudo, pela própria Comissão, que consiste, concretamente, em continuar a excluir da patenteabilidade o software (programas de computador) puro. Não queremos que isso aconteça. A proposta rejeita-o. Em segundo lugar, na ausência de harmonização a nível comunitário, os Estados-Membros irão, provavelmente, em vez disso, procurar assegurar a harmonização a nível europeu. Permitam-me que explique o que quero dizer com esta observação. Ao contrário do que se passa em muitos outros domínios, o das patentes é invulgar pelo facto de, em consequência de existir uma Convenção sobre a Patente Europeia e de ter sido criado um Instituto Europeu de Patentes, já haver um sistema de patentes supranacional que abrange toda a União Europeia e mesmo outros países. Este sistema pode funcionar independentemente do processo legislativo da Comunidade. Se não conseguirmos assegurar a harmonização, na União Europeia, da legislação em matéria de patentes relativa a inventos que implicam programas de computador, é muito possível que nos vejamos confrontados com a necessidade de renegociar a Convenção sobre a Patente Europeia. O processo da renegociação dessa Convenção não exigirá qualquer participação deste Parlamento. A situação é clara: o objectivo é só um, mas são vários os meios de o realizarmos. Ou o fazemos utilizando o método comunitário, ou nos colocamos em segundo plano e ficamos a assistir enquanto os Estados-Membros vão para a frente no contexto de um tratado intergovernamental. É evidente que agirmos através deste Parlamento dará aos cidadãos europeus uma maior oportunidade de manifestarem as suas opiniões relativamente à legislação em matéria de patentes, uma área tão importante para a nossa economia.

8 8 23/09/ PRESIDÊNCIA: ONESTA Vice-presidente Presidente. Obrigado, Senhor Comissário. Sei que o Parlamento o escutou com a maior atenção, sobretudo a sua última frase McCarthy (PSE), relatora. - (EN) Senhor Presidente, a proposta da Comissão sobre a patenteabilidade dos inventos que implicam programas de computador que estamos a debater neste Parlamento não é, tal como sugeriram alguns oponentes da directiva, um fenómeno novo. Também não preconiza o registo de patentes de programas de computador, nem o alargamento da patenteabilidade ou do âmbito de protecção nesta área. A realidade é que o Instituto Europeu de Patentes e os próprios institutos nacionais de patentes já emitiram cerca de patentes relativas a inventos que implicam programas de computador. Tal como disse o Senhor Comissário, os inventos que implicam programas de computador estão presentes em aparelhos utilizados no dia-a-dia, desde dispositivos de segurança como as almofadas de ar (airbags) dos automóveis até aos telemóveis, máquinas de lavar e uma lista interminável de outros dispositivos cuja importância vai muito além das indústrias tradicionais de computadores e se faz sentir no cerne dos nossos sectores fabris. Sejamos claros: sem esta directiva, continuarão a ser apresentados pedidos de patentes. Em mais de pedidos recebidos pelo IEP em 2001, relacionavam-se com inventos na área das tecnologias que implicam programas de computador. Nos Estados Unidos, e cada vez mais no Japão, têm sido, infelizmente, concedidas patentes relativas a produtos que são essencialmente verdadeiros programas de computador. Uma directiva da UE, ao estabelecer limites para a patenteabilidade nesta área, poderá travar a tendência que se verifica na Europa para um estilo liberal de registo de patentes de software semelhante ao americano e, mesmo, de registo de patentes de procedimentos comerciais puros. Um exemplo frequentemente citado deste tipo negativo de patentes é o método de compras de um só clique da Amazon. Não se trata, manifestamente, de uma tecnologia nova, nem única, e patentear procedimentos comerciais relacionados com software deste tipo não contribui para a inovação nem para a concorrência. É de lamentar que o IEP tenha concedido uma patente para aquele produto: trata-se de um exemplo de prática incorrecta do IEP. Os inventos que implicam programas de computador - os inventos genuínos que, em alguns casos, são fruto de 10 a 15 anos de investimento em I&D - são sem dúvida importantes para a economia europeia. Numa altura em que muitas das nossas indústrias tradicionais estão a migrar para a China e para o Extremo Oriente, é necessário que possamos confiar na nossa inovação e na nossa capacidade de invenção para ganharmos a vida. Vi cartas de pequenas empresas de toda a Europa que apoiam esta directiva. Uma pequena empresa belga com cerca de 12 trabalhadores escreveu-me dizendo que necessita de patentes para obter receitas dos seus investimentos, para garantir o crescimento da empresa e para assegurar que os outros respeitem a sua tecnologia. É importante para muitas empresas europeias assegurarem o crescimento da sua actividade através das receitas provenientes de patentes e licenças. É este, também, o caso de uma empresa de 10 trabalhadores do Sudoeste de Inglaterra, situada numa zona em situação económica difícil em que o desemprego é elevado. Esta empresa concedeu uma licença a uma multinacional americana para a utilização das suas patentes de software de reconhecimento de voz, o que demonstra que, no mundo das patentes globais, há exemplos de casos em que David se encontra com Golias. Sem a protecção de patentes esta pequena empresa poderia ter-se encontrado na situação perversa de ver os seus esforços no domínio da I&D serem livremente aproveitados pela multinacional que, com a sua equipa de advogados especializados em patentes teria conseguido obter a patente naquela área. Por conseguinte, a empresa europeia não teria colhido os benefícios do seu trabalho e, na realidade, poderia ter havido uma violação de uma patente pertencente a uma multinacional. Apresentei, no meu relatório, alterações destinadas a sublinhar a minha oposição ao registo de patentes de software enquanto tal. Queremos excluir explicitamente da patenteabilidade os procedimentos informáticos, algoritmos e modelos matemáticos, tal como se prevê num novo artigo 4º. Procurei produzir legislação equilibrada que tenha em conta as necessidades de todos os sectores da indústria, e não apenas de um sector mais eloquente que se opõe a esta directiva. Sou a primeira a admitir que é necessário aprofundar o debate sobre a legislação proposta e aperfeiçoá-la. Por conseguinte, peço à Comissão que pondere a questão central deste debate: como é que poderemos obter boa legislação em matéria de patentes que compense o investimento em I&D das nossas empresas mais inovadores e, simultaneamente, impeça as empresas de utilizarem patentes para abusarem de uma posição dominante, vedarem o acesso à tecnologia e asfixiarem a inovação e a concorrência? Peço, portanto, ao Senhor Comissário que examine as alterações apresentadas hoje em plenário. São alterações muito claras que sugerem, nos artigos 2º e 4º, que se limite a patenteabilidade a inventos genuínos. Queremos assegurar a interoperabilidade para permitir que os programadores utilizem práticas de descompilação para descompilar programas para fins experimentais, sem correrem o risco de cometer infracções e sem serem objecto de processos judiciais. É fundamental combatermos a noção de que as patentes são apenas para as grandes empresas: as pequenas empresas podem beneficiar, e efectivamente beneficiam, com a protecção de patentes. No entanto, para terem um mínimo de probabilidade de vingar numa actividade tão competitiva, é necessário que tenham acesso a patentes financeiramente comportáveis e ajuda

9 23/09/ ao nível dos honorários de advogados, a fim de protegerem e fazerem respeitar as suas patentes. Outras alterações visam assegurar que a concessão de uma patente não permita monopólios ou o abuso de uma posição dominante. Queremos, igualmente, proteger a comunidade de fonte aberta que dá um contributo vital para a competitividade na área do desenvolvimento de programas de computador. Por conseguinte, peço ao Senhor Comissário que pondere seriamente as alterações e que as veja no espírito em que foram elaboradas, isto é, como uma tentativa genuína de assegurar que a Europa introduza boa legislação em matéria de patentes no domínio dos inventos que implicam programas de computador. Isto não significa aceitar sem contestação más práticas na Europa, mas sim criar boas práticas para o futuro - boas leis, bons analistas de patentes, e um fim rápido para pedidos que não dizem nitidamente respeito a invenções. Queremos ainda assegurar que as multinacionais não dominem os nossos mercados europeus. Necessitamos de patentes para proteger os nossos inventos e as nossas empresas, de modo que estas possam intervir eficazmente a nível global no mercado em rápida evolução e desenvolvimento dos programas de computador Plooij-van Gorsel (ELDR), relatora de parecer da Comissão da Indústria, do Comércio Externo, da Investigação e da Energia. - (EN) Senhor Presidente, Senhor Comissário, Senhoras e Senhores Deputados, em primeiro lugar, gostaria de observar que nos nove anos em que tenho trabalhado neste Parlamento nunca fui pressionada por nenhuma pessoa que conheço com tanta agressividade, tanta frequência, tanta indelicadeza e tão livremente. Deve haver, forçosamente, muita coisa em jogo, embora eu compreenda que as pessoas estejam preocupadas. A finalidade desta proposta é harmonizar os regulamentos europeus. Neste momento, existe uma situação de incerteza jurídica quanto àquilo que é ou não é patenteável na área do software. Isto deve-se ao facto de as normas da Convenção sobre a Patente Europeia serem interpretadas de forma diferente nos Estados-Membros e não estarem a ser testadas. Esta incerteza jurídica tem efeitos nocivos em termos de funcionamento do mercado interno. A Comissão da Indústria, do Comércio Externo, da Investigação e da Energia não tem, portanto, qualquer dúvida quanto à finalidade desta proposta: o reconhecimento da patenteabilidade dos inventos que implicam programas de computador e regras mais transparentes. É uma ilusão pensar que, até à data, não foram concedidas patentes relativas a programas informáticos na Europa. O Instituto Europeu de Patentes já concedeu mais de A directiva que agora se propõe não irá permitir a concessão de patentes a programas informáticos enquanto tal, e irá, portanto, restringir as práticas actuais do Instituto Europeu de Patentes. Em termos gerais, não será patenteável nada que não o fosse já. A Comissão da Indústria, do Comércio Externo, da Investigação e da Energia é da opinião de que a directiva se deve restringir rigorosamente a casos inequívocos. A condição da inovação técnica é essencial. É isto que caracteriza um invento, por oposição a uma ideia. Ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, queremos evitar a concessão das chamadas patentes triviais, por exemplo, as que dizem respeito a procedimentos comerciais. A possibilidade de ligar equipamentos com vista a torná-los interoperáveis é uma forma de obter uma rede aberta e de impedir o abuso de posições dominantes. Por conseguinte, peço-vos que apoiem a posição da Comissão da Indústria, do Comércio Externo, da Investigação e da Energia, o artigo 6º bis do relatório, e, evidentemente, as outras alterações também. Por último, peço-vos que apoiem a introdução de um período de graça. Isto impedirá que um inventor seja defraudado do seu invento se o publicitar pouco antes de pedir a patente a fim de auscultar o mercado para determinar se haverá interesse pelo produto em causa Rocard (PSE), relator de parecer da Comissão para a Cultura, a Juventude, a Educação, os Meios de Comunicação Social e os Desportos. (FR) Senhor Presidente, Senhor Comissário, a presente directiva e o presente debate são assustadoramente complexos, duplamente complexos, do ponto de vista jurídico e informático. As apostas, contudo, são altíssimas: em termos económicos, dezenas de milhares de milhões de dólares, em termos filosóficos, o respeito pelo saber humano. Em 6000 anos de História, o imenso saber humano progrediu através da cópia. A condição necessária era que os produtos da ciência, da música, da matemática ou de qualquer outro campo do saber fossem acessíveis e livres de encargos. O direito de autor remunera o criador sem pôr em causa estes princípios. Quando o homem utiliza matéria ou as forças da natureza os custos alteram-se, a remuneração necessária é muito maior e as patentes tornam possível essa remuneração proibindo a utilização do invento sem remuneração. Um software não é senão um conjunto de fórmulas matemáticas, a criação de um novo software pode recorrer a várias centenas de programas de computador já existentes. Proibir ou atrasar esse desenvolvimento criativo seria um atentado à proliferação do saber. Não obstante, o saber humano, de futuro, assumirá cada vez mais a forma de software. A Convenção de 1972 proíbe a patenteabilidade de qualquer software (programa de computador) mas as necessidades da grande indústria, que se aproveitou da imprecisão das definições, conduziram a uma multiplicação dessas patentes. A situação jurídica desses milhares de patentes não é clara, o que representa um enorme perigo para milhões de criadores individuais ou pequenas empresas. Foi judicioso querer pôr-lhe termo. É urgente uma directiva e o seu projecto constitui uma boa base de trabalho, tal como o Senhor Comissário reafirmou esta manhã. Teve razão ao insistir e escrever que não se pretende alargar o campo da patenteabilidade, como reafirmou em artigos bem recentes.

10 10 23/09/2003 Assim, Senhor Comissário, subscrevemos as suas motivações mas, como ouvimos, muitos de nós, incluindo o meu grupo, pensam que V.Exa. não aprofundou o seu raciocínio até à conclusão lógica. O seu último artigo termina com esta frase admirável, que aplaudo: " Os utilizadores do software de livre acesso poderão continuar a utilizá-los livremente, independentemente das futuras patentes reivindicadas nesta área". Parabéns! É mesmo isto que queremos ouvir. As disposições técnicas da sua directiva, porém, não garantem essa liberdade de acesso. Apresentámos, em consequência, alterações que especificam a distinção entre um invento e um puro produto do espírito humano. A referência à matéria e às forças da natureza não é universalmente aceite, e é aqui que se centra o debate. No entanto, essa referência é a única possível para impedir que empresas com poder suficiente para gerir e proteger uma vasta carteira de patentes se apoderem e expandam até ao infinito grande parte do conhecimento. Ao ler o seu texto, Senhor Comissário, senti a alegria de pensar que decerto concordará connosco e que nos agradecerá por o termos tornado mais preciso Wuermeling (PPE-DE). (DE) Senhor Presidente, Senhora Deputada McCarthy, Senhoras e Senhores Deputados, gostaria de começar por exprimir o meu sincero agradecimento à relatora pelo seu excelente trabalho neste relatório. Senhora Deputada McCarthy, a senhora teve de superar dois grandes problemas que não é habitual os relatores enfrentarem. Em primeiro lugar, trata-se de um tema muitíssimo complexo que envolve tanto questões legais, como matérias técnicas complicadas. Em segundo lugar, apesar de a senhora ter tido que lidar com um lóbi, por vezes, muito agressivo, mas, outras vezes, também muito irracional, conseguiu acabar por estabelecer um diálogo permanente, apesar de ter considerado isto difícil, sem dúvida, tal como o resto de nós, por vezes, o considerámos. Não, Senhoras e Senhores Deputados, nós não desejamos a patenteabilidade generalizada de qualquer programa de computador. Não desejamos reforçar o poder do mercado e os monopólios dos gigantes do software. Não, não queremos ameaçar fundamentos comerciais das pequenas e médias empresas de software. E também não queremos debilitar, de modo algum, a chamada comunidade de fonte aberta e a tecnologia Linux. Então, o que queremos nós? Queremos fazer uma distinção sensata entre inventos de carácter técnico que implicam programas de computador, por um lado, que têm, obviamente, de ser patenteáveis e um puro software para simples processamentos de dados, que não deveria ser patenteável, por outro lado. É verdade que, no passado, o Instituto Europeu de Patentes patenteou demasiado e com demasiada facilidade. A senhora deputada Arlene McCarthy mencionou o exemplo mais recente do sistema de aquisições em que basta clicar uma vez, da Amazon. No entanto, só o legislador é que pode pôr cobro a esta tendência nociva. Não faz sentido opor-se a esta directiva, porque, essas práticas continuarão, pura e simplesmente. Por isso, tenho dificuldade em compreender como alguém especialmente a comunidade de fonte aberta pode opor-se a qualquer espécie de directiva neste domínio, porque isto só irá permitir a continuação da prática actual, que esta comunidade encara de uma forma muito crítica. Por outro lado, também é verdade que um invento, no sentido tradicional, merece ser protegido pela legislação. O inventor investiu tempo e dinheiro no seu invento, sendo, obviamente completamente inaceitável o Estado ficar a assistir, enquanto outros exploram comercialmente as suas ideias. Portanto, também é necessário debater a questão da competitividade da União Europeia neste domínio, porque se a nossa directiva, na prática, impedir que qualquer elemento de software leve a que um invento seja patenteado, ficaremos em maior desvantagem na competição global pela inovação. Deveríamos ter consciência deste facto. A proposta da Comissão dos Assuntos Jurídico e do Mercado Interno aperfeiçoa a directiva em pontos decisivos. Limita a tendência para a concessão de patentes demasiado fortuita, que foi criticada aqui, e fá-lo de uma forma mais eficaz do que a proposta original da Comissão. O novo artigo 4º bis, com os seus exemplos negativos, cria uma protecção inequívoca contra o patenteabilidade de programas de computador, porque estamos a afirmar muito claramente que nem um software puro, nem procedimentos comerciais, nem algoritmos e processamento de dados podem ser patenteados. O que necessitamos é de uma legislação europeia em matéria de patentes que promova a inovação, uma legislação que contenha regras claras e razoáveis e que estabeleça um limite inequívoco em relação a software puros. Esta directiva atinge estes objectivos Medina Ortega (PSE). (ES) Senhor Presidente, o Grupo Socialista é de opinião que as alterações aprovadas na Comissão dos Assuntos Jurídicos e do Mercado Interno não reflectem a situação actual no domínio da patenteabilidade dos inventos que implicam programas de computador. É preciso partir da base de que esta não é uma proposta de directiva para patentear programas de computador. O seu regime, como salientou o relator da Comissão para a Cultura, a Juventude, a Educação, os Meios de Comunicação Social e os Desportos, senhor deputado Rocard, encontra-se já regulado por uma directiva comunitária. O que está em debate é o domínio da criação intelectual, que tem regras muito diferentes das que regem o domínio da protecção industrial. A protecção industrial, como salientou o senhor deputado Rocard, refere-se à aplicação de utilizações industriais, e existem regras já bastante bem estabelecidas.

11 23/09/ O que se verificou aqui foi uma tendência muito perigosa por parte da jurisprudência norte-americana, que permitiu que a patenteabilidade de criações puramente intelectuais, que não têm, enquanto tal, aplicações industriais. A tentativa de estabelecer um monopólio sobre os programas de computador através da patente provocou uma justa indignação de todos os que presentemente utilizam a rede aberta na Europa, cujas possibilidades de acção seriam prejudicadas. Representaria um retrocesso na evolução europeia em direcção à criação de uma sociedade da informação tal como consagrado na Declaração de Lisboa. Por conseguinte, o Grupo Socialista é de opinião que a proposta de directiva deve ser substancialmente modificada, estabelecendo limitações muito claras, com o objectivo de que a natureza da patente industrial não seja minimizada. Não podemos chegar a uma situação como a norte-americana, que conta presentemente com determinadas empresas que praticamente podem impedir todo o trabalho em matéria de programação informática. Como salientou o Senhor Comissário Bolkestein, o Instituto Europeu de Patentes deixou-se arrastar por essa perigosa senda, como o fez, por exemplo, a jurisprudência nipónica. É precisamente por isso que necessitamos de uma directiva comunitária. Preconizamos que a propriedade intelectual no domínio dos computadores deve ser mantida e que é necessária uma directiva comunitária que regule unicamente a aplicação industrial, e não os programas de computador, e que a regule de forma suficientemente clara de molde a impedir que se caia nessa tendência, para que a jurisprudência do Instituto Europeu de Patentes não arraste os países da União Europeia pelo caminho da patenteabilidade dos inventos que implicam programas de computador enquanto tais Manders (ELDR). - (NL) Senhor Presidente, Senhor Comissário, Senhoras e Senhores Deputados, o assunto que aqui estamos a discutir é um assunto difícil. Há uma grande diferença entre direitos de autor e legislação em matéria de patentes. Que essa diferença é difícil de definir é evidente, dada a quantidade de pressões que os lobbies têm vindo a exercer sobre nós. Agradeço, portanto, à senhora deputada McCarthy, que conseguiu esclarecer a questão. Fê-lo, em particular, na sessão de informação que realizou com elementos de lobbies agressivos que, a meu ver, interpretaram incorrectamente esta questão e desejam conseguir exactamente o contrário daquilo que se pretende com esta directiva. É lamentável que assim seja. A finalidade desta directiva, pelo menos na minha opinião, é evitar a incerteza jurídica. O senhor deputado Medina Ortega e muitos outros colegas já deram exemplos disso. O Instituto Europeu de Patentes, em Munique, já está a utilizar o método americano neste momento e já está a patentear software enquanto tal. Julgo que é necessário pormos cobro a esta situação aplicando esta directiva, se conseguirmos que seja aprovada. Penso que é isto, também, que desejam os lobbies que querem que esta directiva seja rejeitada na votação. É por esta razão que me parece estranho que estejam a pedir a rejeição total da directiva. Afinal, isso iria permitir que os métodos americanos mencionados por alguns colegas continuem a ser utilizados e que o Instituto Europeu de Patentes continue a conceder milhares de patentes relativas a procedimentos informáticos. Julgo que isso seria negativo. Apresentámos várias alterações. Muitas delas foram aprovadas pela Comissão dos Assuntos Jurídicos e do Mercado Interno ao debater o relatório McCarthy. Grande parte diz respeito à protecção das pequenas e médias empresas, enquanto outras se destinam a melhorar definições. Por conseguinte, penso que o relatório que estamos a examinar já é suficientemente equilibrado. Gostaria, porém, que fossem introduzidos alguns melhoramentos. Refiro-me, entre outras coisas, ao período de graça que a minha colega, Elly Plooij-Van Gorsel, já mencionou. Penso que seria boa ideia consagrar isto na directiva. Gostaria até de pedir à Comissão que vá mais longe e inclua um período de graça em todas as directivas relativas a direitos de propriedade intelectual que venhamos a introduzir no futuro. Parece-me positivo permitir que os inventores menos poderosos, em particular, beneficiem de um período dessa natureza de modo a poderem determinar se existe um mercado para os seus produtos. Apresentei ainda uma alteração sobre novos inventos que implicam programas de computador e que - digo-o muito claramente - não são patenteáveis em si mesmos. Esta alteração visa estabelecer um período limitado para novos inventos, se forem separados do software, que - digo-o muito claramente - não é patenteável. Porquê? Porque no caso de um pedido de patente, mesmo que haja essa separação e mesmo que o produto não seja patenteável em si mesmo, há uma série de procedimentos legais a que se pode recorrer e com que se conseguem manter empresas fora do mercado durante muito tempo. Isso seria negativo. Creio, também, que uma abordagem deste tipo não é contrária à política de não discriminação do Acordo TRIPS, pois não exclui nenhum sector específico. Penso que irá apenas enviar um sinal muito claro. Agora, umas breves palavras sobre a interoperabilidade. A interoperabilidade é necessária, mas temos de estabelecer uma distinção muito clara entre inventos independentes e inventos que se destinam a ser utilizados em conjunto com outros inventos. Tivemos em conta esta distinção na nossa alteração. Exorto os colegas a apoiarem a directiva em qualquer caso, a fim de evitar situações de incerteza jurídica no futuro Frahm (GUE/NGL). (DA) Senhor Presidente, Senhor Comissário, gostaria de agradecer à relatora pelo vultuoso trabalho que realizou. Parece que, na realidade,

12 12 23/09/2003 todos partilhamos das mesmas intenções. Gostaria de felicitar a Comissão, bem como a relatora, pela ênfase que deram às intenções, nomeadamente, de criar ainda mais desenvolvimento e investimento neste campo ao nível das pequenas e médias empresas. É, no entanto, curioso que, sendo estas as intenções, as pequenas e médias empresas não estão particularmente satisfeitas com esta directiva. Porque motivo não se rejubilam e não elogiaram a proposta de directiva quando foram consultadas a esse respeito? Por que razão as pequenas e médias empresas não exigem a rápida execução desta directiva? Porque motivo a camada inovadora do sector do software não exige a aplicação desta directiva com a maior brevidade possível? Porque fazem, praticamente, o contrário? Considero que este facto deveria, ao menos, suscitar algumas dúvidas sobre se estaremos realmente a fazer aquilo que dizemos que fazemos. O propósito ostensivo da directiva é garantir a possibilidade da aplicação dos direitos. Porém, o facto de se poder aplicar os direitos nesta área, ou de uma pessoa poder, eventualmente, defender-se contra a afirmação de terceiros de que está a violar os seus direitos, é de tal modo oneroso que se torna óbvio para as pequenas e médias empresas que não é esta a via que devem seguir. Processos judiciais desta natureza custam aproximadamente 1 milhão de euros e não são o tipo de situações em que as pequenas e médias empresas se queiram envolver directamente. Afirmamos que não pretendemos alargar as disposições existentes. É uma afirmação que me parece sensata, tanto mais tendo em consideração que a Convenção sobre a Patente Europeia salienta que o softwarr não é patenteável. Devemos, portanto, cingir-nos a este facto. Actualmente não estamos, na realidade, perante um vazio, em termos de direitos. Existe uma base jurídica sob a forma da Convenção sobre a Patente Europeia. Além disso, é um facto que o Instituto Europeu de Patentes tem vindo, lenta e gradualmente, a alargar a sua área de competências. Se nós agora respondemos com a legalização do alargamento estaremos a avançar no sentido errado. Deveríamos, então, caminhar no sentido de se tornar cada vez mais usual exigir a patente do software, à excepção do software enquanto tal. A minha pergunta é, por conseguinte: qual é o grau de pureza que deve ter o software para que seja considerado puro? É uma pergunta para a qual não consegui obter uma resposta clara. E será, porventura, justamente este tipo de perguntas que carece de clarificação antes de se tomarem medidas definitivas nesta área. Convido, enfaticamente, à reflexão sobre esta questão e recomendo que seja dada uma hipótese à dúvida e que se dê ouvidos ao que as pequenas e médias empresas europeias possam ter a dizer sobre esta matéria Echerer (Verts/ALE). (DE) Senhoras e Senhores Deputados, vou tentar ser breve, ater-me ao tempo disponível e não repetir nada daquilo que já foi dito. Por isso, vou começar declarando que apoio, plena e inequivocamente tudo aquilo que foi dito pelo relator da Comissão para a Cultura, a Juventude, a Educação, os Meios de Comunicação Social e os Desportos, o senhor deputado Rocard. Tanto eu como o meu grupo apoiamos a orientação desta directiva, tal como já disse a senhora deputada Frahm. Os senhores queriam criar segurança jurídica e isto é algo que nós também pretendemos, contudo, a Comissão está a enfrentar os adversários e os críticos desta directiva. Senhor Comissário Bolkestein, interpretei as suas palavras quase como uma ameaça. Ninguém está aqui a falar de uma patenteabilidade de software, nem por sombras. Estamos a falar de inventos que implicam programas de computador baseados em software. O senhor afirma, e passo a citar, que os adversários desta directiva repito, os críticos desta directiva montaram uma campanha muito ruidosa e, por vezes, até pessoal, baseada em meias-verdades e em ideias erradas. De facto, o que tentámos foi evitar a forte pressão de grupos de interesse e encontrar alguns peritos legais neutrais e objectivos que nos pudessem explicar esta matéria tão complexa. No entanto, existe uma questão simples, à qual o senhor ainda não respondeu. Mesmo que aquilo que é patenteado num invento que implica programas de computador seja apenas um pequeno componente dentro de uma solução e, afinal, o software consiste num grande número de soluções, ele está patenteado e eu não posso utilizá-lo livremente. Tal como afirmou o senhor deputado Manders, estamos a defrontar-nos com os limites entre o direito de autor e a patenteabilidade. Trata-se de um problema difícil e eu penso que as propostas que foram elaboradas nos pareceres da Comissão da Indústria, do Comércio Externo, da Investigação e da Energia, assim como pela Comissão para a Cultura, a Juventude, a Educação, os Meios de Comunicação Social e os Desportos constituem a base para a nossa tomada de decisão. Ao dizer nossa refiro-me aos colegas críticos nesta comissão que querem prosseguir a mesma abordagem que o Senhor Comissário Bolkestein, mas que talvez vão mais longe, aprofundando o assunto. É possível como explicaram muitos peritos em questões jurídicas que esta directiva não crie maior segurança jurídica. É possível que ela colmate algumas lacunas, mas abre outras. Sejamos honestos, Senhoras e Senhores Deputados. Todos nós conhecemos a realidade do mercado. Sabemos como alguém pode utilizar uma patente como um instrumento para dominar o mercado e até como uma arma contra os seus concorrentes, se resolver fazê-lo. Deveríamos pensar muito cuidadosamente como podemos proteger tanto o investimento como a inovação. Temos uma directiva relativa aos direitos de autor, do ano de 1991; talvez devêssemos ter revisto esta directiva. Talvez haja pontos que possam ser actualizados em termos legais. Se tivéssemos chegado a uma conclusão baseada na Convenção sobre a Patente Europeia nesta matéria, teriam tido o meu pleno apoio. Mesmo assim, creio que as alterações propostas constituem um contributo. Por último, mas igualmente importante, o Instituto Europeu de Patentes e as patentes injustas que possam ter sido concedidas ou que possam

13 23/09/ vira a sê-lo no futuro, são da responsabilidade, antes de mais, dos estados signatários. É louvável que a Europa esteja a mostrar responsabilidade aqui, mas teria sido suficiente dar o primeiro passo com base nas Convenção sobre a Patente Europeia e, depois, podíamos ter continuado a pensar no assunto Mussa (UEN). (IT) Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, a informática é a coluna dorsal do desenvolvimento futuro de qualquer país do mundo e tem como base a tecnologia hardware e a ciência software (programas de computador). Actualmente, todas as inovações tecnológicas estão protegidas pela respectiva patenteabilidade; porém, o desenvolvimento de programas de computador dá lugar a um direito de autor (copyright) que protege a sua propriedade intelectual. Para ser mais claro, permitamme que teça um paralelo com o mundo da música. Um sintetizador electrónico é um instrumento usado para tocar música, que não é composta por notas, mas sim por códigos e comandos que alternam um ritmo e uma sequência composta, elaborados pelo seu criador, dando origem a acções e resultados diferentes. Que aconteceria à música se, um dia, fosse possível patentear as escalas, os acordos, os trilos e tudo que torna o mundo da música tão rico e excitante? A informática sofreria o mesmo destino: com patentes, todos os comandos, todas as sequências de códigos e algoritmos ficariam protegidos, e o mercado transformar-se-ia numa rede de restrições. Se todas as patentes existentes tivessem de ser validadas, então todo os programas de computador desenvolvidos seriam restringidos, limitados e cada vez mais inibidos, uma vez que todas as pequenas e médias empresas e programadores seriam forçados a comprar direitos ou licenças, e provavelmente seriam atirados para fora do mercado. A propriedade intelectual de uma pintura ou de um livro não é protegida, através da patente do seu tema ou do seu argumento, mas sim pela garantia da sua distribuição de acordo com as leis que regem o direito de autor, estimulando outras mentes a produzirem trabalhos originais, semelhantes, embora não cópias, melhorando, sempre que possível, o trabalho original, ou reinterpretando-o com base em modelos diferentes, ou mais interessantes. Um mercado em expansão, aberto a novos horizontes de crítica viva e fantasia, o mercado europeu, não pode ter a pretensão de impor mais regulamentação, a qual, na realidade, restringiria ainda mais o desenvolvimento das nações europeias. Estamos absolutamente convictos de que o relatório McCarthy não pode ser aceite, uma vez que apoiá-lo prejudicaria seriamente o crescimento e desenvolvimento tecnológicos, que apenas podem ser gerados quando as pessoas possuem liberdade de espírito e pensamento Andersen (EDD). (DA) Senhor Presidente, a minha formação académica é de arquitecto e toda a vida trabalhei como arquitecto. A problemática que enfrentamos nesta matéria corresponderia à introdução de patentes na minha área de actividade. Imaginemos que é registada a patente de escadas, pelo que, no futuro, será preciso obter uma aprovação e pagar uma licença para desenhar uma casa com escadas. Por um lado seria positivo, na medida em que deixaríamos de ter tantos horrorosos arranha-céus. Porém, é absurdo que um colega meu ou uma empresa maior do sector possa, de alguma forma, impedir o desenvolvimento. Naturalmente estou protegido por direitos de autor no que diz respeito ao design e aos trabalhos de arquitectura que produzo, facto que impede que os meus trabalhos sejam plagiados. Para concluir, verifica-se a mesma situação em relação ao software e a toda a restante actividade artística susceptível de ser comparada à concepção de software, no âmbito do qual o próprio design está protegido por direitos de autor. Autorizar o registo de patentes relativas a software na UE teria consequências negativas para o consumidor, para as pequenas e médias empresas, para todo o movimento da fonte aberta e para a inovação no sector. É necessário ser mais do que normalmente ingénuo para acreditar que a inovação na UE poderia alguma vez beneficiar se se permitisse que uma empresa americana registasse a patente relativa à utilização das letras æ, ø e å, que são específicas do alfabeto dinamarquês, nos nomes de domínios, ou que seria vantajoso para as pequenas e médias empresas o investimento num departamento que trataria das questões jurídicas relativas às patentes, previamente a desenvolverem os seus produtos. Nem o software, nem o software como tal deve ser patenteável Cappato (NI). (IT) Senhor Presidente, gostaria de agradecer à relatora e à Comissão o trabalho que desenvolveram apesar das dificuldades que apresentava. Os deputados radicais da Lista Bonino votarão a favor das alterações que visam restringir a margem da patenteabilidade dos programas de computador e votarão contra a proposta no seu conjunto, caso as principais alterações não venham a ser aprovadas. Porquê? Talvez por não acreditarmos na necessidade de harmonização europeia? Não. Apoiamos o Senhor Comissário e a relatora quando entendem dever registar o facto de o Gabinete Europeu das Patentes ter recebido, efectivamente, centenas de pedidos de patentes de programas de computador. À luz de uma tão clara violação do espírito e da letra da Convenção Europeia de Patentes, era necessária, seria necessária, é necessária uma clarificação e uma confirmação de que os programas de computador não são patenteáveis. Sendo que a distinção entre a patenteabilidade dos programas de computador e a patenteabilidade dos inventos que implicam programas de computador é subtil o que significa que corremos o risco de gerar uma confusão, a solução é, creio, muito clara: se um programa de computador fizer parte de uma

14 14 23/09/2003 invenção, é essa invenção que é patenteável e patenteada, não o programa de computador. No entanto, é já hoje possível fazer isso através da legislação sobre invenções que implicam programas de computador, definidas como tal. Os programas de computador estão excluídos da patenteabilidade por uma razão muito específica, a mesma razão que exclui as fórmulas matemáticas, a mesma razão que exclui os teoremas, a mesma razão que exclui as fórmulas musicais e as sinfonias: todos estes casos fazem parte do campo das ideias, da organização e transformação de ideias. Sabemos que uma tarefa executada por um programa de computador pode ser transformada em incontáveis tipos diferentes de códigos, por inúmeros programadores, usando diferentes linguagens de programação. É isso que torna perigosa a patenteabilidade dos programas de computador, e mais perigosa ainda se a patente tiver a duração de 20 anos, que representa uma era geológica em matéria de informática. Os programadores independentes em geral seriam autorizados a usar uma função patenteada em 1983, na pré-história da informática. É esse o perigo. Não considero necessário que nos aventuremos nos reinos das complexas fórmulas que nos permitam chegar à exacta distinção entre programa de computador propriamente dito e um invento que implique programas de computador. Bastará manter como patenteáveis as invenções que impliquem programas de computador e garantir o respeito pelos regulamentos que excluem os programas de computador da patenteabilidade, que, seja como for, são protegidos pelo direito de autor. Daí o nosso apoio às alterações, em especial, às que dizem respeito à interoperabilidade e à necessidade de considerar as forças da natureza para classificar um programa de computador como uma invenção. Considero ainda que não podemos adoptar a proposta neste momento, porque, se o fizermos, os Estados farão o que entenderem. Temos de tentar fazer o melhor que pudermos aqui. Entendo também que o envolvimento de centenas de milhar de pessoas, que manifestaram a sua opinião a este respeito, a título individual, deverá ser visto como um contributo democrático, e não como um inconveniente Fiori (PPE-DE). (IT) Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, devo admitir que, de todos os assuntos tratados nesta legislatura, o tema que esta manhã nos ocupa foi, para mim, um dos mais complexos, e devo reconhecer o enorme trabalho que a senhora deputada McCarthy levou a cabo. Não disponho de todas as respostas e compreendo a necessidade da Comissão como o Senhor Comissário Bolkestein explicou claramente de falar sobre este tema. No entanto, tecerei alguns comentários de carácter geral, começando pela premissa de que estamos a tratar de um assunto em que a identificação do sujeito da protecção jurídica e, por conseguinte, a conversão de termos informáticos em termos jurídicos, pode, por si, só ser já de extrema complexidade. Segunda questão: temos, por necessidade, de lidar com um enquadramento legislativo internacional complexo e, se olharmos para o que está a acontecer, não só na Europa, mas também nos Estados Unidos, verificamos em especial que o sistema de patentes está a revelar possuir demasiadas limitações, acima de tudo limitações de natureza prática. Posto isto, considero que esta Directiva, embora haja ainda espaço para introduzir melhorias, abordou um assunto político sério que se coloca à União Europeia. Temos de nos afastar das posições dos EUA, e é possível que tenhamos de convencer o nosso principal parceiro económico da necessidade de uma medida de harmonização de todos os aspectos da protecção jurídica do software (programas de computador) de uma forma diferente da actual. Para o fazer, não começamos do nada, porque as características em que se baseiam as patentes foram já claramente identificadas nos Acordos TRIPS. Por conseguinte, é preciso que insistamos na ideia da qual não deveremos afastar-nos de que as patentes apenas serão concedidas a programas de computador com base em fundamentos sólidos. Regista-se um número anormal de pedidos de patentes para programas de computador nos Estados Unidos, e haverá provavelmente um número equivalente na UE, o que torna claro que não estamos diante de uma verdadeira actividade inventiva e que não podemos permitir-nos conceder todo o tipo de patentes. Para além disso, com o aumento descontrolado no número de pedidos de patentes, será praticamente impossível averiguar, de forma adequada, com base nos arquivos, se o pedido se aplica verdadeiramente a uma nova invenção. Evidentemente, há alguns aspectos jurídicos que poderiam ser melhorados; há algumas discrepâncias relativamente à Directiva 91/250/CEE; poderíamos certamente ter reflectido mais de um ponto de vista jurídico sobre o artigo 52º da Convenção Europeia das Patentes, porque, uma coisa é certa: seremos forçados a retomar esta questão, porque como o referiram vários deputados o desenvolvimento é tão rápido que a União Europeia terá de adoptar medidas nos próximos anos, altura em que poderemos rever as nossas posições Gebhardt (PSE). (DE) Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, é raro a nossa actividade legislativa ser alvo de tanta atenção por parte do público, numa fase tão inicial como aconteceu com o relatório da senhora deputada McCarthy. Este facto não lhe facilitou, certamente, a conclusão da sua tarefa, muito exigente, mas deu origem a uma torrente de informações e argumentos. Muitos deles foram importantes e muito esclarecedores tanto para a própria relatora, como para todos nós. No entanto, houve montanhas de papel que estavam destinadas ao cesto dos papéis, desde o princípio. O compromisso, para cuja aprovação gostaria de vos encorajar e que se reflecte nas alterações propostas pelo

15 23/09/ meu grupo resultou do nosso trabalho intenso e do facto de ter sito acompanhado tão de perto pelas pessoas afectadas. Este compromisso visa libertar-nos da armadilha dos artigos 2º e 4º, nos quais uma nova definição de contributo técnico abriu caminho para a patenteabilidade de programas de computador. Senhoras e Senhores Deputados, esta lacuna jurídica foi, agora, em certa medida, colmatada. Reconheço que teria gostado de chegar mais longe e as pequenas e médias empresas, em particular, esperavam mais. Sobretudo, não creio que tenhamos deixado suficientemente claro que não queremos, simplesmente, limitar patentes a software. Na realidade, nem sequer queremos concedê-las no futuro, porque elas dificultam particularmente a vida às pequenas e médias empresas, às quais sempre prometemos uma protecção e um apoio especiais. Por outras palavras: quem concede patentes a software beneficia as grandes empresas, mas não ajuda as que possuem grande inteligência. Enviemos uma mensagem clara que vá mais longe do que esta solução de compromisso. Digamos não à patenteabilidade dos programas de computador Boogerd-Quaak (ELDR). - (NL) Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, Senhor Comissário, concordo com os senhores deputados Rocard e Cappato e com outros deputados que pensam que o software enquanto tal não deve ser patenteável. O artigo 52º da Convenção sobre a Patente Europeia exclui o software enquanto tal e afirma que não se consideram patenteáveis as ideias e as teorias. As patentes implicam inovação técnica e é isso, precisamente, que está no cerne do problema com que todos estamos confrontados. É isso, também, que está no cerne da directiva. O Instituto Europeu de Patentes concluiu recentemente que todos os programas executados por um computador são técnicos por definição. Obedecendo às suas práticas actuais, o IEP já concedeu mais de patentes, muitas das quais não são efectivamente válidas perante a lei. O senhor deputado Rocard mencionou, justificadamente, que há uma diferença entre uma invenção baseada nas forças da natureza e um produto do intelecto humano. Por conseguinte, defendo que devemos apoiar algumas das alterações, que também foram apresentadas à Comissão da Indústria, do Comércio Externo, da Investigação e da Energia, bem como as alterações já apresentadas anteriormente à Comissão para a Cultura, a Juventude, a Educação, os Meios de Comunicação e os Desportos. Estas alterações conferem à definição um rigor que, a meu ver, irá excluir o software enquanto tal. Se estas alterações não forem aceites, votarei contra a directiva. Existe muita ansiedade entre as pequenas e médias empresas e a comunidade de fonte aberta. O conhecimento humano e a sua divulgação correspondem a uma importante liberdade que a Europa tem de preservar. Tem de o fazer, quanto mais não seja, por uma questão de dignidade humana, mas não por essa razão exclusivamente. Seremos ainda mais competitivos do que os Estados Unidos, e a directiva terá de excluir por completo a situação que se verifica nos Estados Unidos. Por conseguinte, espero que muitos de vós votem de acordo com esta posição de modo a obtermos uma directiva praticável Caudron (GUE/NGL). (FR) Senhor Presidente, caros colegas, o debate desta manhã ocorre após um período agitado em que o mundo dos utilizadores, dos inventores e dos inovadores em computador defendeu, com unhas e dentes, o seu direito à diferença, à liberdade e à criatividade. No centro deste debate encontra-se a patenteabilidade, com as suas vantagens (quando a patente protege, justamente, o inventor) e os seus principais inconvenientes, que se prendem com a formação de monopólios, muitas vezes conservadores, em detrimento dos jovens criadores. Pessoalmente, continuo a defender esse movimento que me parece caminhar no mesmo sentido que todos os movimentos alternativos que se batem por uma sociedade menos rígida e menos comercial. Desde o início deste debate, já marcámos pontos, apresentando propostas de alterações que melhoram consideravelmente o projecto inicial. Reconhecer que, para ser patenteável, um invento que implique o uso de computador deve ser susceptível de aplicação industrial é avançar na direcção certa. Era necessário precisar que não devem ser concedidas patentes para simples programas informáticos. Não podemos, todavia, ignorar os matizes introduzidos e as imprecisões, demasiado numerosas. Nesta fase do debate, mesmo correndo o risco de vermos estas alterações não serem aprovadas ou não serem, depois, incluídas, é imperioso especificar que não ficam resolvidos todos os problemas, muito longe disso. Pessoalmente, estarei, então, atento no momento das votações, assim como estarei disposto a votar contra o projecto se os melhoramentos não passarem de uma operação de cosmética destinada a esconder a apropriação de espíritos criativos pelas grandes empresas. Neste aspecto, a última frase do Comissário Bolkestein, que roça a chantagem, não conseguirá atenuar a minha profunda desconfiança MacCormick (Verts/ALE). - (EN) Senhor Presidente, muitas das alterações - e, sem dúvida, todas as que foram subscritas pelo meu grupo - destinam-se nítida e directamente a impedir que esta directiva venha de algum modo a tornar-se extensiva ao registo de patentes dos próprios programas de computador. Isto é muito importante para nós. É muito claro que um conjunto de leis em matéria de propriedade que protege os programas de computador por meio de direitos de autor e deixa as patentes para outros efeitos funciona bem do ponto de vista da indústria de software e das mentes criativas que desenvolvem programas de computador. Nem a senhora deputada McCarthy nem o Senhor Comissário

16 16 23/09/2003 Bolkestein discordam de mim quanto a este aspecto. Ninguém pretende um alargamento de âmbito de que resulte a possibilidade de registar patentes de software puro. Há, em certa medida, o risco de os inventos genuínos com um elemento de software não serem protegidos sem uma nova directiva. Muito bem. Mas compete à Comissão demonstrar-nos quais são as alterações propostas pelo Parlamento susceptíveis de representar uma protecção excessiva contra o risco que nós sabemos existir e uma protecção insuficiente contra o perigo que o Senhor Comissário deseja evitar, nomeadamente, o perigo de não protegermos devidamente as patentes na União Europeia. A estratégia daqueles de entre nós que desejam alterar esta directiva é impedir que ela se torne extensiva a patentes de software enquanto tal. Isso seria verdadeiramente catastrófico. Temos sido objecto de fortes pressões sobre esta questão, mas isso tem acontecido porque há nos nossos círculos eleitorais muitos eleitores competentes e trabalhadores que considerariam isso uma ameaça ao seu modo de vida. Devemos garantir absolutamente que aquilo que vier a sair deste debate e da votação de amanhã - e a senhora deputada McCarthy trabalhou esforçadamente neste relatório - não permita de modo algum esse alargamento de âmbito e proteja aquilo que o Senhor Comissário Bolkestein deseja proteger, sem criar o perigo para o qual muitos de nós fomos alertados pelos nossos eleitores Van Dam (EDD). - (NL) Senhor Presidente, Senhor Comissário, o nosso ponto de partida é que também não consideramos que a patente seja a forma correcta de proteger os inventos que implicam programas de computador. Até agora, os direitos de autor têm constituído uma protecção suficiente para esse efeito. Se concedermos patentes nesta área, corremos o risco de, efectivamente, desincentivar a inovação e colocar as pequenas e médias empresas em posição de desvantagem, um aspecto que já foi frisado por outros oradores. Infelizmente, este debate foi de facto ultrapassado pelas práticas do Instituto Europeu de Patentes. Este Instituto tem vindo há anos a conceder as chamadas patentes de software, patentes essas que se tem feito respeitar até ao mais alto nível internacional. A proposta que estamos a debater é, na realidade, uma espécie de medida de emergência destinada a manter dentro de certos limites a concessão de patentes na Europa. Compreendo, em certa medida, essa aspiração. A questão que se põe, porém, é se continuará a valer a pena fazê-lo. O Instituto Europeu de Patentes já concedeu patentes com base em regulamentos que vão mais longe do que a presente proposta de directiva. Quanto a este aspecto, esta directiva surge demasiado tarde. Do lado positivo, a directiva irá contribuir para a harmonização e para maior clareza ao nível dos Estados-Membros. O perigo de as empresas pequenas e inovadores serem derrotadas pelos monopólios de grandes empresas não irá, porém, desaparecer. Trata-se de um aspecto inerente ao sistema actual. Estamos perfeitamente cientes disso. Por conseguinte, preocupa-nos o facto de a Comissão e a relatora ignorarem laconicamente este facto. Isso é prova da pouca afinidade que sentem com as pequenas e médias empresas, que são a espinha dorsal da nossa economia Gollnisch (NI). (FR) Senhor Presidente, caros colegas, o que está em jogo? Proteger a propriedade intelectual resultante da inovação informática. Dois procedimentos jurídicos se opõem: a patenteabilidade, por um lado, e os direitos de autor, por outro. Em nossa opinião e, quero crer, Senhor Comissário, na opinião da grande maioria dos oradores desta Assembleia, a forma normal de protecção é os direitos de autor. Apesar de um jornalista, um escritor, ver os seus textos serem protegidos pelos direitos de autor, não pode pretender apropriar-se da sintaxe, da morfologia, do vocabulário ou da gramática da língua que utiliza. O mesmo deve acontecer com o software, visto que utiliza uma linguagem. No seu discurso, Senhor Comissário, - o qual foi extremamente agressivo e, até, ameaçador perante as críticas suscitadas pelo seu projecto de directiva, afirmou que o software enquanto tal não é cobertos pela patenteabilidade. Mas não nos tome por lorpas. Além do mais, a sua directiva é, no mínimo, ambígua, pois a definição que dá de invento que implica programas de computador na alínea a) do artigo 2º, pode perfeitamente aplicar-se ao software. Também é verdade que o artigo 4º do projecto de directiva parece limitar a patenteabilidade aos inventos, passo a citar, "susceptíveis de aplicação industrial". No entanto, esta é uma noção que V.Exa. se abstém cuidadosamente de definir. Todos sabemos que as multinacionais americanas conseguiram patentear elementos tão triviais como fazer "clic" numa tecla para fechar uma janela num ecrã ou a ideia de avisar o utilizador, através de uma música, de que recebeu correio electrónico ou, ainda utilizar uma cor para sublinhar palavras que devem ser corrigidas num tratamento de texto e um tratamento de texto é susceptível de aplicações industriais em tipografia ou na imprensa. Referirei, ainda, o carrinho electrónico para fazer compras por Internet. Jovens criadores conseguiram, até, patentear as 35 horas de trabalho semanal impostas pelo anterior governo do meu país. Então, por que motivo um texto deste tipo é proposto nesta Assembleia? Os interesses do Instituto Europeu de Patentes, financiado em função do número de reivindicações de patente apresentadas, ser-lhe-ão totalmente alheios? Na verdade, Senhor Comissário, era necessário fazer uma escolha estratégica: ou alinhar pela prática de patenteabilidade das multinacionais americanas e é o que parece que V.Exa. começou a fazer ou defender a especificidade do Direito europeu

17 23/09/ e recusar aceitar patentes abusivas. É evidente que esta não foi a sua escolha e podemos considerar que a sua directiva não serve os interesses legítimos dos criadores europeus Harbour (PPE-DE). - (EN) Senhor Presidente, desde que sou membro da Comissão dos Assuntos Jurídicos e do Mercado Interno e tanto quanto me lembro esta é a primeira vez que uma das nossas grandes directivas merece tanto destaque na ordem dos trabalhos do Parlamento. Com efeito, o relatório foi chamado tão cedo que eu ainda cá não estava, pelo que peço desculpa ao Senhor Comissário e à senhora relatora por não ter estado presente para ouvir as suas intervenções. Tenho estado a ouvir com interesse aquilo que os senhores deputados têm dito e, nesta altura do debate, gostaria de reflectir sobre aquilo que se pretende verdadeiramente com este relatório. Propusemo-nos o objectivo de criar a economia impulsionada pelo conhecimento mais dinâmica e competitiva do mundo. As patentes são um elemento indispensável para esse efeito. Gostaria de lembrar a todos os presentes e a todas as pessoas que estão a ouvir este debate que há centenas de milhares, talvez mesmo milhões de pessoas, em toda a União Europeia a trabalhar em inventos que estão protegidos por patentes. É essa patenteabilidade que incentiva o investimento necessário para transformar esses inventos em produtos que o mundo quer comprar. Aquilo de que aqui estamos a falar é de um regime que vai legitimamente incentivar a invenção em todos os domínios. Parte do problema com que temos deparado ao lidar com este assunto é que muitas das questões levantadas se prendem com uma área de criatividade específica: escrever elementos de programas de computador. Na realidade, as patentes destinam-se a proteger um invento genuíno, uma nova maneira de fazer uma coisa, qualquer coisa que seja - tal como se diz nesta directiva - passível de aplicação industrial. Gostaria de recordar aos colegas que, quando se pede e se concede uma patente, não é necessário incluir todos os pormenores. No mundo de hoje, praticamente todas as inovações técnicas e industriais envolvem um tipo qualquer de actividade apoiada por computador. Porque havemos de negar protecção a pessoas que estão a trabalhar em inventos nessa área? A Comissão apresentou argumentos persuasivos, apoiados por muita investigação, para nos dizer que é necessário um quadro coerente de modo a assegurar que todas as pessoas saibam que podem obter patentes para este tipo de inventos. Essas pessoas sabem, também, que não podem obter patentes para procedimentos comerciais triviais que não devem, em circunstância alguma, ser patenteados, e serão desencorajadas de as pedir. Sabemos que é difícil conseguir isto, razão pelo qual discutimos a redacção. É por esta razão que é tão bom o trabalho que a senhora deputada McCarthy desenvolveu como relatora sobre esta directiva. A senhora deputada teve sempre presente a importância deste aspecto numa economia impulsionada pelo conhecimento e levou-nos a examinar formas de melhorar este trabalho e aperfeiçoá-lo. Não permitiu que as pressões à sua volta a desviassem. Espero que apoiem esta directiva e que apoiem o teor das alterações apresentadas pela Comissão dos Assuntos Jurídicos e do Mercado Interno. Serão apresentadas algumas outras alterações, mas espero que resistam a alguns dos conceitos complicados e abstrusos que foram apresentados por algumas pessoas e que irão dificultar a vida aos inventores. São a invenção e a criatividade que aqui estamos a apoiar e nada mais Berenguer Fuster (PSE). (ES) Senhor Presidente, esta é uma Câmara política e julgo que, enquanto Câmara política, a primeira reflexão que deveríamos fazer, tal como a Comissão, se prende com a razão por que esta proposta originou tanta comoção e tanta contestação. Não é lícito desacreditar quem discorda da mesma e dizer que houve uma oposição agressiva por parte dos lobbies. Porque, pelo menos daqueles que entraram em contacto comigo, professores universitários de informática, peritos em patentes e em propriedade industrial e, também, representantes de pequenas empresas, ouvi, em vez de agressividade, ouvi apenas preocupação; preocupação pela evolução a que se assiste e pelo perigo com que se confrontam em termos de possibilidades de inventos. Dizem aqueles que defendem esta iniciativa que se pretende unicamente unificar a prática por parte dos institutos nacionais de patentes, num domínio relativamente ao qual, ultimamente, se produziram resoluções contraditórias. Isso é verdade; o que não é verdade, ou pelo menos o que não é certo, e permita-nos, Senhor Comissário, que, pelo menos, admitamos esta dúvida intelectual, é que esta proposta de directiva vai resolver os problemas que se pretendem querer resolver. Porque isso é muito fácil, a prática do Instituto Europeu de Patentes, rompendo o que era uma linha tradicional do direito europeu, passou a ser uma prática muito idêntica à do direito norte-americano. Todos os senhores deputados sabem, todos os peritos sabem, que o direito europeu exige que uma invenção, para ser patenteável, deve ter carácter industrial, o que significa que não só o método deve ser industrial, como também o resultado do produto deve ser industrial, enquanto no direito norte-americano é suficiente que este tenha uma aplicação útil. Isso permitiu certas inovações e certas patentes de programas de software. Devemos insistir, pois, neste ponto. Não é lógico afirmar que com o relatório da Comissão dos Assuntos Jurídicos e do Mercado Interno e com a proposta da Comissão se resolvem esses problemas, porque eles resolvem-se com as alterações que se aprovaram na Comissão para a Cultura, a Juventude, a Educação, os Meios de Comunicação

18 18 23/09/2003 Social e os Desportos e na Comissão da Indústria, do Comércio Externo, da Investigação e da Energia. Por conseguinte, se as alterações como as propostas pela Comissão da Indústria e pela Comissão para a Cultura não forem aprovadas, muito dificilmente poderemos apoiar a presente proposta De Clercq (ELDR). - (NL) Será que poderemos continuar a utilizar os nossos computadores no futuro sem termos de pagar direitos de patente para o fazer? É esta a pergunta que está presente na mente de todos nós. O que não queremos é a situação que se verifica nos Estados Unidos, onde podem ser concedidas patentes por uma simples linguagem de computador ou por software. Contudo, já temos mais dificuldade em chegar a acordo quando se trata de descrever isto. Também acontece frequentemente estarmos atrasados em relação à realidade; basta observarmos o que se está a passar no Instituto Europeu de Patentes. Não podemos, portanto, dar-nos ao luxo de adiar mais esta questão e temos de procurar esclarecer convenientemente o que é patenteável e, sobretudo, o que não é. Pessoalmente, penso que encontrámos o equilíbrio certo graças à posição da Comissão da Indústria, do Comércio Externo, da Investigação e da Energia e às alterações apresentadas pelos meus colegas, Toine Manders e Elly Plooij-Van Gorsel. Qualquer tipo de software fica explicitamente excluído da possibilidade de registo de uma patente. Só são patenteáveis os inventos genuínos. Estes têm de envolver um processo técnico concreto passível de aplicação industrial, e não apenas uma ideia ou uma linguagem. A tecnologia inerente a esse novo processo técnico terá então de ser protegida. Não o facto de ser necessário um computador para a utilizar Fraisse (GUE/NGL). (FR) Senhor Presidente, Senhor Comissário, caros colegas, há aqui várias coisas que não entendo. Por exemplo, não tenho a certeza de compreender o que provocou a decisão de redigir esta directiva. Se foi apenas um problema do Instituto Europeu de Patentes e das requisições de patentes, parece-me que, como ponto de partida, é bastante limitado. Ultrapassa-me totalmente por que motivo a Comissão Europeia, sempre tão preocupada em impedir as concentrações na indústria, propõe a acreditar em vários peritos um apoio à concentração industrial. Parece-me haver aqui uma contradição com os objectivos da Comissão. Não compreende, do mesmo modo, a falta de memória que se observa neste local em relação à catastrófica directiva sobre a patenteabilidade dos organismos vivos. Ninguém sabe como aplicá-la e todos discutem a sua correcta fundamentação. Será possível patentear células de uma folha sem patentear a própria folha? O problema do software e dos contributos técnicos é idêntico. A insegurança jurídica com que nos confrontámos ao trabalhar na directiva sobre a patenteabilidade dos organismos vivos surge de novo com a patenteabilidade do software, dos programas e dos contributos técnicos. Tenho alguma dificuldade com as palavras, pois a directiva não define claramente o que é um contributo técnico. Perante estas incertezas, Senhor Comissário, tenho dificuldade em compreender o que está a passarse. O senhor deputado Rocard evocou 6000 anos de História, mas a História avançou tanto no domínio das biotecnologias como no do software e dos computadores. Estaremos aptos a seguir estas evoluções aceleradas, quando os economistas prevêem grandes dificuldades? No domínio da farmacêutica, segundo nos dizem, as inovações são mais fáceis de identificar e é mais simples determinar o que se prende com os direitos de autor ou com as patentes. Para o software, ainda é muito cedo para saber. O assunto é ainda mais difícil. Os editores e os professores receiam que a sociedade do conhecimento, a transparência e a circulação da informação sejam ameaçadas com este tipo de directiva. Eu pensava que a Comissão Europeia e a Europa tinham assumido o objectivo de evitar tais ameaças. Não entendo o que se passa Dhaene (Verts/ALE). - (NL) Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, tem havido fortes pressões por parte dos lobbies no que se refere a este relatório por estar muita coisa em jogo. Compreendo isso muito bem e partilho dessa preocupação. Esta directiva, que é provavelmente bem intencionada, representa uma ameaça para dezenas de pequenas e médias empresas da Europa que correm o risco de perder os benefícios da sua criatividade em consequência de todas estas patentes. Estas pequenas e médias empresas são a vanguarda do sector empresarial. Temos de as acarinhar, porque nos trazem inovações concretas. Estas inovações permitem-nos manter a nossa posição no mercado mundial. Opomo-nos a esta directiva por representar um excesso de regulamentação. A protecção actualmente conferida pelos direitos de autor é suficiente. Nós, Verdes, somos frequentemente criticados por sermos intrometidos. Ora aqui está a prova de que o não somos. Com efeito, nos Estados Unidos fala-se em tornar mais moderada a legislação em matéria de patentes, que é considerada contraproducente. Então, por que razão havemos de aprovar na Europa uma lei que está ultrapassada? Oreja Arburúa (PPE-DE). (ES) Senhor Presidente, em primeiro lugar desejo felicitar a relatora, senhora deputada McCarthy, e o relator do nosso grupo, senhor deputado Wuermeling, pelo esforço que empreenderam para alcançar um consenso e, no caso do senhor deputado Wuermeling, para explicar esta complicada proposta no nosso grupo. A protecção dos inventos que implicam programas de computador pelo direito de patente não constitui um problema novo e deve ficar claro, como outros colegas

19 23/09/ afirmaram nesta Câmara, que não se pretende estabelecer normas que permitam patentear programas de computador, mas alargar a doutrina clássica das patentes aos inventos que implicam programas de computador. Queremos aplicar as disposições existentes para as patentes aos inventos que implicam programas de computador. Está claro que devemos excluir expressamente, como o fazem algumas alterações, a patenteabilidade de um invento apenas porque utiliza um computador. No que diz respeito ao âmbito de aplicação, gostaria de me centrar num aspecto muito concreto: o da interoperabilidade. A interoperabilidade e a comunicação entre os programas deveriam ser excluídas do âmbito de aplicação desta directiva. Dentro de alguns anos deveria rever-se este aspecto. A utilização exclusiva que a legislação permite aos titulares de patentes obriga o titular a explicar a sua invenção para que seja compreensível para um especialista comum na matéria. Penso que também neste caso devemos insistir neste aspecto e obrigar o requerente de uma patente a explicar suficientemente o objecto dessa patente, porventura só depois da publicação do código fonte, como afirmou o senhor deputado Harbour. Isso seria excessivo. Como dizia, neste âmbito é particularmente importante obrigar os requerentes a descrever a sua invenção. Por último, muitos criticaram esta proposta e afirmaram que pode prejudicar o sector das pequenas e médias empresas. Todavia, cingimo-nos a aplicar o tradicional direito de patente às pequenas e médias empresas, estando conscientes de que as patentes beneficiaram o crescimento e possibilitaram a todos os tipos de empresas - incluindo as pequenas - levar a cabo actividades de investigação e investir em novos desenvolvimentos. Competimos hoje num mercado globalizado, no qual os Estados Unidos e o Japão desenvolvem muitas patentes e invenções. Não podemos perder o passo e devemos regular, também na Europa, a possibilidade de registar como patentes os inventos que implicam programas de computador Ghilardotti (PSE). (IT) Senhor Presidente, também eu gostaria de agradecer à relatora o seu trabalho, porque considero que como o confirmou o debate desta manhã esta é uma questão muito complexa e delicada. Como já aqui foi dito, os programas de computador desempenham um importante papel em numerosas indústrias; são formas fundamentais de criação e expressão. Os programas de computador inserem-se, para além disso, num campo de engenharia especializada e representam uma actividade humana fundamental, havendo mais de dez milhões de profissionais que projectam programas de computador em todo o mundo e dezenas de milhar de pessoas que os desenvolvem. Os programadores independentes e as pequenas empresas desempenham um papel fundamental na inovação nesta área, sobretudo na Europa. A Europa está na vanguarda da cultura da informática: 71% dos programadores livres trabalham na Europa e apenas 13% nos EUA. As patentes não deverão, por isso, permitir a monopolização de instrumentos de expressão, criação, disseminação e intercâmbio de informação e conhecimentos e não devem travar o desenvolvimento da investigação e do conhecimento. O que está em jogo é considerável, pois prende-se com a garantia de que a investigação e a inovação continuarão a ser livres e de acordo com o espírito de Lisboa a estimular o crescimento económico baseado no conhecimento, a fim de promover as invenções e inventos que impliquem programas de computador a todos os níveis, evitando monopólios de produção e de comércio dos produtos que implicam programas de computador. Assim, alguns aspectos fundamentais da proposta da Comissão carecem de modificação e melhoria, para que a regulamentação constitua um passo em frente rumo à delimitação clara e rigorosa das condições de patenteabilidade. Já muito foi dito acerca do contributo técnico, aplicação industrial e importância dos inventos que implicam programas de computador; as condições para a utilização industrial de um invento que implica programas de computador proposto para ser patenteado deverão ser estendidas produto, bem como ao método. Razão pela qual o Senhor Comissário Bolkestein afirmou estar preocupado com o facto de as alterações apresentadas nesta Casa virem a ser adoptadas. Pela parte que me toca, posso dizer que ficarei preocupada se as alterações apresentadas não forem adoptadas, pois, assim sendo, não poderemos aprovar a proposta que temos em mãos Figueiredo (GUE/NGL). Senhor Presidente, estamos num debate da maior importância não apenas para os criadores de sotfware da União Europeia, mas também para todos os que se preocupam com o conhecimento. É que, ao propor a patenteabilidade das invenções efectuadas por computador, a Comissão abre o caminho à patenteabilidade do saber humano. Ora, o saber humano não pode ser património das grandes multinacionais que, neste caso, se confundem praticamente com a Microsoft. Todos sabemos que esta proposta de directiva não dá resposta aos desafios económicos, científicos e culturais do sector do software, nem tão-pouco à necessidade de promover a inovação, o desenvolvimento tecnológico ou os interesses das PME. Sabe-se como é importante manter uma oferta de software livre, como importa dar ao sector público ferramentas para o desenvolvimento de uma indústria de conteúdos e serviços na defesa do bem comum. Por isso, e para dar voz à forte oposição de cientistas e editores de software, a proposta de directiva deve ser rejeitada. Espero que o plenário dê um sinal

20 20 23/09/2003 claro ao aprovar a proposta de rejeição que subscrevo e que foi apresentada pelo meu grupo Karas (PPE-DE). (DE) Senhor Presidente, Senhor Comissário, Senhoras e Senhores Deputados, uma directiva que regulamenta a aplicação uniforme do direito por parte de institutos de patentes e de tribunais de patentes deve ser incondicionalmente acolhida para bem de um mercado interno que funcione bem e para evitar distorções de concorrência. No entanto, não devemos esquecer que o desenvolvimento de novo software não pode ser impedido, que a posição das PME não deve ser ainda mais dificultada, que temos de criar segurança jurídica e que queremos evitar novas distorções de concorrência. Levei muito a sério todas as cartas e todos os debates. Alguns receios radicam em interpretações erradas. Alguns aspectos da crítica baseiam-se em realidades americanas e não no conteúdo da directiva. No entanto, partilho alguns dos argumentos. O Instituto Europeu de Patentes está a violar as leis entre o EPAT, os Estados-Membros e a Convenção Europeia de Patentes. A definição de contributo técnico é demasiado vaga. É necessária uma distinção clara entre inventos técnicos e inventos intelectuais. Por isso, apoio algumas das alterações e alguns compromissos propostos pelo meu amigo, senhor deputado Wuermeling, e pela senhora relatora. Gostaria de agradecer à minha colega, senhora deputada Echerer, pela grande quantidade de material que disponibilizou. Apoio algumas das alterações propostas pela minha colega, senhora deputada Kauppi: as alterações 107 e 108, que definem claramente o termo domínio da tecnologia ; as alterações 112, 114 e 117, que tornam claro que os programas de computador não representam, em si, inventos patenteáveis; a alteração 116 sobre os limites da patenteabilidade e os compromissos do senhor deputado Wuermeling, nos quais se faz referência ao quadro jurídico actual do EPAT e se esclarece que os inventos banais e os procedimentos comerciais não são patenteáveis. Espero que todos nós possamos viver com estas alterações. (Aplausos) Sousa Pinto (PSE). Senhor Presidente, a crescente utilização abusiva e oportunista, na ausência de um quadro legal claro dos mecanismos jurídicos de protecção de patentes, para fazer negócio à custa dos progressos registados no conhecimento informático constitui uma forma inadmissível de privatização do saber humano. A privatização do conhecimento num domínio que não pode grosseiramente ser confundido com o das invenções técnico-industriais significa apenas criar novas oportunidades de negócio. O progresso na informática resulta, por definição, da incorporação de avanços no conhecimento que, por regra, não são titulados ou tituláveis por ninguém em particular. E o direito ao lucro dos mais diligentes na apropriação do património comum não deve ser tutelado pela lei e muito menos devem esses interesses sobrepor-se ao interesse geral, económico, científico e de civilização na não mercantilização do conhecimento. Naturalmente que as verdadeiras invenções de software aplicadas ao processo produtivo, resultantes de um esforço de investimento, devem ser objecto de protecção. Mas entre a tutela desses interesses legítimos e uma patenteabilidade indiscriminada de software com esse pretexto há uma grande diferença. A proposta hoje em debate, com as alterações de compromisso sugeridas pelos socialistas, procura uma conciliação aceitável Niebler (PPE-DE). (DE) Senhor Presidente, Senhor Comissário, Senhoras e Senhores Deputados, também eu gostaria de começar por exprimir os meus sinceros agradecimentos à relatora, senhora deputada Arlene McCarthy, e aos nossos relatores-sombra. Senhoras e Senhores Deputados, necessitamos, realmente, desta directiva? Tal como muitos outros colegas, também eu recebi muitas cartas, exprimindo uma séria preocupação em relação à proposta da Comissão. Eu levei estas preocupações muito a sério, porque ninguém quer impedir a inovação na Europa ou impor fardos suplementares, sobretudo às pequenas e médias empresas de tecnologias de informação. No entanto, depois de ter ponderado todos os prós e contras desta directiva, estou convencido que amanhã vamos tomar a decisão correcta se aprovarmos esta directiva com as alterações propostas pela Comissão dos Assuntos Jurídicos e do Mercado Interno e com vários outros esclarecimentos. Necessitamos desta directiva. O seu objectivo é apenas harmonizar a prática existente na concessão de patentes na Europa, devendo ser adoptados critérios mais rigorosos neste contexto, sobretudo na concessão de patentes. Tenho uma série de razões para apoiar a directiva. Primeiro, ela garantirá que não cheguemos à situação na concessão de patentes existente nos Estados Unidos. Os simples procedimentos comerciais e software puros serão patenteáveis na Europa. Além de a directiva afirmar isto muito explicitamente, tal também é impedido pelo facto de a protecção conferida pelas patentes para inventos que implicam programas de computador exigir um contributo técnico. Estou grato ao senhor Comissário Bolkestein por ter voltado a declarar isto, hoje, de uma forma muito explícita e gostaria de reiterar que não temos qualquer dúvida sobre o assunto. Esta Câmara também não deveria agir como se alguém pudesse interpretar o relatório de uma maneira incompatível com a declaração clara da Comissão e com as alterações propostas, que também são muito claras neste ponto. Em segundo lugar, a directiva não pretende proteger software banal. As patentes a software banal, como, por exemplo, as barras de progresso, são motivo de

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