Projetos de Cogeração e de Geração Distribuída a Biomassa

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1 Projetos de Cogeração e de Geração Distribuída a Biomassa Descrição Implantação de usinas de cogeração e geração distribuída (Gedis) na Zona da Mata do Estado de Alagoas junto às usinas produtoras de açúcar e álcool, com potencial para até 800 MW de capacidade de geração. Entidades responsáveis Célula de Desenvolvimento Econômico Sindicato dos Produtores de Cana de Açúcar de Alagoas Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas Tipo de investimento Projeto privado, com participação total ou parcial do setor sucro-alcooleiro de Alagoas, de forma direta ou por meio de terceiros, possibilitando parcerias ou consórcios. Benefícios para o investidor Proximidade ao sistema elétrico da Chesf Maior oferta de biomassa de cana da Região Nordeste Potencial para projetos de crédito de carbono Fatores competitivos Disponibilidade de biomassa Sistema de transmissão existente em boa parte das usinas de açúcar e álcool Proximidade aos grandes sistemas de transmissão da CHESF Valor aproximado Em função das diferentes características de projeto, o valor médio de potência elétrica oscila entre US$300/kW e US$420/ kw instalado, produzindo energia elétrica da ordem de US$29/MWh a US$32/MWh, independente da valorização do vapor de processos industriais e da negociação dos títulos de crédito de carbono. 48 Oportunidades de Negócios

2 Financiamento Poderá ser incluindo nas linhas de financiamento do BNDES, próprias para essa atividade e em programas específicos, como o Proinfra (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica). Benefícios para a economia de Alagoas Ganhos ambientais com a utilização da biomassa Fortalecimento e segurança energética Aumento da arrecadação com a energia elétrica gerada Capacitação de Alagoas como produtor regional de energia Cronograma Deverá ser definido em função do projeto e dos possíveis arranjos para a formação de parceria/consórcio. Em princípio, sua implantação é possível no prazo de 18 a 24 meses. Empresa(s) interessada(s) Usinas de açúcar e álcool de Alagoas CEAL Companhia Energética de Alagoas Projetos de Cogeração e de Geração Distribuída a Biomassa 49

3 INFORMAÇÕES ADICIONAIS Introdução Os produtos da cana participam com aproximadamente 12% da matriz energética nacional. Historicamente, Alagoas apresenta a maior produção de cana-de-açúcar das Regiões Norte e Nordeste. A safra 2002/2003 registrou produção de 25 milhões de toneladas de cana moída, correspondendo a 45% do total produzido nas duas regiões, resultando nas seguintes produções: Álcool anidro e hidratado: m 3 Açúcar: toneladas Biomassa energética: 8,35 milhões de toneladas, provenientes do processo de produção e da palha retirada na colheita (mecanização de 50%) Em termos de equivalência energética, a produção corresponde a 27,6 milhões de barris de petróleo (bep), ou seja, produz bep/dia. A partir do esforço empreendido pelo setor agrocanavieiro do Estado nos últimos anos, com a remodelação tecnológica, os avanços genéticos da cana e os intensos programas de irrigação, esses montantes vêm aumentando significativamente, com expectativa mais intensa para as próximas safras. Energeticamente, pode-se dividir uma tonelada de cana-de-açúcar em três partes: Produto Peso (kg) Caloria (10 3 Kcal) Açúcares Bagaço (50%umid) Palha (15% umid) Total 1718 Sendo que uma tonelada de petróleo tem x 103 Kcal, uma tonelada de cana equivale a 1,2 barris de petróleo. Se a vinhaça fosse aproveitada para fins energéticos (seu melhor destino é como fertilizante e ração de alto valor protéico), poderia ser aproveitada de diferentes formas, potencialmente como biogás. Considerando que na Região Nordeste a maior oferta de biomassa de cana ocorre no período de menor precipitação pluviométrica, a participação e operação desses projetos disponibilizando energia elétrica no contexto do SIN (Sistema Interligado do Nordeste) deveria ser integrado à política energética nacional e à estratégia de oferta regional de energia, de forma mais participativa e não ser tratada de forma residual e marginal nas relações entre os investidores e as concessionárias de serviços públicos de energia elétrica. A biomassa é disponibilizada, basicamente, no período da safra, predominando nos meses de agosto e setembro. Para efeito de seu uso como combustível em caldeiras na geração de energia elétrica, considera-se, em média, um período máximo de até 150 dias por ano. A consideração do uso do gás natural de forma complementar à biomassa elimina a sazonalidade da disponibilidade de combustível. Potencialidades O setor canavieiro alagoano tem como visão atual o pleno aproveitamento da energia primária contida na cana, não só com o álcool combustível, mas também com a energia elétrica. Para tanto, estão em operação nove usinas de cogeração, totalizando Oportunidades de Negócios

4 MW de potência instalada, economicamente viáveis para a autoprodução de energias térmicas e elétrica nas usinas e destilarias de açúcar e álcool. A viabilização da autoprodução possibilitará a melhoria e a modernização dos atuais processos de produção de vapor destas plantas, com os conseqüentes ganhos energéticos e econômicos. Em função dos montantes de biomassa energética registrados na última safra estadual (8,35 milhões de toneladas advindos do bagaço e da palha) e das possíveis tecnologias disponíveis na indústria brasileira, calcula-se um potencial de cogeração entre 263 MW e 788 MW. A inclusão do gás natural como complemento energético à biomassa oferece novas vantagens: Eliminação da sazonalidade operativa, uma vez que a mistura de 20% a 80% dos dois combustíveis permite operar horas por ano, ou seja por 11 meses Aumenta consideravelmente a energia produzida no ano ou disponibilizada, permitindo a comercialização dos energéticos como PIE Produtor Independente de Energia Em termos térmicos, garante qualidade de queima mais homogênea e com maior densidade térmica, se comparada ao uso exclusivo da biomassa Inerente ao processo renovável da produção de biomassa estão os ganhos ambientais, que podem ser identificados pelos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo MDL e valorizados sob dois enfoques: Montante financeiro referente à captura de carbono do meio ambiente (crédito de carbono), que se agrega ao valor da produção e da comercialização das energias. Identifica-se este valor ambiental pelo desenvolvimento das culturas de cana, na proporção da substituição de emissões evitadas na queima de combustíveis fósseis. Cada MWh produzido pela biomassa de cana evita que 0,604 toneladas de CO2 sejam emitidos, se a mesma energia fosse produzida por óleo combustível ou carvão mineral. A captura de uma tonelada de carbono vale, em média, no mercado mundial de US$3 a US$5, por meio de títulos negociados nas principais bolsas de valores dos EUA e Europa. Considerando os potenciais de cogeração informados, calcula-se uma receita anual advinda desses créditos de carbono de US$2,76 milhões a US$13,80 milhões. Não está incluída nesta informação a possibilidade de créditos de carbono da produção e comercialização de álcool para fins automotivos, para a substituição do consumo de gasolina, que é muito superior ao da produção de energia cogerada. Valor intangível representado pelas vantagens sociais e de preservação da saúde dos seres vivos, incluindo o homem, decorrente do ganho de qualidade ambiental pela redução de emissões aéreas impactantes. Como oportunidade de mercado, de acordo com decisão do MME para o Proinfra, a Eletrobrás dará valorização contratual garantida de compra de R$ 93,77/MWh para a energia produzida por unidades de cogeração que utilizem biomassa de cana, até o limite de 1.100MW instalados para esse tipo de projeto. Projetos de Cogeração e de Geração Distribuída a Biomassa 51

5 Potencial de energia primária Em termos de potencial de cogeração, com uso exclusivo de biomassa de cana no Estado, considerando a produção da última safra, tem-se: economicamente mais competitivo, com o gás natural, que apresenta maior densidade energética, tem as seguintes peculiaridades: Apresenta acréscimo de custo de Situação kwh/tc FC anual (%) Energia (GWh/ano) Potência (MW) 1 (44 Bar-360 C) (60 Bar-420 C) (80Bar-480 C) Notas A situação 1 representa a média atual das instalações de caldeiras, com vida útil além de 50% do tempo estimado. A situação 3 representa a melhor tecnologia nacional disponível. A solução proposta insere o gás natural à biomassa com proporções que podem variar de 20% a 80%, permitindo aumentar o tempo de produção de energia de cinco meses (FC=40%) para até 11 meses (FC=92%) e, por decorrência, da potência da usina, em função da decisão sobre tais parâmetros. Nessa solução, entre outras providências, as atuais caldeiras devem ser trocadas ou adaptadas às novas condições de queima. Benefícios para os sistemas energéticos Atualmente, o Estado conta com nove unidades cogeradoras que utilizam biomassa de cana e que estão instaladas nas usinas canavieiras, totalizando 98 MW de potência elétrica. Como geração distribuída, esses projetos desoneram os investimentos do sistema elétrico interligado (SIN), minimizando as perdas de transmissão, além da função principal na produção de vapor necessário aos processos industriais. O uso proposto em associar a biomassa da cana, como o combustível operação se comparado com a solução individual, em função do preço do GN e da tecnologia de queima mais moderna Proporciona um incremento na eficiência energética pelo aumento do poder calorífico da mistura, pela uniformidade térmica e pelo maior tempo de operação no ano, resultando em menor custo de energia produzida Oferece uma solução de baixa agressividade ambiental, produzindo energias com maior qualidade (tensão, freqüência e uniformidade térmica ) de forma continua e confiável As conexões com a rede elétrica permitem um fluxo bidirecional, tanto para a exportação dos excedentes como para o recebimento de energia de back up da concessionária de energia elétrica. A complementação a ser feita pelo gás natural permite a expansão da rede de gasodutos de distribuição para o atendimento a consumidores dos setores industrial, comercial, de serviços e residenciais próximos às unidades. 52 Oportunidades de Negócios

6 Considerando que na Região Nordeste a maior oferta de biomassa de cana ocorre no período de menor precipitação pluviométrica, a participação e operação dos projetos disponibilizando energia elétrica, no contexto do SIN, deveria ser integrado à política energética nacional e à estratégia de oferta regional de energia de forma mais participativa e não ser tratada de forma residual e marginal nas relações entre esses investidores e as concessionárias de serviços públicos de energia elétrica. Potenciais investidores Os investidores da área canavieira são os principais agentes do negócio, podendo Chesf, Ceal e investidores privados do setor elétrico serem parceiros, tanto nos investimentos a serem realizados como na compra de eventuais energias excedentes e nas garantias de energia de back up às plantas de açúcar e álcool, quando das paradas das unidades de geração. A possibilidade de associar a biomassa de cana com o gás natural permite aumento do fator de capacidade dessas unidades para que, fora do período de processamento da cana, a energia seja negociada com o sistema elétrico, por meio de contratos com as concessionárias. Essa prática oferece ao setor sucro-alcooleiro receitas adicionais e significativas. Em função da evolução do novo marco regulatório do setor elétrico e dos arranjos negociais a serem apresentados, esse tipo de projeto deverá ter um tratamento institucional mais adequado ao seu potencial de contribuição para a matriz energética nacional. Projetos de Cogeração e de Geração Distribuída a Biomassa 53

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