NO MEIO DE NÓS. a história de uma vida num belo romance de amor ao próximo. Silas Corrêa Leite

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1 ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS a história de uma vida num belo romance de amor ao próximo Ψ Silas Corrêa Leite 1

2 Não te dei face, nem lugar que te seja próprio, nem dom algum que te faça particular, ó Adão, a fim de que tua face, teu lugar e teus dons, tu os desveles, conquistes e possuas por ti mesmo. Natureza definida de outras espécies em leis por mim estabelecidas. Mas tu, a que nenhum confim delimita, por teu próprio arbítrio, entre as mãos daquele que te colocou, tu te defines a ti mesmo. Te pus no mundo, a fim de que possas melhor contemplar o que contém o mundo. Não te fiz celeste nem terrestre, mortal ou imortal, a fim de que tu mesmo, livremente, à maneira de um bom pintor ou de um hábil escultor, descubra tua própria forma... (Picco della Mirandola Oratio de Homminis Dignitate) Para todos aqueles que crêem. (Os que não crêem, merecem-se.) Início pela primeira vez, fim de março de Término Junho de

3 ELE está no meio de nós É preciso descer muito fundo para encontrar forças e subir novamente (Cântico Hassídico) Introdução Era para ser só mais uma simples noite em que Paulo de Tarso Trigueiro saía para jantar com a segunda mulher, a ex-amante e agora - de papel passado - esposa oficial, a bela, morena, alta e garbosa Dagmar Marlene Zakir, corpo escultural, cabelos castanhos crespos e brilhantes, bem cuidados, busto farto num tubinho preto de seda japonesa, bem decotado, ancas grandes entre pernas bem torneadas, incisivos olhos azuis em formato de amêndoas, carnuda boca oval em alto relevo, canelas luzidias e pés de bailarina clássica, quinze anos mais nova que ele. Escolheram, como sempre, o La France, um bem freqüentado restaurante caro e famoso, fincado num enorme prédio estilo neoclássico ali no bairro rico do Itaim Bibi, onde o lugar, de preços caríssimos e com conhecido pianos-bar, ficava no terraço de ladrilhos azuis portugueses de uma cobertura bem iluminada, perímetro urbano nobre da primeira ponta da zona sul da cidade de São Paulo. Era o final de março de um ano qualquer, o tempo cismara ruim e se portara úmido o dia inteiro na maior cidade brasileira e uma das maiores e mais populosas do mundo, mas, por ser sexta-feira e penúltimo dia do mês ainda de outono com lua cheia, o engenheiro e empresário do ramo de construção deu-se outra vez ao luxo de mais uma repetida noite sósia regada a uísque importado da Escócia, um geladíssimo champanhe Dom Pérignon, de boa safra centenária e de alto preço, rosada lagosta californiana ao creme de patê de fígado de faisão belga, batata palha queijada ao molho de cidra com queijo Camebert e manjar de manga mais arroz ao tempero acridoce. Depois da sobremesa (sorvete de nácar de tâmara transgênica com licor de abricôt 3

4 grego) iriam, certamente, ganhar um discreto motel de luxo das imediações da Avenida JK, onde passariam mais uma noitade de amor e luxúria inesquecível. Dr Paulo de Tarso Trigueiro, branco, alto, magro, olhos verdes, negra barba cerrada tratadíssima, cabelos levemente grisalhos, engenheiro civil formado pela melhor universidade do Brasil, a USP, com doutorado em Edificações Modernas pela Sorbonne, França, estava viúvo do primeiro casamento (o primeiro amor de nossas vidas é para sempre?) a pouco menos de ano e meio, e então pudera, como prometera - mesmo que de certa forma sendo imperiosamente forçado pelas circunstâncias, diga-se de passagem - assumir socialmente a emergente socialite ex-amante de pouco mais de trinta e cinco anos anos, sua ex-secretária trilingüe de pernas fabulosas, agora oficialmente (e entojada) metida a falsa rainha do lar, mas que, ainda assim de forma teatralmente dissimulada o depenava não apenas e tão somente no jargão do sexo (e suadouro na peleja do côncavo e convexo dos seixos íntimos) selvagem e total, mas, financeiramente também. Era o estilo, o modus operandi de todo o sofrível percurso dela. Havia sido uma perigosa aventureira sexual, cheia de charme e volúpia explicita, oriunda do norte de Minas, família de descendente de ibéricos católicos conservadores até as tripas, e que, coitados, mal sabiam os estranhos degraus de ascensão que ela pisara como uma espécie de vampira ou fêmea fatale, ou em quantas camas se aliviara perigosamente e com quantos amantes fogosos desde a aldeia natal aprendera a ser poliglota para uso e consumo, ou mesmo adquirira graus boçais de etiquetas de ocasião, além de receptar certa bagagem de cultura inútil também, o que lhe valiam um jeito loquaz, sedutor, irresistível, pegajoso, quase grude. A faca e o queijo. Ele, um bem sucedido empresário algo liberal de ocasião, nascido humildemente pobre e paupérrimo, pois que era filho bastardo de rico empresário (que o renegara desde o ventre) só que criado em geográfico berço esplêndido da aldeia natal, a bucólica cidade de Itararé, sul do Estado de São Paulo, local histórico e famoso que adorava, e pelo qual era, como tantos boêmios & artistas locais, fanático de carteirinha. Afinal, a história do Brasil passava por Itararé de tantas revoluções que na verdade não revolucionaram nada, apenas deram verniz de viés novos a engodos históricos desde os primórdios da invasão colonizadora-exploradora de Para ela, sempre atiçada, seria mais uma noitada feliz de entrega total e prazerosa, a fazer sentirem-se numa sauna (e poder depenar o 4

5 marido pato de todos os jeitos e posições). Para ele, no entanto, estranhamente tudo aquilo era apenas mais uma mera fuga. Não passava de um deleite de ocasião, um desfrute que apenas somava no contexto lógico-sequencial que vivenciava. Nem era mais tão importante assim. Talvez uma mera e fisiológica trivial oxigenação de cadarços íntimos. Ultimamente e, sem fazer alarde, sendo discreto ao seu jeito, para não dar na vista; para não estimular acirramentos de ânimos ou pôr desconfianças em arranjos pecuniários de meio, estava com alguns problemas ainda não inteiramente decodificados numa sintonia fina de seu interior algo transido. Não problemas financeiros, pois tinha crédito internacional e outro montante em grandioso valor que arrancava do governo corrupto até as vísceras, por competente tráfico de influência de amigos e alta podridão que entrevava o executivo municipal sob a guarida da quadrilha de um turco ladrão e sua máfia neoliberal da Capital Paulista, tornando a cidade de tantos contrastes sociais um verdadeiro esgoto a céu aberto, com mais de dez mil mendigos e outros graves problemas de falta de sensibilidade administrativa estatal e noções primárias de humanismo cívico. Coisa de Terceiro Mundo mesmo. Tinha problemas era de foro pessoal, pois que vinha, escondido de se manifestar, se sentindo cansado de viver, cansado de tantas coisas. Lia muito como se quisesse fugir. Clássicos, teatro, gibis, jornais, revistas. Uma fuga para dentro de um isolamento feito ilha? - Cansado de viver? Sentia uma iniquidade da vida, talvez a depressão da acuada idade do lobo num labirinto, talvez algum ramo da consciência pesada pelo que fizera à primeira mulher amada, traindo-a por longo dez anos com a arrebatadora secretária posuda e insaciável, enquanto um horrendo câncer de pele consumia a gentil e prestativa patroa acadêmica, a cerzia epidermicamente como a tornála com pele de uma nós moscada ou uma pelica de maracujá murcho, escondendo clandestina e secretamente um tempestuoso romance explosivo, fugaz, possessivo e platônico. Arrebatador. Ele, sem o saber inteiramente e identificador de curtume íntimo, paulatinamente passara a ter um certo desprezo a este mundo, construído por um Deus sem que este estivesse preocupado com o bem-estar geral do ser humano. Era isso? Que absurdo era isso? Essa situação contraditória em si mesma, na verdade significava um ato independente e de afirmação da própria individualidade, misturando-se entre o vício e a virtude, a coragem e a covardia, a vida e a morte, com perspectiva dessa rebelião íntima levar ao risco de dissolução da própria existência com o suicídio de alguma maneira, paulatina ou radical. Era a fuga sensível para a interioridade, 5

6 criando uma espécie de impasse tragicômico. Era o Ser Humano entre o caos e o nada, quase que um simples Eco sem saída. Talvez, ainda assim, já sem o saber de explícito e com alguma aceitação tácita, buscando ao procurar sarna pra se coçar com uma amante metida a amarrar homens incompletos - um verdadeiro sentido para a sua vida, tendo sempre martelando na cabeça uma frase de bela canção do cantor compositor Caetano Veloso que lhe implicava na mente abalada, no rol dos dias taciturnos, atribulados, rotineiros e tristes, e que se lhe vinham a cobrar sem harmonia, melodia e ritmo, a frase meio filosófica, curta e grossa que cobrava:... Existir a que será que se destina? Podia fugir, esnobar, montar fantasias, viajar, claro. Aliás, podia tudo. Tinha cacife e handicap para isso e muito mais. Tinha mansão de arquitetura estilo helênico no Condado de San Marino e suntuosa casa de veraneio projetada por Oscar Neymaier e decorada por Burle Marx na Republiqueta de Mônaco, na área chique da Europa; podia levar a temperamental esposa nova, cara e cheia de volúpia de nome Dagmar Marlene para fazerem um retiro velejando numa bela escuna azul de nome Corcovado pelas águas de ágata do mar Mediterrâneo, mas sabia que não era isso. Isso não importava, já tentara e não fizera sentido. Que caminhos há nos descaminhos? Portas e janelas não se abrem sozinhas. Sentimentos-chaves abrem válvulas de escape por dentro?. Compreenderia as várias tríades para se entender a vida: passado, presente e futuro; inconsciente, pré-consciente e consciente; emoção, ética e razão; id, ego e superego; real, imaginário e simbólico? O quê estava acontecendo no cárcere fechado de sua inquirição íntima? A viagem que tinha que fazer, que era necessário fazer, não tinha rumo certo e sabido; sequer prisma, condução ou trajeto próprio. Não identificava curso em si, como dizia a canção, sobre uma estrada de tijolos amarelos de um ídolo pop britânico. Precisava não de lastro social, financeiro ou que endossasse o ego algo doentio, mas de uma âncora na alma?. Tinha tudo: poder, riqueza, tesão. Mas era infeliz. Baixa auto-estima?. Avaliação de percursos. Cálices transbordando... Alguma coisa não cabia inteiro em si, como se uma cisma interior, rançosa. Era infeliz, apesar de achar que com a 6

7 morte da primeira mulher de sua vida, a Professora-Doutora Carolina Fé, sua primeira namorada desde a saída de sua aldeia nativa de Itararé amor a primeira vista - seria livre e poderia alçar vôos maiores. Mas, afinal, que vôo é esse que nos leva para dentro de nós? Como o sol, a loucura tem sua própria órbita. A mente sensível que se abre para uma idéia, pois estranha que seja, jamais voltará ao seu tamanho originariamente crível. Era o caso dele. Mas ele mal sabia o que sabia. Não entendia porque estava assim. Caros especialistas de renome, seus amigos pessoais de jogos de pôquer ou bridge equestre que adorava, detectaram que era tédio de viver na mesmice de tudo correr bem, tudo dar certo, a grana fluir. Era uma doença boçal de burguês, quase frescura, caçoaram, enquanto bebiam, comiam, jogavam, apostavam entre firulas, levavam a vida no vai da valsa, pouco se danando para o resto do mundo. Fricote babaquara de membro da classe dominante que não sabe onde pôr a grana saindo pelo ladrão, brincaram. Só que ele sentia direito e completamente isso. Ele precisava achar-se. Ele tinha que se dar um jeito. Muita coisa não fazia sentido no eixo todo de sua vida. Era uma amargura, uma angústia, um desespero. Tudo sem rótulo, sem viés, sem remo, sem praia. Que importava a origem dos ventos, se os pedidos de socorro estavam abandonados numa areia qualquer, sem pegadas ou espaço indizível de sua inconstância? Que fuga perniciosa era aquela agora? Os filhos adorados, semeados fáceis na lida, todos ricos, bem encaminhados, cheios de si. Tinha uma dúzia de netos maravilhosos, de seus seis herdeiros todos varões, que lhe davam orgulho e retorno de carinho certo, mesmo com a estupefação geral em família por causa daquela madrasta intrusa que laçara o patriarca, e que sabiam ser pouco menos que uma piranha dando o golpe do baú, pois o velhote era mesmo da pá virada e bem assanhado por um belo par de pernas. Crime e castigo? Tivera já a fama caseira de fogoso. Mas, para quê era o cabide da existência, reinava ele? Punhal de groselha preta no peito transido. Por que estava sem chão? O medo da morte não era, pois que era determinado, cheio de si, e até um adepto costumaz de esportes radicais, adrenalina à mil. Praticava pesca submarina em Búzios, litoral carioca, exercícios de asa delta nos grandiosos canyons da região de Itararé, ou caras empreitava corajoso diversas viagens para alpinismo nos gélidos Alpes Suíços. Calibrar o medo era parte de seu curriculo vivencial. 7

8 Só compreendia, só entendia de saber que era um nó gótico no mais íntimo de si. Estava perdido e não sabia por quê. Era bom mas não sabia para quem. Era ser humano e não sabia exatamente o quê de exato e completo era Ser inteiramente isso. Ou o que fazer disso. Há males que vêm pra bem? Dagmar Marlene, obviamente, não compreendia nada daquilo, era vazia inteiramente nessas conjecturas e ponderações de tal quilate. Afinal, o quê ela compreendia? Só pensava em consumo fácil, em noitadas de deleite, em mostrar-se esposa (com anel de brilhantes, turmalinas e ouro branco mais os papéis que fizera correr depressinha em trâmites de proclamas do cartório de Itararé) cheia de vaidade e rendida em si, em sua limitada ética de vivência pessoal. Era interesseira e, topetuda. Desfilava com ele como se o tivesse sob relho, chave de cela ou como se o pobre maridão fosse um troféu de caça clandestina, um marionete ou um servil potro velho, não um engenheiroarquiteto e construtor de renome. Ela era dissimulada, vaidosa, egoísta, não era flor que se cheire, nem de fritar bolinhos, como diziam em sua terra, lados provincianos das Minas Gerais. Ele era secreto de si próprio, ensimesmado. Ela mostrava-o à sociedade como um passaporte da agonia para um céu de perspectivas novas, invadidas, um butim que amealhou por ser não uma expert, mas uma esperta no sentido ruim da palavra. E ele vegetava, ao seu modo, escondido de existir, apesar de dar à ela, física e pecuniáriamente, o melhor de si. Mas isso não era tudo. O quê é tudo? Ela era viajada de alcovas. Ele era prisioneiro de seu próprio limite. Ela era uma loba sexual e ele correspondia. Mas não, não era isso: nem sexo, droga, dinheiro, cultura ou status fazia seu mau estilo recémdescoberto. Não estava cabendo em si. Naquela noite comum e rala como tantas outras, jantou como se estivesse tranqüilo como de costume, comeu do bom e do melhor, bebeu a fartar-se, para não perder o estilo rotineiro, quase relaxou a aparência transida com a luva de pelica das aparências, da gula e do álcool. A química da pele da sensibilidade, é alterada quando escrevemos uma fuga por linhas tortas? O quê não fazemos estimulados pelo álcool entintado? Tudo começou a acontecer exatamente quando, saiu da cobertura cheia de lustres belgas do alto daquele prédio de destaque na arquitetura urbana, pensando em ir buscar o carro importado, doze andares abaixo, num elevador social privativo para isso, já tendo avisado pelo 8

9 interfone o conhecido e gentil paroara Adalberto, encarregado das chaves e dos préstimos costumeiros de rotina diária. Por uma coisa boba, passageira, quase infantil aviso ou instinto? (a loucura tem lucidez que a própria essência do ser desconhece) resolveu, quase que de forma incrivelmente pueril, ver a grande e violenta cidade superpopulosa e iluminada lá de cima, ainda algo longe dos camuflados contrastes sociais da abandonada periferia sociedade anônima escondida em morros ali pertinho. Chegou-se à murada de tijolinhos vermelho o manobrista deveria estar nesse momento procurando o carro caríssimo e chique dele entre tantos outros de primeira linha e alta tecnologia mas aquele homem rico de posses e pobre de espírito estava contemplando o curtume lá embaixo, enquanto a posuda esposa com o maitre conhecido tomava o elevador social para esperar na área de luxo da sobreloja do edifício. Foi quando ele viu. Poderia ter sido só um meio desmaio, um circunstancial estado onírico de momento (o jantar não fora um desfrute delicioso?) uma visão estimulada pela química da boa safra que a cara e destilada bebida rosé resultara, uma clarividência explicável que fosse coincidente, no favo da sensibilidade apurada. Mas ele VIU!. Sim, ele enxergou completo. E era como se esse estupendo e inusitado Ver imenso o ligasse à tomada extrasensorial de alguma coisa no muito além de si, num plano terreal, numa placentária gambiarra de luz, onde ele poderia afinal achar-se em serenidade e farta paz espiritual consigo mesmo. Os desígnios de Deus nem sempre são os nossos?. Lá embaixo, com a visão boa com que se descobrira tocado a saúde era perfeita para a sua idade, disse o Dr. Israel Barbeiro, especialista em Geriatria pela Universidade de Nova York - viu o que não cabia inteiro no pleno e cabal em si, em tal suprema contemplação. Meu Deus! - O coração quebrou um cristal íntimo de ânfora que de presto enraizou de menta fina os arquivos neurológicos do privilegiado cérebro de vencedor. Pois, ao lado de uma mureta de um prédio velho em reformas, perto de uma marquise úmida que servia de teto para mais um bando de desiludidos cidadãos de rua, mendigos, menores e velhinhos abandonados mal cobertos com trapos de papelão e retalhos de lixos, ele viu. Quase não 9

10 acreditou. Então haviam os sensíveis que davam um pouco de si pelos desafortunados? Que lição e tanto! Por um momento chocou-se. Levou um susto com o que sentira do que vira! Não aceitou aquilo, no primeiro instante do tranco no cárcere de seu ser sensível. Mas o mais íntimo perenal de si creditou aquele imenso e maravilhoso Ver alavancado pela sensibilidade mordida de algum insight presencial. Ao lado de uma velha kombi branca queimando óleo, saíram os três e deixaram a marmita de comida para os abandonados sociais, quase duas horas da madrugada daquele dia que lhe fora difícil até para fechar o balancete do ano passado e preparar as glosas costumeiras (batendo com o Caixa Dois) do Imposto de Renda do Ano Fiscal anterior e sua ativa caixa preta de insanos lucros impunes. LÁ ESTAVAM ELES!. Só podia ser. E acreditou piamente nessa maravilhosa hipótese. Quase ralhou-se por um tomo de incredulidade da dúvida. A dúvida a reinar? Olhou mais para o lado, temeroso que fosse um desvario, e, na esquina, onde uns pobres meninos mambembes dormiam seus pesadelos sem o crivo seguro sequer de eventuais pais de rua, tantos OUTROS. (Servos na liberdade, pobres entre riquezas, mortos em vida porque traziam no próprio corpo os grilhões que os prendiam, no espírito o inferno que os oprimiam, na alma o erro existencial que os debilitavam, na mente abalada o letargo que os matavam pouco a pouco, dia-a-dia.) Algum escondido e inusitado sininho tocou em sua alma. Uma nuvem de luz invadiu seu coração que moveu placas de sentimentos revisitados. Sua mente aceitou um código não identificável. Era aquilo que ele buscava. Uma resposta, um legado? Sim, para isso valeria a pena viver. Chorou até ser surpreendido pelo Maitre Riovaldo que, na demora do retorno para a saída o fora flagrar aturdido olhando para um nada completo lá embaixo. Mas ele vira TUDO. Ele sempre tivera a percepção muito apurada desde guri em Itararé. Era chamado de pessoa fina, especial, terna, doce, sensibilidade à flor da pele, apesar de tudo o que a vida de ruim lhe dera como bagagem e destino cruel. Desviara isso para um necessário instinto de sobrevivência, para um tino comercial, para abrir caminhos. Manter-se vivo era uma coisa séria. 10

11 Depois variara momentos, caíra nas redes do mundo, nas entranhas pouco éticas do lucro fácil. E os desacertos do mundo não fazem bem à toda alma humana. Criam ranço e certos disparates em fluxos de inconsciências por traumas mal resolvidos. Quem é marcado pela fome, pelo abandono, pela injustiça, sabe o peso disso. O medo de se perder é eterno. E ele mudara muito. Mas não mudou tudo a ponto de secar inteiramente o Dom que possuía, no mais íntimo gomo de um favo de si. Se bem que,de uns tempos à esta parte, era só um Ser Humano bem atrofiado pelo volume de negócios e grana alta. Luxo, riqueza, poder. Que mal isso pode fazer ao homem. Riquezas injustas? São Lucas falou disso nos Evangelhos. Riquezas impunes? O intelectual Millôr Fernandes tinha escrito algo a respeito. Falácias de intelectuais que gostavam de pobres?. O país era um caldeirão de descamisados. Nem só por isso, mas o buraco da agulha se tornara menor, e o camelo do esquecimento social cristão criara carcovas de irrazões e medos de limites racionais. Quase chamaram um médico importante do convênio internacional. Quase pediram um helicóptero ou uma ambulância. O prédio mesmo tinha um heliporto cinco estrelas. A segurança era perfeita. -O que está havendo, doutor? Qual é o problema dessa demora? -Eu estou bem, pode ter certeza disso, Riovaldo. Muito obrigado pelo préstimo da atenção. Você sempre tão gentil comigo. -Mas o sr. está verde, doutor? Quer que eu chame uma ambulância? Em minutos o sr. estará sendo bem avaliado. -Pode deixar, amigo velho. Hoje foi o dia mais importante da minha vida. Você nem pode imaginar... -Mas o sr. está chorando!. E tem muitas outras lágrimas nos olhos, prontas para o desmanche de um devir. Dá pra se perceber claramente isso. Riovaldo era pintor escondido nas horas vagas. E ler livros de auto-ajuda era seu hobby secreto. Cobrou preocupado e sensivelmente abalado com a cara do cliente antigo: -O que houve, doutor? Retornou o elo da questão. Estava preocupado, com medo, vestido de assombro. -Nunca me senti tão feliz. Nunca me senti tão Eu. Na verdade, nunca me senti tão inteiramente dentro de mim mesmo, respondeu Dr. Paulo. Emocionadíssimo. -O quê o sr. viu lá embaixo? Não dá pra distinguir nada. O sr. está passando bem? Quer que eu avise sua esposa? 11

12 -Vou descer. Até qualquer dia desses, meu bom rapaz. -O sr. virá tomar seu uísque amanhã, antes do almoço, como de praxe há mais de dez anos? -Nunca mais! Nunca mais! Boa Noite, Ariovaldo. Desculpe alguma coisa, por favor. Tenho que ir-me... O Dr. Paulo de Tarso Trigueiro já não era o mesmo. Tomou meio torto o elevador de serviços. Em minutos rendia-se com a com a esposa Dagmar Marlene que já estava preocupada com a demora e reclamava ostensivamente de alguma coisa, beiçuda, de tromba. Tomaram o carro, um jipe cheroquee preto, importado. O dr. Paulo deu dez reais ao manobrista. Ela, casca grossa, pediu de sopetão para dirigir, pois tinha bebido pouco e o queria inteiro e despreocupado na cama com colchão d água e italiano espelho oval no teto. Ele entrou pelo lado direito no carro e só pensou em ir para casa. Sabia muito bem o que fazer agora. Sabia, finalmente, que rumo inicial e definitivo tomar. Um dia os nossos sentimentos despertam agonias e placas de emergências pedindo colo infinital. Sabia o que fazer de sua vida sedentária. Que Deus tivesse misericórdia de sua miserabilidade, pensou e guardou consigo essa toleima. Estava emocionado que não compunha palavras no seu tento de sensibilidade tocada. Parecia envernizado de lume terreal. Tinha visto uma luz no fim do túnel e tinha que se preparar para ir ao encontro dela. Era um chamado? Era a única saída. E a seguiria até os últimos dias de sua vida, que até então tinha sido entregue à mesmice trivial de coisas pífias, ignóbeis, vis, nulas. Coisas bobas, mediu-se,;que na verdade não tinham nada a ver com a sua verdadeira essência

13 UM Deves criar o Bem a partir do Mal. É esse o único modo de o criar... (Robert Penn Warren) Dagmar Marlene caçou o batom carmim italiano da bolsa de couro de javali sul-africano que comprara na Butike Brasil em Mahatam, Nova York, Estados Unidos, num verão do ano passado; nas montadas férias que viajou com ele a título de segunda lua-de-mel, e, para não perder a pose e o estilo quizilento da fase pré TPM, reclamou da sisuda cara de azedo do marido que parecia ter visto, no entender dela, o próprio cusarruim. Ele percebeu: continuava vendo, sempre e sempre, não acreditando que, finalmente tinha aberto algum chip cerebral que lhe permitia tanto. Quantas vezes parara naquele mesmo farol, entre a Avenida Faria Lima e o princípio de uma travessa da Avenida Santo Amaro, e, tantas vezes, como outros milhares de motoristas ricos e apressados empresários, destilara veneno no olhar bravo e no gestual bronco clicava rapidamente o botão do fecho do vidro automático, ligava o ventilador - quando aparecia um pedinte rueiro sujo, um inglório menor abandonado negro ou pardo, um esquelético velhote a querer tomar seu precioso tempo de empresário bem sucedido; tocar com mãos sujas de fuligens e nódoas seu potente carro, pedir a intrometida e inconveniente gentil caridade de mais um adjutório. Por que não iam arrumar o que fazer? Por que não voltavam para a Bahia que tanto cantavam em verso e prosa? São Paulo estava infestado de miseráveis. Quando não favelados, migrantes nordestinos ou sem tetos atirados na rua da amargura. São Paulo era uma pocilga, um mercado de pungas, pensava nessas ocasiões. São Paulo era um monte de barracos, no seu cinturão periférico. Como tinha sido mudado, no rol da desconstrução do eixo de si. Agora era outro. Pensava diferente. Condoía-se. Agora via tudo com olhares novos e limpos, puros, sadios. Sabia o que queria. E ai de uma mulher que queira impedir um homem de ser o que ele é, quando ele descobre algum segredo, algum mistério, alguma sagração de exposta grandeza sensorial íntima exacerbada. 13

14 Enquanto a esposa xucra para o seu nível cultural e de intelecto privilegiado, nervosamente ligava o rádio e caçava no controle remoto adjunto ao volante esportivo o dial de uma estação de FM com música brega-chique, ele continuava olhando as ruas úmidas e entregues à fauna mista, entre ratos humanos, baratas de lixões e toda sorte de gentinha, vultos imóveis entre sombras, a ralé. Os miseráveis. A noite ia ser longa. Ele perdera o tesão pelas coisas terrestres. Lá fora, aqui e ali, via tudo novamente. Sim, lá estavam ELES. Sob a cobertura de precária lona encardida talvez roubada de um rueiro carro de hot-dog, dormiam outras pessoas sem eira nem beira. Párias a escória. Parecia mais uma família de migrantes, levas de fugidos do nordeste, por causa do modelo econômico agrário-exportador que facilitava o sucesso da região sudeste, principalmente São Paulo. E, reparou novamente, aturdido e ao mesmo tempo muito feliz: LÁ ESTAVAM ELES. Como nunca sentira isso antes? matutou encabulado. Pois lá estavam e distribuíam silentes, zelosos e com compaixão, cobertores comuns e pães aos abandonados, aos coitados, aos zé-manés daquela cidade com tantos contrastes sociais, com tanto ouro mas com pouco pão. Era aquilo que queria. Era aquilo que buscava. Deus tinha lhe apontado o dedo, indicando um caminho. Fora tocado pela sorte de uma visão? Como um rio desgovernado, estava vendo seu leito raso para correr, sem as margens limites de uma obscuridade que o oprimia de repente. Tinha tudo e não tinha nada. Era rico mas a sua natureza espiritual pedia paz que não se encontra nos ditames sociais ou nos paradoxos do lucro insano, do lucro a qualquer preço, a qualquer custo. Do lucro que fundava a fome e a miséria absoluta. Do lucro que gerava emprego, modernizava (informatizava) e as ações da empresa injusta cresciam no mercado. Reparou que a esposa tinha acendido um cigarro de cravo indiano que pregava adorar. Ele continuou como se sabiamente rendido em si. Se assuntando. Medindo os sentimentos revisitados. O som de uma dançante música pop espanhola enchia o ambiente seguro do veículo. Perto do sujo Largo da Batata, no bairro de Pinheiros, viu uns coitados dormindo em bancos de praças precárias, cobertos com jornais e por cima sacos preto de lixo disfarçando os rejeitos humanos sob a marota garoa paulistana. Segurou o ímpeto para não revelar-se, estragando tudo. Conteve-se para não acordar aqueles seres humanos sim, seres humanos! e levá-los para um hotel, pagar-lhes um mês de cama e comida e coragem, dar- 14

15 lhes identidade de serventia, abraça-los como irmãos. Por ele levaria até sua ostensivamente rica mansão no nobre bairro do Morumbi, ali pertinho. Olhou para a Dagmar Marlene e ela parecia feliz, cantarolando o refrão repetitivo da musiquinha chata, demodê, apesar de rotulada de tecno-pop. Viu novamente: Distribuíam comida para um catador de lixo de rua, que dormia com um cachorro sarnento sob seu carrinho de madeira cheio de lixo. Tinha achado seu farol norteador. Em minutos estavam em casa, uma mansão colonial com gordos cachorros de raça, truculentos seguranças paroaras, enormes grades elétricas, câmaras de controle e muitos empregados ganhando uma miséria mas que dariam a vida pelos patrões. Morava entre o estádio do Morumbi e o Palácio do Governo estadual, área mais rica da cidade. Dagmar Marlene estacionou o possante carro, resmungando, insatisfeita com a recusa explícita da peleja sexual que pretendia como fito primordial de sua vida a todo momento sequiosa e insaciável, atirou o toco de cigarro de cravo num vaso de orquídeas vermelhas viçadas e entrou em casa dando chute na sombra, depois de abrir a porta de aço com três chaves de segurança máxima com senha numérica e um cartão magnético com código pessoal intransferível. Iria tomar uma ducha na piscina quente, depois tentaria assistir um filme de terror na tevê a cabo. Não gostava quando seu maridão emburrava. Ele vinha tendo essas esquisitices agora. Teria outra? Chegou a pensar nessa hipótese. Mas ela era boa de cama e sugava-o de um jeito, que não sobraria nada para ninguém. E depois, também contava com a hipótese de que ele mal-e-mal duraria uns vinte anos se tanto se precisasse ela mesma o envenenaria aos poucos - quando então ela ficaria livre com a fortuna que lhe caberia, e assim, poderia cair fora, ir morar em Londres, arrumar parceiro jovem, ser feliz. Mal sabia ela que nunca sairia do lugar que estava, e esse era o problema. Para qualquer lugar que fosse, drogas, viagens, aventuras sexuais, teria que se levar consigo. E sua vida desregulada era a sua própria cruz de exato tamanho. E ela era o problema, a infelicidade quizilenta em pessoa, que, por um desvio de relacionamento familiar que caíra no psico-somático, tendia para um aparato sexual todo até como fuga. No entanto, era muito nova, apesar de extremamente ousada. Tinha muito que aprender. Pior: teria que passar por várias vicissitudes, para SABER APRENDER, o que, naturalmente é mais difícil. 15

16 Paulo de Tarso estava aprendendo depressa a lição daquela noite especial. Não titubeou um só segundo. Tinha descoberto a cura da dor de sua existência, deduziu sonhador. Sabia o que queria agora. Dirigiu-se ao escritório central da casa, uma saleta de seis por seis, piso de lambris de peroba-brava, quatro metros de altura, com uma janela dando para a piscina em formato de losango, onde começou a formatar atendimentos jurídicos e formais de sua legitimidade adquirida naquela noite e começo de madrugada, quando deixaria resíduos de pertencimentos nos atos legais, peremptórios, preparando-se para deixar de ser, para sempre, o que até então fora, entre mitos boçais pelos quais até inutilmente lutara em vão, pois nada daquilo valia a pena, no apurado final de todo um viver medíocre. Seu balancete era que vivera em vão, usurpando do Caixa Dois da vida. Como não pudera compreender isso? Mas não era tarde demais. Quem somos? Existe uma natureza perversa no humano, ou também somos um produto histórico com capacidade de auto-regeneração? Nunca é tarde demais? Agora tinha um propósito único, íntimo, maravilhosamente pessoal e graciosamente verdadeiro e digno. Sabia o que fazia. Finalmente tomaria uma decisão que mudaria radicalmente o rumo de sua vida. Não provocaria adrenalina interior, como ver cardumes de peixe no fundo dos oceanos, nem quando via o mundo de cima ao subir montanhas altíssimas, nem quando voava em asa-delta perto das gordas nuvens crespas de Itararé, mas seu espírito na verdade não tinha uma casa ordeira de encanto e paz. Agora estava no interior completo de si. Era dono da situação? Agora achara um fito primordial para o compreender o âmago do melhor de si para si. Tomaria a decisão certa. Tinha tino para fechar ciclos, administrar novas etapas, ganhar novos espaços. Teimava agora a arquitetura de sua espiritualidade viçada. Assinou procurações, rascunhou os termos de um novo testamento, agendou alguns telefonemas para o próximo dia útil, principalmente o mais importante valia a sustentação final do caule de sua vida sedentária com a Dra. Cidú Lickson, quando, finalmente, largaria aquela vida de janota e entraria para uma outra irmandade. A confraria dos SERES HUMANOS. O clã de uma semente cósmica que vagava numa nave-terra pelo sideral espaço cosmonal do infinito

17 DOIS No matter what we dream/what we dream is true./no matter what doth seem/god doth it wiew/and therefore it is/real as all this... Episode The Mad Fiddler Fernando Pessoa 19l7 Editores Londrinos Constable & Constable (*) Na segunda-feira seguinte, depois do matinal asseio apressado e nervosamente meio furtivo, ressabiado saiu bem cedo de casa sem dar muito na vista ou sequer fazer alarde, sem a frescura do ritual cotidiano de paparicações e um entojado breakfast oficialmente rotineiro e bobo, e foi até o escritório de sua empresa, sediado numa travessa perto da Paulistana com a Brigadeiro Luiz Antonio, na Rua Manoel da Nóbrega, e, acionando a antiga secretária Maria Teresa, pediu que ela cancelasse todos os compromissos do dia, e ainda alertou meio com medo e furtivamente preocupado, cismando a decisão tomada: -Se ligassem dissesse que não estava. Depois, instruiu, calmo como nunca houvera antes: -Se o contatassem, dissesse que estava viajando para um lugar qualquer. E completou: -Invente, chute. Arrume qualquer desculpa. Avise também aos demais funcionários. Não quero ser importunado até fazer o que vim fazer. -Mas o sr. não tinha reunião com aquele Vereador médico do Butantã e aquele Secretário de Finanças da Prefeitura, para entregar a propina do que eles exigem para dar o Habite-se do Condomínio 31 de Março? -Isso não tem importância agora, querida. Nada mais tem. Vou sair dos negócios para não mais voltar. Tudo acabado. Por favor, encaminhe também para o Escritório da Dra Ana Laura Cedrez e do Dr. Danúbio Spínola os papéis que estão nessa pasta rosa aí em cima de sua escrivaninha. A pasta verde mande pro Gerente de Pessoal. O arquivo encaminhe pro Mestre de Obras. 17

18 -O sr. viu passarinho verde, brincou a secretária, suspeitando que alguma coisa não ia bem estava estranhando Era uma velhota na casa dos cinqüenta anos, que fora chefe de pessoal por décadas na empresa e para ali fora deslocada para servi-lo de perto, até que por sugestão própria da nova esposa do dono, não querendo correr risco de ser substituída por igual cria. -Pareço diferente? Perguntou o Doutor. Sorriu-se: mediu-se algo orgulhoso do que pensara fazer. Tinha minhocas na cabeça. Quem tem fé voa? -O sr. está com um sorriso de criança, um gestual desmontado de acirramento, parece até que viu passarinho verde... O que está acontecendo? O que houve? -Você não vai acreditar, Maria, mas eu vi muito mais do que isso. Vou largar tudo. Vou sair de circulação. Vou cair fora enquanto é tempo, enquanto posso. -O sr. está com alguma doença grave? Os negócios não vão bem? Algum problema com a CPI da Corrupção da Câmara Municipal atingindo seus negócios? A propina pra Policia Federal da Alfândega do Aeroporto de Cumbica foi pouca? Ela sabia do que falava. Se ela abrisse o bico, por saber o que sabia, teria que pedir ajuda do Serviço de Proteção à Testemunha. Caçou de tentar ouvir a resposta, captar a justificativa. -Não é problema financeiro, querida. Imagine só. Onde já se viu? É muito mais grave do que isso. É questão muito mais importante. É questão Espiritual... -Deus do céu. Se eu não o conhecesse por vinte anos, diria que o sr. ou está ficando louco, ou está para morrer... Quem sabe levou um choque total. -De tudo um pouco, querida. Ligue pro meu filho primogênito, o Celso Felipe. Trouxe uns papéis de casa. Você pode digitar pra mim? Ao lê-los você vai compreender um pouco mais a mudança que mexe com minhas estruturas. Não sou o mesmo de ontem. Mas sou eu mesmo em mim. Não seria mais o mesmo nunca. Não vou almoçar no La France desta vez. Cancele o ritual todo. Vou ficar despachando daqui. Daqui a uns dias você vai ficar livre de mim para sempre. -Credo Deusolivre e guarde! Não fale assim, Paulinho!. Onde já se viu isso? 18

19 Quando queria ser gentil e mais íntima, quando via o patrão chateado ou com problemas, Maria Teresa com educada confiança respeitosa o chamava assim, propositalmente, de Paulinho. -Talvez eu mude de nome também, querida. Nunca se sabe... -Dr. Paulo o sr. está misterioso. O que é que, afinal, está acontecendo com o sr? Estou ficando preocupada... -Você nem pode imaginar meu bem Dr. Paulo de Tarso a tratara de meu bem quando queria ser doce, polido e gentil, mais do que costumeiramente o era, em que pese nunca se deixasse fisgar por ser íntimo total de empregados. Depois fez um muxoxo, sorriu renovado, coçou disfarçadamente uma bereba imaginária na virilha direita, e entregou seis disquetes, três pastas de papéis, uma lista de nomes com telefones novos com dados informativos sobre o que ela teria que registrar, comunicar. Depois entrou no reservado adjunto ao seu escritório, sentou-se numa cadeira anatômica de sua preferência lembrava uma cadeira de balanços que tinha na varanda de sua mansão estilo colonial no Bairro do Morto Chato em Itararé onde tinha criação de capivaras e uns colonos que produziam cera e mel de abelha-buri - surpreso olhou a sua foto de formatura na parede como tinha sido um jovem tolo, janota e boçal, compreendeu finalmente depois apagou as luzes do recinto arejado que era uma sala de reunião adjunta ao seu gabinete ricamente decorado e chorou, chorou muito, chorou impiedosamente. Chorou como uma criança escondida de si. Chorou por todos os órfãos, viúvas, pobres e renegados do mundo. Chorou como nunca chorara em sua vida. Tinha o coração aberto apesar de pisado; tinha a mente entrevada mas a se limpar, oxigenando-se: tinha a alma aberta mas com fissuras que buscavam consertos terminais. Aqueles eram os últimos dias de sua vida de insano, de bobo, de cidadão respeitável no entender frívolo e comum das etiquetas sociais. Pobre alta sociedade nula. Pobre de si, concluiu, de tromba. Tinha nojo do que representara maquiando um existir pleno e crível. Agora era um outro. Sentia que era. Tinha que o ser. Que o bom Deus o ajudasse. Nunca pensou tanto em Deus como nas últimas horas. Pensara mais em Deus naquele bendito final de semana com insônia acirrada do que a vida 19

20 toda de mais de meio século entregue ao nada, ao confinamento trivial do funesto, do hediondo, do ridículo. Tinha sido assim um depauperado, apesar das etiquetas, das aparências Quando a secretária Maria Teresa começou a ler os papéis, os arquivos dos disquetes, a compostura formal e inédita dos textos, das implicações formais, formatadas, das decisões sacrificiais, dos termos autorais de seu bem conhecido patrão, passou a temer pela própria vida, passou a sentir-se em risco. Estaria correndo perigo sabendo aquilo? Passou a não olhar com bons olhos o chefe tão próximo e agora ali encruado numa sala escura feito um monstro escondido. Ficou com medo. E com estranho medo de ter medo dele. Deus do céu! Será o impossível? -0-20

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