PRODUÇÃO DE MILHO SAFRINHA IRRIGADO, NO MUNICÍPIO DE PEREIRA BARRETO SP: CUSTOS E LUCRATIVIDADE

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1 PRODUÇÃO DE MILHO SAFRINHA IRRIGADO, NO MUNICÍPIO DE PEREIRA BARRETO SP: CUSTOS E LUCRATIVIDADE Rosalina Maria Alves Rapassi (1), Rodrigo Anselmo Tarsitano (2), Ércio Roberto Proença (3) Introdução O milho é o cereal mais produzido no mundo, sendo considerado o principal insumo na fabricação de ração animal. É cultivado em todas as regiões brasileiras, em pequenas, médias e grandes propriedades, em diferentes sistemas produtivos. O grão pode ser transformado em óleo, farinha, amido, margarina, xarope de glicose e flocos para cereais matinais. De acordo com o Agrianual (2013), a segunda safra de milho no Brasil, além de ter vantagens técnicas, também ganhou importância econômica. Em 2012, o milho chamado safrinha apresentou rendimento recorde, por hectare, nos últimos anos, com o aumento das exportações, superando 15 milhões de toneladas. Para o plantio do milho da segunda safra, os produtores estão investindo em tecnologia, para aumentar a produção e não no aumento da área plantada. O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de milho, totalizando 53,2 milhões de toneladas na safra 2009/2010. De acordo, com o MAPA (Ministério da Agricultura ) as exportações de milho devem ser ampliadas, uma vez que faz parte da ração animal. A estimativa é aumentar em 5,12% para a safra 2019/2020, alcançando 22,9 milhões de toneladas. De acordo com o décimo segundo levantamento realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento-CONAB (2013), a produção brasileira de milho safrinha 2012/13, foi de mil toneladas, em uma área colhida de 8.997,8 mil ha e uma produtividade média de kg/ha, sendo a região centro oeste a maior produtora, com 1 Engenheiro-Agrônomo, Dra., Professora da UNESP Campus de Ilha Solteira. Avenida Brasil, 56, Ilha Solteira-SP. 2 Engenheiro-Agrônomo, M.Sc., Professor da UNEMAT. 3 Economista, Dr., Professor da UNESP Campus de Ilha Solteira. Avenida Brasil, Ilha Solteira-SP, [1]

2 30.996,9 mil toneladas, em uma área de mil ha, seguida pela região sul com uma produção mil toneladas em uma área de mil ha. Os principais produtores de milho safrinha, na safra 2012/13, são Mato Grosso com uma área de mil ha, Paraná com uma área de ha, Mato Grosso do Sul com uma área de mil ha, Goiás com uma área de 778,6 mil ha e São Paulo com uma área de 342,4 mil ha. As estimativas dos custos de produção, para a cultura do milho safrinha irrigado, são escassas. Portanto, o objetivo desse trabalho é realizar uma análise econômica do cultivo do milho safrinha irrigado, no município de Pereira Barreto - SP. Material e Métodos As informações utilizadas para a elaboração de planilhas de custos de produção foram obtidas através de dados ligados ao sistema de produção do milho safrinha, em uma propriedade rural, localizada no município de Pereira Barreto (SP), pertencente a Microrregião de Andradina. Os dados foram coletados no período de fevereiro/2013 a julho/2013, mediante acompanhamento periódico das atividades desenvolvidas que foram registradas em planilhas. As estimativas de custos para a formação e condução originaram-se de coeficientes técnicos obtidos no campo e análise de comercialização baseada nos preços médios recebidos pelos produtores no EDR de Andradina. A área foi dessecada com transorb e 2.4 D e o plantio foi realizado em fevereiro/2013, em sistema de plantio direto, com irrigação. As sementes foram tratadas quimicamente com cropstar, booster e nema, visando evitar o ataque de pragas que habitam o solo e outras que possam vir a atacar as plântulas no início do desenvolvimento da cultura. O espaçamento utilizado foi de 0,5m entre linhas, totalizando plantas por hectare, a variedade plantada foi DKB 390 pró 0,99 kg/ha, com adubação de plantio de 300 kg/ha da fórmula , e de cobertura nos estágios V4, V6, V10 250, 160 e 104 kg/ha de , respectivamente, além de uréia. Para o controle de plantas invasoras foram utilizados herbicidas e inseticidas para o controle de pragas As aplicações aéreas foram realizadas mediante aluguel de avião [2]

3 pulverizador. A colheita foi mecanizada, milho úmido, para produção de silagem e ração para ser comercializada para terceiros. Utilizou-se o Custo Operacional Total (COT), adotado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), para o cálculo do custo de produção seguindo a metodologia de MATSUNAGA et al. (1976). Essa metodologia considera as despesas com material consumido (sementes, fertilizantes, defensivos, etc.) e os serviços com operações (manuais e mecanizadas), a soma destes itens denomina-se custo operacional efetivo (COE). Ao COE se for acrescentado as despesas com depreciações, outras despesas e juros de custeio tem-se o custo operacional total (COT). Os indicadores de lucratividade utilizados foram: receita bruta obtida pela multiplicação do rendimento (produção por área) pelo preço unitário de venda; o preço de equilíbrio é calculado dividindo-se o COT pela produção obtida e a produção de equilíbrio o valor do COT dividido pelo preço unitário de venda do produto; o lucro operacional constitui a diferença entre a receita bruta e o COT, sendo estimado em valores monetários, e o índice de lucratividade é calculado através da razão do lucro operacional pela receita bruta multiplicado por 100 (MARTIN et al. 1998). Resultados e Discussão Pode-se observar na Tabela 1, o custo operacional total/ha da cultura do milho safrinha irrigado, no município de Pereira Barreto-SP. O custo operacional total atingiu R$ R$ 3.187,77/ha, sendo que as despesas com insumos representaram mais de 65% deste total, os gastos com operações quase 20% e as depreciações 6,8% do COT. Das despesas com os insumos, deve-se destacar os valores com os fertilizantes que representaram 58%. Custos do milho safrinha para várias regiões do Brasil variaram de R$1.416,74 /ha em Sorriso-MT a R$1.753,47/ha no PR, sem utilização de irrigação, a produtividade foi de kg ha -1 no Mato Grosso do Sul a kg ha -1 em Goiás (AGRIANUAL, 2013). No estudo com a irrigação obteve-se produtividade maior 8700 kg ha -1, mas a um custo também muito maior, em alguns casos mais que o dobro. [3]

4 Tabela 1. Estimativa do custo operacional total obtido com a cultura do milho safrinha, irrigado, sistema de plantio direto, no município de Pereira Barreto SP, Descrição Especif. Qtd. nº Valor Valor Total vezes Unit. (R$) (R$) OPERAÇÕES Plantio Dessecação HM 0,50 1,00 42,00 21,00 Serviço braçal HD 0,80 1,00 5,20 4,16 Semeadura e adubação HM 0,80 1,00 82,50 66,00 Serviço braçal HD 0,80 1,00 5,20 4,16 Transporte interno HM 0,20 1,00 51,98 10,40 Tratos culturais Aplicação de herbicida HM 0,30 2,00 58,76 35,26 Aplicação de inseticida HM 0,30 3,00 58,76 52,88 Irrigação R$/mês 4,00 1,00 63,88 255,52 Serviço braçal HD 0,80 1,00 5,20 4,16 Transporte interno HM 0,20 1,00 51,98 10,40 Colheita Mecanizada HM 0,60 1,00 230,00 138,00 Transporte interno HM 0,30 1,00 68,50 20,55 Insumos Dessecantes: Roundunp (transorb) L 3,00 1,00 17,80 53,40 2.4D L 0,80 1,00 14,00 11,20 Tratamento de sementes Cropstar L 0,35 1,00 220,00 77,00 Booster L 0,15 1,00 69,90 10,49 Stimulante L 0,08 1,00 76,00 6,08 Insumos Sementes Híbrido DKB 390 sc 0,99 1,00 498,00 493,02 Formúla (plantio) t 300,00 1,00 1,40 420,00 Formúla (cobertura) t 514,00 1,00 1,50 771,00 Molibdênio L 25,00 1,00 0,40 10,00 Herbicida Atrazina L 2,00 1,00 11,40 22,80 Herbicida Primestra L 4,00 1,00 18,44 73,76 Inseticida tracer L 0,07 1,00 700,00 49,00 Fungicida Priori Extra L 0,30 1,00 110,00 33,00 Fungicida Nativo L 0,60 1,00 78,00 46,80 Fungicida Aureo L 0,15 1,00 9,80 1,47 Subtotal 1.920,85 Custo Operacional Efetivo (COE) 2.701,50 Depreciação máquinas e equipamentos (8%) 216,12 Outras despesas (5% do COE) 135,07 Juros de custeio (5,0%) 135,07 Custo Operacional Total (COT) 3.187,77 Dados básicos da pesquisa [4]

5 Na Tabela 2 encontram-se os valores de produção, custos e os indicadores de lucratividade da produção de milho safrinha em Para uma produtividade de 145 sacas/ha e preço médio estimado de R$ 23,00/saca, os resultados obtidos foram positivos, mas considerados baixos, devido ao alto custo de produção. A receita bruta foi de R$3.335,00/ha, o lucro operacional de R$ 147,23/ha e o índice de lucratividade de 4,5%. Tabela 2. Estimativas da produção, preço médio, receita bruta, custo operacional total, e indicadores de lucratividade da cultura do milho safrinha irrigado, para o município de Pereira Barreto-SP, setembro de INDICADORES UNIDADE VALOR Produção sc 145 Preço médio R$/sc 23,00 Receita Bruta R$/ha 3.335,00 Custo Operacional Total R$/ha 3.187,77 Produção de Equilíbrio Sacas/ha 138,60 Preço de Equilíbrio R$/saca 21,98 Lucro Operacional R$/ha 147,23 Índice de Lucratividade % 4,5% Conclusões A análise dos custos de produção, neste trabalho, permite concluir que a atividade foi pouco rentável ao produtor, os custos foram muito elevados, principalmente com adubação. Os indicadores de lucratividade embora positivos foram baixos, o lucro operacional foi de 147,23/ha e o índice de lucratividade de 4,5%. O uso da irrigação para a produzir milho safrinha é de suma importância, pois nesse período as chuvas são escassas, nessa região. [5]

6 Referências AGRIANUAL 2013: anuário da agricultura brasileira. São Paulo: Informa Economics South America/FNP, 2013, 480 p. COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO - CONAB. Grãos Safra 2012/2013. Décimo segundo Levantamento. Disponível em: < uploads/arquivos/13_09_10_16_05_53_boletim_portugues_setembro_2013.pdf>. Acesso em: 20 set MARTIN, N. B. et al. Sistema integrado de custos agropecuários - Custagri. Informações Econômicas, São Paulo, v. 28, n. 1, jan MATSUNAGA, M.; BEMELMANS, P.F.; TOLEDO, P.E.N.; DULLEY, R.D.; OKAWA, H.; PEDROSO, I.A. Metodologia de custo de produção utilizada pelo IEA. Agricultura em São Paulo, São Paulo, v.23, p , Milho. Disponível em: Acesso em: 20 set [6]

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