Sistema de controle metrológico dos esfigmomanômetros em um hospital

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1 Sistema de controle metrológico dos esfigmomanômetros em um hospital Andréa Teresa Riccio Barbosa 1, Luiz Eduardo Schardong Spalding 1, 2, José A. Figueiredo 1 1 Centro de Engenharia Biomédica (CEB), Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), Brasil. 2 Universidade de Passo Fundo - UPF, Passo Fundo, Brasil Resumo - A pressão arterial sangüínea é um importante indicador do estado de saúde de uma pessoa. Na prática médica, várias decisões com relação a diagnóstico, prognóstico e terapia são tomados com base em sua medição. Apesar de vários fatores serem importantes na medição correta da pressão arterial, o fator crucial para obtenção de valores fidedignos é a utilização de esfigmomanômetro devidamente calibrado. Devido a este fator, houve a motivação para a implantação de um laboratório de calibração e ajuste de esfigmomanômetros em um hospital do sul do país, que está funcionando desde o início de março de O emprego da tecnologia da informação na gestão do Laboratório de Calibração (LAC), desenvolvido pelo setor de pesquisas de Engenharia Biomédica (CEB) de um hospital do sul do país, é uma ferramenta muito útil para auxiliar os gestores na busca de excelência administrativa e técnica. Para alcançar esse objetivo, são adotadas técnicas de administração baseadas em processos consistentes de controle, avaliação e planejamento, utilizando-se um equipamento de calibração semi-automático e um programa, denominado Calbwin 2.1. A metodologia de calibração e controle das informações é apresentada neste artigo. Palavras-chave: Sistema de gestão de calibração, Esfigmomanômetros, Calibração de esfigmomanômetros. Abstract - The sanguine blood pressure is an important indicator about the person's health condition. In medical practice, several decisions regarding diagnosis, prognostic and therapy are made with his measure. Although several factors are important for the correct blood pressure measure, the crucial factor for obtaining of trustworthy values is use the sphygmomanometer properly gagged. Due to these factors, there was the motivation for the implantation the sphygmomanometer calibration and adjustment laboratory in the hospital, which is working since the beginning march of The use of information technology in the administration of Calibration Laboratory, developed by the researches section in the Biomedical Engineering Center at the hospital in the south of country, it is a very useful tool to aid the managers in the search of administrative and technical excellence. To reach that aim, administration techniques are adopted based in solid processes of control, evaluation and planning, being used semi-automatic calibration equipment and a program Calbwin 2.1. The calibration methodology and the information control is presented in this article. Key-words: Calibration system, sphygmomanometer, sphygmomanometer calibration. Introdução Korotkoff apresentou na Academia Imperial Médica Militar de São Petersburgo, em dezembro de 1904, sua descoberta do método auscultatório do pulso: baseado nas observações de que, sob completa constrição, a artéria não emite sons. O aparelho de Riva-Rocci (manômetro de coluna de mercúrio com a precursora das atuais braçadeiras) é colocado no braço e sua pressão é rapidamente aumentada até bloquear completamente a circulação abaixo do manguito, quando não se ouve nenhum som no estetoscópio [1]. Deixando a pressão do manômetro de Hg cair até certa altura, um som curto e fraco é ouvido, caracterizando a pressão máxima (sistólica). Deixando a pressão do manômetro cair, progressivamente, ouve-se o sopro da compressão sistólica, até finalmente, todos os sons desaparecem, o que indica livre passagem do fluxo sangüíneo ou, em outras palavras, a pressão arterial mínima ultrapassou a pressão exercida pelo manguito. Este momento corresponde à pressão arterial mínima (diastólica) [2]. Desenvolveu-se através destes estudos, o aparelho denominado esfigmomanômetro aneróide (Figura 1), que consiste em um sistema para compressão arterial, composto por uma bolsa inflável de borracha de formato laminar, a qual é envolvida por uma capa de tecido inelástico (manguito) e conectada por um tubo de borracha a um manômetro e por outro tubo, a uma pêra, que tem a finalidade de insuflar a bolsa pneumática. Também conhecido como "aparelho de pressão". Usado, portanto, para medida indireta da pressão arterial [3].

2 gestão no LAC, estruturado dentro do hospital (Figura 2). A metodologia e resultados do procedimento de calibração, ajuste, emissão de relatório, controle e gestão, realizados no LAC, com suporte, principalmente, do software desenvolvido, são apresentados a seguir. Figura 1 Esfigmomanômetro aneróide A pressão arterial sangüínea é um importante indicador do estado de saúde. Na prática médica, várias decisões com relação a diagnóstico, prognóstico e terapia são tomados com base em sua medição. Vários fatores relacionados ao equipamento, observador, ambiente, paciente e à técnica propriamente dita podem interferir na precisão da medida da pressão arterial. Apesar de vários destes fatores serem importantes para a medida correta da pressão arterial, o fator crucial para obtenção de valores fidedignos é a utilização de equipamento devidamente calibrado. Os problemas relativos à calibração do manômetro, assim como à integridade da bolsa e extensões de borracha, pêra e válvula do sistema, que permite a inflação e deflação do manguito, podem ocasionar erros na leitura, comprometendo a fidedignidade da medida [4]. Erros na medida da pressão arterial podem levar pessoas hipertensas a serem tidas como normotensas, privando-as dos benefícios do tratamento ou submeter normotensos a tratamento desnecessário [5]. Com essa preocupação, em 1995, a equipe do Laboratório do Setor de Grandezas Especiais da Diretoria de Metrologia Legal, munida de apenas um padrão de pressão, realizou vários levantamentos nos lugares onde estes aparelhos são utilizados. Era necessário conhecer o estado em que se encontravam os aparelhos em uso no Brasil. O quadro que se apresentou como resultado destas incursões nos hospitais foi alarmante. Em alguns hospitais visitados a proporção de aparelhos em uso que verificados, foram reprovados, estava em torno de 70% [5]. Para minimizar este problema, o controle metrológico de esfigmomanômetros começou, formalmente, no Brasil ao ser baixado a Portaria INMETRO nº 24 de 22 de fevereiro de 1996[6]. Também com essa preocupação quanto à fidedignidade de medição da pressão arterial, o Centro de Engenharia Biomédica (CEB) de um hospital localizado no Rio Grande do Sul vem realizando pesquisa e desenvolvimento de equipamentos para realizar calibração de esfigmomanômetros, desde 1992, período este anterior ao da publicação da portaria citada anteriormente [7]. Com estes anos de pesquisas, chegou-se a versão 2006 do equipamento semi-automático, gerenciado por um software que possibilita a obtenção dos valores de calibração, o armazenamento dos dados e realização de uma Figura 2 Laboratório de Calibração do HSVP Metodologia A metodologia para o desenvolvimento do aparelho de calibração, do software e dos procedimentos adotados levou em consideração as diretrizes do Inmetro. O Inmetro através da Portaria n 153, de 12 de agosto de 2005, aprovou o Regulamento Técnico Metrológico que estabelece as condições a que devem satisfazer os esfigmomanômetros mecânicos [8]. Com relação aos esfigmomanômetros que estão em utilização, a Portaria determina que estes poderão continuar em uso, desde que estejam de acordo com os erros máximos permitidos, que na pressão crescente ou decrescente, em qualquer ponto é de 3 mmhg, e uma histerese máxima de 4 mmhg em qualquer ponto. Além disso, todos os aparelhos, novos ou em uso, deverão passar, a cada ano, por uma verificação periódica. A regulamentação prevê ainda a possibilidade de verificações eventuais a pedido do detentor do instrumento, após o conserto e/ou manutenção do mesmo ou quando o Inmetro julgar necessário [8]. A realização de verificações e calibrações periódicas é que garantirá que os esfigmomanômetros em uso estejam de acordo com os erros permitidos e, portanto, apresentam medições fidedignas [8]. O aparelho de calibração semi-automático desenvolvido no CEB segue a determinação da portaria para a realização da calibração e ajustes dos manômetros e demais componentes do aparelho. Durante a verificação periódica1, 1 A Verificação Periódica é a fase que se repete e é útil para verificar se o instrumento continua mantendo as características metrológicas ao longo da sua vida útil.

3 portanto, são verificadas, quanto à manutenção de sua integridade e funcionamento, as cinco partes que compõe o esfigmomanômetros, sendo estas: Braçadeira contendo o manguito (parte inflável da braçadeira); Válvula de controle de saída do ar; Pêra; Válvula unidirecional da bomba de ar; Manômetro. A braçadeira é um componente muito importante na medição, pois ela é o sensor que capta os pulsos da artéria braquial. A dimensão da braçadeira é fundamental para uma correta medição e esta deve ter indicações que oriente o seu correto fechamento em torno do braço [9]. No laboratório de calibração as condições da braçadeira são verificadas e, caso necessário, ela é trocada. Verifica-se também a necessidade de troca dos manguitos, pois, a falta de integridade desta bolsa de borracha da braçadeira, traduzida pela presença de furos e envelhecimento do material, leva a erros e caracteriza a falta de manutenção dos aparelhos que poderia prover condições adequadas de uso. A válvula de controle de saída do ar é a válvula que controla o fluxo de saída de ar e, conseqüentemente, a taxa de alívio da pressão no manguito. A taxa de alívio da pressão é um dos mais importantes fatores para a exatidão da medição pelo método auscultatório ou de Korotkoff 2 [1]. A válvula de controle de saída deve permitir o ajuste da taxa de redução de pressão para um valor compreendido entre 2,0 mmhg/s e 3,0 mmhg/s. Uma taxa maior que 3,0 mmhg/s induz erro na leitura e uma taxa menor que 2,0 mmhg torna a medição desconfortável para o paciente pois a braçadeira comprimirá o braço por um período maior [10]. Segundo Mieke, uma taxa de alívio da pressão adequada à medição deve permitir que sejam ouvidos nove sons da pressão sistólica a diastólica [1]. A pêra é a bomba em formato anatômico destinada a inflar a braçadeira. Em sua extremidade se encontra a válvula unidirecional da bomba de ar que não permite que o ar já bombeado escape. A presença de furos nos tubos do manguito, na pêra e vazamento na válvula unidirecional compromete o sistema de inflação e deflação dos manômetros. Problemas de vazamento na válvula tornam difícil a inflação da bolsa de borracha e na deflação haverá dificuldade de controle da velocidade, podendo ocasionar erros na leitura, com falsa diminuição 2 Como já mencionado, o método de Korotkoff, ou método auscultatório, é a medição feita com o auxílio de auscultação dos sons que o sangue bombeado pelo coração emite ao passar pela artéria braquial na parte comprimida pela braçadeira. da pressão sistólica e elevação da pressão diastólica. Todas as partes do esfigmomanômetro descritas são verificadas quando o aparelho é encaminhado ao LAC do CEB do hospital em estudo, além do manômetro. O manômetro do esfigmomanômetro contém um elemento sensor elástico que se deforma sob a ação da pressão pneumática. Este sensor tem formato circular, é fabricado em metal, e possui dobras concêntricas. A deformação provocada neste sensor aciona um mecanismo que traduz esta deformação em rotação de um eixo que move o ponteiro sobre o mostrador. A qualidade deste elemento sensor elástico vai determinar a vida útil do aparelho. É esperado que este sensor resista pelo menos a dez mil ciclos de pressão, ou seja, espera-se que o aparelho possa ser utilizado em pelo menos dez mil medições [11]. Para verificar a qualidade do sensor elástico é realizado o ensaio de histerese em que o manômetro é submetido à pressão correspondente ao limite superior da escala por cinco minutos. A diferença entre os valores indicados na carga decrescente e na carga crescente, para o mesmo ponto lido no manômetro de referência deve ser positiva e não superior a 4 mmhg, conforme portaria [12]. A faixa de medição de pressão arterial deve ser de 0mmHg até, no mínimo, 260 mmhg. A faixa da escala utilizada para o diagnóstico da hipertensão é a que vai de 90 mmhg a 100 mmhg. Quando um paciente possui um histórico de pressão arterial em que a pressão diastólica, ou mínima, como é usualmente chamada, seja menor ou igual a 90 mmhg, neste paciente não é diagnosticada hipertensão. Já aqueles que apresentam um histórico com a pressão diastólica próxima de 100 mmhg são considerados hipertensos. Em se tratando de uma faixa com limites tão próximos e tão importantes para o diagnóstico, o erro máximo permitido de +- 3 mmhg, nesta faixa da escala, pode ser considerado grande. Observa-se, entretanto, que se o erro máximo permitido fosse limitado a um valor menor, o preço do instrumento subiria muito [2]. Nota-se ainda que para o resto da escala, o erro máximo permitido vigente é adequado. Em faixas próximas ao início da escala, utilizada para a medição de pressão arterial de pacientes chocados, por exemplo, de 20 mmhg a 50 mmhg, este erro máximo permitido não induz a falso diagnóstico. Em faixas próximas do final da escala, útil para a medição de pressão arterial, por exemplo, de pacientes com crise renal, este erro de no máximo 3 mmhg não é significativo diante da pressão indicada, que pode atingir 270 mmhg [2]. Para cobrir a escala toda, visando observar os pontos mais importantes, o erro apresentado pelo instrumento é observado

4 através de medidas comparativas de 10 em 10 mmhg 3 até o limite superior da escala ser atingido [8]. Além disso, não deve haver folga na engrenagem do manômetro, pois assim a extremidade do ponteiro pode não se deslocar o suficiente para indicar a passagem de sangue na artéria. Este pulsar do ponteiro, em conjunto com o som de Korotkoff, ouvido com o auxílio do estetoscópio são indicativos para a leitura, que é feita com o ponteiro em movimento. Para minimizar o erro de paralaxe, o afastamento do ponteiro em relação ao mostrador não deve ser superior a 2 mm e a extremidade do ponteiro não deve ser mais larga que o traço da escala do mostrador [11]. Atualmente, existem diversas técnicas para a calibração de manômetros de esfigmomanômetros, que vão desde o método comparativo com as colunas de mercúrio até através do uso de equipamentos automatizados. Para facilitar esta atividade de calibração de manômetros no hospital em estudo, que possui uma grande quantidade de esfigmomanômetro em seu patrimônio, o setor de pesquisa do CEB desenvolveu um aparelho de calibração semi-automático de manômetros (Figura 3) [7]. (a) (b) (c) Figura 3 (a) Calibrador semi-automático de manômetro, (b) injetor de pressão, (c) circuito de pressão O Calibrador de Pressão IP (versão 2006) é um instrumento que foi projetado para medir pressões exercidas por gases numa faixa de 0 a 300 mmhg. O equipamento possui sensores de umidade relativa do ar e temperatura ambiente, exercendo a função de um termohigrômetro. Estas duas grandezas físicas são necessárias para a avaliação correta dos valores medidos durante a calibração, pois fora de certos limites, há alteração significativa nos valores obtidos, e também, para a confecção de relatórios de calibração. O calibrador de pressão pode ser utilizado para a calibração de esfigmomanômetros (obedecendo a incerteza de medição recomendada pelo INMETRO), e como medidor de pressão de gases até o limite de 300 mmhg, informando no visor o valor da pressão medida. O calibrador completo é composto: pelo módulo principal denominado calibrador semiautomático de manômetro (módulo de controle e visor de dados, conforme letra a da Figura 3); injetor de pressão (letra b da Figura 3) e circuito de pressão (letra c da Figura 3). O injetor de pressão é utilizado com o objetivo de introduzir ou retirar ar do circuito de pressão onde está ligado o manômetro a calibrar. O módulo principal, denominado calibrador semiautomático de pressão, possui teclado para entrada de dados e pode armazenar 16 registros de calibração, cada um contendo 3 ciclos de subida e descida, totalizando 30 leituras. Em cada calibração o equipamento registra automaticamente a temperatura, a umidade relativa (UR) do ar ambiente, ano, mês, dia, hora e minuto. Cada calibração, portanto, é efetuada em 5 pontos da escala de pressão do manômetro, tanto para o ciclo de carregamento (subida) como para o ciclo de descarregamento (descida) da pressão e são efetuados 3 conjuntos de medidas. Para capturar as medidas obtidas, analisalas (fazendo todos os cálculos necessários), armazenar os dados e os resultados, emitir relatórios e aprovar os manômetros é utilizado um software denominado Calibwin 2.1, que acompanha o equipamento de calibração. Este software oferece competências para solução de gestão e otimização dos recursos do LAC, além do suporte técnico na atividade de calibração. Os dados do calibrador são transferidos para um computador através da porta serial, via cabo de comunicação. Para tal, executa-se o software Calibwin 2.1, que possibilitará a captura de todos os registros armazenados no calibrador de pressão. Observa-se ainda que antes de transferir os dados do Calibrador de pressão para o computador, é necessário realizar o cadastramento no sistema dos manômetros que tiveram suas calibrações armazenadas. Além de informações dos clientes (nome, cidade, estado, etc.), dos usuários com permissão de utilização do sistema, dos padrões de rastreamento local (dados do aparelho calibrador de pressão) e trabalho (dados do aparelho usado no rastreamento do calibrador de pressão) e do laboratório 4. 3 Observa-se, entretanto, que a antiga portaria do INMETRO, portaria nº 24 de 22 de fevereiro de 1996 já estabelecia que as medições comparativas devessem ser feitas de 50 em 50 mmhg. 4 Registram-se os dados referentes ao laboratório responsável pela manutenção dos aparelhos tais como: laboratório, ,

5 O processo inicia-se quando o operador recebe o manômetro, preenche um documento no software chamado ordem de serviço (OS), contendo os dados necessários ao cadastro do cliente e do (s) manômetro (s) 5. Esta OS deve ter um número e uma data, que serve para localizar os manômetros do cliente enquanto estiverem dentro do laboratório e/ou durante o processo de verificação. Normalmente os principais dados coletados do manômetro são marca, número de série e código do aparelho. A OS, portanto, é registrada no CalibWin, para controle das verificações executadas no laboratório. A verificação é o método usado para conferir o funcionamento do aparelho. Neste sistema, a verificação poderá apresentar três situações diferentes, a saber: inexistente, primeira e final. Um aparelho ainda não verificado tem status inexistente. Para cada aparelho, pelo menos uma verificação é executada - que será a primeira verificação. Se ao final da primeira verificação o erro máximo está na faixa permitida, o aparelho é aprovado e um relatório pode ser impresso, com os dados lidos. No caso de apresentar erro, o manômetro deverá ser ajustado para passar pela verificação final. Se ainda assim não houver aprovação, o operador faz novos ajustes e novas verificações finais, até que o aparelho seja aprovado ou constate-se que o mesmo não tem conserto - um relatório de verificação com o erro final pode ser impresso para fins de documentação. Além do suporte técnico, o software permite que seja realizado o controle gerencial do LAC, como o controle da data das próximas calibrações necessárias de serem efetuadas nos manômetros cadastrados, o controle do gasto de peças e o controle financeiro (receitas e despesas). Os procedimentos realizados no laboratório, tanto técnicos como administrativos, são controlados, portanto, pelo software de calibração CalibWin. Resultados Os cálculos realizados pelo sistema CalibWin são: o valor médio para subida e descida da pressão (3 ciclos de subida e 3 de descida), erro absoluto para cada pressão (para o ciclo subida, descida e histerese), os erros máximos encontrados dos vários valores de erro absoluto e o erro final que o manômetro apresenta (sendo este o maior erro máximo encontrado). Caso o valor deste erro esteja reprovando o aparelho (erro maior que 3,00 mmhg) o texto referente ao resultado é apresentado em vermelho e, caso contrário, em azul. home page, CNPJ, IE, metrologista responsável, endereço, cidade/uf, telefone, logotipo. 5 Um cliente pode trazer vários manômetros, ao mesmo tempo. Durante a verificação, normalmente dois relatórios são impressos: um após a primeira verificação, que mostra a situação do aparelho antes dos ajustes (conserto) e outro na última verificação final, que mostra a situação do aparelho após os ajustes. Alguns resultados obtidos de um manômetro podem ser verificados na Tabela 1. Tabela 1 Resultados da calibração em um manômetro. Manômetro ago/ ago/ fev/ fev/ mar/ mar/ Data mmhg 1ª Fim 1ª Fim 1ª Fim 20 1,27 1,9 1,73 0,63 1 1, ,13 1,7 1,47 0,1 2,27 0 Erros Abs ,67 1,5 0,47 2,27 0,7 de 200 2,13 0,87 2,8 0,23 0,87 2,43 subi da 260 1,43 0,53 1,83 0,37 0,37 2,5 20 0,37 0,63 0,57 1,27 0,47 0,4 80 0,93 0,5 0,2 1,03 0,5 1,77 Erros Abs ,13 0,27 0,37 0,27 0,77 0,8 de 200 1,43 0,43 1,27 0,87 0,3 1,03 desci da 260 0,6 1,4 0,03 1,2 0,83 0,63 Erros de 20 0,9 1,27 1,17 0,63 1,47 1, ,2 1,2 1,67 1,13 1,77 1, ,87 1,4 1,13 0,2 1,5 1, ,7 1,3 1,53 1,1 1,17 1,4 Hist ,83 0,87 1,8 0,83 1,2 1,87 Este manômetro (01) foi verificado no ano de 2005 e Foi feita uma primeira medição no mês de agosto de 2005 e após ajuste, nova medição (Fim) foi realizada, como os valores obtidos estavam dentro dos limites estabelecidos por norma, foi liberado para uso. Na verificação foram obtidos, através do software, os erros absolutos de subida e descida, bem como o erro de histerese. Este procedimento foi repetido em fevereiro e março Este manômetro está sendo controlado e monitorado pelo sistema citado. Desde que o laboratório de calibração está funcionando (01/03/2005) foram realizadas 1792 calibrações, sendo todas controladas pelo sistema desenvolvido. Observa-se ainda que todos os manômetros calibrados e aprovados no laboratório de calibração foram também aprovados pelo INMETRO. Discussão e Conclusões A medida da pressão arterial pelo método indireto auscultatório é um procedimento simples, facilmente executável e que provê resultados confiáveis, desde que se atenda às premissas básicas para a sua realização e dentre elas

6 condições adequadas do equipamento. Baseados nos resultados da medição da pressão arterial são adotadas decisões relativas ao diagnóstico da hipertensão arterial e conduta terapêutica. Diante destes aspectos, considera-se de suma importância a realização de ajustes e calibrações adequadas nos esfigmomanômetros para garantir a fidedignidade da medida de pressão arterial. Além disso, desde a entrada em vigor da portaria do INMETRO tornando obrigatória a verificação anual dos esfigmomanômetros nos estabelecimentos assistenciais de saúde, houve a necessidade de uma atenção especial na manipulação e manutenção de tais equipamentos. A verificação anual destes equipamentos é realizada exclusivamente pelo Inmetro (metrologia legal), mas este órgão não realiza o ajuste dos esfigmomanômetros. Em virtude disso, houve uma motivação para o desenvolvimento de um equipamento Calibrador Semi-Automático de Esfigmomanômetros, pelo setor de pesquisa do CEB de um hospital do sul do país. Este calibrador é utilizado em um Laboratório de Calibração (LAC) para que os esfigmomanômetros pudessem ser consertados e calibrados, deixando estes dentro da faixa tolerável de erro exigida pela portaria do Inmetro. O LAC fornece relatório do procedimento realizado em cada equipamento, informando o método de ensaio, as medidas obtidas, o erro do calibrador, o erro total do procedimento executado, o responsável pela execução do serviço e informações a respeito do cliente e do aparelho (dados do cadastro do hospital). O software CalbWin é utilizado para auxiliar na calibração dos manômetros, através de obtenção dos valores mencionados, registro dos dados, emissão de relatórios e é fundamental na gestão do LAC. Salienta-se que existem diversos outros equipamentos eletrônicos para medidas de pressão que podem ser realizados no processo de calibração do manômetro, porém nenhum destes realiza o processo automaticamente e possui um software que emite relatório preciso com as informações do processo e cálculo de todos os valores necessários. A gestão dos esfigmomanômetro dentro de um estabelecimento assistencial de saúde (SAS) torna-se, portanto, muito mais eficaz e eficiente com a inserção de um laboratório de calibração que contenha o calibrador semi-automático e o software descrito. Brasileiros de Cardiologia], Brasília, v. 5, n. 67. [2] Rabello, C., Pierin, G., Mion, D. (2004), O conhecimento de profissionais da área da saúde sobre a medida da pressão arterial, Revista da Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, v. 2, n. 38, p [3] Holanda, H. E. M., Mion Jr, D., Pierin, A. M. G. (1997), Medida da Pressão Arterial. Critérios Empregados em Artigos Científicos de Periódicos Brasileiros, Sociedade Brasileira de Cardiologia: arquivos brasileiros de cardiologia, São Paulo, v. 6, n. 68. [4] ABNT (1993), NBR-ISO : Requisitos de garantia de qualidade para equipamento de medição - Parte 1: Sistema de comprovação metrológica para equipamentos de medição, ABNT, 14p. [5] Imbelloni, L. E., Beato, L., Tolentino, A. P. (2004), Monitores automático de pressão arterial. Avaliação de três modelos em voluntárias, Revista de Anestesiologia, v. 54, n. 1, p [6] INMETRO, Portaria nº 24 de 22 de fevereiro de 1996, Regulamento Metrológico. [7] Spalding, E. L. S. (1996), Sistema integrado de instrumentos e procedimentos para a realização da calibração de esfigmomanômetros, Tese de Mestrado, Instituto de Engenharia Biomédica, Departamento de Engenharia Elétrica / UFSC, Florianópolis. [8] INMETRO, Portaria nº 153 de12 de agosto de 2005, Regulamento Metrológico. [9] Salomão, M. J. H. Ferraz, F. T (2003), Implantação do Controle Metrológico de Esfigmomanômetros no Brasil, Sociedade Brasileira de Metrologia (SBM). [10] Sant Anna, Neiva, E., Pitta, L., Soares, F. (2003), Controle da Qualidade de Esfigmomanômetros no Município de Macaé, Sociedade Brasileira de Metrologia (SBM). [11] ABNT (1998), NBR 14105: Manômetros com sensor de elemento elástico Recomendações de fabricação e uso. ABNT, 14 p. [12] Mion Jr., D., Pierin, A. M. G., Alavarce, D. C., Vasconcellos, J. H. (2000), Resultado da Campanha de Avaliação da Calibração e Condição de Esfigmomanômetros, Arquivo Brasileiro de Cardiologia, v. 74, n. 1, p Referências [1] Introcaso, L. (1996), História da Pressão Arterial 100 Anos do Esfigmomanômetro, Sociedade Brasileira de Cardiologia:Arquivos

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