Por Antonio Carlos Freitas Souza e Guilherme Saccomani 25/06/14 1

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1 Por Antonio Carlos Freitas Souza e Guilherme Saccomani 25/06/14 1

2 Conteúdo I. INTRODUÇÃO 3 II. DEFINIÇÕES 4 III. PEDIDO DE INSERÇÃO - PI 6 IV. COMISSÃO RECEITA DA AGÊNCIA DE PUBLICIDADE V. REPASSE 9 VI. SERVIÇOS DE PROMOÇÃO DE EVENTOS VII. AUTO-RETENÇÃO DARF LEGISLAÇÃO VIII. INFORME DE RENDIMENTO DE AGÊNCIA IX. DIRF DO CLIENTE SOBRE AS COMISSÕES DA AGÊNCIA X. TIPOS DE SERVIÇOS QUE UMA AGÊNCIA DE PUBLICIDADE PODERÁ REALIZAR XI. ANÁLISE TRIBUTÁRIA A. VEDAÇÃO AO INGRESSO NO SIMPLES NACIONAL B. LUCRO PRESUMIDO 18 C. LUCRO REAL 21 XII. CONCLUSÃO 24 25/06/

3 I. Introdução A formatação da atividade está previamente definida em lei e normas, contudo, os clientes, por desconhecimento dos processos desta área, frequentemente questionem o comportamento fiscal da agência. Podemos então considerar uma dose elevada de complexidade, em virtude da necessidade de se explicar qual é o tratamento fiscal nestas operações de intermediação. O exercício da profissão de Publicitário e de Agenciador de Propaganda é regulado pela Lei nº 4.680, de 18 de junho de /06/14 3 3

4 II. Definições PUBLICIDADE OU PROPAGANDA é, nos termos do art. 2º do Dec. nº /66, qualquer forma remunerada de difusão de ideias, mercadorias, produtos ou serviços por parte de um anunciante idendficado AGÊNCIA DE PUBLICIDADE E PROPAGANDA é, nos termos do art. 6º do Dec. nº /66, empresa criadora/produtora de conteúdos impressos e audiovisuais especializada nos métodos, na arte e na técnica publicitárias, através de profissionais a seu serviço que estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos Veículos de Comunicação, por ordem e conta de Clientes Anunciantes com o objedvo de promover a venda de mercadorias, produtos, serviços e imagem, difundir ideias ou informar o público a respeito de organizações ou insdtuições a que servem. 25/06/14 4 4

5 II. Definições VEÍCULO DE COMUNICAÇÃO OU, SIMPLESMENTE, VEÍCULO é, nos termos do art. 10º do Dec. nº /66, qualquer meio de divulgação visual, audidva ou audiovisual. FORNECEDOR DE SERVIÇOS OU, SIMPLESMENTE, FORNECEDOR é a pessoa _sica ou jurídica especializada e tecnicamente capacitada a fornecer os serviços ou suprimentos necessários ao estudo, concepção e execução da publicidade, em complementação ou apoio às advidades da Agência, Anunciante e Veículo. 25/06/14 5 5

6 III. Pedido de Inserção - PI A compra de espaço publicitário, na praxe do mercado é regulada pelo documento PI, Pedido de Inserção, com os dados da campanha negociada entre o veículo e a agência ou o anunciante. A PI deve ser enviada ao veículo e precisa conter os dados referentes à compra realizada, com no mínimo as seguintes informações: Veiculação Formatos utilizados; Período de veiculação; Quantidade de impressões ou diárias; Sites e canais onde a campanha veiculará; Informações importantes para a veiculação (geotarget, horário, dias da semana). Cobrança Número do PI Razão Social da agência e anunciante; Endereço completo da agência e anunciante; CNPJ da agência e anunciante; Valor bruto; Desconto; Valor líquido; Vencimento; Forma de Faturamento. 25/06/14 6 6

7 IV. Comissão - Receita da agência de publicidade COMISSÃO DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA é o abatimento concedido, com exclusividade, pelo Veículo de Comunicação à Agência de Publicidade, a título de remuneração, pela criação/produção de conteúdo e intermediação técnica entre aquele e o Anunciante. O "desconto padrão de agência" é regido pelo art. 11 da Lei nº 4.680/65 e art. 11 do Decreto /66 e é reservado exclusivamente à Agência, com a finalidade de remunerar seus serviços como criadora/produtora de conteúdo publicitário. Toda Agência que alcançar as metas de qualidade estabelecidas pelo CENP, comprometendo-se com os custos e atividades a elas relacionadas, habilitar-se-á ao recebimento do "Certificado de Qualificação Técnica", conforme o art. 17 inciso I, alínea "f" do Decreto nº /66, e fará jus ao "desconto padrão de agência" não inferior a 20% (vinte por cento) sobre o valor dos negócios que encaminhar ao Veículo por conta e ordem de seus Clientes. 25/06/14 7 7

8 IV. Comissão - Receita da agência de publicidade VALOR BRUTO é o preço da mídia contratada, deduzidos os descontos comerciais concedidos ao Anunciante. VALOR LÍQUIDO é o preço da mídia contratada, deduzidos os descontos comerciais concedidos ao Anunciante e os 20% do "desconto padrão de agência". "FEE é o valor contratualmente pago pelo Anunciante à Agência de Publicidade, nos termos estabelecidos pelas Normas-Padrão, independente do volume de veiculações, por serviços prestados de forma contínua ou eventual. O "fee" poderá ser cumulativo ou alternativo à remuneração de Agência decorrentes da veiculação ("desconto padrão de agência"); de produção externa, de produção interna e de outros trabalhos eventuais e excepcionais, tais como serviços de relações públicas, assessoria de imprensa, etc. 25/06/14 8 8

9 V. Repasse Em alguns municípios, e, especialmente em São Paulo é possível destacar no documento fiscal os valores contratados de veículos e dos serviços adquiridos de terceiros para execução da publicidade e propaganda. A previsão para o repasse está no regulamento do ISS da PMSP, regido pelo Decreto nº , de 1º de outubro de 2009, no parágrafo único do art. 47, in verbis: Subseção III Agências de Publicidade Art. 47. Constitui receita bruta das agências de publicidade: I o valor das comissões, inclusive das bonificações a qualquer título, auferidas em razão da divulgação de propaganda; II o valor dos honorários, fees, criação, redação e veiculação; III o preço da produção em geral. Parágrafo único. Quando o serviço a que se refere o inciso III deste artigo for executado por terceiros que emitam notas fiscais, faturas ou recibos em nome do cliente e aos cuidados da agência, o preço do serviço desta será a diferença entre o valor de sua fatura ao cliente e o valor dos documentos do(s) executor(es) à agência. Note que, somente será possível a realização do repasse quando a NF, Fatura, ou recibo estiver emitida contra o cliente. Esta possibilidade decorre da atividade intermediadora da agência de publicidade e propaganda. 25/06/14 9 9

10 VI. Serviços de promoção de eventos As atividades de organização e planejamento de eventos são operações de publicidade e propaganda. Envolve mais do que um agenciamento/intermediação da relação cliente-prestador de serviços, pois colaciona também toda a gestão da realização do evento, como a organização; o planejamento publicitário; a execução de atividades inerentes; a contratação de artistas, grupos e etc. Deste modo, podemos dividir as operações da seguinte maneira: 1. Quando a agência contratar terceiros para execução de atividades relacionadas à eventos em nome do cliente, apenas cobrando comissão sobre a intermediação realizada, é possível utilizar o código de serviço da PMSP; 2. Quando os serviços forem contratados em nome da agência, toda a aquisição que for realizada será considerada seu custo, e não sendo possível o repasse nesta modalidade. Deste modo, recomendamos a utilização dos códigos ou 07161, conforme o caso. 25/06/

11 VI. Serviços de promoção de eventos Propaganda e publicidade, inclusive promoção de vendas, planejamento de campanhas ou sistemas de publicidade, elaboração de desenhos, textos e demais materiais publicitários; Produção, mediante ou sem encomenda prévia, de eventos, espetáculos, entrevistas, shows, ballet, danças, desfiles, bailes, teatros, óperas, concertos, recitais, festivais e congêneres; Planejamento, organização e administração de feiras, exposições, congressos e congêneres. É importante frisar, que no 2º caso, o valor total da Nota Fiscal será considerado como receita para efeito de tributação. Enquanto que no primeiro caso, a tributação será semelhante aos demais casos de agenciamento/ intermediação, se lhe tributando apenas as comissões de agência. 25/06/

12 VII. Auto-retenção DARF Legislação RESPONSABILIDADE/ RECOLHIMENTO O imposto deverá ser recolhido pelas agências de propaganda, por ordem e conta do anunciante. O anunciante e a agência de propaganda são solidariamente responsáveis pela comprovação da efetiva realização dos serviços. A agência de propaganda efetuará o recolhimento englobando todas as importâncias relativas a um mesmo período de apuração, devendo informar, ainda, o valor do imposto na DCTF. Fundamentação: IN SRF nº 123/92, ADE Corat nº 9/02, IN SRF nº 108/01, Art. 17, II. ALÍQUOTA/BASE DE CÁLCULO A alíquota será de 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento) do valor do rendimento. Observação: Excluem-se da base de cálculo as importâncias diretamente pagas ou repassadas pelas agências de propaganda a empresas de rádio, televisão, publicidade ao ar livre (outdoor), cinema, jornais e revistas, bem como os descontos por antecipação de pagamento. Fundamentação: RIR/99, art. 651, II e 1º e IN SRF nº 123/92. 25/06/

13 VII. Auto-retenção DARF Legislação PRAZO DE RECOLHIMENTO Até o dia 20 do mês subsequente à data da ocorrência dos fatos geradores. Fundamentação: RIR/99, Art Observação: a retenção de 1,50% será executada pela própria agência de publicidade, devendo então mencionar em sua nota fiscal a expressão: IRRF não reter conforme determina art. 651 do RIR/99 combinado com a Instrução Normativa 123/92. Destacamos que as atividades propaganda e publicidade não estão sujeitas a retenção da CSRF (pis/cofins/csll) conforme art. 30 da Lei / /06/

14 VIII. Informe de rendimento de agência A agência de propaganda deverá fornecer ao anunciante, até 31 de janeiro de cada ano, documento comprobatório com indicação do valor do rendimento e do imposto de renda recolhido, relativo ao anocalendário anterior. As informações prestadas pela agência de propaganda deverão ser discriminadas na Declaração de Imposto de Renda na Fonte (Dirf) anual do anunciante. Fundamentação: IN SRF nº 123/92, ADE Corat nº 9/02 25/06/

15 IX. DIRF do cliente sobre as comissões da agência Os rendimentos e o respectivo imposto de renda na fonte da agência disponibilizados pela agência conforme tópico anterior devem ser informados na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) do anunciante que tenha pago a agencia de propaganda importâncias relativas a prestação de serviços de propaganda e publicidade; Fundamentação: IN SRF nº 123/92, ADE Corat nº 9/02 25/06/

16 X. Tipos de serviços que uma agência de publicidade poderá realizar As agências de publicidade poderão executar os serviços abaixo desde que estas atividades estejam previstas em seu objeto social: execução e distribuição de propaganda aos veículos de comunicação, como rádio, Tv, jornal, revistas e internet por ordem e conta de Clientes Anunciantes com o objetivo de promover a venda de mercadorias, produtos, serviços e imagem, difundir ideias ou informar o público a respeito de organizações ou instituições a que servem; a promoção de vendas; o planejamento de campanhas publicitárias; elaboração de desenhos, textos e demais materiais publicitários; e a criação de conteúdos audiovisuais e conteúdos impressos. Ressaltamos que as possibilidades de repasse dos valores contratados somente serão possíveis quando os serviços forem faturados contra o cliente em favor da agência. É permitido, no entanto, que a agência contrate a realização de serviços em seu favor e os venda. Destacamos, porém, que a carga tributária incidirá sobre o valor bruto da nota fiscal, sem deduções. 25/06/

17 XI. Análise Tributária A. VEDAÇÃO AO INGRESSO NO SIMPLES NACIONAL Não há expressa vedação em lei ao ingresso do Simples Nacional, no entanto, a Secretaria da Receita Federal vem se posicionando pelo impedimento ao ingresso. Deste modo, o ingresso está vetado e a referida Secretaria já arrolou esta informação no link a seguir: Pos=14&Div=GuiaContribuinte/Simples/ 25/06/

18 XI. Análise Tributária B. LUCRO PRESUMIDO Na opção do lucro presumido a agência se beneficiará da redução da base de cálculo reduzida para 32% sobre o faturamento bruto, deduzido os descontos incondicionais e os cancelamentos, para cálculo do imposto de renda (IRPJ) e para a contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL). Sobre a base de cálculo reduzida será aplicada a alíquota do tributo 15% IRPJ e, 9% CSLL. Ademais, ao aplicar a redução do Lucro Presumido no final do trimestre, sobre o resultado o que exceder a R$ ,00 será taxado por 10%. Esta tributação extra é denominada adicional do imposto de renda e seu recolhimento ocorre no mesmo DARF do IRPJ. Deste modo, o cálculo se dá trimestralmente e o recolhimento no último dia útil ao mês subsequente ao trimestre, p.exemplo, no 1º Trimestre o vencimento será dia 30/Abril/ /06/

19 XI. Análise Tributária A opção pelo lucro presumido também determina que a empresa é optante pelo regime cumulativo dos tributos PIS e COFINS, com alíquotas de 0,65% e 3,00%, respectivamente. A aplicação das alíquotas do PIS e COFINS incidirá sobre o faturamento bruto, diminuído o valor de descontos incondicionais e cancelamentos. O vencimento ocorrerá todo dia 25, quando a data coincidir com o sábado, domingo ou feriado o tributo será antecipado para o dia útil imediatamente anterior. Considerando a alíquota de 5% do ISS sobre a atividade de publicidade e propaganda em SP, podemos dizer que a carga tributária será de 16,33% + adicional do Imposto de Renda. 25/06/

20 XI. Análise Tributária A seguir um exemplo considerando um faturamento de R$ ,00, um desconto de ,00, e ,00 de cancelamento. Os impostos no Lucro Presumido são determinados pelo faturamento bruto da empresa, no entanto, todas as despesas devem ser formalizadas conforme previsões legais, sob risco de penalidades em caso de autoria fiscal. 25/06/

21 XI. Análise Tributária C. LUCRO REAL A opção pelo lucro real é realizada anualmente através do 1º recolhimento do IRPJ e ou da CSLL, de modo irretratável e irrevogável, e os impostos são calculados com base no resultado operacional. O regime contábil sempre será o de competência, porém a apuração poderá ser anual com obrigatoriedade de recolhimentos mensais a título de antecipações, como também poderá ser trimestralmente. Do mesmo modo que ocorre no lucro presumido, ao se apurar o lucro, o resultado o que exceder a R$ ,00 mensais será taxado por 10%. Esta tributação extra é denominada adicional do imposto de renda e seu recolhimento ocorre no mesmo DARF do IRPJ. Caso a opção tenha sido pelo lucro real trimestral, a tributação adicional ocorrerá sobre o que exceder a R$ ,00. 25/06/

22 XI. Análise Tributária Deste modo, mensal ou trimestral, o recolhimento deverá ocorrer no último dia útil ao mês subsequente ao apurado. A opção pelo lucro real, considerando a atividade de agência de publicidade, determinará que a empresa é optante pelo regime não-cumulativo dos tributos PIS e COFINS, com alíquotas de 1,65% e 7,60%, respectivamente. A aplicação das alíquotas do PIS e COFINS incidirá sobre o faturamento bruto, diminuído dos valores de descontos incondicionais, cancelamentos, e os créditos sobre: I. bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços; II. energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; III. aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; IV. leasing; 25/06/

23 XI. Análise Tributária V. máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos e destinados à venda ou na prestação de serviços; VI. edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa. Desde 2003, com o ingresso do regime não-cumulativo para apuração do Pis e Cofins a definição da opção tributária Lucro Presumido ou Lucro Real - deve ser aplicada sobre um orçamento, pois em decorrência dos créditos destes impostos, a decisão não poderá ser apenas sobre a margem de lucratividade, mas sobre o quanto estes impostos impactarão na carga tributária final. Isto porque há negócios que seu maior insumo é a folha de pagamento, e, sobre esta não há aproveitamento de créditos. 25/06/

24 XII. Conclusão A agência de publicidade atua aplicando seu know how na criação, produção, execução e distribuição de propaganda aos veículos de comunicação. Sua principal característica é a intermediação, uma vez que esta atua por conta e ordem do seu cliente, contratando e executando no interesse deste. Como em toda atividade de intermediação, a sua remuneração é a comissão, e, especificamente para a atividade de agência de publicidade há requisitos legais e normas de órgão de classe estabelecidos que devem ser observados, tais como a retenção 1,50% sobre o seu faturamento a título de comissão, o envio em 31 de janeiro dos informes para que o cliente declare em sua DIRF as comissões e retenções da agência, a contratação em nome do cliente, a comissão de agência não inferior a 20% e a possibilidade de repasse. Também se faz necessário apontar que é frequentemente utilizada no mercado publicitário, as atividades relacionadas com a produção de sites, mail marketing, pesquisa em redes sociais, e toda exploração na mídia online e estas se equiparam com a atividade de veiculação off-line, entretanto, não há regramento quanto a percentual mínimo de comissão. 25/06/

25 Autores Antonio Carlos Freitas Souza Guilherme Saccomani Advogado tributarista especializado em impostos indiretos, atua na área há 16 anos. Graduado pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo e MBA em Gestão Tributária pelo Instituto Nacional de Pós Graduação INPG Administrador, MBA, CRC, com especialização em Wharthon e Harvard. Executivo e Consultor com experiência nas áreas de Finanças, Planejamento e Operações em empresas de Publicidade, Varejo e Serviços. 25/06/

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