PLANO DE ACTIVIDADES E ORÇAMENTO PARA 2003

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1 PLANO DE ACTIVIDADES E ORÇAMENTO PARA DESPESAS Acção Social O Plano de Actividades e respectivo Orçamento (Anexo I) para o ano de 2003, que ora propomos, apresenta um conjunto de acções com o objectivo de promover um intervenção integrada e participada do parque habitacional cuja gestão está a cargo da CASFIG, EM, visando a qualidade de vida das populações residentes e a conservação do património, bem como, em estreita parceria com a Câmara Municipal de Guimarães e a sua solicitação, assumir as competências na área das carências habitacionais do Concelho e, eventualmente, instruir processos de concursos ou candidaturas a programas de realojamento em habitação municipal. Assim, é pretensão desta empresa municipal dar continuidade - a par de uma boa gestão financeira e patrimonial das habitações municipais de sua responsabilidade à observância de medidas que visam a reabilitação humana das famílias residentes, promovendo, assim, a sua integração no tecido social. O parque habitacional sob gestão desta empresa municipal tem vindo a aumentar, sendo agora de 418 fogos e com tendência a crescer, face à recente decisão da Câmara Municipal de Guimarães de adquirir mais 58 fogos no Empreendimento de Coradeiras/Fermentões. Deste modo, facilmente se compreende que a área de intervenção aqui planeada será necessariamente mais alargada. No seu todo, os agregados familiares realojados ao abrigo do Programa de Realojamento em Habitação Municipal (298 fogos), e naturalmente aqueles a realojar (58 fogos), caracterizam-se, na sua larga maioria, pelos parcos recursos económicos, constatando-se uma privação em vários domínios das necessidades básicas: alimentação, vestuário, transportes, comunicações, condições de trabalho, possibilidades de escolha, saúde e cuidados de saúde, educação, formação profissional, cultura, participação na vida social, etc. No trabalho que temos vindo a desenvolver junto dos agregados familiares, facilmente constatamos que algumas dessas carências suscitam outras, por exemplo, o baixo nível de instrução e a sua relação com o acesso à cultura. Como facilmente se compreende, a privação em que muitos dos agregados residentes vivem suscitam tensões e rupturas familiares, levando a situações de exclusão social por comportamentos auto-destrutivos como o alcoolismo, a toxicodependência, a prostituição, etc.

2 Deste modo, trabalhar no sentido da Inclusão Social pressupõe conceber e materializar acções de intervenção a várias frentes, estabelecendo parcerias com os sectores públicos, particulares e privados, trabalhando em domínios distintos mas complementares. Saúde: a).1 - Alcoolismo e toxicodependência: A CASFIG, EM continuará a privilegiar a área da prevenção do alcoolismo e toxicodependência, problemas sociais directamente associados aos fenómenos de pobreza e exclusão social. Assim, iremos dar continuidade a acções de carácter curativo e preventivo junto da população residente, com especial incidência nos agentes socialmente excluídos por comportamentos auto-destrutivos relacionados com a toxicodependência e o alcoolismo. Deste modo, em parceria com os Serviços de Saúde de Guimarães, particularmente com a Equipa de Saúde Comunitária, irão promove-se acções de informação/formação nestas áreas, bem como o acompanhamento em programas de desintoxicação. a).2 - Debilidade fisico-psíco-biológica: Ao longo do trabalho desenvolvido com as famílias residentes em geral e com os elementos que as integram em particular, a equipa técnica da CASFIG, EM tem vindo a detectar, entre outros, a existência de problemas de desenvolvimento motor, psicológico e de capacidades orais em algumas das crianças residentes, pelo que continuaremos a encaminhar essas situações para os serviços especializados existentes no Concelho. Trata-se de um pré-diagonóstico de extrema importância, já que temos vindo a verificar a grande dificuldade da população em causa em auto-diagonosticar tais situações, bem como a falta de iniciativa em informar-se sobre os problemas que a atinge e, ainda, em recorrer aos serviços competentes para acompanhá-la. Para além disso, importa que o trabalho social desenvolvido incida igualmente nas situações de exclusão de origem patológica, designadamente de natureza psicológica e mental. Na verdade, são muitas as vezes em que as rupturas familiares são originadas por problemas psicológicos ou mentais, sendo decisivo um estudo profundo de cada um dos casos no sentido de esclarecer qual a causa e qual o efeito desses comportamentos conducentes a rupturas familiares. Trata-se, portanto, de situações provocadoras de privação de tipo relacional, caracterizadas muitas vezes pelo isolamento, que não raras vezes se encontram intimamente associadas à falta de auto-suficiência e autonomia pessoal. a).3 - Acções de sensibilização/formação e Manuais de esclarecimento:

3 Dando continuidade ao já realizado no decorrer do ano de 2002, a CASFIG, EM tem a pretensão de organizar sessões de esclarecimento com o objectivo de informar/formar a população residente nas habitações sociais. Para a efectivação dessas sessões de esclarecimento, iremos privilegiar o trabalho de parceria existente com a equipa de Saúde Comunitária do Concelho de Guimarães, nomeadamente com a Delegada de Saúde Pública e enfermeira de saúde comunitária. A par de outros temas que eventualmente se justifiquem, na eventualidade de ao longo do ano surgirem problemas de natureza específica, tal como aconteceu no ano de 2002, propomos a realização de sessões de informação/formação no âmbito da higiene pessoal e habitacional, vacinação, alimentação e planeamento familiar. Educação e Cultura: b)1 - Educação: A falta de cultura escolar existente nos agregados familiares residentes nas habitações sociais requer um acompanhamento contínuo do percurso escolar das crianças e jovens, nomeadamente no que concerne ao absentismo, ao insucesso e abandono escolar. Na verdade, é nossa pretensão dar continuidade ao trabalho realizado em parceria com os vários estabelecimentos de ensino, no sentido de elevar a escolaridade da população mais jovem, incutindo princípios de frequência, assiduidade e sucesso escolar como investimento na vida futura. b)2 - Cultura: Para colmatar a falta de hábitos de fruição cultural que enriquecem o ser humano, alargando os seus horizontes e dotando-o de uma maior capacidade crítica, a CASFIG, EM e a Câmara Municipal de Guimarães têm já implementado um esquema que irá permitir o acesso dos moradores dos Empreendimentos Sociais a cargo desta Empresa Municipal aos vários eventos culturais em cuja organização a Autarquia esteja envolvida. b).3 - Programa de Férias de Verão: À semelhança do que tem acontecido nos anos anteriores, e porque os resultados desta iniciativa se têm revelado extremamente positivos, a CASFIG, EM irá levar a cabo um programa de férias de Verão no âmbito do Programa de Ocupação de Tempos Livres (OTL), promovido pelo Instituto Português da Juventude. Através de um conjunto de actividades diárias (idas à praia, à piscina, visitas a museus, trabalhos manuais e de expressão plástica, etc.), procurar-se-á

4 proporcionar às crianças e jovens residentes um conjunto de experiências dificilmente concretizáveis no seio de cada uma das famílias, dado os diminutos recursos económicos que as caracteriza. Emprego: Conscientes que o emprego é um dos mecanismos mais importantes para a integração social dos indivíduos, continuará esta a ser uma vertente de acção prioritária da CASFIG, EM. Na verdade, estar desempregado representa a privação da fonte normal de rendimento, mas também a perda de um vínculo de ligação importante à sociedade, à rede de relações interpessoais que o emprego proporciona, e, não menos importante, ao sentimento de participação na vida económica do país. Deste modo, a CASFIG, EM pretende dar continuidade ao trabalho desenvolvido no âmbito da inserção profissional da população residente. Trabalhando em parceria com o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), a CASFIG, EM continuará a trabalhar no sentido da colocação dos residentes em situação de desemprego no mercado de trabalho, quer directamente, quer por via de Cursos de Formação Profissional. c).1 - Rendimento Mínimo Garantido: Como é do conhecimento público, a CASFIG, EM aderiu à Comissão Local de Acompanhamento de Rendimento Mínimo Garantido no ano de 2000, tendo, sob sua responsabilidade, os processos dos agregados familiares beneficiários residentes nos Empreendimentos Sociais a cargo desta Empresa Municipal. Uma vez que a CASFIG, EM é detentora de uma posição privilegiada no que concerne ao conhecimento pormenorizado de todos os agregados familiares residentes, estando apta para acompanhar, de uma forma socialmente justa, todas as famílias beneficiárias deste apoio, iremos dar continuidade ao tratamento e acompanhamento dos processos de cada uma das famílias, nomeadamente no que concerne ao cumprimento do Plano de Inserção que este apoio implica. Acções Várias: Ao longo do ano, a equipa técnica da CASFIG, EM irá desenvolver um conjunto de intervenções várias, no sentido de ajudar as famílias a proceder a mudanças que urgem ser feitas, e que se pretendem positivas e duradouras. Teremos em linha de conta a individualidade de cada um dos agregados familiares, adaptando as intervenções às necessidades e objectivos de cada estrutura familiar, utilizando, ainda, as suas potencialidades no sentido de a dotar de competências que lhe permitam ultrapassar, de forma autónoma, os seus problemas. Trata-se, portanto, de envolver a família, de forma activa e permanente, no seu próprio processo de mudança positiva.

5 A verdadeira inserção social da população residente nas habitações que se encontram sob a gestão da CASFIG, EM, passará, assim, pela concretização de acções que permitam readquirir atributos perdidos ou não adquiridos pelos indivíduos. Assim, desenvolvendo um trabalho em parceria com as diversas instituições existentes no Concelho, procurar-se-á desenvolver um conjunto de acções com o objectivo de habilitar psicológica e socialmente os moradores, tornando-os cidadãos de plenos direitos. A saber: integrar os indivíduos nos empreendimentos e estes na cidade, com valorização dos espaços e dignificação dos contextos sociais; dotar os residentes de competências que os auxiliem na adaptação às novas condições de vida e à adequada organização e apropriação dos espaços; assegurar, aos agregados familiares socialmente deprimidos, a satisfação das necessidades mínimas e a progressiva inserção social e profissional; garantir o cumprimento da regulamentação da utilização dos espaços comuns; eliminar os factores de conflito entre vizinhos e colaborar na inclusão de indivíduos afectados por doença física ou mental, desestruturação familiar e violência doméstica; Proporcionar atitudes de estima e conservação do espaço habitado, motivando os moradores para a correcta utilização dos fogos e zonas comuns; promover a participação plena da cidadania de cada indivíduo; combater a solidão e o isolamento, com especial incidência na população mais idosa; promover a sociabilidade e o fortalecimento dos laços comunitários de relação entre a população do próprio empreendimento e entre esta e a freguesia; reforçar os sentimentos de pertença e das capacidades individuais. 1.2 Pessoal: A verba proposta com pessoal do Quadro, em anexo à proposta do Plano e Orçamento de 2003 ( Anexo 1 ), tem já em linha de conta o aumento do parque habitacional gerido pela CASFIG, EM, actualmente de 418 habitações, bem como o assumir competências, por delegação da Câmara Municipal de Guimarães, na área da habitação do Concelho (contrato-programa).

6 Assim, já em Janeiro próximo, foi prevista a contratação de um Técnico Superior de Serviço Social, necessidade que se prende, quer com o aumento do parque habitacional, quer com o alargamento de competências da CASFIG, EM. Finalmente, propõe-se ainda este ano, em documento autónomo, o Regulamento de Organização, Carreiras Profissionais e Estatuto Remuneratório que se reveste de grande importância, não só pelo facto de dotar a CASFIG, EM de aptidões para atrair e reter quadros com níveis de qualificação adequados à natureza da actividade que esta empresa desenvolve, mas também porque constituirá um instrumento estimulador à adopção de comportamentos imbuídos de elevados níveis de desempenho. 1.3 Equipamento: No ano de 2002 estava prevista uma verba para equipamento informático (2 computadores e 1 impressora), cuja aquisição acabou por não se concretizar em virtude de o custo do programa informático de gestão, também previsto para 2002, ser muito superior à verba estimada, o que implicou que a CASFIG, EM optasse pela compra do referido programa em detrimento daquele equipamento. Deste modo, propõe-se, para o corrente ano, a aquisição do equipamento informático que se mantém necessário. 1.4 Obras: Prevemos continuar a realização de obras de recuperação e/ou beneficiação das habitações mais antigas, estando a maior parte delas já orçamentadas. Em termos de obras de beneficiação, daremos, obviamente, prioridade às habitações atribuídas ao abrigo do Decreto-Lei nº 35:106, de 6 de Novembro de 1945, cujas rendas serão oportunamente objecto de actualização. 2. RECEITAS 2.1 Rendas O aumento do parque habitacional gerido pela CASFIG, EM, com a atribuição de mais 40 habitações em Junho de 2002, vem acrescentar o volume de receitas correspondente às rendas das habitações geridas actualmente pela empresa. Estimou-se uma verba de ,00 correspondente à actualização de rendas das habitações municipais antigas, cujo título de ocupação se rege pelo Decreto- Lei nº 35:106, de 6 de Novembro de 1945, muito embora tal valor não seja rigoroso, uma vez que o processo de actualização de rendas, que se iniciou apenas em Outubro de 2002, encontra-se ainda em curso, não se dispondo, portanto, de todos os dados que permitam apurar o efectivo aumento global desta receita.

7 Entendeu-se por bem não se contemplar uma verba respeitante ao conjunto de 58 habitações a atribuir durante o ano de 2003, uma vez que tal atribuição será precedida de concurso ao abrigo do Decreto-Lei nº 50/77, de 11 de Agosto, não sendo possível estimar, nesta fase, o valor aproximado das rendas a receber, nem mesmo a data a partir da qual tal atribuição será efectivada Transferências de Verbas da Câmara Municipal Considerou-se um subsídio de ,98 (quarenta e sete mil seiscentos e noventa e sete euros e noventa e oito cêntimos), destinado a comparticipar a totalidade das obras de recuperação do edifício situado na R. Capitão Alfredo Guimarães, nº 354, incluindo a recuperação do espaço destinado a garagem, conforme contrato-programa aprovado pela Câmara Municipal de Guimarães em sua reunião de 24 de Outubro de 2002, e assinado em 25 do mesmo mês. Considerou-se, igualmente, um subsídio de (dezoito mil oitocentos e cinquenta euros) como indemnização compensatória, nos termos do art.º 31º do Decreto-Lei nº 58/98, de 18 de Agosto, destinado à delegação de competências na CASFIG, EM, do serviço de habitação do Concelho (carências habitacionais), conforme contrato-programa a submeter, autonomamente, a aprovação da Câmara Municipal de Guimarães. O Conselho de Administração, Domingos Bragança Salgado Alice Sofia Soares Ferreira Fernandes Maria Joana Rangel da Gama Lobo Xavier

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