RESUMO. Palavras-chave: Elisão fiscal. PIS. COFINS. Planejamento tributário.

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1 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO: A utilização da elisão fiscal em uma loja de móveis e eletrodomésticos frente aos tributos PIS e Cofins no regime tributário de lucro presumido RESUMO 33 BARELLA, Lauriano Antonio 1 LIMA, Elaine Lourenço 2 Com a necessidade de crescimento das empresas, devido à globalização, a contabilidade está sendo usada cada vez mais como uma ferramenta para auxiliar nesse processo, assim, com base nessa necessidade, a pesquisa busca analisar a influência da elisão fiscal em produtos comercializados em lojas de móveis e eletrodomésticos enquadradas no lucro presumido, demonstrando o seu impacto no valor dos produtos zero para o PIS e o COFINS respectivamente. Os procedimentos metodológicos utilizados na estrutura da pesquisa foram por meio de revisão bibliográfica, em livros, artigos e periódicos científicos; quanto aos meios, a metodologia de pesquisa é classificada com base em seus objetivos como descritiva/explicativa, pois tem como meta principal descrever a influência da elisão fiscal em uma empresa; já aos fins, a natureza da metodologia é caracterizada pela abordagem qualitativa. Para demonstrar a relevância da elisão fiscal, foi realizada a apuração do recolhimento do PIS e a COFINS dos meses de janeiro a junho do ano de 2015 de uma empresa no ramo de móveis e eletrodomésticos, mostrando o impacto do abatimento das receitas zero, no caso desta empresa, foram utilizados os valores das vendas de celulares, que possuem incidência de alíquota zero. Assim, consegui-se demonstrar que a elisão fiscal é uma excelente ferramenta para auxiliar a empresa a diminuir seu ônus tributário. Palavras-chave: Elisão fiscal. PIS. COFINS. Planejamento tributário. 1 INTRODUÇÃO A contabilidade é uma ciência social que tem como objetivo gerar relatórios que auxiliem nas tomadas de decisões, assim zelando pelo patrimônio da entidade. Um dos ramos dessa ciência é a contabilidade tributária, que visa apurar e conciliar a geração de tributos de uma empresa, e, dentro desse ramo da contabilidade, tem-se o planejamento tributário. O planejamento tributário é uma ferramenta pouco utilizada pelos empresários, pois muitos veem a contabilidade como uma mera obrigação para atender o fisco. Com a globalização, o mercado se apresenta cada vez mais competitivo e as empresas buscam formas de atingir seus objetivos, maximizar seus resultados e diminuir seus custos. Um bom 1 Mestre em Ambiente e Desenvolvimento e Docente do Curso de Ciências Contábeis da Faculdade de Alta Floresta (FAF) 2 Acadêmica do Curso de Ciências Contábeis da Faculdade de Alta Floresta (FAF)

2 34 planejamento tributário auxilia nas tomadas de decisões, mostrando formas lícitas de diminuir o ônus tributário da empresa. Muitas empresas não chegam ao final de seu segundo ano de abertura e a falta de planejamento pode ser um dos fatores que desencadeiam esse fato. Com a necessidade de achar formas de se manter no mercado globalizado, as empresas estão buscando contratar profissionais que possam auxiliar nas tomadas de decisões. E os contadores tributaristas são um desses profissionais que estão sendo requisitados, para fazer um planejamento tributário de acordo com as necessidades e objetivos da entidade. Com aumento da busca desses profissionais para prestarem serviços como consultores, os contadores têm que se manterem atualizados com as alterações das legislações tributárias, pois é fundamental para seu sucesso profissional, sendo que é uma tarefa trabalhosa no Brasil, pois o sistema tributário é um dos mais complexos. A tecnologia também auxilia, agilizando o tempo de serviço desses profissionais, pois atualmente ficaria muito difícil a elaboração de relatórios em tempo reais da situação tributária da empresa. Com base nestas discussões, o artigo busca analisar a influência da elisão fiscal em produtos comercializados em lojas de móveis e eletrodomésticos enquadradas no lucro presumido, demonstrando o seu impacto no valor dos produtos zero para o PIS e o COFINS respectivamente. A escolha do tema justifica-se pela necessidade de as empresas diminuirem seus custos de forma lícita, assim se demonstrando a relevância da utilização do planejamento tributário como ferramenta para auxiliar nas tomadas de decisões. 2 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO Planejamento tributário são formas lícitas de diminuir o ônus tributário de uma empresa, segundo Fabretti (2001, p.30): O estudo feito preventivamente, ou seja, antes da realização do fato administrativo, pesquisando-se seus efeitos jurídicos e econômicos e as alternativas legais menos onerosas, denomina-se Planejamento Tributário. Cabe ressaltar que o planejamento deve ser feito de acordo com a necessidade da empresa, não se pode tomar como base um planejamento feito em outra entidade. A execução de um bom planejamento pode auxiliar a empresa a atingir seus objetivos, e se manter no mercado, que, com a globalização, está cada vez mais competitivo. Portanto, cabe aos administradores buscarem formas de maximizar os resultados da entidade, diminuindo seus custos.

3 35 Dessa forma, está cada vez mais claro que o planejamento tributário é uma ferramenta que deve ser usada por todas as empresas, não apenas as de grande porte, mas, principalmente, e principalmente pelas de pequeno e médio porte, pois as auxiliaria a crescerem. 2.1 Elisão Fiscal, Evasão Fiscal e seus conceitos Elisão fiscal, também é conhecido como planejamento tributário, de acordo com Fabretti (2001, p.126) é: A elisão fiscal é legítima e lícita, pois é alcançada por escolha feita de acordo com o ordenamento jurídico, adotando-se a alternativa legal menos onerosa ou utilizando-se de lacuna da lei. Têm-se duas espécies de elisão fiscal, aquela decorrente da própria lei, como os incentivos fiscais, e a que resulta de lacunas e brechas existentes da própria lei. Assim, o objetivo da elisão fiscal é fazer o contribuinte pagar menos imposto de forma que não infrinja a lei, segundo Oliveira (2009, p.194): Portanto, a elisão fiscal representa um conjunto de sistema legais, cujo objetivo é a redução, postergação e, até mesmo, a eliminação do recolhimento de tributos. O contribuinte tem o direito de estruturar seu negócio da melhor maneira que lhe pareça, procurando reduzir os custos empresariais. Se a forma adotada é jurídica e licita, cabe à Fazenda Pública respeita-la. Para a escolha do tipo de elisão fiscal a ser usado pelo contribuinte, é necessário o auxilio de um profissional competente e qualificado. Cabe ao contador tributarista esse papel, apresentando formas de elisão adequadas ao ramo de atividade da empresa, ao seu regime tributário e aos seus objetivos. Outra forma de diminuir a carga tributária de uma empresa, ainda utilizada, é a evasão fiscal, que, ao contrário da elisão fiscal são formas ilícitas de diminuir esse montante, caracterizando crime de sonegação fiscal, conforme ressalta Oliveira (2009, p.190): O conceito corrente na doutrina brasileira de evasão fiscal corresponde ao agente (contribuinte) que, por meios ilícitos, visa a eliminar, reduzir ou retardar o recolhimento de um tributo, já devido pela ocorrência do fato gerador. Já para Fabretti (2001, p.127): A evasão fiscal, ao contrário de elisão, consiste em prática à lei geralmente é cometida após a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, objetivando reduzi-la ou ocultá-la. 2.2 PIS e COFINS

4 36 A contribuição ao Programa da Integração Social e ao Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Pública (PIS/Pasep) é um tributo que incide no faturamento mensal das empresas, de acordo com Pêgas (2009, p.494): O Programa de integração Social PIS e o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP são contribuições criadas em 1970, com objetivo de integrar os trabalhadores na vida e no desenvolvimento das empresas. E a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) que foi criada no final do ano de 1991, que, como o PIS, é tributada sobre o faturamento mensal da entidade, segundo Pêgas (2009, p.496): Os objetivos da seguridade social são os de assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. Tanto o PIS e a Cofins são de competência da União, seus contribuintes são pessoas jurídicas de direito privado. O cálculo do PIS e da COFINS na forma de incidência cumulativa onde os contribuinte não têm direito ao crédito de suas compras, nesta forma de tributação, presume-se a margem de lucro por ramo de atividades, é o percentual indicado pela legislação multiplicado pela receita mensal do contribuinte, que forma a base de cálculo, para fins de apuração do PIS e da COFINS. A base de cálculo da Contribuição para o PIS e COFINS, no regime de incidência cumulativa, é o faturamento mensal, que corresponde à receita bruta menos as exclusões da base de cálculo sendo, vendas canceladas, descontos incondicionais, devolução de venda, mercadorias sujeitas à alíquota zero e monofásicas. Ressalta Pêgas (2009) que, nessa forma de incidência, as alíquotas são respectivamente 0,65% e 3% para o PIS e a COFINS. No lucro presumido, não se levam em consideração as despesas da empresa, pois a base de cálculo não é o lucro e, sim, o percentual obtido pela presunção da receita auferida no trimestre. O percentual fixado pela lei varia entre 1,6% a 32% e é considerado como a margem de lucro da determinada atividade. 3 METODOLOGIA Os procedimentos metodológicos foram estruturados na pesquisa por meio de revisão bibliográfica, em livros, artigos e periódicos científicos. Quanto aos meios, a metodologia de pesquisa é classificada com base em seus objetivos como descritiva/explicativa, pois tem como meta principal descrever a influência da elisão fiscal em uma empresa.

5 37 Quanto aos fins, a natureza metodologia da pesquisa é caracterizada pela abordagem qualitativa, em que foram selecionados todos celulares vendidos pela empresa, que será nomeada de Empresa X, no período de 01/01/2015 a 31/08/2015, que possuem incidência de alíquota zero, assim mostrando o impacto do abatimento desses valores na base de cálculo para o recolhimento do PIS e a COFINS. A pesquisa ocorreu no município de Alta Floresta - MT. 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO Para demonstrar o impacto do uso da elisão fiscal como uma ferramenta para diminuir o ônus tributário da entidade, foi realizada a apuração do cálculo do recolhimento do PIS e a COFINS mensal no período de 01/01/2015 a 31/08/2015 da Empresa X, levando em consideração o abatimento e o não abatimento dos valores das vendas dos celulares com incidência de alíquota zera, sendo que, para essa apuração, foi necessário fornecimento de dados da empresa, que foram fornecidos através de relatórios pelo seu responsável. Para ser feita a apuração, foi necessário o faturamento bruto da empresa, as vendas canceladas, as vendas devolvidas e os valores dos celulares que foram vendidos nos respectivos meses. Para o cálculo do PIS e a COFINS, é aplicada a alíquota de 0,65% e 3,0% ao mês, respectivamente, sobre a base de cálculo, que é faturamento bruto mensal menos a dedução das vendas canceladas e as vendas devolvidas para o cálculo do recolhimento sem o abatimento da receita das vendas dos celulares zero da base de cálculo. Já para cálculo do recolhimento com o abatimento dessas receitas, esses valores são abatidos da base de cálculo. Abaixo, será demonstrado, através de tabelas como foi realizado cálculo mensal da base cálculo e a apuração do recolhimento do PIS e a COFINS com e sem o abatimento das receitas zero. Tabela 1: Apuração da base de cálculo do PIS e a COFINS. JANEIRO FEVEREIRO MARÇO Faturamento bruto R$ ,47 R$ ,58 R$ ,14 (-) Deduções (R$ ,63) (R$ 7.470,68) (R$ 5.742,00) Vendas canceladas (R$ 1.322,00) (R$ 966,00) (R$ 1.252,00) Vendas devolvidas (R$ 8.937,63) (R$ 6.504,68) (R$ 4.490,00) Subtotal faturamento R$ ,84 R$ ,90 R$ ,14

6 38 Receitas incidência alíquota zero (R$ ,44) (R$ ,42) (R$ ,12) Total faturamento R$ ,40 R$ ,48 R$ ,02 Tabela 2: Apuração da base de cálculo do PIS e a COFINS. ABRIL MAIO JUNHO Faturamento bruto R$ ,48 R$ ,08 R$ ,63 (-) Deduções (R$ ,10) (R$ 14863,65) (R$ ,22) Vendas canceladas (R$ 2.105,99) (R$ 2.069,98) (R$ 7.272,94) Vendas devolvidas (R$ 9.629,11) (R$ ,67) (R$ 4.991,28) Subtotal faturamento R$ ,38 R$ ,43 R$ ,41 Receitas incidência alíquota zero (R$ ,07) (R$ ,51) (R$ ,58) Total faturamento R$ ,31 R$ ,92 R$ ,83 Tabela 3: Apuração do PIS mensal. MÊS Com abatimento das receitas zero. Janeiro R$ 926,25 R$ 1.039,54 Fevereiro R$ 514,99 R$ 671,39 Março R$ 1.138,53 R$ 1.290,15 Abril R$ 1.300,80 R$ 1.467,56 Maio R$ 1.679,35 R$ 1.984,52 Junho R$ 1.436,54 R$ 1.650,49 Total R$ 6.996,46 R$ 8.103,65 Tabela 4: Apuração do COFINS mensal. MÊS Com abatimento das receitas zero Janeiro R$ 4.275,01 R$ 4.797,90 Fevereiro R$ 2.376,85 R$ 3.098,73 Março R$ 5.254,74 R$ 5.954,55 Abril R$ 6.003,70 R$ 6.773,35 Maio R$ 7.750,83 R$ 9.159,31 Sem abatimento das receitas zero. Sem abatimento das receitas zero

7 39 Junho R$ 6.630,20 R$ 7.617,64 Total R$ ,33 R$ ,48 Com as tabelas, é possível observar o impacto do abatimento e não abatimento das receitas zero da base de cálculo, assim influenciando no valor a recolher dos tributos. No final dos 6 (seis) meses, a empresa teria deixado de pagar R$ 1.107,19 no recolhimento dos PIS e R$ 5.110,15 do COFINS, totalizando R$ 6.217,34 de economia no final do semestre. 5 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6022: Informação e documentação Artigo em publicação periódica científica impressa - Apresentação. Rio dejaneiro: ABNT, FABRETTI, Láudio Camargo. Contabilidade Tributária. 7 ed. São Paulo: Atlas S.A, PÊGAS, Paulo Henrique. Manual de Contabilidade tributária. 6 ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos Editora, OLIVEIRA, Gustavo Pedro de. Contabilidade Tributária. 3 ed. São Paulo: Saraiva, OLIVEIRA, Luís Martins de.manual de contabilidade tributária. 13 ed. São Paulo: Atlas, 2014.

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