UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA EMERSON RODRIGUES DUARTE

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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA EMERSON RODRIGUES DUARTE A INCLUSÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA NAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR E NOS CURSOS DE EDUCAÇÃO FÍSICA DE JUIZ DE FORA PEDE PASSAGEM. E AGORA? Juiz de Fora 2009

2 EMERSON RODRIGUES DUARTE A INCLUSÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA NAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR E NOS CURSOS DE EDUCAÇÃO FÍSICA DE JUIZ DE FORA PEDE PASSAGEM. E AGORA? Dissertação apresentada à Universidade Federal de Juiz de Fora/Universidade Federal de Viçosa, como requisito parcial para a obtenção do Título de Mestre em Educação Física, Área de Concentração: Educação Física. Linha de Pesquisa: Aspectos socioculturais do movimento humano. Orientadora: Profª. Drª. Maria Elisa Caputo Ferreira Juiz de Fora 2009

3 Duarte, Emerson Rodrigues. A inclusão de pessoas com deficiência nas instituições de ensino superior e nos cursos de educação física de Juiz de Fora pede passagem. E agora? / Emerson Rodrigues Duarte f. : il. Dissertação (Mestrado em Educação Física) Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, Ensino superior. 2. Inclusão social. 3. Pessoas portadoras deficiência. I. Título. CDU 378

4 EMERSON RODRIGUES DUARTE A INCLUSÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA NAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR E NOS CURSOS DE EDUCAÇÃO FÍSICA DE JUIZ DE FORA PEDE PASSAGEM. E AGORA? Dissertação de Mestrado submetida ao Programa de Pós-Graduação em Educação Física, da Universidade Federal de Juiz de Fora UFJF em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV), como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre em Educação Física. Aprovada em / / BANCA EXAMINADORA Profª. Drª. Roseli Cecília Rocha de Carvalho Baumel Universidade de São Paulo USP Profª. Drª. Lídia dos Santos Zacarias Universidade Federal de Juiz de Fora UFJF Profª. Drª. Maria Elisa Caputo Ferreira Universidade Federal de Juiz de Fora UFJF

5 A Lucimar, pela cumplicidade, companhia e apoio. Às minhas filhas queridas, Marina, Júlia e Laura, pelos ensinamentos da vida. Aos meus pais, pela oportunidade da vida.

6 AGRADECIMENTOS À Professora Drª. Maria Elisa Caputo Ferreira, pela coragem, disposição e conhecimento. Agradeço por ter aceitado a orientação deste trabalho em um momento tão difícil. À Professora Leila Rose Márie Batista da Silveira Maciel, pela paciência e profissionalismo. A todos os coordenadores dos cursos, funcionários e secretárias das IESs participantes desta pesquisa, pela atenção e prontidão no atendimento. Às Diretoras da Escola Municipal Santana do Itatiaia e da Escola Municipal Santa Catarina Labouré, Adriana e Sandra, pelo apoio irrestrito. Aos companheiros professores, coordenadoras pedagógicas e secretárias da Rede Municipal de ensino de Juiz de Fora, pelos ricos momentos de partilha. Ao Professor Dr. Jorge Perrout, pelo apoio no momento de transição. Aos professores e secretário do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação Física da UFJF, pela compreensão. À direção, professores e funcionários da Faculdade de Educação Física da Universidade Federal de Juiz de Fora, pela amizade. Aos amigos Wendel, Felipe, Natal, José Luis, Consolação, José Antônio e Rodrigo, pelo convívio. À Associação dos Cegos de Juiz de Fora, Associação dos Surdos de Juiz de Fora, APAE, Quintal Mágico, ALAE, IMEPP, E. E Maria das Dores, pelos ensinamentos. Aos companheiros do Laboratório de Estudo sobre o Corpo, em especial, a Fabiane e a Daniele, pelo carinho ao longo do curso. E por fim, meu reconhecimento a Hilda, Alciones e Elza, pela oportunidade. A todos o meu muito obrigado.

7 Na minha civilização, aquele que é diferente de mim não me empobrece: me enriquece. (Saint-Exupéry)

8 Sempre disse que quando eu passasse no vestibular para comunicação eu venceria a minha deficiência [visual], pois o jornalismo é a profissão que escolhi de coração. (Rosani Martins)

9 RESUMO No mundo contemporâneo, a inclusão do aluno com deficiência representa desafio, desde a modalidade de Educação Infantil até o Ensino Superior, tanto em instituições privadas quanto públicas. Este trabalho procurou colaborar para que esse paradigma educacional seja rompido, tendo como foco principal o Ensino Superior em Juiz de Fora, MG. Justifica-se pela necessidade contemporânea de estabelecer processos e metodologias, em políticas educacionais, que contemplem um Ensino Superior atento à diversidade humana. Para tanto, buscou-se recorrer aos conhecimentos já produzidos a respeito do tema inclusão, especificamente, no Ensino Superior, com base nos autores, tais como Mansini e Bazon (s./d), Delpino (2004), Moreira (2005), Gomes e Lima (2006), Perini (2006), Chahin (2006), Pellegrin (2006), Ferreira (2006), Rodrigues (2007), Pereira (2007). O objetivo deste trabalho foi realizar um levantamento dos alunos com deficiência em processo de inclusão no Ensino Superior de Juiz de Fora e analisar a história de vida dos alunos com deficiência nos cursos superiores de Educação Física. Metodologicamente, esta pesquisa foi dividida em duas etapas: a primeira trata-se de um Survey, em que foi possível levantar quantos são os alunos com deficiência matriculados nas Instituições de Ensino Superior, na cidade de Juiz de Fora. O instrumento utilizado foi entrevista semiestruturada aplicada aos coordenadores de cursos de Instituições de Ensino Superior (IESs) privada e de uma IES pública. Na segunda etapa, analisou-se o conteúdo das entrevistas, de acordo com a Análise de Conteúdo, a partir do pensamento de Bardin (2008), dos alunos autodeclarados com deficiência dos cursos de Educação Física. Foram pesquisadas 11 IESs, 10 da rede privada e 1 (uma) da rede pública. Conclui-se que a inclusão nos cursos superiores em Juiz de Fora vem acontecendo. Atualmente, são 45 alunos com deficiência os quais estão em processo de inclusão, sendo 37 na rede privada e 8 na rede pública. Em sua maioria, são alunos da rede privada, com deficiência visual, do sexo masculino. Estudam no período noturno e há maior procura pelos cursos da área de Humanidades. Em uma das IESs pesquisada, foi possível identificar a presença de 2 alunos com deficiência física, originada de acidente automobilístico. Esses consideram a necessidade da quebra de barreias arquitetônicas e atitudinais para o sucesso desse novo processo de escolarização. Palavras-chave: Ensino Superior. Inclusão. Pessoas com deficiência.

10 ABSTRACT In today s world, the inclusion of students with disabilities represents a challenge from Children's Education up to Higher Education both in private and public institutions. This work has sought to help break this educational paradigm, focusing mainly on higher education in Juiz de Fora, MG. It can be justified by the current need to establish processes and methodologies in educational policies which deal with higher education which privileges human diversity. In order to do so, knowledge already produced on the theme of inclusion specifically concerning higher education- was sought in authors such as Mansini and Bazon (s./d), Delpino (2004), Moreira (2005), Gomes and Lima (2006), Perini (2006), Chahin (2006), Pellegrin (2006), Ferreira (2006), Rodrigues (2007), and Pereira (2007). The aim of this dissertation was to do a survey of the students with disabilities in process of inclusion in the higher education institutions of Juiz de Fora and to analyze their academic histories in the physical education courses. Methodologically, this research was divided into two stages: The first one is a survey carried out to know how many students with disabilities are enrolled in the higher education institutions of Juiz de Fora. The tool used was a semi-structured interview applied to the course coordinators of the private Higher Education Institutions (HEI) and of one public HEI. In the second stage, the content of the interviews was analyzed according to Bardin s (2008) Content Analysis and the self-declared disabled students enrolled in the Physical Education school. Eleven HEIs were surveyed, consisting of ten private institutions and one public. The conclusion is that inclusion is a reality in the higher education institutions of Juiz de Fora. Currently, 45 students with disabilities are in the process of inclusion, 37 of whom are in private institutions and 8 in the public ones. Most of them are visually impaired males. They attend evening courses, mostly in the Humanities. In one of the HEIs studied, it was possible to identify the presence of two students with physical impairment due to car accidents. These consider the need to break architectural and attitudinal barriers, integral to the success of this new educational process. Key-words: Higher education. Inclusion. People with disabilities.

11 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Quadro 1 Concepções e noção de inteligência e cognição através dos tempos.. 25 Gráfico 1 Percentual de pessoas com deficiência Gráfico 2 Distribuição do percentual de pessoas com deficiência por tipologia Gráfico 3 Deficiência congênita e adquirida por tipo Gráfico 4 Fatores causadores de deficiência por tipo Gráfico 5 Percentual de pessoas com deficiência por faixa etária Gráfico 6 Posição na família da pessoa com deficiência Gráfico 7 Estado civil da pessoa com deficiência Gráfico 8 Percentual em relação ao emprego das pessoas com deficiência Gráfico 9 Faixa de renda da pessoa com deficiência Gráfico 10 Pessoas com deficiência que trabalham formalmente Gráfico 11 Principais ocupações das pessoas com deficiência Gráfico 12 Trabalho formal segundo idade/pessoas com deficiência e População Total Gráfico 13 Trabalho formal segundo anos de estudo/pessoas com deficiência e População Total Gráfico 14 Trabalho formal segundo tempo de emprego/pessoas com deficiência e População Total Gráfico 15 Tempo de estudo da pessoa com deficiência Gráfico 16 Evolução do número de matrículas no ensino regular de pessoas com deficiência Gráfico 17 Evolução da política de inclusão nas classes comuns do ensino regular Gráfico 18 Evolução do número de matrículas de pessoas com deficiência no ensino regular, nas redes pública e privada Gráfico 19 Distribuição do percentual de matrículas de pessoas com deficiência por etapa de ensino Gráfico 20 Evolução de matrículas de alunos com deficiência no Ensino Superior de 2003 a Gráfico 21 Evolução de matrículas de alunos com deficiência no Ensino Superior de 2003 a 2005 por deficiência Gráfico 22 Alunos com deficiência matriculados na rede pública de Juiz de Fora por nível de ensino Gráfico 23 PROUNI Bolsas ofertadas por ano Gráfico 24 Bolsas do PROUNI ofertadas por ano em Juiz de Fora... 76

12 Gráfico 25 Bolsistas Pessoas com deficiência PROUNI 1º semestre/ Quadro 2 Resumo das produções sobre inclusão de pessoas com deficiência no Ensino Superior Organograma 1 Organograma da Secretaria de Desporto da Presidência da República Gráfico 26 Alunos com deficiência por cursos da UFJF Gráfico 27 Alunos com deficiência matriculados por turno de estudo na UFJF Gráfico 28 Alunos com deficiência matriculados por sexo na UFJF Gráfico 29 Alunos com deficiência matriculados por área de conhecimento na UFJF Gráfico 30 Valores absolutos e percentuais de matrículas de alunos com deficiência por IES privada Gráfico 31 Alunos com deficiência matriculados por turno de estudo nas IESs privadas Gráfico 32 Alunos com deficiência matriculados por sexo nas IESs privadas Gráfico 33 Alunos com deficiência matriculados por área de conhecimento nas IESs privadas Quadro 3 Perfil dos alunos com deficiência dos cursos de Educação Física pesquisados

13 LISTA DE TABELAS Tabela 1 Cruzamento de idade, tempo de estudo e pessoal deficiente não ocupado Tabela 2 Dados referentes à inclusão de pessoas com deficiência na UFJF Tabela 3 Alunos com deficiência por cursos da UFJF Tabela 4 Alunos com deficiência matriculados por turno de estudo na UFJF Tabela 5 Alunos com deficiência matriculados/sexo na UFJF Tabela 6 Alunos com deficiência matriculados por área de conhecimento na UFJF Tabela 7 Dados referentes à inclusão de pessoas com deficiência nas IESs privadas de Juiz de Fora Tabela 8 Dados referentes à inclusão de pessoas com deficiência por IES privada Tabela 9 Alunos com deficiência por cursos nas IESs privadas Tabela 10 Alunos com deficiência matriculados por turno de estudo nas IESs privadas Tabela 11 Alunos com deficiência matriculados por sexo nas IESs privadas Tabela 12 Alunos com deficiência matriculados por área de conhecimento nas IESs privadas

14 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABMES BPC ALAE APAE CFE CAPS/SUS CNE/CEB CNE/CP CENESP CND CSD CORDE CPS/FGV DEF ECA EJA EPT FNAS FUNDESP ENEM FEBRABAN FESJF FIES IBC IBGE IES IFES INDESP IMEPP INES INSS IPEA LDB LIBRAS MDS MEC MEC/CES MEC/GM MEC/INEP MMI MTE MJ NEACE Associação Brasileira de Mantenedores de Ensino Superior Benefício de Prestação Continuada Associação de Livre Apoio ao Excepcional Associação de Pais de Amigos dos Excepcionais Conselho Federal de Educação Centro de Apoio Psicosocial do Sistema Único de Saúde Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Básica Conselho Nacional de Educação/Conselho Pleno Centro Nacional de Educação Especial Conselho Nacional do Desporto Conselho Superior do Desporto Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência Centro de Políticas Sociais/Fundação Getúlio Vargas Divisão de Educação Física Estatuto da Criança e do Adolescente Educação de Jovens e Adultos Esporte Para Todos Fundo Nacional de Assistência Social Fundo Nacional de Desenvolvimento do Esporte Exame Nacional do Ensino Médio Federação Brasileira dos Bancos Faculdade Estácio de Sá Juiz de Fora Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior Instituto Benjamin Constant Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Instituições de Ensino Superior Instituições Federais de Ensino Superior Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto Instituto Médico Psicopegagógico Instituto Nacional de Educação dos Surdos Instituto Nacional do Seguro Social Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas Lei de Diretrizes e Dados da Educação Nacional Língua Brasileira de Sinais Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome Ministério da Educação Ministério da Educação/Censo da Educação Superior Ministério da Educação Gabinete do Ministro Ministério da Educação/Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira Membros inferiores Ministério do Trabalho e Emprego Ministério da Justiça Núcleo de apoio à criança escolar da Prefeitura de Juiz de Fora

15 NEE Necessidades Educacionais Especiais OCDE Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico OMS Organização Mundial da Saúde ONU Organização das Nações Unidas PCN Parâmetros Curriculares Nacionais PIERI Projeto de Iniciação Esportiva e Recreativa Inclusiva PMJF Prefeitura Municipal de Juiz de Fora PNEE Pessoa com necessidades educacionais especiais PDE Plano de Desenvolvimento da Educação PROENE Programa de Acompanhamento a Estudantes com Necessidades Educacionais Especiais PROUNI Programa Universidade para Todos PUC Campinas Pontifícia Universidade Católica de Campinas RAIS Relação Anual de Informações Sociais REUNI Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais Brasileiras SD Síndrome de Down SENAC Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SEED Secretaria de Educação à Distância SEESP Secretaria de Educação Especial SESU Secretaria de Ensino Superior UEL Universidade Estadual de Londrina UERGS Universidade Estadual do Rio Grande do Sul UFC Universidade Federal do Ceará UFJF Universidade Federal de Juiz de Fora UFFS Universidade Federal da Fronteira Sul UFMS Universidade Federal do Mato Grosso do Sul UFOPA Universidade Federal do Oeste do Pará UFRGS Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFSC Universidade Federal de Santa Catarina UFSCAR Universidade Federal de São Carlos UFSM Universidade Federal de Santa Maria ULBRA Universidade Luterana do Brasil UnB Universidade de Brasília UNESP Universidade Estadual Paulista UNICAMP Universidade Estadual de Campinas UNICID Universidade Cidade de São Paulo UNILA Universidade Federal da Integração Latino-Americana UNILAB Universidade Luso-Afro-Brasileira

16 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO REVISÃO DE LITERATURA DA EXCLUSÃO/SEGREGAÇÃO À POSSIBILIDADE DE INCLUSÃO Do direito à diferença Breve histórico da inclusão educacional das pessoas com deficiência A inclusão educacional no Brasil: marcos históricos e normativos Perfil da pessoa com deficiência no Brasil Faixa etária Estado civil Ocupação Faixas de renda Mercado de trabalho Idade e escolaridade Tempo de emprego Pessoas com deficiência disponíveis no mercado de trabalho Educação A INCLUSÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA NAS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS Breve histórico da universidade no Brasil Programa de apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais REUNI Programa Incluir Programa Universidade para Todos PROUNI A inclusão de pessoas com deficiência no Ensino Superior: produções da área A EDUCAÇÃO FÍSICA, O ESPORTE E O PROCESSO DE INCLUSÃO A Educação Física frente às políticas dos Ministérios da Educação e do Esporte em prol da inclusão da pessoa com deficiência Os congressos brasileiros do Esporte Para Todos (EPT) Projeto integrado SEED/CENESP Plano nacional de ação conjunta para integração da pessoa deficiente Plano Plurianual A criação do INDESP PROBLEMATIZAÇÃO METODOLOGIA METODOLOGIA DA PESQUISA Modelo de Estudo Instrumentos e procedimentos de coletas de dados A realização das entrevistas

17 5. RESULTADO E DISCUSSÃO RESULTADO DA PESQUISA NA INSTITUIÇÃO PÚBLICA A UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA RESULTADO DA PESQUISA NAS INSTITUIÇÕES PRIVADAS PERFIL DOS ALUNOS COM DEFICIÊNCIA DOS CURSOS DE EDUCAÇÃO FÍSICA ANÁLISE DESCRITIVA DAS NARRATIVAS AUTOBIOGRÁFICAS Narrativa 1: João Exemplo de Comprometimento Narrativa 2: Pedro Exemplo de Dedicação CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS ANEXOS

18 1.INTRODUÇÃO A presente dissertação tem como objetivo realizar um estudo sobre a inclusão de pessoas com deficiência no Ensino Superior. Tal temática que, neste momento histórico brasileiro, merece destaque em razão das políticas implementadas pelo Governo Federal no que se refere ao acesso ao Ensino Superior com a finalidade de ampliar o nível de escolarização da população, é fruto de questionamentos na trajetória estudantil e profissional do pesquisador. No mundo contemporâneo, a inclusão do aluno com deficiência representa desafio desde a modalidade de Educação Infantil até o Ensino Superior, em instituições tanto privadas quanto públicas. No Brasil, as estatísticas oficiais, bem como estudos e pesquisas, elucidam apenas a condição desse alunado em processo de inclusão na Educação Básica, principalmente após os anos Esses foram subsidiados pela Declaração de Salamanca (1994). Entretanto, o interesse pelo estudo da inclusão no Ensino Superior parece ser uma realidade que vai além do território brasileiro. Costa e Rodrigues (1999), ao levantarem essas questões na educação portuguesa, lembram que, há 25 anos, o tema central em Educação Especial versava sobre as possibilidades e as metodologias de integração de alunos com necessidades educativas especiais nos níveis iniciais da educação. Hoje, com os avanços que se foram verificando nos diferentes graus de ensino, a reflexão começa a se estender sobre a inclusão de alunos com deficiência na universidade. Para refletir sobre aspectos dessa realidade, são trazidos à tona, neste trabalho, elementos da trajetória da universidade brasileira e seus papéis diante da construção de uma educação menos excludente. Todavia, pouco se tem sobre a inclusão de pessoas com deficiência no Ensino Superior no Brasil, indicando uma carência de reflexões, estudos e estatísticas, fato que dificulta a formulação de políticas públicas as quais contemplem ações que avancem para uma educação inclusiva também no Ensino Superior. Entre os autores que apresentam estudos sobre o tema, podem ser citados, atualmente, Masini e Bazon (s./d), Delpino (2004), Moreira (2005), Gomes e Lima (2006), Perini (2006), Chahin (2006), Pellegrin (2006), Ferreira (2007), Rodrigues

19 (2004), Pereira (2007), os quais são de várias regiões do Brasil, demonstrando a relevância dessa temática. Os estudiosos se dedicaram a estudar esse paradigma educacional da sociedade contemporânea, apontando valores, processos, caminhos e dificuldades a serem considerados a respeito das possibilidades de acesso e permanência de pessoas com deficiência no Ensino Superior. Com o objetivo de demonstrar ainda a atualidade e a relevância do tema desta pesquisa, cita-se a realização do I Seminário de Práticas de Inclusão no Ensino Superior, promovido pela Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP), em março de 2009, que procurou estabelecer discussões sobre as metodologias desenvolvidas e necessárias adotadas pelas diferentes IESs quando da inclusão desses estudantes. Esses vão desde a organização do vestibular/processo seletivo, procedimentos acadêmicos e administrativos até o acompanhamento das vivências acadêmicas cotidianas. Especificamente na cidade em estudo, destaca-se que nem na Universidade Federal de Juiz de Fora nem nas faculdades particulares foi possível encontrar dados referentes ao número de pessoas com deficiência em seus diversos cursos de graduação. Por isso foi necessário realizar uma pesquisa de campo que abordasse desde a secretaria até a coordenação de curso, funcionários, tendo sido feito até mesmo contato com pessoas que frequentam os espaços de convívio como as cantinas das instituições pesquisadas. Desse modo, em razão dessa lacuna no tocante aos dados, foi possível contar apenas com valores nacionais que apontam para o crescimento do número de matrícula de alunos com deficiência no Ensino Superior de uma forma geral. Segundo o Censo da Educação Superior MEC/INEP , havia, nesse ano, matrículas de alunos com deficiência no Ensino Superior e, desse total, nas Instituições de Ensino Superior (IESs) privadas e nas Instituições Federais de Ensino Superior (IFESs). Assim, é nesse sentido que o eixo de análise deste trabalho se encaminha, ou seja, apontar para o desafio da universidade brasileira incluir o aluno com deficiência em seus quadros. O presente trabalho foi dividido em duas partes: na primeira, procuro registrar o processo histórico da inclusão escolar, percorrendo o discurso 1 Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira do Ministério da Educação

20 educacional e os registros de movimentos que ajudaram a construir esse conceito, bem como seu significado antagônico, ou seja, o conceito de exclusão. Proponho, ainda, uma discussão que enfoque o papel da universidade frente às mudanças sociais e políticas, especificamente os movimentos de integração escolar, iniciados na década de 1980 e os movimentos de inclusão escolar, que tiveram início na década de A segunda parte compõe-se de uma breve discussão teórica sobre a universidade e seu papel social, com um recorte sobre a inclusão, entendida como o acesso e a permanência, no Ensino Superior, de pessoas com deficiência. Para refletir sobre aspectos dessa realidade, são trazidos à tona elementos da trajetória da universidade brasileira e seus papéis face à construção de uma educação menos excludente com o levantamento de dispositivos legais que indicam para o acesso, o ingresso e a permanência desse alunado na universidade. Para finalizar, são levantados pontos de vista de pesquisadores que podem contribuir para a inclusão desse aluno na universidade. A Instituição Federal de Ensino Superior pesquisada foi a UFJF, contemplada com o Programa Incluir, Edital 04/2008, do Ministério da Educação, lotado na Secretaria de Educação Superior, que convocou as IFESs a apresentarem propostas de criação, reestruturação e consolidação de Núcleos de Acessibilidade que atuarão na implementação da acessibilidade às pessoas com deficiência em todos os espaços, ambientes, materiais, ações e processos desenvolvidos na instituição. O objetivo é integrar e articular as demais atividades da instituição para a inclusão educacional e social das pessoas com deficiência, no âmbito do Programa de Acessibilidade na Educação Superior, promovendo, inclusive, o cumprimento disposto no Decreto nº /2004, nas Portarias do Ministério da Educação (MEC) e nº /2005, e no referido Edital. O Projeto Incluir tem como principais metas o acesso pleno de pessoas com deficiência às IFESs, apoiar propostas para superar situações de discriminação contra os estudantes com deficiência e implementação da política de inclusão das pessoas com deficiência no Ensino Superior. Para que seja realmente formado o quadro do processo de inclusão de pessoas com deficiência no Ensino Superior em Juiz de Fora, foram pesquisadas também todas as Instituições de Ensino Superior privadas, fato que possibilitou uma ampliação das perspectivas desta pesquisa no que se refere à discussão da função

21 e dos objetivos no que tange ao oferecimento da educação superior para pessoas com deficiência no Brasil.

22 2. REVISÃO DE LITERATURA Em uma sociedade como a nossa, o sujeito urbano é o corpo em que o capital está investido. (ORLANDI, 2001). Neste capítulo, buscar-se-á tratar das fundamentações teóricas referentes aos temas da inclusão/exclusão/segregação, das políticas públicas e da inclusão da pessoa com deficiência no sistema escolar, com uma posterior aproximação com a Educação Física e o Esporte, objetivando abrir o quadro teórico eleito para elaboração deste trabalho. 2.1 DA EXCLUSÃO/SEGREGAÇÃO À POSSIBILIDADE DE INCLUSÃO O movimento mundial pela educação inclusiva é uma ação política, cultural, social e pedagógica desencadeada em defesa do direito de todos no sentido de estarem juntos, aprendendo e participando, sem nenhum tipo de discriminação. Portanto a ideia de inclusão caracteriza mudança de paradigma 2 fundamentado na concepção de direitos humanos, que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis, e que avança em relação às ideias de equidade formal ao contextualizar as circunstâncias históricas da produção da exclusão nas relações sociais. Portanto, é nesta perspectiva dialética que serão abordados os temas da exclusão/segregação/inclusão a seguir. 2 Para Marcondes (1994), a noção de crise de paradigmas caracteriza-se como uma mudança conceitual, ou uma mudança de visão de mundo, consequência de uma insatisfação com os modelos anteriormente predominantes de explicação. Portanto a crise de paradigmas leva, geralmente, a uma mudança de paradigmas, sendo que as mudanças mais radicais consistem em revoluções científicas. Na sua visão, as mudanças na educação são resultado de fatores externos, ou seja, mudanças na sociedade e na cultura de nossa época que fazem com que as teorias educacionais tradicionais deixem de ser satisfatórias perdendo o seu poder explicativo, devendo ser substituídas por novas teorias.

23 2.1.1 O direito à diferença No mundo contemporâneo, a sociedade é constituída de diferentes comunidades, cada uma com sua identidade e defendendo seu direito à diferença na coletividade. Esse discurso sobre a diversidade não faz senão situar a lógica consensual numa escala diferente, deslocando-a para unidades menores da sociedade e reconstituindo no interior dessas a ideia de vínculo social, apoiado nos mesmos pensamentos/sentimentos desses (sub)grupos. Essa ideia fragmentária, separada, regionalizada das identidades comunitárias age no sentido contrário ao da instituição de uma identificação coletiva sobre a qual estabelece laços de sociabilidade e está baseada numa lógica discriminatória, quando não segregacionista (ORLANDI; RODRIGUEZ-ALCALÁ, 2004). Em um sentido mais geral do termo, discriminar é notar, perceber diferenças, fazer distinções e, em um sentido mais corrente, é a prática que, baseada nessas distinções, estabelece um tratamento diferencial; tratamento que pode, em alguns casos, ser favorável como nos casos da chamada discriminação positiva de certas categorias sociais. Já segregar dá uma ideia de separação mais acirrada, espacial, das diferenças. Segregar é, de acordo com as definições nas ciências sociais, o processo ecológico pelo quais as pessoas se estabelecem ou se localizam dentro de uma comunidade nas áreas já ocupadas por pessoas de características ou atividades sociais semelhantes às suas (SILVA, 2001, p. 104). A segregação é, assim, uma prática que pressupõe a discriminação, levando-a a extremos: ela faz distinções, visando à máxima separação dos diferentes, reduzindo ao mínimo indispensável o contato entre eles. A segregação representa, nesse sentido, a culminância do processo da insociabilidade e da incivilidade. A lógica consensual é assim de modo articulado à lógica segregacionista, ou melhor, a segregação é seu avesso, seu rastro: na medida em que aquela pressupõe uma concordância geral de pensamento e sentimento, as pessoas que pensam e se sentem diferentes ficam situadas do lado de fora, excluídas do vínculo social, separadas. Cabe às políticas públicas tentar juntá-las posteriormente. E eis aí a vez das políticas de inclusão, de direito à identidade, que trabalham nessa lógica e a complementam ao pressuporem a existência de uma identidade separada dos

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