Design para o Crescimento e a Prosperidade

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1 Design para o Crescimento e a Prosperidade Rapport Relatório et e recommandations Recomendações da du Comité Comissão directeur Europeia de Bericht européen Liderança und du em design Design Empfehlungen des Introdução e resumo Avant-propos et résumé analytique Vorwort und Zusammenfassung INICIATIVA EUROPEIA PARA A INOVAÇÃO ATRAVES DO DESIGN

2 Introdução Não obstante as pressões da austeridade e a complexidade dos desafios mundiais com que está confrontada a Europa, nunca antes a Comissão Europeia, os Estados-membros e as regiões beneficiaram de uma oportunidade tão clara para tomar medidas audazes de sensibilização para a importância do design na Europa como motor de uma inovação centrada no utilizador. Face ao desafio lançado por Antonio Tajani, Vice-Presidente da Comissão Europeia, de reforçar a longo prazo o contributo do design para um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo, através do aumento da competitividade e de uma melhor qualidade de vida para todos os cidadãos europeus, definimos uma visão do design que preconiza a integração desta atividade até 2020 nos sistemas de inovação da Europa e a sua valorização na sociedade. Para respondermos ao desafio, formulámos vinte e uma recomendações que permitirão mudar radicalmente o comportamento e as práticas em matéria de inovação em toda a Europa. O objetivo é criar condições-quadro e infraestruturas, assentes em medidas e ações focalizadas, que favoreçam um impacto em larga escala e duradouro na capacidade europeia de inovação no design. Agradecemos ao Vice-Presidente da Comissão, Antonio Tajani, esta missão crucial e oportuna e à sua equipa da DG Empresas e Indústria pelo apoio permanente e os conselhos prestados ao longo de todo o processo. Agradecemos também ao Secretariado da Universidade de Aalto, em Helsínquia, pelo contributo dado na preparação das reuniões, no fornecimento da documentação de trabalho e na redação dos projetos que refletem o nosso pensamento e objetivos. Agradecemos finalmente a todas as pessoas e organizações que connosco partilharam os seus conhecimentos, conselhos e competências para fins de deliberação, incluindo todos aqueles que participaram no ateliê de co-design organizado em Bruxelas, em março de Não subestimamos a dimensão dos desafios que a Europa enfrenta. Não negamos também as profundas mudanças que serão necessárias para podermos concretizar a nossa visão para o design. Por essa razão, as recomendações foram formuladas em termos suficientemente abrangentes para inspirar a ação de um vasto leque de intervenientes. Será necessária uma liderança forte da Comissão para garantir progressos firmes na sua aplicação. Instamos a Comissão, os Estados-Membros e as regiões a respeitar e a aplicar estas recomendações, a fim de promover uma visão comum do design europeu no século XXI. 1

3 Comissão Europeia de Liderança em Design Christian Bason Mindlab (DK) Miklós Bendzsel Hungarian Design (HU) Giovanni Antonio Cocco ISNART scpa Istituto Nazionale Ricerche Turistiche (IT) Rachel Cooper Lancaster University (UK) Deborah Dawton BEDA Bureau of European Design Associations (UK) Olli-Pekka Kallasvuo Chairman of the Delegation for World Design Capital 2012 (FI) Andrej Kupetz German Design Council (DE) Stefano Marzano Electrolux (SE) Isabel Roig BCD Barcelona Design Centre (ES) Klemens Rossnagel Audi/Wolkswagen Konzern Design (DE) Andrea Siodmok Technology Strategy Board (UK) Livia Tirone Tirone Nunes S.A. (PT) Gerin Trautenberger Microgiants Industrial Design GmbH (AT) Roberto Verganti Politecnico di Milano (IT) Thierry Wasser Guerlain (FR) 2

4 Resumo A Comissão Europeia de Liderança em Design foi instituída no início de 2011 por Antonio Tajani, Vice-Presidente da Comissão Europeia e Comissário Europeu responsável pelas Empresas e Indústria. Antonio Tajani solicitou à Comissão de Liderança que formulasse recomendações suscetíveis de reforçar o contributo do design europeu para as políticas de inovação nacionais, regionais ou locais, e que definisse uma visão, prioridades e medidas comuns que favorecessem a integração do design nas políticas de inovação europeias no quadro da iniciativa «União da Inovação». No período de um ano, a Comissão Europeia de Liderança em Design realizou sete reuniões e um ateliê consagrado às políticas de co-design, que contou com a participação de mais de cinquenta atores chave, incluindo representantes dos governos, do setor industrial, do mundo académico, das indústrias do design e do setor público. Partindo de uma visão muito ampla do design, a Comissão de Liderança formulou vinte e uma recomendações políticas, classificadas em seis ações estratégicas do design, que podemos esquematizar do seguinte modo: Número de recomendações 6. O design nos sistemas educativos europeus 1. O design europeu no mundo 2. O design nos sistemas de inovação europeus 5. O design nos sistemas de investigação europeus Capacidade europeia de inovação no design um sistema interconectado de recomendações para o crescimento e a prosperidade 3. O design nas empresas europeias 4. O design nos setores públicos europeus Fig. 1: Seis ações estratégicas do design 3

5 As vinte e uma recomendações da Comissão de Liderança foram agrupadas em seis ações estratégicas como vem resumido em seguida: AÇÃO ESTRATÉGICA DESIGN N.º 1 Diferenciar o design europeu a nível mundial Tendo em conta as características e as qualidades únicas dos produtos e serviços europeus criados no respeito pela cultura, pelos valores e pelas potencialidades da Europa, estas recomendações apelam ao reconhecimento dos atuais Centros Europeus de Excelência em Design e à divulgação de boas práticas na indústria para melhor competir globalmente. Apelam também à promoção dos benefícios para a indústria europeia de um design sustentável, através de uma proteção mais focalizada e do cumprimento dos direitos de propriedade intelectual da inovação europeia em matéria de design, bem como a um maior reconhecimento internacional do design europeu através da criação de um rótulo europeu neste domínio. 1. Identificar e reforçar os «Centros Europeus de Excelência em Design» já existentes nas empresas e na indústria e garantir os meios necessários para a colaboração destes centros em redes abertas que estimulem a inovação em todo o «ecossistema» industrial da Europa. 2. Promover a utilização crescente do design na indústria europeia, fomentando sinergias que contribuam para o crescimento económico, a regeneração ambiental e o reforço dos valores sociais e emocionais, respeitando simultaneamente as necessidades em recursos renováveis e endógenos. 3. Instituir um tribunal ou instância jurisdicional UE para as questões relativas aos direitos de propriedade intelectual e promover e melhorar a formação dos juízes dos tribunais nacionais em matéria de proteção dos direitos de propriedade intelectual do mundo real e virtual. O objetivo é garantir um nível de tolerância zero. Tal exige rever a legislação, a fim de incluir um «dever de vigilância» para a responsabilidade partilhada em matéria de proteção dos direitos de propriedade intelectual abrangendo toda a cadeia de valor física e digital. 4. Criar um rótulo para o design europeu com a menção «Designed in the European Union», à semelhança do rótulo ecológico europeu ECOLABEL, de modo a estimular a exportação de serviços de design. O objetivo é tornar mais eficazes e acessíveis os mecanismos de proteção e a aplicação das normas relativas ao design e à inovação na Europa, aumentando simultaneamente as expectativas e associando a excelência à sustentabilidade. 4

6 AÇÃO ESTRATÉGICA DESIGN N.º 2 Posicionar o design nos sistemas europeus de inovação Estas recomendações visam garantir políticas mais eficazes em matéria de design, através da utilização de indicadores e aferindo o impacto do design na economia, no retorno dos investimentos e no ambiente, com base na recolha de estatísticas pertinentes e comparáveis sobre o design enquanto atividade económica no atual quadro estatístico da UE. O design deve ser integrado nos programas de inovação e nas incubadoras de empresas de toda a Europa, a fim de promover uma maior sensibilização para a sua utilização. Deve também ser apoiada a divulgação de novos métodos de design, como o «Open Design». Se o recurso ao design em contratos públicos inovadores assume uma importância estratégica, a gestão do design é considerada um instrumento e um processo essencial para melhorar a qualidade do design na Europa. 5. Prosseguir e intensificar os esforços necessários para desenvolver métodos mais eficazes e mais fiáveis de aferição do impacto do investimento no design sobre o crescimento e o bem-estar social, às escalas micro e macroeconómica, e incluir esses dados nas estatísticas europeias em matéria de inovação. 6. Garantir a aplicação por todos os Estados-Membros do atual Código NACE 74:10 relativo às atividades especializadas de design e proceder, se necessário, à sua atualização. 7. Integrar o design nos programas de inovação e nas incubadoras de empresas e suas redes. 8. Adotar orientações, códigos de boas práticas, quadros normativos e plataformas experimentais destinados a apoiar o «Open Design». 9. Desenvolver uma política europeia que garanta uma abordagem mais sofisticada para a contratação pública de soluções inovadoras, através do reconhecimento, da integração e da implementação do design enquanto motor da inovação centrada no utilizador. 10. Melhorar o acesso das empresas europeias a conhecimentos e ferramentas especializados da gestão do design, a fim de apoiar a utilização e a integração do design e da gestão do design como instrumentos estratégicos para o crescimento. AÇÃO ESTRATÉGICA DESIGN N.º 3 Colocar o design ao serviço das empresas inovadoras e competitivas Estas recomendações visam reforçar a excelência do design já existente nas grandes empresas europeias que apostam neste domínio, manter a liderança da Europa no setor do design e encorajar o desenvolvimento de uma nova geração de líderes europeus conscientes da importância do design. As recomendações analisam também a possibilidade de apoiar o crescimento das médias empresas que ambicionem, através da inovação no design, tornar-se grandes empresas centradas no design, bem como de explorar os conhecimentos e a competência das grandes empresas em benefício das PME europeias. 5

7 As necessidades das PME em matéria de inovação através do design também são tidas em conta, particularmente as oportunidades oferecidas ao facilita o acesso aos programas da iniciativa Horizonte O contributo da inovação no design para a criação de emprego e o seu papel à luz das novas formas de produção, incluindo a «Future Factory», é igualmente abordado, tal como a emergência da próxima geração de modernos artesãos «Modern Craft for Europe», que exigirá uma maior integração do design nos sistemas europeus de formação profissional. A rápida mutação da manufatura e da produção, bem como a necessidade de a Europa se manter na vanguarda de processos e metodologias novos e emergentes, são considerados fatores cruciais para o sucesso no futuro. 11. Estabelecer um programa pan-europeu de gestão estratégica do design, para que a próxima geração de grandes empresas na Europa seja dirigida por pessoas capacitadas sobre a importância do design e motivadas para uma utilização mais apropriada desta atividade. 12. Desenvolver programas de apoio destinados às pequenas e médias empresas europeias que ambicionem tornar-se, através da inovação no design, grandes empresas centradas no design. 13. Estabelecer mecanismos que favoreçam uma maior transmissão de conhecimentos e de boas práticas em matéria de design, entre as grandes empresas centradas no design, as universidades e as PME. 14. Reforçar a inovação design nas PME, tendo em conta as necessidades específicas destas empresas no âmbito de programas Europeus tal como a iniciativa Horizonte 2020 e facilitando o seu acesso aos respectivos programas nacionais. 15. Reconhecer e valorizar os estágios e a formação profissional como forma de preparar artesãos especializados e qualificados de excelência mundial, em setores tradicionais e emergentes, sensibilizando-os para a importância do design enquanto motor de crescimento e de criação de emprego. AÇÃO ESTRATÉGICA DESIGN N.º 4 Colocar o design ao serviço de um setor público inovador Estas recomendações preconizam o desenvolvimento em larga escala de contratos públicos mais inovadores, através da sensibilização dos decisores políticos do setor público incluindo a Comissão Europeia para a importância do design, uma maior integração dos designers no setor público para reforçar a sua colaboração no desenvolvimento das políticas e dos serviços deste setor, e canalização de apoios dos fundos estruturais para projetos de inovação no design que propiciem mudanças sociais. Recomenda-se igualmente o desenvolvimento de orientações e materiais de apoio e uma formação profissional e administrativa em matéria de boas práticas na utilização do design nos contratos públicos e nas políticas. 6

8 16. Promover o recurso ao design e aos designers para projetos de inovação no setor público: o criando um laboratório de design («Design Lab») sob os auspícios da Comissão, para realizar projetos de pequena escala que mostrem o valor da inovação em matéria de design no setor público; o apoiando uma maior participação dos designers em 'laboratórios-criativos' («living labs») nas atividades em que a inovação social e os serviços públicos coloquem sérios desafios; o explorando todo o potencial dos fundos estruturais europeus, em particular do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, para financiar projetos de inovação em matéria de design que propiciem mudanças sociais em todos os domínios políticos. 17. Reforçar a capacidade dos gestores do setor público para utilizarem mais eficazmente o design e respetivos métodos: o disponibilizando ferramentas, lançando estudos de caso e colocando designers 'residentes' nas instituições da UE, dos Estados-Membros e das regiões; o organizando ações de formação em design no âmbito dos programas de desenvolvimento académico e profissional dos gestores públicos, incluindo «master classes» em design para melhorar a eficácia das políticas e dos contratos públicos. AÇÃO ESTRATÉGICA DESIGN N.º 5 Posicionar a investigação no domínio do design para o século XXI A investigação dedicada ao design constitui um instrumento estratégico vital para melhorar a capacidade de inovação da Europa no domínio. Estas recomendações têm como objetivo melhorar a integração da investigação no domínio do design, seus métodos e abordagens nos programas de investigação da UE, assegurar uma avaliação permanente do valor do design no quadro da iniciativa Horizonte 2020 e criar uma rede europeia de investigação sobre o design que responda às necessidades das empresas, da indústria, do setor público e da sociedade. 18. Integrar a investigação no domínio do design nos sistemas de investigação europeus, procurando gerar novos conhecimentos que permitam reforçar a inovação e, simultaneamente, avaliar de forma regular o valor do design no âmbito da iniciativa Horizonte 2020: o integrando os investigadores em design nos programas de investigação intersetoriais e multidisciplinares que abordem desafios globais como as alterações climáticas, a segurança alimentar e a saúde e o bem-estar; o financiando a avaliação e a comunicação do valor do design no âmbito da iniciativa Horizonte Criar a nível europeu uma rede de investigação em design, com vista a intensificar o intercâmbio entre os diferentes atores e a incentivar e reforçar programas de investigação que apoiem a capacidade europeia de inovação no design. 7

9 AÇÃO ESTRATÉGICA DESIGN N.º 6 Competências no domínio do design para o século XXI Estas recomendações preconizam o desenvolvimento das competências europeias em matéria de inovação em design enquanto estratégia essencial para promover o crescimento e o emprego. No contexto da formação contínua e da aprendizagem ao longo da vida, defendem a necessidade de incluir a aprendizagem do design nos programas de ensino de todos os cidadãos da Europa, incluindo do ensino e formação profissionais e do ensino superior. Para manter a liderança da Europa no setor do design, é necessário garantir as competências futuras necessárias às profissões ligadas ao design e melhorar as competências neste domínio dos futuros dirigentes e empresários. 20. Melhorar as competências em design de todos os cidadãos europeus, promovendo uma cultura de aprendizagem do design para todos e em todos os níveis de ensino. 21. Incentivar os Estados-Membros a apoiar o desenvolvimento de competências no domínio do design para o século XXI: o realçando o papel estratégico do design em todas as disciplinas do ensino superior; o reforçando os programas de formação contínua dos designers profissionais; o integrando o design na preparação dos formandos e aprendizes. Assegurar o sucesso O capítulo 4 apresenta três propostas distintas para apoiar a aplicação das vinte e uma recomendações com vista a assegurar o sucesso da integração do design na inovação. As propostas são dirigidas especificamente à Comissão Europeia. A. Definir, à escala europeia, um programa de alto nível e devidamente focalizado de comunicação e de sensibilização, dirigido aos Estados-Membros e aos diferentes intervenientes do setor do design, sensibilizando-os para a importância destas recomendações estratégicas e melhor permitir o seu comprometimento com a sua aplicação. B. Promover um diálogo permanente com a Comissão Europeia no domínio do design, através de organizações como o BEDA que tenham um âmbito Europeu, com vista a garantir uma perspetiva europeia de todas as questões relativas ao desenvolvimento e ao crescimento do design no âmbito das políticas de inovação europeias. C. Criar um mecanismo que garanta um acompanhamento permanente, a nível estratégico, dos progressos alcançados na aplicação das recomendações, supervisionado por esta Comissão de Liderança. 8

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