COLEÇÃO EXPLORANDO O ENSINO VOLUME 5 QUÍMICA ENSINO MÉDIO

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3 COLEÇÃO EXPLORANDO O ENSINO VOLUME 5 QUÍMICA ENSINO MÉDIO

4 COLEÇÃO EXPLORANDO O ENSINO Vol. 1 Matemática (Publicado em 2004) Vol. 2 Matemática (Publicado em 2004) Vol. 3 Matemática: Ensino Médio (Publicado em 2004) Vol. 4 Química Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Centro de Informação e Biblioteca em Educação CIBEC Química : ensino médio / organização Eduardo Fleury Mortimer. Brasília : Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, p. : il. (Coleção explorando o ensino ; v. 5) ISBN Ensino de Química. 2. Ensino médio. I. Mortimer, Eduardo Fleury. II. Brasil. Secretaria de Educação Básica. CDU 542:373.5

5 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO BÁSICA QUÍMICA ENSINO MÉDIO BRASÍLIA 2006

6 SECRETARIA DE EDUCAÇÃO BÁSICA MEC DEPARTAMENTO DE POLÍTICAS DE ENSINO MÉDIO - SEB COORDENAÇÃO-GERAL DE POLÍTICAS DE ENSINO MÉDIO SEB COORDENAÇÃO-GERAL DE ASSISTÊNCIA AOS SISTEMAS DE ENSINO SEB FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FNDE DIRETORIA DE PROGRAMAS ESPECIAIS - FNDE ORGANIZAÇÃO Eduardo Fleury Mortimer SELEÇÃO DE TEXTOS Áttico Chassot Eduardo Fleury Mortimer Julio Cezar Foschini Lisboa Marcelo Giordan Roberto Ribeiro da Silva REVISÃO Romeu Cardozo Rocha Filho PROJETO GRÁFICO Carlos André Mores CAPA Daniel Tavares (foto: Foco Formação Continuada de Professores de Ciências Naturais Faculdade de Educação UFMG) Tiragem 72 mil exemplares MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO BÁSICA Esplanada dos Ministérios, bloco L, sala 500 CEP Brasília-DF Tel. (61) /

7 Sumário Apresentação Química e Sociedade Perfumes: uma química inesquecível Sandra M. Dias e Roberto R. da Silva 9 O princípio químico do bafômetro Per Christian Braathen 15 A comunicação química entre insetos J. Tércio B. Ferreira e Paulo H.G. Zarbin 20 Pilhas e baterias: funcionamento e impacto ambiental Nerilso Bocchi, Luiz Carlos Ferracin e Sonia Regina Biaggio 27 Contaminação por mercúrio e o caso da Amazônia Jurandir Rodrigues de Souza e Antonio Carneiro Barbosa 38 A química e a conservação dos dentes Roberto R. da Silva, Geraldo A. Luzes Ferreira e Joice de A. Baptista e Francisco Viana Diniz 45 Relatos de Sala de Aula Repensando a química: a formação de equipes de professores/pesquisadores como forma eficaz de mudança da sala de aula de química Otavio Aloisio Maldaner e Maria do Carmo Tocci Piedade 53 A contextualização no ensino de cinética química Jozária de Fátima Lemos de Lima, Maria do Socorro Lopes Pina, Rejane Martins Novais Barbosa e Zélia Maria Soares Jófili 61 Cargas elétricas na matéria Eva Teresinha de Oliveira Boff e Marli Dallagnol Frison 68 As aulas de química como espaço de investigação e reflexão Dalva Lúcia Castilho, Katia Pedroso Silveira e Andréa Horta Machado 73 Tirando as argilas do anonimato Rúbia Lúcia Pereira, Deborah Andrade Munhoz, Adalberto Pinheiro Pestana, Luciana Augusta Vieira e Andréa Horta Machado 79 O papel do professor na produção de medicamentos fitoterápicos Petronildo B. da Silva, Lúcia Helena Aguiar e Cleide Farias de Medeiros 84 História da Química 100 anos de Nobel - Jacobus Henricus van t Hoff Aécio Pereira Chagas 91 Pasteur: ciência para ajudar a vida João Augusto de Mello Gouveia-Matos 95 Outro marco zero para a história da ciência latino americana Attico I. Chassot 100 Raios X e radioatividade Attico I. Chassot 105 A eletricidade e a química Maria da Conceição Marinho Oki 110 7

8 Destilação: a arte de extrair virtudes Maria Helena Roxo Beltran 116 Conceitos Científicos em Destaque Potencial de Redução e eletronegatividade: obstáculo verbal Alice Ribeiro Casimiro Lopes 122 O significado das fórmulas químicas Eduardo Fleury Mortimer 127 Ligação química: abordagem clássica ou quântica Henrique Toma 131 Estrutura molecular: o conceito fundamental da Química José Glauco Tostes 138 Funções da química inorgânica.. funcionam? Reinaldo Calixto de Campos e Reinaldo Carvalho Silva 143 Fotossíntese, um tema para o ensino de ciências? Clarice Sumi Kawasaki e Nélio Bizzo 150 Pesquisa no Ensino de Química Importância, sentido e contribuições de pesquisas para o ensino de Química Roseli Pacheco Schnetzler e Rosália Maria Ribeiro Aragão 158 Função social: o que significa ensino de Química para formar o cidadão? Wildson Luiz P. dos Santos e Roseli Pacheco Schnetzler 166 Imagens de ciência em manuais de Química portugueses Carlos Campos e Antonio Cachapuz 176 Construindo conhecimento científico na sala de aula Rosalind Driver, Hilary Asoko, John Leach, Philip Scott e Eduardo Mortimer 186 Modelos de ensino de equilíbrio químico: algumas considerações sobre o que tem sido apresentado em livros didáticos no Ensino Médio Vânia S.O. Milagres e Rosária S. Justi 201 Concepções sobre o papel da linguagem no processo de elaboração conceitual em Química Andréa Horta Machado e André Luiz Alves Moura 210 Elemento Químico Eduardo M.A. Peixoto Hidrogênio e Hélio 215 Carbono 216 Nitrogênio 217 Oxigênio 219 Alumino 220 Silício 221

9 Apresentação A Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação apresenta aos professores do Ensino Médio os volumes 4 e 5 de Química da Coleção Explorando o Ensino. Essa Coleção tem o objetivo de apoiar o trabalho do professor em sala de aula, oferecendo um rico material didáticopedagógico, referente às disciplinas Matemática, Biologia, Química e Física. A Química é uma forma de pensar e falar sobre o mundo, que pode ajudar o cidadão a participar da sociedade industrializada e globalizada, na qual a ciência e a tecnologia desempenham um papel cada vez mais importante. O ensino da Química na escola média brasileira está mudando para atender a essa finalidade, e muitas dessas mudanças estão expressas nos Parâmetros Curriculares Nacionais para a área de Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. Poderíamos dizer que as referidas mudanças organizam-se em torno de três exigências básicas: 1) conceber o estudante como o centro do processo de ensino-aprendizagem. Os alunos são ativos, constroem seu conhecimento por meio de um diálogo entre as novas formas de conhecer que lhes são apresentadas na escola e aquilo que eles já sabiam de sua vivência cultural mais ampla; 2) propor um ensino que prepare o cidadão para participar do debate e da tomada de decisões na sociedade sobre problemas ambientais, sociais, políticos e econômicos que envolvam a ciência e a tecnologia. O aluno deve ser capaz de ler e interpretar textos e informações científicas divulgadas pela mídia e de usar o conhecimento científico na sua vida diária; 3) propor um ensino em que o aluno aprenda não só os conceitos científicos, mas também como funciona a ciência e como os cientistas procedem para investigar, produzir e divulgar conhecimentos. A história da ciência desempenha papel importante para ajudar o aluno a entender a natureza do conhecimento científico, ao mostrar que a atividade científica faz parte da atividade humana. Essas mudanças implicam uma série de novas demandas sobre o que e como ensinar. Os volumes 4 e 5 da Coleção Explorando o Ensino foram organizados de modo a disponibilizar aos professores de Química um conjunto de textos de qualidade que lhes ajudará a aprofundar as mudanças propostas. Os textos são uma seleção dos artigos que saíram nos 14 primeiros números da revista Química Nova na Escola, publicação semestral da Divisão de Ensino da Sociedade Brasileira de Química, que se propõe a subsidiar o trabalho, a formação e a atualização dos professores de Química do Ensino Médio e Fundamental. As publicações, a exemplo do que ocorre com Química Nova na Escola, estruturam-se em seções, de modo a contemplar a diversidade de interesses dos professores. Essas seções, descritas brevemente a seguir, abordam temas atuais no desenvolvimento da Química e de seu ensino, e incluem as relações entre a ciência, a sociedade e a história, os relatos de experiências, de resultados

10 de pesquisa e de experimentos didáticos, a discussão de conceitos químicos fundamentais e as dificuldades envolvidas na sua aprendizagem. Em algumas seções, o professor encontrará artigos que podem ser usados diretamente com seus alunos em sala de aula. É o caso dos artigos publicados nas seções Elemento Químico, Experimentação no Ensino de Química,Química e Sociedade e muitos dos artigos publicados nas seções História da Química e Relatos de Sala de Aula. Em outras seções, como Atualidades em Química, Aluno em Foco, Espaço Aberto, Pesquisa em Ensino de Química, Conceitos Científicos em Destaque, o professor encontrará material para preparar suas aulas e para refletir sobre sua prática pedagógica. A seguir, detalhamos um pouco mais o conteúdo das seções que compõem o volume cinco: Química e Sociedade Nessa seção o leitor encontrará artigos que tratam de aspectos importantes da interface da química com a sociedade, e que procuram analisar as maneiras como o conhecimento químico pode ser usado na solução de problemas sociais e ambientais, visando a uma educação para a cidadania. Relatos de Sala de Aula Divulga experiências inovadoras de professores de química, com o propósito de socializá-las, propiciando a reflexão. História da Química Essa seção contempla a história da química como parte da história da ciência, buscando ressaltar como o conhecimento científico é construído. Conceitos Científicos em Destaque Nessa seção estão publicados artigos que discutem conceitos básicos da química, procurando evidenciar sua relação com a estrutura conceitual da ciência e seu desenvolvimento histórico e discutir as principais dificuldades e alternativas para o ensino. Pesquisa no Ensino de Química Nessa seção estão publicadas investigações sobre problemas no ensino de Química que explicitam os fundamentos teóricos e procedimentos metodológicos adotados na pesquisa, e analisam criticamente seus resultados. Elemento Químico Divulga informações científicas e tecnológicas sobre as diferentes formas de manifestação dos elementos químicos na natureza e sua importância na história da Humanidade, comentando sua importância no contexto de nosso país. Esperamos, assim, suscitar debates e reflexões sobre o ensino e a aprendizagem de Química e, dessa forma, contribuir para a tarefa fundamental de formar cidadãos informados e preparados para lidar com o conhecimento e suas implicações. A Secretaria de Educação Básica agradece a Sociedade Brasileira de Química pela significativa participação na elaboração desta obra. Com esse projeto, o Ministério da Educação reforça o empenho de tornar cada vez mais real e possível o ensino de qualidade no país.

11 QUÍMICA E SOCIEDADE Os perfumes têm sido parte da vida civilizada há vários séculos, tanto para os homens como para as mulheres. Todos nós temos preferências por determinados aromas, os quais podem nos mudar o humor ou suscitar emoções. Provavelmente o mais primitivo dos nossos sentidos, o olfato tem a capacidade de nos recordar experiências passadas. As mensagens olfativas são enviadas para áreas do cérebro associadas à emoção, à criatividade e à memória. Mas, afinal de contas, o que é um perfume? O que ele contém? A fragrância de um perfume é um complexo sistema de substâncias originalmente extraídas de algumas plantas tropicais ou de alguns animais selvagens. Recentemente,o perigo de extinção de certas espécies vegetais e animais e a busca de novas essências, inclusive de menor custo, conduziu a química dos perfumes aos laboratórios, onde são criados os produtos sintéticos que têm substituído paulatinamente os aromas naturais. Um outro aspecto curioso é que as fragrâncias que encontramos em detergentes, amaciantes e produtos de limpeza são, com freqüência, as mesmas usadas na fabricação de perfumes. Do ponto de vista da química, o que realmente caracteriza uma fragrância? A resposta a essa pergunta nos conduz a uma curiosa viagem pelo mundo das moléculas voláteis. Um pouco de história Os primeiros perfumes surgiram, provavelmente associados a atos religiosos, há mais ou menos 800 mil anos, quando o homem descobriu o fogo. Os deuses eram homenageados com a oferenda de fumaça proveniente da queima de madeira e de folhas secas. Essa prática foi posteriormente incorporada pelos sacerdotes dos mais diversos cultos, que utilizavam folhas, madeira e materiais Sandra Martins Dias Bacharelanda em Química na Universidade de Brasília, Brasília - DF Roberto Ribeiro da Silva Departamento de Química da Universidade de Brasília, Brasília - DF Atenção! Antes de continuar a leitura, use duas gotas de seu perfume preferido. Talvez isso torne a leitura mais agradável. A seção Química e sociedade apresenta artigos que focalizam diferentes inter-relações entre ciência e sociedade, procurando analisar o potencial e as limitações da ciência na tentativa de compreender e solucionar problemas sociais. Neste número a seção apresenta dois artigos. Este texto apresenta uma discussão sobre a química dos perfumes. Os aromas têm sido utilizados pela humanidade desde seus primórdios, e esta prática chegou a levar certas espécies vegetais e animais, fontes originais daquilo que hoje chamamos de essências, à beira da extinção. A química dos perfumes é uma atividade econômica crescente e importante fonte de renda para muitos países. aromas, óleos essenciais, perfumes Este artigo foi publicado originalmente na revista Química Nova na Escola n. 4, Perfumes: uma química inesquecível 9

12 de origem animal como incenso, na crença de que a fumaça com cheiro adocicado levaria suas preces para os deuses. Daí o termo perfume originar-se das palavras latinas per (que significa origem de) e fumare (fumaça). O passo seguinte na evolução do emprego dos aromas foi sua apropriação pelas pessoas, para o uso particular, algo que provavelmente aconteceu entre os egípcios. Um avanço posterior foi a descoberta de que certas flores e outros materiais vegetais e animais, quando imersos em gordura ou óleo, deixavam nestes uma parte de seu princípio odorífero. Assim eram fabricados os ungüentos e os perfumes mencionados na Bíblia. A arte de extração de perfumes foi bastante aprimorada pelos árabes há cerca de mil anos. Eles faziam essas extrações a partir de flores maceradas, geralmente em água, obtendo água de rosas e água de violetas, dentre outras. Com o advento do cristianismo, o uso dos perfumes como aditivo ao corpo foi banido, uma vez que estava associado a rituais pagãos. Os árabes, no entanto, cuja religião não impunha as mesmas restrições, foram os responsáveis pela perpetuação de seu uso. O ressurgimento da perfumaria no Ocidente deveu-se aos mercadores que viajavam às Índias em busca de especiarias. Uma outra contribuição significativa foi a das Cruzadas: retornando à Europa, os cruzados trouxeram toda a arte e a habilidade da perfumaria oriental, além de informações relacionadas às fontes de gomas, óleos e substâncias odoríferas exóticas como jasmim, ilangue-ilangue, almíscar e sândalo. Já no final do século XIII, Paris tornara-se a capital mundial do perfume. Até hoje, muitos dos melhores perfumes provêm da França. Já as águas de colônia clássicas têm menos de 200 anos, sendo originárias da cidade de Colônia, na Alemanha. Componentes básicos de um perfume Um perfume é, por definição, um material porção de matéria com mais de uma substância. A análise química dos perfumes mostra que eles são uma complexa mistura de compostos orgânicos denominada fragrância (odores básicos). Inicialmente, as fragrâncias eram classificadas de acordo com sua origem. Por exemplo: a fragrância floral consistia no Um perfume é, por definição, um material porção de matéria com mais de uma substância. A análise química dos perfumes mostra que eles são uma complexa mistura de compostos orgânicos denominada fragrância (odores básicos). Inicialmente, as fragrâncias eram classificadas de acordo com sua origem óleo obtido de flores tais como a rosa, jasmim, lilás etc. A fragrância verde era constituída de óleos extraídos de árvores e arbustos, como o eucalipto, o pinho, o citrus, a alfazema, a cânfora etc. A fragrância animal consistia em óleos obtidos a partir do veado almiscareiro (almíscar), do gato de algália (algália), do castor (castóreo) etc. A fragrância amadeirada continha extratos de raízes, de cascas de árvores e de troncos, como por exemplo, do cedro e do sândalo. O sistema moderno de classificação das fragrâncias engloba um total de 14 grupos, organizados segundo a volatilidade de seus componentes: cítrica (limão), lavanda, ervas (hortelã), aldeídica, verde (jacinto), frutas (pêssego), florais (jasmim), especiarias (cravo), madeira (sândalo), couro (resina de vidoeiro), animal (algália), almíscar, âmbar (incenso) e baunilha. A Fig. 1 classifica essas fragrâncias segundo sua volatilidade. Os perfumes têm em sua composição uma combinação de fragrâncias distribuídas segundo o que os perfumistas denominam de notas de um perfume. Assim, um bom perfume possui três notas: Nota superior (ou cabeça do perfume): é a parte mais volátil do perfume e a que detectamos primeiro, geralmente nos primeiros 15 minutos de evaporação. 10 Coleção Explorando o Ensino, v. 5 - Química

13 Nota do meio (ou coração do perfume): é a parte intermediária do perfume, e leva um tempo maior para ser percebida, de três a quatro horas. Nota de fundo (ou base do perfume): é a parte menos volátil, geralmente leva de quatro a cinco horas para ser percebida. É também denominada fixador do perfume. A esta fragrância estão associadas, segundo os perfumistas, as emoções fortes e a sugestão de experiências como encontros sexuais e mensagens eróticas. A Fig. 1 ilustra a participação das diversas fragrâncias nas notas de um perfume. Composição química das fragrâncias Figura 1 Escala de notas de um perfume e a participação de diferentes fragrâncias nessas notas. As fragrâncias características dos perfumes foram obtidas durante muito tempo exclusivamente a partir de óleos essenciais extraídos de flores, plantas, raízes e de alguns animais selvagens. Esses óleos receberam o nome de óleos essenciais porque continham a essência, ou seja, aquilo que confere à planta seu odor característico. Embora os óleos essenciais sejam ainda hoje obtidos a partir dessas fontes naturais, têm sido substituídos cada vez mais por compostos sintéticos, como veremos mais adiante. Os químicos já identificaram cerca de três mil óleos essenciais, sendo que cerca de 150 são importantes como ingredientes de perfumes. Para que possam ser usados com esse fim, os óleos essenciais devem ser separados do resto da planta. As técnicas usadas para isso baseiam-se em suas diferenças de solubilidade, volatilidade e temperatura de ebulição. A extração por solventes, por exemplo, utiliza o solvente éter de petróleo (uma mistura de hidrocarbonetos) para extrair óleos essenciais de flores. Já o óleo de eucalipto pode ser separado das folhas passando através delas uma corrente de vapor de água (destilação por arraste de vapor). Uma vez obtido um óleo essencial, a análise química permite identificar quantos e quais componentes estão presentes. Antes do advento das técnicas modernas de análise de óleos essenciais (cromatografia a gás, espectrometria de massa, ressonância magnética nuclear, espectroscopia de infravermelho etc.), os químicos identificavam quase exclusivamente o componente principal de um óleo essencial. Hoje, é possível identificar todos os componentes de um óleo, mesmo aqueles que estão presentes em quantidades mínimas. Alguns óleos essenciais chegam a ter mais de 30 componentes. O Quadro 1 apresenta as fórmulas dos principais componentes de alguns óleos essenciais. Uma vez identificados os componentes de um óleo essencial, os químicos podem fabricá-los sinteticamente e torná-los mais baratos. Uma outra possibilidade é a síntese de novos compostos com aroma similar ao produto natural, porém com estruturas totalmente diferentes. A grande maioria das fragrâncias usadas hoje em dia é fabricada em laboratório. Os produtos sintéticos são usados para aromatizar produtos de limpeza (sabões, de- Perfumes: uma química inesquecível 11

14 Quadro 1 Principais componentes de alguns óleos essenciais. tergentes, amaciantes de roupas) e produtos de higiene pessoal (talcos, desodorantes), e para criar ilusões, como deixar o plástico dos assentos de automóveis com cheiro de couro. O Quadro 2 apresenta as estruturas de alguns compostos sintéticos usados em perfumaria. Os produtos sintéticos talvez nunca substituam completamente os naturais. Os perfumes mais caros usam os produtos sintéticos apenas para acentuar o aroma dos óleos naturais. Para alguns óleos, como o patchouli e o de sândalo, os químicos ainda não encontraram substitutos satisfatórios. Uma grande contribuição da química sintética tem sido, sem sombra de dúvida, a possibilidade de preservação de certas espécies animais e vegetais que corriam o risco de extinção devido à procura desenfreada de óleos essenciais. Uma outra contribuição é o barateamento dos perfumes, permitindo seu uso por uma fatia mais ampla da população. Existe uma diferença muito grande no preço dos produtos de perfumaria, dependendo se são classificados como perfume, água de colônia ou loção pós-barba. Essas diferentes classificações refletem, na realidade, a composição da mistura que você está comprando. Os perfumes contêm misturas de fragrâncias dissolvidas em um solvente, geralmente o etanol. O etanol, por sua vez, contém sempre uma pequena quantidade de água. A Tabela 1 ilustra as diferentes composições para produtos de perfumaria. Quanto maior a porcentagem das essências nas fragrâncias, maior o preço do produto. Além da essência e do solvente, os fabricantes adicionam à mistura substâncias denominadas 12 Coleção Explorando o Ensino, v. 5 - Química

15 Quadro 2 Alguns compostos sintéticos utilizados como fragrâncias artificiais. de fixadores que têm a função de retardar a evaporação da essência, e conseqüentemente, prolongar os efeitos do perfume. É comum também adicionar um outro álcool, o propileno glicol, para aumentar a solubilidade da essência no solvente. Finalmente, cabe salientar que para algumas pessoas os perfumes não trazem sensações agradáveis: são aquelas que têm algum tipo de alergia aos ingredientes usados na formulação. Essências tais como a de anís, bergamota, canela, citronela, cravo, gerânio, hortelã, safrol, sassafrás etc. podem originar dermatites (inflamação da pele), manchas cutâneas e febre dos fenos. Curiosidades sobre perfumes A paixão pelos perfumes alcançou seu auge nas cortes francesas do século XVIII, quando Luís XV decretou que para cada dia da semana deveria haver uma fragrância diferente na corte. Madame Pompadour ( ) teria gasto o equivalente a R$ ,00 em perfumes. Arqueólogos que abriram o túmulo do faraó Tutankhamon em 1922 encontraram vasos com um óleo perfumado conhecido como Kiphi. Após anos, traços do aroma ainda puderam ser detectados. Tabela 1 Composição média de misturas usadas em produtos de perfumaria. Fração em volume da essência (ml da essência/ L da mistura) Composição do solvente (etanol:água)/ml:ml Perfume 15% (150 ml/l) 950 : 50 Loção perfumada 8% (80 ml/l) 900 : 100 Água de toalete 4% (40 ml/l) 800 : 200 Água de colônia 3% (30 ml/l) 700 : 300 Deocolônia 1% (10 ml/l) 700 : 300 Perfumes: uma química inesquecível 13

16 O ano de 1900 representou o auge no comércio do óleo de almíscar (musk), quando cerca de kg do óleo foram coletados, causando a morte de 50 mil animais. Atualmente, o comércio mundial do óleo de almíscar natural é limitado a 300 kg por ano, o que ainda representa a morte para alguns milhares de veados almiscareiros. O óleo de jasmim natural custa cerca de R$5 000,00 por quilograma. A mesma quantidade da fragrância artificial chega a custar R$5,00. São necessárias cinco toneladas de rosas para se obter um quilograma de óleo essencial. É famosa a carta que Napoleão escreveu a Josefina dois meses antes de retornar: Pare de tomar banho! Estou voltando! O profeta e fundador do islamismo, Maomé, acreditava no poder dos perfumes e, segundo dizem, teria afirmado certa vez: Três coisas são importantes para mim na Terra: mulheres, perfumes e orações. Numa outra ocasião, teria dito: O perfume é o alimento que nutre meus pensamentos. Um quilograma de óleo essencial de jasmim requer para ser obtido cerca de oito milhões de flores. Vamos fazer um perfume? Um bom perfume pode ser preparado utilizando-se as seguintes proporções: álcool, 76 ml; essência, 10 ml; fixador, 2 ml; propileno glicol, 2 ml, e água destilada, 10 ml. As essências podem ser adquiridas comercialmente. Exemplos de custo de algumas essências (porções de 100 ml): jasmim, R$6,50; absinto, R$9,00; alfazema, R$5,40; almíscar, R$8,60; patchouly, R$11,00; âmbar, R$7,80). Para saber mais SHEREVE, R.N., BRINK JR., J.A. Indústria de processos químicos. Tradução por Horácio Macedo. Rio de Janeiro: Guanabara Dois, TRINDADE, Diamantino Fernandes, DEUS, Cláudio. Como fazer perfumes. 6. ed. São Paulo: Ícone, MAHAJAN, Jaswant Rai. Química de almíscares naturais e artificiais. Química Nova, v. 5, n. 4, p , out SÜSKIND, Patrick. O perfume: história de um assassino. Tradução por Flávio R. Kothe. Rio de Janeiro: Record, CORBIN, Alain. Saberes e odores: o olfato e o imaginário social nos séculos dezoito e dezenove. São Paulo: Companhia das Letras, EMSLEY, John. The consumers good chemical guide: a jargon-free guide to the chemicals of everyday life. Londres: W. H. Freeman, Este livro contém nove capítulos versando sobre os seguintes assuntos: perfumes; adoçantes; álcool; colesterol, gorduras e fibras; analgésicos; PVC; dioxinas; nitratos; dióxido de carbono. Trata-se de uma excelente obra de divulgação científica, acessível às pessoas que cursaram o Ensino Médio. 14 Coleção Explorando o Ensino, v. 5 - Química

17 Iniciativas do poder público para prevenir o uso de bebidas alcoólicas por motoristas - causa de muitos acidentes nas estradas do país - trouxeram à ordem do dia, não sem suscitar polêmica, o instrumento popularmente conhecido como bafômetro. Esse instrumento de medição não vinha sendo muito utilizado, apesar de sua praticidade e eficiência. A ingestão de álcool e suas conseqüências Quando uma pessoa ingere bebidas alcoólicas, o álcool passa rapidamente para a corrente sangüínea, pela qual é levado para todas as partes do corpo. Esse processo de passagem do álcool do estômago/intestino para o sangue leva aproximadamente 20 a 30 minutos, dependendo de uma série de fatores, como peso corporal, capacidade de absorção do sistema digestivo e gradação alcoólica da bebida. A conseqüência é a intoxicação, que varia de uma leve euforia (a pessoa fica alegre) até estados mais adiantados de estupor alcoólico. Como resultado, a capacidade da pessoa para conduzir veículos é altamente comprometida, tendo em vista que a intoxicação afeta a coordenação motora e a rapidez dos reflexos. De acordo com a legislação brasileira em vigor, uma pessoa está incapacitada para dirigir com segurança se tiver uma concentração de álcool no sangue superior a 0,8 g/l. O que significa isso? Um homem de porte médio tem um volume sangüíneo de aproximadamente cinco litros. Então, esse teor de 0,8 g/l de sangue corresponde a cerca de 5 ml de álcool puro como limite máximo permitido. Isso corresponde a um copo pequeno de cerveja ou a uma terça parte de uma dose de uísque, considerando a primeira como tendo um teor alcoólico de 32 g/l e o último, 320 g/l. No entanto, pode-se beber um pouco mais do que isso e ainda estar dentro do limite legal, tendo em vista que vários mecanismos no sangue encarregam- Per Christian Braathen Departamento de Química da Universidade Federal de Viçosa, Viçosa - MG Este artigo trata de uma aplicação de grande relevância e importância social: proteção da sociedade pela prevenção de acidentes de trânsito mediante detecção e controle de motoristas intoxicados pelo álcool. A presença de álcool no sangue é determinada pela medição do álcool no ar exalado pela pessoa, o que é feito pela observação visual ou instrumental de simples reações químicas de oxirredução. álcool, etanol, bafômetros, intoxicação Este artigo foi publicado originalmente na revista Química Nova na Escola n. 5, Hálito culpado: o princípio químico do bafômetro 15

18 se de eliminar do organismo a substância tóxica. Entre os principais sistemas de que o organismo dispõe para purificar o sangue estão: (1) eliminação, nos pulmões, pelo ar alveolar; (2) eliminação pelo sistema urinário; (3) metabolização de etanol, principalmente no fígado; Os dois primeiros processos respondem por aproximadamente dez por cento do descarte do álcool do corpo humano. O último, por aproximadamente 90 por cento. A metabolização consiste na oxidação relativamente lenta, por etapas sucessivas e catalisadas por enzimas específicas do etanol, de acordo com a seguinte seqüência: CH 3 CH 2 OH CH 3 CHO CO 2 + H 2 O Devido a esses (e talvez outros) processos, estudos têm mostrado que uma pessoa de porte médio pode ingerir, num período de aproximadamente duas horas, 750 ml (pouco mais que uma garrafa grande) de cerveja ou uma dose de uísque para chegar a um teor de 0,5 g/l (ligeiramente abaixo do limite legal brasileiro). No que se refere ao tema deste artigo, o primeiro processo tem fundamental importância. Como o sangue circulante passa pelos pulmões, onde ocorre troca de gases, parte do álcool passa para os pulmões. Dessa forma, o ar exalado por uma pessoa que tenha ingerido bebida alcoólica terá uma concentração de álcool proporcional à concentração do mesmo na corrente sanguínea (hálito ou bafo de bêbado). Embora a existência de álcool no sangue possa ser detectada por uma análise direta do mesmo, é muito mais conveniente detectar o mesmo no ar expirado. Os instrumentos usados para essa finalidade são popularmente chamados de bafômetros, e seu funcionamento baseia-se em reações de oxidação e redução. A química dos bafômetros Os bafômetros mais simples são descartáveis e consistem em pequenos tubos contendo uma mistura sólida de solução aquosa de dicromato de potássio e sílica, umedecida com ácido sulfúrico. A detecção da embriaguez por esse instrumento é visual, pois a reação que ocorre é a oxidação de álcool a aldeído e a redução do dicromato a cromo (III), ou mesmo a cromo (II). A coloração inicial é amarelo-alaranjada, devido ao dicromato, e a final é verde-azulada, visto ser o cromo (III) verde e o cromo (II) azul. Esses bafômetros portáteis são preparados e calibrados apenas para indicar se a pessoa está abaixo ou acima do limite legal. As equações que representam a reação química do bafômetro portátil estão no quadro abaixo. A Fig. 1 ilustra o funcionamento desses bafômetros descartáveis. Veja como fabricar um bafômetro semelhante a esse na seção Experimentação no Ensino de Química, neste número. Os instrumentos normalmente usados pelas polícias rodoviárias, do Brasil e de outros países, Equações da reação química do bafômetro portátil Equação completa: K 2 Cr 2 O 7 (aq) + 4H 2 SO 4 (aq) + 3CH 3 CH 2 OH(g) Cr 2 (SO 4 ) 3 (aq) + 7H 2 O(l) + 3CH 3 CHO(g) + K 2 SO 4 (aq) alaranjado incolor verde incolor Equação na forma iônica: 2- Cr 2 O 7 (aq) + 8H + (aq) + 3CH 3 CH 2 OH(g 2Cr 3+ (aq) + 3CH 3 CHO(g) +7H 2 O(l) 16 Coleção Explorando o Ensino, v. 5 - Química

19 Figura 1 A foto A mostra o tubo após o teste de uma pessoa que não ingeriu álcool. A foto B mostra o tubo após o teste de uma pessoa intoxicada e, conseqüentemente, sem condições para conduzir um veículo. Os bafômetros descartáveis ilustrados pela foto são fabricados pela companhia americana WNCK, Inc., mas outras empresas fabricam dispositivos similares. são instrumentos bem mais sofisticados. Do ponto de vista de detecção/medição, existem basicamente dois tipos. Em ambos, os suspeitos sopram para dentro do aparelho através de um tubo (descartável) onde ocorre oxidação do etanol a etanal. No primeiro tipo, o sistema detetor/medidor é eletroquímico, baseado no princípio da pilha de combustível (como as usadas nos ônibus espaciais da NASA para produzir energia elétrica a partir da reação entre os gases hidrogênio e oxigênio): o etanol é oxidado em meio ácido sobre um disco plástico poroso coberto com pó de platina (catalisador) e umedecido com ácido sulfúrico, sendo um eletrodo conectado a cada lado desse disco poroso. A corrente elétrica produzida, proporcional à concentração de álcool no ar expirado dos pulmões da pessoa testada, é lida numa escala que é proporcional ao teor de álcool no sangue. O funcionamento e a química desse detetor de etanol pode ser visto no Quadro 1. O outro tipo de dispositivo de teste é o modelo Taguchi desenvolvido no Japão e que consiste em um sensor semicondutor, seletivo para etanol, constituído basicamente de óxido de estanho com várias impurezas (principalmente terras raras). O sensor é aquecido a aproximadamente 400 o C, condições nas quais o mesmo se torna ativo. Quando o etanol entra em contato com esse sensor, é imediatamente oxidado, ocorrendo por conseguinte uma mudança característica na resistência/ condutância 1 do sensor. Essa é medida como voltagem, novamente proporcional à concentração de álcool no ar expirado, que por sua vez é proporcional à concentração de álcool no sangue. A Fig. 2 mostra um modelo do tipo de bafômetro usado pelas polícias rodoviárias do mundo inteiro. Em alguns países existem bafômetros públicos, que operam pela inserção de uma moeda, normalmente localizados perto de telefones públicos. Também é interessante ressaltar que recentemente foram desenvolvidos bafômetros acoplados ao sistema de ignição de veículos, especialmente desenvolvidos para caminhões e ônibus. O sistema obriga o motorista a soprar para dentro do instrumento, e caso exceda o limite legal, o veículo simplesmente não funciona. Uma interface computadorizada obriga o motorista a repetir o teste a intervalos irregulares. O instrumento foi desenvolvido pela companhia alemã Dräger International e chama-se Interlock. É importante mencionar que embora os bafômetros portáteis mencionados acima sejam bastante confiáveis, os laboratórios de medicina legal usam métodos e aparelhos ainda mais sofisticados (e muito mais caros), principalmente baseados em espectroscopia no infravermelho (cada molécula, inclusive o etanol, tem seu espectro de infravermelho característico) e em cromatografia gasosa (em que as moléculas são separadas de acordo com a massa molecular, e assim detectadas). Figura 2 Modelo de bafômetro tipo Taguchi. Hálito culpado: o princípio químico do bafômetro 17

20 Quadro 1 Funcionamento de bafômetro baseado no princípio da pilha de combustível. Negro de platina Disco poroso com eletrólito Negro de platina + - Entrada de álcool No eletrodo negativo (ânodo) ocorre a oxidação (catalisada pela platina), conforme a semi-reação: CH 3 CH 2 OH(g) CH 3 CHO(g) + 2H + (aq) + 2e No eletrodo positivo (cátodo), ocorre a redução do oxigênio (contido no ar), conforme a semireação: ½O 2 (g) + 2H + (aq) + 2e - H 2 O(l) A equação completa da pilha, será portanto: CH 3 CH 2 OH(g) + ½O 2 (g) CH 3 CHO(g) + H 2 O(l) Quimicamente, isso representa uma combustão incompleta do etanol, daí o nome pilha de combustível. Simulando um bafômetro Até a década de 50, a oxidação do etanol pelo dicromato de potássio em meio ácido (ou mesmo permanganato de potássio em meio ácido) era o método padrão de análise para a determinação de álcool em ar expirado pelos pulmões (ou mesmo em plasma sangüíneo). É ainda usado nos bafômetros descartáveis mencionados neste artigo. Para efeito de ensino de Química, é interessante simular o conjunto ébrio-bafômetro baseado na reação química, uma vez que ilustra vários aspectos de química inorgânica, físico-química (oxirredução, por exemplo) e química orgânica de interesse para alunos do Ensino Médio e superior. Para montar esse conjunto, são necessários um erlenmeyer com rolha de dois furos, um tubo de ensaio (ou vidrinho transparente, tipo para remédio), tubos de vidro, tubo látex, álcool comum (96 GL), solução de dicromato de potássio 0,1 mol/l misturado com igual volume de ácido sulfúrico a 20 ml/l (ou seja, dicromato de potássio 0,05 mol/l em meio fortemente ácido). O simulador ébrio-bafômetro segue o esquema apresentado na figura abaixo. Soprando-se para dentro do álcool, o ar arrasta vapores Montagem do conjunto ébrio-bafômetro de álcool que, borbulhando na solução ácida de dicromato 18 Coleção Explorando o Ensino, v. 5 - Química

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