RIQUEZA DE CUPINS (ISOPTERA) EM VEREDAS DE UMA ÁREA DE MIRACEMA DO TOCANTINS

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1 RIQUEZA DE CUPINS (ISOPTERA) EM VEREDAS DE UMA ÁREA DE MIRACEMA DO TOCANTINS Julyana Flavia dos Santos Lima¹; Hélida Ferreira da Cunha² ¹Graduanda do curso de Ciências Biológicas -Licenciatura,UnuCET-UEG ² Orientador, docente do curso de Ciências Biológicas -Licenciatura,UnuCET-UEG Resumo Existem atualmente espécies de térmites descritas no mundo, com a maior ocorrência nas regiões tropicais e subtropicais, com algumas ocorrências em lugares desérticos e clima temperado. A principal fonte alimentar dos cupins é material celulósico e lignocelulósico com diferentes formas, em madeira viva ou morta, raízes, gramíneas, fezes de herbívoros, húmus, dentre outros. Os térmites podem ser considerados engenheiros de ecossistemas, pois as alterações na estrutura do solo, influenciam na disponibilidade de recursos para outros organismos de categorias tróficas diferentes. Não de conhece trabalhos sobre Isoptera no Estado do Tocantins nem em veredas, área de estudo do presente projeto. O objetivo desse trabalho é levantar a riqueza de cupins e de termitófilos que ocorrem na vereda em uma propriedade próxima a cidade de Miracema do Tocantins-TO. A coleta foi realizada de forma direta nos ninhos epígeos, arbóreos, solo, folhagem e madeira. Os indivíduos encontrados foram coletados manualmente com pinça entomológica e armazenados em fracos plásticos contendo álcool 70% com etiquetas de procedência. A identificação foi feita através de chaves de identificação. Foram encontrados quinze gêneros de Isoptera em áreas de vereda. Três gêneros são da família Rhinotermitidae, um espécime não foi identificado e provavelmente é uma espécie nova. Na família Termitidae há doze gêneros, cinco da subfamília Nasutitermitinae, quatro da subfamília Termitinae e três da subfamília Apicotermitinae. Em apenas dois dias de coleta foram obtidos quinze gêneros de cupins. Palavras-chaves: riqueza de cupins, veredas, Miracema do Tocantins. 1

2 Introdução Existe atualmente espécies de térmites (Lima & Costa-Leonardo, 2007) descritas no mundo, com a maior ocorrência nas regiões tropicais e subtropicais (Paes et al., 2001; Zorzenon et al., 1998), com algumas ocorrências em lugares desérticos e clima temperado. A principal fonte alimentar dos cupins é material celulósico e lignocelulósico com diferentes formas, em madeira viva ou morta, raízes, gramíneas, fezes de herbívoros, húmus, dentre outros. A digestão da celulose é feita por microorganismos simbiontes que habitam seus intestinos, podendo ser bactérias ou protozoários (Zorzenon et al.,1998). Aproximadamente ocorrem 300 espécies no Brasil, distribuídas nas famílias Kalotermitidae, Rhinotermitidae, Serritermitidae e Termitidae (Lima & Costa- Leonardo, 2007). Considerado uma praga, causa danos em construções que utilizam madeira, trazendo enormes prejuízos, e quando observados já causaram uma enorme perda estrutural da construção com custos elevados para seu controle (Eleotério & Berti, 2000). Os cupins têm um papel fundamental nos ecossistemas, são organismos importantes para a manutenção da dinâmica dos processos de decomposição ajudando no fluxo de nutrientes nas florestas tropicais, pela sua variedade de hábitos e sua abundância tanto em populações quanto em espécies, e seu comportamento construtor, causa modificações na estrutura do solo, desenvolvendo um aumento de porosidade e do transporte de partículas minerais para a superfície e vice-versa. Os térmites podem ser considerados engenheiros de ecossistemas, pois as alterações na estrutura do solo, influenciam na disponibilidade de recursos para outros organismos de categorias tróficas diferentes (Vasconcellos et al., 2005). Não se conhecem trabalhos sobre Isoptera no estado do Tocantins nem em veredas, área de estudo do presente projeto. O objetivo desse trabalho é levantar a riqueza de cupins e de termitófilos que ocorrem na fitofisionomia vereda em uma propriedade próxima a cidade de Miracema do Tocantins-TO. Materiais e Métodos Área de estudo Este projeto foi executado na Fazenda Serrinha localizada 10 km ao sul de Miracema do Tocantins-TO. Localiza-se a uma latitude 09º34'02" sul e a uma longitude 48º23'30" oeste, a uma altitude de 197 metros e temperatura média anual de 35 C. Sua população 2

3 estimada em 2008 é de habitantes (IBGE, 2008). Possui uma área territorial de km 2. De acordo com o Censo Agropecuário de 2006 (IBGE, 2007) o município demonstra uma expansão agropecuária, destinando ha para produção de lavouras. Mas ainda há importante área nativa ha de pastagens naturais e ha de matas e florestas que precisam ser analisadas em relação a conservação do meio ambiente. A produção pecuária municipal de 2006 (IBGE, 2007) registrou a presença de rebanhos bovinos, suínos, eqüinos, asininos, muares, ovinos, galináceos e caprinos. Os bovinos representam 75% do rebanho e produzem litros de leite por ano. Os galináceos equivalem a 21% do rebanho e produzem dúzias de ovos de galinha por ano. A produção agrícola municipal de 2006 (IBGE, 2007) registrou a produção de banana, abacaxi, arroz, feijão, mandioca, milho, soja e sorgo. Soja é a lavoura mais produtiva ocupando 48% da área plantada no município, seguida de abacaxi (18%) e sorgo (12%). Houve também o registro de extração de madeira em lenha (8.500 m 3 /ano) e em tora (10 m 3 /ano) (IBGE, 2007). Coleta e identificação A coleta foi realizada em dois dias usando o método de busca direta nos ninhos epígeos, arbóreos, solo, folhagem e madeira. Registro fotográfico foi feito para facilitar a descrição da área de estudo. Os termitófilos encontrados no interior dos ninhos foram coletados ou fotografados caso quando a coleta foi inviabilizada. Os indivíduos encontrados foram coletados manualmente com pinça entomológica e armazenados em frascos plásticos contendo álcool 70% com etiquetas de procedência: local, data e nome do coletor. Outros dados como descrição do microhábitat onde o indivíduo foi encontrado, comportamento dentre outros, foram anotados na caderneta de campo para posterior classificação de grupos tróficos. A identificação foi feita através de chaves de identificação, notas ou revisões de espécies e por comparação com espécimes mantidos na coleção zoológica (UFG). Resultados Foram encontrados quinze gêneros de Isoptera em áreas de vereda. Três gêneros são da família Rhinotermitidae, um espécime não foi identificado e provavelmente é uma espécie nova, este foi coletado em dois diferentes ninhos. Na família Termitidae há doze gêneros: cinco da subfamília Nasutitermitinae, quatro da subfamília Termitinae e três da subfamília Apicotermitinae. A subfamília Nasutitermitinae apareceu em 65% das amostras. O construtor de ninho que mais freqüente foi Cornitermes sp. e alguns ninhos abandonados parecem ter sido construídos pelo mesmo gênero. Os cupins foram 3

4 encontrados em diferentes micro-hábitats (folhagens, tronco, serragens e trilhas em árvores). Houve ocorrência de cupins inquilinos e de termitófilos em ninhos epígeos e em ninhos construídos em madeira. Nasutitermes sp. ocorreu em diferentes ninhos e micro-hábitats com cupins inquilinos e termitófilos. Essa mesma ocorrência não significa que possuem uma relação direta, mas tem a mesma preferência de habitat (Lobo et al., 2007). Comparando com outros estudos realizados, estes gêneros também ocorrem em cerrados e pasto (Pinheiro et al., 2007; Cunha et al. 2006; Vasconcelos et al.2005; Lôbo et al ). Cerca de 50% dos cupins se alimentam de madeira e o restante de húmus, porque é um ambiente de mata e os cupins são um dos principais participantes do ciclo de nutrientes do solo (Vasconcellos et al., 2005). Os termitófilos ocorreram em ninhos epígeos de Cornitermes (ocupados e abandonados pelo construtor), ninho em madeira de Dihoplotermes. Dentre os termitofilos, apareceram barata, formiga, escorpião, larva de besouro e de borboleta, aranha, ácaro, percevejo, caramujo, opilião, pseudo-escorpião e piolho-de-cobra. Aparentemente não há relação entre o tipo de defesa dos soldados e a presença de cupins inquilinos e termitófilos. Mas, os dados ainda são incipientes e serão feitas novas coletas para apresentar resultados mais significativos. Tabela 1. Lista de cupins de vereda de acordo com habito alimentar, tipo de defesa do soldado, construtor do ninho e presença de termitófilos. Táxon Hábito alimentar Defesa Construtor do ninho Termitófilo Família Rhinotermitidae Rhinotermes sp. Humívoro Mandibulado Rhinotermes sp. Larva de Lepidoptera Heterotermes sp. Xilófago Mandibulado Abandonado Rhinotermitidae? Mandibulado Abandonado Rhinotermitidae? Mandibulado Cornitermes sp. Não Família Termitidae Sub-família Nasutitermitinae Nasutitermes sp. Xilófago Química Nasutitermes sp. Camponotus sp.; 4

5 Nasutitermes sp. Xilófago Química Sem ninho Não Nasutitermes sp. Xilófago Química Abandonado Armitermes sp. Humívoro Química Armitermes sp. Não Embiratermes sp. Humívoro Química / Mandibulado Abandonado Cornitermes sp. Intermediário Mandibulado Cornitermes sp. Syntermes sp. Humívoro Mandibulado Sem ninho Não Sub-família Termitinae Amitermes sp. Humívoro Mandibulado Cornitermes sp. Não Cylindrotermes sp. Xilógago Mandibulado Abandonado Dihoplotermes sp. Mandibulado Tronco de árvore Não Termes sp. Sub-família Apicoterminae Humívoro e xilófago Mandibulado Cornitermes sp. Trachymyrmex sp.; Pseudoscorpiones; Idiopidae Anoplotermes sp. Humívoro Operário Cornitermes sp. Não Hemiptera, Blattodea, Camponotus sp., Hemiptera, Blattodea, Gastropoda, Larva de Anoplotermes sp. Humívoro Operário Sem ninho Chordeumida Anoplotermes sp. Humívoro Operário Sem ninho Não Anoplotermes sp. Humívoro Operário Abandonado Anoplotermes sp. Humívoro Operário Cornitermes sp. Não Não Grigiotermes sp. Humívoro Operário Cornitermes sp. Camponotus sp. Ruptitermes sp. Humívoro Operário Sem ninho Chordeumida Cornitermes sp. 5

6 Conclusão Em apenas dois dias de coleta foram obtidos quinze gêneros de cupins. Os espécimes ocorrem em outras áreas do bioma Cerrado no estado Goiás. Foi coletado um espécime que não ocorre na chave de identificação de Isoptera do Novo Mundo e não há descrição de sua em ocorrência em outros trabalhos. Referencias bibliográfica Eleotério, E.S.R., Berti-Filho, E Levantamento e identificação de cupins (Insecta: Isoptera) em área urbana de Piracicaba-SP. Ciência Florestal, 10 (001): Lima, J.T., Costa-Leonardo, A.M Recursos alimentares explorados pelos cupins (Insecta: Isoptera). Biota Neotropical, 7(2): Paes, J.B., Morais, V.M., Lima, C.R Resistência Natural de nove madeiras do semi-árido Brasileiro a Cupins subterrâneos, em ensaio de preferência alimentar. Brasil Florestal, (72): Vasconcellos, A., Mélo, A.C.S., Segundo, E.M.V., Bandeira, A.G Cupins de duas florestas de restinga do nordeste brasileiro. Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, 95 (2): Zorzenon, F. J., Potenza, M. R. (coords.). Cupins: pragas em áreas urbanas. São Paulo, Instituto Biológico, (Boletim Técnico, 10). Lôbo,Y.P.P.;Oliveirade,C.C.S.;Constantino,R.Lima,H.S.;Franczak,D.D.;Marimon, B. Associação de espécies de cupins ( Insecta, Isoptera) em campos de Murunduns no Parque Estadual do Araguaia ( MT). In:VII Congresso de Ecologia do Brasil,2007. p.1-2. IBGE, Produção Agrícola Municipal 2006; Malha municipal digital do Brasil: situação em Rio de Janeiro: IBGE, IBGE, Estimativas preliminares das populações residentes, em 1º de julho de 2008, segundo os municípios. In: D.O.U. 29 de agosto de Pinheiro, D.G.; Brandão, D.; Santos, T.; Barbosa Rezende, P. Padrões de Diversidade de Isoptera em áreas de cerrado no município de Niquelândia, Goiás. In: VII Congresso de Ecologia do Brasil, 2007.p Vasconcellos, A.; Mêlo, A.C.; Vasconcelos, E.M.; Bandeira, A.G Cupins de duas florestas de restinga do nordeste Brasileiro. Sér. Zool, 95(2): Cunha, H.F.; Costa, D.A.; Brandão, D Termite ( Isoptera ) Assemblages in Some Regions of the Goiás State, Brasil. Sociobiology, 47(2):

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