A1-AM233 11/10/2011. Direito Penal

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1 A1-AM233 11/10/2011 Direito Penal

2 2011 Vestcon Editora Ltda. Todos os direitos autorais desta obra são reservados e protegidos pela Lei nº 9.610, de 19/2/1998. Proibida a reprodução de qualquer parte deste material, sem autorização prévia expressa por escrito do autor e da editora, por quaisquer meios empregados, sejam eletrônicos, mecânicos, videográfi cos, fonográfi cos, reprográfi cos, microfílmicos, fotográficos, gráficos ou outros. Essas proibições aplicam-se também à editoração da obra, bem como às suas características gráficas. Título da obra: Adendo Direito Penal Autores: Saulo Fontana / Raquel Mendes de Sá Ferreira / Luiz Carlos Bivar Sérgio Bautzer / André Portela / Moacir Bueno / Waldir de Deus Pinto Carlos Rose / Celso Luiz Mar ns DIRETORIA EXECUTIVA Norma Suely A. P. Pimentel PRODUÇÃO EDITORIAL Fabrícia de Oliveira Gouveia SUPERVISÃO DE PRODUÇÃO Aline Assis EDIÇÃO DE TEXTO Cláudia Freires Isabel Cris na Aires Lopes CAPA Ralfe Braga ILUSTRAÇÃO Micah Abe PROJETO GRÁFICO Ralfe Braga ASSISTENTE DE PRODUÇÃO Gabriela Tayná Moura de Abreu AUXILIAR DE PRODUÇÃO Geane Rodrigues da Rocha EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Antonio Gerardo Pereira Carlos Alessandro de Oliveira Faria Diogo Alves REVISÃO Érida Cassiano Giselle Bertho Micheline Cardoso Ferreira ASSISTENTES DE REVISÃO Ana Paula Oliveira Pagy Danilo Marques SEPN 509 Ed. Contag 3º andar CEP Brasília/DF SAC: (61) Tel.: (61) Fax: (61) Publicado em outubro/2011 (A2-AM233)

3 MPE-RJ SUMÁRIO Direito Penal Conceito do Direito Penal. Fontes do Direito Penal... 5 Interpretação da Lei Penal. Da Analogia Da Aplicação da Lei Penal. Do Princípio da Legalidade. Âmbito de Eficácia da Lei Penal Âmbito de Eficácia Temporal da Lei Penal. Eficácia da Lei Penal no Espaço Conceito de Crime. Análise e Caracteres do Crime sob o aspecto formal. Do Sujeito A vo do Crime. Do Sujeito Passivo do Crime Da Classificação das Infrações Penais. Da Qualificação Legal e Doutrinária dos Crimes Do Fato Típico. Da Conduta. Do Resultado. Da Relação de Causalidade. Teoria do Crime Doloso. Teoria do Crime Culposo. O Crime Preterdoloso Do Crime Consumado. Da Tenta va. Do Arrependimento Posterior. Do Crime Impossível Da An juridicidade. Das Excludentes de An juridicidade Do Concurso de Pessoas Da Culpabilidade. Da Imputabilidade. Da Potencial Consciência da An juridicidade. Da Exigibilidade da Conduta Diversa. Das Causas de Exclusão da Culpabilidade Da Sanção Penal. Das Penas Priva vas de Liberdade. Das Penas Restri vas de Direitos. Da Pena de Multa. Das Medidas de Segurança Do Concurso de Crimes Da Suspensão Condicional da Execução da Pena (Sursis) Do Livramento Condicional Da Ex nção de Punibilidade. Causas Ex n vas da Punibilidade Crimes contra Pessoa Crimes contra o Patrimônio Crimes contra a Dignidade Sexual Crimes contra a Honra Crimes contra a Fé Pública Crimes contra a Administração Pública Crimes contra a Administração da Jus ça Lei nº 4.898/1965 (Abuso de Autoridade) Lei nº 7.210/1984 (Lei de Execução Penal) Lei nº 8.069/1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente)

4 Lei nº 8.072/1990 (Crimes Hediondos) Lei nº 8.666/1993 (Crimes de Licitação) Lei nº 9.034/1995 (Crime Organizado) Lei nº 9.455/1997 (Lei de Tortura) Lei nº 9.503/1997 (Código de Trânsito Brasileiro) Lei nº 9.605/1998 (Meio Ambiente) Lei nº 9.613/1998 (Lavagem de Capitais) Lei nº /2003 (Estatuto do Desarmamento) Lei nº /2006 (Violência Domés ca) Lei nº /2006 (Lei de Tóxicos)

5 Saulo Fontana / Raquel Mendes de Sá Ferreira / Luiz Carlos Bivar / Sérgio Bautzer / André Portela Moacir Bueno / Waldir de Deus Pinto / Carlos Rose / Celso Luiz Mar ns Saulo Fontana / Raquel Mendes de Sá Ferreira Quadro Esquemá co NOÇÕES DE INTRODUÇÃO, CONCEITO DE DIREITO PENAL, FONTES DO, CONFLITO APARENTE DE NORMAS, INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL, PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E DEMAIS PRINCÍPIOS DE, SUJEITO DO CRIME Noções de Direito Penal Introdução O Direito é uma ciência e, como tal, visa estudar os costumes sociais. Ele acompanha a evolução da sociedade, procurando disciplinar a conduta do homem no meio social, elaborando normas de conduta a fim de que todos os que vivem socializados tenham uma vida harmônica. O Direito Penal se distingue dos demais ramos do Direito, pois, enquanto estes procuram devolver a cada indivíduo o patrimônio jurídico lesionado, aquele procura punir o infrator, aplicando-lhe sanções impostas que, geralmente, redundam na perda de um direito. A própria sociedade impõe ao Estado o dever de se criarem regras, a fim de que sejam observadas por todos aqueles que vivem em sociedade para que o convívio social não fique ao livre arbítrio dos seres humanos, o que se faz então necessário que existam normas reguladoras previamente estabelecidas, que visem coibir as ações não desejadas, impondo aos que assim procederem, sanções (punições). As ações, aqui, ditas indesejadas, nada mais são que os ilícitos penais, ou seja, crimes, cabendo, pois, ao Estado, punir o infrator, aplicando-lhe a pena descrita ao tipo. O Direito Penal qualifica alguns comportamentos humanos e os eleva ao status de infração penal, definindo seus agentes e estabelecendo as consequências jurídicas correspondentes (Luiz Antônio de Souza). Em outras palavras, o Direito Penal cuida de proteger diversos bens jurídicos, importantes para a sociedade, definindo infrações penais (crime ou contravenção) e cominando sanções a quem não os respeite (Leandro Cadenas Prado). O CP é dividido em duas partes: geral (arts. 1º ao 120) e especial (arts. 121 a 361). A parte geral cuida das regras de aplicação da lei penal, os ensinamentos introdutórios do DP, aplicáveis a todas as leis que tratam de matéria penal, ainda que fora do Código Penal. Assim, estabelece regras temporárias e espaciais de aplicação da lei penal brasileira, da conduta do agente, do concurso de pessoas, das agravantes e atenuantes, das excludentes de ilicitude, da inimputabilidade, além de referir-se à ação penal, medidas de segurança e prazos prescricionais. Já a parte especial cuida de estabelecer os diversos delitos e suas penas respectivas, contendo também previsões de isenção de pena (arts. 143, 181, 348, 2º), de exclusão de ilicitude (art. 128) e artigos meramente explica vos (arts. 327, 337-D). PARTE GERAL PARTE ESPECIAL DO CÓDIGO PENAL DO CÓDIGO PENAL Prevê regras de aplicação Prevê os crimes. da lei penal: define o que é crime, traz as regras para aplicação da legí ma defesa, para o concurso de pessoas, as hipóteses de agravantes e atenuantes da pena etc. Finalidade A finalidade do Direito Penal é a proteção dos bens jurídicos mais importantes e necessários para a própria sobrevivência da sociedade. Para efe var essa proteção, u lizam-se da cominação, aplicação e execução da pena, embora a pena não seja a finalidade do Direito Penal, mas apenas um instrumento de coerção de que se vale para a proteção desses bens, valores e interesses mais significa- vos da sociedade, logo, a criação de qualquer po penal incriminador deve apontar com precisão o bem jurídico que por intermédio dele pretende-se proteger (ROGÉRIO GRECO. Breve Histórico do Direito Penal Vigoraram no Brasil as ordenações Afonsinas, Manuelinas e Filipinas. Seguiu-se o Código Criminal do Império em 1930, o Código Penal Republicano de 1890 e as Consolidações das Leis Penais, de O estatuto em vigor é o Código Penal de 1940, que foi ins tuído pelo Decreto-Lei nº 2.848/1940, nos termos do art. 180, da Cons tuição de 1937, o qual no decorrer dos anos sofreu várias mudanças, sendo que as principais delas foram introduzidas pelas Leis nº 6.416/1977, nº 7.209/1984, nº 9.983/2000, nº /2000 e nº /2001, dentre outras. Observações: I o Código Penal de 1890, apesar dos defeitos apresentados, trouxe avanços como a ex nção da pena de morte e a criação de um regime penitenciário convencional; II o atual Código Penal traz influências das escolas posi vista e clássica; III completando a legislação em matéria penal, vemos a Lei de Contravenções Penais de 1941 e o Código penal Militar de 1944; IV a parte geral do Código foi reformada pela Lei nº 7.209/1984. Porém a reforma não se estendeu à parte especial, dessa forma, temos um Código Penal decorrente da Lei nº 7.209/1984 e a parte especial de Algumas Definições Importantes As definições aqui apresentadas foram respaldadas na obra de Zélio Maia da Rocha e Luiz Carlos Bivar Corrêa Júnior. 5

6 Ilícito Civil Suas consequências restringem-se exclusivamente ao campo do Direito Civil. Procura devolver a cada um o bem jurídico protegido que foi objeto de violação ou, quando isso não for possível, promover o devido ressarcimento pelos prejuízos sofridos. A par r do momento que o credor busca contra o devedor o ressarcimento de suas perdas decorrentes do ilícito ou de descumprimento de contrato, é que se está no campo do ilícito civil. Como nem sempre é possível ao Direito Civil coibir a prá ca do ilícito com a simples a tude de devolver ou reparar os prejuízos causados, nasce a necessidade de se punir com penas diversas das elencadas no Direito Civil. Aí é que entra em ação a aplicação de normas dis ntas como as elencadas na esfera penal, ou seja, aquele que cometeu um ilícito, como, por exemplo, um homicídio, deve ser punido com a pena de reclusão, que varia de 6 a 20 anos. Ilícito Penal Visa punir o infrator da norma com uma sanção de caráter puni vo, preven vo e reeduca vo. É puni vo quando se pune um mal com um mal; preven vo quando se mostra às demais pessoas na sociedade e ao próprio infrator que existe uma sanção aplicável a determinada conduta; e reeduca vo, pois visa reintegrar o criminoso ao convívio social. A mesma conduta do agente pode ter consequências civis e penais. Seria penal quando coubesse a ele uma punição como prisão e civil, quando o criminoso além de ser privado de sua liberdade de locomoção, vesse de ressarcir os danos materiais e morais sofridos pela família prejudicada, objeto da ação deli va do infrator. Objeto do Direito Penal Bem é tudo aquilo que traz sa sfação ao homem. É tudo que nos agrada. Aos bens que exigem a atuação do Direito chamamos de bens jurídicos. O Direito Penal, portanto, mediante sansões, procura proteger os bens juridicamente protegidos como a vida, a liberdade etc. Quadro Esquemá co Ilícito Penal Ilícito Civil Tutela os bens jurídicos mais Tutela os demais bens jurídicos da sociedade. importantes para a sociedade. Em caso de violação de um Em caso de violação de um bem jurídico, aplicação, em bem jurídico, aplicação, em regra, de uma pena. regra, de uma indenização. Objeto Material É a coisa sobre a qual recai a ação do agente, podendo tratar-se tanto de um bem material como de uma pessoa no sen do corporal. Direito Penal Obje vo e Direito Penal Subje vo a) Obje vo: é o conjunto de leis vigentes no País, editadas pelo Estado, que define crimes e contravenções, bem como todas as outras que cuidem de questões de natureza penal (legí ma defesa, estado de necessidade, concurso de pessoas). b) Subje vo: é a possibilidade que tem o Estado de criar e fazer cumprir suas normas, executando as decisões condenatórias proferidas pelo Judiciário, ou seja, é o próprio jus puniendi. Observe que ainda que a ação penal seja privada, o Estado não transfere seu jus puniendi ao par cular, haja vista que este detém tão somente o jus persequendi ou o jus accusa onis, ou seja, o direito de vir a juízo e pleitear a condenação de seu agressor, e não o direito de executar, por si só a sentença condenatória (GRECO). Em outras palavras, poder-se-ia resumir o Direito Penal subje vo como o direito de punir, também conhecido por jus puniendi. Conceito de Direito Penal Direito Penal é o ramo do Direito Público encarregado de definir as infrações penais (crimes e contravenções) e impor penalidades (para os imputáveis: aqueles que são maiores e capazes) ou medidas de segurança (para os semi-imputáveis ou inimputáveis: doentes mentais), por intermédio do Estado na busca da proteção pelos bens jurídicos dos como fundamentais (vida, honra, liberdade, patrimônio etc.). O Direito Penal pode então ser conceituado como o conjunto de normas e regras jurídicas que regulam o poder puni vo do Estado, em face de atos humanos considerados infrações penais (Luiz Antônio de Souza). As infrações penais são divididas em crimes e contravenções e as sanções penais podem ser subdivididas em penas e medidas de segurança. É um ramo do Direito que é, ao mesmo tempo, garan sta e puni vo, visto que esse garan smo não se dá apenas contra atos humanos de violência, mas também contra uma possível ingerência estatal. Deve-se salientar que nem todas as normas ocupam um mesmo patamar dentro do ordenamento jurídico. Existem normas superiores e normas inferiores. Há também uma norma que é superior a todas as demais (a Cons tuição Federal), conferindo-lhes legi midade e coesão dentro do ordenamento (Rogério Greco). A essa norma superior denominou-se Norma Fundamental. Luigi Ferrajoli parte desse raciocínio para desenvolver seu modelo penal garan sta, onde no Estado Cons tucional de Direito entende esse garan smo como o conjunto de vínculos e de regras racionais impostos a todos os poderes na tutela dos direitos de todos. Finalizando, para o garan smo de Ferrajoli, o juiz não é um mero aplicador da lei, um mero executor da vontade do legislador ordinário. Ele é o guardião de nossos direitos fundamentais. O garan smo penal fundamenta- -se em diversos axiomas, dentre eles podemos destacar: a pena só poderá ser aplicada quando houver efe vamente a prá ca de uma infração penal; a infração penal deve estar expressamente prevista em lei; somente as ações culpáveis podem ser reprovadas (lembrando que tais condutas podem se dar mediante ação do agente, ou omissão, quando previsto em lei); o juiz que julga não pode ser responsável pela acusação; fica a cargo do acusador todo o ônus probatório, que não poderá ser transferido ao acusado pela prá ca de determinada infração penal; deve ser assegurada ao acusado a ampla defesa, com todos os recursos a ela inerentes. Enquanto os demais ramos do Direito procuram devolver a cada um o patrimônio jurídico lesionado, o Direito Penal procura punir os responsáveis mediante sansões impostas que, em regra, redundam na perda de um Direito. Quadro Esquemá co Direito Penal Tutela os bens jurídicos mais importantes. Outros ramos do Direito Tutela os demais bens jurídicos. 6

7 Em caso de descumprimento da norma, ou seja, de lesionar o bem jurídico por ela protegido: imposição de Pena. Em caso de descumprimento da norma, ou seja, de lesionar o bem jurídico por ela protegido: Indenização. *Obs.: bem jurídico valores protegidos pela sociedade: vida, patrimônio, liberdade, integridade sica. Deve-se salientar, ainda, que o estudo do Direito que é pautado sob dois grandes pilares: Garan smo Penal e Direito Penal da lei e da ordem. Para o garan smo penal, segundo Luigi Ferrajoli, o Direito Penal deve ser interpretado a par r dos Direitos Fundamentais previstos na Cons tuição Federal, ou seja, o autor de um crime é um sujeito de direito e não um objeto para aplicação da pena. Diante disto, o juiz não é um mero aplicador da lei, um mero executor da vontade do legislador ordinário. Ele é o guardião de nossos direitos fundamentais. O garan smo penal fundamenta-se em diversos axiomas, dentre eles podemos destacar: a pena só poderá ser aplicada quando houver efe vamente a prá ca de uma infração penal; a infração penal deve estar expressamente prevista em lei; somente as ações culpáveis podem ser reprovadas, o juiz que julga não pode ser responsável pela acusação; fica a cargo do acusador todo o ônus probatório, que não poderá ser transferido ao acusado pela prá ca de determinada infração penal; deve ser assegurada ao acusado a ampla defesa, com todos os recursos a ela inerentes. Em nosso Direito Penal Brasileiro podemos dar exemplos de garan smo penal como as medidas despenalizadoras: conversão da pena priva va de liberdade em restri va de Direito, como, por exemplo, a entrega de cesta básica. Já o Direito Penal da lei e da ordem, o aplicado nos Estados Unidos, ao autor de um crime deve se aplicada as consequências previstas no ordenamento jurídico, com poucas flexibilizações. Assim verificamos os casos de prisões perpétuas e penas de mortes. Fontes do Direito Penal Fonte é o local de onde as coisas (normas) provêm. Em matéria penal as fontes podem ser: material ou formal. Material (fonte de produção): é o próprio Estado, a quem compete a produção legisla va; Formal (fonte de conhecimento): a única fonte de cognição ou de conhecimento do Direito Penal é a Lei. A fonte formal se subdivide em imediata (que é a própria lei em sen- do estrito) e mediata (que são os costumes e os princípios gerais de Direito). Lembre-se que costume não pode criar infração penal, nem pena e também não pode revogar lei penal. Ele é u lizado pra camente para interpretar a norma penal. Quanto aos princípios, eles ajudam a formar o raciocínio jurídico, tendo em vista que, por serem normas jurídicas de especial relevância, servem como vetores interpreta vos para o operador do Direito (Luiz Antônio de Souza). Norma Penal Decorre do princípio cons tucional (inciso II, art. 5º da CF) onde ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Assim só haverá crime se uma lei penal dispor que aquela conduta é um crime. Mesmo a conduta do agente sendo socialmente reprovável, se não houver po penal incriminador proibindo-a, não poderá sofrer qualquer sanção ao pra cá-la. As normas penais são as proibições ou mandamentos inseridos na lei penal, que se cons tuem em espécie do gênero norma jurídica e que têm seu cumprimento garan do pela sanção nela prevista, contudo, nem todas as normas penais têm o intuito de punir, ou seja, nem todas são incriminadoras. Elas podem prever excludentes, formas de isenção de aplicação da pena, explicações etc. É bom salientar que existem ar- gos do CP, na sua parte especial, em que o legislador usa um meio interessante para proibir determinadas condutas, tendo em vista que ele, ao invés de estabelecer proibições, descreve condutas que, se pra cadas, levará o infrator a uma condenação correspondente à pena prevista para aquela infração penal. No caso, por exemplo, do crime de homicídio (art. 121, CP), o legislador não dispôs é proibido matar alguém, mas descreveu a conduta: matar alguém. Diante dessa observação, Binding concluiu que, na verdade, quando o criminoso pra cava a conduta descrita no núcleo do po (verbo), a rigor não infringia a lei, pelo contrário, ele se amoldava perfeitamente ao po incriminador, ou seja, o que ele infringia era a norma penal implicitamente con da na lei. Logo, para a Teoria de Binding, a lei teria caráter descri vo da conduta proibida ou imposta, tendo a norma, por sua vez, caráter proibi vo (GRECO). São espécies/classificação de normas penais: Norma penal incriminadora: são aquelas que definem as infrações penais sob ameaça de pena (crime), que podem ser proibi vas ou mandamentais. Enquanto a referida norma faz a descrição detalhada e perfeita de uma conduta que se procura proibir ou impor, tem-se o chamado preceito primário (preceptum iuris); já quando individualiza a pena, cominando-a em abstrato, tem-se o chamado preceito secundário (sanc o iuris). Ex.: no art. 121, caput, do CP, o preceito primário é Matar alguém. Quanto ao preceito secundário, tem-se, para o mesmo ar go, Pena reclusão, de 6 (seis) a 20 (vinte) anos. MODELO DA NORMA PENAL INCRIMINADORA Todo po penal vem previsto desta forma: (ex.: art. 121 do CP Homicídio) Descrição da conduta (também chamado de preceito primário). Descrição da pena (também chamado de preceito secundário). Matar alguém. Pena de 6 a 20 anos. Norma penal não incriminadora: são aquelas que não es pulam pos penais, ou seja, não estão prevendo um crime, apenas complementam regras rela vas ao Direito Penal, esclarecendo ou explicando conceitos, sendo, portanto: explica vas: como, por exemplo, no art. 327, CP, que traz a definição de funcionário público para efeitos penais; complementares: fornecem princípios gerais para a aplicação da lei penal como, por exemplo, no art. 59, CP, que prevê que o juiz para punir, deve levar em consideração a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social, a personalidade do agente etc.; *Obs.: o art. 68 do CP traz as regras para a fixação da pena é o chamado sistema trifásico, primeiro, o juiz estabelece a pena-base, depois considera as circunstâncias atenuantes e agravantes e, por úl mo, as causas de diminui- 7

8 ção e de aumento de pena; para estabelecer a pena-base a primeira fase da fixação da pena o juiz deve seguir as diretrizes do art. 59 do CP as circunstâncias judiciais, portanto, o art. 59 complementa o art. 68. permissivas jus ficantes: excluindo a an juridicidade de algumas condutas, também ditas normas que trazem a prá ca de um crime mas que naquele caso concreto não cons tuem uma infração penal como, por exemplo, aquelas mencionadas nos arts. 23 a 25, CP, ou seja, legí ma defesa, estado de necessidade, estrito cumprimento de dever legal ou exercício regular de um Direito; permissivas exculpantes: isentam o agente de pena afastando a sua culpabilidade como, por exemplo, no art. 26, caput, quando traz a inimputabilidade: menor de idade, doente mental etc. Observe que nessa situação, embora haja isenção de pena, permanece a conduta pra cada sendo pica e an jurídica. Norma penal em branco: são aquelas que necessitam de integração por outra norma para que se torne viável a sua aplicação. Aqui, há a descrição da conduta proibida, contudo, ela requer obrigatoriamente um complemento extraído de outro diploma para se tornar possível a sua aplicação. As normas penais em branco recebem essa denominação por deixarem claro que será preenchido por outra norma, de natureza penal ou não. A complementação pode ser: a) homogênea ou em seu sen do amplo decorre de lei. Ex.: o art. 237 do CP pune aquele que contrai casamento conhecendo a existência de impedimento que lhe cause a nulidade absoluta. Todavia o CP não enumera tais impedimentos e sim o Código Civil em seu art , I a VII. b) heterogênea ou seu sen do estrito decorre de portaria, decreto, regulamento, como, por exemplo, quando a Lei nº /2006, cita o tráfico de substância entorpecente, sem, contudo, definir o que é substância entorpecente. Tal definição é encontrada em portaria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa, que é uma autarquia em regime especial, vinculada ao Ministério da Saúde e criada pela Lei nº 9.782/1999, o que não contraria o princípio da legalidade, tendo em vista que o po penal está previsto em lei, apenas o seu complemento é que está veiculado em instrumento infralegal. *Obs.: para Greco, a norma penal em branco heterogênea, por ser oriunda de outra fonte legisla va, que não a lei em seu sen do estrito, feriria ao princípio da legalidade, por ofensa ao art. 22, I, da CF, tendo em vista ser competência exclusiva da União legislar sobre Direito Penal, alegando a falta de legi midade da autoridade administra va para ampliar e mesmo restringir o alcance da norma penal carecedora de complementação. Quadro Esquemá co Norma Penal em Branco Norma Penal em Branco Homogênea Heterogênea A descrição da conduta criminosa precisa ser compleminosa precisa ser com- A descrição da conduta crimentada por outra lei. plementada por decretos, portarias ou regulamentos. Norma penal incompleta ou imperfeita: ela não se confunde com a norma penal em branco, tendo em vista que esta é formalmente deficiente em seu preceito primário (descrição da conduta criminosa), precisando ser complementada por outras normas jurídicas, enquanto o preceito secundário está plenamente jus ficado. Quanto à norma penal incompleta ou imperfeita, ela é deficiente em seu preceito secundário. Em outras palavras, na norma penal incompleta ou imperfeita, verifica-se a previsão do po penal, ou seja, o preceito primário da norma incriminadora, porém lhe falta a sanção, que está prevista em outra lei ou a outro texto de lei. Ex.: o crime de uso de documento falso prevê em seu preceito primário: Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, todavia no seu preceito secundário prevê: Pena: aplicada ao crime de falsificação ou adulteração. Outro exemplo é o crime de genocídio previsto no art. 1º da Lei nº 2.889/1956, que traz a pificação penal, mas não traz a pena. Esta, para ser aplicada, requer que o órgão julgador recorra ao Código Penal para poder aplicar a pena ao caso concreto. Este é o clássico exemplo de norma penal incompleta ou imperfeita. NÃO CONFUNDIR Norma Penal em Branco Norma Penal Incompleta O preceito primário (descrição da conduta criminosa) crição da pena a ser aplica- O preceito secundário (des- precisa ser complementado da) é complementado por por outra lei (homogênia), outra lei. decreto, portaria ou regulamento (heterogênia). Conflito aparente de normas: dá-se quando houver duas ou mais normas que, aparentemente, regulam o mesmo fato, mas, na verdade, apenas uma delas é que será aplicada. Não se pode confundir com a an nomia, que é a situação que se verifica entre duas normas incompa veis, pertencentes ao mesmo ordenamento jurídico e tendo o mesmo âmbito de validade. (Norberto Bobbio) Este mesmo autor sugere três critérios para solucionar a an nomia entre as normas: o critério cronológico (onde a lei posterior revoga a anterior), o critério hierárquico (onde a norma hierarquicamente superior prevalece sobre a norma hierarquicamente inferior) e o critério da especialidade (onde a lei especial afasta a aplicação da lei geral). Conflito Aparente de Normas Um fato aparentemente pode ser regulado por duas normas. Atenção apenas aparentemente. Solução: aplicação dos princípios da Especialidade, Subsidiariedade e Consunção. An nomia Duas normas incompa veis no mesmo ordenamento jurídico. Solução: aplicação dos princípios cronológico, hierárquico e da especialidade. Princípios para Solucionar o Conflito Aparente de Normas Especialidade: o caráter especial prevalece sobre o geral (lex specialis derrogat lex generalis). A norma especial é igual a norma geral, todavia contém algumas especialidades. Vejamos o esquema abaixo: Norma Geral Norma Especial O crime de homicídio é norma geral e dispõe: matar ma especial em relação ao O crime de infan cídio é nor- alguém. crime de homicídio e dispõe: matar sob a influência do estado puerperal o próprio filho durante o parto ou logo após. 8

9 Assim, se es vermos diante do seguinte fato: uma mãe, sob o estado puerperal (espécie de depressão pós-parto, matar o recém-nascido, aparentemente poderia haver dúvida acerca de qual crime deveria ser aplicado, homicídio ou infan cídio, todavia, com aplicação do princípio da especialidade verifica- -se que o fato cons tui-se um infan cídio. Outro exemplo seria o crime de contrabando, art. 334 do CP, norma geral, em relação ao crime de tráfico ilícito de entorpecentes, art. 33 da Lei nº /2006, Lei Especial. Subsidiariedade: as normas subsidiárias são aquelas que têm relação com outras, mas que só têm aplicação enquanto não violado o bem jurídico tutelado pela norma principal. Segundo Nelson Hungria, a norma subsidiária é considerada um soldado de reserva, ou seja, na ausência ou impossibilidade de aplicação da norma principal mais grave, aplica-se a norma subsidiária menos grave (Lex primaria derrogat legi subsidiariae). Aqui, o po penal pode fazer menção quanto à subsidiariedade, como, por exemplo, no crime de perigo para a vida ou saúde de outrem (art. 132 do CP), que menciona a pena e diz desde que o fato não cons tua crime mais grave. Pode também não fazer qualquer menção quanto à subsidiariedade. Ocorre toda vez que determinado delito for elementar ou circunstância de outro. Ex.: o constrangimento ilegal (art. 146 do CP) funciona como elementar do crime de estupro (art. 213 do CP). Norma Subsidiária Norma Específica (menos grave) (mais grave) Descreve um grau menor Contém em sua conduta de violação ao bem jurídico. É parte do crime maior. como acresce a ela circuns- a norma subsidiária, bem Ex.: crime de constrangimento ilegal (art. 146 do crime de estupro (art. 213 do tâncias mais gravosas. Ex.: CP) Constranger alguém, CP) Constranger alguém, mediante violência ou grave mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe ameaça, a ter conjunção haver reduzido, por qualquer carnal ou a pra car ou permi r que com ele se pra que outro meio a capacidade de resistência, a não fazer o que outro ato libidinoso. a lei permite, ou a não fazer o que ela manda. Assim, o crime de estupro é um constrangimento, todavia voltado para fins sexuais. Desta forma o agente responderá apenas pelo crime de estupro e não por estupro e constrangimento ilegal. o úl mo crime absorve todos os anteriores, respondendo o agente apenas pelo resultado mais grave Ex.: no primeiro momento o agente só queria lesionar a ví ma, contudo, na sequência, resolve matá-la. Neste caso, o homicídio absorve as lesões corporais. Ocorre ainda na progressão criminosa o antefactum não punível e no pos actum não punível. Antefactum não punível O fato anterior por ser menos grave é absorvido pelo fato posterior mais grave. É o caso do exemplo acima, onde o crime de lesão corporal é absorvido pelo crime de homicídio. Outro exemplo seria o cidadão que pretendendo matar seu inimigo, sem possuir porte de arma, sai de casa e logo na esquina encontra seu desafeto, a rando nele e matando-o. O crime de porte ilegal de arma, fato anterior, menos grave é absorvido pelo crime de homicídio, fato posterior e mais grave, respondendo o autor apenas pelo crime de homicídio. Pos actum não punível O fato posterior é menos grave e é absorvido pelo fato anterior, mais grave. Ex.: aquele que falsifica moeda (fato mais grave) e depois a introduz em circulação (fato menos grave), o agente só irá responder pelo delito de moeda falsa, o agente furta o relógio da ví ma (fato mais grave) e depois o destrói (fato menos grave). O agente responderá apenas pelo crime de furto, ficando o crime de dano absorvido. Deve-se ter atenção para não confundir crime progressivo com progressão criminosa. Vejamos: Crime Progressivo Progressão Criminosa O agente, desde o início, O agente pretende inicialmente praticar um crime almeja a realização de um resultado mais grave. menos grave e, após sua realização, resolve pra car uma nova infração mais grave (antefactum não punível) ou o agente pretende inicialmente praticar um crime mais grave e, após sua realização, resolve praticar uma nova infração menos grave (pos- actum não punível). Também é de bom alvitre diferenciar os seguintes princípios: Consunção ou Absorção: ocorre quando um fato mais amplo e mais grave absorve o fato menos amplo e menos grave (Fernando Capez). O seu estudo divide-se em: a) crime progressivo O agente, desde o início, almeja a realização de um resultado mais grave e, para alcançá-lo, pra ca diversas lesões ao bem jurídico. Neste caso, o úl mo ato absorve todos os anteriores, respondendo o agente apenas pelo resultado mais grave. Ex.: o agente deseja desde o início matar a ví ma e desfere vários golpes (lesões corporais) até a ngir seu intento, que é a morte. Neste caso, o autor responderá apenas pelo crime de homicídio (fato mais grave) ficando o crime de lesões corporais (fato menos grave) absorvido pelo crime de homicídio. b) progressão criminosa O agente pretende inicialmente pra car um crime menos grave e, após sua realização, resolve praticar uma nova infração mais grave. Assim, Princípio da Especialidade Há um único fato. A norma especial contém todos os elementos da geral mais algumas circunstâncias especializantes. Princípio da Subsidiariedade Há um único fato. A norma subsidiária é parte de um crime maior. Princípio da Consunção Há uma sequência de fatos. O fato maior absorve o fato menor. Alternatividade: ocorre, normalmente, quando em um po penal há a descrição de várias condutas. São os chamados crimes de ação múl pla ou conteúdo variado ou também plurinuclear, no qual o po penal prevê mais de uma conduta em seus vários núcleos. Ex.: art. 122 do CP prevê três condutas: induzir, ins gar ou auxiliar a prá ca 9

10 de suicídio. Note que, num mesmo contexto, se o agente apenas induzir a prá ca do suicídio (uma conduta), ou se induzir e ins gar (duas condutas), ou ainda induzir, ins gar ou auxiliar (três condutas), irá responder apenas por um crime. O número de condutas pra cadas influenciará apenas na quan dade da pena a ser aplicada, ou seja, quanto maior o número, maior a pena. O conflito aparente de normas poderia ser assim resumido: Ocorre o conflito quando duas ou mais normas incidem efe vamente sobre a mesma ação, ou a mesma norma incide mais de uma vez, embora única a ação. Tem-se que: de acordo com o princípio da especialidade, a norma especial exclui a norma geral. pelo princípio da subsidiaridade, uma norma só será aplicada se não for aplicada outra. segundo o princípio da consumação, se uma conduta mostrar-se como etapa para a realização de outra conduta, diz-se que a primeira foi consumida pela segunda, restando apenas a punibilidade da úl ma. o crime consumado absorve o crime tentado. O dano absorve o perigo. b) Doutrinária: é realizada pelos estudiosos do Direito quando emitem suas opiniões pessoais sobre o significado de determinado ins tuto. É aquela gerada pelos autores e jurisconsultos (comunis opinio doctorum). Aqui poderia ser encaixada perfeitamente a exposição de mo vos dos códigos, não podendo ser confundida tal exposição com a interpretação autên ca pelo fato de esta não ser votada pelo Congresso Nacional e nem sancionada pelo Presidente da República, não sendo, portanto, uma lei, já que as conclusões e exposições levadas a efeito não podem ser consideradas interpretações autên cas, mas sim doutrinárias (elas não têm força vincula va, mas tal entendimento pode cons tuir regra, dependendo do doutrinador que tenha omi do sua opinião sobre a referida norma). c) Judicial (ou jurisprudencial): é realizada pelos aplicadores do Direito, ou seja, é fruto das decisões dos órgãos judiciários (como, por exemplo, as súmulas, que têm força vincula va). Observe que tal interpretação deve ser feita intra-autos (dentro do processo), pois se o órgão julgador proferir palestras, a interpretação será doutrinária. Em outras palavras, é aquela emanada pelos tribunais, mediante os julgamentos que realizam. *Obs.: o princípio da alternatividade refere-se aos chamados crimes de ação múl pla, em que o mesmo po contém duas ou mais condutas, havendo, porém, punição única. Quem ins ga ao suicídio e também auxilia no suicídio comete um crime só, e não dois crimes. Interpretação e Integração da Lei Penal Interpretar é buscar o real alcance da norma, ou seja, buscar o seu real sen do. Dependendo do contexto, por mais clara que ele seja, requer interpretação, sendo que a própria conclusão sobre a clareza da norma advém de um exercício intelectual dito interpretação. Não se pode esquecer que a missão primeira do juiz, como guardião da legalidade cons tucional, antes de julgar os fatos, é julgar a própria lei a ser aplicada, é julgar, enfim, a sua compa bilidade formal e substancial com a Cons tuição, para, se entender lesiva à Carta Magna, interpretá-la conforme o texto cons tucional ou, não sendo possível, deixar de aplicá-la, simplesmente, declarando-a incons tucional (GRECO). *Obs.: se após o uso de todos os métodos interpreta vos, que serão mencionados, perdurar dúvida, deve-se aplicar a solução mais favorável ao réu: princípio in dubio pro reo. Para que haja a condenação de qualquer pessoa não se pode basear exclusivamente em indícios, suposições ou probabilidades, a culpa deve ser sempre provada e nunca presumida, pois, se assim o for, ou seja, se não se puder imputar ao criminoso a culpabilidade pelo fato delituoso, deve ser ele absolvido. Ainda, segundo a doutrina, esse princípio in dubio pro reo não é uma regra de interpretação, mas um critério de valoração da prova. Espécies de Interpretação Quanto ao sujeito que a realiza a) Autên ca (ou contextual): é realizada levando-se em consideração o texto da lei, feita pelo próprio legislador (como, por exemplo, aquela prevista no art. 327 do CP, que traz a definição de funcionário público). É feita por quem elaborou a norma, ou seja, pelo Legisla vo. A própria lei dá o limite em que ela deve ser entendida, expresso no seu próprio texto. O exemplo clássico encontra-se quando ela define casa. Quanto ao modo ou aos meios interpreta vos empregados a) Literal (ou grama cal): somente é levado em consideração o sen do real e efe vo das palavras. b) Teleológica (ou lógica): os fins para os quais a norma foi produzida são priorizados. O intérprete busca sempre alcançar a finalidade da lei, aquilo ao qual ela se des na regular, ou seja, decorre da conjunção metodológica do raciocínio ao que busca a lei. c) Sistemá ca (ou sistêmica): a interpretação dá-se olhando para o todo, e não apenas para uma parte do disposi vo legal do sistema no qual ele está con do. Procura-se, num método dedu vo, concluir-se pela posição diante de todo o conteúdo do texto legal (sistema). d) Histórica: segundo Rogério Greco, o intérprete aqui volta ao passado, ao tempo em que foi editado o diploma que se quer interpretar, buscando os fundamentos de sua criação, o momento pelo qual atravessava a sociedade, com vistas a entender o mo vo pelo qual houve a necessidade de modificação do ordenamento jurídico. Em outras palavras, pode-se dizer que se analisa a norma em face do momento histórico em que foi produzida. Quanto aos resultados ob dos a) Declara va: a lei diz exatamente o que o legislador pretende, ou seja, o intérprete não amplia nem restringe o alcance da lei, apenas declara sua vontade. b) Restri va: as palavras da lei dizem mais do que seu exato sen do e, por isso, é necessário reduzir o alcance de aplicação literal, sob pena de entrar em contradição com o que quer a lei (José Carlos Gobbis Pagliuca). c) Extensiva: ocorre quando o texto legal não expressou tudo o que pretendia, sendo necessária sua ampliação. O exemplo clássico é quando o Código Penal proíbe a bigamia, obviamente está proibindo também a poligamia. Interpretação Analógica Nem sempre é possível ao legislador prever todas as situações possíveis, nesse caso, sem fugir ao princípio da legalidade, busca o intérprete casos semelhantes, análogos, 10

11 similares, mas já descritos de forma abrangente na legislação penal. Exemplo disso pode ser aferido do art. 28, II, CP, que menciona o álcool ou substância de efeitos análogos, contudo o termo pode ser entendido como qualquer uma apta a inebriar, entorpecer, estupefaciar etc. (PAGLIUCA) Veja que interpretação analógica difere de analogia. Esta é forma de integração da norma, enquanto que aquela é espécie de interpretação. Em outras palavras, a analogia é o ins tuto de abranger fatos semelhantes, não previstos em lei, o que é vedado pelo Direito Penal. A interpretação analógica, ao contrário, decorre da própria vontade e indicação da lei penal. Sendo assim, há duas espécies permi das de interpretação extensiva: a) a interpretação analógica intra legem, ou seja, dentro da lei, em que o próprio texto legal indica a sua aplicação; b) a interpretação analógica in bonam partem, ou seja, a favor do réu. Integração da Lei Penal A analogia não é meio de interpretação, mas forma de integração ao sistema jurídico. Ela consiste em aplicar a uma hipótese não prevista em lei a disposição legal a um caso semelhante. No Direito Penal é terminantemente proibida, em virtude do princípio da legalidade, jamais ela pode ser u lizada de modo a prejudicar o agente, seja ampliando o rol de circunstâncias agravantes, seja ampliando o conteúdo dos pos penais incriminadores, a fim de abranger hipóteses não previstas expressamente pelo legislador (é a chamada analogia in malam partem, inadmissível no Brasil). Porém, a doutrina tem admi do a analogia in bonam partem, ou seja, aquela benéfica ao agente. A integração só pode ocorrer em relação às normas penais não incriminadoras. O exemplo clássico era a possibilidade de se excluir a punibilidade do agente pela prá ca do crime de aborto decorrente de gestação proveniente de atentado violento ao pudor, situação esta perfeitamente possível quando ainda vigorava a lei que previa o referido delito. Note que o ordenamento jurídico, em si, apenas menciona a tal excludente, se a gravidez resulta de estupro. Mesmo sendo diferentes os crimes e a lei tratando, tão somente, do delito de estupro, por analogia, aplicava- -se a referida excludente. Frise-se que, com o advento da Lei nº /2009 (Dos crimes contra a dignidade sexual), o crime de atentado violento ao pudor, que era previsto no art. 214 do CP, foi revogado. Em linhas gerais, as leis penais devem ser interpretadas de forma declara va estrita, ou até com preocupação restri- va, mas nunca de forma amplia va ou extensiva. Princípios Cons tucionais do Direito Penal Princípios são impera vos é cos extraídos do ordenamento jurídico. São normas estruturais do Direito Posi vo, que orientam a compreensão e aplicação do conjunto das normas jurídicas. Os princípios cons tucionais do Direito Penal são normas, extraídas da Carta Magna, que dão fundamento à construção do Direito Penal. Eles estão compreendidos no seu art. 5º, dos quais se pode elencar: reserva legal ou legalidade; irretroa vidade da lei penal; intranscendência ou responsabilidade pessoal; presunção de inocência; individualização das penas. Reserva Legal ou Legalidade (sen do lato) XXXIX Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal. Para a conduta do homem ser punível a tulo de crime, é necessária a sua inclusão em delitos como o que acontece com a pificação penal por intermédio da lei. É lícita, pois, e não será punível qualquer conduta, mesmo que imoral ou injusta, que não se encontre definida em lei penal incriminadora. É considerada a mais importante garan a do cidadão contra possíveis abusos do Estado, pois só a lei pode estabelecer que condutas serão consideradas criminosas e definirá as punições para cada crime. Saliente-se que a lei, que define o crime e estabelece a pena, deve exis r à data do fato (princípio da anterioridade) e que a norma penal, que define o delito, deve fazê-lo de maneira precisa, do contrário, a autoridade poderia, a pretexto de interpretar extensivamente a lei, transformar em crimes fatos não previstos no comando legal (princípio da picidade). O princípio da reserva legal tem como fundamento o apego puro e exclusivo ao posi vismo jurídico. Ele complementa o princípio da legalidade afirmando que somente lei em seu sen do estrito poderá definir crime, ou seja, medidas provisórias, portaria, regulamentos etc., não poderão prever condutas criminosas. Também, não se admite a aplicação da analogia (aplicação da lei existente a um caso parecido em razão de não haver expressa disposição legal para esse caso), devendo ser aplicada a lei a cada caso concreto. *Obs.: a doutrina e a jurisprudência admitem a aplicação da analogia desde que in bonam partem (em bene cio do réu). Irretroa vidade da Lei Penal XL A lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu. Baseada na anterioridade da lei penal proíbe-se que leis promulgadas posteriormente à prá ca da conduta sirvam para incriminá-la. A Carta Magna acolheu o princípio, proibindo que a lei retroaja prejudicando o acusado, ao mesmo tempo em que determina a necessária retroação da lei mais favorável. Vê-se que as leis são editadas para serem aplicadas a situações posteriores a elas, logo, as normas incriminadoras não podem ter efeito para o passado, exceto se para favorecerem o agente. Da mesma forma, as leis posteriores não retroagem quando, mesmo sem incriminar, vêm prejudicar a situação do agente. A lei penal prevê textualmente duas espécies de retroação da lei, que são: aboli o criminis e lex mi or. Aboli o criminis (crime abolido): ocorre a descriminalização, ou seja, o que era ilícito agora deixou de sê-lo. Ex.: crime de sedução deixou de exis r com o advento da Lei nº /2005. Assim, todo aquele que seduzir mulher virgem entre 14 e 18 anos e com ela man ver conjunção carnal aproveitando-se de sua inexperiência não mais terá pra cado crime. Cumpre lembrar, entretanto, que o referido princípio aplica-se exclusivamente aos efeitos penais da lei, não sendo possível a sua aplicação no que se refere aos efeitos de natureza civil, sendo esta, então, sempre retroa va. Assim, as consequências penais são: Se o autor do delito es ver preso, deverá ser posto em liberdade. Se houver inquérito ou processo, estes deverão ser trancados. Não será o autor considerado reincidente nem terá maus antecedentes. Todavia os efeitos civis permanecem, qual seja, poderá ser pleiteada uma indenização. Por fim, a aboli o criminis é uma das causas de ex nção da punibilidade. 11

12 Lex mi or (lei mais branda melhor): ocorre quando a nova lei penal é mais favorável. A conduta do agente con nua sendo incriminada, mas ele é favorecido em decorrência de previsão de uma pena mais branda ou de qualquer outra vantagem que o beneficie. Deve-se salientar que o indivíduo aqui não ficaria com sua ficha limpa, apenas seria atribuído a ele um bene cio da lei, o abrandamento de sua pena. Intranscendência ou Responsabilidade Pessoal XLV Nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação de perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidos aos sucessores e contra eles executados, até o limite do patrimônio transferido (neste úl mo caso, é necessário que a ví ma proponha a ação). A compreensão literal desse princípio é simples, no sen- do de que somente o condenado é que deve sofrer a reprimenda estatal, não podendo seus sucessores sofrer qualquer espécie de punição. Abre-se, na Cons tuição Federal, uma única exceção quando se aplica a pena de perdimento de bens ou a reparação do dano em caso de morte do condenado, o que gera para os herdeiros a obrigação de reparar o dano, a ngindo-se o patrimônio deixado para eles. Assim, os herdeiros apenas responderão com o valor da herança a eles deixado. Atenção, se a pena aplicada ao condenado for de multa, os herdeiros não responderão por ela. Presunção de Inocência LVII Ninguém será considerado culpado senão após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. Culpado será o réu somente após o trânsito em julgado da sentença, que ocorrerá quando todas as instâncias ordinárias ou extraordinárias forem vencidas ou quando o réu não u lizar o seu direito de recorrer no prazo legal. Observe que enquanto couber qualquer po de recurso, por mais que existam indícios suficientes da autoria de um crime, não há que se falar em culpado, vez que só exis rá essa figura após o trânsito em julgado, embora, deve-se salientar que a lei admite prisão antes da formação da culpa (exceção ao princípio da presunção de inocência), é o caso da prisão em flagrante delito, que se jus fica por haver indícios suficientes de autoria de um crime. Individualização das Penas XLVI A lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: privação ou restrição de liberdade; perda de bens; multa; prestação social alterna va; e suspensão ou interdição de direitos. Como o Direito Penal visa à ressocialização do indivíduo, são levadas em conta a personalidade e os antecedentes do réu, para que a fixação da pena sirva tanto para evitar que as demais pessoas cometam crimes, como para recuperar o indivíduo para o convívio em sociedade. Em razão disso, as penas são individualizadas, de acordo com a natureza do delito e as caracterís cas pessoais do condenado. Demais Princípios de Direito Penal A seguir, serão destacados vários princípios vinculados ao Direito Penal de acordo com Rogério Greco: a) Intervenção mínima: por esse princípio, o Direito Penal só deve atuar nos casos em que os demais ramos do Direito forem insuficientes para dar resposta efe va à sociedade, atuando, pois, como ul ma ra o. Observe que este princípio presa por limitar o legislador na criação de novos crimes, orientando-o também no sen do de descriminalizar aquelas condutas que não são mais consideradas tão lesivas à sociedade. Ex.: a descriminalização do adultério. b) Fragmentariedade: por força do princípio da intervenção mínima, o Direito Penal somente é chamado a tutelar as lesões de maior gravidade para os bens jurídicos, ou seja, apenas protege um fragmento dos interesses jurídicos, mesmo porque seria impossível tutelar todos os bens jurídicos existentes no mundo do Direito (Luiz Antônio de Souza). c) Lesividade (ou ofensividade): para que haja crime, é necessário que haja lesão ou ameaça de lesão a bem jurídico tutelado. Assim, mesmo que a conduta seja considerada imoral, aé ca ou meramente interna ao próprio autor só haverá crime se lesionar o bem jurídico tutelado pelo Direito Penal. Aqui, o obje vo é indicar quais condutas não podem ser incriminadas. Ex.: não incriminação daquele que não toma banho. d) Adequação social: é a teoria concebida por Hans Welzel, a qual significa que, apesar de uma conduta ser enquadrada como crime, não será considerada pica se for socialmente adequada ou reconhecida de acordo com a ordem social da vida historicamente presente. Ela não se presta a revogar pos penais incriminadores, mas a adequá-los diante da sociedade. Ex.: furar a orelha, fazer uma tatuagem são lesões corporais, todavia adequadas socialmente, não sendo assim consideradas crimes. e) Insignificância (ou bagatela): por esse princípio, deve o Direito Penal procurar proteger a sociedade de crimes que tenham gravidade razoável, evitando punir os chamados crimes de bagatela (Leandro Cadenas Prado), como furtar um palito de fósforo. Não se trata de fomentar a prá ca de crimes, mas a finalidade é a de ajustar a aplicação da lei penal aos casos que lhe são apresentados, evitando a proteção de bens cuja inexpressividade, efe vamente, não merece a atenção do legislador penal (GRECO). Deste princípio, podem afirmar: ele exclui a picidade do fato; deve haver proporção entre a lesão pra cada e a pena imposta; e, se a lesão não tem qualquer importância no meio social, deve a lei, igualmente, desprezá-la e não qualificá-la como crime, por exemplo, a subtração de apenas uma folha de papel não deve caracterizar o crime de furto. f) Individualização da pena: a imposição da sanção penal para cada agente deve ser analisada e graduada individualmente, ainda que todos respondam pelo mesmo crime. Inicialmente, cabe ao legislador a previsão de penas para os diversos crimes, punindo com mais rigor àquelas condutas mais danosas. Cabe ao juiz a individualização da pena, levando-se em conta as caracterís cas de cada pessoa e cada fato em si, com a devida observância das caracterís cas judiciais, atenuantes, agravantes, causas de aumento ou diminuição de pena, para que seja aplicada a sanção mais justa possível (PRADO). Segundo Greco, o primeiro momento da individualização da pena dá-se quando da escolha das modalidades de pena a serem aplicadas, as quais se encontram elencadas no art. 5º, da CF, inciso XLVI: a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: privação ou restrição da liberdade, perda de bens, multa, prestação social alterna va e suspensão ou interdição de direitos. A segunda fase é a atribuição de uma pena a determinados crimes de acordo com sua lesividade ao bem jurídico protegido, levando-se em consideração, também, a intenção do agente (se agiu com dolo ou culpa). A essa fase dá-se o nome de cominação. A terceira fase é a denominada aplicação da pena, na qual o juiz deve se atentar para as determinações con das no art. 59 do CP, também chamadas circunstâncias judiciais, 12

13 em que o juiz deve se atentar para a culpabilidade, para os antecedentes, para a conduta social, para a personalidade do agente, para os mo vos, para as circunstâncias e para as consequências do crime, bem como para o comportamento da ví ma. A fixação da pena-base, de acordo com o critério trifásico determinado pelo art. 68 do CP deve se atentar para as circunstâncias judiciais, para as circunstâncias atenuantes e agravantes e para as causas de diminuição e de aumento de pena (no concurso de causa de aumento ou de diminuição previstas na parte especial do CP, pode o juiz limitar-se a um só aumento ou a uma só diminuição, prevalecendo, todavia, a causa que mais aumente ou diminua). Por fim ocorre também a individualização na fase de execução penal, de acordo com o art. 5º, da Lei nº 7.210/1984 (Lei de Execução Penal), em que os condenados serão classificados, segundo os seus antecedentes e personalidade, para orientar a individualização da execução penal. g) Proporcionalidade: também chamado de razoabilidade ou de proibição de excesso. Serve para graduar e impor as penas aos delitos, ou até mesmo para tornar irrelevante penal determinado fato, observando-se certos limites ou parâmetros entre o fato ofensivo considerado pico e a respec va sanção a ser imposta, ou seja, a pena deve ser proporcional ao delito pra cado (nocividade social). h) Responsabilidade pessoal: princípio pelo qual nenhuma pena poderá passar da pessoa do condenado. Ele também pode ser denominado princípio da pessoalidade ou da intranscendência da pena, onde somente a pessoa do condenado é que terá que se submeter à sanção que lhe foi aplicada pelo estado. i) Limitação das penas: segundo o que preceitua a Cons tuição Federal, não haverá penas de morte (salvo em caso de guerra declarada), de caráter perpétuo, de trabalhos forçados, de banimento e cruéis. j) Culpabilidade: é o juízo de censura, de reprovabilidade que se faz sobre a conduta pica e ilícita do agente. Deste princípio surgem três subprincípios: o da personalidade, quem impede de punir alguém por conduta que não realizou; o da responsabilidade do fato, que puni o caráter do fato pra cado e não o modo ou o caráter de ser do agente; e o princípio do dolo e da culpa, ou seja, a necessidade de buscar na conduta a vontade do agente ou a sua culpa, opondo-se a qualquer responsabilidade obje va puramente pelo resultado sem se pesquisar a causa (PAGLIUCA). Se não houver dolo ou culpa, não haverá conduta. Sem conduta não há fato pico. Sem fato pico não haverá crime. k) Legalidade: não há crime sem lei anterior que o defina nem pena sem cominação legal (nullum crimen, nulla poena sine praevia lege), é o que se estatui do art. 1º do CP e também do art. 5 º, inciso XXXIX da CF. A única fonte do Direito Penal, segundo Nelson Hungria, é a norma legal. Entende-se lei em seu sen do estrito (Medida Provisória, Resoluções, Decretos, Costumes não podem pificar crimes). Do princípio da legalidade decorrem quatro funções: proibir a retroa vidade da lei penal, exceto quando mais benéfica ao réu; proibição de criação de crimes e penas pelos costumes; proibição do emprego da analogia para criar crimes, fundamentar ou agravar penas; proibição de incriminações vagas e indeterminadas, ou seja, é vedada a criação de pos que contenham conceitos vagos ou imprecisos. Há diferença entre o princípio da legalidade e o princípio da reserva legal. Pelo princípio da legalidade seria possível a adoção de quaisquer dos diplomas elencados no art. 59 (lei ordinária, lei complementar, medida provisória, decreto legisla vo ou resoluções), ou leis materialmente consideradas para pificar crimes. Por outro lado, quando se faz menção à reserva legal, limita-se a aceitação para a pificação penal apenas das leis formalmente consideradas, ou seja, que respeitam o procedimento legisla vo próprio das leis ordinárias, incluídas aqui as leis complementares. l) Anterioridade: em regra, um po penal só é aplicado aos fatos posteriores a sua vigência. Segundo essa premissa, é fundamental que exista primeiro a lei estabelecendo a conduta como criminosa e fixando a pena respec va, ou seja, a lei deve exis r anterior ao fato delituoso. m) Irretroa vidade: decorre do princípio da anterioridade, ou seja, a lei penal não a nge fato pretérito, contudo, haverá retroa vidade em bene cio do agente. A lei penal tem eficácia a par r de sua existência sendo vedada, como regra, a aplicação de forma retroa va, de forma a a ngir condutas anteriores à lei. A exceção aqui mencionada limita-se tão somente à esfera penal, não sendo aplicável sequer ao processo penal, a teor do art. 2º do CPP onde se estatui que a lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior. n) Extra vidade: em alguns casos, a lei penal, mesmo após sua revogação, con nua regulando atos come dos durante sua vigência (ultra vidade da lei penal) ou retroage para alcançar acontecimentos anteriores a sua entrada em vigor (retroa vidade da lei penal, quando mais benéfica ao agente). o) Alteridade: por esse princípio, não é possível punir a autolesão, não podendo o agente cometer crime contra si mesmo; somente é punível o comportamento que importa lesão ou ameaça a bem jurídico de terceiros (Luiz Antônio de Souza). p) Territorialidade: como regra, a lei penal brasileira só é aplicada à infração penal come da no território nacional; q) Pavilhão ou bandeira: as embarcações e aeronaves (públicas e a serviço do governo e as privadas, quando estão em alto-mar ou no espaço aéreo correspondente) são consideradas extensões do território brasileiro, estando in mamente ligadas ao princípio da territorialidade. r) Especialidade: segundo este princípio, sempre que duas leis puderem ser aplicadas a um mesmo caso, aplicar- -se-á a mais especial, afastando a lei genérica. É o que diz o brocardo lex specialis derrogat generali. Ex.: o infan cídio em relação ao homicídio. s) Non bis in idem: por este princípio, o mesmo agente não pode ser punido duas vezes pelo mesmo fato, ou seja, ninguém pode sofrer duas penas mo vadas pelo mesmo crime. t) Taxa vidade: o po penal incriminador deve ser bem definido e detalhado para não gerar qualquer dúvida quanto ao seu alcance e aplicação. Evite expressões ambíguas, equívocas e vagas de modo a ensejar diferentes entendimentos (Guilherme de Souza Nucci). u) Humanidade: não pode haver penas cruéis. Sujeitos do Crime Em uma conduta criminosa, necessariamente teremos o polo a vo (quem pra ca a conduta) e o polo passivo (aquele a quem é dirigida a conduta incriminadora). Sujeito A vo Como regra, seria apenas o ser humano, vez que a lei atribui a este a capacidade de delinquir. Em princípio, autor de crime só poderia ser pessoa sica, maior de 18 anos, que pra ca a conduta descrita em lei. Por exceção, porém, pessoas jurídicas também podem responder penalmente quando praticarem crime contra o meio ambiente (Lei nº 9.605/1998), as quais poderão ser responsabilizadas administra va, civil e penalmente, quando a infração é co- 13

14 me da por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou bene cio de sua en dade, contudo, conforme se depreende da referida Lei, a responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas sicas autoras, coautoras ou par cipes do mesmo fato. As sansões penais aplicáveis às pessoas jurídicas são a multa, a restrição de direitos e a prestação de serviços à comunidade. Sendo assim, pode-se afirmar que: A vo: quem comete o crime, quem pra ca a conduta delituosa. O sujeito a vo pode pra car a conduta descrita no po penal sendo, portanto, o autor, ou concorrer de qualquer forma para a prá ca do crime, ou seja, o par cipe. O sujeito a vo é, pois, tanto o executor direto como o indireto. Havendo mais de um autor, diz-se que o crime foi pra cado em coautoria, havendo mais de um par cipe, ter- -se-á a copar cipação. Quando o legislador exige especial capacidade do sujeito a vo, tem-se o chamado crime próprio, como, por exemplo, no crime de infan cídio, em que o sujeito a vo precisa ser mãe em estado puerperal da mesma forma que no crime de peculato exige-se que o seu sujeito a vo seja funcionário público. Às vezes, o legislador exige que o agente pra que pessoalmente a conduta delituosa. É o chamado crime de mão própria ou também de atuação pessoal ou infungível, crime este que não admite coautoria, mas pode haver par cipação, como, por exemplo, o crime de autoaborto, que somente pode ser pra cado pela gestante. É, pois, sujeito a vo, em regra, o ser humano. Como exceção, a pessoa jurídica, conforme já mencionado na Lei nº 9.605/1998, especificamente em seus art. 3º e 21 a 24. Sujeito Passivo O tular do bem jurídico lesionado ou ameaçado é o sujeito passivo do crime. Geralmente, sendo ele ser humano, teremos o sujeito material; se for o Estado, teremos o sujeito formal. Pode-se, então, afirmar que: Passivo: é o tular do bem diretamente lesado pelo delito, que é o sujeito material, ou o tular do direito de punir, que é o Estado. Qualquer pessoa, seja sica ou jurídica, incapaz (louco, recém-nascido), feto, estrangeiro, em situação irregular no país etc., pode ser sujeito passivo de crime. Os animais jamais poderão ser sujeitos passivos, mas apenas objetos do crime, tendo em vista que, se algum crime é come do contra um animal, o sujeito passivo será o seu dono ou, eventualmente, a cole vidade. Existem pos penais que possuem apenas um bem jurídico tutelado, como, por exemplo, o crime de furto no qual se tutela apenas o patrimônio como bem jurídico. Existem outros pos penais que tutelam mais de um bem jurídico, como, por exemplo, o crime de roubo em que a tutela se estende à incolumidade sica, psíquica e ao patrimônio, ou, até mesmo, à vida, no caso de latrocínio. Logo, conclui-se que todos os tulares de bens jurídicos e violados ou ameaçados pelo crime são considerados sujeitos passivos. O Estado pode figurar como sujeito passivo formal ou material do crime, como, por exemplo, no caso de crime de dano ao patrimônio público. Tanto a pessoa sica como jurídica podem ser sujeito passivo de crimes, inclusive, nos crimes contra a honra, a difamação (art. 139, CP). Por úl mo, ninguém pode ser sujeito a vo e passivo do crime ao mesmo tempo, vez que ninguém pode pra car crime contra si mesmo, é a aplicação dos princípios da alteridade e da transcendência, haja vista que, para que exista o crime, o agente deve violar ou ameaçar bem jurídico de terceiro, ultrapassando a sua esfera individual. Portanto, autolesão não cons tui crime, exceto se o agente o faz para receber seguro, caso em que ele estará cometendo crime contra a seguradora, que é pessoa jurídica, havendo violação de bem jurídico de terceiro, daí à existência de crime contra o patrimônio. Sinte zando o sujeito passivo, ter-se-ia: a) formal: Estado, porque ele é o tular da lei incriminadora. b) material: é o que sofre a ação. Geralmente o ser humano. APLICAÇÃO DA LEI PENAL PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA ANTERIORIDADE, LEI PENAL NO TEMPO, ULTRATIVIDADE DA LEI EXCEPCIONAL E TEMPORÁRIA, TEMPO DO CRIME, TERRITORIALIDADE, LUGAR DO CRIME, EXTRATERRITORIALIDADE, PENA CUMPRIDA NO ESTRANGEIRO, EFICÁCIA DA SENTENÇA ESTRANGEIRA, CONTAGEM DE PRAZO, FRAÇÕES NÃO COMPUTÁVEIS DE PENA, LEGISLAÇÃO ESPECIAL IMUNIDADES Aplicação da Lei Penal (art. 1º ao 12) O art. 1º do CP traz dois princípios: o da legalidade e o da anterioridade. Conforme já visto, somente a lei em seu sen do estrito pode definir crimes e cominar penalidades. Ela deve nascer no Poder Legisla vo, do contrário, não haverá crime, mo vo pelo qual uma medida provisória, por exemplo, não poderia pificar uma conduta delituosa, embora ela tenha força de lei. Observe que por tratar de norma que não é oriunda de uma representação popular, ela não é lei, uma vez que pode perder a eficácia, desde sua edição, se não for conver da em lei no prazo de 60 (sessenta) dias, a par r de sua publicação (art. 62, 3º, da CF, com a redação dada pela EC nº 32/2001), mo vo este que impede a referida norma de dispor sobre matéria penal criando crimes e cominando penas. Quanto à anterioridade, visto foi que a lei que rege o ato deve exis r à data do fato, haja vista que qualquer lei é editada para atos futuros e não para atos pretéritos, mo- vo pelo qual veda o ordenamento jurídico brasileiro toda espécie de retroa vidade da lei, salvo quando para beneficiar o réu, entendendo ainda que a tal proibição não se aplica somente às penas, mas a qualquer norma de natureza penal, como, por exemplo, quando impedem ou acrescentam requisitos para a progressão de regime (CAPEZ). Já o art. 2º do CP traz o princípio da irretroa vidade. Faz- -se necessário enfa zar que o princípio da irretroa vidade se restringe às normas de caráter penal, já que a lei processual não se submete a tal princípio. Segundo Luiz Flávio Gomes, a lei processual penal nova tem incidência imediata sobre todos os processos em andamento, pouco importando se o crime foi come do antes ou depois de sua entrada em vigor ou se a inovação é ou não mais benéfica. Vigência e Revogação da Lei Penal Assim como as demais, a lei penal também começa a vigorar na data nela indicada, ou, na omissão, em 45 dias após a publicação dentro do país, e em três meses no exterior. O espaço do tempo compreendido entre a publicação da lei e sua entrada em vigor denomina-se vaca o legis. Não há revogação pelo simples desuso da lei. A revogação total denomina-se ab-rogação. A revogação parcial 14

15 denomina-se derrogação. A revogação é expressa quando a nova lei traz expressamente quais os textos da lei anterior serão revogados e será tácita quando regula inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior ou quando incompa vel com a referida lei. A seguir, encontram-se breves conceitos extraídos da obra de Rodolpho Priebe Pedde Junior. Sanção: é o ato pelo qual o Chefe de Governo aprova e confirma uma lei. Promulgação: é o ato pelo qual se atesta a existência da lei e se determina a todos que a observem; tem a finalidade de conferir-lhe o caráter de auten cidade; dela deriva o cunho de executoriedade. Publicação: é o ato pelo qual se torna conhecida de todos, impondo sua obrigatoriedade. Revogação: é expressão genérica que traduz a ideia de cessação da existência de regra obrigatória, em virtude de manifestação, nesse sen do, do poder competente; compreende: a derrogação (revogação parcial), quando cessa em parte a autoridade da lei; e a ab-rogação (revogação total), quando se ex ngue totalmente; a revogação poder ser expressa (quando a lei, expressamente, determina a cessação da vigência da norma anterior) ou tácita (quando o novo texto, embora de fora não expresse é incompa vel com o anterior ou regula inteiramente a matéria precedente). Extra vidade Retroa vidade Ultra vidade É a possibilidade de aplicação de uma lei a situações ocorridas fora do âmbito de sua vigência. Dividi-se em retroatividade e ultra vidade. OBSERVE O ESQUEMA É a aplicação de uma lei penal benéfica a um fato ocorrido antes do período da sua vigência. Ex.: em 15 de janeiro de 2007 A atira em B e este morre. Na data do fato a pena era de 25 anos. Todavia, em 15 de maio de 2010, nova lei vem prevendo para o mesmo crime a pena de 16 anos. Assim, deve ser aplicada a lei nova mais benéfica, devendo retroagir para a ngir fatos fora da sua vigência. É a aplicação de uma lei penal já revogada a um fato ocorrido durante o período de sua vigência. Ex.: em 15 de janeiro de 2007 A atira em B e este morre. Na data do fato a pena era de 16 anos. Todavia, em 15 de maio de 2010, nova lei vem prevendo para o mesmo crime a pena de 25 anos. Assim deve ser aplicada a lei an ga mais benéfica, devendo ultragir a ser aplicada mesmo estando revogada. Sinte camente, tomando por base as definições acima, bem como a Lei de Introdução ao Código Civil, poderíamos assim definir: a) vigência: na data prevista na lei; a) na omissão: 1) Brasil: 45 dias; 2) Exterior: três meses; b) vaca o legis: espaço compreendido entre a publicação e a vigência da lei; b) revogação: c) expressa: informam-se os textos que serão revogados; d) tácita: lei nova incompa vel ou lei que regula o que há na anterior; e) total: ab-rogação; f) parcial: derrogação; g) não há revogação pelo simples desuso da lei. Embora seja sabido que a revogação se dá com a morte da lei, o próprio ordenamento jurídico brasileiro prevê a possibilidade de uma determinada lei regular situações que ocorreram fora de seu período de vigência. Não se trata de regra, mas de exceção, a qual recebe o nome de extra vidade, que pode decorrer de situações passadas (antes da entrada em vigor da lei) ou futura (quando a lei se aplica a situações mesmo tendo sido revogadas). À primeira, denomina-se retroa vidade, que, conforme visto, só irá exis r para beneficiar o réu; à segunda, denomina-se de ultra vidade. Daí, podem-se surgir os chamados conflitos intertemporais, que são resolvidos da seguinte forma: se alguém é processado sob a vigência de uma lei e, quando do julgamento, surgir uma nova lei mais benéfica, esta será aplicada, perfazendo, então a retroa vidade, por ser mais benéfica. Contudo, se a lei mais nova, quando do julgamento, for mais gravosa, não será aplicada, haja vista sua gravidade, o que faz com que a lei anterior, a qual se encontra revogada pela atual, seja aplicada, já que o fato se deu quando ela ainda estava em vigor, sendo assim, aplicar-se-á a lei então revogada, que nada mais é do que a ultra vidade. As hipóteses de lei posterior são: a aboli o criminis, a nova o legis in melius, a nova o legis in pejus e a nova o legis incriminadora. Nova o legis Incriminadora A lei nova passa a considerar crime uma conduta que antes não era da como tal. Ex.: homofobia passou a ser crime. Ela não pode retroagir. Todos que pra caram con- 15

16 dutas de homofobia antes da entrada em vigor da lei não pra caram crime. Nova o legis in pejus (nova lei mais grave) Surge quando a nova lei passa a dar um tratamento mais gravoso ao crime. Ex.: uma lei nova prevê um aumento de pena para o crime de homicídio. Ela não pode retroagir. Este aumento de pena será aplicado apenas aos crimes de homicídio pra cados a par r da vigência da lei que o previu. Nova o legis in mellius (nova lei mais benéfica) Surge quando a nova lei passa a dar um tratamento mais benéfico ao crime. É retroa va, pois favorece o agente, já que, segundo o art. 2º, CP, qualquer lei posterior que beneficie o agente, deve ser aplicada aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado. Existe, ainda, a possibilidade da lex intermedia (lei intermediária), aquela que ocorre quando é publicada mais de uma lei entre o momento da prá ca do delito e o julgamento do acusado. Aplica-se a lei mais benéfica, ainda que esta não seja a vigente ao tempo do crime ou por ocasião da prolação da sentença. No caso de haver três leis, sendo a intermediária mais benéfica, ela retroagirá em relação à primeira, e será ultra-a va em relação à terceira. Decorre da sucessão de lei no tempo. Se a lei nova é mais benéfica será retroa va, caso contrário, será ultra-a va. Competência para Aplicação da lex mi or Pode ser que a autoridade judiciária fique em dúvida de que lei aplicar por não saber qual seria a mais benéfica para o réu. Neste caso, ele poderia ouvir o réu, na presença de seu defensor, e deles concluir o que seria mais benéfico. Em outras palavras, quando o juiz ficar invencível acerca de qual lei aplicar ao réu, por não saber qual delas é a mais benéfica, deverá ouvir o réu, pois é ele, obviamente, o melhor para conhecer as disposições que lhe são benéficas. Quanto à possibilidade de combinação de leis, a doutrina diverge. Há combinação de leis quando se ques ona a possibilidade de se aplicar uma parte de cada lei, com o fim de favorecer o agente. Nesse sen do, já houve decisão do STF pela possibilidade de combinação de leis em bene cio do réu (HC nº , rel. Min. Marco Aurélio, DJU de 13/3/1992, p. 2925). Contudo, é de se ressaltar que a questão não é pacífica nem mesmo dentro do próprio STF. A Segunda Turma entendeu pela possibilidade de combinação de leis no tempo para favorecer o réu (STF, HC nº , rel. Min. Cezar Peluzo, j. 21/10/2008); já a Primeira Turma da Egrégia Corte entendeu pela impossibilidade, até mesmo para beneficiar o réu, sob o fundamento de que isto implicaria na criação de uma terceira lei pelo judiciário (STF, RHC nº , rel. Min. Menezes Direito, 1ª Turma, DJe 20/3/2009). Vê-se, pois, que a questão deve ser resolvida pelo Pleno do STF, entretanto, há uma leve tendência dos doutrinadores em admi r a combinação de leis penais no tempo quando em bene cio do réu. Quanto à Fixação da Lei Aplicável ao Tempo do Crime nos Casos de Delitos Con nuados e Permanentes, temos: Quando uma lei nova, mais benéfica, ao agente surgir durante a fase inves gatória, o MP, ao receber os autos do inquérito, já deverá oferecer a denúncia com base no novo texto legal. Se a lei nova surge durante o curso da ação penal, o juiz ou o tribunal poderão aplicar, imediatamente, a lex mi or. Se já houve o trânsito em julgado da sentença na ação penal, caberá ao juiz da execução aplicar o novo regramento (art. 66, I, da Lei de execução penal). Contudo, deve ser observado que o juiz da execução só será competente para dar efe vidade à nova lei caso as alterações no processo não necessitarem de apreciação do mérito da ação penal de conhecimento, ou seja, o juiz só poderá pra car tal ato quando as alterações do processo se resumirem a cálculos matemá cos. Do contrário, a competência será do respec vo Tribunal, que deverá aplicar nova legislação em grau de recurso, via ação de revisão criminal. Transcrevendo para a forma de quesito, poder-se-ia ques onar: de quem seria a competência para aplicação da nova o legis in melius? Conforme Capez, se o processo es ver em primeira instância, a competência para aplicar a lei mais benéfica é do juiz de primeiro grau encarregado de prolatar a sentença. Se o processo es ver em grau de recurso, a competência será do tribunal incumbido de julgar o recurso. Após o trânsito em julgado, segundo os arts. 66, I, da Lei de Execuções Penais, art. 13 da Lei de Introdução ao Código de Processo Penal e, por fim, a Súmula nº 611 do STF, a competência é do juiz da execução e não do tribunal revisor. Por fim, é bom salientar que não se deve admi r a aplicação da nova lei mais benéfica por meio de revisão criminal, uma vez que impediria o conhecimento da matéria pela instância inferior, ferindo o princípio do duplo grau de jurisdição. Ques ona-se, ainda, a possibilidade de se aplicar a lex mi or durante o período de vaca o legis. Embora a Doutrina não seja pacífica neste ponto, a Jurisprudência já a admite, considerando que por trazer a nova lei disposi vos que beneficiam o réu, é possível a sua aplicação pelo juiz ainda que não expirado o prazo da vaca o legis, sendo suficiente que o texto da nova lei seja publicado. Crimes Permanentes e Con nuados Crime permanente é aquele cuja execução se prolonga no tempo. O agente, a cada instante, enquanto durar a permanência, está pra cando ato de execução, é o caso do crime de sequestro. Crime con nuado é aquele que ocorre quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pra ca dois ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, devem os crimes subsequentes ser havidos como con nuação do primeiro (art. 71, CP). Havendo uma sucessão de leis enquanto esses delitos es verem em andamento, deve-se aplicar a úl ma das leis que surgir, ainda que mais gravosa ao acusado (Súmula nº 711 do STF: a lei penal mais grave aplica-se ao crime con nuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da con nuidade ou da permanência ). Sinte camente, teríamos: Crime Permanente Crime Con nuado Ex.: se durante a prá ca Ex.: durante três meses o agente desvia verbas públicas, toda- de um sequestro surge uma lei mais severa aumentando a pena deste de peculato surge uma lei nova via durante a prá ca dos crimes crime, será esta lei nova agravando a sua pena, esta mais gravosa aplicada a nova lei, mesmo mais gravosa, todo o fato. é aplicada a todo conjunto de crimes. Leis de Vigência Temporária Lei temporária: lei elaborada com expressa previsão de sua vigência em um lapso temporal. O legislador, previamente, fixa o seu período de duração. No próprio texto da lei já se encontra a data de sua cessação. 16

17 Lei excepcional: lei criada com o fim específico de atender a uma situação circunstancial e transitória, como, por exemplo, nos casos de guerra, calamidades etc. A lei irá exis r enquanto durar a anormalidade. Caracterís cas: a) autorrevogáveis: não necessitam de outra lei para revogá-las, pois tem em seu próprio texto a data de sua cessação ou duram enquanto a situação de calamidade se perdurar. b) ultra vas: pois as ações ou omissões ao tempo da lei temporária ou excepcional serão punidas, mesmo que a lei já esteja revogada. A lei será aplicada mesmo após cessada a sua vigência; é o que se chama ultra vidade. Essa é exceção à regra da retroa vidade benéfica, uma vez que tal princípio não é aplicável em casos de leis excepcionais ou temporárias. Isso se jus fica, pois, se o agente soubesse, de antemão, que após cessada a anormalidade ou findo o período de vigência ele fosse ficar impune, tais leis não teriam sen do, pois perderiam toda sua força in mida va. Tempo do Crime É o momento da ação ou omissão que tenha dado causa ao resultado lesivo, não importando o momento do resultado: Teoria da A vidade ou Ação Princípio tempus regit actum (é o tempo que deve reger o ato, ou seja, é a lei que está em vigor no dia em que o crime foi come do). Em outras palavras, a principal consequência da teoria adotada é quanto à imputabilidade do agente, já que a sua capacidade de autodeterminação é aferida no momento em que o crime é pra cado e não na data que o resultado venha a ocorrer. Diferentemente, ocorre na prescrição, já que nesse sen do o CP adotou a teoria do resultado, já que o lapso prescricional começa a correr a par r da consumação e não do dia em que se deu a ação delituosa (art. 111, I) (CAPEZ). Há exceção, caso o crime seja permanente, haja vista que a ação do agente se prolonga no tempo, vindo ele a responder pelo delito por já ter completado a maioridade. Surgindo conflito aparente de normas, já que somente uma delas é que poderá ser aplicada, mesmo havendo mais de uma regulando o mesmo fato, será ele solucionado pelos princípios da especialidade, subsidiariedade, consunção ou alterna vidade. A fixação do instante em que ocorreu o crime é relevante para se poder aplicar a lei penal, para se determinar a menoridade ou não do agente ao tempo da ação, entre outras. A doutrina destaca três teorias: 1. Teoria da a vidade: considera-se pra cado o crime na hora da conduta, aplicando-se, por conseguinte, a lei que vigora nesse momento. 2. Teoria do resultado: considera-se pra cado o crime no momento do resultado, desprezando-se o momento da ação. 3. Teoria da ubiquidade ou mista: o crime é considerado tanto no momento da ação como no momento do resultado. Prevalece no ordenamento jurídico pátrio a Teoria da A vidade, não interessando o momento em que se produziu o resultado. Nos crimes permanentes, quando o agente inicia a sua prá ca sob a vigência de uma lei, vindo a se prolongar até a entrada em vigor de outra, deve-se, pois, ser-lhe aplicada a úl ma, mesmo que seja a mais severa. Quanto ao crime con nuado, se a nova lei modifica de algum modo o po legal já existente, aplica-se a úl ma lei. Se a nova lei deixa de considerar a conduta como crime, deverá retroagir aos textos executados antes de sua vigência. Se a lei penal for modificada durante o processo penal ou durante a execução da pena, prevalecerá a norma mais favorável ao réu, não importa se a anterior ou a posterior. Da mesma forma, se a lei nova deixar de considerar o fato como crime (aboli o criminis), será aplicada esta úl ma, por ser mais favorável ao réu. Frise-se, ainda, que nos casos de crime permanente (ex.: sequestro) em que a consumação se prolonga pela própria vontade do agente, uma eventual lei posterior, ainda que mais severa, será aplicável à conduta que ocorreu durante sua vigência. Semelhantemente, se quando do sequestro o agente ainda não possuía 18 anos, mesmo assim retém-se a ví ma que, após alcançar a maioridade, será penalmente responsável pelos atos que pra cou a par r do dia em que completou os 18 anos, não respondendo pelos atos pra- cados anteriormente, pois era inimputável. Essa mesma regra aplica-se ao crime con nuado. De maneira resumida: A regra da aplicação da lei penal no tempo encontra-se disposta no art. 4º do CP Considera-se pra cado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado. Assim adota-se a Teoria da A vidade princípio tempus regit actum: é o tempo que deve reger o ato, ou seja, é a lei que está em vigor no dia em que o crime foi come do, não importando a data do resultado. Ex.: um menor com 17 anos e 11 meses a ra contra a sua namorada, que vem a falecer em decorrência dos ferimentos dois meses depois. Segundo a Teoria da A vidade o menor não responderá pelo crime pra cado, pois o momento do crime (ação) era menor de idade. Exceção: se o crime for permanente, por exemplo, o crime de sequestro, supondo que um menor de 17 anos e 11 meses priva a ví ma de sua liberdade, a qual é libertada somente após seis meses, neste caso ele responderá pelo crime de sequestro, haja vista que a ação do agente se prolonga no tempo, vindo ele a responder pelo delito por já ter completado a maioridade. Essa mesma regra aplica-se ao crime con nuado. Atenção! Em relação à prescrição, o CP adotou a Teoria do Resultado, já que o lapso prescricional começa a correr a par r da consumação, e não do dia em que se deu a ação delituosa. Lugar do Crime Vigora a Teoria da Ubiquidade: é tanto o local do crime da ação ou omissão que tenha dado causa ao resultado lesivo, quanto onde se produziu (crime consumado) ou deveria produzir-se (crime tentado) o resultado. Como exemplo, poder-se-ia citar um estelionato pra cado no Brasil e consumado no Uruguai. Ambos os países são considerados lugar do crime. Exceção: nos casos de crimes conexos, cada crime deve ser julgado pelo país onde foi come do, não se aplicando, portanto, a referida teoria. Atenção! Não confundir com as regras previstas no Código de Processo Penal, em que o local competente para processar e julgar o crime será o local do resultado. Lei Penal no Espaço Territorialidade Prevê o CP que ao crime pra cado em território nacional aplica-se a lei penal nacional. Todavia o CP vai mais além, 17

18 uma vez que a legislação brasileira adotou a Territorialidade Temperada ou Mi gada, em que será aplicada a lei penal brasileira, em regra, ao crime come do no território nacional. Porém, prevê a possibilidade de se aplicar a lei estrangeira, excepcionalmente, aos crimes aqui cometidos quando tratados e convenções internacionais assim determinarem. Em outras palavras, pode-se afirmar que o Brasil adotou o princípio da Territorialidade Mi gada ou Temperada, tendo em vista que o Estado pode abrir mão de sua jurisdição em atendimento a convenções, tratados e regras de Direito Internacional. Em síntese, território, aqui, compreende o espaço terrestre, fluvial, marí mo e aéreo, onde o Brasil é soberano. Quantos aos navios e aviões, estes são ditos públicos quando de guerra, ou em serviço militar, bem como os que estão a serviço oficial. São privados, quando mercantes ou de propriedade par cular. Extraterritorialidade É a exceção para a lei penal no espaço, pois a regra, como já visto, é a territorialidade (território é todo espaço aéreo, marí mo e terrestre em que um país é soberano), ou seja, todos os crimes ocorridos no território brasileiro devem ser julgados aplicando-se a lei penal brasileira, e os crimes ocorridos fora do Brasil serão julgados pela lei estrangeira. Mas, existem crimes que, mesmo sendo pra cados fora do Brasil, ficam sujeitos ao julgamento pela lei brasileira: é a extraterritorialidade. Casos de territorialidade: a) crimes ocorridos no Brasil ou nas suas extensões. Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional: as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública (de guerra, em serviço militar) ou a serviço do governo brasileiro (serviço oficial chefes de Estado ou representantes diplomá cos) onde quer que se encontrem; as aeronaves e embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respec- vamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar; b) também é aplicável a lei brasileira aos crimes pra cados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em voo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial do Brasil. *Obs.: os crimes come dos a bordo de navios são da competência da Jus ça Federal (STJ, RHC nº 1.386, DJU de 9/1/1991, p ). São também da competência da Jus ça Federal brasileira do Estado-Membro em cujo aeroporto primeiro pousou o avião, os crimes come dos a bordo de aeronave brasileira no espaço aéreo correspondente ao alto-mar (TFR, RJTFR nº 51/46). Princípios Básicos referentes à Lei Penal no Espaço A soberania é um dos fundamentos da República Federa va do Brasil assim como das demais nações, os quais são reconhecidos pelos tratados e convenções internacionais. E, como tal, cada país tem suas próprias leis, que são editadas para serem aplicadas no seu espaço territorial. Cinco são os princípios que norteiam a aplicação da lei no espaço. São eles: Princípio da Territorialidade: por este princípio aplica- -se a lei brasileira a todas as condutas pra cadas no Brasil ou cujo resultado venha a ocorrer no território brasileiro. Em outras palavras, importa aos Estados aplicarem as suas leis aos crimes ocorridos dentro de seus territórios jurídicos, não importando a nacionalidade do criminoso ou a origem da ví ma. Princípio da Nacionalidade (ou personalidade): aplica-se a legislação penal de determinado Estado a todos os seus cidadãos, ainda que o crime tenha sido pra cado fora de suas fronteiras. Nesse caso, mesmo que um brasileiro tenha praticado crime fora do território brasileiro, onde de regra não seria aplicada a legislação brasileira, poderá ser punido pelas leis pátrias pelo fato de ser de nacionalidade brasileira. Princípio da Defesa (ou real, ou proteção): aplica-se a lei de um determinado país aos crimes que ofendam seus bens jurídicos, pouco importando quem cometeu o crime ou onde ele foi come do. Aplica-se a lei do país a que pertença o bem jurídico lesionado, independentemente de onde tenha ocorrido o fato com o intuito de se ver preservados interesses básicos dos Estados. Princípio da Jus ça Universal (ou Cosmopolita, ou Jurisdição Mundial, ou Repressão Universal, ou da Universalidade do Direito de Punir): aplica-se a legislação penal de um Estado desde que o sujeito a vo ingresse no seu território, pouco importando a nacionalidade das pessoas envolvidas ou o local de prá ca do delito. Para esse princípio não interessa a nacionalidade do agente, o bem jurídico lesionado, ou o local onde foi pra cada a conduta, sendo sempre aplicada a lei do local onde for encontrado o delinquente. Princípio da Representação (ou pavilhão ou da bandeira): o autor da infração deve ser julgado pelas leis do país em que a embarcação ou aeronave está registrada. Aplica-se a lei do Estado da bandeira do navio ou da aeronave privados, quando, no seu interior, houverem ocorrido crimes no estrangeiro e lá não foram julgados. A legislação brasileira não adotou nenhum desses princípios com exclusividade. Na realidade todos eles são acolhidos por nosso Código Penal, que deu maior ênfase ao princípio da territorialidade, pelo qual a lei penal brasileira é aplicada no território brasileiro, independentemente da nacionalidade do autor e da ví ma do delito. Como há exceções a tal princípio, respaldadas nas convenções, tratados e regras de Direito Internacional, além dos casos especiais de extraterritorialidade, diz-se que o Brasil adota a territorialidade temperada. Imunidades Quando se fala em imunidade, tem-se a falsa impressão de que seja tal palavra sinônima de impunidade, o que não é verdade, uma vez que a própria Convenção de Viena expressa a esse respeito, quanto aos diplomatas, demonstrando que os mesmos devem ser processados pelos crimes por eles come dos nos seus Estados de origem, Convenção esta dita como a fonte das imunidades não só diplomá cas como consulares. A figura das imunidades não está relacionada à pessoa, mas, sim, ao cargo ocupado pelo agente. Gozam de imunidades os diplomatas e os parlamentares. Ei-las: 18

19 Imunidades Diplomá cas Os agentes estrangeiros que cometem crimes devem ser subme dos às leis de seu país, ficando, com isso, imunes às leis do país em que verem come do infração. Estão excluídos os funcionários par culares daqueles que gozam de imunidades (tais como o cozinheiro, o faxineiro, o jardineiro etc. ainda que tenham a mesma nacionalidade), porém incluem-se secretários de embaixadas, servidores que ocupam cargos técnicos e administra vos das representações, bem como os seus respec vos familiares. São ainda alcançados por tais imunidades os funcionários de organismos internacionais, como, por exemplo, a ONU, chefes de Estado estrangeiro, desde que estejam no Brasil, assim como suas respec vas comi vas. Os representantes diplomá cos de governos estrangeiros gozam não só de imunidade penal (embora já se admita que sejam presos em flagrante o diplomata que esteja envolvido em tráfico de entorpecentes, em infrações aduaneiras e terrorismo, sem qualquer autorização do Estado de origem, com o álibi de que tal a vidade criminosa foge completamente à função de representação inerente à diplomacia), como tributária (exceto impostos indiretos incluídos no preço) e civil (exceto no que diz respeito a Direito sucessório e ações referentes à profissão liberal exercida pelo agente diplomá co fora das funções). Observe que a imunidade aqui mencionada abrange os diplomatas de carreira (desde o embaixador ao terceiro-secretário) e todos os membros do quadro administra vo e técnico (como tradutores, contabilistas etc.) da sede diplomá ca, desde que recrutados no Estado de origem. Vê-se ainda que quando se tratar de familiares de diplomatas de carreira é bom salientar que tais pessoas só gozam de tal prerroga va quando habitarem com eles e viverem sob sua dependência econômica; a imunidade descrita aqui a nge ainda os familiares dos membros do quadro administra vo e técnico, os funcionários das organizações mundiais (em serviço), os chefes de Estado estrangeiro, e os diplomatas ad hoc (pessoas nomeadas pelo Estado acreditante para uma determinada função no Estado acreditado, como, por exemplo, acompanhar a posse de algum Presidente da República). *Observações gerais quanto às imunidades diplomá cas: por não poderem ser presos ou de dos, nem obrigados a depor como testemunha (embora possam ser inves gados pela polícia), gozam da inviolabilidade pessoal, mesmo que em trânsito estejam, quer seja, desde o momento da saída de seu país de origem, para assumir a função no exterior, até a sua volta; gozam ainda de independência, vez que agem livremente em relação a tudo o que se refere a sua qualidade de representantes de um Estado estrangeiro; gozam também de inviolabilidade de habitação, desde que não sejam u lizadas as dependências para a prá ca de crimes ou dar abrigo a criminosos comuns, pois, se assim o for, cessa a inviolabilidade. Outrossim, as sedes diplomá cas não são mais consideradas extensões do território alienígena, pertencem ao Estado onde se encontra, embora seja também inviolável, mas permite-se que sejam invadidas por autoridades locais em casos de urgência, como a ocorrência de algum acidente grave; somente o Estado acreditante pode renunciar a imunidade diplomá ca, nunca o próprio diplomata, uma vez que ela pertence ao Estado e não ao indivíduo. *Observações gerais quanto às imunidades consulares: vale ressaltar que somente os funcionários consulares de carreira (o cônsul-geral, o cônsul, o vice-cônsul e o agente consular), no exercício de suas funções, gozam de tal imunidade, uma vez que ela não beneficia qualquer po de funcionário consular honorário, inclusive o cônsul honorário. Atribui-se ainda tal imunidade aos empregados consulares, desde que estes façam parte do corpo técnico e administra vo consulado, excluindo-se aqui da imunidade penal os membros de sua família e os empregados pessoais tendo em vista que eles não podem atuar no exercício da função, apenas os funcionários e empregados consulares gozam de tal prerroga va, mas desde que estejam no exercício de sua função e tão somente nos limites geográficos do distrito consular, mas podem ser de dos ou presos preven vamente em casos de crimes graves por eles pra cados, por ordem judicial. O adido consular é a pessoa sem delegação de representa vidade e, portanto, não tem imunidade. Imunidades Parlamentares Segundo o texto cons tucional, a imunidade do congressista somente será suspensa em estado de sí o e desde que por decisão de 2/3 dos membros da respec va Casa, quando referente a atos pra cados fora do Congresso Nacional e incompa vel com a efe vação da medida. A finalidade precípua dessa prerroga va é permi r ao congressista que, mesmo em época de conturbação social, expresse seu pensamento, vez que neste momento estaria manifestando o desejo do povo que representa. A imunidade parlamentar pode ser formal ou material. a) Imunidade Formal: hoje temos a não imunidade como regra e, acaso deseje a casa respec va conceder imunidade ao seu componente deverá manifestar-se posi vamente, enquanto isso, o processo prossegue perante o STF. b) Imunidade Material: o agente não responde por suas opiniões, palavras (aqueles que envolvem a opinião, como, por exemplo, crimes contra a honra, apologia de crime e incitação ao crime, mas desde que não sejam estranhas a sua a vidade como membro do Legisla vo, na Casa do Congresso a que pertence, ou em missão oficial, por determinação dela, pois, caso se faça externamente, não há que se falar em inviolabilidade) portanto, o congressista que, fazendo uso de suas palavras vier a cometer a infração pificada como injúria, não cometeria crime algum. As imunidades aqui descritas estendem-se aos depu tados estaduais, que possuem as mesmas imunidades que os parlamentares federais, mas tais prerroga vas devem constar das Cons tuições Estaduais. Eles podem ser processados sem autorização da Assembleia Legisla va do seu Estado, em qualquer po de crime, inclusive federal ou eleitoral, mas o processo pode ser sustado pelo voto da maioria do Parlamento, caso haja a provocação de algum par do polí- co nela representado. Outrossim, caso cometam crimes da competência da Jus ça Federal, devem ser processados pelo TRF; se o delito for da esfera eleitoral, serão processados no TRE, portanto é incabível o que previa a Cons tuição anterior quando determinava que a imunidade concedida a deputados estaduais era restrita à Jus ça do Estado. Quanto aos vereadores, eles gozam de imunidade absoluta, enquanto es verem no exercício do seu mandato e na circunscrição de seu Município, mas não têm imunidade processual e nem foro privilegiado, embora possuam direito à prisão especial, de acordo com a Lei nº 3.181/1967. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos. Os Deputados e Senadores desde a expedição do diploma serão subme dos a julgamento perante o STF. Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Neste caso, os autos serão reme dos dentro de 24 horas à Casa respec va, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão. A sustação do processo suspende a prescrição, enquanto durar o mandato. Não 19

20 pode o congressista abrir mão dessa imunidade, vez que a imunidade pertence ao Parlamento e não ao congressista, de modo que é irrenunciável, por ser tal prerroga va de caráter ins tucional, inerente ao Poder Legisla vo, que só é conferida ao parlamentar ra one numeris, em função do cargo e não do mandato que exerce, portanto, não se reconhece ao congressista, em tema de imunidade parlamentar, a faculdade de a ela renunciar. Ressalte-se ainda que a imunidade parlamentar não se estenda ao corréu sem essa prerroga va. Outrossim, prevalece, ainda, no contexto das imunidades o sigilo parlamentar, que desobriga o congressista a testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão do exercício do mandato, nem sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles receberam informações. Além disso, os parlamentares devem ser ouvidos em lugar previamente agendado com o juiz, quando forem testemunhas, não cabendo qualquer po de condução coerci va. Por fim, é relevante frisar que, quanto às imunidades diplomá cas e consulares, trata-se de exceção ao princípio da territorialidade, previsto em Convenção subscrita pelo Brasil, concedendo aos diplomatas e cônsules isenção à jurisdição brasileira, mo vo pelo qual somente podem ser processados criminalmente em seus países de origem; quanto às imunidades parlamentares, cuida-se de exceção ao princípio da territorialidade previsto na CF, possibilitando que o parlamentar, no exercício de seu mandato, por opiniões, palavras e voto, não possa ser criminal e civilmente responsabilizado. Permite, ainda, que os processos criminais contra eles instaurados possam ser sustados pela Casa Legisla va correspondente. Casos de Extraterritorialidade a) Incondicionada: ainda que absolvido ou condenado no estrangeiro, o agente será punido segundo a lei brasileira (se o agente já foi condenado no estrangeiro, deve-se observar o art. 8º do CP que traz: a pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando diversas, ou nela é computada, quando idên cas ) nos casos de crimes: contra a vida ou a liberdade do Presidente da República (princípio real, da defesa ou proteção); contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação ins tuída pelo Poder Público (princípio real, da defesa ou proteção); contra a Administração Pública, por quem está a seu serviço (princípio real, da defesa ou proteção); de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil (princípio da jus ça universal, que defende que o genocida onde quer que se encontre, deverá ser punido com a lei do país respec vo; ou princípio real, da defesa ou proteção, que defende que quando o genocídio a nja um bem brasileiro, a lei brasileira deverá ser aplicada). b) Condicionada: dependendo do concurso de algumas condições, os crimes: que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir (princípio da jus ça universal); pra cados por brasileiro (princípio da nacionalidade a va); pra cados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados (princípio da representação). As condições que devem ser atendidas são: entrar o agente no território nacional; ser o fato punível também no país em que foi pra cado; estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição; não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena; não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro mo vo, não estar ex nta a punibilidade, segundo a lei mais favorável. Atendidas as condições supramencionadas, a lei brasileira aplica-se também ao crime come do por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se reunidas as condições previstas no parágrafo anterior: não foi pedida ou foi negada a extradição; houve requisição do Ministro da Jus ça. Observações Este item atenta-se para o chamado Princípio da Defesa ou da Personalidade Passiva. É bom salientar que, quanto ao crime de tortura, a Lei nº 9.455/1997 prevê em seu art. 2º, que no que se refere ao princípio da extraterritorialidade condicionada, aplica-se a lei brasileira ainda que o crime não tenha sido come do em território nacional, sendo a ví ma brasileira ou encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira. Eficácia da Sentença Estrangeira Toda sentença judicial é ato de soberania do Estado. Mas para garan r a maior eficiência possível ao combate das prá cas de fatos criminosos, o Estado se vale, por exceção, de atos de soberania de outros Estados aos quais atribuem certos e determinados efeitos. Para tanto, homologa a sentença penal estrangeira, de modo a torná-la um verdadeiro tulo execu vo nacional, ou independentemente de prévia homologação, dá-lhe o caráter de fato juridicamente relevante, de acordo com o art. 9º do CP (GRECO). Segundo este ar go, a sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira produz na espécie as mesmas consequências, pode ser homologada no Brasil para obrigar o condenado a reparar o dano, a res tuir a coisa e a outros efeitos civis, sujeitando-o ainda a medida de segurança, contudo a homologação depende de pedido da parte interessada e da existência de tratado de extradição com o país de cuja autoridade judiciária emanou a sentença, ou, na falta de tratado, de requisição do Ministro da Jus ça (observe-se que o sujeito não pode ser preso, no Brasil, em razão de homologação de sentença estrangeira). Como a execução da pena também é um ato de soberania, os efeitos da sentença penal estrangeira são limitados aqui no Brasil. Assim como as leis estrangeiras não são aplicadas no território nacional, aqui seus julgados não podem ser executados, exceto quando a lei penal brasileira produzir as mesmas consequências da lei estrangeira, aí se homologa a sentença estrangeira, mas somente para consequências civis (reparação do dano, res tuições) e aplicação de medidas de segurança. A homologação aqui dita cabe ao STF. A sentença estrangeira pode ser homologada no Brasil. A homologação depende do pedido da parte interessada, da existência de tratado de extradição com o país de cuja autoridade judiciária emanou a sentença ou de requisição do Ministro da Jus ça. Contagem de Prazo Nos prazos processuais não se computa o dia do começo, incluindo-se, porém, o do vencimento; já, segundo o art

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