DIREITO PENAL II e III MATERIAL DE APOIO E ORIENTAÇÃO SOBRE CONCURSO DE PESSOAS OU AGENTES

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1 CENTRO UNIVERSITÁRIO FRANCISCANO UNIFRA CURSO DE DIREITO DIREITO PENAL II e III MATERIAL DE APOIO E ORIENTAÇÃO SOBRE CONCURSO DE PESSOAS OU AGENTES Professor Fábio Freitas Dias Santa Maria, março de 2012

2 CENTRO UNIVERSITÁRIO FRANCISCANO UNIFRA CURSO DE DIREITO DIREITO PENAL II e III MATERIAL DE APOIO E ORIENTAÇÃO SOBRE CONCURSO DE PESSOAS OU AGENTES Material disponibilizado aos alunos das disciplinas de Direito Penal II e III que compõe a grade curricular do Curso de Direito do Centro Universitário Franciscano, Santa Maria, RS, para servir de apóio ao entendimento do tipo penal. Professor Fábio Freitas Dias

3 Santa Maria, março de 2012

4 CONCURSO DE PESSOAS. TEORIAS SOBRE AUTORIA E PARTICIPAÇÃO. AUTORIA DIRETA, MEDIATA E CO-AUTORIA. 1. Considerações iniciais: o crime pode ser obra de um único agente, mas, não raras vezes, tal acontecimento surge pela atuação conjunta de mais de uma pessoa. Quando ocorre a reunião de pessoas para cometer um crime, estamos, em tese, diante do fenômeno jurídico-penal chamado de concurso de pessoas ou agentes. O concurso de agentes possui sua essência legal expressada pelo verbo concorrer. Segundo DAMÁSIO, concorrer significa «convergir para o mesmo ponto, cooperar, contribuir, ajudar e ter a mesma pretensão de outrem». 1 No mesmo sentido, porém de forma diversa, preferimos afirmar que concorrer significa cooperar, contribuir ou ajudar, com vínculo subjetivo, de forma a convergir para um mesmo evento jurídico-penal relevante. 2 Assim, sempre que houver a concorrência de pessoas num acontecimento penal, cabe analisar o contributo de cada um, o que nos levará, necessariamente, a distinguir entre aqueles que são autores e aqueles que são partícipes. Dessa forma, é de se concluir que no concurso de agentes teremos ou co-autoria, ou co-autoria + participação, ou autoria + participação, ou autoria + co-participação. Portanto, nesta epígrafe procuraremos buscar, em algumas teorias, subsídios para definirmos com maior precisão o conceito de autor, co-autor e partícipe. Inicialmente, podemos referir que a reforma penal de 84 não se preocupou em traçar tal diferenciação conceitual, deixando a questão à interpretação e formulação doutrinária. A norma penal, art. 29, fixa regra abrangente que coloca autor e partícipe, quanto às conseqüências de seus atos, em pé de igualdade: «quem, de qualquer modo concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida da sua culpabilidade». Veja-se, todavia, que o legislador quis dizer que tanto autor como partícipe respondem pelo fato para o qual contribuíram, mas obviamente isso não se refletirá numa pena concreta idêntica, ao contrário, as penas corresponderão ao juízo de reprovação da sua conduta individual. Além disso, o 1.º estabelece a participação de menor importância, que é beneficiada com uma redução obrigatória de 1/6 até 1/3. Podemos afirmar que, atualmente, a doutrina pátria vem entendendo que o legislador da reforma da parte geral deixou subtendido que admite uma teoria diferenciadora quanto os papéis possíveis no concurso de agentes (teoria dualista), haja vista, como acabamos de referir, a necessária diferenciação entre autoria e participação para fins de dosimetria da pena. Nesse rumo, entendemos que o legislador da reforma, acatou a posição que se encontrava mais predominante na doutrina, contudo, sem se 1 Ob. cit., p Para fins de concurso de pessoas temos duas espécies de crime: «a) Monossubjetivos ou de concurso eventual: são aqueles que podem ser cometidos por um ou mais agentes. Constituem a maioria dos crimes previstos na legislação penal, tais como homicídio, furto etc. b) Plurissubjetivos ou de concurso necessário: são os que só podem ser praticados por uma pluralidade de agentes em concurso. É o caso da quadrilha ou bando, da rixa, etc». CAPEZ, Fernando, ob. cit., p. 320.

5 Prof. Fábio Freita s Dias afastar da concepção monista, como poderemos observar no desenrolar do nosso estudo. 2. Teorias sobre o concurso de pessoas: atualmente, a doutrina não é unânime quanto à nomenclatura das teorias que procuram definir se as várias condutas constituem um ou mais delitos e se é necessário ou não definir autor e partícipe. No nosso modo de ver as coisas, é possível apontar três grandes grupos, na esteira do estudo de BITENCOURT. 3 São elas: a) Pluralística: segundo esta, cada conduta individualizada, corresponde a um aspecto psicológico próprio e que se adequa particularmente a uma realidade típica distinta, de forma que haverá tantos crimes quantos forem as atuações de autores e partícipes. «Chegou-se a ver na participação um crime distinto, especial, o crime de concurso». 4 b) Dualística: para a teoria dualística, no concurso de pessoas há uma bidimensionalidade quanto à posição dos sujeitos atuantes e quanto ao número de crimes cometidos: os autores são aqueles que realizam a conduta principal, isto é, aquela representada pelo verbo do tipo de ilícito, enquanto que partícipes são aqueles «que desenvolvem uma atividade secundária, que não realizam a conduta nuclear descrita no tipo penal». 5 Desse modo, há um crime realizado pelos autores e um pelos partícipes. c) Monística ou unitária: como primeira tentativa de conceituar o autor, a teoria unitária ou simplesmente conceito unitário de autor, compreendia autor como sendo «quem produz qualquer contribuição causal para a realização do tipo legal (...) as diferenças de contribuição objetiva ou subjetiva entre os autores não constituem problema do tipo de injusto, mas matéria da aplicação da pena, como medida da culpabilidade individual». 6 Portanto, para essa teoria não há distinção entre autor e partícipe, pois todo aquele que concorre para o crime é responsável integralmente por ele. Essa foi a teoria mantida pela reforma de 1984, apesar de ela ter sido amenizada em face das diferenciações punitivas introduzidas pelos seus parágrafos 1.º e 2.º, do art. 29, CP. Como afirma BITENCOURT: «Estabeleceu alguns princípios disciplinando determinados graus de participação. Adotou, como regra, a teoria monística, determinando que todos os participantes de uma infração penal incidem nas sanções de um único e mesmo crime e, como exceção, a concepção dualista, mitigada, distinguindo a atuação de autores e partícipes, permitindo uma adequada dosagem de pena de acordo com a efetiva participação e eficácia causal da conduta de cada partícipe, na medida da culpabilidade perfeitamente individualizada» 7. 3 Ob. cit., p Ibidem. 5 Ibidem. 6 SANTOS, Juarez Cirino dos, ob. cit., p Os inconvenientes desse conceito são claros: «a) todos os sujeitos envolvidos na ação típica são nivelados, desaparecendo diferenças de contribuições específicas para lesão do bem jurídico, e b) sujeitos não qualificados podem ser autores de delitos especiais (por exemplo, a qualidade de funcionário público, no peculato) ou delitos de mão-própria (o falso testemunho, a sedução, etc.), o que representa um contra-senso». Idem, p Ob. cit., p

6 Direito penal III 3. Requisitos do concurso de pessoas: observando os vários crimes realizados de forma associada ou em concurso de agentes foi possível perceber que, de modo constante, se apresentavam algumas características: a diversificação de conduta dos agentes, o dolo comum de atingir o resultado, ou a culpa ou falta de cuidado objetivo que leva à produção do resultado e a especificidade do fim visado pelo delito. Da observação dessas característica, a doutrina e jurisprudência pátria tem reconhecido os seguintes requisitos necessários para admitir o concurso de pessoas. São eles: 1.º) Pluralidade de atuantes e de condutas: para reconhecer o concurso de agentes, por lógica jurídica, será necessário que tenhamos presente, no mínimo, duas condutas para que então possamos caracterizar os agentes (autor, autores e/ou partícipes). 2.º) Relevância causal de cada conduta: as condutas dos atuantes só serão penalmente relevantes se tiverem eficácia causal, ou seja, integrarem ou auxiliarem o desenvolvimento da corrente causal produtora do resultado, o que pode ocorrer através de uma conduta também principal, uma provocação, facilitação, ou ao menos um estímulo à realização da conduta principal. Por exemplo, se uma pessoa que quer matar um desafeto empresta arma de fogo a um amigo, potencial executor do crime, mas este não utiliza a arma e nem realiza o crime, ou na hipótese de realizá-lo, utiliza uma faca, a conduta do primeiro agente (empréstimo da arma de fogo) não se adere à corrente causal produtora do resultado morte, logo, penalmente irrelevante; 8 3.º) Vínculo ou liame subjetivo ligando cada agente às diversas condutas: para que se configure o concurso de pessoas deverá existir um concurso de vontades, ou seja, os agentes ou atuantes devem ter consciência de que atuam num fato comum penalmente relevante. 9 Como afirma Capez, «é imprescindível a unidade de desígnios, ou seja, a vontade de todos de contribuir para a produção do resultado, sendo o crime produto de uma cooperação desejada e recíproca». 10 Nesse sentido, cabe fazer uma distinção importante. Para que haja concurso de agentes formado por um autor e um partícipe, basta que a vontade deste seja aderente a vontade criminosa do autor. «Embora imprescindível que as vontades se encontrem para a produção do resultado, não se exige prévio acordo, bastando apenas que uma vontade adira à outra» Para melhor visualização desse requisito indicamos os seguintes julgados: RT,386/286, 410/121, 445/329, 448/325, 489/341; RT,490/344, 536/308, 537/334, 544/421, 546/342; RT,548/285, 558/309, 572/393, 575/466; RJTJESP, 7/552, 10/477, 23/437, 29/429; RT, 546/449; JTACRimSP, 39/278;48/361 e 58/ Chame-se a atenção à observação feita por BITENCOURT: «O simples conhecimento da realização de uma infração penal ou mesmo a concordância psicológica caracterizam, no máximo, conveniência que não é punível, a título de participação, se não constituir, pelo menos, uma infração típica». Ob. cit., p Para melhor visualização desse requisito indicamos os seguintes julgados: RJTJSP, 4/314; TAPR, HC 123, RT, 544/421; JTACrimSP, 68/375; RT, 513/459; JTACrimSP,10/224 e 229, 34/435, 36/32 e 72/26; RJTJSP, 39/196; RT,404/117, 382/196, 427/447, 430/321, 433/361 e 369, 481/330; RT, 472/369, 471/318, 468/307, 470/ Ob. cit., p CAPEZ, Fernando, ob. cit., p Nesse sentido, o autor cita o seguinte exemplo: «a babá abandona o infante em uma área de intensa criminalidade, objetivando seja ele morto. Será partícipe do homicídio, sem 5

7 Prof. Fábio Freita s Dias Todavia, esclareça-se, no nosso entender, para se reconhecer a co-autoria outra forma de concurso de agentes será necessário que o vínculo subjetivo seja conhecido do outro atuante, pois, se isso não ocorrer, cada um cometeria ações por si em tudo autônomas, o que caracterizaria a chamada autoria colateral, ou seja, autorias realizadas de forma paralela sem haver o conhecimento uma da outra. Nesse sentido, vejamos um julgado que se manifesta quanto à co-autoria, uma das formas de concurso de agentes: «Na co-autoria, é essencial que o comportamento do co-autor seja relevante e eficaz no sentido da realização da ação ou na obtenção do resultado, sendo mister, também, a existência de vínculo subjetivo ou psicológico, pelo qual cada concorrente tem consciência de dar sua contribuição para a atividade criminosa de outrem» (RT 647/321). Por fim, refira-se que o vínculo subjetivo deve ser homogeneidade. Como afirma Capez, é necessária «a homogeneidade de elemento subjetivo, não se admitindo participação dolosa em crime culposo e vice-versa» º) Identidade de infração penal; deve haver uma unidade quanto ao fato penalmente relevante, ou seja, a pluralidade de atuantes e condutas, a relevância causal dessas condutas e o vínculo subjetivo entre os participantes devem convergir para um único crime Autoria e suas teorias: supomos que o surgimento de teorias para explicar a autoria e assim delimitá-la da participação, se deve a um dado principal: no concurso de pessoas as condutas realizadas não possuem o mesmo grau de importância subjetiva e objetiva, que acabam por se revelar em diferentes vontades de realização fática e em diferentes aportes ou contribuições específicas à lesão do bem jurídico. Nesse sentido, surgiram várias teorias, que passamos a analisar. a) Teoria subjetiva ou subjetiva causal: segundo esta, o conceito de autor tem caráter extensivo. É baseada na causalidade e na teoria da equivalência das condições, de forma que todo aquele que de alguma forma contribui é autor. Ou, como é comum a doutrina espanhola afirmar, autor é aquele que gerou uma condição à produção do resultado. Se assim deve ser, não é possível fazer a distinção entre autor e partícipe. Por que o assassino saiba que foi ajudado». Idem. 12 CAPEZ, Fernando, ob. cit., p É possível falar-se em concurso de agentes necessário e eventual. Nesse sentido, afirma DAMÁSIO, «Cuidase do concurso necessário no tocante aos crimes plurissubjetivos. Fala-se em concurso eventual quando, podendo o delito ser praticado por uma só pessoa, é cometido por várias. No primeiro, o concurso de pessoas é descrito pelo preceito primário da norma penal incriminadora, enquanto no segundo não existe essa previsão. Quando a pluralidade de agentes é elemento do tipo, cada concorrente responde pelo crime, mas este só se integra quando os outros contribuem para a formação da figura típica. O princípio segundo o qual quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a ele cominadas (CP, art. 29), somente é aplicável aos casos de concurso eventual, com exclusão do concurso necessário. Nestes, como a norma incriminadora exige a prática do fato por mais de uma pessoa, não há necessidade de estender-se a punição por intermédio da disposição ampliativa a todos os que o realizam. Eles estão cometendo o delito materialmente. São co-autores». Ob. cit., pp

8 Direito penal III isso se recorre aos dados subjetivos para tentar realizar essa diferenciação. Desse modo, autor seria aquele que tivesse interesse no resultado, enquanto que partícipe seria o que viesse a atuar no interesse alheio. Por outras, aquele que tem interesse no resultado típico será considerado autor, ainda que, não tenha realizado qualquer conduta que se encaixe no verbo do tipo legal, é dizer, não tenha executado parte alguma do fato descrito como crime pela fórmula legal correspondente e, ainda que, não tenha o domínio ou controle sobre a conduta de quem efetivamente a realizou. Utilizando-nos das palavras de JUAREZ CIRINO, pelo critério subjetivo (interesse ou vontade) teríamos: «a) a autoria pressupõe contribuição causal realizada com vontade de autor e, portanto, o autor quer o fato como próprio, ou seja, age com o chamado animus auctoris, mesmo sem realizar ação típica (se A garante a segurança de B com ânimo de autor, no homicídio de C, são ambos coautores); b) a participação pressupõe contribuição causal realizada com vontade de partícipe e, portanto, o partícipe quer o fato como alheio, ou seja, age com o chamado animus socii, apesar de realizar ação típica (homicídio realizado por incumbência da máfia, ou do serviço secreto, por exemplo)» 14. b) Teoria objetivo-formal: também dita de estritamente formal, conceitua o autor restritivamente, considerando que este é somente aquele que realiza a ação representada pelo verbo que compõe determinado tipo da parte especial. Segundo REGIS PRADO, para essa teoria «autor é aquele que realiza a ação típica, quer dizer, executa a ação determinada pelo núcleo do tipo (verbo reitor do tipo)». 15 Assim, tanto autor como co-autores são os executores materiais do fato criminoso, porque realizam a conduta típica. Essa teoria, portanto, se restringe à expressão literal da descrição do tipo legal para definir autor. Por isso, segundo tal orientação, autor é «aquele cujo comportamento se amolda ao círculo abrangido pela descrição típica e, como partícipe, aquele que produz qualquer outra contribuição causal ao fato». 16 c) Teoria objetivo-material: esta teoria também restringe o conceito de autor à realização típica, todavia, tentou superar a teoria objetivo-formal através da consideração da «maior perigosidade que deve caracterizar a contribuição do autor em comparação com a do partícipe». 17 Por outras, no caso concreto objetivamente pode ser avaliado qual das contribuições dos atuantes no fato-crime foi mais lesiva para o bem jurídico, é dizer, teve maior grau de contribuição para a produção do resultado. Assim, quando a conduta configura uma contribuição importante e decisiva na produção do resultado, o sujeito que a realizou será considerado autor, mas se a conduta se traduzir numa contribuição secundária que auxilia na produção do resultado, o sujeito 14 Ob. cit., pp Ob. cit., p BITENCOURT, Cezar Roberto, ob. cit., p Idem, p

9 Prof. Fábio Freita s Dias que a realizou será considerado partícipe. d) Teoria do domínio do fato: também denominada objetivo-subjetiva ou objetivo-final. Leva em consideração aspectos objetivos e subjetivos para, sinteticamente, definir o autor como «aquele que tem o domínio final do fato, enquanto o partícipe carece desse domínio». 18 Ou, como afirma Capez, «autor é aquele que detém o controle final do fato, dominando toda a realização delituosa, com plenos poderes para decidir sobre sua prática, interrupção e circunstâncias». 19 Essa teoria parte do conceito restrito de autor e assim considera que, inicialmente, autor deve estar conectado à realização do tipo legal de um determinado crime. Todavia, esse dado é insuficiente para determinar, de forma definitiva, o conceito de autor e estabelecer sua delimitação em relação ao partícipe. É necessário ainda um dado subjetivo, ou seja, a conduta típica tem de se traduzir em obra de uma vontade que comanda o curso dos acontecimentos, é dizer, direcionada para a produção de um resultado ilícito. Observe-se que, para os defensores dessa teoria, diferentemente daqueles que conceituam autor de forma restrita, a realização da figura típica não se traduz na pura execução do conduta típica representada pelo verbo. Realização da figura típica deve ser entendida como o poder ou domínio necessário para realização do fato descrito no respectivo tipo legal, pois, quem possui tal domínio final da ação, pode decidir sobre a consumação do fato típico. Dessa forma, a questão da autoria soluciona-se através de um critério relativo à conduta, não ao resultado ou aos aspectos puramente objetivos da tipicidade. A teoria do domínio do fato é sintetizada, com muita propriedade, por JUAREZ CIRINO, quando afirma: «o autor domina a realização do fato típico, controlando a continuidade ou a paralisação da ação típica; o partícipe não domina a realização do fato típico, não tem controle sobre a continuidade ou paralisação da ação típica». 20 Desse modo, não importa se o agente «pratica ou não o verbo descrito no tipo legal, pois o que a lei exige é o controle de todos os atos, desde o início da execução até a produção do resultado». 21 Assim, o cabeça de um grupo ou quadrilha que realiza roubos a bancos, que faz o planejamento da operação, escolhe as pessoas, estabelece uma cronologia e modos de execução, definindo e distribuindo tarefas para cada atuante, apesar de não ser o executor material do delito (não toma parte na execução material do fato criminoso, é 18 PRADO, Regis, ob. cit., p CAPEZ, Fernando, ob. cit., p Capez cita passagem de Wessels, defensor da teoria do domínio do fato. Para Wessels, «autor é quem, como figura central (=figura-chave) do acontecimento, possui o domínio do fato (dirigido planifcadamente ou de forma co-configurada) e pode, assim, deter ou deixar decorrer, segundo a sua vontade, a realização do tipo. Partícipe é quem, sem um domínio próprio do fato, ocasiona ou de qualquer forma promove, como figura lateral do acontecimento real, o seu cometimento». Idem, p Ob. cit., p CAPEZ, Fernando, ob. cit., p

10 Direito penal III executor intelectual), possui o domínio final de toda a operação criminosa a qual se inicia pela sua ordem ou decisão, por isso, não é mero participante, mas um efetivo autor do delito. Dessa forma, de um modo geral, podemos afirmar que autor é aquele que tem o domínio final da ação, enquanto que o participante é aquele que contribui à realização do mesmo delito, sem realizar conduta que se ajuste diretamente ao tipo legal, ou sem ter condições de decidir sobre a consumação do fato típico, o que revela a falta de domínio sobre o fato criminoso. A partir dessa teoria podemos definir duas categorias principais ou formas de realização ou contribuição à produção do fato típico: autoria e participação. A autoria pode ser direta, mediata e coletiva. A participação pode se apresentar na forma de instigação ou de cumplicidade. Vejamos cada um desses. 5. Formas de autoria: como já afirmamos, a autoria se divide em direta, mediata ou coautoria, que excepcionalmente pode se dar na forma colateral. a) Autoria direta: a autoria direita é dita também individual ou pessoal, pois, o agente realiza de forma personificada uma conduta necessária à produção ou continuidade de toda a realidade típica, ou seja, o agente tem o domínio finalístico do fato adequável a uma determinada realidade típica. Acreditamos que a expressão que retrata com precisão a autoria direta é a «exclusividade do domínio do fato» que leva á realização pessoal da conduta típica traduzida pelo verbo matar, ofender, subtrair etc. Por outras, o autor direto é o autor executor, aquele que realiza materialmente, no seu todo, a conduta descrita pelo tipo. b) Autoria mediata: a autoria mediata pode ser conceituada como a ação de quem, para executar uma determinada conduta típica, utiliza-se de um terceiro como instrumento, a fim de obter a realização material da realidade típica desejada. Assim, autor mediato é aquele que de forma consciente e planejada faz outro agir por ele, cuja conduta não reúne os requisitos necessários para ser punível pelo direito punitivo. De forma mais simples, é aquele que pratica o delito representado por terceiro sem culpa. 22 Podemos afirmar que em algumas hipóteses não haverá autoria mediata: 1) quando o suposto instrumento é na verdade autor plenamente responsável; 2) quando não houver subordinação ao poder do suposto autor mediato; 3) nos tipos de mãoprópria, que exigem realização corporal da ação típica do autor; 4) nos tipos especiais próprios, que exigem autores com qualificação especial; 5) nos tipos culposos, por não haver domínio finalístico do fato Para melhor visualização desse tema indicamos os seguintes julgados: TACrimSP, RvCrim , JTACrimSP, 92:51; TACrimSP, RvCrim , JTACrimSP, 92:49; TARS, Acrim, , JTARS, 68:62; RT, 619/ SANTOS, Juarez Cirino dos, ob. cit., p

11 Prof. Fábio Freita s Dias Essa modalidade de autoria estará presente quando o executor atua sem dolo, em virtude de erro, em obediência hierárquica, quando o executor é coagido irresistivelmente, ou, no caso de inimputabilidade do mesmo ( do executor ). Reforçando esse entendimento, JUAREZ CIRINO aponta as hipóteses em que considera possível falar em autoria mediata. Segundo ele, a autoria mediata aparece nas situações em que «o instrumento atua sem tipo, sem dolo ou por erro, conforme ao direito, sem capacidade de culpabilidade, em erro de proibição inevitável, sem liberdade por força de coação e, finalmente, sem intenção especial...». 24 c) Autoria colateral: excepcionalmente, a realização do fato típico pode se dar de forma colateral, o que não revela um concurso de agentes. Na autoria colateral, apesar de haver mais de uma conduta realizada visando à produção de um mesmo evento jurídicopenal relevante, não há o conhecimento da conduta de um agente pelo outro, logo não se configura um dolo comum de produzir o fato em conjunto, o que leva a falta de vínculo subjetivo e à conseqüente negação do concurso de agentes. Como menciona BITENCOURT, haverá autoria colateral quando «duas ou mais pessoas, ignorando uma a contribuição da outra, realizam condutas convergentes objetivando a execução da mesma infração penal. É o agir conjunto de vários agentes, sem reciprocidade consensual, no empreendimento criminoso que identifica a autoria colateral». 25 O que difere a autoria colateral do concurso, portanto, é a ausência de vínculo subjetivo. O exemplo clássico de autoria colateral é o seguinte: duas pessoas desejam matar o mesmo inimigo. Um sem saber da decisão do outro, aproveitando o gosto de seu inimigo pela caça, normalmente realizada aos sábados numa determinada mata, postamse em posições que lhe darão uma vista privilegiada para, com um tiro de arma de fogo, atingi-lo e matá-lo. Um desconhecendo a presença do outro, atiram no seu inimigo ao mesmo tempo provocando-lhe a morte. Caso não se possa determinar qual o tiro provocou a morte, ambos respondem por tentativa. 26 Se for possível identificar o tiro 24 Idem, p As hipóteses são: «a) o instrumento realiza ação atípica por erro provocado pelo autor mediato: o poder do líder da seita religiosa conduz o adepto ao suicídio voluntário, pela ilusão de alcançar vida nova no paraíso, induzida pela confiança cega do crente no mentor espiritual; b) o instrumento realiza ação típica por erro de tipo induzido ou mantido pelo autor mediato: o médico mata o paciente utilizando a inocente enfermeira como instrumento para aplicar injeção mortal previamente preparada; c) o instrumento realiza ação justificada por pressupostos objetivos de justificação criados artificialmente pelo autor mediato: o autor mediato induz doente mental a agredir o instrumento, que mata o doente mental em legítima defesa, como planejado pelo autor mediato; d) o psiquismo defeituoso ou subdesenvolvido de instrumento incapaz de culpabilidade é utilizado pelo autor mediato: doente mental é incumbido de produzir incêndio (haveria instigação, se o instrumento possui capacidade de compreensão ou decisão); e) o instrumento atua em erro de proibição inevitável induzido ou mantido pelo autor mediato: policial comete crime em cumprimento de ordem de superior hierárquico, sem possibilidade de conhecendo da ilegalidade da ordem (instigação do superior hierárquico e autoria direta do subordinado, se este conhece a ilegalidade da ordem; f) o instrumento atua sem liberdade: sob ameaça de morte o autor mediato obriga o instrumento a atropelar pedestre; g) o instrumento, por erro provocado pelo autor mediato, atua sem a intenção especial exigida pelo tipo legal: o autor mediato se apropria de objeto alheio entregue, erroneamente, pelo instrumento; h) instrumento nãoresponsável é manipulado pela utilização de aparelhos de poder organizados: o dirigente de organização criminosa (máfia, terrorismo policial, etc) obriga o instrumento a cometer crimes (co-autoria, se o instrumento é responsável pela ação». Idem, pp Ob. cit., p Segundo alguns autores, entre eles Damásio, pode haver o que chamam de autoria incerta, uma espécie 10

12 Direito penal III mortal, um responderá por homicídio, o outro por tentativa. 27 d) Autoria coletiva ou co-autoria: é a realização adjacente de várias pessoas de um determinado crime, que agiram consciente e voluntariamente para sua produção e que, necessariamente, possuem de forma conjunta o domínio da realização do fato, o que revela um plano comum com distribuição de funções na realização do mútuo acordo criminoso. A caracterização da co-autoria se funda na cooperação consciente recíproca, expressa ou tácita, derivada de acordo pré-estabelecido entre os agentes. Ocorre aqui, manifestações unilaterais convergentes para um mesmo ponto, o da cooperação consciente e desejada, é dizer, quanto à vontade de contribuir para o fim específico e único, de forma a caracterizar um acordo plurilateral. Observe-se que o momento em que deve estar presente esse acordo, que leva a uma decisão comum da prática criminosa, deve ocorrer antes da realização do fato. Todavia, de forma excepcional, «pode ocorrer durante a realização até a terminação do fato típico...». 28 Segundo JUAREZ CIRINO, o que caracteriza definitivamente a autoria coletiva é o domínio comum do fato que se demonstra pela divisão de tarefas dos co-autores. Assim, a «convergência subjetiva e objetiva dos co-autores exprime acordo de vontades, expresso ou tácito, para realizar fato típico determinado». 29 Podemos afirmar que na co-autoria é possível estar presente basicamente dois tipos de autores: os autores executores e os autores intelectuais. Os autores executores serão aqueles que materialmente realizam condutas que, no todo ou em parte, se encaixam na conduta descrita num determinado tipo de delito. Já os autores intelectuais são aqueles que, sem executar diretamente a conduta típica, possuem, o domínio dela porque, planejaram, organizaram, escolheram pessoas e dividiram tarefas, de forma que podem decidir sobre sua interrupção, modificação, continuação ou consumação. AUTORIA Q u a d r o G e r a l d a A u t o r i a Individual ou direta: se o autor realiza pessoalmente todas as características do tipo legal; realização pessoal da realidade típica. Mediata: utilização de outrem como instrumento para realização do fato típico. Autoria coletiva (ou co-autoria): se vários autores realizam em comum o fato típico; decisão e realização comum do tipo. Excepcionalmente pode ser colateral: se vários autores realizam, independentemente um do outro, o mesmo fato típico. de subclasse da autoria colateral. Segundo Damásio, haverá autoria incerta quando, «na autoria colateral, não se apura a quem atribuir a produção do evento». Ob. cit., p Sobre autoria colateral ver TJDF, RCrim 666, RDJTJDFT, 20: SANTOS, Juarez Cirino dos, ob. cit., p Idem, p

13 Prof. Fábio Freita s Dias CONCURSO DE PESSOAS. PARTICIPAÇÃO. CONCEITO. ESPÉCIES: INSTIGAÇÃO E CUMPLICIDADE. PUNIBILIDADE DO CONCURSO DE AGENTES. PARTICIPAÇÃO DE MENOR IMPORTÂNCIA E COOPERAÇÃO DOLOSAMENTE DISTINTA. 1. Conceito de participação: em termos gerais, participar significa tomar parte em alguma coisa, o que revela uma idéia de dependência, solidariedade ou acessoriedade. Desse modo, a participação é uma forma de concorrer na prática delituosa de outrem. O que deve ficar claro, em temos jurídico-penais, é que quem participa não realiza fato próprio, realiza contribuição para fato que está sob domínio de outrem, o que deve acontecer em qualquer das etapas do iter criminis, desde a cogitação até a consumação, ou ainda até mesmo antes desse (caso da determinação). Podemos formular uma conclusão definitiva em face do que já foi dito: o partícipe não executa materialmente a conduta típica, por outras, intervém no fato alheio sem executar atos que se encaixam na conduta material definida na figura típica e, o que é mais importante, sem ter a possibilidade de decidir pela modificação, paralisação ou consumação do delito, pois, não possuem o domínio finalístico do fato. Por isso, a posição subsidiária do partícipe é determinada, conjuntamente, pelo aspecto subjetivo que domina a sua atuação e principalmente pela objetividade de sua posição ou situação no que se refere à modificação, paralisação ou consumação do delito, dado revelador da sua falta de domínio do fato. O partícipe colabora ou contribui à consumação do delito, mas não está em condições de decidir porque não tem esse poder sobre sua continuidade, modificação, paralisação ou consumação. Nesse sentido, REGIS PRADO destaca a necessidade de observar os elementos que compõem a participação: 1.º) «elemento objetivo (comportamento no sentido de auxiliar, contribuir)»; 2.º) «elemento subjetivo (ajuste, acordo de vontades, ou melhor, suficiente a voluntária adesão de uma atividade a outra). O partícipe deve agir com consciência e vontade de contribuir para a prática do delito (dolo)». 30 No sentido do que até aqui foi dito, MUÑOZ CONDE afirma que a participação é a «cooperação dolosa em um delito doloso alheio. Desta definição se depreende que a participação é um conceito de referência, já que supõe a existência de um fato alheio (o do autor o co-autores materiais), a cuja realização o partícipe contribui». 31 No mesmo sentido, o entendimento de BITENCOURT ao afirmar que o partícipe «não pratica a conduta descrita pelo preceito primário da norma penal, mas realiza uma atividade secundária que contribui, estimula ou favorece a execução da conduta proibida» Ob. cit., p Referência traduzida por nós, retirada da obra BITENCOURT, Cezar Roberto/MUÑOZ CONDE, Francisco, Teoria Geral do Delito, São Paulo: Saraiva, 2000, p Ob. cit., p Observe-se que a doutrina costuma afirmar que e aqui, mais uma vez, nos utilizamos das palavras de BITENCOURT a norma que estabelece a punição do partícipe «implica uma ampliação da punibilidade de comportamentos que, de outro modo, seriam impunes, pois as prescrições da Parte Especial do Código não abrangem o comportamento do partícipe. BETTIOL insiste que o critério distintivo entre autor e partícipe deve apoiar-se na tipicidade, sendo que a tipicidade da conduta do partícipe decorre da norma 12

14 Direito penal III Assim, para que possamos falar em participação, temos de verificar, inicialmente, como fator decisivo e indispensável, a atuação de um autor ou co-autor que terá de configurar, ao menos, um início de execução do crime, o que acaba por se revelar numa verdadeira condição existencial e lógica da participação. 33 Como afirma JUAREZ CIRINO, a «participação depende da existência do fato principal, assim como a parte depende do todo» Vinculo subjetivo na participação: cabe uma rápida análise sobre o aspecto subjetivo na participação. Na participação, a cooperação poderá acontecer unilateralmente, isto é, sem que o agente principal permita ou conheça da contribuição, o que não é possível na co-autoria. Por outras palavras, para haver participação não é exigível um acordo prévio entre autor e partícipe, bastando que uma manifestação voluntária individual seja adicionada à do autor. É elucidativo o seguinte exemplo: uma empregada doméstica, percebe que potenciais assaltantes rondam a casa onde trabalha, e para se vingar de seus empregadores, deixa a porta destrancada de propósito para facilitar a entrada e a prática do furto e depois se esconde, sendo tudo filmado por câmaras de segurança ocultas. Nesse caso, será ela partícipe, ainda que, os assaltantes desconhecessem a colaboração da doméstica. Como afirmam FRAGOSO e HUNGRIA: «...do ponto de vista subjetivo, a participação requer vontade livre e consciente de cooperar na ação delituosa de outrem. Não se exige o prévio concerto, bastando que o partícipe tenha consciência de contribuir para o crime. A consciência da cooperação pode faltar no autor, como no exemplo do criado que deixa aberta a porta para facilitar o ladrão, que desconhece o auxílio. Como se pode perceber, o conteúdo subjetivo do comportamento do partícipe é diferente do que se exige para o autor e bastaria isso para justificar a distinção que a doutrina realiza». 35 referente à participação, enquanto a tipicidade da conduta do autor decorre da norma principal incriminadora». Idem, pp Se o partícipe contribui instigando ou emprestando arma de fogo para realização de um homicídio, tais participações só serão penalmente relevantes se o homicídio for ao menos tentado, caso contrário serão participações impuníveis. Cabe ressaltar, mais uma vez utilizando-nos dos ensinamentos de Bitencourt que duas teorias fundamentam a punição da punibilidade dos partícipes. Optamos por mencionar apenas a teoria dominante, a chamada teoria do favorecimento ou da causação. «O fundamento da punição do partícipe, para essa teoria, reside no fato de ter favorecido ou induzido o autor a praticar um fato socialmente intolerável, conseqüentemente típico e antijurídico. O agente é punível não porque colaborou na ação de outrem, mas porque, com a sua ação ou omissão, contribuiu para que o crime fosse cometido. O desvalor da participação no fato está em causa ou favorecer a lesão não justificada de um bem jurídico tutelado por parte do autor. É indiferente que o autor aja ou não culpavelmente. Para essa teoria a vontade do partícipe deve dirigir-se à execução do fato principal. Deixa claro, contudo, que o partícipe não viola por si mesmo a norma típica, mas que o seu injusto consiste em colaborar na violação da norma por parte do autor. O injusto do fato do partícipe dependerá, conseqüentemente, do injusto do fato principal». Idem, p SANTOS, Juarez Cirino dos, ob. cit., p «A dependência da participação em face do fato principal refere-se ao conteúdo de injusto respectivo: a participação não tem conteúdo de injusto próprio e, por isso, assume o conteúdo de injusto do fato principal; por outro lado, a dependência da participação é limitada à tipicidade e antijuridicidade do fato principal, ou seja, ao tipo de injusto do fato principal. A dependência da participação, limitada à tipicidade e antijuridicidade do fato principal, constitui a chamada acessoriedade limitada da participação (a antiga acessoriedeade extrema, hoje abandonada, exigia, também, a cumplicidade do fato principal)». Ibidem. 35 Ob. cit., p

15 Ilustra a posição dos citados penalistas o seguinte julgado: Prof. Fábio Freita s Dias «O certo é que o liame psicológico vinculando os co-partícipes não precisa, necessariamente, decorrer de um prévio concerto. A scientia maleficii, como lembra Costa e Silva, exige apenas a consciência do agente de que está concorrendo para um delito comum. Basta a sua vontade de fazê-lo, ainda que sem seu prévio conhecimento e sua antecipada aprovação. A convergência da vontades pode ocorrer antes, durante e até depois de iniciada a conduta criminosa (cf. Código Penal, p. 199)» (RJTJSP 28/380). O elemento subjetivo na participação é exigível somente do partícipe, podendo faltar em relação ao autor. Para melhor elucidar o tema, cabe o exemplo formulado por DAMÁSIO. Segundo ele se «A, sabendo que B vai matar C e desejando a morte deste, furta-lhe o revólver com o qual poderia defender-se», será considerado partícipe do homicídio, mesmo que B não soubesse da sua contribuição. Todavia, uma exigência deve ser feita em relação ao elemento subjetivo na participação: sua homogeneidade, ou seja, o mesmo elemento subjetivo em relação ao fato criminoso. Por outras, autor e partícipe, cada um no seu âmbito de atuação, devem ser impulsionados por um mesmo elemento subjetivo, caso contrário, o concurso de agentes na modalidade «participação» não se configurará. 36 Disso surgem conclusões: 1.ª) Não pode haver participação dolosa em crime culposo. Exemplo: «A, desejando matar C, entrega a B uma arma, fazendo-o supor que está descarregada e induzindo-o a acionar o gatilho na direção da vítima. B, imprudentemente aciona o gatilho e mata C». 37 A responderia por homicídio doloso e B por homicídio culposo. Não há concurso de agentes nesse caso. 2.ª) Não pode haver participação culposa em crime doloso. Exemplo: «um médico, negligentemente, entrega a uma enfermeira um veneno, supondo-o substância medicinal. Ela, percebendo o engano, mas com intenção de matar o doente, ministra-lhe a substância fatal». O médico responderia por homicídio culposo e a enfermeira por homicídio doloso. Não há concurso de agentes nesse caso. 3. Espécies de participação: a doutrina é praticamente unânime em apontar duas formas básicas de participação: a instigação e a cumplicidade. A participação é sempre «participação na conduta do autor, que pode ter a forma de instigação (quando se incentiva alguém ao cometimento de um injusto ou de um delito) ou de cumplicidade (quando se coopera com alguém em sua conduta delitiva)». 38 Tendo em vista que a instigação é uma forma de participação moral e a cumplicidade é uma forma de 36 Nesse sentido, JESUS, Damásio E. de, ob. cit., p Ibidem. 38 ZAFFARONI, Eugênio Raúl/PIERANGELI, José Henrique, Manual de Direito Penal brasileiro. Parte Geral, 4.ª ed., São Paulo: RT, 2002, p

16 Direito penal III participação material, preferimos a divisão cunhada por alguns autores. 39 a) Participação moral: a participação moral, enquanto aquela contribuição que age no aspecto subjetivo ou na vontade do potencial autor do delito, se revela e nesse ponto tem razão DAMÁSIO através da determinação e da instigação. Haverá instigação quando o partícipe atua de forma a fazer aumentar a vontade do autor (instigado) de praticar um ilícito-típico, ou por outras, «estimular a preexistente resolução delituosa. Pode ocorrer de duas maneiras: a) mediante reforço da resolução de o executor cometer o delito; b) mediante promessa de ajuda material ou moral após o cometimento». 40 Assim, o instigador anima ou estimula uma resolução subjetiva preexistente no psiquismo do agente, «não tomando parte nem na execução nem no domínio do fato». 41 Já a determinação ou induzimento se caracteriza pela criação da idéia e da vontade no potencial autor do delito. Observem o seguinte exemplo: A e B dois colegas de aula, depois de terem consumido grande quantidade de bebida alcoólica numa festa da turma, discutem seriamente quase chegando às vias de fato. Apartados por dois professores e outros colegas, são convencidos da bobagem que cometeram e prontamente se abraçam, não restando qualquer resquício de ressentimento. C, que não gostava de B, induz A a tirar satisfações, incutindo da sua mente que só uma surra poderia retribuir a ofensa feita. Ao final da festa A agride B provocando-lhe lesões graves. Veja-se que no exemplo não havia uma resolução criminosa predefinida, é a atuação moral de C que a cria. 42 Obviamente, como é característico do crime, a observação das circunstâncias fáticas nos dará muitas respostas, mas podemos dizer que um dado é importante para definir se a participação é penalmente relevante: a intervenção do partícipe e sua conexão com o crime realizado. Se chegarmos a conclusão que o crime não teria se realizado sem a contribuição moral do partícipe, então a participação é relevante. 43 b) Material: essa se traduz na cumplicidade que pode ser identificada também pela expressão auxílio. Ocorre quando o partícipe auxilia materialmente no fato, através de conduta que não caracteriza o domínio finalístico do fato, mas que se insere no 39 Entre eles JESUS, Damásio E. de, ob. cit., p É possível, ainda, segundo a doutrina, falar-se de participação em cadeia (ocorre a colaboração no ato do partícipe, p. ex., A intiga B a auxiliar C em um crime), em participação sucessiva (quando o agente instiga um terceiro a praticar o delito e, um outro agente desconhecedor da indução anterior, instiga o mesmo terceiro a praticar o mesmo delito, p. ex., A instiga B a cometer lesões em C. Após essa participação, D, desconhecendo a anterior instigação, também instiga B a cometer lesões em C.) e participação da participação (quando o autor instiga um terceiro, que instiga outrem a realizar o ato criminoso, p. ex., A induz B a induzir C roubar um colar de pérolas). 40 Idem, p BITENCOURT, Cezar Roberto, ob. cit., p Segundo o art. 31 do CP, uma das formas de participação é o ajuste, que nada mais é do que um acordo de vontades ou uma combinação de várias pessoas para um determinado fim criminoso, o que pressupõe resolução determinada. Sinteticamente é acordo firmado para praticar o crime. 43 Segundo DAMÁSIO, é «irrelevante que o executor pratique o fato delituoso imediatamente à determinação ou que o cometa depois de longo tempo. Pode apresentar-se sob as formas de mandato, paga, promessa, ordem ou artifício». Ob. cit., p

17 autor». 46 Expõe bem DAMÁSIO quando exemplifica a cumplicidade: Prof. Fábio Freita s Dias «processo da causalidade física», 44 é dizer, ainda que mínima deve ter alguma eficácia causal e reunir uma certa perigosidade. 45 Cumplicidade, segundo JUAREZ CIRINO, significa «ajuda dolosa para fato típico e antijurídico doloso de outrem: o cúmplice (ou auxiliar) presta ajuda para realização do fato principal, e também não controla a realização do fato punível, poder exercido pelo «Auxilia na preparação quem fornece a arma ou informações úteis à realização do crime. Auxilia na execução quem permanece de atalaia, no sentido de avisar o autor da aproximação de terceiro, leva o ladrão em seu veículo ao local do furto, carrega a arma do homicida etc. Nos dois últimos exemplos, imprescindível é a consciência de estar cooperando na realização do crime. De ver-se que só há participação se o sujeito não tem o domínio do fato. Se possuir é co-autor». 47 Q u a d r o G e r a l s o b r e A u t o r i a e P a r t i c i p a ç ã o Participação (em fato principal doloso de outrem) Moral:contribuição que age no aspecto subjetivo ou na vontade do potencial autor do delito Material: ocorre quando o partícipe auxilia materialmente no fato, através de conduta que não caracteriza o domínio finalístico do fato Instigação:quando se incentiva alguém ao cometimento de um injusto ou de um delito Determinação: se caracteriza pela criação da idéia e da vontade no potencial autor do delito Cumplicidade ou auxílio: é a forma de participação material, consiste numa atividade extratípica acessória, de auxílio ou colaboração com o autor 4. Participação e arrependimento: é possível falar-se de arrependimento do partícipe na forma da desistência ou do arrependimento eficaz. Em face da dependência que existe entre a conduta acessória e a conduta principal é possível admitir-se as seguintes hipóteses: 1.º) Se o partícipe, arrependendo-se de sua conduta acessória, impedir de qualquer forma que a execução do autor tenha início, não haverá fato punível. Exemplo: A instiga B a matar C. B compra a arma, escolhe o local de onde irá disparar os tiros e no momento em que irá disparar a arma é surpreendido pelo seu instigador que, 44 JESUS, Damásio E. de, ob. cit., p A perigosidade da atuação material do partícipe é requerida por Muñoz Conde, mas que através de um exemplo demonstra ser necessário ainda a eficácia causal da contribuição: «ainda que a conduta de quem entrega ao autor de um roubo uma gazua [chave falsa utilizada furtos e roubos] para forçar a fechadura de uma porta pode qualificar-se de perigosa, o sujeito não responderia, sem embargo, como cúmplice se finalmente a gazua não é utilizada no roubo (p. ex., porque o ladrão entra a roubar a casa por uma janela que se encontrava aberta)». Referência traduzida por nós, retirada da obra BITENCOURT, Cezar Roberto/MUÑOZ CONDE, Francisco, Teoria Geral do Delito, São Paulo: Saraiva, 2000, p SANTOS, Juarez Cirino dos, ob. cit., p JESUS, Damásio E. de, ob. cit., p

18 Direito penal III arrependido, demove-lhe a idéia do homicídio. Nesse caso, tendo em vista que a execução sequer teve início, não haverá fato punível. 2.º) Se o partícipe desiste da conduta acessória, no curso da sua execução, não responderá pelo fato principal se este vier a ocorrer, pois, não possui o domínio do fato. Exemplo: o partícipe tem a incumbência de levar o homicida até o local do crime, no meio do caminho desiste voluntariamente, deixando-o no meio do caminho. Nesse caso, mesmo que o homicídio venha a se consumar, a conduta acessória é impunível em face da desistência voluntária. 3.º) Se o partícipe se arrepende da sua conduta acessória, «resultando inútil o seu esforço para evitar a execução ou consumação por parte do autor principal: o arrependido responde pelo fato cometido pelo autor principal» Punibilidade no concurso de agentes: conforme for a contribuição de cada atuante para o desenrolar do fato-crime, responderá como autor, co-autor ou partícipe. Todos responderão pelo mesmo crime, porém, em face do juízo de reprovação que recairá sobre cada um, a pena concreta à culpabilidade se adequará. Mas, ainda, pode ocorrer a participação de menor importância (art. 29, 1.º, CP) e a cooperação dolosa distinta (art. 29, 2.º, CP). Assim, podemos ter três hipóteses quanto a aplicação da pena: a) Caput do art. 29: aplicado para autores, co-autores e partícipes, partindo dos mesmos limites mínimo e máximo abstratamente previstos no tipo de um crime determinado, o juiz fará a diferenciação de pena na sua concretização, na medida da culpabilidade de cada atuante. Obviamente que os partícipes receberão pena menor. b) Parágrafo 1.º: é aplicado somente para os partícipes já que se refere à participação de menor importância. Conforme o caso e dependendo das circunstâncias fáticas, se caracterizará quando a conduta do partícipe demonstra leve eficácia causal. A título de exemplo podemos citar o seguinte julgado: «É de pequena importância (art. 29, 1.º, CP) a participação do agente que não atua diretamente na execução do roubo; permanecer à distância em seu carro, apenas disponível para acudir os parceiros numa emergência; e acaba por não intervir para o êxito da empreitada criminosa, não sendo o seu veículo utilizado quer no transporte quer na fuga dos comparsas». (RTJE 73/274). Sendo essa hipótese uma causa especial de diminuição da pena, o juiz deverá aplicar a causa de diminuição (na fase da pena definitiva), que varia quantitativamente 48 JESUS, Damásio E. de, ob. cit., p Essa regra funciona para o co-autor, como podemos observar no seguinte julgado: «Co-autoria. Plano ideado pelo recorrente e desenvolvido pela prática de atos sucessivos pelos réus. Consumação a cargo de um co-réu. Alegada desistência voluntária do recorrente que foi considerada irrelevante pelo acórdão, porque inapta para impedir que o co-réu encarregado da consumação cometesse o delito. Ineficácia de tal arrependimento, apreciada pelo acórdão diante das circunstâncias do fato». (STF, Recuso especial relatado por Rodrigues de Alckmin, publicado: DJU de 10/3/78, p ). 17

19 Prof. Fábio Freita s Dias entre 1/6 a 1/3. c) Parágrafo 2.º: é aplicado somente para os partícipes e co-autores. A cooperação dolosa distinta ocorre quando o partícipe ou co-autor quis atuar para produção de crime menos grave. Exemplo: A determina a B dar uma surra em C. B se excede e causa a morte de C. Segundo o dispositivo legal, em caso de desvio subjetivo da conduta, fica determinado que «a culpabilidade seja mensurada individualmente, com a aplicação proporcional da pena». 49 Esse desvio vai gerar um excesso. Sobre esse tema podemos afirmar que o excesso «em relação ao fato típico objeto da decisão comum só é atribuível ao seu autor exceto na hipótese de previsibilidade do resultado mais grave (em decisão comum de lesão corporal, o homicídio da vítima constitui excesso só atribuível ao autor; em decisão comum de simples coação, a prática de roubo constitui excesso atribuível exclusivamente ao autor, etc.)» 50 conforme a regra do 2.º do CP. Assim, o partícipe ou co-autor responderá pelo crime mais grave, com a pena aumentada até a metade, se nas circunstâncias era previsível o resultado, conforme segunda parte do 2.º, do art. 29, CP. 49 PRADO, Regis, ob. cit., p SANTOS, Juarez Cirino dos, ob. cit., p Observe-se que nos tipos de mão-própria e crimes especiais próprios, não admite co-autoria, mas admite a condenação à título de participação. Já no casos dos tipos qualificados pelo resultado «a atribuição do resultado mais grave pressupõe, no mínimo, imprudência do coautor (ou do partícipe)».idem, p

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