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1 Evolução O programa e efeitos Sonia Bolsa Rocha sobre 2 Família a pobreza 1 Resumo Depois Brasil, focalização 2004 domicílios de um breve retrospecto da evolução das transferências de renda focalizadas nos pobres no se este artigo analisa a evolução recente programa Bolsa Família no que diz respeito à elegíveis e cobertura da sua população alvo, utilizando informações do suplemento das PNADs em e ao final Apesar 2006, o há programa evidências ter atingido que cerca sua de meta 3,4 milhões de atendimento domicílios de 11 elegíveis milhões ainda de Palavras chave: encontram tem maior a descoberto. impacto Simulações sobre os indicadores evidenciam de que pobreza garantir que a conceder cobertura o de novo todos benefício, os domicílios criado Abstract 2008, aos jovens nos domicílios já atendidos pelo programa. The Política social; Rendimento; Bolsa Família; Transferência de renda; Pobreza. After information Brazilian Bolsa-Familia Program. Evolution and impacts on poverty that million a brief retrospective of the evolution of income transfer programs in Brazil, this article uses the from the 2004 and 2006 official national household survey (PNAD) in order to analyze to recent the BF evolution met its of goal the of Bolsa assisting Familia 11 program million regarding households targeting by the and end coverage. of 2006, still Despite around the fact 3.4 Keywords: eligible households do not receive the transfer benefit. Simulations show that guaranteeing JEL grant basic I32. the income new Social benefit transfer policy; - created to Income; all eligible in Income 2008 households - to transfer; youngsters has Poverty. a who stronger live in impact the already poverty assisted indicators households. than o Introdução criação, Em dezembro de 2006, o programa Bolsa Família (BF) atingiu a meta de unificar cobertura carro-chefe em o da conjunto outubro sua da população política de de 2003, programas social alvo foi estabelecida realizado governo preexistentes um pelo Lula. esforço Governo, Nos de importante transferência três consolidando-se anos no desde sentido a renda como sua de novos. empreendendo diferentes focalizados programas nos a pobres, revisão de cadastral criados transferência a das partir famílias que dos podem meados e eliminando ser da caracterizados década superposições de noventa, como dos RJ, Brasil. (1) (2) Trabalho Economista recebido / Pesquisadora Economia em janeiro do de e Instituto Sociedade, 2009 e de aprovado Estudos Campinas, em do dezembro Trabalho v. 20, de n. e Sociedade (41), p. (IETS), , Rio abr. de Janeiro, 2011.

2 Sonia visibilidade Rocha social, estaria A experiência brasileira com o programa BF vem adquirindo crescente cobrindo, internacional, suscitando o interesse de especialistas em política estes por diversas razões. A primeira são seus números impressionantes, já que reunisse concedendo de forma regular cerca de 11 milhões de benefícios mensais, operacionalização portanto, 19,4% do total de domicílios brasileiros em No entanto, termos números uma seriam série e, sobretudo, certamente de características se não um tivesse passivo atraentes ficado para evidente o programa concepção o seu caso sucesso ele e não em de realizadas do pobreza de focalização: com dispêndio relativamente modesto, que não chega a 1% não PIB, foi possível atingir rapidamente resultados significativos de redução da desigualdade seja o e em indicador da 2004 desigualdade de renda, foram mais sensível capazes medida de renda. às pelo de transferências. reduzir Estudos coeficiente a proporção mostraram de Paralelamente, Gini de entre que pobres, as % transferências embora e da 2004, queda este se por seus deveram exclusivamente às novas transferências (Soares, 2006). independentes A respeitabilidade do programa deve-se, em grande parte, ao fato de que Desenvolvimento impactos puderam ser empiricamente avaliados a partir da Pesquisa Nacional programa, Amostra Domicílios PNAD/IBGE. Trata-se, portanto, de evidências específica das informações administrativas oriundas do Ministério do Social e Combate à Fome (MDS), responsável direto pelo este (CEDEPLAR, embora o próprio 2006). Assim, ministério em 2004, tenha cerca empreendido de um ano uma após avaliação a criação questionário BF novo e ainda guarda-chuva, pleno processo foi aplicado de unificação um questionário dos programas suplementar preexistentes à totalidade sob além dos específicos 145 de um mil quesito de indagava domicílios transferência aberto sobre da sobre de amostra a a renda participação investigada federais do em em outros domicílio pela operação PNAD programas.3 naquele naquele sete programas momento, ano. O (Rocha, programa Embora 2008a; advindo houvesse Soares dos registros et incompatibilidade al., administrativos 2006), as entre características e aquele o número derivado dos beneficiários domicílios da PNAD 2004 que por realizada declararam adequada, boa. Pode-se localmente, tendo receber dizer em vista transferências mesmo isto o é, fato de que forma de que a evidenciaram focalização descentralizada, a seleção dos revelou-se uma beneficiários a focalização partir surpreendentemente do metas relativamente programa definidas foi meados pelo MDS quanto ao número de domicílios a serem atendidos em cada município. 114 Auxílio (Benefício da (3) Gás, de década Os Prestação Cartão programas de noventa Alimentação, Continuada federais (Programa investigados incluíam tanto os novos programas federais criados a partir de Economia a Bolsa idosos de e Família), Sociedade, e Erradicação deficientes). assim Campinas, do Trabalho como os v. Infantil, 20, programas n. Bolsa 1 (41), constitucionais Escola, p , Bolsa Alimentação, preexistentes abr

3 O programa Bolsa Família. Evolução e efeitos sobre a pobreza noventa, cadastramento implantação Embora esta cooperação entre governo federal e governos municipais para o rede de assistência este dos não e seleção é novos social um procedimento estruturada dos programas beneficiários aliada sem de risco, à tenha transferência, tradição tendo sido clientelista em adotada vista em meados a desde local. ausência o dos início de anos uma de obtidos Passados dois anos após a aplicação do primeiro questionário suplementar, transferências a PNAD em , de no renda. avaliar momento incorporou O em objetivo em que um que medida deste novo o governo texto e suplemento é, que considerou fazendo direção sobre referência avançaram estarem os programas aos praticamente as resultados novas de indicadores de finalizados os processos de expansão de cobertura e unificação sob o BF dos assim programas 2006, são de feitas transferência simulações de renda de forma preexistentes. a examinar Ademais, o impacto utilizando provável os sobre dados atendidos. como de pobreza modificações da cobertura introduzidas completa no desenho da população do programa alvo em programa, 2008, a histórico, saber, o pagamento de um auxílio aos jovens 16 e 17 anos nos domicílios renda processo Este texto está organizado da seguinte maneira. Depois de um breve preexistentes, no na Brasil, de próxima unificação a seção seção, 2 dos discute sobre vários a a evolução expansão programas dos da programas cobertura de transferência de Bolsa transferência Família de renda e de o 2004 que atendiam a clientelas específicas no conjunto mais amplo dos imputação pobres. Discute-se ainda a questão focalização e do tamanho da população alvo recebiam ainda não coberta pelo programa, dando ênfase especial à evolução ocorrida entre relativas e A seção 3 descreve os possíveis impactos sobre a pobreza da ser do benefício do BF aos domicílios que, embora elegíveis, ainda não longo ao transferência novo benefício de destinado renda do aos programa. jovens de São 16 feitas e 17 anos, também que simulações começou a 1 Da pago criação do em março de Finalmente, sintetiza-se os pontos levantados ao Ao texto tratar e e expansão as do conclusões. BF e dos programas federais preexistentes de transferência que ele incorpora, de renda criados é, mais desde pobres 1995, é já importante existiam no destacar Brasil desde que transferências a década de de setenta. renda Tinham, focalizadas porém, nos 1988, pouca visibilidade, além cobertura bastante limitada da sua população alvo, isto Social garantirem idosos Economia e, (LOAS), e em e seus Sociedade, particular, portadores em meios deficiência com renda monetária insuficiente para Campinas, 1993, a de partir sobrevivência. Somente a partir da Constituição de v. este 20, da n. programa regulamentação 1 (41), p , de transferência da abr. Lei Orgânica adquire da importância Assistência 115

4 Sonia crescente, Rocha tanto em função do aumento paulatino da clientela atendida, como do consequência, valor este programa benefício, se diferencia que passou marcadamente a corresponder dos novos a um salário programas mínimo. criados Ainda a partir hoje àqueles dos meados década de noventa, por ter embasamento constitucional e, em criação regras bem definidas de fixação e reajuste do valor benefício. na idade Na do no programa escolaridade verdade, âmbito de os LOAS transferência obrigatória, novos tiveram programas que de renda fazia como federais parte para ponto famílias da plataforma de novos partida pobres de a por com proposta candidatura oposição crianças de bem-estar, era famílias presidencial do Partido dos Trabalhadores (PT) às eleições de A proposta desigualdade especialmente assistidas, ao ao mesmo incentivar atrativa melhorando tempo por a escolarização atenuar de em imediato que a insuficiência atacava das seu crianças nível as de raízes oriundas renda consumo presente pobreza de privado famílias para e da de as significativamente baixa renda. Deste modo, o objetivo era também atuar sobre causas estruturais financiamento da vantagem pobreza de de focalizar e forma a gestão população a o reduzi-la benefício do programa. beneficiária,4 no num futuro. subconjunto Operacionalmente, o que de amenizava famílias a pobres, os proposta problemas reduzindo tinha a pobreza Com a derrota do PT nas eleições presidenciais, iniciativas pioneiras situava implementação efetiva um programa deste tipo, que passou ser conhecido eram como Bolsa não atingia Escola, níveis se deram críticos, a nível a abrangência local, mas de em serviços áreas onde públicos a incidência básicos de se o pioneiros programa menos bem sua fosse acima graves.5 consequente visto da como A média forma boa uma nacional aceitação criteriosa panacéia e as nos para de restrições meios implementação problema especializados financeiras pobreza, desses do levaram poder programas ignorando a local que emprego a enorme gama de diferenciações que assume o fenômeno da Brasil. número Assim, redistributivos por e renda volta do se plano de mostravam de 1996/1997, estabilização inquietantes quando tinham (Rocha, ficou se esgotado evidente 2001), e houve que as condições um os grande efeitos de salário de iniciativas municipais no sentido de criar as bases legais para a tinha (4) Para que se tenha uma ideia do impacto da utilização do critério de focalização baseado na presença políticas crianças de 7 a 14 anos na família: enquanto o número de famílias com renda familiar per capita inferior a ½ Distrito mínimo era de 769 mil nas áreas metropolitanas em 1996, apenas cerca da metade, ou 382 mil famílias, 116 voltada crianças nesta faixa etária (Rocha, 1999). programa (5) O programa implementado no Município de Campinas em 1995 veio se articular a um conjunto de Cristóvão para Federal, municipais Buarque. atendia o segmento o cerca programa de assistência de mais 25 foi pobre concebido social às de famílias forma mais a se pobres, constituir beneficiando no próprio cerca centro articulador famílias. da política Já no Economia mil famílias da população e Sociedade, no início local. de Campinas, Implementado 1999, mas v. não 20, progressivamente teve n. 1 continuidade (41), p , nas após cidades o abr. governo satélites, de o

5 Parte implementação O programa Bolsa Família. Evolução e efeitos sobre a pobreza eleitoral ignoradas destas para condições iniciativas as de prefeituras programas necessárias resultou em de renda de final para promessas a mínima de implementação financiados feitas Na maioria no bem-sucedida âmbito com dos recursos da casos, campanha deste locais. foram tipo maioria de programa. Mesmo levando em conta apenas a restrição financeira, poucos do municípios no país dispunham de recursos necessários para implementar o concedido, programa dos em municípios escala compatível optou por com replicar o da incidência o desenho de pobreza bem-sucedido local.7 Ademais, programa a financeira era Distrito equivalente Federal, inclusive a um salário no que mínimo, tange ao o que, valor nos do municípios benefício mensal mais pobres, a ser reais incompatível tanto com o nível de renda das famílias como com a capacidade Câmara local (Lavinas; Rocha; Varsano, 1998). projeto condições Foi neste de contexto operacionalização de proliferação e de atabalhoada expectativa de quanto iniciativas à votação locais pela sem socioeducativas implementação Federal lei que de (Lei do programas previa Projeto de o de apoio 10 de Lei de garantia dezembro financeiro que o renda de aos governo 1997). governos mínima O federal governo associados municipais fez cobriria aprovar a para ações 50% um a múltiplos dos município. parceria gastos e, problemas com quando Os resultados as transferências, acordos operacionais, foram entre governo pífios: mas do cadastramento a iniciativa poucos local e municípios federal ao implementação recebimento foram se celebrados, interessaram pertencia recursos houve pela ao gerencial financeira federais Dadas e à entre logística maioria governo evidências de dos pagamento federal municípios, irrefutáveis e às local, famílias principalmente assim do (Rocha; fracasso como Garcia, da do dos incapacidade modelo 2001). mais pobres, de técnica parceria para e cadastramento implementar Escola questão um programa deste tipo, o governo federal relança, em 2001, o Bolsa para financeira. novas bases, Permanecem cobrindo 100% como do responsabilidade valor dos benefícios, local o as que tarefas resolve de a programas o cumprimento Apesar de transferência e de seleção o da programa condicionalidade dos de beneficiários, renda Bolsa foram Escola educacional.8 assim criados ter como sido pelo a o governo garantia mais importante, federal de infraestrutura a partir outros de por meados dos anos noventa, atendendo a objetivos específicos. Em 1996, o (Lavinas; Economia permaneceu (7) Apenas 40 dos quase municípios brasileiros teriam condições de pagar meio salário-mínimo seguiram. família (8) Rocha; A e Era da respeito como clientela Sociedade, obrigatória Varsano, traço do impacto característico, alvo 1998). do programa, comprometendo menos de 5% da sua receita corrente em 1996 Campinas, a frequência da condicionalidade v. embora à 20, escola n. na 1 para (41), prática educacional p. crianças não , relevante, no de Bolsa 7 abr. a 14 dos Escola, anos programas das ver famílias Schwartzman do mesmo beneficiárias, (2005). tipo que o 117 que se

6 questões Sonia Programa Rocha Gás embutido de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) foi instituído para enfrentar Alimentação, de modo graves preço a sob compensar de ao a trabalho responsabilidade consumidor as penoso famílias do de gás de crianças.9 do baixa de Ministério cozinha. renda Em pela Também 2001, da eliminação Saúde, foi em criado 2001, tinha do o subsídio Auxílio o Bolsa foco renda complementar a seis anos.10 ao Bolsa Escola, atendendo a famílias pobres com crianças de zero necessidade Criado A superposição, legítima ou ilegítima, de programas de transferência de período que concerne ao atendimento da população pobre tornou evidente a continuavam de coordenação e controle através da criação um cadastro único.11 coordenação em Cardoso, 2001, sua em implementação 2002, os novos foi muito programas lenta, de de modo transferência que ao final renda do fundamental atrelados a organismos governamentais diversos, sem qualquer lado, entre si. elegibilidade a Decisões clientela a ao política benefício alvo tomadas se de ampliou transferência para no todas início significativamente, as do de famílias governo renda de dos baixa Lula novos já renda. modificaram que programas. se Assim, universalizou de passaram Por forma um a transferência a todas salário se qualificar as mínimo.12 famílias de para renda com Em o consequência, renda recebimento praticamente familiar de dobrou.13 a per R$ população capita 50/mês Por (RFPC) alvo do outro novo dos inferior lado, novos Cartão havia a um programas Alimentação o quarto objetivo do de para de explícito contradições transferência o qual de unificação foram conceituais de renda estabelecidas dos foi novos e relançado operacionais, novas programas. sob regras: em a denominação Após outubro houve um elevação do início mesmo Bolsa confuso do ano teto Família o e programa de semeado renda (BF), presença familiar mínimo, que passou assim per de a crianças.14 capita ser como variável para mudança fins de na de R$ forma elegibilidade, 15 a de R$ estabelecimento 95, conforme que foi desatrelado a do renda valor da do família do benefício, salário e a do trabalho (11) (9) (10) infantil Inicialmente, Cadastro Auxílio na cultura Gás Único tratava-se foi canavieira criado foi criado pela trabalho e em de MP sisal, julho 18/2002; infantil em de 2001 casas em o Bolsa carvoarias e de regulamentado farinha Alimentação etc. MT, em tendo pela outubro MP se expandido 2206/2001 do mesmo para (MDS, ano. o combate 2004). 118 valor mais amplo médio. (12) (14) (13) do O Esta governo Cartão mudança Alimentação Lula, estimava na denominado era o componente de transferência de renda no âmbito do programa social Economia forma inicialmente cálculo Fome Zero e criado em fevereiro de e Sociedade, a população do benefício Campinas, alvo representou em 9,9 v. milhões 20, um n. 1 aumento de (41), famílias. p. de , cerca de 20% abr do seu

7 Tabela O programa 1 Bolsa Família. Evolução e efeitos sobre a pobreza Novos Benefícios e dispêndio dos programas federais de transferência de renda setembro 2004 Cartão Nº de Benefícios Pagos Dispêndio (R$ mil) Bolsa Programas Auxílio Escola Família Alimentação Gás Nota: Benefícios Total LOAS RMV Não Geral e foi Assistenciais PMV possível obter a informação sobre o PETI Família Fonte: Registros administrativos do MDS. federais, expandido No como a muito, entanto, unificação guarda-chuva atingindo, ao estava final de segundo longe dos 2004, novos de cerca o se MDS, programas realizar. de um 5 milhões ano O de após Bolsa transferência de a famílias, Família criação do de tinha seja Bolsa renda por se milhão incorporação de de beneficiários de programas preexistentes, seja pela inclusão de novos novas famílias. No entanto, o Bolsa Escola e o Auxílio Gás, que se superpunham de forma 10% e programas inferior importante, 3,4 milhões, ao de eram da transferência respectivamente. LOAS programas devido ainda com à Do representavam enorme clientelas ponto diferença de ainda vista um muito do nos dispêndio, valores amplas, de cerca dos 1,3 referência administrativos pagamento, benefícios.15 da segundo A institucionalidade Tabela governo programas, 1 apresenta federal. em e o cobertura número setembro Essas informações de desses benefícios 2004, programas tendo compõem e o por dispêndio quando base um os quadro com a registros PNAD o seu então, investigou, transferência tendo O processo pela de sido renda primeira alcançada, de através unificação vez, de no as um dos final características questionário novos de 2006, programas suplementar da a meta clientela sob de o com atendimento dos BF 16 continua programas quesitos. desde 11 desenho milhões de domicílios. No final de 2008, a clientela atendida permanecia neste 17 mesmo parâmetros anos. nível, do Ainda programa de mas renda assim, o para e dispêndio do incluir o valor dispêndio um vem dos benefícios, aumentando anual específico com assim em o função como para programa os da de jovens alteração ajustes em de 2008, 16 dos R$ Economia 95. (15) e Sociedade, O benefício Campinas, da LOAS correspondia v. 20, n. 1 (41), ao salário p , mínimo (R$ abr. 260) e o do BF variava entre R$ e

8 Sonia correspondendo PIB Rocha 2 daquele ano. a R$ 10,6 bilhões, tem uma participação marginal 0,37% no suplementar recebimento Evolução do programa Bolsa Família entre 2004 e As PNADs de 2004 e de 2006 incluem ambas um questionário precederam, que investiga, para todas famílias da amostra, eventual listados de transferências de renda assistenciais. Enquanto no questionário de respostas investigava-se entre como positivas novos apresentado especificamente quanto programas. a na benefícios Tabela tanto Considerando 2, o BF pagos em como 2006 pelo especificamente os apenas Bolsa demais o Família, BF programas e a o frequência PETI a PNAD que são o revela cerca dados de que Na 8,1 da seu verdade, PNAD milhões, número 2004 não respectivamente.16 quadruplica se relativos trata de ao uma entre programa expansão 2004 estavam e 2006, real da passando obviamente cobertura de subestimados: 2,0 BF, milhões já que a Por dos programas como a implementação BF era relativamente recente, uma parte significativa do domicílios investigados acabou por declarar estar recebendo benefícios informações que esta nos razão, anteriores, registros oriundas não só do das quando, o MDS, número duas como administrativamente, fontes de declarações se (Tabela verificou, 2). relativas No em já caso geral, estavam ao do BF um BF, é recebendo descasamento menor o número na do PNAD obtido BF. das segundo que da autorizado PNAD o número as corresponde pelo duas total MDS fontes, de em a benefícios cerca setembro de 41% pagos do No pelos número entanto, novos de o benefícios mais programas relevante com é semelhante pagamento é observar Número cerca de de transferências 11 milhões Tabela recebidas 2 (Rocha, e empenhadas 2008a). Novos Programas 2004 PETI Programa Recebidas Número (PNAD) de Transferências Empenhadas (mil)(mds) Família Cartão Auxílio Total Parcial Bolsa Escola Alimentação Gás as Total Novos Programas preexistente características Fonte: (16) de Evidências MDS Benefícios de operacionalização e PNAD empíricas de Prestação Economia analisadas dos Continuada e novos Sociedade, nesta programas, seção associado Campinas, encontram-se e à do Lei Bolsa Orgânica v. também 20, Família n. de 1 Assistência em (41), em Rocha particular, p , (2008b), Social aos (LOAS). do que abr. programa compara 2011.

9 O programa Bolsa Família. Evolução e efeitos sobre a pobreza registros Com o objetivo de examinar a evolução da cobertura novos programas PNAD, seguir estritamente do ponto de vista do número de benefícios concedidos, apresenta-se a que a contraposição número de benefícios conforme obtidos da PNAD e dos reconhecidos se foram administrativos investigados, MDS entre para os o mês programas, de setembro apenas 2006 o BF (Tabela e o PETI, 3). Na já A consideravam cobertura como sendo de 11 do outros milhões BF.17 novos de domicílios pelo devidamente BF foi divulgada integrados com e 2,7 comparação grande quanto milhões ênfase ao tamanho entre pelo o os número governo, dados clientela da de já PNAD benefícios que atendida significava e do pagos MDS, ao que segundo final chama o programa de cada a atenção uma atingia No das a diferença entanto, fontes, sua meta 8,1 na de sob milhões e 10,9 milhões, respectivamente. diferença. o enfoque O número Assim, financeiro embora normalmente o do pagamento regime divulgado de estivesse competência,18 pelo MDS disponível, refere-se o que apenas explica às transferências 9,4 parte milhões da social no setembro do total mês Bolsa dos de de setembro, 10,9 2006, Família? ).19 milhões algum sendo, de morador A domicílios diferença portanto, deste beneficiários remanescente captados domicílio pela recebeu fizeram entre pergunta dinheiro os o saque números da PNAD efetivamente do programa captados ( Em elevada pela PNAD e os dados em regime de caixa MDS é sensivelmente menor, mas tem ainda ocorre acima alguma de imprecisão um milhão de contagem,20 famílias. Como PNAD é uma pesquisa amostral, PNAD, necessariamente como para ser as que imputada serão algum apenas feitas impacto a a seguir. razões sobre amostrais. mas as a análises diferença Naturalmente, realizadas remanescente esta com diferença base é muito na transferência participação (17) marginal de O renda PETI dos administrado responde demais a programas uma em separado. lógica no própria, número As informações continuando, de transferências MDS ainda realizadas evidenciam em 2006, naquele como forma mês um programa inequívoca 139 mil ou de a famílias efetivamente 1,2% Econômica do beneficiárias (18) total. nos liberada Regime cinco têm últimos no de o mês competência prazo dias setembro, três meses refere-se com e para nos o às respectivo sacar cinco transferências o primeiros benefício. pagamento dias que de disponível tiveram outubro. Após a para despesa a saque data correspondente do junto depósito, à Caixa as afetados localização trabalho de Economia (20) (19) quanto recompor e temporária, Sociedade, Há Meus mais que agradecimentos considerar intensamente as tais informações de Sergio pagamento Monteiro, efetivo do (regime Ministério de caixa) de Desenvolvimento para o mês de setembro Social, que teve o Campinas, como que estes acampamentos a PNAD v. grupos 20, cobre n. forem 1 (41), dos necessariamente focados sem-terra, p , pelo e programa que de abr. forma os resultados deficiente transferência da grupos análise de populacionais renda. são tanto mais 121 em

10 Sonia Rocha Transferências recebidas Tabela 3 e empenhadas Bolsa Novos Programas 2006 PETI Programa Recebidas (PNAD) Transferências Empenhadas (mil) (MDS) Bolsa Total Família Escola Parcial Nota: Cartão Auxílio Total ( ) Alimentação Geral Gás indica programas que não foram objeto de investigação... pela PNAD dos Fonte: MDS PNAD ampliação entre Com base na PNAD e à guisa de conclusão sobre a evolução da cobertura termos novos programas, pode-se afirmar que não teria então ocorrido uma segundo significativa da cobertura do BF ou dos novos programas em geral milhões 2004 e No entanto, houve indubitavelmente grandes avanços em domicílios, de racionalização do sistema de transferências. Enquanto em 2004 havia, 2008a), em de a 2006 PNAD, o benefícios que significava uma dos significativa novos uma média programas superposição de 1,4 eram benefício dos pagos programas,21 por a domicílio 8,056 milhões já (Rocha, que 11 de Superposição esta superposição do BF com Outros estava Tabela Programas significativamente 4 de Transferência reduzida. de Renda Só Brasil, Regiões Norte e Nordeste (mil domicílios) Situações Brasil Norte Nordeste Bolsa Família PETI LOAS No ,3 % 2,9 1,2 650,7 28,9 No. 6,7 88,7 % 3,9 0, No ,7 % 3,3 1,8 Fonte: Bolsa Outras PNAD Família Total Combinações 2006 e Outros (Tabulações especiais) ,2 0,3 41, , ,7 0, ,0 0,2 benefício, 122 pelo dos assim novos programa, como (21) a programas entre renda Parte o domicílio o domiciliar das BF sob e superposições os o se benefícios Bolsa qualificava capita verificadas (RDPC) permanecia em 2004 era abaixo legítima: do limite quando, de após renda o estabelecido recebimento como do primeiro limite Economia Família, da LOAS. a e receber esta Sociedade, mecânica uma segunda Campinas, explica transferência superposições v. 20, n. (Rocha, 1 (41), legítimas 2008a). p , entre Após o BF a abr. unificação e o PETI,

11 O programa Bolsa Família. Evolução e efeitos sobre a pobreza entre subsistia Alguma em 2006, superposição mas não chegava de benefícios a 10%, embora do BF sua com frequência o de outros variasse programas muito MDS. BF, responde regiões (Tabela 4). Dos domicílios que declararam receber transferência agricultura apenas No a Nordeste, uma 1,2% subsistência lógica eram onde diferente também as resultam condições beneficiários e que em se de mantinha, incidência pobreza do PETI, em e mais a que 2006, importância elevada é um fora programa da do relativa esfera trabalho que do da 3,9%. Individualmente, superposição, infantil penoso, a superposição do BF e do PETI se apresentava mais relevante. cadastros Trata-se diversos, especialmente é sistemas que, com no médio de na benefícios transferência Região prazo, tenderão Norte, da distintos, LOAS onde a ser que com unificados.22 esta os critérios, superposição do BF parâmetros têm chega maior a e relação quando Cabe destacar que a grande maioria dos beneficiários BF, isto é, 91,3%, (Rocha, recebem transferência, o que representa uma mudança importante em tenha ao apenas que se cerca observava da metade a partir dos beneficiários dos dados do do suplemento BF recebia da somente PNAD 2004, o BF utilização essencial 2008a). Assim, no que concerne à evolução da cobertura, embora não acompanhamento havido, stricto sensu, a expansão da clientela como propalado, ocorreu reflete unificação sistemática dos programa diversos do Cadastro se programas constitui Único sob no o avanço Bolsa para mais Família. seleção, importante, Neste controle sentido, que se e transferência nos resultados da focalização. beneficiários, No que concerne aos aspectos ligados à focalização do BF, cabe lembrar que a análise se baseia nos 8,1 milhões de declararam receber a análises do BF em Por hipótese, domicílios não declarantes, embora pobreza na têm PNAD. características Isto deve semelhantes ser considerado às daqueles também quando que se se declararam trata das frequentes dos resultados das transferências imputadas sobre os indicadores concessão e desigualdade, objeto da seção , Ao analisar a focalização do BF, é importante destacar que, apesar dos boa destaques jornalísticos a respeito de casos específicos de desvio na surpreendente, do benefício, foi consensual, desde a divulgação dos dados da PNAD capilarizada a focalização dos novos programas nos mais pobres era relativamente grande (Rocha, 2006; Soares et al., 2006). Este resultado não deixa de ser clientelista/paternalista dadas a rapidez de implantação, a cobertura nacional altamente aspectos e beneficiários, a descentralização especialmente no processo frente de seleção à reconhecida um contingente tradição tão Economia (22) vinculados e Sociedade, A respeito da Campinas, necessidade à questão brasileira, que se faz mais evidente no que concerne a v. de social. 20, unificação n. 1 (41), dos p. programas , assistenciais, abr ver Rocha (2008b). 123

12 BF, Sonia Rocha beneficiados a PNAD No entanto, que 2004 na permitiu mesmo data da no dimensionar pesquisa contexto tinham geral um número renda de boa superior focalização relevante ao tanto limite dos de benefícios estabelecido domicílios fins pelo programa assim como a situação oposta, isto é, de domicílios elegíveis, mas 33,8% não beneficiários do BF. R$ 130, de dos elegibilidade, No que primeiro impossível declararam caso, situado de tomando receber atingir em R$ a apenas por transferência 100 base em com o 2004, nível a adição do a BF de PNAD tinham renda do valor permitiu mais RDPC do elevado benefício captar superior para que do a famílias programa à renda familiar dentro dos limites previstos (Rocha, 2008a). Assim, após como o valor do beneficio mínimo era de R$ 15 para famílias com renda entre R$ 50 o O e recebimento com R$ limite 100 RDPC de e apenas renda do igual beneficio estabelecido ou uma inferior criança, não podia a em R$ enquanto R$ ser, e a três rigor, o para máximo crianças fins superior de era ou análise a de mais, R$ R$ 111,2 a contém, 95 RDPC para em variação portanto, programa. uma Na folga verdade, para é algum bem sabido aumento que de uma renda das pelas características famílias participantes da pobreza é do mês oscilação programa, da do renda nível das de famílias renda ao beneficiárias longo do tempo. torno Neste do limite sentido, estabelecido é aceitável pelo a examinou-se de referência Uma já que a vez evolução a específico. disponíveis PNAD da não focalização capta as informações a renda tendo permanente, do como suplemento referência mas a renda a PNAD percebida 2006, 2004, no 60 utilizando os mesmos cortes de RDPC após o recebimento dos benefícios. Há que renda levar em conta, no entanto, que 2006 tinha havido aumento dos limites de benefícios, RDPC, para que as famílias se qualificassem para o programa, de R$ 50 para R$ dos e de estabelecido R$ apesar 100 para de em ter R$ havido 120, 130 para o inflação que fins altera de da análise. ordem a característica de No 8% que no concerne do período,23 corte arbitrário ao valor dos da aumentou os valores RDPC benefícios não sofreram modificação antes clientela A comparação entre 2004 e 2006 mostra que, como era de se esperar, Por participação no conjunto total de beneficiários dos domicílios com real superior a R$ 130, que atingem, neste último ano, quase a metade acentuada atendida pelo BF (Tabela 5). Este resultado se deve a diversos fatores. reflete um entre lado, 2004 reflete e a 2006, inflação que, do reconhecidamente, período, além aumento beneficiou generalizado de forma da renda mais 124 (23) a manutenção Variação a população de setembro do na corte Economia 2004 base a de da distribuição de rendimentos. Por outro lado, e setembro R$ 130 Sociedade, de 2006 frente ao aumento do limite de renda para Campinas, (INPC/IBGE). v. 20, n. 1 (41), p , abr

13 contrapartida, fins O programa Bolsa Família. Evolução e efeitos sobre a pobreza R$ resultados de elegibilidade de R$ 100 para R$ 120 em meados de Em a reduziu-se a participação dos domicílios com renda inferior a situados evolução 100, na em não base da especial são mudança em distribuição. na si desfavoráveis, faixa da cobertura entre Na verdade, R$ devendo dos 50 e domicílios na R$ ser análise 100 analisados (de elegíveis 34% dados em para a conjunção de 24%). descoberto 2004, havia Estes com BF. que acima chamado se de situavam a R$ atenção 130 em o contingente contraponto de ao quase fato de 2,4 que milhões havia de ainda domicílios cerca de com 2 milhões RDPC Domicílios na faixa beneficiários abaixo por de R$ 50 sem receber a transferência de renda do Brasil, faixa Tabela de 2004 Renda 5 e 2006 Domiciliar per Capita (RDPC) 0 RDPC Brasil a a 100 Nº (mil) 2004 Part. 34,0 17,2 (%) Nº (mil) 2006 Part. 24,4 12,6 (%) ,4-26,0 % Nota: 100 a , ,1 19 1,6 que Mais de , , ,0 receber Fonte: Total recebem Exclusive PNAD o BF. benefícios domicílios dos com novos informação programas. 100 de RDPC Em missing. refere-se Em aos domicílios inclui 103 todos que os declararam domicílios 1,3 Evolução 2004 e do 2006 número (Tabulações de domicílios especiais). elegíveis Tabela 6 não beneficiários do Bolsa Família Situações Brasil, 2004 e 2006 Domicílios (mil) Não Até R$ 50/60* Mais a R$ de 100/120** R$ 50/60 Total % % % Recebe recebe nenhum Outros benefício *** só LOAS/BPC PETI ,3-65,1-47, ,0-21,3-0, ,9-31,6-3,0 - Economia a Total , , ,0 Fonte: *Domicílios *** R$ Recebe 50 PNAD e e até com os seguintes limites de RDPC: R$ 0 a 50, ; R$ 0 a 60,00 em Sociedade, benefício R$ com 100 pelo em de menos uma criança de 0 a 15 anos e os seguintes limites de RDPC: superior Campinas, 2004; outros superior programas v. 20, n. a R$ 1 ou (41), 60 de e combinações p. até , R$ 120 em abr. de programas

14 Sonia Rocha domicílios o mostram Uma vez disponíveis os dados do Suplemento de 2006, examinou-se então segundo aspecto relevante do ponto de vista da focalização: a cobertura dos em que, embora elegíveis, não recebiam o BF. Os dados da Tabela 6 é, que houve declínio significativo número deles em relação a 2004 de menos 32%. Ainda assim, 3,4 milhões domicílios elegíveis não recebiam o BF mais 2006, sendo que um milhão destes se situava na faixa renda mais baixa, isto programa, com RDPC abaixo de R$ 60 per capita. Cabe destacar que a queda do número De elegíveis não beneficiários se deu de forma mais acentuada na faixa de renda clientela qualquer baixa, mas o maneira, que por se aumentos explica é fato da não renda a só celebrar por que eventuais ocorreram a redução melhorias independentemente absoluta e focalização relativa do BF. do da a domicílios algumas As desassistida pelo BF entre os mais pobres no período 2004 a Primeiro, conclusões. atendidos, evidências é possível em apresentadas conjunto afirmar com nesta que aquelas seção a redução sobre a do a focalização evolução número de do número BF, levam de generalizado entre incorporou elegíveis, mas não beneficiários do BF, em pouco mais de 2 milhões de domicílios expansão 2004 e 2006 não se deveu preponderantemente à expansão do programa, que novos pouco mais de 337 mil domicílios,24 mas principalmente ao aumento benefícios relevante, da renda foi na de base importância da distribuição. crucial o Segundo, processo que, de unificação se não houve dos focalização, programas sob o BF, eliminando a superposição desordenada domicílios que prevalecia anteriormente. Terceiro, a redução do 730 elegíveis não beneficiários não pode ser associada a uma melhoria na RDPC mil abaixo o número beneficiários já que R$ absoluto houve 100. com O uma aumento dos RDPC expansão domicílios dos superior domicílios da com ordem a R$ rendimento 130, atendidos de 1,4 enquanto milhão nas com duas renda se do reduzia número faixas superior em de principalmente a R$ 130 corresponde, portanto, a mais de três vezes e meia 337 mil domicílios atender incorporados ocorreu ao programa entre 2004 e Quarto, a melhoria renda que do programa, a no cerca período que de nas declararam um contribuiu faixas milhão de RDPC de renda para domicílios melhorar abaixo mais baixa, de elegíveis, os R$ índices mas 60/mês ainda mas de em cobertura ainda subsiste setembro não do beneficiários o desafio programa, de 126 Deste domicílios contínuo modo, (24) de atendidos seleção No o aumento período e entre recadastramento, em 2004 questão, cobertura o MDS realizou inclusão e exclusão domicílios por meio de um processo Economia e em que e 337 Sociedade, ocorreu mil domicílios paralelamente Campinas, corresponde à v. unificação 20, n. ao 1 dos aumento (41), novos p , líquido programas do abr. número sob o BF. de

15 3 O programa Bolsa Família. Evolução e efeitos sobre a pobreza forma confirmar25 Impactos do Bolsa Família sobre pobreza potencialidades e limites particular, É irrefutável que a pobreza e a desigualdade vêm diminuindo no Brasil de em sustentada desde 2004 o que as informações PNAD 2007 vêm descoberto que o BF têm diminui, e expande contribuído que as reduz-se transferências a sua para cobertura concomitantemente esta de evolução e renda que o assistenciais, favorável. número o potencial de No domicílios em entanto, geral, programa e elegíveis na o BF, medida em de, a mantendo desigualdade. O do as objetivo programa, regras em desta vigor utilizando seção em 2006, é imputações ilustrar levar alguns a reduções simuladas aspectos adicionais de benefícios relativos da pobreza do possíveis BF. e Os da conta delimitada observado impactos sobre pobreza medidos nesta seção referem-se à subpopulação pobre regiões a partir de linhas de pobreza baseadas nos valores mínimos consumo a entre populações de baixa renda e diferenciadas de modo a levar em foram a diversidade de estruturas de consumo e de preços ao consumidor entre programas e áreas de residência do país (ver os valores das linhas de pobreza relativas operacionalização setembro de 2006 no Anexo 1). Para fins de análise de impacto programa, qualquer utilizadas 24 linhas de pobreza diferenciadas, enquanto o BF e outros Como que de seja visto transferência o, seu na parâmetros seção local de 2, residência. usam de em renda setembro idênticos aliás, de 2006 para como havia a seleção é no adequado país beneficiários, cerca para de 3,4 a BF milhões presença verificar de domicílios que atendiam às condições do programa quanto à RDPC e à indicadores o de efeito crianças, da imputação mas que dos não valores recebiam cabíveis o BF. A isto Simulação é, segundo A as consiste regras em do intensidade em vigor em setembro de 2006 a cada um desses domicílios sobre os naturalmente, habituais de pobreza (Foster; Greer; Thorbecke, 1984). Dadas as indevidamente características conceituais dos indicadores considerados número de pobres, for da pobreza e desigualdade entre os pobres esses efeitos são, Tabela a sua 7, renda. cabem tanto a A algumas descoberto, respeito menores observações dos quanto assim resultados como mais básicas. por restrita quanto região for mais e a por elevada população estrato, e apresentados bem que permanece distribuída na Economia 0,521 vem 2007 caindo (Rocha, em (25) 2007 e de Segundo Sociedade, 2008a). forma (domicílios sustentada a PNAD, o coeficiente de Gini relativo à Renda Domiciliar caiu de 0,535 em 2004 para Campinas, particulares desde v. o permanentes pico 20, de n. 135,6% (41), com atingido p. rendimento) , em 2003, abr. Também situando-se a proporção em 25,1 de % pobres em setembro no Brasil 127 de

16 Sonia Rocha Efeito potencial de redução dos indicadores Tabela de 7 pobreza como resultado da imputação Ano transferências do BF Brasil, aos domicílios Regiões elegíveis e Estratos não de beneficiários, Residência na data de referência 2006 Norte e Área Nº de Pobres Proporção de Pobres Razão Hiato Hiato Quadrático Nordeste Original Simulado Diferença Original Simulado % Original Simulado % Original Simulado % Sudeste Sul ,2697 0,2606-3,39 0,3597 0,3300-8,250,0510 0, ,80 Centro-Oeste ,3972 0,2120 0,3946 0,2115-0,65-0,22 0,4156 0,3742 0,3902 0,3580-6,10-4,330,0938 0,0436 0,0826 0, ,98-10,19 Rural ,1034 0,0987-4,55 0,3470 0,3200-7,780,0200 0, ,75 Urbano ,2778 0,2758-0,71 0,3673 0,3496-4,820,0550 0, ,27 Metropolitano ,2708 0,2253 0,3051 0,2588 0,2242 0,3051-4,44-0,49 0,00 0,4135 0,3719 0,3989 0,3793 0,3480 0,3854-8,28-6,44-3,370,0641 0,0457 0,0683 0,0524 0,0396 0, ,35-13,43-8,28 Fonte: 2004 Brasil PNAD e PNAD (Tabulações especiais). 0,2569 0,3242 0,2544 0,3214-0,97-0,86 0,3886 0,4119 0,3668 0,3833-5,63-6,940,0555 0,0764 0,0486 0, ,38-14, Economia e Sociedade, Campinas, v. 20, n. 1 (41), p , abr

17 O programa Bolsa Família. Evolução e efeitos sobre a pobreza situação A cobertura total dos 3,4 milhões domicílios elegíveis não beneficiários imputação pobres afeta muito a menos. pouco o Isto número se deve, pobres em parte, no Brasil, ao fato menos de que, 1% ou qualquer 454 mil que indivíduos seja todas de renda e composição dos domicílios elegíveis ainda não cobertos, a pobreza e do benefício do BF só é passível tirá-los da pobreza áreas rurais passe nas áreas urbanas da Região Sul. Nas demais áreas urbanas e metropolitanas imputação regiões, as regras do BF em conjunção com os valores das linhas de 663 não permitem que, após receber o benefício, a renda domiciliar per capita pobreza a ser superior ao valor da linha de pobreza.26 O impacto mais acentuado da quase mil com mais para do a mesma 527 baixa. benefício mil Na intensidade pobres aos Região elegíveis (-20,5%) Nordeste que não no Norte beneficiários o em número parte 131 devido absoluto mil se dá e ao 136 no de valor Norte pobres mil da indivíduos rural se linha reduz - de densidade total programa pobres a pobres menos, na respectivamente região antes da, mas imputação. a queda É relativa provável é de que apenas a cobertura 0,65% do permanecem Norte rural apresente dificuldades devido à ocupação de baixa da renda A dos numa redução pobres que área deixaram do depois hiato grande de da de ser imputação, extensão renda pobres. mede territorial. O portanto efeito a melhoria é não bem leva mais da em renda acentuado conta daqueles melhoria (-5,6%) que 29% imputado de se que esperar, o que se está verificou longe de sobre reduzir o indicador significativamente de proporção o hiato, (-0,97%), apesar mas, de como o valor é pois, além Já valor aos o de hiato efetivamente domicílios incorporar quadrático as elegíveis transferido reduções mostra um R$ da pelo declínio 171,4 proporção BF em milhões ainda setembro e do mais hiato corresponder acentuado de renda, (-12,38%), a é cerca afetado de pobreza pobres (26) Examinemos alguns exemplos do mecanismo de impacto do benefício do BF sobre o número benefício, numa determinada área. Entre as áreas não rurais, apenas na área urbana da Região Sul o valor da linha de os sobre é baixo o suficiente - R$ 119,14/pessoa/mês em setembro de para que o BF tenha algum impacto áreas o número pobres. Assim, com o limite de renda de R$ 120 vigor desde 2006, todos os domicílios ultrapassada com crianças área urbana da Região Sul se qualificam para receber o benefício. Neste caso, qualquer mesmo o mais baixo de R$ 15 para famílias com uma criança na faixa etária até 15 anos, permite que para domicílios ao nível de renda próximo do limite de R$ 120 ultrapassem a linha pobreza. Já para as demais benefício áreas ser urbanas urbanas atendido máximo a e linha metropolitanas, é pelo de para de R$ programa pobreza. esta 131,65, faixa Vejamos (R$ a recebimento de segunda 120,00) renda o caso mais (3 e x do for de R$ baixa benefício formado Minas 15=R$ país. Gerais por 45), do BF um Se o e benefício Espírito o não adulto domicilio permite e Santo, três elevaria tiver em crianças, onde nenhuma a a RDPC a linha de mais modo hipótese para de pobreza alta a R$ receber que possível 131,25, para seja o caixa) do portanto faixa Economia benefício de foi (27) renda ainda de e e R$ bem abaixo da linha de pobreza da região. No caso de domicilio com a mesma composição na Sociedade, Segundo R$ abaixo 587,5 83,7 milhões. depois). informações R$ 60, o resultado final seria ainda mais adverso (RDPC de R$ 60 antes da imputação Campinas, v. MDS, 20, n. o 1 valor (41), transferido p , efetivamente abr em setembro de 2006 (regime 129 de

18 Sonia pela Rocha abaixo de queda da desigualdade entre os pobres: a imputação do benefício do BF a um imputação número relativamente elevado de domicílios muito pobres, isto é, com RDPC indicador R$ de 266,15 R$ 100, na ao região mesmo metropolitana tempo em que as São linhas Paulo, de pobreza contribui chegam para ao que nível a relegado preferencial reduza fortemente para examinar a desigualdade mudanças de renda pobreza entre os quando pobres. medida Este é do o simulação ponto de vista da renda, mas, por ser mais difícil entendimento, é geralmente os Finalmente, em prol do número cabe observar e da proporção que, em de comparação pobres. com o mesmo tipo de ainda não impactos avançou um contingente realizada potenciais prioritariamente em importante das 2004, imputações entre os de indicadores os elegíveis mais são pobres, semelhantes não de pobreza beneficiários como devido desejável, melhoraram (cf. ao Tabelas permanecendo fato muito, que 3 o e mas 4). BF de 2008 A Simulação B refere-se impacto sobre indicadores de pobreza da tivessem introdução de um novo benefício aos jovens 16 e 17 anos, criado em início de e incorporado BF a partir de março do mesmo ano. Trata-se do benefício do R$30 concedido aos domicílios que, atendendo aos critérios de renda do BF, função a presença de jovens de 16 e 17 anos frequentando a escola. A concessão etária benefício, programa, limitado reforçando a dois seus jovens impactos por domicílio, sobre pobreza além de e aumentar desigualdade, o dispêndio tem a cria um onde Cabe benefício dar o problema lembrar um incentivo de que valor de abandono o à novo diferenciado, continuidade benefício escola no altera é caso processo mais o de desenho crítico.28 valor escolarização mais programa, alto, para na já faixa uma que recompor 2006 clientela introduzida ou da anteriormente o no atualização poder BF é conceitualmente de dos compra não valores diretamente da dos transferência diversa benefícios assistida. do ajuste frente realizados Neste à parâmetros sentido, inflação. em 2007 esta de de Apesar renda mudança forma em a o alteração de desenho, o MDS optou por manter a mãe como recipiente do valor da logística, transferência, diretamente aos ao jovens. invés Embora de adotar a alternativa a alternativa permitisse, de pagar sem dúvida, o novo personalizar benefício refere-se incentivo escolar de forma mais direta, implicaria em complicações de ordem Simulação A com Simulação impactos B, adversos realizada também utilizando sobre as o informações custo de operação da PNAD do programa. 2006, conta já receber ao o B, BF período novo e que benefício em tinham que jovens o é atribuído benefício de 16 apenas e aos 17 anos. jovens aos Optou-se domicílios ainda não por que não existia. declararam levar em Na 130 jovens brasileiros, a (28) situação Sobre ver o Rocha abandono jovem (2007). Economia progressivo quanto à frequência à escola, de modo a simular o efeito e Sociedade, escola a Campinas, partir dos 12 v. anos 20, n. e o 1 baixo (41), p. nível , de escolaridade abr dos

19 potencial do programa, mais muitos amplo jovens do novo voltariam benefício, O programa Bolsa Família. Evolução e efeitos sobre a pobreza Tabela à escola. assumindo 8 que, em função da mudança Cenários* Simulações de impacto da imputação do benefício aos jovens de 16 e 17 anos Original Brasil, 2006 Simulação A de Número Pobres Proporção de 0,25693 Pobres Hiato 0,38865 de Renda Hiato 0,05553 Quadrático Simulação Diferença % B , ,97 0, ,63 0, ,38 Fonte: * Diferença % PNAD e Variação 2006 (Tabulações entre cada especiais). simulação e 0,25609 a -0,33 situação original. 0, ,91 0, ,84 que redução aumentar A imputação do benefício aos jovens na Simulação B permite uma recebem de 154 mil pobres, cerca de 33% da redução obtida com a Simulação A, (48%), imputou o benefício básico aos elegíveis não beneficiários (Tabela 8). Ao linha valor global do benefício recebido para aqueles domicílios que já fracos é o possível BF, parcela que um significativa número relativamente dos que têm importante RDPC superior deles a ultrapasse R$ 130,00 naturalmente tem de pobreza. No entanto, os efeitos do benefício adicional aos jovens são atual sobre o hiato de renda (-0,91%), até porque o declínio do número de pobres pobres, algum impacto adverso sobre hiato. Já a redução do hiato quadrático é entre baixa (-1,84%) porque o benefício adicional aos jovens, ao replicar clientela distribuição BF, não alcança preponderantemente os mais pobres entre os prioridade eles. tendo, Fica portanto, claro, portanto, um efeito que muito mais importante atenuado sobre do que a desigualdade ampliar o valor de para renda a de pobreza A atendida comparação àqueles mostra, é de garantir forma dos RDPC resultados inequívoca, a mais cobertura baixa. das que dos simulações atender elegíveis aos A não e domicílios B beneficiários, sobre elegíveis indicadores dando não entre beneficiários é a opção mais adequada se o objetivo for o de reduzir pobreza, Economia o qualquer que seja o indicador de pobreza utilizado. de dispêndio pobreza. as No duas e Sociedade, A entanto, total simulações Tabela realizado é certamente fundamental verificar qual são as diferenças Campinas, 9 mostra em e termos de custo/benefício, considerando como custo v. como 20, que, n. 1 benefício em (41), termos p , as de reduções redução abr obtidas do número nos de indicadores pobres, 131 o

20 Como Sonia custo Rocha permite metropolitanas, unitário da Simulação A é muito mais adverso do que o da Simulação B. base da se distribuição praticamente viu, isto além é também compreensível, do reduzir fato é de incapaz que o número o já que o de pequeno pobres valor nas unitário áreas urbanas BF não e Tabela de pagamento tirá-los 9 da do pobreza. benefício aos domicílios na Simulações Custo simulado da redução do número de pobres (R$ por indivíduo pobre a menos) Simulação B A Custo (R$ mil) Total Redução de Pobres do número Custo 376,65 198,51 Unitário (R$) bem Fonte: PNAD 2006 (Tabulações especiais). simulações ao custo diferente Os para indicadores (Tabela reduzir 10). de os razão A indicadores, Simulação do hiato A e embora de aparece hiato os quadrático como diferenciais mais revelam a vantajosa entre um as quadro quanto duas distribuição número argumentar se estreitem muito em relação ao verificado quanto à redução do dilui de pobres. Como o custo total associado à Simulação A é alto, pode-se mais a seu favor que fazer chegar programa aos elegíveis na base da tem de rendimentos pode não ser fácil e imediato, o que necessariamente concessão impacto no elevado tempo o impacto em termos de dispêndio total, que se mostrou 5,5 vezes É importante novo do imediato. que benefício, o salientar da O Simulação MDS um que dispêndio previa B. as Já mudanças para o adicional benefício março de de aos R$ forma 2008, jovens 34,7 de primeiro milhões. da operar Simulação mês o BF, de B aos apresentadas nas simulações e B, não são alternativas. A criação do benefício dos beneficiários. resultados domicílios jovens gera Neste da elegíveis Simulação o caso, direito e não impactos A a beneficiários ele custos e também custos são para maiores, os domicílios pois implicam elegíveis adicionar não Tabela e benefícios 10 com a nova de transferência. atender também os jovens Simulações Custo (R$ mil) Total simulado Redução da redução dos indicadores de hiato da renda total (%) Hiato de Custo Renda percentual reduzido (R$ por mil) ponto Redução total (%) Hiato Quadrático Custo percentual reduzido por ponto 132 Fonte: Simulação PNAD A B 2006 (Tabulações Economia especiais). 5,63 (R$ mil) e 0, , Sociedade, Campinas, v. 20, n. 11,84 (41), p , abr

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