PROPOSTA DE UM MODELO DE GESTÃO DE FROTAS SOB A ÓTICA DO GECON Abreu Turística Cafelândia - SP

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1 0 UNISALESIANO Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium Curso de Ciências Contábeis Alex Henrique Gelmi Ana Paula Marques Maria Regina Martins Solange da Silva Sousa Batista PROPOSTA DE UM MODELO DE GESTÃO DE FROTAS SOB A ÓTICA DO GECON Abreu Turística Cafelândia - SP LINS SP 2009

2 1 ALEX HENRIQUE GELMI ANA PAULA MARQUES MARIA REGINA MARTINS SOLANGE DA SILVA SOUSA BATISTA PROPOSTA DE UM MODELO DE GESTÃO DE FROTAS SOB A ÓTICA DO GECON Trabalho de Conclusão de Curso apresentado a Banca Examinadora do Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, curso de Ciências Contábeis sob a orientação do Prof. M.Sc. André Ricardo Ponce dos Santos e orientação técnica da Profª. M.Sc. Heloisa Helena Rovery da Silva LINS SP 2009

3 1 G283p Gelmi, Alex Henrique; Marques, Ana Paula; Martins, Maria Regina; Batista, Solange da Silva Sousa Proposta de um modelo de gestão de frotas sob a ótica do GECON: Abreu Turística / Alex Henrique; Ana Paula Marques; Maria Regina Martins; Solange da Silva Sousa. Lins, p. il. 31cm. Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium UNISALESIANO, Lins-SP, para graduação em Ciências Contábeis, Orientadores: André Ricardo Ponce dos Santos; Heloisa Helena Rovery da Silva 1. GECON. 2. Gestão Econômica. 3. Otimização do resultado. 4. Resultado Econômico. 5. Eficácia empresarial. I Título. CDU 657

4 2 ALEX HENRIQUE GELMI ANA PAULA MARQUES MARIA REGINA MARTINS SOLANGE DA SILVA SOUSA BATISTA PROPOSTA DE UM MODELO DE GESTÃO DE FROTAS SOB A ÓTICA DO GECON Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, para obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis. Aprovada em: / / Banca Examinadora: Prof. Orientador: André Ricardo Ponce dos Santos Titulação: Mestre em Administração pela Unimep Assinatura: 1º Prof.(a): Titulação: Assinatura: 2º Prof.(a): Titulação: Assinatura:

5 3 Dedico este trabalho aos meus pais, José e Maria, a quem devo a vida e a minha formação moral, e que colaboraram muito para que eu realizasse esse sonho. As minhas filhas Amanda e Roberta, que são tesouros que Deus me deu, e a razão de todo meu esforço para que tenham uma vida mais confortável e feliz. Ao meu noivo Leandro, que me acompanhou com paciência, compreendendo sempre que precisei me ausentar para que o trabalho fosse realizado. A todos meus familiares e amigos que direta ou indiretamente me ajudaram, apoiaram e me deram força para prosseguir. E aos meus amigos de TCC, Alex, Solange e Regina, que dividiram comigo momentos cansativos dessa jornada, mas também muitos momentos felizes que ficarão guardados pra sempre em meu coração. Obrigada por serem meus amigos. Ana Paula Marques A minha família Que sempre confiou e acreditou em mim, a vocês devo tudo o que sou hoje. Se hoje cheguei até aqui, é graças ao apoio de vocês. Obrigado por tudo. Hoje e sempre Amo Vocês Aos meus amigos e as colaboradoras da biblioteca O que dizer a essas pessoas tão especiais que trilharam junto a mim essa jornada? Levarei comigo todas as lembranças desse período, as risadas, as dificuldades que enfrentamos juntos, as duvidas e incertezas que compartilhamos e as escolhas que fizemos juntos. Enfim chegamos até aqui e embora nossos caminhos tomem rumos diferentes nós estaremos sempre unidos em nossos corações Alex Gelmi

6 4 Dedico este trabalho de conclusão e graduação aos meus pais Paulo e Aparecida, os quais não tiveram acesso ao conhecimento literário. Ao meu querido esposo Eduardo e meu filho Luís Paulo que por muitas vezes toleraram minha ausência, mantendo-se pacientes e expressando solidariedade e companheirismo. Nobres colegas Alex, Ana Paula e Solange; sem vocês não conseguiria concluir esta graduação! estudo. Ao Programa Escola da Família pela concessão de minha bolsa de Maria Regina Dedico este trabalho em primeiro lugar a Jesus Cristo, meu salvador. Sem ele a guiar os meus passos, minha chegada até aqui não seria possível. Dedico especialmente ao meu pai Paulo (in memorian), que sempre acreditou em minha capacidade de vencer, desde minha infância, até a sua precoce despedida desta terra. Dedico também com muito carinho ao meu marido Rodrigo, que apesar de muitas vezes disputar minha atenção com meus companheiros de curso, me ajudou muito no decorrer desta estrada. Aos meus colegas de classe, que através das experiências que vivemos juntos se tornaram muito mais que simples colegas e passaram a ser amigos de verdade. Solange da Silva Sousa Batista

7 5 AGRADECIMENTOS A Deus, único que é digno de receber a honra e a glória, a força e o poder. Ao Rei eterno imortal; invisível, mas real, a Ele agradeço pela minha vida e pelas oportunidades que me concedeu até hoje. Agradeço todos os dias por fazer uma morada no meu coração, por estar sempre ao meu lado, me guiando e me protegendo de todos os perigos, agradeço pelo seu infinito amor e por me dar coragem para atingir meus objetivos e assim realizar meus sonhos. À Abreu Turística, nosso muito obrigado por abrir suas portas, nos dando oportunidade de vivenciar experiências práticas para enriquecer nossos conhecimentos, contribuindo para a realização deste importante trabalho. Ao nosso orientador Prof. M. Sc. André Ricardo, pelo seu espírito inovador e empreendedor na tarefa de distribuir seus conhecimentos, nos ensinando a importância da pesquisa científica. À Profª. M. Sc. Heloisa Helena, pela simpatia e presteza no auxílio às atividades e discussões sobre o andamento e normatização deste Trabalho de Conclusão de Curso. Às nossas famílias, que muitas vezes sentiram a nossa ausência, mas compreenderam com carinho, a importância da realização deste trabalho. Alex, Ana Paula, Maria Regina e Solange

8 6 RESUMO Modelo de gestão define-se como um conjunto de princípios que traduz as diretrizes de seus gestores. Nele são definidas as formas de como a empresa será administrada. Os resultados econômicos decorrem do desempenho em determinado período, demonstrando se a empresa terá ou não condições de sobrevivência e desenvolvimento. A eficácia de um sistema de gestão é atingida através da junção da eficiência de seus subsistemas, da melhoria contínua na execução das operações e na criação de alternativas que maximizem os resultados e minimizem o uso de recursos. Para viabilizar a contabilização divisional, o GECON vale-se do efetivo conhecimento de como a organização é estruturada, considerando a existência de diversas áreas dentro de uma única organização, sendo cada uma responsável pelos custos e resultados econômicos. Sob a ótica do GECON, o equilíbrio de funcionamento entre essas áreas reflete no resultado da empresa como um todo. A proposta de um modelo de gestão de frotas de ônibus sob a ótica do GECON desenvolve um modelo que contribui na otimização dos resultados econômicos. O modelo representado pela sigla GECON assume o lucro como a variável que reúne as melhores condições de servir de indicador da eficácia da empresa. Por serem escassos, os recursos consumidos no decorrer das atividades operacionais das organizações possuem valor econômico, o que requer sua utilização de forma eficiente. Partindo deste ponto de vista, entende-se que respostas são necessárias, mas não suficientes para garantir a sobrevivência da empresa. É de extrema necessidade que estas respostas sejam eficazes, conduzindo a organização ao alcance de seus propósitos além da obtenção do lucro, focando também sua continuidade. Um dos aspectos que mais chamam a atenção no modelo GECON é o modo de mensuração. O lucro corretamente mensurado refere-se ao resultado econômico que representa o aumento da riqueza da empresa, de seu patrimônio ou de seu valor, ou seja, um aumento do patrimônio de um período para o outro. A variação da riqueza da empresa ocorre devido a fatores internos e externos como a participação de mercado, nível de tecnologia utilizada, preços dos serviços, imagem, entre outros. A partir desses conceitos, foi proposta à empresa Abreu Turística a implantação de um modelo de gestão econômica de frotas que viabiliza a otimização dos resultados, através de uma análise individualizada, proporcionando ao gestor informações que o auxiliem na tomada de decisões. Palavras-chave: GECON. Gestão econômica. Otimização do resultado. Resultado econômico. Eficácia empresarial.

9 7 ABSTRACT Management model it is defined as a set of principles that reflect the guidelines of its managers. In it are defined the forms of as the company will management. The economic results go of the performance period, demonstrating if the company will have or not conditions for survival and development. The effectiveness of a management system is achieved by combining the efficiency of its subsystems, of the continuous improvement in the performance of its operations and of alternatives that maximize results and minimize the use of resources. To make the division accounting, the GECON relies itself on effective knowledge of as the organization is structured, considering the existence of several areas within a single organization, each responsible for the costs and economic results. From the viewpoint of GECON the balance operation is between these areas that reflect the result of the company as a whole. The proposed management fleet model of buses from the viewpoint of GECON develops a model that contributes in the optimization of the economic results. The model represented by the acronym GECON takes the profit as the variable that combines the best position to serve of indicator of the company effectiveness. Because they are scarce, the resources consumed during the operational activities of the organizations there are economic value, which require the use efficiently. From this point of view, it is meant that responses are necessaries but it doesn t sufficient to ensure the survival of company. It is necessary that these responses are effective, leading the organization to reach of its purposes beyond getting the profit, also focusing its continuity. One of the aspects that draw attention in GECON model is the method of measurement. The profit measured correctly referred to the economic result that represents the increase in wealth of the company, its shareholders or its value, i.e. an increase in wealth of period to another. The variation of the company's wealth occur in the function of internal and external factors like to market share, level of technology used, prices of services, image, among others. Within of these concepts, it was proposed to the Abreu Travel Company the implementation a model of economic management of fleets that enables the optimization of results, through of an individual analyze to the information`s manager that auxiliary him in decision making. Keywords: GECON. Economic management. Outcome s Optimization. Economic results. Managerial Efficiency.

10 8 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Sistema de informações Figura 2: Dimensões operacional, econômica, financeira e patrimonial.. 42 LISTA DE QUADROS Quadro 1: Lucro sob diferentes óticas contábil e econômica LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ANTT: Agência Nacional de Transportes Terrestres ARTESP: Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paulo CONTRAN: Conselho Nacional de Trânsito DER: Departamento de Estradas de Rodagem DRE: Demonstrativo do Resultado do Exercício GECON: Gestão Econômica

11 9 SUMÁRIO INTRODUÇÃO CAPÍTULO I - A EMPRESA ABREU TURÍSTICA HISTORICO E DESENVOLVIMENTO Missão e objetivos Descrição do negócio Organização administrativa Legislação e regulamentação do segmento de fretamento Modalidade linha regular Modalidade de fretamento Locação de veículos Cálculo dos custos pela empresa Relacionamento com os clientes Perspectivas de crescimento CAPÍTULO II - REFERENCIAL TEÓRICO GECON MODELO DE GESTAO ECONÕMICA CONSIDERAÇÕES INICIAIS Teoria geral dos sistemas A empresa como sistema e seus componentes Lucro como medida de eficácia do sistema empresa Eficiência e eficácia Medidas de eficácia empresarial A Controladoria como responsável pela gestão econômica Teoria da decisão Teoria da mensuração Teoria da informação Modelo de gestão x Modelo de gestão sob a ótica do GECON Histórico do GECON Premissas do GECON... 36

12 Processo de gestão econômica Planejamento Planejamento estratégico Planejamento operacional Execução Controle Resultado econômico Dimensões Formação do resultado econômico Otimização do resultado econômico Mensuração do resultado CAPÍTULO III - PESQUISA - METODOLOGIA DE DESENVOLVIMENTO DO MODELO Introdução Processo de identificação de áreas cinzentas na empresa As possíveis áreas cinzentas da empresa Alocação dos custos fixos e variáveis Controle de manutenção Reserva financeira Custos das locações Desenvolvimento do planejamento estratégico Controle da execução das atividades Cálculo do custo do combustível Formação do preço das locações Estruturação das informações Desenvolvimento dos campos do modelo Dados da empresa Gestão econômica por viagem Dados da viagem Demonstração dos custos variáveis da viagem Valor da locação Margem líquida Média por passageiro... 56

13 Observações Modelo de gestão econômica por viagem Resumo geral do modelo de gestão econômica por viagem Demonstração do resultado econômico PROPOSTA DE INTERVENÇÃO CONCLUSÃO REFERÊNCIAS APÊNDICES ANEXOS... 71

14 12 INTRODUÇÃO Diante de um cenário formado por inúmeras variáveis consideradas incontroláveis, faz-se importante e necessário que os gestores tomem suas decisões com base nas informações de seu segmento, e suas informações gerenciais, mais precisamente, sobre os custos que formam seus produtos ou serviços. Neste sentido, muitos autores propõem modelos que possam viabilizar a eficácia dos resultados. Assim sendo, foram explorados nesta pesquisa, os conceitos sobre o modelo de gestão econômica, mais conhecido como GECON que foi desenvolvido no final da década de 70, pelo então professor Dr. Armando Catelli, pesquisador da FEA-USP naquele período. O Sistema de gestão econômica é uma ferramenta que na atualidade tornou-se indispensável aos gestores como auxílio na tomada de decisões de uma forma mais rápida e eficaz. A globalização foi um dos fatores determinantes à adaptação das empresas às novas exigências do mercado. O modelo de gestão econômica GECON tem como objetivo principal aprimorar os resultados da empresa por área, ou unidade de negócio, realizando uma análise do processo de planejamento, execução e controle operacional de suas atividades. Na empresa Abreu Turística, essa análise será realizada por veículo da frota, visando à otimização do resultado final da empresa. O objetivo dessa pesquisa foi desenvolver um modelo de gestão econômica que contribua na gestão dos resultados, segundo a ótica do GECON, para apoio às decisões. Identificar os custos e despesas incidentes nas operações da empresa e desenvolver um modelo de contabilidade divisional, considerando cada veículo como um centro de custos. Durante a pesquisa questionou-se: a aplicação de um sistema de gestão econômica permite resultados mais eficazes nas decisões empresariais? Surgiu a hipótese: através da aplicação do sistema GECON a empresa consegue otimizar seu lucro por área de responsabilidade, influenciando as decisões empresariais, visando a eficácia operacional e o resultado positivo da empresa.

15 13 Para demonstrar que o modelo de gestão econômica GECON proporciona uma melhoria do resultado global da empresa através de uma análise individualista de cada área de atividade, foi realizada pesquisa de campo na Abreu Turística, no período de fevereiro a outubro de Para a realização da pesquisa de campo foram utilizados os métodos e técnicas descritos no Capítulo III. O trabalho está assim estruturado: Capítulo I: apresenta a evolução histórica da empresa Abreu Turística, descreve o ramo de atividade e informa os principais conceitos sobre a legislação de atividades de fretamento. Capítulo II: trata da fundamentação teórica sobre o modelo de gestão econômica GECON. Capítulo III: descreve e analisa a pesquisa realizada na empresa Abreu Turística. Por fim, vem a proposta de intervenção e a conclusão.

16 14 CAPÍTULO I A EMPRESA ABREU TURÍSTICA 1 HISTÓRICO E DESENVOLVIMENTO A empresa Abreu Turística está situada na cidade de Cafelândia, interior do estado de São Paulo, Distrito Industrial, na via de acesso José Frederico de Brito, 355, inscrita no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, no Ministério da Fazenda, CNPJ / e Inscrição Municipal sob o nº A empresa é constituída de um pátio de 1650 m² onde são realizadas a limpeza, a manutenção corretiva e preventiva e a revisão dos ônibus. Neste local, encontra-se o escritório em que funciona a administração da empresa, exceto o setor contábil que é terceirizado, um alojamento para os motoristas e também, a residência da família. O Senhor Germano Abreu, em sociedade com sua esposa Vera Abreu, possuía uma empresa de transporte de passageiros intermunicipal, que realizava apenas o trajeto Cafelândia-Bacuriti e Bacuriti-Cafelândia. Pela inviabilidade de oferecer transporte interestadual aos clientes, através da Abreu Ltda., foi necessária a constituição de uma nova empresa, a Abreu Turística. Esta empresa encontra-se devidamente registrada na Jucesp nº como firma individual em nome de seu filho, sob a razão social Diego Modesto de Abreu ME. No início de suas atividades, a Abreu Turística possuía um veículo de pequeno porte com capacidade para doze passageiros. Devido ao crescimento da demanda, tornou-se necessária a substituição deste veículo por um microônibus. Buscando atender cada vez mais clientes, a empresa deu prosseguimento à ampliação de seu negócio adquirindo um ônibus convencional. Atualmente a frota é composta de quatro ônibus, sendo dois convencionais e dois executivos.

17 Missão e objetivos A Abreu Turística, pela experiência no ramo de transporte de passageiros, tem como missão a prestação de um serviço de qualidade diferenciado, visando atender as expectativas e principalmente, as necessidades de seus usuários a fim de garantir a satisfação de seus clientes, traçando a cada dia um caminho de confiabilidade. Seu objetivo é atender as diversas classes sociais existentes no mercado, conforme suas exigências, trabalhando de forma personalizada. Este é seu principal diferencial. 1.2 Descrição do negócio É indispensável para a caracterização da locação, a entrega do veículo pelo locador ao locatário para usá-lo livremente. De posse do veículo, o locatário tem total liberdade, ou seja, vai para onde quiser, na hora que quiser, escolhe o percurso que melhor lhe agrada, sem se preocupar com nada, afinal ele tem a posse do veículo por aquele período previsto no contrato. O objetivo do serviço de locação é o aluguel do veículo, mas eventualmente, pode ser disponibilizado um profissional motorista. Para o setor de locação, não há regulamentação e inspeção por parte dos órgãos que fiscalizam o regime de fretamento. A empresa Abreu Turística utiliza um contrato no ato do fechamento da locação do ônibus. O cliente paga antecipadamente dez por cento do valor combinado para a viagem e o restante deve ser pago uma semana antes da data da mesma. Se um veículo particular é locado e junto com ele um motorista, não se configura fretamento. A empresa faz uso de um cadastro de profissionais motoristas, sugerindo, se for o caso, a pedido do cliente, a prestação de seus serviços, através de um contrato em regime eventual individual autônomo sem vínculo empregatício com o contratante.

18 Organização administrativa Por tratar-se de uma empresa prestadora de serviços de locação de ônibus sem condutor, a Abreu Turística não possui motoristas registrados. As outras funções são subdivididas em administrativas, operacionais e comerciais, distribuídas entre os membros da família. 1.4 Legislação e regulamentação A Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paulo (ARTESP) foi criada pela Lei Complementar nº 914, de 14 de janeiro de 2002, tem como finalidade a regulamentação e fiscalização de todas as modalidades de serviços públicos de transporte autorizados, permitidos ou concedidos a entidades de direito privado, no âmbito da Secretaria de Estado dos Transportes. Considerada como a principal agência reguladora, a ARTESP classifica o transporte terrestre de passageiros, sob duas modalidades, a modalidade Regular e a modalidade de Fretamento que serão descritas a seguir Modalidade Linha Regular A modalidade Regular, segundo a ARTESP, classifica-se em: rodoviário convencional, rodoviário especial, rodoviário leito, suburbano convencional e auto-lotação. A classificação como rodoviário convencional é formada pelas seguintes características: a) as passagens são adquiridas com antecedência à realização das viagens, proporcionando reserva de lugares; b) a origem e o destino das viagens se processam em terminais rodoviários e, na falta destes, em agências de vendas de passagens,

19 17 ambos dotados de requisitos mínimos de capacidade, segurança, higiene e conforto; c) utiliza ônibus tipo rodoviário convencional, com especificação própria, identificado, entre outros, por apresentar poltronas individuais, reclináveis, estofadas e numeradas; bagageiros externos e portaembrulhos internos destinados ao acondicionamento dos volumes que acompanham os passageiros e ao transporte de encomendas; d) não permissão de transporte de passageiros em pé; e) as viagens em geral expressas com número reduzido de paradas, adstritas aos pontos de apoio; f) utiliza rodovias inseridas em regiões predominantemente não conturbadas proporcionando viagens em velocidades relativamente uniformes. Já, na modalidade de rodoviário especial, além das características mencionadas anteriormente, os ônibus devem dispor de equipamentos ou atributos adicionais, a serem definidos segundo o padrão do serviço e tipo de percurso, com tarifa diferenciada. Entende-se como rodoviário leito aquele que apresenta as mesmas características do serviço rodoviário convencional, diferenciando-se deste por dispor de poltronas leito e de gabinete sanitário. No caso do suburbano convencional, é aquele que apresenta as seguintes características: a) as passagens são, em geral, cobradas no interior dos ônibus, durante a realização das viagens que, por sua vez, poderão ser registradas em dispositivos controladores do número de passageiros; b) a origem, as paradas intermediárias e o destino relativo às viagens, processam-se, geralmente, em abrigos de passageiros convencionais; c) utiliza ônibus tipo urbano convencional, com especificação própria, identificado, entre outros, por apresentar poltronas fixas, sem numeração; por dispor no mínimo de duas portas, uma dianteira e outra traseira, destinadas à entrada e saída de passageiros e por não possuírem bagageiros nem porta-pacotes;

20 18 d) permite o transporte de passageiros em pé com taxa de ocupação pré-fixada; e) utiliza vias inseridas predominantemente em regiões com densidade demográficas significativas e que, devido à frequentes paradas, proporcionam viagens com velocidade média inferior àquelas realizadas no serviço rodoviário. O serviço de auto-lotação apresenta as mesmas características mencionadas no serviço rodoviário convencional, diferenciando-se, substancialmente deste, quanto aos veículos que são de quatro rodas, cinco a doze lugares, excluídas o do condutor, não propiciando a circulação de passageiros no seu interior Modalidade de Fretamento A modalidade de fretamento tem como objetivo a condução de grupo definido de pessoas, com contrato específico, sem cobrança individual de passagens, podendo ser contratado por pessoas ou grupos para a realização de uma viagem com finalidade específica ou turística. Pode-se considerar a contratação de um motorista de ônibus profissional. Motoristas de ônibus fretados recebem cerca de um terço de seu pagamento como gratificação, dez por cento é o padrão. O serviço de transporte profissional de pessoas por ônibus de fretamento é regulamentado e inspecionado periodicamente por quatro órgãos públicos, dependendo da área geográfica em que é realizado. Na área interestadual e internacional, a competência é da ANTT Agência Nacional de Transportes Terrestres. No estado de São Paulo, a regulamentação está sob responsabilidade da ARTESP. Sem pelo menos um destes registros, o transporte de passageiros não pode ser realizado e será considerado como transporte clandestino. Segundo a ARTESP, a modalidade de fretamento compreende o Fretamento contínuo e Fretamento Eventual.

21 19 De acordo com o artigo 7 da Lei /89, fretamento contínuo é o serviço de transporte de passageiros prestado a pessoa jurídica, mediante contrato escrito, para um determinado número de viagens, destinados ao transporte de usuários definidos, que se qualificam por manterem vínculo específico com a contratante para desempenho de sua atividade. Já o Fretamento eventual, segundo o artigo 8 da mesma legislação, é o serviço prestado a um cliente ou a um grupo de pessoas, mediante contrato escrito, para uma viagem. É importante salientar que durante as viagens será de porte obrigatório a Nota Fiscal correspondente ao serviço de fretamento. Cabe à empresa transportadora a comunicação mensal, mais especificamente, até o último dia útil do mês seguinte ao DER - Departamento de Estradas de Rodagem, do número de viagens realizadas sob fretamento eventual, com indicação da data de início e fim de cada uma, origem e destino, bem como o número de passageiros transportados. Para registrar a empresa, é preciso cumprir uma série de exigências com relação à capacidade econômica, técnica e operacional da empresa e também de seus dirigentes. Todos os veículos são submetidos à vistoria de segurança com periodicidade anual ou menor, conforme a idade do veículo Locação de veículos Segundo Instrução Normativa da ARTESP, para uma empresa ser considerada como locadora de veículos, primeiramente ela deve estar inscrita na Receita Federal (CNPJ) e no Posto Fiscal do Estado de São Paulo (inscrição estadual) como ramo de atividade de locação de veículos sem condutor. Outra recomendação é que a razão social da empresa possua a expressão locadora e que os veículos atendam as exigências dos departamentos de trânsito federal, estadual e de seu município de origem. Para tanto, recomenda-se que a viagem seja exclusivamente particular, ou seja, não

22 20 se configurando, portanto, transporte remunerado individualmente que, em outras palavras, significa a cobrança individual de passagens. Para a realização da locação, são necessários os seguintes documentos que deverão estar a bordo do veículo: a) documento do veículo em nome da empresa locadora; b) contrato de locação do veículo; c) Carteira Nacional de Habilitação categoria D, para o condutor do veículo; d) curso de capacitação de condutores de veículos de transporte coletivo de passageiros exigido pela Resolução do CONTRAN Conselho Nacional de Trânsito n. 169/05, para o condutor do veículo; e) lista de passageiros contendo o nome completo dos passageiros, seus respectivos RGs, origem, destino e data da viagem, em papel timbrado da empresa com assinatura identificada; f) contrato de prestação de serviços do motorista para a viagem, firmado entre o locatário do veículo e o motorista, caso o veículo não seja dirigido pelo contratante. Caso a razão social da empresa não conste a palavra locadora, será obrigatória a apresentação de cópia autenticada do Contrato Social da empresa onde conste a atividade de locação de veículos. 1.5 Cálculo dos custos pela empresa Após o contato com o cliente e antes de firmar o contrato, a Abreu Turística faz uma estimativa dos custos incorridos com pedágios, combustível e desgastes de peças e pneus, durante o percurso que o locatário deseja realizar. O cálculo desses custos somados a experiência do locador são os principais elementos para formação do preço da locação. Para a contenção de despesas mecânicas, a empresa mantém em suas próprias instalações uma pequena oficina com equipamentos que possibilitam a conservação dos ônibus, executando os serviços de manutenção preventiva e corretiva, diminuindo as despesas. Estes procedimentos têm como objetivo

23 21 prevenir interrupções em seus trajetos assegurando a pontualidade de suas viagens. Preocupada com o alto custo da frota, a empresa firmou um convênio com um posto de combustíveis para abastecimento dos ônibus a um preço menor do que o do mercado. O setor administrativo da Abreu Turística atualmente não utiliza um sistema de informações específico para reconhecimento de seus custos. O cálculo é feito através de planilhas em Excel onde as receitas por locação são discriminadas juntamente com os custos fixos e variáveis incorridos durante o mês de forma a apresentar o lucro do período. Outra ação que a empresa tomou para redução de custos foi disponibilizar um membro da família para ficar responsável pelos atendimentos e agendamentos das locações. 1.6 Relacionamento com clientes A Abreu Turística iniciou suas atividades atendendo clientes de menor poder aquisitivo. Por meio de um trabalho de propaganda desenvolvido, em grande parte por esses mesmos clientes, e investimentos em outdoors e divulgação em lista telefônica, surgiram novos usuários de maior poder aquisitivo, forçando a empresa a se reestruturar para o mercado de transporte de passageiros, oferecendo aos clientes mais qualidade, conforto e segurança. Os clientes da Abreu Turística são, em grande parte, membros da Associação de Japoneses e grupos de terceira idade, cerca de 30 a 40%. O restante divide-se de forma variada, compreendendo estudantes da região, prefeitura de Cafelândia, grupos evangélicos e particulares. A empresa fornece um treinamento de atendimento ao motorista indicado, visando à prestação de um serviço de melhor qualidade aos passageiros. 1.7 Perspectivas de crescimento

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