RENATA GARCIA PROENÇA PLANO DE NEGÓCIOS PARA A PANIFICADORA E CONFEITARIA BOM GOSTO

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1 0 RENATA GARCIA PROENÇA PLANO DE NEGÓCIOS PARA A PANIFICADORA E CONFEITARIA BOM GOSTO Instituto Cenecista Fayal de Ensino Superior Itajaí (SC) 2009

2 1 RENATA GARCIA PROENÇA PLANO DE NEGÓCIOS PARA A PANIFICADORA E CONFEITARIA BOM GOSTO Trabalho de Conclusão de Estágio desenvolvido para Estágio Supervisionado do Curso de Administração do Instituto Cenecista Fayal de Ensino Superior IFES 2009/01 como conclusão do curso. Orientadora: Profª. Rosangela Carvalho da Silva Erpen, Esp. Instituto Cenecista Fayal de Ensino Superior Itajaí (SC) 2009

3 2 PLANO DE NEGÓCIOS PARA A PANIFICADORA E CONFEITARIA BOM GOSTO. Este trabalho de conclusão de curso foi julgado aprovado para a obtenção do grau de Bacharel em Administração do Instituto Cenecista Fayal de Ensino Superior IFES. Itajaí, 01 de julho de Leandro Costa Coordenador de estágios Banca examinadora Profª Rosangela Carvalho da Silva Erpen, Esp. Orientadora Profª Marília Soares, M.Sc. Prof Daniel A. Manfredini

4 3 EQUIPE TÉCNICA Estagiária Renata Garcia Proença Coordenador de Estágio Leandro Costa Orientadora de Conteúdo Rosangela Carvalho da Silva Erpen, Esp. Orientador de Metodologia Marcello Soares M.Sc Supervisor de Campo Jurandia Conceição dos Santos Machado

5 4 Só há três atitudes a tomar em relação ao passado para que possamos definir o que queremos do futuro e, assim, dar significado ao presente: perdoar as pessoas que nos magoaram, aprender com os momentos de fracasso e comemorar com orgulho os momentos de sucesso. Agostinho Nunes Neto

6 Dedico este trabalho as pessoas mais importantes da minha vida. Joaquim e Helena, meus pais, que sempre demonstraram seu amor incondicional, me incentivaram e me apoiaram em todos os momentos. 5

7 6 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus, fonte de toda a sabedoria por ter me dado forças para chegar até aqui, pois sem esta força divina nada conseguiria. Agradeço ao meu namorado por seu apoio, por seu amor e por sua paciência pelo período em que foquei meus esforços somente na realização deste trabalho. Agradeço a Profª Rosangela Carvalho da Silva Erpen, minha orientadora de estágio supervisionado, por sua atenção, dedicação, disposição e valiosa paciência durante a realização do fim deste processo. Por fim, mas não menos importante, agradeço a todas as pessoas que de alguma forma contribuíram para realização deste estudo, me apoiando, me fortalecendo e me motivando.

8 7 RESUMO No cenário atual de rápidas mudanças o mundo empresarial e dos negócios pertence cada vez mais aos empreendedores, pessoas que conseguem identificar as melhores oportunidades e sabem como aproveitá-las. Esses empreendedores estão sendo convidados a avaliarem bem os vários fatores que irão envolver o seu negócio e por isso precisam realizar um planejamento bem detalhado antes de iniciarem suas atividades. A elaboração de um plano de negócios é um meio de planejamento para a abertura de novas empresas e permite que os empreendedores iniciem suas atividades com mais segurança. Neste caso, o plano de negócios não será utilizado para a criação de um novo negócio, mas sim como ferramenta para a consolidação do mesmo, que foi o objetivo principal deste trabalho, a consolidação e um crescimento planejado da Panificadora e Confeitaria Bom Gosto. A metodologia utilizada foi estudo de caso. Foi realizada a análise do ambiente com relação às oportunidades e ameaças, pontos fortes e fracos da empresa, posteriormente foram identificados e apresentados os concorrentes diretos, os fatores críticos de sucesso, e foi realizada a análise do ponto do equilíbrio da empresa. Os resultados obtidos foram utilizados na pesquisa para a formulação do plano de negócio, onde foram observados fatores de grande relevância para a empresa em estudo. Palavras-chave: Plano de Negócios. Análise do ambiente. Empreendedorismo.

9 8 LISTA DE FIGURAS Figura 01 A Empresa Figura 02 O Processo Administrativo Figura 03 O Planejamento Dentro do Processo Administrativo Figura 04 O Planejamento nos Três Níveis Organizacionais Figura 05 A Interligação entre Planejamento Estratégico, Tático e Operacional Figura 06 Ciclo Básico dos três tipos de Planejamento Figura 07 Quem lê o Plano de Negócios? Figura 08 Visão geral de um Plano de Negócios Figura 09 Tópicos Genéricos de um Plano de Negócios Figura 10 Questionário de análise de localização da empresa Figura 11 Matriz BCG Figura 12 Processo de Planejamento Estratégico do Negócio Figura 13 O processo de Planejamento Financeiro a curto prazo (operacional) Figura 14 O Macroambiente e o microambiente da Organização Figura 15 A análise do ambiente externo Figura 16 Impacto dos Pontos Fortes e dos Pontos Fracos nas expectativas da empresa Figura 17 Matriz BCG da Panif. Bom Gosto Figura 18 Mercado Consumidor Figura 19 Área de Produção Figura 20 Área de Vendas... 76

10 9 LISTA DE QUADROS Quadro 01 Formula para o cálculo do Ponto de Equilíbrio Quadro 02 Formula para o cálculo da Rentabilidade Quadro 03 Análise SWOT da Panif. Bom Gosto Quadro 04 Apresentação e identificação dos concorrentes Quadro 05 Calculo do Ponto de Equilíbrio para a Panif. Bom Gosto Quadro 06 Produtos Quadro 07 Prazos de vendas, compras e estoques Quadro 08 Custos Variáveis Quadro 09 Sazonalidade das Vendas... 81

11 10 LISTA DE TABELAS Figura 01 Previsão de Vendas Figura 02 Investimento Fixo Figura 03 Mão de Obra Figura 04 Custos Fixos Operacionais Figura 05 Orçamento de Receitas e Despesas Figura 06 Previsão Anual de Vendas Figura 07 Avaliação Econômico Financeira Figura 08 Ponto de Equilíbrio Figura 09 Análise de Sensibilidade... 87

12 11 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO A Organização Questão problema Justificativa da questão problema OBJETIVOS Objetivo geral Objetivos específicos FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Administração Empreendedorismo Planejamento Tipos de planejamento Plano de Negócios Estrutura do Plano de Negócios Capa Sumário Sumário Executivo Descrição da Empresa Produtos e Serviços Mercado e Competidores Marketing e Vendas Análise Estratégica Plano Financeiro Ponto de equilíbrio Índices de avaliação de investimento Analise do Ambiente Análise do Ambiente Externo Análise do Ambiente Interno... 51

13 12 4 METODOLOGIA Modalidade de Pesquisa Quanto à Natureza dos Dados Quanto aos Objetivos Campo de Observação Instrumento de Coleta de Dados Descrição das Etapas de Investigação RESULTADOS Análise do ambiente ponto fortes e pontos fracos, ameaças e oportunidades Fatores críticos de sucesso Análise do ponto de equilíbrio Plano de negócios Capa Produtos e serviços Marketing e comercialização Mercado consumidor Mercado fornecedor Mercado concorrente Previsão de vendas Aspectos técnicos e operacionais Layout Prazos de venda, compra e estoque Investimento fixo Mão de obra Custos Fixos Operacionais Sazonalidade Orçamento de receitas e despesas Previsão anual das vendas Avaliação econômico financeira Ponto de equilíbrio Análise de sensibilidade Parecer... 85

14 13 6 CONCLUSÃO REFERÊNCIAS APÊNDICE... 92

15 14 1 INTRODUÇÃO Nos últimos tempos o mundo tem passado por constantes evoluções e modificações na economia, na política, na sociedade em si, que acabou por provocar transformações nos negócios: a chamada globalização. E assim as organizações encontraram oportunidades, mas, também ameaças com a globalização. Estamos em constante evolução tecnológica, a comunicação se tornou extremamente rápida, a concorrência cada vez mais acirrada, e os consumidores cada vez mais exigentes. Neste cenário, micros e pequenas empresas, face ao seu porte, conseguem adaptar-se com maior facilidade as rápidas modificações no mercado, tornando-se rapidamente competitivas e podendo assim garantir a sua sobrevivência. Pequenas empresas mantêm o contato direto com o cliente e priorizam atender as necessidades especificas de cada um rapidamente. O setor de panificação é considerado um dos seis maiores segmentos industriais do país, com faturamento anual estimado em R$ 34,9 bilhões, de acordo com levantamento Associação Brasileira da Indústria da Panificação e Confeitaria (Abip) /2006. Sua participação no setor industrial de produtos alimentícios é de 36,2%, e 7%, na indústria de transformação. Esse segmento gera 600 mil empregos diretos e cerca de 1,5 milhão de indiretos. Quase a totalidade de empresas de panificação (96,3%) são micro e pequenas empresas. As panificadoras atendem diariamente cerca de 40 milhões de clientes no Brasil, segundo dados da Abip. O segmento de panificação é um dos que mais cresce na economia brasileira, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria da Alimentação (Abia), as vendas das padarias cresceram 142%, em 2006, e saltaram de R$ 3,3 bilhões, em 2005, para R$ 8 bilhões. Nos últimos anos, as padarias têm sofrido forte concorrência dos supermercados, que passaram a produzir e vender pães, e representam a maior ameaça as panificadoras, pois produzem pães artesanais e os vendem abaixo do custo para atrair clientes.

16 15 Por esses e por outros motivos é que a empresa precisa conhecer bem o ambiente em que se encontra: os clientes, os pontos fortes e fracos, as condições e as necessidades do futuro e viabilidade. Diante do exposto, torna-se imprescindível a realização de um plano de negócios para a Panificadora e Confeitaria Bom Gosto. O Plano de Negócios é um documento no qual o empreendedor formaliza os estudos a respeito de suas idéias, transformando-as em um negócio. Nesse documento é registrado o conceito do negócio, os riscos, os concorrentes, o perfil dos clientes, as estratégias de marketing, bem como todo o plano financeiro que viabilizará o novo negócio. Neste caso o Plano de Negócios não será utilizado para a criação de um novo negócio, mais sim como ferramenta para a consolidação do negócio e um crescimento planejado. Visto isso, fica clara a importância da realização de um Plano de Negócios, a empresa precisa orientar seus esforços na direção mais correta, estruturando e planejando as ações necessárias para o melhor resultado futuro. 1.1 A Organização A empresa objeto deste estudo é a Panificadora e Confeitaria Bom Gosto, fundada no dia 27 de junho de 2008 por Jurandia Conceição dos Santos Machado e Pedro Paulo Machado, situada na Avenida Nilo Bittencourt nº1005 Bairro São Vicente. A idéia de montar a panificadora surgiu por intermédio do Sr. Paulo e Sr. Jurandia Machado ao ver que seu filho Pedro estava encontrando muitas dificuldades na busca por trabalho, decidiram que a melhor solução seria a abertura do próprio negócio. O ramo de atividade escolhido se deu pelo grande conhecimento da família neste tipo de negócio com mais de dez anos de experiência. A Bom Gosto caracteriza-se como uma empresa de cunho familiar, que iniciou sua atividades com apenas os sócios trabalhando e hoje conta com a colaboração

17 16 de seis funcionários: três balconistas, um ajudante de padeiro, um padeiro da noite e um confeiteiro, sendo que este é o único integrante da equipe que não pertence a família. Desde sua inauguração a Bom Gosto, com a ajuda de seus colaboradores vem se aperfeiçoando e trazendo novidades aos consumidores, buscando sempre a satisfação de seus clientes, e como resultado do bom trabalho que vem sendo realizado, a Panificadora e Confeitaria Bom Gosto vem apresentando uma crescente evolução nas vendas. Figura 01. A empresa 1.2 Questão problema Como desenvolver o Plano de Negócios para a Panificadora e Confeitaria Bom Gosto objetivando seu crescimento planejado, diminuir riscos e incertezas?

18 Justificativa da questão problema A decisão de elaborar um trabalho de conclusão de curso sobre plano de negócios justifica-se pelo fato de as empresas se encontrarem diante de um cenário globalizado e altamente competitivo, dominado em grande parte por organizações de grande porte, dificultando a sobrevivência de empresas de micro e pequeno porte. Pode-se observar através dos altos índices de mortalidade, a falta de mecanismos que possibilitam uma gestão eficaz capaz de gerar um crescimento sustentável, planejado e duradouro diminuindo os riscos e aumentando a viabilidade de sucesso do empreendimento. Esses índices estão atrelados na maioria das vezes, ao baixo poder financeiro, fluxo de caixa deficiente e mal administrado, ausência de um estudo de mercado e definição de estratégias, entre outros fatores. O desenvolvimento deste trabalho na Panificadora e Confeitaria Bom Gosto será de grande importância para a empresa, para ampliar a visão dos sócios na gestão do negócio, como ferramenta para tomada de decisão e para o crescimento planejado da empresa. Com esse trabalho de conclusão de curso, espera-se oportunizar a Panificadora e Confeitaria Bom Gosto um modelo de gestão, um caminho de consolidação e expansão do negócio, ampliando seus horizontes e redefinindo sua forma de atuação. Como acadêmica do curso de Administração, desenvolver um trabalho em uma empresa trará experiências práticas, conhecimentos e informações que serão de grande importância para o futuro, promovendo assim, o desenvolvimento e amadurecimento tanto pessoal, quanto acadêmico.

19 18 2 OBJETIVOS 2.1 Objetivo geral Desenvolver o Plano de Negócios para a Panificadora e Confeitaria Bom Gosto. 2.2 Objetivos específicos Promover a análise do ambiente com relação às oportunidades e ameaças e pontos fortes e fracos da empresa, Identificar e apresentar os concorrentes diretos, Avaliar os fatores críticos de sucesso, Análise do ponto de equilíbrio, Elaborar o plano de negócios.

20 19 3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Este capítulo tem por finalidade apresentar teoricamente idéias e conceitos de alguns autores, com o intuito de estabelecer um referencial teórico para o desenvolvimento de um Plano de Negócios. 3.1 Administração O conceito da administração de forma geral é fazer a utilização máxima de todos os recursos disponíveis na realização dos objetivos da organização, mas cada autor a define de uma forma específica. Segundo Chiavenato (1994) a expressão administração teve sua origem no latim: ad, direção para, tendência; minister, comparativo de inferioridade, subordinação e obediência. Em sua origem, a palavra administração se refere a uma função que se desenvolve sob o comando de outro, de um serviço que se presta a outro. Longnecker (1997, p.24) diz que alguns definem a administração como sendo a arte de obter as coisas mediante o trabalho de outras pessoas. Para Longnecker isto distingue o trabalho administrativo do não administrativo, mas diz pouco sobre o processo real de administrar ou de como se obtém resultado das pessoas. A administração é apresentada por Maximiano (2005, p.06) como sendo importante em qualquer escala de utilização de recursos para realizarem objetivos individual, familiar, grupal, organizacional ou social. Drucker (1989, p.164) comenta ainda que: hoje em dia, sem dúvida, há tanta administração fora da empresa, quanto na empresa talvez mais. Administração é uma atividade ativa, dinâmica, que envolve tomar decisões sobre recursos utilizados e objetivos definidos. O processo de administrar faz parte

21 20 de qualquer situação em que haja pessoas utilizando recursos para atingir algum objetivo, seja ele qual for. A administração está presente em qualquer tipo de organização, organizações lucrativas chamadas empresas e organizações não lucrativas como igrejas, entidades filantrópicas e organizações não governamentais. Para Chiavenato (2000, p.01) a administração nada mais é do que a condução racional das atividades de uma organização seja ela lucrativa ou não. Onde quer que haja trabalho em conjunto de pessoas com a intenção de alcançar um ou mais objetivos comuns, o componente fundamental desse conjunto para alcançar esses objetivos é a administração. Os administradores alcançam os objetivos das organizações conseguindo que outros realizem as tarefas necessárias e não realizando eles próprios as tarefas. A administração é isso e mais na verdade, ela é tantas coisas que nenhuma definição foi universalmente aceita. Além disso, as definições mudam à medida que mudam os ambientes das organizações (STONER;FREEMAN, 1999, p.5). Longenecker (1997, p.24) diz que a prática administrativa correta depende muito da situação que se tem em mãos. O melhor tipo de estrutura organizacional de liderança e de sistema de controle depende das circunstâncias ou de características de determinada situação. Segundo Chiavenato (1994), o processo administrativo divide-se em quatro etapas para facilitar o alcance dos objetivos organizacionais. Etapas estas denominadas como: planejamento, organização, direção e controle. A seguir são mencionados os conceitos destas etapas segundo Chiavenato (2004), e Daft (2005). Planejamento: responsável por estipular os objetivos a serem alcançados em todos os níveis organizacionais, é uma função em que o administrador deve definir missão, propósito e valores da organização, estabelecer objetivos e determinar a melhor maneira de alcançá-los. Organização: responsável por definir de que forma isso será feito e quem fará o que, é esta função que estabelece a estrutura através do qual o trabalho é definido, subdividido e coordenado pela organização. Direção: significa direcionar tarefas, ou seja, liderar a equipe para que os objetivos sejam alcançados. É influenciar os funcionários a envolverem-se com o

22 21 objetivo da organização, fazendo com que eles realizem as atividades necessárias com qualidade e determinação através de comunicação, motivação e disciplina. Controle: que visa analisar e monitorar as atividades realizadas, ou seja, é o monitoramento das atividades realizadas pelos colaboradores, a fim de certificar se a organização está caminhando à realização de suas metas. Tais etapas podem ser observadas na figura 2: Ambiente Externo Planejamento Entradas Insumos Controle Organização Saídas Resultados Direção Figura 02. O processo administrativo Fonte: Chiavenato, 2004, p. 15 A administração tem como tarefa a interpretação dos objetivos propostos pela organização, para então transformarmos em ação. Esta ação deve ser planejada, organizada, dirigida e controlada, onde o controle deve ser realizado em todas as áreas da organização, e em todos os seus níveis. Hampton (1992) afirma que o que diferencia a administração dos demais tipos de trabalhos executados no seio de uma organização, é que o trabalho administrativo concentra-se em manter a organização, facilitando atingir seus fins. A teoria geral da administração moderna do século XX apresenta diversos conceitos que foram desenvolvidos pelos primeiros administradores. Esses

23 22 conceitos evoluíram continuamente ao longo dos tempos, influenciados pelas circunstâncias a cada momento histórico. Para Maximiano (2005, p.19) no limiar do século XXI, mudanças em todos os tipos de ambientes competitivo, tecnológico, econômico, social levaram ao surgimento de novos conceitos e técnicas para administrar as organizações. Chiavenato(1983) afirma que profissional que faz uso da administração como meio de vida, pode atuar nos diversos níveis de uma organização, desde o nível hierárquico até o nível de dirigente máximo da organização. Pode trabalhar nas diferentes especializações da Administração, seja a Administração da Produção, Administração Financeira, Administração de Recursos Humanos, Administração Mercadológica, ou ainda a Administração Geral. Em todas as organizações e até mesmo no dia a dia das pessoas, de uma forma ou de outra a administração está presente, sendo assim deve-se dar mais atenção ao tema, estudá-lo, procurar entendê-lo e aplicá-lo em suas organizações e em suas vidas pessoais. 3.2 Empreendedorismo Segundo Dornelas (2001, p.27) a palavra empreendedor (entrepreneus) tem origem francesa e quer dizer aquele que assume riscos e começa algo novo. Empreendedores são pessoas diferenciadas, possuem motivação, gostam do que fazem, não querem ser mais um, querem ser reconhecidas, admiradas e imitadas. Querem fazer parte da história e do futuro. Empreendedor é aquele que materializa e gerencia um negócio, assumindo riscos em favor do lucro, já Dolabela (2006, p.25) define o empreendedor como alguém que sonha e busca transformar seu sonho em realidade. De acordo com Filion (1991) apud Dolabela (2006, p.25) um empreendedor é uma pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões. E segundo Chiavenato (2007) o empreendedor é a energia da economia, a alavanca de recursos, o impulso de talentos, a dinâmica de idéias.

24 23 Empreendedorismo é o processo de criar algo novo, com valor, dedicando o tempo e os esforços necessários, assumindo os riscos financeiros, psíquicos e sociais correspondentes e recebendo as conseqüentes recompensas da satisfação e independência econômica e pessoal. (DOLABELA, 2006, p.29) Na maioria das definições apresentadas sobre empreendedorismo, existe um consenso de que se está falando de uma espécie de comportamento que inclui: tomar iniciativa, organizar e reorganizar mecanismos sociais e econômicos a fim de transformar recursos e situações para proveito prático, e aceitar o risco e o fracasso. (HISRICHI & PETERS, 2004) De acordo com Timmons (1994) apud Dolabela (2006, p.26) o empreendedorismo é uma evolução silenciosa, que será para o século XXI mais do que a revolução industrial foi para o século XX. Não existe um perfil exato de empreendedor, mas pode-se encontrar pontos em comum no que diz respeito as principais características de empreendedores de sucesso (DOLABELA, 2006): O empreendedor tem um modelo, uma pessoa de influencia; Tem iniciativa, autonomia, autoconfiança, otimismo, necessidade de realização; Trabalha sozinho; Tem perseverança e tenacidade; Considera o fracasso um resultado como outro qualquer, e aprende com ele; Tem grande energia; Sabe fixar metas e atingi-las; Luta contra padrões impostos; Tem forte intuição; Tem sempre alto comprometimento; Sabe buscar, utilizar e controlar recursos; É um sonhador realista; É líder;

25 24 É orientado para o futuro; Traduz seus pensamentos emoções; É pró-ativo; Tem grande capacidade de influenciar as pessoas; Mantêm alto nível de consciência do ambiente em que vive; Tem alta tolerância a incerteza; Assume ricos calculados; Aprende a partir do que faz. Ser um empreendedor envolve mais do que a abertura de um novo negócio, ou o desenvolvimento de um novo produto ou serviço, envolve a sociedade, e as conseqüências que este novo produto ou negócio trarão a ela. Dolabela (2006) enfatiza a importância do empreendedorismo para a sociedade e enumera alguns pontos que considera pontual, como a dinamização da economia, o melhor recurso contra o desemprego e a responsabilidade pelo desenvolvimento econômico e social, subtraindo desse conceito aqueles que visam apenas o enriquecimento pessoal, poluem o meio ambiente e cujas empresas causam doenças ou efeitos que exterminam vidas. Ainda hoje existe certa confusão entre administrador e empreendedor, porem existe uma grande diferença entre os dois. De acordo com Dornelas (2001, p.29-37) o trabalho do administrador ou a arte de administrar concentra-se nos atos de planejar, organizar, dirigir e controlar. Já o empreendedor é aquele que detecta uma oportunidade e cria um negocio para capitalizar sobre ela, assumindo riscos calculados, ou seja, o empreendedor é um visionário, que não busca fazer o mesmo, busca fazer algo novo. Todo empreendedor necessariamente deve ser um bom administrador para obter sucesso, no entanto, nem todo bom administrador é um empreendedor. O empreendedor tem algo a mais, algumas características e atitudes que o diferenciam do administrador tradicional (DOLABELA, 2001, p.28). Para ser bem sucedido, o empreendedor não deve apenas saber criar seu próprio empreendimento, ele deve saber administrar seu negócio, deve saber

26 25 mantê-lo em um ciclo de vida prolongado, para obter assim retornos significativos dos seus investimentos. A pessoa empreendedora é criativa, possui a capacidade de definir e conquistar objetivos e matem um nível elevado de consciência do ambiente em que vivem, utilizando isto para detectar oportunidades de negócios. O empreendedor é um insatisfeito que transforma seu inconformismo em descobertas e propostas positivas para si mesmo e para os outros. (DOLABELA, 2006, p.26). Um empreendedor que continua a buscar por possíveis oportunidades de negócios, e a optar por decisões arriscadas, buscando a inovação, irá manter-se desempenhando um papel empreendedor. O espírito empreendedor envolve fatores emocionais e racionais, conforme podemos observar: O espírito empreendedor envolve sentimento como emoção, paixão, impulso, inovação, risco e intuição, mas não pode deixar de lado a racionalidade, o equilibrio entre estes aspectos é indispensável. Saber estabelecer metas e objetivos globais e encontrar os meios adequados para alcançar seu objetivos da melhor maneira possível. O empreendedor deve saber definir seu negócio, conhecer seu cliente e suas necessidades, determinar a missão e a visão do futuro, formular objetivos e estabelecer estratégias para alcançá-los, desenvolver e estabilizar sua equipe, lidar com assunto de produção, marketing e finanças, inovar e competir em um contexto repleto de ameaças e oportunidades. (CHIAVENATO, 2007). O empreendedorismo tem um papel fundamental no desenvolvimento econômico, de uma sociedade, através dos empreendedores diversas barreiras estão sendo eliminadas, o empreendedor é a essência da inovação no mundo, é a pessoa que abala a ordem econômica existente graças a introdução de novos produtos ou serviços no mercado. O papel do empreendedorismo no desenvolvimento econômico envolve mais do que apenas o aumento de produção e renda per capta; envolve iniciar e construir mudanças na estrutura do negócio e da sociedade. Tal mudança é acompanhada pelo crescimento e por maior produção, o que permite que mais riqueza seja dividida pelos vários participantes. (HISRICH ; PETERS; 2004, p.33) No Brasil o empreendedorismo começou a tomar forma na década de 1990, durante a abertura da economia e desde então vem recebendo atenção de

27 26 entidades e do governo. Esta atenção se deve ao fato da taxa de mortalidade de novas empresas ser muito alta, 56% delas não chegam a completar o terceiro ano de vida. Vários são os fatores que contribuem para essa taxa de mortalidade, mas o principal deles é a falta de planejamento antes de iniciar o novo negócio. Por este motivo, torna-se tão importante a capacitação de candidatos a empreendedores. Sendo assim, para que o empreendedor possa ser bem sucedido, torna-se necessária a utilização do planejamento, tema este que será apresentado a seguir. 3.3 Planejamento Planejamento significa estabelecer um conjunto de providências para a realização de objetivos organizacionais de modo mais eficiente, eficaz e efetivo, envolvendo a escolha de um curso de ação e quando e como deve ser realizado. De todas as funções administrativas, o planejamento é a mais importante pois afeta todas as demais. Para Maximiano (1981, p.154) planejar é tomar no presente, decisões que afetam o futuro. De acordo com Steiner (1969) apud Oliveira (2007) o planejamento apresenta cinco dimensões, cujos aspectos são apresentados a seguir: A primeira dimensão do planejamento corresponde ao assunto abordado, que pode ser produção, novos produtos, marketing, finanças entre outros. A segunda dimensão corresponde aos elementos do planejamento, dos quais, podemos citar objetivos, estratégias, propósitos, políticas, entre outros. A terceira dimensão diz respeito à dimensão do tempo do planejamento, que pode ser de longo, médio e curto prazo. A quarta dimensão corresponde as unidades organizacionais, onde é elaborado o planejamento, e nesse caso pode haver planejamento corporativo, de negócios, de departamentos, entre outros.

28 27 A quinta dimensão diz respeito as características do planejamento, que podem ser complexas ou simples, qualidade ou quantidade, confidencial ou publico, planejamento estratégico ou tático, formal ou informal, econômico ou caro. Estas cinco dimensões permitem a visualização da amplitude do assunto planejamento. Planejamento é determinar os objetivos certos e em seguida escolher os meios corretos para alcançar esses objetivos (STONER; FREEMAN, 1991). O propósito do planejamento pode ser definido como o desenvolvimento de processos, técnicas e atitudes administrativas, as quais proporcionam uma situação viável de avaliar as implicações futuras de decisões presentes em função dos objetivos empresariais que facilitarão a tomada de decisão no futuro, de modo mais rápido, coerente, eficiente e eficaz. Dentro deste raciocínio, pode-se afirmar que o exercício sistemático do planejamento tende a reduzir a incerteza envolvida no processo decisório e conseqüentemente, provocar o aumento da probabilidade de alcance dos objetivos, desafios e metas estabelecidos para a empresa (OLIVEIRA, 2007, p.05). Planejar é uma das quatro funções interativas da administração, poderia se considerar como função básica e inicial das ações de planejar, organizar, liderar e controlar, como pode ser observado na figura 03. Planejamento -Definir a missão, objetivos e prioridades -Determinar onde as coisas estão agora -Desenvolver premissas sobre as condições futuras Identificar os meios para alcançar os objetivos -Implementar os planos de ação e avaliar os resultados Organização Controle Direção Figura 03. O planejamento dentro do processo administrativo. Fonte: Chiavenato, 2004, p.190 O planejamento deve ser visto como uma esplendorosa árvore, com raízes profundas, da qual saem os ramos da organização, da liderança e do controle.

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