TOMADA DE DECISÃO EM RELAÇÃO AO CRÉDITO EM UMA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA: UM ESTUDO DE CASO DO BANCO DO BRASIL

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1 FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS ESCOLA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CENTRO DE FORMAÇÃO ACADÊMICA E PESQUISA CURSO DE MESTRADO EXECUTIVO TOMADA DE DECISÃO EM RELAÇÃO AO CRÉDITO EM UMA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA: UM ESTUDO DE CASO DO BANCO DO BRASIL DISSERTAÇÃO APRESENTADA À ESCOLA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE IVO JOEL BORATTI Rio de Janeiro 2002

2 FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS ESCOLA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CENTRO DE FORMAÇÃO ACADÊMICA E PESQUISA CURSO DE MESTRA TO EXECUTIVO TíTULO TOMADA DE DECISÃO EM RELAÇÃO AO CRÉDITO EM UMA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA: UM ESTUDO DE CASO DO BANCO DO BRASIL DISSERTAÇÃO DE MESTRADO APRESENDADA POR: Ivo Joel Boratti E APROVADO EM 2i-'MJ)()f),2 PELA COMISSÃO EXAMINADORA Doutor Engenharia da Produção IS INTELA CURY Doutor em Eng nharia da Produção

3 FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS ESCOLA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CENTRO DE FORMAÇÃO ACADÊMICA E PESQUISA CURSO DE MESTRA TO EXECUTIVO TOMADA DE DECISÃO EM RELAÇÃO AO CRÉDITO EM UMA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA: UM ESTUDO DE CASO DO BANCO DO BRASIL DISSERTAÇÃO APRESENTADA À ESCOLA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE IVO JOEL BORATTI Rio de Janeiro 2002

4 lu AGRADECIMENTOS Inicialmente, preciso registrar o apoio incondicional dos meus familiares. Não fosse o incentivo e a compreensão da minha esposa Rejane e das minhas filhas Juliana e Larissa, talvez eu não tivesse concluído este mestrado. Grande parte desta conquista se deve a elas. Que eu possa, oportunamente, recompensá-las pelo sacrificio imposto ao nosso lazer e convívio e familiar. Devo, também, registrar meus agradecimentos ao Banco do Brasil, instituição onde trabalho há 22 anos e que me oportunizou, até este momento, um grande crescimento pessoal e profissional, além da importante sustentação econômica. Quanto ao tema desta dissertação, posso dizer que o banco tem sido a minha grande escola, eis que me possibilita o real exercício da Análise de Crédito. Através da negociação diária com clientes, estudos de dossiês que contemplam a essência dos conteúdos aqui apresentados, discussões em comitês de crédito de agências e atuação como instrutor do curso "Análise Financeira e de Crédito", me é oferecida a oportunidade para perceber a importância e as necessidades intrínsecas do assunto. Além desta relação com o tema, agradeço também ao banco pela ajuda financeira a mim dispensada, através do financiamento de 65% do custo deste curso. Neste momento, não poderia esquecer de outras pessoas que, da mesma forma, foram decisivas para a conclusão deste trabalho. Embora muitos colegas do curso, de formas diversas, tenham me auxiliado, preciso registrar a ajuda incondicional do Fernando Ben, que, em todos os momentos, me incentivou a ir adiante nesta desafiadora empreitada. Não posso esquecer, também, dos colegas do Banco que me forneceram dados, responderam pesquisas ou que me receberam pessoalmente e foram solícitos em relação às minhas dúvidas e questionamentos. Quanto a eles, faço um registro especial sobre o grau de profissionalismo demonstrado. Sempre observando os limites impostos pelas normas baixadas pela instituição, em nenhum momento se furtaram a partilhar seus conhecimentos. Mesmo correndo o risco de deixar alguém fora, agradeço de forma

5 IV especial ao Marco Túlio de Oliveira Mendonça, ao Carlos Renato Bonetti e ao Guilherme Altomar, todos da Central de Crédito de Brasília (DF), assim como agradeço ao José Luiz Mansano e toda sua equipe, estes da Divisão de Crédito de Curitiba (PR). Por derradeiro, o meu agradecimento maior aos professores José Cezar Castanhar, José Carlos Franco de Abreu Filho, Istvan Karoly Kasznar e Marcus Vinicius Quintela Cury, pela orientação e incentivo que me emprestaram. Não fosse a capacidade técnica e humana dos mesmos, talvez eu tivesse desistido no meio do caminho. Muito Obrigado a todos. Ivo Joel Boratti

6 v SUMÁRIO INTRODUÇAO DEFINIÇÃO DO PROBLEMA DEFINIÇÃO DO PROBLEMA OBJETIVOS OBJETIVO GERAL OBJETIVOS ESPECÍFICOS JUSTIFICA TIV A REVISAO DE LITERATURA A MUDANÇA NAS ORGANIZAÇÕES A TRANSFORMAÇÃO NA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL AS TRANSFORMAÇÕES NA TOMADA DE DECISÃO O PLANEJAMENTO DA DECISÃO A DECISÃO COM BASE NAS INFORMAÇÕES A GERAÇÃO DE INFORMAÇÕES PARA DECISÃO O PROCESSO DE DECISÃO DE CRÉDITO NA INSTITUIÇÃq FINAN~EIRA A FUNÇAO DO CREDITO O CRÉDITO COMO NEGÓCIO RISCO DO CLIENTE OU RISCO INTRÍNSECO... 28,, A POLITICA DE CREDITO CULTURA DE CREDITO... 31,, 2.4 A ANALISE DE CREDITO MODELOS DE ANÁLISE DO RISCO DE CRÉDITO CARACTERÍSTICAS DOS MODELOS RELEVÂNCIA DOS MODELOS DE RISCO DE CRÉDITO PARA O TOMADOR DE DECISÕES ALGUNS MODELOS DE ANÁLISE DE RISCO ALGUNS ESTUDOS EMPÍRICOS REALIZADOS NO EXTERIOR ESTUDOS DE PATRICK ESTUDOS DE WINAKOR SMITH ESTUDOS DE T AMARI ESTUDOS DE ALTMAN O Modelo Score-Z O Modelo de Risco de Crédito Zeta ESTUDOS DE LETÍCIA E. TOPA ALGUNS ESTUDOS EMPÍRICOS REALIZADOS NO BRASIL ESTUDOS DE STEPHEN C. KANITZ ESTUDOS DE ALTMAN ESTUDOS DE ISTV AN ESTUDOS DE ALBERTO MATIAS ESTUDOS DE JOSÉ PEREIRA DA SILV A

7 VI MODELOS COMO AVALIAÇÃO DE CRÉDITO NECESSIDADE DE ANÁLISE COMPLEMENTAR NOVAS ABORDAGENS DE ANÁLISE DO RISCO DE, CREDITO MODELO KMV O SISTEMA DE TOMADA DE DECISÃO ATRAVÉS DAS REDES NE URAIS , A LOGICA FUZZY O CASO DO SISTEMA ASK O CASO DA BMW BANK TOMADA DE DECISÃO, RISCO E A NEURO-FUZZY METODOLOGIA TIPO DE PESQUISA PLANO, DE COLETA DE DADOS ANALISE DE DADOS POPULAÇA O IJNIVERSO AMOSTRA LIMITAÇÕES METODOLÓGICAS TOMADA DE DECISÃO EM RELAÇÃO AO CRÉDITO NO BANCO DO BRASIL PARA PESSOAS JURÍDICAS DO SETOR MOVELEIRO A ESTRUTURA HIERÁRQUICA DO PROCESSO, DECISORIO DOCUMENTAÇÃO SOLICITADA PARA ANÁLISE - ( A) O RELATÓRIO DE VISITAS - ( B ) COLETA DE INFORMAÇÕES EFETUADA PELA AGÊNCIA - ( B ) CONFECÇÃO DAS FICHAS CADASTRAIS - (B ) MANIFESTAÇÃO DO COMITÊ DE CRÉDITO DA AGÊNCIA - ( C) O TRABALHO DA DIVISÃO DE CRÉDITO RECEPÇÃO DO DOSSIÊ PELA DIVISÃO DE CRÉDITO - ( D ) O ANALISTA DE CRÉDITO O TRABALHO DO ANALISTA - ( E 1,2,3 ) ASPECTOS EXTERNOS DO MODELO DE CRÉDITO ADOTADO PELO BANCO DO BRASIL AN;\LISE QUANTITATIVA OU TÉCNICA ANALISE QUALITATIV A A,PONTUAÇÃO FINAL DO MODELO E A DEFINIÇÃO DO RISCO DE CREDITO DO CLIENTE POSICIONAMENTO DO ANALISTA ASPECTOS INTERNOS DO MODELO DE ANÁLISE DE CRÉDITO DO BANCO DO BRASIL DESENVOLVIMENTO DA PARTE QUANTITATIVA DO MODELO

8 Vll DESENVOLVIMENTO DA PARTE QUALITATIVA DO MODELO CARÁTER CAPACIDADE CONDIÇÕES DEFINIÇÃO DA PONTUAÇÃO DA PARTE QUALITATIVA DO MODELO PONTUAÇÃO FINAL E DEFINIÇÃO DO RISCO DE CRÉDITO ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE OS RESULTADOS PRÁTICOS OBTIDOS PELO BANCO DO BRASIL E OS RESULTADOS OBTIDOS A PARTIR DO MODELO DE ANÁLISE DE CRÉDITO AQUI DESENVOLVIDO PONTOS CRÍTICOS DA ANÁLISE DE CRÉDITO PRATICADA PELO BANCO DO BRSASIL A FORMA DA DECISÃO NO BANCO DO BRASIL A LÓGICA NEURAL, FUZZY E NEURO-FUZZY NO BANCO DO BRASIL CONSIDERAÇÕES FINAIS BIBLIOGRAFIA

9 Vll1 LISTA DE QUADROS Quadro 2.1: Composição do Grupo de Pesquisa Quadro 4.1: Medianas de índices econômico-financeiros da indústria movei eira nacional, por faixa de risco.... Quadro 4.2: Exemplo de Régua Discriminante do Risco das empresas Quadro 4.3: Medianas dos Percentuais Utilizados pelo Banco do Brasil para Calcular os Limites de Crédito a partir da Receita Operacional Líquida (ROL) e do Patrimônio Líquido (PL) das Empresas, por Nível de Risco.... Quadro 4.4: Limites Calculados e Deferidos para empresas do Rio Grande do Sul, no Período Set/2000 a Ago/200 1, em R$ mil Quadro 4.5: Variáveis Independentes Utilizadas no Desenvolvimento do Modelo de Análise de Crédito.... Quadro 4.6: Distribuição Percentual dos Graus de Risco Calculados pelo Banco do Brasil, por Porte de Empresa.... Quadro 4.7: Valores Mínimos e Máximos das Variáveis Independentes Quadro 4.8: Resultado da Função Discriminante Dl, Aplicada a uma Empresa Hipotética.... Quadro 4.9: Itens a serem Observados na Avaliação do Fator Caráter da Empresa.... Quadro 4.10: Pontuação a ser Observada na Avaliação de Risco do Fator Caráter.... Quadro 4.11: Definição do Nível de Risco do Fator Caráter de uma Indústria Moveleira Hipotética.... Quadro 4.12: Itens a serem Observados na Avaliação do Fator Capacidade da Empresa.... Quadro 4.13: Pontuação a ser Observada na Avaliação de Risco do Fator Capacidade... Quadro 4.14: Definição do Nível de Risco do Fator Capacidade de uma Indústria Moveleira Hipotética... Quadro 4.15: Itens a serem Observados na Avaliação do Fator Condições da Empresa.... Quadro 4.16: Pontuação a ser Observada na Avaliação de Risco do Fator Condições

10 IX Quadro 4.17: Definição do Nível de Risco do Fator Condições de uma Indústria Moveleira Hipotética Quadro 4.18: Pontuação Qualitativa Atribuída a uma Empresa Hipotética Quadro 4.19: Comparação entre os riscos de crédito definidos pelo Banco do Brasil e aqueles estabelecidos pelo modelo de análise desenvolvido neste trabalho

11 x LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 2.1: Capital como Opção de Compra sobre uma Empresa Gráfico 2.2: Cálculo da Freqüência Esperada de Inadimplência de uma 59 Determinada Empresa.... Gráfico 4.1: Percentuais da ROL e do PL, por nível de risco, utilizados pelo 94 Banco do Brasil para calcular o limite de crédito das empresas.... Gráfico 4.2: Limites de crédito deferidos para empresas do RS no período de 96 Set/2000 a Ago/2001 (valores em R$ mil)....

12 Xl LISTA DE FIGURAS Figura 2.1: Os Níveis Hierárquicos Figura 2.2: Variáveis do Processo Decisório Figura 2.3: Tipos de Decisão Figura 2.4: Bases da Tomada de Decisão Figura 2.5: Importância da Informação Figura 2.6: Modelo de Fluxos de Informação em uma Empresa Figura 2.7: Exemplo de escala de classificação de risco, tendo como base as 53 funções "2" de Silva.... Figura 2.8: Exemplo de uma Rede Neural Simples Figura 2.9: Modelo de Decisão Hierárquico Figura 2.10: Avaliação do Risco de Leasing para Clientes Privados Figura 2.11: Avaliação do Risco de Leasing para Clientes Corporativos Figura 4.1: Estrutura do Processo Decisório Figura 4.2: Aspectos Considerados na constituição dos Modelos de Análise de 99 Crédito utilizados pelo Banco do Brasi1.....

13 XIl RESUMO Há uma intensa transfonnação nas empresas, exigindo uma efetividade maior em seus processos. Neste contexto repleto de incertezas, tem grande importância a tomada de decisão. O processo decisório de uma organização é o reflexo de como ela interage com seu ambiente (Simon,1965). A Tomada de Decisão se toma muito importante para a organização, passando por diversas variáveis na constituição de um modelo decisório. Esta pesquisa tem como objetivo o estudo dos modelos adotados por uma instituição financeira, que refletem sua fonna de decidir. A escolha deste tema justifica-se pela importância que o mesmo representa para as organizações financeiras e pela necessidade de melhorar a efetividade decisória. A empresa estudada é o Banco do Brasil, através de uma análise do processo de crédito dos clientes "pessoas jurídicas", onde se procura descrever a fonna como as decisões são tomadas. Há uma descrição da hierarquia do processo decisório, juntamente com os modelos de análise do risco de crédito como fatores preponderantes no sucesso do negócio crédito. No capítulo Metodologia, é caracterizada a empresa, a situação problema e o tema de estudo. No referencial teórico, foi feita uma análise do processo decisório, onde são analisados os modelos de análise do risco de crédito e a formação de sistemas de apoio à decisão nas instituições financeiras. Os resultados do estudo proposto, respondem o problema da pesquisa, onde é analisada, com aplicação de pesquisa documental e observação empírica, a empresa pesquisada. Através desta pesquisa, observou-se uma organização com modelo decisório extremamente planejado, porém não utilizando ainda as práticas modernas de tomada de decisão com relação ao crédito. A conclusão deste trabalho, além de trazer várias observações em tomo do tema analisado, também faz algumas sugestões à empresa pesquisada.

14 Xlll ABSTRACT There has been an intense transformation at compames, demanding in tum, more effectiveness on their processes. In this envirorunent full of uncertainties, decisionmaking is very important. "The decision-making process of a company shows how it interacts with its environment" (Simon, 1965). The decision-making tums out to be very important, passing through severa) variabies for decision model constitution. This research aims the study of the models adopted by a financiai institution that end up reflecting its way of decision. The choice of this subject justifies itself not oniy by the importance that it represents to the financiai institutions, but also by the constant improvement necessity of decision effectiveness. The institution under study is Banco do Brasil SI A, through a credit process anaiysis of Corporative Clients, showing how the decisions are made. There is a description of the decision-making process hierarchy along with credit risk models analysis, as being prevailing factors for the credit business success. In the Methodology chapter are characterized the institution and the study case. Regarding to theoretical references, an anaiysis of the decision-making process has been done, with study of credit risk models, as well as the formation of supporting systems for decision-making on financiai institutions. The results of the study case answer the questions proposed, against documental analysis and empirical observation of the institution under study. Throughout this research, it has been observed an institution with a decision-making model extremely planned, nevertheless not using as yet the most modem methods of decision-making, conceming to credit risk assessment. The conclusions of this research besides resulting in several remarks about the study case, also contribute with some suggestions to the institution analyzed.

15 INTRODUÇÃO o processo decisório das organizações vem se tomando cada vez mais recheado de informações, que estão relacionadas à dinamicidade das atividades. Há uma busca cada vez maior pela eficiência do resultado da ação da decisão. o aumento da concorrência nas instituições financeiras exige processos mais eficientes, que atendam a expectativa do ambiente externo e ao mesmo tempo demonstrem efetividade na apuração dos resultados da organização. É necessário que se alie ao bom serviço prestado, o resultado financeiro da Instituição. As instituições financeiras precisam identificar as oportunidades e ameaças do ambiente externo, pois o mercado fica cada vez mais exigente, havendo um aumento geral da eficiência das organizações. Para que uma organização inserida neste ambiente competitivo se destaque, é necessário que acompanhe a mudança tecnológica, constituindo uma estrutura interna adequada à realidade de seu mercado. Existe uma mudança na forma de decidir nas instituições bancárias, com uma transformação nos modelos decisórios. Estes modelos são extremamente planejados, passando de uma análise determinística para uma abordagem probabilística. A tomada de decisão começa a ser estruturada por um planejamento, através do uso das informações apuradas por sistemas de apoio à decisão. O negócio do crédito começa a transformar seus modelos, que vêm sendo incorporados por sistemas, com o objetivo de agilizar a atividade do decisor na organização. As formas de classificação de clientes, através do uso de modelos que os classificam em faixas, é de extrema importância nos processos de análise de crédito nas instituições. A teoria da Análise Discriminante Múltipla de Altman (1968), continua sendo base no processo decisório do crédito, porém existem hoje teorias capazes de assimilar os modelos de análise de crédito de forma quantitativa e qualitativa, otimizando o processo decisório.

16 2 A decisão, no contexto da análise do risco de crédito, passa a ser estruturada através do apoio de sistemas de informação à decisão. São os chamados sistemas neurais, capazes de incorporar as ações decisórias, otimizando o tempo e os resultados da ação da decisão. Os sistemas de apoio à decisão, constituídos através das redes neurais, começam a utilizar a chamada Lógica-Fuzzy, incorporando a ferramenta computacional na prática diária do decisor. o tema central deste trabalho é o estudo da tomada de decisão com relação ao crédito em uma instituição financeira, relacionando os diversos modelos de análise até hoje utilizados. O Referencial Teórico estuda as tendências no processo decisório, analisando a estrutura decisória na concessão do crédito no Banco do Brasil, no segmento estabelecido pelos objetivos da dissertação. O trabalho é dividido em cinco seções: definição do problema, revisão de literatura, metodologia, estudo do caso Banco do Brasil e conclusão. A definição do problema traz a situação problema, os objetivos e a justificativa do presente estudo. A revisão de literatura apresenta, a partir da análise de alguns autores, o estudo da forma da tomada de decisão e sua estruturação. É realizado um estudo do processo decisório, contemplando-se modelos para análise do crédito, até se chegar nas formas mais modernas de estruturação das informações para decisão dessa área, através, inclusive, das chamadas teorias Neuro-Fuzzy. A metodologia utilizada para a realização desta pesquisa está disposta em um capítulo, onde se menciona o tipo de pesquisa, o plano de coleta de dados, a análise de dados, a população-universo, a amostra e limitações metodológicas do estudo. Os resultados práticos do estudo estão baseados no referencial teórico constituído, onde é mostrado o modelo da hierarquia decisória, modelos de análise de crédito e

17 3 características de teorias decisórias do crédito, que estão ou não presentes no Banco do Brasil. Por fim, a conclusão apresenta algumas contribuições do estudo e o levantamento de questões que podem servir de parâmetro para futuros estudos nesta área.

18 4 1 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA o presente estudo busca analisar, e entender, o processo através do qual as instituições financeiras tomam decisões com o objetivo de conceder ou negar crédito a seus clientes. 1.1 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA Uma organização possui um sistema próprio de decisão, influenciado pelas variáveis estabelecidas em seus mercados. Através de sua estrutura pré-definida, se compõe um modelo de decisão influenciado por variáveis qualitativas e quantitativas. o processo de decisão está sob uma estrutura organizacional, baseada numa estratégia, planejamento e controle, sendo realizado através de um sistema de informação. Este sistema passará a delinear um modelo decisório, que se tomará base para a decisão do gestor (Bio, 1985). Na gestão financeira dos bancos comerciais existe uma complexidade e uma pressão pela análise direta de valores, que favorecem ou prejudicam a instituição de forma instantânea. São analisados os fluxos monetários derivados das atividades exercidas, evidenciando o sucesso ou insucesso das operações de crédito. Quando os valores são significativos, a decisão não é exclusiva de um gestor, mas de um grupo de pessoas que analisa a concessão do crédito, dividindo a responsabilidade da decisão (Gitman, 1978). As pessoas que decidem estão preocupadas em maximizar a receita da instituição onde trabalham, através de decisões corretas, que podem ser verificadas com a análise de suas atividades operacionais. Por um determinado período, as instituições financeiras utilizaram modelos de análise extremamente quantitativos para tomada de decisão em relação ao crédito,

19 5 desconsiderando boa parte das informações qualitativas sobre o cliente, hoje tão importantes para a tomada de uma boa decisão. A preocupação com a maximização da receita, conduziu as instituições financeiras a uma visão determinística, fazendo com que clientes potenciais fossem até mesmo ignorados. No Banco do Brasil ocorreu uma grande reformulação na forma como se tomam as decisões com relação ao crédito, influenciada, até mesmo, pela mudança havida na estrutura das instituições bancárias. Surge, assim, o problema da presente pesquisa: de que forma são tomadas as decisões com relação ao crédito no Banco do Brasil? 1.2 OBJETIVOS o objetivo geral e os objetivos específicos, a seguir enunciados, buscam delimitar o tema central do presente estudo OBJETIVO GERAL - Analisar a forma como são tomadas as decisões para concessão de crédito no Banco do Brasil, levando-se em conta alguns modelos de apoio à decisão, utilizados pelas instituições financeiras no Brasil e no exterior OBJETIVOS ESPECÍFICOS - Verificar a transformação que ocorre no processo de decisão com relação ao crédito no Banco do Brasil;

20 6 - Descrever as informações utilizadas para concessão de crédito às indústrias movei eiras no Banco do Brasil; - Estudar os cenários utilizados para concessão de crédito à indústria movei eira e seus reflexos na tomada de decisão no Banco do Brasil. 1.3 JUSTIFICA TIV A Ocorre uma mudança cada vez maior no ambiente das organizações empresanals, havendo a produção de novos bens e serviços. Existe uma movimentação dos setores econômicos e sociais que está mudando as características das organizações (Drucker, 1999). A diversidade de estruturas organizacionais, faz com que uma pessoa não consiga tomar decisões sozinha. Isto envolve um grupo de pessoas que é influenciado pelas regras, políticas e modelos da organização. A forma como as decisões são tomadas afetam diretamente as organizações. Há, portanto, por de trás da decisão, uma repercussão de eficiência no processo, que ao mesmo tempo conduz à ganhos ou perdas (Bretãs Pereira, 1997). As empresas tomaram-se mais complexas, sendo facilmente fragmentáveis e tomando o meio empresarial cada vez mais dinâmico e competitivo. Isto exige que as decisões sejam tomadas rapidamente, sob a pressão das oportunidades, mas de forma a expor a organização ao mínimo possível de risco (Motta, 1994). Os administradores precisam decidir com rapidez e cautela, conduzindo a organização ao desenvolvimento através da conquista de mais clientes, superando a concorrência e diminuindo os custos nas operações. Em mercados ágeis, é essencial a rapidez na tomada de decisão, alcançando resultados satisfatórios. Para aumentar a eficiência é preciso também aumentar as perguntas e as respostas, refletidas no escopo das decisões.

21 7 Na administração financeira, a captação, aplicação e distribuição dos recursos financeiros, são aspectos que determinam a eficiência da organização. A instituição financeira opera de acordo com os objetivos e metas, trazendo segurança e credibilidade em compromissos que assume perante terceiros. É um negócio que envolve a captação de recursos de terceiros e analise de suas aplicações, devendo manter-se atualizada nas atividades de crédito que exercita. o ambiente atual das instituições financeiras toma-se cada vez mais complexo, visto os cenários apresentados. Existe um declínio das vendas, expansão de algumas organizações e ao mesmo tempo uma forte retração de outras. Observa-se, também, um acirramento da concorrência, alterações freqüentes na política governamental dos países e aumento na inadimplência. Para conseguir monitorar as empresas com o objetivo de diminuir o fisco, uma instituição financeira precisa analisar aspectos relativos a estrutura de seus clientes. É preciso verificar se as empresas às quais a instituição irá conceder crédito possuem um planejamento financeiro detalhado, verificando o lucro das mesmas, seu faturamento, custo fixo e variável, liquidez, endividamento do patrimônio, rentabilidade de produtos e operações, entre outros aspectos. Observando as ações e resultados de seus clientes, as instituições financeiras podem verificar se os tomadores de crédito estão obtendo sucesso no que planejaram, gerando uma organização com mais liquidez (Gitman, 1987). A globalização fez aumentar as responsabilidades das instituições financeiras, pois existem agora diferentes câmbios para serem administrados, tendo, um mesmo produto, diferentes valores em diferentes países. Aumenta a complexidade na tomada de decisão, pois a ineficiência é conhecida de maneira rápida, sendo que seus reflexos vão atingir diretamente os valores monetários da organização. Admitida a complexidade existente no ambiente das organizações financeiras, em especial no que se refere à tomada de decisão com relação ao crédito, esta dissertação

22 8 pretende contribuir para com o desenvolvimento do estudo desta área. Através da pesquisa da instituição financeira Banco do Brasil, pretende-se estudar como são aplicados os modelos tradicionais de análise, bem como se pretende verificar o nível de utilização das novas teorias, a saber, Redes Neurais, Lógica Fuzzy e Neuro-fuzzy.

23 9 2 REVISÃO DE LITERATURA Este capítulo analisará a mudança nas organizações, a transformação na estrutura organizacional com relação a decisão, o processo de decisão do crédito nas instituições financeiras, a relevância dos modelos de risco de crédito para o tomador de decisões e as novas abordagens de análise de risco do crédito que começam a ser experimentadas. 2.1 A MUDANÇA NAS ORGANIZAÇÕES A mudança organizacional se toma uma constante nas organizações modernas, sendo fator de sohrevivência e de adequação aos novos princípios da administração. Há uma necessidade de compreensão e assimilação das informações num tempo cada vez mais reduzido, sendo fator determinante para o futuro (Ulrich, 1998). Ulrich (1998) conceitua mudança como a capacidade da organização de melhorar a concepção e implementação de iniciativas e de reduzir o tempo de ciclo de todas as atividades organizacionais. Urna organização precisa estar sintonizada com o processo de mudança, identificando seus agentes. Isto ocorre quando a empresa consegue visualizar o ambiente e o espaço que ocupa. Através de uma visão chamada "sistêmica-organizacional", é posslvel estabelecer esta relação de harmonia. Na Visão sistêmica, há um processo de flexibilização, onde o princípio é a adaptação da estrutura organizacional, verificando se a mesma está de acordo com seu ambiente interno e externo. Considera-se o sistema social, político e econômico, fazendo relação com os aspectos internos da organização. A Idéia de Ulrich (1998), da agilização das iniciativas com relação a mudança, toma-se efetiva quando a organização começa a obter a visão de seu ambiente. Desta forma, a

24 10 estrutura se altera de acordo com as mudanças, não permanecendo uma visão interna extremamente estática, capaz de isolar a organização. A organização que só adapta sua estrutura organizacional quando percebe ineficiências quanto à sua estratégia, processos ou planejamentos, está presa a uma estrutura estática. Esta empresa enxerga através dos problemas que surgem, só conseguindo visualizar, em sua maior parte, as conseqüências, perdendo a visão do agente causador. A visão sistêmica é pré-requisito para o processo de adaptação de forma adequada à mudança, mas deve estar aliada à visão da organização e seus objetivos. A empresa precisa visualizar as oportunidades, mas tomar para si o que lhe é importante. Nesta relação, destaca-se a chamada Visão Contingencial (Motta, 1994). A Visão Contingencial permite uma ampliação da visão organizacional, onde percebese a dependência da organização e os fatores ambientais que a influenciam. A definição da estrutura organizacional toma-se algo mais dinâmico, pois não existe maneira correta de organizar uma empresa, mas uma visão de estrutura adaptativa (Argyris, 1992). Com o passar do tempo vai se intensificando a sensação de insegurança, pois é difícil para uma organização adaptar sua estrutura organizacional de acordo com seu ambiente, já que ele vem se tomando cada vez mais instável. O que acontecerá com a tecnologia, sociologia, valores sociais, movimentos populacionais, ninguém poderá prever. Se algo pode ser considerado certo, é que os desafios irão convocar a capacidade coletiva para melhor compreendê-los, onde o repensar das organizações, se conduzido desta forma, será menos turbulento (Senge, 1999). O ambiente instável das organizações traz aos gestores mais desafios, havendo maiores esforços para compreender o ambiente de mudanças. Existe uma busca por modelos que conduzam a respostas rápidas, que consigam acompanhar a evolução social, política, econômica, e tecnológica (Oliveira, 1995).

25 11 A presença de desafios é cada vez maior no contexto das organizações atuais, ampliando-se os esforços para compreender as mudanças ocorridas no ambiente. Na medida em que aumenta a turbulência, cresce a necessidade de flexibilização, despertando um interesse maior das instituições para compreender as transformações. Os desafios apresentados às organizações, podem se constituir em excelentes oportunidades, que, se bem compreendidas e aproveitadas, representam vantagens em relação à concorrência. Estas oportunidades nem sempre são facilmente percebidas pela organização. O certo é que ocorrem em situações variadas e até mesmo de formas imprevistas. As organizações estão com dificuldades para compreender estas mudanças e analisá-las de forma adequada, através de uma leitura que identifique oportunidades de crescimento. Para compreender melhor a mudança, Oliveira (1995) classifica três maneiras de lidar com a complexidade instalada. Trata-se da mudança linear, caótica e abrupta. A mudança linear é gradual, evolucionária ou progressiva. Esta pode ser melhor percebida ao se estudar detalhadamente as alterações de uma organização ao longo do tempo, pois costuma representar ajustes ou correções de gestores diante das pressões do dia-a-dia. A mudança caótica costuma alterar radicalmente o modo operante de uma empresa, uma vez que pressupõe a revisão dos objetivos e a adoção de novas estratégias organizacionais. Esta, tende a ser menos freqüente e toma-se mais comum em ambientes turbulentos e competitivos. Existe uma certa suposição de que a mudança caótica compreende um tipo de mudança difícil de ser prevista ou planejada, sendo de pouco controle gerencial dos seus agentes. Caracteriza-se, assim, por movimentos decorrentes de práticas ou ações diferenciadas, sem qualquer tipo de padrão de comportamento previamente identificado. O tipo de mudança abrupta, ocorre a partir de circunstâncias especiais ou de fatos esporádicos advindos, por exemplo, de uma inovação de produto ou de processo, de uma nova legislação, ou mesmo da entrada de novas lideranças ou governantes. Neste

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