CUMPRIMENTO DA SENTENÇA NA NOVA SISTEMÁTICA DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL 1

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1 CUMPRIMENTO DA SENTENÇA NA NOVA SISTEMÁTICA DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL 1 Helen Lentz Ribeiro RESUMO O processo civil brasileiro, a partir dos anos 90, vem sofrendo alterações no âmbito do Código de Processo Civil. Dentre estas alterações está a reforma imposta pela Lei nº , de 22 de dezembro de Esta reforma modificou profundamente o processo de execução, trazendo uma nova regulamentação para a forma de execução de sentenças. A respectiva reforma teve como objetivo principal dar celeridade, simplificação, desformalização e democratização ao processo. Neste contexto, surge o seguinte questionamento: as mudanças introduzidas pela respectiva lei no Código de Processo Civil, trouxeram ou não mais benefícios ao credor? A presente monografia, apresentada à faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Direito, com área de concentração em Direito Processual Civil, apresenta como escopo a análise das alterações no procedimento de execução de sentença realizadas pela lei nº /05. O estudo inicia com a análise de parte da doutrina processualista contemporânea, com a paralela observação da legislação nacional, para, posteriormente, proceder a um estudo crítico da jurisprudência nacional acerca do tema, com destaque à do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. Palavras-chave: execução cumprimento sentença - alteração 1 Artigo extraído do Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, aprovado, com grau máximo pela banca examinadora composta pelo orientador Prof. Me. Álvaro Vinicius Paranhos Severo, Prof. Flávio Prates, e Prof. Ângelo Maraninchi Giannakos, em 22 de junho de 2007.

2 2 INTRODUÇÃO A nova visão do processo civil busca, através da democratização, dar uma maior efetividade ao sistema processual, abondando, assim, a perspectiva privatística do processo impregnado do espírito do formalismo-valorativo 2. Desta forma, preocupado com a problemática e com seus desdobramentos no decorrer da história do direito processual civil, o constituinte, através da Emenda Constitucional nº 45, de 08 de dezembro de 2004, incorporou no rol de direitos e garantias fundamentais o inciso LXXVIII, do art. 5º, o qual dispõe: a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantem a celeridade de sua tramitação. A partir daí, diversas alterações ocorreram no Código de Processo Civil, dentre elas a dada pela Lei nº , de 22 de dezembro de 2005, a qual concentrou o processo de conhecimento e o de execução por título judicial, salvo quando condenada a Fazenda Pública, num único procedimento. Ou seja, trata-se de processo sincrético em que o autor não mais necessita do ajuizamento da demanda executiva para obtenção de seu crédito, isto é, para o cumprimento da sentença. Deste modo, o presente trabalho tem como escopo a análise do procedimento de cumprimento de sentença, introduzido pela referida lei. Procurou-se avaliar se a prestação da tutela jurisdicional tornou-se mais efetiva e célere, em razão da unificação do procedimento cognitivo e executivo, bem como, se a crise que acomete o Poder Judiciário diminuiu após a aplicação das alterações introduzidas pela indigitada norma. A motivação deste trabalho surgiu em decorrência das grandes dificuldades enfrentadas pelos operadores do direito na concretização do direito subjetivo. Ademais, na percepção de algumas dificuldades no manejo do novo procedimento de cumprimento da sentença, buscou-se analisar as diferentes soluções encontradas pela jurisprudência, e verificou-se que devem ser observadas não só as 2 Expressão utilizada por Carlos Alberto Alvaro de Oliveira para denominar a nova ideologia do processo civil, voltada para os valores sociais, políticos e jurídicos insertos em uma sociedade. Ver Do formalismo no processo civil, 2ª ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2003.

3 3 regras do direito positivo, mas também as exigências traçadas pelo direito pretoriano. A metodologia utilizada cingiu-se, basicamente, à análise de parte da doutrina processualista contemporânea, com a paralela observação da legislação nacional, para, posteriormente, proceder a um estudo crítico da jurisprudência nacional acerca do tema, com destaque a do Superior Tribunal de Justiça e a do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, ainda que precária, em função do pouco tempo de aplicação do instituto. O desenvolvimento do presente estudo baseou-se na análise do procedimento do cumprimento da sentença e seus respectivos pressupostos, como: a fase inicial, o prazo para pagamento, a multa, a impugnação, os títulos executivos judiciais, a execução provisória, a competência e a questão da inclusão da prestação alimentícia na indenização por ato ilícito. Por fim, elaborou-se as conclusões finais deste trabalho, sintetizando os principais aspectos do procedimento de cumprimento da sentença. Desta forma, este estudo pretende contribuir para a aplicabilidade da estudada Lei n 11232/ CUMPRIMENTO DA SENTENÇA A Reforma introduzida pela Lei nº /2005 buscou inserir no Código de Processo Civil Brasileiro um processo moderno e eficiente, que seja instrumento adequado e célere para o cumprimento das sentenças, e, com isso, a satisfação do direito material, afastando o formalismo pernicioso e lento do sistema processual civil brasileiro, através do sincretismo processual. Como bem exemplificou o então Ministro de Estado da Justiça, Marcio Thomaz Bastos: A efetivação forçada da sentença condenatória será feita como etapa final do processo de conhecimento, após um tempus iudicatti, sem necessidade de um processo autônomo de execução (afastam-se os princípios teóricos em homenagem à eficiência e brevidade); processo sincrético, no

4 4 dizer de autorizado processualista. Assim, no plano doutrinário são alteradas as cargas de eficácia da sentença condenatória, cuja executividade passa a um primeiro plano; em decorrência, sentença passa a ser o ato de julgamento da causa, com ou sem apreciação de mérito. 3 Do mesmo modo, afirma Nelson Nery Junior: O que a Reforma da L 11232/2005 fez foi desburocratizar, simplificar, informalizar a ação e o processo de execução, que continuam revestindo a atividade jurisdicional satisfativa -de entrega do bem da vida ao credor de obrigação de dar (pagar quantia em dinheiro), de fazer, de não fazer e de entrega de coisa, por meio da expropriação de bens do devedor (CPC 475-I) e da tutela específica (CPC 461, 461-A, 466-A, 466-B e 466-C)-, de sua natureza executiva. 4 Deste modo, faremos uma análise do procedimento de cumprimento da sentença, discorrendo sobre a fase inicial do cumprimento, o prazo para pagamento, quando incide a multa, as hipóteses de impugnação, quais são os títulos executivos judiciais, a possibilidade de execução provisória da sentença, qual o juízo competente para apreciar o cumprimento da sentença e, ainda, quando a indenização por ato ilícito incluir prestação alimentícia. 1.1 A FASE INICIAL DO CUMPRIMENTO DA SENTENÇA (475- I E 475-R) O cumprimento da sentença far-se-á conforme os artigos 461, quando se tratar de obrigação de fazer (v.g.como no caso da construção de um muro divisório) ou quando diz respeito a uma obrigação de não fazer (v.g.não degradar o meio ambiente). E, nos casos do art.461-a, a entrega de coisa (v.g. como no caso da 3 BASTOS, Marcio Thomaz. Exposição de Motivos que precedeu o projeto que deu origem à Lei nº /2005 Apud THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil-processo de execução e cumprimento de sentença, processo cautelar e tutela de urgência. V.2 Rio de Janeiro: Forense, 2007 p NERY JUNIOR, Nelson. Código de Processo Civil Comentado. 9 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p.639.

5 5 entrega de uma mercadoria) e, conforme os artigos: 475-J, 475-L e 475-M, quando dizer respeito a obrigação de pagar quantia, como veremos a seguir. Ainda, é definitiva a execução de sentença transitada em julgado e provisória quando se tratar de sentença impugnada mediante recurso ao qual não foi atribuído efeito suspensivo, conforme dispõe 1º do art.475-i. Também, a legislação processual dá a possibilidade para o credor, na hipótese em que haja na sentença uma parte líquida e outra ilíquida, promover simultaneamente a execução da parte líquida e, em autos apartados a liquidação da parte ilíquida. Forçoso salientar que se aplicam subsidiariamente ao cumprimento da sentença, no que couber, as normas que regem o processo de execução de título extrajudicial, bem como explicita o art. 475-R: Aplicam-se subsidiariamente ao cumprimento da sentença, no que couber, as normas que regem o processo de execução de título extrajudicial 5. Até mesmo porque a reforma processual introduzida pela estudada lei teve como escopo à simplificação do procedimento executivo e não a alteração da pretensão executória. Nesse passo, leciona Nelson Nery Junior: Havendo lacunas no tocante ao regramento do cumprimento da sentença, a ele se aplicam as regras previstas no Livro II para a execução dos títulos extrajudiciais, que são as mesmas previstas para a antiga, e não mais existente execução fundada em título judicial PRAZO PARA PAGAMENTO E MULTA (475-J) Contagem do prazo para pagamento. A legislação vigente preconiza que o devedor deverá pagar a quantia fixada na sentença condenatória num prazo de 15 (quinze) dias. 5 BRASIL. Lei n o 5.869, de 11 de janeiro de Institui o Código de Processo Civil. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 17 jan Disponível em <https://www.planalto.gov.br/>. Acesso em 15 abr NERY JUNIOR, Nelson. Código de Processo Civil Comentado. 9 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p.664.

6 6 Neste sentido, preconiza o art. 475-J do CPC: Art. 475-J. Caso o devedor, condenado ao pagamento de quantia certa ou já fixada em liquidação, não o efetue no prazo de quinze dias, o montante da condenação será acrescido de multa no percentual de dez por cento e, a requerimento do credor e observado o disposto no art. 614, inciso II, desta Lei, expedir-se-á mandado de penhora e avaliação. (Incluído pela Lei nº , de 2005) 7 Como bem assinalou o nobre doutrinador e professor José Maria Rosa Tesheiner, a questão que certamente desencadeará controvérsia é a relativa ao termo inicial do prazo de quinze dias, para que o devedor, condenado, efetue o pagamento de quantia certa ou já fixada em liquidação. 8 Parte da doutrina entende que o prazo para pagamento conta-se da intimação da sentença condenatória ou da decisão de liquidação. Deste modo, corrobora o jurista Daniel Carnio Costa: o devedor condenado ao pagamento de quantia certa ou já fixada em liquidação será intimado da sentença ou da decisão de liquidação e terá o prazo de 15 dias para fazer o pagamento. 9 O eminente doutrinador Athos Gusmão Carneiro acrescenta: tal prazo passa automaticamente a fluir da data em que a sentença ( ou o acórdão, CPC, art. 512) se torne exeqüível, quer por haver transitado em julgado, quer por interposto recurso sem efeito suspensivo. 10 Com relação a esta sentença proferida com fundamento no artigo 475-J do CPC, Luiz Rodrigues Wambier, Teresa Arruda Alvim Wambier e José Miguel Garcia Medina, entendem: A sentença proferida com fundamento no art. 475-J do CPC é sui generis, pois reúne características de sentença condenatória e de sentença executiva latu sensu: de um lado, a execução por expropriação (que é 7 BRASIL. Lei n o 5.869, de 11 de janeiro de Institui o Código de Processo Civil. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 17 jan Disponível em <https://www.planalto.gov.br/>. Acesso em 15 abr TESHEINER, José Maria Rosa. Execução de Sentença - regime introduzido pela lei /2005. IN: Revista dos Tribunais. Ano 95. v São Paulo: Editora Revista dos Tribunais Ltda, agosto de p COSTA, Daniel Carnio. O Novo Processo de Execução de Sentença, à Luz das Alterações Promovidas pela Lei nº /2005. IN: Revista IOB de Direito Civil e Processual Civil. V.7. n. 41. São Paulo: IOB Thomson, julho de p CARNEIRO, Athos Gusmão Carneiro. Nova Execução. Aonde Vamos? Vamos Melhorar?. IN: Revista Forense. V Rio de Janeiro: Revista Forense, junho de p. 57.

7 7 modalidade de execução direta) dependerá de requerimento do credor, o que permite inferir que a sentença é meramente condenatória, já que tais atos executivos não podem ser determinados pelo juiz na própria sentença; por outro lado, a imposição de multa como medida coercitiva (que é modalidade de execução indireta), decorre automaticamente do descumprimento da sentença, razão pela qual pode a mesma ser considerada, sob este prisma, executiva lato sensu.) 11 Outrossim, Humberto Theodoro Júnior 12 e Araken de Assiss 13 asseveram que quando o devedor não proceder ao pagamento voluntariamente, incidirá a multa de 10%. De modo diverso, Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery entendem que o devedor deverá ser intimidado na pessoa de seu procurador, para que, no prazo de quinze dias cumpra o julgado e efetue o pagamento da quantia devida, sob pena de incidir multa de 10% do valor da condenação 14. Nesse mesmo sentido, o Desembargador Voltaire de Lima Moraes, corroborando com o entendimento de Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery, dispensa a intimação pessoal do devedor, contudo assevera a necessidade da intimação do procurador constituído nos autos, conforme jurisprudência abaixo colacionada: CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. MULTA PREVISTA NO ART. 475-J DO CPC. DESNECESSIDADE DE INTIMAÇÃO PESSOAL DO DEVEDOR. Desnecessária a intimação pessoal do devedor para que cumpra voluntariamente a sentença, no prazo legal, sob pena de multa, bastando seja ele intimado na pessoa do seu advogado, já constituído nos autos. Agravo de instrumento a que se nega seguimento, porque manifestamente improcedente (art. 557, caput, do CPC) WABIER, Luiz Rodrigues. Breves Comentários à Nova Sistemática Processual Civil, II: leis /2005, /2005, /2006, /2006 e /2006/ Luiz Rodrigues Wambier, Teresa Arruda Alvim Wambier, José Miguel Garcia Medina. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil-processo de execução e cumprimento de sentença, processo cautelar e tutela de urgência. V.2 Rio de Janeiro: Forense, p ASSIS, Araken de. Cumprimento da sentença. Rio de Janeiro: Editora Forense, p NERY JUNIOR, Nelson. Código de Processo Civil Comentado. 9 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p RIO GRANDE DO SUL. Tribunal de Justiça. Agravo de Instrumento Nº , Relator: Voltaire de Lima Moraes. Décima Primeira Câmara Cível. Julgado em 11/05/2007.Disponível em: Acesso em: 22 de maio 2007.

8 8 Em que pese haja fundamentos plausíveis para sustentar a intimação do devedor, para que cumpra voluntariamente com a decisão não haverá sua intimação pessoal, nem mesmo direta de seu procurador, o que ocorre é a intimação das partes do trânsito em julgado da decisão, ficando clara a intimação indireta do devedor. Conforme as ponderações de José Rosa Maria Thesheiner: O trânsito em julgado ocorrerá, na maioria dos casos, em outra instância, motivo por que poderia se sustentar que o termo inicial do prazo fixado para pagamento seria o da intimação do despacho de cumpra-se, quando do retorno dos autos. Mas isso implicaria a concessão de um prazo, que pode estender-se por vários meses, a um devedor já condenado porque deve e porque em mora. 16 Assim, nada obstante haja discordância no tocante a necessidade de intimação do devedor, temos que não há necessidade da intimação específica do devedor para cumprimento voluntário, porquanto o art. 475-J não exige intimação alguma. Portanto, o tempus judicati corre automaticamente a partir do momento em que o comando da sentença adquire exigibilidade, quer seja a partir da data do trânsito em julgado, quer seja a partir da data em que interposto recurso sem efeito suspensivo Expedição de mandado de penhora e avaliação, a requerimento do credor, caso o devedor não pague a dívida No caso de o devedor não adimplir voluntariamente a dívida, conforme determina o 475-J da referida lei, o devedor deverá requerer o cumprimento de sentença com o demonstrativo do débito atualizado até a data da propositura da ação, nos casos em que se tratar de quantia certa. Em que pese o legislador tenha modificado o rótulo aplicado à iniciativa do exeqüente, preferindo denominá-la de 16 TESHEINER, José Maria Rosa. Execução de Sentença - regime introduzido pela lei /2005. IN: Revista dos Tribunais. Ano 95. v São Paulo: Editora Revista dos Tribunais Ltda, agosto de p. 43.

9 9 requerimento em lugar de petição inicial, não houve alteração substancial no tocante à forma e ao conteúdo. 17 Portanto, é dever do exeqüente requerer a efetivação da penhora e a avaliação do bem penhorado. Deverá indicar na petição inicial, perante a qual bem do devedor recairá a constrição judicial Comunicação do devedor (Art J 1º) Posteriormente, a lavratura do auto de penhora e avaliação, o executado deverá ser intimado na pessoa do seu advogado ou pessoalmente, através de mandado ou pelo correio, para, querendo, oferecer impugnação no prazo de 15(quinze dias), a qual será estudada adiante. Desta forma, conforme o disposto no 1º do art J: 1 o Do auto de penhora e de avaliação será de imediato intimado o executado, na pessoa de seu advogado (arts. 236 e 237), ou, na falta deste, o seu representante legal, ou pessoalmente, por mandado ou pelo correio, podendo oferecer impugnação, querendo, no prazo de quinze dias. (Incluído pela Lei nº , de 2005) Avaliação. Oficial de Justiça e Perito Avaliador (Art. 475-J 2º) Na nova sistemática o ato de realizar a penhora e a avaliação do bem é realizado, via de regra, pelo Oficial de Justiça. Entretanto, será realizado mediante avaliador, somente em casos específicos. Bem assim, preconiza o 2º do já referido art. 475-J: 17 ASSIS, Araken de. Cumprimento da sentença. Rio de Janeiro: Editora Forense, p BRASIL. Lei n o 5.869, de 11 de janeiro de Institui o Código de Processo Civil. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 17 jan Disponível em <https://www.planalto.gov.br/>. Acesso em 15 abr

10 10 2 o Caso o oficial de justiça não possa proceder à avaliação, por depender de conhecimentos especializados, o juiz, de imediato, nomeará avaliador, assinando-lhe breve prazo para a entrega do laudo. (Incluído pela Lei nº , de 2005) 19 Araken de Assis em palestra proferida no Tribunal de Justiça deste Estado, exemplificou a questão do Oficial de Justiça como avaliador judicial: [...] ressalvando o 2º, há casos mais difíceis, por exemplo, a penhora recai sobre uma tela de Leopoldo Gotuso, de Ado Malagoli, e assim por diante. O oficial de justiça, presumivelmente, não dispõe de recursos técnicos para avaliar bens dessa natureza. Já é assim na execução fiscal e no processo trabalhista. Só que há desvantagens. 20 E, acrescenta: O Oficial de Justiça, compreensivelmente, tem outros atributos, outras especialidades que não a de saber o valor corrente dos bens. 21 E, finaliza: Há tal desvantagem, mas não deixa de ser uma medida econômica. 22 A despeito de haver desvantagem na avaliação efetivada por Oficial de Justiça, não se pode deixar considerar que se trata de uma medida econômica. Até porque, caso não tenha conhecimentos técnicos para avaliar determinado bem, o Oficial deverá informar o juízo a fim de que este nomeie um perito avaliador. A legislação dá a possibilidade às partes impugnarem a avaliação realizada por oficial de justiça, do mesmo modo que ocorreria se esta fosse realizada por avaliador. Inclusive, a penhora incorreta ou avaliação errônea é uma das possibilidades de impugnação, conforme art. 475-L, III do CPC. Assim, Luiz Rodrigues Wambier assinala que surgindo dúvida sobre a correção feita pelo oficial o juiz pode recorrer ao avaliador BRASIL. Lei n o 5.869, de 11 de janeiro de Institui o Código de Processo Civil. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 17 jan Disponível em <https://www.planalto.gov.br/>. Acesso em 15 abr ASSIS, Araken de.in: As recentes reformas processuais. Leis: , de19/10/05; , de 22/12/2005; , de 07/02/06; de 16/02/06; Coordenação Geral : Luiz Felipe Brasil Santos. Ciclo de Estudos Porto Alegre: Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. Departamento de Artes Gráficas, p ASSIS, Araken de.in: As recentes reformas processuais. Leis: , de19/10/05; , de 22/12/2005; , de 07/02/06; de 16/02/06; Coordenação Geral : Luiz Felipe Brasil Santos. Ciclo de Estudos Porto Alegre: Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. Departamento de Artes Gráficas, p Ibidem, p. 51.

11 Indicação dos bens penhoráveis (Art. 475-J 3º) A nomeação dos bens indicados pelo executado à penhora foi substituída pela indicação dos bens pelo credor, como disciplina o 3º do art J: 3 o O exeqüente poderá, em seu requerimento, indicar desde logo os bens a serem penhorados. Tal medida foi bem acolhida por parte da doutrina, sob o fundamento de que a possibilidade de o credor indicar bens traz mais efetividade processual, como bem asseverou o jurista Guilherme Rizzo Amaral: Primeiramente, não possui mais o devedor o expediente de nomear bens à penhora, muitas vezes utilizado apenas para fins de protelar o feito executivo. Em segundo lugar, e mais importante, o credor não está vinculado à ordem do art. 655 do CPC, podendo abrir mão da mesma instituída em seu favor para indicar aqueles bens que, no seu entender, tenham maior possibilidade de resultar em alienação satisfatória 24. Neste sentido, nos parece que o trabalho do Oficial de Justiça será facilitado, porquanto muitas execuções apenas tinham inicio, após a pesquisa, muitas vezes, exaustiva e custosa, realizada pelo credor, concernente aos bens passíveis de penhora. Obviamente que a modificação procedimental não será menos trabalhosa para o credor, quando da busca dos bens que estejam em nome do devedor Pagamento parcial e multa (Art. 475-J 4º); O dispositivo citado prevê a possibilidade de pagamento parcial da dívida. Tal benefício se deve em função de eventualmente o devedor não possuir a quantia equivalente ou porque deseja alegar a existência de excesso de execução, não 23 WAMBIER, Luiz Rodrigues. Curso Avançado de Processo Civil V.2 execução./ Luiz Rodrigues Wambier, Flavio Renato Correa de Almeida, Eduardo Talamini. 8.ed. ver. atual.e.amp. São Paulo: editora Revista dos Tribunais, p AMARAL, Guilherme Rizzo. IN: ALVARO de OLIVEIRA, Carlos Alberto. A Nova Execução: comentários à lei , de 22 de dezembro de Rio de Janeiro: Forense, p.136.

12 ação 28 Não se pode excluir o entendimento de Guilherme Rizzo Amaral, o qual 12 sofrer a incidência da multa de 10% sobre o valor total da dívida, mas apenas sobre a quantia controversa, conforme disposto no art. 475-J, inciso V, do CPC: Art. 475-J. Caso o devedor, condenado ao pagamento de quantia certa ou já fixada em liquidação, não o efetue no prazo de quinze dias, o montante da condenação será acrescido de multa no percentual de dez por cento e, a requerimento do credor e observado o disposto no art. 614, inciso II, desta Lei, expedir-se-á mandado de penhora e avaliação. (Incluído pela Lei nº , de 2005) 4 o Efetuado o pagamento parcial no prazo previsto no caput deste artigo, a multa de dez por cento incidirá sobre o restante. (Incluído pela Lei nº , de 2005) Arquivamento dos autos (Art. 475-J 5º) O exeqüente deverá requer a execução no prazo de 6 (seis) meses, sob pena de arquivamento dos autos. Entretanto, não fica impossibilitado de requerer seu posterior desarquivamento, ressalvada a hipótese de prescrição, como bem ressalta Luiz Rodrigues Wambier se decorrer desde o trânsito em julgado o lapso prescricional para executar (que é igual ao prazo prescricional que antes se punha para a ação de conhecimento Súmula 150 do STF), sem que o credor formule aquele requerimento, ocorrerá a prescrição da pretensão executiva. 26 Conforme o 5º do Art. 475-J: 5 o Não sendo requerida a execução no prazo de seis meses, o juiz mandará arquivar os autos, sem prejuízo de seu desarquivamento a pedido da parte. 27. E bem como preconiza a súmula 150 do Supremo Tribunal Federal: prescreve a execução no mesmo prazo de prescrição da assevera não ser possível decretar a prescrição da ação (rectius, pretensão) 25 BRASIL. Lei n o 5.869, de 11 de janeiro de Institui o Código de Processo Civil. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 17 jan Disponível em <https://www.planalto.gov.br/>. Acesso em 15 abr WAMBIER, Luiz Rodrigues. Curso Avançado de Processo Civil V.2 execução./ Luiz Rodrigues Wambier, Flavio Renato Correa de Almeida, Eduardo Talamini. 8.ed. ver. atual.e.amp. São Paulo: editora Revista dos Tribunais, p BRASIL. Lei n o 5.869, de 11 de janeiro de Institui o Código de Processo Civil. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 17 jan Disponível em <https://www.planalto.gov.br/>. Acesso em 15 abr BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Súmulas. Disponível em <http://www.stj.gov.br/scon/pesquisar.jsp>. Acesso em 15 abr

13 13 executiva, como disposto na súmula 150 do STF, pois o processo que interrompeu a prescrição não restará encerrado, mesmo na pendência do requerimento para a execução do devedor 29. De qualquer modo, caso o credor não requeira o cumprimento da sentença, os autos serão arquivados. Assim, entendemos que o devedor deverá adimplir voluntariamente o débito (sem necessidade de intimação para tal), a fim de que não incida a multa de 10%. Se houver pagamento parcial do débito, a multa de 10% incidirá apenas sobre o valor restante. Caso, isso não ocorra, o credor deverá requer ao juízo o cumprimento da sentença, instruindo seu pedido com memória atualizada da dívida. Terá o credor um prazo de 06 meses para requerer a execução, sob pena de arquivamento dos autos. Após o requerimento elaborado pelo credor, o juízo expedirá mandado de penhora e avaliação. A nomeação dos bens indicados pelo executado à penhora foi substituída pela indicação dos bens pelo credor. O próprio Oficial de Justiça fará simultaneamente a penhora e a avaliação do bem, contudo, nos casos em que não possuir conhecimentos específicos para tal, o juízo nomeará um perito avaliador. Posteriormente, a lavratura do auto de penhora e avaliação, o devedor será intimado pessoalmente ou na pessoa de seu advogado, através de mandado ou pelo correio, para, querendo, oferecer impugnação no prazo de 15 (quinze dias), tudo conforme os dispositivos da Lei / IMPUGNAÇÃO (475-L E 475-M) A nova sistemática, introduzida pela Lei n.º /2005, estabeleceu um novo meio de defesa para o executado: a impugnação, a qual substituiu os embargos à execução. O prazo para interposição da impugnação é de 15 (quinze) dias, a contar da data de intimação do auto de penhora e avaliação, conforme dispõe o art. 475-J, 1º do Código de Processo Civil. A impugnação, regulada pelos artigos 475- L e 475- M não possui natureza jurídica de ação de conhecimento, sendo, apenas, incidente processual no curso da 29 AMARAL, Guilherme Rizzo. IN: ALVARO de OLIVEIRA, Carlos Alberto. A Nova Execução: comentários à lei , de 22 de dezembro de Rio de Janeiro: Forense, p.119.

14 14 fase executiva (cumprimento de sentença), conforme entendimento doutrinário elaborado por Luiz Rodrigues Wambier, Teresa Arruda Alvim Wambier e José Miguel Garcia Medina 30. De modo diverso, Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery entendem que a impugnação é um misto de ação e de defesa, caracterizando-se como um incidente ao cumprimento da sentença, segundo os dizeres dos processualistas: [...] é ação porque o impugnante tem pretensão declaratória (v.g. inexistência de citação...) ou desconstitutiva da eficácia executiva do título exeqüendo (v.g. nulidade de citação, excesso de execução) ou de atos de execução (v.g. penhora incorreta, avaliação errônea). 31 Na impugnação, como bem assinalou José Maria Rosa Tesheiner, o devedor somente poderá alegar: falta ou nulidade da citação, se o processo correu à revelia; inexigibilidade do título; penhora incorreta ou avaliação errônea; excesso de execução; causa impeditiva, modificativa ou extintiva da obrigação, superveniente à sentença. 32 Ainda, a alegação de inexigibilidade do título pode decorrer da incompatibilidade do fundamento da condenação com a Constituição Federal, declarada pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que posteriormente ao trânsito em julgado da condenação. Também, o conhecimento da alegação de excesso de execução é condicionado à indicação, pelo devedor, do valor líquido que entende correto. Deste modo, o art. 475-L dispõe: Art. 475-L. A impugnação somente poderá versar sobre: I falta ou nulidade da citação, se o processo correu à revelia;ii inexigibilidade do título; III penhora incorreta ou avaliação errônea;iv ilegitimidade das partes; V excesso de execução; VI qualquer causa impeditiva, modificativa ou extintiva da obrigação, como pagamento, novação, compensação, 30 WABIER, Luiz Rodrigues. Breves Comentários à Nova Sistemática Processual Civil, II: leis /2005, /2005, /2006, /2006 e /2006/ Luiz Rodrigues Wambier, Teresa Arruda Alvim Wambier, José Miguel Garcia Medina. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, p NERY JUNIOR, Nelson. Código de Processo Civil Comentado. 9 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p TESHEINER, José Maria Rosa. Execução de Sentença - regime introduzido pela lei /2005. IN: Revista dos Tribunais. Ano 95. v São Paulo: Editora Revista dos Tribunais Ltda, agosto de p. 343.

15 CPC. 34 Nesse entendimento, caso o devedor queira alegar a suspeição, o 15 transação ou prescrição, desde que superveniente à sentença. 1 o Para efeito do disposto no inciso II do caput deste artigo, considera-se também inexigível o título judicial fundado em lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato normativo tidas pelo Supremo Tribunal Federal como incompatíveis com a Constituição Federal. 2 o Quando o executado alegar que o exeqüente, em excesso de execução, pleiteia quantia superior à resultante da sentença, cumprir-lhe-á declarar de imediato o valor que entende correto, sob pena de rejeição liminar dessa impugnação. 33 O rol é taxativo, assim, a impugnação deverá, obrigatoriamente, versar sobre uma das hipóteses do art. 475-L, sob pena de indeferimento liminar do incidente de impugnação. Por essa razão, o jurista Daniel Carnio Costa assevera que: a impugnação à execução de sentença tem cognição parcial, ou seja, somente podem versar sobre as matérias expressamente constantes no rol do art. 475 L do impedimento e a incompetência do juízo, deverá argüi-la por meio de exceção, conforme disposto no art. 304 do Código de Processo Civil. Ademais, analisaremos quais argumentos de defesa que o executado poderá alegar na impugnação, bem como seus efeitos, e o recurso cabível para a decisão que julga a impugnação Falta ou Nulidade e Citação (Art L, inciso I) A falta ou nulidade de citação, caso o processo tenha ocorrido à revelia é um dos pressupostos para a impugnação. Note-se que o pressuposto é a ocorrência da revelia, como bem exemplificou o jurista Danilo Knijnik: 33 BRASIL. Lei n o 5.869, de 11 de janeiro de Institui o Código de Processo Civil. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 17 jan Disponível em <https://www.planalto.gov.br/>. Acesso em 15 abr COSTA, Daniel Carnio. O Novo Processo de Execução de Sentença, à Luz das Alterações Promovidas pela Lei nº /2005. IN: Revista IOB de Direito Civil e Processual Civil. V.7. n. 41. São Paulo: IOB Thomson, julho de p. 111.

16 16 [...] malgrado eventual vício do ato citatório, ocorrido no processo de conhecimento, se ali já restou suprida a omissão, v.g., pelo comparecimento espontâneo, já não mais poderá ser agitada a matéria quando da execução, à falta de um pressuposto essencial, qual seja, o decreto de revelia. 35 De observar-se que nem todos os títulos executivos judiciais podem ser impugnados, sob a alegação da falta ou nulidade de citação. Nestes termos, o doutor Araken de Assis, elucida: Escapam à incidência do art. 475 L, I, vários títulos previstos no art. 475-N, a saber: (a) a sentença penal condenatória (art. 475, N,II), pois não cabe ao juiz civil invalidar o processo penal, matéria posta sob reserva da revisão criminal, (b) a sentença estrangeira (art. 475-N, VI), porquanto a existência e a validade da citação integram o juízo de deliberação privativo do STJ (art. 105,I,i, da CF/88); (c) a sentença homologatória de transação e de conciliação ( art. 475-N, III), porque supõe a manifestação de vontade do futuro executado; (d) o acordo extrajudicial homologado( art. 475-N, V), porque não lhe antecede processo judicial. Ao invés, a sentença arbitral (art. 475-N, IV) pressupõe o contraditório e, assim, a impugnação poderá versar o art. 32,VIII, c/c 3º, da Lei nº 9.307/96). 36 Assim, temos que o pressuposto da impugnação concernente à ausência ou nulidade de citação é a ocorrência da revelia. Ainda, não é todo título executivo judicial que poderá valer-se deste inciso, como é o caso da sentença penal condenatória, sentença estrangeira, sentença homologatória de transação e de conciliação, bem como o acordo extrajudicial homologado. Contudo, a nulidade da sentença arbitral poderá ser requerida mediante impugnação, porquanto a Lei da Arbitragem prevê tal possibilidade Inexigibilidade do Título (art L, II e 1º) O título para ser exeqüível deverá ser líquido, certo e exigível, conforme dispõe o art. 586, do Código de Processo Civil. Deste modo, os pressupostos da 35 KNIJNIK, Danilo. IN: ALVARO de OLIVEIRA, Carlos Alberto. A Nova Execução: comentários à lei , de 22 de dezembro de Rio de Janeiro: Forense, p ASSIS, Araken de. Cumprimento da sentença. Rio de Janeiro: Editora Forense, p NERY JUNIOR, Nelson. Código de Processo Civil Comentado. 9 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p.645.

17 17 execução forçada são o título executivo judicial e o inadimplemento do devedor. Humberto Theodoro Júnior ensina que não se pode, portanto, manejar validamente a ação executiva sem que esteja em mora o devedor, isto é, sem que seja exigível a dívida. 38 Ademais, considera-se inexigível o título judicial fundado em lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato normativo tidos pelo Supremo Tribunal Federal como incompatíveis com a Constituição Federal. Tal enunciado não busca atribuir à impugnação função rescindente, porquanto a decisão foi fundamentada em norma declarada inconstitucional pelo STF. Deste modo, não haverá nada a rescindir, já que a decisão não transitou em julgado, posto que foi baseada numa lei incompatível com a Carta Magna. Corroboram com esse entendimento os juristas Luiz Rodrigues Wambier, Teresa Arruda Alvim Wambier e José Miguel Garcia Medina, os quais assinalam que não terá transitado em julgado porque, em princípio, terá faltado à ação uma de suas condições: a possibilidade jurídica do pedido. 39 Assim, concluem os doutrinadores que se a sentença é juridicamente inexistente, à execução faltará, ipso facto, o título executivo. É que, faltando o próprio ato, porque tal ato não terá se formado, não devem ser considerados, obviamente, seus efeitos, aí incluído o de constituir título executivo Penhora incorreta ou avaliação errônea (art L, III) Nos termos do art. 475-J, 1º, do auto de penhora e avaliação será de imediato intimado o executado, na pessoa do seu advogado, ou na falta deste, o seu representante legal, ou pessoalmente, por mandado ou pelo correio, podendo oferecer impugnação, querendo, no prazo de 15 (quinze) dias. 38 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil-processo de execução e cumprimento de sentença, processo cautelar e tutela de urgência. V.2 Rio de Janeiro: Forense, 2007.p WABIER, Luiz Rodrigues. Breves Comentários à Nova Sistemática Processual Civil, II: leis /2005, /2005, /2006, /2006 e /2006/ Luiz Rodrigues Wambier, Teresa Arruda Alvim Wambier, José Miguel Garcia Medina. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, p Ibidem, p.153

18 18 Deste modo, caso o executado verifique a incorreção da penhora ou avaliação errônea, deverá oferecer impugnação. A propósito, no tocante à penhora incorreta, Araken de Assis 41 demosntra que é incorreta a penhora que descumpriu requisitos da forma (por exemplo, a omissão dos elementos do art. 665) ou recaiu sobre bem impenhorável (por exemplo, a penhora da residência familiar do executado, infringindo o art. 1º da Lei nº 8.009/90) ou em bens de terceiro, que não responde pela dívida. Portanto, temos que a ilegalidade formal e objetiva da penhora é atacável mediante impugnação. A nova sistemática incumbe ao Oficial de Justiça o ato de realizar a penhora e a avaliação do bem. Em que pese, haja alegação de que será mais célere o procedimento, temos que ocorrerá maior desacerto no tocante ao valor atribuído ao bem. Um exemplo informado por Humberto Theodoro Júnior 42 é o que ocorre com o gravame sobre bens que, embora penhoráveis, sejam de valor muito maior do que o crédito ajuizado. Assim, plenamente cabível a impugnação, porquanto a avaliação incorreta poderá gerar uma expropriação desnecessária e exagerada na hasta pública. O jurista Danilo Knijinik acrescenta que é ônus do impugnante indicar precisamente o equívoco da avaliação, bem como o valor que reputa devido, sendo inadmissível a chamada impugnação genérica. 43 De observar-se que a impugnação, fundamentada na erronia do laudo, não se confunde com pedido de nova avaliação (art.683 do CPC) Ilegitimidade das partes (art. 475-L, IV) A legitimidade das partes é um dos pressupostos do instituto do cumprimento da sentença. Deste modo, é oportuno ao executado alegar, via impugnação, a ilegitimidade ativa ou passiva. Araken de Assis ressalta que a parte ilegítima, 41 ASSIS, Araken de. Cumprimento da sentença. Rio de Janeiro: Editora Forense, p THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil-processo de execução e cumprimento de sentença, processo cautelar de urgência. V.2 Rio de Janeiro: Forense, p KNIJNIK, Danilo. IN: ALVARO de OLIVEIRA, Carlos Alberto. A Nova Execução: comentários à lei , de 22 de dezembro de Rio de Janeiro: Forense, p.155.

19 19 passivamente, todavia, se legitima para impugnar e alegar a própria ilegitimidade, e, assim, excluir-se da execução. 44 Humberto Theodoro Júnior acrescenta que: a ilegitimidade pode ser tanto da parte ativa como da passiva e decorre de não ser ela o vencedor ou vencido na ação de conhecimento, nem seu sucessor 45. O jurista Danilo Knijinik corrobora com o mesmo entendimento, afirmando ser cabível a argüição de ilegitimidade, tanto do exeqüente como do executado. 46 Há o entendimento de que essa providência deve ser tomada ex officio pelo juiz, independentemente da iniciativa do executado, porque, como asseveram Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery, trata-se de matéria de ordem pública que diz com a regularidade da ação de execução de cumprimento de sentença. 47 De qualquer modo, a impugnação versada na ilegitimidade das partes possui o condão de extinguir a execução, caso seja acolhida Excesso de execução (art L, V e 2º) Quando o executado alegar que o exeqüente, em excesso de execução, pleiteia quantia superior à resultante da sentença, cumprir-lhe-á declarar de imediato o valor que entende correto, sob pena de rejeição liminar dessa impugnação. Bem assim, determina o artigo 475 L, 2º do Código de Processo Civil: 2 o Quando o executado alegar que o exeqüente, em excesso de execução, pleiteia quantia superior à resultante da sentença, cumprir-lhe-á declarar de imediato o valor que entende correto, sob pena de rejeição liminar dessa impugnação. (Incluído pela Lei nº , de 2005) ASSIS, Araken de. Cumprimento da sentença. Rio de Janeiro: Editora Forense, p THEODORO JÚNIOR, Humberto.Obra citada, p KNIJNIK, Danilo. Obra citada p NERY JUNIOR, Nelson. Código de Processo Civil Comentado. 9 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p BRASIL. Lei n o 5.869, de 11 de janeiro de Institui o Código de Processo Civil. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 17 jan Disponível em <https://www.planalto.gov.br/>. Acesso em 15 abr

20 20 O jurista paranaense, Luiz Rodrigues Wambier 49, entende que poderia ser uma hipótese de inépcia, já que a petição inicial deve ser clara e precisa. Assim, incabível contestação por negativa real. O executado deverá informar na impugnação, prontamente, qual o valor que entende devido, sob pena de rejeição liminar Causa impeditiva, modificativa ou extintiva da obrigação (art. 475-L,VI) É possível alegar impugnação quando se tratar de qualquer causa impeditiva, modificativa ou extintiva da obrigação, como o pagamento, novação, compensação, transação ou prescrição, desde que superveniente à sentença. A enumeração do art. 475-L, inciso VI é exemplificativa, já que há a possibilidade de outros casos impeditivos do cumprimento da condenação, como exemplifica Humberto Theodoro Júnior: a concordata e a falência do comerciante e a declaração de insolvência do devedor civil Recebimento da Impugnação e Efeitos (art. 475-M, 1º e 2º) A impugnação, via de regra, não terá efeito suspensivo. Contudo, é licito ao juiz atribuir-lhe tal efeito desde que relevantes seus fundamentos, e o prosseguimento da execução seja, manifestamente, suscetível de causar ao executado grave dano de difícil ou incerta reparação. Assim, caberá ao magistrado, na análise do caso concreto, atribuir efeito suspensivo à impugnação. Segundo a lição de Araken de Assis, o receio de dano se caracteriza em duas hipóteses, in verbis: 49 WAMBIER, Luiz Rodrigues. Sentença Civil: liquidação e cumprimento. 3.ed. rev.,atual. e ampl. São Paulo: editora Revista dos Tribunais, p THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil-processo de execução e cumprimento de sentença, processo cautelar e tutela de urgência. V.2 Rio de Janeiro: Forense, p. 59

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