OPOSIÇÃO COMO MODALIDADE DE INTERVENÇÃO DE TERCEIRO

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1 UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES INSTITUTO A VEZ DO MESTRE OPOSIÇÃO COMO MODALIDADE DE INTERVENÇÃO DE TERCEIRO FREDERICO ANTUNES BRENAND ONGARATTO RIO DE JANEIRO 2009

2 1 UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES INSTITUTO A VEZ DO MESTRE FREDERICO ANTUNES BRENAND ONGARATTO OPOSIÇÃO COMO MODALIDADE DE INTERVENÇÃO DE TERCEIRO Trabalho apresentado à Universidade Cândido Mendes como requisito parcial para obtenção do título de especialização. RIO DE JANEIRO 2009

3 2 Dedico este trabalho a Deus e nosso Senhor Jesus Cristo; aos familiares, e a minha querida Luciana Soares da Silva.

4 3 Agradeço primeiramente a Deus pelos objetivos e alcançados. Agradeço especialmente, a meus pais pelo carinho e pelo apoio de sempre. Aos mestres pelo conhecimento adquirido. E aos amigos pelo companheirismo de todas as horas.

5 4 RESUMO Art Quem pretender, no todo ou em parte, a coisa ou o direito sobre que controvertem autor e réu, poderá, até ser proferida a sentença, oferecer oposição contra ambos. Código de Processo Civil O presente trabalho aborda o instituto jurídico da Oposição como modalidade de Intervenção de Terceiro. Analisando os sujeitos, as partes e a figura do terceiro nessa relação processual. Relata brevemente todas as modalidades de intervenção de terceiro previstas no Código de Processo Civil. A pesquisa foi desenvolvida a partir da analise doutrinaria, jurisprudencial e legal. O trabalho contextualiza o conceito, prazo, julgamento e procedimento da Oposição. A pesquisa aponta a Oposição como modalidade de ação ou mero incidente processual. Considerar-se ainda a possibilidade da antecipação de tutela para o instituto jurídico da Oposição. Palavras-chaves: Código de Processo Civil, Intervenção de Terceiro; Oposição; Antecipação de Tutela.

6 5 ABSTRACT Article 56 - Who wants to, in whole or in part, the thing or the right to dispute on copyright and defendant, may be issued until the decision to offer opposition to both. Code of Civil Procedure This work deals with the legal office of the Opposition as a means of intervention of third parties. Analyzing the subject, the parties and the third figure in this connection procedure. Briefly reported all forms of assistance provided to third in the Code of Civil Procedure. The research was developed from analysis of doctrine, case law and legal. The work contextualizes the concept, time, trial procedure and the Opposition. The research suggests the Opposition as a means of action or merely procedural incident. Consider also the possibility of anticipation of legal guardianship to the Office of the Opposition. Key words: Code of Civil Procedure, intervention of third parties; Opposition; Anticipation of Trusteeship.

7 6 SUMÁRIO INTRODUÇÃO... 7 CAPÍTULO I FORMAS DE INTERVENÇÃO DE TERCEIROS SUJEITO, PARTE E TERCEIRO MODALIDADES DE INTERVENÇÃO DE TERCEIRO Assistência Nomeação à Autoria Denunciação à Lide Chamamento ao Processo CAPÍTULO 2 INTERESSE DE TERCEIRO E PROCEDIMENTO LITISCONSÓRCIO ESPÉCIES DE LITISCONSÓRCIO CAPÍTULO 3 O INSTITUTO DA OPOSIÇÃO CONCEITO PRAZO OPOSIÇÃO COMO MODALIDADE DE AÇÃO PROCEDIMENTO JULGAMENTO DA OPOSIÇÃO CAPÍTULO 4 ANTECIPAÇÃO DE TUTELA NA OPOSIÇÃO CAPÍTULO 5 ANÁLISE JURISPRUDENCIAL TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO Apelação com Revisão Apelação Apelação Apelação Com Revisão Apelação Com Revisão TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO APELAÇÃO CONCLUSÃO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 46

8 7 INTRODUÇÃO Art Quem pretender, no todo ou em parte, a coisa ou o direito sobre que controvertem autor e réu, poderá, até ser proferida a sentença, oferecer oposição contra ambos. Código de Processo Civil Este trabalho tratará do instituto jurídico da Oposição, uma modalidade de Intervenção de terceiros que, embora participe da relação processual, dela não faz parte. Como regra geral, a intervenção de terceiro auxilia ou exclui os litigantes, defende ou exclui direito ou interesse próprios que possam ser atingidos pelos efeitos da sentença. Inicialmente, estará em pauta o instituto da intervenção de terceiro, logo após, serão analisadas as diferentes modalidades de intervenção, tais como: assistência, nomeação à autoria, denunciação da lide, chamamento ao processo. Avaliar-se-ão ainda os sujeitos, as partes e os terceiros envolvidos na relação de intervenção. Tema limitado à matéria processual apresenta-se de relevante importância para o Direito, pois, trata-se de um incidente processual, não apenas no processo de conhecimento, mas também no processo de execução ou cautelar. Recurso de terceiro prejudicado ou embargos de terceiro são exemplos de intervenção de terceiro ocorridos após o processo de conhecimento. A relação processual apresenta-se com três sujeitos, que são: juiz, autor e réu. Cândido Rangel Dinamarco 1, citando Búlgaro, afirma que: judicium est actus trium personarum, judicis, actoris, rei; as Ordenações do Reino diziam que "três pessoas são por 1 DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de direito processual civil. 2 ed., São Paulo: Malheiros, v.2, 2002.

9 8 direito necessárias em qualquer Juízo, Juiz que julgue, autor que demande e réu que se defenda". Embora definidos os três sujeitos que compõem a relação processual (juiz, autor e réu), a lei autoriza o ingresso de um terceiro nessa relação para reclamar direito, substituir qualquer das partes ou atuar com elas, momento em que se dá a formação da intervenção de terceiros. Assim, ao se traduzir do latim que o autor deduz em juízo uma pretensão/qui res in iudicium deducit e o réu é o sujeito contra quem a pretensão é deduzida contra res in iudicium deducitur. Destarte, pode-se afirmar que a intervenção de terceiros no processo ocorre quando um indivíduo dele participa, sem ser parte na causa. A finalidade dessa intervenção processual pode ser auxiliar ou excluir litigantes, defender direito ou interesse próprio. Pontes de Miranda assim define a intervenção de terceiro: O princípio da dualidade das partes, segundo o qual é inadmissível um processo sem que haja pelo menos dois sujeitos em posições processuais contrárias, pois ninguém pode litigar consigo mesmo, em segundo lugar vem o princípio da igualdade das partes, onde é assegurada a paridade de tratamento processual, sem prejuízo de certas vantagens atribuídas especialmente a cada uma delas, em vista exatamente de sua posição no processo, e por último o princípio do contraditório, garantindo às partes a ciência dos atos e termos do processo, com a possibilidade de impugná-los e com isso estabelecer o verdadeiro diálogo com o juiz 2. Será considerado "ad adiuvandum" o terceiro interveniente que ingresse no processo para defender um interesse próprio. "Ad excludentum" será o terceiro interveniente que se contrapõe a uma ou ambas as partes. 2 MIRANDA, Pontes de. Comentários ao Código de Processo Civil, V. II., Rio de Janeiro. ED. 1974, P.2

10 9 E, "ad adiuvandum", o terceiro interveniente que ingresse no processo para defender um interesse próprio. "Ad excludentum" será o terceiro interveniente que se contrapor a uma ou ambas as partes. A Intervenção de terceiro divide-se ainda em espontânea ou provocada. Será espontânea a Intervenção de terceiro nos casos de Assistência ou Oposição. A intervenção provocada deriva de pedido das partes e ocorre com a Nomeação à Autoria, Denunciação da Lide ou Chamamento ao Processo. Desse modo, a monografia aborda especificamente o instituto jurídico da Oposição no que tange a sua aplicabilidade, requisitos, prazo, partes envolvidas, procedimento, julgamento e analise jurisprudencial.

11 10 CAPÍTULO 1 FORMAS DE INTERVENÇÃO DE TERCEIROS 1.1. SUJEITO, PARTE E TERCEIRO Inicialmente cumpre esclarecer que as pretensões requeridas num processo pelos oponentes são incompatíveis com as formuladas pelas partes originárias, que passarão a ocupar o pólo passivo da demanda. Assim, autor e réu serão imperativamente réus na Oposição. Segundo o renomado processualista Candido Rangel Dinamarco, a parte ativa processual é o principal sujeito da lide, aquele que vai a juízo buscar sua pretensão (direito subjetivo) contra outrem. O réu, ao resistir à pretensão alheia, tornar-se-á a parte passiva desta relação. Assim forma-se uma relação jurídica bilateral com as principais partes da lide 3. Vale distinguir dois elementos envolvidos: Sujeitos são todos que participam do processo, sem, entretanto, terem a qualidade de parte. São eles: peritos, testemunhas ou indivíduos alheios ao interesse da causa, que auxiliam o Estado no seu julgamento. Mas em sentido amplíssimo, todos podem ser sujeitos do processo. 3 DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de Direito Processual Civil, II volume, Malheiros, São Paulo, 4ª edição, 2004, p. 275.

12 11 Terceiro é aquele que, não sendo titular do direito debatido na lide ou não tendo legitimidade para litigar em nome de outrem, por algum interesse jurídico intervém no processo. A lei autoriza o ingresso de terceiro na lide, para que este possa manifestar-se sobre determinada situação adversa procedente de decisão entre as partes (autor e réu), que automaticamente lhe alcançaria. Terceiros que ingressam na lide através da intervenção, independentemente da modalidade, devem respeitar o disposto no artigo 14 do CPC. Art. 14. São deveres das partes e de todos aqueles que de qualquer forma participam do processo: (Redação dada pela Lei nº , de ) I - expor os fatos em juízo conforme a verdade; II - proceder com lealdade e boa-fé; III - não formular pretensões, nem alegar defesa, cientes de que são destituídas de fundamento; IV - não produzir provas, nem praticar atos inúteis ou desnecessários à declaração ou defesa do direito. V - cumprir com exatidão os provimentos mandamentais e não criar embaraços à efetivação de provimentos judiciais, de natureza antecipatória ou final. Exemplos comuns de intervenção de terceiro são os casos de sublocatário que ingressam em ação de despejo para auxiliar os locatários. 1.2 MODALIDADES DE INTERVENÇÃO DE TERCEIRO A modalidade de intervenção de terceiro é determinada pela forma de ingresso desse terceiro na relação jurídica, que pode ser espontâneo ou obrigatório.

13 12 Assim, têm-se duas modalidades de intervenção de terceiro: intervenção facultativa ou espontânea e intervenção coata ou obrigatória. Desse modo, tem-se a formação dos seguintes institutos jurídicos dentro da Intervenção de Terceiro: Assistência, Nomeação à Autoria, Denunciação à Lide, Chamamento ao Processo. Breves comentários sobre os institutos acima são tecidos a seguir Assistência A Assistência processual não ocorre por meio de Ação, é uma modalidade de intervenção de terceiro caracterizado pela espontaneidade e auxilio. CPC. Art. 50. Pendendo uma causa entre duas ou mais pessoas, o terceiro, que tiver interesse jurídico em que a sentença seja favorável a uma delas, poderá intervir no processo para assisti-la. Parágrafo único. A assistência tem lugar em qualquer dos tipos de procedimento e em todos os graus da jurisdição; mas o assistente recebe o processo no estado em que se encontra. Uma vez que não existe pedido formulado pelo terceiro interveniente, este se torna apenas sujeito do processo com a finalidade de ajudar o assistido, não sendo, portanto, considerado parte. A assistência pode ocorrer na forma Adesiva ou Litisconsorcial. Art. 52. O assistente atuará como auxiliar da parte principal exercerá os mesmos poderes e sujeitar-se-á aos mesmos ônus processuais que o assistido. Parágrafo único. Sendo revel o assistido, o assistente será considerado seu gestor de negócios.

14 13 A parte contrária poderá se manifestar sobre a inclusão do assistente na lide no prazo de 05 dias, como prevê artigo específico. Art. 51. Não havendo impugnação dentro de 5 (cinco) dias, o pedido do assistente será deferido. Se qualquer das partes alegar, no entanto, que falece ao assistente interesse jurídico para intervir a bem do assistido, o juiz: I - determinará, sem suspensão do processo, o desentranhamento da petição e da impugnação, a fim de serem autuadas em apenso; II - autorizará a produção de provas; III - decidirá, dentro de 05 (cinco) dias, o incidente. Quanto à admissibilidade da assistência no processo de execução a doutrina se divide. Pontes de Miranda defende a admissibilidade da assistência no processo de cognição, executivo ou cautelar 4. Por sua vez, Cândido Rangel Dinamarco, Arakén de Assis, Humberto Theodoro Junior admitem a Assistência na Execução, pois, havendo os embargos, inicia-se uma nova relação processual, da qual tem-se uma sentença que possivelmente constituíra direito à parte autora 5. Já Alcides de Mendonça de Lima 6 admite a assistência somente no caso de embargos à execução. Portanto, o entendimento da doutrina majoritária volta-se ao sentido da admissibilidade da Assistência no processo executivo Nomeação à Autoria Segundo a regra do artigo 62 do CPC, nomeação à autoria é a inclusão do proprietário ou possuidor de um determinado, bem no 4 MIRANDA, Pontes de. Comentários ao Código de Processo Civil, V. II., Rio de Janeiro. ED. 1974, P.2 5 MENDONÇA, Alcides. Comentários ao Código de Processo Civil. 1ª Ed. 1974, V. VIII, Nº 26, p.17 6 ibdem

15 14 processo, que o detentor de coisa em nome alheio promove, para que estes sejam citados pelo autor. CPC. Art. 62. Aquele que detiver a coisa em nome alheio, sendo-lhe demandada em nome próprio, deverá nomear à autoria o proprietário ou o possuidor. Enquadra-se como modalidade de intervenção de terceiro provocada e ad excludendum, para substituir o réu, por sujeito que tenha legitimidade passiva para a causa. Denunciação da lide em vez de nomeação à autoria. Tendo sido demolida sua casa, em decorrência de obras no prédio contíguo, a autora propôs ação de indenização contra a construtora, que denunciou a lide à Prefeitura Municipal, que empreitara a obra. Decidiu-se que, havendo optado por denunciação da lide, em vez de por nomeação à autoria, não podia a ré negar responsabilidade própria pelo ato. (STJ, 3a. Turma, REsp SP, Min. Ari Pargendler, relator, j ). (grifos nosso) Indeferimento. Pode o juiz, se considerar que não estão presentes os pressupostos dos artigos 62 e 63 do Código de Processo Civil, indeferir o pedido de nomeação à autoria, mas, em tal caso, respeitando o sistema acolhido pelo art. 67 do mesmo Código, deve assinar ao nomeante novo prazo para contestar. (STJ, 3a. Turma, REsp , Min. Carlos Alberto Menezes Direito, relator, j ). (grifos nosso) Após a citação, o réu requererá a nomeação no prazo para defesa, havendo assim a suspensão do processo. Art. 64. Em ambos os casos, o réu requererá a nomeação no prazo para a defesa; o juiz, ao deferir o pedido, suspenderá o processo e mandará ouvir o autor no prazo de 5 (cinco) dias.

16 15 Sendo aceita a nomeação, o nomeado será citado. Havendo a recusa está ficará sem efeito. Art. 65. Aceitando o nomeado, ao autor incumbirá promover-lhe a citação; recusando-o, ficará sem efeito a nomeação. A recusa pelo nomeado choca com o princípio da inevitabilidade da jurisdição, sendo, pois, de duvidosa constitucionalidade o artigo 66, diante da garantia do acesso à justiça 7. Art. 66. Se o nomeado reconhecer a qualidade que Ihe é atribuída, contra ele correrá o processo; se a negar, o processo continuará contra o nomeante. Art. 67. Quando o autor recusar o nomeado, ou quando este negar a qualidade que Ihe é atribuída, assinar-se-á ao nomeante novo prazo para contestar. Nesse sentido o entendimento do Tribunal. Recusa da nomeação. Recusando o autor a nomeação feita pelo réu, a este assina-se novo prazo para contestar (CPC, art. 67), ainda que, por má técnica, já tenha antes oferecido contestação. Pode, então, argüir a preliminar de ilegitimidade passiva para a causa ou denunciar a lide a terceiro, o que antes deixara de fazer. (STJ, 3a Turma, REsp /SP, Rel. Min. Waldemar Zveiter, j Revista Nacional de Direito e Jurisprudência, Ribeirão Preto (18): 75-6, junho/2001). (grifos nosso) Segundo Pontes de Miranda, a nomeação a autoria é cabível em qualquer procedimento, desde que preenchidos os requisitos do Artigo 62 do CPC 8. 7 Cândido Rangel Dinamarco, Instituições de Direito Procesual Civil, São Paulo, Malheiros, 2002, v. II, p. 392.

17 16 Entretanto, Candido Rangel Dinamarco afirma que: Não cabe nomeação à autoria na execução, nem no monitório, porque nos embargos não há espaço nem oportunidade para providências inerentes a um processo que já superou a primeira fase; cabe em processo cautelar 9. A nomeação é um dever da parte, o uso indevido acarretará na responsabilização por perdas de danos. Nesse sentido. Embora inexista previsão legal quanto à responsabilidade do nomeado na hipótese de sua falsa recusa, a doutrina tem entendido a possibilidade de ajuizamento de ação por perdas e danos. Caso o nomeado tenha recusado a indicação e a ação tenha sido extinta por ilegitimidade passiva do nomeante, o autor poderá intentar demanda cumulada com pedido de perdas e danos contra o nomeado recusante Denunciação à Lide O artigo 70 do Código de Processo Civil prevê que a denunciação da lide é obrigatória nos seguintes casos: I - ao alienante, na ação em que terceiro reivindica a coisa, cujo domínio foi transferido à parte, a fim de que esta possa exercer o direito que da evicção Ihe resulta; II - ao proprietário ou ao possuidor indireto quando, por força de obrigação ou direito, em casos como o do usufrutuário, do credor pignoratício, do locatário, o réu, citado em nome próprio, exerça a posse direta da coisa demandada; III - àquele que estiver obrigado, pela lei ou pelo contrato, a indenizar, em ação regressiva, o prejuízo do que perder a demanda. 8 MIRANDA, Pontes de. Código de Processo Civil Comentado. Volume II. Rio de Janeiro : P Ibidem, p GONÇALVES, Marcus Vinícius Rios. Novo curso de direito processual civil. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 184.

18 17 Em sua obra, Dinamarco ensina que: Denunciação da lide é a demanda com que a parte provoca a integração de um terceiro ao processo pendente, para o duplo efeito de auxiliá-lo no litígio com o adversário comum e de figurar como demandado em um segundo litígio 11. Tem como finalidade incluir no processo um novo litígio, envolvendo o denunciante e o denunciado. A sentença deverá abranger a lide instalada entre autor e réu, assim como, a que envolve o denunciante e o terceiro denunciado 12. Art. 71. A citação do denunciado será requerida, juntamente com a do réu, se o denunciante for o autor; e, no prazo para contestar, se o denunciante for o réu. A denunciação da lide é composta por: 1 Denunciação fundada em evicção O possuidor direto denunciará a lide o possuidor indireto Denunciação fundada em garantia legal ou contratual. 11 Cândido Rangel Dinamarco, Instituições de Direito Processual Civil, São Paulo, Malheiros, 2002, v. II, p Art. 76. A sentença, que julgar procedente a ação, declarará, conforme o caso, o direito do evicto, ou a responsabilidade por perdas e danos, valendo como título executivo. 13 Evicção: perda total ou parcial da coisa adquirida em favor de terceiro, que tem direito anterior.] 14 Art. 70. A denunciação da lide é obrigatória: II - ao proprietário ou ao possuidor indireto quando, por força de obrigação ou direito, em casos como o do usufrutuário, do credor pignoratício, do locatário, o réu, citado em nome próprio, exerça a posse direta da coisa demandada;

19 18 Não havendo a denunciação da lide no momento processual adequado, tornar-se-á precluso o direito de ação regressiva nos casos de garantia formal. Art. 74. Feita a denunciação pelo autor, o denunciado, comparecendo, assumirá a posição de litisconsorte do denunciante e poderá aditar a petição inicial, procedendo-se em seguida à citação do réu. Art. 75. Feita a denunciação pelo réu: I - se o denunciado a aceitar e contestar o pedido, o processo prosseguirá entre o autor, de um lado, e de outro, como litisconsortes, o denunciante e o denunciado; II - se o denunciado for revel, ou comparecer apenas para negar a qualidade que Ihe foi atribuída, cumprirá ao denunciante prosseguir na defesa até final; III - se o denunciado confessar os fatos alegados pelo autor, poderá o denunciante prosseguir na defesa. Nesse sentido a jurisprudência. Ação cautelar. Não cabe denunciação da lide em medida cautelar de produção antecipada de prova, mas é admissível a intervenção de terceiro em ação cautelar de produção antecipada de prova, na forma de assistência provocada, pois visa garantir a efetividade do princípio do contraditório, de modo a assegurar a eficácia da prova produzida perante aquele que será denunciado à lide, posteriormente, no processo principal. (STJ, 3a. Turma, REsp /RJ, Min. Nancy Andrighi, relatora, j (grifos nosso) Acidente aéreo. Contrato de fretamento. A Petrobrás colocou a disposição de jornalista, um avião da TAM (Transportes Aéreos Regionais). Houve acidente com mortes. Os pais de uma das vítimas propuseram ação contra a Petrobrás, que denunciou a lide à TAM. O Superior Tribunal de Justiça reformou a decisão recorrida, para o efeito de admitir a denunciação, porque "não introduzirá fato novo à controvérsia e nem dependerá de análise de cláusula contratual" (STJ, 4a. Câmara Cível, Recurso Especial RJ, Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, relator, j ). Observo

20 19 que a denunciação da lide necessariamente introduz fundamento novo. Em qualquer caso, ela amplia o objeto do conhecimento do juiz. A desnecessidade de prova de fatos novos não pode ser afirmada a priori, por dependente da defesa do denunciado, que pode alegar fatos impeditivos ou extintivos. Assim, pode-se concordar com a conclusão, mas não com os motivos da decisão. (grifos nosso) Denunciação da lide ao Tabelião. Não se permite a denunciação da lide nos casos em que o alegado direito de regresso demanda análise de fundamento novo, não constante da lide originária. Tratava-se, no caso, de ação de nulidade de escritura pública de promessa de compra e venda, cumulada com pedido de reintegração de posse. A autora, proprietária de um terrreno, dele fora despojada, porque terceiro, usando seu nome e documentos falsos, prometera vender o imóvel ao possuidor atual. O réu pretendeu denunciar a lide ao Tabelionato e ao Banco que recebera o depósito do preço, em conta pessoal da autora, também ardilosamente aberta. "É claro que, eventualmente, poderá surgir para o réu o direito de exigir daqueles titulares uma indenização, mas isto não decorre de direito de regresso, mas de direito próprio. O réu, se tiver direito a qualquer indenização, será por direito próprio e não porque foi condenada a pagar qualquer prejuízo". (STJ, 4a. Turma, Resp RJ, Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, relator, j ). (grifos nosso) Chamamento ao Processo O chamamento ao processo é uma espécie de litisconsórcio facultativo, e encontra previsão legal nos artigos 77 a 80 do Código de Processo Civil. Particularmente, seleciona-se o artigo 77: Art. 77. É admissível o chamamento ao processo: I - do devedor, na ação em que o fiador for réu; II - dos outros fiadores, quando para a ação for citado apenas um deles; III - de todos os devedores solidários, quando o credor exigir de um ou de alguns deles, parcial ou totalmente, a dívida comum.

21 20 Conforme previsão legal, o chamamento ao processo ocorre nos casos de devedores solidários, ou seja, quando o(s) devedor(es) for(em) citado e requerer a citação do que não foi incluído no pólo passivo da demanda, para que juntos respondam solidariamente. Tem como objetivo dilatar o objeto do processo, chamando à lide devedores solidários perante o credor. Candido Rangel Dinamarco ensina que o chamamento do processo é um instituto característico do processo cognitivo. Essa modalidade de intervenção coata gravita em torno de uma sentença de mérito, que seria dada entre o autor e o réu e passará a ser dada em relação a todos os litisconsortes passivos integrantes da relação processual a partir de quando feito o chamamento. A utilidade do chamamento ao chamado reside plenamente nessa sentença assim mais ampla e de eficácia subjetivamente mais ampla 15. Segundo o autor, não é admissível chamar terceiro ao processo de execução, cautelar ou monitório. 15 DINAMARCO Candido Rangel. Op. Cit. 159

22 21 CAPÍTULO 2 INTERESSE DE TERCEIRO E PROCEDIMENTO Como já foi discutido neste estudo, os sujeitos da relação processual são em regra autor e réu. Os sujeitos do processo são o juiz e as partes (pólo passivo e ativo), sendo o restante considerado terceiro. A intervenção de terceiro ocorre quando alguém, autorizado por lei, ingressa em processo alheio, tornando complexa a relação jurídica processual 16. Entretanto, quando uma das partes do processo, passivo ou ativo, se compõe por várias pessoas surge a figura jurídica do litisconsórcio. Vicente Greco Filho ensina que: [...] ao réu não assiste interesse processual em chamar o terceiro como seu litisconsorte se não puder, pelo menos em tese, exercer posteriormente direito de regresso contra ele. O chamamento existe por causa da economia processual, como vimos, para atender o interesse do réu coobrigado, não para facilitar o atendimento da pretensão material do autor que escolheu, entre os co-devedores, contra quem demandar 17. Nesse sentido, litisconsórcio pode ser conceituado como a reunião de várias pessoas num mesmo processo, trazidas à lide pela analogia ou conexidade de interesses sobre o objeto demandado. Chama-se de litisconsortes os litigantes que se encontram do mesmo lado da relação processual. 16 GRECO FILHO, Vicente. Da intervenção de terceiros. 2ª ed. São Paulo: Saraiva, 1986, pág idem., 96

23 LITISCONSÓRCIO Havendo a formação do litisconsórcio, duas ou mais pessoas litigam, no mesmo processo, e do mesmo lado, no pólo ativo ou passivo da ação (art. 46 CPC), ou seja, quando há mais de um autor ou mais de um réu. Art. 46. Duas ou mais pessoas podem litigar, no mesmo processo, em conjunto, ativa ou passivamente, quando: I - entre elas houver comunhão de direitos ou de obrigações relativamente à lide; II - os direitos ou as obrigações derivarem do mesmo fundamento de fato ou de direito; III - entre as causas houver conexão pelo objeto ou pela causa de pedir; IV - ocorrer afinidade de questões por um ponto comum de fato ou de direito. Parágrafo único. O juiz poderá limitar o litisconsórcio facultativo quanto ao número de litigantes, quando este comprometer a rápida solução do litígio ou dificultar a defesa. O pedido de limitação interrompe o prazo para resposta, que recomeça da intimação da decisão. O litisconsórcio revela, portanto, o congraçamento de várias pessoas trazidas à demanda pela comunhão, afinidade ou conexidade de interesses sobre o objeto demandado, desde que a solução ou o resultado aí obtido influirá sobre os mesmos interesses. 2.2 ESPÉCIES DE LITISCONSÓRCIO São espécies de litisconsórcio: 1. Ativo: mais de um autor. 2. Passivo: mais de um réu. 3. Misto ou Recíproco: mais de um autor e mais de um réu.

24 23 4. Inicial: conforme a pluralidade se verifique no início ou em momento posterior da ação. O litisconsórcio pode ser também facultativo (quando adotado voluntariamente pelas partes) ou necessário (quando não é possível a formação da relação processual sem a pluralidade de partes), bem como simples ou unitário.

25 24 CAPÍTULO 3 O INSTITUTO DA OPOSIÇÂO 3.1 CONCEITO Oposição é demanda através da qual um terceiro interveniente atua em processo pendente, sob o argumento de que a coisa ou o direito discutido entre autor e réu lhe pertence. CPC. Art Quem pretender, no todo ou em parte, a coisa ou o direito sobre que controvertem autor e réu, poderá, até ser proferida a sentença, oferecer oposição contra ambos. Portanto, Oposição é a ação movida ao autor e ao réu, por quem não é parte (terceiro), pretendendo o reconhecimento de direito real ou pessoal sobre o mesmo bem objeto da lide. Quanto à nomenclatura das partes, considera-se oponente, quem ingressa com a oposição. As partes que figuram a Oposição no pólo passivo chamam-se opostos. Trata-se de uma demanda autônoma incidental, com a finalidade de obter julgamento simultâneo. Deve ser proposta nos termos da petição inicial e distribuída por dependência. Com a citação dos opostos, que será feita na pessoa de seus respectivos advogados, o prazo para contestar será de 15 dias. Para que seja admissível a Oposição, a demanda principal deve estar pendente e ainda não julgada, em primeira instância. Candido Rangel Dinamarco conceitua Oposição como a demanda através da qual terceiro deduz em juízo pretensão incompatível com

26 25 interesse conflitantes de autor e de réu de um processo cognitivo pendente 18. A Oposição está prevista nos artigos 56 a 61 do Código de Processo Civil, que tratam do ingresso de terceiro, em processo pendente, nos casos em que objetive a coisa ou o direito sobre que controvertem autor e réu. Tem como objeto coisa ou direito, no todo, ou em parte. É resultado de conexão, por identidade de objeto, entre a ação principal. Oposição, na verdade, não se caracteriza, tecnicamente, como intervenção de terceiro, porquanto, o opoente ingressa no processo através de ação própria e não como terceiro. Tem como característica ser ação declaratória contra o autor primitivo, e condenatória contra o réu. Assim, o oponente passa a ser o autor de uma ação em que o autor e o réu originários são réus. É uma ação incidental e prejudicial à lide inicial, pois, sendo julgada procedente, a coisa ou o direito demandado pertencerá ao oponente, prejudicando assim a ação original. A Oposição é classificada doutrinariamente como de intervenção voluntária principal, já que o oponente desempenha seu direito de ação, apesar de conexão com a ação principal. É uma ação incidental e prejudicial à lide inicial, pois, sendo julgada procedente, a coisa ou o direito demandado pertencerá ao oponente, prejudicando assim a ação original. Como exemplo, tem-se a ação em que X cobra de Y determinada obrigação, podendo W entrar com Oposição, alegando ser seu o crédito objeto da lide. Distingue-se Oposição de Embargos de Terceiro, conquanto ambos tenham natureza de ação, a Oposição será proposta contra as partes que demandam no processo de conhecimento, já os Embargos 18 DINAMARCO Cândido Rangel. Intervenção de Terceiros. Malheiros Editores Ltda. 5ª Edição. São Paulo p. 37

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