Graduado em Administração e especialista em Metodologia do Ensino Superior.

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1 ISSN: GESTÃO DA COMUNICAÇÃO COMO FERRAMENTA PARA O EXERCÍCIO PLENO DA JUSTIÇA PELOS CIDA- DÃOS SUL-MATO-GROSSENSES SILVA, Jany Carla Arruda da 1 ÁVALO, Hélio 2 Resumo O presente artigo estuda se a gestão da comunicação e informação no Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul aproxima o jurisdicionado da justiça, já que o entender acerca dos seus direitos o leva ao exercício pleno da cidadania e democracia. Por meio de uma revisão bibliográfica foram levantados os aspectos teóricos da gestão de comunicação e suas ferramentas dentro das organizações, em continuidade houve um estudo sobre as ações desenvolvidas pelo órgão em questão nos últimos anos. Como resultado se concluiu que os projetos em andamento tendem a promover sim a aproximação do cidadão ao seu direito à justiça, que utilizam variedade de meios para transmissão das mensagens, com destaque para a internet. Entretanto, as metas a médio e longo prazo só serão atendidas se as atividades forem ampliadas a todo o Estado, e os dirigentes se apresentarem mais sensíveis e abertos, dando espaço na gestão a profissionais que desenvolvam um trabalho coerente e uniforme, agregando as várias áreas do conhecimento, indispensáveis na administração de interesses institucionais. Palavras-chave: Comunicação; gestão; justiça; cidadania; Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul. Abstract This article studies whether the management of communication and information in the Justice Court of Mato Grosso do Sul comes near the courts of Justice, since the understanding about their rights takes it to the full exercise of citizenship and democracy. Through a literature review it was possible to raise the theoretical aspects of the communication management and its tools within organizations. Following, there was a study on the actions carried out by the previously mentioned institution in recent years. As a result, it was concluded that the ongoing projects indeed tend to promote the boundary between the citizen and their right to justice, using a variety of means for the transmission of messages, with emphasis on the internet. However, the medium-and long-term goals will only 1 Bacharel em Secretariado Executivo Bilíngüe Português/ Inglês pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, em Bacharel em Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, pelo Centro Universitário da Grande Dourados (Unigran), em Pós graduada em MBA em Gestão de Negócios, pelo Centro Universitário da Grande Dourados (Unigran), Graduado em Administração e especialista em Metodologia do Ensino Superior.

2 ISSN: be met if the activities are extended to the entire State, and if the leaders are more sensitive and open, generating some space in the management to the professionals who develop a coherent and uniform work, aggregating the various areas of knowledge, which are essential to the management of institutional interests. Keywords: palavras-chave no idioma secundário (traduzir termo: palavras-chave ).

3 SILVA, Jany Carla Arruda da. ÁVALO, Hélio. 85 Introdução Em se tratando da gestão da comunicação e da transparência pública, é importante destacar a visível mudança de postura da sociedade brasileira, que com o melhoramento do nível de renda e maior acesso à educação têm se tornado mais crítica, adotando uma postura de acompanhamento e fiscalização dos serviços e entidades públicas. Neste contexto, mais uma vez a comunicação se torna peça chave de gestão e de garantia de democracia, a fim de possibilitar o acesso do cidadão às informações e serviços, seu entendimento correto acerca do funcionamento do órgão e a devida prestação de contas da instituição para a sociedade. Desde a primeira Constituição Brasileira, consta o comprometimento do Estado Brasileiro em assegurar aos brasileiros, dentre outras coisas, o acesso à justiça. Atualmente, no âmbito do nosso estado, o órgão de maior destaque e responsabilidade para tal é o Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul, que como no setor privado, também deve trabalhar as ferramentas de gestão de comunicação para gerir da melhor maneira possível os seus trabalhos e oferecer ao cidadão aquilo que lhe é de direito, devendo ser executadas com profissionalismo e foco nas metas. Nos últimos dois anos, mais especificamente, o Tribunal de Justiça tem lançado na sociedade algumas ações a fim de aproximar a sociedade da justiça, tendo como meio para tal os veículos de comunicação, com destaque para a internet, inclusive com inserção do órgão nas redes sociais. Assim, temos como hipótese que os veículos escolhidos nos novos projetos do Tribunal de Justiça de MS são realmente os mais indicados nesta era tecnológica e pelo perfil atual da população, ainda que as ações executadas, se continuadas e amplificadas dentro de um planejamento eficaz, ajudarão a o jurisdicionado a se aproximar da justiça. Por outro lado, a gestão desta política de comunicação deve ser menos engessada e mais aberta ao entendimento do uso das ferramentas informacionais e comunicacionais para a elaboração de um planejamento que a médio e longo prazo traga resultados satisfatórios. Diante do exposto, pretende-se com o presente artigo, por meio da análise das ações de comunicação desenvolvidas pela instituição pública Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul, averiguar se estas possibilitam à instituição cumprir com sua missão e visão, levando ao cidadão um dos direitos que a constituição lhe garante, somado ainda, ao atendimento das metas e obrigações estabelecidas pelos órgãos superiores e fiscalizadores. Com seus resultados, demonstrar então a importância de bem se trabalhar a comunicação como ferramenta de gestão democrática. Revisão de literatura A busca por uma boa comunicação nos setores institucionais é uma forte ferramenta para trabalhar a visibilidade e as ações internas e externas de uma instituição, pública ou privada, de tal maneira que ela possa

4 SILVA, Jany Carla Arruda da. ÁVALO, Hélio. 86 trabalhar de modo eficiente em um mercado volátil, interligado e globalizado, que a afeta em todos os âmbitos, como argumenta Duarte ao advertir que a empresa ou indústria que deixa de comunicar sua posição, ou de reagir a questões na mídia, pode obter para si conseqüências muito negativas, inclusive um desastre financeiro (DUARTE, 2006, p. 147). A assessoria de comunicação procura trabalhar de forma ordenada e integrada os vários aspectos em uma empresa (relações públicas, jornalismo, propaganda, publicidade e marketing), como define Kunsch a seguir: Ela pressupõe uma junção da comunicação institucional, da comunicação mercadológica e da comunicação interna, que formam o composto da comunicação organizacional. Este deve formar um conjunto harmonioso, apesar das diferenças e das especificidades de cada setor e dos respectivos subsetores. A soma de todas as atividades redundará na eficácia da comunicação nas organizações (KUNSCH, 1997, p. 115). De acordo com Duarte (2006), a realidade dos assessores de comunicação é mostrar a notícia e não implantá-la. A intenção é mostrar o que há de interessante por trás daquela empresa, pessoa ou organização. Até mesmo em casos de crise, o assessor de comunicação intervém para que a imagem seja positiva, mesmo mostrando o lado negativo. Assim, esse profissional deixou de ser apenas um emissor de releases, despontando, hoje, como um produtor ou mesmo um executivo de informações e um intérprete do macroambiente. O novo profissional de comunicação empresarial deve ter capacidade de identificar e trabalhar com cenários do ambiente interno e externo e ter domínio sistêmico sobre todas as áreas de comunicação. O jornalismo empresarial abrange um amplo elenco de atividades desenvolvidas em empresas e entidades, com vistas à divulgação de seus fatos e realizações. Assim, na prática, ele compreende não apenas as ações de relacionamento com a mídia, mas a elaboração de veículos jornalísticos para a comunicação com determinados públicos e com a sociedade em geral (CHAPARRO, 2007). De acordo com Lorenzon (2006, p. 55), o jornalismo empresarial no Brasil foi definido em um grande surto de industrialização pós-guerra, entre as décadas de 40 e 60. Atualmente, ele está em pleno desenvolvimento, só o número de jornais empresariais produzidos ultrapassam a casa dos 5 mil títulos, fato que o coloca entre os dez países com maior número de publicações empresariais do mundo. Para este autor, os jornais empresariais brasileiros tornaram-se produtos híbridos, que se baseiam, sobretudo, na tentativa de uma síntese entre o jornalismo, o marketing e as relações públicas. A assessoria em comunicação vem, pouco a pouco, se profissionalizando, assumindo também novos contornos, assim, tendo uma visão mais mercadológica, concentrada cada vez mais em planos estratégicos. Esse segmento passou de mero executor de tarefas a executivo da informação, responsável pelo microambiente da empresa e pelo planejamento e avaliação de oportunidades de divulgação. As empresas passam a valorizar mais as atividades do jornalista e a importância do papel comunicacional (BAHIA, 1995). Sendo assim, entende-se, por meio de Martinez (2006, p. 234), que a assessoria de comunicação, hoje

5 SILVA, Jany Carla Arruda da. ÁVALO, Hélio. 87 no Brasil, é o resultado de um movimento relativamente novo em nosso mercado, em que os diversos segmentos da sociedade descobrem que imagem é fator de vantagem competitiva e deve ser construída com inteligência, informação, pesquisa, uso de técnicas de comunicação, ações coordenadas e muito profissionalismo. Para Kunsch (2009), planejamento em comunicação institucional significa, sobretudo, o encaixe e o ajuste dos projetos jornalísticos no contexto das políticas da empresa/ órgão/ instituição: relações Públicas, relações industriais, treinamento, segurança, benefícios, relações humanas. Desta maneira, planejar significa identificar políticas, selecionar prioridades, corrigir desvios nos fluxos de comunicação empresarial e adequar as publicações às situações conhecidas. De acordo com Rego (1987, p. 99), as atividades do planejamento empresarial/ institucional, como jornais, revistas, intranet e outros, devem se integrar à política global de comunicação da empresa; exigindo, portanto, a programação de todos os fatores componentes de um projeto, ou seja, com o estabelecimento de objetivos, verbas, prazos e cronogramas, natureza técnica do projeto, definição de estruturas de comando e ação participativa em sua realização. O planejamento irá considerar o perfil da instituição em todos os planos subjetivos que a caracterizam, como, ambiente, público, estruturas de comando, linhas de produção, diferenças sócio-culturais, locomoção e comportamento dos grupos no ambiente, além das inter-relações existentes entre estas variantes do sistema empresarial. Planejamento de criação: após definir os objetivos, parte-se para a definição das características técnicas, de modo a conjugar os aspectos técnicos com os objetivos das publicações. Nesta etapa, Rego (1987, p. 100) lista alguns itens que merecem atenção, tais como: nome da publicação; endereço para correspondência; periodicidade; gênero; circulação; momento de distribuição; número de páginas (tamanho); formato; tipo de impressão; tipo de papel; cores; tiragem; gráfica pesquisa de qualidade e custos. Nassar (2004) enfatiza que o jornalismo empresarial está a serviço da organização, com o propósito de possibilitar a comunicação contínua com o ambiente e mercado onde atua, e o próprio ambiente interno, que congrega sua estrutura. Por isso, é importante levar em consideração a definição de público, já que cada estrutura comporta um tipo. Neste contexto, diz que a definição e a perfilização destes públicos tornam-se necessárias para a eficácia do projeto; neste caso, o público interno são os colaboradores; o público externo os acionistas, revendedores, concessionários, consumidores, imprensa, assistidos, etc. Martinez (2006, p. 221) destaca a importância da Assessoria em Comunicação de forma esclarecedora: uma boa assessoria de imprensa pode significar o ganho ou a economia de milhares ou milhões de reais quando se trabalha com eficiência as informações, pelo planejamento sistemático de suas ações e em sintonia com os objetivos a serem atingidos. Mafei (2007) explica que em qualquer lugar que se trabalhe com assessoria de imprensa e seja quem for o chefe ou empregador, o assessor terá que demonstrar habilidade em lidar com procedimentos de trabalho integrados a um planejamento maior da empresa. Na concepção da autora, os procedimentos de trabalho de

6 SILVA, Jany Carla Arruda da. ÁVALO, Hélio. 88 uma assessoria de comunicação foram criados para que a informação entre a assessoria, o cliente e a imprensa seja transmitida adequadamente. São esses procedimentos, junto com o corpo a corpo necessário ao trabalho de divulgação, que vão ajudá-lo a estabelecer relações com a imprensa de modo a possibilitar o cumprimento das metas estabelecidas no plano de comunicação, que é uma das primeiras ferramentas que você precisará aprender a usar (MAFEI, 2007, p. 63). Entende-se como reforço da comunicação desenvolvida por uma empresa, órgão ou entidade, estabelecer canais que possibilitem o relacionamento ágil e transparente da direção com o público interno e os próprios elementos que o integram. A comunicação interna deve incluir a comunicação horizontal (segmento do público) e a comunicação ascendente, que estabelece o feed-back e instaura uma efetiva interação (NEVES, 2000). Porém, tradicionalmente a comunicação interna tem ficado em segundo plano no planejamento de comunicação das empresas, órgãos ou entidades. Isso ocorre na maioria das vezes, pela falta de consciência por parte dos gestores de que uma boa comunicação (transparente, ágil, democrática e participativa) é vital para a sobrevivência das organizações. Nos últimos anos com o objetivo de aumentar a produtividade e a qualidade, a comunicação interna tem sido aplicada de forma efetiva nos setores empresariais, organizacionais e institucionais, no entanto existem ainda muitos tabus a serem derrubados, sobretudo, é preciso democratizar a estrutura formal das organizações que se caracterizam por uma hierarquia rígida e autoritária (OLIVEIRA, 2005). Não menos importante que a simples divulgação de produtos e serviços, a comunicação externa é uma poderosa ferramenta para a empresa dialogar com a sociedade, dar satisfação de seus atos e criar expectativas, é um instrumento fundamental para construir e solidificar a imagem institucional. Assim, uma política de comunicação externa clara e definida é reconhecida como fator estratégico para o sucesso da corporação. Além de definir princípios e estratégias, criar e implantar uma política de comunicação é necessário mudar a mentalidade e a própria cultura da gestão. Por isso, a política de comunicação de uma empresa deve ser norteada por alguns princípios e o principal é a consciência de informar a sociedade sobre suas atividades de forma transparente (NEVES, 2000). Em resumo, os principais produtos e serviços de uma assessoria de comunicação são: clipping organizar material publicado na mídia e encaminhar a quem interessar em folhas padronizadas; contatos estratégicos manter contato regular com as redações nos seguintes âmbitos: administrativo, operacional, pautas, prospecção, manutenção de relacionamento; entrevista coletiva; fotos; levantamento de pauta função sistemática e fundamental (criar rede de informantes; reuniões semanais com o assessorado); mailing list ou cadastro de veículos de comunicação; manuais redação, editoração, relação, com a imprensa, apoio ao jornalista; nota oficial; comunicado; pauta tudo que pode virar notícia: release, boletim de sugestões, pauta exclusiva; press-kit; publieditorial; sites; veículos jornalísticos institucionais; follow up; media training e workshops (DUARTE, 2006). Para Martinez (2006, p. 228) esses produtos e serviços têm funções efetivas para a competência de uma assessoria, pois traduzem-se no uso planejado da diversidade. Desta maneira, espera-se de uma assessoria a

7 SILVA, Jany Carla Arruda da. ÁVALO, Hélio. 89 leitura de conjuntura dos jornais nos níveis que forem necessários à empresa, para estar apta a dar aos dirigentes uma idéia do cenário político, econômico e social, antecipar tendências e acontecimentos que venham afetar a vida da empresa. Além disso, também a criação, implementação e desenvolvimento dos produtos jornalísticos considerados estratégicos e necessários à consecução dos objetivos da política de comunicação da empresa (jornais, house organs, revistas, faxnews, site, dentre outros); divulgação aos públicos e por meio das mídias julgadas pertinentes dos produtos gerados pela assessoria; cobertura de eventos ligados à empresa; organização de entrevistas coletivas. Para Ribeiro (2002), o relacionamento reativo e proativo com a imprensa regional e nacional leva à organização de encontros entre os dirigentes da empresa e editores e repórteres dos veículos e editorias relevantes, que sejam relacionados com a natureza social, econômica e política da instituição, de forma que haja troca de questões conjunturais ou específicas do setor de atuação da empresa. É importante considerar que a imprensa não trabalha com a atividade da natureza da assessorada, ela é uma área de trabalho facilitadora e vendedora da imagem da empresa, que não se encaixa na rotina de sua produção, mas por outro lado, possui uma lógica e rotina próprias, sendo assim, o trabalho das assessorias devem adequar-se a cada empresa de comunicação. A comunicação em instituições públicas deve ser regida pelos mesmos princípios e da mesma forma que nas privadas, já que alguns dos objetivos de ambas se assemelham: a transparência, ética, formação e solidificação da imagem, o comprometimento com o público, a oferta de serviços, dentre outros. Entretanto, a responsabilidade não é com o lucro, mas sim com a cidadania e a democracia, o que enseja que os trabalhos e, portanto, também a comunicação, sejam exercidos com responsabilidade ímpar, a fim de corresponder os anseios e necessidades da sociedade (TORQUATO, 1992). A comunicação, como processo e técnica, fundamenta-se nos conteúdos de diversas disciplinas do conhecimento humano, intermedia o discurso organizacional, ajusta interesses, controla os participantes internos e externos, promove, enfim, a maior aceitabilidade da ideologia empresarial. Como poder expressivo, exerce uma função meio perante outras funções fim da organização. Nesse sentido, chega a contribuir para a maior produtividade, corroborando e reforçando a economia organizacional (REGO, 1986, p. 17). Em outras palavras, Rego (1986) diz que a comunicação enquanto processo é uma coisa. Mas em sua plenitude exerce poder, que ele chama de expressivo, legitimando outros poderes da organização, como o remunerativo, normativo e coercitivo. Assim, a comunicação torna-se uma ferramenta para gerar consentimento, que é uma meta importante da comunicação organizacional. Produzir aceitação, melhorar o desempenho, a acessibilidade e a expressividade por meio da comunicação expressiva-emocional, deve ser o objetivo dos profissionais que lidam com comunicação nas empresas. Para isso, o autor coloca é primordial a escolha dos canais adequados, conforme os objetivos e os públicos. É preciso fazer algumas distinções entre os termos comunicação e informação. Enquanto a comunicação compreende todos os meios e formas de transmissão de informação, a informação é definida como todo sinal,

8 SILVA, Jany Carla Arruda da. ÁVALO, Hélio. 90 signo ou símbolo que pode ser empregado por uma ou varias pessoas para modificar o comportamento de um ou mais indivíduos. Por outro lado, a comunicação seria, portanto, a transferência de informação entre duas ou varias pessoas (MEKSENAS, 2002). Levado o conceito para o âmbito da empresa, privada ou pública, podemos dizer que a informação empresarial constitui uma atividade reguladora, compreendendo tudo aquilo que a empresa recebe ou emite com o objetivo de padronizar comportamentos, são os regulamentos, normas, portarias, avisos. A comunicação empresarial é um processo mais amplo, que objetiva provocar atitudes voluntárias por parte dos públicos para os quais a empresa se dirige. Engloba, portanto, todos os tipos de informações empresariais (TAVARES, 2010). Os objetivos gerais da comunicação devem produzir maior prazer e satisfação no trabalho e nas relações entre os colaboradores; atitudes mais desejáveis e mais racionais, em conseqüência de um maior sentido de participação e talvez de uma melhor informação acerca do ambiente de trabalho; ainda, um sentimento mais desenvolvido do dever, em conseqüência de uma definição mais clara de autoridade e de responsabilidade, uma ação mais inteligente do trabalho e nas negociações (REGO, 1986, p. 60). Os objetivos gerais da comunicação coletiva de uma organização complexa, do tipo utilitário, como o Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul, devem promover acessibilidade e são assim expressadas por Rego: a) Projetar um conceito adequado das organizações perante públicos internos e externos, consistentes com suas políticas, crenças e valores; b) criar, manter e desenvolver, internamente, formas de comunicação que contribuam para a maior e melhor operacionalidade dos sistemas e atividades; c) Desenvolver, harmoniosamente, um espírito de equipe, preparando e organizando situações comunicativas que se traduzam em melhores performances profissionais; d) contribuir para o desenvolvimento de valores básicos dos participantes, do tipo solidariedade, companheirismo, dedicação; e) projetar junto a centros irradiadores de opinião e poder o pensamento ideológico da organização, de forma que os resultados dessa projeção possam favorecer o desempenho operacional e administrativo; f) racionalizar formas de comunicação, contribuir para diminuir custos dos programas, aumentando sua eficácia; g) traduzir, em mensagens claras, as decisões sobre operações, métodos e técnicas de trabalho; h) acompanhar e influenciar o meio ambiente, criando e desenvolvendo representações e contatos junto aos poderes executivo, legislativo e judiciário (municipais, estaduais e federais), diagnosticando as tendências político-partidárias e estabelecendo vínculos que possam ampliar as bases dos negócios (REGO, 1986, p. 89). Cada vez mais os profissionais de comunicação precisam aprimorar sua formação em gestão e ampliar conhecimentos sobre o campo de comunicação e áreas da interface, dentro da empresa, o comunicador empresarial deve deixar de ser um fazedor de mídia para participar da formulação das políticas da empresa (VIANA, 2001). Oliveira e Paula (2007, p ) enfatizam que a comunicação organizacional se processa nas interfaces com outros campos e promove interações entre organização e atores sociais, trabalhando os fluxos informacionais e relacionais, de modo a contribuir para a construção de sentido sobre as ações da organização e do ambiente. Além disso, favorece a interação da organização com a sociedade e cria mecanismos que possibilitam a validação pública da sua atuação e conduta. Engloba políticas e estratégias de comunicação elaboradas a

9 SILVA, Jany Carla Arruda da. ÁVALO, Hélio. 91 partir dos valores e objetivos da organização, numa dimensão articulada à gestão organizacional, bem como às expectativas e demandas dos atores sociais com os quais interage, assim, os subcampos jornalismo, e publicidade e propaganda voltam-se para os fluxos informacionais entre empresa e mídia, coordenando sua quantidade, variedade e aplicação. Materiais e métodos Segundo Vieira e Hossne (2011, p. 136), uma revisão bibliográfica mostra a evolução de conhecimentos sobre um tema específico, aponta as falhas e os acertos dos diversos trabalhos na área fazendo críticas e elogios e resume o que é, realmente, importante sobre o tema. Partindo desta perspectiva, foi realizada uma revisão de bibliografia, no intuito de descrever os conceitos teóricos e os aspectos históricos do jornalismo empresarial no Brasil, suas características mais relevantes e algumas formas de aplicação. Cada situação comunicacional tem características peculiares e não pode ser generalizada, portanto, em síntese, o melhor meio de análise se baseou na pesquisa qualitativa chamada estudo de caso, como explicam Alves-Mazzotti e Gewandsznajder (2002, p. 147, 163): ao contrário do que ocorre com as pesquisas quantitativas, as investigações qualitativas, por sua diversidade e flexibilidade, não admitem regras precisas, aplicáveis a uma gama de casos, as pesquisas qualitativas são caracteristicamente multimetodológicas. Podemos dizer que a observação (participante ou não), a entrevista em profundidade e análise de documentos são os mais utilizados, embora possam ser complementados por outras técnicas. Partindo desse pressuposto, após a revisão de literatura, foi elaborada uma pesquisa e análise sobre o Tribunal de Justiça e suas ações relacionadas à comunicação, notícias e projetos divulgados por ele na mídia, de andamento atual e futuro; para assim, saber se estes estão atingindo o objetivo divulgado pela instituição, que é aproximar os cidadãos dos seus direitos em relação à justiça. Resultados e discussões O Estado de Mato Grosso do Sul foi criado pela Lei Complementar n. 31, de 11 de outubro de 1977, que estabeleceu o Poder Judiciário do Estado juntamente com os demais Poderes. Hoje, a sede do Poder Judiciário fica no Parque dos Poderes, na capital do estado. Todas as comarcas somam 54, abrangendo praticamente todas as cidades do estado, os municípios e distritos menores que não possuem comarca própria são atendidos pelas mais próximas. O Poder Judiciário do Mato Grosso do Sul (PJMS) possui uma Secretaria de Comunicação, que em conjunto com outras secretarias, administra seu sítio na internet, a Intranet para os funcionários, o informativo mensal do Tribunal de Justiça TJ em notícias, os eventos (relações públicas) e as ações de publicidade e marketing. Um dos primeiros projetos de destaque que utiliza como principal ferramenta a comunicação no Tribunal

10 SILVA, Jany Carla Arruda da. ÁVALO, Hélio. 92 de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) é o projeto Conheça o Judiciário, que surgiu em cumprimento à Meta 4, proposta pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para 2011, que previa a implantação de pelo menos um programa de esclarecimento ao público sobre as funções, atividades e órgãos do Poder Judiciário em escolas ou quaisquer espaços públicos. O projeto continua em atuação até hoje, tendo como slogan Um Meio Legal de Entender a Justiça, a intenção do Projeto Conheça o Judiciário, além de cumprir a meta é, ao mesmo tempo, aproximar o judiciário da sociedade, além de permitir que os participantes adquiram conhecimentos práticos a respeito do funcionamento da justiça estadual, pretende criar canais efetivos de comunicação com a sociedade e tornar possível à população conhecer a realidade do Tribunal de Justiça, sua atuação como órgão participativo e interativo com os problemas sociais e principalmente como guardião das garantias constitucionais. Entre suas ações são realizadas visitações aos órgãos do Poder Judiciário, divulgação nas mídias impressa, falada e televisiva; palestras ministradas pela Secretaria da Escola do Servidor (SES); convênios com escolas, disponibilização de outdoors em diferentes pontos da Capital, utilização de busdoor; distribuição de cartilhas, entre outros. Trata-se de um projeto homenageado pela sociedade, no entanto, até o momento vem sendo executado apenas na capital, então, para que seu objetivo realmente seja alcançado e amplificado é preciso que seja levado às comarcas do interior também, onde estão a maior parte dos jurisdicionados. Em 27 de abril de 2012, por meio do Provimento nº 259, o TJMS criou o Comitê Gestor de Comunicação Institucional, órgão consultivo da Presidência nas questões relacionadas com as ações de comunicação social do Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul. Sendo formado por dois desembargadores, juízes e a direção da Secretaria de Comunicação, sua criação foi justificada em razão do princípio constitucional da publicidade, do qual se extrai que o Poder Público deve agir com transparência, prestando contas de suas atividades à sociedade. Sua finalidade, segundo o Tribunal, é atender a população, para que haja o aprimoramento da comunicação com o público externo, que é um dos Objetivos Estratégicos do Judiciário Nacional, de tal modo que a imprensa se aproxime do Poder Judiciário e tenha condições e conhecimento para transmitir informações fidedignas e claras. Apesar deste comitê ser uma ação recente do Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul e motivado pela Resolução nº 85 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que trata da Comunicação Social no âmbito do Poder Judiciário Brasileiro, também demonstra um início de conscientização do órgão quanto à importância da comunicação para a cidadania. Haja vista ser dever do Poder Judiciário possibilitar, por meio de uma linguagem acessível, amplo conhecimento à sociedade de suas políticas públicas, além de divulgar os direitos dos cidadãos e os serviços colocados à sua disposição. Dentre outras responsabilidades, caberá aos membros do Comitê Gestor de Comunicação Institucional: propor e apreciar diretrizes, prioridades, estratégias, orientações e instrumentos de gestão dos processos de comunicação do Poder Judiciário; coordenar o desenvolvimento e a execução das ações de publicidade; orientar as ações de Comunicação Social realizadas com recursos orçamentários do Poder Judiciário, com a observância da

11 SILVA, Jany Carla Arruda da. ÁVALO, Hélio. 93 eficiência e da racionalidade na sua aplicação; orientar a adoção de critérios de utilização de marcas para ações de publicidade e de identidade visual, nos sítios e portais dos órgãos do Poder Judiciário; orientar as diretrizes básicas para a comunicação digital nos sítios e portais dos órgãos do Poder Judiciário; apoiar os integrantes da Secretaria de Comunicação Social nas ações de imprensa que exijam, pela natureza da pauta, articulação interna e participação coordenada no Poder Judiciário (Diário da Justiça nº 2638 de 27/04/2012, Provimento 259, p. 2). Outra ação que demonstra o reconhecimento da instituição da necessidade de aderir às novas tecnologias, aproximando-se assim da população, é a inserção do Judiciário de MS nas redes sociais a partir de 05 de junho de 2012, com o lançamento de perfis oficiais do TJMS no Facebook, Twitter e no Flickr. Com estas novas ferramentas disponíveis, o judiciário estadual visa assegurar mais transparência aos atos institucionais e possibilitar maior proximidade no relacionamento com a sociedade. No Youtube, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul disponibiliza desde agosto de 2009, os vídeos produzidos pela Secretaria de Comunicação Social e as entrevistas concedidas pelos magistrados do estado às redes locais de televisão (http://www.youtube.com/user/tjmsjornalismo). O serviço de RSS envia ao internauta as notícias do TJMS e permite a visualização customizada desde fevereiro de Esse mecanismo permite que notícias sejam alimentadas (feed) automaticamente assim que os textos são publicados no sítio do TJ (http://www.tjms.jus.br/rss/portaltjms.php). Exemplificando a inserção da instituição na era da informatização, há previsão de que até dezembro de 2012, 100% da Justiça de Mato Grosso do Sul seja digital, ou seja, com distribuição e tramitação de processos apenas eletrônicos, não em papel mais. O TJMS é pioneiro nesse sentido, pois já em 2005 passou a ter processo 100% digital em todas as fases.

12 SILVA, Jany Carla Arruda da. ÁVALO, Hélio. 94 CONSIDERAÇÕES FINAIS Como se pode constatar pela pesquisa apresentada, é indiscutível que o uso da comunicação como ferramenta de gestão estratégica tem feito a diferença em um dos órgãos de promoção da cidadania mais importante do nosso estado, promovendo assim a aproximação do cidadão ao seu direito à justiça. No entanto, pelo fato dos projetos do Judiciário sul-mato-grossense serem recentes e pioneiros nesta área, é preciso que a gestão se atente em atuar de forma crítica, de modo a estar sensível e tomar as ações acertadas para as correções necessárias, pois os itens a serem amadurecidos e melhorados poderão ser percebidos ao longo do tempo, apenas com a real execução das ações propostas. Um exemplo é o fato do comitê gestor de comunicação, o mais influente grupo diretamente ligado à gestão da comunicação, contar com apenas um profissional de comunicação e vários superiores do Tribunal (juízes e desembargadores), mostrando aí que a instituição, embora aberta à era digital e com grandiosos avanços, ainda não se desvencilhou do engessamento típico do sistema público. Apesar de existir abaixo deles uma equipe técnica de execução, mais profissionais de comunicação e administração envolvidos na gerência das decisões, agregariam um olhar mais amplo, uniforme, coerente e eficiente na elaboração do planejamento estratégico comunicacional com metas a curto, médio e longo prazo. O equilíbrio entre o uso da linguagem e meio de comunicação adequados ao público faz-se necessário. Ponderamos que para uma análise eficaz da adequação de linguagem nestes projetos do TJMS caberia outro tipo de estudo mais aprofundado, mesmo assim, vale ressaltar que somente o veículo de comunicação não supre todas as intenções de informar pretendidas. O direito e as leis são cheios de termos técnicos, pouco conhecidos e que atrapalham a compreensão de pessoas leigas neste assunto, por isso, deve prevalecer nestes projetos a mensagem mais coloquial, clara e simples possível. Se de outra forma for, os objetivos finais propostos pelo TJMS não serão alcançados, pois os muros que separam a maioria da população do mundo jurídico não serão transpostos. O poder judiciário deve estar ao alcance de todos; o bom uso da comunicação e de suas ferramentas, executadas por profissionais qualificados deve promover isso. Ainda há muitas ações a serem tomadas, porém, há ânimo ao perceber que os primeiros passos já foram dados, não obstante, devem continuar e serem expandidos não somente para suprir as metas dos órgãos fiscalizadores do governo e da justiça, mas sim, para garantir o que a constituição determina.

13 SILVA, Jany Carla Arruda da. ÁVALO, Hélio. 95 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVES-MAZZOTTI, Alda Judith; GEWANDSZNAJDER, Fernando. O Método nas Ciências Naturais e Sociais: pesquisa quantitativa e qualitativa. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, BAHIA, Benedito Juares. Introdução à comunicação empresarial. São Paulo: Mauad, CHAPARRO, Manuel Carlos. Pragmática do Jornalismo: busca pragmática para uma teoria da ação jornalística. São Paulo: Summus, DUARTE, Jorge (organizador). Assessoria de imprensa e relacionamento com a mídia: teoria e técnica. 2 ed. São Paulo: Atlas, KUNSCH, Margarida Maria Krohling (Org.). Comunicação Organizacional: histórico, fundamentos e processos. Volume 1. São Paulo: Saraiva, Comunicação Organizacional: linguagem, gestão e perspectivas. Volume 2. São Paulo: Saraiva, Planejamento de Relações Públicas na Comunicação Integrada. Ed. revista, atualizada e ampliada. São Paulo: Summus, Relações Públicas e modernidade: novos paradigmas na comunicação organizacional. São Paulo: Summus, LORENZON, Gilberto; MAWAKDIYE, Alberto. Manual de Assessoria de Imprensa. 2 ed. Campo dos Jordão/RJ: Mantiqueira, MAFEI, Maristela. Assessoria de Imprensa: como se relacionar com a mídia. 3 ed. São Paulo: Contexto, MARTINEZ, Francisco. Os Meios de Comunicação e a Sociedade. In BRASIL Mediatamente! Televisão, cultura e educação. Brasília: Ministério da Educação, SEED, MEKSENAS, Paulo. Cidadania, poder e comunicação. São Paulo: Cortez, NASSAR, Paulo; FIGUEIREDO, Rubens. O que é comunicação empresarial. São Paulo: Brasiliense, NEVES, Roberto de Castro. Comunicação empresarial integrada: como gerenciar: imagem, questões públicas, comunicação simbólica, crises empresariais. Rio de Janeiro: Mauad, OLIVEIRA, Ivone de Lourdes; PAULA, Maria Aparecida de. O que é comunicação estratégicas nas organizações?. São Paulo: Paulus, 2007 OLIVEIRA, Fábio Risério Moura de. Relações Públicas e a comunicação na empresa cidadã. In: Responsabilidade social das empresas a contribuição das universidades. São Paulo: Peirópolis, REGO, Francisco Gaudêncio Torquato. Jornalismo Empresarial: teoria e prática. 2 ed. São Paulo: Summus, Comunicação empresarial, comunicação institucional: conceitos, estratégias, sistemas, estruturas, planejamento e técnicas. São Paulo: Summus, RIBEIRO, Lair. Comunicação Global: o poder da influência. Belo Horizonte: Editora Leitura, 2002.

14 SILVA, Jany Carla Arruda da. ÁVALO, Hélio. 96 TAVARES, Maurício. Comunicação empresarial e planos de comunicação: integrando teoria e prática. São Paulo: Atlas, TORQUATO, Gaudêncio. Cultura, poder, comunicação e imagem: Fundamentos da nova empresa. São Paulo: Atlas, TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE MATO GROSSO DO SUL. Acesso em 25/07/2012 e 01/08/2012. VIANA, Francisco. De cara com a mídia: comunicação corporativa, relacionamento e cidadania. São Paulo: Negócios Editora, VIEIRA, S; HOSSNE, W. S. Metodologia Científica para Áreas da Saúde. Rio de Janeiro: Elsevier, 2001.

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